Nova soja convencional combina produtividade e controle de plantas daninhas

Embrapa Soja (PR) e a Caramuru Alimentos lançaram, durante o TecnoShow Comigo, a cultivar de soja BRS 579, que alia alto potencial produtivo à alternativa para o manejo de plantas daninhas em sistemas convencionais de cultivo.

A nova variedade é indicada para produtores do centro-norte de Mato Grosso (região edafoclimática sojícola REC 402) que buscam cultivares de ciclo médio a tardio, o que corresponde aos grupos de maturação (GM) entre 7.0 e 9.0+. A cultivar pertence ao GM 7.9 e, portanto, tem “um ciclo condizente com o sistema de produção da região, podendo ser utilizado para escalonamento da colheita e para a semeadura no início da safra”, explica o pesquisador Roberto Zito, da Embrapa Soja.

A BRS 579 se destaca pela sanidade, com moderada tolerância ao nematoide de galha (Meloidogyne javanica) e resistência às raças 3 e 14 do nematoide de cisto da soja, importantes patógenos na região de cultivo.

Escudo genético

A BRS 579 possui também a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias). As sulfoniluréias são um grupo químico de herbicidas inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase). Herbicidas dessa categoria já são registrados e utilizados na soja com restrições, especialmente de dose, pois podem provocar fitotoxicidade para a cultura, o que não ocorre para as cultivares de soja STS, como a BRS 579.

O pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja, explica que a fitotoxicidade é um dano que um herbicida causa na soja. Pode ocorrer devido a diversos fatores, como erro de dosagem, condições climáticas adversas, estresse das plantas, entre outros. Entre os prejuízos possíveis, estão: amarelecimento, necrose, deformações e atraso no crescimento da planta

A tecnologia STS funciona como um “escudo genético”. Enquanto a soja pode sofrer severas perdas de produtividade ao entrar em contato com herbicidas do grupo das sulfoniluréias, as variedades STS possuem tolerância natural a essas moléculas. “Isso permite que o agricultor aplique o produto em pós-emergência (quando a soja já está crescida), eliminando as infestantes que competem por nutrientes e luz”, pontua Adegas.

“Com essa nova solução tecnológica, entregamos ao produtor não apenas uma semente, mas produtividade associada a uma ferramenta de manejo capaz de trazer mais tranquilidade e rentabilidade no final da safra”, complementa Zito.

Para os pesquisadores, o grande diferencial da soja STS é oferecer alternativa ao uso exclusivo do glifosato, principal herbicida utilizado nas cultivares transgênicas que estão no mercado. A tecnologia possibilita o controle eficaz de plantas de difícil manejo e resistentes a outros produtos no campo, mantendo o vigor e o crescimento inalterados enquanto garante alta produtividade.  “Essa nova cultivar pode ser integrada a diferentes sistemas de manejo, sendo uma ferramenta essencial para a rotação de princípios ativos, o que prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis no mercado”, reforça Adegas.

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StoneX projeta superávit global de 10 milhões de sacas de café em 2026, mas alerta para volatilidade

A oferta global de café deve superar a demanda em 2026, com um superávit estimado em 10 milhões de sacas, segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros. A projeção aponta para uma produção de 182,5 milhões de sacas, frente a um consumo de 172,5 milhões, permitindo a recomposição dos estoques globais para patamares acima de 48 milhões de sacas, após quatro anos consecutivos de queda até 2024 e leve recuperação em 2025. 

Apesar do cenário mais confortável, o mercado ainda não deve se perceber plenamente abastecido. A recuperação ocorre a partir de uma base historicamente apertada e segue marcada por desequilíbrios regionais, além de incertezas relacionadas ao clima, tensões geopolíticas, políticas comerciais e à evolução de regulações como o EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento), que exige rastreabilidade e comprovação de que produtos importados não estejam associados ao desmatamento. 

“O mercado entra em 2026 com uma perspectiva mais confortável do ponto de vista de oferta, mas ainda longe de um cenário de estabilidade. A recomposição dos estoques acontece de forma desigual porque o aumento de produção está concentrado em algumas origens, como o Brasil, enquanto regiões consumidoras relevantes ainda operam com níveis historicamente baixos”, afirma o especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Leonardo Rossetti. 

O crescimento da produção global, estimado em 9,6% na comparação anual – ante 166,5 milhões de sacas em 2025, com base em números revisados -, é puxado principalmente pelo Brasil. O país deve registrar safra recorde de 75,3 milhões de sacas em 2026/27, alta de 20,8% na comparação anual, impulsionada pela recuperação dos danos climáticos da temporada anterior e pelo avanço estrutural da produção, especialmente do café robusta.

Outras regiões também contribuem para o aumento da oferta, ainda que de forma heterogênea. Na Ásia, a produção do Vietnã deve crescer quase 10%, após recuperação de condições climáticas adversas. Na África, países como Uganda e Costa do Marfim devem elevar a produção do continente em 3,6% na comparação anual. 

Por outro lado, nem todas as origens acompanham esse ritmo. Na América Central, a produção deve recuar levemente, com queda inferior a 1% no total. Já a Colômbia deve produzir cerca de 12,6 milhões de sacas, abaixo das 13,5 milhões registradas no ciclo anterior, reforçando a heterogeneidade da oferta global. 

No campo dos estoques, a expectativa é de recuperação consistente. O volume global deve subir de cerca de 38 milhões para mais de 48 milhões de sacas em 2026. No Brasil, principal pilar desse movimento, os estoques podem crescer em aproximadamente 5 milhões de sacas na comparação anual. 

Ainda assim, a recomposição não ocorre de forma homogênea. Na Europa, tradicional amortecedor do mercado, os estoques voltaram a se aproximar do limite inferior da faixa histórica em 2025, após queda superior a 2 milhões de sacas entre 2024 e 2025, com recuperação gradual prevista para 2026. Nos Estados Unidos, os estoques de café verde recuaram de mais de 6 milhões de sacas em 2022 para menos de 1 milhão em 2025, com expectativa de leve recuperação neste ano. Já o Japão apresenta uma queda mais moderada, porém persistente ao longo dos últimos anos. 

“A recomposição dos estoques é um movimento relevante, mas acontece após uma sequência prolongada de quedas e com distribuição irregular entre regiões produtoras e consumidoras. Isso mantém o mercado sensível, já que nem todas as regiões conseguem recompor estoques no mesmo ritmo”, destaca Rossetti. 

Do lado da demanda, o consumo global de café, que recuou cerca de 2,5% em 2025, deve se recuperar em ritmo semelhante em 2026, com alta também estimada em 2,5%. O avanço é sustentado pela desaceleração da inflação e pela melhora gradual das condições econômicas, especialmente em mercados como Estados Unidos, Brasil e Japão. 

Ainda assim, os preços seguem elevados e continuam impactando o consumo. No Brasil, a inflação do café superou 80% em meados de 2025 e encerrou o ano ainda cerca de 35% acima do período anterior. Nos Estados Unidos, a inflação permaneceu acima de 30% ao longo de 2025, com sinais mais claros de alívio apenas no início de 2026. Já na zona do euro, os preços encerraram 2025 com alta em torno de 18%, mantendo trajetória de desaceleração.

Nesse contexto, 2026 deve se consolidar como um ano de transição para o mercado global de café, com melhora nos fundamentos, mas ainda sujeito a oscilações. 

“Embora o superávit reduza o risco de eventos extremos, o mercado segue vulnerável. Pequenos choques de oferta ou demanda ainda podem gerar impactos relevantes nos preços, o que exige acompanhamento constante dos fundamentos”, conclui Rossetti.

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Calor recorde aumenta pressiona o campo e acelera busca por eficiência no uso de insumos

O anúncio recente de que a Terra registrou níveis recordes de acúmulo de calor em 2025, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), acende um alerta que vai além dos debates ambientais e já impacta diretamente setores estratégicos da economia. Entre os mais sensíveis a essa mudança está o agronegócio, que começa a sentir de forma mais intensa os efeitos de um clima cada vez mais imprevisível.

Na prática, o aumento das temperaturas e a maior frequência de eventos extremos têm alterado o comportamento das lavouras, favorecendo a proliferação de pragas, o surgimento de novas doenças e o estresse hídrico das plantas. O resultado aparece na redução da produtividade, no aumento dos custos e na dificuldade de planejamento por parte dos produtores.

Esse cenário tem exigido uma mudança de mentalidade no campo. Mais do que intensificar o uso de insumos, o momento pede eficiência. A forma como os produtos são aplicados, absorvidos e aproveitados pelas plantas passa a ser um fator decisivo para garantir resultado em um ambiente cada vez mais adverso.

De acordo com especialistas do setor, o impacto do calor não se limita ao desenvolvimento das culturas, mas também interfere diretamente na performance das soluções utilizadas no manejo agrícola. “Quando falamos em aumento de temperatura, estamos falando também de maior volatilização, menor absorção e maior risco de perda de eficiência dos insumos. Em um cenário como esse, não basta aplicar, é preciso garantir que aquilo que foi aplicado realmente gere resultado”, Loremberg Moraes diretor da Hydroplan-EB, Há 26 anos no agronegócio brasileiro, a empresa combina inovação, sustentabilidade e tecnologia para impulsionar resultados no campo.

Diante dessa nova realidade, tecnologias voltadas para a melhoria da eficiência de aplicação têm ganhado espaço no campo. Soluções que potencializam a aderência, aumentam a absorção e reduzem perdas passam a desempenhar um papel estratégico, ajudando o produtor a extrair mais resultado com o mesmo investimento.

Além de contribuir para a produtividade, esse movimento também dialoga com uma demanda crescente por práticas mais sustentáveis. Reduzir desperdícios e otimizar recursos torna-se não apenas uma vantagem competitiva, mas uma necessidade diante das mudanças climáticas.

Com o avanço do aquecimento global e a tendência de maior instabilidade climática nos próximos anos, especialistas apontam que o agro deve continuar na linha de frente dos impactos e também das soluções. Mais do que nunca, produzir bem passa a depender de inteligência no manejo e eficiência em cada etapa do processo.

Canton Fair ganha força entre empresários brasileiros e vira rota prática para reduzir custos e ampliar margens

A Canton Fair, maior feira multissetorial do mundo realizada em Guangzhou, na China, ocorre duas vezes ao ano e já tem calendário definido para 2026. A edição de primavera será dividida em três fases, com a primeira entre 15 e 19 de abril, focada em eletrônicos, maquinários e ferramentas; a segunda entre 23 e 27 de abril, voltada a bens de consumo, decoração e brindes; e a terceira entre 1º e 5 de maio, concentrada em têxteis, moda, saúde e alimentos. 

Realizada no maior complexo de exposições da China, a feira reúne mais de 30 mil expositores e compradores de mais de 200 países. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que a Ásia lidera as exportações globais de manufaturados, consolidando a China como eixo estratégico de fornecimento para empresas de diferentes portes.

Rodrigo Lopes, CEO Global do Grupo RPX e especialista em importação empresarial, afirma que o evento deixou de ser apenas uma vitrine e passou a exigir preparação técnica por parte dos empresários. “A Canton Fair não é um lugar para improviso. Quem não chega com estratégia definida perde tempo e oportunidade. A feira é grande demais para ser explorada sem planejamento”, diz.

A divisão por fases, segundo ele, é um dos primeiros pontos que precisam ser considerados. Cada etapa atende a segmentos específicos, o que impacta diretamente nos resultados da viagem. “O empresário precisa entender exatamente em qual fase o produto dele está. Ir na fase errada significa não encontrar os fornecedores certos”, afirma.

A preparação começa antes mesmo do embarque. Definir categorias de interesse, estudar fornecedores e alinhar objetivos comerciais são etapas essenciais para transformar a visita em negociação concreta. “Quem chega já sabendo o que quer comprar, qual volume pretende negociar e qual posicionamento busca para o produto consegue avançar muito mais rápido”, explica.

Além da organização prévia, a forma como o empresário aproveita a feira determina o retorno da viagem. A recomendação é estruturar uma agenda diária, priorizar estandes estratégicos e registrar informações detalhadas de cada fornecedor. “Quem trata a feira como passeio volta com cartão de visita. Quem trata como operação volta com negociação encaminhada”, afirma.

Durante a feira, a abordagem também influencia o resultado. A recomendação é priorizar fornecedores com estrutura produtiva consistente, histórico de exportação e capacidade de personalização. Esse processo permite não apenas reduzir custos, mas também desenvolver produtos exclusivos e ajustar características conforme o público brasileiro. “Não é só preço. É capacidade de entrega, qualidade e consistência. O barato sem validação técnica pode sair caro depois”, alerta.

A participação no evento tem impacto direto na competitividade das empresas. Ao eliminar intermediários, os negócios conseguem melhorar margens, reduzir o preço final ao consumidor ou ampliar a rentabilidade. Isso cria vantagem em mercados cada vez mais pressionados por custo e diferenciação. “Quem compra direto do fabricante consegue trabalhar melhor preço, mas principalmente ganhar controle sobre o produto. Isso muda o posicionamento da empresa no mercado”, diz.

Esse movimento também amplia a possibilidade de criação de marcas próprias, estratégia que vem sendo adotada por empresas de varejo, e-commerce, distribuição e até prestadores de serviço que buscam novas fontes de receita. “A feira permite sair da revenda e entrar na construção de marca. Isso aumenta a margem e cria valor no longo prazo”, afirma.

Na prática, diferentes perfis de negócios conseguem aproveitar a Canton Fair. Desde pequenos e médios empresários que buscam iniciar na importação até empresas estruturadas que querem escalar operações, diversificar portfólio ou desenvolver linhas exclusivas. “Não é um evento só para grandes empresas. O que define o resultado não é o tamanho do negócio, é o nível de preparo”, explica.

Outro diferencial está na leitura de mercado. A feira funciona como um ambiente de inteligência competitiva, onde é possível identificar tendências, comparar produtos e entender padrões internacionais de qualidade e inovação. “O empresário que observa bem consegue antecipar movimentos e tomar decisões mais estratégicas no Brasil”, afirma.

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A etapa pós-feira é considerada uma das mais críticas. A validação de fornecedores, análise de amostras, negociação de contratos e estruturação logística determinam o sucesso da operação. “O erro de muitos empresários é achar que o trabalho termina na feira. Na verdade, ele começa ali”, diz.

O avanço da presença brasileira no evento também tem impulsionado a busca por suporte especializado, principalmente para quem participa pela primeira vez. Ir acompanhado de uma assessoria ou guia técnico pode acelerar decisões e evitar erros comuns, como negociar com fornecedores inadequados ou não entender exigências regulatórias. “Com orientação, o empresário ganha tempo, evita riscos e consegue focar no que realmente importa, que é fechar bons negócios”, afirma.

Esse tipo de suporte inclui curadoria de fornecedores, tradução, acompanhamento nas negociações e direcionamento estratégico dentro da feira, o que aumenta significativamente a eficiência da visita. “A feira é muito grande. Sem direcionamento, o empresário se perde. Com estratégia e apoio, ele transforma dias de evento em resultado concreto”, diz.

A edição de outono segue lógica semelhante, com fases distribuídas entre 15 de outubro e 4 de novembro, mantendo a divisão por segmentos e reforçando a importância do planejamento antecipado.

Para empresários que buscam utilizar a Canton Fair como estratégia de crescimento, a preparação, a escolha correta da fase e a capacidade de execução após o evento são fatores que determinam o retorno. “Quem entende como usar a feira constrói vantagem competitiva. Não é só sobre comprar melhor, é sobre estruturar um negócio mais eficiente e com mais margem”, conclui.

Tecnoshow COMIGO 2026 começa valorizando a força do agronegócio goiano

Teve início a 23ª edição da Tecnoshow COMIGO, uma das principais feiras de tecnologia rural do Brasil e consolidada como vitrine estratégica para inovação, geração de negócios e difusão de conhecimento no agronegócio. O evento, que tem como tema central “O Agro Conecta”, segue até o dia 10 de abril, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde (GO), reunindo produtores rurais, pesquisadores, empresas e especialistas de diversas regiões do país.

Presente no primeiro dia do evento, durante coletiva de imprensa, o governador de Goiás, Daniel Vilela, reforçou o apoio à feira, que, segundo ele, enaltece a competência dos goianos e a força do agronegócio, principal referência econômica do estado e do país. “Faço questão de estar aqui hoje, no início da Tecnoshow, não só para prestigiar este grande evento, mas também os produtores e o sudoeste goiano, região de alta produtividade e qualificação profissional rural. Nossa presença reforça, como governo do estado, o reconhecimento e o prestígio a esse setor que alavanca a economia goiana e brasileira”, destacou.

Também presente na coletiva, o prefeito Wellington Carrijo enfatizou que a cidade está preparada para o fluxo de visitantes durante a feira: “Nosso comércio local espera um movimento semelhante ao do ano passado. Nossos hotéis estão com 100% de ocupação, impactando positivamente cidades vizinhas, como Jataí e Santa Helena, que também estão com a rede hoteleira aquecida. Sem dúvida, a Tecnoshow COMIGO é um orgulho para a nossa cidade e para todo o estado”.

O presidente do Conselho de Administração da COMIGO, Antonio Chavaglia, destacou o momento econômico desafiador do agronegócio e reforçou o papel da Tecnoshow na difusão de tecnologia para a agricultura e a pecuária, por meio da presença das empresas expositoras.

“Agradeço aos empresários que vieram prestigiar a feira, tanto os locais quanto os de outras regiões, além das instituições de pesquisa que estão aqui trazendo novas cultivares e lançamentos importantes para o setor. Esse movimento é fundamental para ajudar a reduzir a pressão sobre o agronegócio brasileiro. Vivemos um cenário delicado no país, com impactos que vão muito além do campo”, afirmou.

“Sabemos que o cenário mundial ainda traz muitas incertezas, com conflitos e impactos que afetam diretamente os custos dos insumos, do transporte e da produção. Por isso, é preciso cautela, planejamento e responsabilidade para atravessar este momento. Os altos custos do petróleo, dos insumos e do transporte tornam cada vez mais difícil garantir margem ao produtor, seja na agricultura ou na pecuária”, completou Chavaglia.

Ao final, ele também comentou a expectativa para a edição 2026: “Espero que este ano traga bons resultados para todos, permitindo que o produtor faça suas análises, avalie investimentos e encontre oportunidades”.

Após a coletiva, foram realizados a revista da guarda e o hasteamento das bandeiras no estande do Governo do Estado. Na ocasião, o governador, o prefeito de Rio Verde e o presidente do Conselho de Administração da COMIGO assinaram o termo que transfere a capital para o município até sexta-feira (10). Durante a Tecnoshow COMIGO, Rio Verde assume o posto de capital de Goiás.

Fotos: Divulgação

Pastagem plantada por mudas permite mais produtividade na criação de bovinos no semiárido brasileiro

O Ceará segue vencendo os desafios da agropecuária, que é um dos motores da economia da região. Em 2025, agropecuária cearense cresceu 5,30% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, superando o Produto Interno Bruto (PIB) que registrou crescimento de 2,25%, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A atividade tem potencial para crescer ainda mais, porém os produtores rurais da região enfrentam grandes desafios relacionados ao clima.  A seca prolongada no semiárido prejudica a produção de pastagem natural para alimentação dos bovinos em volume e qualidade necessária. Outros desafios são apontados por produtores locais como a falta de acesso à tecnologia e a práticas inovadoras e eficientes de manejo do gado, principalmente para as pequenas e médias propriedades. Nas grandes, em alguns casos, investir em irrigação e tecnologia torna o processo oneroso. A avaliação é do zootecnista, especialista em produção de ruminantes e pastagens e MBA em gestão de negócios pela FGV, Oswaldo Stival Neto. 

Segundo ele, pecuaristas têm buscado alternativas eficientes e com custo-benefício mais interessantes para estimular o aumento da produtividade e a sustentabilidade no pasto. Uma das inovações que tem ganhado espaço nas fazendas do estado é o plantio de mudas clonadas e melhoradas geneticamente do capim Tifton 85, que traz benefícios, mesmo se comparada à alimentação por meio de forragem conservada, a silagem, ou de feno, prática comum no Nordeste, no período de seca.

O zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens, Oswaldo Stival Neto, explica que essa espécie, que resulta do cruzamento de uma gramínea de clima subtropical a temperado dos EUA com uma de clima tropical da África, criada em 1992 nos Estados Unidos. Seu cultivo não se propagou no passado por ele ser um híbrido , ou seja , seu plantio não se dá via sementes , e o método que se propagou antigamente  por plantio de ramas não se tinha por muitas vezes sucesso na implantação , além da dificuldade de encontra um material com origem o que inibiu a adesão a ele por um tempo. Mas, a empresa Amazon mudas , tornou seu plantio possível através de mudas clonadas e plantio mecanizável por plantadeiras , diante de seus resultados, agropecuaristas têm cada vez mais experimentado a alternativa.

“O que os números nos mostram é que  o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, a metade do volume do Tifton 85, em relação ao que os produtores precisam servir de forragem, já vai suprir a demanda alimentar dos animais. Ou seja, no mesmo 1 hectare de área, o produtor consegue fornecer alimento para no mínimo o dobro de animais”, explica ele.  

Um exemplo é o da  fazenda  São José, localizada no município de Russa, no Ceará, onde os produtores implantaram a gramínea Tifton 85, que oferece ao gado cerca do dobro do valor nutritivo que o capim braquiária, que é mais comum nas fazendas brasileiras. Ela também produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens. 

Segundo Oswaldo Neto, com o uso do Tifton 85, é possível aumentar a produtividade na criação de gado em até 10 vezes mais do que a média nacional, saltando de uma média de uma para sete cabeças por hectares.  e ainda proteger o solo da erosão, contribuindo para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. 

A pastagem foi adotada na propriedade em uma forma inovadora, desenvolvida pela Amazon Mudas, que resolveu o gargalo do plantio, pois suas sementes não germinam. “Com a tecnologia que desenvolvemos, clonamos as mudas e fazemos seu melhoramento genético. Após isso, transferimos para o pasto com o plantio feito por máquinas plantadeiras, como no caso de mudas de tomate”, exemplifica Oswaldo Stival. 

Oswaldo ainda explica que este período em que o Ceará tem sua quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é muito importante para os pecuarista investirem na recuperação de suas pastagens, plantando gramíneas mais resistentes, que retém melhor a umidade e têm mais resistência em período de seca, como o Tifton 85, pois os benefícios serão sentidos durante todo o ano e ao longo do tempo. 

Pastagem da Fazenda São José, no Ceará, após o fim do processo de implantação do capim Tifton 85 (Fotos: Divulgação)

Pastagem mais resistente à seca

O zootecnista Oswaldo Stival Neto explica que o Tifton 85 apresenta mais resistência e robustez, mesmo na estiagem porque produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens.

“A partir do momento que ele não deixa o solo exposto, qualquer chuva que já venha a ter na área, vai fazer a retenção da umidade no solo e por não deixar o solo exposto ao sol, evita que aquela umidade se evapore”, explica.

De acordo com ele, mesmo com a oscilação das chuvas e o espaçamento maior entre uma e outra, além do sol muito quente, o Tifton 85 mantém a umidade do solo, suficiente para propiciar o crescimento da gramínea. Assim,  o volume de forragem costuma ser maior em relação às demais forrageiras, como a braquiária. 

E não somente isso, enfatiza Oswaldo Stival Neto. Se o plantio do Tifton 85 for feito no princípio das chuvas, aliado a uma adubação estratégica, a planta vai reter a umidade já buscando o nutriente fornecido pelo adubo, o que vai acelerar mais ainda o seu crescimento. “Assim já teremos já de início a planta produzindo muita massa  e também explorando um grande potencial da proteína bruta, oferecendo também mais qualidade  em valor nutricional. Desta forma, fornecemos condições para o animal ter um alto ganho de peso ou uma alta produção de leite”, detalha o especialista.

Fazenda Vale do Rio Verde (MT) mostra viabilidade da agricultura regenerativa no agro

Práticas como rotação de culturas, plantio direto e manutenção da cobertura do solo, bastante consolidadas em parte do campo brasileiro, estão na base do conceito de agricultura regenerativa e ganham protagonismo no debate sobre sustentabilidade no agronegócio.

Nesse cenário, a Fazenda Vale do Rio Verde (MT), do grupo Bom Futuro Agrícola, avança na aplicação de boas práticas ao integrar o projeto-piloto de agricultura regenerativa da Mesa Redonda Global da Soja Responsável (RTRS), iniciativa que coloca o tema em foco e serve como um modelo prático e escalável para avançar na sustentabilidade no setor de soja.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional, uso intensivo de dados e adoção contínua de boas práticas agronômicas. Hoje, a propriedade produz soja, milho e algodão com produtividade alinhada ou acima da média regional, combinando desempenho econômico e foco na longevidade do solo.

Na prática, o diferencial está na capacidade de testar a agricultura regenerativa dentro de uma operação comercial, com metas claras de rentabilidade. “Estamos falando de uma fazenda produtiva, que valida práticas diretamente no campo, ajustando o que é necessário para garantir viabilidade técnica e econômica”, compartilha a gerente Ambiental da Bom Futuro Agrícola, Elaine Lourenço.

Segundo ela, a participação no piloto permite transformar conceitos em indicadores concretos. “Esse processo gera aprendizados sobre o que realmente funciona, em que ritmo as práticas podem ser implementadas e sob quais condições”, destaca.

Entre as estratégias adotadas estão a rotação estruturada de culturas, a manutenção da cobertura do solo, o uso mais eficiente de insumos e o monitoramento contínuo das condições físicas e biológicas do solo. O objetivo é reduzir riscos produtivos e aumentar a resiliência do sistema.

“O resultado é um solo mais equilibrado, maior estabilidade de produtividade e menor dependência de correções emergenciais, que elevam custos”, explica Elaine.

Padrão RTRS como ferramenta de gestão

Certificada RTRS desde 2021, a fazenda também utiliza o padrão como ferramenta de gestão. A certificação da produção de soja, de acordo com Elaine, tem papel estratégico ao organizar processos, ampliar a rastreabilidade e preparar a operação para mercados mais exigentes. “Mais do que um selo, a certificação RTRS estrutura a tomada de decisão, reduz riscos e fortalece a credibilidade da produção”, realça.

A Fazenda Vale do Rio Verde teve sua primeira certificação em 2022, quando o grupo da Louis Dreyfus Company – Bom Futuro Agrícola – iniciou o processo de certificação RTRS. A última auditoria recebida foi em 2025, abrangendo 15 propriedades dentro do grupo, com um total de mais de 612 mil toneladas de soja certificada em mais de 145 mil hectares. Desde a primeira certificação em 2022, o grupo já havia registrado mais de 58 mil toneladas de soja certificada em mais de 13 mil hectares.

Desde a adoção do padrão, a propriedade avançou na organização de dados, no monitoramento de indicadores e na qualificação das decisões agronômicas, tornando a operação mais previsível e robusta.

Do campo para o protocolo

A experiência da Fazenda Vale do Rio Verde, certificada dentro da cadeia da LDC, também tem influenciado diretamente a construção do protocolo de agricultura regenerativa da RTRS.

Um dos principais avanços do projeto-piloto foi a mudança de abordagem na avaliação das práticas. Em vez de focar apenas na adoção de novas técnicas, o modelo passou a considerar e valorizar ações já implementadas pelos produtores ao longo dos anos.

“A experiência da fazenda mostrou a importância de evidenciar práticas que já estão no campo, muitas vezes sem o devido reconhecimento, mas que representam avanços concretos em sustentabilidade”, reforça a gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, Ana Laura Andreani.

Segundo ela, dar visibilidade a essas iniciativas é fundamental para fortalecer a credibilidade do protocolo e ampliar a adesão no setor.

Na avaliação da consultora externa da RTRS, Helen Estima Lazzari, o envolvimento da fazenda também contribuiu para tornar os indicadores mais aderentes à realidade produtiva. “O projeto avançou na construção de métricas mais sensíveis à prática do campo, capazes de reconhecer tanto os primeiros passos quanto os avanços já consolidados”, explica.

Para ela, esse ajuste é decisivo para engajar produtores. “Ao reconhecer o que já foi feito, o protocolo reforça o protagonismo do produtor na transição para sistemas agrícolas mais regenerativos”, conclui.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional (Foto: RTRS / Divulgação)

Sobre a RTRS

Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.

Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.

Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.

Mesmo com safra recorde, crise sistêmica desafia o agro brasileiro

O agronegócio brasileiro vive um paradoxo. Enquanto o país caminha para colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos e mantém o crescimento do PIB do setor, aumenta o número de produtores rurais endividados e em dificuldade financeira. De acordo com dados do Serasa, em 2025, foram registrados 1.990 pedidos de recuperação judicial no campo, um aumento de 56,4% em relação aos 1.272 registrados em 2024.

A contradição se acentua diante dos números da produção. Projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra de soja 2025/2026 deve superar 178 milhões de toneladas, puxada principalmente por estados do Centro-Oeste como Goiás e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, a rentabilidade caiu: a saca da soja, que chegou a cerca de R$ 200 em 2022, gira hoje em torno de R$ 100, reduzindo drasticamente as margens.

A advogada especialista em Direito Agrário e do Agronegócio, Márcia de Alcântara, do escritório Celso Cândido de Souza Advogados, explica que esse cenário revela uma crise que vai além da gestão individual e atinge toda a estrutura do agro. “A análise macroeconômica não reflete o que acontece no campo. O produtor está produzindo mais, mas não necessariamente lucrando. Em muitos casos, ele está operando no limite ou até no prejuízo”, afirma.

Segundo Márcia, um dos motores dessa crise  é o próprio modelo de produção. “Com margens apertadas e dívidas acumuladas, o produtor amplia a área plantada para tentar compensar perdas. Só que isso aumenta o risco e pode aprofundar o endividamento”, explica. Contratos como CPRs, operações de barter e compromissos com tradings também pressionam a manutenção da produção, mesmo em cenários desfavoráveis.

O peso das dívidas vem aumentando. O endividamento rural já ultrapassa R$ 1,3 trilhão no Brasil, com cerca de 30% desse total ligado a bancos e cooperativas de crédito. Em alguns casos, as taxas podem chegar a 25% ao ano. “O custo do dinheiro virou um dos principais problemas do agro. Muitas vezes, o financiamento da safra já nasce comprometido”, diz.

O clima também agrava o cenário. Enquanto o Sul enfrenta quebras de safra com estiagens e enchentes, estados do Centro-Oeste, como Goiás, lidam com chuvas irregulares que comprometem o desenvolvimento das lavouras e elevam os custos com irrigação. “O clima deixou de ser uma variável previsível e passou a ser um fator constante de insegurança”, aponta.

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Além disso, os custos de produção seguem pressionando. Fertilizantes nitrogenados tiveram alta em 2025 e o mercado de defensivos movimentou cerca de US$ 11 bilhões em 2024. O diesel, essencial para máquinas e transporte, também encarece a operação, especialmente em regiões distantes dos portos.

Para a advogada, a crise atinge principalmente pequenos e médios produtores, que têm menos acesso a ferramentas de proteção financeira. “A crise do agro hoje é estrutural e multifatorial. Nesse contexto, a assessoria jurídica tem se tornado estratégica para renegociar dívidas, revisar contratos e evitar a perda de patrimônio. Enquanto não houver um enfrentamento mais amplo desses desequilíbrios, o país vai continuar convivendo com essa contradição: recordes de produção de um lado e produtores financeiramente fragilizados do outro”, conclui.

Brasil Soberano é ampliado com mais R$ 15 bi para apoio ao setor produtivo

com informações da Agência BNDES de Notícias

Por meio da Medida Provisória 1.345/2026, o Governo Federal ampliou o Plano Brasil Soberano, com mais R$ 15 bilhões de orçamento. O plano é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Também foi sancionada a Lei Federal nº 15.359/26 que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação, cujo projeto de lei (nº 6139/23) foi aprovado no Congresso Nacional no início deste mês.

Os recursos do Brasil Soberano vão apoiar as empresas brasileiras exportadoras e aquelas relevantes para a balança comercial nacional em meio a razões geopolíticas e de instabilidade internacional, como é o caso daquelas afetadas pela guerra no Oriente Médio e as que ainda enfrentam as medidas tarifárias impostas pelo governo do Estados Unidos.

Serão até R$ 15 bilhões em recursos que poderão utilizar: o superávit financeiro do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), apurado em 31 de dezembro de 2025, inclusive do principal; o superávit financeiro, apurado em 31 de dezembro de 2025, de fontes supervisionadas por unidades do Ministério da Fazenda; e outras fontes orçamentárias. Terão direito à linhas de crédito a empresas exportadoras de bens industriais e seus fornecedores e aquelas que atuam em setores industriais com relevância no comércio exterior brasileiro.

“No ano passado, o Brasil Soberano aprovou mais de R$ 16 bilhões em crédito para as empresas mais atingidas pelo tarifaço imposto unilateralmente pelos Estados Unidos. Agora, com o Brasil Soberano 2, o governo do presidente Lula vai apoiar empresas de setores que ainda sofrem com tarifas elevadas, como siderúrgico, metalúrgico e automotivo, no segmento de autopeças, assim como aqueles setores relevantes para a balança comercial brasileira, como farmacêutico, de máquinas e equipamentos e eletrônicos, além de outros setores importantes, impactados com a falta de fertilizantes devido aos conflitos que acontecem em outros países. É um apoio muito importante, sobretudo para garantir a manutenção dos empregos e da competitividade das empresa nacionais”, explica o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

As linhas de crédito vão financiar: capital de giro; aquisição de bens de capital ou investimentos para adaptação da atividade produtiva; investimentos que propiciem a ampliação da capacidade produtiva ou adensamento da cadeia; investimentos em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos; e outras hipóteses, conforme estabelecido em ato conjunto dos Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Fazenda.

As condições, encargos financeiros, prazos e demais normas regulamentadoras das linhas de financiamento serão estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços definirão os critérios de elegibilidade às linhas de financiamento e demais normas complementares necessárias à implementação.

“O governo do presidente Lula mais uma vez se antecipa para apoiar a indústria brasileira e preservar empregos. Os recursos serão fundamentais para garantir às empresas produtividade e competitividade no mercado internacional”, afirmou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

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Exportação de serviços – O projeto de lei que cria o Sistema Brasileiro de Crédito Oficial à Exportação moderniza o seguro e o financiamento às exportações brasileiras e traz aprimoramentos para a atuação do BNDES. A nova lei consolida o alinhamento das práticas brasileiras às internacionalmente adotadas e dá segurança jurídica e política ao corpo técnico do Banco.

A garantia de maior transparência será adotada com a criação de um portal único para centralizar as informações sobre todas as operações aprovadas. Uma vez por ano, o BNDES vai apresentar à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal o portfólio de projetos. A medida permitirá maior interlocução e acompanhamento mais próximo por parte dos congressistas.

A nova lei incorpora regra que já constava em normativos internos do Banco e que estabelecia que países inadimplentes com o Brasil não poderão tomar novos empréstimos com o BNDES até a regularização da sua situação. O PL também estabelece mecanismos para incentivar operações que envolvam economia verde e descarbonização. Outra novidade é a possibilidade de cobertura do risco comercial enfrentado pelas micro, pequenas e médias empresas em operações com prazo de até 750 dias na fase de pré-embarque. Até então, o limite era de 180 dias.

A lei também estabelece regras para operacionalizar o Fundo Garantidor de Operações de Comércio Exterior (FGCE), instituído pela Lei Federal 12.712/2012 como um fundo com natureza jurídica de direito privado, criado para dar suporte a exportações brasileiras contra riscos comerciais.

Funrural terá aumento de alíquotas a partir de 1º de abril e Receita deve intensificar fiscalização no campo

A aprovação da Lei Complementar nº 224/2025, no fim do ano passado, trouxe mudanças nos incentivos e benefícios fiscais que passam a produzir efeitos diretos sobre o setor agropecuário. Entre os impactos está o aumento das alíquotas do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural), que começa a valer em 1º de abril de 2026 e atinge produtores que recolhem a contribuição com base na receita bruta da comercialização.

Segundo Viviane Morales, advogada, sócia proprietária e diretora da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, a alteração impacta diretamente os produtores que utilizam a receita bruta como base de cálculo da contribuição. “Na prática, a alíquota efetiva do produtor rural pessoa física sobe de 1,5% para 1,63% sobre a receita bruta da comercialização. Já para o produtor rural pessoa jurídica, a alíquota passa de 2,05% para 2,23%. O aumento real da carga corresponde a 0,13 ponto percentual para pessoa física e 0,18 ponto percentual para pessoa jurídica”, explica.

De acordo com a especialista o impacto é automático, pois a contribuição incide diretamente sobre a receita bruta do produtor. Já, os produtores que optaram pelo recolhimento do Funrural com base na folha de pagamento não serão afetados, porque a forma de tributação é diferente e não foi atingida pelas alterações legais.

Além da elevação de custos, Viviane orienta que produtores revisem o planejamento tributário para avaliar se o modelo de recolhimento permanece vantajoso. A recomendação é analisar os valores da folha de pagamento e comparar com a tributação incidente sobre a comercialização da produção.

A especialista também alerta para a necessidade de atenção operacional. A partir de 1º de abril, o recolhimento deverá seguir os novos percentuais, com destaque correto nas notas fiscais, pois a exigência será fiscalizada. “Essa é uma mudança que aumenta o custo do produtor em um momento desafiador para o setor, exigindo adaptação às novas regras e maior rigor nos procedimentos fiscais”, finaliza a especialista.