O Produto Interno Bruto (PIB) do País encerrou 2025 com crescimento de 2,3%. Em valores correntes, o PIB de 2025 alcançou R$ 12,7 trilhões. As três atividades econômicas analisadas pelas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE cresceram: agropecuária (11,7%), serviços (1,8%) e indústria (1,4%). Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com um crescimento real de 1,9% frente a 2024. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, ressalta que “quatro atividades: agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do Valor Adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista”.
O crescimento de 11,7% na agropecuária em 2025 decorreu, principalmente, de aumentos na produção e ganhos na produtividade de várias culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes em 2025. A pecuária também contribuiu positivamente.
O destaque positivo da indústria foi a extração de petróleo e gás, concorrendo para que o valor adicionado das Indústrias Extrativas fechasse 2025 com alta de 8,6%. Outra contribuição positiva veio da construção, que variou 0,5% no ano. Por outro lado, a eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as indústrias de transformação (-0,2%) fecharam o ano com variações negativas.
Já o setor de serviços seguiu aquecido em 2025, com crescimento em todas as suas atividades: informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), transporte, armazenagem e correio (2,1%), outras atividades de serviços (2,0%), atividades imobiliárias (2,0%), comércio (1,1%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).
Histórico
Tanto o PIB corrente quanto o per capita estão no maior patamar já calculado pela série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Veja o comportamento da economia brasileira nos últimos cinco anos com crescimento:
A confirmação do retorno do fenômeno El Niño em 2026 acende um alerta para o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil. De acordo com análises meteorológicas divulgadas recentemente, o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial pode começar a se consolidar já a partir do primeiro semestre, com potencial de intensificar chuvas irregulares, tempestades severas, ondas de calor e períodos de seca em diferentes regiões do país ao longo do ciclo.
O fenômeno, que historicamente altera padrões atmosféricos e influencia diretamente o regime de precipitação na América do Sul, tende a provocar impactos semelhantes aos registrados em ciclos anteriores marcados por extremos meteorológicos e prejuízos expressivos. A combinação entre maior variabilidade climática e alta exposição urbana amplia o risco de alagamentos, deslizamentos, danos estruturais e interrupções operacionais.
Para o setor de seguros, o cenário projeta uma mudança estrutural na percepção de risco. Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, afirma que o debate deixou de ser episódico. “Quando um fenômeno climático passa a ter recorrência e previsibilidade estatística, ele deixa de ser tratado como eventualidade. Isso exige planejamento financeiro estruturado, tanto por parte das famílias quanto das empresas”.
Segundo o executivo, o impacto econômico de eventos extremos costuma ultrapassar o dano físico imediato. “O prejuízo não está apenas na estrutura afetada. Está na paralisação da atividade, na perda de receita, na dificuldade de recomposição do fluxo de caixa. Em pequenos e médios negócios, alguns dias de interrupção podem comprometer a sustentabilidade da operação”.
A projeção de intensificação de eventos extremos ao longo de 2026 também reposiciona o seguro dentro da agenda de gestão de risco corporativo. A revisão periódica de coberturas, a adequação das apólices ao perfil regional de exposição e a análise técnica de vulnerabilidades passam a integrar o planejamento estratégico. “Seguro não deve ser contratado após o susto. Ele precisa fazer parte da arquitetura de proteção patrimonial antes da crise”, afirma Zanon.
Em um contexto de maior instabilidade climática, especialistas apontam que a discussão sobre adaptação e resiliência tende a ganhar centralidade na agenda econômica nacional. O retorno do El Niño reforça a percepção de que eventos extremos não são mais exceção estatística, mas componente recorrente do cenário de risco que impacta infraestrutura, cadeias produtivas e estabilidade financeira.
Ao refletir a dinâmica observada ao longo do ano, o mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com expansão da área PAT. O indicador deve crescer 6,1% em relação ao mesmo período de 2024 e pode contabilizar 2,6 bilhões de hectares tratados, conforme a terceira projeção de dados de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).
A metodologia utilizada na pesquisa considera a Área Potencial Tratada ou Área Tratada por Produto (PAT), um indicador que leva em conta o número de aplicações e o número de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras, permitindo uma leitura mais precisa do cenário.
Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas. Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos da safra 25/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, pois o plantio transcorreu dentro do período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado. A maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.
O volume total de defensivos aplicados deve fechar 2025 com uma alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento.
No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser a soja (55%), seguida por milho (18%) e algodão (8%). Pastagem (5%), cana (4%), trigo (2%), feijão (2%), arroz (1%), hortifruti (1%), café (1%) e outras culturas (2%) completam o panorama.
Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia lideram, concentrando 32% da área tratada no país. A região conhecida como BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%, seguida por São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%. As demais regiões somam os 2% restantes.
O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.
While Brazilian agriculture has been historically built on scientific foundations and recognized for its productive efficiency, it is currently at a decisive moment. The combination of political and economic instability, geopolitical tensions, intensification of extreme weather events, and growing pressure for productivity poses a central challenge for the sector: to produce more, with less impact, increased resilience, and social inclusion.
In this context, a key point that is often overlooked in decision-making forums is the role of small- and mid-scale agriculture, including family farming. These are systems that, despite accounting for a significant portion of the country’s food supply, end up overlooked in structural strategies for innovation, funding, and public policy.
Ensuring employment, income, and decent living conditions in rural areas is not just a social agenda—it is an essential condition for food and nutritional security in Brazil. To this end, it is urgent to increase the resilience and sustainability of production systems, especially those that are most vulnerable to climate change and market fluctuations.
In recognition of such challenge, one of Embrapa’s strategic innovation fronts is the development and intensification of integrated unconventional production systems to be applicable across all Brazilian biomes. The proposal goes beyond the already established model of Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems (ICLFS) and aims to effectively include small- and mid-scale agriculture.
The aim is to promote integrated systems that can diversify production, reduce environmental impacts, optimize the use of resources, generate income, and improve working conditions, while respecting regional specificities. Examples include agroforestry systems, integrating vegetables with fruit trees, no-till vegetable farming, integrating aquaculture with agriculture, aquaponics, small animal systems, integrating food and energy production, among other innovative models.
It is important to highlight that many small and mid-scale production chains—such as vegetables, short-cycle fruit trees, medicinal plants, and diversified family systems—still have a significant deficit of basic information, which limits the development of technologies appropriate to their realities.
On the other hand, there is consistent scientific evidence demonstrating that the use of bio-inputs, agroforestry systems, aquaponic systems, no-till vegetable farming, protected crops, soilless production, and agroecological systems contributes to improving soil health, the production’s microclimate, and the efficient use of water and inputs. In addition, those models reduce external dependence, environmental footprint, and socioeconomic risks.
Such an agenda is directly in line with regenerative agriculture, the 2030 Agenda and the Sustainable Development Goals, as well as with guidelines from international institutions such as FAO and IPCC. It also relates to emerging models, such as urban and peri-urban agriculture, indoor agriculture, and, more recently, space agriculture, in addition to integrating bioeconomy and circular economy chains.
The main areas of innovation include agroforestry systems, integrating systems with aquaculture and small animals, production systems in protected or controlled environments, the redesign of production models in urban areas, multifunctional systems, and the use of inputs from the bioeconomy. On top of that there is the potential of emerging digital technologies—such as IoT, artificial intelligence, and drones—to increase efficiency, traceability, and decision-making.
Placing small- and mid-scale agriculture at the center of such transformation is not just a technical choice, but a strategic decision for the future of Brazilian agriculture. By promoting integrated, resilient, and sustainable systems, income generation opportunities expand, socio-productive inclusion is strengthened, and agriculture is better prepared for the challenges of the 21st century.
*Environmental engineer, PhD in Soils and Plant Nutrition, researcher on Global Climate Change – Embrapa Vegetables.
A chegada do final da estação de monta traz ao pecuarista o momento de realizar o descarte de matrizes, baseado no diagnóstico de gestação para remover aquelas que não emprenharam ou falharam reprodutivamente, visando a otimização do rebanho e o alívio da pressão sobre as pastagens. Para que o processo seja realizado de modo a otimizar o retorno financeiro da propriedade e produtividade do gado, é essencial que haja um planejamento bem elaborado e estratégias nutricionais que priorizem a recuperação do escore corporal das fêmeas e a terminação rápida para o abate.
A taxa de renovação anual dos animais recomendada é de cerca de 20%, garantindo a entrada de exemplares mais jovens e produtivos. O planejamento do descarte começa com o diagnóstico de gestação no final da estação de monta, que identifica as fêmeas não prenhes. O produtor também deve manter registros detalhados e atualizados de cada matriz, incluindo datas de parto, peso do bezerro desmamado, histórico de doenças e tratamentos, para que possa tomar decisões embasadas e a identificar falhas repetidas.
“O descarte também precisa estar alinhado a um plano de reposição, assegurando que as novilhas de qualidade estejam prontas para entrar no rebanho e manter o número de animais produtivos estável”, observa o diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson.
Estratégias nutricionais
No caso das fêmeas que serão descartadas, elas podem ser direcionadas para um programa de terminação com suplementação para agregar valor à carcaça antes do abate, gerando renda para a propriedade. Para isso, o produtor deve adotar estratégias nutricionais que objetivam a recuperação do escore corporal e a terminação rápida para o abate, otimizando o retorno financeiro.
Para um abate rápido, por exemplo, em torno de 50-90 dias, a fazenda pode adotar dietas mais energéticas, como a inclusão de ração concentrada a 1% do peso vivo com os animais nas pastagens ou o confinamento, que irá proporcionar acabamento leve na carcaça.
Outra opção é o suplemento proteico energético em níveis de 0,3 a 0,5% do peso vivo, indicado para engorda em pastagens de boa qualidade, que permite uma terminação rápida, prática e de menor custo.
Fotos: Divulgação / Connan
A decisão sobre qual suplemento utilizar deve ser baseada na condição corporal atual do animal. O ideal é começar a estratégia nutricional logo após o diagnóstico de gestação negativo, para que as vacas atinjam um bom nível de peso e acabamento antes de períodos desafiadores como a seca.
O objetivo final desse manejo é garantir que a fêmea de descarte gere o máximo de renda possível através da venda da carne, com um custo-benefício favorável ao produtor. “Um programa de descarte bem elaborado pode aumentar significativamente a eficiência e a lucratividade da fazenda, sendo um bom aporte no fluxo de caixa e na produção geral do rebanho”, finaliza Marson.
Uma plataforma de inteligência artificial que interpreta dados de campo em tempo real começou a ser testada no norte do Paraná, em um projeto piloto voltado à extensão rural. A ferramenta foi construída para organizar e cruzar informações agrícolas, como dados produtivos, climáticos e ambientais, e fornecer subsídios técnicos aos profissionais que atendem produtores rurais na região de Maringá e municípios vizinhos.
A solução foi apresentada por desenvolvedores da Bluelogic Sistemas e Consultoria, de Curitiba, em diálogo com órgãos estaduais responsáveis pela agricultura, e está em fase de implantação e validação. A proposta é centralizar dados dispersos e automatizar análises que hoje exigem tempo e trabalho manual, com a intenção de oferecer orientações técnicas com mais velocidade no campo.
“O sistema organiza e interpreta informações agrícolas e climáticas e sugere orientações técnicas que melhor se adaptam às condições de cada propriedade. A decisão final permanece com o extensionista”, disse Fernando Esmaniotto, CEO da Bluelogic. Ele destaca que a IA não substitui o técnico, mas fornece suporte de análise para decisões mais rápidas e consistentes.
O piloto foi desenhado a partir de uma iniciativa da própria Bluelogic, apresentada em uma Rodada de Oportunidades e Conexões promovida pelo InovaAgro, que facilitou a aproximação com a Secretaria da Agricultura do Paraná e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), responsáveis por conduzir a extensão rural no território.
Representantes do setor de tecnologia veem no projeto um exemplo de como inovações digitais podem ser aplicadas diretamente em atividades rurais. A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Paraná (Assespro-PR) registrou apoio à iniciativa, com a expectativa de que ela ajude a integrar tecnologia e demandas do campo.
“Conforme a empresa, a arquitetura da plataforma foi desenhada para permitir expansão geográfica e adaptações a outras áreas de gestão pública e setores produtivos, caso seja validada na etapa atual. Isso é fantástico e vai ao encontro do nosso propósito, que é o de aproximar negócios e soluções das reais necessidades da sociedade”, destaca o presidente da entidade, Adriano Krzyuy.
Após um período marcado por alta volatilidade e sucessivos choques de oferta, o mercado global do cacau inicia 2026 ainda sob um ambiente de incertezas, embora em uma configuração distinta da observada nos últimos dois anos. Segundo Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a escalada abrupta dos preços no fim de 2025, quando os contratos futuros chegaram próximos de US$ 12,5 mil por tonelada em Nova Iorque, deu lugar a um movimento consistente de correção, levando as cotações à casa dos US$ 5 mil por tonelada. Mesmo assim, os preços permanecem historicamente elevados, sustentados por estoques globais ainda muito baixos e pela memória recente de duas safras frustradas no Oeste Africano.
Mais informações sobre tendências que podem impactar o mercado do cacau estão disponíveis no relatório “Perspectivas para Commodities 2026“, lançado pela StoneX, empresa global de serviços financeiros.
Na Costa do Marfim e em Gana, sinais iniciais da safra 2025/26 indicam melhora no ritmo de entregas de amêndoas, apoiada por condições climáticas mais favoráveis ao longo do fim de 2025. Esses fatores reduziram parte das preocupações de curto prazo no setor.
“Apesar disso, algumas vulnerabilidades persistem. A umidade do solo segue baixa em regiões-chave, e desafios fitossanitários mantêm vivo o risco de novas perdas produtivas à medida que o ciclo avança. A referência recente da safra 2024/25, que começou forte e desacelerou com intensidade, reforça o tom de cautela”, afirmou Bezzon.
Enquanto isso, produtores secundários ganham relevância no cenário internacional. O Equador se consolida como principal destaque, registrando exportações acima das médias históricas e avanços de produtividade relacionados a investimentos em manejo, conforme explica o analista de mercado.
“O crescimento equatoriano, acompanhado por movimentações mais discretas de Indonésia, Nigéria e Brasil, entretanto, não substitui o papel central do Oeste Africano, mas tende a reduzir a sensibilidade do mercado a choques localizados, sobretudo se a recuperação africana se mostrar apenas parcial ao longo de 2026”, destacou.
Do lado da demanda, o setor vive uma fase de ajuste estrutural. Bezzon explica que, após enfrentar custos extremos por dois anos, a indústria de chocolates e confeitaria reduziu tamanhos de produtos, reformulou receitas e testou substitutos parciais para a manteiga de cacau, cuja cotação nos Estados Unidos atingiu picos próximos de US$ 40 mil por tonelada. Essas estratégias, de acordo com o analista, resultaram em queda significativa no consumo de subprodutos e, consequentemente, na demanda por amêndoas, contribuindo para o recuo recente das cotações internacionais.
As divulgações trimestrais de moagem continuam sendo o termômetro mais observado pelos agentes do setor, embora a leitura dos dados exija prudência. “A retração observada em Europa e Ásia, e de forma mais moderada na América do Norte, reflete tanto compressão de margens quanto limitações na oferta de amêndoas de qualidade, um cenário que ainda dificulta separar efeitos cíclicos de mudanças estruturais de consumo”, disse.
Outra peça importante do panorama atual é a revisão recente da Organização Internacional do Cacau (ICCO). Após dois trimestres sem atualizações, a entidade reduziu suas projeções para 2024/25, reforçando a visão de que o mercado permanece estruturalmente apertado. “A StoneX, por sua vez, projeta para 2025/26 um superávit de 287 mil toneladas, resultado de uma demanda mais contida e da recuperação parcial dos principais produtores. Caso esse cenário se confirme, a relação estoque-consumo pode se aproximar dos padrões históricos ao longo de 2026” afirmou o analista.
Movimentações nos contratos
No campo financeiro, o comportamento dos contratos futuros também sinaliza uma mudança de fase. A forte backwardation que dominou boa parte de 2024 e 2025 deu lugar a uma curva mais achatada, indicando percepção de menor escassez imediata e de normalização gradual dos fundamentos até 2027.
De acordo com Bezzon, o aumento das posições vendidas por investidores especulativos mostra um sentimento de curto prazo mais baixista, embora abra espaço para episódios de volatilidade diante de eventuais surpresas de oferta ou demanda. Em paralelo, a inclusão do cacau no Bloomberg Commodity Index, em janeiro, tende a adicionar fluxo comprador e influenciar o desempenho dos preços nos próximos meses.
Sobre o relatório
A StoneX, empresa global de serviços financeiros, lançou a 34ª edição do Relatório de Perspectivas para Commodities, que traz análises abrangentes sobre os mercados de grãos, energia, fertilizantes, soft commodities, metais e câmbio. Produzido pela equipe de Inteligência de Mercado, com apoio de especialistas internacionais, o documento projeta um final de 2025 e início de 2026 marcados por tensões comerciais, incertezas monetárias e fatores específicos que afetam cada segmento do setor.
O Relatório de Perspectivas para Commodities pode ser baixado de forma gratuita aqui.
O ano de 2026 amanhece sem promessas fáceis para o agro brasileiro. Não há brisa de complacência, há vento de cobrança. O setor entra grande, competitivo, decisivo para a economia, mas sob um teste mais refinado, produzir muito já não basta, é preciso produzir certo, vender melhor e provar origem. O clima continua mandando, a geopolítica segue interferindo e a regulação deixou de ser ameaça distante para virar regra concreta. Quem ainda opera no improviso vai sentir primeiro.
A fotografia da safra é exuberante. A Conab projeta algo em torno de 354,4 milhões de toneladas de grãos. A soja, velha âncora, deve romper a barreira dos 177 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como líder global. O milho segue firme, com expectativa de 138 milhões de toneladas. Mas aqui mora a armadilha, safra grande em ambiente de custo elevado, logística pressionada e demanda errática não é sinônimo de prosperidade, é sinônimo de margem estreita. Em 2026, errar o timing de venda ou negligenciar hedge não será azar, será falha de gestão.
O clima não concede indulgência. A saída gradual da La Niña não significa calmaria, significa transição e transições são traiçoeiras. Chuvas fora de hora, granizo, janelas curtas, extremos pontuais. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático deixa de ser recomendação técnica e passa a ser critério de sobrevivência, especialmente porque o crédito agora cobra isso como contrapartida.
O milho confirma a lógica. A safrinha continua sendo pilar e divide protagonismo com o etanol, que mexe na demanda e na previsibilidade. Custos pressionados por fertilizantes e fretes impõem uma verdade incômoda: não haverá espaço para decisões “no feeling”. O milho de 2026 será de planilha, não de esperança.
E é exatamente nesse ponto que o café escancara o novo agro brasileiro. O setor chega a 2026 depois de dois anos de choques climáticos, estoques globais apertados e preços elevados, mas engana-se quem confunde preço alto com tranquilidade. O “mercado está caro” porque está frágil. Qualquer geada, seca ou ruído logístico reverbera instantaneamente na ICE Futures. Produzir sem proteção comercial é especular contra o próprio caixa.
Importante: 2026 marca o fim da tolerância com informalidade. A regulação europeia antidesmatamento não é detalhe, é filtro de mercado. Exportar não depende só de produzir, mas de provar origem. Rastreabilidade, georreferenciamento e conformidade deixaram de ser diferenciais e viraram requisitos básicos. Quem ainda não entendeu isso está discutindo o problema errado.
O crédito também mudou de natureza. Não é cheque em branco. Em 2026, vem condicionado à gestão de risco climático, sustentabilidade comprovada e planejamento estratégico. Pensar apenas na próxima safra é curto demais para um setor que vive de ciclos longos, volatilidade e pressão regulatória. Ignorar essas exigências não significa perder oportunidade, significa perder relevância.
E há um ruído extra no ar: por ser um ano eleitoral, a polarização política e as incertezas macroeconômicas podem gerar volatilidade adicional no mercado. Quem depende de crédito, câmbio e apetite de risco precisará de cenários alternativos, disciplina em caixa e atenção redobrada aos prazos.
O comércio global não é mais sedução, é seleção. A China ajusta compras, a Europa impõe acordos com regras estritas e o mercado passa a remunerar mais origem e constância do que simplesmente volume. O café que se venderá melhor não será o mais abundante, será o mais confiável. E esse raciocínio vale para todo o agro. A carne vive momento forte, mas enfrenta cotas e barreiras. A soja domina, mas sofre com bases voláteis. O milho se industrializa, mas encarece. O denominador comum é simples e desconfortável: o agro brasileiro não está sendo ameaçado, está sendo selecionado.
O ano de 2026 será potente para quem opera com método, proteção e visão estratégica. Mas será implacável com quem insiste em jogar o jogo antigo em um tabuleiro novo. O agro brasileiro entra grande em 2026. Permanecer grande, porém, exigirá algo mais raro do que escala: maturidade.
*Engenheiro Agrônomo, com MBA em Gestão Comercial. Tem experiência nos setores Químico e do Agronegócio, com uma trajetória em empresas de referência, como a Bayer Crop Science e a ALTA (América Latina Tecnologia Agrícola). É diretor Comercial da Orbia.
Em 2026, o complexo de commodities deve apresentar um desempenho entre a estabilidade e uma leve tendência de queda, influenciado principalmente pelo comportamento esperado das matérias-primas energéticas, que têm grande peso nos índices globais do setor. No entanto, essa dinâmica não deve se repetir de maneira uniforme entre as demais categorias de bens primários. Quem afirma é o gerente de Inteligência de Mercado da StoneX, Vitor Andrioli, em relatório especial divulgado pela corretora, “Perspectivas para Commodities 2026“.
A economia mundial em 2025 superou expectativas apesar do impacto das tarifas americanas, que mudaram o comércio internacional. Para 2026, espera-se ritmo de crescimento semelhante, mas com riscos elevados pela instabilidade da política econômica dos EUA, incertezas sobre o Federal Reserve e no cenário geopolítico.
Andrioli destaca que apesar dos investimentos em Inteligência Artificial favorecerem a manutenção do otimismo no ambiente de negócios e a perspectiva de ganhos de produtividade em diversas indústrias, essa expansão está vulnerável a mudanças nas condições de crédito e à capacidade das empresas de tecnologia em gerar resultados sólidos.
Agronegócio
No segmento de grãos e oleaginosas, a StoneX afirma que a soja segue com balanço global confortável, com destaque para novo recorde de produção no Brasil, estimado atualmente em 177,6 milhões de toneladas. Para o milho, a sobreoferta nos EUA pressiona preços, enquanto no Brasil a próxima safrinha ainda está indefinida, mas a participação do país como exportador deve cair devido ao mercado interno aquecido pelo etanol.
Entre as soft commodities, café e cacau mostram recuperação na produção dos principais exportadores, mas estoques globais ainda restritos; o açúcar mantém viés de baixa com superávit previsto, enquanto o algodão inicia 2026 com ampla oferta e menor área plantada no Brasil e Austrália.
Nos fertilizantes, o grupo ressalta que as restrições de oferta mantêm os preços elevados, com destaque para a alta da amônia, devido a problemas de produção, impactando os custos de fabricação da ureia, além de uma possível suspensão das exportações chinesas de fosfatados. Instabilidade no Irã e Venezuela também adiciona riscos à disponibilidade e aos custos dos fertilizantes que esses países exportam ao Brasil e à Índia.
O petróleo tende a seguir um balanço confortável, com a perspectiva de uma demanda em crescimento mais modesto e o aumento de produção no Brasil, Canadá, Guiana e Argentina. O gás natural tem preços sustentados nos EUA, enquanto Europa e Ásia enfrentam demanda fraca e oferta abundante.
Metais
Nos metais, o ouro e a prata se valorizam com a busca por proteção financeira e o descompasso entre a demanda aquecida – seja pelo uso industrial ou pelo setor de IA – e um crescimento menos acelerado da oferta.
Real brasileiro
No âmbito doméstico, a questão fiscal ainda é uma vulnerabilidade para a valorização do real, que pode se tornar mais evidente em um ano de eleições polarizadas e com poucas chances de avanço de pautas econômicas no Congresso. Ao mesmo tempo, o diferencial de juros do Brasil deve seguir elevado, com a expectativa de redução bastante gradual da Selic, favorecendo o real ao incentivar a entrada capitais de curto prazo.
Regenerative agriculture is more than a trend — it’s a systemic shift in how we produce food, restore soil health, and combat climate change. As climate change, soil degradation, and food security become global concerns, regenerative agriculture offers a scalable, science-based solution that benefits farmers, consumers, and the planet.
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