Safra de soja ganha 1,6 milhão de toneladas com encerramento de etapa do Rally da Safra

A Agroconsult elevou a estimativa da safra brasileira de soja para 184,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior e de 0,9% sobre a última revisão (03/março), após consolidar os dados finais da etapa soja do Rally da Safra. O novo número reflete ajustes tanto na produtividade quanto na área plantada, reforçando o cenário de mais uma grande safra no país.

A revisão ocorre após a conclusão dos dois principais levantamentos da consultoria — o de campo, realizado pelas equipes do Rally da Safra, e o de área plantada, com base em imagens de satélite da ferramenta Cropdata. Com aproximadamente 1.700 lavouras avaliadas em 14 estados e mais de 60 mil quilômetros percorridos desde janeiro, a Agroconsult revisou a produtividade nacional de 62,5 para 62,7 sacas por hectare.

Pelo lado da área, a leitura indica 49,1 milhões de hectares plantados com soja, um acréscimo de quase 300 mil hectares em relação à projeção inicial do Rally. Com isso, o ajuste total da safra 2025/26 em relação à estimativa anterior chega a 1,6 milhão de toneladas e, comparando com a temporada anterior, ultrapassa 11,5 milhões de toneladas: 30% desse crescimento ocorre em razão do aumento de área e 70% por ganhos de produtividade.

“Chegamos a um momento decisivo para a definição da safra de soja. É quando consolidamos os dados de campo coletados em todas as regiões do país, respeitando o calendário de colheita de cada área, e os integramos às informações de área plantada, obtidas com o suporte de tecnologias avançadas de processamento de imagens. Esse cruzamento de informações amplia de forma significativa a precisão das estimativas e reforça a confiabilidade dos números da produção nacional”, afirma André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra.

Entre os destaques positivos da safra estão Mato Grosso e Bahia. Com a colheita finalizada, Mato Grosso deve produzir 51,3 milhões de toneladas, mantendo a produtividade em 66 sacas por hectare – estável em relação ao relatório anterior e pouco acima da estimativa inicial do Rally (65 sacas).

“No início do Rally, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos. Ainda assim, os dados finais mostram que o estado sustentou uma produtividade elevada, apoiada pelo maior número de grãos por hectare e bom peso dos grãos”, explica Debastiani.

Na Bahia, com 61% da safra colhida, os dados de campo confirmam uma das maiores revisões positivas da temporada. A produtividade estimada, que era de 66 sacas por hectare em janeiro, subiu para 68 em fevereiro e agora é estimada em 70,3 sacas por hectare — a maior do país. A produção estadual deve alcançar 9,7 milhões de toneladas.

Já o Rio Grande do Sul é o destaque negativo. Com apenas 11% da área colhida – ritmo inferior à média das últimas cinco safras -, o estado sofreu com a estiagem ao longo do ciclo. A estimativa de produtividade em janeiro, que era de 52 sacas por hectare, caiu para 47 sacas em fevereiro e foi ajustada para 48,3 sacas na rodada final. “Apesar da melhora da percepção de potencial do estado, após rodarmos o estado no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas”, aponta Debastiani.

Entre os demais estados, houve algumas reduções de estimativas no terço final da colheita, em função de desafios climáticos pontuais. No Mato Grosso do Sul, o início da safra registrou implantação satisfatória, mas a irregularidade climática foi constante ao longo do desenvolvimento. A redução das chuvas e as altas temperaturas aceleraram a colheita, em meio à preocupação com a janela da segunda safra, e a produtividade foi revisada de 62,5 para 60 sacas por hectare.

Em Goiás, a safra se desenvolveu de forma satisfatória, mas a colheita trouxe peso de grãos e qualidade abaixo das expectativas. A produtividade foi reduzida de 67 para 66,2 sacas por hectares no estado.

No Paraná, a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas afetaram principalmente as últimas áreas semeadas, em fevereiro e março, reduzindo o peso de grãos. A estimativa saiu de 67 para 66,1 sacas por hectare.

Já outros estados apresentaram revisões positivas. Em Minas Gerais, a combinação de fatores como a semeadura que, apesar dos atrasos, ocorreu de forma segura, sem necessidade de replantios, aliada ao bom nível de investimento nas lavouras e aos volumes adequados de chuva ao longo do desenvolvimento da cultura, resultou em uma produtividade recorde no estado de 68 sacas por hectare.

No MAPITO-PA, Maranhão e Piauí apresentaram bom peso de grãos em praticamente todas as regiões, o que elevou a produtividade no Maranhão para 64,2 sacas, e no Piauí, agora com 65 sacas por hectare. Já no Tocantins e Pará, as médias devem se manter próximas a 60 sacas por hectare.

Foto: Eduardo Monteiro / Rally da Safra

Segunda safra de milho

Encerrada a etapa soja, o Rally volta agora seu foco para a segunda safra de milho, que se desenvolve sob maior nível de risco climático em alguns estados. Entre 10 de maio e 15 de junho, as equipes técnicas estarão em campo para avaliar lavouras nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. A área estimada pela Agroconsult é de 18,5 milhões de hectares, crescimento de 2,5 % em relação ao ciclo anterior.

A produtividade média é estimada ainda dentro da linha de tendência – em 103,1 sacas por hectare – com produção total de 114,5 milhões de toneladas, o que corresponderia a uma queda de 7,6% frente à safra passada.  

“O que vai definir o potencial produtivo é o comportamento do clima em abril. Apesar das chuvas de março e dos bons níveis de umidade no solo, os modelos climáticos divergem”, afirma Debastiani. “Enquanto o modelo europeu indica chuvas mais consistentes, o americano projeta volumes abaixo da média, o que mantém o nível de incerteza elevado”.

Segundo ele, lavouras de estados como Goiás dependem de chuvas em abril e na primeira quinzena de maio, enquanto, no Mato Grosso, a necessidade de precipitações se concentra ao longo de abril para garantir o desenvolvimento adequado das lavouras.

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Pela primeira vez, importações de tilápia superam exportações brasileiras

O avanço das importações de tilápia acendeu um sinal de alerta em um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio brasileiro. Em fevereiro de 2026, o Brasil importou mais de 1,3 mil toneladas de filé do Vietnã, volume equivalente a cerca de 4,1 mil toneladas de peixe vivo, em um movimento que, pela primeira vez, superou as exportações nacionais e já representa 6,5% da produção mensal. 

O dado chama atenção em um setor que, até então, vinha sustentando crescimento consistente e acima da média das demais proteínas animais. “A tilápia brasileira é a proteína que mais cresceu no país nos últimos 11 anos, com expansão superior a 10% ao ano, acima de suínos, aves, bovinos, leite e ovos. Esse resultado é mérito de toda a cadeia produtiva”, ressalta o presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros. 

O avanço do produto importado, no entanto, muda a dinâmica do mercado. O filé vietnamita chega ao Brasil com preços entre R$ 25 e R$ 29 por quilo, patamar considerado agressivo pelo setor, por se aproximar do custo da matéria-prima nas indústrias nacionais. “Esse é praticamente o preço do peixe quando chega ao frigorífico no Brasil. Isso cria uma distorção importante na concorrência”, diz Medeiros. 

Competitividade pressionada fora da porteira 

Apesar dos ganhos expressivos dentro da porteira, com alta produtividade, tecnologia e eficiência, a cadeia brasileira perde competitividade ao longo da cadeia. Custos tributários elevados, encargos trabalhistas e exigências ambientais mais complexas são apontados como os principais gargalos. Ao mesmo tempo, o produto importado chega com vantagens competitivas, como isenção de ICMS em alguns estados. “Temos uma produção altamente eficiente, talvez a mais competitiva do mundo dentro da porteira. Mas, fora dela, a carga tributária e a burocracia comprometem esse desempenho”, discorre o presidente. 

Para o setor, o ponto central não é restringir importações, mas garantir condições equilibradas de competição. “Defendemos isonomia tributária, sanitária, trabalhista e ambiental. Só assim teremos uma concorrência justa”, reforça. 

Foto: Terrance Barksdale / Pexels.com

Risco sanitário entra no radar 

Além da pressão sobre preços, a origem do produto também preocupa. O Vietnã registra enfermidades ainda inexistentes no Brasil, como o vírus TiLV, considerado altamente letal para a tilápia. Para contornar esse cenário, a PEIXE BR solicitou ao MAPA o envio de missão técnica ao país asiático para realização da Análise de Risco de Importação (ARI), procedimento previsto na legislação brasileira. “Existem doenças no Vietnã que não estão presentes aqui e que têm alta taxa de mortalidade. Precisamos dessa análise com urgência”, diz Medeiros. 

Mercado em transição 

O aumento das importações ocorre em um momento estratégico para o setor, com recuperação de preços no mercado interno impulsionada pela Quaresma. Ainda assim, o crescimento da oferta externa pode neutralizar esse movimento e pressionar a rentabilidade da cadeia. “As exportações ajudam a equilibrar o mercado interno. Com o avanço das importações, esse efeito é reduzido, o que pode gerar impacto negativo para o setor”, ressalta Medeiros. 

Atualmente, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores globais de tilápia e mantém potencial de expansão. No entanto, a continuidade desse crescimento depende de ajustes no ambiente regulatório e na competitividade fora da porteira. “Construímos uma cadeia sólida nos últimos 20 anos, uma das mais promissoras do agro brasileiro. Não somos contra a importação, mas precisamos de condições iguais para competir”, conclui Medeiros.

Nova regra da NF-e pode travar venda de defensivos sem Receituário Agronômico

Empresas que comercializam defensivos agrícolas precisam se adaptar às novas exigências na emissão da nota fiscal eletrônica (NF-e). Desde 1º de março entrou em vigor a Norma Técnica 2024.003, que passou a exigir a inclusão de dados no registro digital da NF-e. 

Com a mudança, a nota fiscal eletrônica precisa trazer obrigatoriamente o número do Receituário Agronômico e do CPF do responsável técnico que prescreveu o produto. Essas informações passam a constar no XML da nota fiscal, arquivo digital que reúne todos os dados do documento e é transmitido aos sistemas da Secretaria da Fazenda (Sefaz) para validação. 

Caso esses dados não estejam preenchidos corretamente, a nota fiscal pode ser rejeitada no momento da transmissão, impedindo o faturamento da operação. 

De acordo com a engenheira agrônoma e consultora da Agrotis, Alice Leoni, a norma não cria uma obrigação para o setor, mas passa a reforçar digitalmente uma exigência que já existia na legislação federal de defensivos agrícolas. “A legislação já determina há muitos anos que o Receituário Agronômico deve ser emitido antes da nota fiscal. O que muda agora é que esse controle passa a ocorrer diretamente dentro do sistema de emissão da NF-e. Se a informação não estiver no XML da nota, o faturamento não é autorizado”, explica. 

A validação ocorre com base em regras associadas a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e ao Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) presentes na nota fiscal. O NCM é o código que classifica cada produto comercializado no país para fins fiscais, enquanto o CFOP identifica o tipo de operação registrada no documento, como venda, devolução ou transferência de mercadorias. Também são feitas validações por tipo de cliente ao qual é emitida a nota fiscal. 

Integração entre sistemas 

Com a nova exigência, empresas do setor também precisam promover adaptações tecnológicas em seus sistemas de gestão e faturamento para garantir que os dados do Receituário Agronômico e do CPF do responsável técnico estejam integrados ao processo de emissão da nota fiscal. 

Na prática, isso exige maior integração entre softwares agronômicos, que são responsáveis pela emissão da prescrição técnica, e os sistemas fiscais utilizados no faturamento das operações. “Quando os sistemas agronômicos e fiscais não estão conectados, aumentam os riscos de inconsistências na emissão da nota. A tendência é que as empresas avancem na digitalização desses processos para garantir que o Receituário Agronômico esteja corretamente vinculado ao faturamento”, afirma Leoni. 

Segundo a especialista, plataformas digitais, como a Plataforma Agrotis, voltadas à gestão agrícola, já permitem integrar essas informações, reduzindo erros operacionais e facilitando o cumprimento das exigências regulatórias. 

Além de diminuir retrabalho e riscos fiscais, a mudança também tende a fortalecer a rastreabilidade das operações envolvendo defensivos agrícolas. “A partir do momento em que a nota fiscal passa a estar vinculada ao Receituário Agronômico, cria-se um registro de que aquela venda ocorreu com base em uma prescrição técnica válida. Isso reforça o cumprimento da legislação e reduz erros operacionais”, conclui. 

Foto: Pixabay / Pexels.com

Banco do Brasil pode restringir novas linhas a produtor em recuperação judicial e acende alerta no agro

Os pedidos de recuperação judicial no Brasil cresceram 68,7% em 2023, totalizando 1.405 solicitações, segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian. O avanço ocorre em um momento de pressão sobre o caixa de produtores rurais, diante de juros elevados, oscilação nos preços das commodities e aumento do endividamento acumulado nas últimas safras.

A discussão ganhou força após repercussão de posicionamentos atribuídos ao Banco do Brasil sobre possível restrição na concessão de novas linhas de crédito a produtores que ingressarem com recuperação judicial. O tema ganhou relevância porque o BB é o principal operador de crédito rural do país. No ciclo do Plano Safra 2023/2024, o desembolso total de crédito rural no Brasil alcançou R$ 400,7 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Altair Heitor, contador especializado em gestão tributária no agronegócio, é sócio da Palin & Martins, consultoria especializada na recuperação de créditos de ICMS e reorganização financeira de produtores rurais. Ele afirma que o problema não está na legalidade da recuperação judicial, prevista na Lei 11.101/2005, mas na falta de planejamento. “A recuperação é legítima, mas altera a percepção de risco. Sem estruturar o caixa, o produtor pode enfrentar restrições de crédito”, diz.

Segundo ele, a recuperação judicial não deve ser encarada como solução isolada. “Quando o banco percebe aumento de risco na carteira, tende a endurecer critérios. O produtor precisa apresentar plano consistente, com previsibilidade de caixa e estratégia de pagamento. Caso contrário, o custo do dinheiro sobe ou simplesmente deixa de estar disponível”, afirma.

Altair defende que muitos produtores chegam ao pedido judicial sem revisar ativos que poderiam aliviar o caixa. Ele cita como exemplo os créditos acumulados de ICMS. O governo de São Paulo anunciou a liberação de R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados para empresas habilitadas, evidenciando o volume de recursos que permanecem represados por falta de organização documental ou orientação técnica. “Há produtores que ignoram valores relevantes em crédito tributário acumulado. Uma revisão fiscal bem conduzida pode reforçar o caixa e ampliar margem de negociação com credores”, reforça.

O especialista aponta cinco cuidados para preservar crédito e liquidez antes da recuperação judicial. Antes de protocolar o pedido, ele recomenda uma análise estruturada, pois a recuperação deve ser consequência de um diagnóstico, não o ponto de partida da estratégia.

  • Mapear o passivo total – Identificar dívidas bancárias, tributárias e com fornecedores é essencial para entender o real tamanho da exposição.
  • Revisar créditos tributários – Créditos de ICMS e outras oportunidades de compensação podem gerar liquidez sem necessidade de novo endividamento.
  • Avaliar contratos e garantias – Cláusulas de vencimento antecipado, CPRs e garantias reais podem sofrer impacto com a judicialização.
  • Negociar antes de judicializar – A tentativa de acordo extrajudicial pode preservar relacionamento com bancos e reduzir impacto reputacional.
  • Contar com assessoria especializada – Recuperação judicial no agronegócio exige integração entre contabilidade, tributário e estratégia financeira.

“A recuperação judicial pode ser instrumento de reorganização, mas não substitui gestão. Quando há planejamento técnico, o produtor amplia alternativas e reduz o risco de isolamento no mercado de crédito”, conclui o especialista.

Foto: Pavel Danilyuk / Pexels.com

Clima instável, com chuvas irregulares e estiagem, é responsável por queda na projeção da safra

A projeção da safra brasileira de grãos para 2026 foi revisada para baixo, refletindo um cenário de maior pressão climática e fitossanitária ao longo do ciclo produtivo. Segundo estimativa do IBGE, a produção deve alcançar 344,1 milhões de toneladas, queda de 0,6% em relação ao recorde de 346,1 milhões registrado em 2025, mesmo com a expansão de 1,6% na área colhida, que chega a 82,9 milhões de hectares.

A revisão negativa é explicada principalmente pela redução na produtividade de culturas relevantes, impactadas por condições climáticas adversas e aumento da incidência de pragas. No Centro-Oeste, a irregularidade nas chuvas e na estiagem compromete o desenvolvimento das lavouras, especialmente de milho e arroz. A produção de milho deve somar 134,3 milhões de toneladas, queda de 5,3% frente ao ciclo anterior, enquanto o arroz registra recuo ainda mais acentuado, de 8,0%.

Em contrapartida, a soja segue como destaque positivo, com estimativa recorde de 173,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual. Ainda assim, o bom desempenho da oleaginosa não foi suficiente para compensar as perdas nas demais culturas.

Apesar das baixas, Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, enxerga força na safra e associa este crescimento à qualidade dos insumos utilizados. “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura. Em um cenário de clima instável, acertar nessas decisões deixa de ser recomendação e passa a ser condição básica para o sucesso da safra”, afirma.

A segunda safra de milho, conhecida como safrinha e responsável por cerca de 79% da produção nacional do cereal, concentra grande parte das preocupações. A produção está estimada em 105,4 milhões de toneladas, com retração de 9,1%, influenciada por atrasos no plantio após a colheita da soja e pelo aumento da pressão de pragas no início do ciclo.

Levantamentos recentes indicam que a colheita da safra de verão no Centro-Sul avança dentro da normalidade, atingindo 48,7% da área até meados de março, em linha com o mesmo período do ano passado. Apesar disso, o ritmo ainda é desigual entre as regiões, com estados do Sul mais avançados, enquanto áreas do Centro-Oeste apresentam início mais lento dos trabalhos.

No campo, o cenário é de maior complexidade. A pressão de pragas está mais regionalizada e intensa, com destaque para percevejos, corós, lesmas, roedores e a cigarrinha-do-milho. Esta última, inclusive, acumulou prejuízos bilionários nas últimas safras, reduzindo significativamente a produtividade média nacional.

A presença de palhada deixada pela soja, embora essencial para a conservação do solo, tem favorecido a proliferação de pragas, exigindo mudanças no manejo. A recomendação técnica é intensificar o monitoramento desde antes da semeadura e adotar estratégias mais rigorosas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), com inspeções frequentes e ações preventivas.

Na cultura da soja, o aumento da incidência de doenças como a ferrugem asiática também pressiona os custos de produção, podendo representar parcela significativa dos gastos da lavoura em cenários mais críticos. Isso reforça a necessidade de planejamento antecipado e uso de tecnologias com diferentes modos de ação.

Foto: Mirko Fabian / Pexels.com

Diante desse contexto, produtores devem redobrar a atenção ao manejo agronômico, adotando práticas que integrem monitoramento intensivo, controle biológico, rotação de defensivos e uso de variedades adaptadas às condições regionais. A combinação desses fatores será determinante para mitigar riscos e preservar o potencial produtivo da safra 2026.

Douglas Vaz-Tostes reforça a capacidade de adaptação do agro brasileiro. “A agricultura nacional já provou que cresce mesmo em cenários adversos. Na safra 2025/26, o protagonismo do produtor dependerá da soma entre conhecimento técnico, escolhas estratégicas e eficiência no manejo. Quem age com precisão não apenas fortalece a safra atual, mas amplia seu potencial futuro em um setor que continua sendo o motor econômico do país”, finaliza.

Guerra e tensões geopolíticas levam empresários brasileiros a buscar proteção patrimonial no exterior

Conflitos internacionais e tensões geopolíticas têm ampliado a volatilidade econômica global e levado empresários brasileiros a buscar estratégias de proteção patrimonial fora do país. Relatórios recentes do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial apontam que crises geopolíticas tendem a pressionar o preço de commodities, provocar oscilações cambiais e aumentar o risco econômico em diversos mercados. 

Esse movimento acaba repercutindo na economia brasileira por meio da inflação, do custo de combustíveis e do encarecimento da logística.

Fernanda Spanner, consultora de negócios internacionais e CEO da Spanner Consulting Group, afirma que períodos de instabilidade geopolítica costumam acelerar decisões de internacionalização entre empresários. “Quando surgem conflitos ou tensões relevantes, muitos empresários percebem que concentrar patrimônio em um único país aumenta o risco. Diversificar ativos internacionalmente passa a ser uma estratégia de proteção financeira”, afirma.

De acordo com a especialista, a internacionalização não significa necessariamente transferir toda a operação para o exterior, mas estruturar alternativas financeiras e empresariais em outros mercados. “Muitos empresários continuam operando no Brasil, mas passam a criar estruturas internacionais de investimento ou empresas fora do país para equilibrar riscos e ampliar oportunidades”, explica.

Dados do Banco Central mostram que os investimentos de brasileiros no exterior vêm crescendo nos últimos anos. O levantamento mais recente de Capitais Brasileiros no Exterior indica que o estoque de ativos mantidos fora do país já ultrapassa US$ 650 bilhões, refletindo um movimento crescente de diversificação patrimonial.

Além do impacto nas decisões empresariais, conflitos internacionais também costumam atingir diretamente o bolso do consumidor brasileiro. A alta do petróleo provocada por tensões em regiões produtoras tende a pressionar combustíveis, transporte e fretes, o que acaba se refletindo no preço final de alimentos, produtos industrializados e serviços.

Para a executiva, compreender esses movimentos é essencial para o planejamento financeiro das empresas. “A guerra não afeta apenas os países envolvidos. Ela impacta cadeias logísticas globais, custo de energia e preço de commodities. Empresas que acompanham esses fatores conseguem se antecipar e organizar melhor sua estratégia financeira”, afirma.

Ela ressalta que decisões de internacionalização exigem planejamento técnico e avaliação cuidadosa. “Abrir uma empresa ou investir no exterior não pode ser tratado como uma decisão impulsiva. Cada país possui regras tributárias, exigências regulatórias e custos operacionais diferentes”, diz.

Interesse crescente pela internacionalização também tem sido observado entre profissionais e empresas brasileiras que buscam atuar em mercados globais. Dados da agência americana SelectUSA indicam que o Brasil figura entre os países com presença relevante de investimentos empresariais nos Estados Unidos, especialmente em projetos conduzidos por pequenas e médias empresas.

Estratégias para proteger patrimônio em momentos de instabilidade global

Empresários que desejam reduzir riscos econômicos e diversificar patrimônio podem adotar algumas estratégias antes de iniciar processos de internacionalização. A especialista destaca cinco cuidados que ajudam a estruturar esse movimento com mais segurança.

  1. Diversificar patrimônio em moedas fortes

Manter parte dos ativos em moedas internacionais, de forma declarada e transparente, permite reduzir a exposição a crises econômicas locais e oscilações cambiais. Estruturas financeiras no exterior permitem que parte do patrimônio seja protegida em moedas consideradas mais estáveis. “Diversificação cambial é uma forma de equilíbrio financeiro. O objetivo não é abandonar o Brasil, mas reduzir concentração de risco”, explica.

  1. Avaliar a estrutura tributária internacional

Cada país possui regras fiscais específicas para empresas e investidores estrangeiros. Uma análise tributária prévia evita problemas como dupla tributação ou custos inesperados. “O planejamento tributário internacional é o que define se uma estrutura será eficiente ou se pode gerar passivos fiscais no futuro”, afirma.

  1. Escolher corretamente o país para investir

Estados Unidos, Portugal e Emirados Árabes aparecem entre destinos frequentemente analisados por empresários brasileiros. A escolha depende do tipo de negócio, do perfil do investidor e da estabilidade jurídica do país. “A decisão precisa considerar impostos, segurança jurídica, mercado consumidor e facilidade operacional”, diz.

  1. Contar com assessoria especializada

Estruturas internacionais envolvem legislação societária, tributária e imigratória. O apoio de consultorias especializadas pode reduzir riscos e acelerar a implementação de projetos. “Sem orientação adequada, o empresário pode cometer erros simples que geram custos elevados ou problemas legais”, alerta.

  1. Planejar sucessão patrimonial internacional

Estruturas internacionais também são utilizadas por famílias empresárias para organizar heranças e sucessão patrimonial. “Muitas famílias utilizam estruturas internacionais para proteger ativos e garantir uma sucessão patrimonial mais organizada, evitando inventários longos e altos custos de transferência no exterior”, afirma.

Foto: Mick Latter / Pexels.com

Impactos para empresas e consumidores

Embora a diversificação patrimonial seja uma estratégia adotada por parte do empresariado, os efeitos das tensões geopolíticas continuam sendo sentidos na economia doméstica. A elevação do preço do petróleo tende a pressionar custos de transporte, energia e logística, fatores que impactam diversos setores produtivos.

Empresas com cadeias de produção dependentes de combustíveis ou importações costumam sentir esses efeitos primeiro. Já o consumidor final percebe os reflexos principalmente na inflação de alimentos, transporte e bens industrializados.

Para a executiva, acompanhar o cenário internacional passou a ser parte essencial da gestão empresarial. “Empresas que monitoram movimentos globais conseguem ajustar custos, renegociar contratos e planejar investimentos com mais segurança. Ignorar essas variáveis pode tornar a operação mais vulnerável”, afirma.

Ela acrescenta que a internacionalização deixou de ser uma estratégia restrita a grandes corporações. “Hoje existem estruturas acessíveis também para pequenas e médias empresas, desde que haja uma análise de viabilidade custo-benefício para cada caso”, diz.

Três dias e um alerta silencioso: o que conecta agricultura, florestas e água — e por que isso deveria te preocupar agora

por Jayme Vasconcellos*

Entre 20 e 22 de março**, três datas globais se sucedem com uma lógica que vai além do simbolismo: agricultura, florestas e água. Não é apenas uma sequência no calendário, mas um encadeamento que reflete a interdependência entre produção de alimentos, equilíbrio ambiental e disponibilidade hídrica. Tratá-los de forma isolada compromete a compreensão do todo. Integrá-los é condição para qualquer estratégia que pretenda ser consistente.

A agricultura segue como um dos pilares da segurança alimentar e da estabilidade econômica. Segundo a FAO, a produção de alimentos precisará crescer significativamente nas próximas décadas para atender à demanda global. Mas a questão central deixou de ser apenas “produzir mais”. O ponto de inflexão está em produzir melhor, com menor variabilidade de resultado frente a um ambiente climático mais instável.

Nesse contexto, as florestas deixam de ser vistas apenas como reservas ambientais e passam a ser compreendidas como infraestrutura ecológica. Elas regulam o ciclo hidrológico, estabilizam o clima regional e influenciam diretamente a produtividade agrícola. O cientista climático Carlos Nobre tem sido enfático ao afirmar que a degradação da Amazônia compromete os chamados “rios voadores”, afetando regimes de chuva em áreas agrícolas estratégicas do Brasil. Não é uma externalidade distante. É impacto direto na previsibilidade da produção.

Foto: Jeffry Surianto / Pexels.com

A água, por sua vez, é o elemento que conecta tudo isso de maneira operacional. Sem disponibilidade hídrica estável, não há agricultura resiliente. Sem cobertura florestal adequada, não há regulação eficiente da água. A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, destacou em relatórios recentes que a pressão sobre os recursos hídricos tende a aumentar não apenas pelo crescimento populacional, mas também por padrões ineficientes de uso e gestão.

O desafio, portanto, não é apenas técnico, mas sistêmico. A fragmentação entre políticas agrícolas, ambientais e hídricas gera inconsistência de decisão. Enquanto um setor busca maximizar produção no curto prazo, outro tenta mitigar danos no longo prazo. O resultado é um sistema que opera com ruído, aumentando risco e reduzindo previsibilidade.

Especialistas como Johannes Cullmann, ligado à World Meteorological Organization, defendem que a gestão da água precisa migrar de uma lógica reativa para uma abordagem preventiva e integrada. Isso implica monitoramento em tempo real, governança multinível e uso consistente de dados para tomada de decisão.

No campo prático, isso se traduz em algumas direções claras. Integração entre uso do solo e gestão hídrica. Adoção de práticas agrícolas regenerativas. Proteção e recuperação de áreas florestais estratégicas. E, sobretudo, construção de mecanismos de governança que reduzam a variabilidade do sistema como um todo.

Essas três datas, quando lidas em conjunto, funcionam menos como celebração e mais como alerta. A agricultura depende das florestas. As florestas sustentam a água. E a água determina, no limite, a viabilidade de tudo o que vem antes.

Ignorar essa interdependência não é apenas um erro ambiental. É um risco operacional.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

**20/03 – Dia Mundial da Agricultura | 21/03 – Dia Mundial das Florestas | 22/03 – Dia Mundial da Água

GPA e Raízen: especialistas explicam efeitos da recuperação extrajudicial no mercado

Os planos de recuperação extrajudicial anunciados recentemente pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) e pela Raízen reacenderam discussões no ambiente empresarial sobre os instrumentos disponíveis para empresas que buscam reorganizar suas finanças sem interromper suas operações. O movimento ocorre em um momento de maior pressão financeira sobre grandes companhias brasileiras, que têm buscado mecanismos jurídicos para reorganizar dívidas e preservar suas atividades enquanto renegociam obrigações com credores.

Diferentemente da recuperação judicial tradicional, a recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com seus credores para reestruturar dívidas antes de recorrer a um processo judicial mais amplo. O instrumento foi previsto na Lei nº 11.101/2005 justamente como uma alternativa mais célere e menos burocrática para empresas que enfrentam dificuldades financeiras.

“A recuperação extrajudicial é essencialmente um acordo entre a empresa e seus credores para superar um momento de crise de forma mais ágil, negociando diretamente as condições das dívidas, sem a necessidade de um processo judicial mais complexo”, explica a advogada Jônia Barbosa de Souza, especialista e sócia da área de Direito Societário do Duarte Tonetti Advogados.

De acordo com ela, muitas empresas optam por esse caminho justamente para evitar os efeitos reputacionais associados à recuperação judicial. “Quando uma companhia ingressa em recuperação judicial, o mercado costuma interpretar o movimento como um sinal de fragilidade financeira. Isso pode gerar restrições de crédito, impacto na credibilidade da empresa e até desvalorização da marca”, afirma.

Embora o processo extrajudicial permita maior agilidade na negociação, seus reflexos costumam ser sentidos rapidamente nas relações comerciais da empresa. Credores, fornecedores e instituições financeiras tendem a revisar as condições de negócios diante do aumento da percepção de risco.

Para Karen Ebaid, sócia da área de contratos e viabilização de negócios do Duarte Tonetti Advogados, esse tipo de reação é comum no mercado. “Fornecedores e parceiros comerciais costumam adotar uma postura mais cautelosa. É frequente observar renegociação de contratos, redução de prazos de pagamento, exigência de garantias adicionais ou revisão de limites de crédito”, afirma.

Segundo ela, preservar a confiança do mercado passa a ser um desafio estratégico para empresas em processo de reestruturação. “Empresas que mantêm comunicação transparente com seus parceiros e explicam as medidas previstas no plano tendem a reduzir a insegurança de fornecedores e credores, o que é fundamental para a continuidade das operações”, diz.

Além das repercussões financeiras e societárias, processos de reorganização empresarial também levantam dúvidas sobre os impactos para os trabalhadores. Nesse ponto, especialistas ressaltam que a recuperação extrajudicial possui efeitos mais limitados nas relações de emprego quando comparada à recuperação judicial.

“A recuperação extrajudicial é voltada principalmente à renegociação de dívidas com credores específicos e não interfere diretamente nos contratos de trabalho”, explica a advogada Fernanda Miranda, especialista e sócia da área trabalhista do escritório.

Para a advogada, as obrigações trabalhistas continuam plenamente vigentes. “A empresa deve seguir pagando salários, FGTS, férias, 13º salário e eventuais verbas rescisórias normalmente. Os contratos de trabalho permanecem válidos e qualquer alteração nas condições de trabalho precisa seguir as regras previstas na CLT”, afirma.

Outro ponto relevante é que créditos trabalhistas não fazem parte do plano de recuperação extrajudicial. “As dívidas trabalhistas continuam sendo cobradas normalmente na Justiça do Trabalho e eventuais ações podem prosseguir sem suspensão”, acrescenta.

Apesar disso, especialistas destacam que processos de reestruturação financeira frequentemente envolvem ajustes operacionais. “Em situações de reorganização financeira, é comum que empresas revisem estruturas, operações e custos. Isso pode levar à reorganização de unidades de negócio ou redimensionamento de equipes, sempre respeitando a legislação trabalhista e o pagamento integral das verbas devidas”, explica o advogado José Carlos de Jesus Gonçalves, da área de contencioso do escritório.

Episódios como os de GPA e Raízen também tendem a provocar reflexos imediatos na percepção de investidores, fornecedores e instituições financeiras, incluindo oscilações no valor das ações e revisão das condições comerciais com parceiros.

Para especialistas, casos recentes envolvendo grandes companhias indicam que a recuperação extrajudicial tende a ganhar espaço como instrumento de reorganização financeira em momentos de pressão econômica. “Trata-se de uma alternativa que permite maior flexibilidade na negociação com credores e pode facilitar a recuperação financeira da empresa, desde que haja capacidade de diálogo e adesão suficiente dos credores ao plano proposto”, conclui Jônia.

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Banco Central reduz juros em meio a cenário de elevada incerteza

com informações da Agência Brasil

Apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio, o Banco Central (BC) cortou os juros pela primeira vez em quase dois anos. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.

No comunicado, o Copom afirmou que o aumento das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio exige mais cautela. O BC não descartou rever o ciclo de baixa, caso seja necessário. “O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, destacou o texto.

Desde junho do ano passado, a Selic estava em 15% ao ano. A última vez em que o Copom tinha reduzido os juros tinha sido em maio de 2024, quando a Selic passou de 10,75% para 10,5% ao ano. Em setembro do mesmo ano, a taxa começou a ser elevada, até chegar aos 15% atuais.

Para Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, “o Copom adotou uma postura equilibrada ao cumprir o guidance da reunião anterior e iniciar o ciclo de cortes, sem perder de vista o ambiente significativamente mais adverso. O comunicado reforça, ao longo de todo o texto, os riscos associados ao cenário externo — especialmente via preços de commodities e possíveis disrupções nas cadeias globais — e seus impactos potenciais sobre a inflação doméstica. As projeções de inflação do Comitê seguem ligeiramente abaixo das da Focus, mas ainda acima da meta e com algum deterioro em relação à reunião anterior, o que justifica a manutenção de um tom cauteloso”, afirmou.

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Inteligência Artificial: aliada estratégica para impulsionar e transformar negócios

por Leonardo Chucrute*

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma ferramenta indispensável em diversas áreas, especialmente no mundo dos negócios. Empreendedores que dominam o uso estratégico dessa tecnologia conseguem potencializar resultados, reduzir erros e tomar decisões com mais agilidade e segurança, fortalecendo a competitividade de suas empresas.

Um dos principais benefícios da IA é a economia de tempo. Ferramentas como assistentes virtuais são capazes de gerar relatórios, analisar o comportamento do consumidor e sugerir melhorias em poucos segundos. Isso permite que o empresário concentre seus esforços no que realmente importa: estratégia, inovação e crescimento do negócio.

A IA também se destaca como uma poderosa aliada no processo de aprendizado, ao possibilitar a personalização da formação e apoiar a tomada de decisões. É possível solicitar recomendações de cursos, vídeos, artigos e até mentorias específicas. Dessa forma, o empreendedor desenvolve competências práticas cada vez mais alinhadas aos seus objetivos, como gestão financeira, liderança e marketing digital.

Além disso, a inteligência artificial pode ser utilizada para testar ideias de negócio, aprimorar apresentações e apoiar o desenvolvimento de novos produtos. Criar prompts para simular o lançamento de um serviço ou validar um pitch torna-se um diferencial competitivo, especialmente em mercados altamente dinâmicos.

Outro uso relevante da IA está no treinamento de equipes. Existem aplicações capazes de simular atendimentos ao cliente, avaliar discursos e oferecer feedback sobre postura, clareza e comunicação. Treinar equipes com esse tipo de tecnologia pode elevar o padrão de excelência do negócio, gerar mais valor para a marca e contribuir para a fidelização de clientes.

É fundamental lembrar que a IA é uma aliada, e não uma substituta da experiência humana. Ela amplia a criatividade, a visão estratégica e a eficiência, mas não substitui competências como empatia, senso crítico e liderança. Integrar tecnologia e inteligência emocional é o que diferencia o empreendedor comum daquele que se destaca em um mercado cada vez mais competitivo.

Portanto, utilize a inteligência artificial como uma alavanca de crescimento, aprendizado e aprimoramento contínuo. Aprender, testar, adaptar e evoluir são atitudes essenciais. O futuro pertence a quem aprende com rapidez e se adapta com sabedoria, e a IA pode ser uma grande aliada nesse processo de expansão e transformação dos negócios.

*CEO do Zerohum, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.