Projeto internacional sobre biodiversidade apresenta ‘espécies do futuro’ nativas do Brasil

Realizado nos dias 27 e 28 de novembro em Brasília, o Simpósio Internacional Biodiversidade para Alimentação e Nutrição apresentou os resultados do projeto Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade para a Melhoria da Nutrição e do Bem-estar Humano, conhecido como Biodiversidade para Alimentação e Nutrição ou BFN (sigla para Biodiversity for Food and Nutrition). Unindo quatro países (Brasil, Quênia, Sri Lanka e Turquia), a iniciativa tem o objetivo de despertar a sociedade para os benefícios do uso sustentável da biodiversidade na alimentação, com implicações tanto na nutrição humana quanto no futuro das espécies.

Por ocasião do Simpósio, foram apresentadas publicações e outras ferramentas de capacitação e de pesquisa. O propósito dos pesquisadores é sensibilizar produtores, indústria, profissionais de saúde e de educação, governos e sociedade sobre as informações apuradas. Foram apresentados o Banco de Dados de Composição Nutricional da Biodiversidade; a coleção de publicações Plantas para o Futuro; o livro de receitas Biodiversidade do Brasil: sabores e aromas; e um curso online: Biodiversidade para Alimentação e Nutrição, que será aberto a todos os interessados.

Entre os participantes do Simpósio, além dos integrantes do Projeto BFN nos quatro países, estiveram presentes: o coordenador internacional do Projeto, Danny Hunter; a representante da ONU Meio Ambiente (antigo PNUMA), Marieta Sakalian; a representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Florence Tartanac; o presidente da Embrapa, Maurício Lopes; o ex-Secretário Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Bráulio Dias; e a presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) Elisabetta Recine.

Em uma das sessões do simpósio, cinco chefs de cozinha prepararam receitas e apresentaram seus preparos a partir de ingredientes de espécies nativas selecionadas pelo projeto.

Espécies prioritárias – Apesar de o Brasil abrigar a maior biodiversidade do planeta (mais de 20% do total mundial), grande parte de nossas atividades agrícolas está baseada em espécies exóticas. “Estamos deixando de consumir espécies de alto valor nutricional para comer a mesma coisa em Brasília e em Hong Kong. Isso tem consequências na biodiversidade do planeta, na nossa nutrição, na alimentação de gerações futuras e até no processo de uso da água”, afirmou o diretor nacional do Projeto BFN, Lidio Coradin. Vale frisar que desde 1900 cerca de 75% da diversidade genética das plantas já foi perdida, de acordo com estimativas da FAO.

Em uma pesquisa envolvendo pesquisadores de universidades federais (UFRGS, UNIFESP, UFG, UFC e UFPA), estaduais (UECE e USP), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Projeto BFN compilou e gerou em laboratório dados da composição de alimentos nativos, a fim de promover o consumo daquelas com maior teor de nutrientes, como fibra alimentar, cálcio, ferro, magnésio, vitaminas A e C, entre outros.

Foram priorizadas 70 espécies frutíferas e hortaliças não convencionais, com valor alimentício regional, de potencial econômico e de importância social. O valor nutricional das espécies nativas foi comparado com o das espécies mais consumidas no Brasil: banana, laranja, maçã, mamão e melancia (de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF 2008-2009, do IBGE). Tornou-se evidente que as frutas brasileiras são tão ou mais ricas em nutrientes: o teor de vitamina C, por exemplo, em 100g da polpa de quatro frutos nativos – camu-camu (1888 mg), mangaba (332 mg), caju-do-cerrado (294 mg) e jabuticaba (238 mg) – é, pelo menos, três vezes a quantidade contida em 100 gramas de variedades comuns de laranja (53mg), banana (21,6mg) e mamão (82,9mg).

Promover uma maior utilização dessas 70 espécies é uma oportunidade que pode resultar em impactos nutricionais, comerciais e ambientais bastante positivos. Com esse objetivo, foi desenvolvido pelo projeto o Banco de Dados de Composição Nutricional da Biodiversidade, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a partir dos dados gerados pelas universidades e institutos de pesquisa participantes do projeto. A ferramenta deve se tornar uma referência para a composição de alimentos derivados da flora brasileira e um poderoso instrumento de pesquisa e desenvolvimento, servindo ainda de embasamento para políticas públicas.

Plantas para o Futuro – O Banco de Dados de Composição Nutricional da Biodiversidade disponibilizará informações nutricionais sobre as 70 plantas frutíferas e hortaliças selecionadas pelo Projeto BFN, a partir das espécies priorizadas pela iniciativa Plantas para o Futuro. Essa ação identificou as espécies nativas levando em conta seu potencial econômico, a fim de ampliar o conhecimento sobre cada uma delas e despertar a preocupação pública sobre as questões relacionadas à conservação da flora – a qual está diretamente ligada às mudanças climáticas e aos seus respectivos impactos na produção de alimentos.

Outro fruto do projeto lançado é o livro ‘Plantas para o Futuro – Região Centro-Oeste’. A série contará com cinco títulos que compõem um inventário de espécies nativas da flora brasileira de valor econômico atual ou de uso potencial, com ênfase em seus possíveis benefícios sociais, ambientais e culturais. Os volumes Região Sul e Região Centro-Oeste (com prefácio do chef Alex Atala) já estão disponíveis para download no site do Ministério do Meio Ambiente. “A coleção visa incluir essas espécies na alimentação do brasileiro e também fomentar a sua produção para os mercados interno e externo”, explicou Camila Oliveira, analista ambiental do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies da Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.

Para aproximar a flora subaproveitada do cotidiano da população, também foram desenvolvidas receitas com os frutos estudados. Elas estão no livro ‘Biodiversidade do Brasil: sabores e aromas’, contendo pratos com ingredientes das cinco regiões do Brasil.

A difusão do conhecimento sobre a importância da biodiversidade na alimentação humana também foi compartilhada por meio de um curso online. Seu conteúdo aborda a relação entre manutenção das espécies, produção sustentável de alimentos, qualidade de vida da população, geração de renda e melhoria da nutrição e saúde humanas. Além disso, oferece recursos adicionais para facilitar a integração da biodiversidade em programas e iniciativas voltadas à segurança alimentar e nutricional. Interessados poderão participar do curso online a partir de 27 de novembro, quando as três primeiras lições já estarão disponíveis, por meio do site global do Projeto BFN.

Conquista fundamental – Financiado pelo Global Environment Facility (GEF), o projeto Biodiversidade para Alimentação e Nutrição (BFN) tem como um de seus principais objetivos a conservação e revitalização de plantas nativas com alto valor nutritivo. Pretende, também, divulgar a forte ligação existente entre a biodiversidade, a alimentação e a nutrição, e, no Brasil, desenvolve atividades em âmbito nacional, envolvendo parcerias com uma série de iniciativas. Suas ações incluem concessão de bolsas de estudo e pesquisa, elaboração de materiais educativos, ferramentas e recursos, apoio a seminários, congressos e outros eventos. Além disso, o projeto trabalha em conjunto com diversos Ministérios parceiros para inserir a biodiversidade em políticas e programas voltados à segurança alimentar e nutricional da população.

Todos esses esforços já culminaram na criação da Portaria Interministerial Nº 163, de 11 de maio de 2016, que lista, com base em espécies nativas da flora brasileira, as plantas consideradas da sociobiodiversidade, para fins de comercialização in natura ou de seus produtos derivados, no âmbito das operações realizadas pelo Programa de Aquisição de Alimentos – PAA nas suas diversas modalidades, pela Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade – PGPMBio e pelo Programa Nacional para Alimentação Escolar – PNAE.

A portaria significa um avanço e vai contribuir para a ampliação do conhecimento e a promoção do uso sustentável das espécies listadas e sua consequente conservação. “A expectativa é de que essas espécies possam ter maior reconhecimento não apenas das instituições federais parceiras do Projeto BFN, mas de toda a população”, explicou Daniela Moura de Oliveira Beltrame, coordenadora do Projeto no Brasil.

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Especialistas do Projeto BFN relacionaram aspectos nutricionais e econômicos de alimentos nativos que promovem a produção sustentável e a alimentação mais saudável e nutritiva (Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios)
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Conab: famílias indígenas receberão alimentos

No dia 07/12, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) contratará transporte para remover 463 toneladas de alimentos de diversas regiões para distribuição a comunidades indígenas em quase todo o país. O frete será negociado por meio de leilão eletrônico e as primeiras entregas deverão ocorrer a partir de janeiro.

A operação vai beneficiar, com cestas de alimentos, mais de 8 mil famílias indígenas em situação de insegurança alimentar e nutricional em 16 estados. A distribuição será feita com a participação da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Fundação Cultural Palmares e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que também definiram os locais para envio dos alimentos. A operação será realizada com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Serão contempladas comunidades indígenas dos municípios de Feijó, Tarauacá, Cruzeiro do Sul e Rio Branco (Acre); Humaitá (Amazonas); Aracruz e Vitória (Espírito Santo); São Luís (Maranhão); Amabaí, Antônio João, Aral Moreira, Batagassu, Caarapó, Coronel Sapucaia, Douradina, Dourados, Iguatemi, Jardim, Bonito, Guia Lopes da Laguna, Maracaju, Paranhos, Rio Brilhante, Tacuru e Vicentina (Mato Grosso do Sul); Cuiabá, Juína, Peixoto Azevedo e Porto Alegre do Norte (Mato Grosso); Teófilo Otoni e Machacalis (Minas Gerais); Belém, Capitão Poço, Marabá, Paragominas, Tomé Açu e Tucuruí (Pará); Baía da Traição, João Pessoa, Marcação e Rio Tinto (Paraíba); Assú, Baía Formosa, Goianinha, João Câmara e Macaíba (Rio Grande do Norte); Paraty (Rio de Janeiro); Alta Floresta D’Oeste, Cacoal, Guajará-Mirim, Jaru, Ji-Paraná, Porto Velho e Vilhena (Rondônia); Boa Vista (Roraima); Porto da Folha (Sergipe); Bauru, Itanhaém, Registro, São Paulo, São Sebastião e Tupã (São Paulo); Araguaína, Formoso do Araguaia, Itacajá, Tocantínia e Tocantinópolis (Tocantins).

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Foto: Funai / Divulgação

Municípios com até 50 mil habitantes receberão equipamento capaz de tratar de água

Moradores de cidades com até 50 mil habitantes terão acesso a um equipamento que transforma a água em potável, ou seja, apta para o consumo. A máquina, chamada de Salta Z, é um tipo de filtro com tecnologia totalmente brasileira e está sendo considerada uma solução inovadora, simples e de baixo custo. Foram adquiridos pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) 452 equipamentos, que custam, em média, R$ 17 mil. O anúncio foi feito durante I Congresso Internacional de Engenharia de Saúde Pública e de Saúde Ambiental da Funasa (CIESA), que acontece em Belém (PA).

O evento reúne mais de 900 representantes da saúde ambiental do mundo para promover trocas de experiências e tecnologias inovadoras na área da saúde. Ao participar do Congresso, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, homenageou Eladio Braga de Carvalho, João Nunes Monteiro e Leila Costa Rosal, servidores da Funasa responsáveis pelo projeto que resultou no equipamento inovador Salta Z. “Conhecemos hoje uma solução simples, inovadora, de baixo custo, capaz fornecer água própria para o consumo e, desta forma, evitar, por exemplo, doenças transmitidas pela água contaminada”, ressaltou o ministro.

Entre as principais temáticas do evento, estão às mudanças climáticas e objetivos do desenvolvimento sustentável, ações de saneamento e saúde ambiental, controle Social e o desenvolvimento tecnológico e inovações. O Ministério da Saúde tem destinado recursos crescentes para implantação de abastecimento de água e esgotamento sanitário em municípios com população inferior a 50 mil habitantes, responsabilidade da Funasa. Em 2016, o orçamento destinado ao órgão foi de R$ 497,5 milhões. Já em 2017, passou para R$ 940 milhões, aumento de 89% em relação à proposta aprovada em 2016.

“Nós temos aqui reunidos pessoas de todo o mundo, aprendendo e ensinando. É uma oportunidade sinaliza claramente a prioridade do governo brasileiro ao saneamento. Investir nessa área, além de prevenir doenças, também é economizar recursos para a saúde, já que cada real investido em saneamento economizamos quase nove reais para a saúde”, ressaltou o ministro.

Durante o evento também foram premiadas fotografias que mostram diversas realidades e experiências vividas em territórios urbanos e rurais com foco em saneamento e saúde ambiental. Além disso, o congresso contou com uma Feira institucional com exposições de trabalhos e exitosos em engenharia de saúde pública e saúde ambiental desenvolvidos nas comunidades tradicionais, área rurais e urbanas sobre questões relacionadas ao “Saneamento e Saúde Ambiental: Globais para o Desenvolvimento Sustentável”. Entre os projetos selecionados estão a implantação do Modelo Integral de Saneamento Básico Rural (SABA), da Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (COSUDE) e a proposta de redução de perdas de água, projeto em parceria da Funasa e o Instituto Politécnico de Milão.

FUNASA – A Fundação tem como responsabilidade promover ações de saneamento para prevenção e controle de doenças, além de formular e implementar ações de promoção e proteção à saúde. Entre as principais ações da instituição estão os Programa Institucionais de Engenharia de Saúde Pública, Saneamento para Promoção da Saúde, Sistema de Abastecimento de Água, Sistema de Esgotamento Sanitário, Melhorias Sanitárias Domiciliares, Melhorias Habitacionais para o Controle da Doença de Chagas, Resíduos Sólidos e Saneamento Rural.

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Curtas

1. As Filipinas reabriram o mercado para as carnes do Brasil. A informação foi confirmada pela Associação Brasileira de Proteína Animal, entidade que representa a indústria de carne suína e de frango.

2. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, o Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária e o Sindicato Rural, vão realizar no dia 09/12/17, na Fazenda São José, em Bela Vista de Goiás, o Dia de Campo Senar Mais Leite. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pela internet.

3. Cientistas e pesquisadores discutem, em Teresina – PI, saídas para frear a degradação do solo no Nordeste. O Plano Nacional de Combate à Desertificação considera que a maioria das terras suscetíveis à desertificação se encontra em áreas semiáridas e sub-úmidas da região. Soluções estão sendo discutidas durante a IV Reunião Nordestina de Ciência do Solo, que acontece paralelamente ao I Simpósio Piauiense de Ciência do Solo. O tema da reunião é o Uso Sustentável do Solo para Segurança Alimentar no Nordeste Brasileiro.

4. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comprará mais de 150 mil quilos de sementes de milho e feijão de agricultores familiares do Ceará. A operação será feita pela Superintendência Regional da Companhia, por meio do Programa de Aquisição de Alimentos. As propostas de venda deverão ser apresentadas por associações e cooperativas interessadas até o dia 06/12. A versão completa da Chamada Pública, com todas as regras, está disponível em nas unidades da Conab no estado e na página da Companhia na internet.

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Foto: Reuters / Divulgação

Conab: baixa oferta faz subir preço de hortaliças, enquanto frutas ficam mais baratas

O comportamento dos preços de frutas e hortaliças sofreu uma inversão em outubro, conforme análise do 11º Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta terça-feira (21/11). Ao contrário do mês anterior, as hortaliças estão agora com preços mais elevados nas principais centrais de abastecimento do país, com destaque para batata e cenoura.

A batata, que registrou a maior queda nas cotações de setembro, apresentou aumento acima de 90% em outubro nos estados de Goiás e Paraná. A leguminosa também ficou mais cara no Distrito Federal (67%), no Rio de Janeiro (58%), no Espírito Santo (54%) e em São Paulo (42%). Com relação à cenoura, os aumentos não foram tão grandes mas chegaram a 49% no Espírito Santo, seguido por aumentos de 23% a 26% no Distrito Federal, no Paraná e em Goiás. Para os dois produtos, a explicação de alta foi a diminuição na oferta da safra de inverno.

Frutas – Apesar do aumento verificado no levantamento anterior, as frutas deram uma equilibrada para os consumidores nos preços em outubro e ficaram mais baratas na maioria das Ceasas analisadas. O mamão, que tinha sido o grande vilão de setembro, voltou a patamares menores, com recuo de preço de 44% em Goiás e 23% em Minas Gerais. A oferta foi maior das espécies de mamão papaya mineiro, baiano e capixaba.

A banana também ficou mais barata nos mercados atacadistas, após os meses de agosto e setembro terem sido de cotações estáveis. Isso porque a oferta do produto aumentou na maioria das Ceasas, principalmente do tipo prata. Na Ceasa Minas, a fruta ficou 17% mais barata, seguida pelas quedas de 14% em Pernambuco, 13% em Goiás e 12% no Espírito Santo.

Outra boa notícia é que o preço de algumas frutas natalinas já começou a cair, com destaque para o pêssego, 54% mais barato, além da ameixa (20%) e damasco (3%).

O levantamento é feito mensalmente pelo Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort) da Conab, a partir de informações fornecidas espontaneamente por grandes mercados atacadistas do país. Para a análise do comportamento dos preços de outubro, foram considerados os principais entrepostos dos estados de SP, RJ, MG, ES, PR, CE, PE, GO e DF.

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Foto: Ceasa – DF / Divulgação

Calendário de Eventos

VI Seminário de Agricultura de Precisão

Data: 24/11/2017

Local: Piracicaba – SP

Informações: http://fealq.org.br/en/lista-eventos/

I Simpósio Desafios da Tomaticultura: pragas e doenças

Data: 25/11/2017

Local: Campinas – SP

Informações: http://cursosfundag.com.br/

Simpósio Ambiental – Estratégias ambientais: impactos, desafios e mercado de trabalho

Data: 27/11 – 01/12/2017

Local: Uberlândia – MG

Informações: http://simposio2017ufu.blogspot.com.br/p/inscricao.html

II Encontro Nacional da Cultura do Milho

Data: 14 – 15/12/2017

Local: Uberlândia – MG

Informações: http://fealq.org.br/en/lista-eventos/

InterLeite Sul

Data: 09 – 10/05/2018

Local: Chapecó – SC

Informações: https://www.milkpoint.com.br/isul-2017-lp/

III Simpósio Desafios da Fertilidade do Solo na Região do Cerrado

Data: 05 – 06/09/2018

Local: Goiânia – GO

Informações: http://fealq.org.br/en/lista-eventos/

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Caixa prorroga promoção de taxas do crédito rural até fim de dezembro

A Caixa Econômica Federal prorrogou a redução de taxas de juros para os produtores rurais no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). A redução de 0,8 ponto percentual está de acordo com as alterações promovidas por meio da Resolução CMN 4.603, de 19/10/2017, e abrange as propostas de custeio agrícola e pecuário apresentadas na CAIXA até 28 de dezembro de 2017.

A taxa de juros do custeio foi reduzida de 7,5% para 6,7% ao ano, com o objetivo de apoiar o médio produtor, proporcionando redução nos seus custos de produção. Para se enquadrar como beneficiário do Pronamp, o produtor deve ter renda bruta anual de até R$ 1.760.000,00 (Um milhão, setecentos e sessenta mil reais), sendo que pelo menos 80% dessa renda deve ser proveniente de atividades agropecuárias.

“A promoção contempla o final do custeio da safra verão, até 30 de novembro, além do custeio da próxima safrinha e da safra de inverno, esta somente em algumas regiões do país. A promoção engloba também a pecuária e, no início das águas, os produtores demandam recursos para gastos com manejo, suplementação e adubação de pastagens”, explica o vice-presidente de Produtos de Varejo da Caixa, Fábio Lenza.

A Caixa disponibiliza cerca de 1.700 agências habilitadas a operar com o Crédito Rural. Para auxiliar na elaboração dos projetos, a Caixa possui ainda convênio com mais 2.500 empresas de consultoria rural, em todas as regiões do país. As linhas de crédito da Caixa atendem as principais culturas agrícolas, como soja, milho, arroz, café, algodão, trigo, feijão, cana-de-açúcar, laranja, sorgo, e a bovinocultura de corte e leite. A Caixa oferece ainda um processo simplificado para operações de custeio agrícola de até R$500 mil. A análise técnica ocorre de forma online, diretamente na agência, o que garante o acesso mais ágil ao recurso pelo produtor.

Crescimento de 74%

Nos quatro primeiros meses da safra 2017/2018, a Caixa registrou um crescimento de 74% na contratação de Crédito Rural, em comparação com o mesmo período do ano passado. De 1º de julho a 31 de outubro, o banco emprestou R$ 2,13 bilhões em recursos obrigatórios, livres e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Lenza explica que este aumento no volume contratado pode ser atribuído, principalmente, às campanhas promocionais de taxas realizadas desde setembro. “É uma vantagem que é percebida pelo produtor, pois impacta diretamente na redução do seu custo de produção. Para um custeio com prazo de 12 meses, por exemplo, o produtor que contratar uma operação no valor de R$ 1,5 milhão, que é o teto do Pronamp, economizará cerca de R$ 12 mil”.

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Promoção oferece taxas de 6,7% ao ano nas operações de custeio do Pronamp (Foto: Divulgação)

Exportações do agronegócio cresceram 40% em outubro sobre mesmo mês de 2016

As exportações do agronegócio atingiram US$ 8,02 bilhões, em outubro, com crescimento de 39,9% sobre igual mês no ano anterior, quando as vendas externas do setor somaram US$ 5,74 bilhões. Já as importações caíram 5,5%, no mesmo período comparativo, situando-se em US$ 1,14 bilhão. Como resultado, houve aumento do superavit do setor, passando de US$ 4,53 bilhões para US$ 6,89 bilhões.

O agronegócio representou 42,5% das exportações brasileiras no último mês. Em relação às importações, a representatividade dos produtos agropecuários foi de 8,3% no período.

Desempenho de setores

Os produtos de origem vegetal representaram 78,1% do volume do agronegócio exportado no mês, somando US$ 6,27 bilhões, e os origem animal somaram US$ 1,75 bilhão. O complexo soja liderou a pauta, com destaque para o grão, cujas vendas atingiram US$ 939,26 milhões. As exportações de farelo somaram US$ 423,53 milhões e as de óleo, US$ 100,96 milhões. O desempenho deveu-se ao maior volume embarcado, já que os preços apresentaram queda: grão (-8,8%), farelo (-13,3%) e óleo (-9,7%).

As carnes ocuparam a segunda posição no ranking, com US$ 1,42 bilhão, se destacando as de frango (US$ 623,78 milhões (+ 24,4%, em 12 meses) e bovina, com US$ 601,65 milhões (+38,1%). As vendas de carne de frango e bovina in natura foram recordes, em quantidade, com 335,24 mil toneladas e 119,08 mil toneladas, respectivamente. Mas houve queda nas vendas de carne suína (-7,8%; caindo para US$ 134,35 milhões) e carne de peru (-19,5%; para US$ 25,30 milhões).

Destacaram-se, ainda, o complexo sucroalcooleiro, com US$ 1,12 bilhão, em exportações. O açúcar predominou no setor, atingindo US$ 1,03 bilhão (91,9%). As exportações de álcool cresceram 122,3%, no período, (+131,9% em quantidade e -4,1% em preço).

Produtos florestais somaram US$ 1,02 bilhão, posicionando o setor como o quarto principal do agronegócio em outubro. A celulose foi destaque, somando US$ 538,99 milhões, com aumento de 18% (-1,8% em quantidade e +20,1% em preço). Houve crescimento de 40,9% nas vendas de madeiras e suas obras (+69,2% em quantidade e -16,7% em preço), atingindo US$ 313,58 milhões. As exportações de papel também avançaram (12%), passando para US$ 163,72 milhões.

Na quinta posição da pauta, situaram-se as exportações de cereais, farinhas e preparações (US$ 823,92 milhões), lideradas pelo milho, que foi responsável por 94% do total. O aumento no volume embarcado foi de 356,3%, reflexo da produção recorde de 97,71 milhões de toneladas estimada para a safra 2016/2017, depois de um ano em que houve quebra de produção.

Mercados

A Ásia manteve-se como a principal região de destino das exportações do agronegócio brasileiro, alcançando US$ 3,30 bilhões, em outubro, com aumento de 56,5%, ampliando a participação da região no total das exportações, de 36,8% para 41,1%. A União Europeia, segundo principal destino, registrou crescimento de 23,3% no valor nas exportações, mas a participação no total das exportações caiu de 22,1% para 19,5%.

Importações

Os produtos agropecuários importados tiveram queda de 45,7%, no segmento de cereais, farinhas e preparações, implicando em redução de US$ 150,96 milhões. O decréscimo atribui-se principalmente ao recuo nas aquisições de milho (-81,2%) e de trigo (-32,7%). Também caíram substancialmente as compras de cevada (-63,5%), malte (-49,4%) e arroz (-47,1%).

Acumulado no ano

As exportações do agronegócio de janeiro a outubro acumulam o equivalente a US$ 82 bilhões (+12,2% sobre o mesmo período do ano anterior). As importações também cresceram, passando de US$ 10,99 bilhões entre janeiro e outubro de 2016 para US$ 11,82 bilhões entre janeiro e outubro de 2017 (+7,6%). O crescimento das exportações do agronegócio possibilitou ampliar o superavit comercial, que subiu de US$ 62,11 bilhões, no período de 10 meses, para US$ 70,18 bilhões.

Acumulado em 12 meses

Nos últimos doze meses, as exportações brasileiras do agronegócio brasileiro somaram US$ 93,84 bilhões, montante que representa crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período anterior, quando somaram US$ 86,59 milhões. As importações foram de US$ 14,46 bilhões, resultando em saldo comercial positivo de US$ 73,71 bilhões.

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Produtos de origem vegetal representam 78% do total das vendas. Participação da Ásia como mercado de destino dos produtos aumentou para 41,1%. (Foto: Divulgação)

 

Safra de grãos deve atingir produção entre 223 e 227 milhões de toneladas

A produção de grãos da safra 2017/2018 deve ficar entre 223,3 a 227,5 milhões de toneladas, segundo a estimativa de intenção de plantio do 2º Levantamento da safra, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O registro representa um recuo entre 6,2 e 4,4% em relação à safra passada, que foi de 238 milhões de toneladas.

A perspectiva de redução se deve ao fato de que a safra passada registrou recorde de produtividade graças às boas condições climáticas, cenário que pode não se repetir. Para se ter uma ideia, a soja alcançou produtividade de 3.364 kg/hectare na safra 2016/2017. Para a safra atual, a produtividade estimada é de 3.075 kg/hectare, com base nas análises estatísticas das séries históricas e dos pacotes tecnológicos utilizados nos últimos anos.

Já com relação à área plantada, favorecida pelo aumento do plantio de algodão e, sobretudo, da soja, espera-se a manutenção ou um aumento de até 1,9%, podendo alcançar números que variam de 61 a 62 milhões de hectares.

Soja e milho, as principais culturas desta safra, devem responder por cerca de 89% dos grãos produzidos do país. A expectativa é de que a produção de soja alcance entre 106,4 e 108,6 milhões de toneladas e a do milho total, entre 91,6 e 93,1 milhões, distribuídas entre primeira e segunda safra. A primeira safra de milho pode alcançar números menores que os do último período e ficar entre 24,5 e 25,9 milhões de t, enquanto que a segunda safra pode alcançar 67,2 milhões de toneladas.

A área do milho primeira safra deve recuar de 11,5% a 7,5% em relação a 2016/2017, o que vai refletir na diminuição da área total da cultura, estimada entre 631,6 e 409,6 mil hectares. No caso da soja, a maior liquidez e a possibilidade de melhor rentabilidade frente a outras culturas deve estimular o preparo de uma maior área para produção, com elevação média de 3,1%, algo entre 34,6 e 35,3 milhões de hectares.

A produção e a área de algodão, feijão-comum preto e mamona deverão aumentar, assim como o amendoim primeira safra que sinaliza melhor número na área. A pesquisa foi feita nos principais centros produtores de grãos do país, entre os dias 23 a 27 de outubro.

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Foto: Manoel Júnior / Governo do Tocantins / Divulgação