Certificados de estabelecimentos e produtos para alimentação animal passam a ser eletrônicos

Os certificados de registro de estabelecimentos e de produtos e de cadastro de produtos destinados à alimentação animal passaram a ser eletrônicos, reduzindo significativamente o trâmite processual e trazendo mais segurança e facilidade para os usuários.

O procedimento é realizado no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), que permite ao servidor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) assinar eletronicamente o documento. A empresa pode imprimir ou gerar o documento em PDF diretamente da plataforma online, tendo ainda o código para verificação da autenticidade do certificado via web.

Desde o mês de maio, o registro, cadastro, a renovação, alteração, suspensão temporária e o cancelamento de registro e cadastro dos estabelecimentos e produtos para alimentação animal estão sendo feitos via Sipeagro. Além disso, o Mapa vem fazendo o recadastramento nacional de empresas e produtos na nova plataforma.

Atualmente, estão registrados 2.999 estabelecimentos de produtos destinados à alimentação animal. Esses estabelecimentos são fabricantes, fracionadores ou importadores de nove categorias de produtos: alimentos, aditivos, coprodutos, concentrados, ingredientes, núcleos, premixes, rações e suplementos. A frequência de fiscalização dos estabelecimentos é realizada conforme sua classificação de risco.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Ministério da Agricultura libera R$ 50 milhões de subvenção para seguro rural nas regiões Norte e Nordeste

Produtores de grãos das regiões Norte e Nordeste poderão acessar, até outubro, o orçamento exclusivo de R$ 50 milhões no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). “Essa medida tem como objetivo fomentar a oferta de seguros e elevar o número de apólices contratadas nessas regiões”, explica o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), César Halum.

Em 2019, o Mapa já havia destacado pelo menos R$ 20 milhões do PSR para essas regiões e com bons resultados. No ano passado, as duas regiões somaram R$ 23,1 milhões em subvenção nos seguros rurais em todas as atividades, com destaque para grãos. A área segurada em 2018 era de 193,5 mil hectares em 2019 passou para 367,3 mil hectares nas duas regiões.

O produtor Pedro Alves de Menezes, de Nossa Senhora Aparecida (SE), diz que ficou satisfeito com a cobertura do seguro rural contratado com apoio do governo. “Na safra 2018/19 tive uma seca com perda de quase 100% da lavoura, o técnico avaliou a roça e 30 dias depois o dinheiro estava depositado na conta”, conta.

Contratação

Os produtores podem contratar a apólice de seguro rural com corretores e nas instituições financeiras que operem com as 14 companhias seguradoras credenciadas no PSR. Além disso, há recursos disponíveis no PSR para as modalidades de seguro rural de pecuária, frutas, olerícolas, café, cana-de-açúcar, aquícola e florestas. Neste ano, o Mapa pretende aplicar R$ 955 milhões em apoio financeiro aos produtores no seguro rural em todo o território nacional. O seguro rural é destinado aos produtores pessoa física ou jurídica, independente de acesso ao crédito rural.

A subvenção econômica concedida pelo Ministério da Agricultura pode ser pleiteada por qualquer pessoa física ou jurídica que cultive ou produza espécies contempladas pelo Programa. Para os grãos em geral, o percentual de subvenção ao prêmio pode variar entre 20% e 40%, a depender da cultura e tipo de cobertura contratada. No caso das frutas, olerícolas, cana-de-açúcar e demais modalidades (florestas, pecuário e aquícola) o percentual de subvenção ao prêmio será fixo em 40%.

Para produtores que estão contratando crédito de custeio nas instituições financeiras e são enquadrados no Pronaf, entre julho e outubro, há um projeto-piloto com recursos de R$ 50 milhões do PSR de estímulo a contratação do seguro agrícola de soja e milho verão (subvenção de 55% do prêmio) e para banana, maçã e uva (subvenção de 60% do prêmio).

Para produtores das regiões Norte e Nordeste de grãos, o PSR destinará R$ 50 milhões exclusivos para essas regiões nos meses de setembro e outubro.

Mercado da soja pressiona temporariamente valor do biodiesel

A alta demanda do mercado chinês pela soja provocou aumento do valor do biodiesel. Essa situação estimulará o uso de outras matérias-primas, como gorduras animais e óleos de palma, algodão e milho, na composição do biocombustível. A afirmação é do presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés.

O fato se deve ao uso do insumo como matéria para a produção do biodiesel, à queda na produção no Rio Grande do Sul e à aceleração das compras de soja pela China. No entanto, o presidente da Ubrabio garante que não haverá paralisação na produção: “É uma situação passageira e não haverá nenhuma ruptura no setor. Já tínhamos vivido isso em 2018 e em 2019, mas houve um recrudescimento neste ano”.

Sobre a Ubrabio – A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) é uma associação sem fins econômicos que representa nacionalmente toda a cadeia produtiva desses biocombustíveis. Desde sua criação, em 2007, a entidade lidera o segmento e atua como interlocutora entre sociedade e governo para mobilizar e unir esforços, recursos e conhecimentos na busca pelo desenvolvimento do setor.

Embrapa e Bayer estabelecem cooperação para apoiar mercado de carbono para agricultura

A Embrapa e a Bayer estão estabelecendo uma cooperação técnica buscando apoiar a consolidação de um mercado de carbono específico para a agricultura brasileira. O objetivo da parceria público-privada é investir em ações de pesquisa científica para reduzir as incertezas e o custo na quantificação do balanço de carbono pelos produtores de soja e de milho, viabilizando assim a remuneração desses agricultores pelos benefícios ambientais produzidos com a diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Essa iniciativa denominada “Avaliação piloto do balanço de carbono na produção de milho e soja no Centro-Sul do Brasil: cooperação Bayer e Embrapa para o desenvolvimento sustentável” será conduzida com a participação de três centros de pesquisa da Embrapa no estado de São Paulo: Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) e Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). O projeto de pesquisa piloto abrange o ano agrícola 2020/2021, com duração de 12 meses.

“O propósito é contribuir para a valorização, e consequente benefício econômico para o agricultor, da adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, com balanços de carbono mais favoráveis, por meio da definição e avaliação de protocolos para estimar, projetar e monitorar a dinâmica e o balanço do carbono em sistemas de produção dessas culturas”, informa o pesquisador da Embrapa Luís Gustavo Barioni.

A agricultura brasileira já emprega diversas boas práticas que são adaptadoras da agricultura, podendo trazer ganhos de eficiência técnica e produtiva e também maior renda para o agricultor. “Essas práticas poderiam ter maior adoção com o pagamento pelos cobenefícios ambientais associados a elas, em particular a redução das emissões e  o aumento da captura de carbono nos solos agrícolas”, explica Giampaolo Pellegrino, pesquisador da Embrapa e presidente do Portfólio de Mudanças Climáticas da Empresa.

“A proposta está alinhada com os desafios para inovação priorizados pelo comitê gestor do Portfólio, sobretudo quanto aos desafios vinculados à quantificação de carbono e à redução das emissões de GEE, que se configuram como as mais sustentáveis e as melhores práticas na agricultura. Uma questão importante e que temos trabalhado sempre é a adaptação da agricultura vinculada a essas ações, focadas no tripé da sustentabilidade, ou seja, em benefícios ambientais, sociais e econômicos, que representam os objetivos de inovação definidos no Portfólio”, conta Pellegrino.

Existe um enfoque na divulgação de práticas sustentáveis, para que elas sejam cada vez mais adotadas pelos agricultores, trazendo mais eficiência para o sistema agrícola e promovendo a melhoria da renda no campo. Os benefícios vão além da redução das emissões, incluindo a adaptação da agricultura, tornando-a mais resiliente e promovendo equilíbrio dos sistemas produtivos, com menos impactos em razão das mudanças climáticas. Busca-se ainda gerar uma produtividade maior em razão do manejo mais adequado, revertendo em maior rentabilidade da produção e também melhorando a qualidade de vida do agricultor.

“Os produtores podem realmente contribuir muito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, otimizando a captura e armazenamento de carbono no solo e sendo recompensados pela ação. É por isso que a Bayer está atuando em parceria com eles para trabalhar em prol de um futuro de baixo carbono na agricultura a partir da Iniciativa Carbono Bayer”, afirma o presidente da divisão agrícola da Bayer para a América Latina, Rodrigo Santos.

Por meio da adoção de práticas de baixo carbono, como o uso eficaz da terra e melhor manejo de áreas produtivas e agricultáveis, as emissões relacionadas à agricultura podem ser significativamente reduzidas e mais carbono pode ser capturado no solo – beneficiando o planeta e a rentabilidade dos produtores, pois assim eles podem produzir mais alimentos na mesma terra, além de comercializar o carbono capturado, destaca o presidente.

Fundos verdes internacionais

A expectativa é que, com a incorporação dessas características, as boas práticas agrícolas brasileiras possam ter acesso mais facilmente aos fundos internacionais focados em financiar ações sustentáveis e mitigadoras do aquecimento global, provocado pelas emissões de GEE na agricultura. Os pesquisadores alertam que esses fundos são extremamente rigorosos com relação às garantias de que a atividade financiada de fato oferece o benefício do estoque de carbono no ambiente agrícola.

Por meio da parceria, a Embrapa e a Bayer pretendem mudar esse contexto, contribuindo para a quebra dessas barreiras e oferecendo, a médio e a longo prazo, protocolos que permitam estimar e monitorar as emissões de forma ágil e com baixo custo, mas mantendo a acurácia e a credibilidade necessárias para aceitação internacional. Isso vai permitir ao Brasil avançar na direção do desenvolvimento de um mercado de carbono nacional que faça a intermediação entre os agricultores brasileiros e os fundos verdes internacionais.

“O Brasil já promove ações ousadas no estabelecimento de sistemas conservacionistas de produção, como plantio direto e sistemas integrados de produção, entre outros, que têm demonstrado aumento da matéria orgânica no solo em relação aos manejos convencionais de cultivo ou mesmo de áreas nativas, particularmente nos Cerrados, demonstrando assim capacidade de sequestrar carbono no solo”, lembra o pesquisador da Embrapa Ladislau Martin Neto. “É uma grande vitória para a pesquisa agropecuária e para os produtores rurais brasileiros, apoiados por uma indústria de insumos reconhecida globalmente”, complementa.

Conforme o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, sustentabilidade é algo concreto, mensurável, que pode ser construído e precificado e que entrou definitivamente na agenda da agricultura. “É inevitável esse caminho. Estamos inseridos em mercados globais que exigem isso, e já temos consciência que não há outra forma de seguirmos adiante,” diz.

Morandi ressalta que, se no passado o aumento da produção era baseado na ampliação de área sem maiores preocupações com as consequências, hoje o crescimento da agricultura e da pecuária está pautado pelo ganho de produtividade e com preocupação ambiental. Para ele, os avanços em produtividade garantem efeitos poupa-recursos, além de aprofundar a consciência ambiental dos produtores.

“Com isso, essa parceria será um grande marco, porque permitirá a construção de uma métrica adequada para a estimação do sequestro de carbono no solo em condições tropicais de cultivo, em função das boas práticas agrícolas. Isso permitirá não só a mitigação dos efeitos das mudanças do clima, assim como a precificação deste serviço ambiental prestado pelo sistema produtivo, em adição ao que já é feito nas áreas de preservação. Portanto, abre um novo campo para investimentos verdes na agricultura”, avalia.

Nessa iniciativa, a Bayer contribuirá com a cessão de acesso aos dados de quantificação de carbono no solo e às informações referentes aos sistemas produtivos de clientes cujos contratos concedam tal autorização, além do financiamento das atividades a serem realizadas. A Embrapa, por sua vez, oferecerá em contrapartida uma estrutura computacional e laboratorial especializada e a competência técnica da equipe de profissionais multidisciplinares, para a geração de soluções técnico-científicas que tragam as melhorias previstas e fortaleçam o uso de tecnologias digitais, de acordo com a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá.

Metodologias inovadoras

O projeto-piloto vai aplicar metodologias inovadoras e técnicas em modelagem agroambiental desenvolvidas pelos centros de pesquisa da Embrapa, de modo que a Bayer possa remunerar os agricultores que, ao adotarem boas práticas estimuladas pela empresa, foram capazes de melhorar a capacidade adaptativa e o balanço de carbono em seus sistemas de produção.

Porém, os pesquisadores da Embrapa ressaltam que os aprimoramentos técnico-científicos, necessários para vencer as barreiras apontadas e evolutivamente oferecer a credibilidade necessária para o reconhecimento internacional, e até possível registro em certificadora com abrangência global, permitindo o acesso a fundos verdes, serão obtidos com o desenvolvimento da etapa de médio e longo prazo, ou seja, aproximadamente quatro anos, em nova proposta da Embrapa com a Bayer, como sequência do piloto.

A pesquisadora Marília Folegatti, da Embrapa Meio Ambiente, enfatiza que para que os produtores de grãos acessem futuramente um mercado de carbono, que é a intenção da Bayer, será necessário quantificar o balanço de carbono dos sistemas de produção de grãos, mas também a pegada de carbono dos produtos. “Esta pegada de carbono é calculada pela Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), uma técnica desenvolvida para verificar o impacto de produtos no meio ambiente”, explica.

Na ACV são analisados os efeitos ambientais associados às atividades produtivas ao longo de todo o ciclo de vida do produto. Essa informação já é exigida em algumas relações comerciais internacionais. Ainda conforme a pesquisadora, essa métrica também serve como ferramenta para a gestão ambiental em nível de fazenda. “Conhecendo os aspectos que contribuem para as emissões de gases de efeito estufa dos grãos, será possível ao produtor fazer intervenções necessárias no seu processo produtivo, e com isso contribuir efetivamente para sua mitigação”, ressalta.

“As medidas de estoque de carbono no solo variam no espaço e no tempo, e levantar essas informações em larga escala e periodicamente é um grande desafio para o estabelecimento de um mercado mundial de carbono”, avalia a chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Instrumentação, Débora Milori.

A aplicação por parceiros das técnicas de espectroscopia com emissão ótica por plasma induzido por laser (LIBS), tecnologias licenciadas da Embrapa, permitirá a verificação de procedimentos sobre coleta, validação, resolução analítica das medidas de carbono, e tratamento dos dados sobre a quantificação de estoques de carbono nas propriedades rurais usando o método LIBS. Também será possível a determinação da qualidade da matéria orgânica dos solos pelas medidas de frações físicas dos solos e comparação com medidas do grau de humificação por fluorescência induzida por laser (LIFS).

Esses novos métodos, sem preparo químico da amostra, têm custo reduzido e são muito rápidos. Essas características técnicas viabilizam a avaliação rápida dos estoques de carbono no solo nas propriedades rurais e permitem um acompanhamento da evolução dos processos de acúmulo e perdas como função do tempo. Dessa forma, o produtor que trabalhar com manejos de solo conservacionistas e acumular carbono no solo poderá receber por esse serviço ambiental, observa Milori.

Além de ajudar nas estimativas dos estoques de carbono no solo, a modelagem biogeoquímica e o uso de simuladores da produtividade de culturas e da dinâmica de carbono no solo permitirão prever a quantidade esperada de variação nos estoques de carbono. As avaliações serão auxiliadas por análises de agrupamento, tipologia e caracterização dos sistemas de produção abrangidos pelo projeto, considerando os dados e parâmetros demandados pelos modelos biogeoquímicos e de ACV. Também será possível gerar inventários de processos e Inventários de Ciclo de Vida (ICV) para estimar a pegada de carbono, por meio da ACV, para os sistemas de produção típicos.

Entre as metodologias adotadas no projeto-piloto, estão protocolos para quantificação de estoques de carbono no solo, com a análise de métodos nacionais e internacionais, no intuito de gerar um protocolo nacional de referência, além da aplicação de técnicas inovadoras e de baixo custo para monitoramento e verificação desses estoques. Serão gerados relatórios técnicos sobre a tipificação dos sistemas produtivos, avaliação de modelos biogeoquímicos e estimativa da variação dos estoques de carbono e incertezas, que permitirão testar e atestar o uso de soluções computacionais e simulação matemática como solução para a estimação da dinâmica do carbono de forma objetiva, acurada e de baixo custo.

“A Bayer está intensificando uma abordagem transparente, colaborativa e baseada em ciência, para ajudar os produtores na adoção de práticas agrícolas sustentáveis, por meio do estabelecimento de iniciativas de carbono. O objetivo da empresa é liberar fluxos de receita adicionais para os produtores, dando ao mesmo tempo sua contribuição para a mitigação das mudanças climáticas”, afirma Santos. “A Bayer continuará trabalhando com vários elos da cadeia de valor e especialistas em clima, visando criar condições para projetos de carbono, que tenham a ciência como base, favorecendo os produtores técnica e economicamente, bem como parceiros dispostos a participar do mercado de carbono”, enfatiza.

Cemaden aponta seca em várias regiões do Brasil, principalmente, nos estados do Acre e Rio de Janeiro

O Boletim Mensal de Impacto em Atividades Estratégicas para o Brasil, referente ao trimestre junho-julho-agosto, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – aponta o cenário  de intensificação de seca, principalmente nos estados do Acre e do Rio de Janeiro.

O boletim apresenta a Avaliação das Ocorrências e Alertas para Desastres Naturais (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de junho 2020 e o Diagnóstico e Cenários dos eventos extremos (secas e inundações) e seus impactos em diferentes setores econômicos do Brasil.

De acordo com cenários do Índice Integrado de Seca para o mês de julho, permanecem as condições de seca na porção oeste do estado do Acre, no Maranhão, porção noroeste do estado de São Paulo, no Vale do Paraíba Paulista, porção oeste do Rio de Janeiro, leste do estado de Santa Catarina e nordeste do Rio Grande do Sul.

No mês de junho de 2020, foram enviados, pela Sala de Situação do Cemaden, 179 alertas, com 49 ocorrências registradas. Dessas ocorrências, 23 foram de risco geológico e 26 de risco hidrológico, concentradas, principalmente, na região Nordeste (59%) do País.

O Boletim Mensal de Impacto em Atividades Estratégicas para o Brasil e os anteriores, estão disponibilizados no site do Cemaden.

VBP de 2020 é estimado em R$ 716,6 bilhões

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2020, com base nos dados de junho, está estimado em R$ 716,6 bilhões, 8,8 % acima do obtido em 2019 (R$ 658,8 bilhões). O valor das lavouras cresceu 11,6 % e o da pecuária, 3,4%. O aumento do valor das lavouras deve-se principalmente aos desempenhos de arroz (12%), soja (19,8%), milho (13,7%), café (39,3%) e laranja (9,8%).

Estes cinco produtos vêm puxando o faturamento das lavouras, segundo o estudo do Departamento de Crédito e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“O milho e a soja obtiveram valores recordes ao longo da série histórica desde 1989: R$ 76,1 bilhões e R$ 173,5 bilhões, respectivamente”, aponta o coordenador da pesquisa, José Garcia Gasques. Na pecuária, o crescimento vem sendo estimulado pela carne bovina (11,8%), carne suína(5,6%) e ovos (15,5%).

Outros produtos tem apresentado bom desempenho, como amendoim, cacau, cana-de-açúcar, feijão e trigo. Desempenho pouco favorável é observado nas culturas de algodão herbáceo, banana, batata inglesa, mamona, tomate e uva.

“Além dos resultados favoráveis da safra de grãos deste ano, que segundo a Conab está prevista em 251,4 milhões de toneladas, os preços agrícolas também são um fator importante na garantia dos resultados que vêm sendo observados”, explica Gasques.

A pecuária tem sido beneficiada pelas boas condições do mercado internacional. De janeiro a junho deste ano, as exportações de carnes, bovina, suína e frango geraram uma receita de U$ 8 bilhões (Agrostat, 2020). O valor das exportações de carne bovina foi de U$ 3,927 bilhões, carne suína, U$ 1,07 bilhão, e carne de frango, U$ 3,09 bilhões. Nesse período, as exportações de soja geraram U$ 23,928 bilhões.

Os resultados do VBP regional indicam Mato Grosso liderando o ranking com 17,5% do valor, seguido do Paraná (12,8%), São Paulo (12,7%), Minas Gerais (10,7%) e Goiás (8%).

Indicador

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) é um indicador de desempenho da agropecuária. É considerado também um indicador do faturamento. Com atualizações mensais, seu cálculo é efetuado para os estados e regiões brasileiras, com dados de 21 produtos de lavouras e cinco atividades da pecuária.

O VBP é obtido pela multiplicação da quantidade produzida pelo preço recebido pelo produtor. Como as estimativas de safras divulgadas mensalmente referem-se à previsão para o ano, a estimativa do VBP também é anual. Na pecuária, como as informações do IBGE são trimestrais, a cada três meses, são atualizadas as informações de quantidades.

A fonte de dados de produção é do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE. Para os produtos da pecuária, a fonte também é o IBGE. Os preços são da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e CEPEA – USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), órgão da Universidade de São Paulo. Os valores reais são obtidos com o uso de IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.

CEPEA aponta avanço de 3,78% no PIB do agronegócio no primeiro quadrimestre de 2020

com informações do CEPEA-Esalq/USP

De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), em estudo realizado em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o agronegócio registrou o quarto mês consecutivo de avanço. Em abril, o crescimento foi de 0,36% em relação ao mês anterior. No acumulado dos 4 primeiros meses, o crescimento do PIB do agronegócio foi de 3,78%.

Ainda de acordo com o CEPEA, em relação aos setores, o agrícola teve uma pequena queda de 0,19% em abril, mas acumula avanço de 1,72% no ano. Já o pecuário, cresceu 1,45% no mês e expressivos 8,01% no ano.

Já em relação aos segmentos, o primário manteve o destaque em termos de crescimento, com alta de 2,21% em abril, já a agroindústria, setor mais afetado pelas medidas relacionadas à covid-19, recuou 1,08% no mês.

Para o CEPEA, tais dados refletem os preços mais elevados na comparação entre os períodos e a expectativa de maior produção na safra atual. Já para o segmento primário pecuário, o resultado positivo reflete, sobretudo, os preços elevados em 2020, com destaque para boi gordo, suínos e ovos.

IBGE prevê aumento de 4,5% na safra 2020 de grãos no DF

A estimativa de junho de 2020 para a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas, no Distrito Federal, foi de 863,9 mil toneladas, o que representa um aumento de 4,5% em relação à safra 2019 (826,9 mil toneladas). Em relação à estimativa dos últimos meses – março, abril e maio – de 860,9 mil toneladas, houve variação positiva de 0,35%. Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado pelo IBGE.

Na estimativa de junho, milho e soja, destaques no Distrito Federal, representam 89,9% da produção de grãos no DF e respondem a 83,7% da área a ser colhida. Em relação à safra de 2019, a estimativa de produção é de queda de 4,8% na 1a safra do milho e de 1% na 2a safra do produto. Para a soja, estima-se aumento de 11,3% da produção.

De acordo com o supervisor estadual de pesquisas agropecuárias, Elton Mendes Fior, o milho (1ª safra) está cedendo cada vez mais área para a soja. A safra 2019/2020 apresenta a menor área desde a safra 2016/2017. E a segunda safra do milho também perdeu espaço para o sorgo, devido ao estreitamento da janela de produção, ou seja, do período ideal de plantio. “O sorgo geralmente é o uma cultura de difícil previsão, que o produtor opta quando já não é mais possível plantar milho. Porém, prevendo o encurtamento da janela, os produtores se adiantaram. Por isso, a previsão é de aumento de mais de 58% da área em relação ao ano anterior e, consequentemente, aumento na produção”, disse ele.

O Distrito Federal se destaca nas estimativas de rendimento médio de diversos produtos das lavouras quando comparado com outras Unidades da Federação. Estima-se, para 2020, produções de 9.500 quilograma por hectare na 1ª safra de milho, ficando atrás apenas do Paraná (10.024 kg/ha), e de 7.000 quilograma por hectare na 2a safra do produto, a frente de grandes produtores como Goiás (6.199 kg/ha) e Mato Grosso (6.041 kg/ha). Na estimativa da soja, o DF ficou em primeiro lugar, com 3.900 quilograma por hectare.

Emater-DF lança site para aproximar produtores e consumidores

Foi lançada a plataforma Põe na Cesta, que vai facilitar o contato entre consumidores e negócios locais com produtores rurais. A iniciativa, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF), é voltada para produtores atendidos pela empresa.

Agroindústrias, produtores de hortaliças, pecuaristas e artesãos rurais podem fazer seu cadastro no site e incluir informações de contato, de produtos, fotos e endereços de mídias sociais. Os consumidores podem fazer a pesquisa por produtor, por produto, por comunidade, categoria do produto e variedade. A negociação acontece diretamente com o produtor.

“O Põe na Cesta é uma ferramenta simples, fácil de os produtores se cadastrarem, manterem seus dados atualizados e também fácil de os consumidores encontrarem o que precisam. Aproxima quem quer comprar de quem quer vender, inclusive estimulando negócio entre produtores. Além disso a Emater-DF fará algumas ações para divulgação da plataforma entre produtores e comerciantes”, explica o coordenador do programa Empreender e Inovar da Emater-DF, Frederico Neves.

Além dos produtos que já estão cadastrados no Põe na Cesta, novos podem ser incluídos por meio de uma solicitação do produtor dentro da plataforma. O pedido será avaliado por uma equipe da Emater-DF.

“Em um momento em que todas as cadeias produtivas sofrem com a pandemia, a Emater buscou alternativas para ajudar o produtor rural a continuar produzindo e vendendo seus produtos. E fizemos isso em um tempo recorde de poucas semanas, graças ao capital intelectual de que dispomos na Emater e do comprometimento de nossos extensionistas”, afirmou a presidente da Emater, Denise Fonseca. “O uso intensivo da tecnologia no campo é uma realidade que veio para ficar. E nós vamos estar ao lado do produtor para que ele faça uso dela em seu favor.”

Para usar a plataforma, não é necessário instalar nenhum programa no computador, tablet ou celular. Também não é necessário baixar um aplicativo em nenhuma loja online. É só acessar através do navegador, o endereço do DF Rural.

Perguntas e respostas sobre a plataforma

Quem pode se cadastrar? Produtores do Distrito Federal que são cadastrados e atendidos pela Emater-DF.

Como podem se cadastrar no site? O produtor preenche a data de nascimento, CPF e e-mail para receber um link de ativação.

Como é feita a negociação com o produtor? A Emater-DF apenas gerencia a plataforma. A negociação entre consumidores e empreendimentos é feita diretamente com o produtor.

Sou produtor e um dos itens que comercializo não está cadastrado no site. O que fazer? Por meio do site, faça uma solicitação para criação de novo produto, com especificação. A equipe da Emater irá avaliar o pedido.

Qual a vantagem do Põe na Cesta para o consumidor e empreendedores? A plataforma facilita localizar produtores mais próximos da sua residência, restaurante, mercado, contribuindo para acesso a alimentos frescos e locais. Dessa forma, você também contribui para o desenvolvimento econômico da área rural da sua região.

Emater-DF: Empresa pública que atua na promoção do desenvolvimento rural sustentável e da segurança alimentar, prestando assistência técnica e extensão rural a mais de 18 mil produtores do DF e Entorno. Por ano, realiza cerca de 150 mil atendimentos, por meio de ações como oficinas, cursos, visitas técnicas, dias de campo e reuniões técnicas.

Plano Safra: produtor que tiver Cadastro Ambiental Rural regularizado poderá ter 10% a mais de crédito

com informações do Canal Rural

O Plano Safra 2020/2021 trouxe algumas novidades com a intenção de estimular a preservação ambiental no campo. Medidas como a possibilidade de financiar cotas de reserva ambiental fazem parte da meta do governo federal de dar continuidade à revolução verde e ainda devem gerar renda ao produtor rural.

O programa ABC Ambiental é a linha de investimento com taxas mais baixas: entre 4,5 e 6%. E o produtor que tiver o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado poderá ter o limite de crédito de custeio aumentado em 10%.

“É um custo a mais que ele tem, né? Você tem uma área que já está consolidada, você tá plantando, você já tem o custo de todo o plantio daquela cultura. No momento que você tem que fazer um plantio além daquela cultura, reflorestar, por exemplo, repor floresta, você tem que fazer um trabalho que tem custo, né? Da muda, do insumo, da máquina, da mão-de-obra, da cerca. Então, esses 10% podem ser usados nessa área”, disse o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto

Segundo o Serviço Florestal Brasileiro, cerca de 10% das propriedades rurais do país ainda não estão cadastradas no CAR. Esse número representa mais de 720 mil imóveis, sendo a maioria de pequeno porte Colatto explica que é necessário finalizar a adesão ao CAR para que os donos de imóveis, com área de preservação desmatadas, ingressem no Programa de Regularização Ambiental, o PRA. Neste Plano Safra será possível financiar cotas de reserva ambiental.

“Quando ele tem um passivo ambiental, ele pode fazer por três situações. Por compensação, por regeneração ou por adquirir essa área. Então, ele pode adquirir de outros essa área que lhe falta, alugando ou comprando essa área. Registra na escritura e ele, então, dentro da análise que vai ser feita do cadastro, ele vai fazer a adesão nesse cadastro dessa área, vai incorporar essa área e com isso ele vai ter um novo cadastro. Aí ele vai ajustar o cadastro”, disse.

Para poder acessar o financiamento, é necessário que o estado onde fica o imóvel faça parte do PRA. Atualmente, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina e Sergipe integram o módulo.

Essas bonificações e incentivos para que o produtor rural adote a pauta ambiental fazem parte da intenção do governo de dar seguimento à revolução verde no país. Nesta semana,  em parceria com a Climate Bonds Initiative, o ministério lançou o plano de investimento para agricultura sustentável. O governo espera atrair mais investimentos por meio dos títulos verdes, também chamados de Green Bonds.

Produtores que preservam áreas ambientais poderiam ser remunerados por essa prática por meio da venda de títulos. “A gente pode fazer certificações de áreas ambientais preservadas e essas certificações servem de lastro para lançamento desses Green Bonds. Então, estamos desenhando com as pessoas que realmente atuam nesse mercado, um esquema pra que isso aconteça inclusive com terras indígenas, em benefício dos indígenas. Mas esse projeto não se restringiria às terras indígenas, e qualquer produtor rural que tivesse excesso de reserva legal poderia ser usufrutuário desse projeto”, falou Rogério Boueri, subsecretário de Política Agrícola.

“Isso incentiva que as pessoas façam agricultura sustentável mas que não fique apenas um ônus para o produtor, mas que ele tenha uma compensação daquela área que ele poderia plantar, não tá plantando para benefício da sociedade”, finalizou Colatto.