Brasil deve voltar a exportar carne in natura para os EUA

Brasil e Estados Unidos assinam, nesta quinta-feira (28/07), acordo bilateral para venda da carne bovina in natura brasileira para o país norte-americano. O acordo é um contrato sanitário e fitossanitário. Desde que todas as exigências sejam cumpridas, ele garante que não sejam levantadas barreiras para a venda da carne em função de burocracia.

Um contrato desse tipo define regras sobre como a carne deve chegar a cada um dos países envolvidos, inclusive temperatura, forma de armazenamento e outros aspectos que garantem que aquele produto não fará mal aos consumidores ou trará impactos ecológicos indesejados.

Segundo o diretor de Acesso a Mercados e Competitividade, da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, João Rossi, o mercado americano é bastante competitivo, assim como o brasileiro.

“O acordo é importante. Os EUA são um dos maiores mercados do mundo. Extremamente competitivo, então isso é um atestado da qualidade e da competência do nosso setor”, argumentou o técnico.

Potencial de vendas para os EUA

Segundo ele, esse acordo tem um potencial grande. “Mas só poderemos ter uma estimativa ao longo dos próximos meses. Depois de tanto tempo, a gente conseguiu vencer todos os obstáculos”, celebrou.

Os Estados Unidos dão cotas de exportação para Países que querem vender para eles. Algumas nações têm cotas específicas. O Brasil entrou em uma categoria na qual ele disputa o mercado com outros concorrentes. A cota total desse grupo é de 64,8 mil toneladas por ano.

Venda de carne para os EUA

“A gente já vem negociando há bastante tempo a abertura bilateral. O mercado americano é um mercado considerável e competitivo. Claro que a gente vislumbra um crescimento nas exportações”, ponderou Rossi.

Na avaliação do técnico do ministério, essas vendas vão depender do preço. “Vai depender do preço, se conseguimos chegar lá com um preço competitivo” observou.

“A gente exporta pro mundo inteiro, não tem porque não ter uma boa inserção no mercado americano”, explicou. As exportações devem começar até dezembro.

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Presidente da CNA entrega propostas a Michel Temer para fortalecer a agropecuária

O presidente da República em exercício, Michel Temer, recebeu do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins e diretores da instituição, o documento “Dez medidas para garantir o crescimento e fortalecimento da agropecuária brasileira”, contendo propostas para garantir o crescimento sustentado da atividade no país. A entrega foi feita em audiência, nesta quinta-feira (28/07), no Palácio do Planalto.

A CNA, conforme o documento entregue, entende como prioritário para fortalecer o segmento a ampliação do alcance da política agrícola para todos os produtores rurais, independente de seu porte. Espera, ainda, melhoria nas condições de acesso ao crédito rural e desburocratização dos instrumentos de política agrícola. Outro ponto considerado estratégico diz respeito à modernização das relações trabalhistas, com ênfase na reforma da Previdência Social, com adoção da idade mínima para a aposentadoria.

Para o vice-presidente diretor da CNA e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), José Mário Schreiner, a criação de um plano plurianual agropecuário é medida crucial para dar visão de longo prazo aos produtores, mesmo com eventuais ajustes, a cada ano. Dentro da porteira “o produtor rural brasileiro é um dos mais eficientes do mundo, mas da porteira para fora enfrenta enormes custos financeiros devido à precariedade das rodovias, ferrovias e portos do país”, assinalou. A CNA também espera medidas que garantam a segurança jurídica para o produtor definir seus investimentos.

Durante a audiência, a diretoria da Confederação manifestou preocupação com a medida do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de restabelecer a exigência de licença ambiental anual para os produtores rurais poderem plantar. “Era uma norma que estava suspensa e entrou em vigor novamente em recente ato do governo federal”, explicou Schreiner. A diretoria da CNA pediu ao presidente em exercício a revogação da medida. O assunto será tratado nos próximos dias com o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

José Mário Schreiner citou os números de julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgados nesta semana pelo Ministério do Trabalho. A agricultura foi o único setor da economia brasileira que gerou emprego em junho, mais de 38 mil novas vagas. No total, no mês passado, foram fechados mais de 91 mil postos de trabalho nas outras atividades econômicas. Para o vice-presidente da CNA, esse cenário mostra “a força do setor agropecuário, que vem sustentando fortes superávits comerciais, amenizando a crise econômica, mas o setor precisa de medidas pontuais que possam manter essa liderança”.

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Presidente em exercício Michel Temer recebe representantes da CNA (Foto: Beto Barata / PR)

 

Variação de preços na Ceasa/DF ultrapassa 76%

da redação do Agricultura e Negócios

Na Central de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa/DF) os preços dos produtos são monitorados semanalmente, e no último levantamento, alguns itens chamaram a atenção dos pesquisadores. O limão e o mamão, por exemplo, tiveram alta de 14% no valor. Já o tomate, que chegou a ser o vilão das feiras em 2013 – após altas constantes no preço – teve uma redução de 26%.

Dois produtos se destacam na comparação entre os meses de julho de 2016 e o mesmo período do ano passado. O alho, pela alta de 76%, e a cebola, pela queda de 70%.

Segundo o chefe de estatística da Ceasa/DF, Fernando Nogueira, essa variação ocorre em virtude de diversos fatores, entre eles a sazonalidade das colheitas, que aumentam ou diminuem a oferta dos produtos; a demanda do mercado externo por determinados itens; e o valor do dólar, que favorece ou prejudica as importações/exportações. Isso sem falar na instabilidade financeira que o Brasil atravessa, que de acordo com Nogueira, tem feito com que a compra média das famílias diminua.

Essa variação que é sentida rapidamente no atacado, demora um pouco mais para chegar ao varejo. Os mercados compram em grande quantidade dos fornecedores, e por isso tem margem para negociar os preços.

Para o economista Ronalde Lins, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, a saída para o consumidor escapar da alta dos preços é pesquisar, e aproveitar as promoções e os ‘dias de desconto’, que alguns estabelecimentos oferecem, como a ‘terça da carne’, a ‘quarta verde’, etc.

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Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Brasil será maior produtor de soja até 2025, diz FAO

O Brasil vai se tornar o maior produtor de soja do mundo dentro dos próximos dez anos, ultrapassando os Estados Unidos. A previsão foi feita pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).

O organismo internacional publicou um estudo chamado Agricultural Outlook 2016-2025, que traz perspectivas para a produção agrícola no mundo nos próximos anos.

Segundo o documento, a produção brasileira passará de 89 milhões de toneladas, em média, para 136 milhões de toneladas.

Caso esse desempenho se confirme, representará uma expansão de 52,8% entre 2015 e 2025. O estudo avalia que a produção da oleaginosa continuará a crescer na América Latina puxada também por outras regiões que não apenas o Brasil.

Argentina e Paraguai terão papel importante nesse avanço, atingindo 70 milhões de toneladas e 13 milhões de toneladas respectivamente.

Atualmente, os três maiores exportadores de soja do mundo são Estados Unidos, Brasil e Argentina. Juntos, os três respondem por 87% de todas as vendas.

Terras produtivas

A FAO projeta ainda que Brasil e Argentina serão responsáveis, na próxima década, por parte considerável no aumento da produção no campo. Pelo menos 20 milhões de hectares a mais usados pela agricultura serão incorporados por esses dois países.

O relatório ainda aponta que a alta do dólar frente a maioria das moedas vai fortalecer os mercados produtores de açúcar, principalmente o Brasil.

O documento avalia que o Brasil, até 2025 voltará a ser o maior produtor global de açúcar – com esse avanço, o País será responsável por 41% das exportações do produto no mundo.

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EUA, Brasil e Argentina respondem por 87% das exportações globais do grão. (Foto: Jonas Oliveira / ANPr)

 

Curtas

  • O Banco do Brasil anunciou R$ 101 bilhões de reais para financiar a safra agrícola que começa a ser plantada agora. Deste total, R$ 91 bilhões vão para produtores e cooperativas. Os outros R$ 10 bilhões serão para empresas da cadeia do agronegócio.
  • Convênio de R$ 3,2 milhões vai reforçar defesa sanitária de Mato Grosso do Sul. Os recursos serão aplicados na vigilância da fronteira seca com o Paraguai e a Bolívia.
  • Conab vistoria estoques públicos em Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Distrito Federal. Os fiscais verificam, entre outros quesitos, as condições de armazenagem, a conservação e a quantidade de grãos armazenados. No caso de perdas, os armazenadores terão que indenizar a Conab. Para os desvios identificados, a irregularidade é informada ao Ministério Público e à Polícia Federal.