A revisão dos contratos de produtos agrícolas em virtude da guerra entre Rússia e Ucrânia: possibilidade de aplicação da teoria da impressão ao caso

por Rafael Guimarães*

É sabido que os agricultores brasileiros têm se questionado sobre o ônus com relação aos prejuízos de uma venda de grãos com preço pré-determinado, e isso tem tomado proporções econômicas e jurídicas quando incidem alguns fatores como a alta do dólar ou mesmo a pandemia mundial que ainda perdura. Um exemplo bem ilustrativo acontece justamente nos contratos de venda de soja a cooperativas e tradings. O agricultor, tendo em vista o preço da saca de soja na data da assinatura do contrato, se compromete a entregar determinada quantidade de sacas dentro de alguns meses, com um pequeno acréscimo ao preço da época da assinatura do contrato. A situação ganha contornos preocupantes quando algum fenômeno inesperado ocorre durante a vigência do tratado, ou seja, no período compreendido entre o acordo e a data marcada para a entrega, fenômeno este que implica em um aumento do custo do agricultor, que tem o dever de entregar o produto com preço pré-fixado e, por consequência, pode ficar sujeito a grandes prejuízos em um negócio que parecia vantajoso.

Pois bem, nossa jurisprudência já havia se posicionado no sentido de que a alta do dólar, ou mesmo a pandemia mundial, não seriam fatores que pudessem minimizar os prejuízos do agricultor, ou mesmo fazê-lo dividir esses prejuízos com as empresas contratantes. Preceitua nosso Judiciário que os exemplos aqui mencionados são fatores classificados como esperados e que estariam abarcados pelo risco do agronegócio. Portanto, ainda nos exemplos mencionados, não haveria espaço para a aplicação da teoria da imprevisão, qual seja, o contido nos artigos 317, 478, 479 e 480 do Código Civil, pois, dentre outros fatores, os referidos eventos não se enquadram como caso fortuito ou força maior para efeitos do art. 393 do Código Civil. Tais dispositivos legais, em resumo, preceituam que, quando um evento inesperado implica em uma onerosidade excessiva para uma das partes contratantes, o magistrado pode resolver equitativamente a questão, sem determinar a aplicação específica como anteriormente avançado pelas partes. Com relação à pandemia mundial, nosso ordenamento já previa no art. 7.º da Lei 14.010/2020, a inaplicabilidade da teoria da imprevisão e, como dito, nossa jurisprudência avaliza tal entendimento e, também, veda a aplicação de tal teoria a situações como alteração cambial.

Ocorre que, quando ainda estudantes, os acadêmicos de direito, segundo parte da doutrina, estudam a força maior como expressão reservada aos fenômenos naturais inevitáveis, tais como raios, tempestades e outras catástrofes naturais, e o caso fortuito como o ato ou o fato estranho à vontade das partes, imprevisível, tais como greves, revoluções internas e, curiosamente, as guerras! Não bastasse a guerra hodierna que envolve Rússia e Ucrânia, dois dos maiores produtores de grãos do mundo, sendo a primeira a principal produtora de fertilizante, insumo vital para a produção de grãos que, embora o governo brasileiro tenha despendido esforços para manter a importação de tal produto russo, o insumo vem sofrendo uma disparada no preço no mercado mundial com a guerra . Ou seja, a grosso modo, estamos diante de um evento inesperado que pode causar onerosidade excessiva a uma das partes contratantes? A resposta parece ser positiva. Trata-se um evento inesperado e com grandes consequências para as negociações agrícolas, não bastasse ser o exemplo típico de caso fortuito das faculdades de Direito.

Foto: Russian Defence Ministry / TASS

A grande questão ficará para o destinatário do prejuízo. Ou seja, quem arca com os prejuízos em um contrato agrícola de venda futura que foi substancialmente afetado em virtude da guerra? A resposta parece estar na interpretação dos art. 478 a 480 do Código Civil, que preceituam por uma resolução equitativa. No exemplo mencionado, no caso de um aumento abrupto do produto no momento da entrega, poderá o magistrado, analisando casuisticamente, aumentar também o preço no momento da entrega para o contrato, calibrando o prejuízo entre as partes contratantes, não permitindo que somente uma delas arque com os prejuízos decorrentes do conflito.

Sendo assim, segundo nosso sentir, a guerra que ora acontece entre Rússia e Ucrânia, que ocasione uma alteração excessiva no preço do grão a ser entregue, pode ser classificado como caso fortuito e ser utilizado como fundamento pelo magistrado para que ambas as partes contratantes de contrato agrícola arquem com os prejuízos decorrentes deste conflito de âmbito mundial.

*Sócio fundador do Medina Guimarães Advogados.  Cursa pós-doutorado pela Universidade de Bolonha-Itália. É Doutor em Direito pela PUC-SP. Especialista em Direito Ambiental e Mudanças Climáticas pela PUC-SP e Professor na pós-graduação na Universidade Paranaense – UNIPAR.

Rede UMA comemora dois anos com programação especial na Agrishow

Fortalecer a atuação das mulheres, proporcionar capacitação e parcerias, além de incentivar o empreendedorismo. Essa é a missão da Rede UMA – União das Mulheres do Agro, que completa dois anos de atuação neste mês de abril e terá uma comemoração em grande estilo na Agrishow, em Ribeirão Preto, interior paulista, no estande da John Deere.

No dia 26 de abril, das 15h às 17h, a Rede UMA promoverá um encontro especial que irá falar sobre grandes temas do agronegócio com produtoras rurais e representantes do setor dentro e fora da porteira. A roda de conversa será comandada pelas irmãs Cristiane Steinmetz e Adriane Steinmetz, que são produtoras rurais em Mineiros (GO), influenciadoras digitais e têm colhido grandes resultados desde que iniciaram a Rede UMA juntamente com a mãe, Clélia Steinmetz.

Já estão confirmadas para o evento a Presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teka Vendramini; a produtora e dirigente sucroenergética Maria Christina Pacheco; a pecuarista e presidente do Sindicato Rural de Cáceres, em Mato Grosso, Ida Beatriz Machado; a produtora rural de Goiás e ganhadora do Prêmio Mulheres do Agro Bayer Abag, Sônia Bonato; a pecuarista do Mato Grosso do Sul e influencer Andressa Biata; a produtora rural do Paraná e ganhadora do Prêmio Mulheres do Agro Bayer Abag Carla Rossato; além de Isabela Aranovich, Gerente de Estratégia e Sustentabilidade da John Deere; Rosineide Alves de Campos, Gerente Geral de Negócios da Ciarama Máquinas Ltda; e Giovana Teixeira, CEO da Agrinorte. “Quisemos trazer mulheres que representam vários Estados brasileiros e várias culturas, para falarmos sobre os desafios do agronegócio, as tendências e o nosso papel como mulheres e profissionais do agro. Será enriquecedor”, afirma Cristiane Steinmetz, formada em Direito e pós-graduada em Liderança Executiva e Gestão Empresarial.

Nesses dois últimos anos, milhares de mulheres já foram impactadas pela Rede UMA, seja por meio de treinamentos, parcerias e benefícios exclusivos ou através do relacionamento proporcionado por grupos em redes sociais. Além de incentivar o empreendedorismo entre as mulheres do agro, a Rede UMA lançou, nesse período, duas marcas que fazem grande sucesso, a Coleção Joias do Agro e o Projeto PerfUMA, ambos que tratam da feminilidade e dos cuidados de cada mulher consigo mesma.

“Nós proporcionamos o desenvolvimento das mulheres em todos os sentidos, como profissionais do agro e como mulheres. Sempre recebemos mensagens de que a Rede UMA foi um divisor de águas na vida de muitas delas. Queremos cada vez mais trabalhar o conceito de ser mulher, nossa postura, posicionamento, reconhecimento e aceitação da forma como somos. E, assim, continuar fazendo a diferença na vida de milhares de mulheres”, afirma Adriane Steinmetz, que também é jornalista, pós-graduada em neurociência e comportamento e palestrante.

Alguns números sobre a Rede UMA

  • de 8 mil seguidores no instagram
  • 76 mil visualizações no site
  • de 10 grupos de mulheres do agro espalhados pelo Brasil
  • integrantes de 6 países
  • milhares de mulheres conectadas pela Rede
  • parcerias exclusivas com grandes empresas do agro
  • de 10 bolsas em cursos via sorteio solidário
  • de 80 mulheres inscritas e cursando Programa de Capacitação
  • de 500 famílias beneficiadas por ações sociais com apoio da Rede UMA
  • de 120 artigos publicados sobre mulheres do agro
  • de 10 palestras gratuitas exclusivas no site

Para mais informações, acesse o site http://www.umaportodas.com.brwww.umaportodas.com.br

Evento na Agrishow – Especial dois anos Rede UMA
Data: 26/04/2022
Horário: das 15h às 17h
Local: Estande da John Deere – Agrishow

Agrishow – De 25 a 29 de abril
Local: Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira, km 321
Ribeirão Preto/SP

Valor da Produção Agropecuária de 2022 deve chegar a R$ 1,227 trilhão

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2022 deve alcançar R$ 1,227 trilhão, 2,4% acima do obtido em 2021, que foi de R$ 1,199 trilhão, conforme dados de março.

A estimativa de janeiro indicou um crescimento real do VBP de 4,3%, quase o dobro do crescimento observado em março. A estiagem no Sul do país durante os meses de plantio foi o que mais impactou os resultados.

O valor das lavouras cresceu 7,5%, e o da pecuária, sofreu uma retração de -8,5%.

Os produtos com bom desempenho do VBP são: algodão em pluma, aumento real de 42,2%; banana, 17,7%; batata inglesa, 11,4%; café, 55,7% (conillon e arábica); cana-de -açúcar, 28,4%; feijão, 8,7%; laranja, 10%; milho, 24,1%; tomate, 32,6%; e trigo, 4,8%.

“Esses resultados podem ser atribuídos, em geral, aos aumentos de produção e aos preços. Nesse grupo, destacamos a contribuição de produtos relevantes, como cana-de-açúcar, café, algodão e laranja, que deram grande impulso ao VBP. Entre os produtos que têm apresentado pior desempenho estão soja e arroz, afetados por redução de preços e por menor produção”, informa nota da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Em relação à pecuária, houve retração, motivada pela queda de preço, redução das exportações (quantidade) no primeiro trimestre e os preços dos insumos para as rações, especialmente para suínos e frangos, e leite. “Além da redução da quantidade exportada de carne de frango, houve redução de 42,6% nas exportações de carne suína em relação ao trimestre de 2021, e redução de 18,0% na quantidade de carne bovina”.

 Já a Região Sul foi a mais afetada pela seca, apesar de todo o impacto ainda não ter sido registrado. “Produtos importantes ainda encontram-se em campo, como o milho de segunda safra, e o trigo cujo plantio ainda está iniciando. A retração da produção de soja e milho foi acentuada, como mostraram os levantamentos divulgados em março pelo IBGE e Conab”.

A quebra na safra de soja no Rio Grande do Sul é estimada em 50,8%; a do milho, 32%, e a do arroz irrigado, 11,1%. Para toda região, a perda de safra de soja foi de 44,2%, equivalente a 19 milhões de toneladas de grãos.

Cibersegurança: os desafios para a implementação do 5G no agronegócio

por Jeferson D’Addario*

Segundo a IDC Brasil (International Data Corporation), o 5G deve gerar investimentos de US$ 25,5 bilhões até 2025 no mercado brasileiro. Inteligência artificial, internet das coisas (IoT), computação em nuvem (cloud), big data e cibersegurança estão entre as áreas que serão beneficiadas com a chegada do 5G no Brasil. De acordo com o estudo, as companhias brasileiras investirão cerca de US$ 1,6 bilhão somente em serviços de cibersegurança, alta de 17,6% em relação a 2021. Porém, não é tão simples assim! Para a implementação efetiva do 5G, é necessário mais tempo do que se imagina.

No Brasil, existem muitas questões burocráticas de autorizações, impostos excessivos e um grande problema de infraestrutura. Sem falar da falta de mão de obra qualificada para implementar, ensinar ou proteger, já que temos uma desigualdade educacional e um país continental.

O 5G é a melhor solução para o agronegócio brasileiro?

Na década de 80 e 90, os negócios precisaram ser transformados com o uso em redes de computadores e começamos a diminuir as fronteiras sociais e comerciais com as BBS e provedores de internet. O agronegócio brasileiro, que é referência, não ficou para trás, e logo se transformou acompanhando aquele momento mundial.

Prometendo uma velocidade de rede 100 vezes maior, a tecnologia 5G traz inúmeras oportunidades para diversas áreas. O relatório publicado em 2020, pelo Fórum Econômico Mundial, com o nome de Future Series: Cybersecurity, emerging technology and systemic risk – INSIGHT REPORT, em parceria com a Universidade de Oxford, apresentou dados e informações que estimam em US$ 13,2 trilhões o potencial econômico do 5G até 2035.

Com a chegada da tecnologia, o agronegócio brasileiro, imprescindível para o PIB brasileiro, ajudará a aumentar a competitividade em relação a outros países mais desenvolvidos e reduzir custos operacionais, podendo ser um dos mais beneficiados. O 5G e uma infraestrutura segura permitirão mais tecnologia e produtividade para os grandes produtores e empresas do setor.

Esta infraestrutura tecnológica permitirá o avanço no uso de dispositivos inovadores, como por exemplo: drones, automação de veículos e propriedades, novas telemetrias e monitoramentos. Além disso, poderemos ter startups explorando o 5G com geomapeamento de terras com IoT, inteligência artificial e robôs numa escala jamais vista. Portanto, o agro brasileiro, que já é uma referência no mundo, poderá escalar e melhorar a competitividade em vários fatores, possibilitando também aos pesquisadores, agrônomos e institutos um melhor aproveitamento e conhecimento.

Vale ressaltar ainda que o 5G é um recurso de infraestrutura tecnológica e de comunicação que possibilitará um avanço na transformação digital para o agro. Acredito que ajudará no controle da qualidade e produtividade do setor. A tecnologia associada a ciência e pesquisa, poderá auxiliar no desenvolvimento de negócios e startups do segmento nos próximos anos.

Destaco ainda que tecnologias como 5G, internet das coisas, inteligência artificial e robotização terão um grande apelo de sustentabilidade, o que é importante para fundos de investimento que levam em conta o ESG (Environmental, Social and Governance), e isto para o agronegócio brasileiro, pode ser diferencial competitivo e mais lucro a médio e longo prazo.

5G, cibersegurança e agronegócio

Mas devemos ter um ponto de atenção: os alvos clássicos dos cibercriminosos em todos os países são as infraestruturas críticas, ou seja, setores de telecomunicações, financeiro, saúde, transporte, produção de alimentos, energia e governo. É possível notar que qualquer nova tecnologia com potencial de negócios, na casa de bilhões de dólares, é tão atraente para os empresários como é para os cibercriminosos. O 5G é uma novidade e, como acontece com toda nova tecnologia, hackers trabalham para criar golpes e obterem informações e dados. Como já dizia Clive Humby: “dados são o novo petróleo”.

Com isso, o agronegócio e tudo relacionado a ele são potencial alvos para cibercriminosos, e quanto antes começarem a investir em cibersegurança e gestão de segurança da informação e da privacidade, melhor preparados estarão para implementação do 5G. Atualmente, os investimentos ainda são pequenos comparados com a riqueza gerada por este segmento no Brasil. Nesse sentido, a área de cibersegurança precisará de mais recursos para contribuir com a segurança digital do agronegócio.

*CEO do Grupo DARYUS, professor coordenador do MBA em Gestão e Tecnologia em Segurança da Informação (GTSI), do MBA em Gestão de Risco e Continuidade de Negócios (GRCN) do Instituto DARYUS de Ensino Superior Paulista (IDESP) e consultor sênior em Continuidade de Negócios e Gestão de Riscos.

Consumo nos lares brasileiros cresce 2,26% no primeiro bimestre

com informações da Agência Brasil

O consumo nos lares brasileiros cresceu 2,26% no primeiro bimestre de 2022 na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (AbrasMercado).

Na comparação com fevereiro de 2021, o crescimento foi de 3,98%. Em relação a janeiro, o indicador recuou 0,90%. De acordo com a Abras, a queda é explicada pelo efeito calendário, ou seja, um menor número de dias em fevereiro quando comparado ao mês anterior.

Segundo a Abras, após o início do ano com crescimento positivo, mas em ritmo moderado, o indicador de consumo das famílias corresponde a estimativa do setor supermercadista, que prevê alta de 2,80% para 2022. “O consumo nos lares foi positivo neste primeiro bimestre, ainda que diante de uma inflação elevada e da alta taxa de desemprego”, destacou o vice-presidente Institucional da ABRAS, Marcio Milan.

Um dos fatores que, segundo Milan, tem contribuído para a manutenção do consumo das famílias é a consolidação de transferência de renda via programas sociais, como o Auxílio Brasil. Ele lembrou que o cenário no primeiro bimestre do ano passado era instável e o consumidor vivia na incerteza do recebimento do auxílio emergencial, com o fim do pagamento do benefício decretado em dezembro de 2020 e a retomada somente a partir de abril de 2021.

“Neste ano, desde fevereiro, o pagamento benefício extraordinário, o Auxílio Brasil, é certo para ao menos 18 milhões de famílias em todo o país até o final do ano. Esse dinheiro em mão traz certa segurança para o consumidor”, analisou.

A Abras estima que o Saque Extraordinário do Fundo de Garantia (FGTS), cuja previsão é a de liberação de R$ 30 bilhões para 42 milhões de pessoas pode contribuir para o aumento de consumo.

AbrasMercado

O AbrasMercado (cesta de 35 produtos de largo consumo) registrou alta de 1,33% em fevereiro na comparação com o mês anterior. Assim, o preço na média nacional passou de R$ 709,63 em janeiro para R$ 719,06 em fevereiro. No acumulado de 12 meses, a cesta nacional registra alta de 13,53%.

Segundo a Abras, as maiores altas em fevereiro foram puxadas pela batata (23,49%), feijão (4,77%), cebola (3,26%), ovo (2,79%) e farinha de trigo (2,76%). No sentido contrário, apresentaram queda o pernil (-3,01%), o frango congelado (-2,29%), o queijo prato (-0,15%), o sabão em pó (-0,14%), o leite em pó integral (-0,05%) e o refrigerante pet (-0,05%).

A Região Sudeste teve a maior variação no preço médio da cesta, com alta de 1,58%, passando de R$ 689,11 em janeiro para R$ 700,00 em fevereiro. A segunda maior variação ocorreu na Região Centro-Oeste, de 1,57%, passando de R$ 651,78 em janeiro para R$ 661,99 em fevereiro. Nas outras regiões, as maiores variações mensais no preço da cesta foram respectivamente: Sul (1,21%), Nordeste (1,18%), Norte (1,15%).

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Agricultura e Negócios: site concorre ao Prêmio iBest pelo segundo ano consecutivo

Pelo segundo ano consecutivo, o site Agricultura e Negócios concorre ao prêmio iBest 2022. O portal de notícias disputa a indicação para a fase final na categoria Economia e Negócios. Jayme Vasconcellos, editor de conteúdo do site, também está concorrendo na categoria Influenciador do Ano – Brasília e Influenciador LinkedIn.

E como a votação popular é fundamental, pedimos sua participação. Basta clicar no link da premiação, fazer um rápido cadastro, e votar. É importante lembrar que é possível votar a cada 24 horas. Ou seja, se você gosta de nosso conteúdo, vote, vote novamente e continue votando!

Prêmio iBest

Com sua primeira edição em 1995, o prêmio iBest é considerado por especialistas como a premiação mais importante da internet do Brasil. Chamado até de “Oscar”, é uma das principais referências de qualidade dos empreendimentos ligados ao setor da internet e da tecnologia da informação no país.

IBGE: Brasil deve ter safra recorde de grãos

com informações da Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reduziu sua estimativa para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas neste ano. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado em março, a estimativa é que o país feche 2022 com uma safra de 258,9 milhões de toneladas, 1% abaixo (ou 2,7 milhões de toneladas a menos) que o volume previsto na pesquisa de fevereiro.

Mesmo com a redução da previsão de um mês para outro, o Brasil ainda deve ter safra recorde este ano, com uma produção 2,3% acima (ou 5,7 milhões de toneladas a mais) que no ano passado, de acordo com o IBGE.

O recorde anterior havia ocorrido em 2020, quando foram produzidos 255,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas.

Estimativas

A redução da previsão de fevereiro para março foi puxada pelas quedas nas estimativas de produção da soja (-5,6%), da primeira safra de milho (-3,8%), da uva (-9,5%) e do tomate (-1,9%).

Apesar disso, nesse período houve melhoras nas estimativas de safra da segunda safra do milho (4,9%), algodão herbáceo (3,7%), feijão (3%), aveia (3,3%), sorgo (0,5%) e trigo (9,6%). O arroz teve uma leve variação de -0,1%.

A área a ser colhida em 2022 deve chegar a 71,8 milhões de hectares, segundo a pesquisa de março, 0,8% acima da prevista em fevereiro e 4,7% acima da registrada no ano passado.

Produção agrícola deve chegar a 269,3 milhões de toneladas, diz Conab

com informações da Agência Brasil

A produção de grãos no Brasil poderá chegar a 269,3 milhões de toneladas na safra 2021/22. O número é 5,4% maior do que o registrado na safra anterior, correspondendo a um acréscimo de 13,8 milhões de toneladas, caso se confirmem as expectativas anunciadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A previsão, no entanto, é menor do que a divulgada no primeiro levantamento da companhia, que projetava uma safra de 288,6 milhões de toneladas. Com isso, o volume divulgado hoje representa uma redução de 6,7% (ou 19,3 milhões de toneladas), em relação à projeção anterior.

Segundo a Conab, essa queda nas expectativas se deve às “condições climáticas adversas” observadas nos estados da Região Sul e no centro-sul de Mato Grosso do Sul, com perdas maiores na soja e no milho.

“O resultado até o final desta safra vai depender muito do comportamento climático, fator preponderante para o desenvolvimento das culturas”, explica o presidente da Conab, Guilherme Ribeiro.

“Entre os meses de março e abril, aproxima-se a conclusão da semeadura da segunda safra brasileira, na qual se destaca a cultura do milho. As chuvas foram mais regulares em toda a região produtora, inclusive no sul do país, o que permitiu o plantio em boas condições de umidade. O produtor fez sua parte. Agora vamos esperar pelo clima”, acrescentou.

O levantamento estima que a área plantada total no país é de 72,9 milhões de hectares, o que representa crescimento de 4,4% na comparação com a safra 2020/21. “Os maiores incrementos de área são observados na soja, com 4,1% ou 1,6 milhão de hectares e, no milho, com 6,5% ou 1,3 milhão de hectares”, detalha a Conab.

Soja

A soja tem produção prevista em 122,4 milhões de toneladas, o que representa redução de 11,4% em relação à safra anterior. “As boas precipitações ocorridas em praticamente todo o país ajudaram na recuperação de uma pequena parcela de lavouras semeadas tardiamente na Região Sul e em Mato Grosso do Sul, mas não reverteram o quadro de queda da produtividade, já anunciado em levantamentos anteriores”, informa o diretor de Informações Agropecuárias e Políticas Agrícolas da Conab, Sergio De Zen.

Os estados do Rio Grande do Sul, Paraná e de Mato Grosso do Sul são os mais atingidos pelo recente déficit hídrico. A Conab acrescenta que a maioria dos outros estados conseguiu “produtividades superiores às obtidas na última safra, com destaque para o Piauí, com rendimento positivo de 12,7%”.

Segundo a Conab, a queda na produção do país foi amenizada principalmente pelo aumento de 4,1% da área semeada, alcançando 40,8 milhões de hectares nesta safra.

Milho

Já a produção estimada de milho é de 115,6 milhões de toneladas, número 32,7% maior do que o registrado no ciclo anterior. De acordo com a companhia, a colheita da 1ª safra do cereal “está adiantada, na 2ª predomina a fase de desenvolvimento e a 3ª safra inicia o plantio a partir da segunda semana de abril”.

A Conab acrescenta que, apesar do aumento no volume total, é importante registrar a forte queda de 20,4% na produtividade da região Sul durante a primeira safra, fato que, segundo a entidade, “causou uma redução de até 15,6% da produção naquela região”.

“Isso é explicado por um severo déficit hídrico causado pela ausência de chuvas no Sul do país ao fim de 2021 e início de 2022”, diz a superintendente de Informações da Agropecuária, Candice Santos.

“Por outro lado, cabe apontar que a companhia projeta um aumento de 36,3% da produtividade do milho ao longo da segunda safra, dado que permitirá uma produção de 88,5 milhões de toneladas do cereal no segundo ciclo”, acrescenta.

Algodão, arroz e feijão

No caso de algumas outras culturas, como é o caso do algodão, as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento, aliadas ao ganho de área, “o que deve resultar numa produção de 2,83 milhões de toneladas da pluma, 19,9% superior à safra passada”.

Para o feijão a previsão é de uma safra de 3,1 milhões de toneladas, resultado 7,6% acima do registrado na safra anterior. “A primeira safra da leguminosa está com a colheita encerrada, a segunda está em andamento e a terceira safra com o plantio ocorrendo a partir de meados de abril”, detalha a Conab.

A produção estimada de arroz está estimada em 10,5 milhões de toneladas (10,5% inferior ao volume da safra passada). Deste total, 9,7 milhões de toneladas têm como origem o cultivo irrigado e 0,8 milhão de toneladas com o plantio de sequeiro.

Nas culturas de inverno (aveia, canola, centeio, cevada trigo e triticale), a semeadura ainda é incipiente e deve chegar com produção de 7,9 milhões de toneladas para o trigo.

Mercado

O levantamento de abril manteve a estimativa para 2022 das exportações de algodão em 2,05 milhões de toneladas, de arroz em 1,3 milhão de toneladas e de feijão em 200 mil toneladas.

“Para o trigo, considerando que a previsão de volume exportado entre agosto de 2021 e março de 2022 já supera 2,8 milhões de toneladas, é esperado um aumento no período correspondente ao ano comercial que vai até julho. Diante disso, a estimativa é que sejam exportadas 3 milhões de toneladas. Confirmado esse número, será o recorde da série histórica para o trigo”, informou, em nota, a Conab.

No caso da soja, houve redução no volume estimado de exportações, passando de 80,16 milhões de toneladas para 77 milhões de toneladas. A companhia explica que essa redução foi motivada por um “maior direcionamento para a produção e exportação de óleo, em detrimento do grão”.

No caso do milho, as vendas externas devem aumentar em 2 milhões de toneladas e atingir a marca de 37 milhões de toneladas. Este aumento está provavelmente relacionado à demanda internacional aquecida. Com isso a estimativa é de uma “elevação de 77,8% das exportações do grão na safra 2022, compreendida entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023”, detalha o superintendente de Estudos de Mercado e Gestão da Oferta da Conab, Allan Silveira.

Com relação aos estoques finais esperados para as principais commodities brasileiras, o superintendente confirma que, no caso do milho, as alterações “não foram significativas”, sendo o estoque de passagem para a safra 2021/22 previsto em 10,84 milhões de toneladas, aumento de 5,16% em relação ao último levantamento e de 40,61% em relação à safra 2020/21, em consequência da perspectiva de recuperação da segunda safra.

Para a soja em grãos, a expectativa é que o estoque ao final deste ano seja de 2,5 milhões de toneladas – praticamente em estabilidade em relação ao último levantamento.

A Conab informa que, em relação aos preços médios mensais dos produtos nas principais praças, foi observado, na comparação entre fevereiro e janeiro, redução de 0,3% no preço do milho no Paraná.

Por outro lado, houve elevação de 2,4 % no feijão preto no Paraná; de 0,3% nos preços do algodão em Mato Grosso; de 8,8% no arroz no Rio Grande do Sul; 7,6% no feijão cores em São Paulo; 4,0% no preço do milho em Mato Grosso; de 10,4% nos preços do trigo no Paraná; e de 3,3% e 3,2% nos preços da soja nos estados de Mato Grosso e do Paraná, respectivamente.