Grupo Labhoro: mais do que área, próxima safra será definida pela tecnologia e qualidade das decisões

Com uma visão ampla, integrada e multidimensional dos mercados agrícolas globais, o Grupo Labhoro acompanha simultaneamente o desenvolvimento da safra do Hemisfério Norte e a construção da safra brasileira 2026/27. Mais do que observar acontecimentos isolados, a empresa integra informações sobre clima, oferta e demanda, geopolítica, logística, macroeconomia e fluxo financeiro para compreender como esses fatores moldam o ambiente que antecede a próxima safra sul-americana.

Nesse contexto, os levantamentos mais recentes do USDA indicam que 67% das lavouras de milho e 66% das lavouras de soja nos Estados Unidos encontram-se classificadas entre boas e excelentes, corroborando um cenário até então favorável para o potencial produtivo da safra norte-americana.

Paralelamente, há meses a equipe de Inteligência de Mercado da Labhoro acompanha indicadores como o U.S. Drought Monitor, mapas de anomalias de temperatura, precipitação e umidade do solo, alertando seus clientes para a possibilidade de temperaturas acima da média histórica, episódios de estresse térmico e restrição de chuvas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos, da Europa e de partes do Canadá.

Embora estes indicadores de lavoura sustentem uma perspectiva favorável para a safra norte-americana, a evolução das áreas afetadas por temperaturas acima da média histórica e chuvas restritas já exige maior atenção dos participantes do mercado. E é exatamente isso que vem acontecendo: uma transição sendo construída através de especulações climáticas. 

Caso as condições climáticas persistam ou se intensifiquem nas próximas semanas, parte do potencial produtivo das lavouras é impactado, influenciando a percepção de risco dos agentes de mercado e ampliando a volatilidade das commodities agrícolas.

Para a Labhoro, esse acompanhamento vai muito além da safra norte-americana. O comportamento das lavouras nos Estados Unidos, aliado às condições produtivas observadas na Europa e em partes do Canadá, contribui para formar o ambiente de mercado que antecede a construção da próxima safra sul-americana. Muito antes do início do plantio, decisões relacionadas ao crédito, aquisição de insumos, formação do pacote tecnológico, comercialização, gestão de riscos e planejamento financeiro já vêm sendo tomadas pelas famílias produtoras e terão influência direta sobre o desempenho da próxima temporada.

Enquanto parte do mercado acompanha a evolução da área cultivada como principal indicador para estimar o potencial da safra brasileira de soja 2026/27, o Grupo Labhoro direciona sua atenção para uma variável que considera ainda mais determinante para o desempenho da próxima temporada: a intensidade tecnológica que sustentará essa área e a qualidade das decisões estratégicas tomadas ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na avaliação do grupo, a evolução da área plantada continuará sendo um importante indicador para a formação da oferta e, consequentemente, para a dinâmica de precificação das commodities agrícolas. Entretanto, analisar exclusivamente o crescimento ou não da área poderá levar o mercado a uma leitura incompleta do cenário que está sendo construído para a próxima safra.

Mais do que discutir sobre a área a ser cultivada, será necessário compreender como a gestão será conduzida. É justamente nesse ponto que a Labhoro identifica um dos principais desafios para a temporada 2026/27.

Área deverá continuar crescendo, mas em um novo ambiente econômico

Os levantamentos realizados pela mesa de inteligência do Grupo Labhoro nas principais regiões produtoras indicam que, neste momento, não há evidências de uma retração estrutural da área nacional destinada ao cultivo de soja.

A projeção preliminar da empresa aponta para uma área próxima de 49,1 milhões de hectares, sustentada principalmente pela continuidade da abertura de novas fronteiras agrícolas e pela incorporação gradual de novas áreas produtivas ao sistema agrícola brasileiro.

Ao mesmo tempo, a empresa observa um movimento consistente de readequação econômica dos contratos de arrendamento. Em diversas regiões do país, produtores vêm renegociando contratos firmados em um contexto econômico completamente diferente daquele vivido atualmente. Custos de produção mais elevados, mudanças na relação de troca, maior seletividade do crédito e margens significativamente mais estreitas fizeram com que muitos contratos deixassem de apresentar sustentabilidade econômica.

Em alguns casos ocorre a devolução de áreas e em outros se observa um processo intenso de renegociação dos valores de arrendamento, em uma tentativa de tornar a atividade economicamente viável.

Na avaliação da Labhoro, esse movimento representa muito mais uma adaptação à nova realidade econômica do agronegócio do que um processo consistente de redução da área cultivada no país.

Tecnologia aplicada deverá ser o principal diferencial da próxima safra

Na avaliação do Grupo Labhoro, a principal variável da safra 2026/27 não será apenas o tamanho da área cultivada, mas a intensidade tecnológica empregada ao longo de todo o ciclo produtivo.

Historicamente, o crescimento da produção brasileira esteve associado tanto à expansão territorial quanto à incorporação de tecnologias capazes de elevar a produtividade das lavouras. Entretanto, o atual ambiente econômico impõe uma nova realidade aos produtores. Margens mais apertadas, custos crescentes, juros altos, maior seletividade na concessão de crédito tornam as decisões sobre investimento cada vez mais criteriosas.

Nesse cenário, o desafio deixa de ser apenas produzir mais. Passa a ser produzir melhor, utilizando os recursos disponíveis de forma estratégica e economicamente eficiente.

Segundo a Labhoro, observa-se um movimento crescente de racionalização dos investimentos em diversas regiões produtoras. A preocupação não está apenas na quantidade de tecnologia utilizada, mas também na qualidade das decisões relacionadas ao pacote tecnológico que será adotado.

Em algumas propriedades, essa estratégia poderá resultar na redução da população de plantas, em ajustes na adubação, na postergação de investimentos, na escolha de materiais genéticos mais compatíveis com a realidade econômica de cada região ou mesmo em alterações no manejo fitossanitário. Em outras, produtores poderão optar por manter elevados níveis tecnológicos justamente para preservar o potencial produtivo e diluir custos fixos.

Essa heterogeneidade torna a leitura da próxima safra muito mais complexa do que simplesmente analisar o crescimento da área cultivada.

Para a Labhoro, dois produtores com a mesma área podem obter resultados completamente distintos em função das decisões tomadas antes e durante o desenvolvimento das lavouras.

É justamente essa diferença na intensidade tecnológica e na gestão da propriedade que deverá explicar boa parte da variabilidade de produtividade observada entre regiões e sistemas produtivos na safra 2026/27.

Crédito mais seletivo exige planejamento

Outro fator que merece atenção é o ambiente financeiro. Nos últimos anos, o produtor rural passou a conviver com uma realidade bastante diferente daquela observada durante o período de juros historicamente baixos. O aumento do custo do capital elevou significativamente o peso das despesas financeiras dentro do custo de produção, tornando o planejamento ainda mais relevante.

Além disso, observa-se um mercado de crédito mais seletivo. Instituições financeiras, tradings, cooperativas e fornecedores passaram a ampliar seus critérios de avaliação de risco, exigindo maior capacidade de gestão, planejamento financeiro e organização das informações por parte dos produtores.

Na avaliação da Labhoro, esse novo ambiente não deverá reduzir apenas o acesso aos recursos financeiros. Ele também tende a influenciar diretamente o nível tecnológico empregado nas lavouras, especialmente entre produtores com maior restrição de capital.

Ao mesmo tempo, produtores que conseguiram preservar liquidez, planejamento e capacidade de investimento poderão transformar esse cenário em vantagem competitiva, mantendo elevados níveis tecnológicos e capturando ganhos de produtividade em relação à média do mercado.

Mais uma vez, a diferença não estará necessariamente na área cultivada, mas na qualidade das decisões tomadas ao longo de todo o processo produtivo.

Gestão passa a ser tão importante quanto produzir

Na avaliação do Grupo Labhoro, a agricultura brasileira entra em uma nova fase. Se durante muitos anos o crescimento da produção esteve fortemente associado à expansão da área e ao avanço tecnológico praticamente uniforme, o cenário atual exige uma combinação muito mais sofisticada entre gestão financeira, inteligência de mercado, mitigação de riscos, planejamento comercial, eficiência operacional e tecnologia.

Nesse ambiente, produzir bem continuará sendo indispensável. Mas produzir com estratégia, disciplina financeira e capacidade de adaptação às mudanças de mercado poderá representar o verdadeiro diferencial competitivo da próxima safra.

É justamente essa combinação entre tecnologia, gestão e tomada de decisão que, na visão da Labhoro, deverá definir os resultados econômicos da safra brasileira 2026/27.

Entretanto, mesmo as melhores decisões de gestão precisam conviver com fatores que escapam ao controle do produtor. É nesse momento que o monitoramento contínuo do ambiente climático e geopolítico global ganha importância crescente na construção dos cenários de mercado.

Climatologia continua sendo uma das principais variáveis da próxima safra

Embora a construção da safra brasileira ainda esteja em sua fase inicial, o cenário climático permanece entre as principais variáveis monitoradas pela mesa de Inteligência de Mercado do Grupo Labhoro.

Esse acompanhamento não se restringe ao território brasileiro. A equipe monitora continuamente a evolução das condições climáticas no Hemisfério Norte, especialmente nos Estados Unidos, além de importantes regiões produtoras da Europa e de partes do Canadá, avaliando indicadores como o U.S. Drought Monitor, mapas de anomalias de temperatura, precipitação, umidade do solo e previsões climáticas de curto, médio e longo prazo.

Esse trabalho permitiu à Labhoro alertar seus clientes, ainda nos últimos meses, para a possibilidade de temperaturas acima da média histórica, restrição de chuvas e episódios de estresse térmico em importantes regiões produtoras do Hemisfério Norte, fatores que permanecem sendo acompanhados diariamente pela equipe.

Mais do que avaliar o impacto agronômico dessas condições, a empresa acompanha como esses eventos alteram a percepção de risco dos participantes do mercado, influenciando o comportamento dos fundos de investimento, das tradings, da indústria e dos agentes financeiros.

Na avaliação da Labhoro, compreender essa dinâmica é tão importante quanto acompanhar a evolução das lavouras.

El Niño no radar

Além das condições observadas no Hemisfério Norte, outro fator acompanhado permanentemente pela equipe de Inteligência de Mercado é a evolução dos fenômenos climáticos associados ao Oceano Pacífico.

Embora ainda exista elevado grau de incerteza sobre o comportamento climático durante o desenvolvimento da safra sul-americana, qualquer alteração no padrão oceânico-atmosférico poderá modificar significativamente o regime de chuvas, a distribuição das temperaturas e o potencial produtivo das principais regiões agrícolas brasileiras.

Para a Labhoro, mais importante do que antecipar um fenômeno climático é acompanhar continuamente sua evolução, atualizando cenários à medida que novas informações são incorporadas ao mercado.

Essa leitura dinâmica permite que produtores, cooperativas, tradings, agroindústrias e demais participantes da cadeia ajustem suas estratégias comerciais e de gestão de risco de forma mais eficiente.

Geopolítica continua influenciando o mercado das commodities

Outro componente que permanece no radar da Labhoro é o ambiente geopolítico internacional.

Nos últimos anos, conflitos armados, restrições logísticas, sanções econômicas, alterações em corredores marítimos e mudanças nas relações comerciais entre países demonstraram que o mercado agrícola responde cada vez mais rapidamente aos riscos globais.

Mais recentemente, a intensificação dos ataques na região de Odessa e do Mar Negro, os riscos envolvendo importantes corredores marítimos internacionais, incluindo o Estreito de Ormuz, além das preocupações climáticas observadas nos Estados Unidos, Europa e Canadá, reforçaram a percepção de risco dos agentes financeiros.

Em diversos momentos, esses fatores provocam movimentos relevantes nos mercados futuros antes mesmo que ocorram alterações concretas na oferta ou na demanda mundial.

Na avaliação da Labhoro, compreender esse ambiente tornou-se indispensável para qualquer estratégia de comercialização e gestão de risco.

Foto: Hugo Magalhães / Pexels.com

Mercado negocia expectativas, risco e percepção

Ao contrário da percepção de parte dos participantes, os preços das commodities agrícolas não refletem apenas a realidade presente das lavouras.

Os mercados negociam expectativas, cenários, probabilidades e principalmente percepção de risco. Por esse motivo, mudanças nas condições climáticas, tensões geopolíticas, alterações na política monetária, oscilações cambiais ou movimentos dos fundos de investimento frequentemente antecipam variações de preços muito antes que seus efeitos sejam observados na produção agrícola.

Segundo a Labhoro, interpretar corretamente esses sinais tornou-se uma das principais vantagens competitivas para empresas, cooperativas, distribuidores, agroindústrias e produtores rurais. É justamente essa integração entre fundamentos, climatologia, geopolítica, fluxo financeiro e inteligência de mercado que sustenta as análises desenvolvidas pela empresa.

Fator humano continua sendo decisivo

Mesmo diante do avanço tecnológico observado na agricultura brasileira, a próxima safra continuará sendo fortemente influenciada pelas decisões humanas.

A escolha do pacote tecnológico, o momento de comercialização, a contratação de operações de hedge, a gestão financeira, o planejamento tributário, o acesso ao crédito, a formação das equipes e a capacidade de adaptação às mudanças de mercado continuarão exercendo influência direta sobre os resultados econômicos da atividade.

Na visão da Labhoro, tecnologia produz eficiência. Gestão produz competitividade, mas são as decisões tomadas diariamente pelos produtores e gestores que transformam potencial produtivo em resultado econômico.

Todo esse conjunto de fatores reforça uma conclusão importante: estimar a próxima safra brasileira exige muito mais do que projetar área cultivada ou produtividade potencial.

É necessário compreender como clima, tecnologia, crédito, geopolítica, fluxo financeiro, comportamento dos agentes econômicos e qualidade da gestão interagem na formação do ambiente de mercado.

É justamente essa visão integrada que sustenta as projeções e análises desenvolvidas pelo Grupo Labhoro para a safra brasileira 2026/27.

Projeções preliminares indicam crescimento da produção, mas cenário permanece dinâmico

Com base nos levantamentos realizados até o momento, o Grupo Labhoro projeta que a safra brasileira de soja 2026/27 deverá registrar novo crescimento de produção, sustentado principalmente pela continuidade da expansão da área cultivada e pelo elevado potencial produtivo da agricultura brasileira.

Entretanto, a empresa ressalta que esta é uma projeção preliminar, construída a partir das informações atualmente disponíveis. Ao longo dos próximos meses, fatores como comportamento climático, intensidade tecnológica empregada nas lavouras, disponibilidade de crédito, dinâmica dos mercados internacionais, geopolítica, custos de produção e decisões de gestão poderão alterar o potencial produtivo inicialmente estimado.

Na avaliação da Labhoro, a próxima safra deverá ser acompanhada de forma ainda mais dinâmica do que em anos anteriores, exigindo atualização permanente dos cenários e rápida capacidade de adaptação por parte dos agentes da cadeia do agronegócio.

Mais do que buscar respostas definitivas neste momento, o mercado deverá acompanhar continuamente a evolução dos indicadores que efetivamente determinarão o comportamento da produção brasileira ao longo da temporada.

Visão da Labhoro

Para o Grupo Labhoro, a safra brasileira começa muito antes da entrada das máquinas no campo. Ela começa quando produtores, cooperativas, distribuidores, agroindústrias, tradings e instituições financeiras iniciam suas decisões de crédito, comercialização, aquisição de insumos, definição do pacote tecnológico, gestão financeira e mitigação de riscos.

Começa também na leitura dos sinais emitidos pelos mercados internacionais, pela climatologia, pela geopolítica, pela macroeconomia e pelo comportamento dos agentes financeiros.

Por isso, estimar uma safra exige muito mais do que projetar área plantada ou produtividade potencial. Exige compreender como todos esses fatores interagem entre si e influenciam o ambiente de decisão ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na visão da Labhoro, a agricultura moderna deixou de ser definida apenas pelo que acontece dentro da porteira. Hoje, competitividade também depende da capacidade de interpretar informações, antecipar tendências, gerenciar riscos e transformar inteligência em estratégia.

É justamente essa abordagem que orienta o trabalho da empresa há mais de três décadas, acompanhando diariamente os mercados agrícolas nacionais e internacionais para apoiar decisões mais seguras, consistentes e sustentáveis em toda a cadeia do agronegócio.

Conab estima safra de grãos em mais de 360 milhões de toneladas

A produção de grãos da safra 2025/26 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, volume 2,2% superior ao registrado na temporada passada, o que representa um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas de grãos a serem colhidos. O resultado reflete a maior área destinada para o cultivo de grãos no país, projetada em 83,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional das lavouras deve se manter estável, prevista em 4.311 quilos por hectare. Os dados estão no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A colheita das três safras de milho no atual ciclo está estimada em 141,7 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao ciclo passado. A primeira safra do cereal já está quase toda colhida, e a produção está estimada em 29,6 milhões de toneladas. Já na segunda safra do grão, a colheita atinge 38,9% da área destinada para cultura, índice inferior à média dos últimos 5 anos. Principal produtor do grão, Mato Grosso registrou condições climáticas favoráveis durante o ciclo, proporcionando um bom desenvolvimento da segunda safra de milho. Já em Goiás, Minas Gerais e Piauí os veranicos ocorridos em abril e maio influenciaram no desempenho da cultura. Neste cenário, a Conab espera que sejam colhidas 109,43 milhões de toneladas na segunda safra do cereal. Para a terceira safra, espera-se uma produção de 2,7 milhões de toneladas. No momento, as baixas precipitações que vêm ocorrendo, especialmente em Sergipe e Alagoas, trazem reflexos à evolução das lavouras.

O algodão tem produção prevista em 4,06 milhões de toneladas de pluma, com 8,1% da área já colhida, 78,4% em maturação e 13,5% em formação de maçãs. As boas condições climáticas favorecem o bom desenvolvimento das lavouras, refletindo em um ganho na produtividade de 2,8% em relação à safra 2024/25. Essa melhora no desempenho médio das lavouras compensou a diminuição em 3,2% na área plantada, que neste ciclo foi próximo a 2 milhões de hectares.

Com colheita finalizada, a soja alcança uma produção de 180,6 milhões de toneladas, avanço de 5,3% em relação à safra passada, resultado do aumento de 2,7% na área cultivada, aliado ao bom pacote tecnológico utilizado pelos produtores, e às condições climáticas favoráveis. O arroz também tem colheita encerrada e apresenta uma produção de 11,1 milhões de toneladas, 13,1% abaixo do volume produzido na safra passada, reflexo de uma menor área destinada ao produto. No caso do feijão, a produção total estimada é de 3 milhões de toneladas, 1,4% inferior ao ciclo anterior. Mesmo com a redução prevista para estes dois importantes produtos para o consumo dos brasileiros, o volume a ser colhido garante o abastecimento no mercado doméstico.

Já o trigo, produto de destaque entre as culturas de inverno, se encontra em fase final de plantio. A expectativa da Conab é de uma redução de 23,5% no volume a ser colhido, estimado em 6 milhões de toneladas. O resultado reflete tanto a menor área destinada ao cereal como a expectativa de uma menor produtividade média a ser registrada nas lavouras neste ciclo.

Mercado

Neste 10º levantamento, a Companhia ajustou as estimativas para o estoque de passagem de milho na safra 2025/26, uma vez que a produção total do cereal foi reajustada para 141,7 milhões de toneladas. Com isso, a nova expectativa é de um estoque próximo a 14,5 milhões de toneladas em 31 de janeiro de 2027. A atualização da safra de algodão também possibilitou ajustes na expectativa de exportação da fibra, podendo chegar a 3,38 milhões de toneladas, resultando em um estoque final de 2,67 milhões de toneladas.

No caso da soja, o estoque final foi ajustado para 8,8 milhões de toneladas, diante um aumento no processamento do grão e das exportações, estimadas em julho em 62,57 milhões de toneladas e 116,3 milhões de toneladas respectivamente.

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Com mais de R$ 1 trilhão em ativos, cooperativas de crédito ganham espaço entre os brasileiros

As cooperativas de crédito alcançaram um novo patamar no sistema financeiro brasileiro. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, o segmento ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão em ativos em 2025, consolidando uma trajetória de crescimento que vem se fortalecendo nos últimos anos.

O setor é formado atualmente por 689 cooperativas singulares e tem ampliado sua presença em todas as regiões do país, atraindo um número cada vez maior de brasileiros em busca de alternativas aos bancos tradicionais.

O avanço reflete uma mudança gradual no comportamento dos consumidores e das empresas. Estruturadas sob um modelo em que os clientes também são associados, as cooperativas oferecem serviços como crédito, investimentos, seguros e meios de pagamento, muitas vezes com condições mais competitivas. A expansão também tem sido impulsionada pela forte presença dessas instituições em municípios menores e localidades com menor cobertura bancária.

Para Fabiano Jantalia, sócio-fundador do Jantalia Advogados e especialista em Direito Bancário, o crescimento do setor demonstra que o cooperativismo financeiro deixou de ocupar um nicho específico para assumir um papel relevante dentro da economia brasileira.

Foto: Diego Barros / Pexels.com

“Ultrapassar R$ 1 trilhão em ativos é um marco que evidencia a maturidade das cooperativas de crédito e a confiança que os brasileiros passaram a depositar nesse modelo. Hoje, elas participam de forma efetiva da oferta de crédito e da inclusão financeira em diversas regiões do país”, afirma.

Além do crescimento patrimonial, as cooperativas vêm ampliando sua importância para a concorrência no mercado financeiro. Na avaliação do especialista, a expansão do segmento contribui para diversificar a oferta de serviços e estimular condições mais favoráveis para consumidores e empresas.

“Quanto maior a participação de diferentes agentes financeiros no mercado, maior tende a ser a competitividade. As cooperativas exercem um papel importante ao oferecer alternativas de relacionamento e financiamento que dialogam com as necessidades locais de seus associados”, explica.

Avanços regulatórios

O fortalecimento do setor também tem sido acompanhado por avanços regulatórios e pelo aperfeiçoamento dos mecanismos de supervisão. Conforme Jantalia, esse cenário cria condições para que as cooperativas continuem crescendo de forma sustentável nos próximos anos.

“O desafio é preservar os princípios cooperativistas que diferenciam essas instituições, ao mesmo tempo em que elas ganham escala e relevância econômica. O crescimento observado hoje demonstra que o modelo tem espaço para continuar se expandindo no sistema financeiro brasileiro”, conclui.

EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros

com informações da Agência Brasil

Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida já entrou em vigor nesta sexta-feira (24/07).

A nova tarifa substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações do Brasil para o mercado estadunidense poderá enfrentar tributação de até 37,5%.

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Motivação

Segundo o governo estadunidense, o Brasil integra o grupo de 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos. Na avaliação do USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida, ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos menores.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a prática prejudica empresas e trabalhadores estadunidenses. “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual”, destacou Greer em comunicado.

Produtos 

O relatório afirma que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos:

  1. alumínio
  2. algodão
  3. eletrônicos
  4. baterias de lítio
  5. tabaco

Segundo o USTR, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.

O documento também menciona que, embora o Brasil participe de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o país não detém, na avaliação dos Estados Unidos, mecanismos considerados suficientes para impedir a importação desses bens.

Países

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.

Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.

Tarifa 

A nova medida se soma à tarifa de 25% aplicada nesta semana sobre parte das exportações brasileiras, resultado de outra investigação conduzida pelo USTR.

Nesse processo, o governo estadunidense acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais, citando questões como acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e políticas comerciais preferenciais.

Com a nova decisão, empresas brasileiras poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5% em parte das exportações destinadas aos Estados Unidos.

As novas tarifas anunciadas nesta quinta substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro deste ano. Na ocasião, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as “tarifas recíprocas” impostas pelo presidente estadunidense no ano passado.

Reação brasileira

Em nota, o governo brasileiro criticou a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos e classificou a medida como “arbitrária” e “injustificada”. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

O texto também informa que o governo pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro já havia contestado as conclusões da investigação. Em manifestação anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais e defendeu que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.

Segundo o chanceler, o Brasil dispõe de mecanismos de fiscalização e cooperação internacional para impedir a circulação de produtos produzidos em condições análogas à escravidão.

Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels.com

MBRF lança programa de estágio para formar futuros líderes da indústria de alimentos

No cenário em que a formação de lideranças e a atração de talentos qualificados se tornam desafios cada vez mais estratégicos para a indústria brasileira, a MBRF, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, anuncia a abertura das inscrições para o Programa de Estágio MBRF Líderes do Futuro. A iniciativa foi desenvolvida para preparar estudantes com potencial para construir carreira e evoluir, no futuro próximo, para posições de liderança nas áreas de Indústria e Logística da companhia.

O programa oferece 43 vagas distribuídas em 11 estados do Brasil, como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, além de possuir mobilidade para atuação em diferentes unidades MBRF pelo Brasil. Destas vagas, 33 são destinadas à área de Indústria e 10 para a área de Logística. As vagas são voltadas para estudantes de Engenharias e Medicina Veterinária inscritos no último ano de graduação e combina experiência prática, desenvolvimento técnico e formação comportamental em uma jornada estruturada de aceleração de carreira. O prazo para início do programa é setembro 2026, e o link para inscrição, que ocorre até 26 de julho de 2026, está disponível no portal de vagas da companhia. 

A Gerente Executiva de Atração e Seleção da MBRF, Cristiane Costa, afirma que “além da atuação direta nas operações, os estudantes participarão de projetos estratégicos, iniciativas de melhoria contínua, acompanhamento de indicadores, desenvolvimento de soluções para desafios reais do negócio e contato próximo com lideranças da companhia. Essa jornada favorece uma visão mais completa dos processos e prepara os participantes para construir uma trajetória de crescimento na MBRF”.

O programa nasce em resposta a uma necessidade estratégica da MBRF: fortalecer sua rede de profissionais preparados para os desafios operacionais e de gestão, para sustentar o crescimento do negócio e garantir a formação de futuras lideranças para suas operações industriais e centros logísticos. Em um cenário de crescente demanda por profissionais preparados para assumir desafios de gestão operacional, a companhia investe no desenvolvimento acelerado de jovens talentos capazes de se tornar sucessores das posições-chave que sustentam a excelência operacional da MBRF.

O diferencial da iniciativa está na perspectiva concreta de evolução profissional e na estrutura voltada para estudantes ainda matriculados na faculdade, com jornada compatível com a formação acadêmica. Com duração inicial de seis meses, o estágio foi estruturado para desenvolver competências técnicas e de liderança, prevendo a efetivação imediata do participante para cargos de analista (ou equivalentes) durante mais 6 meses de atuação. Após o período, o profissional terá a possibilidade de efetivação direta em cargos de liderança, como supervisão, de acordo com o desempenho e a evolução demonstrados ao longo da jornada.

Os participantes terão acesso a uma trilha estruturada de desenvolvimento baseada na metodologia 70-20-10, amplamente utilizada em programas de formação de lideranças. O modelo combina aprendizagem prática, troca de experiências com profissionais mais experientes e capacitações formais realizadas por meio da Academia MBRF, plataforma que concentra cursos e conteúdos de aprendizagem para a companhia.

A companhia já consolida outros programas de estágio, e obtém resultados em potencial. Da sua base total de estagiários, em 2025, 47% dos estagiários foram efetivados, reforçando o estágio como uma importante porta de entrada para o crescimento profissional dentro da organização.

“A MBRF está investindo na construção das futuras lideranças da companhia e na capacitação de talentos em todo território brasileiro. Queremos aproximar a universidade do ambiente industrial, oferecendo experiências reais de desenvolvimento e preparando profissionais para assumir desafios crescentes ao longo da carreira”, afirma a gerente.

Com a iniciativa, a MBRF reforça sua estratégia de desenvolvimento de pessoas e sua visão de longo prazo para a formação de profissionais capazes de impulsionar a evolução da indústria de alimentos, conectando conhecimento acadêmico, experiência prática e construção de carreira.

Foto: MBRF / Divulgação

Empresas afetadas por tarifaço terão acesso a socorro de R$ 18,5 bi

com informações da Agência Brasil

O Governo Federal anunciou um novo pacote de apoio às empresas brasileiras. Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.

O programa também pretende beneficiar empresas afetadas por conflitos internacionais. O anúncio foi feito ontem e coincide com a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida deve atingir cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 5,8 bilhões em exportações.

No total, o presidente Lula assinou uma medida provisória (MP) e um projeto de lei de conversão. A nova MP permitirá a ampliação do Plano Brasil Soberano, ao autorizar o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com recursos próprios do BNDES para financiar as novas linhas de crédito.

Também nesta quarta, Lula sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória 1.345, de março deste ano, que instituiu as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. O Congresso ampliou o escopo do texto para contemplar, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.

Recursos disponíveis

Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, os recursos serão divididos entre o Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

  • R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional
  • R$ 5 bilhões do BNDES

As linhas poderão ser utilizadas para:

  • capital de giro
  • aquisição de máquinas e equipamentos
  • investimentos produtivos
  • inovação tecnológica
  • adaptação de produtos e processos
  • abertura e prospecção de novos mercados

As taxas de financiamento variam conforme a finalidade do crédito, chegando a 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos e 9,80% ao ano para capital de giro destinado a grandes empresas.

Novos beneficiários

Além das empresas diretamente atingidas pelo tarifaço norte-americano, o programa passa a contemplar exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico, e amplia o acesso ao crédito para setores estratégicos.

Entre os beneficiários estão:

  • agricultura
  • pecuária
  • florestas plantadas
  • pesca e aquicultura
  • cooperativas e associações do setor
  • mineração
  • fertilizantes
  •  indústria química
  • farmacêutica
  • setor têxtil
  • automotivo
  • máquinas e equipamentos
  • materiais elétricos e eletrônicos

A legislação também permite que os recursos sejam utilizados para adequações exigidas pelo comércio internacional, como requisitos sanitários, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.

Foto: Tom Fisk / Pexels.com

Planejamento da safra 2026/27 reforça importância da mecanização e do acesso ao crédito no campo

Com as atenções do setor voltadas para o planejamento da safra 2026/27, produtores rurais de todo o Brasil já começam a avaliar estratégias para aumentar a produtividade e a eficiência operacional das propriedades. Nesse contexto, a mecanização agrícola segue como um dos principais pilares para garantir competitividade, especialmente em um cenário marcado por custos elevados de produção, desafios climáticos e maior rigor na concessão de crédito.

A adoção de máquinas e equipamentos agrícolas tem transformado a realidade do campo, permitindo ganhos de produtividade, redução de desperdícios e maior previsibilidade das operações. O movimento é observado tanto em grandes propriedades quanto na agricultura familiar, que também vem ampliando gradualmente o acesso à mecanização, impulsionada por programas de financiamento específicos.

Segundo Welinton Silva, supervisor Comercial Agrícola da YANMAR South America, o planejamento antecipado dos investimentos tem se tornado cada vez mais importante para os produtores. “Estamos observando um agricultor mais cauteloso e estratégico. A mecanização permanece como um investimento estratégico para produtores que buscam eficiência, embora a decisão de compra esteja cada vez mais condicionada às condições de crédito e ao retorno econômico”, afirma.

A mecanização contribui diretamente para a otimização de etapas fundamentais da produção, como preparo do solo, plantio, pulverização e transporte. Além disso, a evolução tecnológica dos equipamentos tem levado ao mercado máquinas mais compactas, versáteis e adaptadas às necessidades de pequenos e médios produtores.

Outro diferencial está na incorporação de tecnologias digitais aos equipamentos. Cada vez mais modelos incorporam sistemas de monitoramento remoto que permitem acompanhar indicadores operacionais em tempo real, incluindo horas trabalhadas, desempenho das máquinas, localização dos equipamentos e diagnósticos preventivos de manutenção, contribuindo para uma gestão mais eficiente da propriedade.

“Hoje, a tecnologia embarcada permite que o produtor tenha mais controle sobre a operação e utilize dados para tomar decisões mais assertivas. Isso representa ganhos não apenas em produtividade, mas também em gestão e redução de custos”, destaca Silva.

Além dos avanços tecnológicos, o acesso ao crédito continua sendo um fator decisivo para impulsionar a renovação e ampliação das frotas agrícolas. Em um ambiente de juros ainda elevados e maior seletividade por parte das instituições financeiras, cresce a busca por modalidades que ofereçam maior previsibilidade ao produtor.

Entre as alternativas mais procuradas estão os financiamentos tradicionais, linhas subsidiadas e modalidades como o consórcio, que tem ganhado espaço por permitir o planejamento da aquisição de máquinas de forma estruturada e sem os impactos imediatos das taxas de juros sobre o investimento.

Programas governamentais como o Moderfrota também seguem desempenhando papel relevante para a modernização do parque de máquinas brasileiro, especialmente entre pequenos e médios produtores. Com a proximidade do anúncio do novo Plano Safra, o setor acompanha com expectativa as definições sobre recursos, taxas e condições que poderão estimular novos investimentos em tecnologia e mecanização.

“O acesso a linhas de crédito adequadas continua sendo fundamental para que o produtor consiga investir em modernização. Ferramentas como o Moderfrota, programas voltados ao PRONAF, financiamentos estruturados e consórcios contribuem para ampliar as possibilidades de investimento e tornar a mecanização mais acessível”, explica o executivo.

Para a YANMAR, o avanço da mecanização no Brasil continuará sendo impulsionado pela combinação entre tecnologia, capacitação e soluções financeiras que atendam às diferentes realidades do campo. A expectativa é que a safra 2026/27 seja marcada por um produtor cada vez mais conectado, focado em eficiência operacional e atento às oportunidades que possam gerar maior rentabilidade e sustentabilidade econômica para o negócio rural.

“Independentemente do tamanho da propriedade, a mecanização deixou de ser apenas uma opção para se tornar uma ferramenta estratégica de competitividade. O desafio agora é ampliar o acesso às tecnologias e criar condições para que mais produtores possam investir na modernização de suas operações”, conclui Silva.

Foto: Trator YANMAR Solis 26 com transmissão 9×9 / Divulgação YANMAR

Reciprocidade não é retaliação nem “olho por olho”, diz Alckmin

com informações da Agência Brasil

A Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro, disse o vice-presidente Geraldo Alckmin.

“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin.

Ele e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, concederam uma entrevista após reunião com empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Nos últimos dias, diversas associações de empresários manifestaram preocupação com eventuais retaliações impostas pelo Brasil.

O vice-presidente ressaltou que a Lei de Reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado. Segundo Alckmin, a legislação oferece instrumentos para uma resposta institucional, caso seja necessário, respeitando os trâmites legais, como consultas e audiências públicas.

O Executivo finaliza um pacote de apoio aos setores afetados e acelera a busca por novos mercados para as exportações nacionais. Os dois detalharam os principais eixos do pacote de ajuda aos exportadores. 

Três frentes

O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos.

A medida dos Estados Unidos prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5%, atingindo cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Apoio interno

Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas.

O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação. A ideia é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários.

Outro tema discutido é a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para setores que venham a receber apoio emergencial. “O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”, afirmou Márcio Elias Rosa.

Novos mercados

Paralelamente, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país.

Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura.

O governo avalia que a diversificação dos destinos das exportações poderá reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado.

Setores afetados

Entre os segmentos mais expostos às tarifas estão:

  • Eletroeletrônicos
  • Máquinas e equipamentos
  • Autopeças
  • Calçados
  • Outros produtos industriais exportados aos Estados Unidos

Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Cronograma

O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta.

Na próxima sexta-feira (24/07), é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre os produtos brasileiros decorrente de acusações de trabalho forçado.

Já em 29 de julho entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano.

Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio.

Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Tarifaço: aeronaves, óleo, café e carne estão fora da taxação imposta pelos EUA

com informações da Agência Brasil

Itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café, que juntos responderam por um terço da pauta de exportações do Brasil para os Estados Unidos, no primeiro semestre deste ano, não estão sujeitos ao tarifaço imposto pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) aos produtos brasileiros.

O USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos do Brasil. Também estão isentos da cobrança extra produtos como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.

Por outro lado, alguns setores não conseguiram se livrar da taxação, como ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

As isenções foram estabelecidas pelos Estados Unidos para aqueles produtos brasileiros que não são produzidos internamente por lá em quantidade suficiente ou a preços razoáveis, evitando assim escassez de determinados produtos no mercado consumidor e perturbações na economia daquele país.

Tarifaço

As tarifas de 25% já estão em vigor depois de uma investigação do USTR, que justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Já o governo brasileiro repudiou as novas tarifas, disse que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR e acrescentou que não há justificativa para essas medidas.

O Brasil informou ainda que “iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC [Organização Mundial do Comércio]”.

Setor cafeeiro isento

Entidades representativas do setor cafeeiro, entre elas, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), celebraram o fato do café brasileiro ter ficado de fora desta tarifação. Elas destacam o trabalho feito em defesa do setor desde do primeiro tarifaço, em 2025, e mais recentemente nas audiências públicas do USTR.

Em comunicado elas  manifestaram que o “trabalho conjunto com a National Coffee Association (NCA), tendo fundamental apoio dos importadores dos EUA, resultou em duas vitórias ao café brasileiro: i) a manutenção dos cafés previamente sugeridos na lista de exceção no âmbito da investigação da Seção 301 do USTR; e ii) a ampliação da lista, que incluiu o café solúvel não aromatizado entre os produtos isentos ao tarifaço”.

“Entendemos que essa decisão protege as exportações brasileiras de café – na ordem de US$ 2,0 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, maior consumidor e importador mundial – e reforça a força do Brasil como maior produtor e exportador global, estabelecido como parceiro insubstituível aos norte-americanos”, destacam ainda as entidades, na nota.

Abic, Abics e Cecafé ponderam, entretanto, o fato de existir ainda uma segunda “investigação do USTR na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a qual pode trazer uma nova possibilidade de tarifas ao café brasileiro, da ordem de 12,5%”.

Diante disso, elas concluem que seguirão “em permanente trabalho de representação da sustentabilidade, da qualidade e da competitividade dos cafés do Brasil em todo o mundo, de maneira que os interesses de todos os atores da cadeia produtiva sejam defendidos e contemplados”.

Foto: Lyncoln Miller / Pexels.com

Exportações brasileiras para o Golfo crescem 1,25% em junho e sinalizam retomada frente a conflito

As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), integrado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, avançam 1,25% em junho sobre o mesmo mês de 2025, para US$ 758,14 milhões, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Na avaliação da entidade, o avanço sinaliza uma possível reversão das perdas derivadas do conflito militar na região, que desde fevereiro limita o acesso de embarcações aos portos do Golfo pelo Estreito de Ormuz, afetando o comércio de produtos brasileiros, principalmente os do agronegócio e minerais.

Apesar do avanço de junho, no primeiro semestre, as vendas para o CCG acumulam queda de 4,01% sobre o mesmo período do ano passado, totalizando de US$ 4,17 bilhões. Para Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe, ainda é cedo para saber se a alta de junho vai persistir e viabilizar a recuperação dessas perdas. O dirigente, no entanto, faz um prognóstico favorável ao Brasil para os próximos meses.

“O Brasil não perdeu espaço nos maiores mercados árabes. O setor exportador encontrou rotas para fazer seus produtos chegarem ao Golfo, usando portos do Mar Vermelho, junto com modais rodoviário e aéreo. Os custos desse rearranjo estão sendo absorvidos por exportadores, importadores e consumidores finais. E a demanda ainda é similar à de tempos de paz”, diz Mourad.

O secretário-geral lembra ainda que, no segundo semestre, as vendas costumam adquirir tração com a formação de estoques de alimentos para o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos. Em 2027, o feriado religioso flutuante começa em fevereiro e deve gerar um aumento nos embarques nos meses de setembro, outubro e novembro, historicamente visível nas estatísticas.

Além disso, Mourad pontua que as vendas brasileiras para os 22 países da Liga Árabe, incluindo os do CCG, acumulam alta de 3,73% no primeiro semestre, para US$ 9,56 bilhões. Segundo o dirigente, as receitas brasileiras junto aos principais parceiros na região subiram, inclusive, em países diretamente afetados pelo bloqueio de Ormuz.

As vendas para os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, subiram 6,01% no semestre, para US$ 1,72 bilhão. Para a Arábia Saudita, a alta foi de 11%, para US$ 1,51 bilhão. Subiram também em outros grandes mercados, como o Egito, onde a alta foi de 31,73%, para US$ 1,68 bilhão, e a Argélia, que comprou 12,49% mais do Brasil, US$ 1,32 bilhão.

CCAB / Divulgação
Fonte: CCAB com base em dados do ComexStat

Agronegócio

As exportações do agronegócio, que respondem por três quartos das vendas do Brasil para a Liga Árabe, também avançaram 5% no semestre, para US$ 7,03 bilhões. Entre os países do Golfo, o setor registrou queda de 1,06% no período, mas o resultado, avalia Mourad, ainda foi expressivo: US$ 2,58 bilhões.

A pauta do agro foi liderada pelo açúcar, que recuou no semestre 7,45%, para US$ 1,79 bilhão. Depois vem a carne de frango, com queda de 9,99%, para US$ 1,57 bilhão; milho, com alta de 49,51%, para US$ 794,90 milhões; carne bovina, que avançou 7,33%, para US$ 792,27 milhões; e a soja, com elevação de 14,19%, para US$ 758,49 milhões.

Mourad destaca que os recuos em produtos importantes foram contrabalançados por avanços em outras categorias, tornando o resultado geral compatível com as oscilações históricas do comércio, o que faz o dirigente ver a possibilidade de recuperação nas vendas até o fim do ano.

“O Brasil segue liderando o fornecimento de alimentos para os países árabes, inclusive para os do Golfo. Se continuarmos assim, podemos ter, inclusive, avanço nas receitas sobre o ano passado”, prevê.

Porto de Jeddah, na Arábia Saudita, vira alternativa de acesso ao Golfo (Foto: CCAB / Divulgação)