Covid-19: CGU cria canal para receber manifestações relacionadas ao novo coronavírus

A Controladoria-Geral da União (CGU) lançou um canal exclusivo para que qualquer cidadão possa enviar manifestações relativas à prestação de serviços ou atuação de agentes públicos relacionadas ao novo coronavírus (COVID-19). A falta de insumos hospitalares e de equipamento de proteção individual (EPI), bem como a desobediência às medidas de prevenção, são exemplos do que pode ser relatado.

As denúncias, sugestões e reclamações serão examinadas pela CGU, por meio da Ouvidoria-Geral da União (OGU), e encaminhadas para providências junto aos órgãos competentes.

Quem tiver informações sobre quaisquer irregularidades pode enviá-las por meio de formulário eletrônico, disponível na plataforma Fala.BR, e escolher no assunto o termo “coronavírus (COVID-19). A manifestação pode ser anônima, bastando escolher a opção “Não identificado”.

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Covid-19: Banco do Brasil reforça suas linhas de crédito com R$ 100 bilhões

O Banco do Brasil anunciou a disponibilização de R$ 100 bilhões para reforçar suas linhas de crédito voltadas para pessoas físicas, empresas, agronegócio, além de recursos destinados a investimentos e compra de suprimentos na área de saúde por prefeituras e governos.

Do total, R$ 24 bilhões são destinados a pessoas físicas, R$ 48 bilhões são para empresas, R$ 25 bilhões para o agronegócio e R$ 3 bilhões para administrações públicas municipais e estaduais. Os recursos irão reforçar as linhas de crédito já existentes, principalmente as voltadas para crédito pessoal e capital de giro.

Os recursos já estão disponíveis e podem ser contratados pelos canais digitais de relacionamento com o Banco (aplicativo no celular, internet banking e terminais). Em caso de impossibilidade de contratação por canais digitais, as agências do BB permanecem abertas para atender os clientes.

“É muito importante que o crédito continue disponível aos nossos clientes neste momento o que irá contribuir para a superação das dificuldades que venham a enfrentar. A orientação aos nossos gerentes é que acompanhem de perto a situação de cada cliente para que possamos antecipar as soluções financeiras adequadas já nos primeiros sinais de dificuldade”, disse Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil.

24 bilhões para pessoas físicas

Para as pessoas físicas, o reforço de recursos ocorre nas linhas de crédito pessoal (crédito consignado, crédito salário e crédito automático).

Os recursos já estão disponíveis e podem ser contratados por todos os clientes que possuam limite de crédito definido no BB para essas linhas, até o valor aprovado para cada cliente. Como medida adicional, o BB ampliou os limites de crédito de 13 milhões de clientes pessoas físicas, o que adicionará mais R$ 18 bilhões aos limites atualmente concedidos.

R$ 48 bilhões para empresas

Para as empresas, o BB reforçará em R$ 48 bilhões os recursos disponíveis para linhas de capital de giro, de investimento e de antecipação de recebíveis.

Os recursos estão disponíveis para empresas de todos os portes, de micro e pequenas empresas ao segmento corporate, e podem ser contratados até o limite de crédito disponível para cada cliente.

R$ 25 bilhões para o agronegócio

Para os produtores rurais, o BB reforçará as linhas de comercialização em R$ 5 bilhões, as de financiamento da produção agropecuária em R$ 15 bilhões, as de investimento em R$ 2 bilhões e as de capital de giro em R$ 3 bilhões.

Os recursos atendem tanto aos produtores rurais pessoas físicas como as empresas que atuam no agronegócio. 

R$ 3 bilhões para estados e municípios

Para apoiar os estados e municípios no esforço para lidar com a contenção do Covid-19, o Banco do Brasil também destinou R$ 3 bilhões para apoiar, prioritariamente, o financiamento de equipamentos e obras na área de saúde. Os recursos também possibilitam o investimento em outras áreas, como eficiência energética, infraestrutura e viária, educação e saneamento.

Podem contratar todos os estados e municípios que tenham limite de crédito no BB e atendam as condições legais previstas pelo Tesouro Nacional.

Michael Melo/Metrópoles
Foto: BB / Divulgação

Covid-19: comunicado da Cooperativa Central Aurora Alimentos

A Cooperativa Central Aurora Alimentos comunica que, aliando-se aos esforços da sociedade brasileira no combate à pandemia de coronavírus e atendendo orientações do Ministério da Saúde e das autoridades sanitárias, adotou todas as providências para assegurar a saúde, a segurança e o bem-estar de seus mais de 31.000 empregados diretos, bem como o universo de parceiros e terceirizados.

Nesse momento particularmente preocupante da vida nacional, a Aurora manifesta seu inarredável compromisso de continuar produzindo alimentos de qualidade para o Brasil e o mundo. Essa postura é essencial, pois a eventual falta ou escassez de comida na mesa dos brasileiros tornaria caótico e imprevisível – sob o aspecto de segurança alimentar – um quadro que já é delicado e preocupante sob o aspecto de saúde pública. Aliás, as normas editadas nesse período ressaltam o caráter de serviço essencial da indústria de alimentos.

A base produtiva no campo – com o apoio das 11 cooperativas agropecuárias filiadas – está operando normalmente para geração das matérias-primas essenciais, como aves, suínos, leite e grãos. Todas as reuniões, cursos e treinamentos foram suspensos. A assistência técnica aos produtores rurais foi mantida, não apenas para dar suporte à produção, mas, especialmente para levar orientações sobre medidas e condutas de proteção da família rural em relação ao Covid-19.

Nas plantas industriais da Aurora foram intensificadas as medidas rotineiras de profilaxia e higiene, como medição de temperatura corporal, uso de máscaras e paramentos de trabalho com a presença e acompanhamento de médico e outros profissionais da saúde. As pessoas integrantes de grupos de risco foram preventivamente dispensadas para que aguardem, em casa, a superação dessa fase e somente depois retornem ao trabalho.

O acesso dos trabalhadores às fábricas está garantido com transporte privado mediante a contratação de ônibus diretamente pela empresa, em face da suspensão do transporte coletivo público urbano por Decreto do Governo do Estado. Esses ônibus destinam-se exclusivamente ao pessoal da Aurora e passam por intenso processo de desinfecção e limpeza.

Nas áreas administrativas e comerciais, parte da força de trabalho já atua em regime de home office. As visitas a clientes foram substituídas pelo contato remoto via telefone, e-mail, redes sociais etc. As reuniões presenciais cederam lugar a telereuniões ou videoconferências.

Todas as ações e medidas protagonizadas pela Aurora estão harmonizadas com a diretrizes dos governos federal, estadual e municipal, com o regime de calamidade pública em que vive o País e com a necessidade de atender, simultaneamente, aos clamores da segurança alimentar e da saúde pública.

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Covid-19: Ministra da Agricultura destaca compromisso dos produtores rurais e tranquiliza sobre abastecimento

A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) afirmou que a agropecuária brasileira segue produzindo com êxito e abastecendo o mercado. “O Brasil é um grande celeiro, produtor de alimentos, e não precisamos ter nenhuma expectativa negativa de que não teremos alimentos para nosso povo”, afirmou, referindo-se às mudanças na rotina dos brasileiros, impostas pela pandemia do coronavírus. 

A ministra ressaltou, durante evento no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que a população deve se manter tranquila em relação à oferta de produtos alimentícios no varejo e elogiou os produtores rurais. “São os nossos heróis, que neste momento estão lá (no campo) dando duro, produzindo e realizando a maior safra colhida neste país, batendo recorde um sobre o outro para alimentar nossa população”. 

A estimativa da safra de grãos 2020/2021 deve ser de 251,9 milhões de toneladas, 4,1% acima da colheita passada, segundo levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ligada ao Mapa. 

Monitoramento de rotina feito pelo Ministério não vislumbra qualquer indício de problema no abastecimento de produtos alimentícios no país. Além do trabalho do produtor no campo, Tereza Cristina disse que o desempenho positivo registrado atualmente pela agricultura brasileira se deve à ciência e tecnologia desenvolvida principalmente pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Mapa.

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Covid-19: GSA doa R$ 500 mil para ajudar no combate ao coronavírus

A GSA Alimentos, empresa goiana com atuação em vários outros estados brasileiros e também no exterior, sensibilizada e preocupada com esse grave momento imposto pela pandemia do Covid-19, fez uma doação de R$ 500 mil para o Fundo de Combate à Propagação do Coronavírus da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG), que foi criado pelo Governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A GSA é a primeira empresa a fazer doação para o Fundo.  

Os recursos financeiros serão destinados para ajudar a minimizar os impactos econômicos e sociais gerados pela paralisação de diversas atividades econômicas com o objetivo de prevenir a doença. 

Com o objetivo de vencer este inimigo que faz tantas vítimas no mundo todo, Goiás criou o Fundo, que pode ser copiado por outros estados brasileiros. E a GSA se empenha nesta grande mobilização dos governos e da sociedade. “Acreditamos que a solidariedade e determinação são aliadas poderosas que fortalecem o ser humano na luta para superar grandes obstáculos”, afirma o diretor – presidente da GSA, Sandro Marques Scodro. O empresário acrescenta que “a contribuição de outros empresários é fundamental para mitigar o impacto nas vidas das pessoas e com trabalho sério e comprometimento de todos a vitória virá. Tenhamos fé!”. 

Como ajudar?

Qualquer pessoa pode fazer doações para o Fundo, que devem ser feitas por transferência para a OVG.

Razão Social: Organização das Voluntárias de Goiás

CNPJ: 02.106.664/0001-65

Dados bancários:

Banco Bradesco – 237 

Agência – 0244

Conta – 45059-6

Sobre a GSA

Especializada na fabricação de macarrão instantâneo, refrescos em pó, mistura para sopão, pipoca para micro-ondas, misturas para bolo e salgadinhos. Em 2018, a empresa entrou no ramo de snacks, com a produção dos salgadinhos Sanditos.

Fundada em 1984, a GSA é administrada por Sandro Marques Scodro. Neste período, a empresa cresceu e adquiriu novas marcas e produtos. A GSA é responsável pelos produtos das marcas Refreskant, Sandella, Velly, Produtos Paulista, Icebel, Yolle, Sanditos, SanChips e Dona Raiz. O Grupo GSA conta com duas distribuidoras – a Vetor e o CV Goiás Distribuição. Mais informações: www.grupogsa.com.br.

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Covid-19: setor sucroenergético doa álcool para rede pública de saúde

Uma ação conjunta envolvendo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as secretarias estaduais de saúde e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) viabilizou a doação, por parte do setor sucroenergético, de álcool para a fabricação de gel e solução de álcool 70 para assepsia de estabelecimentos da rede pública de saúde. 

A doação foi oficializada pelo presidente da Unica, Evandro Gussi, em reunião com a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e com a secretária executiva do Ministério das Minas e Energia, Marisete Pereira. A ministra Tereza Cristina agradeceu a solidariedade do setor neste momento de elevado consumo do produto devido a pandemia de coronavírus. “São produtos altamente desinfetantes. Uma oferta para suprir as necessidades por que passa o setor de saúde no Brasil”.

“A gente sabe que a prevenção é a melhor arma contra o coronavirus e o álcool, tanto no formato gel quanto nesta fórmula de 75% é altamente desinfetante. Isso vai servir para a casa das pessoas, para a saúde pessoal delas, a assepsia pessoal delas e também hospitais, postos de saúde, locais que acabam tendo uma grande circulação de pessoas”, afirmou o presidente da Única.

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Sistema CNA: produtores rurais vão continuar produzindo

A estratégia de contenção da pandemia do coronavírus, posta em prática em todo o mundo, com resultados muito positivos até agora, tem consistido em praticamente interromper os contatos sociais e paralisar todas as atividades sociais.

Governos e sociedades responsáveis têm adotado esse caminho, que o Brasil também deve seguir.

Essas restrições, no entanto, não podem ser absolutas. Hospitais, unidades sanitárias e todos os elos da cadeia de atendimento de saúde não podem deixar de funcionar plenamente, como é consenso de todos.

Na mesma categoria, devem ser incluídas as atividades de produção e comercialização de alimentos, cuja demanda não será reduzida pela crise. Do contrário, se faltarem alimentos ou se houver irregularidades no abastecimento, a saúde das pessoas será afetada e a própria harmonia social, que tanto precisamos nessa hora, será atingida.

Por essas razões, o Sistema CNA, em nome dos produtores rurais brasileiros, assegura à população que continuaremos produzindo normalmente.

Esperamos que o Governo assegure que a cadeia de abastecimento seja protegida e garantido o seu funcionamento, com regras adequadas e com o suporte econômico que for necessário. E que as autoridades estejam atentas para impedir qualquer tentativa de manipulação ou especulação por parte de maus brasileiros.

Brasília – 18/03/2020

Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA

Federações da Agricultura Estaduais

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Fake News promovem mitos sobre coronavírus: infectologista responde dúvidas

Qual foi a última informação ou recomendação que você ficou sabendo sobre o novo coronavírus (o Covid-19) – seja por alguém, texto, imagem, áudio ou vídeo? Tão veloz quanto a disseminação do próprio vírus ao redor do mundo está o compartilhamento de rumores e notícias sobre ele. No entanto, à medida que o medo e a insegurança também crescem, está cada vez mais difícil distinguir o que é verdade e o que é fake news sobre o coronavírus.  

Conforme alerta a médica infectologista do Hospital Santa Rosa, Zamara Brandão, antes de avaliar se uma informação procede ou se trata de um mito, é importante não só manter a calma, mas entender o que é um coronavírus. “Eles são uma grande família de vírus encontrados em animais (como morcegos) e humanos. Sete desses vírus atravessam a barreira interespécie, infectando as pessoas, e podem causar doenças, cujas gravidades são variáveis”.

Zamara explica que o Covid-19 é uma nova cepa do coronavírus que não havia sido previamente identificada em seres humanos. “Ele faz parte de um grupo de doenças respiratórias que provocam sintomas semelhantes à gripe. A pessoa pode ter febre, tosse persistente, dor de garganta, espirrar, ficar com o nariz congestionado e apresentar diarreia. Algo semelhante ao H1N1. Seu diagnóstico é difícil e é feito por meio de exames laboratoriais”. 

Em Cuiabá, o Hospital Santa Rosa aderiu à campanha de prevenção ao coronavírus. “A instituição conta com uma equipe capacitada para atender possíveis casos de coronavírus. Tanto que todo paciente que chegar com sintomas respiratórios deverá colocar uma máscara cirúrgica e se o mesmo esquecer, ela será oferecida. Inclusive, se você tiver uma viagem programada ao exterior – para um país com alta epidemiologia – e não puder adiar, leve uma máscara e tenha um álcool gel sempre por perto. Assim, você se protege e protege os outros passageiros”, pontua Zamara.

A médica infectologista responde abaixo algumas dúvidas que circulam na internet sobre o novo coronavírus. Confira:

Coronavírus se espalha no ar por longas distâncias? “A propagação ocorre por meio de gotículas respiratórias, mas já foi identificado na saliva, fezes, urina e sangue. E, quando se trata de gotículas respiratórias, por exemplo, ele não paira no ar. Atinge até um metro de distância. Por outro lado, o vírus pode contaminar superfícies. Então, tem que tomar cuidado quando for encostar em algo ou cumprimentar alguém para não tocar a mão em seguida nos olhos, nariz ou boca. Também vale evitar o compartilhamento de talheres e maquiagens”.

É preciso se preocupar com a importação de bens da China? “O Covid-19 tem uma estimativa de vida de aproximadamente nove dias em superfícies inanimadas e pode ser facilmente higienizado com álcool 70% ou hipoclorito de sódio. Logo, se comprar produtos na China, é pouco provável que o vírus sobreviva ao tempo de trajeto até chegar no Brasil. No mais, a prevenção está na esterilização do ambiente; na lavagem das mãos; no ato de cobrir a boca e o nariz com um lenço descartável quando for tossir ou espirrar ou usar o cotovelo; se estiver muito ruim, evitar sair de casa”.

Grávidas e crianças estão mais suscetíveis ao vírus? “Não são observados muito casos em crianças. Isso pode ser atribuído à imunidade delas que é diferente dos adultos. Quando infectadas, não apresentam sintomas exuberantes. Gestantes também não parecem ter uma facilidade maior de ter o vírus do que a população em geral. Aliás, o vírus não é transmitido ao bebê a partir do líquido amniótico e nem passa pelo leite materno. Apesar do Covid-19 apresentar alto nível de infectividade (fácil propagação de uma pessoa para outra), os casos que levam a uma maior gravidade não são tantos, se comparado com os de outros coronavírus que também provocam sintomas respiratórios – como o MERS e o SARS. Os quadros mais graves de Covid-19 estão aparecendo em pessoas mais velhas (acima de 60 anos) ou com algum tipo de comorbidade (como doenças cardiovasculares ou diabetes)”.

Chá de erva doce, água morna ou uísque combatem ou protegem as pessoas em relação ao coronavírus? “Erva doce não é componente do medicamento Tamiflu (retroviral usado para casos de gripe), como circulou na internet. E, portanto, não é eficiente no combate do coronavírus. Outra fake news diz respeito à tomar água morna de hora em hora, pois seria bom para levar o vírus que fica na boca para ser digerido no estômago. Infelizmente, isso não é verdade. A ingestão de uísque também não contribui. O melhor cuidado ainda é a prevenção”. 

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Perspectivas globais pós COVID-19

por Cassio Faeddo*

É certo que a pandemia do coronavírus trouxe ao mundo pânico talvez comparado aos efeitos de uma grande guerra.

É certo que a pandemia do coronavírus trouxe ao mundo pânico talvez comparado aos efeitos de uma grande guerra.

Ao mesmo tempo não se trata de uma crise do sistema capitalista, mas de uma crise exógena de saúde pública que afeta o sistema capitalista. Algo bem diferente da crise de 2008 iniciada no sistema de garantias de hipotecas norte-americano.

O absurdo crescimento chinês no PIB global, que de acordo com o Banco Mundial saltou de 5% em 1990 para mais de 20% em anos recentes, indicam a insustentável dependência econômica do globo em face da China.

Trata-se de uma dependência absurda que deve ser repensada imediatamente.

As grandes corporações mundiais não hesitaram em instalar unidades fabris na China e demais países periféricos em razão do baixo salário e da legislação trabalhista chinesa que impõe, por exemplo, férias anuais de apenas 5 dias por ano.

Em que pese a mesma legislação determinar jornada de 8 horas é comum que o trabalhador chinês realize jornadas de até 12 horas. Evidente, nessas condições, o capitalismo global não pensou duas vezes ao levar a linha de produção para a China a partir dos anos 90 do Século passado.

Parece claro o dumping praticado pela China nas últimas décadas que, em conjunto com o sistema global e políticas cambiais chinesas, desequilibrou toda a cadeia produtiva.

Enquanto os financistas de Nova Iorque vibravam com a valorização dos negócios, e o governo brasileiro na era Lula surfava na exportação de commodities, nossas indústrias baixavam as portas nos núcleos industriais nacionais.

Foi o golpe chinês que deu certo e proporcionou um crescimento espetacular às custas em grande parte dos empregos ocidentais.

Conforme indica reportagem do Financial Times, o salário médio na China em 2005 era de USD 1,2, saltando para USD 3,6 em 2016. Em termos comparativos o salário médio no Brasil, de acordo com o mesmo estudo, era de USD 2,7 em 2016.

Mas eis que surge o Covid-19, como já surgiu a gripe suína e tantas outras doenças importadas. E mais uma vez, nenhuma informação da China pode ser dada como totalmente confiável, e acompanhamos os números e consequência da doença, especialmente da Itália para uma melhor referência.

Acreditamos que algumas consequências são esperadas após o fim do surto. A quebra de muitas empresas ligadas ao transporte e turismo, eventos, dentre outras atividades. Também acreditamos em recrudescimento da xenofobia relacionada aos imigrantes e exacerbação do nacionalismo, uma vez que o perfil de vários presidentes ocidentais tem esse viés.

No decorrer dos próximos anos esperamos um novo balanceamento da linha de produção global para outros países. Desta forma, pulverização da logística produtiva e de distribuição é algo que deverá acontecer.

Porém, pela complexidade das ações, tudo isso será conduzido de forma paulatina no sentido de diminuir a dependência global exagerada do mercado chinês, e acreditamos que EUA, União Europeia e Grã-Bretanha tenham alinhamento neste tema.

Os países mais estáveis politicamente, que melhor organizarem seus custos internos com diminuição da burocracia exigida das empresas, e com melhor capacitação educacional da população serão muito beneficiados.

Conforme dados expostos, do ponto de vista do custo de trabalho, este já é menor no Brasil. E mais, a existência de flexibilidade de jornada de trabalho, conforme a autorização legislativa existente para implantação de banco de horas de trabalho, também facilitarão a migração de novos negócios para o país, se houver senso de oportunidade do governo federal. Os demais requisitos devem ser buscados rapidamente para aproveitar a oportunidade global.

Por fim, entendemos que se trata de uma nova era de oportunidades e a globalização terá novos parâmetros após o Covid-2019.

*Advogado.

Fonte: Di Comedy – Assessoria de Comunicação

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Programa de empreendedorismo da Emater incentiva filho de produtor a investir em projeto

Em uma área de 600 metros quadrados, Cleiton Neves Elias, de 25 anos, começou a dar seus primeiros passos como empreendedor rural no Núcleo Rural Córrego do Atoleiro, em Planaltina. Após passar pelo curso de técnico em agroindústria no Instituto Federal de Brasília (IFB) e pelo programa Filhos deste Solo, da Emater-DF, o desejo de empreender dentro da área rural, ajudar sua mãe,  Ivani Mariana Neves Elias, 53 anos, na propriedade dela e no futuro poder fazer essa sucessão, aumentou dentro do jovem do campo.

Morando na propriedade de sua mãe, que tem dois hectares, ele ocupa a parte do terreno cedida por ela, onde começou o cultivo de mudas orgânicas e insumos orgânicos. Inicialmente, está investindo em plantas nativas do cerrado, ornamentais, Pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) e insumos. Foi no programa Filhos deste Solo que ele diz ter ampliado os horizontes para o empreendedorismo e começado a controlar seus gastos.

“O curso me proporcionou ter total controle dos meus gastos, além de acesso a uma rede network que viabilizou visitarmos propriedades de sucesso, pegar informações importantes e divulgar um pouco do meu produto. Foi extremamente importante para mim”, conta.

O projeto, que teve andamento na atual gestão, está alinhado ao Plano Estratégico do Governo do Distrito Federal no âmbito do desenvolvimento econômico, com oportunidade de emprego e renda, além da melhoria no ambiente de negócio. A iniciativa também está contemplada no lado social, com objetivo de reduzir desigualdades por meio da geração de renda.

Entre suas cultivares, Cleiton possui plantas do cerrado e de outros ecossistemas, como o tamburil, barriguda, araçá, graviola, aroeira pimenteira, cacau, cereja gaúcha, pau-ferro, cajá, café vermelho, buriti, açaí, ingá, vinagreira e ipês branco, amarelo e rosa. “Ainda estou adaptando, organizando o viveiro, colocando os nomes científicos das ornamentais”, explicou Cleiton. As pancs fazem parte do cultivo de sua mãe, mas que estão recebendo grande parte da sua atenção, por serem nelas que dona Ivani investe com maior propriedade e espera ter retorno.

O  curso presencial de empreendedorismo Filhos deste Solo formou dez turmas com alunos dos núcleos rurais da Taquara, Tabatinga, Pipiripau, PAD-DF, IFB de Planaltina, Brazlândia, Jardim II e Rio Preto, totalizando 207 jovens da área rural beneficiados. Para a presidente da Emater-DF, Denise Fonseca, o projeto engrandece o campo e visa mostrar as diversas possibilidades que os jovens podem encontrar na área rural.

“A ideia é fazer com que esses jovens não se frustrem saindo do campo para cidade, em busca de emprego. Além disso, mostrar que eles podem empreender e suceder seus pais no meio rural, garantindo emprego e renda no campo e ainda comida de qualidade na mesa das pessoas”, apontou Denise, que garante que um de seus objetivos à frente da Emater é fazer da área rural do Distrito Federal um dos melhores lugares para trabalhar e viver.

Realizações

“Com o curso de empreendedorismo da Emater, eu consegui entender de uma forma mais simples sobre todo o custo de produção, sobre como criar e alimentar o fluxo de caixa”, conta ele, que ressalta ter conquistado maior segurança e ido à luta. “Eu não tinha recurso financeiro, então eu mesmo fui andar no cerrado e fazer coletas de sementes, trouxe para casa e comecei a germina-las”, diz o jovem orgulhoso ao mostrar as mudas cultivadas.

O primeiro passo, logo após a busca por mudas, foi a criação de sua empresa com a abertura de um CNPJ. As próximas medidas serão a carteira de produtor rural e a buscar por um crédito rural para investir no seu projeto. O conhecimento da atividade, de acordo com ele, foi aprofundado no curso de técnico agropecuário do IFB. No entanto, desde criança já ouvia muitos ensinamentos práticos da mãe, que sempre gostou de plantar os próprios alimentos em processo orgânico, sem produtos químicos.

“Eu via muito a minha mãe fazendo as coisas e me ensinando. Mesmo sem estudo, ela sabe muito na prática. Desde criança fui ganhando forças e sendo incentivado por ela. Hoje o maior orgulho dela é ver eu fazendo as mesmas atividades e tendo me aprofundado no que ela me passou”, conta Cleiton, que pretende ajudar a mãe e ajudar a tomar conta dos negócios.

Segundo o jovem empreendedor, entre suas plantas, os abacaxis ornamentais que ele cultiva são os “queridinhos” do momento. “Eu vendo as mudas, mas como estou no início, eu também faço trocas”, disse. Casado com Denise Silva Rodrigues, de 24 anos, o jovem é pai de dois filhos, um de 3 anos e outro de 1 anos. Apesar das adversidades, como falta de transporte e muitas vezes não ter com quem deixar os filhos, ele e a esposa conseguiram se formar no IFB. A esposa é técnica em agroindústria e também fez o curso Filhos deste Solo.

Troca de mudas por insumos

Em um segundo momento, Cleiton planeja fazer um trabalho de educação ambiental, incentivando as pessoas a reciclar o lixo. A ideia é trocar uma muda de planta nativa por resíduos orgânicos como casca de ovo, borra de café e casca de banana. De acordo com ele, esse material vira insumo para suas plantas. “Com esses três já dá para fazer um excelente adubo”, acrescenta.

“Eu quero fazer um cartão fidelidade, com a troca de resíduos orgânicos por mudas de plantas ornamentais, nativas do cerrado ou Pancs. A pessoa vai juntar 1kg de algum dos três resíduos, trazer esse material separado. Cada quilo do resíduo, acompanhado de uma garrafa pet vazia, vai dá direito a uma muda”, conta.

Empreendedorismo rural

Foram 40 horas de curso, gratuito, em que eles puderam transformar suas ideias em planos de negócios. Participaram jovens entre 16 e 29 anos, ligado de alguma forma a uma propriedade rural (Proprietário, agricultor, filho de agricultor ou funcionário de empresa ou propriedade rural).

O programa de empreendedorismo rural Filhos deste Solo tem como objetivo apoiar a permanência dos jovens no campo, com condições dignas, por meio de incentivo na condução de negócios bem-sucedidos, dotando-os de competências e habilidades, com novas perspectivas culturais, sociais e empreendedoras dentro da própria comunidade.

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Foto: Divulgação / Emater – DF