O presidente Luiz Inácio Lula da Silva governará o Brasil por mais quatro anos. Foi o que decidiu a maioria da população brasileira no segundo turno da eleição presidencial, realizado nesse domingo (25/10). Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro ao obter 64.256.232 votos e tornar-se a primeira pessoa eleita quatro vezes para o cargo de presidente da República.
“Eu quero que vocês saibam que, cada coisa que faço, faço pensando em vocês. Todas as políticas públicas são feitas pensando em vocês. Vocês me deram a primazia de ser o primeiro presidente da República eleito quatro vezes pela via democrática. Esse é um fato histórico que eu devo ao povo brasileiro”, afirmou Lula ao discursar na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo.
O discurso foi feito pouco depois de o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, proclamar o resultado das eleições.
Antes de falar na Avenida Paulista, o presidente fez um pronunciamento a apoiadores e à imprensa em um hotel em São Paulo. Na ocasião, destacou que vai governar para todos os brasileiros e que manterá uma relação de respeito com o Congresso Nacional. “Na medida em que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário. Eu tenho que governar para 215 milhões (de brasileiros)”, ressaltou. “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito. Mas ele foi eleito para governar para todos e com base no respeito à Constituição, na relação com o Congresso. Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar”, completou.
A eleição presidencial ainda não terminou, mas o agronegócio brasileiro já sabe que terá um Congresso Nacional diferente a partir de 2027.
O primeiro turno das eleições de 2026 colocou Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Flávio terminou a primeira rodada na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A decisão sobre quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos ficou para 25 de outubro.
Para o campo, porém, existe uma segunda eleição que merece tanta atenção quanto a disputa presidencial: a composição do Congresso. E foi justamente ali que o mapa político brasileiro sofreu uma mudança importante.
O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara na próxima legislatura. No Senado, o partido também ampliou sua presença. O resultado fortalece o grupo político que, nos últimos anos, manteve uma relação próxima com parte expressiva das entidades e lideranças do agronegócio.
Isso não significa que o Congresso será simplesmente um “Congresso do agro”. A realidade é mais complexa. Mas significa que produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e entidades representativas do setor chegam a 2027 com uma estrutura política relevante para disputar espaço nas principais decisões econômicas do país.
E há muito em jogo. O próximo governo terá de discutir o futuro do Plano Safra, crédito rural, seguro agrícola, infraestrutura, armazenagem, endividamento rural, tributação, licenciamento ambiental, regularização fundiária e comércio exterior.
Em praticamente todas essas áreas, uma palavra será decisiva: Congresso. A força parlamentar do agro pode fazer diferença especialmente porque o próximo presidente não terá liberdade para governar ignorando a correlação de forças construída nas urnas.
Se Lula vencer o segundo turno, encontrará um Legislativo com uma composição política significativamente diferente da orientação de seu partido. Se Flávio Bolsonaro vencer, terá maior proximidade ideológica com uma parcela expressiva do Congresso, mas também precisará negociar com diferentes partidos e interesses.
Em ambos os casos, o agro estará sentado à mesa. E essa talvez seja a principal mensagem das eleições de 2026 para o setor.
O poder não estará apenas no Palácio do Planalto
Durante décadas, boa parte da análise política brasileira ficou concentrada na disputa presidencial. Para o agronegócio, essa lógica é insuficiente. Uma medida provisória pode ser editada pelo Executivo, mas precisa sobreviver ao Congresso. Uma mudança tributária precisa passar pelo Legislativo. O orçamento depende de deputados e senadores. Comissões podem alterar profundamente o conteúdo de projetos. Relatorias podem decidir o rumo de uma proposta.
É nesse espaço que a Frente Parlamentar da Agropecuária, a FPA, ganha importância. A bancada reúne parlamentares de diferentes partidos e representa uma das principais estruturas de articulação política do setor produtivo rural em Brasília.
O desafio agora será transformar força eleitoral em resultado concreto. Ter parlamentares alinhados às pautas do agro não garante, por si só, políticas melhores para o produtor. É preciso construir maioria, negociar textos, disputar relatorias e encontrar pontos de convergência com outros setores da economia.
A política do campo, portanto, não termina na porteira. Em 2027, ela continuará sendo decidida também nos corredores do Congresso.
Crédito rural será uma das primeiras batalhas
Poucos temas afetam tanto o produtor quanto o dinheiro disponível para financiar a produção. Plano Safra, taxas de juros, seguro rural, investimentos em máquinas, armazenagem e infraestrutura estarão entre as prioridades do setor. O problema é que o próximo governo encontrará uma disputa cada vez maior por recursos públicos.
A pressão do agronegócio por mais crédito terá de conviver com a necessidade de controlar as contas públicas. Essa equação não será simples. O Congresso poderá pressionar por recursos e programas específicos, mas também terá de lidar com o limite fiscal do governo federal. Para o produtor, a discussão terá efeito direto no custo da próxima safra.
Outra batalha será travada no sistema tributário. A reforma tributária continuará produzindo efeitos sobre produtores rurais, cooperativas, agroindústrias, fornecedores de insumos e toda a cadeia de alimentos.
A discussão não será apenas sobre quanto o setor pagará. Será também sobre como os impostos serão cobrados, como funcionarão os créditos tributários e qual será o impacto sobre o custo de produção e a competitividade das exportações brasileiras.
Para um país que se tornou uma potência mundial na produção e exportação de alimentos, qualquer aumento de custo pode repercutir muito além da propriedade rural. Pode chegar ao supermercado e ao mercado internacional.
Meio ambiente pode virar campo de batalha
Se existe um tema capaz de produzir conflitos entre Congresso, governo e agronegócio, ele continuará sendo o meio ambiente. Licenciamento, regularização fundiária, rastreabilidade, preservação, crédito condicionado a critérios ambientais e mercado de carbono estarão entre os assuntos mais sensíveis.
Mas existe uma questão que o setor não poderá ignorar. O mercado internacional está mudando. Grandes compradores querem saber cada vez mais de onde vem o produto, como ele foi produzido e qual é sua pegada ambiental. Isso coloca o Brasil diante de uma equação delicada.
O produtor precisa de segurança jurídica e regras claras. Ao mesmo tempo, o país precisa manter acesso aos mercados que compram bilhões de dólares em produtos agropecuários brasileiros. A discussão ambiental, portanto, deixou de ser apenas ideológica. Ela também é econômica.
A próxima disputa pode acontecer fora do Brasil
O cenário internacional será outro teste para o próximo governo. O agronegócio brasileiro entra em 2027 como um dos principais pilares da balança comercial do país, mas também em um mundo marcado por disputas comerciais, protecionismo, conflitos geopolíticos e mudanças nas cadeias globais de produção.
China, Estados Unidos, União Europeia e Oriente Médio continuarão no radar. Soja, carnes, café, açúcar, milho, algodão, celulose e outros produtos brasileiros dependem de mercados externos cada vez mais exigentes.
Nesse ambiente, infraestrutura, diplomacia comercial, defesa sanitária e abertura de novos mercados terão o mesmo peso que decisões tomadas dentro das fazendas.
O agro terá de escolher como quer exercer seu poder
Existe, porém, uma questão política que o resultado de 2026 coloca diante do próprio agronegócio. O setor será capaz de atuar para além da polarização? Essa pode ser uma das decisões estratégicas mais importantes dos próximos anos.
O agro possui interesses que atravessam governos e partidos. Seguro rural não é uma pauta de esquerda ou direita. Infraestrutura também não. Pesquisa, logística, defesa sanitária, crédito e abertura de mercados tampouco. São políticas de Estado.
Quanto maior a capacidade do setor de negociar com diferentes governos e bancadas, maior tende a ser sua capacidade de proteger interesses de longo prazo. A eleição de 2026 mostrou que a força política do agro não estará concentrada em um único gabinete. Ela estará espalhada por Brasília. No Palácio do Planalto, no Senado, na Câmara, nas comissões, nas negociações do orçamento e, principalmente, na capacidade de articulação de suas entidades e representantes.
Por isso, a pergunta que interessa ao produtor rural talvez não seja apenas quem será o próximo presidente. A pergunta é outra: quem terá força para negociar com ele?
E, depois das eleições de 2026, o agronegócio chega a Brasília com uma resposta bastante clara: terá uma bancada numerosa, uma estrutura de articulação consolidada e quatro anos de decisões estratégicas pela frente.
O tamanho dessa influência, porém, dependerá menos do número de parlamentares eleitos e mais da capacidade de transformar votos em políticas públicas capazes de aumentar a produtividade, reduzir custos e manter o Brasil competitivo no mercado mundial de alimentos.
A abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) colocou no centro das atenções o acirramento das tensões geopolíticas, o avanço dos conflitos armados e os reflexos dessas disputas na estabilidade econômica global.
Durante as declarações iniciais, o presidente Lula enfatizou a importância da autonomia nacional diante de sanções, tarifas e pressões externas. Em tom direto em relação às grandes potências, o presidente reiterou que a soberania brasileira é inegociável e que o país manterá sua independência na condução da política externa e das relações comerciais. “A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”, afirmou.
Crise institucional e os reflexos nas cadeias de suprimento
A avaliação apresentada durante o encontro aponta que a ONU vive seu momento mais crítico em décadas, evidenciado pela incapacidade do Conselho de Segurança em conter a escalada de conflitos pelo mundo. Para os países exportadores e para o setor produtivo, essa paralisia diplomática se traduz em insegurança jurídica, oscilação nos preços das commodities e avanço de medidas protecionistas unilaterais por parte de blocos econômicos.
Diante desse cenário, a posição do Brasil focou na rejeição a restrições comerciais arbitrárias, na defesa do fortalecimento das rotas de exportação e na necessidade de reformas estruturais nas instituições multilaterais. No âmbito da segurança interna e da integridade territorial, enfatizou-se o combate ao crime organizado por meio da inteligência e da cooperação internacional, rechaçando propostas de ingerência externa ou intervenção militar nas decisões do país.
Tensões geopolíticas e os desafios da tecnologia
O secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou a gravidade do panorama ao sinalizar que a diplomacia perde espaço de forma acelerada para a imposição da força militar. Além dos embates geopolíticos tradicionais, Guterres destacou o avanço acelerado de novas tecnologias, como a inteligência artificial, como um fator inédito de instabilidade quando desenvolvidas sem regulamentação clara ou controle institucional.
O encerramento do primeiro dia de trabalhos deixou evidente que a previsibilidade do comércio global e o crescimento do setor produtivo dependem diretamente do resgate da cooperação entre as nações e da construção de um ambiente internacional menos propenso a sobressaltos políticos.
O ano de 2026 amanhece sem promessas fáceis para o agro brasileiro. Não há brisa de complacência, há vento de cobrança. O setor entra grande, competitivo, decisivo para a economia, mas sob um teste mais refinado, produzir muito já não basta, é preciso produzir certo, vender melhor e provar origem. O clima continua mandando, a geopolítica segue interferindo e a regulação deixou de ser ameaça distante para virar regra concreta. Quem ainda opera no improviso vai sentir primeiro.
A fotografia da safra é exuberante. A Conab projeta algo em torno de 354,4 milhões de toneladas de grãos. A soja, velha âncora, deve romper a barreira dos 177 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como líder global. O milho segue firme, com expectativa de 138 milhões de toneladas. Mas aqui mora a armadilha, safra grande em ambiente de custo elevado, logística pressionada e demanda errática não é sinônimo de prosperidade, é sinônimo de margem estreita. Em 2026, errar o timing de venda ou negligenciar hedge não será azar, será falha de gestão.
O clima não concede indulgência. A saída gradual da La Niña não significa calmaria, significa transição e transições são traiçoeiras. Chuvas fora de hora, granizo, janelas curtas, extremos pontuais. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático deixa de ser recomendação técnica e passa a ser critério de sobrevivência, especialmente porque o crédito agora cobra isso como contrapartida.
O milho confirma a lógica. A safrinha continua sendo pilar e divide protagonismo com o etanol, que mexe na demanda e na previsibilidade. Custos pressionados por fertilizantes e fretes impõem uma verdade incômoda: não haverá espaço para decisões “no feeling”. O milho de 2026 será de planilha, não de esperança.
E é exatamente nesse ponto que o café escancara o novo agro brasileiro. O setor chega a 2026 depois de dois anos de choques climáticos, estoques globais apertados e preços elevados, mas engana-se quem confunde preço alto com tranquilidade. O “mercado está caro” porque está frágil. Qualquer geada, seca ou ruído logístico reverbera instantaneamente na ICE Futures. Produzir sem proteção comercial é especular contra o próprio caixa.
Importante: 2026 marca o fim da tolerância com informalidade. A regulação europeia antidesmatamento não é detalhe, é filtro de mercado. Exportar não depende só de produzir, mas de provar origem. Rastreabilidade, georreferenciamento e conformidade deixaram de ser diferenciais e viraram requisitos básicos. Quem ainda não entendeu isso está discutindo o problema errado.
O crédito também mudou de natureza. Não é cheque em branco. Em 2026, vem condicionado à gestão de risco climático, sustentabilidade comprovada e planejamento estratégico. Pensar apenas na próxima safra é curto demais para um setor que vive de ciclos longos, volatilidade e pressão regulatória. Ignorar essas exigências não significa perder oportunidade, significa perder relevância.
E há um ruído extra no ar: por ser um ano eleitoral, a polarização política e as incertezas macroeconômicas podem gerar volatilidade adicional no mercado. Quem depende de crédito, câmbio e apetite de risco precisará de cenários alternativos, disciplina em caixa e atenção redobrada aos prazos.
O comércio global não é mais sedução, é seleção. A China ajusta compras, a Europa impõe acordos com regras estritas e o mercado passa a remunerar mais origem e constância do que simplesmente volume. O café que se venderá melhor não será o mais abundante, será o mais confiável. E esse raciocínio vale para todo o agro. A carne vive momento forte, mas enfrenta cotas e barreiras. A soja domina, mas sofre com bases voláteis. O milho se industrializa, mas encarece. O denominador comum é simples e desconfortável: o agro brasileiro não está sendo ameaçado, está sendo selecionado.
O ano de 2026 será potente para quem opera com método, proteção e visão estratégica. Mas será implacável com quem insiste em jogar o jogo antigo em um tabuleiro novo. O agro brasileiro entra grande em 2026. Permanecer grande, porém, exigirá algo mais raro do que escala: maturidade.
*Engenheiro Agrônomo, com MBA em Gestão Comercial. Tem experiência nos setores Químico e do Agronegócio, com uma trajetória em empresas de referência, como a Bayer Crop Science e a ALTA (América Latina Tecnologia Agrícola). É diretor Comercial da Orbia.
Ao discursar em Nova Délhi, na Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da IA seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.
“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, afirmou Lula.
O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as pessoas.
Lula ainda alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, ressaltou.
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“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”, prosseguiu o presidente.
“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, frisou Lula.
O presidente Lula fez um alerta para a necessidade de se discutir a soberania dos países sobre o conhecimento e o valor agregado dos minerais críticos. Lula discursou durante a última sessão temática da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo, em Johanesburgo, na África do Sul.
Na pauta, os minerais críticos, a inteligência artificial e o trabalho decente. Temas que também estiveram presentes nas discussão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste final de semana, em Belém, no Pará. “A forma como nós integrarmos esses três vetores do desenvolvimento definirá não apenas o nosso presente, mas o futuro das próximas gerações”, afirmou o presidente.
Os minerais críticos são recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética, cuja oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Eles incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.
Para Lula, a transição energética oferece a oportunidades de ampliação das fronteiras tecnológicas e de ressignificar o papel da exploração dos recursos naturais. “Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica. O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse aos líderes.
Foto: Ricardo Stuckert / PR
“Falar sobre minerais críticos também é falar sobre soberania. A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população. Precisamos de investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que contribuam para fortalecer a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos”, afirmou.
IA e trabalho decente
No mesmo sentido, o presidente argumentou que a inteligência artificial (IA) representa uma “oportunidade única” para impulsionar o desenvolvimento das nações de forma equitativa. “[A IA] promove a inovação, aumenta a produtividade, estimula práticas sustentáveis e pode melhorar a vida das pessoas de maneira concreta. O grande desafio não é apenas dominar a ferramenta, mas trabalhar para que todos possam utilizá-la de forma segura, protegida e confiável”, disse.
“Quando poucos controlam os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital. É urgente que as maiores economias do mundo aprofundem o debate sobre a governança da IA e que as Nações Unidas sejam o centro dessa discussão”, acrescentou.
Discurso do presidente Lula durante a Cúpula de Líderes do G20, em Johanesburgo, na África do Sul (Imagens: Canal GOV / EBC)
Por fim, o presidente defendeu que o desenvolvimento tecnológico venha atrelado a oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador, na medida em que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à IA, sob risco de automação ou complementação tecnológica. “Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social”, disse. “Devemos criar pontes entre os setores tradicionais e emergentes. A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar os direitos humanos e trabalhistas”, afirmou aos líderes do G20.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada da tarifa de importação de 40% sobre determinados produtos brasileiros. Constam na lista divulgada pela Casa Branca produtos como café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.
Na ordem executiva publicada pela Presidência dos EUA, Trump diz que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323”. De acordo com a publicação, essas negociações ainda estão em andamento.
Além disso, foram consideradas informações e recomendações adicionais de diversas autoridades que têm acompanhado as circunstâncias relativas ao estado de emergência declarado no Decreto Executivo 14.323. Segundo as recomendações recebidas por Trump, “certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional de 40% imposta pelo Decreto Executivo 14.323, porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil”, especifica a publicação oficial.
A Casa Branca divulgou, em um anexo, a lista de produtos que deixam de ser afetados pela alíquota de 40%. “Especificamente, determinei que certos produtos agrícolas não estarão sujeitos à alíquota adicional de imposto ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14.323″, diz o texto, ao acrescentar que, no entendimento de Trump, “essas modificações são necessárias e apropriadas para lidar com a emergência nacional declarada no Decreto Executivo 14.323”.
O presidente Lula defendeu nesta segunda-feira (10/11) que a governança global precisa contribuir a favor de uma transição justa para economias de baixo carbono que evite um colapso climático planetário. A declaração foi dada na abertura da 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), realizada em Belém. O evento prossegue até o próximo dia 21.
“Uma transição justa precisa contribuir para reduzir as assimetrias entre o Norte e o Sul Global, forjadas sobre séculos de emissões. A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela expõe e exacerba o que já é inaceitável. Ela aprofunda a lógica perversa que define quem é digno de viver e quem deve morrer. Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia. O desalento não pode extinguir as esperanças da juventude. Devemos a nossos filhos e netos a oportunidade de viver em uma Terra onde seja possível sonhar”, destacou o presidente.
Em seu discurso, o presidente citou o pensador indígena Davi Kopenawa para pedir clareza aos negociadores. “O xamã yanomami Davi Kopenawa diz que o pensamento na cidade é obscuro e esfumaçado, obstruído pelo ronco dos carros e pelo ruído das máquinas. Espero que a serenidade da floresta inspire em todos nós a clareza de pensamento necessária para ver o que precisa ser feito”.
Lula enfatizou que o aquecimento global pode empurrar milhões de pessoas para a fome e a pobreza, fazendo retroceder décadas de avanço, e lembrou do impacto desproporcional que mudança do clima causa sobre mulheres, afrodescendentes, migrantes e grupos vulneráveis, o que deve ser levado em conta nas políticas de adaptação. O presidente reafirmou o papel dos territórios indígenas e de comunidades tradicionais nos esforços de mitigação do aumento das temperaturas, pela preservação das florestas e, consequentemente, a regulação do carbono na atmosfera. “No Brasil, mais de 13% do território são áreas demarcadas para os povos indígenas. Talvez ainda seja pouco”.
Acelerar a ação climática
Lula pediu que os líderes acelerem as ações necessárias para conter o aumento da temperatura do planeta, voltou a defender um mapa do caminho para superar a dependência dos combustíveis fósseis – que causam 75% do aquecimento global -, e sugeriu a criação de um conselho mundial sobre o tema.
“Avançar requer uma governança global mais robusta, capaz de assegurar que palavras se traduzam em ações. A proposta de criação de um Conselho do Clima, vinculado à Assembleia Geral da ONU, é uma forma de dar a esse desafio a estatura política que ele merece”, pontuou.
Ao citar o chamado à ação por parte do Brasil na COP30, Lula destacou a necessidade de formulação e implementação de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) mais ambiciosas, garantia de financiamento, transferência de tecnologia e capacitação aos países em desenvolvimento, além de priorizar políticas de adaptação aos efeitos da mudança do clima.
“A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente. O furacão Melissa que fustigou o Caribe e o tornado que atingiu o estado do Paraná, no Sul do Brasil, deixaram vítimas fatais e um rastro de destruição. Das secas e incêndios na África e na Europa às enchentes na América do Sul e no Sudeste Asiático, o aumento da temperatura global espalha dor e sofrimento, especialmente entre as populações mais vulneráveis”, observou.
A Cúpula do Clima, em Belém, entra nesta sexta-feira (07/11) no seu segundo e último dia com a retomada dos discursos dos líderes e representantes dos países participantes da COP30 e sessões temáticas sobre transição energética, o Acordo de Paris, Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o financiamento de ações para combater a crise climática.
Chefes de Estado, líderes de governos e representantes de alto nível de mais de 70 países estão em Belém para participar da Cúpula do Clima nos próximos dois dias. Considerando embaixadores e pessoal diplomático, a lista ultrapassa uma centena de governos estrangeiros representados na capital paraense.
A Cúpula do Clima antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, também em Belém. O objetivo é atualizar e reforçar os compromissos multilaterais para lidar com a urgência da crise climática. Na prática, a Cúpula do Clima busca dar peso político às negociações que se seguirão pelas próximas duas semanas de COP30.
Abertura
Ontem (06/11), na abertura, o presidente Lula fez um chamado para que os países tomem ações concretas dos países para conter a elevação da temperatura global. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra que está cada vez mais difícil alcançar a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C, exigindo medidas mais contundentes para reverter o cenário catastrófico.
“A COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, disse Lula durante a abertura da Cúpula do Clima.
O presidente Lula discursou no evento que celebra os 80 anos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nesta segunda-feira (13/10), em Roma, sede da organização.
Lula voltou a insistir que a comunidade internacional precisa inverter as prioridades e investir no combate à fome, raiz e símbolo maior das desigualdades sociais.
De acordo com o presidente, 670 milhões de pessoas no planeta passam fome. Ele destacou, ainda, que é essencial um trabalho articulado de todos os países. “A palavra-chave é levar a humanidade a se indignar contra a fome. Num mundo que produz alimento suficiente, que não tem problema de produção, não tem explicação 670 milhões de pessoas ainda não terem o que comer”, disse o presidente.
Segundo Lula, outra chave para a questão é o financiamento adequado e consistente. “Sejamos claros: sem recursos financeiros não haverá transformação. Ano passado a ajuda oficial ao desenvolvimento registrou queda de 23% em relação aos níveis pré-pandêmicos. Essa retração atinge em cheio os países mais pobres e endividados, sobretudo na África, onde a insegurança alimentar cresceu de forma alarmante. Se não agirmos com urgência, em 2030 ainda teremos quase 9% da população mundial vivendo em situação de extrema pobreza”, alertou.