A 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ª CNDRSS), que aconteceu na última semana em Brasília, reuniu delegados, movimentos sociais e milhares de participantes de todo o país. O documento final reuniu 75 propostas que vão orientar as políticas públicas do governo voltadas aos povos do campo, das águas e das florestas.
Entre os temas que compõem o caderno final de propostas estão a agroecologia, sucessão rural, sistemas alimentares, acesso à terra, valorização dos territórios quilombolas, fortalecimento da agricultura familiar e segurança alimentar. As etapas preparatórias mobilizaram mais de 40 mil participantes e resultaram em cerca de 1.000 propostas que orientaram os debates da etapa nacional.
A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, destacou os avanços coletivos alcançados para a agricultura familiar, reforma agrária e valorização das comunidades tradicionais. “Hoje é um dia de grandes conquistas, de celebrar tudo que a sociedade civil conquistou ao longo desses últimos três anos, um processo que foi árduo, um processo de reconstrução das políticas públicas para a agricultura familiar, as políticas para a reforma agrária, para o acesso à terra, para o acesso ao território, para a garantia da preservação dos nossos recursos naturais e a nossa biodiversidade, de valorização dos povos e comunidades tradicionais, de retomada de uma política de abastecimento alimentar e visando o fortalecimento do cooperativismo, do associativismo e o alcance da nossa soberania alimentar”, ressaltou Fernanda.
Na avaliação do vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), Lidenilson Sousa da Silva, a aprovação das propostas na Conferência é apenas o começo para que todas as vozes ouvidas possam ser refletidas nas ações do governo. “Nós aprovamos essas 75 propostas, mas nos seus anexos estão todas as outras propostas construídas, e elas não foram descartadas, estão incorporadas no trabalho. É muito importante que nós tenhamos esse instrumento da construção das políticas públicas. Apontar esses horizontes num diálogo estreito e fino com as secretarias do MDA vai ser fundamental para a gente ter a efetivação dessa escuta”, afirmou.
Participação social e construção coletiva
Antes de chegar à etapa nacional, a conferência percorreu um longo caminho, com mais de 560 etapas preparatórias em todo o Brasil. Desse processo surgiram cerca de 1.000 propostas, sendo 300 reunidas no Caderno Nacional de Propostas. Ao todo, mil delegados foram eleitos, representando todas as regiões do país: Nordeste (352), Norte (208), Sudeste (184), Centro-Oeste (128) e Sul (128).
Pela primeira vez, a participação também aconteceu no ambiente digital, pela plataforma Brasil Participativo, que registrou 130 mil acessos, mais de 300 propostas cadastradas, 8 mil votos e a eleição de 20 delegados nacionais. Uma das propostas, elaborada pelo técnico em Agronegócio e editor-chefe do site Agricultura e Negócios, tratava da criação do Programa Nacional de Financiamento e Assistência Técnica para a Transição Agroecológica (PNFATA). “A agricultura familiar é a espinha dorsal da nossa segurança alimentar, e a transição agroecológica não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente. O PNFTA não teve votos suficientes para ser avaliado no plenário da Conferência Nacional, mas nossos esforços continuam para fortalecer o setor”, afirmou o jornalista e consultor especializado.
Resumo estratégico
O Agricultura e Negócios elaborou um Insight Report exclusivo, com um resumo estratégicos do que foi debatido na 3ª CNDRSS. Clique aqui e baixe, gratuitamente, o documento.









