Com estratégia correta é possível maximizar o aproveitamento dos pastos na safrinha

por Hemython Luis Bandeira do Nascimento*

A área explorada com sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) vem crescendo ano após ano no Brasil e deve ganhar ainda mais destaque na safrinha de 2026. O movimento é impulsionado pelo cenário de alerta na agricultura, marcado pelo atraso na colheita da soja em algumas regiões, comprometendo a janela ideal de plantio do milho. Soma-se a isso a queda nos preços dos grãos, em contraste com o momento positivo da pecuária, sustentado pela valorização da arroba do boi gordo e do bezerro.

Nesse contexto, muitos produtores têm optado pelo plantio de milho ou sorgo consorciados com capim, ou até mesmo pelo cultivo exclusivo da forrageira após a soja, utilizando as áreas para o pastejo do gado durante a safrinha, no chamado “boi safrinha”. É consenso que a ILP proporciona melhorias importantes ao sistema de produção, seja pela formação de palhada deixada pela pastagem, que favorece o cultivo de grãos na safra seguinte, seja pela oportunidade de oferecer pasto de qualidade e em quantidade adequada aos animais durante o período seco.

No fim, o objetivo é sempre o mesmo: aumentar a produtividade e a rentabilidade, mantendo a sustentabilidade do sistema. No entanto, para explorar todo o potencial desse modelo produtivo, é fundamental atenção a alguns pontos técnicos, como o controle de plantas daninhas, o momento ideal de entrada e retirada dos animais da área, além da suplementação e do manejo do pasto.

Controle de invasoras

O capim implantado no sistema de integração também deve ser tratado como uma cultura agrícola e, assim como qualquer outra, precisa receber os devidos tratos culturais para expressar seu máximo potencial produtivo. Nesse sentido, é fundamental realizar o controle de plantas indesejadas, sejam invasoras ou plantas tigueras, ainda no início do desenvolvimento da forrageira. Isso evita a competição por luz, água e nutrientes, assegurando maior velocidade de crescimento e rápido estabelecimento da pastagem.

Quantos animais por hectare?

A taxa de lotação está diretamente ligada à capacidade de suporte da área. Por isso, é necessário equilibrar a quantidade de pasto disponível com o período de utilização, definindo corretamente o número de animais que será inserido na área.

Para maior precisão, o ideal é realizar, cerca de uma semana antes da entrada dos animais, uma amostragem da forragem nos piquetes ou talhões destinados ao pastejo na safrinha. Também é importante fazer coletas de massa de forragem para estimar a disponibilidade de pasto na área.

Com essas informações, somadas ao período de permanência dos animais e ao peso médio de cada lote, é possível determinar a capacidade de suporte da área (UA/ha) e definir quantos animais poderão ser manejados em cada talhão. Dessa forma, evita-se a falta de alimento ao longo da ocupação e garante-se, ao final do ciclo, um residual de palhada adequado para o plantio da soja na safra seguinte.

Momento ideal para iniciar o pastejo

O momento do primeiro pastejo é decisivo, pois influencia diretamente a estrutura e a qualidade do pasto e, consequentemente, a eficiência de utilização da forrageira pelos animais, podendo impactar na eficiência de dessecação e consequentemente na plantabilidade da lavoura na safra posterior.

Pastagens muito altas tendem a apresentar maior acúmulo de colmos e fibras, reduzindo sua qualidade nutricional. Além disso, podem comprometer o perfilhamento, o crescimento da planta e a qualidade da palhada que permanecerá no sistema para a cultura seguinte.

Foto: Divulgação SBS Green Seeds

Uma observação importante é que a Brachiaria ruziziensis, quando muito alta, tende a acamar no momento da entrada do gado, reduzindo a eficiência do pastejo, o desempenho e a produtividade animal. Para melhor aproveitamento dessa forrageira, o ideal é que os animais entrem na área quando o pasto atingir, no máximo, 50 cm de altura.

De forma geral, recomenda-se que o primeiro pastejo seja realizado quando o capim atingir a altura de manejo indicada para cada cultivar. Assim, a forrageira é aproveitada mais cedo, com maior proporção de folhas e ainda com boa disponibilidade de água no solo, favorecendo o perfilhamento, a emissão de novas folhas e o desenvolvimento radicular.

Compensa adubar os pastos de safrinha?

Na maioria dos casos, a resposta é não. Nesse modelo de produção, considera-se que o residual de nutrientes deixado pela lavoura seja suficiente para suprir a demanda inicial do capim. Além disso, o período mais adequado para a adubação em cobertura, normalmente após o primeiro pastejo, coincide com uma fase de menor volume de chuvas, elevando o risco de baixa eficiência no aproveitamento dos nutrientes disponibilizados pelo fertilizante.

Qual tipo de suplemento adequado para a fornecer aos animais mantidos nos pastos safrinha?

Vale lembrar ainda que, mesmo durante o período seco, o pasto proveniente da ILP permanece verde e com elevado valor nutritivo. Em outras palavras, o produtor passa a contar com uma “pastagem de águas” durante a seca, produtiva e vigorosa, o que exige que a suplementação animal esteja alinhada às características nutricionais dessa forrageira.

Por fim, é importante ressaltar que esses pastos não devem ser excessivamente pastejados. Após a retirada dos animais, deve permanecer um bom volume residual de massa vegetal para dessecação e formação de palhada para a cultura seguinte. O ideal é garantir entre três e cinco toneladas de matéria seca por hectare, assegurando boa cobertura do solo e maior supressão de plantas daninhas.

*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.

Rastreabilidade amplia competitividade da pecuária brasileira e fortalece posicionamento do produtor no mercado

A pecuária brasileira passa por um cenário de transformação marcado pelo aumento das exigências relacionadas à origem, segurança e transparência nas cadeias produtivas. Em meio a mudanças regulatórias e novas demandas de mercado, a rastreabilidade ganha espaço como uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades para o produtor rural. Nesse contexto, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável destaca a importância do tema em um momento decisivo para a cadeia nacional, marcado pelo avanço da implementação do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).

“Mais do que atender exigências específicas de exportação, a rastreabilidade permite acompanhar a trajetória dos animais ao longo da cadeia, reunindo informações relacionadas à identificação, movimentação, histórico sanitário e manejo. Na prática, o sistema pode auxiliar produtores na mitigação de riscos sanitários, na gestão da propriedade e no acesso a mercados e programas que valorizam práticas sustentáveis”, frisa a presidente da instituição, Ana Doralina.

O avanço de discussões regulatórias internacionais também sinaliza mudanças na dinâmica comercial da cadeia pecuária. Debates recentes envolvendo Brasil e União Europeia reforçam uma tendência de ampliação das demandas por mecanismos capazes de comprovar informações produtivas, sanitárias e socioambientais.

“Nesse contexto, ferramentas como a rastreabilidade passam a representar não apenas um mecanismo de adequação, mas também uma oportunidade de diferenciação e fortalecimento da posição do produtor no mercado”, explica a profissional, ao ressaltar que a ferramenta vem deixando de ser percebida apenas como uma obrigação operacional para assumir um papel estratégico dentro da cadeia produtiva.

Segundo Ana, durante muitos anos, a competitividade esteve fortemente associada à capacidade produtiva e ao volume ofertado. Esse continua sendo um fator relevante, mas hoje existe uma demanda crescente por transparência, previsibilidade, qualidade e capacidade de comprovação. A rastreabilidade permite demonstrar origem, fortalecer a confiança entre os diferentes elos da cadeia e criar condições para que o produtor amplie suas oportunidades comerciais. Não se trata apenas de atender exigências de mercado, mas de posicionar a propriedade em um ambiente cada vez mais orientado por dados e relações construídas com base na confiança.

Ampliando valor e abrindo novas oportunidades ao produtor

Além do acesso a mercados, a ferramenta também pode gerar impactos diretos na rotina das propriedades rurais. Informações individuais dos animais ajudam a melhorar processos de gestão, apoiar decisões produtivas e aumentar a eficiência da atividade.

A rastreabilidade, como complementa o vice-presidente da Mesa, Delair Bolis, também pode contribuir para ampliar o acesso a programas ligados à sustentabilidade, linhas de crédito e iniciativas que demandam comprovação de práticas produtivas.

“A rastreabilidade precisa ser vista como um investimento na capacidade futura da propriedade e não apenas como uma adequação às exigências externas. Quando o produtor organiza seus dados e estrutura informações sobre seu rebanho, ele fortalece sua gestão, amplia sua capacidade de resposta diante de desafios sanitários e cria condições para acessar novas oportunidades econômicas. O mercado passa por mudanças importantes e quem consegue demonstrar conformidade, organização e credibilidade tende a construir uma posição mais sólida e resiliente”, detalha Bolis.

Para isso, a ampliação da rastreabilidade deve ocorrer acompanhada de mecanismos que favoreçam a adesão dos produtores, incluindo acesso à assistência técnica, financiamento, integração de sistemas e segurança jurídica.

“É preciso, ao falarmos sobre essa nova dinâmica do setor, considerar não apenas aspectos tecnológicos, mas também condições que permitam a inclusão produtiva e a construção de uma transição estruturada para toda a cadeia. Nesse contexto, a rastreabilidade deixa de representar apenas uma exigência regulatória e passa a integrar uma agenda mais ampla de competitividade, eficiência e fortalecimento da pecuária nacional”, finaliza o vice-presidente.

Diálogos na prática

Ao reforçar a importância da rastreabilidade para o futuro do setor, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável participou, na última semana, do encontro regional da Mesa Global de Carne Sustentável (GRSB), realizado em São Paulo. Representando a organização na abertura do evento, a presidente Ana Doralina Menezes destacou a necessidade de avançar em uma agenda alinhada à transparência, sustentabilidade, competitividade e fortalecimento da confiança nas cadeias produtivas.

A participação em eventos como este evidencia o papel da Mesa na construção de pautas estratégicas para o setor, ampliando o diálogo entre diferentes elos da cadeia produtiva e fortalecendo a presença do Brasil nos debates internacionais sobre pecuária sustentável.

Dia do Hambúrguer: carne bovina sobe 12,8% e encarece o lanche dos brasileiros

No Dia Mundial do Hambúrguer, comemorado hoje (28/05), um levantamento exclusivo da Neogrid – empresa que conecta indústria, varejo e distribuidores para transformar dados em decisões na cadeia de consumo e abastecimento – revela que o lanche favorito dos brasileiros ficou com uma conta mais salgada nos últimos doze meses. A análise cobre os pequenos varejos, super/hipermercados e atacarejos, com dados de maio de 2025 à primeira semana de maio de 2026. A alta, porém, não é uniforme: enquanto o hambúrguer de carne bovina subiu 12,8%, os de salmão e os vegetarianos/veganos ficaram mais baratos.

Os dados analisam os principais segmentos de hambúrguer e uma ampla cesta de ingredientes – do pão brioche ao queijo muçarela, da batata à mostarda — para mapear o que puxou o preço do lanche de ponta a ponta.

Os números do hambúrguer

SegmentoMai/25 (R$/kg)1ª sem. Mai/26 (R$/kg)Variação 12m
Hambúrguer de CarneR$ 36.64R$ 41.34▲ 12.8%
Hambúrguer SuínoR$ 35.54R$ 36.14▲ 1.7%
Hambúrguer MistoR$ 26.83R$ 27.94▲ 4.2%
Hambúrguer de FrangoR$ 30.46R$ 32.17▲ 5.6%
Hambúrguer de SalmãoR$ 99.93R$ 86.42▼ 13.5%
Hambúrguer Vegano/VegetarianoR$ 84.38R$ 81.60▼ 3.3%

Carne bovina: o principal vilão da alta

O hambúrguer de carne bovina é o que mais pesou no bolso do consumidor. Na primeira semana de maio de 2026, o preço médio chegou a R$ 41,34/kg — alta de 12,8% sobre os R$ 36,64/kg registrados em maio de 2025. O pico foi em janeiro de 2026, quando o produto atingiu R$ 46,33/kg, influenciado pela pressão nos cortes bovinos ao longo do segundo semestre de 2025.

Os cortes que compõem o hambúrguer de carne também subiram. O acém bovino liderou a alta entre os ingredientes: +14,3%, saindo de R$ 35,35/kg para R$ 40,39/kg. A costela bovina seguiu de perto, com +12,9%, e a fraldinha acumulou +7,7%. Na prática, toda a cadeia de cortes bovinos ficou mais cara para o fabricante e, por consequência, para o consumidor final.

O pão brioche surpreende: +13,3% em um ano

Quem apostou no hambúrguer artesanal com pão brioche sentiu mais do que a alta da carne. O pão brioche acumulou valorização de 13,3% no período — de R$ 35,57/kg para R$ 40,31/kg —, tornando-se um dos ingredientes que mais encareceu a experiência do hambúrguer premium. O pão de hambúrguer tradicional teve alta mais moderada, de 4,1%, chegando a R$ 32,77/kg.

Batata inglesa dispara +20,2%

O acompanhamento clássico do hambúrguer registrou a maior alta entre todos os ingredientes monitorados. A batata inglesa subiu 20,2% em doze meses, de R$ 6,43/kg para R$ 7,73/kg. Já a batata congelada — muito usada pelo foodservice — ficou praticamente estável, com queda simbólica de 0,5%, passando de R$ 21,64/kg para R$ 21,53/kg.

Exceções: salmão e vegano ficaram mais baratos

Nem tudo encareceu. O hambúrguer de salmão registrou a maior queda do período: -13,5%, saindo de R$ 99,93/kg para R$ 86,42/kg. O hambúrguer vegetariano/vegano também recuou, -3,3%, de R$ 84,38/kg para R$ 81,60/kg — embora ambas as categorias ainda sejam as mais caras por quilo entre todos os segmentos.

A cesta completa do hambúrguer

IngredienteMai/25 (R$/kg)1ª sem. Mai/26 (R$/kg)Variação 12m
Acém BovinoR$ 35.35R$ 40.39▲ 14.3%
Costela BovinaR$ 30.92R$ 34.90▲ 12.9%
Pão BriocheR$ 35.57R$ 40.31▲ 13.3%
Batata InglesaR$ 6.43R$ 7.73▲ 20.2%
MostardaR$ 43.48R$ 47.30▲ 8.8%
MaioneseR$ 28.79R$ 30.60▲ 6.3%
Queijo MuçarelaR$ 71.93R$ 74.96▲ 4.2%
Queijo PratoR$ 73.21R$ 76.19▲ 4.1%
CatchupR$ 24.28R$ 25.49▲ 5.0%
Pão de HambúrguerR$ 31.49R$ 32.77▲ 4.1%
Batata CongeladaR$ 21.64R$ 21.53▼ 0.5%
Fraldinha BovinaR$ 41.01R$ 44.16▲ 7.7%
Foto: Pedro Furtado / Pexels.com

Planejamento de promoções e abastecimento correto 

O abastecimento bem planejado é o que separa o varejista que aproveita uma data sazonal do que simplesmente a deixa passar. Em datas como o Dia do Hambúrguer, a demanda por itens específicos — da carne ao pão brioche, do catchup à batata — sobe de forma previsível, e o consumidor que não encontra o produto na gôndola não espera: vai ao concorrente. Mas o desafio vai além de ter estoque: quando os preços estão pressionados, como acontece agora com a carne bovina (+12,8% em doze meses) e o pão brioche (+13,3%), o planejamento antecipado permite ao varejista identificar o momento certo para comprar, negociar volumes antes dos picos sazonais e ainda desenhar ações promocionais que protejam a margem — oferecendo, por exemplo, cortes ou categorias que estejam em queda de preço, como o hambúrguer de salmão (-13,5%) ou o vegano (-3,3%), como alternativa ao consumidor mais sensível ao preço. Dados de preço e comportamento de mercado, quando usados com antecedência, transformam a gestão de categoria de uma reação a uma estratégia.

Pastagem plantada por mudas permite mais produtividade na criação de bovinos no semiárido brasileiro

O Ceará segue vencendo os desafios da agropecuária, que é um dos motores da economia da região. Em 2025, agropecuária cearense cresceu 5,30% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, superando o Produto Interno Bruto (PIB) que registrou crescimento de 2,25%, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A atividade tem potencial para crescer ainda mais, porém os produtores rurais da região enfrentam grandes desafios relacionados ao clima.  A seca prolongada no semiárido prejudica a produção de pastagem natural para alimentação dos bovinos em volume e qualidade necessária. Outros desafios são apontados por produtores locais como a falta de acesso à tecnologia e a práticas inovadoras e eficientes de manejo do gado, principalmente para as pequenas e médias propriedades. Nas grandes, em alguns casos, investir em irrigação e tecnologia torna o processo oneroso. A avaliação é do zootecnista, especialista em produção de ruminantes e pastagens e MBA em gestão de negócios pela FGV, Oswaldo Stival Neto. 

Segundo ele, pecuaristas têm buscado alternativas eficientes e com custo-benefício mais interessantes para estimular o aumento da produtividade e a sustentabilidade no pasto. Uma das inovações que tem ganhado espaço nas fazendas do estado é o plantio de mudas clonadas e melhoradas geneticamente do capim Tifton 85, que traz benefícios, mesmo se comparada à alimentação por meio de forragem conservada, a silagem, ou de feno, prática comum no Nordeste, no período de seca.

O zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens, Oswaldo Stival Neto, explica que essa espécie, que resulta do cruzamento de uma gramínea de clima subtropical a temperado dos EUA com uma de clima tropical da África, criada em 1992 nos Estados Unidos. Seu cultivo não se propagou no passado por ele ser um híbrido , ou seja , seu plantio não se dá via sementes , e o método que se propagou antigamente  por plantio de ramas não se tinha por muitas vezes sucesso na implantação , além da dificuldade de encontra um material com origem o que inibiu a adesão a ele por um tempo. Mas, a empresa Amazon mudas , tornou seu plantio possível através de mudas clonadas e plantio mecanizável por plantadeiras , diante de seus resultados, agropecuaristas têm cada vez mais experimentado a alternativa.

“O que os números nos mostram é que  o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, a metade do volume do Tifton 85, em relação ao que os produtores precisam servir de forragem, já vai suprir a demanda alimentar dos animais. Ou seja, no mesmo 1 hectare de área, o produtor consegue fornecer alimento para no mínimo o dobro de animais”, explica ele.  

Um exemplo é o da  fazenda  São José, localizada no município de Russa, no Ceará, onde os produtores implantaram a gramínea Tifton 85, que oferece ao gado cerca do dobro do valor nutritivo que o capim braquiária, que é mais comum nas fazendas brasileiras. Ela também produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens. 

Segundo Oswaldo Neto, com o uso do Tifton 85, é possível aumentar a produtividade na criação de gado em até 10 vezes mais do que a média nacional, saltando de uma média de uma para sete cabeças por hectares.  e ainda proteger o solo da erosão, contribuindo para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. 

A pastagem foi adotada na propriedade em uma forma inovadora, desenvolvida pela Amazon Mudas, que resolveu o gargalo do plantio, pois suas sementes não germinam. “Com a tecnologia que desenvolvemos, clonamos as mudas e fazemos seu melhoramento genético. Após isso, transferimos para o pasto com o plantio feito por máquinas plantadeiras, como no caso de mudas de tomate”, exemplifica Oswaldo Stival. 

Oswaldo ainda explica que este período em que o Ceará tem sua quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é muito importante para os pecuarista investirem na recuperação de suas pastagens, plantando gramíneas mais resistentes, que retém melhor a umidade e têm mais resistência em período de seca, como o Tifton 85, pois os benefícios serão sentidos durante todo o ano e ao longo do tempo. 

Pastagem da Fazenda São José, no Ceará, após o fim do processo de implantação do capim Tifton 85 (Fotos: Divulgação)

Pastagem mais resistente à seca

O zootecnista Oswaldo Stival Neto explica que o Tifton 85 apresenta mais resistência e robustez, mesmo na estiagem porque produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens.

“A partir do momento que ele não deixa o solo exposto, qualquer chuva que já venha a ter na área, vai fazer a retenção da umidade no solo e por não deixar o solo exposto ao sol, evita que aquela umidade se evapore”, explica.

De acordo com ele, mesmo com a oscilação das chuvas e o espaçamento maior entre uma e outra, além do sol muito quente, o Tifton 85 mantém a umidade do solo, suficiente para propiciar o crescimento da gramínea. Assim,  o volume de forragem costuma ser maior em relação às demais forrageiras, como a braquiária. 

E não somente isso, enfatiza Oswaldo Stival Neto. Se o plantio do Tifton 85 for feito no princípio das chuvas, aliado a uma adubação estratégica, a planta vai reter a umidade já buscando o nutriente fornecido pelo adubo, o que vai acelerar mais ainda o seu crescimento. “Assim já teremos já de início a planta produzindo muita massa  e também explorando um grande potencial da proteína bruta, oferecendo também mais qualidade  em valor nutricional. Desta forma, fornecemos condições para o animal ter um alto ganho de peso ou uma alta produção de leite”, detalha o especialista.

Digitalização da pastagem impulsiona nova fase da pecuária de corte nacional

A pressão por eficiência na pecuária de corte tem levado a gestão das pastagens ao centro das decisões estratégicas das fazendas. Em uma atividade na qual a alimentação do rebanho pode representar mais de 70% do custo de produção, acompanhar a dinâmica do pasto com precisão deixou de ser uma prática complementar e passou a ser determinante para a rentabilidade e a sustentabilidade do negócio. Nesse cenário, a digitalização emerge como um dos pilares da intensificação produtiva no campo.

Historicamente, o manejo forrageiro era conduzido com base na observação visual e na experiência do produtor. Um método prático, mas insuficiente diante da complexidade climática e econômica que marca a pecuária atual. “Oscilações de mercado, eventos climáticos extremos e a necessidade de produzir mais em áreas já consolidadas exigem controle, previsibilidade e capacidade de antecipação. Além disso, a pessoa com o conhecimento prático necessário muitas vezes não está mais lá. É nesse ponto que as ferramentas digitais ganham relevância ao transformar dados dispersos em inteligência aplicada ao dia a dia da fazenda”, explica o CEO da JetBov, Xisto Alves.

A incorporação de sensoriamento remoto por satélite, cruzamento de dados climáticos e uso de algoritmos de machine learning permite acompanhar a evolução da qualidade da pastagem por área e ao longo do tempo, criando parâmetros objetivos para decisões como entrada e saída de animais, período de descanso, adubação e definição de áreas para conservação de volumoso. “Ao substituir o ‘achismo’ por indicadores técnicos, o produtor passa a gerir com maior segurança”, ressalta o profissional.

É dentro dessa lógica que o Monitoramento de Pasto Inteligente, desenvolvido pela empresa, se posiciona como ferramenta de apoio à intensificação sustentável. Integrada à plataforma de gestão da JetBov, a tecnologia utiliza o Índice SmartNDVI — uma tecnologia proprietária desenvolvida a partir da integração de dados vegetativos, climáticos e operacionais — para sintetizar a condição do pasto por piquete e acompanhar seu comportamento em diferentes períodos, como águas e seca.

“Até então, o manejo de troca de piquete sempre foi conduzido com base no achismo, o que limita o potencial produtivo da fazenda. Para contornar esse cenário, a ferramenta é resultado de anos de pesquisa e desenvolvimento, contando com apoio financeiro da Finep e com o uso da base de dados da plataforma AgroAPI, da Embrapa Agricultura Digital, com o objetivo de otimizar o manejo do pasto por meio de algoritmos de inteligência artificial”, afirma Xisto. 

De acordo com o CEO, a ferramenta muda a lógica conhecida até então ao transformar dados complexos em informação prática, confiável e aplicável no dia a dia, “permitindo que o pecuarista antecipe decisões e atue de forma estratégica sobre o uso da pastagem”. 

Na prática, a digitalização do pasto contribui para ampliar a produtividade de carne por hectare, sem necessidade de abertura de novas áreas, um ponto sensível em um país que ainda possui grande potencial  para intensificação. Ao oferecer visão histórica e comparativa da qualidade forrageira, o sistema favorece planejamento de médio e longo prazo, fortalece o controle do manejo rotacionado e conecta a gestão zootécnica à gestão financeira da propriedade.

Mais do que incorporar tecnologia, trata-se de promover mudança cultural. A transição do modelo extensivo para sistemas mais intensivos demanda organização de dados, disciplina de acompanhamento e entendimento do risco do negócio. “No Brasil, ainda há muito espaço para intensificação. A maioria das fazendas ainda não está nesse processo de piqueteamento, ou mesmo  trabalhando a nutrição de forma mais estratégica. O gargalo é sair do modelo extensivo para um mais intensivo, o que exige mais gestão, controle de manejo e entendimento do risco do negócio. É nesse ponto que entra a digitalização”, finaliza o CEO.

Foto: FreePik

IBGE: PIB da agropecuária cresce 11,7% em 2025

com informações da Agência Gov

O Produto Interno Bruto (PIB) do País encerrou 2025 com crescimento de 2,3%. Em valores correntes, o PIB de 2025 alcançou R$ 12,7 trilhões. As três atividades econômicas analisadas pelas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE cresceram: agropecuária (11,7%), serviços (1,8%) e indústria (1,4%). Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com um crescimento real de 1,9% frente a 2024. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, ressalta que “quatro atividades: agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do Valor Adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista”.

O crescimento de 11,7% na agropecuária em 2025 decorreu, principalmente, de aumentos na produção e ganhos na produtividade de várias culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes em 2025. A pecuária também contribuiu positivamente.

Foto: Tom Fisk / Pexels.com

O destaque positivo da indústria foi a extração de petróleo e gás, concorrendo para que o valor adicionado das Indústrias Extrativas fechasse 2025 com alta de 8,6%. Outra contribuição positiva veio da construção, que variou 0,5% no ano. Por outro lado, a eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as indústrias de transformação (-0,2%) fecharam o ano com variações negativas.

Já o setor de serviços seguiu aquecido em 2025, com crescimento em todas as suas atividades: informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), transporte, armazenagem e correio (2,1%), outras atividades de serviços (2,0%), atividades imobiliárias (2,0%), comércio (1,1%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).

Histórico

Tanto o PIB corrente quanto o per capita estão no maior patamar já calculado pela série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Veja o comportamento da economia brasileira nos últimos cinco anos com crescimento:

  • 2021: 4,8%
  • 2022: 3%
  • 2023: 3,2%
  • 2024: 3,4%
  • 2025: 2,3%

Chuvas trazem perspectiva de bom desempenho na recria do gado

A chegada da época das águas traz boas perspectivas na recria do gado, uma vez que o rebanho dispõe de uma maior disponibilidade e qualidade das pastagens para se alimentar, o que ajuda no ganho de peso. Ao mesmo tempo, é um período que traz desafios no manejo dos animais que, se não corrigidos, podem prejudicar sua saúde.

“As chuvas favorecem o crescimento e desenvolvimento das forragens, o que significa abundância de pasto com maior volume de massa verde para o gado”, explica o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson. “Além disso, em comparação à época das secas essas pastagens possuem maior teor de proteína e nutrientes que são essenciais para o desenvolvimento dos animais em fase de crescimento”, afirma.

Com o pasto de qualidade e em boa quantidade, o produtor tem a perspectiva de um alto potencial de ganho de peso e de expressar seu potencial genético. Marson fala que os animais de recria apresentam ganhos de peso diário significativos (podendo chegar a 700g a mais de 1kg/dia com suplementação adequada), com consequente redução do tempo até o abate ou da idade de entrada na reprodução.

“Com essas vantagens a propriedade consegue ter mais rentabilidade, uma vez que a produção de arrobas nessa época é mais econômica, pois se aproveita a base volumosa da pastagem, que tem custo de produção menor”, destaca.

Cuidados no manejo

As boas perspectivas da época, porém, podem ser prejudicadas por alguns fatores comuns ao período, como o aumento de doenças e parasitas. Isso ocorre porque a maior umidade e o calor produzem ambientes próprios para a proliferação de bactérias, parasitas e insetos (como carrapatos e moscas), que acarretam doenças como problemas de casco (pododermatite), mastite e verminoses.

Outro desafio do período é a formação de áreas enlameadas que causam desconforto aos animais, principalmente ao redor dos cochos de suplementação. “A diminuição de consumo também ocorre porque a chuva pode molhar o suplemento mineral nos cochos, comprometendo sua disponibilidade e palatabilidade. Para evitar esses problemas, o ideal é adotar cochos cobertos ou suplementos específicos para garantir o consumo adequado”, detalha Marson.

Foto: Divulgação / Connan

O zootecnista também lembra que o rebanho pode sofrer com diarreia ou problemas intestinais com a mudança repentina de uma dieta seca e fibrosa para uma pastagem tenra e rica, e orienta que o manejo de transição seja feito com ajustes na suplementação, para que o animal se adapte à nova alimentação.

Otimização do desempenho

O manejo proativo é fundamental para que o desempenho na recria durante as chuvas seja positivo. Uma medida que pode auxiliar nesse período é o manejo adequado da pastagem para garantir que os animais consumam forragem de boa qualidade e evitar o superpastejo e a formação excessiva de lama.

No caso da suplementação, ela deve ser feita de forma estratégica, com a escolha dos produtos dependendo dos objetivos de ganho de peso, para maximizar o aproveitamento do pasto e fornecer os nutrientes que a forragem, mesmo de boa qualidade, não supre totalmente.

Os animais também precisam ter à disposição áreas de descanso secas e de preferência sombreadas. Por fim, o produtor deve implementar na fazenda um protocolo sanitário eficaz, incluindo vacinação e controle rigoroso de parasitas internos e externos, além de atenção especial à higiene e prevenção de problemas de casco.

“Esse planejamento deve começar já na época das secas, para quando chegarem as águas tudo estar em andamento, sem necessidade de improvisações ou adaptações de última hora. Seguindo essas orientações, o desempenho na recria durante as chuvas tende a ser bastante positivo”, finaliza Marson.

COP30: CNA divulga documento com posição da agropecuária brasileira para o evento

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou o documento “Agropecuária Brasileira na COP30” com o posicionamento do setor para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que acontece, de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).

O documento reflete os anseios do setor agropecuário e foi discutido em uma série de encontros e reuniões dos integrantes da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA com produtores rurais, Federações estaduais, entidades do agro, pesquisadores, entre outros atores.

Acesse aqui a íntegra do documento.

As propostas e as contribuições dos produtores rurais brasileiros vão servir como subsídio aos negociadores brasileiros, às autoridades envolvidas nas negociações, aos produtores rurais, além de embasar os debates durante a COP 30.

Reconhecimento

No documento, a CNA afirma que os produtores rurais brasileiros devem ser reconhecidos como agentes fundamentais no fornecimento e na implementação de soluções climáticas para o alcance das metas brasileiras e potencialmente para as metas globais; que as particularidades da agricultura tropical precisam ser levadas em consideração e que ganhem escala como solução imediata aos desafios do clima; e que os meios para implementar medidas de mitigação e adaptação sejam suficientes para exercer todo o potencial do setor.

A CNA também reforça o protagonismo do setor, além das soluções climáticas, na garantia da segurança alimentar e energética.

No posicionamento, a Confederação lista uma série de posições a serem adotadas nas negociações que evidenciam o papel da agricultura tropical frente aos desafios do clima e impulsionam a adoção de práticas sustentáveis no campo: financiamento acessível, aplicável e transversal aos instrumentos do acordo; inclusão da agricultura no centro das decisões; promoção da agropecuária dentro das metas globais; reconhecimento o setor em ações de adaptação e seguindo as realidades de cada país; atividade representativa em mitigação; mercado de carbono global integrado e alinhado com o setor e com o país e que sejam implementados através de uma transição. Alguns dos pontos do documento estão abaixo (de forma resumida):

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Financiamento – O financiamento tem sido o principal gargalo para a implementação da ação climática em nível global. Em 2023, uma “Nova Meta Coletiva Quantificada de Financiamento Climático (NCQG)” foi estabelecida: US$ 300 bilhões por ano até 2035 com países desenvolvidos sendo os principais contribuintes; e US$ 1.3 trilhão anual até 2035 envolvendo todos os países e atores não governamentais. A CNA considera fundamental que o financiamento climático chegue diretamente aos produtores rurais, facilitando a implementação de tecnologias de baixo carbono e contribuindo para dar escala às ações de mitigação e adaptação. Nesse sentido, a CNA propõe a criação de mecanismos financeiros adequados, com condições diferenciadas de crédito, seguro climático e redução dos custos de endividamento.

Agricultura – Na COP há um grupo de negociação específico destinado à discussão sobre agricultura e segurança alimentar chamado de “Trabalho Conjunto de Sharm el Sheikh para Agricultura e Segurança Alimentar” (SSJWA, na sigla em inglês). O objetivo desse grupo é identificar de que forma as mudanças do clima afetam a agropecuária e a produção de alimentos e como o setor contribui para mitigação e adaptação, por exemplo. O SSJWA estabeleceu um portal online que funciona como uma vitrine de ações climáticas do setor e serve tanto como ferramenta de comparação entre países como também uma possibilidade para viabilizar o financiamento das ações. A CNA considera fundamental que os produtores rurais sejam colocados no centro das decisões sobre agricultura, tendo suas demandas atendidas em relação aos gargalos para aumento da ambição climáticas e sendo reconhecidos como agentes provedores de soluções ambientais ao alcance das metas de redução de emissão de gases de feito estufa. Além disso, deve-se estimular o uso do portal, permitindo que os custos para implementação dos projetos sejam reduzidos.

Legado da COP 30 na Amazônia – O último capítulo do documento da CNA trata do legado da COP 30 na Amazônia. Segundo a entidade, se por um lado o evento promete “colocar no centro das discussões globais a proteção aos recursos naturais, por outro deve também reconhecer o valor da presença humana na região. A Amazônia é a casa de 30 milhões de brasileiros, espalhados em mais de 750 municípios, que coexistem com a natureza”. E na região, mais de um milhão de produtores rurais sustentam a segurança alimentar da população local cultivando arroz, feijão, hortaliças, leite, frutas, mandioca, carne, café, ovos, entre outros. É necessário reconhecer, diz o documento, que agricultura e segurança alimentar são pilares inseparáveis da agenda climática — na Amazônia como em qualquer lugar do planeta. “A COP 30 deve ser muito mais do que um evento sobre a conservação da natureza, mas um teste decisivo para a agenda climática global e sua capacidade de reconhecer as necessidades e aspirações de desenvolvimento de quem vive na floresta”, diz o documento.

O posicionamento da CNA traz nove recomendações para a Amazônia:

1 – Reconhecer o direito à produção agropecuária sustentável na Amazônia como parte inseparável da agenda climática, combatendo a estigmatização dos agricultores locais

2 – Acelerar a regularização fundiária e ambiental como condição básica para promover a segurança jurídica, garantir acesso a crédito e estimular investimentos produtivos

3 – Reforçar a segurança alimentar regional, incentivando a produção local de alimentos

4 – Combater o desmatamento ilegal por meio de incentivos econômicos eficientes, garantindo a sustentabilidade produtiva da região

5 – Criar linhas de crédito rural e financiamento climático específicas para produtores amazônicos, com juros diferenciados e prazos adequados, apoiando sistemas integrados de produção, recuperação de pastagens e reflorestamento produtivo

6 – Transformar a bioeconomia alimentar em vetor de renda e inovação, baseada em ciência, tecnologia, domesticação e agregação de valor

7 – Afirmar a soberania nacional sobre o território e apoiar o combate à violência e ao crime organizado, reconhecendo que não há floresta protegida ou ação climática efetiva sem ordem e segurança no território

8 – Investir em integração logística e energia limpa na região, reduzindo custos de transporte, aumentando a conectividade e criando condições para atrair investimentos sustentáveis

9 – Valorizar a contribuição do agricultor amazônico na transição climática global, reconhecendo que produção de alimentos, conservação florestal e segurança alimentar devem caminhar de mãos dadas