Da experiência do campo à inteligência artificial: por que aplicativos estão mudando a forma de tomar decisões no agro

por Vitor Borges*

O agronegócio sempre incorporou tecnologia para produzir mais. Máquinas agrícolas, irrigação automatizada, sementes melhoradas e agricultura de precisão transformaram a produtividade nas últimas décadas. Agora, uma nova mudança começa a ganhar espaço dentro das propriedades: o uso de aplicativos inteligentes para apoiar decisões técnicas no campo.

Essa transformação vai além da digitalização de processos. O que muda é a velocidade com que informações agronômicas deixam de depender exclusivamente da experiência acumulada do produtor e passam a ser organizadas, registradas e analisadas continuamente. Em um cenário de mudanças climáticas, aumento dos custos de produção e necessidade de maior eficiência, a gestão baseada em dados tende a se tornar um dos principais diferenciais competitivos da agricultura.

Esse movimento acompanha uma tendência global. O relatório The Future of AI in Agriculture, publicado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), aponta que a inteligência artificial vem ampliando a capacidade de monitorar lavouras, identificar pragas, otimizar irrigação e apoiar decisões agronômicas em tempo real. Segundo a entidade, essas ferramentas devem desempenhar um papel cada vez mais relevante na produção de alimentos diante da necessidade de elevar a produtividade utilizando menos recursos naturais (FAO. The Future of Artificial Intelligence in Agriculture. Roma, 2024).

Ao mesmo tempo, um levantamento da McKinsey & Company mostra que produtores que incorporam tecnologias digitais conseguem melhorar a eficiência operacional, reduzir desperdícios e aumentar a previsibilidade das operações agrícolas. O estudo destaca que o maior benefício da agricultura digital não está apenas na coleta de dados, mas na capacidade de transformar essas informações em decisões práticas durante o ciclo produtivo (McKINSEY & COMPANY. Agriculture’s Connected Future: How Technology Can Yield New Growth. 2024).

Embora essas pesquisas evidenciem o potencial da agricultura digital, a adoção de aplicativos no campo ainda enfrenta um desafio importante: disponibilizar informação não significa, necessariamente, gerar melhores decisões. Na prática, muitos produtores possuem acesso a diferentes ferramentas, mas ainda encontram dificuldade para interpretar os dados e convertê-los em ações agronômicas.

Foi justamente a partir dessa necessidade que desenvolvi o que denomino Framework M.A.N.E.J.O., uma metodologia construída a partir da observação de milhares de dúvidas recorrentes apresentadas por produtores rurais ao longo dos últimos anos.

O framework organiza o processo decisório em seis etapas complementares:

M – Monitoramento contínuo: registro frequente das condições da lavoura por imagens, observações de campo e indicadores agronômicos.

A – Análise técnica: interpretação das informações coletadas para identificar riscos relacionados a pragas, doenças, nutrição vegetal ou estresse hídrico.

N – Normalização das decisões: adoção de protocolos técnicos padronizados para reduzir decisões baseadas exclusivamente na percepção individual.

E – Execução orientada: implementação das recomendações agronômicas de forma planejada e documentada.

J – Jornada de acompanhamento: monitoramento contínuo da resposta da cultura às intervenções realizadas.

O – Otimização permanente: utilização dos resultados obtidos para aperfeiçoar as decisões ao longo dos ciclos seguintes.

Esse modelo parte de um princípio simples: aplicativos agrícolas não substituem o conhecimento técnico do produtor ou do agrônomo. Eles ampliam a capacidade de registrar informações, identificar padrões e reduzir o tempo entre a observação do problema e a tomada de decisão.

Na cultura do maracujá, por exemplo, onde concentrei grande parte da minha atuação técnica, essa abordagem mostrou impactos relevantes. Enquanto dados do IBGE apontam produtividade média nacional próxima de 15,6 toneladas por hectare, propriedades que adotaram manejo sistematizado, acompanhamento contínuo, protocolos padronizados e monitoramento permanente alcançaram produtividades entre 40 e 45 toneladas por hectare. Embora diversos fatores influenciem esse resultado — como clima, solo, variedade e manejo — a organização das informações e a rapidez na tomada de decisão mostraram-se componentes importantes desse desempenho.

Foto: Tim Mossholder / Pexels.com

Dentro desse contexto foi desenvolvido o Manejo Pro, utilizado como plataforma de apoio para aplicação prática do Framework M.A.N.E.J.O. O aplicativo reúne inteligência artificial, banco de conhecimento técnico, registros de campo e acompanhamento das operações agrícolas em um único ambiente. Mais do que oferecer respostas prontas, seu objetivo é estruturar informações para apoiar decisões técnicas durante todo o ciclo produtivo.

A tendência é que esse tipo de ferramenta se torne cada vez mais comum à medida que a agricultura incorpora inteligência artificial, visão computacional, sensores e análise preditiva. No entanto, seu verdadeiro valor não estará na tecnologia em si, mas na capacidade de integrar conhecimento agronômico, gestão da propriedade e tomada de decisão baseada em evidências.

O futuro da agricultura digital não será definido pelos aplicativos capazes de gerar mais informações, mas por aqueles que conseguirem transformar informação em decisão técnica de qualidade. A tecnologia continuará evoluindo rapidamente. O diferencial permanecerá sendo a capacidade de utilizá-la para produzir com mais eficiência, previsibilidade e rentabilidade.

*Especialista em manejo agrícola, produtividade e rentabilidade no agronegócio. Atua no desenvolvimento de metodologias para gestão da produção rural, manejo de culturas, irrigação, nutrição vegetal e controle fitossanitário, com foco na integração entre conhecimento agronômico e tecnologias digitais aplicadas ao campo.

Brasil diz que não há justificativas para tarifas impostas pelos EUA

com informações da Agência Brasil

O governo brasileiro divulgou nota repudiando a decisão dos Estados Unidos (EUA) de impor tarifas de 25% sobre produtos vindos do Brasil. A medida estadunidense passa a valer a partir do próximo dia 22, com base em investigações feitas por Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

A nota, assinada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, destaca que o Brasil não reconhece a legitimidade dessas investigações, que não teriam amparo nas regras multilaterais de comércio. E acrescenta que não há justificativa para medidas unilaterais dos Estados Unidos contra o Brasil.

A nota diz ainda que a Lei de Reciprocidade brasileira será acionada “imediatamente”, além de instrumentos para solução de conflitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, diz o texto.

Alegações

A investigação iniciada há um ano pelo USTR concluiu que certas práticas brasileiras são descabidas e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses.

Entre as medidas citadas pelo USTR estão “práticas de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.

FIESP

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgou comunicado no qual “lamenta com profunda preocupação a aplicação de uma sobretaxa às exportações de produtos brasileiros ao mercado norte-americano”.

A entidade reafirmou também o “seu compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções”.

FIEMG

Quem também se manifestou sobre a taxação norte-americana sobre a economia brasileira foi a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Em nota, a Fiemg reforçou a “importância do diálogo e da cooperação entre os países, especialmente em um momento em que se exige serenidade e responsabilidade nas relações comerciais internacionais”.

A entidade da indústria mineira declarou ainda que os Estados Unidos são um parceiro estratégico para o país, “em especial para a indústria manufatureira nacional”.

CNI

Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), também criticou a aplicação de taxas contra o Brasil, determinada pelo governo dos EUA. “Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro trimestre”, afirmou Alban.

“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que o Brasil e Estados Unidos construíram”, acrescentou.

Fora da lista

Ficaram de fora produtos como café, suco de laranja, carne bovina, aeronaves, entre outros. A lista de produtos isentos chega a mais de 2 mil itens. Eles não são sobretaxados por terem muita importância dentro do mercado norte-americano e por não serem produzidos em larga escala pela indústria do país.

Foto: AFROTC DET605 / Pexels.com

BNDES disponibilizará R$ 72 bilhões ao setor agropecuário no Plano Safra 2026/2027

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai disponibilizar R$ 72 bilhões no Plano Safra 2026/2027, para financiar investimentos da agricultura brasileira, no período entre 16 de julho de 2026 e 30 de junho de 2027. No período anterior, o montante disponibilizado foi de R$ 70 bilhões.

Serão R$ 40,5 bilhões em recursos equalizáveis que poderão ser acessados por meio de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF). Esses programas contam com prazos, taxas e orçamentos determinados.

Deste montante, serão R$ 21,5 bilhões para médios e grandes produtores da agricultura empresarial, com taxas de juros entre 8,0% e 12,5% ao ano; e R$ 18,9 bilhões para agricultura familiar, com juros entre 0,5% e 7,5% ao ano. Houve redução da taxa na maioria dos programas.

Para a agricultura empresarial, os recursos serão oferecidos por meio de nove programas, entre eles, Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Proirriga, Prodecoop e PCA.

Já para a agricultura familiar, o BNDES opera com diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Neste Plano Safra, serão destinados R$ 18,9 bilhões para o Pronaf, valor 41% maior do que os R$ 13,4 bilhões no Plano Safra 2025/26. Para o Norte e Nordeste, serão destinados neste período R$ 646,9 milhões exclusivamente para os agricultores familiares dessas regiões.

BNDES Crédito Rural – O BNDES também oferece ao setor agropecuário linhas de crédito próprias, perenes e não equalizáveis junto ao Tesouro. O destaque é o BNDES Crédito Rural, que terá um orçamento de R$ 31,5 bilhões nos próximos 12 meses. Na safra anterior, o volume foi de R$ 30,3 bilhões.

O BNDES Crédito Rural é voltado a projetos de investimento, aquisição de máquinas, custeio, apoio a cooperativas e emissão de Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-F) ou Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) lastreados em direitos creditórios do agronegócio.

O apoio do BNDES no âmbito do Plano Safra ou por meio das linhas de financiamento próprias para o setor agropecuário ocorre de forma direta ou, principalmente, indireta. Na modalidade direta, os recursos são contratados com o próprio BNDES.

Já na modalidade indireta, a contratação e o repasse de recursos ocorrem por meio de uma das mais de 80 instituições financeiras parceiras credenciadas, que cobrem cerca de 93% do território nacional.

Foto: Evandro Rigon / Getty Images

Julgamento no STF pode redefinir tributação das cooperativas e trazer reflexos para o agronegócio

O julgamento do Tema 536 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido acompanhado de perto pelo setor cooperativista e pode gerar impactos relevantes para diferentes atividades econômicas, incluindo o agronegócio. Em discussão está a possibilidade de incidência de PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre receitas obtidas por cooperativas em operações realizadas com terceiros não associados.

Embora a controvérsia tenha surgido a partir de um caso envolvendo uma cooperativa médica, especialistas apontam que a decisão poderá estabelecer parâmetros para todo o sistema cooperativista, alcançando segmentos como transporte, assistência técnica, consultoria agronômica e outros serviços amplamente utilizados pelo setor agropecuário.

Segundo Gustavo Venâncio, sócio e diretor comercial e de marketing da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, o principal ponto da discussão está na definição dos limites da atuação das cooperativas e no conceito de ato cooperativo.

“O STF está debatendo até que ponto a cooperativa atua apenas como intermediadora entre seus cooperados e o mercado ou quando passa a desempenhar um papel mais ativo, agregando estrutura, gestão e valor às operações. Essa distinção pode ser determinante para definir a incidência ou não de tributos”, explica.

O tema ganha relevância porque o modelo cooperativista possui tratamento diferenciado na Constituição Federal e desempenha papel fundamental em cadeias produtivas estratégicas para a economia brasileira. No agronegócio, as cooperativas são responsáveis por conectar produtores a serviços técnicos, logísticos e comerciais, contribuindo para ganhos de escala e competitividade.

Para Gustavo, independentemente do resultado do julgamento, a discussão ultrapassa os efeitos imediatos sobre PIS, Cofins e CSLL. “Mais do que uma definição sobre os tributos atuais, esse julgamento pode servir como referência para futuras interpretações envolvendo a reforma tributária. A forma como o STF delimitar o ato cooperativo poderá influenciar debates sobre a incidência dos novos tributos que substituirão o sistema atual”, afirma.

A avaliação ocorre em um momento de transição do modelo tributário brasileiro, marcado pela implementação gradual das novas regras previstas na reforma tributária. Nesse contexto, a segurança jurídica das operações realizadas por cooperativas ganha ainda mais relevância para produtores rurais, cooperados e empresas que se relacionam com essas organizações.

“O cooperativismo tem participação significativa no agronegócio brasileiro. Por isso, qualquer entendimento que altere a forma de tributação dessas operações é acompanhado com atenção pelo setor, especialmente diante das mudanças que já estão previstas para os próximos anos”, conclui o especialista.

Embora ainda não haja definição definitiva por parte do STF, o julgamento é considerado um dos mais relevantes para o futuro da tributação das cooperativas no Brasil.

União entre cana e milho fortalece a competitividade dos biocombustíveis

O avanço do etanol de milho, aliado à solidez da produção a partir da cana-de-açúcar, é a chave para acelerar a expansão dos biocombustíveis e fortalecer a transição energética brasileira. Para o Bioind MT (Sindicato das indústrias de Bioenergia de Mato Grosso), as duas cadeias são complementares e precisam atuar de forma coordenada para ampliar a competitividade do setor e impulsionar novas rotas de descarbonização.

A avaliação foi apresentada por Wellington Andrade, diretor executivo da entidade, durante o 19º Congresso Nacional da Bioenergia, promovido pela UDOP, um dos principais encontros do setor sucroenergético do País. Em sua palestra, o executivo defendeu que o maior desafio do segmento não é a competição entre diferentes rotas produtivas, mas a necessidade de ampliar o espaço dos combustíveis renováveis diante da predominância dos combustíveis fósseis.

“O etanol de cana e o etanol de milho não concorrem entre si. Se o setor atuar unido, ampliará sua capacidade de influenciar a agenda energética brasileira e aumentar a participação dos biocombustíveis no mercado”, afirmou Wellington Andrade.

Para ele, o avanço da bioenergia depende de uma agenda institucional comum, capaz de beneficiar toda a cadeia produtiva. Entre as prioridades estão o fortalecimento do RenovaBio, a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para até 35% (E35), a construção de um mercado de carbono robusto, a preservação do diferencial competitivo tributário dos biocombustíveis e investimentos em infraestrutura logística.

Foto: Divulgação / Bioind MT

Outro tema destacado foi o potencial de expansão internacional. Andrade ressaltou que o etanol brasileiro avança em novos mercados, como aviação e transporte marítimo. A Lei do Combustível do Futuro impulsiona o desenvolvimento do SAF (Combustível Sustentável de Aviação), enquanto testes da Maersk e a recente definição da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre a intensidade de carbono do etanol de milho reforçam a competitividade do produto brasileiro no cenário global.

Durante a apresentação, Andrade também destacou a evolução da produção de etanol em Mato Grosso, estado que se consolidou como principal polo nacional do etanol de milho. A projeção para a safra 2026/27 é de 8,44 bilhões de litros, resultado do crescimento consistente da produção ao longo da última década e dos investimentos realizados pelas usinas instaladas no estado.

Ao abordar as perspectivas para o setor, Andrade afirmou que o futuro da bioenergia passa pela consolidação das usinas como biorrefinarias, ampliando a produção para biometano, fertilizantes renováveis, bioquímicos, hidrogênio de baixo carbono, SAF e combustíveis sintéticos.

“O futuro da bioenergia vai muito além do etanol. O Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética, integrando diferentes rotas tecnológicas e convertendo as vantagens competitivas da cana e do milho em novas soluções de baixo carbono”, concluiu Wellington Andrade.

Imposto sobre herança pode chegar a 8% e leva empresários a reavaliar holdings em 2026

A Reforma Tributária mexeu de uma só vez nos três pilares que sustentam uma holding patrimonial — herança, dividendos e aluguéis — e transformou a estrutura, antes quase automática para quem tinha patrimônio, em uma decisão técnica. Na sucessão, a Emenda Constitucional 132/2023 tornou obrigatória a progressividade do ITCMD, o imposto estadual sobre heranças e doações, que pode chegar ao teto de 8%; estados que cobravam alíquota fixa, como São Paulo, com 4%, terão de migrar para faixas crescentes. Com a maior parte das novas regras entrando em vigor em 2027, contadores tratam 2026 como a janela para revisar ou montar essas empresas.

A reforma também muda a tributação da renda com aluguel. A partir de 2027, locações passam a entrar na base do IBS e da CBS, inclusive quando recebidas por holdings patrimoniais. A cobrança também poderá alcançar pessoas físicas em situações específicas, como locadores com maior volume de imóveis e receita anual acima dos limites previstos na legislação. Para esse tipo de operação, haverá redução de 70% na alíquota do IBS e da CBS, mas o impacto ainda é considerado relevante, já que o aluguel recebido por pessoa física hoje também pode ser tributado pelo Imposto de Renda, com alíquota de até 27,5%. Em paralelo, a Lei 15.270/2025 voltou a tributar dividendos desde janeiro: distribuições de uma mesma empresa a um mesmo sócio acima de R$ 50 mil por mês passam a sofrer retenção de 10% na fonte.

“A holding não perdeu o sentido, mudou a forma de decidir. Antes, bastava ter imóvel gerando aluguel para a conta fechar a favor de criar uma empresa patrimonial. Agora é preciso comparar cenário a cenário, porque a pessoa física ganhou regras de enquadramento e a holding passou a pagar IBS e CBS sobre a receita e a recolher imposto sobre dividendos. Ela continua eficiente em muitos casos, mas exige um diagnóstico feito caso a caso, com a conta na mesa”, afirma o contabilista Fábio Edelberg, CEO da Navecon, que atende mais de 1.350 empresas.

A estrutura, porém, não serve a todos. Montar uma holding pode envolver ITBI na transferência de imóveis, conforme a atividade da empresa, além de custos de constituição e manutenção contábil, e exige separação clara entre patrimônio pessoal e empresarial. Faz sentido, sobretudo, para quem tem patrimônio relevante, renda recorrente de aluguel, participação em empresas ou uma sucessão a organizar, e tende a não compensar quando o custo de manter a empresa supera o ganho que ela gera.

Com a transição da reforma se estendendo até 2033, a orientação é simular os cenários de 2026, 2027 e do regime pleno, com apoio de contabilidade especializada antes de decidir, aproveitando o intervalo em que as regras antigas ainda valem.

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EUA sanciona empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC: entenda as consequências

Há um mês, os Estados Unidos decidiram classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Muito além do combate ao crime organizado, o anúncio já gera consequências para empresas brasileiras que mantêm operações financeiras, comerciais ou logísticas com algum grau de exposição ao mercado internacional.

Na última quarta-feira (01/07), o departamento do Tesouro dos EUA sancionou três empresas: Victory Trading, Wave Construçõs Inteligentes Ltda e Pixwave Soluções de Pagamentos.

Para além de uma eventual discussão acerca da soberania brasileira, que aparentemente estaria muito distante da realidade e do dia a dia das empresas, a questão pode ter efeitos diretos e imediatos para quem faz negócios, notadamente (mas não somente) para quem opera internacionalmente.

Compliance ganha novo peso

De acordo com Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, a mudança cria uma nova camada de risco regulatório para companhias que possuam conexão direta ou indireta com os Estados Unidos. “O ponto central é simples: relações que antes eram avaliadas principalmente sob a ótica de prevenção à lavagem de dinheiro, corrupção, sanções ou compliance regulatório podem agora também ser examinadas sob a perspectiva de apoio material a organização terrorista, sanções econômicas e responsabilidade civil nos Estados Unidos”, explica.

Empresas que realizam pagamentos por meio de cadeias complexas de fornecedores, utilizam intermediários comerciais, operam com recursos em dólar ou mantêm relacionamento com investidores e instituições financeiras estrangeiras devem reforçar seus mecanismos de controle e diligência. “Isso aumenta o grau de diligência esperado das empresas, especialmente quando houver exposição aos Estados Unidos, uso de bancos correspondentes americanos, investidores estrangeiros, operações em dólar, subsidiárias no exterior, exportações, importações ou relacionamento com instituições financeiras sujeitas à jurisdição norte-americana”, afirma Godke.

Diante desse cenário, o especialista recomenda que as organizações revisem programas de compliance, fortaleçam processos de due diligence e ampliem o monitoramento de fornecedores, parceiros e fluxos financeiros. Quem não deseja estar conectado às organizações designadas como terroristas, deve redobrar seus cuidados e estar muito bem documentado neste sentido. “O tema deve ser tratado com seriedade, mas sem pânico. O objetivo não é paralisar negócios legítimos no Brasil, e sim ajustar controles internos a uma nova realidade regulatória e geopolítica. Empresas que atuarem preventivamente estarão em melhor posição para continuar operando com segurança, preservar relações comerciais e evitar problemas jurídicos desnecessários”, conclui.

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Plano Safra 26/27 destina R$ 525 bilhões para fortalecer a agricultura empresarial

O Governo Federal lançou o Plano Safra 2026/2027, com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial. Com acréscimo de R$ 9 bilhões em relação à safra anterior, a iniciativa oferece linhas de crédito, incentivos e instrumentos de política agrícola voltados a médios e grandes produtores, com o objetivo de fortalecer a produção agropecuária brasileira.

Do total de recursos, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização, garantindo recursos para despesas essenciais da produção agropecuária, como a aquisição de insumos, a condução das lavouras, a manutenção dos rebanhos e a comercialização da produção. Outros R$ 140,2 bilhões serão direcionados aos investimentos, apoiando a modernização produtiva, a ampliação da capacidade de armazenagem, a irrigação, a inovação tecnológica, a renovação de máquinas e equipamentos e o aumento da eficiência nas propriedades rurais.

Com o slogan “Crédito que fortalece o campo. Campo que alimenta o mundo”, o Plano Safra 26/27 reafirma o papel do crédito rural como instrumento estratégico para ampliar a produção agropecuária, fortalecer a renda no campo, garantir o abastecimento e a segurança alimentar, impulsionar as exportações e elevar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Compromisso com o agro

Um dos principais avanços do Plano Safra 26/27 é a redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas da agricultura empresarial. A queda da taxa Selic abre uma importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva.

No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), voltado aos médios produtores rurais, o volume previsto alcança R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de juros de 9% ao ano, inferior à praticada no ciclo anterior. A redução dos juros fortalece um segmento essencial para a produção de alimentos, a geração de empregos e a dinamização das economias locais. Com crédito mais acessível, os produtores ganham melhores condições para custear a produção, ampliar investimentos e conduzir o ciclo produtivo com mais segurança.

Campo + Sustentável

Além da redução geral das taxas, o Plano Safra 26/27 reforça o incentivo à adoção de práticas produtivas sustentáveis e à regularização ambiental das propriedades rurais, reconhecendo produtores que adotam boas práticas agropecuárias, padrões de gestão e certificações reconhecidas. A redução poderá ser de até 1,0 ponto percentual na taxa de juros de custeio.

O desconto contempla até 0,5 ponto percentual para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular e outro 0,5 ponto percentual para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis. A medida fortalece a ideia de que produzir com responsabilidade e eficiência, também significa melhores condições de financiamento.

Agro resiliente

A gestão de riscos também é um dos pilares do Plano Safra 26/27. O programa reforça a importância do Proagro e do seguro rural como instrumentos de proteção da produção e de segurança para o sistema de crédito. Ao vincular a possibilidade de renegociação das operações de custeio agrícola à existência de cobertura por Proagro ou seguro rural, a política estimula a adoção de mecanismos de gestão de risco. A medida busca fortalecer a responsabilidade compartilhada entre produtores, instituições financeiras e o poder público, reduzindo a dependência de soluções emergenciais após a ocorrência de perda.

Modernização

O investimento segue como uma das prioridades desta edição, com recursos destinados à modernização da produção, à irrigação, à inovação, à renovação de máquinas e equipamentos, à recuperação de áreas produtivas e à sustentabilidade.

Nesse contexto, o programa reforça a modernização do InvestAgro, expandindo o apoio a sistemas de geração e distribuição de energia renovável, como energia solar, biomassa, energia eólica, cogeração e armazenamento de energia elétrica. As medidas contribuem para aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais, ampliar a segurança energética e fortalecer a resiliência da produção agropecuária.

A armazenagem também recebe atenção especial. O apoio à ampliação, modernização, reforma e construção de armazéns e câmaras frias contribui para reduzir perdas, aprimorar a logística e amplificar a capacidade de conservação e comercialização da produção. Com maior autonomia para armazenar e comercializar seus produtos, produtores, cooperativas e agroindústrias ganham melhores condições de gestão, agregação de valor e competitividade.

Crédito mais eficiente

O custeio permanece como um dos principais instrumentos do Plano Safra, garantindo os recursos necessários para a aquisição de insumos, a condução das lavouras, o manejo dos rebanhos e a comercialização da produção. Em um cenário de custos ainda elevados, a redução das taxas de juros contribui para melhorar as condições de financiamento, ampliar a capacidade de planejamento e dar maior previsibilidade ao produtor.

O Plano Safra 26/27 também fortalece a complementaridade entre diferentes fontes de recursos, combinando recursos controlados, equalizados, não equalizados e fontes de mercado. Essa estrutura amplia a capacidade de financiamento do setor, permite atender diferentes perfis de produtores e finalidades de crédito e contribui para aumentar a oferta de recursos à agropecuária brasileira.

Com mais crédito, juros menores, incentivo a boas práticas agropecuárias, fortalecimento da gestão de risco, modernização energética, apoio à armazenagem e foco na execução, o novo Plano Safra reafirma o compromisso com uma agricultura empresarial forte, moderna, sustentável e competitiva.

Regulamentação do IBS altera regras de tributação e exige novos processos no agronegócio 

O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com PIB de R$ 3,2 trilhões e participação de 25,13% na economia nacional, segundo o Cepea/CNA. O tamanho do setor ajuda a dimensionar o impacto da regulamentação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que enfrenta agora um divisor de águas operacional. Muito além de uma troca de siglas, o novo imposto exige uma revisão imediata de processos fiscais e tecnológicos em toda a cadeia produtiva, do campo à exportação.

Para Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributário no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, a mudança não se limita à substituição de tributos. “O IBS altera a lógica de leitura das operações. No agro, onde a cadeia é longa e fragmentada, qualquer inconsistência fiscal pode afetar crédito, apuração e fluxo de caixa”, afirma.

Como o IBS passa a funcionar na prática

Criado dentro da reforma tributária do consumo, o IBS substituirá ICMS e ISS e funcionará de forma integrada à CBS, tributo federal que substituirá PIS e Cofins. O modelo segue a lógica do IVA dual, com incidência sobre operações com bens e serviços mediante contraprestação.

Na prática, o imposto alcança desde a compra de insumos até transporte, armazenagem, industrialização e comercialização. Isso inclui operações comuns no agro, como arrendamento, cessão de direitos, prestação de serviços e venda de produção.

“O conceito de operação ficou mais amplo. Não é só venda direta. Qualquer fornecimento com valor envolvido entra no radar, o que exige mais controle sobre contratos e registros”, explica o especialista.

Outro efeito estrutural é o fim da lógica de competitividade baseada em incentivos fiscais estaduais de ICMS. Com a uniformização das regras e a centralização do modelo de tributação sobre consumo, a tendência é de redução da guerra fiscal entre estados. “A eficiência deixa de estar na escolha do estado com melhor benefício e passa a depender da eficiência operacional, da gestão de custos e da qualidade da informação fiscal”, afirma Altair.

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Tributação no destino muda dinâmica entre estados

Uma das mudanças estruturais é a adoção da tributação no destino. A arrecadação deixa de se concentrar no local de origem e passa a ser direcionada ao local onde ocorre o consumo do bem ou serviço.

No agronegócio, isso impacta diretamente operações interestaduais, exportações e cadeias com múltiplos agentes. A identificação correta do destinatário, do local de entrega e da natureza da operação passa a ser determinante.

Um exemplo prático é o de uma revenda de sementes. Antes, o imposto ficava vinculado ao estado onde a revenda estava sediada. Com o IBS, a tributação passa a ser direcionada ao local onde a semente é efetivamente entregue ao produtor rural. Isso altera a lógica de apuração e exige precisão na definição do destino da operação.

“O produtor pode comprar em um estado, vender para outro e entregar em um terceiro. Com o IBS, o destino final passa a definir a tributação, o que exige precisão total nos dados fiscais”, diz Altair.

Essa mudança também altera a lógica de apuração entre estados e municípios, exigindo alinhamento entre sistemas fiscais e regras nacionais.

Cadeias longas aumentam exigência de consistência fiscal

O agronegócio é um dos setores mais impactados pela extensão de sua cadeia produtiva. Uma mesma operação pode envolver produtor rural, cooperativa, transportadora, armazenagem, indústria e exportador.

Nesse contexto, o IBS amplia a necessidade de rastreabilidade fiscal. Cada etapa precisa estar corretamente documentada, com consistência entre notas fiscais, contratos e registros contábeis.

“O imposto exige coerência entre o que foi comprado, transportado e entregue. Se houver divergência, o crédito pode ser bloqueado ou a apuração pode ficar incorreta”, afirma.

Erros formais já são recorrentes no setor. Mais de 70% das empresas apresentam falhas em notas fiscais, como NCM e CFOP incorretos, o que compromete créditos tributários . Com o IBS, a validação dessas informações tende a ganhar ainda mais rigor.

Empresas terão de revisar sistemas e cadastros

A adaptação ao IBS deve exigir revisão estrutural de sistemas e processos internos. Empresas precisarão atualizar ERPs, parametrizações fiscais, cadastros de clientes e fornecedores, além de rever contratos e rotinas de faturamento.

Informações como classificação fiscal, local de entrega, identificação do adquirente e tipo de operação passam a impactar diretamente o cálculo do imposto.

“Não é só uma mudança tributária, é uma mudança de gestão. Quem não revisar cadastro e sistema corre risco de pagar imposto errado ou perder crédito legítimo”, alerta Altair.

Outro ponto crítico é a necessidade de detalhamento quando houver mais de um tipo de fornecimento na mesma operação, situação comum em contratos do agro que envolvem produto e serviço.

Crédito tributário exige maior controle operacional

O IBS mantém a lógica de não cumulatividade, permitindo a compensação de créditos ao longo da cadeia. No entanto, o aproveitamento desses créditos dependerá de documentação fiscal correta e integração entre as etapas da operação.

Para o especialista, o foco deve estar na qualidade da informação. “O crédito depende de documento válido, operação correta e registro consistente. Se qualquer etapa falhar, o impacto aparece no fluxo de caixa”, afirma.

A recomendação é antecipar a revisão fiscal e operacional. “Empresas que começarem agora terão vantagem na transição. O IBS pode trazer mais previsibilidade, mas isso só se materializa quando há controle sobre dados, processos e contratos”, conclui.

Copa do Mundo injeta bilhões no mercado de eventos

Com base em relatórios da FIFA, a Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar um dos maiores ciclos de investimento em eventos e ativações da história, favorecido pela expansão para 48 seleções e pela expectativa de mais de US$ 10 bilhões em receitas globais.

As projeções indicam que o patrocínio deve superar US$ 2,8 bilhões e os direitos de transmissão, US$ 4,2 bilhões. Já um estudo oficial da entidade aponta cerca de US$ 13,9 bilhões em gastos diretos ligados ao evento, incluindo turismo, hospitalidade e ativações, além de um impacto econômico global estimado em até US$ 80 bilhões (FIFA, estudo de impacto econômico, 2025).

Já segundo projeção do Bank of America, a Copa do Mundo de 2026 deve injetar cerca de US$ 41 bilhões (R$ 225 bilhões) na economia global, impulsionando setores como turismo, hotelaria, alimentação e eventos.

Para Evandro Monteiro, CEO da Origami Marketing e Eventos, em anos de Copa do Mundo da FIFA, o mercado de eventos ganha um fôlego adicional, e o aumento de investimentos por parte das empresas se explica por uma combinação rara de fatores. “Durante a Copa, a atenção do público se concentra como em poucos outros momentos, com audiências massivas e altamente engajadas. Ao mesmo tempo, o componente emocional do futebol encurta a distância entre marcas e consumidores, influenciando diretamente decisões de consumo. Soma-se a isso o comportamento coletivo, com jogos assistidos em grupo, encontros e celebrações, que impulsiona a demanda por eventos, ativações e experiências compartilhadas”, diz.

Na prática, grandes marcas já utilizam o torneio como plataforma global de relacionamento, engajamento e posicionamento. A Budweiser, por exemplo, patrocinadora oficial da Copa de 2022, no Catar, transformou o campeonato em uma operação global de engajamento. A marca investiu em fan zones, eventos simultâneos em diferentes países e ativações com influenciadores. Mesmo diante das restrições à venda de álcool nos estádios do Catar, a empresa redirecionou sua estratégia para experiências fora das arenas, criando espaços de convivência e transmissão que ampliaram o tempo de interação com o público e geraram milhões de interações digitais.

No Brasil, a Heineken apostou em ativações premium e relacionamento. A marca promoveu eventos exclusivos para clientes e parceiros, além de experiências abertas ao público em grandes capitais, combinando transmissões em ambientes diferenciados, encontros corporativos e integração com campanhas digitais.

Já o Itaú Unibanco utiliza o futebol como plataforma de comunicação de longo prazo. Em períodos de Copa, intensifica ações presenciais, eventos proprietários e experiências para clientes, conectando emoção e serviços financeiros para fortalecer o vínculo com diferentes públicos.

“Ciclos como o da Copa do Mundo aceleram a conexão entre marcas e público. Os jogos duram apenas 90 minutos, mas uma experiência bem executada pode gerar impacto por anos. Por isso, é fundamental aproveitar esse momento para investir em estratégias capazes de criar conexões reais, fortalecer relacionamento e gerar resultados concretos para o negócio”, afirma Evandro Monteiro.

Dados da FIFA indicam que a edição de 2022, no Catar, alcançou mais de 5 bilhões de pessoas globalmente, considerando diferentes plataformas. No Brasil, país historicamente conectado ao futebol, esse impacto se traduz diretamente no comportamento de consumo, nas estratégias de marketing e na movimentação econômica gerada em torno do evento.

“O Brasil reúne características que potencializam esse movimento, como alta afinidade cultural com o futebol, forte presença de grandes marcas globais e um mercado de eventos robusto”, destaca Monteiro.

Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o setor de eventos e entretenimento movimentou R$ 25,33 bilhões apenas no primeiro bimestre de 2026. Em períodos de Copa do Mundo, essa engrenagem ganha ainda mais velocidade, movimentando desde grandes produtoras até fornecedores locais.

Entre os setores que mais movimentam a economia estão bebidas, varejo, tecnologia e serviços financeiros. Durante o Mundial de 2022, por exemplo, bares e restaurantes brasileiros registraram aumento de cerca de 30% no faturamento na primeira semana dos jogos, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), impulsionados por confraternizações, ações corporativas ligadas ao torneio e transmissões públicas das partidas.

“Também ganham força as experiências exclusivas, especialmente voltadas à fidelização de clientes premium, com ações desenhadas para oferecer diferenciação e proximidade. Essa combinação amplia o impacto das iniciativas e prolonga seus efeitos para além do momento do evento”, complementa o CEO da Origami.

Foto: Alvaro Camacho / Pexels.com

Tecnologia

Para este e para os próximos ciclos, o especialista avalia que as ações voltadas à geração de conexão entre marcas e público devem ganhar ainda mais força com o avanço da tecnologia.

“A tendência para as próximas Copas do Mundo é de eventos cada vez mais integrados à tecnologia, dados e personalização. O uso de inteligência artificial, plataformas digitais e análise de comportamento permite compreender melhor o público, ajustar experiências em tempo real e direcionar ações mais personalizadas e individualizadas, com maior precisão e potencial de retorno para as marcas”, afirma.

Esse movimento ganha importância porque outro ponto relevante é a transformação do papel dos eventos, que deixam de funcionar apenas como espaços de exposição de marcas e passam a atuar como plataformas híbridas de negócios. Na prática, isso significa reunir, em um mesmo ambiente, relacionamento, geração de oportunidades comerciais e estratégias digitais integradas.

Com apoio de tecnologias como inteligência artificial, análise de dados e plataformas de interação em tempo real, os eventos passam a gerar conexões mais qualificadas e, além disso, novas possibilidades de conversão e fidelização antes, durante e após os encontros presenciais.

“Se antes os eventos eram planejados principalmente para dar visibilidade às marcas, hoje eles são avaliados com muito mais rigor”, explica o CEO da Origami Marketing e Eventos. “Nesse cenário econômico mais desafiador, as empresas buscam garantir retorno concreto sobre o investimento (ROI), integrar os eventos a outros canais, como digital e CRM, e medir com mais precisão os resultados gerados, como engajamento, geração de leads e impacto nos negócios”, conclui.

No cenário global, o marketing experiencial deve alcançar US$ 71,22 bilhões até 2035, segundo o Business Research Insights.