Seguradoras elevam a régua para o seguro de silos

Poeira em suspensão, acúmulo de resíduos, fontes de calor e medidas de prevenção passaram a ganhar atenção crescente das seguradoras na análise de risco de unidades armazenadoras. Mais do que avaliar a estrutura física dos silos, as seguradoras querem saber quais medidas estão sendo adotadas para reduzir a probabilidade de incêndios, explosões e outros sinistros. A mudança acompanha um cenário que preocupa o setor. Somente no primeiro semestre de 2026, quatro grandes incêndios foram registrados em unidades armazenadoras de grãos no Brasil, reforçando a necessidade de investimentos em prevenção e gestão de riscos. A sucessão desses episódios tem levado produtores, armazenadores e seguradoras a ampliar a atenção sobre práticas e soluções capazes de reduzir a exposição a acidentes.

Na avaliação de Fabio Tomain, proprietário da FTAGRO Gestão de Riscos 360, a análise das seguradoras evoluiu e hoje considera fatores que demonstram o nível de controle de riscos adotado pela empresa. “A seguradora busca entender não apenas a estrutura da unidade armazenadora, mas também quais medidas efetivas são adotadas para reduzir a possibilidade de sinistros. Quanto maior a capacidade de prevenção e gerenciamento dos riscos, melhor é a percepção sobre a operação durante a análise da apólice”, afirma. Segundo Tomain, a prevenção passou a ocupar um papel estratégico na gestão das unidades armazenadoras, principalmente diante da recorrência de incêndios registrados no país.

Foto: Jean Paglia / Pexels.com

Para Adriano Mallet, diretor da Agrocult Consultoria, distribuidora do Cycloar, a prevenção precisa fazer parte da rotina das unidades armazenadoras, e não apenas ser lembrada depois que um acidente acontece. “Grande parte dos fatores que favorecem incêndios e explosões pode ser reduzida com boas práticas e com o uso de tecnologias adequadas. Controlar a poeira em suspensão, melhorar a ventilação e reduzir condições que favoreçam focos de ignição significa aumentar a segurança da operação e proteger pessoas, patrimônio e os grãos armazenados”, destaca.

Entre os fatores que mais preocupam especialistas estão justamente a poeira em suspensão, o acúmulo de resíduos e a presença de fontes de calor em ambientes fechados, condições que podem favorecer incêndios e explosões quando não são controladas adequadamente. Um incêndio em uma unidade armazenadora pode comprometer estoques, interromper operações, provocar prejuízos elevados e afetar a continuidade das atividades. Nesse cenário, sistemas de exaustão como o Cycloar passam a ganhar relevância. Desenvolvido para promover a renovação contínua do ar no interior dos silos, o equipamento reduz a concentração de poeira em suspensão, melhora a ventilação e contribui para minimizar condições favoráveis à ocorrência de incêndios e explosões. Além de aumentar a segurança operacional, a adoção de tecnologias preventivas demonstra uma postura de gestão voltada ao controle de riscos, aspecto que tende a ser observado com atenção crescente pelas seguradoras durante os processos de emissão e renovação de apólices.

Encontro Empresarial Angola-Brasil consolida nova fronteira do agronegócio e investimentos privados

A busca por novos mercados globais, a expansão das exportações e a necessidade de diversificação geoeconômica ganharam um marco decisivo com a realização do Encontro Empresarial Angola-Brasil 2026. O fórum internacional, que reuniu lideranças corporativas, autoridades governamentais e investidores dos dois países, consolidou o setor produtivo e a cooperação agroindustrial como pilares centrais da integração econômica entre o Brasil e o continente africano.

Agro tropical e cooperação: a virada de chave dos investimentos

Angola vivencia um processo de aceleração na substituição de importações alimentares — mercado que consome cerca de US$ 3 bilhões anuais para suprir a demanda interna de alimentos. A resposta a esse desafio encontrou forte ressonância na expertise acumulada pelo Brasil ao longo de mais de cinco décadas de liderança em agricultura tropical, adaptando o know-how de manejo do Cerrado e do Matopiba às terras agricultáveis do país africano.

A realização do Encontro Empresarial foi o ápice de um ciclo de aproximação comercial. O movimento já vinha sendo impulsionado por missões governamentais e empresariais promovidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além da atuação do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), que organizou fóruns corporativos e comitivas com dezenas de empresários a Luanda para prospectar áreas e estreitar os laços entre o setor privado e o ecossistema de negócios angolano.

Durante o evento, autoridades locais reforçaram a oferta de centenas de milhares de hectares para projetos agrícolas integrados às comunidades, destacando que a infraestrutura e os mecanismos de financiamento mútuo estão postos para quem busca produzir, agregar valor e exportar a partir de Angola.

Foco de aportes: grãos, máquinas e proteína animal

Os desdobramentos e acordos firmados ao longo do encontro apontam para aportes estratégicos de capital privado brasileiro em três frentes prioritárias:

Grãos e Fibras: Produção em larga escala de soja, milho e algodão em províncias como Cuanza Norte, Uíge e Malanje, utilizando sistemas sustentáveis de rotação de cultura.

Proteína Animal: Projetos voltados à pecuária de corte, avicultura e suinocultura, fortalecendo a segurança alimentar e a implantação de unidades de processamento de carne.

Mecanização e Insumos: Aquisição e exportação de máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação, armazenagem e fertilizantes produzidos pela indústria brasileira.

Agosto mantém culturas de inverno sob atenção e reforça papel da nutrição líquida na proteção do potencial produtivo

Agosto marca uma nova etapa para as culturas de inverno no calendário agrícola brasileiro. A colheita do milho de segunda safra 2025/26 avançou de forma significativa nas últimas semanas e já alcançava 78,2% da área cultivada no país na primeira quinzena do mês. Em Mato Grosso, os trabalhos entraram na reta final, enquanto Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais seguem avançando nas operações em ritmos diferentes, influenciados principalmente pelas condições climáticas de cada região.

O trigo, por sua vez, entra em agosto com a implantação da safra praticamente concluída. Segundo a Conab, 99,9% da área prevista já estava semeada no início do mês. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, as lavouras apresentam diferentes estágios de desenvolvimento, com áreas mais precoces já entrando em floração. No Paraná, as condições das lavouras permanecem majoritariamente favoráveis, enquanto em estados como Bahia a escassez de chuvas vem provocando estresse hídrico e redução do potencial produtivo das primeiras áreas colhidas.

O cenário climático amplia a atenção do produtor. Agosto começou sob influência crescente do El Niño, com previsão de chuva acima da média no Sul do Brasil e possibilidade de novos episódios de temporais. Ao mesmo tempo, áreas do Centro-Oeste e do Sudeste enfrentam períodos de calor, tempo seco e baixa umidade, com temperaturas acima da média para esta época do ano. Essa combinação cria condições bastante distintas para as lavouras e reforça a importância do manejo nutricional diante dos diferentes tipos de estresse.

Para Leonardo Sodré, CEO da GIROAGRO, o clima instável gera obstáculos diferentes que podem ser abrandados com o uso de fertilizantes líquidos. “Esse inverno não está seguindo o roteiro. Tem região aquecendo quando devia estar frio, e região alagando quando devia estar seca, e a planta não perdoa esse tipo de instabilidade justamente na fase em que ela mais precisa de nutriente disponível. Não dá para controlar o clima, mas dá para garantir que a planta tenha o que precisa para não perder potencial produtivo no meio do caminho. É aí que a nutrição líquida bem aplicada faz a diferença”, afirma Sodré.

Esse é também um momento de reposicionamento estratégico para o produtor. Com as culturas de inverno avançando para fases importantes do ciclo e o milho de segunda safra entrando na reta final da colheita em diferentes estados, eficiência no uso de insumos e capacidade de resposta às condições climáticas ganham ainda mais importância. Em um cenário de custos pressionados e margens disputadas, preservar o potencial produtivo de cada hectare passa a ser fundamental para proteger a rentabilidade da lavoura.

Culturas de inverno como trigo, aveia e cevada se desenvolvem em um período marcado por condições que podem limitar seu desempenho. Temperaturas mais baixas, possibilidade de geadas em determinadas regiões, menor disponibilidade hídrica em parte do país e, neste ano, excesso de umidade em áreas do Sul formam um conjunto de estresses capaz de interferir na capacidade da planta de absorver nutrientes justamente em etapas importantes para a formação e o enchimento dos grãos.

É nesse ponto que a nutrição líquida se torna estratégica. Fertilizantes líquidos formulados com nutrientes quelatizados permitem maior velocidade de absorção foliar, maior translocação dentro da planta e menor perda por fixação no solo, problema recorrente em solos tropicais brasileiros. Na prática, isso significa entregar o nutriente certo no momento certo do ciclo, especialmente nas fases críticas de formação e enchimento de grãos, quando deficiências nutricionais podem se traduzir diretamente em perda de produtividade e qualidade.

No trigo, essa atenção ganha relevância adicional porque parte importante das lavouras do Sul ainda atravessará fases decisivas de desenvolvimento nas próximas semanas. O excesso de umidade previsto para a região pode elevar a pressão sobre as plantas e favorecer problemas fitossanitários, enquanto períodos de calor e baixa umidade em outras áreas produtoras impõem um tipo diferente de estresse. Plantas nutricionalmente equilibradas tendem a apresentar melhores condições para atravessar essas oscilações, tornando o manejo nutricional uma ferramenta de proteção do investimento realizado pelo produtor ao longo do ciclo.

O avanço do El Niño acrescenta mais uma variável a esse cenário. A expectativa para agosto é de chuva acima do normal no Sul, enquanto Centro-Oeste e Sudeste devem alternar períodos de tempo seco, calor e baixa umidade com a passagem de frentes frias. Para o produtor, isso significa trabalhar com uma lavoura exposta a mudanças relativamente rápidas de temperatura e disponibilidade hídrica, justamente quando algumas das principais culturas de inverno atravessam etapas determinantes para a produtividade.

O ponto central é entender que o teto produtivo de uma lavoura de inverno é construído ao longo de todo o ciclo, e não apenas no momento da colheita. Uma vez comprometido por deficiência nutricional em uma fase crítica, esse potencial dificilmente é recuperado integralmente nas etapas seguintes. Investir em nutrição líquida de qualidade nesse período é, portanto, menos uma questão de custo adicional e mais uma decisão de proteção de receita e do investimento já realizado na lavoura.

Comércio com países árabes segue crescendo em 2026

O comércio entre Brasil e países árabes segue crescendo em 2026, apesar do conflito no Oriente Médio, que limita o trânsito de embarcações no Estreito de Ormuz e o acesso a mercados importantes do bloco de 22 países. De acordo com dados compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as exportações do Brasil para a Liga Árabe avançaram 3,71% entre janeiro e julho, totalizando US$ 11,26 bilhões, ao passo que as vendas árabes ao Brasil também cresceram, 12,22% no período, para US$ 6,13 bilhões. As comparações são com o mesmo período de 2025.

“No início do ano, fomos todos surpreendidos por conflitos na região do Golfo cujos impactos foram sentidos nos quatro cantos do mundo” disse o presidente da entidade, William Adib Dib Júnior, no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado pela Câmara Árabe nesta terça (25/08), na capital paulista.

“Ao longo dos meses subsequentes, a resiliência do agronegócio brasileiro, das cadeias de fertilizantes árabes e dos sistemas logísticos internacionais permitiram minimizar os efeitos desta situação”, afirmou, referindo-se ao esforço de reorganização dos modais logísticos na região para contornar restrições.

Dib Júnior reconhece na relação bilateral resiliência e vitalidade, mas ainda acredita que há potencial a ser desenvolvido. Ele cita o fornecimento de alimentos, que hoje já é 75% da pauta de exportações. Segundo ele, o Brasil se destaca no envio de commodities alimentares, mas participa pouco do envio de industrializados, mesmo sendo competitivo.

O dirigente também vê potencial para avançar a cooperação no campo da energia limpa e da descarbonização. Defende também que empresas brasileiras considerem internacionalizar operações nos países árabes, que oferecem vantagens fiscais e logísticas em zonas francas, além de acordos de livre comércio com Europa e Ásia.

“Brasil e países árabes mantêm sinergias evidentes para a integração dos ecossistemas produtivos, de inovação e também no turismo”, afirmou o dirigente. “Além disso, possuem mercados de consumo muito dinâmicos”, finalizou.

Valor compartilhado

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, acredita haver nas relações entre países árabes e Brasil atributos para gerar “valor compartilhado” e capacidade de enfrentar as oscilações da economia global. A geração desse valor, no entanto, depende, na visão do diplomata, da diversificação do comércio, da inclusão de pequenas e médias empresas, da integração entre empreendedores e startups, além do incentivo a investimentos mútuos.

Em fala no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, Fahmy destacou que as trocas comerciais atingiram US$ 31,3 bilhões em 2025, com múltiplos interesses econômicos e capacidade de se manter e crescer. Segundo o secretário-geral, existem condições para que a relação bilateral avance para uma nova fase, marcada por investimentos conjuntos, transferência de tecnologia e interligação das cadeias de valor nas duas regiões. “O desafio atual é [criar um sistema] econômico internacional mais inclusivo e sensível aos interesses dos países em desenvolvimento”, afirmou Fahmy. 

O diplomata afirmou ainda que o avanço da parceria depende de uma atuação conjunta dos setores público e privado. Segundo ele, o capital privado atualmente supera o público, exigindo a costura de parcerias que conciliem interesses de organizações e os nacionais.

Itamaraty pede previsibilidade

O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, titular do Ministério de Relações Exteriores, sugeriu que Brasil e países árabes estabeleçam um “pacto de previsibilidade” para garantir o acesso recíproco a alimentos e fertilizantes. O pacto, segundo Vieira, seria uma forma de proteger as regiões contra o que chamou de “escalada nas rivalidades geopolíticas”, referindo-se, principalmente, aos conflitos no Oriente Médio, que elevaram o custo do transporte de alimentos brasileiros e de fertilizantes árabes comercializados entre as regiões.

“O mundo árabe, gigante na produção desses insumos [fertilizantes], e o Brasil, potência global do agronegócio, devem associar-se em torno de um pacto de previsibilidade”, afirmou o chanceler em vídeo exibido no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, evento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, realizado na capital paulista.

“A segurança alimentar é uma via de mão dupla que requer estabilidade na cadeia de suprimentos da base produtiva, como demonstram as dificuldades atuais para o acesso de países agrícolas, como o Brasil, a fertilizantes”, prosseguiu Vieira. “Ao garantirmos o fornecimento mútuo de insumos e alimentos, protegemos nossas economias contra os choques de oferta e blindamos a segurança alimentar de nossas populações.”

O chanceler sugeriu ainda que Brasil e países árabes busquem a mesma previsibilidade em suas estratégias de transição energética. Entre as sinergias das duas regiões nesta área, citou o fato de o Brasil oferecer matriz energética com 90% de energia renovável e uma das maiores reservas de minerais críticos do mundo. Os árabes, por sua vez, contariam com escala de capital e projetos energéticos em novos vetores já em estruturação.

“Há um claro potencial de sinergia no campo da transição energética, com a atração de investimentos para a indústria brasileira e a transformação do nosso parque produtivo em novo polo de minerais críticos, essenciais para a eletrônica global e para a transformação ecológica”, disse Vieira, reforçando o papel de protagonismo que o setor privado deveria assumir no esforço.

O Fórum Econômico Brasil-Países Árabes tem o patrocínio de FAMBRAS Halal e International Halal Academy, Vale, DP World, CDIAL Halal, First Abu Dhabi Bank, MBRF, Qatar Airways e MZAH Investment.

Expansão da logística reversa no agro amplia oportunidades profissionais

O avanço do agronegócio brasileiro tem provocado transformações que vão além da produção agrícola. À medida que a sustentabilidade se consolida como um dos pilares do setor, cresce também a demanda por profissionais preparados para atuar em atividades ligadas à economia circular, logística reversa, gestão ambiental e inovação operacional. Esse movimento pode ser observado no Sistema Campo Limpo, programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, que registrou crescimento de 11% no volume de embalagens vazias destinadas corretamente em 2025, alcançando quase 76 mil toneladas. 

Para acompanhar esse avanço, o Sistema incorporou quatro novas centrais de recebimento, localizadas no Pará, Maranhão e Rondônia, além de nove novos postos de atendimento aos agricultores. A expansão da rede amplia a presença do programa em regiões de forte crescimento agrícola e aumenta a necessidade de profissionais qualificados para apoiar as operações, a logística e a gestão das unidades. Gerando empregos e movimentando a economia. 

No inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), responsável por representar a indústria fabricante dentro do Sistema Campo Limpo, o quadro de colaboradores cresceu 9% em 2025, chegando a 524 funcionários distribuídos por todo o país. O aumento reflete a necessidade de fortalecer a estrutura operacional diante do avanço da agricultura e do crescimento contínuo da logística reversa. 

“À medida que o Sistema Campo Limpo cresce, também aumenta a necessidade de profissionais preparados para atuar em uma operação cada vez mais complexa e tecnológica. Por isso, investimos continuamente em capacitação e desenvolvimento, criando condições para que nossas equipes inpEV ampliem suas competências e acompanhem a evolução da logística reversa no país”. comenta Silvana Carvalho, gerente de Recursos Humanos do inpEV.  

“O crescimento da logística reversa acompanha a evolução do agronegócio brasileiro e exige profissionais cada vez mais preparados para operar um Sistema que combina eficiência, sustentabilidade e inovação. Por isso, investimos continuamente no desenvolvimento das nossas equipes e na ampliação da capacidade operacional em regiões estratégicas para o setor”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV. 

Além de contratar, a estratégia do Instituto tem sido preparar os profissionais para os desafios de uma operação cada vez mais tecnológica. Em 2025, foram investidas mais de 41 mil horas em capacitação profissional, um aumento superior a 50% em relação ao ano anterior. Temas como liderança, inovação, gestão de projetos e melhoria contínua ganharam destaque nos programas de desenvolvimento. A média de treinamento chegou a 79,6 horas por colaborador, crescimento de quase 40% em relação a 2024. 

Foto: Xavier Messina / Pexels.com

Nesse contexto, uma das iniciativas mais relevantes foi a criação do Programa INOVE, que busca estimular o protagonismo dos colaboradores na construção de soluções para os desafios da operação. Desenvolvido com apoio do Senai, o programa envolveu mais de 100 profissionais em sua primeira campanha e resultou em 66 propostas de melhoria de processos, demonstrando como a inovação pode surgir diretamente das equipes que vivenciam a rotina das unidades. 

“A gestão do Programa INOVE parte do princípio de que as melhores soluções também podem nascer dentro da própria operação. Nosso objetivo é criar um ambiente em que os colaboradores se sintam estimulados a compartilhar ideias, desenvolver propostas e participar ativamente da melhoria dos processos do Sistema Campo Limpo”, reitera Micheli Statuti, gerente de Processos Operacionais s do inpEV.  

“A inovação não acontece apenas por meio de tecnologia e equipamentos. Ela também nasce das pessoas que vivenciam os desafios da operação diariamente. O Programa INOVE foi criado justamente para estimular esse protagonismo e transformar boas ideias em ganhos concretos para o Sistema Campo Limpo”, destaca Okamura. 

Além dos impactos internos, a expansão da logística reversa também contribui para o desenvolvimento econômico das regiões onde o Sistema Campo Limpo está presente. As empresas parceiras responsáveis pela destinação final das embalagens vazias mantiveram mais de 2.100 empregos diretos em 2025, confirando o papel da cadeia da sustentabilidade como geradora de renda e oportunidades. 

“Cada nova unidade representa mais capacidade para atender os agricultores, mas também significa oportunidades de trabalho, movimentação econômica e fortalecimento das comunidades onde estamos presentes. O crescimento do Sistema Campo Limpo gera impactos que vão além da agenda ambiental”, afirma o diretor-presidente do inpEV. 

Com atuação em 25 estados e no Distrito Federal, o Sistema Campo Limpo é considerado uma referência mundial por sua infraestrutura e capacidade operacional para atender ao avanço da agricultura brasileira. Ao mesmo tempo, mantém seu compromisso com o desenvolvimento das pessoas, a inovação e a geração de valor para as comunidades onde está inserido, mostrando que sustentabilidade e crescimento caminham lado a lado.

Milho ganha força, enquanto soja espera por novos sinais de demanda no mercado internacional

Enquanto o milho começa a encontrar espaço para uma recuperação no mercado internacional, a soja ainda enfrenta um obstáculo conhecido: a demanda. Os dados de oferta e demanda divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em agosto mostram uma mudança importante no equilíbrio entre os dois grãos. No milho, estoques menores aumentam a sensibilidade do mercado a novas perdas de produção ou surpresas na demanda. Na soja, o aumento da oferta americana mantém os preços mais dependentes de novos estímulos, especialmente das compras chinesas.

No Brasil, porém, o comportamento das bolsas internacionais é apenas parte da formação dos preços, que também depende de câmbio, prêmios e demanda.

Soja ainda depende da demanda

Na soja, a produtividade americana foi revisada de 59,40 para 59,07 sacas por hectare, mas a área colhida aumentou 1,7%, para 34,72 milhões de hectares. Com isso, a produção chegou a 122,99 milhões de toneladas, acima das 121,8 milhões esperadas pelo mercado. Os estoques finais ficaram em 8,71 milhões de toneladas, enquanto a previsão de importação da China permaneceu em 115 milhões de toneladas. 

Para Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o aumento da oferta americana reduz o espaço para uma alta mais consistente. “O que trava a soja hoje é demanda. O esmagamento maior sustenta farelo e óleo, mas não resolve o excedente de grão que precisa sair dos Estados Unidos”, afirma. 

A produção brasileira de soja para 2026/27 permanece projetada em 186 milhões de toneladas. Nesse cenário, o mercado passa a depender de novos sinais de demanda chinesa ou de perdas mais significativas nas lavouras americanas para ganhar sustentação.

Milho tem estoques mais apertados

No milho, a combinação entre exportações maiores e estoques menores mudou a percepção do mercado. As exportações americanas para 2025/26 subiram de 84,46 milhões para 86,36 milhões de toneladas, enquanto os estoques de passagem recuaram de 51,31 milhões para 49,40 milhões. Para 2026/27, os estoques finais foram projetados em 41,98 milhões de toneladas, queda de 7,65%. 

“A relação estoque/uso americana saiu do cenário mais  confortável e entrou em patamar justo, e assim o mercado começa a precificar risco: com pouco colchão, qualquer problema de clima ou surpresa de demanda gera reação de preço desproporcional ao tamanho do dado”, explica Isabella. 

Apesar da produção americana continuar elevada, em 406,75 milhões de toneladas, o menor volume disponível reduz a margem para novas perdas de produtividade ou aumento das exportações. A relação estoque/uso caiu de 11,01% para 10,12%, reforçando a mudança no balanço do cereal.

Câmbio segue decisivo para o produtor

No mercado brasileiro, os efeitos desse cenário ainda dependem de fatores domésticos. A projeção de estoques finais de milho para 2026/27 caiu de 11,1 milhões para 10,1 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno subiu de 98 milhões para 100 milhões de toneladas. 

Para Isabella, a movimentação internacional precisa ser analisada em conjunto com as condições do mercado brasileiro. “Câmbio, prêmios da soja e exportações brasileiras de grãos continuam definindo quanto do movimento externo chega ao produtor. No milho, o consumo doméstico brasileiro também ganha importância”, afirma. 

O cenário desenhado pelos dados do USDA coloca milho e soja em momentos distintos. Enquanto o cereal passa a operar com menor margem de segurança nos estoques americanos e fica mais sensível a fatores como clima e demanda, a soja ainda precisa de novos estímulos para reduzir a pressão provocada pela oferta. Para o mercado brasileiro, a combinação entre esses fatores externos e as condições domésticas será determinante para definir os próximos movimentos de preços.

Clima deixa de ser apenas fator de prejuízo e passa a orientar estratégias de gestão de risco no agronegócio

Com a intensificação do fenômeno El Niño prevista para os próximos meses e o aumento da variabilidade climática, especialistas apontam que o agronegócio precisa ampliar o uso de dados agrometeorológicos para antecipar riscos e orientar decisões antes que perdas ocorram. Mais do que monitorar eventos extremos, a análise climática vem ganhando espaço como ferramenta estratégica para planejamento da produção, definição de manejos e estruturação de operações financeiras e securitárias.

Segundo o especialista em agrometeorologia da Picsel, deeptech em inteligência de riscos no agronegócio, Rodolfo Pereira, ainda é comum que o clima seja tratado apenas após a ocorrência de prejuízos, quando produtores, seguradoras e demais agentes da cadeia já lidam com os impactos de secas, excesso de chuvas ou outros eventos climáticos. “Os dados climáticos precisam fazer parte da estratégia antes, durante e depois da safra. Quando isso não acontece, o setor trata o clima como um acontecimento, e não como uma variável que pode ser monitorada continuamente para apoiar decisões”, afirma.

Na avaliação do especialista, produtores, cooperativas, bancos, seguradoras e empresas do setor ainda têm espaço para evoluir na interpretação de variáveis climáticas, séries históricas e informações agrometeorológicas. Esses dados podem contribuir para prever riscos, melhorar decisões operacionais e estruturar mecanismos de proteção mais eficientes, desde a escolha de cultivares até a precificação de seguros agrícolas.

O momento também reforça essa discussão. O fenômeno El Niño já está estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial e, segundo projeções do Centro de Previsão Climática da NOAA e do INMET, deve se intensificar nos próximos meses, podendo atingir forte intensidade durante a primavera austral de 2026. Há, inclusive, probabilidade relevante de um evento muito forte entre novembro e janeiro.

Para Rodolfo, esse tipo de informação tem valor para o planejamento da safra, mas exige interpretação técnica. “O erro está em transformar uma previsão climática em previsão de perdas. Os dados servem para qualificar decisões e reduzir incertezas, não para indicar que todos serão afetados da mesma forma.”

O próprio INMET destaca que episódios intensos de El Niño não produzem os mesmos efeitos em todas as regiões do país. Historicamente, o fenômeno tende a reduzir as chuvas no Norte e Nordeste e aumentar as precipitações no Sul, mas a intensidade dos impactos depende de fatores como tipo de solo, manejo agrícola e distribuição das chuvas ao longo da estação.

Segundo o especialista, essa leitura regionalizada é essencial para que o clima deixe de ser visto apenas como causa de prejuízos e passe a integrar a gestão de risco das propriedades e das empresas do setor. “Quando os dados são bem interpretados, é possível identificar padrões, medir exposição, ajustar estratégias produtivas e reduzir vulnerabilidades antes que o problema aconteça. Essa é uma mudança importante para aumentar a resiliência do agronegócio diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes.”

Ferramentas como previsões sazonais, séries históricas e o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) já estão disponíveis para apoiar esse processo, mas, segundo Rodolfo, ainda são subutilizadas quando ficam restritas a consultas pontuais, sem integração ao planejamento da atividade.

Foto: Mark Stebnicki / Pexels.com

Confinamento promove aumento da eficiência alimentar e redução do tempo para o abate

Com duração média de 90 a 120 dias e ganhos de peso que podem chegar a mais de 1,5 kg por animal ao dia, o confinamento tem sido adotado por pecuaristas que buscam acelerar a terminação dos bovinos, melhorar a eficiência alimentar e aumentar a previsibilidade da produção.

“Nesse sistema de terminação, 100% da alimentação dos animais é fornecida no cocho. A viabilidade econômica tende a ser maior em propriedades com escala suficiente para diluir os custos fixos da estrutura e dos equipamentos, como misturador, cochos, silos e equipamentos de distribuição, além das despesas com a equipe”, observa o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson.

Entre as vantagens do confinamento estão a maior previsibilidade da produção e o melhor aproveitamento dos insumos utilizados na dieta. A alimentação é balanceada e formulada de acordo com as exigências nutricionais dos animais. Com dietas de alta densidade energética e monitoramento constante do consumo, os bovinos podem apresentar ganhos de peso mais rápidos e melhor aproveitamento dos nutrientes ingeridos.

Marson explica que os animais confinados tendem a apresentar melhor conversão alimentar, aproveitando de forma mais eficiente os nutrientes da dieta para o ganho de peso. Para alcançar esse desempenho, o produtor deve oferecer uma dieta composta por alimentos proteicos, energéticos e fontes de fibra efetiva, complementada por núcleos minerais vitamínicos e aditivos necessários ao equilíbrio nutricional.

Ele destaca que outra vantagem do sistema é a menor dependência das condições climáticas e das forragens, permitindo ao pecuarista manter um fluxo contínuo de produção ao longo do ano, atendendo às demandas do mercado com maior regularidade.

Em relação à redução da idade ao abate, a maior eficiência alimentar possibilita que os animais permaneçam menos tempo no sistema produtivo, contribuindo para reduzir o ciclo de produção, aumentar o giro do capital investido e melhorar a relação entre os custos da dieta e as arrobas produzidas. Marson pondera, porém, que os resultados positivos dependem do planejamento nutricional, da qualidade dos ingredientes utilizados, do manejo adequado dos cochos e do acompanhamento técnico permanente.

“A qualidade das instalações, a disponibilidade de sombra, água limpa e conforto térmico são fatores fundamentais para o sucesso do sistema, uma vez que o estresse pode reduzir o ganho de peso e aumentar a incidência de doenças. É importante monitorar constantemente indicadores como ganho de peso diário e o consumo de matéria seca para evitar falhas que possam comprometer a eficiência do sistema”, alerta.

Outro ponto de atenção é o risco de dietas mal formuladas, que podem causar problemas metabólicos, como acidose ruminal, redução do consumo alimentar e queda no desempenho. Por isso, o balanceamento nutricional exige acompanhamento técnico e ajustes frequentes.

“Com uma equipe capacitada, planejamento nutricional e acompanhamento constante dos animais, o confinamento pode elevar o desempenho sem deixar de lado o bem-estar e a sustentabilidade da produção”, finaliza.

Foto: Henrique Ferrera / Divulgação / Connan

USDA favorece milho e deixa soja sem força para sustentar alta

O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mudou o humor do mercado agrícola nesta semana. Enquanto a soja recebeu sinais mistos, o milho ganhou força após a redução da produtividade americana e a queda dos estoques finais, cenário que aumentou a percepção de aperto na oferta e ajudou a sustentar as cotações em Chicago e na B3.

Na soja, a queda da produtividade acabou neutralizada pelo aumento da área colhida e da produção nos Estados Unidos. “Produtividade menor é positiva, mas área maior, produção maior e estoques acima do esperado neutralizam boa parte desse efeito”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. Segundo ela, a manutenção das importações chinesas em 115 milhões de toneladas também limitou uma reação mais forte dos preços.

O milho apresentou leitura mais favorável. As exportações americanas subiram e os estoques finais recuaram, deixando o balanço mais apertado. “A relação estoque sobre uso caiu de 11% para 10,12%. Isso significa um balanço americano de milho mais apertado”, diz Yedda. Para a analista, esse foi o dado mais relevante do relatório.

Para o produtor brasileiro, a orientação segue cautelosa. Na soja, novos sinais de demanda chinesa ou perdas adicionais na safra americana seriam necessários para sustentar altas mais consistentes. No milho, o fundamento melhorou, mas câmbio, prêmio e ritmo das exportações continuam sendo determinantes para o preço recebido no mercado doméstico.

Foto: Tom Fisk / Pexels.com

Plataforma brasileira de IA ajuda o agronegócio a reduzir perdas e enfrentar impactos do Super El Niño

O agronegócio brasileiro deve enfrentar nos próximos meses um dos ciclos climáticos mais desafiadores das últimas décadas. O Super El Niño, previsto para causar impactos no Brasil entre outubro e novembro, com secas prolongadas, ondas de calor e enchentes regionais, vai afetar lavouras, rebanhos, logística, armazenagem e operações industriais.

Em um cenário em que perdas pós-colheita por falhas de armazenagem e controle podem chegar a 30%, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e em que produtores que mantêm inventários estruturados conseguem reduzir entre 10% e 25% dos custos operacionais anuais, a solução para mitigar riscos está no uso da Inteligência Artificial (IA), como estratégia para manter a resiliência operacional do setor.

É o que defendem os engenheiros Pedro Sobreira, Anderson Santos e Marco Nippashi, executivos fundadores da Eco Inventory, primeira plataforma brasileira que usa IA para gestão de inventário de estoque, inventário de ativos e conciliação contábil. Para eles, que também são ex-executivos das Big Four — grupo formado por KPMG, Deloitte, Ernst & Young (EY) e PricewaterhouseCoopers (PwC) — fortalecer a gestão de ativos, estoques e infraestrutura em fazendas, cooperativas e agroindústrias diante de eventos climáticos extremos, respeitando características locais, é o que pode garantir a continuidade produtiva.

Estudos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do banco internacional Rabobank mostram que produtores com inventários confiáveis evitam compras emergenciais e reduzem desperdícios, enquanto dados da John Deere indicam que o controle de peças e ativos pode diminuir em 40% o tempo de máquinas paradas — um fator crítico quando o clima pressiona janelas de plantio e colheita.

Segundo análises de risco climático, eventos extremos aumentam a vulnerabilidade de máquinas, equipamentos, silos, armazéns, insumos e estoques estratégicos. A falta de visibilidade patrimonial e divergências entre o inventário físico e o contábil podem gerar perdas financeiras significativas, atrasos na produção e dificuldades na comprovação de danos para seguros e auditorias. Em um setor que pode perder até 20% ao ano por furtos, extravios e ativos não localizados, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a gestão patrimonial passa a ser determinante.

Foto: NOAA / Divulgação

“A empresa rural e a agroindústria precisam saber exatamente o que possuem, onde está cada ativo e qual é o nível real de estoque para reagir rapidamente a eventos climáticos extremos. O Super El Niño exige precisão, rastreabilidade e dados confiáveis”, afirma Pedro Sobreira, diretor técnico-operacional da Eco Inventory.

Criada por auditores com mais de 15 anos de experiência, a Eco Inventory nasceu para resolver problemas que o agronegócio enfrenta diariamente, como a falta de controle patrimonial, divergências de estoque, processos manuais e dificuldade de comprovação de perdas. “A resiliência climática começa com informação confiável. O agronegócio brasileiro é gigante, mas ainda sofre com falta de visibilidade patrimonial. A Eco Inventory ajuda o produtor a proteger seu patrimônio e manter a operação funcionando mesmo em cenários extremos”, afirma Sobreira.

Por meio de IA, com funcionamento online e offline, a plataforma acelera o levantamento de danos, a reorganização de ativos e a retomada das operações, reduzindo prejuízos e facilitando processos de indenização — etapa que pode ser agilizada em até 50% quando há documentação estruturada, segundo seguradoras do setor. “Com eventos climáticos afetando transporte e abastecimento, estoques de insumos, sementes, defensivos, fertilizantes e peças de reposição tornam-se críticos e mais caros. A Eco Inventory oferece inventário rápido, preciso e integrado ao Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP), garantindo decisões de compra mais seguras”, sinaliza o diretor.