Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27, aponta Bioind-MT

Mato Grosso deve consolidar sua posição entre os principais polos de biocombustíveis do país na safra 2026/27. Levantamento do Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), projeta crescimento de 16,08% na produção total de etanol no estado, que deverá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.

“Nossa estimativa mostra que o avanço será sustentado principalmente pela expansão do etanol de milho, segmento no qual Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais”, explica Silvio Rangel, presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). “Além de fortalecer a segurança energética e a economia do país, o setor se posiciona como estratégico para o futuro da descarbonização dos transportes, com potencial crescente no fornecimento de combustíveis renováveis para aviação e navegação marítima.” 

Antes da projeção para o próximo ciclo, o levantamento aponta que a safra 2025/26 já deverá encerrar com crescimento de 8,52% na produção estadual de etanol, alcançando 7,27 milhões de m³, enquanto a produção nacional deverá permanecer praticamente estável, com alta de 0,22%. O desempenho mantém Mato Grosso na segunda posição do ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.  

Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de m³, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de m³, crescimento de 1,37%.

Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior do segmento de milho. A produção deverá avançar 18,67%, chegando a 7,33 milhões de m³, enquanto o etanol de cana deverá crescer 1,42%, atingindo 1,11 milhão de m³.  

“O levantamento mostra que Mato Grosso segue ampliando sua relevância estratégica para a matriz energética brasileira. O crescimento do etanol de milho demonstra a capacidade de integração entre produção agrícola, indústria e geração de energia renovável”, afirma Rangel. 

O estudo também destaca a expansão da moagem de milho destinada à produção de etanol. Na safra 2025/26, o volume processado deverá atingir 13,81 milhões de toneladas, alta de 10,45%. Para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, alcançando 16,36 milhões de toneladas, impulsionado pela entrada de duas novas plantas industriais no estado.  

Geração de Coprodutos 

Além da produção de combustível, a cadeia industrial do etanol de milho segue ampliando a geração de coprodutos. A produção de DDG (Grãos Secos de Destilaria) e DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) deverá crescer 16,14% em 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas, enquanto o óleo de milho deverá avançar 12,9%, atingindo 338,9 mil toneladas.  

No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deve permanecer estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%. Já a produção de açúcar deverá registrar leve retração de 1,42%, para 579,7 mil toneladas.  

As projeções de longo prazo do levantamento indicam continuidade da expansão da indústria de biocombustíveis no estado. Segundo o Imea, Mato Grosso poderá produzir 15,02 milhões de m³ de etanol até 2033/34, mais que o dobro do volume estimado para a safra atual.  

“O setor de bioenergia em Mato Grosso vem ampliando sua participação não apenas na produção de combustíveis renováveis, mas também na geração de coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização, consolidando uma cadeia industrial de grande relevância econômica para o estado”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do IMEA. 

O levantamento também destaca a contribuição ambiental do setor. Segundo o estudo, os Créditos de Descarbonização (CBIOs), já representaram mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂ desde o início do programa, sendo 40,06 milhões apenas em 2025. 

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.  

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.

Foto: Vadym Alyekseyenko / Pexels.com

2026 e o protagonismo das mulheres na agricultura global

por Talita Cury*

A decisão da Organização das Nações Unidas de instituir 2026 como o Ano Internacional da Mulher na Agricultura evidencia um movimento que já vem se consolidando no campo, ainda que nem sempre com a mesma visibilidade de sua relevância.

As mulheres ampliam sua presença em diferentes etapas do agronegócio, da produção às funções técnicas e estratégicas. Esse avanço reflete uma transformação estrutural, com impacto direto na forma como o setor se organiza e toma decisões.

Persistem, no entanto, desafios importantes relacionados ao acesso à terra, crédito, tecnologia e assistência técnica, que impactam o setor como um todo. No contexto da ampliação da participação feminina, contudo, a superação dessas barreiras ganha relevância adicional, ao contribuir para o fortalecimento da produtividade, da diversidade e da eficiência no agronegócio.

O reconhecimento internacional tende a acelerar essa agenda, estimulando maior articulação entre políticas públicas, financiamento e capacitação. Esse movimento contribui para consolidar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de lideranças femininas no agro.

Iniciativas voltadas à formação e inclusão ganham relevância nesse contexto, especialmente aquelas que atuam no fortalecimento de lideranças e na aproximação de novas gerações com o setor. A criação de projetos como Damas do Agro e Crianças no Agro reflete esse esforço de longo prazo, ao ampliar o acesso, desenvolver competências e estimular maior diversidade no ambiente produtivo.

No Brasil, onde o agronegócio tem papel central na economia, esse avanço se traduz em ganhos concretos de governança, resiliência e capacidade de adaptação, especialmente diante de um ambiente cada vez mais desafiador do ponto de vista regulatório e climático.

A agenda de 2026 aponta para uma direção clara. Ampliar a participação feminina na agricultura não se limita a uma pauta social, mas se consolida como uma escolha estratégica para a sustentabilidade e a competitividade do setor.

*Conselheira de Administração e Relações Institucionais do Grupo Santa Clara.

Startup nordestina usa inteligência artificial para proteger agricultura das emergências climáticas

Uma tecnologia de inteligência climática desenvolvida pela startup brasileira i4sea, já aplicada em operações portuárias no litoral, começa a ser levada pela empresa ao interior do país, para a agricultura. A solução, que capta informações de estações meteorológicas, radares e sensores em geral, transformando-as em dados hiperlocais (em raios de um quilômetro), oferece previsões do tempo mais específicas para o território monitorado e para intervalos cronológicos que vão de algumas horas a 15 dias próximos.

A tecnologia da i4sea é utilizada por operadores em portos brasileiros, como o de Santos (SP), maior da América Latina, e do Açu (RJ); ainda, do Porto de Roterdã (Holanda), o maior da Europa. Mineradoras, como a Vale, e empreendimentos de energia eólica offshore (no mar) também são usuárias da inteligência climática desenvolvida pela startup, fundada em 2015 em Salvador (BA), onde mantém sua sede.

Todas essas operações marítimas e de mineração, bem como as agrícolas, estão expostas às condições do tempo. Com a previsão mais específica e precisa proporcionada pela tecnologia da i4sea, os operadores conseguem planejar seu funcionamento, prevenindo-se de eventuais riscos meteorológicos e tomando decisões como suspender ou retomar as atividades na hora e na medida certas, conforme ressalta o cofundador e CEO da i4sea, Mateus Lima.

Para o agro, a solução tem impacto positivo ainda mais significativo. Ocorre que a atividade é uma das mais afetadas pelas emergências climáticas, como adverte a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo a Embrapa, apenas 5% das áreas agrícolas do Brasil dispõem de sistemas de irrigação – ou seja, os outros 95% delas são dependentes do regime de chuvas, cada vez mais instável e sujeito a eventos extremos.

“O setor agropecuário é diretamente influenciado por fatores climáticos como chuva, umidade do solo e do ar, ventos, temperatura e radiação solar. As mudanças climáticas têm provocado alterações na incidência e frequência de eventos extremos, como alagamentos, secas e geadas, bem como modificado o ciclo de pragas e doenças na lavoura, que impactam diretamente a produção”, assinala a instituição.

Foto: Adem Percem / Pexels.com

Por isso, além da inteligência climática hiperlocal, para o agro a startup entende a necessidade de fornecimento de dados e informações que tracem um cenário em médio e longo prazo. Afinal, explica o CEO da i4sea, diferentemente de operações em que as ações dizem respeito às condições de momento (paralisar ou retomar um embarque ou desembarque portuário, por exemplo), nas atividades agrícolas as decisões são mais estruturais – como a opção por uma ou outra cultura de plantio.

A i4sea é um dos empreendimentos que estão tornando o Nordeste do Brasil referência quando o assunto são polos de inovação. Segundo dados do Sebrae Startups Report, o Nordeste já concentra cerca de 25% das startups brasileiras; uma em cada quatro startups está em um dos estados nordestinos.

Investidora da i4sea, a casa de investimentos Lighthouse tem foco justamente no Nordeste do país. Especializada em Venture Capital, em menos de dez anos estruturou fundo de investimento direcionado à região, o qual soma R$ 100 milhões de capital autorizado. Para os sócios fundadores da Lighthouse, a casa de investimentos constatou na startup de inteligência climática potencial empresarial e de forte impacto socioambiental.

“Trata-se de uma solução que concilia conhecimento científico, das áreas de Oceanografia e Climatologia, com inovação tecnológica”, sublinha um dos sócios da Lighthouse, Gustavo Menezes. “Ela tem proporcionado a players dos principais portos do Brasil e do mundo realizarem suas operações, antecipando-se a eventos climáticos. Isso é segurança e eficiência operacional. Com ocorrências climáticas cada vez mais extremas, é uma solução indispensável”, afirma.

Pesquisadores combinam IoT e inteligência artificial para aprimorar a irrigação agrícola

Os Centros de Competência da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Future Grid e Center for Embedded Devices and Research in Digital Agriculture (Cedra) estão desenvolvendo uma solução inédita em hardware para o gerenciamento inteligente de energia elétrica em sistemas de irrigação com pivô central.

A tecnologia combina monitoramento em tempo real, inteligência artificial na borda (Edge IA), geração distribuída e armazenamento de energia em um único equipamento, capaz de reduzir custos operacionais e minimizar o consumo de água e de eletricidade no campo.

O projeto compõe a Rede Agrointeligente e se encontra em fase de pesquisa aplicada, visando resolver um dos gargalos da agricultura irrigada moderna: a alta demanda de energia elétrica aliada à sazonalidade hídrica e energética. “A previsão de conclusão dos trabalhos é 2027, com expectativa de que os resultados sejam transferidos tanto para o setor produtivo quanto para a formulação de políticas públicas. A expectativa é que, ao final do projeto, exista um modelo de hardware e software pronto para comercialização e replicável em diferentes culturas e regiões do país”, informa Luciano Carstens, gerente sênior do Future Grid.

O Future Grid é o Centro de Competência Embrapii para promoção de conhecimentos em Smart Grid e Eletromobilidade que conta com toda a expertise e infraestrutura do Lactec, um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil. O Cedra é um Centro de Competência em agronegócio digital, credenciado pela Embrapii e apoiado pelo Sistema Fiergs. 

Funcionamento

O hardware projetado pelo Future Grid, em parceria com o Cedra, contará com eletrônica embarcada para a aquisição de dados de sensores instalados no campo, processamento de algoritmos de gestão hídrica e energética e apoio à tomada de decisão em tempo real. A grande inovação está na integração: o sistema combina fontes renováveis (como energia solar fotovoltaica), sistemas de armazenamento (baterias, ou BESS) e controle inteligente da demanda.

O pesquisador do Lactec, Bruno Knevitz Hammerschmitt, explica que “na prática, a solução em desenvolvimento será capaz de caracterizar o perfil de consumo elétrico dos pivôs, cruzar informações com sensores de irrigação e realizar o agendamento do acionamento de motobombas nos momentos de real necessidade de irrigação e de menor custo de energia, ou de maior disponibilidade de geração local”, antecipa.

Entre os desafios técnicos apontados pelos Centros de Competência estão a medição confiável em tempo real com sensores em campo, a sazonalidade do uso da energia e da disponibilidade hídrica, a integração dos dados para decisão imediata, a escalabilidade da solução e o correto dimensionamento do sistema de geração distribuída (BESS e painéis solares), considerando os ciclos de irrigação da região-piloto.

Parceria 

No acordo, o Future Grid ficou responsável por projetar e validar o hardware com eletrônica embarcada para aquisição de dados, além de desenvolver os algoritmos de gestão e tomada de decisão. Entre outras contribuições, o Cedra compartilha a expertise em sistemas de irrigação, sensoriamento de campo e conhecimento em agricultura digital. 

Juntos, os Centros de Competência conduzirão o dimensionamento do sistema de energia com base nos ciclos reais de irrigação da área de testes. “Estamos criando uma ferramenta que não só proporcionará a gestão efetiva do consumo de energia elétrica e a redução de custos, mas também preservará um recurso cada vez mais escasso: a água. A inteligência embarcada decide quando, quanto e como irrigar, usando a melhor composição de energia disponível”, resume Bruno Knevitz Hammerschmitt.

Foto: Pareekshith Indeever / Pexels

A era do Retorno sobre Energia (ROE): por que a produtividade da IA exige uma nova gestão da energia humana

por Mário Soma*

A Inteligência Artificial (IA) entregou o que prometeu: uma escala de produtividade sem precedentes. No entanto, ao observar as discussões do SXSW deste ano, ficou claro que essa evolução trouxe um efeito colateral silencioso que as empresas não podem mais ignorar. 

A tecnologia elevou a capacidade operacional, mas expôs um custo invisível: o esgotamento da carga mental humana. Estamos vivendo o paradoxo da eficiência. De acordo com dados de mercado, o cenário é alarmante:

  • 68% dos profissionais admitem que não têm tempo para pensar estrategicamente, segundo relatório da Microsoft
  • 60% do esforço das equipes é drenado pela coordenação de tarefas, não pela execução, segundo relatório da Asana
  • O volume de decisões executivas explodiu, mas a nossa capacidade cognitiva para processá-las continua a mesma,  segundo relatório do Gartner

Na prática, as respostas estão mais rápidas, mas a profundidade está minguando. A produtividade cresce, mas a dependência da IA cria um ciclo de estímulos ininterruptos. 

É neste cenário de “infoxicação” que o Return on Energy (ROE) — ou Retorno sobre Energia — deixa de ser um conceito de bem-estar para se tornar uma prioridade estratégica de negócios.

O ROE não substitui o ROI; ele o protege

É fundamental entender que o ROE não invalida o tradicional Return on Investment (ROI). Na verdade, ele é o que garante a sustentabilidade do lucro a longo prazo. 

Se o ROI mede o quanto ganhamos financeiramente, o ROE mede o custo de atenção e o esforço cognitivo necessários para sustentar esses resultados. 

Sem um ROE equilibrado, o ROI de hoje se torna o burnout de amanhã.

A grande virada de chave do SXSW foi justamente o deslocamento do foco da tecnologia pura para o contexto humano e emocional. A IA agora “conversa”, “escuta” e “emula sentimentos”. Esse excesso de interfaces que exigem decisões contínuas gerou um desafio econômico real: o consumo desenfreado de energia cognitiva.

A gestão de atenção como ativo financeiro

Quando o desgaste mental atinge o limite, a qualidade das decisões despenca, o engajamento das equipes evapora e a experiência do cliente é comprometida. Problemas que antes eram vistos como “sociais” ou “de RH” foram definitivamente transpostos para o centro da estratégia financeira.

Para reverter esse quadro e gerar satisfação real, as empresas precisam migrar do excesso para a intencionalidade. Se o bombardeio de estímulos prejudica a conexão com a marca e a eficiência da operação, a “recuperação de energia” passa a ser o valor percebido mais escasso e desejado.

Foto: Daniil Komov / Pexels.com

O próximo passo: maturidade tecnológica

Já sabemos que a IA aumenta a produtividade. Agora, o desafio das lideranças é identificar o nível de maturidade necessário para gerir o impacto dessa tecnologia sobre as pessoas.

A gestão da energia cognitiva e a responsabilidade sobre como a tecnologia afeta a operação já são pautas obrigatórias entre os executivos C-Level. No mundo corporativo moderno, ignorar o ROE não é apenas uma falha de gestão de pessoas; é um risco financeiro e estratégico que pode custar a longevidade do negócio.

*CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação.

Livro explica a relação entre o crescimento do sertanejo universitário e o agronegócio

Segundo dados das principais plataformas de streaming, o sertanejo é, hoje, o gênero musical mais ouvido no Brasil. Uma de suas vertentes mais famosas e que arrasta multidões em shows pelo país, o sertanejo universitário, ganhou força início do século XXI através de nomes como Jorge e Mateus, Fernando e Sorocaba e César Menotti e Fabiano. No livro Sertanejo universitário, agronegócio e indústria cultural“, publicado pela Editora Telha, o sociólogo Caique Carvalho traça um paralelo entre a música e o agronegócio de uma forma profunda e esclarecedora.

O livro apresenta a relação da vertente musical brasileira mais popular do início do século XXI e os processos de modernização do país. Ou seja, como sertanejo universitário, agronegócio e indústria cultural se unem de uma forma quase indissociável. Partindo de uma análise interdisciplinar, a publicação percorre a trajetória do gênero sertanejo desde suas origens até a ascensão da vertente universitária, destacando seus pioneiros, sua formação estética e suas conexões sociais. “A ideia surge da curiosidade científica diante do sucesso alcançado pelo sertanejo universitário nos anos 2000, bem como dos limitados sinais de seu esgotamento. Nesse contexto, os possíveis vínculos dessa vertente musical com setores do agronegócio despertaram o interesse em investigar as razões sociais e econômicas que explicam seu surgimento, sua gênese sócio-histórica e seu êxito comercial”, afirma o escritor Caique Carvalho.

O livro revela, ainda, como essa música é, ao mesmo tempo, produto, articuladora e expressão de uma nova dinâmica da indústria cultural, no campo musical brasileiro. O livro se apresenta, portanto, como um convite para explorar a música e, por meio dela, o próprio país.

Os chamados “universitários” emergem em meio a uma crise do setor fonográfico e a uma transformação — ainda que temporária — no padrão de consumo da sociedade brasileira como um todo. Foi particularmente instigante perceber como se deu a articulação dessa vertente com os setores do agronegócio, revelando-se como um processo gradual que gerou ganhos mútuos.

Além disso, chamou atenção o fato de que essa dinâmica não se restringiu aos âmbitos externos, como produção e circulação, mas também se manifestou no plano da representação. O sertanejo universitário se configurou como um produto estético capaz de captar e expressar condicionamentos socioeconômicos nacionais e regionais característicos dos anos 2000, ao mesmo tempo em que estabeleceu um diálogo direto com amplos setores da população brasileira.

“Eu já tinha noção da hegemonia comercial do sertanejo, a partir de dados amplamente divulgados por agências e institutos como o Ecad e a Crowley Broadcast. No entanto, persistiam lacunas quanto ao percurso trilhado por esses artistas até alcançarem o topo das paradas de sucesso. A pesquisa, nesse sentido, trouxe resultados bastante surpreendentes”, diz Carvalho.

A obra também questiona os tipos de “sonhos” e “expectativas” que uma música é capaz de traduzir. “Sertanejo universitário, agronegócio e indústria cultural” foi escrito com inspiração e rigor. Carvalho assume, na trilha de Adorno e Jameson, uma das tarefas centrais da sociologia: desvendar os conteúdos sociais incrustados nas formas culturais. Tais conteúdos não se deixam ver de forma transparente, exigindo a capacidade de interpretar criticamente as mediações que os exprimem ao passo que os ocultam.

Levando a cabo esse trabalho de forma modelar, o pesquisador e mestre em Ciências Sociais mostra como o sertanejo universitário se tornou, no início do século XXI, a trilha sonora de um país animado por esperanças e, ao mesmo tempo, marcado por fraturas. Em sua estética que, exaltando a curtição, a festa, a fugacidade e o descompromisso afetivos, opera um “exorcismo da tristeza” das gerações anteriores de sertanejos, Caique lê a ascensão do agronegócio do Centro-Sul do país, a reprimarização da economia brasileira e o reforço de nossa condição histórica de dependência.

Bioinsumos e fertilizantes especiais podem ser aliados estratégicos no manejo e reduzir a dependência de produtos importados

Diante de um cenário internacional de tensões, alternativas nacionais, como os bioinsumos e fertilizantes especiais, ganham mais importância nas práticas de manejo, num momento de crise com as importações de fertilizantes. São opções estratégicas, principalmente no período de preparo de solo, quando as escolhas nutricionais são decisivas para o desempenho das lavouras.

Nesse contexto, a pesquisa e inovação no setor agrícola, tem como foco contornar a demanda de fertilizantes advindas do mercado externo, contribuindo com novas tecnologias, que agregam resultados satisfatórios no campo. No caso dos macronutrientes essenciais — nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), já existem soluções biológicas e tecnologias nacionais capazes de contribuir para a eficiência do uso desses elementos. “É claro que o setor de insumos pode contribuir com essas soluções estendendo para o maior número de culturas possíveis, sabendo que hoje novas soluções ficam restritas a grandes culturas e grande maioria anuais”, observa Fabrício Silva, pesquisador do Campo Experimental da Satis.

No nitrogênio, por exemplo, insumos biológicos atuam na fixação do nutriente presente no ar, tornando-o disponível para as plantas e reduzindo a necessidade de adubação mineral. No fósforo, tecnologias que aumentam a disponibilidade do nutriente no solo podem melhorar o aproveitamento pelas culturas, enquanto, no potássio, soluções complementares ajudam na uniformidade e no desenvolvimento das plantas. “Pesquisas são essenciais para descobertas de novos microrganismos que serão capazes de exercer papel na redução do uso de fertilizantes, contribuindo para nutrição de plantas de maneira eficaz, reduzindo custos para os produtores rurais”, complementa.

Manejo integrado

A adoção dessas ferramentas além de impulsionar a cadeia nacional, deve ser vista como parte de um manejo integrado. Os bioinsumos e os fertilizantes especiais, cada vez mais, entram nessa equação como aliados estratégicos.  A Satis tem se dedicado constantemente a desenvolver alternativas para atender as demandas do produtor, combinando práticas para ganhar eficiência, reduzir custos e mitigar riscos externos.

O uso de extratos de algas e vegetais, microrganismos, aminoácidos entre outros, são ferramentas empregadas na agricultura como a nanotecnologia para reverter a dependência de insumos de solo. Nessa linha, a Satis oferece um portfólio de soluções biológicas e nutricionais. Para o fornecimento de nitrogênio (N), os produtos incluem inoculantes e biofertilizantes que atuam na fixação biológica do nutriente, além de fonte equilibrada para suplementação.

No manejo de fósforo (P), nutriente essencial para os ciclos energéticos das plantas, destacam-se soluções que combinam fósforo com bioativação por extrato de algas e outras para aumentar a disponibilidade do nutriente no solo. Já para potássio (K), importante para qualidade e desenvolvimento dos frutos, como alternativa a empresa disponibiliza produtos que favorecem a absorção eficiente e contribuem para uniformidade e maturação das lavouras.

Foto: World Sikh Organization of Canada / Pexels.com

Readequação

Em momentos de insumos caros, é natural “repensar o manejo” e adequar à realidade momentânea, mas sem descuidar da produtividade e do impacto que a readequação pode causar. “Esse é o momento que precisamos olhar com muita atenção para todas as ferramentas que temos a nossa disposição. Em momentos de menos ofertas de nutrientes para as plantas, tudo que eu conseguir disponibilizar, a planta tem que ser muito eficiente no processo de absorção e utilização”, afirma Alécio Radons, engenheiro agrônomo e representante técnico de vendas da Satis.  

Ele explica que o produtor precisa buscar alternativas que melhorem o enraizamento das plantas (aumenta a busca por água e nutrientes), ferramentas biológicas que auxiliam na fixação biológica de nitrogênio – como é o caso do bradyrhizobium japonicum e do azospirillum brasiliense – na cultura da soja, bem como o azospirillum  brsailiensee a methylobacterium symbioticum para melhorar a capacidade de fixação do nitrogênio atmosférico, principalmente em gramíneas.

Manejos nutricionais complementares via folha são alternativas que entregam resultados muito positivos quando posicionados corretamente. Esses manejos disponibilizam nutrientes em momentos específicos e de alta demanda pelas plantas, proporcionando melhorias nos processos metabólicos e melhorando a produtividade. “Mais do que nunca é preciso de conhecimento técnico para traçar uma rota alternativa aos percalços do mercado e assim conseguir alcançar boas produtividades”, conclui Radons.

Empresa travada ou dono estagnado: como a liderança define crescimento, cultura e resultado

A forma como um empresário conduz o próprio pensamento, toma decisões e estrutura sua visão de negócio está diretamente ligada ao desempenho da empresa. Dificuldades de crescimento, desalinhamento cultural e queda de resultado costumam ter origem no comportamento do fundador e não apenas em falhas operacionais.

Valquíria Mendes, mentora de alta performance e consultora de empresários com mais de 30 anos de atuação na estruturação de negócios e desenvolvimento de líderes, afirma que esse padrão se repete em empresas de diferentes portes e setores, especialmente quando decisões estratégicas são tomadas sem clareza ou direção definida. “Não existe empresa travada. Existe dono estagnado. Se o empresário não amplia a forma de pensar e de decidir, a empresa acompanha esse limite”, diz.

O tema se conecta a um problema recorrente no ambiente empresarial brasileiro. Dados do IBGE indicam que uma parcela significativa das empresas não ultrapassa os primeiros anos de atividade, o que evidencia desafios estruturais ligados à gestão, planejamento e tomada de decisão. 

Levantamentos do Sebrae apontam que fatores como falta de planejamento, dificuldades na gestão financeira e ausência de estratégia estão entre as principais causas de encerramento precoce. Na prática, esses fatores não surgem apenas da falta de conhecimento técnico, mas da forma como o empresário enxerga o negócio e reage às decisões do dia a dia. 

Quando há insegurança, excesso de controle ou dificuldade de delegar, esses padrões se replicam na operação, impactando equipe, cultura e execução. “A empresa é uma extensão viva de quem a criou. Suas crenças, seus limites e sua forma de enxergar o negócio aparecem no resultado. Mudar o negócio exige, antes, mudar o líder”, aponta.

Esse reflexo se torna ainda mais evidente em momentos de expansão. Negócios liderados sem clareza estratégica tendem a crescer com desorganização, aumento de custos e perda de margem. Por outro lado, empresas conduzidas por líderes com direção definida e tomada de decisão estruturada tendem a ganhar consistência e previsibilidade ao longo do tempo.

A especialista afirma que o ponto de partida não está na adoção de ferramentas ou mudanças operacionais, mas no reposicionamento da liderança. “Alta performance não começa no fazer. Começa no alinhamento. Quando o empresário ganha clareza, a execução melhora e o crescimento passa a ser consequência”, destaca .

Esse movimento tem impulsionado a busca por mentorias e consultorias voltadas ao desenvolvimento do empresário. O objetivo é atuar na origem dos problemas, comportamento, visão e tomada de decisão, antes de avançar para ajustes estruturais no negócio.

Ao buscar esse tipo de suporte, a recomendação é avaliar a experiência prática do profissional, a metodologia aplicada e a capacidade de transformar direcionamento em execução. “Não se trata de motivação. É organização de pensamento, estratégia e ação. O empresário precisa sair com clareza e com caminho definido”, afirma.

Antes de iniciar qualquer processo de mudança, no entanto, é necessário entender quais pontos estão travando o crescimento. A partir disso, alguns ajustes práticos podem orientar a reestruturação do negócio.

Foto: RDNE Stock project / Pexels.com

A especialista aponta cinco decisões para destravar crescimento e alinhar empresa à liderança. A transformação começa com mudanças consistentes na forma de pensar e conduzir o negócio. A seguir, os pontos que tendem a impactar diretamente resultado, cultura e capacidade de expansão:

Revisar crenças que limitam decisões – Padrões como medo de errar, necessidade de controle e dificuldade em assumir riscos calculados interferem na tomada de decisão. Ao identificar esses comportamentos, o empresário passa a agir com mais clareza e consistência

    Definir direção estratégica com clareza – Empresas sem visão estruturada crescem com maior risco de desperdício e retrabalho. Estabelecer objetivos, posicionamento e modelo de expansão melhora a execução e reduz inconsistências

    Alinhar cultura organizacional à postura do líder – A forma como o empresário se posiciona impacta diretamente o comportamento da equipe. Comunicação, organização e nível de responsabilidade tendem a refletir o padrão da liderança

    Estruturar processos e descentralizar decisões – Centralização limita escala e sobrecarrega a operação. Criar processos claros e distribuir responsabilidades permite crescimento mais sustentável e ganho de eficiência

    Buscar apoio especializado com foco em execução – Mentorias e consultorias podem acelerar a evolução do negócio, desde que tenham aplicação prática. O critério deve ser a capacidade de gerar direcionamento claro, plano de ação e acompanhamento de resultados

      Ao aplicar esses ajustes, empresas tendem a ganhar eficiência operacional, melhorar o ambiente interno e aumentar a capacidade de crescimento sustentável. Para a especialista, o impacto vai além dos indicadores financeiros. “Quando o empresário evolui, a empresa responde. O resultado melhora, a equipe se fortalece e o negócio ganha consistência para crescer com mais segurança”, conclui.

      A nova dependência das empresas brasileiras à conectividade crítica

      por Heber Lopes*

      A conectividade passou a ocupar um papel que, até pouco tempo, era reservado a sistemas internos. Hoje, em muitas empresas brasileiras, a disponibilidade de rede determina diretamente a capacidade de operar. Esse movimento se intensificou com a adoção de cloud, SaaS e aplicações em tempo real, que transferiram para fora do ambiente local processos que antes eram controlados internamente.

      Os dados ajudam a dimensionar essa mudança. A pesquisa TIC Empresas realizada pelo Cetic em 2024 indica que 92% das organizações no Brasil já utilizam fibra óptica e que cresce o uso de aplicações digitais em processos centrais. O avanço da infraestrutura foi acompanhado por uma transformação mais profunda: a dependência operacional da conectividade. Ainda assim, a forma como essa infraestrutura é contratada e gerida continua, em muitos casos, baseada em critérios de custo e capacidade nominal.

      Essa diferença entre dependência e gestão fica mais evidente em cenários de indisponibilidade. Quando a conectividade falha, o impacto não se limita ao acesso à internet. Sistemas deixam de autenticar, integrações são interrompidas e fluxos operacionais passam a depender de processos manuais ou simplesmente param. Em operações distribuídas, esse efeito se propaga rapidamente, afetando atendimento, vendas e logística de forma simultânea.

      O impacto financeiro acompanha essa dinâmica. Levantamentos internacionais mostram que o custo médio de downtime pode ultrapassar US$ 300 mil por hora em empresas de médio e grande porte, com valores significativamente maiores em ambientes industriais, onde processos são contínuos e altamente integrados. Mesmo considerando diferenças entre setores, a indisponibilidade deixou de ser um problema técnico isolado e passou a representar risco direto para o negócio.

      O papel da infraestrutura e da regulação

      No Brasil, esse cenário é influenciado também por fatores estruturais. A Agência Nacional de Telecomunicações estabelece critérios objetivos para caracterizar interrupções de serviço, considerando eventos superiores a 10 minutos com impacto sobre usuários. A existência desse tipo de parâmetro reforça que indisponibilidade não é exceção, mas uma condição prevista e mensurável.

      Há ainda fatores externos que ampliam a exposição. Dados da Conexis Brasil Digital mostram que mais de 5,4 milhões de metros de cabos foram roubados ou furtados em 2023, afetando milhões de usuários. Esse tipo de ocorrência evidencia um ponto recorrente em ambientes corporativos: a ausência de diversidade real de rotas.

      A contratação de múltiplos links não garante resiliência quando a infraestrutura compartilhada permanece a mesma em parte do trajeto. Em situações desse tipo, a interrupção de um trecho físico pode comprometer simultaneamente todas as conexões disponíveis.

      Eventos de maior escala reforçam essa leitura. Durante as enchentes no Sul em 2024, municípios tiveram a conectividade severamente afetada, exigindo medidas emergenciais para restabelecimento do serviço. Esse tipo de cenário expõe a dependência de infraestrutura física e a necessidade de planejamento para contingências que vão além de falhas pontuais.

      Outro vetor relevante está na dependência de plataformas digitais. A interrupção global dos serviços da Meta em 2021 mostrou como falhas em infraestrutura de backbone podem afetar simultaneamente comunicação, autenticação e operação em escala global. No contexto brasileiro, onde aplicações de mensageria são frequentemente utilizadas como canal de vendas e atendimento, esse tipo de indisponibilidade tem efeito imediato.

      Esses diferentes cenários apontam para um mesmo desafio: a conectividade passou a ser um componente estrutural da operação, mas ainda não é tratada dessa forma em muitas organizações.

      Foto: Tara Winstead / Pexels.com

      O desafio é crescer com resiliência

      A resposta, no entanto, não está em simplesmente contratar mais banda. Está em construir arquitetura de conectividade. Isso significa links redundantes em caminhos físicos distintos, para que o rompimento de um cabo ou a falha de um provedor não paralise a operação. Significa adotar SD-WAN para orquestrar o tráfego entre múltiplos links e executar failover inteligente, uma tecnologia cujo mercado na América Latina, segundo a Meticulous Research, deve saltar de US$ 157 milhões em 2024 para US$ 2,77 bilhões até 2035.

      Também significa implementar observabilidade de rede, que vai além do monitoramento reativo para identificar causas-raiz e antecipar falhas antes que afetem o negócio. E também demanda, em muitos casos, contar com gestão contínua por equipes especializadas, porque a complexidade de ambientes multicloud com múltiplos links e políticas de segurança convergentes ultrapassa a capacidade da maioria dos times internos.

      Para operações distribuídas em áreas remotas, em segmentos tais como agronegócio, mineração, logística e energia, a conectividade satelital de baixa órbita adicionou uma camada de resiliência antes inexistente. O Brasil já soma mais de 1 milhão de clientes Starlink ativos, e operadoras como Algar Telecom e Arqia lançaram soluções corporativas voltadas a setores que operam fora dos grandes centros.

      Um estudo realizado pela pela Oxford Economics em 2024 identificou que as empresas no topo em capacidade de recuperação – o que os pesquisadores chamaram de “líderes em resiliência”, se recuperam 28% mais rápido de incidentes do que as demais. A diferença não é de orçamento; é de abordagem. Essas empresas entenderam que conectividade é um ativo estratégico que precisa ser gerenciado, monitorado e protegido com o mesmo rigor aplicado à segurança cibernética ou à continuidade financeira.

      Toda empresa que migrou para a nuvem, digitalizou processos e conectou operações em tempo real fez, quer tenha percebido ou não, uma aposta na disponibilidade da sua rede. A pergunta que a liderança executiva precisa se fazer hoje não é quanto custa melhorar a arquitetura de conectividade. É quanto custa continuar sem fazê-lo.

      *Head de Produtos e Marketing na Faiston.

      Holding rural ajuda a evitar conflitos familiares e garante continuidade das atividades

      Quando o patriarca falece sem planejamento, a briga pela fazenda pode acabar com o que levou décadas para construir. Para evitar esse cenário, famílias rurais de todo o Brasil têm adotado a holding rural como estratégia de proteção e organização do patrimônio. Essa ferramenta não serve apenas para gestão patrimonial e tributária, mas, sobretudo, para prevenir conflitos familiares e garantir a continuidade da atividade produtiva.

      No contexto rural, o patrimônio raramente se limita à propriedade da terra. Trata-se, em regra, de um conjunto integrado que envolve ativos produtivos, receitas, passivos, relações familiares e expectativas sucessórias. A ausência de planejamento adequado sobre essa estrutura pode resultar em disputas, fragmentação de bens e perda de eficiência econômica.

      A constituição de uma holding rural permite reorganizar esse cenário de forma estruturada. “Ao invés da divisão direta da propriedade entre herdeiros, o que frequentemente leva à fragmentação das áreas produtivas, os sucessores passam a deter participação societária na empresa, preservando a integridade do patrimônio e garantindo uma sucessão mais equilibrada”, explica Camille Trentin, advogada especialista em Direito de Família e Sucessões do escritório Álvaro Santos Advocacia e Consultoria no Agro.

      Um dos principais benefícios da holding rural reside na possibilidade de antecipação do planejamento de sucessão. Por meio da estrutura societária, é viável organizar, ainda em vida, a transferência de participação aos herdeiros, evitando processos de inventário prolongados e, muitas vezes, litigiosos. “Outro aspecto relevante é a centralização patrimonial, que confere maior transparência, controle e governança, especialmente em propriedades familiares que atravessam gerações”, reforça a especialista.

      Organização societária e governança familiar

      holding rural permite a formalização de regras claras de administração e sucessão por meio de contrato social. Nesse instrumento, podem ser definidos critérios objetivos para a tomada de decisões, distribuição de resultados, ingresso de novos membros e responsabilidades de cada integrante da família. Essa previsibilidade jurídica reduz significativamente o risco de conflitos em momentos sensíveis, como o falecimento dos patriarcas, quando, na ausência de planejamento, as divergências tendem a se intensificar.

      A estrutura também viabiliza a separação entre propriedade e gestão. Nem todos os herdeiros possuem vocação ou interesse na condução da atividade rural, e a holding permite distinguir aqueles que atuarão na administração do negócio daqueles que permanecerão apenas como sócios. “Trata-se de uma transição de um modelo estritamente familiar para uma lógica empresarial, mais profissionalizada e orientada à continuidade do negócio”, destaca a especialista.

      Quando a holding rural é mais indicada?

      De acordo com Camille, a adoção da holding, apesar das vantagens, não constitui solução universal. A sua implementação exige análise criteriosa das particularidades de cada núcleo familiar, incluindo perfil dos herdeiros, objetivos patrimoniais, viabilidade econômica e planejamento tributário.

      “Não existe um modelo padrão como uma receita de bolo. O planejamento sucessório deve considerar a realidade de cada família. Não se trata de definir se holding, testamento ou doação são melhores de forma genérica, mas sim de identificar a solução mais adequada para cada caso concreto”, ressalta a especialista.

      Assessoria jurídica especializada é fundamental

      A constituição de uma holding rural demanda acompanhamento técnico qualificado, desde o diagnóstico patrimonial até a implementação da estrutura societária. O escritório Álvaro Santos Advocacia e Consultoria no Agro, com sede em Jataí (GO), atua há mais de uma década exclusivamente no setor agropecuário, oferecendo assessoria jurídica completa em áreas como Direito Agrário, Planejamento Patrimonial e Sucessório, Direito Ambiental, Tributação Rural, Direito Trabalhista e Previdenciário.

      Com ampla experiência e profundo conhecimento das particularidades do setor, o escritório acompanha o produtor antes, dentro e depois da porteira, oferecendo suporte jurídico completo. “Sempre reforçamos que mais do que constituir uma empresa, é necessário estruturar um modelo que garanta segurança jurídica, equilíbrio nas relações e continuidade da atividade rural e tudo isso requer conhecimento específico”, conclui Camille.