Mapa confirma foco de doença de Newcastle em estabelecimento avícola em Santa Catarina

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus localizado no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina.

A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina e confirmada por análise realizada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP), reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como laboratório de referência internacional para o diagnóstico da doença.

O estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial, com suspensão da movimentação de aves. As medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres, causada por vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), conforme os critérios estabelecidos pela OMSA.

O Mapa ressalta que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias para controlar a ocorrência, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações.

A ocorrência será notificada à OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária. Novas informações serão divulgadas à medida que as investigações e as ações de controle avançarem.

Qualidade da água impacta produtividade na pecuária

Tão importante quanto uma alimentação balanceada, a qualidade da água é um fator que pode influenciar diretamente os resultados das fazendas, afetando a saúde, o ganho de peso e o desempenho produtivo do rebanho. Por esse motivo, a oferta de água em quantidade e qualidade adequadas deve estar entre os pontos de atenção dos pecuaristas, tanto em sistemas a pasto quanto em confinamento.

Como a água representa entre 50% e 70% do peso corporal dos bovinos e participa de processos como digestão e absorção de nutrientes, sua disponibilidade é essencial para o organismo. De acordo com o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson, um bovino pode sobreviver mesmo após perdas significativas de gordura corporal e tecido muscular, mas a redução de 10% a 12% da água corporal pode levar o animal à morte.

“Água limpa atrai os animais. Já a água suja, com lodo ou fezes, reduz a ingestão diária de água, o que também pode diminuir o consumo de alimentos e comprometer o desempenho do rebanho. O fornecimento de água limpa pode aumentar significativamente o ganho diário de peso, somando dezenas de quilos extras por boi ao fim de um ciclo”, explica Marson.

Além de prejudicar o consumo e o desempenho dos animais, a água contaminada pode transmitir doenças como verminoses, leptospirose e botulismo. Por isso, é preciso que o gado disponha de infraestrutura adequada para ter acesso ao recurso, com bebedouros limpos e boa vazão. Medidas relacionadas à qualidade, disponibilidade e manejo da água podem contribuir para melhorar os resultados da propriedade. Além disso, a oferta de água limpa ajuda a reduzir a ocorrência de doenças, os gastos com medicamentos e a mortalidade, além de favorecer o desenvolvimento dos animais.

Marson observa que, para tratar a água do rebanho de maneira eficiente e com baixo custo, o foco deve estar no isolamento das fontes nativas, na desinfecção química e no manejo físico dos reservatórios. Ele pontua que é preciso evitar que o gado tenha acesso direto a açudes, rios ou barreiros, já que a entrada dos animais nessas áreas favorece a contaminação por fezes e urina e revolve o lodo depositado no fundo. O recomendado é isolar açudes e córregos com cercas para proteger as margens e usar bombas para conduzir a água da superfície do açude para caixas d’água centrais, de onde ela pode seguir por gravidade para os bebedouros dos pastos.

Segundo o especialista, o cloro é uma alternativa de baixo custo para a desinfecção da água, auxiliando no controle de bactérias, vírus e protozoários. “Mas nenhum produto químico substitui a limpeza mecânica”, alerta. “O ideal é que os bebedouros sejam limpos pelo menos uma vez por semana. Quando essa frequência não for viável, a fazenda deve acompanhá-los na rotina e antecipar a limpeza sempre que houver acúmulo de lodo, algas, fezes ou outros resíduos”.

Para evitar o desperdício de água em regiões de seca, “uma alternativa é utilizar decantadores ou realizar a limpeza do fundo, retirando apenas de 10% a 20% da água, onde está concentrado o sedimento, com o auxílio de motobombas portáteis ou sifões. O restante da água limpa é preservado”, ensina.

Outro ponto a ser observado é a localização dos bebedouros. Quando o animal precisa caminhar longas distâncias para encontrar água de qualidade, o deslocamento pode interferir em seu consumo e desempenho. Segundo Marson, o ideal é instalar pontos de fornecimento distribuídos estrategicamente pela propriedade, de acordo com o sistema de produção e a viabilidade de cada fazenda.

“Tão importante quanto a genética, a nutrição e o manejo de pastagem, a água tem influência direta sobre os resultados da propriedade. Cuidar da qualidade e da disponibilidade desse insumo é cuidar diretamente do bem-estar do rebanho, do desenvolvimento dos animais e da rentabilidade da fazenda”, resume Marson.

USDA surpreende mercado com oferta maior de milho nos EUA e derruba cotações em Chicago

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe números mais negativos do que o mercado esperava, principalmente para o milho. A revisão para cima da produção americana e o aumento dos estoques finais reforçaram a percepção de maior disponibilidade do cereal, provocando uma forte queda das cotações em Chicago. Para a soja, os ajustes foram menores, mas também apontaram para um balanço de oferta e demanda mais confortável.

“O milho foi a grande surpresa negativa deste relatório. O mercado esperava uma redução da produção americana, mas o USDA trouxe um aumento importante, acompanhado de estoques finais bem acima das expectativas. Isso muda a leitura que tínhamos em setembro, quando o balanço parecia mais apertado”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. 

Milho concentra as principais revisões

Nos Estados Unidos, a estimativa de produção de milho para a safra 2026/27 subiu de 401,3 milhões para 407,3 milhões de toneladas, alta de 1,5%. A revisão contrariou as expectativas do mercado, que projetava uma redução para aproximadamente 399,7 milhões de toneladas.

Mesmo com a produtividade estimada em 186 sacas por hectare, o aumento da produção ampliou a oferta disponível. Os estoques finais americanos avançaram 18% em relação ao relatório de setembro, superando as projeções do mercado, que estavam próximas de 43 milhões de toneladas. Os estoques iniciais também foram elevados, enquanto exportações e consumo receberam pequenos ajustes positivos, insuficientes para compensar o aumento da oferta.

No cenário mundial, os estoques finais de milho passaram de 272,1 milhões para 280,4 milhões de toneladas, alta de 3,1%. O número também ficou acima dos 273,8 milhões de toneladas esperados pelo mercado.

Para Yedda, a combinação de produção maior e estoques mais elevados reduz a sustentação que o mercado vinha encontrando nas cotações internacionais. “O balanço do milho ficou mais confortável do que se imaginava. Com uma oferta maior nos Estados Unidos e no mercado global, Chicago passa a depender de novos fatores de demanda ou de algum risco de produção para recuperar força”, avalia.

No Brasil, a estimativa de produção para a safra 2026/27 permaneceu em 139 milhões de toneladas, com exportações projetadas em 43 milhões. Para a safra 2025/26, porém, a previsão de embarques brasileiros foi reduzida de 40 milhões para 38 milhões de toneladas. Na Argentina, a produção estimada para o próximo ciclo seguiu em 55 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais tiveram aumento de quase 25%.

Foto: Mark Stebnicki / Pexels.com

Soja também tem oferta mais confortável

Na soja, o USDA promoveu ajustes mais limitados, mas que também apontam para uma condição menos apertada de oferta. A produção americana da safra 2026/27 foi elevada em 0,6%, para 124,2 milhões de toneladas, enquanto a estimativa de exportações subiu para 46,1 milhões de toneladas.

O avanço da demanda externa, entretanto, não foi suficiente para impedir o aumento dos estoques finais dos Estados Unidos, de 8,4 milhões para 8,6 milhões de toneladas. No balanço mundial, os estoques também cresceram e ficaram acima das expectativas do mercado, de 123,5 milhões de toneladas.

As estimativas para China, Brasil e Argentina tiveram poucas alterações relevantes. Com isso, o relatório não trouxe novos elementos de restrição da oferta que pudessem dar sustentação às cotações.

“Na soja, a leitura é de neutra a levemente negativa. As exportações americanas melhoraram, mas a produção e os estoques também aumentaram. O mercado agora deve acompanhar principalmente a retomada das compras chinesas depois do feriado e o ritmo da demanda nas próximas semanas”, diz Yedda.

Comercialização exige atenção do produtor

A reação do mercado reforça a necessidade de acompanhar as oportunidades de comercialização, especialmente no milho. Com o aumento dos estoques americanos e globais, as cotações internacionais passam a ter menos sustentação, a menos que surjam novos estímulos de demanda ou preocupações com a produção.

Para a soja, o comportamento das compras chinesas e a evolução da safra sul-americana estarão entre os fatores importantes para a formação dos preços. No Brasil, a dinâmica das exportações também merece atenção diante da perda de competitividade. 

“O produtor precisa observar as janelas de oportunidade e avaliar a comercialização de forma escalonada, principalmente no milho. Neste momento, depender apenas de uma recuperação de Chicago pode ser arriscado, porque o relatório trouxe uma sinalização mais negativa para os preços”, conclui a analista.

El Niño requires different strategies for agriculture per region in Brazil

At Embrapa, teams across Brazil’s five regions outlined the risks associated with the 2026/2027 El Niño and developed recommendations to suit each climate and production scenario. The guidance includes the use of the Agricultural Climate Risk Zoning (Zarc), the choice of adapted cultivars, staggered planting, and water and soil management and conservation measures.

While farmers in the Brazilian South must prepare for heavy rains and excess water, in much of the Central-West, North, Northeast, and Southeast, the phenomenon is expected to pose the opposite challenge: water shortages, irregular rainfall, and high temperatures. The differences are not limited to regional boundaries: risks also vary depending on location, crop, production system, and agricultural cycle stage.

The contrasts are evident throughout the map. In the Central-West, the states Mato Grosso and Goiás are at the highest risk of drought, while the southern part of Mato Grosso do Sul is likely to receive more rain. In the Northeast, the concern is the reduced water supply; in the North, falling river levels could affect navigation, transportation, and water supply. The Southeast includes both drier and wetter areas even within the same state, while in the South, excessive rainfall increases the risk of waterlogging, erosion, and crop diseases.

The teamwork unfolded the 163 measures listed by the El Niño Working Group established by the Ministry of Agriculture and Livestock (Mapa) with the participation of approximately 50 professionals from Embrapa and experts from the National Institute of Meteorology (Inmet).

In addition to reducing the impacts of the 2026/2027 El Niño, some of the recommendations can be incorporated into farm planning to improve preparedness for other recurring weather events and conditions.

Foto: Kevin Yung / Pexels.com

GAFFFF 2026 reúne lideranças globais para debater segurança alimentar, sustentabilidade, logística e o futuro da transição energética

A terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF 2026), realizada pela DATAGRO no Nubank Parque, em São Paulo, dias 1º e 2 de outubro, reuniu autoridades, especialistas e lideranças mundiais do setor para debater temas como os rumos estratégicos do agronegócio, os gargalos de infraestrutura e a relevância do Brasil no abastecimento global de alimentos e na transição energética. O evento contou com 184 patrocinadores e 144 expositores, além de 328 palestrantes de 21 países, distribuídos em 87 painéis e 81h30 de palestras. O público veio de 21 países e todos os 26 estados brasileiros estiveram representados. 

Na cerimônia de abertura, Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, destacou a importância de criar fóruns globais de debate para impulsionar o desenvolvimento do setor e enfrentar as transformações futuras “O avanço da agricultura brasileira é fruto histórico da união entre ciência, pesquisa e ecossistemas de colaboração”, afirmou. Nastari enfatizou ainda que a capacidade produtiva, sanitária e sustentável do país deve ser utilizada como instrumento de cooperação internacional para garantir a segurança alimentar e energética global.

A dimensão socioambiental e humana do setor foi o foco da keynote speaker Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Em sua participação, Robinson chamou a atenção para o fato de que grandes volumes de exportação nem sempre traduzem segurança alimentar interna, citando a vulnerabilidade de cadeias globais a choques climáticos. A líder internacional defendeu o engajamento das comunidades locais. “A resposta à crise do clima e da natureza passa pelo engajamento das comunidades locais”, disse, ressaltando a relevância de uma atuação cooperativa e complementar do Brasil com o resto do mundo.

Outro ponto alto da programação abordou a imagem e a percepção do agronegócio junto à sociedade, em apresentação de um estudo sobre a visão do consumidor urbano e dos próprios produtores. “O setor é muito mais moderno e tecnológico do que o imaginário popular supõe”, garantiu Luiz Felipe Nastari, diretor da DATAGRO.

Luiz Felipe destacou que o GAFFFF cumpre um papel fundamental ao aproximar o campo da população urbana, quebrando clichês e evidenciando a diversidade, a inovação e os investimentos do agro contemporâneo. 

A programação técnica do primeiro dia também lançou luz sobre as transformações no comércio global, dinâmicas geopolíticas e o acesso a novos mecanismos de crédito rural. 

As discussões do segundo dia aprofundaram os gargalos de infraestrutura e inovação no país. Especialistas alertaram que o custo do transporte de grãos no Brasil chega a ser até 48% superior ao dos Estados Unidos por conta da dependência do modal rodoviário, quadro agravado pela falta de capacidade de armazenagem nacional, que atende a apenas 62% da produção. 

Em painel sobre biotecnologia, representantes do Brasil, Argentina e Estados Unidos concordaram que a comunicação sobre novas tecnologias deve focar nos benefícios concretos entregues à sociedade. 

Já o debate sobre o Código Florestal ressaltou a regulação ambiental brasileira – que obriga a preservação de 33,2% do território em propriedades privadas -, defendendo a tradução da legislação para o mercado externo e a aplicação do princípio do “protetor-recebedor” para valorizar quem preserva a natureza. 

A transparência do setor também foi pauta da Rede Brasil de Jornalistas Agro (Agrojor), que posicionou a checagem rigorosa de dados como pilar para a reputação internacional. 

Em outro painel, Guilherme Benchimol, fundador e presidente do Conselho da XP Inc., e Plínio Nastari debateram cultura empresarial e liderança, enquanto os painéis sobre transição energética trataram do avanço dos biocombustíveis no Brasil, com R$ 289 bilhões em investimentos registrados e sua aplicação em novos mercados, como combustível sustentável de aviação (SAF), transporte marítimo e biometano. 

O segundo dia contou, ainda, com a Cavalgada do Bem, que reuniu cerca de 200 cavaleiros em um percurso do Parque da Água Branca até a entrada do Nubank Parque. 

Na parte de Cultura, o GAFFFF contou com shows de Edson & Hudson, Rio Negro & Solimões, Estela Blanco e Fiduma & Jeca. No primeiro dia, entre os shows, também aconteceu o Grand Rodeo PBR. No segundo dia, a programação incluiu um momento voltado para a Festa do Peão de Barretos. 

E o próximo Global Agribusiness Festival (GAFFFF), o maior festival de cultura Agro do mundo, já tem data para acontecer: dias 10 e 11 de junho de 2027, em São Paulo.  

Plinio Nastari, presidente da Datagro (Foto: Divulgação / GAFFFF)

Senado aprova fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho

com informações da Agência Brasil

O plenário do Senado Federal aprovou, em votação em dois turnos, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/2019, que põe fim à escala 6×1 de trabalho, aquela em que o empregado trabalha seis dias por um de folga na semana. Foram 75 votos a favor da PEC e apenas um contrário, em ambos os turnos.

O quórum exigido para uma emenda constitucional era de pelo menos 49 votos favoráveis. O número de parlamentares com presença registrada em plenário chegou a  77 dos 81 senadores, segundo o painel de votação.  

O texto prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, em jornada máxima de 5×2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.

Pela PEC, 60 dias após a promulgação da emenda as empresas deverão adotar a escala 5×2 e reduzir a jornada máxima para o máximo de 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.

“Estamos escrevendo este capítulo ao lado de cada trabalhador que acorda antes do sol nascer, de cada mãe e cada pai que querem acompanhar o crescimento de seus filhos, de quem deseja estudar, cuidar da saúde, encontrar os amigos, estar com a família ou descansar”, afirmou a senadora Tereza Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado.

O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) alertou sobre os riscos de a medida aumentar o custo do trabalho e causar impactos a micro e pequenas empresas, que contratam boa parte da força de trabalho que atua na escala 6×1. “Não podemos permitir que essa conquista se torne, a médio e longo prazos, em prejuízo para quem queremos proteger”, observou.

Foto: Lula Marques / Agência Brasil

Touro Senepol registrado pode elevar receita em R$ 500 por cabeça na cria

Com a estação de monta em curso no Brasil Central, a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol) recomenda o uso de touros registrados da raça na cobertura da vacada. Adaptado ao calor, o Senepol é capaz de elevar a receita bruta no ciclo de cria em 15%.

A diferença está no peso do bezerro. Enquanto um zebuíno comum desmama com peso de 200 kg, o meio-sangue Senepol chega a 230 kg. Considerando o preço médio de R$ 17/kg, seriam aproximadamente R$ 500 a mais por cabeça, com a receita saltando de R$ 3,4 mil para R$ 3,9 mil por animal.

As perspectivas para a pecuária em 2027 reforçam a importância econômica deste cruzamento: redução das escalas de abate e retenção de fêmeas apontam para nova onda de valorização do bezerro, cenário em que o peso adicional é estratégico à rentabilidade.

Este movimento também valoriza as novilhas meio-sangue Senepol. Com excelente precocidade sexual e habilidade materna, elas se tornam púberes por volta dos 15 meses, conforme o desenvolvimento e a condição corporal. Também apresentam aptidão como receptoras de embriões e aos programas de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

Eficiência a campo

Na estação de monta, o desempenho do reprodutor é decisivo na performance da próxima safra. Alta libido, capacidade de percorrer grandes distâncias e adaptação ao calor favorecem o trabalho do reprodutor Senepol na monta natural. Manejado adequadamente, um touro da raça cobre mais de 40 vacas, superando a média nacional.

Mas não basta colocar qualquer touro no pasto. “O efeito da genética se prolonga por gerações dentro de um rebanho. Por isso, a procedência e os critérios de seleção precisam ser considerados na compra de um touro Senepol”, recomenda Maurício Borges, Superintendente Técnico da ABCB Senepol.

Maurício reforça que o cuidado vale especialmente para os chamados “touros de ponta de boiada”, escolhidos pela aparência, sem informações confiáveis sobre origem e desempenho, que, segundo ele, comprometerão o desempenho das próximas safras.

O registro genealógico da ABCB Senepol garante maior segurança na compra, com a inspeção técnica atestando padrão racial e funcionalidade, com atenção redobrada ao umbigo e aprumos.

Genética é fundamental

Indicadores gerados pelos Programas de Melhoramento Genético do Senepol (PMGS) também orientam a decisão do pecuarista, ao permitir a escolha de animais alinhados aos objetivos. A seleção conta ainda com marcadores genéticos para características de interesse, entre elas a presença do gene Slick Hair (pelo curto), essencial à adaptabilidade, e a ausência de mutações indesejáveis no gene da miostatina.

Ganhos no ciclo completo

No ciclo completo, os ganhos se estendem,  superando 18 arrobas aos 24 meses de idade, com rendimento médio de carcaça de 54%. A espessura de gordura subcutânea, a maciez da carne e os ganhos de heterose atendem às exigências frigoríficas e diferenciam a remuneração. Linhagens com pressão de seleção para marmoreio incrementam as características sensoriais da matéria-prima.

“O touro Senepol é um pacote tecnológico completo, oferecendo docilidade, fertilidade, precocidade e tantas outras vantagens estratégicas à pecuária moderna. A maioria dos usuários recebem  ágio por qualidade de carcaça e de carne”, afirma Leonardo Lima Keller Gonçalves, presidente da ABCB Senepol.

Foi através do uso de touros Senepol sobre matrizes F1, hoje com presença massiva nas fazendas brasileiras, que novilhos de 20 ou 21@ com idade de apenas 16 meses tornaram-se frequentes na pecuária, graças ao choque de sangue promovido pelo taurino de origem caribenha no tricross.

Produtividade no campo: produzir mais já não basta, é preciso produzir melhor

por Welinton Silva*

A possibilidade de uma maior pressão sobre o abastecimento global de alimentos a partir de 2027, segundo um relatório recente da JPMorgan, colocou novamente a segurança alimentar no centro das discussões do agronegócio. A análise, que ganhou repercussão após um alerta sobre a necessidade de ampliar estoques de alimentos, não representa uma certeza de crise, mas chama atenção para um conjunto de fatores que já desafia o produtor: custos elevados, volatilidade das commodities, restrições de crédito, disponibilidade de insumos, eventos climáticos extremos e dificuldades logísticas.

Nesse cenário, a produtividade passou a significar mais do que produzir um volume maior por hectare. O desafio é produzir mais e melhor, utilizando de forma eficiente os recursos disponíveis.

Durante muito tempo, o aumento da produção esteve associado principalmente à expansão da área cultivada. Hoje, essa equação é mais complexa. O produtor precisa buscar maior produtividade dentro da área que já possui, reduzindo perdas, controlando o custo por hectare e realizando cada operação no momento adequado.

Isso exige olhar para toda a cadeia produtiva. Do preparo do solo ao plantio, passando pelo manejo e pelas aplicações, até a colheita e o transporte, onde cada etapa interfere no resultado final. Quando uma operação é realizada fora da janela ideal, por exemplo, pode haver perda de potencial produtivo, além de retrabalho e aumento do consumo de combustível, mão de obra e outros recursos.

É justamente nesse contexto que a mecanização ganha importância. Mas mecanizar não significa simplesmente escolher uma máquina maior ou mais potente. Significa encontrar o equipamento adequado à realidade da propriedade, à cultura, ao relevo, às condições do solo e ao tempo disponível para realizar cada atividade.

Em culturas com janelas operacionais mais curtas, ter a máquina disponível no momento certo pode ser decisivo. Um equipamento com capacidade insuficiente pode provocar atrasos, enquanto uma máquina superdimensionada pode permanecer subutilizada e elevar o custo por hectare. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre investimento, capacidade operacional e necessidade real.

A eficiência também precisa ser medida de forma mais ampla. O volume produzido por hectare continua sendo um indicador fundamental, mas, isoladamente, não mostra toda a realidade da operação. É preciso considerar quanto foi gasto para produzir, o consumo de combustível, o tempo necessário para cada atividade, os custos de manutenção e o período em que os equipamentos ficaram efetivamente disponíveis para o trabalho.

Essa visão se torna ainda mais relevante diante da possibilidade de restrições na oferta ou de aumento dos preços de insumos. Os últimos anos mostraram como conflitos geopolíticos e problemas logísticos em diferentes partes do mundo podem afetar cadeias essenciais à agricultura. Quando um recurso se torna mais caro ou mais difícil de obter, aproveitar melhor aquilo que está disponível passa a ser ainda mais importante.

O planejamento, portanto, assume um papel central. Monitorar as condições climáticas, programar a compra de insumos, realizar a manutenção preventiva das máquinas e antecipar as operações são medidas que ajudam o produtor a reduzir a exposição aos imprevistos. Em uma atividade tão dependente de janelas específicas, disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos também fazem parte da estratégia.

A mecanização ainda pode contribuir para enfrentar outro desafio estrutural do campo: a disponibilidade de mão de obra. Em diferentes culturas e regiões, determinadas atividades continuam dependendo de trabalho manual, enquanto outras podem ganhar eficiência com a mecanização adequada. O exemplo de países como o Japão mostra como a falta de mão de obra pode acelerar esse processo, mas o caminho brasileiro precisa considerar a diversidade das propriedades e das culturas existentes no país.

Por isso, ampliar o acesso à mecanização, especialmente entre pequenos e médios produtores, não significa apenas disponibilizar equipamentos maiores e mais potentes. É necessário desenvolver soluções compatíveis com diferentes escalas de produção e necessidades. A realidade de uma grande propriedade de grãos é diferente daquela encontrada em uma operação de fruticultura ou em uma pequena propriedade familiar.

Foto: Simon BB / Pexels.com

Para a indústria, essa realidade reforça a necessidade de uma mudança de perspectiva. Mais do que oferecer produtos, é preciso compreender os desafios enfrentados pelo produtor e desenvolver soluções que contribuam para a eficiência de toda a operação. Questões como disponibilidade de peças, assistência técnica, confiabilidade e adequação do equipamento também interferem diretamente na capacidade de cumprir as janelas de trabalho.

O Brasil tem condições de ampliar sua contribuição para a produção mundial de alimentos sem que o aumento da oferta dependa exclusivamente da expansão de áreas. Reduzir perdas, melhorar a eficiência das operações e aproveitar melhor os recursos das áreas já cultivadas são caminhos igualmente importantes.

Se o alerta para 2027 aponta para um cenário em que a oferta global de alimentos pode enfrentar novas pressões, a resposta do campo precisa ser construída desde agora. E ela passa por uma combinação de tecnologia, planejamento e eficiência.

No fim, produtividade não deve ser entendida apenas como quantidade produzida. É a capacidade de transformar terra, insumos, máquinas, mão de obra, tempo e capital em resultado. Produzir mais continua sendo fundamental, mas produzir com eficiência, previsibilidade e rentabilidade será cada vez mais determinante para a sustentabilidade da atividade agrícola.

*Coordenador Nacional Comercial da YANMAR South America. Bacharel em Administração e com MBA em Business/Commerce. Tem mais de 15 anos de experiência na área comercial do agronegócio.

Planejamento ajuda a reduzir falhas antes do plantio

O início de uma nova safra exige atenção antes mesmo de a semente chegar ao solo. O planejamento do tratamento de sementes e das operações de preparo da área pode influenciar a germinação, a emergência e o estabelecimento inicial da lavoura. Entre os principais pontos estão a escolha e a compatibilidade dos produtos, a sequência de aplicação, a qualidade da cobertura das sementes e as condições do solo.

Segundo o engenheiro agrônomo e diretor comercial da Sell Agro, Alexandre Gazoni, falhas nessa etapa podem comprometer o desempenho da semente logo no início do ciclo. “O planejamento antecipado do tratamento de sementes é importante porque pode ser decisivo na emergência da planta. Quando realizado de forma adequada, contribui para uma melhor resposta nessa fase. Por outro lado, erros no processo podem prejudicar a germinação”, afirma.

Um dos pontos de atenção está na combinação dos produtos utilizados. Misturas inadequadas podem provocar incompatibilidades e comprometer a eficiência do tratamento. “É preciso avaliar se os produtos são compatíveis quando utilizamos mais de um e também observar a sequência em que eles serão incorporados à semente. Uma combinação inadequada pode gerar conflitos entre produtos nutricionais e fungicidas, por exemplo, prejudicando a eficiência do tratamento até a germinação”, explica o engenheiro agrônomo.

Uniformidade da aplicação exige atenção

A qualidade da aplicação também interfere no resultado do tratamento. Existem diferentes equipamentos disponíveis para a operação, além de situações em que o procedimento é realizado manualmente. Independentemente do método, é necessário garantir que os produtos sejam distribuídos de maneira uniforme sobre as sementes. “Existem diferentes tipos de máquinas para fazer o tratamento e também há quem realize o processo manualmente. O ponto fundamental é o cuidado para conseguir uma boa cobertura. A semente precisa ficar adequadamente exposta aos produtos”, diz Gazoni.

Equipamentos inadequados, mal regulados ou operações conduzidas sem o cuidado necessário também podem provocar danos físicos às sementes. Segundo o especialista, essas lesões podem favorecer a entrada de patógenos e comprometer vigor, germinação e sanidade. “O principal risco é a danificação da semente. Quando ela sofre algum dano, pode ficar mais suscetível. Se o tratamento também não tiver uma boa cobertura, ela fica mais exposta ao ambiente, pode perder vigor e ter o índice de germinação comprometido. Dependendo do nível do dano, pode até não germinar”, alerta.

Diagnóstico do solo orienta decisões

O planejamento antes do plantio também envolve o diagnóstico da área. A análise das condições químicas, físicas e, quando necessário, biológicas do solo ajuda a identificar limitações e definir as intervenções necessárias para a implantação da cultura.

Informações como pH, necessidade de correção e disponibilidade de nutrientes orientam decisões relacionadas à adubação e às exigências da cultura. “A análise permite entender se o solo está preparado para receber aquela cultura, seja soja, arroz ou algodão. É possível avaliar o pH, a necessidade de calcário e também quanto de fertilizante será necessário para atender às exigências da planta e buscar um bom desempenho produtivo”, explica o diretor comercial da Sell Agro.

A análise de nematoides também pode contribuir para o planejamento. A identificação das espécies presentes na área auxilia na escolha de cultivares com características de resistência ou tolerância e na definição das estratégias de manejo. “Quando fazemos uma análise biológica para nematoides, conseguimos saber quais estão presentes na área e avaliar se a variedade escolhida possui resistência ou tolerância. São informações importantes para aumentar as condições de estabelecimento da planta e para que a lavoura seja economicamente viável”, acrescenta o especialista.

Cobertura do solo ajuda a preservar umidade

Outro cuidado antes do plantio é a manutenção da cobertura vegetal e da palhada. Além de contribuir para a adição de matéria orgânica, a proteção do solo auxilia na conservação da umidade e na redução de processos erosivos. “Precisamos ter um solo preparado quimicamente para disponibilizar os nutrientes necessários às plantas, mas também trabalhar com cobertura. A palhada é hoje uma ferramenta importante tanto para a preservação do solo quanto para a adição de matéria orgânica, além de ajudar a reduzir erosão e conservar umidade”, afirma o engenheiro agrônomo.

Informação também faz parte do planejamento

Além das ferramentas de diagnóstico e das tecnologias utilizadas nas operações, Gazoni destaca a importância do acompanhamento técnico e da troca de informações para a tomada de decisões. “O produtor tem à disposição profissionais que podem trazer uma visão diferente. Muitas vezes ele está diariamente dentro da fazenda observando aquela realidade, enquanto aqueles que acompanham outras regiões encontram situações semelhantes em diferentes locais. Ter parceiros para trocar informações e ajudar no planejamento é primordial”, afirma.

Para o engenheiro agrônomo, antecipar decisões e contar com informações técnicas permite identificar problemas antes do plantio e organizar as operações de acordo com as condições de cada área. O objetivo é reduzir falhas justamente em uma etapa que pode determinar o desenvolvimento da lavoura nas primeiras fases do ciclo.

Inadimplência no crédito rural bate recorde e acende alerta para financiamento da nova safra

O avanço da inadimplência no campo adiciona uma nova camada de pressão ao financiamento da safra 2026/27. Em agosto, o débito em aberto da carteira de crédito rural com recursos direcionados para pessoas físicas chegou a 9,69%, maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011.

O indicador considera o percentual da carteira com pelo menos uma parcela vencida há mais de 90 dias. Em julho deste ano, a taxa estava em 8,79%. Um ano antes, em agosto de 2025, era de 5,23%, o que representa uma alta de 4,46 pontos percentuais em 12 meses.

Outro levantamento ajuda a dimensionar a deterioração do crédito no campo. Estudo da Agroicone, elaborado com base em dados do Banco Central, mostra que o saldo das operações rurais com atraso superior a 90 dias passou de R$ 3,8 bilhões em julho de 2023 para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026.

O cenário coincide com um começo de safra marcado por menor número de operações de crédito. Análise da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também baseada em informações do Banco Central, aponta que foram registrados 375,1 mil contratos de crédito rural em julho e agosto da safra 2026/27, ante 457,8 mil no mesmo período do ciclo anterior.

Para Romário Alves, CEO da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, o aumento da inadimplência exige atenção não apenas de quem já enfrenta dificuldades financeiras, mas também de produtores que precisarão captar recursos ao longo do novo ciclo.

“Quando a inadimplência cresce de maneira tão expressiva, todo o ambiente de crédito passa a exigir mais cautela. Isso não significa que o produtor que está adimplente deixará de conseguir financiamento, mas análise de risco, capacidade de pagamento, garantias e histórico financeiro ganham ainda mais peso. Por isso, deixar a busca pelo recurso para a última hora pode se tornar um problema”, explica Alves.

Crédito muda de perfil

Nos dois primeiros meses da safra 2026/27, produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais produtores contrataram R$ 65,7 bilhões em operações de crédito rural, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor).

Um dos movimentos que chamam atenção está na composição desses recursos. As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 32,4 bilhões, o equivalente a 49,2% do total contratado no período. Já as operações convencionais de custeio somaram R$ 23 bilhões, ou 34,9%.

Segundo Alves, a mudança reforça a necessidade de o produtor conhecer diferentes possibilidades de financiamento e comparar as condições antes de contratar. “O crédito rural está se tornando cada vez menos uma decisão baseada apenas em encontrar uma linha disponível. O produtor precisa entender prazo, custo, garantias, fluxo de caixa e qual instrumento faz sentido para aquela atividade. Em um momento de maior pressão financeira no setor, uma contratação mal dimensionada hoje pode comprometer a capacidade de financiamento dos próximos ciclos”, afirma.

A renegociação também entra no radar. O aumento das dificuldades financeiras levou à criação e ampliação de mecanismos para composição de dívidas rurais em 2026. Em setembro, o Conselho Monetário Nacional autorizou novas condições para determinadas operações renegociadas, prorrogadas ou inadimplentes, ampliando as possibilidades de reorganização de passivos para produtores enquadrados nas regras.

Para o especialista, porém, renegociar compromissos anteriores e buscar recursos para uma nova safra são decisões que precisam ser analisadas conjuntamente. “Não adianta olhar apenas para a parcela que venceu. É preciso entender quanto da receita futura já está comprometida, qual será a necessidade de capital para produzir e em que momento haverá entrada de recursos. O produtor precisa enxergar a propriedade como uma empresa e projetar o fluxo financeiro antes de assumir uma nova obrigação”, acrescenta.

Com o Plano Safra 2026/27 prevendo R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, o desafio neste momento não está apenas no volume de recursos anunciado, mas nas condições em que produtores chegam ao mercado para acessá-los.

“Crédito continua existindo e é fundamental para o agro brasileiro. O que muda em um cenário como esse é a importância do planejamento. Quanto antes o produtor organizar seus números e entender sua capacidade de pagamento, maior será a possibilidade de buscar uma estrutura de crédito compatível com a realidade da propriedade”, conclui Alves.