IA: é preciso desmistificar para transformar 

por Tânia Alves*

A Inteligência Artificial ainda é cercada por muitas ideias equivocadas no mundo corporativo. Na maioria das vezes, ela é vista como algo quase “mágico”, que pensa sozinha ou que possui uma vontade própria para tomar decisões. No entanto, quando olhamos de perto, a realidade é bem mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais poderosa do que a ficção. 

Segundo estudo divulgado pela Newnew, 80% das empresas participantes utilizam algum tipo de aplicação da IA. Por sua vez, apesar da ampla presença da tecnologia, o nível de maturidade organizacional ainda é limitado, sendo que apenas 11% das lideranças avaliam que a implementação “deu certo”, enquanto a maior parte continua no nível intermediário. 

Antes de tudo, é fundamental desconstruir a ideia de que a IA pensa como um ser humano. Afinal, ela não tem consciência, não possui intenção e não “decide” no sentido humano da palavra. O que ela faz, na verdade, é algo mais objetivo: identificar padrões em grandes volumes de dados e usá-los para prever ou sugerir decisões futuras. Na prática, o processo é lógico. A tecnologia recebe os registros, sejam eles históricos ou em tempo real, aprende como essas informações se relacionam entre si e, com base nisso, aponta o que é mais provável de acontecer em um determinado cenário. 

Para ilustrar, podemos imaginar uma máquina que começa a apresentar pequenas variações antes de falhar completamente. Para um operador humano, essas mudanças podem ser imperceptíveis no início. Entretanto, a IA, ao analisar o histórico desses eventos e reconhecer o padrão que antecede uma quebra, consegue prever o problema muito antes de ele ocorrer. Isso não é intuição, é processamento de dados puro. 

No entanto, para que toda essa estrutura funcione bem, a IA depende de três elementos principais. O primeiro, e talvez o mais importante, são os dados. Sem eles, não existe inteligência, visto que são o combustível que alimenta todo o processo, venham eles de ERPs, CRMs ou de sensores espalhados por uma linha de produção. Contudo, aqui existe um ponto de atenção crucial: não se trata apenas de ter um volume gigantesco de informações, mas sobre ter dados bons. Até porque, se estiverem incompletos, desatualizados ou incorretos, a ferramenta também vai errar em suas previsões. 

O segundo pilar são os modelos, que nada mais são do que a “inteligência” por trás da tecnologia. Sem entrar em termos técnicos complexos, podemos pensar neles como formas de ensinar a máquina a reconhecer os padrões. Existem diversos tipos de modelos, mas todos compartilham o mesmo objetivo final: transformar dados brutos em previsões ou recomendações que façam sentido para o negócio. Por fim, o terceiro elemento é a capacidade de processamento, e é aqui que entram soluções essenciais como a computação em nuvem e equipamentos de alto desempenho, que permitem que a IA funcione tanto em grandes servidores quanto diretamente no chão de fábrica, onde a decisão precisa ser imediata. 

Compreender esses pilares ajuda a entender por que a IA deixou de ser uma tendência e se tornou um diferencial competitivo indispensável hoje. O motivo é simples: ela ajuda as empresas a tomarem decisões melhores e mais rápidas. Em um mercado onde a agilidade é tudo, antecipar problemas antes que eles aconteçam, automatizar análises que levariam dias para serem feitas manualmente e reduzir incertezas são vantagens que colocam qualquer operação em outro nível. O impacto é muito concreto e pode ser visto em diversas frentes. No setor industrial, o foco está em prever falhas e melhorar a qualidade dos produtos. No backoffice, a IA ajuda a identificar desvios e padrões em indicadores financeiros que poderiam passar despercebidos. No comercial, ela permite prever a demanda com uma precisão muito maior, evitando estoques parados ou falta de produtos. No fim das contas, empresas que usam a tecnologia bem aplicada erram menos e reagem mais rápido às mudanças. 

Apesar de todo esse potencial, é preciso entender que ela não resolve todos os problemas. Existem limitações claras que todo gestor deve conhecer. A primeira é a dependência absoluta de dados de qualidade. Além disso, falta ao recurso o que chamamos de contexto humano. Afinal, a IA não entende de cultura organizacional, não compreende estratégia de longo prazo e não possui sensibilidade emocional. Ela funciona melhor em cenários específicos e sua implementação exige investimento, especialmente na organização dos dados e na integração com os sistemas que a empresa já utiliza. 

Sendo assim, adotar a Inteligência Artificial não é apenas uma decisão técnica, mas uma decisão de responsabilidade. É fundamental manter a transparência, entendendo como a ferramenta chegou a uma conclusão, e garantir uma governança de dados que preze pela segurança. A supervisão humana deve ser constante, pois a decisão final continua sendo de quem entende do negócio e, neste caso, a tecnologia deve apoiar o julgamento humano, nunca o substituir completamente. 

Empresas que compreendem essa estrutura evitam investimentos sem retorno e focam em gerar valor real. A pergunta que as lideranças devem se fazer agora não é mais se devem usar a IA, mas onde aplicá-la com o objetivo correto e uma base sólida. No final, a tecnologia está apenas evidenciando uma separação clara: entre as empresas que evoluem e aquelas que, por medo ou falta de organização, acabam ficando para trás. 

*Gerente de Engajamento do Cliente (CEE) da Okser.

Startup nordestina usa inteligência artificial para proteger agricultura das emergências climáticas

Uma tecnologia de inteligência climática desenvolvida pela startup brasileira i4sea, já aplicada em operações portuárias no litoral, começa a ser levada pela empresa ao interior do país, para a agricultura. A solução, que capta informações de estações meteorológicas, radares e sensores em geral, transformando-as em dados hiperlocais (em raios de um quilômetro), oferece previsões do tempo mais específicas para o território monitorado e para intervalos cronológicos que vão de algumas horas a 15 dias próximos.

A tecnologia da i4sea é utilizada por operadores em portos brasileiros, como o de Santos (SP), maior da América Latina, e do Açu (RJ); ainda, do Porto de Roterdã (Holanda), o maior da Europa. Mineradoras, como a Vale, e empreendimentos de energia eólica offshore (no mar) também são usuárias da inteligência climática desenvolvida pela startup, fundada em 2015 em Salvador (BA), onde mantém sua sede.

Todas essas operações marítimas e de mineração, bem como as agrícolas, estão expostas às condições do tempo. Com a previsão mais específica e precisa proporcionada pela tecnologia da i4sea, os operadores conseguem planejar seu funcionamento, prevenindo-se de eventuais riscos meteorológicos e tomando decisões como suspender ou retomar as atividades na hora e na medida certas, conforme ressalta o cofundador e CEO da i4sea, Mateus Lima.

Para o agro, a solução tem impacto positivo ainda mais significativo. Ocorre que a atividade é uma das mais afetadas pelas emergências climáticas, como adverte a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo a Embrapa, apenas 5% das áreas agrícolas do Brasil dispõem de sistemas de irrigação – ou seja, os outros 95% delas são dependentes do regime de chuvas, cada vez mais instável e sujeito a eventos extremos.

“O setor agropecuário é diretamente influenciado por fatores climáticos como chuva, umidade do solo e do ar, ventos, temperatura e radiação solar. As mudanças climáticas têm provocado alterações na incidência e frequência de eventos extremos, como alagamentos, secas e geadas, bem como modificado o ciclo de pragas e doenças na lavoura, que impactam diretamente a produção”, assinala a instituição.

Foto: Adem Percem / Pexels.com

Por isso, além da inteligência climática hiperlocal, para o agro a startup entende a necessidade de fornecimento de dados e informações que tracem um cenário em médio e longo prazo. Afinal, explica o CEO da i4sea, diferentemente de operações em que as ações dizem respeito às condições de momento (paralisar ou retomar um embarque ou desembarque portuário, por exemplo), nas atividades agrícolas as decisões são mais estruturais – como a opção por uma ou outra cultura de plantio.

A i4sea é um dos empreendimentos que estão tornando o Nordeste do Brasil referência quando o assunto são polos de inovação. Segundo dados do Sebrae Startups Report, o Nordeste já concentra cerca de 25% das startups brasileiras; uma em cada quatro startups está em um dos estados nordestinos.

Investidora da i4sea, a casa de investimentos Lighthouse tem foco justamente no Nordeste do país. Especializada em Venture Capital, em menos de dez anos estruturou fundo de investimento direcionado à região, o qual soma R$ 100 milhões de capital autorizado. Para os sócios fundadores da Lighthouse, a casa de investimentos constatou na startup de inteligência climática potencial empresarial e de forte impacto socioambiental.

“Trata-se de uma solução que concilia conhecimento científico, das áreas de Oceanografia e Climatologia, com inovação tecnológica”, sublinha um dos sócios da Lighthouse, Gustavo Menezes. “Ela tem proporcionado a players dos principais portos do Brasil e do mundo realizarem suas operações, antecipando-se a eventos climáticos. Isso é segurança e eficiência operacional. Com ocorrências climáticas cada vez mais extremas, é uma solução indispensável”, afirma.

A era do Retorno sobre Energia (ROE): por que a produtividade da IA exige uma nova gestão da energia humana

por Mário Soma*

A Inteligência Artificial (IA) entregou o que prometeu: uma escala de produtividade sem precedentes. No entanto, ao observar as discussões do SXSW deste ano, ficou claro que essa evolução trouxe um efeito colateral silencioso que as empresas não podem mais ignorar. 

A tecnologia elevou a capacidade operacional, mas expôs um custo invisível: o esgotamento da carga mental humana. Estamos vivendo o paradoxo da eficiência. De acordo com dados de mercado, o cenário é alarmante:

  • 68% dos profissionais admitem que não têm tempo para pensar estrategicamente, segundo relatório da Microsoft
  • 60% do esforço das equipes é drenado pela coordenação de tarefas, não pela execução, segundo relatório da Asana
  • O volume de decisões executivas explodiu, mas a nossa capacidade cognitiva para processá-las continua a mesma,  segundo relatório do Gartner

Na prática, as respostas estão mais rápidas, mas a profundidade está minguando. A produtividade cresce, mas a dependência da IA cria um ciclo de estímulos ininterruptos. 

É neste cenário de “infoxicação” que o Return on Energy (ROE) — ou Retorno sobre Energia — deixa de ser um conceito de bem-estar para se tornar uma prioridade estratégica de negócios.

O ROE não substitui o ROI; ele o protege

É fundamental entender que o ROE não invalida o tradicional Return on Investment (ROI). Na verdade, ele é o que garante a sustentabilidade do lucro a longo prazo. 

Se o ROI mede o quanto ganhamos financeiramente, o ROE mede o custo de atenção e o esforço cognitivo necessários para sustentar esses resultados. 

Sem um ROE equilibrado, o ROI de hoje se torna o burnout de amanhã.

A grande virada de chave do SXSW foi justamente o deslocamento do foco da tecnologia pura para o contexto humano e emocional. A IA agora “conversa”, “escuta” e “emula sentimentos”. Esse excesso de interfaces que exigem decisões contínuas gerou um desafio econômico real: o consumo desenfreado de energia cognitiva.

A gestão de atenção como ativo financeiro

Quando o desgaste mental atinge o limite, a qualidade das decisões despenca, o engajamento das equipes evapora e a experiência do cliente é comprometida. Problemas que antes eram vistos como “sociais” ou “de RH” foram definitivamente transpostos para o centro da estratégia financeira.

Para reverter esse quadro e gerar satisfação real, as empresas precisam migrar do excesso para a intencionalidade. Se o bombardeio de estímulos prejudica a conexão com a marca e a eficiência da operação, a “recuperação de energia” passa a ser o valor percebido mais escasso e desejado.

Foto: Daniil Komov / Pexels.com

O próximo passo: maturidade tecnológica

Já sabemos que a IA aumenta a produtividade. Agora, o desafio das lideranças é identificar o nível de maturidade necessário para gerir o impacto dessa tecnologia sobre as pessoas.

A gestão da energia cognitiva e a responsabilidade sobre como a tecnologia afeta a operação já são pautas obrigatórias entre os executivos C-Level. No mundo corporativo moderno, ignorar o ROE não é apenas uma falha de gestão de pessoas; é um risco financeiro e estratégico que pode custar a longevidade do negócio.

*CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação.

Uso de IA cresce 72% e amplia risco jurídico sobre dados e prompts

Com cerca de 72% das empresas já utilizando inteligência artificial em ao menos uma função de negócio, segundo levantamento global da McKinsey & Company, cresce no ambiente corporativo a preocupação com a ausência de regras claras sobre uso de prompts, titularidade de outputs e proteção de dados estratégicos. O tema ganhou relevância recente com o avanço do debate regulatório internacional, após o U.S. Copyright Office reforçar o entendimento de que conteúdos gerados por IA exigem contribuição humana identificável para proteção autoral, enquanto discussões no Parlamento Europeu indicam maior foco em transparência e responsabilização no uso da tecnologia. No Brasil, o Projeto de Lei 2338 de 2023 segue em tramitação e ainda não estabelece diretrizes consolidadas sobre o tema.

De acordo com Matheus Barcelos Martins, sócio do Barcelos Martins Advogados e especialista em Direito Empresarial com atuação em contratos, inovação, propriedade intelectual e tecnologia, “o debate sobre direito autoral de prompt é limitado diante da realidade das empresas. Na prática, quando esses comandos refletem estratégia, lógica operacional ou curadoria, eles se tornam ativos relevantes e devem ser tratados como segredo de negócio e objeto de proteção contratual”.

Além do cenário regulatório em evolução, entidades como a OWASP vêm alertando para riscos concretos associados ao uso corporativo de IA, incluindo exposição de informações confidenciais e vulnerabilidades como prompt injection, listada entre as principais ameaças no ranking Top 10 for Large Language Models da organização. A World Intellectual Property Organization também tem destacado os desafios relacionados à proteção de ativos intangíveis no contexto da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o aumento de disputas judiciais envolvendo empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e Midjourney reforça que o tema já impacta decisões econômicas, concorrenciais e contratuais em escala global.

Diante desse cenário, cresce a recomendação por adoção de políticas estruturadas de governança sobre o uso de inteligência artificial, incluindo mapeamento da criação e utilização de prompts, definição de diretrizes sobre confidencialidade e propriedade intelectual e revisão de contratos com fornecedores de tecnologia. Segundo Matheus Barcelos Martins, “empresas que não estabelecem regras claras sobre o uso de IA podem comprometer ativos estratégicos e assumir riscos jurídicos relevantes, especialmente em um contexto em que a regulação ainda está em consolidação e a responsabilização tende a se intensificar”.

Inteligência Artificial: aliada estratégica para impulsionar e transformar negócios

por Leonardo Chucrute*

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma ferramenta indispensável em diversas áreas, especialmente no mundo dos negócios. Empreendedores que dominam o uso estratégico dessa tecnologia conseguem potencializar resultados, reduzir erros e tomar decisões com mais agilidade e segurança, fortalecendo a competitividade de suas empresas.

Um dos principais benefícios da IA é a economia de tempo. Ferramentas como assistentes virtuais são capazes de gerar relatórios, analisar o comportamento do consumidor e sugerir melhorias em poucos segundos. Isso permite que o empresário concentre seus esforços no que realmente importa: estratégia, inovação e crescimento do negócio.

A IA também se destaca como uma poderosa aliada no processo de aprendizado, ao possibilitar a personalização da formação e apoiar a tomada de decisões. É possível solicitar recomendações de cursos, vídeos, artigos e até mentorias específicas. Dessa forma, o empreendedor desenvolve competências práticas cada vez mais alinhadas aos seus objetivos, como gestão financeira, liderança e marketing digital.

Além disso, a inteligência artificial pode ser utilizada para testar ideias de negócio, aprimorar apresentações e apoiar o desenvolvimento de novos produtos. Criar prompts para simular o lançamento de um serviço ou validar um pitch torna-se um diferencial competitivo, especialmente em mercados altamente dinâmicos.

Outro uso relevante da IA está no treinamento de equipes. Existem aplicações capazes de simular atendimentos ao cliente, avaliar discursos e oferecer feedback sobre postura, clareza e comunicação. Treinar equipes com esse tipo de tecnologia pode elevar o padrão de excelência do negócio, gerar mais valor para a marca e contribuir para a fidelização de clientes.

É fundamental lembrar que a IA é uma aliada, e não uma substituta da experiência humana. Ela amplia a criatividade, a visão estratégica e a eficiência, mas não substitui competências como empatia, senso crítico e liderança. Integrar tecnologia e inteligência emocional é o que diferencia o empreendedor comum daquele que se destaca em um mercado cada vez mais competitivo.

Portanto, utilize a inteligência artificial como uma alavanca de crescimento, aprendizado e aprimoramento contínuo. Aprender, testar, adaptar e evoluir são atitudes essenciais. O futuro pertence a quem aprende com rapidez e se adapta com sabedoria, e a IA pode ser uma grande aliada nesse processo de expansão e transformação dos negócios.

*CEO do Zerohum, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.

Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial: Lula defende governança global da IA

com informações da Agência Gov

Ao discursar em Nova Délhi, na Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da IA seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, afirmou Lula.

O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as pessoas.

Lula ainda alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, ressaltou.

Foto: Reprodução / Canal GOV / EBC

“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”, prosseguiu o presidente.

“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, frisou Lula.

A onda imparável: a IA está reestruturando o mercado de trabalho global

O debate sobre se a Inteligência Artificial (IA) irá apenas aumentar a produtividade ou, de fato, eliminar empregos não é mais uma questão teórica. A resposta, conforme as gigantes corporativas vêm demonstrando nas últimas semanas, está se tornando clara: a IA está reestruturando profundamente a força de trabalho e o ritmo dessa mudança é brutal.

Por muito tempo, a maioria dos CEOs hesitou em admitir publicamente que os investimentos em IA levariam a cortes de pessoal. Esse tom, porém, mudou radicalmente. As demissões anunciadas recentemente, muitas vezes sob a bandeira da “reestruturação”, revelam uma corrida implacável pela eficiência impulsionada pela automação inteligente.

Demissões e requalificação: o novo dilema corporativo

A consultoria global Accenture deu um dos sinais mais fortes dessa mudança ao desligar mais de 11.000 funcionários nos últimos três meses, parte de um programa massivo focado em incorporar a IA em sua estrutura. A mensagem é inconfundível: o futuro do funcionário depende diretamente de sua capacidade de se adaptar e utilizar a IA em suas funções. Quem não se requalifica, corre o risco de ter seu posto de trabalho absorvido pela máquina.

Outras empresas seguem o mesmo caminho. A Lufthansa já anunciou planos para cortar mais de 4.000 cargos nos próximos anos, reconhecendo que o aumento do investimento em IA torna certas funções obsoletas ou desnecessariamente duplicadas. Da mesma forma, a Salesforce cortou 4.000 membros de sua equipe de suporte ao cliente, enfatizando que sua própria solução de IA, a Agentforce, diminui a necessidade de intervenção humana em muitas tarefas.

Foto: Sanket Mishra / Pexels.com

Mudança brutal ou esperança na estabilidade

O Diretor Financeiro (CFO) da gigante de software SAP não poupou avisos, descrevendo a transformação do mercado como “brutal”. A empresa está focada em automatizar milhares de tarefas de back office e, de forma crítica, está investindo para colocar mais de 30.000 engenheiros em ferramentas de codificação baseadas em IA. O objetivo claro é aumentar a produção e, acima de tudo, as margens de lucro.

No meio desse cenário de cortes, o Walmart, que é o maior empregador dos Estados Unidos, oferece um ponto de contraste mais otimista. A empresa reconhece que a IA irá transformar cada função em sua força de trabalho, mas se comprometeu a manter seu quadro de 2,1 milhões de funcionários estável nos próximos três anos. Seu foco será total na requalificação, uma estratégia de longo prazo que a empresa está desenvolvendo em parceria com a OpenAI.

O consenso é que a IA não é uma ferramenta passageira, mas o motor de uma reestruturação de mercado que já começou. O futuro do trabalho não está em ser contra a inteligência artificial, mas em aprender a trabalhar com ela.