Em 2026, o complexo de commodities deve apresentar um desempenho entre a estabilidade e uma leve tendência de queda, influenciado principalmente pelo comportamento esperado das matérias-primas energéticas, que têm grande peso nos índices globais do setor. No entanto, essa dinâmica não deve se repetir de maneira uniforme entre as demais categorias de bens primários. Quem afirma é o gerente de Inteligência de Mercado da StoneX, Vitor Andrioli, em relatório especial divulgado pela corretora, “Perspectivas para Commodities 2026“.
A economia mundial em 2025 superou expectativas apesar do impacto das tarifas americanas, que mudaram o comércio internacional. Para 2026, espera-se ritmo de crescimento semelhante, mas com riscos elevados pela instabilidade da política econômica dos EUA, incertezas sobre o Federal Reserve e no cenário geopolítico.
Andrioli destaca que apesar dos investimentos em Inteligência Artificial favorecerem a manutenção do otimismo no ambiente de negócios e a perspectiva de ganhos de produtividade em diversas indústrias, essa expansão está vulnerável a mudanças nas condições de crédito e à capacidade das empresas de tecnologia em gerar resultados sólidos.
Agronegócio
No segmento de grãos e oleaginosas, a StoneX afirma que a soja segue com balanço global confortável, com destaque para novo recorde de produção no Brasil, estimado atualmente em 177,6 milhões de toneladas. Para o milho, a sobreoferta nos EUA pressiona preços, enquanto no Brasil a próxima safrinha ainda está indefinida, mas a participação do país como exportador deve cair devido ao mercado interno aquecido pelo etanol.
Entre as soft commodities, café e cacau mostram recuperação na produção dos principais exportadores, mas estoques globais ainda restritos; o açúcar mantém viés de baixa com superávit previsto, enquanto o algodão inicia 2026 com ampla oferta e menor área plantada no Brasil e Austrália.
Nos fertilizantes, o grupo ressalta que as restrições de oferta mantêm os preços elevados, com destaque para a alta da amônia, devido a problemas de produção, impactando os custos de fabricação da ureia, além de uma possível suspensão das exportações chinesas de fosfatados. Instabilidade no Irã e Venezuela também adiciona riscos à disponibilidade e aos custos dos fertilizantes que esses países exportam ao Brasil e à Índia.
O petróleo tende a seguir um balanço confortável, com a perspectiva de uma demanda em crescimento mais modesto e o aumento de produção no Brasil, Canadá, Guiana e Argentina. O gás natural tem preços sustentados nos EUA, enquanto Europa e Ásia enfrentam demanda fraca e oferta abundante.
Metais
Nos metais, o ouro e a prata se valorizam com a busca por proteção financeira e o descompasso entre a demanda aquecida – seja pelo uso industrial ou pelo setor de IA – e um crescimento menos acelerado da oferta.
Real brasileiro
No âmbito doméstico, a questão fiscal ainda é uma vulnerabilidade para a valorização do real, que pode se tornar mais evidente em um ano de eleições polarizadas e com poucas chances de avanço de pautas econômicas no Congresso. Ao mesmo tempo, o diferencial de juros do Brasil deve seguir elevado, com a expectativa de redução bastante gradual da Selic, favorecendo o real ao incentivar a entrada capitais de curto prazo.
Regenerative agriculture is more than a trend — it’s a systemic shift in how we produce food, restore soil health, and combat climate change. As climate change, soil degradation, and food security become global concerns, regenerative agriculture offers a scalable, science-based solution that benefits farmers, consumers, and the planet.
Whether you’re a farmer, agribusiness professional, sustainability advocate, or simply interested in sustainable food systems, this video breaks down the principles and real-world impact of regenerative farming.
Watch until the end and discover how regenerative agriculture can transform farming and help build a healthier planet.
Ao discursar em Nova Délhi, na Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da IA seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.
“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, afirmou Lula.
O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as pessoas.
Lula ainda alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, ressaltou.
Foto: Reprodução / Canal GOV / EBC
“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”, prosseguiu o presidente.
“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, frisou Lula.
A atividade agropecuária brasileira passou, nas últimas décadas, por um processo contínuo de transformação estrutural. A incorporação de ciência, tecnologia e gestão profissional alterou profundamente a forma de produzir e de se relacionar com o mercado e com a sociedade. O campo deixou de ser um espaço isolado para se tornar parte ativa de uma rede que envolve centros de pesquisa, cooperativas, indústrias, serviços e consumidores urbanos.
Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a trajetória do agro brasileiro está diretamente associada à capacidade de integração entre ciência e produção. “A agropecuária nacional se desenvolveu com base em pesquisa aplicada e na proximidade com o produtor. A inovação no campo é resultado dessa interação permanente”, afirmou em apresentações institucionais da empresa.
Essa dinâmica se reflete no cotidiano das propriedades. Em Rio Verde (GO), o produtor rural José Antônio Ferreira, cooperado há mais de 20 anos, descreve uma rotina produtiva orientada por informação técnica. “Hoje, cada decisão passa por recomendação agronômica, dados de clima e histórico da área. A produção ficou mais técnica, e isso mudou a forma de trabalhar”, relata.
O exemplo ilustra um movimento mais amplo: o agronegócio como um ambiente de tomada de decisão baseada em conhecimento compartilhado.
Cooperativas como eixo de integração regional
Nesse processo, o cooperativismo desempenha um papel central. Cooperativas agroindustriais atuam como estruturas de conexão entre o produtor e os diferentes elos da cadeia produtiva, oferecendo acesso a assistência técnica, inovação, crédito, logística e mercado.
Para o diretor-executivo da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Alberto França, o modelo cooperativista é um dos fatores que explicam a capacidade de organização do agro brasileiro. “As cooperativas reduzem distâncias. Elas aproximam o produtor da tecnologia, da gestão e das exigências do mercado, ao mesmo tempo em que fortalecem o desenvolvimento regional”, afirmou em eventos do setor.
Essa atuação tem impactos diretos nas cidades. A presença de cooperativas impulsiona agroindústrias, serviços especializados, comércio e geração de empregos, criando uma relação de interdependência entre campo e meio urbano. O desenvolvimento regional passa a ser resultado de um sistema integrado, e não de ações isoladas.
Pesquisa aplicada como base da produtividade
A conexão entre pesquisa e prática é um dos pilares do desempenho agropecuário brasileiro. Instituições como a Embrapa e universidades públicas e privadas atuam na geração de conhecimento adaptado às condições tropicais, com resultados diretos sobre produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.
O pesquisador da Embrapa Evaristo de Miranda destaca que a ciência agropecuária brasileira se construiu a partir do território. “A pesquisa no Brasil sempre esteve ligada à realidade do produtor e às características ambientais do país. Esse diálogo é o que garante resultados consistentes”, afirmou em análises públicas sobre o setor.
A transferência de tecnologia ocorre por meio de assistência técnica, programas de capacitação e espaços de demonstração. Esses mecanismos permitem que a inovação seja testada, validada e incorporada gradualmente às rotinas produtivas, reduzindo riscos e ampliando ganhos de eficiência.
Tecnoshow COMIGO como espaço de articulação
Durante a Tecnoshow COMIGO, em Rio Verde, produtores circulam entre parcelas demonstrativas, estandes de empresas e áreas de apresentação técnica. Em um mesmo percurso, é possível observar resultados de pesquisa aplicada, discutir manejo com especialistas e avaliar soluções tecnológicas voltadas à realidade local. Esse ambiente resume a lógica do evento: encurtar a distância entre quem desenvolve conhecimento e quem toma decisões no campo.
Segundo Antônio Chavaglia, presidente do Conselho de Administração da COMIGO, a proposta do evento sempre foi criar um espaço de conexão. “A Tecnoshow foi pensada para aproximar o produtor da inovação e do conhecimento técnico, permitindo que ele veja, questione e avalie as tecnologias apresentadas”, afirmou em edições recentes.
Ao reunir diferentes elos da cadeia produtiva, a feira contribui para encurtar a distância entre quem desenvolve soluções e quem as aplica no campo, fortalecendo a integração entre pesquisa, mercado e produção.
Foto: Divulgação / COMIGO
Tecnologia e profissionalização do campo
A digitalização ampliou ainda mais essas conexões. Ferramentas de agricultura de precisão, sistemas de monitoramento e plataformas de gestão tornaram-se parte do cotidiano produtivo, aproximando o campo de padrões tecnológicos presentes em outros setores da economia.
Para Fernando Silva, gerente de inovação da Syngenta Brasil, a tecnologia tem papel estratégico na integração da cadeia. “Dados e conectividade permitem decisões mais eficientes e alinhadas às demandas de produtividade e sustentabilidade. Isso aproxima produtores, empresas e consumidores”, afirmou em debates institucionais.
Esse avanço tecnológico também impacta o perfil profissional do setor, atraindo mão de obra qualificada e reforçando a circulação de conhecimento entre áreas rurais e urbanas.
A engenheira agrônoma Mariana Lopes, formada em Goiânia e atuando na assistência técnica em propriedades do sudoeste goiano, descreve uma rotina que conecta o urbano ao rural. “A gente leva a pesquisa para o campo e traz o campo para a discussão técnica. O produtor participa das decisões e o conhecimento circula”, afirma. Para ela, o agro deixou de ser um espaço distante da cidade e passou a incorporar profissionais, métodos e tecnologias típicos de outros setores da economia.
Produção, consumo e responsabilidade
A relação entre produção e consumo tornou-se mais direta. A sociedade urbana passou a demandar informações sobre origem, qualidade e impacto ambiental dos alimentos, exigindo maior transparência da cadeia produtiva.
Para Christian Kapp, diretor de sustentabilidade da UPL Brasil, essa aproximação redefine o papel do produtor. “O diálogo com a sociedade é fundamental. Produzir bem inclui adotar práticas responsáveis e comunicar isso de forma clara”, afirmou em fóruns sobre sustentabilidade.
Programas de boas práticas agrícolas, rastreabilidade e gestão ambiental funcionam como instrumentos de conexão entre o campo e o consumidor, reforçando a confiança e a legitimidade do setor.
Desenvolvimento econômico e social
As conexões promovidas pelo agronegócio têm reflexos diretos no desenvolvimento regional. Cadeias agroindustriais estruturadas impulsionam economias locais, ampliam a arrecadação municipal e sustentam redes de serviços que vão da educação técnica à saúde. Ao integrar produção, processamento e comercialização, o setor contribui para a estabilidade econômica de regiões inteiras, especialmente em municípios onde o agro é a principal base produtiva.
Embora desafios persistam, o setor demonstra capacidade de adaptação e articulação. O agro brasileiro se organiza como um sistema que integra interesses econômicos, ambientais e sociais.
O agro como elo estruturante
“O Agro Conecta” não é apenas um conceito, mas a descrição de um sistema em operação. Um sistema que transforma conhecimento científico em prática produtiva, articula interesses econômicos e sociais e reduz distâncias históricas entre o campo e a cidade. Iniciativas como a Tecnoshow COMIGO, o fortalecimento do cooperativismo e a atuação integrada da pesquisa evidenciam essa capacidade de articulação.
Ao operar como elo entre pessoas, tecnologias e propósitos, o agronegócio brasileiro reafirma sua relevância para além dos números da produção. Ele se consolida como uma estrutura de conexão que sustenta oportunidades, promove desenvolvimento regional e responde, de forma concreta, às demandas de uma sociedade cada vez mais interdependente.
*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.
Uma iniciativa que integra ciência e setor produtivo para qualificar o mercado de carne premium no Brasil. Desenvolvido pela Associação Brasileira de Angus, o selo Beef on Dairy é o primeiro dessa categoria no País e contou com participação da Embrapa em sua construção técnico-científica. Essa estratégia estimula o cruzamento de vacas leiteiras das raças Holandesa e Jersey com touros Angus. O objetivo é gerar uma carne diferenciada, já muito apreciada em mercados internacionais.
Além de proporcionar carne de alta qualidade para o mercado de cortes nobres, o novo selo também tem como objetivo diversificar a renda dos produtores de leite, que ganham uma nova opção de comercialização dos animais.
O presidente da Associação Brasileira de Angus, José Paulo Dornelles Cairoli, destaca a importância dessa novidade para o mercado de carne. “É uma estratégia já consolidada em outros países e conseguimos trazê-la para o Brasil, que possui o maior rebanho comercial do mundo. Nosso projeto é o casamento perfeito entre as raças. O produtor vai se beneficiar e o consumidor terá carne diferenciada. Quem já provou sabe o resultado”, afirma.
“O lançamento do selo Beef on Dairy foi possível porque há uma base científica robusta por trás dele, e essa é justamente a contribuição da Embrapa”, afirma o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul (RS), Fernando Cardoso. “Nós desenvolvemos os critérios técnicos e os índices genéticos que permitem identificar, com precisão, os touros Angus mais indicados para o cruzamento com vacas Holandesas e Jersey. É esse rigor científico que garante que o selo realmente represente animais superiores para a produção de carne de alta qualidade”, destaca.
Segundo Cardoso, o trabalho da Embrapa no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) desempenhou papel estratégico para dar segurança ao setor na adoção da tecnologia. “O Beef on Dairy abre um caminho importante para agregação de valor a toda a cadeia, e nossa missão é assegurar que essas escolhas estejam amparadas pelo melhor conhecimento técnico disponível”, conclui.
Participação técnica da Embrapa
A estratégia Beef on Dairy, já consolidada no cenário global, começa a ganhar força no Brasil ao incentivar o uso de touros de corte em vacas de leite. Como as raças leiteiras não são naturalmente especializadas em características de carcaça, o novo selo busca identificar os touros mais adequados para esse cruzamento. Para isso, foram criados dois selos distintos: um voltado ao Jersey, que demanda maior atenção ao tamanho dos bezerros no parto devido ao porte reduzido das vacas, e outro ao Holandês, que também exige características para evitar animais excessivamente grandes, já que a raça é naturalmente de grande porte.
Foto: SONY DSC
A Embrapa participa diretamente da implementação do selo por meio do Promebo, o programa oficial de melhoramento genético da raça Angus no Brasil, gerenciado pela Associação Nacional de Criadores (ANC). Coube à instituição desenvolver e aplicar o índice técnico que orienta a seleção dos touros, identificando aqueles com melhor desempenho em crescimento, área de olho de lombo e conformação de carcaça – características essenciais para melhor rendimento frigorífico. O selo também atende a uma demanda das centrais de inseminação, já que grande parte do uso desses touros ocorre via sêmen, agregando valor ao material genético certificado.
Para Leandro Hackbart, conselheiro técnico da Angus e ANC, o selo nasce de uma demanda do próprio setor. “Nada mais fizemos do que criar parâmetros claros, garantindo transparência e segurança ao produtor de Holandês e Jersey na hora de adquirir genética Angus. Para o consumidor, isso significa confiança e qualidade alimentar”, reforçou.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a seleção de sete fundos de investimento no âmbito da Chamada Pública de Mitigação Climática, iniciativa voltada ao financiamento de projetos de transição ecológica, restauração ambiental e descarbonização da economia. Com aportes de até R$ 4,3 bilhões por meio da BNDESPAR, os fundos deverão mobilizar cerca de R$ 16,2 bilhões adicionais em recursos privados, ampliando significativamente o volume de investimentos direcionados à agenda climática no Brasil.
Lançada em setembro de 2025, a Chamada de Clima recebeu 45 propostas de gestores nacionais e internacionais. Ao final do processo, foram selecionados cinco fundos de equity e dois de crédito, organizados em duas verticais principais: Transformação Ecológica e Soluções Baseadas na Natureza.
Os fundos de equity selecionados na modalidade de Transformação Ecológica foram: Catalytic Transition Fund Brazil FIP Multiestratégia – com aporte de até R$ 1 bilhão do BNDES; EB Clima II – Transição Energética & Descarbonização IS FIP Multiestratégia – até R$ 500 milhões do Banco; e (iii) Generation Just Climate Brasil FIP – com até R$ 800 milhões em aporte.
Já os fundos de equity enquadrados na modalidade de Soluções Baseadas na Natureza selecionados foram: Patria Latam Reforest Fund I FIP Multiestratégia IS – com aporte de até R$ 500 milhões do Banco; e The Amazon Reforestation Fund II FIP Multiestratégia IS – Mombak – com até R$ 500 milhões. Por fim, os dois fundos de crédito selecionados se enquadraram na modalidade de Transformação Ecológica: Vinci Crédito Soluções Climáticas FIC FIM – com até R$ 500 milhões; e FIDC Clima Riza Farma – com até R$ 500 milhões.
Entre os destaques estão projetos voltados à restauração de mais de 90 mil hectares nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, além de iniciativas de descarbonização industrial, economia circular, biocombustíveis, hidrogênio verde e tecnologias para redução de emissões.
“O BNDES assume papel estratégico ao ancorar fundos voltados a áreas em que o capital privado ainda enfrenta barreiras, como reflorestamento, descarbonização de processos industriais e bioinsumos, mobilizando recursos e direcionando investimentos para projetos que aceleram a transição climática, prioridade do presidente Lula. A iniciativa amplia os investimentos no Brasil e contribui para o cumprimento das metas nacionais de redução de emissões”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Todos os recursos aportados deverão ser investidos exclusivamente em projetos e empresas no território nacional. Os fundos agora passam por etapa de diligência e definição final das condições de investimento antes da efetivação dos aportes.
A Chamada de Clima integra a estratégia do BNDES de apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, fortalecendo a competitividade da indústria nacional, promovendo inovação verde e ampliando a capacidade do país de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Modalidades
Os fundos de Transformação Ecológica têm foco em setores estratégicos como indústria de baixo carbono — incluindo aço e cimento verdes, minerais críticos, hidrogênio e biomassa —, além de resíduos e economia circular, sistemas alimentares sustentáveis, energia renovável, eletrificação, digitalização e armazenamento de energia.
Já os fundos de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) priorizam a recuperação de áreas degradadas por meio da restauração de florestas nativas no Arco da Restauração, na Amazônia, além dos biomas Cerrado e Mata Atlântica. Também incluem projetos de restauração produtiva com sistemas agroflorestais e silvicultura sustentável integrada à lavoura, pecuária e floresta, com meta de restaurar mais de 90 mil hectares.
O investimento na agenda climática acelera a transição para uma economia sustentável e neutra em carbono, impulsionando a transição energética, a indústria verde, a infraestrutura e o transporte de baixo carbono, além de fortalecer a agropecuária sustentável. Também amplia ações de conservação ambiental, restauração de biomas e desenvolvimento da bioeconomia da sociobiodiversidade, contribuindo para tornar atividades econômicas, infraestrutura e cidades mais resilientes às mudanças climáticas.
A primeira estimativa para a safra 2026/27 de laranja nos Estados Unidos indica manutenção da produção em patamares historicamente baixos. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção norte-americana deve permanecer próxima às mínimas da série, com a safra na Flórida estimada em 12 milhões de caixas, queda de 1,6% em relação à safra anterior.
Do total previsto, cerca de 7,5 milhões de caixas correspondem à laranja Valência, principal variedade destinada à produção de suco no país. O número de árvores produtivas na Flórida recuou 18% na comparação anual, enquanto o aumento do número de frutos por árvore elevou a produtividade média.
No Brasil, a projeção do USDA para a safra 2026/27 aponta produção de 330 milhões de caixas, alta de 3,7% frente à estimativa para 2025/26, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis esperadas para 2026. Com isso, a produção de suco de laranja deve alcançar 1,03 milhão de toneladas em FCOJ, crescimento de 1,9%.
No comércio internacional, a aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul tende a favorecer as exportações brasileiras de suco de laranja no longo prazo, segundo a CitrusBR. A entidade estima que, em cinco anos, o setor possa acumular uma economia tarifária de cerca de US$ 320 milhões, com a redução gradual das tarifas aplicadas ao produto.
Para o suco NFC, o impacto deve ser mais imediato, com previsão de eliminação das tarifas em até quatro anos. Já para o FCOJ, a redução tarifária deve ocorrer de forma gradual, em um período estimado entre cinco e dez anos.
Embrapa signed a Memorandum of Understanding (MOU) on scientific and technological cooperation with a consortium of five private institutions, namely three Indian and two Brazilian companies. The agreement is valid for 10 years and mainly focuses on the transfer and validation of Embrapa’s genomic technologies to that country’s dairy farming.
On India’s side, the parties to the agreement are Leads Agri Genetics Private Limited (specializing on animal genetics and dairy technologies, including genomic selection and in-vitro fertilization); LeadsConnect Services Private Ltd (pioneer in Analytics with a focus on AgriTech, climate-smart agriculture,and data analysis), and B.L.Kamdhenu Farms Limited (an entity that promotes dairy farming in India that aims at developing a sustainable ecosystem for native breeds). As for Brazil’s, the MOU is signed by Fazenda Floresta (specialized in in-vitro embryo production and high-performance dairy operations) and DNAMARK (a laboratory focused on genetic improvement and applied genomics).
The Ambassador of India in Brazil, Dinesh Bhatia, stresses that this is the first time that a technical-scientific cooperation agreement is signed by Brazilian and Indian companies in the area of cutting-edge breeding and genetic improvement, involving modern animal reproduction techniques. He also notes that the initiative stems from a Memorandum of Understanding established between Embrapa and the Indian Council of Agricultural Research (ICAR) in July, with the aim of broadening cooperation in agricultural research.
The president of Embrapa, Silvia Massruhá, recalls that the partnership between Brazil and India in agricultural research is old, especially in the field of bovine breeding and genetic improvement. According to her, in the last few decades, modern techniques like genomics, biotechnology, gene editing, and bioinformatics started to integrate this, bringing new challenges to reseach and widening opportunities to share advances aimed at increasing milk yield in both countries. For Massruhá, the cooperation with Indian institutions strengthens Embrapa’s position as a global reference in tropical agriculture and opens an even broader scientific front. “While the initial focus is on livestock, the scope of the cooperation is quite broad”, she adds.
According to Embrapa Dairy Cattle researcher Marcos Vinícius G. B. Silva, the new initiative will allow the transfer, adaptation, and validation of Embrapa’s portfolio of genomic technologies in one of the largest dairy markets in the world, with an initial focus on Zebu breeds. “The partnership offers a two-way street. Embrapa contributes with its expertise in genomics, bioinformatics, breeding and genetic improvement, and reproductive biotechnologies; while it will have access to genomic and phenotypic databases of Indian breeds”, he states. According to him, such access is vital to improve Embrapa’s genomic prediction models and will accelerate genetic gains in the Indian herd.
The institutions have committed to the establishment of joint projects in science and technology in the areas of natural resources and climate change (adaptation and resilience of production systems); biotechnology, microbiomes, nanotechnology and geotechnology; bioeconomy and bioproducts; agroindustrial technology; automation and digital agriculture, including artificial intelligence and information technology.
The MoU implementation will occur through Scientific Cooperation Projects (SCPs) or Technical Cooperation Projects (TCPs), which should detail funding, responsibilities and, crucially, intellectual property (IP) rights on new processes or products. With the signing of the Memorandum, the parties begin the process of defining the specific projects (SCPs and TCPs) that will give body and operability to the collaboration plan. “The success of this initiative will position Brazilian genomics as an essential tool in the sustainable development of global cattle farming”, Silva concludes.
A termometria de precisão deixou de ser uma promessa futura e passou a integrar, na prática, os sistemas modernos de armazenagem de grãos. Esse avanço está diretamente ligado à automação e ao uso de dados confiáveis para orientar decisões operacionais, especialmente no acionamento da aeração.
Nesse contexto, a estação meteorológica e o sensor plenum exercem papel central. Enquanto a estação fornece informações contínuas sobre o ambiente externo, o sensor plenum indica as condições reais do ar insuflado nos silos após o início da aeração. Essa combinação garante uma leitura precisa do cenário em que o grão está inserido.
Dados como temperatura e umidade do ar, volume e status de chuva, pressão atmosférica, vento e ponto de orvalho — obtidos pela estação meteorológica e associados a informações de previsão via satélite, disponíveis em tempo real no portal DEEPCE — criam a referência necessária para que o sistema interprete corretamente os dados e saiba quando iniciar ou interromper a aeração de forma adequada.
Essas informações são fundamentais para tornar as decisões automatizadas mais eficientes na armazenagem. “A precisão da termometria depende da qualidade do dado que serve de referência para o sistema operar”, explica Everton Rorato, diretor comercial da PCE Engenharia. “Quando o ambiente externo e a condição real do ar insuflado são bem monitorados, o sistema consegue decidir com mais segurança o melhor momento para ligar ou não a aeração”, diz ele.
Na prática, a integração entre dados externos e internos permite identificar as janelas mais adequadas do dia para a operação, normalmente associadas a períodos de menor temperatura e condições mais favoráveis do ar. O cruzamento dessas informações evita acionamentos desnecessários e melhora o desempenho do sistema de aeração.
A automação passa, então, a atuar de forma mais precisa: pode resfriar a massa de grãos, manter a temperatura estável ou realizar aeração localizada para combater focos de aquecimento. O resultado é maior controle térmico, preservação da qualidade do grão e redução de riscos durante o período de armazenagem.
Além dos ganhos técnicos, a termometria de precisão associada à estação meteorológica gera impactos diretos na operação. A menor necessidade de intervenção manual reduz custos com mão de obra dedicada exclusivamente ao monitoramento, enquanto o uso mais racional da aeração contribui para a redução do consumo de energia elétrica.
Ao tornar as medições mais confiáveis e as decisões mais assertivas, a termometria de precisão consolida-se como uma ferramenta essencial no pós-colheita moderno, alinhando eficiência operacional, qualidade do produto armazenado e competitividade para produtores e armazenadores.
A piscicultura brasileira inicia 2026 com perspectivas positivas, sustentadas pela recuperação dos preços ao produtor, consumo interno aquecido, manutenção das exportações e expectativa de custos mais estáveis. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), Francisco Medeiros.
Para este ano, o executivo destaca um cenário de continuidade dos investimentos e maior organização da cadeia produtiva. “No último trimestre de 2025, observamos aumentos sucessivos nos preços pagos ao produtor, reflexo de um mercado interno aquecido e de uma demanda consistente. Mesmo com os desafios relacionados ao poder de compra do consumidor, o setor manteve seus investimentos e chega a 2026 com confiança”, ressalta Medeiros.
No mercado externo, a piscicultura nacional manteve sua atuação após os ajustes ocorridos em 2025, especialmente no comércio com os Estados Unidos. Segundo o presidente da PEIXE BR, as exportações ganharam novo fôlego, com crescimento dos embarques para o Canadá e abertura de negociações com outros países. “Há uma oportunidade clara para o filé congelado, um produto que ainda representa uma parcela pequena das nossas exportações, mas que tem grande potencial, especialmente nas Américas e em outros mercados internacionais”, destaca.
Outro fator que reforça o otimismo para 2026 é o cenário produtivo. As previsões climáticas indicam condições favoráveis, enquanto a expectativa de uma boa safra de grãos tende a aliviar os custos de produção. “Os grãos impactam diretamente o custo da ração, e tudo indica que teremos preços mais estáveis, o que é fundamental para a rentabilidade do produtor”, explica Medeiros.
Na área sanitária, a avaliação é de avanço contínuo. “Produtores e toda a cadeia estão atuando de forma incisiva para enfrentar os desafios sanitários, com mais tecnologia, gestão e prevenção”, acrescenta.
Nesse ambiente otimista, a competitividade segue como eixo central da atuação da PEIXE BR em 2026. “Nosso objetivo é ampliar o acesso da piscicultura brasileira aos mercados e garantir que esses ganhos cheguem à porteira. Esse trabalho vem sendo construído ao longo dos últimos 11 anos e já apresenta resultados concretos”, afirma o presidente da entidade.
Porém, apesar dos avanços, a regulação governamental ainda é apontada como o principal entrave ao crescimento do setor. Para enfrentar esse desafio, a associação atua de forma coordenada nos âmbitos estadual e federal, buscando reduzir gargalos e prejuízos à atividade.
Além da agenda institucional, a PEIXE BR mantém projetos estratégicos nas áreas de genética, mercado e tecnologia. “Estamos acelerando iniciativas que envolvem toda a cadeia, da produção ao processamento, com foco em eficiência, inovação e fortalecimento do setor”, conclui Medeiros.