Missão do Ministério da Agricultura vai aos EUA para negociar retomada da venda de carne bovina in natura

Uma missão técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vai aos Estados Unidos no início de julho para discutir o fim da suspensão da compra da carne bovina in natura brasileira, anunciada na última quinta-feira (22/06). A informação foi dada nesta terça-feira (27/06) pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Luiz Eduardo Rangel.

Carta com respostas aos americanos está sendo preparada pela equipe técnica e deve ser concluída até o fim de semana. Somente após o retorno da missão é que o ministro Blairo Maggi vai aos EUA para tratar sobre o assunto pessoalmente com o secretário de Agricultura do governo Trump, Sonny Perdue.

Rangel disse que o processo para reverter a decisão do governo norte-americano de suspender a compra da carne bovina fresca brasileira deve demorar pelo menos um mês, a partir da data do anúncio da restrição. Por conta do feriado de 4 de julho (data da independência americana), os técnicos do Mapa não poderão embarcar no início da semana que vem, como pretendiam.

Os Estados Unidos apontaram inconformidades em cortes de bovinos exportados pelo Brasil, atribuídos a reações à vacinação contra a febre aftosa, como justificativa para interromper as importações.

Rangel disse que o processo é um pouco lento em função dos ritos que devem ser seguidos. Lembrou que, após o

anúncio da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, foram gastas semanas para levantar a suspensão em alguns mercados. “Naquele caso, o fechamento foi muito mais por um efeito midiático do que técnico”, observou.

Na última sexta-feira (23/06), o Mapa determinou mudanças na inspeção da carne brasileira exportada para todos os países. Durante coletiva à imprensa, o secretário-executivo do Ministério, Eumar Novacki, enfatizou que todos os cortes dianteiros de bovinos serão fatiados antes do embarque para evitar problemas como os que foram alegados pelos americanos para determinar a suspensão da compra da carne brasileira.

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SRB propõe medidas para recuperar a credibilidade da carne bovina

NOTA À IMPRENSA

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) avalia, nesta nota divulgada à imprensa, como a iniciativa privada e o setor público podem atuar juntos para o Brasil recuperar a credibilidade da carne bovina fresca na comunidade internacional, após decisão dos Estados Unidos de suspender a importação da proteína animal brasileira.

Leia a íntegra da nota, abaixo:

Autoridades sanitárias dos Estados Unidos da América e da União Europeia sinalizam problemas no controle e inspeção de produtos de origem animal do Brasil

Ontem, o Secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, anunciou a suspenção da importação de carne bovina fresca do Brasil. A suspensão deve vigorar até a data em que a autoridade sanitária norte-americana se sinta satisfeita com as alterações na inspeção de produtos de origem animal que, a seu ver, são necessárias para salvaguardar o consumidor.

Na semana passada, o Secretariado do Conselho da União Europeia emitiu declaração, relatando os problemas identificados nas importações de produtos de proteína animal. Em carta ao Ministro Blairo Maggi, o Comissário europeu de Saúde e Segurança Alimentar, Vytenis Andriukaitis, comunicou-o sobre os problemas, informando que esperava serem corrigidos com brevidade ou a determinação de maior suspensão.

Os produtos do Brasil realmente têm problemas? O setor produtivo do Brasil é extremamente moderno, o que, certamente, causa temores aos nossos concorrentes. A indústria de processamento é, quase na sua totalidade, muito nova e moderna, até mesmo como resultado do recente e importante crescimento que tivemos na produção e exportação de produtos de origem animal. Além de controles internos modernos na produção, a indústria é fiscalizada constantemente por Auditores do Ministério da Agricultura. Quase semanalmente, o Brasil recebe Delegações de países importadores, que também realizam fiscalizações no sistema do Ministério da Agricultura. O produto de origem animal do Brasil está entre os melhores do mundo.

Infelizmente, a fragilidade institucional nos mais altos níveis da Nação criou um descrédito do País. Aliado a esta dificílima questão, a operação “carne fraca” e, posteriormente, a operação “carne fria” da Policia Federal identificaram problemas reais de relacionamento promíscuo entre agentes públicos e o setor privado. Problemas que, é verdade, não destroem a qualidade do produto brasileiro, porém, arruínam a credibilidade das instituições que deveriam garantir esta qualidade.

O comércio internacional, em especial de produtos agrícolas, está sujeito a pressões protecionistas de nossos concorrentes, sempre muito politicamente ativos. A fragilidade institucional existente no País hoje, contudo, permitiu aos concorrentes aproveitar a situação para impor as sanções comerciais ao Brasil nos últimos dias.

É preciso reagir, porém, sem negar os problemas, pois eles existem, ainda que diminutos. É preciso reagir, corrigindo, em primeiro lugar, o relacionamento entre os setores público e privado. Em segundo lugar, tomar a iniciativa imediata de alterar as pequenas questões identificadas, visando eliminar os problemas de inspeção.

A liderança dessas alterações deve partir da sociedade. O setor privado deve atuar, sobretudo, no sentido de promover alterações estruturais, tanto no relacionamento com o setor publico, como nas ações de inspeção. O setor público, por sua vez, precisa modificar a eficiência de seus controles, para garantir a independência de ação de seus auditores, assegurando prioridade e com o reconhecimento de que os serviços públicos se destinam à valorização da produção do Brasil. Ou seja, a transparência no relacionamento entre os setores público e privado deve ser total e valorizada.

É um desafio, mas podemos atingi-lo. Certamente, é mais fácil em relação a tudo o que já conquistamos. Essa tarefa, porém, exigirá dos setores público e privado uma atuação em conjunto para reconquistarmos a credibilidade que merecemos.

Ministério da Agricultura revisa normas de inspeção para restabelecer exportações de carne bovina in natura aos EUA

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) está revisando as normas de inspeção em frigoríficos para atender as exigências dos Estados Unidos, que nesta quinta-feira (22/06) suspenderam temporariamente a importação de carne in natura do Brasil em razão de presença de abscessos em alguns cortes, disse o ministro Blairo Maggi. “Vamos ter uma metodologia de inspeção ainda mais rigorosa.” Maggi informou que viajará aos EUA, assim que a nova instrução normativa (IN) sobre o assunto estiver pronta, para negociar o fim do embargo ao produto brasileiro.

“Quando os americanos receberem as informações do Brasil, vou até os Estados Unidos, com uma equipe do Mapa, para fazer as discussões necessárias para restabelecer as importações de carne in natura para esse mercado tão importante que conquistamos nos últimos anos”, acrescentou o ministro. Maggi enfatizou que o Brasil lutará para retomar a venda de carne fresca ao país, por ser um mercado muito importante.

O ministro lembrou que o Brasil já havia descredenciado cinco de 15 plantas frigoríficas habilitadas a exportar carne in natura para os EUA. “Assim que recebemos a informação sobre a presença de abscessos nos cortes, tomamos essa providência”. Segundo ele, o abscesso pode ser resultado de reação a componentes da vacina contra a febre aftosa. “Vamos abrir imediatamente uma sindicância para ver o tipo de reagente utilizado e se, de fato, ele está causando esses resíduos nas carnes enviadas para lá.”

Maggi reiterou ainda que o Mapa está atento à questão. “Não é um assunto que surgiu hoje. Tanto que já havíamos feito a suspensão voluntária de cinco plantas para evitar embargo. Agora vamos correr atrás, vamos tentar resolver esse assunto o mais breve possível, já que a pecuária brasileira passa por um momento de dificuldade com preços baixos para os produtores e o mercado americano é importante para manter as cotações de bovinos no Brasil”, disse o ministro.

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Curtas

1. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento recebeu um comunicado da abertura do mercado de Myanmar para as exportações brasileiras de sêmen e embriões de bovinos e bubalinos, além de animais vivos para o abate. O país asiático também quer importar bovinos destinados à reprodução, já que pretende desenvolver a pecuária, com foco no aumento da produtividade de leite e carne.

2. A partir de 1º de julho, os cacauicultores poderão contar com R$ 2,13 bilhões em crédito de investimento para a implantação, melhoramento e manutenção de suas lavouras em sistemas florestais ou agroflorestais. Os projetos apresentados às instituições financeiras terão limite de financiamento de até R$ 2,2 milhões / produtor, com taxas de juros de 7,5% / ano e com prazo de pagamento de até 12 anos.

3. O Governo Federal anunciou repasses à prefeitura de Petrolina (PE) destinados à modernização do matadouro municipal e à compra de patrulha agrícola mecanizada. Duas mil toneladas de milho também foram liberadas para o município, e serão comercializadas por meio do Programa de Venda em Balcão, da Conab. O cereal será vendido a pequenos produtores por R$ 33,00 a saca de 60 quilos.

4. A pauta de exportação do agronegócio em maio deste ano foi liderada pelo complexo soja, cujas vendas atingiram US$ 4,72 bilhões, o que representa 48,8% do total dos embarques do setor. A cifra representa acréscimo de 7,5% sobre o valor registrado no mesmo mês do ano passado. Os dados constam da balança comercial do agronegócio. Além do complexo soja, produtos como açúcar (US$ 824,22 milhões e 1,99 milhão de toneladas) e celulose (US$ 527,72 milhões e 1,19 milhão de toneladas) tiveram destaque no mês de maio.

5. A estimativa do valor bruto da produção agropecuária (VBP) de 2017, de R$ 546,3 bilhões, é o maior dos últimos 27 anos. O montante é 5,3% superior ao de 2016, de R$ 519 bilhões. Esse resultado reflete a elevada safra de grãos prevista para esta temporada, conforme anúncio feito pela Conab e pelo IBGE.

6. A Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário levará oito empreendimentos da agricultura familiar para participar da Saitex 2017 – Feira Internacional da África do Sul. O evento acontece de 25 – 27/06, em Johannesburg. Todos foram selecionados por meio de chamada pública e o requisito para a inscrição era ter a Declaração de Aptidão ao Pronaf jurídica.

7. No dia 15/06 tem início o vazio sanitário da soja em cinco estados brasileiros: Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia. No Brasil, 11 estados e o Distrito Federal adotam essa medida. O vazio sanitário é o período de 60 a 90 dias em que não se pode semear ou manter plantas vivas de soja no campo. O objetivo é reduzir a sobrevivência do fungo causador da ferrugem-asiática durante a entressafra e assim atrasar a ocorrência da doença na safra.

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CTNBio aprova cana-de-açúcar transgênica e Brasil será primeiro país do mundo a iniciar a produção

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, nesta quinta-feira (08/06), a liberação comercial de cana-de-açúcar geneticamente modificada. Com isso, o Brasil vai ser o primeiro país do mundo a produzir esse tipo de cana. A CTNBio também aprovou a liberação comercial de uma vacina viva recombinante contra a influenza de equinos, denominada Proteqflu.

“Desde os tempos coloniais, a cana-de-açúcar tem um papel importante para a economia brasileira. O fato é que o Brasil desenvolveu e vai ser o primeiro país do mundo a aplicar a biotecnologia em cana. Com isso, a produtividade e a qualidade do produto devem aumentar”, avaliou um dos relatores do pedido, o professor Jesus Aparecido Ferro, do Departamento de Tecnologias da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Ele ressaltou que a decisão da CTNBio é baseada na segurança dos estudos comprovados. “Da maneira que está sendo produzida, não oferece nenhum risco”, ressaltou.

O pedido de liberação foi feito pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que desenvolveu uma variedade da planta resistente à broca do colmo, praga comum nos canaviais do centro-sul do país.

Segundo o presidente da CTNBio, Edivaldo Velini, em duas décadas de existência, a comissão elaborou relatórios acerca de 74 pleitos de Liberação Planejada no Meio Ambiente (LPMA) de cana-de-açúcar transgênica. “A liberação da cana, decisão tomada hoje pela maioria dos membros da CTNBio, é, certamente, uma tecnologia que será importante para o futuro do Brasil”, afirmou.

Indústria nacional

De acordo com o diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, as 360 usinas sucroalcooleiras do Brasil movimentam, anualmente, R$ 100 bilhões de valor bruto por toda a cadeia. Além disso, geram cerca de 1 milhão de empregos formais diretos e mobilizam 70 mil produtores independentes. “Somos o terceiro segmento na pauta de exportação do agronegócio do Brasil, principalmente no mercado de açúcar, com R$ 14 bilhões em divisas”, disse. “Há impacto em mais de mil municípios.”

Na visão de Sousa, o investimento em tecnologia canavieira costuma ter baixo retorno financeiro, porque predomina em países emergentes, diferentemente de culturas como beterraba e milho, presentes nos Estados Unidos e na Europa. “Muito disso é explicado pelo fato de não haver tanto interesse de grandes multinacionais em cana-de-açúcar”, ponderou. “São as empresas nacionais que colocam recursos, em busca de avançar em produtividade.”

Histórico

O CTC protocolou em 27 de dezembro de 2015 o pedido de liberação comercial que motivou uma audiência pública realizada em outubro passado, em Brasília. O processo de liberação da cana-de-açúcar resistente à broca do colmo aguardava deliberação das subcomissões setoriais ambiental, animal, vegetal e de saúde humana da CTNBio.

A CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Sua finalidade é prestar apoio técnico-consultivo e assessoramento ao governo federal para formular, atualizar e implementar a Política Nacional de Biossegurança. Agora, a liberação da cana de açúcar segue para registro e avaliação do Ministério da Agricultura.

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Foto: Rural Pecuária / Divulgação

 

Governo Federal anuncia R$ 190,25 bilhões com juros menores para financiar agricultura

O presidente Michel Temer e o ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) anunciaram, nesta quarta-feira (07/06), no Palácio do Planalto, o maior volume de recursos da história para financiar a agricultura brasileira. São R$ 190,25 bilhões destinados ao Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018, por meio do qual médios e grandes produtores poderão acessar o crédito rural, entre 1º de julho deste ano e 30 de junho de 2018. O governo federal também reduziu, entre um e dois pontos percentuais, os juros das operações.

O presidente Michel Temer destacou o crescimento de 13,4% do PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário no primeiro trimestre deste ano, que, segundo ele, sustentou a economia no período. E destacou que a destinação de mais de R$ 190 bilhões para o setor não permite ser pessimista ao comportamento da atividade econômica. “O otimismo permeia esta solenidade”, frisou, lembrando que, na semana anterior, já foram anunciados mais de R$ 30 bilhões somente para a agricultura familiar. Temer destacou ainda que o ministro Blairo Maggi adotou medidas de desburocratização desde que assumiu o Mapa e tem viajado ao exterior para abrir novos mercados para os produtos brasileiros.

O montante dos recursos destinados ao Plano Agrícola e Pecuário reforça a prioridade dada pelo governo federal ao agronegócio e à geração de emprego e renda. Mesmo com a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) de 2016, que limitou os gastos públicos, o entendimento no Palácio do Planalto é de que é fundamental ampliar os valores para o crédito rural em um momento de incentivo à retomada do crescimento econômico.

Maggi falou com entusiasmo sobre a previsão da colheita de 232 milhões de toneladas de grãos neste ano, mas acrescentou que, incluindo toda a produção agrícola e pecuária, o resultado anual supera 1,2 bilhão de toneladas. O ministro enfatizou a importância da pesquisa, da tecnologia para a posição que o Brasil ocupa no mercado mundial do agronegócio (com 6,9% de participação) . E frisou que o crescimento da produção tem sido alcançado preservando 61% do território nacional. “Isso não acontece em nenhum outro país do mundo”, afirmou.

O plano repercute em criação de vagas em toda a cadeia produtiva, na geração de divisas com exportação de produtos agropecuários, além de proporcionar alimentação mais barata e inflação menor, beneficiando as famílias. O agronegócio impacta a economia não apenas do campo, mas também a da cidade, movimentando lavouras e a agroindústria de alimento, além de setores como de máquinas e equipamentos, de vestuário e transporte de carga. O setor é responsável por metade das exportações e por 21% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

O volume de crédito para custeio e comercialização é de R$ 150,25 bilhões, sendo R$ 116,25 bilhões com juros controlados (taxas fixadas pelo governo) e R$ 34 bilhões com juros livres (livre negociação entre a instituição financeira e o produtor). O montante para investimento saltou de R$ 34,05 bilhões para R$ 38,15 bilhões, com aumento de 12%. Apoio à comercialização terá 1,4 bilhão.

Juros

Quanto aos juros, houve redução de um ponto percentual ao ano nas linhas de custeio e de investimento e, de dois pontos percentuais ao ano nos programas prioritários voltados à armazenagem (Programa para Construção e Ampliação de Armazéns/PCA – 6,5% a.a.) e à inovação tecnológica na agricultura (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária/Inovagro – 6,5% a.a.).

No custeio, os juros caíram de 8,5% ao ano e 9,5% ao ano para 7,5% e 8,5%. O mesmo aconteceu para os programas de investimento, à exceção do PCA e Inovagro, nos quais a taxa foi fixada em 6,5% ao ano.

Para acompanhar o crescimento da produção agrícola, que deve se situar em 232 milhões de toneladas de grãos, com aumento de 24,3% em relação à safra 2016/2017, com perspectivas de superar tal recorde em 2017/18, o governo federal garante recursos para investimento em armazenagem, de R$ 1,6 bilhão. Nessa temporada, os cerealistas também serão beneficiados no plano.

Os recursos para armazenagem, de acordo com o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, vão ajudar o produtor a suprir a necessidade de logística, beneficiando cerealistas e cooperativas, que terão prazo de amortização do crédito em até 15 anos.

O Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural) terá juros de 7,5% ao ano e contará com R$ 21,7 bilhões, com alta de 12%. Os médios produtores rurais terão à disposição R$ 18 bilhões em custeio e R$ 3,7 bilhões em investimentos.

O programa de Inovação Tecnológica (Inovagro) tem uma linha de crédito para apoiar o uso da conectividade no campo. Isso contribuirá para melhorar ainda mais a gestão das propriedades rurais, por meio da informatização e do acesso à internet. A inovação tecnológica é um dos principais fatores para alavancar a produtividade agrícola.

O Inovagro contará, neste ano agrícola, com R$ 1,26 bilhão, com limite de R$ 1,1 milhão por produtor. O programa financia, por exemplo, equipamentos de agricultura de precisão.

Entre as novidades do plano está a retomada da linha de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para renovação de canaviais (Prorenova Rural), com recursos de R$ 1,5 bilhão, em condições favorecidas.

Moderfrota

O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) passa a contar com R$ 9,2 bilhões, com incremento de 82,2%. A compra de máquinas e implementos agrícolas terá o limite de financiamento de 90% do valor financiado, com prazo de pagamento de 7 anos.

O limite de financiamento de custeio é de R$ 3 milhões por produtor, por ano-agrícola. Para o médio produtor, o limite é de R$ 1,5 milhão. O prazo de pagamento é de 14 meses para produtores de grãos.

O governo elevou a abrangência de finalidades financiadas com a fonte LCA (Letra de Crédito do Agronegócio) e espera atingir o montante de R$ 27,3 bilhões, dessa fonte, no financiamento da cadeia do agronegócio.

Em 2018, o produtor poderá contar com R$ 550 milhões do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), com aumento de 37,5%. O PSR oferece ao agricultor a oportunidade de proteger sua produção agrícola com custo reduzido, por meio de auxílio financeiro do governo federal.

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Recursos do Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018 contribuem para a retomada do crescimento econômico (Foto: Divulgação)

Plano Safra da Agricultura Familiar é apresentado no Palácio do Planalto

Um ano após assumir o compromisso de manter as ações voltadas para a agricultura familiar, o Governo Federal reafirma tal objetivo com o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2017-2020. Principal fonte de incentivo ao produtor rural brasileiro, o programa foi lançado nesta quarta-feira (31), aliado a outras medidas em prol do crescimento agrícola no país. Os juros mais baixos, principal pleito do segmento, foram mantidos, além do montante disponibilizado para o crédito, que é R$ 30 bilhões. Em um novo modelo, agora plurianual, o Plano Safra abrange e assegura a atuação do governo em grandes eixos, como regularização fundiária, Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), comercialização e agroecologia, pelos próximos três anos.

Anualmente, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) lança o Plano Safra da Agricultura Familiar com vigência de julho a junho do ano seguinte. O mês de divulgação é escolhido estrategicamente para se adequar ao início do calendário da safra agrícola brasileira. Este ano, o Plano Safra vai além do crédito rural e traz 10 eixos principais. São eles: crédito e seguros da produção; Novo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF); titulação de terras; regulamentação da Lei da Agricultura Familiar; agroecologia; apoio à modernização produtiva da agricultura familiar; comercialização dos produtos da agricultura familiar; Ater; agricultura urbana e periurbana e ações integradas no Semiárido.

Segundo o secretário da Sead, José Ricardo Roseno, as ações criam mecanismos para o agricultor produzir cada vez mais e melhor. O eixo regularização fundiária, por exemplo, visa oferecer segurança jurídica, com a titulação. “Não basta apenas crédito. É preciso ir além, é necessário um conjunto de ações para fortalecer o setor”, explicou Roseno durante o evento.

Ao detalhar o Plano, Roseno explicou que para o ano agrícola 2017/2018, serão disponibilizados R$ 30 bilhões por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com juros que variam entre 2,5% e 5,5% ao ano. Para produtos da cesta básica e que compõem os índices de inflação, a taxa será de 2,5%. Roseno afirmou também que a produção do agricultor ficará mais protegida com o aperfeiçoamento do Seguro da Agricultura Familiar (SEAF). O valor segurado poderá chegar a R$ 10 bilhões. “O seguro prevê garantia de renda de até 80% da receita bruta esperada da lavoura. A cobertura de renda líquida será de até R$ 40 mil para lavouras permanentes e olerícolas e R$ 22 mil para demais”, frisou.

A cerimônia de lançamento do novo Plano Safra da Agricultura Familiar aconteceu no Palácio do Planalto e reuniu o presidente da República, Michel Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, além de presidentes de diversas entidades do segmento, ministros, parlamentares, representantes de movimentos sociais e agricultores familiares.

Durante o evento, o presidente Michel Temer assinou dois decretos: o de regulamentação de créditos para a reforma agrária e de regulamentação da Lei da Agricultura Familiar, que institui o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) com o objetivo de identificar os agricultores que podem acessar as políticas de incentivo à produção agrícola familiar. “Muitos alimentos que vão para a mesa do brasileiro ou para a lancheira das crianças são produzidos pelas mãos dos agricultores familiares. Eles são a força motriz do desenvolvimento do país”, declarou Michel Temer.

O ministro Eliseu Padilha trouxe números que comprovam a importância da agricultura familiar para a economia do país e em seguida frisou os objetivos da política. “O Plano se alicerça em tecnologia, em Ater, em regularização fundiária e em políticas específicas para água. São R$ 30 bilhões para este ano, mas seguramente teremos um aumento desses valores para os próximos anos, devido a importância do setor”, adiantou Padilha.

Regularização fundiária

Figura chave do Plano, o agricultor familiar foi representado por um grupo de produtores rurais do Distrito Federal (DF) e do Entorno. Eles comemoraram a inclusão da regularização fundiária no novo modelo do Plano Safra. Dentro da regularização fundiária proposta, o destaque recai sobre a Medida Provisória (MP) 759, compreendida como estratégia pacificadora para o acesso ao título de terra. Durante o evento, o presidente Michel Temer pediu celeridade na votação da MP no Senado Federal.

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