União entre cana e milho fortalece a competitividade dos biocombustíveis

O avanço do etanol de milho, aliado à solidez da produção a partir da cana-de-açúcar, é a chave para acelerar a expansão dos biocombustíveis e fortalecer a transição energética brasileira. Para o Bioind MT (Sindicato das indústrias de Bioenergia de Mato Grosso), as duas cadeias são complementares e precisam atuar de forma coordenada para ampliar a competitividade do setor e impulsionar novas rotas de descarbonização.

A avaliação foi apresentada por Wellington Andrade, diretor executivo da entidade, durante o 19º Congresso Nacional da Bioenergia, promovido pela UDOP, um dos principais encontros do setor sucroenergético do País. Em sua palestra, o executivo defendeu que o maior desafio do segmento não é a competição entre diferentes rotas produtivas, mas a necessidade de ampliar o espaço dos combustíveis renováveis diante da predominância dos combustíveis fósseis.

“O etanol de cana e o etanol de milho não concorrem entre si. Se o setor atuar unido, ampliará sua capacidade de influenciar a agenda energética brasileira e aumentar a participação dos biocombustíveis no mercado”, afirmou Wellington Andrade.

Para ele, o avanço da bioenergia depende de uma agenda institucional comum, capaz de beneficiar toda a cadeia produtiva. Entre as prioridades estão o fortalecimento do RenovaBio, a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para até 35% (E35), a construção de um mercado de carbono robusto, a preservação do diferencial competitivo tributário dos biocombustíveis e investimentos em infraestrutura logística.

Foto: Divulgação / Bioind MT

Outro tema destacado foi o potencial de expansão internacional. Andrade ressaltou que o etanol brasileiro avança em novos mercados, como aviação e transporte marítimo. A Lei do Combustível do Futuro impulsiona o desenvolvimento do SAF (Combustível Sustentável de Aviação), enquanto testes da Maersk e a recente definição da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre a intensidade de carbono do etanol de milho reforçam a competitividade do produto brasileiro no cenário global.

Durante a apresentação, Andrade também destacou a evolução da produção de etanol em Mato Grosso, estado que se consolidou como principal polo nacional do etanol de milho. A projeção para a safra 2026/27 é de 8,44 bilhões de litros, resultado do crescimento consistente da produção ao longo da última década e dos investimentos realizados pelas usinas instaladas no estado.

Ao abordar as perspectivas para o setor, Andrade afirmou que o futuro da bioenergia passa pela consolidação das usinas como biorrefinarias, ampliando a produção para biometano, fertilizantes renováveis, bioquímicos, hidrogênio de baixo carbono, SAF e combustíveis sintéticos.

“O futuro da bioenergia vai muito além do etanol. O Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética, integrando diferentes rotas tecnológicas e convertendo as vantagens competitivas da cana e do milho em novas soluções de baixo carbono”, concluiu Wellington Andrade.

Imposto sobre herança pode chegar a 8% e leva empresários a reavaliar holdings em 2026

A Reforma Tributária mexeu de uma só vez nos três pilares que sustentam uma holding patrimonial — herança, dividendos e aluguéis — e transformou a estrutura, antes quase automática para quem tinha patrimônio, em uma decisão técnica. Na sucessão, a Emenda Constitucional 132/2023 tornou obrigatória a progressividade do ITCMD, o imposto estadual sobre heranças e doações, que pode chegar ao teto de 8%; estados que cobravam alíquota fixa, como São Paulo, com 4%, terão de migrar para faixas crescentes. Com a maior parte das novas regras entrando em vigor em 2027, contadores tratam 2026 como a janela para revisar ou montar essas empresas.

A reforma também muda a tributação da renda com aluguel. A partir de 2027, locações passam a entrar na base do IBS e da CBS, inclusive quando recebidas por holdings patrimoniais. A cobrança também poderá alcançar pessoas físicas em situações específicas, como locadores com maior volume de imóveis e receita anual acima dos limites previstos na legislação. Para esse tipo de operação, haverá redução de 70% na alíquota do IBS e da CBS, mas o impacto ainda é considerado relevante, já que o aluguel recebido por pessoa física hoje também pode ser tributado pelo Imposto de Renda, com alíquota de até 27,5%. Em paralelo, a Lei 15.270/2025 voltou a tributar dividendos desde janeiro: distribuições de uma mesma empresa a um mesmo sócio acima de R$ 50 mil por mês passam a sofrer retenção de 10% na fonte.

“A holding não perdeu o sentido, mudou a forma de decidir. Antes, bastava ter imóvel gerando aluguel para a conta fechar a favor de criar uma empresa patrimonial. Agora é preciso comparar cenário a cenário, porque a pessoa física ganhou regras de enquadramento e a holding passou a pagar IBS e CBS sobre a receita e a recolher imposto sobre dividendos. Ela continua eficiente em muitos casos, mas exige um diagnóstico feito caso a caso, com a conta na mesa”, afirma o contabilista Fábio Edelberg, CEO da Navecon, que atende mais de 1.350 empresas.

A estrutura, porém, não serve a todos. Montar uma holding pode envolver ITBI na transferência de imóveis, conforme a atividade da empresa, além de custos de constituição e manutenção contábil, e exige separação clara entre patrimônio pessoal e empresarial. Faz sentido, sobretudo, para quem tem patrimônio relevante, renda recorrente de aluguel, participação em empresas ou uma sucessão a organizar, e tende a não compensar quando o custo de manter a empresa supera o ganho que ela gera.

Com a transição da reforma se estendendo até 2033, a orientação é simular os cenários de 2026, 2027 e do regime pleno, com apoio de contabilidade especializada antes de decidir, aproveitando o intervalo em que as regras antigas ainda valem.

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EUA sanciona empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC: entenda as consequências

Há um mês, os Estados Unidos decidiram classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Muito além do combate ao crime organizado, o anúncio já gera consequências para empresas brasileiras que mantêm operações financeiras, comerciais ou logísticas com algum grau de exposição ao mercado internacional.

Na última quarta-feira (01/07), o departamento do Tesouro dos EUA sancionou três empresas: Victory Trading, Wave Construçõs Inteligentes Ltda e Pixwave Soluções de Pagamentos.

Para além de uma eventual discussão acerca da soberania brasileira, que aparentemente estaria muito distante da realidade e do dia a dia das empresas, a questão pode ter efeitos diretos e imediatos para quem faz negócios, notadamente (mas não somente) para quem opera internacionalmente.

Compliance ganha novo peso

De acordo com Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, a mudança cria uma nova camada de risco regulatório para companhias que possuam conexão direta ou indireta com os Estados Unidos. “O ponto central é simples: relações que antes eram avaliadas principalmente sob a ótica de prevenção à lavagem de dinheiro, corrupção, sanções ou compliance regulatório podem agora também ser examinadas sob a perspectiva de apoio material a organização terrorista, sanções econômicas e responsabilidade civil nos Estados Unidos”, explica.

Empresas que realizam pagamentos por meio de cadeias complexas de fornecedores, utilizam intermediários comerciais, operam com recursos em dólar ou mantêm relacionamento com investidores e instituições financeiras estrangeiras devem reforçar seus mecanismos de controle e diligência. “Isso aumenta o grau de diligência esperado das empresas, especialmente quando houver exposição aos Estados Unidos, uso de bancos correspondentes americanos, investidores estrangeiros, operações em dólar, subsidiárias no exterior, exportações, importações ou relacionamento com instituições financeiras sujeitas à jurisdição norte-americana”, afirma Godke.

Diante desse cenário, o especialista recomenda que as organizações revisem programas de compliance, fortaleçam processos de due diligence e ampliem o monitoramento de fornecedores, parceiros e fluxos financeiros. Quem não deseja estar conectado às organizações designadas como terroristas, deve redobrar seus cuidados e estar muito bem documentado neste sentido. “O tema deve ser tratado com seriedade, mas sem pânico. O objetivo não é paralisar negócios legítimos no Brasil, e sim ajustar controles internos a uma nova realidade regulatória e geopolítica. Empresas que atuarem preventivamente estarão em melhor posição para continuar operando com segurança, preservar relações comerciais e evitar problemas jurídicos desnecessários”, conclui.

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Plano Safra 26/27 destina R$ 525 bilhões para fortalecer a agricultura empresarial

O Governo Federal lançou o Plano Safra 2026/2027, com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial. Com acréscimo de R$ 9 bilhões em relação à safra anterior, a iniciativa oferece linhas de crédito, incentivos e instrumentos de política agrícola voltados a médios e grandes produtores, com o objetivo de fortalecer a produção agropecuária brasileira.

Do total de recursos, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização, garantindo recursos para despesas essenciais da produção agropecuária, como a aquisição de insumos, a condução das lavouras, a manutenção dos rebanhos e a comercialização da produção. Outros R$ 140,2 bilhões serão direcionados aos investimentos, apoiando a modernização produtiva, a ampliação da capacidade de armazenagem, a irrigação, a inovação tecnológica, a renovação de máquinas e equipamentos e o aumento da eficiência nas propriedades rurais.

Com o slogan “Crédito que fortalece o campo. Campo que alimenta o mundo”, o Plano Safra 26/27 reafirma o papel do crédito rural como instrumento estratégico para ampliar a produção agropecuária, fortalecer a renda no campo, garantir o abastecimento e a segurança alimentar, impulsionar as exportações e elevar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Compromisso com o agro

Um dos principais avanços do Plano Safra 26/27 é a redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas da agricultura empresarial. A queda da taxa Selic abre uma importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva.

No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), voltado aos médios produtores rurais, o volume previsto alcança R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de juros de 9% ao ano, inferior à praticada no ciclo anterior. A redução dos juros fortalece um segmento essencial para a produção de alimentos, a geração de empregos e a dinamização das economias locais. Com crédito mais acessível, os produtores ganham melhores condições para custear a produção, ampliar investimentos e conduzir o ciclo produtivo com mais segurança.

Campo + Sustentável

Além da redução geral das taxas, o Plano Safra 26/27 reforça o incentivo à adoção de práticas produtivas sustentáveis e à regularização ambiental das propriedades rurais, reconhecendo produtores que adotam boas práticas agropecuárias, padrões de gestão e certificações reconhecidas. A redução poderá ser de até 1,0 ponto percentual na taxa de juros de custeio.

O desconto contempla até 0,5 ponto percentual para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular e outro 0,5 ponto percentual para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis. A medida fortalece a ideia de que produzir com responsabilidade e eficiência, também significa melhores condições de financiamento.

Agro resiliente

A gestão de riscos também é um dos pilares do Plano Safra 26/27. O programa reforça a importância do Proagro e do seguro rural como instrumentos de proteção da produção e de segurança para o sistema de crédito. Ao vincular a possibilidade de renegociação das operações de custeio agrícola à existência de cobertura por Proagro ou seguro rural, a política estimula a adoção de mecanismos de gestão de risco. A medida busca fortalecer a responsabilidade compartilhada entre produtores, instituições financeiras e o poder público, reduzindo a dependência de soluções emergenciais após a ocorrência de perda.

Modernização

O investimento segue como uma das prioridades desta edição, com recursos destinados à modernização da produção, à irrigação, à inovação, à renovação de máquinas e equipamentos, à recuperação de áreas produtivas e à sustentabilidade.

Nesse contexto, o programa reforça a modernização do InvestAgro, expandindo o apoio a sistemas de geração e distribuição de energia renovável, como energia solar, biomassa, energia eólica, cogeração e armazenamento de energia elétrica. As medidas contribuem para aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais, ampliar a segurança energética e fortalecer a resiliência da produção agropecuária.

A armazenagem também recebe atenção especial. O apoio à ampliação, modernização, reforma e construção de armazéns e câmaras frias contribui para reduzir perdas, aprimorar a logística e amplificar a capacidade de conservação e comercialização da produção. Com maior autonomia para armazenar e comercializar seus produtos, produtores, cooperativas e agroindústrias ganham melhores condições de gestão, agregação de valor e competitividade.

Crédito mais eficiente

O custeio permanece como um dos principais instrumentos do Plano Safra, garantindo os recursos necessários para a aquisição de insumos, a condução das lavouras, o manejo dos rebanhos e a comercialização da produção. Em um cenário de custos ainda elevados, a redução das taxas de juros contribui para melhorar as condições de financiamento, ampliar a capacidade de planejamento e dar maior previsibilidade ao produtor.

O Plano Safra 26/27 também fortalece a complementaridade entre diferentes fontes de recursos, combinando recursos controlados, equalizados, não equalizados e fontes de mercado. Essa estrutura amplia a capacidade de financiamento do setor, permite atender diferentes perfis de produtores e finalidades de crédito e contribui para aumentar a oferta de recursos à agropecuária brasileira.

Com mais crédito, juros menores, incentivo a boas práticas agropecuárias, fortalecimento da gestão de risco, modernização energética, apoio à armazenagem e foco na execução, o novo Plano Safra reafirma o compromisso com uma agricultura empresarial forte, moderna, sustentável e competitiva.

Regulamentação do IBS altera regras de tributação e exige novos processos no agronegócio 

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com PIB de R$ 3,2 trilhões e participação de 25,13% na economia nacional, segundo o Cepea/CNA. O tamanho do setor ajuda a dimensionar o impacto da regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que enfrenta agora um divisor de águas operacional. Muito além de uma troca de siglas, o novo imposto exige uma revisão imediata de processos fiscais e tecnológicos em toda a cadeia produtiva, do campo à exportação.

Para Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributário no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, a mudança não se limita à substituição de tributos. “O IBS altera a lógica de leitura das operações. No agro, onde a cadeia é longa e fragmentada, qualquer inconsistência fiscal pode afetar crédito, apuração e fluxo de caixa”, afirma.

Como o IBS passa a funcionar na prática

Criado dentro da reforma tributária do consumo, o IBS substituirá ICMS e ISS e funcionará de forma integrada à CBS, tributo federal que substituirá PIS e Cofins. O modelo segue a lógica do IVA dual, com incidência sobre operações com bens e serviços mediante contraprestação.

Na prática, o imposto alcança desde a compra de insumos até transporte, armazenagem, industrialização e comercialização. Isso inclui operações comuns no agro, como arrendamento, cessão de direitos, prestação de serviços e venda de produção.

“O conceito de operação ficou mais amplo. Não é só venda direta. Qualquer fornecimento com valor envolvido entra no radar, o que exige mais controle sobre contratos e registros”, explica o especialista.

Outro efeito estrutural é o fim da lógica de competitividade baseada em incentivos fiscais estaduais de ICMS. Com a uniformização das regras e a centralização do modelo de tributação sobre consumo, a tendência é de redução da guerra fiscal entre estados. “A eficiência deixa de estar na escolha do estado com melhor benefício e passa a depender da eficiência operacional, da gestão de custos e da qualidade da informação fiscal”, afirma Altair.

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Tributação no destino muda dinâmica entre estados

Uma das mudanças estruturais é a adoção da tributação no destino. A arrecadação deixa de se concentrar no local de origem e passa a ser direcionada ao local onde ocorre o consumo do bem ou serviço.

No agronegócio, isso impacta diretamente operações interestaduais, exportações e cadeias com múltiplos agentes. A identificação correta do destinatário, do local de entrega e da natureza da operação passa a ser determinante.

Um exemplo prático é o de uma revenda de sementes. Antes, o imposto ficava vinculado ao estado onde a revenda estava sediada. Com o IBS, a tributação passa a ser direcionada ao local onde a semente é efetivamente entregue ao produtor rural. Isso altera a lógica de apuração e exige precisão na definição do destino da operação.

“O produtor pode comprar em um estado, vender para outro e entregar em um terceiro. Com o IBS, o destino final passa a definir a tributação, o que exige precisão total nos dados fiscais”, diz Altair.

Essa mudança também altera a lógica de apuração entre estados e municípios, exigindo alinhamento entre sistemas fiscais e regras nacionais.

Cadeias longas aumentam exigência de consistência fiscal

O agronegócio é um dos setores mais impactados pela extensão de sua cadeia produtiva. Uma mesma operação pode envolver produtor rural, cooperativa, transportadora, armazenagem, indústria e exportador.

Nesse contexto, o IBS amplia a necessidade de rastreabilidade fiscal. Cada etapa precisa estar corretamente documentada, com consistência entre notas fiscais, contratos e registros contábeis.

“O imposto exige coerência entre o que foi comprado, transportado e entregue. Se houver divergência, o crédito pode ser bloqueado ou a apuração pode ficar incorreta”, afirma.

Erros formais já são recorrentes no setor. Mais de 70% das empresas apresentam falhas em notas fiscais, como NCM e CFOP incorretos, o que compromete créditos tributários . Com o IBS, a validação dessas informações tende a ganhar ainda mais rigor.

Empresas terão de revisar sistemas e cadastros

A adaptação ao IBS deve exigir revisão estrutural de sistemas e processos internos. Empresas precisarão atualizar ERPs, parametrizações fiscais, cadastros de clientes e fornecedores, além de rever contratos e rotinas de faturamento.

Informações como classificação fiscal, local de entrega, identificação do adquirente e tipo de operação passam a impactar diretamente o cálculo do imposto.

“Não é só uma mudança tributária, é uma mudança de gestão. Quem não revisar cadastro e sistema corre risco de pagar imposto errado ou perder crédito legítimo”, alerta Altair.

Outro ponto crítico é a necessidade de detalhamento quando houver mais de um tipo de fornecimento na mesma operação, situação comum em contratos do agro que envolvem produto e serviço.

Crédito tributário exige maior controle operacional

O IBS mantém a lógica de não cumulatividade, permitindo a compensação de créditos ao longo da cadeia. No entanto, o aproveitamento desses créditos dependerá de documentação fiscal correta e integração entre as etapas da operação.

Para o especialista, o foco deve estar na qualidade da informação. “O crédito depende de documento válido, operação correta e registro consistente. Se qualquer etapa falhar, o impacto aparece no fluxo de caixa”, afirma.

A recomendação é antecipar a revisão fiscal e operacional. “Empresas que começarem agora terão vantagem na transição. O IBS pode trazer mais previsibilidade, mas isso só se materializa quando há controle sobre dados, processos e contratos”, conclui.

Copa do Mundo injeta bilhões no mercado de eventos

Com base em relatórios da FIFA, a Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar um dos maiores ciclos de investimento em eventos e ativações da história, favorecido pela expansão para 48 seleções e pela expectativa de mais de US$ 10 bilhões em receitas globais.

As projeções indicam que o patrocínio deve superar US$ 2,8 bilhões e os direitos de transmissão, US$ 4,2 bilhões. Já um estudo oficial da entidade aponta cerca de US$ 13,9 bilhões em gastos diretos ligados ao evento, incluindo turismo, hospitalidade e ativações, além de um impacto econômico global estimado em até US$ 80 bilhões (FIFA, estudo de impacto econômico, 2025).

Já segundo projeção do Bank of America, a Copa do Mundo de 2026 deve injetar cerca de US$ 41 bilhões (R$ 225 bilhões) na economia global, impulsionando setores como turismo, hotelaria, alimentação e eventos.

Para Evandro Monteiro, CEO da Origami Marketing e Eventos, em anos de Copa do Mundo da FIFA, o mercado de eventos ganha um fôlego adicional, e o aumento de investimentos por parte das empresas se explica por uma combinação rara de fatores. “Durante a Copa, a atenção do público se concentra como em poucos outros momentos, com audiências massivas e altamente engajadas. Ao mesmo tempo, o componente emocional do futebol encurta a distância entre marcas e consumidores, influenciando diretamente decisões de consumo. Soma-se a isso o comportamento coletivo, com jogos assistidos em grupo, encontros e celebrações, que impulsiona a demanda por eventos, ativações e experiências compartilhadas”, diz.

Na prática, grandes marcas já utilizam o torneio como plataforma global de relacionamento, engajamento e posicionamento. A Budweiser, por exemplo, patrocinadora oficial da Copa de 2022, no Catar, transformou o campeonato em uma operação global de engajamento. A marca investiu em fan zones, eventos simultâneos em diferentes países e ativações com influenciadores. Mesmo diante das restrições à venda de álcool nos estádios do Catar, a empresa redirecionou sua estratégia para experiências fora das arenas, criando espaços de convivência e transmissão que ampliaram o tempo de interação com o público e geraram milhões de interações digitais.

No Brasil, a Heineken apostou em ativações premium e relacionamento. A marca promoveu eventos exclusivos para clientes e parceiros, além de experiências abertas ao público em grandes capitais, combinando transmissões em ambientes diferenciados, encontros corporativos e integração com campanhas digitais.

Já o Itaú Unibanco utiliza o futebol como plataforma de comunicação de longo prazo. Em períodos de Copa, intensifica ações presenciais, eventos proprietários e experiências para clientes, conectando emoção e serviços financeiros para fortalecer o vínculo com diferentes públicos.

“Ciclos como o da Copa do Mundo aceleram a conexão entre marcas e público. Os jogos duram apenas 90 minutos, mas uma experiência bem executada pode gerar impacto por anos. Por isso, é fundamental aproveitar esse momento para investir em estratégias capazes de criar conexões reais, fortalecer relacionamento e gerar resultados concretos para o negócio”, afirma Evandro Monteiro.

Dados da FIFA indicam que a edição de 2022, no Catar, alcançou mais de 5 bilhões de pessoas globalmente, considerando diferentes plataformas. No Brasil, país historicamente conectado ao futebol, esse impacto se traduz diretamente no comportamento de consumo, nas estratégias de marketing e na movimentação econômica gerada em torno do evento.

“O Brasil reúne características que potencializam esse movimento, como alta afinidade cultural com o futebol, forte presença de grandes marcas globais e um mercado de eventos robusto”, destaca Monteiro.

Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o setor de eventos e entretenimento movimentou R$ 25,33 bilhões apenas no primeiro bimestre de 2026. Em períodos de Copa do Mundo, essa engrenagem ganha ainda mais velocidade, movimentando desde grandes produtoras até fornecedores locais.

Entre os setores que mais movimentam a economia estão bebidas, varejo, tecnologia e serviços financeiros. Durante o Mundial de 2022, por exemplo, bares e restaurantes brasileiros registraram aumento de cerca de 30% no faturamento na primeira semana dos jogos, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), impulsionados por confraternizações, ações corporativas ligadas ao torneio e transmissões públicas das partidas.

“Também ganham força as experiências exclusivas, especialmente voltadas à fidelização de clientes premium, com ações desenhadas para oferecer diferenciação e proximidade. Essa combinação amplia o impacto das iniciativas e prolonga seus efeitos para além do momento do evento”, complementa o CEO da Origami.

Foto: Alvaro Camacho / Pexels.com

Tecnologia

Para este e para os próximos ciclos, o especialista avalia que as ações voltadas à geração de conexão entre marcas e público devem ganhar ainda mais força com o avanço da tecnologia.

“A tendência para as próximas Copas do Mundo é de eventos cada vez mais integrados à tecnologia, dados e personalização. O uso de inteligência artificial, plataformas digitais e análise de comportamento permite compreender melhor o público, ajustar experiências em tempo real e direcionar ações mais personalizadas e individualizadas, com maior precisão e potencial de retorno para as marcas”, afirma.

Esse movimento ganha importância porque outro ponto relevante é a transformação do papel dos eventos, que deixam de funcionar apenas como espaços de exposição de marcas e passam a atuar como plataformas híbridas de negócios. Na prática, isso significa reunir, em um mesmo ambiente, relacionamento, geração de oportunidades comerciais e estratégias digitais integradas.

Com apoio de tecnologias como inteligência artificial, análise de dados e plataformas de interação em tempo real, os eventos passam a gerar conexões mais qualificadas e, além disso, novas possibilidades de conversão e fidelização antes, durante e após os encontros presenciais.

“Se antes os eventos eram planejados principalmente para dar visibilidade às marcas, hoje eles são avaliados com muito mais rigor”, explica o CEO da Origami Marketing e Eventos. “Nesse cenário econômico mais desafiador, as empresas buscam garantir retorno concreto sobre o investimento (ROI), integrar os eventos a outros canais, como digital e CRM, e medir com mais precisão os resultados gerados, como engajamento, geração de leads e impacto nos negócios”, conclui.

No cenário global, o marketing experiencial deve alcançar US$ 71,22 bilhões até 2035, segundo o Business Research Insights.

Com estratégia correta é possível maximizar o aproveitamento dos pastos na safrinha

por Hemython Luis Bandeira do Nascimento*

A área explorada com sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) vem crescendo ano após ano no Brasil e deve ganhar ainda mais destaque na safrinha de 2026. O movimento é impulsionado pelo cenário de alerta na agricultura, marcado pelo atraso na colheita da soja em algumas regiões, comprometendo a janela ideal de plantio do milho. Soma-se a isso a queda nos preços dos grãos, em contraste com o momento positivo da pecuária, sustentado pela valorização da arroba do boi gordo e do bezerro.

Nesse contexto, muitos produtores têm optado pelo plantio de milho ou sorgo consorciados com capim, ou até mesmo pelo cultivo exclusivo da forrageira após a soja, utilizando as áreas para o pastejo do gado durante a safrinha, no chamado “boi safrinha”. É consenso que a ILP proporciona melhorias importantes ao sistema de produção, seja pela formação de palhada deixada pela pastagem, que favorece o cultivo de grãos na safra seguinte, seja pela oportunidade de oferecer pasto de qualidade e em quantidade adequada aos animais durante o período seco.

No fim, o objetivo é sempre o mesmo: aumentar a produtividade e a rentabilidade, mantendo a sustentabilidade do sistema. No entanto, para explorar todo o potencial desse modelo produtivo, é fundamental atenção a alguns pontos técnicos, como o controle de plantas daninhas, o momento ideal de entrada e retirada dos animais da área, além da suplementação e do manejo do pasto.

Controle de invasoras

O capim implantado no sistema de integração também deve ser tratado como uma cultura agrícola e, assim como qualquer outra, precisa receber os devidos tratos culturais para expressar seu máximo potencial produtivo. Nesse sentido, é fundamental realizar o controle de plantas indesejadas, sejam invasoras ou plantas tigueras, ainda no início do desenvolvimento da forrageira. Isso evita a competição por luz, água e nutrientes, assegurando maior velocidade de crescimento e rápido estabelecimento da pastagem.

Quantos animais por hectare?

A taxa de lotação está diretamente ligada à capacidade de suporte da área. Por isso, é necessário equilibrar a quantidade de pasto disponível com o período de utilização, definindo corretamente o número de animais que será inserido na área.

Para maior precisão, o ideal é realizar, cerca de uma semana antes da entrada dos animais, uma amostragem da forragem nos piquetes ou talhões destinados ao pastejo na safrinha. Também é importante fazer coletas de massa de forragem para estimar a disponibilidade de pasto na área.

Com essas informações, somadas ao período de permanência dos animais e ao peso médio de cada lote, é possível determinar a capacidade de suporte da área (UA/ha) e definir quantos animais poderão ser manejados em cada talhão. Dessa forma, evita-se a falta de alimento ao longo da ocupação e garante-se, ao final do ciclo, um residual de palhada adequado para o plantio da soja na safra seguinte.

Momento ideal para iniciar o pastejo

O momento do primeiro pastejo é decisivo, pois influencia diretamente a estrutura e a qualidade do pasto e, consequentemente, a eficiência de utilização da forrageira pelos animais, podendo impactar na eficiência de dessecação e consequentemente na plantabilidade da lavoura na safra posterior.

Pastagens muito altas tendem a apresentar maior acúmulo de colmos e fibras, reduzindo sua qualidade nutricional. Além disso, podem comprometer o perfilhamento, o crescimento da planta e a qualidade da palhada que permanecerá no sistema para a cultura seguinte.

Foto: Divulgação SBS Green Seeds

Uma observação importante é que a Brachiaria ruziziensis, quando muito alta, tende a acamar no momento da entrada do gado, reduzindo a eficiência do pastejo, o desempenho e a produtividade animal. Para melhor aproveitamento dessa forrageira, o ideal é que os animais entrem na área quando o pasto atingir, no máximo, 50 cm de altura.

De forma geral, recomenda-se que o primeiro pastejo seja realizado quando o capim atingir a altura de manejo indicada para cada cultivar. Assim, a forrageira é aproveitada mais cedo, com maior proporção de folhas e ainda com boa disponibilidade de água no solo, favorecendo o perfilhamento, a emissão de novas folhas e o desenvolvimento radicular.

Compensa adubar os pastos de safrinha?

Na maioria dos casos, a resposta é não. Nesse modelo de produção, considera-se que o residual de nutrientes deixado pela lavoura seja suficiente para suprir a demanda inicial do capim. Além disso, o período mais adequado para a adubação em cobertura, normalmente após o primeiro pastejo, coincide com uma fase de menor volume de chuvas, elevando o risco de baixa eficiência no aproveitamento dos nutrientes disponibilizados pelo fertilizante.

Qual tipo de suplemento adequado para a fornecer aos animais mantidos nos pastos safrinha?

Vale lembrar ainda que, mesmo durante o período seco, o pasto proveniente da ILP permanece verde e com elevado valor nutritivo. Em outras palavras, o produtor passa a contar com uma “pastagem de águas” durante a seca, produtiva e vigorosa, o que exige que a suplementação animal esteja alinhada às características nutricionais dessa forrageira.

Por fim, é importante ressaltar que esses pastos não devem ser excessivamente pastejados. Após a retirada dos animais, deve permanecer um bom volume residual de massa vegetal para dessecação e formação de palhada para a cultura seguinte. O ideal é garantir entre três e cinco toneladas de matéria seca por hectare, assegurando boa cobertura do solo e maior supressão de plantas daninhas.

*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.

Agroindústrias bem distribuídas poderiam impulsionar cidades inteiras, diz pesquisadora

Dos 5.569 municípios do Brasil, praticamente 70% deles (ou exatos 3.370) têm menos de 20 mil habitantes, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora, como se vê, representem maioria, não são contemplados por instrumentos de planejamento urbano adequados à sua realidade. Preencher essa lacuna é o que propõe a urbanista Carlla Brito Furlan Pourre, em sua pesquisa de doutorado em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade de Brasília (UnB).

Intitulada “Modelo conceitual de instrumento econômico: desenho e análise de aplicação para a viabilidade de projetos urbanos em pequenas cidades”, a pesquisa elabora, com base em um estudo de caso, mecanismos de planejamento alicerçados no mapeamento econômico do município. A partir desse diagnóstico, o poder público definiria, então, programas, iniciativas, ações, e políticas voltados ao desenvolvimento urbano articulados à dinâmica econômica local.

O modelo foi aplicado a Baianópolis, município do oeste da Bahia com cerca de 14 mil habitantes, situado no Matopiba, acrônimo formado pelas iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio brasileiro. 

O primeiro passo da pesquisa foi traçar  um raio-x do perfil econômico de Baianópolis. O diagnóstico constatou que, apesar de dispor de extensas áreas de cultivo de soja e milho, apenas 20% da cadeia produtiva dessas culturas estava estruturada localmente, com ausência de indústrias de processamento e baixa oferta de serviços de apoio.

Ou seja, ainda que situado em uma zona agrícola de grande importância, esse potencial é pouco aproveitado pelo município. A escassez de empregos e a dificuldade de reter riqueza localmente forçam a migração de trabalhadores para centros maiores e ampliam problemas como informalidade, pobreza e desigualdade. É a partir dessa realidade, aponta a tese, que o planejamento urbano deve ser construído.

“A tese propõe um modelo de desenvolvimento baseado em cadeias de negócios, no qual o planejamento urbano deixa de ser pensado apenas como desenho urbano e passa a ser articulado à dinâmica econômica local”, explica Carlla Pourre. Nesse sentido, continua a pesquisadora, “propõe-se a articulação entre infraestrutura, serviços e políticas públicas de modo a estimular a circulação de renda com a criação de atividades estratégicas, fortalecendo vocações regionais e garantindo a sustentabilidade financeira de projetos urbanos, sejam eles públicos ou privados”.

Resultados obtidos

A pesquisa simulou a implantação de uma indústria de esmagadora de soja, com investimento estimado em R$ 20 milhões. Os resultados indicam potencial para gerar um impacto total de aproximadamente R$ 48 milhões na economia local – isto é, quase duas vezes e meia, ou mais precisamente 2,4 vezes, o montante investido. A simulação aponta ainda a criação de cerca de 285 empregos, entre diretos, indiretos e induzidos, e a geração de aproximadamente R$ 8 milhões em renda anual.

Com a implantação do modelo, a completude da cadeia do agronegócio de soja e milho avançaria de 20% para 41%, com a incorporação de novos serviços e atividades econômicas. “Assim, o município de Baianópolis aproveitaria novos fluxos de capital, pessoas e serviços, aumentando a qualidade de vida da população local”, frisa a pesquisadora.

A defesa de um novo modelo de planejamento urbano específico para pequenos municípios parte da constatação de que os instrumentos hoje disponíveis foram concebidos para grandes centros urbanos. Entre eles estão a Operação Urbana Consorciada, o de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac) e políticas de financiamento como as operadas pela Caixa Econômica Federal.

A Operação Urbana Consorciada consiste em um instrumento de parceria entre o poder público e a iniciativa privada voltado à viabilização de intervenções urbanas, como a implantação de unidades de saúde, escolas, praças, parques e outros equipamentos públicos. Já os Cepacs são certificados emitidos mediante contrapartida, que autorizam o mercado imobiliário a construir além dos parâmetros urbanísticos originalmente estabelecidos (como limites de altura e densidade) em áreas específicas da cidade.

Carlla Pourre aponta que essas operações costumam ser definidas com estudos prévios limitados, sem articulação com as reais necessidades da população e sem integração com o planejamento urbano e econômico da cidade. “São decisões pontuais, muitas vezes tomadas de forma unilateral  pelo grupo político gestor ou até mesmo pela iniciativa privada”.

Além disso, segundo a urbanista, esses instrumentos tendem a ser pouco ou nada atrativos para pequenos municípios, onde as possibilidades de retorno financeiro são reduzidas pela baixa atratividade de mercado. “Há um verdadeiro ‘vácuo’ de políticas de planejamento urbano voltadas às pequenas cidades. Esses municípios demandam modelo híbrido de fomento, que combine recursos públicos, financiamento de desenvolvimento, capital privado e fundos multilaterais”, afirma.

Segundo a urbanista, essa combinação precisa levar em conta as vocações econômicas locais, identificadas por meio de um diagnóstico que deve anteceder as decisões de planejamento urbano. A partir dessas potencialidades, é possível mapear cadeias de negócios alinhadas à realidade de cada município. Desse modo, os investimentos passam a gerar retornos mais efetivos, tanto no campo do desenvolvimento econômico (com geração de emprego e renda) quanto no desenvolvimento urbano, com a implantação de equipamentos públicos mais coerentes com as demandas e características locais.

Por fim, a pesquisadora Carlla Pourre  explica que o planejamento urbano e territorial orientado por cadeias de negócios tende a oferecer possibilidades de desenvolvimento mais eficientes do que as atuais para cidades fora dos grandes centros, por alinhar desenvolvimento urbano, vocação econômica e geração de valor local. Segundo ela, o modelo pode servir de referência para municípios que buscam atrair investimentos, reduzir desigualdades e construir  estratégias mais sustentáveis de crescimento urbano. Na prática, isso significa criar condições para reter a população local com mais oportunidades de trabalho e renda, ampliar a oferta de serviços urbanos, fortalecer o comércio e dinamizar a economia do município a partir de suas próprias vocações e potencialidades.

BNDES amplia orçamento e setores beneficiados pelo Mais Inovação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou o orçamento e os setores e itens financiáveis do BNDES Mais Inovação e aprovou condições mais favoráveis de financiamento. O protocolo para que o setor produtivo possa solicitar crédito nas novas regras – que valem para os financiamentos realizados por meio da rede de agentes financeiros credenciados – foi aberto esta semana. 

O orçamento do Mais Inovação para 2026 será de R$ 12 bilhões, um aumento de R$ 4,8 bilhões em relação ao destinado inicialmente em 2026. Deste total, no mínimo R$ 840 milhões deverão ser destinados às regiões Norte e Nordeste e R$ 1,1 bilhão para financiar máquinas industriais.

Foram incluídos no programa os empresários individuais e as pessoas físicas que exerçam atividade econômica nos setores agropecuário, de produção florestal, de pesca e aquícola, inclusive nos serviços diretamente a elas relacionados. Outra novidade foi a inclusão de bens de informática – são mais de 1.000 (mil) itens aptos a serem financiados.

“Ao elevarmos o orçamento e incluímos novos setores beneficiados, estamos respondendo aos desafios da nova economia e reafirmando que inovação não está reservada às grandes corporações. É o caminho para que o Brasil produza mais, exporte mais e gere empregos de maior qualidade”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

Em relação às condições de financiamento, houve redução da remuneração básica do BNDES para aquisição de máquinas e equipamentos, de 2,5% ao ano para 2% a.a.. Na linha máquinas industriais, houve unificação do spread do BNDES para 1,4% a.a. para todos os portes.

Também foram alteradas as faixas de enquadramento da Taxa Fixa Composta em TR (TFC), que passarão a ser definidas em função do porte do cliente final. As estimativas, com data-base em 12 de maio de 2026, eram de 5,75% a.a. para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e 6,88% a.a. para grandes empresas.

Entre 2023 e 2025, o BNDES já aprovou R$ 35,6 bilhões para inovação, volume que supera a soma do realizado nos onze anos anteriores (R$ 34,8 bilhões).

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A digitalização financeira como alicerce estratégico para a safra 2026/27

por Ivan Moreno*

O horizonte para a safra 2026/27 no agronegócio brasileiro desenha-se sob uma métrica de complexidade sem precedentes. Se historicamente o produtor rural equilibrou-se entre as variáveis climáticas e as oscilações das commodities, o cenário atual impõe uma terceira camada de pressão: a reconfiguração do acesso ao capital. Com o crédito mais restrito e os custos de produção em patamares elevados, a gestão financeira transcendeu a mera rotina contábil para se consolidar como o verdadeiro diferencial competitivo entre a rentabilidade e a estagnação.

Observamos um momento de transição crítica na jornada de compra de insumos. A concentração da demanda por fertilizantes e defensivos para os próximos meses, somada às incertezas geopolíticas que afetam a oferta global, cria um ambiente de urgência que pode resultar em gargalos logísticos severos. Nesse contexto, a agilidade na tomada de decisão não é apenas desejável, mas vital. É onde as soluções de pagamento digital emergem como peças-chave, oferecendo não apenas conveniência, mas a liquidez necessária para que o produtor antecipe movimentos de mercado e garanta a viabilidade de sua operação antes que as janelas de oportunidade se fechem.

A democratização do crédito, impulsionada pela entrada de novos players como plataformas integradas e indústrias, transformou o ecossistema financeiro do campo. Hoje, o produtor tem em mãos a possibilidade de comparar condições e diversificar suas fontes de financiamento em tempo real. No entanto, o pleno aproveitamento desse novo mercado depende da construção de um histórico financeiro digital robusto. O compartilhamento de dados comportamentais e de pagamento permite que as instituições refinem a análise de risco, traduzindo confiança em taxas mais competitivas e limites de crédito expandidos nos momentos de maior necessidade.

Além da questão puramente financeira, a integração entre marketplaces e ferramentas de pagamento traz um ganho substancial em rastreabilidade e controle. Em um ciclo onde a margem de erro é mínima, a capacidade de monitorar o fluxo de caixa, o status das compras e a previsão de entregas em um único ambiente digital reduz as fricções operacionais. Essa visibilidade holística permite que a gestão da propriedade seja pautada em dados concretos, minimizando surpresas e permitindo ajustes de rota em tempo real frente à volatilidade dos preços de insumos.

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Talvez a evolução mais significativa resida na quebra da fragmentação das negociações. O modelo tradicional, em que cada categoria de insumo demandava um processo isolado de financiamento, cede espaço para operações financeiras unificadas. Por meio de ecossistemas digitais, o produtor consegue centralizar a aquisição de sementes, fertilizantes e defensivos de múltiplos fornecedores sob uma mesma estrutura de crédito. Essa consolidação não apenas simplifica a burocracia, mas aumenta o poder de barganha do agricultor, permitindo um planejamento financeiro mais coeso e de longo prazo.

Em última análise, a transformação digital do agronegócio brasileiro não se limita à biotecnologia ou ao maquinário de última geração; ela ocorre, fundamentalmente, na arquitetura das transações. Liquidez e previsibilidade tornaram-se ativos tão cruciais quanto a fertilidade do solo. Ao adotar soluções de pagamento digital e ferramentas de gestão integrada, o produtor rural não está apenas modernizando um processo, mas blindando seu negócio contra a incerteza e garantindo que sua operação esteja preparada para as exigências de um mercado global cada vez mais dinâmico e digital.

*Formado em Processamento de Dados pela Universidade Mackenzie, com MBA em Marketing pela ESPM e Alumini da Harvard Business School pelo AMP206. É CEO da Orbia e possui experiência no agronegócio e passagem por várias multinacionais do setor.