Pasto verde não é sinônimo de dieta equilibrada para a recria

O inverno deste ano trouxe um cenário diferente em algumas regiões do Brasil, onde a ocorrência de chuvas contribuiu para manter as pastagens verdes mesmo durante o período seco. Mas a aparência da pastagem, isoladamente, não indica se ela atende às exigências nutricionais dos animais.

Conforme explica o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson, a ocorrência de chuvas durante o inverno impediu que algumas pastagens secassem completamente. Com a chegada do período das águas e o início da rebrota com mais vigor, é importante que o produtor avalie as condições reais da fazenda antes de tomar decisões sobre o manejo nutricional.

“Pasto verde não significa pasto recuperado ou com capacidade de suprir todas as exigências dos animais. Por isso, é preciso avaliar o objetivo produtivo de cada lote e equilibrar a oferta e a qualidade da forragem com a suplementação. Se o campo mudou, a estratégia também precisa acompanhar”, afirma.

A mudança da suplementação, portanto, exige cautela para evitar que os animais percam peso ou comprometam o desempenho no início das águas. O capim em rebrota pode apresentar elevado teor de água e proteína, mas essas características, isoladamente, não garantem consumo suficiente de matéria seca nem equilíbrio entre os nutrientes da dieta.

“No período das águas a suplementação energética é uma boa alternativa, pois auxilia no estabelecimento de um equilíbrio ótimo com a proteína das pastagens, melhorando o desempenho dos animais. Para isso, a estratégia deve considerar a oferta de forragem e o equilíbrio entre energia e proteína na dieta, criando condições para uma produção eficiente de proteína microbiana no rúmen”, explica.

Na recria é fundamental aproveitar o potencial de crescimento dos animais durante as águas. A escolha do suplemento e da quantidade fornecida deve considerar a oferta e a qualidade da forragem, o peso dos animais e a meta de ganho de cada lote. O manejo deve incluir adaptação dos animais, regularidade de fornecimento e espaço de cocho adequado ao nível de suplementação e à forma de distribuição, reduzindo a competição e as diferenças de ingestão dentro do lote.

O período das águas representa uma oportunidade de avançar na recria, mas o resultado depende de planejamento e acompanhamento. O produtor precisa olhar além da cor do capim e avaliar quanto alimento está disponível e qual desempenho ele permite alcançar.

“A suplementação energética precisa caminhar junto com o manejo da pastagem. Em níveis mais elevados de fornecimento, parte do suplemento pode substituir o consumo de capim, por isso a quantidade deve ser definida considerando a resposta em ganho de peso e o custo desse ganho. Acompanhar o consumo no cocho e realizar pesagens periódicas permite ajustar a estratégia e avaliar o retorno econômico durante as águas”, conclui Marson.

Qualidade da água impacta produtividade na pecuária

Tão importante quanto uma alimentação balanceada, a qualidade da água é um fator que pode influenciar diretamente os resultados das fazendas, afetando a saúde, o ganho de peso e o desempenho produtivo do rebanho. Por esse motivo, a oferta de água em quantidade e qualidade adequadas deve estar entre os pontos de atenção dos pecuaristas, tanto em sistemas a pasto quanto em confinamento.

Como a água representa entre 50% e 70% do peso corporal dos bovinos e participa de processos como digestão e absorção de nutrientes, sua disponibilidade é essencial para o organismo. De acordo com o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson, um bovino pode sobreviver mesmo após perdas significativas de gordura corporal e tecido muscular, mas a redução de 10% a 12% da água corporal pode levar o animal à morte.

“Água limpa atrai os animais. Já a água suja, com lodo ou fezes, reduz a ingestão diária de água, o que também pode diminuir o consumo de alimentos e comprometer o desempenho do rebanho. O fornecimento de água limpa pode aumentar significativamente o ganho diário de peso, somando dezenas de quilos extras por boi ao fim de um ciclo”, explica Marson.

Além de prejudicar o consumo e o desempenho dos animais, a água contaminada pode transmitir doenças como verminoses, leptospirose e botulismo. Por isso, é preciso que o gado disponha de infraestrutura adequada para ter acesso ao recurso, com bebedouros limpos e boa vazão. Medidas relacionadas à qualidade, disponibilidade e manejo da água podem contribuir para melhorar os resultados da propriedade. Além disso, a oferta de água limpa ajuda a reduzir a ocorrência de doenças, os gastos com medicamentos e a mortalidade, além de favorecer o desenvolvimento dos animais.

Marson observa que, para tratar a água do rebanho de maneira eficiente e com baixo custo, o foco deve estar no isolamento das fontes nativas, na desinfecção química e no manejo físico dos reservatórios. Ele pontua que é preciso evitar que o gado tenha acesso direto a açudes, rios ou barreiros, já que a entrada dos animais nessas áreas favorece a contaminação por fezes e urina e revolve o lodo depositado no fundo. O recomendado é isolar açudes e córregos com cercas para proteger as margens e usar bombas para conduzir a água da superfície do açude para caixas d’água centrais, de onde ela pode seguir por gravidade para os bebedouros dos pastos.

Segundo o especialista, o cloro é uma alternativa de baixo custo para a desinfecção da água, auxiliando no controle de bactérias, vírus e protozoários. “Mas nenhum produto químico substitui a limpeza mecânica”, alerta. “O ideal é que os bebedouros sejam limpos pelo menos uma vez por semana. Quando essa frequência não for viável, a fazenda deve acompanhá-los na rotina e antecipar a limpeza sempre que houver acúmulo de lodo, algas, fezes ou outros resíduos”.

Para evitar o desperdício de água em regiões de seca, “uma alternativa é utilizar decantadores ou realizar a limpeza do fundo, retirando apenas de 10% a 20% da água, onde está concentrado o sedimento, com o auxílio de motobombas portáteis ou sifões. O restante da água limpa é preservado”, ensina.

Outro ponto a ser observado é a localização dos bebedouros. Quando o animal precisa caminhar longas distâncias para encontrar água de qualidade, o deslocamento pode interferir em seu consumo e desempenho. Segundo Marson, o ideal é instalar pontos de fornecimento distribuídos estrategicamente pela propriedade, de acordo com o sistema de produção e a viabilidade de cada fazenda.

“Tão importante quanto a genética, a nutrição e o manejo de pastagem, a água tem influência direta sobre os resultados da propriedade. Cuidar da qualidade e da disponibilidade desse insumo é cuidar diretamente do bem-estar do rebanho, do desenvolvimento dos animais e da rentabilidade da fazenda”, resume Marson.

Touro Senepol registrado pode elevar receita em R$ 500 por cabeça na cria

Com a estação de monta em curso no Brasil Central, a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol) recomenda o uso de touros registrados da raça na cobertura da vacada. Adaptado ao calor, o Senepol é capaz de elevar a receita bruta no ciclo de cria em 15%.

A diferença está no peso do bezerro. Enquanto um zebuíno comum desmama com peso de 200 kg, o meio-sangue Senepol chega a 230 kg. Considerando o preço médio de R$ 17/kg, seriam aproximadamente R$ 500 a mais por cabeça, com a receita saltando de R$ 3,4 mil para R$ 3,9 mil por animal.

As perspectivas para a pecuária em 2027 reforçam a importância econômica deste cruzamento: redução das escalas de abate e retenção de fêmeas apontam para nova onda de valorização do bezerro, cenário em que o peso adicional é estratégico à rentabilidade.

Este movimento também valoriza as novilhas meio-sangue Senepol. Com excelente precocidade sexual e habilidade materna, elas se tornam púberes por volta dos 15 meses, conforme o desenvolvimento e a condição corporal. Também apresentam aptidão como receptoras de embriões e aos programas de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

Eficiência a campo

Na estação de monta, o desempenho do reprodutor é decisivo na performance da próxima safra. Alta libido, capacidade de percorrer grandes distâncias e adaptação ao calor favorecem o trabalho do reprodutor Senepol na monta natural. Manejado adequadamente, um touro da raça cobre mais de 40 vacas, superando a média nacional.

Mas não basta colocar qualquer touro no pasto. “O efeito da genética se prolonga por gerações dentro de um rebanho. Por isso, a procedência e os critérios de seleção precisam ser considerados na compra de um touro Senepol”, recomenda Maurício Borges, Superintendente Técnico da ABCB Senepol.

Maurício reforça que o cuidado vale especialmente para os chamados “touros de ponta de boiada”, escolhidos pela aparência, sem informações confiáveis sobre origem e desempenho, que, segundo ele, comprometerão o desempenho das próximas safras.

O registro genealógico da ABCB Senepol garante maior segurança na compra, com a inspeção técnica atestando padrão racial e funcionalidade, com atenção redobrada ao umbigo e aprumos.

Genética é fundamental

Indicadores gerados pelos Programas de Melhoramento Genético do Senepol (PMGS) também orientam a decisão do pecuarista, ao permitir a escolha de animais alinhados aos objetivos. A seleção conta ainda com marcadores genéticos para características de interesse, entre elas a presença do gene Slick Hair (pelo curto), essencial à adaptabilidade, e a ausência de mutações indesejáveis no gene da miostatina.

Ganhos no ciclo completo

No ciclo completo, os ganhos se estendem,  superando 18 arrobas aos 24 meses de idade, com rendimento médio de carcaça de 54%. A espessura de gordura subcutânea, a maciez da carne e os ganhos de heterose atendem às exigências frigoríficas e diferenciam a remuneração. Linhagens com pressão de seleção para marmoreio incrementam as características sensoriais da matéria-prima.

“O touro Senepol é um pacote tecnológico completo, oferecendo docilidade, fertilidade, precocidade e tantas outras vantagens estratégicas à pecuária moderna. A maioria dos usuários recebem  ágio por qualidade de carcaça e de carne”, afirma Leonardo Lima Keller Gonçalves, presidente da ABCB Senepol.

Foi através do uso de touros Senepol sobre matrizes F1, hoje com presença massiva nas fazendas brasileiras, que novilhos de 20 ou 21@ com idade de apenas 16 meses tornaram-se frequentes na pecuária, graças ao choque de sangue promovido pelo taurino de origem caribenha no tricross.

Expansão da pecuária brasileira exige rastreabilidade no centro da agenda setorial

A pecuária brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 em um cenário de expansão, marcado pelo crescimento das exportações de carne bovina e pelo aumento no volume de animais abatidos. Ao mesmo tempo, os mercados ampliam as exigências relacionadas à origem, sanidade, conformidade socioambiental e, sobretudo, à capacidade de comprovar essas informações. Nesse contexto, avançar em mecanismos que assegurem a rastreabilidade dos animais e permitam construir evidências sobre sua trajetória passa a ser estratégico para a competitividade e a proteção de valor da cadeia produtiva.

Novas exigências internacionais reforçam esse movimento. A partir de setembro, entraram em aplicação requisitos europeus relacionados à comprovação do uso de antimicrobianos, enquanto, em dezembro, começa a valer a European Union Deforestation Regulation (EUDR), que estabelece requisitos de rastreabilidade e comprovação de origem para produtos associados ao desmatamento. Embora sejam agendas regulatórias distintas, ambas evidenciam uma tendência comum: os mercados não demandam apenas informações, mas a capacidade de demonstrar sua origem, consistência e conformidade.

“O contínuo desenvolvimento do setor amplia também a responsabilidade sobre a qualidade das informações que sustentam essa produção. A rastreabilidade deixa de ser apenas uma ferramenta de controle e passa a ser um ativo estratégico para a cadeia, porque permite gerar evidências, dar mais transparência aos processos, atender às novas demandas dos mercados e apoiar decisões mais qualificadas. Para que esse avanço seja consistente, precisamos construir sistemas integrados, acessíveis e que considerem a realidade dos produtores”, afirma a presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina.

Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). A receita alcançou US$ 9,85 bilhões, crescimento de 36,2%. No mercado interno, o primeiro trimestre também registrou recorde no abate de bovinos para o período, com 10,29 milhões de animais sob inspeção sanitária, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Mais do que acompanhar o crescimento da atividade, a rastreabilidade passa a ser uma condição para que o setor consiga responder a um ambiente comercial cada vez mais orientado por informações verificáveis. A dificuldade de comprovar origem, trajetória e conformidade pode resultar em restrições de mercado, risco reputacional para a carne brasileira e perda de oportunidades de diferenciação e de valorização”, ressalta Ana, ao pontuar que, em um cenário de perda de mercados ou redução de valor, os impactos podem alcançar toda a cadeia e exercer pressão sobre os preços, inclusive sobre a arroba recebida pelo produtor que não atua diretamente no mercado externo.

No país, 2026 também representa uma etapa importante para a implementação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB). O cronograma estabelece, neste ano, a adequação dos sistemas estaduais e a integração das bases de dados, preparando o setor para o avanço gradual da identificação individual dos animais a partir de 2027 e para a obrigatoriedade antes da primeira movimentação, prevista para 2032.

Embora a identificação individual seja uma base fundamental para a rastreabilidade, sua efetividade dependerá da capacidade de conectar as informações geradas nos diferentes pontos da cadeia. Interoperabilidade entre sistemas, qualidade e padronização dos dados, integração das bases existentes e definição clara das responsabilidades são elementos necessários para transformar registros dispersos em informações confiáveis e, principalmente, em evidências que possam ser utilizadas pelos diferentes elos.

“Esse processo precisa ser conduzido de forma coordenada, evitando a criação de estruturas paralelas e pouco integradas. Não basta identificar o animal: é preciso garantir que as informações acompanhem sua trajetória, possam ser compartilhadas entre os sistemas e tenham qualidade suficiente para comprovar os atributos exigidos pelos mercados. A interoperabilidade entre sistemas, a qualidade dos dados e a definição clara das responsabilidades de cada elo são pontos fundamentais para que a identificação individual seja incorporada à rotina produtiva e gere valor para além do cumprimento das exigências regulatórias”, reforça a presidente.

Esse é um dos temas que vêm sendo acompanhados pela Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável por meio do GT de Rastreabilidade e de sua participação nas discussões relacionadas à implementação do PNIB. A entidade tem contribuído para o debate sobre a integração de bases, a interoperabilidade entre sistemas e a construção de soluções junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com o objetivo de apoiar uma implementação capaz de conectar informações ao longo da cadeia e gerar evidências confiáveis.

Outro aspecto considerado estratégico por ela é a inclusão dos produtores nesse processo. “A rastreabilidade pode contribuir para a regularização, a permanência na cadeia formal e o acesso a diferentes mercados, mas sua implementação precisa ser acompanhada de orientação, capacitação e condições para que os pecuaristas compreendam e percebam os benefícios associados à geração e ao compartilhamento de informações”, complementa.

Para o segundo semestre, a presidente reforça que o avanço da rastreabilidade deve ser compreendido não apenas como resposta a uma agenda regulatória, mas como parte de uma estratégia de competitividade e proteção de valor para a pecuária brasileira. “Juntos, é possível que ela seja mais conectada, transparente e preparada para responder às demandas de mercados cada vez mais orientados por informações confiáveis”, finaliza.

Foto: FreePik

Sobre a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável

A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável é uma associação multissetorial sem fins lucrativos que reúne representantes de toda a cadeia de valor da pecuária brasileira para promover práticas produtivas, socioambientais e econômicas responsáveis. Com 19 anos de atuação, a entidade articula debates, desenvolve iniciativas de melhoria contínua e incentiva a transparência no setor. Sua missão é fortalecer uma pecuária cada vez mais sustentável, inclusiva, eficiente e reconhecida globalmente.

Confinamento promove aumento da eficiência alimentar e redução do tempo para o abate

Com duração média de 90 a 120 dias e ganhos de peso que podem chegar a mais de 1,5 kg por animal ao dia, o confinamento tem sido adotado por pecuaristas que buscam acelerar a terminação dos bovinos, melhorar a eficiência alimentar e aumentar a previsibilidade da produção.

“Nesse sistema de terminação, 100% da alimentação dos animais é fornecida no cocho. A viabilidade econômica tende a ser maior em propriedades com escala suficiente para diluir os custos fixos da estrutura e dos equipamentos, como misturador, cochos, silos e equipamentos de distribuição, além das despesas com a equipe”, observa o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson.

Entre as vantagens do confinamento estão a maior previsibilidade da produção e o melhor aproveitamento dos insumos utilizados na dieta. A alimentação é balanceada e formulada de acordo com as exigências nutricionais dos animais. Com dietas de alta densidade energética e monitoramento constante do consumo, os bovinos podem apresentar ganhos de peso mais rápidos e melhor aproveitamento dos nutrientes ingeridos.

Marson explica que os animais confinados tendem a apresentar melhor conversão alimentar, aproveitando de forma mais eficiente os nutrientes da dieta para o ganho de peso. Para alcançar esse desempenho, o produtor deve oferecer uma dieta composta por alimentos proteicos, energéticos e fontes de fibra efetiva, complementada por núcleos minerais vitamínicos e aditivos necessários ao equilíbrio nutricional.

Ele destaca que outra vantagem do sistema é a menor dependência das condições climáticas e das forragens, permitindo ao pecuarista manter um fluxo contínuo de produção ao longo do ano, atendendo às demandas do mercado com maior regularidade.

Em relação à redução da idade ao abate, a maior eficiência alimentar possibilita que os animais permaneçam menos tempo no sistema produtivo, contribuindo para reduzir o ciclo de produção, aumentar o giro do capital investido e melhorar a relação entre os custos da dieta e as arrobas produzidas. Marson pondera, porém, que os resultados positivos dependem do planejamento nutricional, da qualidade dos ingredientes utilizados, do manejo adequado dos cochos e do acompanhamento técnico permanente.

“A qualidade das instalações, a disponibilidade de sombra, água limpa e conforto térmico são fatores fundamentais para o sucesso do sistema, uma vez que o estresse pode reduzir o ganho de peso e aumentar a incidência de doenças. É importante monitorar constantemente indicadores como ganho de peso diário e o consumo de matéria seca para evitar falhas que possam comprometer a eficiência do sistema”, alerta.

Outro ponto de atenção é o risco de dietas mal formuladas, que podem causar problemas metabólicos, como acidose ruminal, redução do consumo alimentar e queda no desempenho. Por isso, o balanceamento nutricional exige acompanhamento técnico e ajustes frequentes.

“Com uma equipe capacitada, planejamento nutricional e acompanhamento constante dos animais, o confinamento pode elevar o desempenho sem deixar de lado o bem-estar e a sustentabilidade da produção”, finaliza.

Foto: Henrique Ferrera / Divulgação / Connan

Com estratégia correta é possível maximizar o aproveitamento dos pastos na safrinha

por Hemython Luis Bandeira do Nascimento*

A área explorada com sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) vem crescendo ano após ano no Brasil e deve ganhar ainda mais destaque na safrinha de 2026. O movimento é impulsionado pelo cenário de alerta na agricultura, marcado pelo atraso na colheita da soja em algumas regiões, comprometendo a janela ideal de plantio do milho. Soma-se a isso a queda nos preços dos grãos, em contraste com o momento positivo da pecuária, sustentado pela valorização da arroba do boi gordo e do bezerro.

Nesse contexto, muitos produtores têm optado pelo plantio de milho ou sorgo consorciados com capim, ou até mesmo pelo cultivo exclusivo da forrageira após a soja, utilizando as áreas para o pastejo do gado durante a safrinha, no chamado “boi safrinha”. É consenso que a ILP proporciona melhorias importantes ao sistema de produção, seja pela formação de palhada deixada pela pastagem, que favorece o cultivo de grãos na safra seguinte, seja pela oportunidade de oferecer pasto de qualidade e em quantidade adequada aos animais durante o período seco.

No fim, o objetivo é sempre o mesmo: aumentar a produtividade e a rentabilidade, mantendo a sustentabilidade do sistema. No entanto, para explorar todo o potencial desse modelo produtivo, é fundamental atenção a alguns pontos técnicos, como o controle de plantas daninhas, o momento ideal de entrada e retirada dos animais da área, além da suplementação e do manejo do pasto.

Controle de invasoras

O capim implantado no sistema de integração também deve ser tratado como uma cultura agrícola e, assim como qualquer outra, precisa receber os devidos tratos culturais para expressar seu máximo potencial produtivo. Nesse sentido, é fundamental realizar o controle de plantas indesejadas, sejam invasoras ou plantas tigueras, ainda no início do desenvolvimento da forrageira. Isso evita a competição por luz, água e nutrientes, assegurando maior velocidade de crescimento e rápido estabelecimento da pastagem.

Quantos animais por hectare?

A taxa de lotação está diretamente ligada à capacidade de suporte da área. Por isso, é necessário equilibrar a quantidade de pasto disponível com o período de utilização, definindo corretamente o número de animais que será inserido na área.

Para maior precisão, o ideal é realizar, cerca de uma semana antes da entrada dos animais, uma amostragem da forragem nos piquetes ou talhões destinados ao pastejo na safrinha. Também é importante fazer coletas de massa de forragem para estimar a disponibilidade de pasto na área.

Com essas informações, somadas ao período de permanência dos animais e ao peso médio de cada lote, é possível determinar a capacidade de suporte da área (UA/ha) e definir quantos animais poderão ser manejados em cada talhão. Dessa forma, evita-se a falta de alimento ao longo da ocupação e garante-se, ao final do ciclo, um residual de palhada adequado para o plantio da soja na safra seguinte.

Momento ideal para iniciar o pastejo

O momento do primeiro pastejo é decisivo, pois influencia diretamente a estrutura e a qualidade do pasto e, consequentemente, a eficiência de utilização da forrageira pelos animais, podendo impactar na eficiência de dessecação e consequentemente na plantabilidade da lavoura na safra posterior.

Pastagens muito altas tendem a apresentar maior acúmulo de colmos e fibras, reduzindo sua qualidade nutricional. Além disso, podem comprometer o perfilhamento, o crescimento da planta e a qualidade da palhada que permanecerá no sistema para a cultura seguinte.

Foto: Divulgação SBS Green Seeds

Uma observação importante é que a Brachiaria ruziziensis, quando muito alta, tende a acamar no momento da entrada do gado, reduzindo a eficiência do pastejo, o desempenho e a produtividade animal. Para melhor aproveitamento dessa forrageira, o ideal é que os animais entrem na área quando o pasto atingir, no máximo, 50 cm de altura.

De forma geral, recomenda-se que o primeiro pastejo seja realizado quando o capim atingir a altura de manejo indicada para cada cultivar. Assim, a forrageira é aproveitada mais cedo, com maior proporção de folhas e ainda com boa disponibilidade de água no solo, favorecendo o perfilhamento, a emissão de novas folhas e o desenvolvimento radicular.

Compensa adubar os pastos de safrinha?

Na maioria dos casos, a resposta é não. Nesse modelo de produção, considera-se que o residual de nutrientes deixado pela lavoura seja suficiente para suprir a demanda inicial do capim. Além disso, o período mais adequado para a adubação em cobertura, normalmente após o primeiro pastejo, coincide com uma fase de menor volume de chuvas, elevando o risco de baixa eficiência no aproveitamento dos nutrientes disponibilizados pelo fertilizante.

Qual tipo de suplemento adequado para a fornecer aos animais mantidos nos pastos safrinha?

Vale lembrar ainda que, mesmo durante o período seco, o pasto proveniente da ILP permanece verde e com elevado valor nutritivo. Em outras palavras, o produtor passa a contar com uma “pastagem de águas” durante a seca, produtiva e vigorosa, o que exige que a suplementação animal esteja alinhada às características nutricionais dessa forrageira.

Por fim, é importante ressaltar que esses pastos não devem ser excessivamente pastejados. Após a retirada dos animais, deve permanecer um bom volume residual de massa vegetal para dessecação e formação de palhada para a cultura seguinte. O ideal é garantir entre três e cinco toneladas de matéria seca por hectare, assegurando boa cobertura do solo e maior supressão de plantas daninhas.

*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.

Rastreabilidade amplia competitividade da pecuária brasileira e fortalece posicionamento do produtor no mercado

A pecuária brasileira passa por um cenário de transformação marcado pelo aumento das exigências relacionadas à origem, segurança e transparência nas cadeias produtivas. Em meio a mudanças regulatórias e novas demandas de mercado, a rastreabilidade ganha espaço como uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades para o produtor rural. Nesse contexto, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável destaca a importância do tema em um momento decisivo para a cadeia nacional, marcado pelo avanço da implementação do Programa Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).

“Mais do que atender exigências específicas de exportação, a rastreabilidade permite acompanhar a trajetória dos animais ao longo da cadeia, reunindo informações relacionadas à identificação, movimentação, histórico sanitário e manejo. Na prática, o sistema pode auxiliar produtores na mitigação de riscos sanitários, na gestão da propriedade e no acesso a mercados e programas que valorizam práticas sustentáveis”, frisa a presidente da instituição, Ana Doralina.

O avanço de discussões regulatórias internacionais também sinaliza mudanças na dinâmica comercial da cadeia pecuária. Debates recentes envolvendo Brasil e União Europeia reforçam uma tendência de ampliação das demandas por mecanismos capazes de comprovar informações produtivas, sanitárias e socioambientais.

“Nesse contexto, ferramentas como a rastreabilidade passam a representar não apenas um mecanismo de adequação, mas também uma oportunidade de diferenciação e fortalecimento da posição do produtor no mercado”, explica a profissional, ao ressaltar que a ferramenta vem deixando de ser percebida apenas como uma obrigação operacional para assumir um papel estratégico dentro da cadeia produtiva.

Segundo Ana, durante muitos anos, a competitividade esteve fortemente associada à capacidade produtiva e ao volume ofertado. Esse continua sendo um fator relevante, mas hoje existe uma demanda crescente por transparência, previsibilidade, qualidade e capacidade de comprovação. A rastreabilidade permite demonstrar origem, fortalecer a confiança entre os diferentes elos da cadeia e criar condições para que o produtor amplie suas oportunidades comerciais. Não se trata apenas de atender exigências de mercado, mas de posicionar a propriedade em um ambiente cada vez mais orientado por dados e relações construídas com base na confiança.

Ampliando valor e abrindo novas oportunidades ao produtor

Além do acesso a mercados, a ferramenta também pode gerar impactos diretos na rotina das propriedades rurais. Informações individuais dos animais ajudam a melhorar processos de gestão, apoiar decisões produtivas e aumentar a eficiência da atividade.

A rastreabilidade, como complementa o vice-presidente da Mesa, Delair Bolis, também pode contribuir para ampliar o acesso a programas ligados à sustentabilidade, linhas de crédito e iniciativas que demandam comprovação de práticas produtivas.

“A rastreabilidade precisa ser vista como um investimento na capacidade futura da propriedade e não apenas como uma adequação às exigências externas. Quando o produtor organiza seus dados e estrutura informações sobre seu rebanho, ele fortalece sua gestão, amplia sua capacidade de resposta diante de desafios sanitários e cria condições para acessar novas oportunidades econômicas. O mercado passa por mudanças importantes e quem consegue demonstrar conformidade, organização e credibilidade tende a construir uma posição mais sólida e resiliente”, detalha Bolis.

Para isso, a ampliação da rastreabilidade deve ocorrer acompanhada de mecanismos que favoreçam a adesão dos produtores, incluindo acesso à assistência técnica, financiamento, integração de sistemas e segurança jurídica.

“É preciso, ao falarmos sobre essa nova dinâmica do setor, considerar não apenas aspectos tecnológicos, mas também condições que permitam a inclusão produtiva e a construção de uma transição estruturada para toda a cadeia. Nesse contexto, a rastreabilidade deixa de representar apenas uma exigência regulatória e passa a integrar uma agenda mais ampla de competitividade, eficiência e fortalecimento da pecuária nacional”, finaliza o vice-presidente.

Diálogos na prática

Ao reforçar a importância da rastreabilidade para o futuro do setor, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável participou, na última semana, do encontro regional da Mesa Global de Carne Sustentável (GRSB), realizado em São Paulo. Representando a organização na abertura do evento, a presidente Ana Doralina Menezes destacou a necessidade de avançar em uma agenda alinhada à transparência, sustentabilidade, competitividade e fortalecimento da confiança nas cadeias produtivas.

A participação em eventos como este evidencia o papel da Mesa na construção de pautas estratégicas para o setor, ampliando o diálogo entre diferentes elos da cadeia produtiva e fortalecendo a presença do Brasil nos debates internacionais sobre pecuária sustentável.

Dia do Hambúrguer: carne bovina sobe 12,8% e encarece o lanche dos brasileiros

No Dia Mundial do Hambúrguer, comemorado hoje (28/05), um levantamento exclusivo da Neogrid – empresa que conecta indústria, varejo e distribuidores para transformar dados em decisões na cadeia de consumo e abastecimento – revela que o lanche favorito dos brasileiros ficou com uma conta mais salgada nos últimos doze meses. A análise cobre os pequenos varejos, super/hipermercados e atacarejos, com dados de maio de 2025 à primeira semana de maio de 2026. A alta, porém, não é uniforme: enquanto o hambúrguer de carne bovina subiu 12,8%, os de salmão e os vegetarianos/veganos ficaram mais baratos.

Os dados analisam os principais segmentos de hambúrguer e uma ampla cesta de ingredientes – do pão brioche ao queijo muçarela, da batata à mostarda — para mapear o que puxou o preço do lanche de ponta a ponta.

Os números do hambúrguer

SegmentoMai/25 (R$/kg)1ª sem. Mai/26 (R$/kg)Variação 12m
Hambúrguer de CarneR$ 36.64R$ 41.34▲ 12.8%
Hambúrguer SuínoR$ 35.54R$ 36.14▲ 1.7%
Hambúrguer MistoR$ 26.83R$ 27.94▲ 4.2%
Hambúrguer de FrangoR$ 30.46R$ 32.17▲ 5.6%
Hambúrguer de SalmãoR$ 99.93R$ 86.42▼ 13.5%
Hambúrguer Vegano/VegetarianoR$ 84.38R$ 81.60▼ 3.3%

Carne bovina: o principal vilão da alta

O hambúrguer de carne bovina é o que mais pesou no bolso do consumidor. Na primeira semana de maio de 2026, o preço médio chegou a R$ 41,34/kg — alta de 12,8% sobre os R$ 36,64/kg registrados em maio de 2025. O pico foi em janeiro de 2026, quando o produto atingiu R$ 46,33/kg, influenciado pela pressão nos cortes bovinos ao longo do segundo semestre de 2025.

Os cortes que compõem o hambúrguer de carne também subiram. O acém bovino liderou a alta entre os ingredientes: +14,3%, saindo de R$ 35,35/kg para R$ 40,39/kg. A costela bovina seguiu de perto, com +12,9%, e a fraldinha acumulou +7,7%. Na prática, toda a cadeia de cortes bovinos ficou mais cara para o fabricante e, por consequência, para o consumidor final.

O pão brioche surpreende: +13,3% em um ano

Quem apostou no hambúrguer artesanal com pão brioche sentiu mais do que a alta da carne. O pão brioche acumulou valorização de 13,3% no período — de R$ 35,57/kg para R$ 40,31/kg —, tornando-se um dos ingredientes que mais encareceu a experiência do hambúrguer premium. O pão de hambúrguer tradicional teve alta mais moderada, de 4,1%, chegando a R$ 32,77/kg.

Batata inglesa dispara +20,2%

O acompanhamento clássico do hambúrguer registrou a maior alta entre todos os ingredientes monitorados. A batata inglesa subiu 20,2% em doze meses, de R$ 6,43/kg para R$ 7,73/kg. Já a batata congelada — muito usada pelo foodservice — ficou praticamente estável, com queda simbólica de 0,5%, passando de R$ 21,64/kg para R$ 21,53/kg.

Exceções: salmão e vegano ficaram mais baratos

Nem tudo encareceu. O hambúrguer de salmão registrou a maior queda do período: -13,5%, saindo de R$ 99,93/kg para R$ 86,42/kg. O hambúrguer vegetariano/vegano também recuou, -3,3%, de R$ 84,38/kg para R$ 81,60/kg — embora ambas as categorias ainda sejam as mais caras por quilo entre todos os segmentos.

A cesta completa do hambúrguer

IngredienteMai/25 (R$/kg)1ª sem. Mai/26 (R$/kg)Variação 12m
Acém BovinoR$ 35.35R$ 40.39▲ 14.3%
Costela BovinaR$ 30.92R$ 34.90▲ 12.9%
Pão BriocheR$ 35.57R$ 40.31▲ 13.3%
Batata InglesaR$ 6.43R$ 7.73▲ 20.2%
MostardaR$ 43.48R$ 47.30▲ 8.8%
MaioneseR$ 28.79R$ 30.60▲ 6.3%
Queijo MuçarelaR$ 71.93R$ 74.96▲ 4.2%
Queijo PratoR$ 73.21R$ 76.19▲ 4.1%
CatchupR$ 24.28R$ 25.49▲ 5.0%
Pão de HambúrguerR$ 31.49R$ 32.77▲ 4.1%
Batata CongeladaR$ 21.64R$ 21.53▼ 0.5%
Fraldinha BovinaR$ 41.01R$ 44.16▲ 7.7%
Foto: Pedro Furtado / Pexels.com

Planejamento de promoções e abastecimento correto 

O abastecimento bem planejado é o que separa o varejista que aproveita uma data sazonal do que simplesmente a deixa passar. Em datas como o Dia do Hambúrguer, a demanda por itens específicos — da carne ao pão brioche, do catchup à batata — sobe de forma previsível, e o consumidor que não encontra o produto na gôndola não espera: vai ao concorrente. Mas o desafio vai além de ter estoque: quando os preços estão pressionados, como acontece agora com a carne bovina (+12,8% em doze meses) e o pão brioche (+13,3%), o planejamento antecipado permite ao varejista identificar o momento certo para comprar, negociar volumes antes dos picos sazonais e ainda desenhar ações promocionais que protejam a margem — oferecendo, por exemplo, cortes ou categorias que estejam em queda de preço, como o hambúrguer de salmão (-13,5%) ou o vegano (-3,3%), como alternativa ao consumidor mais sensível ao preço. Dados de preço e comportamento de mercado, quando usados com antecedência, transformam a gestão de categoria de uma reação a uma estratégia.

Tecnoshow COMIGO 2026 começa valorizando a força do agronegócio goiano

Teve início a 23ª edição da Tecnoshow COMIGO, uma das principais feiras de tecnologia rural do Brasil e consolidada como vitrine estratégica para inovação, geração de negócios e difusão de conhecimento no agronegócio. O evento, que tem como tema central “O Agro Conecta”, segue até o dia 10 de abril, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde (GO), reunindo produtores rurais, pesquisadores, empresas e especialistas de diversas regiões do país.

Presente no primeiro dia do evento, durante coletiva de imprensa, o governador de Goiás, Daniel Vilela, reforçou o apoio à feira, que, segundo ele, enaltece a competência dos goianos e a força do agronegócio, principal referência econômica do estado e do país. “Faço questão de estar aqui hoje, no início da Tecnoshow, não só para prestigiar este grande evento, mas também os produtores e o sudoeste goiano, região de alta produtividade e qualificação profissional rural. Nossa presença reforça, como governo do estado, o reconhecimento e o prestígio a esse setor que alavanca a economia goiana e brasileira”, destacou.

Também presente na coletiva, o prefeito Wellington Carrijo enfatizou que a cidade está preparada para o fluxo de visitantes durante a feira: “Nosso comércio local espera um movimento semelhante ao do ano passado. Nossos hotéis estão com 100% de ocupação, impactando positivamente cidades vizinhas, como Jataí e Santa Helena, que também estão com a rede hoteleira aquecida. Sem dúvida, a Tecnoshow COMIGO é um orgulho para a nossa cidade e para todo o estado”.

O presidente do Conselho de Administração da COMIGO, Antonio Chavaglia, destacou o momento econômico desafiador do agronegócio e reforçou o papel da Tecnoshow na difusão de tecnologia para a agricultura e a pecuária, por meio da presença das empresas expositoras.

“Agradeço aos empresários que vieram prestigiar a feira, tanto os locais quanto os de outras regiões, além das instituições de pesquisa que estão aqui trazendo novas cultivares e lançamentos importantes para o setor. Esse movimento é fundamental para ajudar a reduzir a pressão sobre o agronegócio brasileiro. Vivemos um cenário delicado no país, com impactos que vão muito além do campo”, afirmou.

“Sabemos que o cenário mundial ainda traz muitas incertezas, com conflitos e impactos que afetam diretamente os custos dos insumos, do transporte e da produção. Por isso, é preciso cautela, planejamento e responsabilidade para atravessar este momento. Os altos custos do petróleo, dos insumos e do transporte tornam cada vez mais difícil garantir margem ao produtor, seja na agricultura ou na pecuária”, completou Chavaglia.

Ao final, ele também comentou a expectativa para a edição 2026: “Espero que este ano traga bons resultados para todos, permitindo que o produtor faça suas análises, avalie investimentos e encontre oportunidades”.

Após a coletiva, foram realizados a revista da guarda e o hasteamento das bandeiras no estande do Governo do Estado. Na ocasião, o governador, o prefeito de Rio Verde e o presidente do Conselho de Administração da COMIGO assinaram o termo que transfere a capital para o município até sexta-feira (10). Durante a Tecnoshow COMIGO, Rio Verde assume o posto de capital de Goiás.

Fotos: Divulgação

Digitalização da pastagem impulsiona nova fase da pecuária de corte nacional

A pressão por eficiência na pecuária de corte tem levado a gestão das pastagens ao centro das decisões estratégicas das fazendas. Em uma atividade na qual a alimentação do rebanho pode representar mais de 70% do custo de produção, acompanhar a dinâmica do pasto com precisão deixou de ser uma prática complementar e passou a ser determinante para a rentabilidade e a sustentabilidade do negócio. Nesse cenário, a digitalização emerge como um dos pilares da intensificação produtiva no campo.

Historicamente, o manejo forrageiro era conduzido com base na observação visual e na experiência do produtor. Um método prático, mas insuficiente diante da complexidade climática e econômica que marca a pecuária atual. “Oscilações de mercado, eventos climáticos extremos e a necessidade de produzir mais em áreas já consolidadas exigem controle, previsibilidade e capacidade de antecipação. Além disso, a pessoa com o conhecimento prático necessário muitas vezes não está mais lá. É nesse ponto que as ferramentas digitais ganham relevância ao transformar dados dispersos em inteligência aplicada ao dia a dia da fazenda”, explica o CEO da JetBov, Xisto Alves.

A incorporação de sensoriamento remoto por satélite, cruzamento de dados climáticos e uso de algoritmos de machine learning permite acompanhar a evolução da qualidade da pastagem por área e ao longo do tempo, criando parâmetros objetivos para decisões como entrada e saída de animais, período de descanso, adubação e definição de áreas para conservação de volumoso. “Ao substituir o ‘achismo’ por indicadores técnicos, o produtor passa a gerir com maior segurança”, ressalta o profissional.

É dentro dessa lógica que o Monitoramento de Pasto Inteligente, desenvolvido pela empresa, se posiciona como ferramenta de apoio à intensificação sustentável. Integrada à plataforma de gestão da JetBov, a tecnologia utiliza o Índice SmartNDVI — uma tecnologia proprietária desenvolvida a partir da integração de dados vegetativos, climáticos e operacionais — para sintetizar a condição do pasto por piquete e acompanhar seu comportamento em diferentes períodos, como águas e seca.

“Até então, o manejo de troca de piquete sempre foi conduzido com base no achismo, o que limita o potencial produtivo da fazenda. Para contornar esse cenário, a ferramenta é resultado de anos de pesquisa e desenvolvimento, contando com apoio financeiro da Finep e com o uso da base de dados da plataforma AgroAPI, da Embrapa Agricultura Digital, com o objetivo de otimizar o manejo do pasto por meio de algoritmos de inteligência artificial”, afirma Xisto. 

De acordo com o CEO, a ferramenta muda a lógica conhecida até então ao transformar dados complexos em informação prática, confiável e aplicável no dia a dia, “permitindo que o pecuarista antecipe decisões e atue de forma estratégica sobre o uso da pastagem”. 

Na prática, a digitalização do pasto contribui para ampliar a produtividade de carne por hectare, sem necessidade de abertura de novas áreas, um ponto sensível em um país que ainda possui grande potencial  para intensificação. Ao oferecer visão histórica e comparativa da qualidade forrageira, o sistema favorece planejamento de médio e longo prazo, fortalece o controle do manejo rotacionado e conecta a gestão zootécnica à gestão financeira da propriedade.

Mais do que incorporar tecnologia, trata-se de promover mudança cultural. A transição do modelo extensivo para sistemas mais intensivos demanda organização de dados, disciplina de acompanhamento e entendimento do risco do negócio. “No Brasil, ainda há muito espaço para intensificação. A maioria das fazendas ainda não está nesse processo de piqueteamento, ou mesmo  trabalhando a nutrição de forma mais estratégica. O gargalo é sair do modelo extensivo para um mais intensivo, o que exige mais gestão, controle de manejo e entendimento do risco do negócio. É nesse ponto que entra a digitalização”, finaliza o CEO.

Foto: FreePik