Valor da Produção Agropecuária deste ano está estimado em R$ 771,4 bilhões

As estimativas do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2020, obtidas a partir das informações de agosto, são de R$ 771,4 bilhões, superior em 10,1%, ao valor de 2019 (R$ 700,3 bilhões). O VBP deste ano é o maior já obtido na série histórica, que começou 1989.

As lavouras resultaram em R$ 519 bilhões, o equivalente a 67,3% do VBP, e a pecuária, em R$ 252,3 bilhões, ou 32,7% do VBP. As lavouras aumentaram seu faturamento em 13,6% em relação ao ano passado, e a pecuária, 3,7%.

A soja representou 37,4% do valor das lavouras, com R$ 194,2 bilhões, o milho, com 15,8% equivalendo a R$ 81,9 bilhões.

“Alguns produtos estão obtendo resultados nunca obtidos anteriormente, como a soja, milho, carne bovina, carne suína e ovos”, salienta José Garcia Gasques, coordenador-geral de Avaliação de Política e Informação da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Gasques explica que dois fatores são responsáveis por esses resultados, os preços internos e as vendas externas. “Os preços internos, bastante superiores aos do ano passado, e as exportações, de carnes e grãos principalmente para a China, impulsionam o desempenho favorável”, esclarece.

Os produtos com melhor desempenho são os seguintes: amendoim 23,7%, arroz 19,9%, cacau 16,6%, café 39,8%, feijão 13,8%, laranja 8,8%, mamona 33,4%, milho 15,2%, soja 26,1%, e trigo 67,4%. Os produtos com redução do VBP podem ser observados no algodão -2,9%, banana -8,8%, batata-inglesa -23,7%, mandioca -3,7%, tomate -13,1% e uva -13,8%. Esses produtos tiveram, em geral, produção menor neste ano e preços mais baixos.

Os estados que puxam os valores da produção agropecuária brasileira são Mato Grosso (R$ 136,5 bilhões), Paraná (R$ 98,5 bilhões) e São Paulo (R$ 95,7 bilhões).

O VBP mostra a evolução do desempenho das lavouras e da pecuária ao longo do ano e corresponde ao faturamento bruto dentro do estabelecimento. É calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária e nos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país.

Governo Federal entrega títulos definitivos de terra para 1.665 famílias em Mato Grosso

O Governo Federal entregou 1.665 Títulos de Domínio (TD) para famílias de agricultores assentados de Mato Grosso. A cerimônia ocorreu em Sorriso (MT), com a presença do presidente Jair Bolsonaro e do secretário Especial de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Nabhan Garcia.

A maioria das famílias aguardava pelo título há cerca de duas décadas. Com o documento definitivo de propriedade rural, as famílias poderão ter acesso a crédito e às políticas públicas federais. Os agricultores beneficiados vivem em 32 Projetos de Assentamentos (administrados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária -Incra), localizados em 21 municípios.

“Agora, esses cidadãos vão chegar no Banco do Brasil e na Caixa Econômica e vão mostrar o título de propriedade. Serão chamados de proprietários, e não mais de assentados”, destacou o secretário Nabhan Garcia.

Na cerimônia, famílias dos projetos de assentamento Boa Esperança I, II e III e Piratininga, localizados no município de Nova Ubiratã, receberam o título representando simbolicamente todos os beneficiários.

A maioria das famílias produz soja, milho, algodão, frutas, leite e cria gado de corte e aves. Em Mato Grosso, existem 549 assentamentos, onde vivem 82.424 famílias em uma área de mais de 6 milhões de hectares, segundo o Incra. A maior parte dos assentamentos no estado foi criada entre 1992 e 2002.

De acordo com o presidente do Incra, Geraldo Melo Filho, desde 2019, foram entregues mais de 2.200 Títulos de Domínio (que são definitivos) no estado. Até o fim do ano, o acumulado deve chegar a 3 mil. Em todo o país, o Governo Federal entregou mais de 70 mil documentos de titulação (definitivo e temporário) em um ano e meio. A previsão é chegar a 100 mil entregas até o final de 2020.

Os trabalhadores rurais comprometem-se a morar na parcela e a explorá-la para seu sustento, utilizando exclusivamente a mão de obra familiar. Até receberem a escritura do lote, os beneficiários não podem vender, alugar, doar, arrendar ou emprestar a terra a terceiros.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, informou que a pasta irá trabalhar para agilizar obras de logística e melhorar o escoamento da safra na região, citando como exemplo a Ferrovia de Integração Centro-Oeste. “O Brasil deve muito a vocês que estão produzindo e trabalhando”, disse.

Após a cerimônia, houve um ato que marcou o início do plantio da soja no estado, com a presença do presidente Jair Bolsonaro.

As autoridades também participaram de uma visita à usina Inpasa, maior produtora de etanol de milho, e de uma homenagem de representantes do agronegócio ao presidente da República, na cidade de Sinop (MT).

Participaram dos eventos no estado os ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes.

Foto: Alan Santos/PR

Brasil exporta primeira carga de melão para China após acordo bilateral

A China recebeu o primeiro embarque de melões brasileiros após acordo bilateral firmado entre os países. Cerca de três toneladas e meia de melão pele de sapo, da região de Mossoró (RN), desembarcaram no Aeroporto de Xangai.

O acordo que viabilizou a exportação do melão brasileiro para a China foi firmado em novembro de 2019, durante reunião bilateral entre os presidentes Jair Bolsonaro e Xi Jinping, na XI Cúpula do Brics, em Brasília, com a presença da ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Com a chegada da primeira carga da fruta ao território chinês, a ministra destaca a importância da abertura desse mercado, já que o país asiático é o maior produtor e consumidor de melão. “É um marco importante para o Brasil. É a primeira fruta fresca importada pela China e o primeiro país do mundo a exportar melão para China”, disse. Os chineses consomem cerca de metade da produção mundial. Em 2017, foram 17 milhões de toneladas.

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa ressalta que a certificação fitossanitária da China, negociada por longo tempo, é uma garantia de que o melão brasileiro está livre de pragas e passa por rígidas vistorias.

Em janeiro, técnicos da Administração Geral de Aduana da China (GACC, órgão responsável pela sanidade vegetal e animal) inspecionaram fazendas produtoras de melão no Rio Grande do Norte e no Ceará. Os dois estados são os maiores produtores da fruta.

Depois da inspeção, o órgão chinês autorizou importação do melão da empresa Bollo Brasil, do grupo Bollo International Fruits. A empresa é uma das maiores exportadoras de melão do Brasil.

O melão embarcado foi vistoriado pelas equipes do Mapa na própria fazenda. Uma das medidas para confirmar que todo o processo foi feito inhouse e com a vistoria do fiscal habilitado pelo governo chinês foi o uso de lacre do Ministério na embalagem da fruta.

A Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), que também participou das negociações para a abertura do mercado, informou que irá apoiar os produtores nas questões logísticas para ampliar as vendas aos chineses, além de destacar que a produção de melão é uma atividade com grande potencial de geração de empregos.

Em 2019, o Brasil exportou melão para diversos países, foram mais de 251 mil toneladas. Com a abertura do mercado chinês, os produtores esperam dobrar as vendas externas, conquistando no mínimo 1% do mercado da China. Uma das vantagens é que a safra brasileira coincide com a entressafra de melão na China.

Nota Oficial / MAPA – Esclarecimento sobre suposta detecção de coronavírus na China em asa de frango importada do Brasil

Na manhã de hoje (13/08), foi publicada nota no site do município de Shenzhen, província de Guangdong, com informações da autoridade sanitária local sobre uma suposta detecção de ácido nucleico do coronavírus na superfície de uma amostra de asa de frango congelada, oriunda de um lote importado do Brasil.

Segundo a nota, outras amostras do mesmo lote foram coletadas, analisadas e os resultados foram negativos.

O Escritório de Prevenção e Controle de Epidemiologia de Shenzhen informou que todas as pessoas que manusearam ou entraram em contato com o material testaram negativo para a COVID 19.

Ainda na noite de ontem, após notícia veiculada na imprensa da província chinesa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) acionou imediatamente a Adidância Agrícola em Pequim, que consultou a Administração Geral de Aduanas da China – GACC buscando as informações oficiais que esclareçam as circunstâncias da suposta contaminação.

Até o momento, o MAPA não foi notificado oficialmente pelas autoridades chinesas sobre a ocorrência.

O MAPA ressalta que, segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há comprovação cientifica de transmissão do vírus da COVID-19 a partir de alimentos ou embalagens de alimentos congelados.

O MAPA reitera a inocuidade dos produtos produzidos nos estabelecimentos sob SIF, visto que obedecem protocolos rígidos para garantir a saúde pública.

Foto: Divulgação

Certificados de estabelecimentos e produtos para alimentação animal passam a ser eletrônicos

Os certificados de registro de estabelecimentos e de produtos e de cadastro de produtos destinados à alimentação animal passaram a ser eletrônicos, reduzindo significativamente o trâmite processual e trazendo mais segurança e facilidade para os usuários.

O procedimento é realizado no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), que permite ao servidor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) assinar eletronicamente o documento. A empresa pode imprimir ou gerar o documento em PDF diretamente da plataforma online, tendo ainda o código para verificação da autenticidade do certificado via web.

Desde o mês de maio, o registro, cadastro, a renovação, alteração, suspensão temporária e o cancelamento de registro e cadastro dos estabelecimentos e produtos para alimentação animal estão sendo feitos via Sipeagro. Além disso, o Mapa vem fazendo o recadastramento nacional de empresas e produtos na nova plataforma.

Atualmente, estão registrados 2.999 estabelecimentos de produtos destinados à alimentação animal. Esses estabelecimentos são fabricantes, fracionadores ou importadores de nove categorias de produtos: alimentos, aditivos, coprodutos, concentrados, ingredientes, núcleos, premixes, rações e suplementos. A frequência de fiscalização dos estabelecimentos é realizada conforme sua classificação de risco.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Ministério da Agricultura libera R$ 50 milhões de subvenção para seguro rural nas regiões Norte e Nordeste

Produtores de grãos das regiões Norte e Nordeste poderão acessar, até outubro, o orçamento exclusivo de R$ 50 milhões no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). “Essa medida tem como objetivo fomentar a oferta de seguros e elevar o número de apólices contratadas nessas regiões”, explica o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), César Halum.

Em 2019, o Mapa já havia destacado pelo menos R$ 20 milhões do PSR para essas regiões e com bons resultados. No ano passado, as duas regiões somaram R$ 23,1 milhões em subvenção nos seguros rurais em todas as atividades, com destaque para grãos. A área segurada em 2018 era de 193,5 mil hectares em 2019 passou para 367,3 mil hectares nas duas regiões.

O produtor Pedro Alves de Menezes, de Nossa Senhora Aparecida (SE), diz que ficou satisfeito com a cobertura do seguro rural contratado com apoio do governo. “Na safra 2018/19 tive uma seca com perda de quase 100% da lavoura, o técnico avaliou a roça e 30 dias depois o dinheiro estava depositado na conta”, conta.

Contratação

Os produtores podem contratar a apólice de seguro rural com corretores e nas instituições financeiras que operem com as 14 companhias seguradoras credenciadas no PSR. Além disso, há recursos disponíveis no PSR para as modalidades de seguro rural de pecuária, frutas, olerícolas, café, cana-de-açúcar, aquícola e florestas. Neste ano, o Mapa pretende aplicar R$ 955 milhões em apoio financeiro aos produtores no seguro rural em todo o território nacional. O seguro rural é destinado aos produtores pessoa física ou jurídica, independente de acesso ao crédito rural.

A subvenção econômica concedida pelo Ministério da Agricultura pode ser pleiteada por qualquer pessoa física ou jurídica que cultive ou produza espécies contempladas pelo Programa. Para os grãos em geral, o percentual de subvenção ao prêmio pode variar entre 20% e 40%, a depender da cultura e tipo de cobertura contratada. No caso das frutas, olerícolas, cana-de-açúcar e demais modalidades (florestas, pecuário e aquícola) o percentual de subvenção ao prêmio será fixo em 40%.

Para produtores que estão contratando crédito de custeio nas instituições financeiras e são enquadrados no Pronaf, entre julho e outubro, há um projeto-piloto com recursos de R$ 50 milhões do PSR de estímulo a contratação do seguro agrícola de soja e milho verão (subvenção de 55% do prêmio) e para banana, maçã e uva (subvenção de 60% do prêmio).

Para produtores das regiões Norte e Nordeste de grãos, o PSR destinará R$ 50 milhões exclusivos para essas regiões nos meses de setembro e outubro.

Mercado da soja pressiona temporariamente valor do biodiesel

A alta demanda do mercado chinês pela soja provocou aumento do valor do biodiesel. Essa situação estimulará o uso de outras matérias-primas, como gorduras animais e óleos de palma, algodão e milho, na composição do biocombustível. A afirmação é do presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés.

O fato se deve ao uso do insumo como matéria para a produção do biodiesel, à queda na produção no Rio Grande do Sul e à aceleração das compras de soja pela China. No entanto, o presidente da Ubrabio garante que não haverá paralisação na produção: “É uma situação passageira e não haverá nenhuma ruptura no setor. Já tínhamos vivido isso em 2018 e em 2019, mas houve um recrudescimento neste ano”.

Sobre a Ubrabio – A União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) é uma associação sem fins econômicos que representa nacionalmente toda a cadeia produtiva desses biocombustíveis. Desde sua criação, em 2007, a entidade lidera o segmento e atua como interlocutora entre sociedade e governo para mobilizar e unir esforços, recursos e conhecimentos na busca pelo desenvolvimento do setor.

Embrapa e Bayer estabelecem cooperação para apoiar mercado de carbono para agricultura

A Embrapa e a Bayer estão estabelecendo uma cooperação técnica buscando apoiar a consolidação de um mercado de carbono específico para a agricultura brasileira. O objetivo da parceria público-privada é investir em ações de pesquisa científica para reduzir as incertezas e o custo na quantificação do balanço de carbono pelos produtores de soja e de milho, viabilizando assim a remuneração desses agricultores pelos benefícios ambientais produzidos com a diminuição das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Essa iniciativa denominada “Avaliação piloto do balanço de carbono na produção de milho e soja no Centro-Sul do Brasil: cooperação Bayer e Embrapa para o desenvolvimento sustentável” será conduzida com a participação de três centros de pesquisa da Embrapa no estado de São Paulo: Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP), Embrapa Instrumentação (São Carlos, SP) e Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP). O projeto de pesquisa piloto abrange o ano agrícola 2020/2021, com duração de 12 meses.

“O propósito é contribuir para a valorização, e consequente benefício econômico para o agricultor, da adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, com balanços de carbono mais favoráveis, por meio da definição e avaliação de protocolos para estimar, projetar e monitorar a dinâmica e o balanço do carbono em sistemas de produção dessas culturas”, informa o pesquisador da Embrapa Luís Gustavo Barioni.

A agricultura brasileira já emprega diversas boas práticas que são adaptadoras da agricultura, podendo trazer ganhos de eficiência técnica e produtiva e também maior renda para o agricultor. “Essas práticas poderiam ter maior adoção com o pagamento pelos cobenefícios ambientais associados a elas, em particular a redução das emissões e  o aumento da captura de carbono nos solos agrícolas”, explica Giampaolo Pellegrino, pesquisador da Embrapa e presidente do Portfólio de Mudanças Climáticas da Empresa.

“A proposta está alinhada com os desafios para inovação priorizados pelo comitê gestor do Portfólio, sobretudo quanto aos desafios vinculados à quantificação de carbono e à redução das emissões de GEE, que se configuram como as mais sustentáveis e as melhores práticas na agricultura. Uma questão importante e que temos trabalhado sempre é a adaptação da agricultura vinculada a essas ações, focadas no tripé da sustentabilidade, ou seja, em benefícios ambientais, sociais e econômicos, que representam os objetivos de inovação definidos no Portfólio”, conta Pellegrino.

Existe um enfoque na divulgação de práticas sustentáveis, para que elas sejam cada vez mais adotadas pelos agricultores, trazendo mais eficiência para o sistema agrícola e promovendo a melhoria da renda no campo. Os benefícios vão além da redução das emissões, incluindo a adaptação da agricultura, tornando-a mais resiliente e promovendo equilíbrio dos sistemas produtivos, com menos impactos em razão das mudanças climáticas. Busca-se ainda gerar uma produtividade maior em razão do manejo mais adequado, revertendo em maior rentabilidade da produção e também melhorando a qualidade de vida do agricultor.

“Os produtores podem realmente contribuir muito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, otimizando a captura e armazenamento de carbono no solo e sendo recompensados pela ação. É por isso que a Bayer está atuando em parceria com eles para trabalhar em prol de um futuro de baixo carbono na agricultura a partir da Iniciativa Carbono Bayer”, afirma o presidente da divisão agrícola da Bayer para a América Latina, Rodrigo Santos.

Por meio da adoção de práticas de baixo carbono, como o uso eficaz da terra e melhor manejo de áreas produtivas e agricultáveis, as emissões relacionadas à agricultura podem ser significativamente reduzidas e mais carbono pode ser capturado no solo – beneficiando o planeta e a rentabilidade dos produtores, pois assim eles podem produzir mais alimentos na mesma terra, além de comercializar o carbono capturado, destaca o presidente.

Fundos verdes internacionais

A expectativa é que, com a incorporação dessas características, as boas práticas agrícolas brasileiras possam ter acesso mais facilmente aos fundos internacionais focados em financiar ações sustentáveis e mitigadoras do aquecimento global, provocado pelas emissões de GEE na agricultura. Os pesquisadores alertam que esses fundos são extremamente rigorosos com relação às garantias de que a atividade financiada de fato oferece o benefício do estoque de carbono no ambiente agrícola.

Por meio da parceria, a Embrapa e a Bayer pretendem mudar esse contexto, contribuindo para a quebra dessas barreiras e oferecendo, a médio e a longo prazo, protocolos que permitam estimar e monitorar as emissões de forma ágil e com baixo custo, mas mantendo a acurácia e a credibilidade necessárias para aceitação internacional. Isso vai permitir ao Brasil avançar na direção do desenvolvimento de um mercado de carbono nacional que faça a intermediação entre os agricultores brasileiros e os fundos verdes internacionais.

“O Brasil já promove ações ousadas no estabelecimento de sistemas conservacionistas de produção, como plantio direto e sistemas integrados de produção, entre outros, que têm demonstrado aumento da matéria orgânica no solo em relação aos manejos convencionais de cultivo ou mesmo de áreas nativas, particularmente nos Cerrados, demonstrando assim capacidade de sequestrar carbono no solo”, lembra o pesquisador da Embrapa Ladislau Martin Neto. “É uma grande vitória para a pesquisa agropecuária e para os produtores rurais brasileiros, apoiados por uma indústria de insumos reconhecida globalmente”, complementa.

Conforme o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente, Marcelo Morandi, sustentabilidade é algo concreto, mensurável, que pode ser construído e precificado e que entrou definitivamente na agenda da agricultura. “É inevitável esse caminho. Estamos inseridos em mercados globais que exigem isso, e já temos consciência que não há outra forma de seguirmos adiante,” diz.

Morandi ressalta que, se no passado o aumento da produção era baseado na ampliação de área sem maiores preocupações com as consequências, hoje o crescimento da agricultura e da pecuária está pautado pelo ganho de produtividade e com preocupação ambiental. Para ele, os avanços em produtividade garantem efeitos poupa-recursos, além de aprofundar a consciência ambiental dos produtores.

“Com isso, essa parceria será um grande marco, porque permitirá a construção de uma métrica adequada para a estimação do sequestro de carbono no solo em condições tropicais de cultivo, em função das boas práticas agrícolas. Isso permitirá não só a mitigação dos efeitos das mudanças do clima, assim como a precificação deste serviço ambiental prestado pelo sistema produtivo, em adição ao que já é feito nas áreas de preservação. Portanto, abre um novo campo para investimentos verdes na agricultura”, avalia.

Nessa iniciativa, a Bayer contribuirá com a cessão de acesso aos dados de quantificação de carbono no solo e às informações referentes aos sistemas produtivos de clientes cujos contratos concedam tal autorização, além do financiamento das atividades a serem realizadas. A Embrapa, por sua vez, oferecerá em contrapartida uma estrutura computacional e laboratorial especializada e a competência técnica da equipe de profissionais multidisciplinares, para a geração de soluções técnico-científicas que tragam as melhorias previstas e fortaleçam o uso de tecnologias digitais, de acordo com a chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá.

Metodologias inovadoras

O projeto-piloto vai aplicar metodologias inovadoras e técnicas em modelagem agroambiental desenvolvidas pelos centros de pesquisa da Embrapa, de modo que a Bayer possa remunerar os agricultores que, ao adotarem boas práticas estimuladas pela empresa, foram capazes de melhorar a capacidade adaptativa e o balanço de carbono em seus sistemas de produção.

Porém, os pesquisadores da Embrapa ressaltam que os aprimoramentos técnico-científicos, necessários para vencer as barreiras apontadas e evolutivamente oferecer a credibilidade necessária para o reconhecimento internacional, e até possível registro em certificadora com abrangência global, permitindo o acesso a fundos verdes, serão obtidos com o desenvolvimento da etapa de médio e longo prazo, ou seja, aproximadamente quatro anos, em nova proposta da Embrapa com a Bayer, como sequência do piloto.

A pesquisadora Marília Folegatti, da Embrapa Meio Ambiente, enfatiza que para que os produtores de grãos acessem futuramente um mercado de carbono, que é a intenção da Bayer, será necessário quantificar o balanço de carbono dos sistemas de produção de grãos, mas também a pegada de carbono dos produtos. “Esta pegada de carbono é calculada pela Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), uma técnica desenvolvida para verificar o impacto de produtos no meio ambiente”, explica.

Na ACV são analisados os efeitos ambientais associados às atividades produtivas ao longo de todo o ciclo de vida do produto. Essa informação já é exigida em algumas relações comerciais internacionais. Ainda conforme a pesquisadora, essa métrica também serve como ferramenta para a gestão ambiental em nível de fazenda. “Conhecendo os aspectos que contribuem para as emissões de gases de efeito estufa dos grãos, será possível ao produtor fazer intervenções necessárias no seu processo produtivo, e com isso contribuir efetivamente para sua mitigação”, ressalta.

“As medidas de estoque de carbono no solo variam no espaço e no tempo, e levantar essas informações em larga escala e periodicamente é um grande desafio para o estabelecimento de um mercado mundial de carbono”, avalia a chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Instrumentação, Débora Milori.

A aplicação por parceiros das técnicas de espectroscopia com emissão ótica por plasma induzido por laser (LIBS), tecnologias licenciadas da Embrapa, permitirá a verificação de procedimentos sobre coleta, validação, resolução analítica das medidas de carbono, e tratamento dos dados sobre a quantificação de estoques de carbono nas propriedades rurais usando o método LIBS. Também será possível a determinação da qualidade da matéria orgânica dos solos pelas medidas de frações físicas dos solos e comparação com medidas do grau de humificação por fluorescência induzida por laser (LIFS).

Esses novos métodos, sem preparo químico da amostra, têm custo reduzido e são muito rápidos. Essas características técnicas viabilizam a avaliação rápida dos estoques de carbono no solo nas propriedades rurais e permitem um acompanhamento da evolução dos processos de acúmulo e perdas como função do tempo. Dessa forma, o produtor que trabalhar com manejos de solo conservacionistas e acumular carbono no solo poderá receber por esse serviço ambiental, observa Milori.

Além de ajudar nas estimativas dos estoques de carbono no solo, a modelagem biogeoquímica e o uso de simuladores da produtividade de culturas e da dinâmica de carbono no solo permitirão prever a quantidade esperada de variação nos estoques de carbono. As avaliações serão auxiliadas por análises de agrupamento, tipologia e caracterização dos sistemas de produção abrangidos pelo projeto, considerando os dados e parâmetros demandados pelos modelos biogeoquímicos e de ACV. Também será possível gerar inventários de processos e Inventários de Ciclo de Vida (ICV) para estimar a pegada de carbono, por meio da ACV, para os sistemas de produção típicos.

Entre as metodologias adotadas no projeto-piloto, estão protocolos para quantificação de estoques de carbono no solo, com a análise de métodos nacionais e internacionais, no intuito de gerar um protocolo nacional de referência, além da aplicação de técnicas inovadoras e de baixo custo para monitoramento e verificação desses estoques. Serão gerados relatórios técnicos sobre a tipificação dos sistemas produtivos, avaliação de modelos biogeoquímicos e estimativa da variação dos estoques de carbono e incertezas, que permitirão testar e atestar o uso de soluções computacionais e simulação matemática como solução para a estimação da dinâmica do carbono de forma objetiva, acurada e de baixo custo.

“A Bayer está intensificando uma abordagem transparente, colaborativa e baseada em ciência, para ajudar os produtores na adoção de práticas agrícolas sustentáveis, por meio do estabelecimento de iniciativas de carbono. O objetivo da empresa é liberar fluxos de receita adicionais para os produtores, dando ao mesmo tempo sua contribuição para a mitigação das mudanças climáticas”, afirma Santos. “A Bayer continuará trabalhando com vários elos da cadeia de valor e especialistas em clima, visando criar condições para projetos de carbono, que tenham a ciência como base, favorecendo os produtores técnica e economicamente, bem como parceiros dispostos a participar do mercado de carbono”, enfatiza.

Cemaden aponta seca em várias regiões do Brasil, principalmente, nos estados do Acre e Rio de Janeiro

O Boletim Mensal de Impacto em Atividades Estratégicas para o Brasil, referente ao trimestre junho-julho-agosto, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) – unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) – aponta o cenário  de intensificação de seca, principalmente nos estados do Acre e do Rio de Janeiro.

O boletim apresenta a Avaliação das Ocorrências e Alertas para Desastres Naturais (inundações, enxurradas e movimento de massa) para o mês de junho 2020 e o Diagnóstico e Cenários dos eventos extremos (secas e inundações) e seus impactos em diferentes setores econômicos do Brasil.

De acordo com cenários do Índice Integrado de Seca para o mês de julho, permanecem as condições de seca na porção oeste do estado do Acre, no Maranhão, porção noroeste do estado de São Paulo, no Vale do Paraíba Paulista, porção oeste do Rio de Janeiro, leste do estado de Santa Catarina e nordeste do Rio Grande do Sul.

No mês de junho de 2020, foram enviados, pela Sala de Situação do Cemaden, 179 alertas, com 49 ocorrências registradas. Dessas ocorrências, 23 foram de risco geológico e 26 de risco hidrológico, concentradas, principalmente, na região Nordeste (59%) do País.

O Boletim Mensal de Impacto em Atividades Estratégicas para o Brasil e os anteriores, estão disponibilizados no site do Cemaden.

VBP de 2020 é estimado em R$ 716,6 bilhões

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2020, com base nos dados de junho, está estimado em R$ 716,6 bilhões, 8,8 % acima do obtido em 2019 (R$ 658,8 bilhões). O valor das lavouras cresceu 11,6 % e o da pecuária, 3,4%. O aumento do valor das lavouras deve-se principalmente aos desempenhos de arroz (12%), soja (19,8%), milho (13,7%), café (39,3%) e laranja (9,8%).

Estes cinco produtos vêm puxando o faturamento das lavouras, segundo o estudo do Departamento de Crédito e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“O milho e a soja obtiveram valores recordes ao longo da série histórica desde 1989: R$ 76,1 bilhões e R$ 173,5 bilhões, respectivamente”, aponta o coordenador da pesquisa, José Garcia Gasques. Na pecuária, o crescimento vem sendo estimulado pela carne bovina (11,8%), carne suína(5,6%) e ovos (15,5%).

Outros produtos tem apresentado bom desempenho, como amendoim, cacau, cana-de-açúcar, feijão e trigo. Desempenho pouco favorável é observado nas culturas de algodão herbáceo, banana, batata inglesa, mamona, tomate e uva.

“Além dos resultados favoráveis da safra de grãos deste ano, que segundo a Conab está prevista em 251,4 milhões de toneladas, os preços agrícolas também são um fator importante na garantia dos resultados que vêm sendo observados”, explica Gasques.

A pecuária tem sido beneficiada pelas boas condições do mercado internacional. De janeiro a junho deste ano, as exportações de carnes, bovina, suína e frango geraram uma receita de U$ 8 bilhões (Agrostat, 2020). O valor das exportações de carne bovina foi de U$ 3,927 bilhões, carne suína, U$ 1,07 bilhão, e carne de frango, U$ 3,09 bilhões. Nesse período, as exportações de soja geraram U$ 23,928 bilhões.

Os resultados do VBP regional indicam Mato Grosso liderando o ranking com 17,5% do valor, seguido do Paraná (12,8%), São Paulo (12,7%), Minas Gerais (10,7%) e Goiás (8%).

Indicador

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) é um indicador de desempenho da agropecuária. É considerado também um indicador do faturamento. Com atualizações mensais, seu cálculo é efetuado para os estados e regiões brasileiras, com dados de 21 produtos de lavouras e cinco atividades da pecuária.

O VBP é obtido pela multiplicação da quantidade produzida pelo preço recebido pelo produtor. Como as estimativas de safras divulgadas mensalmente referem-se à previsão para o ano, a estimativa do VBP também é anual. Na pecuária, como as informações do IBGE são trimestrais, a cada três meses, são atualizadas as informações de quantidades.

A fonte de dados de produção é do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE. Para os produtos da pecuária, a fonte também é o IBGE. Os preços são da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e CEPEA – USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), órgão da Universidade de São Paulo. Os valores reais são obtidos com o uso de IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.