Confinamento promove aumento da eficiência alimentar e redução do tempo para o abate

Com duração média de 90 a 120 dias e ganhos de peso que podem chegar a mais de 1,5 kg por animal ao dia, o confinamento tem sido adotado por pecuaristas que buscam acelerar a terminação dos bovinos, melhorar a eficiência alimentar e aumentar a previsibilidade da produção.

“Nesse sistema de terminação, 100% da alimentação dos animais é fornecida no cocho. A viabilidade econômica tende a ser maior em propriedades com escala suficiente para diluir os custos fixos da estrutura e dos equipamentos, como misturador, cochos, silos e equipamentos de distribuição, além das despesas com a equipe”, observa o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson.

Entre as vantagens do confinamento estão a maior previsibilidade da produção e o melhor aproveitamento dos insumos utilizados na dieta. A alimentação é balanceada e formulada de acordo com as exigências nutricionais dos animais. Com dietas de alta densidade energética e monitoramento constante do consumo, os bovinos podem apresentar ganhos de peso mais rápidos e melhor aproveitamento dos nutrientes ingeridos.

Marson explica que os animais confinados tendem a apresentar melhor conversão alimentar, aproveitando de forma mais eficiente os nutrientes da dieta para o ganho de peso. Para alcançar esse desempenho, o produtor deve oferecer uma dieta composta por alimentos proteicos, energéticos e fontes de fibra efetiva, complementada por núcleos minerais vitamínicos e aditivos necessários ao equilíbrio nutricional.

Ele destaca que outra vantagem do sistema é a menor dependência das condições climáticas e das forragens, permitindo ao pecuarista manter um fluxo contínuo de produção ao longo do ano, atendendo às demandas do mercado com maior regularidade.

Em relação à redução da idade ao abate, a maior eficiência alimentar possibilita que os animais permaneçam menos tempo no sistema produtivo, contribuindo para reduzir o ciclo de produção, aumentar o giro do capital investido e melhorar a relação entre os custos da dieta e as arrobas produzidas. Marson pondera, porém, que os resultados positivos dependem do planejamento nutricional, da qualidade dos ingredientes utilizados, do manejo adequado dos cochos e do acompanhamento técnico permanente.

“A qualidade das instalações, a disponibilidade de sombra, água limpa e conforto térmico são fatores fundamentais para o sucesso do sistema, uma vez que o estresse pode reduzir o ganho de peso e aumentar a incidência de doenças. É importante monitorar constantemente indicadores como ganho de peso diário e o consumo de matéria seca para evitar falhas que possam comprometer a eficiência do sistema”, alerta.

Outro ponto de atenção é o risco de dietas mal formuladas, que podem causar problemas metabólicos, como acidose ruminal, redução do consumo alimentar e queda no desempenho. Por isso, o balanceamento nutricional exige acompanhamento técnico e ajustes frequentes.

“Com uma equipe capacitada, planejamento nutricional e acompanhamento constante dos animais, o confinamento pode elevar o desempenho sem deixar de lado o bem-estar e a sustentabilidade da produção”, finaliza.

Foto: Henrique Ferrera / Divulgação / Connan

USDA favorece milho e deixa soja sem força para sustentar alta

O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mudou o humor do mercado agrícola nesta semana. Enquanto a soja recebeu sinais mistos, o milho ganhou força após a redução da produtividade americana e a queda dos estoques finais, cenário que aumentou a percepção de aperto na oferta e ajudou a sustentar as cotações em Chicago e na B3.

Na soja, a queda da produtividade acabou neutralizada pelo aumento da área colhida e da produção nos Estados Unidos. “Produtividade menor é positiva, mas área maior, produção maior e estoques acima do esperado neutralizam boa parte desse efeito”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. Segundo ela, a manutenção das importações chinesas em 115 milhões de toneladas também limitou uma reação mais forte dos preços.

O milho apresentou leitura mais favorável. As exportações americanas subiram e os estoques finais recuaram, deixando o balanço mais apertado. “A relação estoque sobre uso caiu de 11% para 10,12%. Isso significa um balanço americano de milho mais apertado”, diz Yedda. Para a analista, esse foi o dado mais relevante do relatório.

Para o produtor brasileiro, a orientação segue cautelosa. Na soja, novos sinais de demanda chinesa ou perdas adicionais na safra americana seriam necessários para sustentar altas mais consistentes. No milho, o fundamento melhorou, mas câmbio, prêmio e ritmo das exportações continuam sendo determinantes para o preço recebido no mercado doméstico.

Foto: Tom Fisk / Pexels.com

Plataforma brasileira de IA ajuda o agronegócio a reduzir perdas e enfrentar impactos do Super El Niño

O agronegócio brasileiro deve enfrentar nos próximos meses um dos ciclos climáticos mais desafiadores das últimas décadas. O Super El Niño, previsto para causar impactos no Brasil entre outubro e novembro, com secas prolongadas, ondas de calor e enchentes regionais, vai afetar lavouras, rebanhos, logística, armazenagem e operações industriais.

Em um cenário em que perdas pós-colheita por falhas de armazenagem e controle podem chegar a 30%, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e em que produtores que mantêm inventários estruturados conseguem reduzir entre 10% e 25% dos custos operacionais anuais, a solução para mitigar riscos está no uso da Inteligência Artificial (IA), como estratégia para manter a resiliência operacional do setor.

É o que defendem os engenheiros Pedro Sobreira, Anderson Santos e Marco Nippashi, executivos fundadores da Eco Inventory, primeira plataforma brasileira que usa IA para gestão de inventário de estoque, inventário de ativos e conciliação contábil. Para eles, que também são ex-executivos das Big Four — grupo formado por KPMG, Deloitte, Ernst & Young (EY) e PricewaterhouseCoopers (PwC) — fortalecer a gestão de ativos, estoques e infraestrutura em fazendas, cooperativas e agroindústrias diante de eventos climáticos extremos, respeitando características locais, é o que pode garantir a continuidade produtiva.

Estudos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do banco internacional Rabobank mostram que produtores com inventários confiáveis evitam compras emergenciais e reduzem desperdícios, enquanto dados da John Deere indicam que o controle de peças e ativos pode diminuir em 40% o tempo de máquinas paradas — um fator crítico quando o clima pressiona janelas de plantio e colheita.

Segundo análises de risco climático, eventos extremos aumentam a vulnerabilidade de máquinas, equipamentos, silos, armazéns, insumos e estoques estratégicos. A falta de visibilidade patrimonial e divergências entre o inventário físico e o contábil podem gerar perdas financeiras significativas, atrasos na produção e dificuldades na comprovação de danos para seguros e auditorias. Em um setor que pode perder até 20% ao ano por furtos, extravios e ativos não localizados, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a gestão patrimonial passa a ser determinante.

Foto: NOAA / Divulgação

“A empresa rural e a agroindústria precisam saber exatamente o que possuem, onde está cada ativo e qual é o nível real de estoque para reagir rapidamente a eventos climáticos extremos. O Super El Niño exige precisão, rastreabilidade e dados confiáveis”, afirma Pedro Sobreira, diretor técnico-operacional da Eco Inventory.

Criada por auditores com mais de 15 anos de experiência, a Eco Inventory nasceu para resolver problemas que o agronegócio enfrenta diariamente, como a falta de controle patrimonial, divergências de estoque, processos manuais e dificuldade de comprovação de perdas. “A resiliência climática começa com informação confiável. O agronegócio brasileiro é gigante, mas ainda sofre com falta de visibilidade patrimonial. A Eco Inventory ajuda o produtor a proteger seu patrimônio e manter a operação funcionando mesmo em cenários extremos”, afirma Sobreira.

Por meio de IA, com funcionamento online e offline, a plataforma acelera o levantamento de danos, a reorganização de ativos e a retomada das operações, reduzindo prejuízos e facilitando processos de indenização — etapa que pode ser agilizada em até 50% quando há documentação estruturada, segundo seguradoras do setor. “Com eventos climáticos afetando transporte e abastecimento, estoques de insumos, sementes, defensivos, fertilizantes e peças de reposição tornam-se críticos e mais caros. A Eco Inventory oferece inventário rápido, preciso e integrado ao Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP), garantindo decisões de compra mais seguras”, sinaliza o diretor.

O segredo que nenhuma IA consegue copiar: por que as imperfeições humanas criam os melhores líderes

O avanço dos assistentes virtuais e das ferramentas de inteligência artificial generativa acendeu um alerta nas salas de reunião do mundo corporativo: será que o papel dos líderes corre o risco de ser automatizado nos próximos anos?

Para a dra. Eve Poole OBE, professora associada da Hult International Business School e pesquisadora de liderança, a resposta é um sonoro não. Por mais avançados que os algoritmos se tornem na análise de dados e no raciocínio lógico, existe um ecossistema complexo de habilidades que a tecnologia simplesmente não consegue programar.

Trata-se do que a pesquisadora batizou de “código imperfeito humano”, um conjunto de características genuinamente nossas que forma a espinha dorsal de uma liderança inspiradora. “Nunca enfrentamos um concorrente como a inteligência artificial. Jamais tivemos algo capaz de executar tantas tarefas que considerávamos exclusivas. Precisamos parar de competir em lógica com as máquinas e focar no que nos torna profundamente humanos”, destaca a dra. Poole.

O que é o “código imperfeito humano”?

Muitas vezes visto pelo mundo corporativo tradicional como uma fragilidade, esse “código” é, na verdade, um mecanismo evolutivo de sobrevivência desenvolvido ao longo de milhares de anos. Na prática, liderar significa tomar decisões em cenários incertos para proteger e direcionar um grupo — algo que algoritmos determinísticos não fazem de forma autônoma.

Segundo a especialista, o código imperfeito é composto por cinco pilares:

Emoção: Cria conexão genuína e senso de comunidade, dando propósito real às escolhas corporativas.

Intuição: O famoso “feeling” que guia decisões rápidas quando não há dados suficientes na mesa.

Convivência com a incerteza: A capacidade mental de sustentar paradoxos e evitar conclusões precipitadas em momentos de crise.

Consciência moral: O filtro ético que evolui com a experiência e baliza o que é certo ou errado além dos números.

Construção de significado (storytelling): A habilidade de traduzir metas frias em histórias que engajam e motivam equipes no dia a dia.

    A armadilha da comunicação pasteurizada por máquinas

    O reflexo desse fenômeno já é visível no cotidiano das empresas. Quando gestores recorrem excessivamente à IA para redigir e-mails, alinhar expectativas ou estruturar feedbacks, correm o risco de “limpar” do texto o elemento mais valioso: a conexão emocional.

    Processos fundamentais de gestão, como mentoria, construção de cultura organizacional e definição de visão de futuro, dependem do fator humano. Sem a empatia e a vulnerabilidade, declarações de missão viram frases genéricas e reuniões perdem a capacidade de inspirar.

    Foto: Kindel Media / Pexels.com

    O futuro do trabalho pertence aos líderes autênticos

    O grande desafio para os executivos de hoje não é aprender a programar, mas sim aprender a confiar em seus próprios instintos. Em um mercado saturado de respostas automatizadas e relatórios padronizados, o diferencial competitivo estará nos profissionais capazes de equilibrar dados analíticos com inteligência emocional.

    À medida que as rotinas operacionais passam a ser absorvidas pelos robôs, os colaboradores buscarão algo que máquina nenhuma pode fornecer: humanidade, abrigo ético e norte estratégico.

    Como resume a pesquisadora, “o código imperfeito ensina o que significa ser humano. E enquanto liderar for, essencialmente, guiar outras pessoas, ele continuará sendo tudo o que você precisa”.

    Nova MP abre caminho para renegociação de dívidas rurais, mas benefício ainda depende de regulamentação

    A publicação da Medida Provisória (MP) N.º 1.376/2026 pelo Governo Federal abriu uma nova expectativa para milhares de produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras após anos de perdas provocadas por fatores climáticos e pela queda dos preços das commodities agrícolas. A proposta cria mecanismos para facilitar a renegociação de parte das dívidas do setor. Embora tenha sido recebida como  um avanço, ela não representa uma solução automática para os agricultores por estabelecer critérios rigorosos, depender de novas regulamentações e por excluir várias modalidades de dívida bastante comuns no campo.

    Na prática, a MP inaugura uma nova fase da política de crédito rural ao reconhecer que as dificuldades financeiras do produtor nem sempre decorrem apenas de secas, enchentes ou outros eventos climáticos. A forte desvalorização dos produtos agrícolas também passa a ser considerada um fator capaz de comprometer a capacidade de pagamento, refletindo um cenário que marcou diversas cadeias produtivas nos últimos anos. 

    O advogado Eliseu Silveira, especialista em recuperação judicial, alerta que a medida deve ser vista como o início de um processo de renegociação e não como um programa de perdão de dívidas. “O principal avanço é a autorização para que instituições financeiras ofereçam linhas de crédito específicas para a renegociação de dívidas rurais, mas esse benefício ainda não está disponível na prática. Foi criada somente a base legal para essa operação e caberá ao Conselho Monetário Nacional definir seu funcionamento, as condições financeiras, os prazos, os critérios de enquadramento e os procedimentos que deverão ser adotados pelos bancos”, explica. 

    Segundo o advogado, enquanto a regulamentação não for publicada, o produtor continua sem saber exatamente quando poderá procurar a instituição financeira para renegociar seus contratos e quais exigências precisará cumprir. “Esse período de espera gera insegurança justamente em um momento em que muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter a atividade e cumprir seus compromissos financeiros”, observa o especialista.

    Silveira destaca que a mudança dos critérios para comprovação das perdas é outro ponto importante da MP e aponta que antes dela os programas semelhantes concentravam sua atenção principalmente em prejuízos causados por eventos climáticos extremos. “A partir de agora a legislação também permite que produtores afetados pela queda acentuada dos preços das commodities agrícolas possam solicitar a renegociação, desde que consigam comprovar redução significativa da renda. Essa alteração amplia o alcance da medida ao reconhecer que o risco da atividade rural vai além da produção”, afirma.

    O especialista acrescenta que o produtor rural enfrenta diversos desafios para honrar seus compromissos e em muitos casos, mesmo quando a safra é boa, a forte queda dos preços no mercado reduz drasticamente a sua receita. “O produtor lida diariamente com muitas variáveis que podem comprometer sua capacidade de quitar financiamentos e investir no próximo ciclo produtivo. Cada safra tem suas  características próprias e impõe uma forma de agir para dar continuidade à sua atividade”, ressalta. 

    Silveira lembra que para ter acesso ao benefício não basta alegar dificuldades financeiras e que a regra geral exige que o produtor comprove perda de pelo menos 30% da renda bruta esperada considerando os prejuízos acumulados em um período mínimo de duas safras, entre 2019 e 2025. “Houve uma mudança na forma como as perdas serão avaliadas O foco deixa de estar apenas na redução da produção agrícola e passa a considerar diretamente o impacto financeiro sobre a renda do produtor. Assim, laudos técnicos, documentos contábeis, registros de comercialização e outros elementos capazes de comprovar a receita esperada e a receita efetivamente obtida passam a ter papel decisivo para a aprovação dos pedidos”, acrescenta. 

    Silveira aponta que a Medida Provisória deixou uma lacuna ao não contemplar a renegociação de débitos com revendas de insumos, fornecedores e concessionárias de máquinas. “Muitos agricultores tem dívidas contraídas que não tem previsão de negociar. E as Cédulas de Produto Rural também não são contempladas de forma ampla, podendo ser incluídas apenas aquelas contratadas diretamente com instituições bancárias, limitando significativamente o alcance da medida para quem utilizar outras formas de financiamento privado”, enfatiza. 

    Para o advogado, também merece atenção a situação das dívidas que já estão sendo discutidas judicialmente que não terão seus processos de cobrança interrompidos de forma automática. “Os bancos continuam executando aquelas garantias previstas em contrato e não são obrigados a aceitar todos os pedidos de renegociação. Dessa forma, as instituições bancárias poderão exigir novas garantias, reavaliar riscos e estabelecer condições específicas antes de firmar qualquer acordo”, completa.

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    Reforma tributária é tema de debate no Congresso Andav 2026

    A reforma tributária prevê mudanças relevantes na tributação sobre bens e serviços no Brasil, com impactos graduais para diferentes setores. No caso do agronegócio, um dos pontos debatidos foi o Convênio ICMS 100/97, mecanismo de desoneração de insumos agropecuários. O tema foi destaque no 15º Congresso Andav, que termina nesta quinta-feira (13/08), em São Paulo. O evento é uma realização da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e organizada pela Zest Eventos.

    Segundo o tributarista e CEO da ROIT, Lucas Ribeiro, o convênio, que reduz a base de cálculo do ICMS nas operações interestaduais com determinados insumos agropecuários, permanece nas condições atuais até 2027 e poderá ser prorrogado até 2032. A partir de 2029, o percentual começará a ser reduzido em 10%, e assim sucessivamente até 2033, quando será encerrado.

    Além das mudanças tributárias, especialistas apontaram que a transição para o novo sistema poderá exigir ajustes na formação de preços e na estratégia comercial das empresas do agronegócio. A advogada da Agro Hara, Jaqueline Hara, destacou que os efeitos deverão alcançar toda a cadeia produtiva. “A mudança vai simplificar o ambiente fiscal, mas, no início, haverá muita complexidade”.

    Para o diretor-executivo da Cultura Agromais, César de Oliveira, a adaptação exigirá uma revisão mais ampla dos modelos de negócio. O sócio-diretor da Semear Agronegócios, Marcos Pacheco, comentou que a reforma vai influenciar o preço de venda do produto no agro.

    Gestão de Pessoas

    Durante o 15º Congresso Andav, Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), apresentou o conceito de liderança transformativa, modelo que parte do autoconhecimento e da capacidade do líder de tomar decisões conscientes para construir equipes mais colaborativas, emocionalmente seguras e capazes de sustentar resultados no longo prazo.

    Diante de um ambiente cada vez mais acelerado e complexo, Mioto destacou que o líder moderno precisa ser um facilitador de fluxos, capaz de mobilizar e engajar a equipe.

    Foto: FD Fotografia

    Congresso Andav

    O Congresso Andav 2026 reúne mais de 260 marcas nacionais e internacionais, com a expectativa de receber 18,5 mil profissionais, um público altamente qualificado, formado por distribuidores, agrônomos, consultores, representantes técnicos de vendas, pesquisadores e especialistas das áreas relacionadas. O principal ponto de encontro para networking e atualização de conhecimento do setor de Distribuição de Insumos Agropecuários no país conta com o patrocínio da BASF, Bayer, GiroAgro, Syngenta, GCI, Ceres, Biotrop, Ecoagro e Aliare.

    Agronegócio entra na reforma tributária com um desafio que poucos estão discutindo

    Enquanto grande parte das discussões sobre a reforma tributária se concentra na criação do IBS, uma questão começa a preocupar produtores rurais e exportadores, que é o futuro dos créditos acumulados de ICMS. Para especialistas, o agronegócio está entre os setores mais expostos aos efeitos dessa transição por conviver há décadas com volumes expressivos de crédito tributário.

    Para Altair Heitor, contador, psicólogo, especialista em gestão tributária para o agronegócio e CFO da Palin & Martins, consultoria especializada em gestão tributária para o agronegócio, o tema exige atenção imediata. “O agro já convive com acúmulo de crédito de ICMS há muitos anos. A reforma pode agravar ou resolver esse problema, dependendo de como a empresa se posicionar. Quem deixar para discutir os créditos apenas quando a transição estiver avançada poderá enfrentar dificuldades para transformar esses valores em liquidez”, afirma.

    A preocupação não é pequena, já que o agronegócio responde por quase metade das exportações brasileiras e, com a substituição gradual do imposto estadual pelo IBS, cresce a atenção sobre a forma como esses valores serão aproveitados ao longo da transição tributária.

    Segundo as regras aprovadas na reforma tributária, os créditos acumulados de ICMS continuarão existindo e poderão ser compensados dentro dos mecanismos previstos pela legislação complementar. O desafio, porém, está na comprovação desses valores e na qualidade dos controles fiscais mantidos pelas empresas.

    Reforma tributária coloca os créditos de ICMS no centro da estratégia financeira

    Foto: Hanna Pad / Pexels.com

    “A existência do crédito não garante automaticamente sua utilização. Será cada vez mais importante manter documentação organizada, escrituração correta e controle fiscal rigoroso. Créditos de ICMS sem sustentação documental podem enfrentar obstáculos para homologação durante a transição da reforma tributária”, explica o contador.

    Na avaliação do CFO da Palin & Martins, muitas empresas ainda tratam os créditos tributários apenas como uma obrigação contábil, sem considerar o impacto estratégico que esses recursos podem exercer sobre caixa, investimentos e competitividade nos próximos anos.

    “O crédito acumulado de ICMS pode representar milhões de reais em algumas operações do agronegócio. A reforma tributária faz com que esses valores deixem de ser apenas um tema contábil e passem a influenciar decisões de investimento, expansão, competitividade e capital de giro”, afirma.

    O assunto passou a exigir ainda mais atenção porque a reforma tributária não altera apenas a cobrança dos tributos. Ela também exige adaptação operacional, tecnológica e documental por parte das empresas, especialmente aquelas que possuem histórico de acúmulo de créditos.

    Agronegócio precisará reforçar governança fiscal

    Na visão do especialista em gestão tributária para o agronegócio, a transição tributária exigirá uma integração maior entre as áreas fiscal, financeira e operacional. O acompanhamento dos créditos acumulados deverá fazer parte da estratégia empresarial, assim como planejamento financeiro, controle de custos e gestão de riscos.

    “Quem organiza seus créditos de ICMS agora tende a chegar à transição tributária em uma posição mais segura. Quem ignorar o assunto corre o risco de enfrentar dificuldades para comprovar direitos acumulados ao longo dos anos”, alerta.

    A recomendação é que produtores rurais, cooperativas, agroindústrias e exportadores iniciem desde já revisões fiscais e análises documentais para identificar possíveis inconsistências e preparar seus processos para as novas exigências.

    “O novo modelo tributário exige uma postura mais estratégica. A gestão dos créditos de ICMS passa a ser parte da preparação para o IBS. O produtor rural e a empresa do agronegócio que compreenderem isso com antecedência terão mais previsibilidade financeira, mais liquidez e menos exposição a riscos durante a transição”, conclui.

    Geopolítica redefine relações comerciais e abre oportunidades para o agro brasileiro

    O Brasil precisa se preparar para um novo ambiente geopolítico sem abrir mão de sua capacidade de dialogar pragmaticamente com diferentes parceiros. Para o agronegócio, isso significa transformar a atual reorganização econômica global em uma oportunidade para ampliar mercados, diversificar destinos e agregar valor à produção brasileira, reduzindo vulnerabilidades diante de eventuais mudanças na demanda ou nas relações comerciais entre as grandes potências.

    “A estrutura multilateral criada no pós-guerra, incluindo instituições como a OMC, perdeu parte de sua capacidade de refletir a atual distribuição de poder. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos continuam sendo uma potência central, enquanto a China mantém sua trajetória de expansão. Índia e Rússia também integram esse complexo quadro de disputas e alianças”, explicou Alexandre Parola, embaixador do Brasil no Reino do Marrocos, durante a Mesa Redonda “O Agro na Geopolítica”, da edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), promovida pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, nesta segunda-feira (10/08), em São Paulo.

    Ele avaliou que o Brasil precisa abandonar uma postura de planejamento apenas de curto prazo e construir uma estratégia de médio e longo prazo, considerando que terminou o período de relativa “negligência benigna” em relação ao país. “A segurança estratégica passou a influenciar cada vez mais as decisões econômicas e comerciais das grandes potências. Para o Brasil e o agronegócio, essa realidade abre oportunidades, mas também exige adaptação”, afirmou.

    Para Braz Baracuhy, diplomata e especialista em geopolítica, o Brasil mantém interesses comuns com diferentes potências e também oportunidades de relacionamento com outras regiões do mundo. Ele defendeu uma combinação entre a capacidade da iniciativa privada e uma política de Estado de longo prazo, principalmente nas áreas de segurança alimentar e energética, e chamou a atenção para a dependência de rotas internacionais estratégicas, especialmente o Estreito de Ormuz. “O centro de gravidade da economia rural está no Estreito de Ormuz. Do ponto de vista geopolítico, isso é assustador, mas minha impressão é de que existem incentivos para a diplomacia”.

    Safra 2026/27: entenda como fósforo acumulado no solo pode reduzir os custos com fertilizantes

    O produtor brasileiro inicia o planejamento da safra 2026/27 em meio à instabilidade do mercado global de fertilizantes. As restrições impostas pela China às exportações de fertilizantes fosfatados, somadas aos impactos das tensões geopolíticas sobre a logística internacional e o comércio de insumos agrícolas, mantêm o mercado sob forte pressão e elevam a preocupação do setor com os custos de produção da próxima temporada.

    Diante do risco de estrangulamento das margens financeiras, o engenheiro agrônomo e consultor Leandro Barcelos, afirma que a resposta para enfrentar o cenário de escassez global não está em gastar mais, mas em acionar o estoque invisível que muitas fazendas já possuem no solo. 

    O Brasil importa mais de 75% dos fertilizantes fosfatados que consome, o que torna o país altamente dependente das oscilações do mercado internacional. As recentes restrições chinesas às exportações, aliadas às dificuldades logísticas provocadas pelas tensões geopolíticas, reduziram a oferta global e reforçaram essa vulnerabilidade. No entanto, por trás dessa dependência externa existe uma característica pouco explorada dos solos tropicais brasileiros. Estudos da Embrapa mostram que, devido à alta capacidade de fixação do solo brasileiro, a maior parte do fósforo aplicado nas últimas décadas acabou se acumulando na terra em formas não disponíveis para as plantas, criando uma espécie de reserva invisível no perfil do solo.

    Análises de campo mostram que, em muitas áreas comerciais de produção de grãos, os níveis de fósforo disponível superam aproximadamente 30 ppm (partes por milhão) em resina. Quando associados ao equilíbrio químico do solo e às condições adequadas de manejo, esses níveis permitem ao produtor revisar, com respaldo técnico, a estratégia de adubação fosfatada, o que reduz desperdícios sem comprometer o potencial produtivo.

    “O produtor precisa parar de comprar fertilizante por hábito ou pelo pacote engessado que o mercado comercial empurra na mesa. Se a sua análise de solo mostra um nível de fósforo acima de 30 ppm em resina, a planta tem o que comer. O fertilizante mais barato na crise é aquele que você já tem retido na sua terra. Se o solo está equilibrado quimicamente, reduzir a dose de adubação fosfatada na safra 2026/27 não vai derrubar sua produtividade; vai salvar a sua margem de lucro”, afirmou Leandro Barcelos.

    Construção do perfil do solo e desenvolvimento radicular

    Em um cenário de fertilizantes mais caros e maior pressão sobre os custos de produção, cada quilo de adubo aplicado na safra 2026/27 precisa entregar o máximo de eficiência. Para Barcelos, o aproveitamento do fósforo e do nitrogênio importados depende diretamente da estrutura profunda da terra. De nada adianta investir em formulações caras se o sistema radicular da cultura ficar limitado aos primeiros centímetros de profundidade, impedido de explorar o solo e dissolver o nutriente retido.

    A chave para destravar esse potencial passa por corrigir o perfil do solo por meio do equilíbrio de bases (relação cálcio, magnésio e potássio) e da descompactação física. Essa abordagem foi a base para que projetos sob sua assessoria técnica quebrassem tetos produtivos históricos, como o case da fazenda AgroMallon, campeã do CESB com 135,49 sacas por hectare.

    “A planta só vai extrair eficiência do adubo caro se tiver raiz para buscar. O foco na safra 2026/27 tem que ser a construção de perfil de solo em profundidade e o equilíbrio químico. Quando você corrige a saturação de bases e condiciona o solo de forma racional, a planta expande o sistema radicular e acessa nutrientes que antes estavam bloqueados. É assim que a gente rompe o teto das 100 sacas por hectare gastando menos por saca produzida. A crise dos fertilizantes é um chamado forçado para o produtor se tornar um gestor técnico da sua própria terra,” explicou Barcelos.

    Foto: Nayla Charo / Pexels.com

    Autoridades defendem Política de Estado para fortalecer o agro no contexto global

    A solenidade de abertura da edição histórica de 25 anos do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizada nesta segunda-feira (10/08), em São Paulo, reuniu autoridades e lideranças do setor, que destacaram a necessidade de uma política de Estado para impulsionar a competitividade do agro brasileiro e fortalecer o papel do país em uma economia global cada vez mais voltada à segurança alimentar, à energia sustentável e à proteção ambiental. Promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3, o evento tem como tema “Agro & Indústria – integrando e transformando o Brasil”.

    “Chegar a um quarto de século representa a maturidade de uma instituição que tem como missão antecipar tendências, compreender os grandes movimentos globais e contribuir para a construção de uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil”, disse Ingo Plöger, presidente da ABAG. Ele destacou que o Brasil construiu, nas últimas décadas, um agronegócio pujante e protagonista e o próximo passo é participar da construção das novas regras internacionais, agregando valor, criando mercados e contribuindo para um mundo mais sustentável.

    Com essa visão, a ABAG entregou ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, uma Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira, resultado de um amplo estudo que avaliou mais de 80 fatores, priorizados segundo sua urgência, impacto e horizonte de implementação. O documento reúne propostas para ações de curto, médio e longo prazo e representa uma contribuição da sociedade civil para a construção de uma verdadeira agenda de Estado.

    Na solenidade de abertura, Alckmin reiterou a importância desta agenda para a agroindústria. “Estamos avançando para nos tornarmos o maior exportador de alimentos do mundo, superando os Estados Unidos”, pontuou. Sobre os acordos comerciais, relembrou que o acordo entre União Europeia e Mercosul resultou em crescimento de 4% nas exportações nos primeiros 60 dias de vigência e que o governo continua empenhado nas negociações com os Estados Unidos. Também trouxe dados do Ipea, que mostram que a reforma tributária poderá elevar o PIB em 12% em 15 anos, os investimentos em 14% e as exportações em 17%.

    Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, reiterou que o mercado de capitais tem a proposta de apoiar o avanço do agronegócio brasileiro, conectando produtores e empresas aos recursos necessários para o setor. Até junho, as emissões de CPR somavam R$ 470 bilhões, enquanto as LCA alcançavam R$ 560 bilhões, os CRA, R$ 170 bilhões, e os CDCA ultrapassavam R$ 30 bilhões. Sobre a gestão de riscos, destacou a necessidade de avanço na precificação de commodities no mercado brasileiro, hoje fortemente influenciada por referências internacionais.

    O Ministério da Agricultura e Pecuária vem trabalhando para ampliar o acesso a mercados e garantir o fornecimento de insumos estratégicos. “Já conquistamos 674 novos mercados para os produtos brasileiros e devemos superar a casa dos 700 mercados até o final do ano”, afirmou André de Paula, ministro da Agricultura e Pecuária, que ponderou que o país possui uma posição de destaque no agronegócio mundial, mas essa posição precisa ser consolidada todos os dias. “Quanto mais integrada estiver a cadeia, maior será nossa capacidade de competir no mundo e contribuir para o desenvolvimento do país”.

    Para a senadora Tereza Cristina, o próximo governo precisa priorizar o agronegócio como política de Estado, garantindo previsibilidade e segurança jurídica para que o setor possa continuar exercendo seu papel de motor da economia e protagonista na segurança alimentar mundial. Na mesma linha, o deputado federal Arnaldo Jardim avaliou que é necessário transformar a resiliência do agro em uma estratégia de longo prazo, sustentada por políticas de Estado.

    Foto: Gerardo Lazzari