2025 foi marcado por safra de soja recorde no Brasil e peso das importações chinesas

O ano de 2025 foi marcado por preocupações climáticas na América do Sul, fator que influenciou os preços ao longo do período. A equipe de Inteligência de Mercado da StoneX apresenta um panorama dos fatos marcantes do mercado de soja em 2025 e as expectativas para 2026.

No Brasil, apesar de uma safra recorde nacional, o Rio Grande do Sul enfrentou perdas expressivas, limitando ainda mais a oferta da oleaginosa no ano passado. Por outro lado, a maioria dos estados brasileiros registrou produtividade favorável ou até mesmo recorde.

Na Argentina, questões climáticas também afetaram o potencial produtivo, mas o país conseguiu colher uma safra robusta, sem grandes ameaças à oferta. Globalmente, com a safra 24/25 consolidada, a produção superou o consumo, resultando em aumento dos estoques e limitando altas significativas nos preços.

A demanda global por soja segue em crescimento anual, porém de forma mais previsível. A produção acompanha esse avanço, e embora o clima possa trazer surpresas, os últimos anos não registraram quebras relevantes que restringissem o balanço do setor.

No cenário internacional, as tensões comerciais entre China e EUA foram destaque, culminando em acordos que restabeleceram o fluxo de exportações após taxações mútuas. A China concentrou suas compras na safra recorde brasileira de 24/25, importando mais de 85 milhões de toneladas. Com o acordo firmado em outubro de 2025, a previsão é de aquisição de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana até fevereiro de 2026 e de 25 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos, volumes similares aos praticados antes do acirramento comercial.

Perspectivas para o setor em 2026

Para o ciclo 25/26, as projeções permanecem positivas, com o Brasil caminhando para um novo recorde de produção e a Argentina mantendo resultados favoráveis, mesmo com redução de área em relação ao ano anterior. Nos Estados Unidos, a soja perdeu espaço para o milho, com redução de 7% na área plantada, totalizando 32,86 milhões de hectares. Ainda assim, a produção estimada foi robusta, atingindo 116 milhões de toneladas, com produtividade média recorde de 3,56 toneladas por hectare.

O cenário mundial segue com produção acima do consumo, embora a diferença prevista para 2026 deva ser menor. Isso mantém os estoques elevados e limita a possibilidade de altas expressivas nos preços.

Apesar do potencial brasileiro para ampliar produção e exportações, o ritmo de crescimento das importações chinesas já não é tão acelerado quanto nos anos anteriores. Com margens mais apertadas na indústria suína chinesa e ritmo econômico menos intenso, pairam dúvidas sobre o apetite chinês por soja. A China segue como principal mercado, mas nenhum outro país desponta para ocupar seu papel de destaque observado até meados da década passada.

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Portos, hidrovias e leilões marcam 2025 como ano de avanço logístico para o agronegócio brasileiro

O ano de 2025 consolidou um ciclo de investimentos e expansão na infraestrutura logística brasileira, com reflexos diretos no agronegócio. O balanço divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos mostra que os portos brasileiros registraram crescimento na movimentação de cargas e ampliaram sua capacidade operacional, ao mesmo tempo em que o governo promoveu uma série de leilões e aportes em hidrovias — elementos cruciais para reduzir custos de transporte e aumentar a competitividade das exportações agrícolas.

Entre janeiro e outubro de 2025, os portos públicos e privados do país movimentaram cerca de 1,16 bilhão de toneladas de cargas, volume superior ao registrado no mesmo período de 2024. Esse desempenho reafirma o papel estratégico dos portos no escoamento da produção nacional, especialmente de produtos agrícolas como soja e minério de ferro, que respondem por uma fatia significativa das exportações embarcadas.

Paralelamente ao aumento da movimentação, o Ministério de Portos e Aeroportos realizou 21 leilões ao longo do ano, atraindo cerca de R$ 11 bilhões em novos investimentos em empreendimentos portuários e aeroportuários. Entre os projetos adjudicados estão concessões de terminais de contêineres e melhorias em canais de acesso, previstos para ampliar a capacidade e eficiência das operações logísticas. A agenda para 2026 inclui um pacote ainda mais amplo de certames, com previsão de 40 leilões, incluindo portos, aeroportos e a primeira concessão de hidrovia do país.

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No segmento das hidrovias, o avanço também foi significativo. Em 2025, mais de R$ 529 milhões foram investidos na infraestrutura hidroviária, com recursos destinados à dragagem, modernização de eclusas e ampliação das instalações portuárias de pequeno porte. Esse conjunto de ações tem como objetivo melhorar a navegabilidade e integrar mais profundamente o transporte aquaviário à matriz logística nacional — uma alternativa de menor custo para o transporte de grãos e insumos agrícolas ao longo de grandes bacias hidrográficas.

Diferentemente do transporte rodoviário, as hidrovias podem oferecer custos menores por tonelada transportada, o que, em mercados de alta volatilidade de fretes, representa uma vantagem competitiva para os produtos agrícolas brasileiros destinados ao mercado externo. Embora as concessões hidroviárias ainda estejam em fase de organização e cronograma, os estudos técnicos e consultas públicas conduzidos ao longo de 2025 marcam um passo importante para sua implementação futura.

Para o agronegócio, setor que depende fortemente da eficiência logística para manter sua presença em mercados globais, os resultados do balanço de 2025 sinalizam um cenário de maior capacidade de escoamento e menor vulnerabilidade aos gargalos estruturais. A combinação de crescimento da movimentação portuária, novos investimentos e foco na integração intermodal sugere avanços concretos na redução de custos logísticos, aspecto fundamental para ampliar a competitividade dos produtos brasileiros nos principais mercados compradores.

Nota da ABAG sobre o pedido de revisão do acordo Mercosul-União Europeia

A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) lamenta o encaminhamento da revisão do Acordo Mercosul–União Europeia pelo Parlamento Europeu à Suprema Corte Europeia. Após mais de 26 anos de negociações e sucessivas avaliações técnicas e jurídicas já superadas, a decisão reduz o potencial do Acordo de contribuir para um comércio internacional baseado em regras, previsibilidade e cooperação entre os blocos, especialmente em um contexto global de elevada volatilidade.

A medida adia benefícios econômicos concretos e limita a capacidade de resposta conjunta diante das crescentes incertezas geopolíticas. Além disso, não colabora para o fortalecimento do multilateralismo e enfraquece a própria União Europeia em seu projeto de compartilhamento de responsabilidades e construção de uma soberania conjugada.

A ABAG reforça que a integração entre Mercosul e União Europeia é fundamental para ampliar mercados, gerar valor e fortalecer cadeias produtivas, e defende o avanço de uma condução técnica e pragmática, com foco na conclusão do Acordo e na redução das incertezas que hoje limitam decisões no mercado internacional.

A entidade espera, ainda, que os favoráveis à iniciativa encontrem caminhos para acelerar sua implementação, em benefício dos consumidores e cidadãos dos dois continentes, e seguirá contribuindo ativamente para soluções concebidas por meio do diálogo.

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Importações de fertilizantes batem recorde em 2025 com avanço de produtos de menor concentração

As importações brasileiras de fertilizantes (amônia, ureia, SAM, NAM, MAP, DAP, SSP, TSP, NP, enxofre e cloreto de potássio) atingiram um novo recorde em 2025, considerando os principais produtos adquiridos pelo país. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, foram importadas 44,96 milhões de toneladas, volume 2,9% superior ao registrado em 2024. O desempenho indica que, apesar de um cenário marcado por relações de troca pouco atrativas e preços persistentemente elevados, a demanda nacional se manteve resiliente.

Em um ano de margens apertadas no campo, os compradores brasileiros adotaram estratégias para reduzir os custos de produção. Uma delas foi a priorização de fertilizantes de menor concentração de nutrientes, como o sulfato de amônio (SAM) e o superfosfato simples (SSP), em detrimento de produtos mais concentrados, como a ureia e o fosfato monoamônico (MAP).

Os dados mostram que, em 2025, as importações de ureia recuaram 7% em relação ao ano anterior. Em sentido oposto, as aquisições de SAM cresceram quase 28%. No segmento de fosfatados, as compras de MAP caíram aproximadamente 25,7%, enquanto as importações de SSP e de NP, alternativas com menor teor de fosfato, avançaram 22% e 31,7%, respectivamente.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, a preferência por fertilizantes de menor concentração implica a necessidade de aplicação de maiores volumes no solo para garantir o suprimento adequado de nutrientes. “Ao optar por esses produtos, o agricultor precisa adquirir mais toneladas para atingir o mesmo nível de adubação, o que ajuda a explicar o aumento do volume total importado”, afirma.

Esse movimento ampliou a participação de SAM, SSP e NP no mercado brasileiro ao longo de 2025. A principal dúvida para 2026 é se esses produtos seguirão como prioridade nas decisões de compra dos importadores.

De acordo com Pernías, a escolha dos fertilizantes envolve uma combinação de fatores, como disponibilidade, preços, relações de troca e custo-benefício, sempre considerando a quantidade efetiva de nutrientes entregue por cada produto. “Não é possível afirmar se os fertilizantes de menor concentração manterão em 2026 a mesma representatividade observada em 2025. Contudo, com a proximidade do período de adubação nos Estados Unidos, rumores de suspensão de exportações chinesas, volatilidade nas negociações indianas e o risco constante de sanções comerciais, o comprador brasileiro tende a seguir atento às oportunidades, buscando reduzir custos e preservar a competitividade”, conclui.

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Rivulis inaugura a maior fábrica de gotejadores do mundo

A multinacional Rivulis, líder global em soluções avançadas de irrigação e clima, inaugurou no norte de Israel, na cidade de Tzipori, a maior e mais avançada fábrica do mundo dedicada à produção de gotejadores e aspersores, componentes essenciais dos sistemas de microirrigação. “Há mais de 80 anos, agricultores de todo o mundo confiam na empresa para obter soluções de irrigação eficazes e confiáveis que os ajudam a cultivar de forma responsável”, disse Eran Ossmy, presidente da companhia.

A nova unidade, com 7.000 metros quadrados, abriga mais de 150 linhas de produção e montagem automatizadas e representa um grande avanço na tecnologia de irrigação e na fabricação sustentável. A unidade integra sistemas avançados, incluindo tecnologias LSR de precisão, para oferecer qualidade excepcional, eficiência energética e resiliência operacional.

Em plena capacidade, produzirá milhões de gotejadores e aspersores por dia, exportados para mais de 120 países na América Latina, África, Europa, América do Norte, Ásia e Austrália. “Esta nova fábrica representa o próximo passo nesse legado, combinando precisão, inovação e sustentabilidade para tornar a microirrigação mais acessível e eficiente. A partir daqui, forneceremos soluções que ajudarão a alimentar um mundo em crescimento, de forma sustentável e responsável”, destaca o executivo.

Foco na agricultura sustentável

Ao expandir sua capacidade de produção, a Rivulis reforça seu compromisso com o avanço da segurança alimentar global e da agricultura sustentável em meio à crescente escassez de água. A nova unidade emprega mais de 200 pessoas das comunidades vizinhas, judaicas e árabes, servindo como um modelo de coexistência e propósito compartilhado.

Além disso, foi construída de acordo com os princípios da indústria verde e da eficiência energética, utilizando materiais reciclados, energia renovável e sistemas inteligentes para gestão de energia e produção. Ela está entre as primeiras instalações de irrigação do mundo a implementar práticas de manufatura circular, reutilizando matérias-primas, reduzindo emissões e buscando o desperdício industrial zero.

Foto: Zvika-Golan / Divulgação

Investimento estratégico

Apoiado pela Temasek, companhia global de investimento de Cingapura, principal acionista da Rivulis, este investimento reflete um compromisso de longo prazo com a expansão de tecnologias que ajudam agricultores em todo o mundo a cultivar mais alimentos de forma sustentável, protegendo o recurso mais vital do planeta: a água.

Com a unidade de Tzipori agora em operação, a empresa fortalece sua posição como um centro global de inovação em irrigação de precisão, capacitando agricultores em todos os lugares a cultivar mais com menos.

Entenda a intervenção dos EUA na Groenlândia e os impactos no comércio brasileiro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou ontem sua ofensiva diplomática contra a Dinamarca, acusando o governo europeu de não afastar a “ameaça russa” da Groenlândia, uma vasta e estratégica região autônoma do território dinamarquês.

Agora, o mandatário norte-americano afirma que “agora chegou a hora, e isso será feito”. A declaração foi feita em sua rede social, onde Trump insistiu que os EUA precisam controlar a ilha por razões de segurança nacional, renovando reivindicações de aquisição que já haviam causado crise internacional.

A escalada americana inclui não apenas declarações agressivas, mas também ameaças de tarifar países aliados que se opõem ao plano, com tarifas de 10% a 25% sobre importações de nações europeias contrárias ao intento dos EUA de assumir o controle de fato da Groenlândia. A União Europeia já tratou o anúncio como um ataque às relações transatlânticas, prometendo resposta coordenada se as medidas forem efetivadas.

A possível intervenção dos EUA na Groenlândia tem múltiplos efeitos geopolíticos e econômicos que transcendem o Atlântico Norte. A Groenlândia está posicionada no centro de rotas marítimas emergentes no Ártico devido ao degelo, abriga vastas reservas de minerais estratégicos (como terras raras, urânio e outros metais críticos) e é geoestrategicamente crucial para monitoramento militar e defesa. A interferência americana, portanto, pode alterar as cadeias de fornecimento global e o acesso a matérias-primas essenciais para tecnologia e energia.

Do ponto de vista econômico brasileiro, a instabilidade e a disputa sobre a soberania da Groenlândia podem impactar o comércio de diversas maneiras. Primeiro, a intensificação de tarifas e retaliações entre EUA e UE tende a desorganizar fluxos comerciais internacionais, elevando custos logísticos e criando insegurança para exportadores que dependem de mercados europeus e norte-americanos. Além disso, a disputa por recursos minerais no Ártico pode afetar mercados de commodities críticos para a indústria de tecnologia brasileira, influenciando preços e disponibilidade de insumos. Choques externos desse tipo tendem a se propagar por meio de cadeias de valor globalizadas, afetando países exportadores de commodities e manufaturados, como o Brasil.

“A intervenção dos EUA na Groenlândia, além de potencialmente violar princípios de soberania previstos no direito internacional, cria um clima de incerteza nas rotas comerciais e nas relações tarifárias que pode repercutir em todos os continentes. O Brasil, como grande exportador de produtos agrícolas e minerais, pode sofrer tanto com barreiras tarifárias quanto com volatilidade nos mercados de commodities”, afirma Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial.

Foto: Travid Vid Legradic / Pexels.com

Além disso, Canutto explica que o uso de ferramentas econômicas, como tarifas punitivas para fins geopolíticos, representa uma tendência de desglobalização parcial que pode forçar países como o Brasil a repensar suas parcerias comerciais e buscar maior diversificação de mercados e cadeias de suprimentos.

Por fim, a crise envolvendo a Groenlândia expõe fragilidades nas alianças tradicionais, como a Otan, e não deixa de ser curiosa, há décadas, a Europa terceirizou para os EUA sua defesa e a garantia de sua soberania e agora, aquele que garante a paz à Europa, abalou esta paz. Destaca ainda a crescente competição por espaços estratégicos entre grandes potências, com efeitos diretos sobre fluxos comerciais, investimentos estrangeiros e segurança jurídica internacional que repercutem no ambiente de negócios brasileiro. “A reação do Brasil a esse novo cenário, seja por meio de políticas de diversificação de exportações ou de maior protagonismo diplomático, pode ser decisiva para mitigar riscos e aproveitar oportunidades emergentes num ambiente global cada vez mais turbulento”, conclui o advogado internacionalista.

BNDES disponibiliza mais R$ 15,3 bilhões para programas do Plano Safra 2025-26

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou mais R$ 15,3 bilhões para operações de crédito rural no âmbito de programas do Plano Safra 2025-2026. Deste montante, R$ 10,4 bilhões serão destinados às linhas voltadas para agricultura empresarial e R$ 4,9 bilhões para agricultura familiar.

Com a medida, o total de recursos ainda disponível nos diferentes Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) a serem repassados pela instituição é de R$ 20,1 bilhões, com prazo de utilização até junho de 2026.

Os recursos poderão ser utilizados por produtores rurais, cooperativas e agricultores familiares para custeio e investimento em diversas finalidades, incluindo ampliação da produção, aquisição de máquinas e equipamentos, armazenagem e inovação.

O BNDES é um dos principais apoiadores do setor agropecuário. No Plano Safra 2025-2026, o Banco já aprovou R$ 26,4 bilhões no âmbito dos PAGF e atendeu a solicitações de mais de 105 mil operações por meio de operações indiretas, realizadas pela rede de agentes financeiros credenciados.

Além dos PAGFs, o BNDES também oferece soluções próprias para garantir a oferta de crédito ao setor agropecuário durante todo o ano, como o BNDES Crédito Rural – na atual safra, o produto já soma R$ 4,4 bilhões em operações aprovadas.

Foto: Getty Images

Entenda o acordo Mercosul–União Europeia

Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia estabelece as bases da maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas.

Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola. A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.

Confira os principais pontos do acordo:

  1. Eliminação de tarifas alfandegárias

Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços
Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos
União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos

  1. Ganhos imediatos para a indústria

Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais, com os seguintes setores beneficiados: máquinas e equipamentos, automóveis e autopeças, produtos químicos, aeronaves e equipamentos de transporte.

  1. Acesso ampliado ao mercado europeu

Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo
UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões
Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas

  1. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação
Acima dessas cotas, é cobrada tarifa
Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições
Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus
Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil
No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor

  1. Salvaguardas agrícolas

UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se: importações crescerem acima de limites definidos ou se os preços ficarem muito abaixo do mercado europeu. A medida vale para cadeias consideradas sensíveis.

  1. Compromissos ambientais obrigatórios

Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal
Cláusulas ambientais são vinculantes
Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris

  1. Regras sanitárias continuam rigorosas

UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários e os produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

  1. Comércio de serviços e investimentos

Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros e avanços em setores como: serviços financeiros, telecomunicações, transporte e serviços empresariais.

  1. Compras públicas

Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE, com regras mais transparentes e previsíveis.

  1. Proteção à propriedade intelectual

Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias, com regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

  1. Pequenas e médias empresas (PMEs)

Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação, com redução de custos e de burocracia para pequenos exportadores.

  1. Impacto para o Brasil

Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria, com uma maior integração a cadeias globais de valor, possibilitando a atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

Foto: Divulgação / Mercosul / UE

As tendências de tecnologia que vão acelerar o Brasil em 2026

por Rafael Leopoldo*

A aceleração da inteligência artificial nas empresas brasileiras em 2025 mudou o eixo das discussões sobre tecnologia. De acordo com levantamento da AWS, 9 milhões de empresas no país já utilizam IA de forma sistemática – um aumento de 29% em apenas um ano. Mas, enquanto a inteligência artificial concentra a atenção, outras tecnologias menos visíveis, porém decisivas, avançam em paralelo e preparam terreno para uma transformação estrutural.

Para entender quais serão as principais tendências que devem dominar a tecnologia de ponta no Brasil a partir do próximo ano, realizamos um levantamento no mercado nacional, cruzando dados de tendências já mapeadas pelo Gartner com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os temas identificados refletem um novo ciclo de prioridades: mais integração, menos improviso; mais segurança, menos hype. E devem orientar as decisões de investimento de empresas privadas e órgãos públicos até o fim da década.

Das dezenas de apostas tecnológicas listadas anualmente por analistas globais, apenas uma fração tem aderência real à realidade brasileira. Fatores como infraestrutura, regulação, maturidade digital e prioridades setoriais moldam o que, de fato, pode ser escalado localmente. A seleção a seguir foca em tendências com aplicação prática e impacto direto sobre os desafios e oportunidades do país nos próximos três anos.

Plataformas de desenvolvimento nativas em IA

A forma como empresas desenvolvem software no Brasil está prestes a passar por uma transformação radical. As plataformas nativas em inteligência artificial, que permitem criar aplicações inteiras por meio de prompts em linguagem natural, vêm sendo rapidamente adotadas por startups e empresa de grande porte no país, oferecendo um caminho direto para contornar a escassez de desenvolvedores e acelerar a entrega de soluções digitais.

A tendência, listada pelo Gartner como uma das principais transformações estratégicas para os próximos anos, aponta para um cenário em que a maior parte do código corporativo será gerado, acelerado ou revisado por IA. Para um país com carência de profissionais especializados, mas alta demanda por digitalização, o salto de produtividade pode ser enorme.

Automação inteligente de processos (RPA/IPA)

A busca por eficiência operacional, a escassez de mão de obra qualificada e a pressão por escalabilidade são os principais fatores que levaram a automação de processos a ocupar um papel de destaque nas estratégias de transformação digital no Brasil. Neste ano, a tecnologia deu um salto qualitativo: o modelo clássico de automação robótica (RPA), antes limitado a fluxos fixos e tarefas repetitivas, foi incorporado a recursos de inteligência artificial, dando origem ao que o mercado já chama de IPA, ou Intelligent Process Automation. O conceito vai além de bots que replicam cliques: trata-se de sistemas que leem documentos, interpretam comandos em linguagem natural, tomam decisões com base em aprendizado de máquina e executam ações integradas entre plataformas.

Esse movimento não é novo, mas alcançou uma nova escala com a integração da IA generativa a ferramentas de automação. E o que antes era privilégio de grandes bancos e multinacionais tornou-se acessível para empresas de médio porte, graças à proliferação de soluções SaaS, plataformas low-code e orquestradores de automação em nuvem.

Plataformas de segurança para IA + cibersegurança preditiva

O conceito de cibersegurança preditiva, já mapeado pelo Gartner como tendência estratégica, pressupõe uma mudança de postura. Em vez de simplesmente detectar e reagir a incidentes após sua ocorrência, as empresas passam a atuar de forma antecipada, utilizando algoritmos de previsão, análise comportamental e automação inteligente para bloquear ameaças antes que causem impacto.

No Brasil, essa abordagem ainda é nova, assim como o uso estruturado de agentes de IA dedicados à segurança digital. A maior parte das empresas ainda opera com ferramentas reativas, baseadas em assinaturas e regras fixas. Mas essa realidade começa a mudar, puxada principalmente pelos setores financeiro, telecom e varejo, onde os primeiros projetos com arquiteturas preditivas já mostram resultados concretos em redução de tempo de resposta e mitigação de riscos complexos.

Cloud computing e soberania de dados: a nuvem como ativo estratégico

De acordo com o Panorama Cloud 2025, levantamento realizado pela TOTVS em parceria com a H2R Pesquisas Avançadas, 77% das empresas brasileiras já utilizam serviços em nuvem no dia a dia, e 61% adotam a nuvem como infraestrutura principal, com sistemas, dados e aplicações operando diretamente em ambientes cloud, e não apenas como suporte a servidores locais.

A tendência, mapeada pelo Gartner como uma das mais relevantes para os próximos anos, reflete um movimento global em resposta a riscos geopolíticos, legislações extraterritoriais e disputas por autonomia tecnológica.

No Brasil, um marco dessa inflexão foi a criação da Nuvem de Governo Soberana, infraestrutura oficial lançada pelo Governo Federal em setembro passado. Operada por estatais como Serpro e Dataprev, com data centers localizados no país, ela abriga sistemas sensíveis da administração pública e já conecta mais de 250 órgãos.

Foto: Josh Sorenson / Pexels.com

Arquiteturas modernas de dados (Lakehouse + Data Mesh)

A explosão do volume de dados nas empresas brasileiras, somada à pressão por agilidade e qualidade analítica, acelerou a adoção de novas arquiteturas capazes de romper com os modelos tradicionais de armazenamento e consumo de informação. Duas dessas abordagens, Data Lakehouse e Data Mesh, vêm ganhando espaço em organizações que enfrentam dificuldades com silos, duplicidade de dados e lentidão na entrega de insights.

Essa tendência também está no radar do Gartner, que aponta o lakehouse como parte de uma evolução natural das plataformas de dados e o Data Mesh como uma das abordagens organizacionais mais promissoras para escalar analytics com eficiência.

Análises em tempo real e inteligência de decisões

Tomar decisões com base em dados atualizados, no momento em que os fatos ocorrem, deixou de ser vantagem competitiva para se tornar exigência operacional em setores como finanças, varejo e logística.

No Brasil, bancos usam análises em tempo real para barrar fraudes em milissegundos, empresas de e-commerce ajustam ofertas conforme o comportamento de navegação, e operadoras de telecom monitoram anomalias na rede com respostas automatizadas.

Mas o movimento não para no tempo real. O passo seguinte é a adoção da chamada inteligência de decisões (Decision Intelligence), que estrutura a tomada de decisão a partir de modelos analíticos, regras de negócio e machine learning, muitas vezes de forma autônoma. O Gartner lista o Decision Intelligence como uma das tendências mais relevantes até 2026.

Modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs)

Com o avanço da inteligência artificial generativa, empresas brasileiras começaram a perceber uma limitação importante nos modelos de linguagem generalistas: eles respondem bem em tarefas amplas, mas falham quando o contexto exige conhecimento técnico, terminologia especializada ou nuances regulatórias. É nesse ponto que ganham relevância os modelos de linguagem específicos por domínio, ou DSLMs – modelos treinados ou ajustados com dados próprios de setores como jurídico, financeiro, saúde ou varejo.

O Gartner prevê que, até 2028, a maior parte das aplicações de IA generativa corporativa será baseada em modelos específicos por domínio — não em LLMs genéricos. No Brasil, esse movimento é reforçado por dois fatores: a necessidade de operar em português com precisão e o esforço por manter dados sensíveis dentro do perímetro da empresa. A criação de DSLMs é, portanto, uma etapa natural na profissionalização da IA corporativa, e uma estratégia de diferenciação real num mercado cada vez mais saturado por soluções genéricas.

Conectividade: a base invisível da transformação digital

Nenhuma tendência tecnológica se sustenta sem uma infraestrutura de conexão confiável, rápida e distribuída. Neste ano, o Brasil avançou significativamente nesse quesito. Já são mais de 1.500 municípios com cobertura ativa de 5G, e cerca de 70% da população tem acesso à nova geração de redes móveis, segundo dados da Anatel. Ao mesmo tempo, o número de conexões por fibra óptica ultrapassou 45 milhões, consolidando o país como líder em banda larga fixa na América Latina. Essa nova malha de conectividade viabiliza tudo: IA em tempo real, sensores no campo, edge computing, streaming de alta resolução e operações digitais fora dos grandes centros.

O país ainda enfrenta desafios em áreas rurais e periferias urbanas, mas a infraestrutura montada nos últimos dois anos mudou o patamar, e preparou terreno para o próximo salto da digitalização.

O que essas tendências dizem sobre o futuro

Mais do que apontar tecnologias promissoras, o conjunto dessas dez tendências revela um padrão claro: o Brasil está entrando em um novo estágio de maturidade digital, em que eficiência, autonomia, governança e confiabilidade substituem o improviso, a dependência e o hype vazio. A IA segue no centro, mas deixa de operar sozinha, ganha corpo ao se integrar a dados bem estruturados, redes mais ágeis, arquiteturas flexíveis e ambientes de nuvem sob controle.

Nos próximos três anos, serão essas camadas, menos visíveis, mas estruturantes, que vão separar as organizações que crescem de forma sustentável daquelas que apenas aderem a modismos. E é nesse terreno que se define o papel da tecnologia não como ferramenta de suporte, mas como eixo de transformação estratégica no Brasil.

*diretor de Growth e Tecnologia da Selbetti.

IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025

com informações da Agência Brasil

O Brasil deverá fechar 2025 com safra recorde de 346,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O resultado representa um aumento de 18,2% em relação a 2024 (292,7 milhões de toneladas). Os dados são da estimativa calculada em dezembro de 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A previsão é de que em 2026, a produção seja menor. Segundo estimativas do IBGE, a safra brasileira em 2026 deve somar 339,8 milhões de toneladas, declínio de 1,8% em relação a 2025 ou 6,3 milhões de toneladas. 

Para a safra 2026, o IBGE informou que está incluindo a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando importância na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos anos, muito embora ainda tenham seu cultivo limitado a poucas unidades da federação.

Recorde

Para 2025, o IBGE prevê recorde da série histórica. O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo que, somados, representaram 92,7% da estimativa da produção e respondem por 87,9% da área a ser colhida. 

Para a soja, a estimativa de produção foi de 166,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica, que representa alta de 14,6% em relação a 2024. Para o milho, a estimativa também foi recorde,141,7 milhões de toneladas (crescimento de 23,6%). 

Outro recorde se refere à produção do algodão herbáceo em caroço, que chegou a 9,9 milhões de toneladas, um acréscimo de 11,4% em relação a 2024.

Já a produção do arroz em casca foi estimada em 12,7 milhões de toneladas (alta de 19,4%); a do trigo, em 7,8 milhões de toneladas (3,7% a mais que em 2024), e a do sorgo foi de 5,4 milhões de toneladas (35,5% a mais).

Foto: Laurenu021biu Boico / Pexels.com

Previsão para 2026

O prognóstico para 2026 divulgado nesta quinta foi o terceiro. Apesar de estimar uma produção em 2026 menor que em 2025, a previsão foi maior do que a do último prognóstico, divulgado em dezembro de 2024, pelo IBGE. Em relação ao segundo prognóstico, houve crescimento de 4,2 milhões de toneladas – alta de 1,2% na previsão para este ano.

De acordo com o IBGE, o declínio da produção de 2026 em relação à safra 2025 deve-se, principalmente, à menor estimativa para o milho (-6% ou -8,5 milhões de toneladas), para o sorgo (-13% ou -700,2 mil toneladas), para o arroz (-8% ou -1 milhão de toneladas), para o algodão herbáceo em caroço (-10,5% ou -632,7 mil toneladas) e para o trigo (-1,6% ou -128,4 mil toneladas).

Já para a soja, o IBGE estima um crescimento de 2,5% ou 4,2 milhões de toneladas. A produção do feijão também deve crescer 3,1% na primeira safra, chegando a 30,1 mil toneladas.