A agricultura pode ajudar a reflorestar? Pesquisadores brasileiros de nanotecnologia mostram que sim

O Brasil assumiu o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, área equivalente a quase três vezes o território do estado do Rio de Janeiro. A dimensão da meta, prevista no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), ajuda a revelar um desafio que vai além de plantar árvores: para que uma área seja efetivamente restaurada, as mudas precisam sobreviver e se desenvolver em ambientes que muitas vezes já perderam parte das condições que sustentavam a vegetação original.

Solos degradados, períodos de baixa disponibilidade de água, temperaturas elevadas e exposição intensa à radiação solar estão entre os fatores que podem dificultar o estabelecimento das plantas após o transplante. É nesse período inicial que uma tecnologia originalmente investigada em diferentes frentes da agricultura começa a ganhar espaço também na restauração ambiental.

Pesquisas desenvolvidas na Amazônia e na Mata Atlântica estão avaliando o uso de nanotecnologia para produzir mudas mais preparadas para enfrentar as condições encontradas depois que deixam o viveiro. Nanoformulações, nanopartículas e pontos quânticos de carbono são estudados por sua capacidade de interferir em processos fisiológicos das plantas, favorecendo características relacionadas à fotossíntese, ao uso da água, ao crescimento e à resposta a estresses ambientais.

A aproximação entre nanoagricultura e restauração florestal também mobiliza pesquisadores ligados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro). Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), uma das frentes coordenadas pelo professor Halley Caixeta de Oliveira, vice coordenador do INCT NanoAgro, investiga como ferramentas semelhantes às estudadas para tornar plantas agrícolas mais resistentes podem ser empregadas na preparação de espécies nativas destinadas à recuperação da Mata Atlântica.

Da lavoura para a floresta

Na agricultura, diferentes aplicações da nanotecnologia vêm sendo estudadas para melhorar a eficiência no uso de insumos e modular respostas das plantas diante de condições adversas. No reflorestamento, parte dessa lógica pode ganhar uma nova finalidade. Em vez de aumentar a capacidade de uma cultura agrícola atravessar um período de déficit hídrico ou outro estresse, por exemplo, a tecnologia pode ser utilizada para preparar uma muda nativa para o momento crítico em que ela deixa as condições controladas do viveiro e passa a enfrentar o ambiente de uma área em restauração.

O grupo coordenado por Halley investiga nanopartículas capazes de liberar moléculas doadoras de óxido nítrico e pontos quânticos de carbono. Os estudos realizados até agora indicam efeitos sobre processos como fotossíntese, eficiência no uso da água, adaptação ao sol pleno e desenvolvimento inicial das mudas. Essas respostas são particularmente importantes porque uma muda produzida em viveiro encontra condições bastante diferentes depois do plantio. A disponibilidade de água deixa de ser controlada, a incidência de luz pode aumentar significativamente e o sistema radicular precisa se estabelecer em um solo que pode apresentar limitações físicas, químicas e biológicas.

A proposta, portanto, não é utilizar nanotecnologia para substituir as estratégias ecológicas necessárias à restauração de uma área, mas investigar se ela pode aumentar a qualidade fisiológica das mudas que serão levadas ao campo e ajudá-las a atravessar uma das etapas mais vulneráveis do processo de reflorestamento.

Na Amazônia, tecnologia acompanha a muda depois do plantio

A possibilidade de aplicação ganhou novas perspectivas a partir de uma visita de Halley ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), onde conheceu uma iniciativa que utiliza nanotecnologia em espécies amazônicas destinadas ao reflorestamento. No projeto, os pesquisadores avaliam os efeitos de uma nanoformulação sobre o crescimento e a fisiologia das plantas, sua resistência a estresses ambientais e a captura de carbono. Um dos diferenciais é acompanhar a tecnologia para além da produção das mudas.

Os testes incluem plantas inseridas em diferentes sistemas de cultivo, como áreas com uma única espécie, plantios mistos e sistemas agroflorestais. As aplicações também podem continuar depois do transplante, permitindo acompanhar a resposta das árvores durante sua adaptação às condições de campo. Essa passagem do viveiro para a área de restauração é essencial para determinar se benefícios observados durante a produção das mudas permanecem quando fatores ambientais deixam de ser controlados.

Reflorestamento também pode gerar renda

A experiência amazônica acrescenta outra dimensão à discussão: a escolha das espécies pode aproximar recuperação ambiental, captura de carbono e geração de renda para populações locais. A castanheira está entre as espécies estudadas. Além de integrar estratégias de recomposição da vegetação amazônica, a árvore produz um recurso florestal de valor econômico que pode ser explorado sem a necessidade de derrubá-la.

Em sistemas agroflorestais, essa lógica pode ser combinada a espécies que começam a produzir em períodos mais curtos. Culturas como banana e cacau podem integrar os arranjos enquanto as árvores de maior porte se desenvolvem, criando possibilidades de geração de renda durante um processo de restauração que naturalmente ocorre em horizonte de longo prazo. Nesse contexto, aumentar a capacidade das mudas de se estabelecerem no campo interessa não apenas à recuperação ecológica. A sobrevivência e o desenvolvimento das plantas também são condições para que os modelos produtivos associados à floresta consigam se sustentar economicamente.

Testes avançam para condições reais de restauração

Na Mata Atlântica, as pesquisas coordenadas por Halley também começam a ultrapassar as condições de laboratório e viveiro. Além dos experimentos conduzidos nas fazendas escola da UEL e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), uma nova frente está sendo iniciada em parceria com a RPPN Monte Sinai e o Criadouro Onça Pintada. A etapa permitirá observar como mudas tratadas com nanotecnologia respondem às condições encontradas efetivamente em áreas de restauração. É uma transição importante porque fatores que podem ser controlados experimentalmente passam a interagir simultaneamente no campo.

Seca, temperatura, radiação, características do solo e competição com outras plantas, por exemplo, podem influenciar o estabelecimento das espécies. Avaliar a tecnologia nesse cenário permite verificar se as respostas fisiológicas observadas anteriormente se traduzem em vantagens durante o desenvolvimento das mudas.

A aproximação entre essas pesquisas mostra como conhecimentos produzidos para a agricultura podem encontrar aplicações em outros desafios ambientais. Processos fisiológicos que determinam a capacidade de uma cultura agrícola enfrentar falta de água ou temperaturas elevadas também estão presentes em uma árvore recém-plantada em uma área degradada. A diferença está no objetivo. Na lavoura, busca-se proteger a produtividade de uma cultura. Na restauração, a mesma base de conhecimento pode ser utilizada para aumentar as chances de uma muda sobreviver, crescer e participar da reconstrução de um ecossistema.

Ainda há etapas importantes antes que essas tecnologias possam ser incorporadas em larga escala a programas de reflorestamento. Os estudos precisam avaliar, entre outros aspectos, desempenho em campo, duração dos efeitos, doses adequadas para diferentes espécies e segurança ambiental das aplicações. Os experimentos conduzidos na Amazônia e na Mata Atlântica, porém, começam a aproximar essas perguntas das condições reais de restauração.

Para o INCT NanoAgro, essa conexão também amplia as possibilidades de aplicação da nanotecnologia desenvolvida no país. A rede reúne pesquisadores de diferentes instituições em oito frentes de atuação voltadas à agricultura e à sustentabilidade, trabalhando em parceria com instituições científicas, startups e empresas. Ao levar parte desse conhecimento para espécies nativas, a pesquisa adiciona uma nova possibilidade à nanotecnologia agrícola brasileira, em que, além de ajudar plantas cultivadas a enfrentar ambientes adversos, preparar árvores para voltar a ocupar áreas onde a floresta precisa ser reconstruída.

Foto: Mikhail Nilov / Pexels.com

Acordo Mercosul-EFTA abre novas oportunidades para exportações do agronegócio brasileiro à Noruega

O agronegócio brasileiro terá novas oportunidades de acesso ao mercado norueguês a partir de hoje (01/11), com a entrada em vigor dos benefícios tarifários previstos no acordo entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). A regulamentação estabelece os procedimentos para utilização das cotas de exportação de produtos agropecuários, entre eles carne bovina, carne de aves, mel natural, milho, trigo duro, maçãs frescas e farinha de soja.

A medida abre espaço para ampliar a presença de produtos brasileiros em um mercado de elevado poder aquisitivo, com condições tarifárias preferenciais que podem aumentar a competitividade frente a fornecedores de países que não possuem acordos semelhantes. Entretanto, o aproveitamento das oportunidades dependerá do cumprimento de exigências comerciais, sanitárias e documentais, além da disponibilidade dos volumes estabelecidos para cada produto.

Segundo a advogada Anna Dolores Sá Malta, especialista em comércio exterior e ex-conselheira do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a entrada em vigor das novas condições representa uma oportunidade estratégica para empresas que pretendem diversificar seus destinos de exportação. “A Noruega é um mercado de alto poder aquisitivo e a preferência tarifária pode tornar o produto brasileiro mais competitivo. Além do potencial de ampliar as vendas, a presença nesse mercado também pode funcionar como uma vitrine para outros destinos europeus”, explica.

Entre os segmentos com maior potencial de aproveitamento estão as cadeias de carnes, mel e milho. Para produtores e exportadores do Nordeste, a especialista também identifica oportunidades relacionadas ao mel, às frutas e aos seus derivados, desde que as mercadorias estejam contempladas nas condições preferenciais e atendam às exigências de entrada no país.

Disputa por cotas exige planejamento dos exportadores

Um dos principais pontos de atenção é o funcionamento das cotas tarifárias. Em 2026, não haverá distribuição prévia dos volumes entre os países integrantes do Mercosul. A alocação seguirá a ordem de apresentação dos pedidos, o que coloca exportadores brasileiros em concorrência direta com empresas dos demais países do bloco.

“Na prática, é uma disputa em que quem chega primeiro tem mais chances de garantir o benefício. Como não existe uma divisão antecipada das cotas entre os países do Mercosul, há risco de os volumes disponíveis serem rapidamente preenchidos, especialmente nos produtos mais atrativos. As empresas que estiverem com documentação, origem e logística organizadas terão vantagem”, alerta Anna Dolores.

Para solicitar o benefício, o exportador deverá registrar o pedido de licença no módulo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos (LPCO), disponível no Portal Único Siscomex. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) será responsável por verificar a disponibilidade da cota, reservar o volume solicitado e analisar a licença.

Após o deferimento, a empresa terá até 60 dias para vincular a licença à Declaração Única de Exportação (DU-E). Com a conclusão do desembaraço aduaneiro, será disponibilizado o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, documento necessário para a utilização da preferência tarifária na Noruega.

O descumprimento dos prazos pode comprometer a operação. Caso a licença não seja vinculada à declaração de exportação dentro do período estabelecido, a autorização perde a validade e o volume reservado retorna à cota disponível.

Além da disputa pelos volumes, os exportadores precisarão observar as regras sanitárias e fitossanitárias exigidas pelo mercado norueguês. Para produtos de origem animal, como carnes e mel, a habilitação dos estabelecimentos, a certificação sanitária e os mecanismos de rastreabilidade estão entre os pontos que exigem maior atenção. Também será necessário comprovar a origem das mercadorias e cumprir os padrões de qualidade e rotulagem aplicáveis ao produto.

“A redução tarifária, por si só, não garante a entrada da mercadoria. É necessário verificar se o estabelecimento está habilitado, se o produto atende às exigências sanitárias e se toda a documentação está adequada. Uma falha nesse processo pode impedir o embarque ou comprometer o acesso ao benefício”, destaca a advogada.

O cenário também impõe desafios aos pequenos e médios exportadores. Embora possam participar das operações, essas empresas tendem a enfrentar maiores dificuldades diante dos custos de certificação, das exigências regulatórias e da necessidade de organização logística. Para Anna Dolores, alternativas como cooperativas, consórcios de exportação e parcerias com empresas comerciais exportadoras podem facilitar o acesso ao mercado.

A especialista também aponta a importância do apoio de entidades setoriais e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), especialmente para empresas que ainda não possuem experiência em operações internacionais.

A orientação é que os exportadores revisem seus cadastros e habilitações no Siscomex, confiram a documentação de origem, verifiquem as condições sanitárias e ajustem os contratos comerciais com os importadores noruegueses. Questões como responsabilidades pelo transporte, prazos de entrega, condições de pagamento e utilização da preferência tarifária devem estar previamente definidas. “O exportador precisa olhar para toda a operação, não apenas para a redução do imposto. É fundamental revisar os contratos, conferir a origem da mercadoria, verificar as habilitações e planejar a produção e o embarque dentro do prazo de 60 dias. O acompanhamento jurídico e comercial ajuda a evitar a perda de cotas e problemas que podem comprometer a rentabilidade da exportação”, conclui Anna Dolores Sá Malta.

Foto: Magnifc

A virada de chave no campo: como a gestão programada de insumos protege a rentabilidade da lavoura

por Ivan Moreno*

Garantir margem de lucro no agronegócio exige olhar além do volume colhido por hectare. Em um mercado onde a cotação das commodities oscila pelas bolsas internacionais, do câmbio e das tensões geopolíticas, o produtor rural praticamente não interfere no preço final do seu produto. Diante dessa realidade, o controle rigoroso das despesas operacionais tornou-se o principal motor de sustentabilidade financeira dentro da porteira.

Sementes, fertilizantes, defensivos e combustível representam a fatia do orçamento sobre a qual o agricultor exerce poder direto de decisão. Com isso, determinar o instante exato da compra, o volume ideal e os termos de pagamento deixou de ser um ato meramente operacional para assumir papel decisivo no planejamento estratégico e na saúde do caixa da fazenda.

A previsibilidade de custos ganha força ao permitir o fracionamento das aquisições ao longo de todo o ano agrícola. Esse modelo mitiga a exposição aos picos de preços no mercado à vista e amplia a eficácia de mecanismos como as operações de barter e os contratos de entrega futura, alinhando as despesas à expectativa real de faturamento.

Nesse processo de tomada de decisão, o acervo de informações da própria propriedade funciona como um guia indispensável. O cruzamento de dados de safras anteriores, como produtividade por talhão, histórico de pragas e resposta das cultivares, auxilia no dimensionamento preciso das demandas de cada fase da lavoura, coibindo desperdícios com estoques parados ou compras feitas às pressas. Do mesmo modo, o raio-x financeiro dos ciclos passados revela parâmetros essenciais para avaliar se uma oferta comercial é realmente vantajosa para a saúde da operação.

Na contramão dessa eficiência, adiar a compra de insumos para a véspera do plantio sujeita o produtor a turbulências do mercado e a entraves logísticos. A pressa sufoca a capacidade de negociar valores, comparar fornecedores e organizar os recebimentos, estrangulando o fluxo de caixa. A alternativa inteligente é diluir as aquisições em janelas estratégicas ao longo do calendário, acompanhando o comportamento do mercado para fechar negócio no momento em que as condições atendam às metas da fazenda. A finalidade não é adivinhar o ponto mínimo da cotação, mas evitar flutuações bruscas e consolidar um custo médio equilibrado.

Foto: Mark Stebnicki / Pexels.com

O papel da tecnologia na transformação das compras agrícolas

A expansão dos ecossistemas e marketplaces digitais no campo acelerou essa transição na gestão de suprimentos. Ao integrar distribuidores e indústrias em um único ambiente, essas ferramentas trazem transparência às cotações e agilizam a verificação de prazos e estoques em tempo real.

O histórico registrado nessas plataformas permite antever necessidades e identificar padrões de consumo com base em inteligência de dados. Essa integração transforma a relação comercial com a cadeia produtiva: o modelo reativo de compras isoladas dá lugar a parcerias contínuas. Recursos como a entrega programada, por exemplo, viabilizam a fixação de preços atrativos com antecedência, sem exigir a recepção imediata ou o armazenamento antecipado dos insumos na fazenda.

Frente a um mercado repleto de incertezas externas, a previsibilidade na aquisição de insumos firma-se como um diferencial competitivo indispensável. Apostar em compras recorrentes e planejadas significa substituir a reatividade pela gestão de dados, usando a tecnologia para mitigar riscos, otimizar recursos e proteger a rentabilidade do negócio agrícola.

*CEO da Orbia, plataforma digital integrada do agronegócio.

Energia já pesa no custo por hectare, mas ainda é gerida apenas pela conta de luz

A energia elétrica deixou de representar apenas uma despesa operacional nas propriedades rurais. Com o avanço da irrigação, da armazenagem, da refrigeração e da automação, o consumo passou a influenciar diretamente o custo por hectare, a produtividade e a margem do produtor.

Mesmo assim, em muitas propriedades, a gestão energética ainda se resume à comparação entre a conta atual e a do mês anterior. O valor final da fatura, porém, não mostra se a energia está sendo utilizada nos horários mais adequados, se a demanda contratada corresponde à necessidade da operação ou se o contrato acompanha a sazonalidade da produção.

O tema ganha importância diante da expansão da agricultura irrigada. O Brasil possui cerca de 8,5 milhões de hectares irrigados e potencial para alcançar 55 milhões. A disponibilidade de energia confiável e acessível, no entanto, ainda é apontada como um dos obstáculos ao crescimento desse modelo de produção.

A dependência energética também está presente no bombeamento de água, na secagem e armazenagem de grãos, na climatização de granjas, na ordenha mecanizada e na refrigeração de leite, carnes, frutas e hortaliças.

Para Gustavo Sozzi, CEO da Lux Energia, esse cenário exige uma mudança na forma como o produtor acompanha o consumo. “A energia deixou de ser apenas uma conta que chega no fim do mês. Em propriedades com irrigação, refrigeração ou armazenagem, ela está diretamente ligada ao volume produzido, à conservação dos alimentos e à rentabilidade da operação. Por isso, precisa ser administrada como um insumo”, afirma.

Em atividades intensivas, uma redução indiscriminada do consumo pode provocar perdas superiores à economia obtida. Limitar a irrigação em um período crítico da cultura, reduzir a refrigeração ou adiar a secagem de grãos pode comprometer produtividade, qualidade e segurança da produção.

O desafio, portanto, não é alcançar o menor consumo possível, mas utilizar a energia de maneira mais eficiente. Entre os fatores que podem elevar os gastos estão a contratação de uma demanda superior à necessidade da propriedade, o funcionamento simultâneo de equipamentos, a concentração de atividades em horários mais caros e a manutenção de contratos que não consideram as diferenças entre os períodos de safra e entressafra.

“Uma propriedade pode ter um consumo elevado porque está produzindo mais, o que não representa necessariamente um problema. A ineficiência aparece quando a conta cresce sem que exista aumento proporcional da produção ou quando custos poderiam ser evitados com ajustes operacionais e contratuais”, explica Sozzi.

A sazonalidade torna essa análise especialmente importante no campo. O consumo pode variar conforme o regime de chuvas, a temperatura e as etapas de plantio, colheita, processamento e armazenagem. Um contrato adequado ao período de maior atividade pode ficar superdimensionado durante os meses de menor operação.

Custo energético pode virar indicador de produtividade

Com a profissionalização da gestão rural, a tendência é que o gasto com energia seja relacionado aos indicadores de produção. Em vez de acompanhar apenas o total da fatura, o produtor pode analisar o custo por hectare irrigado, tonelada armazenada, litro de leite refrigerado ou volume processado.

Esse acompanhamento permite identificar se o aumento da despesa está associado ao crescimento da produção ou à perda de eficiência.

A energia também precisa entrar na gestão de risco. Falhas ou oscilações no fornecimento podem interromper sistemas de irrigação, comprometer câmaras frias, afetar granjas automatizadas e provocar perdas em produtos que dependem de temperatura controlada.

Segundo Sozzi, não existe uma solução única para todas as propriedades. Ajustes contratuais, eficiência energética, geração distribuída, autoprodução e entrada no mercado livre podem ser alternativas, dependendo do perfil de consumo e da estrutura da operação.

“O ponto de partida deve ser conhecer como, quando e onde a energia é consumida. Sem esse diagnóstico, o produtor corre o risco de contratar uma solução que parece econômica, mas não corresponde às necessidades da propriedade”, ressalta.

Para o executivo, a evolução tecnológica do agronegócio precisa ser acompanhada pela gestão energética. “O campo incorporou máquinas, sensores e sistemas cada vez mais sofisticados. A energia que sustenta essa estrutura também precisa ser planejada. Quem conhece o próprio perfil de consumo consegue controlar custos e proteger a produtividade sem tomar decisões apenas pela fatura”, conclui.

Seguro rural: nova lei que regulamenta o direito do banco de receber a indenização do seguro antes do produtor completa um mês

Produtores que financiam a safra com empréstimo bancário atrelado a seguro agrícola passam a ter, a partir de agora, uma resposta clara em lei: quando o banco exige a cessão da apólice como garantia do crédito, é ele, não o produtor, quem recebe primeiro o dinheiro da indenização, se a lavoura se perder. Essa possibilidade, que a Lei nº 15.526/2026 agora formaliza, já era prática comum nas operações de custeio rural, segundo o advogado Maurício Gewehr, especialista em contratos e negociações complexas: o seguro pode quitar a dívida e não deixar recursos para recomeçar.

“A lei não obriga isso em todo seguro rural, ela permite, de forma expressa, que o banco exija essa prioridade como condição do crédito. Na prática, isso já acontecia nos empréstimos para custeio da safra, e agora está escrito na lei. O que o produtor precisa entender é que, quando essa cláusula existe no contrato, o dinheiro do seguro vai primeiro para pagar a dívida, e pode não sobrar o suficiente para começar a próxima safra”, explica Gewehr, mestre em Direito da Empresa e dos Negócios.

A nova lei também passou a exigir prazos da seguradora depois de uma perda: até 15 dias para decidir e pagar quando basta analisar os documentos enviados pelo produtor, e até 30 dias quando é preciso visitar a lavoura ou esperar o fim da colheita para calcular o prejuízo. Antes, não havia prazo definido em lei, e o pagamento podia se arrastar sem data certa.

Para Gewehr, a mudança reforça a necessidade de olhar financiamento e seguro como uma coisa só, não dois papéis separados. “Sabemos que, na prática, o contrato de financiamento já chega praticamente pronto, com pouco espaço para discutir cláusula por cláusula. Ainda assim, vale a pena perguntar e deixar por escrito se essa condição está no contrato, quem recebe o dinheiro do seguro primeiro, e o que acontece com o valor que sobrar, se sobrar. Essa resposta muda o planejamento de quem vai plantar de novo”, orienta o advogado.

Essa clareza também interessa a quem está do outro lado da mesa. Para fornecedores e instituições que financiam o agro, deixar essa condição explícita desde a assinatura evita discussão e desgaste caso a lavoura seja perdida, todas as partes já sabem, de antemão, como o dinheiro será dividido.

Diesel dispara 6,67% no país na primeira quinzena de outubro, aponta Edenred Mobilidade

Os preços dos combustíveis voltaram a subir na primeira quinzena de outubro em todo o Brasil. Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha os valores praticados nas transações em postos de abastecimento de todo o país, a maior alta foi registrada pelo diesel comum, que avançou 6,67%, atingindo a média de R$ 7,20 por litro. O diesel S-10 também apresentou aumento expressivo, de 5,07%, chegando a R$ 7,46 por litro. O etanol subiu 2,38%, com preço médio de R$ 4,31. Já a gasolina manteve estabilidade, com leve alta de 0,15%, sendo comercializada a R$ 6,73 por litro.

A alta no preço do diesel reflete a volatilidade do mercado internacional e a necessidade contínua de complementação da oferta nacional. Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil mantém uma expressiva dependência externa para abastecer o mercado doméstico de diesel rodoviário, uma vez que a capacidade de refino das unidades nacionais não supre integralmente o consumo. No mês de agosto, as importações responderam por 23,14% do total de vendas de diesel A no país. Como forma de mitigar os impactos desse cenário e conter o repasse excessivo de custos ao consumidor, o Ministério da Fazenda oficializou um incremento de R$ 1,40 por litro no subsídio concedido aos importadores de diesel rodoviário, elevando o benefício total de R$ 2,12 para R$ 3,52 por litro.

“A necessidade de recorrer ao mercado externo para garantir o abastecimento deixa os preços internos mais expostos às oscilações internacionais do combustível e dos custos de frete. Nesse cenário, o reforço de R$ 1,40 por litro no subsídio federal busca atenuar o repasse desses custos ao transporte rodoviário e à cadeia logística do país. Ainda assim, a medida não foi suficiente para conter a alta de 6,67% no preço do diesel comum na primeira quinzena de outubro. Por sua relevância para o transporte rodoviário, o diesel é um importante termômetro da atividade logística brasileira, e variações em seu preço podem ter reflexos em diferentes setores da economia”, explica Vinicius Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade.

Na análise regional, o Sul registrou as maiores altas do diesel na primeira quinzena de outubro. O tipo comum subiu 11,70%, para R$ 6,97/L, e o S-10 avançou 7,50%, chegando a R$ 7,17/L. Apesar dos aumentos, a região manteve, ao lado do Sudeste, o menor preço médio do diesel comum (R$ 6,97/L) e registrou a gasolina mais barata do país, a R$ 6,43/L. No Centro-Oeste, o diesel comum subiu 6,97%, para R$ 7,21/L, enquanto o S-10 avançou 7,02%, atingindo R$ 7,62/L, a maior média regional para o combustível. O Norte concentrou os maiores preços médios regionais para todos os combustíveis analisados: R$ 7,75/L para o diesel comum, R$ 7,80/L para o S-10, R$ 5,19/L para o etanol e R$ 7,25/L para a gasolina. Já o Sudeste registrou o etanol mais barato do país, a R$ 4,20/L, mesmo após alta de 2,69% no período.

Foto: Emrecan Dora / Pexels.com

No recorte estadual, o diesel comum apresentou o maior preço médio em Roraima (R$ 8,19/L) e o menor em Minas Gerais (R$ 6,91/L). O Paraná registrou a maior alta, de 12,66%, com média de R$ 6,94/L, enquanto o Acre teve a maior queda, de 1,60%, para R$ 8,00/L. No diesel S-10, o Acre apresentou o maior preço (R$ 8,30/L), e o Rio Grande do Sul, o menor (R$ 6,95/L). Goiás liderou as altas, com avanço de 8,71%, para R$ 7,49/L, enquanto o Amazonas registrou a menor variação positiva, de 0,27%, chegando a R$ 7,36/L.

Entre os combustíveis leves, o etanol teve o maior preço médio em Sergipe (R$ 5,54/L) e o menor em São Paulo (R$ 4,03/L). Mato Grosso registrou a maior alta, de 3,96%, com média de R$ 4,20/L, enquanto o Rio Grande do Norte apresentou a maior queda, de 5,07%, para R$ 5,06/L. A gasolina variou entre R$ 7,64/L, em Roraima, e R$ 6,28/L, no Rio Grande do Sul. Pernambuco teve a maior alta, de 2,46%, para R$ 7,08/L, enquanto o Rio Grande do Norte registrou a maior queda, de 3,02%, chegando a R$ 6,74/L.

Etanol é mais vantajoso em 19 estados

O biocombustível foi a opção economicamente mais vantajosa em 19 estados: Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. Já a gasolina foi mais vantajosa em seis estados, sendo Alagoas, Espírito Santo, Maranhão, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Sergipe.

“A competitividade do etanol em relação à gasolina é um fator importante na escolha do combustível. Além disso, o biocombustível é uma alternativa mais sustentável para quem busca contribuir para uma mobilidade de baixo carbono, por emitir menos poluentes na atmosfera”, pontua o diretor da Edenred Mobilidade.

O IPTL é um índice de preços de combustíveis levantado com base nos abastecimentos realizados nos 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log, com uma robusta estrutura de data science que consolida o comportamento de preços das transações nos postos, trazendo uma média precisa, que tem grande confiabilidade, por causa da quantidade de veículos administrados pela marca: mais de 1 milhão, com uma média de 55 transações por segundo. A Edenred Ticket Log, marca da linha de negócios de Mobilidade da Edenred Brasil, conta com mais de 30 anos de experiência e se adapta às necessidades dos clientes, oferecendo soluções modernas e inovadoras, a fim de simplificar os processos diários.

Lula é reeleito presidente do Brasil: “Fato histórico que devo ao povo brasileiro”

com informações da Agência Gov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva governará o Brasil por mais quatro anos. Foi o que decidiu a maioria da população brasileira no segundo turno da eleição presidencial, realizado nesse domingo (25/10). Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro ao obter 64.256.232 votos e tornar-se a primeira pessoa eleita quatro vezes para o cargo de presidente da República.

“Eu quero que vocês saibam que, cada coisa que faço, faço pensando em vocês. Todas as políticas públicas são feitas pensando em vocês. Vocês me deram a primazia de ser o primeiro presidente da República eleito quatro vezes pela via democrática. Esse é um fato histórico que eu devo ao povo brasileiro”, afirmou Lula ao discursar na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo.

O discurso foi feito pouco depois de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, proclamar o resultado das eleições.

Antes de falar na Avenida Paulista, o presidente fez um pronunciamento a apoiadores e à imprensa em um hotel em São Paulo. Na ocasião, destacou que vai governar para todos os brasileiros e que manterá uma relação de respeito com o Congresso Nacional. “Na medida em que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões (de brasileiros)”, ressaltou. “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito. Mas ele foi eleito para governar para todos e com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar”, completou.

Foto: Paulo Pinto / Agência Brasil

Embrapa and Chinese institutions cooperate to strengthen AI for family farming

Embrapa and four Chinese institutions signed a Memorandum of Understanding (MoU) to expand scientific and technological cooperation between the two countries, focusing on the development and application of artificial intelligence (AI) for family farming. The agreement was signed during a mission to China in September. It provides for the establishment of the Brazil-China Cooperation Center for AI Application, as well as for joint research, the exchange of researchers and technicians, capacity-building, and the setup of pilot centers on smart agricultural machinery in Brazil.

The MoU signed by Embrapa, Nanjing Agricultural University (NAU), Jiangsu Academy of Agricultural Sciences (JAAS), Sinomach Digital Technology Corporation, and the International Association for People’s Cooperation (IAPC) establishes a framework to organize projects of common interest and bring the scientific, technological, and institutional expertise of the two countries closer. It is valid for five years.

For the president of Embrapa, Silvia Massruhá, the partnership responds to a strategic challenge for Brazilian agriculture: “If we don’t digitally include smallholders and mid-scale farmers in family agriculture, the gap between them and large-scale farmers will grow”, she explains.

Technology with adaptations to Brazilian conditions

The partnership stems from the understanding that digital technologies need to be adapted to different agricultural realities. The goal is not only to transfer solutions from one country to another, but to establish a process in which knowledge and technologies are assessed, adapted, and validated according to the conditions in each production system.

“More than just technology transfer, the agreement is about co-development, about adapting solutions to our reality”, Silvia Massruhá explains. The president stresses that such adaptation is particularly important in Brazil, which combines different production systems and six biomes.

The Memorandum comprises that very own diversity. The technologies can be applied to several agricultural chains and crops, including fruit, vegetables, corn, soybeans, rice, and other family farming activities. The solutions include smart agricultural machines, digital platforms, the Internet of Things (IoT), big data, artificial intelligence, socialized agricultural services, and crop models, as well as equipment and devices aimed at small and medium-sized properties.

Pilot centers and scientific exchange

One of the main fronts the agreement stipulates is the joint establishment of Smart Agricultural Machinery Service Centers in family farming settlements in Brazil. The pilot areas will allow for the demonstration of smart machines and platforms and for technology assessment under real production conditions. Sensors, IoT devices, big data, and artificial intelligence can be combined and used in those locations for monitoring, analysis, and decision-making support.

Integrating demonstration units into the National Program for Technical Assistance and Rural Extension (PNater) is also being considered, as well as the possibility of replicating the experiences in other settlements.

The agreement also provides for the exchange of researchers, technicians and graduate students, technical missions, workshops, seminars, training courses, and remote collaboration between the institutions. The cooperative unions involved in the pilot areas will also participate in the collection and management of data the activities generate

Chinese experience in digital agriculture and smart mechanization will be one of the bases to assess technologies that can be applied to Brazilian pilot projects. Sinomach Digital Technology Corporation is part of the digital technology front. Embrapa’s mission to China visited initiatives using robotics, automation, and artificial intelligence in agricultural production.

For instance, the Brazilian delegation learned about robotic arms used not only to harvest strawberries, tomatoes, grapes, and other fruits, but also to monitor systems that integrate different sensors and allow for real-time tracking of field information.

“The closer ties with Sinomach pave the way to bring those innovations to Brazil and adapt them to our reality”, explains Luciana Alvim Santos Romani, a researcher at Embrapa Digital Agriculture. Alongside Silvia Massruhá, she is one of the coordinators of Semear Digital, a project that aims to broaden smallholder and mid-scale farmer access to new technologies.

According to the researcher, the proposal is to “tropicalize” those solutions, combining them with knowledge already being generated in Brazil and adapting equipment and technologies to Brazilian conditions.

As an example, she mentions robots to monitor plants, count fruits, and estimate yield; or smaller tractors that are considered potentially suited for Brazilian smallholdings and medium-sized farms.

Photo: Jayme Barbedo

Pasto verde não é sinônimo de dieta equilibrada para a recria

O inverno deste ano trouxe um cenário diferente em algumas regiões do Brasil, onde a ocorrência de chuvas contribuiu para manter as pastagens verdes mesmo durante o período seco. Mas a aparência da pastagem, isoladamente, não indica se ela atende às exigências nutricionais dos animais.

Conforme explica o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson, a ocorrência de chuvas durante o inverno impediu que algumas pastagens secassem completamente. Com a chegada do período das águas e o início da rebrota com mais vigor, é importante que o produtor avalie as condições reais da fazenda antes de tomar decisões sobre o manejo nutricional.

“Pasto verde não significa pasto recuperado ou com capacidade de suprir todas as exigências dos animais. Por isso, é preciso avaliar o objetivo produtivo de cada lote e equilibrar a oferta e a qualidade da forragem com a suplementação. Se o campo mudou, a estratégia também precisa acompanhar”, afirma.

A mudança da suplementação, portanto, exige cautela para evitar que os animais percam peso ou comprometam o desempenho no início das águas. O capim em rebrota pode apresentar elevado teor de água e proteína, mas essas características, isoladamente, não garantem consumo suficiente de matéria seca nem equilíbrio entre os nutrientes da dieta.

“No período das águas a suplementação energética é uma boa alternativa, pois auxilia no estabelecimento de um equilíbrio ótimo com a proteína das pastagens, melhorando o desempenho dos animais. Para isso, a estratégia deve considerar a oferta de forragem e o equilíbrio entre energia e proteína na dieta, criando condições para uma produção eficiente de proteína microbiana no rúmen”, explica.

Na recria é fundamental aproveitar o potencial de crescimento dos animais durante as águas. A escolha do suplemento e da quantidade fornecida deve considerar a oferta e a qualidade da forragem, o peso dos animais e a meta de ganho de cada lote. O manejo deve incluir adaptação dos animais, regularidade de fornecimento e espaço de cocho adequado ao nível de suplementação e à forma de distribuição, reduzindo a competição e as diferenças de ingestão dentro do lote.

O período das águas representa uma oportunidade de avançar na recria, mas o resultado depende de planejamento e acompanhamento. O produtor precisa olhar além da cor do capim e avaliar quanto alimento está disponível e qual desempenho ele permite alcançar.

“A suplementação energética precisa caminhar junto com o manejo da pastagem. Em níveis mais elevados de fornecimento, parte do suplemento pode substituir o consumo de capim, por isso a quantidade deve ser definida considerando a resposta em ganho de peso e o custo desse ganho. Acompanhar o consumo no cocho e realizar pesagens periódicas permite ajustar a estratégia e avaliar o retorno econômico durante as águas”, conclui Marson.

Inteligência artificial e segurança alimentar centralizam debates na AI Expo Africa 2026

A convergência entre a garantia da segurança alimentar global e o avanço da inteligência artificial (IA) dita o ritmo dos debates na AI Expo Africa 2026, considerada a maior feira de tecnologia e inovação do continente africano. O evento, que reúne aproximadamente 3.500 participantes em Joanesburgo, centraliza discussões sobre o desenvolvimento tecnológico e a aplicação prática de soluções digitais voltadas para setores estratégicos, com forte apelo para o agronegócio internacional.

Com um público qualificado — composto por mais de 80% de tomadores de decisão e executivos do ecossistema de inovação —, a feira abriga cerca de 100 fornecedores globais de tecnologia. O foco desta edição é a entrega de ferramentas capazes de mitigar os impactos climáticos e otimizar a cadeia de suprimentos global, unindo a urgência da produção de alimentos à eficiência dos algoritmos.

Para o mercado de tecnologia agrícola, a feira apresenta soluções que buscam transformar a gestão no campo. Especialistas e empresas do setor demonstram aplicações práticas divididas em eixos fundamentais para o aumento da produtividade e sustentabilidade:

Monitoramento Preditivo: Tecnologias avançadas de previsão de safras e análise de dados climáticos para mitigar riscos de quebras de produção.

Automação e Robótica: Sistemas de agricultura de precisão, incluindo drones, sensores de solo e visão computacional aplicados ao manejo e à identificação de pragas.

Eficiência Operacional: Softwares de análise de dados voltados à gestão de produtividade, além de soluções inteligentes para logística, armazenagem e processamento de grãos.

Sustentabilidade: Ferramentas focadas na otimização de recursos hídricos e na eficiência energética das propriedades rurais.

Análises de especialistas presentes ao evento indicam que o objetivo central da feira ultrapassa a mera exposição de inovações de vanguarda. O foco estratégico está na viabilidade econômica e no mapeamento de parceiros comerciais aptos a transferir essas tecnologias para mercados de alta performance, como o agronegócio brasileiro. A avaliação de viabilidade técnica, o Retorno sobre o Investimento (ROI) e a adaptabilidade das soluções de IA às realidades tropicais consolidam-se como os principais critérios de validação das soluções apresentadas.

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