O Agro Conecta: o agronegócio como elo entre campo, cidade e inovação

por Jayme Vasconcellos*

A atividade agropecuária brasileira passou, nas últimas décadas, por um processo contínuo de transformação estrutural. A incorporação de ciência, tecnologia e gestão profissional alterou profundamente a forma de produzir e de se relacionar com o mercado e com a sociedade. O campo deixou de ser um espaço isolado para se tornar parte ativa de uma rede que envolve centros de pesquisa, cooperativas, indústrias, serviços e consumidores urbanos.

Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a trajetória do agro brasileiro está diretamente associada à capacidade de integração entre ciência e produção. “A agropecuária nacional se desenvolveu com base em pesquisa aplicada e na proximidade com o produtor. A inovação no campo é resultado dessa interação permanente”, afirmou em apresentações institucionais da empresa.

Essa dinâmica se reflete no cotidiano das propriedades. Em Rio Verde (GO), o produtor rural José Antônio Ferreira, cooperado há mais de 20 anos, descreve uma rotina produtiva orientada por informação técnica. “Hoje, cada decisão passa por recomendação agronômica, dados de clima e histórico da área. A produção ficou mais técnica, e isso mudou a forma de trabalhar”, relata.

O exemplo ilustra um movimento mais amplo: o agronegócio como um ambiente de tomada de decisão baseada em conhecimento compartilhado.

Cooperativas como eixo de integração regional

Nesse processo, o cooperativismo desempenha um papel central. Cooperativas agroindustriais atuam como estruturas de conexão entre o produtor e os diferentes elos da cadeia produtiva, oferecendo acesso a assistência técnica, inovação, crédito, logística e mercado.

Para o diretor-executivo da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Alberto França, o modelo cooperativista é um dos fatores que explicam a capacidade de organização do agro brasileiro. “As cooperativas reduzem distâncias. Elas aproximam o produtor da tecnologia, da gestão e das exigências do mercado, ao mesmo tempo em que fortalecem o desenvolvimento regional”, afirmou em eventos do setor.

Essa atuação tem impactos diretos nas cidades. A presença de cooperativas impulsiona agroindústrias, serviços especializados, comércio e geração de empregos, criando uma relação de interdependência entre campo e meio urbano. O desenvolvimento regional passa a ser resultado de um sistema integrado, e não de ações isoladas.

Pesquisa aplicada como base da produtividade

A conexão entre pesquisa e prática é um dos pilares do desempenho agropecuário brasileiro. Instituições como a Embrapa e universidades públicas e privadas atuam na geração de conhecimento adaptado às condições tropicais, com resultados diretos sobre produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.

O pesquisador da Embrapa Evaristo de Miranda destaca que a ciência agropecuária brasileira se construiu a partir do território. “A pesquisa no Brasil sempre esteve ligada à realidade do produtor e às características ambientais do país. Esse diálogo é o que garante resultados consistentes”, afirmou em análises públicas sobre o setor.

A transferência de tecnologia ocorre por meio de assistência técnica, programas de capacitação e espaços de demonstração. Esses mecanismos permitem que a inovação seja testada, validada e incorporada gradualmente às rotinas produtivas, reduzindo riscos e ampliando ganhos de eficiência.

Tecnoshow COMIGO como espaço de articulação

Durante a Tecnoshow COMIGO, em Rio Verde, produtores circulam entre parcelas demonstrativas, estandes de empresas e áreas de apresentação técnica. Em um mesmo percurso, é possível observar resultados de pesquisa aplicada, discutir manejo com especialistas e avaliar soluções tecnológicas voltadas à realidade local. Esse ambiente resume a lógica do evento: encurtar a distância entre quem desenvolve conhecimento e quem toma decisões no campo.

Segundo Antônio Chavaglia, presidente do Conselho de Administração da COMIGO, a proposta do evento sempre foi criar um espaço de conexão. “A Tecnoshow foi pensada para aproximar o produtor da inovação e do conhecimento técnico, permitindo que ele veja, questione e avalie as tecnologias apresentadas”, afirmou em edições recentes.

Ao reunir diferentes elos da cadeia produtiva, a feira contribui para encurtar a distância entre quem desenvolve soluções e quem as aplica no campo, fortalecendo a integração entre pesquisa, mercado e produção.

Foto: Divulgação / COMIGO

Tecnologia e profissionalização do campo

A digitalização ampliou ainda mais essas conexões. Ferramentas de agricultura de precisão, sistemas de monitoramento e plataformas de gestão tornaram-se parte do cotidiano produtivo, aproximando o campo de padrões tecnológicos presentes em outros setores da economia.

Para Fernando Silva, gerente de inovação da Syngenta Brasil, a tecnologia tem papel estratégico na integração da cadeia. “Dados e conectividade permitem decisões mais eficientes e alinhadas às demandas de produtividade e sustentabilidade. Isso aproxima produtores, empresas e consumidores”, afirmou em debates institucionais.

Esse avanço tecnológico também impacta o perfil profissional do setor, atraindo mão de obra qualificada e reforçando a circulação de conhecimento entre áreas rurais e urbanas.

A engenheira agrônoma Mariana Lopes, formada em Goiânia e atuando na assistência técnica em propriedades do sudoeste goiano, descreve uma rotina que conecta o urbano ao rural. “A gente leva a pesquisa para o campo e traz o campo para a discussão técnica. O produtor participa das decisões e o conhecimento circula”, afirma. Para ela, o agro deixou de ser um espaço distante da cidade e passou a incorporar profissionais, métodos e tecnologias típicos de outros setores da economia.

Produção, consumo e responsabilidade

A relação entre produção e consumo tornou-se mais direta. A sociedade urbana passou a demandar informações sobre origem, qualidade e impacto ambiental dos alimentos, exigindo maior transparência da cadeia produtiva.

Para Christian Kapp, diretor de sustentabilidade da UPL Brasil, essa aproximação redefine o papel do produtor. “O diálogo com a sociedade é fundamental. Produzir bem inclui adotar práticas responsáveis e comunicar isso de forma clara”, afirmou em fóruns sobre sustentabilidade.

Programas de boas práticas agrícolas, rastreabilidade e gestão ambiental funcionam como instrumentos de conexão entre o campo e o consumidor, reforçando a confiança e a legitimidade do setor.

Desenvolvimento econômico e social

As conexões promovidas pelo agronegócio têm reflexos diretos no desenvolvimento regional. Cadeias agroindustriais estruturadas impulsionam economias locais, ampliam a arrecadação municipal e sustentam redes de serviços que vão da educação técnica à saúde. Ao integrar produção, processamento e comercialização, o setor contribui para a estabilidade econômica de regiões inteiras, especialmente em municípios onde o agro é a principal base produtiva.

Embora desafios persistam, o setor demonstra capacidade de adaptação e articulação. O agro brasileiro se organiza como um sistema que integra interesses econômicos, ambientais e sociais.

O agro como elo estruturante

“O Agro Conecta” não é apenas um conceito, mas a descrição de um sistema em operação. Um sistema que transforma conhecimento científico em prática produtiva, articula interesses econômicos e sociais e reduz distâncias históricas entre o campo e a cidade. Iniciativas como a Tecnoshow COMIGO, o fortalecimento do cooperativismo e a atuação integrada da pesquisa evidenciam essa capacidade de articulação.

Ao operar como elo entre pessoas, tecnologias e propósitos, o agronegócio brasileiro reafirma sua relevância para além dos números da produção. Ele se consolida como uma estrutura de conexão que sustenta oportunidades, promove desenvolvimento regional e responde, de forma concreta, às demandas de uma sociedade cada vez mais interdependente.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

Selo inédito vai impulsionar o mercado de carnes premium no Brasil

Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.

Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.

O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.

“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.

Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.

Participação técnica da Embrapa

A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.

Foto: SONY DSC

A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.

Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.

Chamada de Clima do BNDES seleciona fundos que vão alavancar R$ 16,2 bi no mercado

com informações da Agência BNDES de Notícias

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a seleção de sete fundos de investimento no âmbito da Chamada Pública de Mitigação Climática, iniciativa voltada ao financiamento de projetos de transição ecológica, restauração ambiental e descarbonização da economia. Com aportes de até R$ 4,3 bilhões por meio da BNDESPAR, os fundos deverão mobilizar cerca de R$ 16,2 bilhões adicionais em recursos privados, ampliando significativamente o volume de investimentos direcionados à agenda climática no Brasil.

Lançada em setembro de 2025, a Chamada de Clima recebeu 45 propostas de gestores nacionais e internacionais. Ao final do processo, foram selecionados cinco fundos de equity e dois de crédito, organizados em duas verticais principais: Transformação Ecológica e Soluções Baseadas na Natureza.

Os fundos de equity selecionados na modalidade de Transformação Ecológica foram: Catalytic Transition Fund Brazil FIP Multiestratégia – com aporte de até R$ 1 bilhão do BNDES; EB Clima II – Transição Energética & Descarbonização IS FIP Multiestratégia – até R$ 500 milhões do Banco; e (iii) Generation Just Climate Brasil FIP – com até R$ 800 milhões em aporte.

Já os fundos de equity enquadrados na modalidade de Soluções Baseadas na Natureza selecionados foram: Patria Latam Reforest Fund I FIP Multiestratégia IS – com aporte de até R$ 500 milhões do Banco; e The Amazon Reforestation Fund II FIP Multiestratégia IS – Mombak – com até R$ 500 milhões. Por fim, os dois fundos de crédito selecionados se enquadraram na modalidade de Transformação Ecológica: Vinci Crédito Soluções Climáticas FIC FIM – com até R$ 500 milhões; e FIDC Clima Riza Farma – com até R$ 500 milhões.

Entre os destaques estão projetos voltados à restauração de mais de 90 mil hectares nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, além de iniciativas de descarbonização industrial, economia circular, biocombustíveis, hidrogênio verde e tecnologias para redução de emissões.

“O BNDES assume papel estratégico ao ancorar fundos voltados a áreas em que o capital privado ainda enfrenta barreiras, como reflorestamento, descarbonização de processos industriais e bioinsumos, mobilizando recursos e direcionando investimentos para projetos que aceleram a transição climática, prioridade do presidente Lula. A iniciativa amplia os investimentos no Brasil e contribui para o cumprimento das metas nacionais de redução de emissões”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Todos os recursos aportados deverão ser investidos exclusivamente em projetos e empresas no território nacional. Os fundos agora passam por etapa de diligência e definição final das condições de investimento antes da efetivação dos aportes.

A Chamada de Clima integra a estratégia do BNDES de apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, fortalecendo a competitividade da indústria nacional, promovendo inovação verde e ampliando a capacidade do país de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Modalidades

Os fundos de Transformação Ecológica têm foco em setores estratégicos como indústria de baixo carbono — incluindo aço e cimento verdes, minerais críticos, hidrogênio e biomassa —, além de resíduos e economia circular, sistemas alimentares sustentáveis, energia renovável, eletrificação, digitalização e armazenamento de energia.

Já os fundos de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) priorizam a recuperação de áreas degradadas por meio da restauração de florestas nativas no Arco da Restauração, na Amazônia, além dos biomas Cerrado e Mata Atlântica. Também incluem projetos de restauração produtiva com sistemas agroflorestais e silvicultura sustentável integrada à lavoura, pecuária e floresta, com meta de restaurar mais de 90 mil hectares.

O investimento na agenda climática acelera a transição para uma economia sustentável e neutra em carbono, impulsionando a transição energética, a indústria verde, a infraestrutura e o transporte de baixo carbono, além de fortalecer a agropecuária sustentável. Também amplia ações de conservação ambiental, restauração de biomas e desenvolvimento da bioeconomia da sociobiodiversidade, contribuindo para tornar atividades econômicas, infraestrutura e cidades mais resilientes às mudanças climáticas.

USDA estima alta produção de laranja no Brasil e continuidade das mínimas históricas nos EUA para a safra 2026/27

A primeira estimativa para a safra 2026/27 de laranja nos Estados Unidos indica manutenção da produção em patamares historicamente baixos. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção norte-americana deve permanecer próxima às mínimas da série, com a safra na Flórida estimada em 12 milhões de caixas, queda de 1,6% em relação à safra anterior.

Do total previsto, cerca de 7,5 milhões de caixas correspondem à laranja Valência, principal variedade destinada à produção de suco no país. O número de árvores produtivas na Flórida recuou 18% na comparação anual, enquanto o aumento do número de frutos por árvore elevou a produtividade média.

No Brasil, a projeção do USDA para a safra 2026/27 aponta produção de 330 milhões de caixas, alta de 3,7% frente à estimativa para 2025/26, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis esperadas para 2026. Com isso, a produção de suco de laranja deve alcançar 1,03 milhão de toneladas em FCOJ, crescimento de 1,9%.

No comércio internacional, a aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul tende a favorecer as exportações brasileiras de suco de laranja no longo prazo, segundo a CitrusBR. A entidade estima que, em cinco anos, o setor possa acumular uma economia tarifária de cerca de US$ 320 milhões, com a redução gradual das tarifas aplicadas ao produto.

Para o suco NFC, o impacto deve ser mais imediato, com previsão de eliminação das tarifas em até quatro anos. Já para o FCOJ, a redução tarifária deve ocorrer de forma gradual, em um período estimado entre cinco e dez anos.

Foto: Engin Akyurt / Pexels.com

Embrapa facilitates genomic innovation agreement between Indian and Brazilian companies

Embrapa signed a Memorandum of Understanding (MOU) on scientific and technological cooperation with a consortium of five private institutions, namely three Indian and two Brazilian companies. The agreement is valid for 10 years and mainly focuses on the transfer and validation of Embrapa’s genomic technologies to that country’s dairy farming. 

On India’s side, the parties to the agreement are Leads Agri Genetics Private Limited (specializing on animal genetics and dairy technologies, including genomic selection and in-vitro fertilization); LeadsConnect Services Private Ltd (pioneer in Analytics with a focus on AgriTech, climate-smart agriculture,and data analysis), and B.L. Kamdhenu Farms Limited (an entity that promotes dairy farming in India that aims at developing a sustainable ecosystem for native breeds). As for Brazil’s, the MOU is signed by Fazenda Floresta (specialized in in-vitro embryo production and high-performance dairy operations) and DNAMARK (a laboratory focused on genetic improvement and applied genomics).

The Ambassador of India in Brazil, Dinesh Bhatia, stresses that this is the first time that a technical-scientific cooperation agreement is signed by Brazilian and Indian companies in the area of cutting-edge breeding and genetic improvement, involving modern animal reproduction techniques. He also notes that the initiative stems from a Memorandum of Understanding established between Embrapa and the Indian Council of Agricultural Research (ICAR) in July, with the aim of broadening cooperation in agricultural research.

The president of Embrapa, Silvia Massruhá, recalls that the partnership between Brazil and India in agricultural research is old, especially in the field of bovine breeding and genetic improvement. According to her, in the last few decades, modern techniques like genomics, biotechnology, gene editing, and bioinformatics started to integrate this, bringing new challenges to reseach and widening opportunities to share advances aimed at increasing milk yield in both countries. For Massruhá, the cooperation with Indian institutions strengthens Embrapa’s position as a global reference in tropical agriculture and opens an even broader scientific front. “While the initial focus is on livestock, the scope of the cooperation is quite broad”, she adds.

According to Embrapa Dairy Cattle researcher Marcos Vinícius G. B. Silva, the new initiative will allow the transfer, adaptation, and validation of Embrapa’s portfolio of genomic technologies in one of the largest dairy markets in the world, with an initial focus on Zebu breeds. “The partnership offers a two-way street. Embrapa contributes with its expertise in genomics, bioinformatics, breeding and genetic improvement, and reproductive biotechnologies; while it will have access to genomic and phenotypic databases of Indian breeds”, he states. According to him, such access is vital to improve Embrapa’s genomic prediction models and will accelerate genetic gains in the Indian herd.

The institutions have committed to the establishment of joint projects in science and technology in the areas of natural resources and climate change (adaptation and resilience of production systems); biotechnology, microbiomes, nanotechnology and geotechnology; bioeconomy and bioproducts; agroindustrial technology; automation and digital agriculture, including artificial intelligence and information technology.

The MoU implementation will occur through Scientific Cooperation Projects (SCPs) or Technical Cooperation Projects (TCPs), which should detail funding, responsibilities and, crucially, intellectual property (IP) rights on new processes or products. With the signing of the Memorandum, the parties begin the process of defining the specific projects (SCPs and TCPs) that will give body and operability to the collaboration plan. “The success of this initiative will position Brazilian genomics as an essential tool in the sustainable development of global cattle farming”, Silva concludes.

Foto: Studio Art Smile / Pexels.com

Termometria de precisão já é prática no pós-colheita

A termometria de precisão deixou de ser uma promessa futura e passou a integrar, na prática, os sistemas modernos de armazenagem de grãos. Esse avanço está diretamente ligado à automação e ao uso de dados confiáveis para orientar decisões operacionais, especialmente no acionamento da aeração.

Nesse contexto, a estação meteorológica e o sensor plenum exercem papel central. Enquanto a estação fornece informações contínuas sobre o ambiente externo, o sensor plenum indica as condições reais do ar insuflado nos silos após o início da aeração. Essa combinação garante uma leitura precisa do cenário em que o grão está inserido.

Dados como temperatura e umidade do ar, volume e status de chuva, pressão atmosférica, vento e ponto de orvalho — obtidos pela estação meteorológica e associados a informações de previsão via satélite, disponíveis em tempo real no portal DEEPCE — criam a referência necessária para que o sistema interprete corretamente os dados e saiba quando iniciar ou interromper a aeração de forma adequada.

Essas informações são fundamentais para tornar as decisões automatizadas mais eficientes na armazenagem. “A precisão da termometria depende da qualidade do dado que serve de referência para o sistema operar”, explica Everton Rorato, diretor comercial da PCE Engenharia. “Quando o ambiente externo e a condição real do ar insuflado são bem monitorados, o sistema consegue decidir com mais segurança o melhor momento para ligar ou não a aeração”, diz ele.

Na prática, a integração entre dados externos e internos permite identificar as janelas mais adequadas do dia para a operação, normalmente associadas a períodos de menor temperatura e condições mais favoráveis do ar. O cruzamento dessas informações evita acionamentos desnecessários e melhora o desempenho do sistema de aeração.

A automação passa, então, a atuar de forma mais precisa: pode resfriar a massa de grãos, manter a temperatura estável ou realizar aeração localizada para combater focos de aquecimento. O resultado é maior controle térmico, preservação da qualidade do grão e redução de riscos durante o período de armazenagem.

Além dos ganhos técnicos, a termometria de precisão associada à estação meteorológica gera impactos diretos na operação. A menor necessidade de intervenção manual reduz custos com mão de obra dedicada exclusivamente ao monitoramento, enquanto o uso mais racional da aeração contribui para a redução do consumo de energia elétrica.

Ao tornar as medições mais confiáveis e as decisões mais assertivas, a termometria de precisão consolida-se como uma ferramenta essencial no pós-colheita moderno, alinhando eficiência operacional, qualidade do produto armazenado e competitividade para produtores e armazenadores.

Piscicultura inicia 2026 com mercado aquecido e retomada de preços

A piscicultura brasileira inicia 2026 com perspectivas positivas, sustentadas pela recuperação dos preços ao produtor, consumo interno aquecido, manutenção das exportações e expectativa de custos mais estáveis. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), Francisco Medeiros.

Para este ano, o executivo destaca um cenário de continuidade dos investimentos e maior organização da cadeia produtiva. “No último trimestre de 2025, observamos aumentos sucessivos nos preços pagos ao produtor, reflexo de um mercado interno aquecido e de uma demanda consistente. Mesmo com os desafios relacionados ao poder de compra do consumidor, o setor manteve seus investimentos e chega a 2026 com confiança”, ressalta Medeiros.

No mercado externo, a piscicultura nacional manteve sua atuação após os ajustes ocorridos em 2025, especialmente no comércio com os Estados Unidos. Segundo o presidente da PEIXE BR, as exportações ganharam novo fôlego, com crescimento dos embarques para o Canadá e abertura de negociações com outros países. “Há uma oportunidade clara para o filé congelado, um produto que ainda representa uma parcela pequena das nossas exportações, mas que tem grande potencial, especialmente nas Américas e em outros mercados internacionais”, destaca.

Outro fator que reforça o otimismo para 2026 é o cenário produtivo. As previsões climáticas indicam condições favoráveis, enquanto a expectativa de uma boa safra de grãos tende a aliviar os custos de produção. “Os grãos impactam diretamente o custo da ração, e tudo indica que teremos preços mais estáveis, o que é fundamental para a rentabilidade do produtor”, explica Medeiros.

Na área sanitária, a avaliação é de avanço contínuo. “Produtores e toda a cadeia estão atuando de forma incisiva para enfrentar os desafios sanitários, com mais tecnologia, gestão e prevenção”, acrescenta.

Nesse ambiente otimista, a competitividade segue como eixo central da atuação da PEIXE BR em 2026. “Nosso objetivo é ampliar o acesso da piscicultura brasileira aos mercados e garantir que esses ganhos cheguem à porteira. Esse trabalho vem sendo construído ao longo dos últimos 11 anos e já apresenta resultados concretos”, afirma o presidente da entidade.

Porém, apesar dos avanços, a regulação governamental ainda é apontada como o principal entrave ao crescimento do setor. Para enfrentar esse desafio, a associação atua de forma coordenada nos âmbitos estadual e federal, buscando reduzir gargalos e prejuízos à atividade.

Além da agenda institucional, a PEIXE BR mantém projetos estratégicos nas áreas de genética, mercado e tecnologia. “Estamos acelerando iniciativas que envolvem toda a cadeia, da produção ao processamento, com foco em eficiência, inovação e fortalecimento do setor”, conclui Medeiros.

Foto: Mali Maeder / Pexels.com

StoneX eleva soja para 181,6 mi t e milho para 26,6 mi t em 2025/26

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima suas estimativas para a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, com destaque para a soja, segundo relatório divulgado hoje. A produção de soja agora é estimada em 181,6 milhões de toneladas, um aumento de 4 milhões em relação à projeção anterior.

O crescimento da produção decorre de ajustes tanto na área cultivada, estimada em 48,7 milhões de hectares, quanto na produtividade média nacional, projetada em 3,73 toneladas por hectare.

“Com a colheita avançando, as perspectivas seguem bastante positivas, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade, em função das irregularidades climáticas ocorridas ao longo do ciclo”, realça a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi.

Para o milho primeira safra, a StoneX também realizou uma revisão positiva. A produção da safra 2025/26 pode alcançar 26,6 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 2,3% em relação ao último número e pouco mais de 1 milhão de toneladas acima do registrado no ciclo 2024/25.

Essa elevação foi motivada principalmente por revisões de produtividade, com ajustes positivos em estados do Nordeste, além do Paraná. No Sul do país, a expectativa é de um rendimento médio bastante elevado, podendo atingir 11,5 toneladas por hectare na safra paranaense. No caso do milho verão, os estados do Norte e Nordeste ainda apresentam um ciclo mais tardio, mantendo o clima no radar.

No caso do milho segunda safra, a revisão na produção no reporte de janeiro foi sutil, 0,5%, saindo de 105,8 milhões de toneladas estimadas em janeiro para 106,3 milhões de toneladas neste mês. Houve aumento de área no Tocantins e Pará, enquanto Maranhão e Piauí registraram redução, com produtores atentos ao período de plantio da segunda safra de milho.

Foto: Lina Kivaka / Pexels.com

Oferta e demanda com projeções inalteradas

No balanço de oferta e demanda, a StoneX manteve inalterada a estimativa de demanda de soja para o ciclo 2025/26. Ainda assim, com o avanço da colheita, as compras chinesas da oleaginosa brasileira devem ganhar cada vez mais relevância nos próximos meses.

“O maior importador mundial cumpriu os termos iniciais do acordo com os Estados Unidos, mesmo com a soja norte-americana menos competitiva. A expectativa é que a China volte seu foco para o Brasil a partir de agora”, explica Ana Luiza.

Com isso, o aumento da estimativa de produção de soja acabou se revertendo em estoques finais mais elevados, já que não houve alterações na demanda. Para o milho, também não houve ajustes nas variáveis de demanda da safra 2025/26, mas o aumento da produção estimada foi compensado pela queda dos estoques iniciais, reflexo da elevação das exportações no ciclo 2024/25.

“Com o ano-safra 2024/25 encerrado no final de janeiro, os embarques brasileiros de milho devem totalizar cerca de 42 milhões de toneladas”, conclui Ana Luiza.

Nova geração de máquinas da Case IH chega ao Show Rural Coopavel

Para iniciar a temporada de feiras agrícolas pelo país, a Case IH, marca da CNH, participa do Show Rural Coopavel, feira realizada entre os dias 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel (PR). Entre os destaques da marca durante a feira estão a nova geração de tratores, além de novidades na etapa de pulverização e colheita.

“A Case IH tem como objetivo renovar toda sua frota até 2028 e trazemos o que há mais tecnológico para os produtores paranaenses. O Show Rural Coopavel marca o início do calendário de feiras no ano, o que é muito importante para nós balizarmos como será 2026”, comenta Denny Perez, diretor Comercial da Case IH Brasil.  

Tratores     

Os tratores têm papel essencial em diversas etapas do ciclo do cultivo e a Case IH tem um portfólio completo de 80cv a 645cv. Entre as novidades, destacam-se para os produtores paranaenses o Farmall C, o Puma 260 CVX e o Novo Magnum.

A linha Farmall tem mais de 100 anos de história e é indicada para atender às demandas de todo tipo de produtor profissional. Foi projetada para os mais diversos trabalhos, tanto na produção agrícola, como na pecuária e conta com diversas opções com potências de 80 a 140cv. O Farmall C chegou para complementar a família e traz força, economia e facilidade operacional. Disponível em dois modelos de 100cv e 110cv, com opção de transmissão HiLo de 24 velocidades, tem a maior capacidade de levante da categoria, telemetria e conectividade, além de kit de piloto automático DirectSteer como opcional.

Outro lançamento é o Puma 260 CVX que chega para ampliar a linha e inserir a Case IH no mercado de transmissão CVT,  que está em expansão no Brasil. A nova transmissão, entre diversos benefícios, traz eficiência de combustível já que atinge níveis ideais de potência e torque com baixas rotações de trabalho. Equipado com motor de 260cv de potência nominal, podendo alcançar 300cv de potência máxima. O modelo traz ainda nova arquitetura eletrônica com monitores Pro 1200 e conforto operacional com a melhor cabine da categoria.  

O Magnum vem com novas potências (de 265 a 405 cv), sistema de embreagem que traz facilidade operacional chamado Brake to Clutch, e novos rodados single e dual. Mas o grande destaque do trator é a transmissão nacional fabricada para as aplicações específicas da agricultura brasileira Tropical. Além disso, o Magnum tem o benefício de garantia estendida de 2 anos que será lançada durante a feira.

Complementando as novidades da Case IH em tratores, a linha Steiger também estará no Show Rural Coopavel. Com potências entre 425cv e 645cv, ganhou novo design e inúmeras melhorias como monitor de pressão dos pneus, pacote de luzes e cabine versão luxo.

Soluções em pulverização

A nova geração de pulverizadores Patriot Série 50 chega para os produtores paranaenses totalmente reformulada, trazendo máxima performance, alta precisão e design moderno. Com quatro modelos (de 2.500 a 4.000 litros), sendo um específico para cana, ganhou nova suspensão e tecnologia avançada de aplicação, com o AIM Command Flex II, sistema de pulverização bico a bico.

Como parte das soluções para pulverização, há ainda o Drone de Aplicação Case IH que terá demonstração de voo no estande da marca durante todo o período da feira. Com importação e distribuição no Brasil pela marca, possui duas opções de tamanho: de 30 (P60) e 70 litros (P150). O modelo P150 passou por um teste inédito operando por 24 horas ininterruptas e cobrindo uma área de quase 900 hectares com 98,9% de acurácia.

E para oferecer ainda mais eficiência e economiza de insumos, a marca tem algumas tecnologias de aplicação seletiva complementares, como o FieldXplorer. A plataforma de processamento de imagem aérea, entre diversas funções, faz o mapeamento e monitoramento da lavoura, podendo definir quais são os pontos exatos que necessitam de pulverização. Esses mapas são transferidos para o pulverizador Patriot ou para o drone, que aplicam somente nas áreas infestadas.

Há ainda o SaveFarm, tecnologia de pulverização seletiva e em tempo real. Por meio de câmeras instaladas na barra, é possível identificar ervas daninhas mesmo em aplicação no meio de uma cultura estabelecida (green on green) e possibilita uma redução acima de 80% do uso de herbicidas. Pode ser instalada em qualquer pulverizador da marca.

Axial-Flow Série 260 Automation

Pioneira em automação real na colheita de grãos, a linha recebeu diversas melhorias em tecnologia embarcada, com uma nova geração do sistema Automation, inclusão de novas culturas e ainda mais performance.

A Série 260 ganhou ainda mais tecnologia e recursos autônomos embarcados, como a manobra de cabeceira automática e o compartilhamento de mapa entre as máquinas. Além de ter monitor duplo de última geração e ferramenta de acesso remoto para suporte do operador.

Axial-Flow Série 260 Automation (Foto: Divulgação / Case IH)

Da construção ao agro: soluções versáteis para diferentes operações 

Os visitantes do estande também poderão conhecer equipamentos da marca-irmã CASE Construction Equipment, representada pelo concessionário Forza JMalucelli, como a retroescavadeira 580N S2 HD, a pá carregadeira 612E, a miniescavadeira CX35D e a minicarregadeira SV300B. Reconhecidos pela inovação e pela multifuncionalidade, os equipamentos da marca atendem com eficiência tanto às demandas da construção quanto às necessidades do agronegócio. Versáteis, as máquinas atuam em diversas frentes, desde a movimentação de insumos e grãos até o apoio à infraestrutura da fazenda, como manutenção de acessos, curvas de nível e estradas internas. Outro destaque são os implementos da linha FLEETPRO, que ampliam as possibilidades de aplicação das máquinas. Entre eles estão a vassoura acoplada à minicarregadeira e a caçamba valetadeira de 12” para retroescavadeira, que entregam aos clientes soluções com custo competitivo e garantia de fábrica. Durante a feira o Banco CNH oferece uma campanha especial com taxas a partir de 0% ao mês e prazo de até 24 meses, com 90% do valor financiado para minicarregadeiras, mini escavadeiras e retroescavadeiras da marca, além de implementos FLEETPRO.

Outro diferencial da marca é que 100% dos equipamentos já saem de fábrica com sistema de telemetria embarcado, com sete anos de gratuidade na assinatura do serviço. Com máquinas totalmente conectadas, a CASE Construction Equipment oferece recursos que permitem realizar manutenção preditiva, antecipar falhas, otimizar o uso de combustível, acompanhar o desempenho operacional e planejar atividades com mais precisão, ampliando a eficiência das operações.

Condições especiais de financiamento do Banco CNH

Com atuação sólida no agronegócio, o Banco CNH — parceiro financeiro estratégico das marcas Case IH e CASE Construction Equipment, também está presente no Show Rural Coopavel 2026 apresentando um portfólio amplo e robusto de soluções financeiras, desenvolvido para atender diferentes perfis de produtores e as necessidades atuais do setor.

A instituição conta com uma equipe completa na feira, reforçando a proximidade com clientes e concessionários e a oferta de soluções personalizadas para cada etapa da jornada do produtor. Em um cenário cada vez mais competitivo e dinâmico, essa abordagem se torna um diferencial importante no momento da decisão pela aquisição de máquinas e equipamentos.

Tecnologia e Soluções

Além das máquinas, há ainda o espaço dedicado para as soluções tecnológicas no campo, como o Case IH FieldOps, aplicativo para gestão agrícola para que os produtores se conectem, visualizem e gerenciem suas operações na palma da mão. Para auxiliá-los ainda mais, há a ativação do Case IH Connect Room, sala de operações de gestão e monitoramento de dados em tempo real nas concessionárias e fábricas da marca.

O estande da Case IH no Show Rural Coopavel está localizado na Rua 1 , Lote 1.15.

Ampla oferta global de milho em 2025 pressionou preços e etanol de milho ganhou mais espaço na demanda

O ano de 2025 foi determinante para o mercado mundial do milho, especialmente na América do Sul, onde Brasil e Argentina protagonizaram safras robustas, consolidando recordes de produção e ampliando a competitividade global do cereal.

A equipe de Inteligência de Mercado da StoneX analisou os fatos mais relevantes do ano e as projeções para o mercado do cereal em 2026. No Brasil, a produção alcançou a marca histórica de 139,4 milhões de toneladas em 2025, impulsionada por chuvas favoráveis no Centro-Oeste, enquanto a Argentina, apesar de uma leve retração na área plantada devido ao receio de pragas, também apresentou bons níveis de produtividade.

O cenário de abundância resultou em uma sobreoferta mundial, pressionando os preços internacionais. Entretanto, o consumo doméstico brasileiro seguiu em forte expansão, puxado principalmente pelo setor de etanol de milho, que registrou significativo aumento na capacidade instalada e ampliou sua presença para novas regiões, como Maranhão, Tocantins, Paraná e Piauí. Em 2025, o consumo nacional atingiu cerca de 91 milhões de toneladas, 6,5 milhões a mais que em 2024, com destaque para a utilização do cereal na alimentação animal e no crescente segmento de biocombustíveis.

Outro destaque do ano foi o avanço do DDG, coproduto da produção de etanol, cuja oferta crescente motivou esforços para abertura de novos mercados, incluindo a assinatura de acordo com a China para exportação, ainda sem embarques realizados. Paralelamente, o sorgo ganhou espaço como alternativa para a segunda safra, beneficiado pela abertura do mercado chinês e pela expansão das usinas de etanol, além de sua adaptabilidade a climas secos.

A expressiva produção brasileira impactou as exportações, que, apesar de terem crescido em relação a 2024, caíram 33% quando comparadas a 2023 devido ao fortalecimento do consumo interno e à valorização do basis, limitando a competitividade do Brasil no cenário internacional. Nos Estados Unidos, a área plantada de milho atingiu 40 milhões de hectares, resultando em uma safra de 432,3 milhões de toneladas, mesmo diante de desafios climáticos e fitossanitários. O país bateu recorde de exportações, beneficiado pelo dólar enfraquecido e pela demanda de parceiros como México, Vietnã e Espanha.

O setor norte-americano de etanol também manteve forte demanda pelo grão, embora restrições regulatórias tenham limitado maior crescimento. No campo sanitário, o fechamento da fronteira dos EUA para a importação de gado mexicano impactou as dinâmicas do mercado exportador de milho. Na China, o consumo cresceu em ritmo mais lento, com aumento da produção doméstica e queda nas importações. A União Europeia e a Ucrânia, após safras abaixo do esperado, buscam recuperação, enquanto as tensões geopolíticas na região do Mar Negro seguem como fator de risco.

Foto: Gilmer Diaz Estela / Pexels.com

Expectativas para 2026

Para 2026, as projeções indicam continuidade na expansão do consumo brasileiro, estimado em 97 milhões de toneladas, ao passo que a produção deve atingir 134,3 milhões de toneladas, abaixo do recorde do ano anterior. O setor de etanol de milho desponta como principal motor do crescimento doméstico, mas o equilíbrio entre oferta e demanda permanece no radar, podendo limitar excedentes exportáveis. Na Argentina, a expectativa é de recuperação da área plantada e do volume exportado, favorecida por reduções nas tarifas de exportação. Nos Estados Unidos, a leve redução prevista na área plantada deve manter os estoques confortáveis, restringindo movimentos de alta nos preços em Chicago.

No cenário global, a relação estoque/uso do milho deve ser a menor dos últimos anos, segundo o USDA, sinalizando um mercado mais ajustado. A esperada queda na produção dos principais players e o crescimento do consumo em países como Brasil, Índia e EUA podem contrabalançar parte da oferta, mas fatores como a sobreoferta de outros grãos, incertezas macroeconômicas e tensões políticas, especialmente entre Rússia e Ucrânia, aumentam a volatilidade.