A terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF 2026), realizada pela DATAGRO no Nubank Parque, em São Paulo, dias 1º e 2 de outubro, reuniu autoridades, especialistas e lideranças mundiais do setor para debater temas como os rumos estratégicos do agronegócio, os gargalos de infraestrutura e a relevância do Brasil no abastecimento global de alimentos e na transição energética. O evento contou com 184 patrocinadores e 144 expositores, além de 328 palestrantes de 21 países, distribuídos em 87 painéis e 81h30 de palestras. O público veio de 21 países e todos os 26 estados brasileiros estiveram representados.
Na cerimônia de abertura, Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, destacou a importância de criar fóruns globais de debate para impulsionar o desenvolvimento do setor e enfrentar as transformações futuras “O avanço da agricultura brasileira é fruto histórico da união entre ciência, pesquisa e ecossistemas de colaboração”, afirmou. Nastari enfatizou ainda que a capacidade produtiva, sanitária e sustentável do país deve ser utilizada como instrumento de cooperação internacional para garantir a segurança alimentar e energética global.
A dimensão socioambiental e humana do setor foi o foco da keynote speaker Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Em sua participação, Robinson chamou a atenção para o fato de que grandes volumes de exportação nem sempre traduzem segurança alimentar interna, citando a vulnerabilidade de cadeias globais a choques climáticos. A líder internacional defendeu o engajamento das comunidades locais. “A resposta à crise do clima e da natureza passa pelo engajamento das comunidades locais”, disse, ressaltando a relevância de uma atuação cooperativa e complementar do Brasil com o resto do mundo.
Outro ponto alto da programação abordou a imagem e a percepção do agronegócio junto à sociedade, em apresentação de um estudo sobre a visão do consumidor urbano e dos próprios produtores. “O setor é muito mais moderno e tecnológico do que o imaginário popular supõe”, garantiu Luiz Felipe Nastari, diretor da DATAGRO.
Luiz Felipe destacou que o GAFFFF cumpre um papel fundamental ao aproximar o campo da população urbana, quebrando clichês e evidenciando a diversidade, a inovação e os investimentos do agro contemporâneo.
A programação técnica do primeiro dia também lançou luz sobre as transformações no comércio global, dinâmicas geopolíticas e o acesso a novos mecanismos de crédito rural.
As discussões do segundo dia aprofundaram os gargalos de infraestrutura e inovação no país. Especialistas alertaram que o custo do transporte de grãos no Brasil chega a ser até 48% superior ao dos Estados Unidos por conta da dependência do modal rodoviário, quadro agravado pela falta de capacidade de armazenagem nacional, que atende a apenas 62% da produção.
Em painel sobre biotecnologia, representantes do Brasil, Argentina e Estados Unidos concordaram que a comunicação sobre novas tecnologias deve focar nos benefícios concretos entregues à sociedade.
Já o debate sobre o Código Florestal ressaltou a regulação ambiental brasileira – que obriga a preservação de 33,2% do território em propriedades privadas -, defendendo a tradução da legislação para o mercado externo e a aplicação do princípio do “protetor-recebedor” para valorizar quem preserva a natureza.
A transparência do setor também foi pauta da Rede Brasil de Jornalistas Agro (Agrojor), que posicionou a checagem rigorosa de dados como pilar para a reputação internacional.
Em outro painel, Guilherme Benchimol, fundador e presidente do Conselho da XP Inc., e Plínio Nastari debateram cultura empresarial e liderança, enquanto os painéis sobre transição energética trataram do avanço dos biocombustíveis no Brasil, com R$ 289 bilhões em investimentos registrados e sua aplicação em novos mercados, como combustível sustentável de aviação (SAF), transporte marítimo e biometano.
O segundo dia contou, ainda, com a Cavalgada do Bem, que reuniu cerca de 200 cavaleiros em um percurso do Parque da Água Branca até a entrada do Nubank Parque.
Na parte de Cultura, o GAFFFF contou com shows de Edson & Hudson, Rio Negro & Solimões, Estela Blanco e Fiduma & Jeca. No primeiro dia, entre os shows, também aconteceu o Grand Rodeo PBR. No segundo dia, a programação incluiu um momento voltado para a Festa do Peão de Barretos.
E o próximo Global Agribusiness Festival (GAFFFF), o maior festival de cultura Agro do mundo, já tem data para acontecer: dias 10 e 11 de junho de 2027, em São Paulo.


Foram 75 votos a favor da PEC e apenas um contrário, em ambos os turnos.






