Nova MP abre caminho para renegociação de dívidas rurais, mas benefício ainda depende de regulamentação

A publicação da Medida Provisória (MP) N.º 1.376/2026 pelo Governo Federal abriu uma nova expectativa para milhares de produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras após anos de perdas provocadas por fatores climáticos e pela queda dos preços das commodities agrícolas. A proposta cria mecanismos para facilitar a renegociação de parte das dívidas do setor. Embora tenha sido recebida como  um avanço, ela não representa uma solução automática para os agricultores por estabelecer critérios rigorosos, depender de novas regulamentações e por excluir várias modalidades de dívida bastante comuns no campo.

Na prática, a MP inaugura uma nova fase da política de crédito rural ao reconhecer que as dificuldades financeiras do produtor nem sempre decorrem apenas de secas, enchentes ou outros eventos climáticos. A forte desvalorização dos produtos agrícolas também passa a ser considerada um fator capaz de comprometer a capacidade de pagamento, refletindo um cenário que marcou diversas cadeias produtivas nos últimos anos. 

O advogado Eliseu Silveira, especialista em recuperação judicial, alerta que a medida deve ser vista como o início de um processo de renegociação e não como um programa de perdão de dívidas. “O principal avanço é a autorização para que instituições financeiras ofereçam linhas de crédito específicas para a renegociação de dívidas rurais, mas esse benefício ainda não está disponível na prática. Foi criada somente a base legal para essa operação e caberá ao Conselho Monetário Nacional definir seu funcionamento, as condições financeiras, os prazos, os critérios de enquadramento e os procedimentos que deverão ser adotados pelos bancos”, explica. 

Segundo o advogado, enquanto a regulamentação não for publicada, o produtor continua sem saber exatamente quando poderá procurar a instituição financeira para renegociar seus contratos e quais exigências precisará cumprir. “Esse período de espera gera insegurança justamente em um momento em que muitos agricultores enfrentam dificuldades para manter a atividade e cumprir seus compromissos financeiros”, observa o especialista.

Silveira destaca que a mudança dos critérios para comprovação das perdas é outro ponto importante da MP e aponta que antes dela os programas semelhantes concentravam sua atenção principalmente em prejuízos causados por eventos climáticos extremos. “A partir de agora a legislação também permite que produtores afetados pela queda acentuada dos preços das commodities agrícolas possam solicitar a renegociação, desde que consigam comprovar redução significativa da renda. Essa alteração amplia o alcance da medida ao reconhecer que o risco da atividade rural vai além da produção”, afirma.

O especialista acrescenta que o produtor rural enfrenta diversos desafios para honrar seus compromissos e em muitos casos, mesmo quando a safra é boa, a forte queda dos preços no mercado reduz drasticamente a sua receita. “O produtor lida diariamente com muitas variáveis que podem comprometer sua capacidade de quitar financiamentos e investir no próximo ciclo produtivo. Cada safra tem suas  características próprias e impõe uma forma de agir para dar continuidade à sua atividade”, ressalta. 

Silveira lembra que para ter acesso ao benefício não basta alegar dificuldades financeiras e que a regra geral exige que o produtor comprove perda de pelo menos 30% da renda bruta esperada considerando os prejuízos acumulados em um período mínimo de duas safras, entre 2019 e 2025. “Houve uma mudança na forma como as perdas serão avaliadas O foco deixa de estar apenas na redução da produção agrícola e passa a considerar diretamente o impacto financeiro sobre a renda do produtor. Assim, laudos técnicos, documentos contábeis, registros de comercialização e outros elementos capazes de comprovar a receita esperada e a receita efetivamente obtida passam a ter papel decisivo para a aprovação dos pedidos”, acrescenta. 

Silveira aponta que a Medida Provisória deixou uma lacuna ao não contemplar a renegociação de débitos com revendas de insumos, fornecedores e concessionárias de máquinas. “Muitos agricultores tem dívidas contraídas que não tem previsão de negociar. E as Cédulas de Produto Rural também não são contempladas de forma ampla, podendo ser incluídas apenas aquelas contratadas diretamente com instituições bancárias, limitando significativamente o alcance da medida para quem utilizar outras formas de financiamento privado”, enfatiza. 

Para o advogado, também merece atenção a situação das dívidas que já estão sendo discutidas judicialmente que não terão seus processos de cobrança interrompidos de forma automática. “Os bancos continuam executando aquelas garantias previstas em contrato e não são obrigados a aceitar todos os pedidos de renegociação. Dessa forma, as instituições bancárias poderão exigir novas garantias, reavaliar riscos e estabelecer condições específicas antes de firmar qualquer acordo”, completa.

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Reforma tributária é tema de debate no Congresso Andav 2026

A reforma tributária prevê mudanças relevantes na tributação sobre bens e serviços no Brasil, com impactos graduais para diferentes setores. No caso do agronegócio, um dos pontos debatidos foi o Convênio ICMS 100/97, mecanismo de desoneração de insumos agropecuários. O tema foi destaque no 15º Congresso Andav, que termina nesta quinta-feira (13/08), em São Paulo. O evento é uma realização da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e organizada pela Zest Eventos.

Segundo o tributarista e CEO da ROIT, Lucas Ribeiro, o convênio, que reduz a base de cálculo do ICMS nas operações interestaduais com determinados insumos agropecuários, permanece nas condições atuais até 2027 e poderá ser prorrogado até 2032. A partir de 2029, o percentual começará a ser reduzido em 10%, e assim sucessivamente até 2033, quando será encerrado.

Além das mudanças tributárias, especialistas apontaram que a transição para o novo sistema poderá exigir ajustes na formação de preços e na estratégia comercial das empresas do agronegócio. A advogada da Agro Hara, Jaqueline Hara, destacou que os efeitos deverão alcançar toda a cadeia produtiva. “A mudança vai simplificar o ambiente fiscal, mas, no início, haverá muita complexidade”.

Para o diretor-executivo da Cultura Agromais, César de Oliveira, a adaptação exigirá uma revisão mais ampla dos modelos de negócio. O sócio-diretor da Semear Agronegócios, Marcos Pacheco, comentou que a reforma vai influenciar o preço de venda do produto no agro.

Gestão de Pessoas

Durante o 15º Congresso Andav, Izabela Mioto, professora associada da Fundação Dom Cabral (FDC), apresentou o conceito de liderança transformativa, modelo que parte do autoconhecimento e da capacidade do líder de tomar decisões conscientes para construir equipes mais colaborativas, emocionalmente seguras e capazes de sustentar resultados no longo prazo.

Diante de um ambiente cada vez mais acelerado e complexo, Mioto destacou que o líder moderno precisa ser um facilitador de fluxos, capaz de mobilizar e engajar a equipe.

Foto: FD Fotografia

Congresso Andav

O Congresso Andav 2026 reúne mais de 260 marcas nacionais e internacionais, com a expectativa de receber 18,5 mil profissionais, um público altamente qualificado, formado por distribuidores, agrônomos, consultores, representantes técnicos de vendas, pesquisadores e especialistas das áreas relacionadas. O principal ponto de encontro para networking e atualização de conhecimento do setor de Distribuição de Insumos Agropecuários no país conta com o patrocínio da BASF, Bayer, GiroAgro, Syngenta, GCI, Ceres, Biotrop, Ecoagro e Aliare.

Alta temporada pressiona fretes com demanda acima da capacidade na América Latina

Os mais recentes relatórios Ocean Freight Market Update e Air Freight State of the Industry da DHL Global Forwarding mostram que o mercado de cargas na América Latina enfrenta uma alta temporada precoce devido ao crescimento mais rápido que a capacidade logística disponível. O aumento das tarifas marítimas e as restrições de espaço nos navios, somados às contínuas disrupções nas cadeias de suprimentos globais têm redefinido as condições do transporte em toda a região, enquanto a carga aérea segue desempenhando um papel fundamental para envios de alto valor agregado e de temperatura controlada.

“A América Latina atravessa um dos cenários mais dinâmicos dos últimos anos para o transporte internacional de cargas, com uma demanda que cresce em ritmo superior à capacidade disponível”, afirma Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding para a América Latina.

Rotas entre Ásia e América Latina são as mais pressionadas, devido à taxa de ocupação das embarcações próxima de 98%, o que reduz a flexibilidade operacional das companhias marítimas. Paralelamente, o Índice de Frete de Contêineres de Xangai (Shanghai Containerized Freight Index – SCFI) está 84% acima do registrado no mesmo período do ano passado, enquanto as tarifas para a Costa Oeste da América Latina acumulam alta de 126%, desempenho superior ao observado na média das demais rotas globais. A oferta enfrenta, ainda, restrições relacionadas aos congestionamentos portuários, à falta de equipe qualificada em Xangai e Ningbo e a uma gestão mais disciplinada da capacidade pelas armadoras.

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No transporte aéreo, por sua vez, a demanda entre Ásia e América Latina segue aquecida, com crescimento de 20% nos volumes transportados em relação a maio de 2025 e com um aumento de 27% na média tarifária. A estabilidade na capacidade de transporte acentua os gargalos nas rotas provenientes da América do Norte e da Europa, especialmente com destino a São Paulo, Santiago e Buenos Aires.

Na contrapartida, a expansão da oferta de serviços de carga aérea amplia a conectividade entre a América Latina e a Europa. Para Meade, o movimento fortalece a resiliência da da cadeia logística regional. “Resiliência, hoje, significa ampliar as alternativas disponíveis. Empresas que diversificam suas fontes de suprimento, adotam estratégias logísticas mais flexíveis e antecipam o planejamento de suas operações estão mais bem posicionadas para manter seus níveis de serviço diante da volatilidade do mercado”, afirma.

Na avaliação da DHL Global Forwarding, o mercado de carga na América Latina atravessa um dos períodos de maior restrição de capacidade dos últimos anos. À medida que a demanda supera o espaço disponível e se mantém a tendência de alta tarifária, o planejamento antecipado e as estratégias logísticas diversificadas serão cada vez mais importantes para fortalecer a resiliência das cadeias de suprimentos.

Varejo brasileiro sobe 4,2% no segundo trimestre de 2026

O comércio varejista brasileiro registrou uma alta de 4,2% no segundo trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado, impulsionado por uma reação expressiva no mês de junho, foi divulgado pelo Índice do Varejo Stone (IVS). Após dois meses consecutivos de retração, as vendas de junho avançaram 1,1% frente a maio e expressivos 5,7% no confronto anual, sinalizando que o mercado de trabalho aquecido e o nível de renda começam a blindar o setor contra os impactos do crédito caro.

A recuperação observada em junho interrompe uma sequência incômoda de quedas que vinha acendendo o alerta no setor. Segundo o levantamento, a melhora nas condições de emprego e a resiliência da renda das famílias foram os grandes pilares para este fechamento de trimestre positivo.

Contudo, o cenário macroeconômico ainda exige cautela. O endividamento persistente das famílias e as taxas de juros elevadas continuam a funcionar como um freio para uma arrancada mais vigorosa do consumo de bens duráveis.

Diante desse cenário de crédito restrito e necessidade de máxima eficiência, muitas empresas do setor têm recorrido à inteligência de dados para reter clientes e otimizar vendas. Ferramentas de tecnologia focadas em hiperpersonalização, como a Customer Data Platform, têm se tornado essenciais para que os varejistas consigam unificar as informações de seus consumidores, prevendo comportamentos de compra e melhorando a conversão mesmo em períodos de maior cautela no consumo.

Os números apurados em junho indicam um resgate importante do ritmo de vendas do comércio após a perda de tração nos dois meses anteriores. Esse movimento de ajuste permitiu que o varejo finalizasse o período entre abril e junho com um desempenho consolidado acima do patamar registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

A expectativa é que o início de um ciclo de corte de juros traga um alívio gradual ao comércio, embora os reflexos práticos na economia real costumem demorar alguns meses para serem sentidos pelo consumidor final.

O crescimento de junho foi disseminado, com cinco dos oito segmentos pesquisados registrando taxas positivas na comparação com o mês anterior:

Material de Construção: +2,1%

Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico: +2,0%

Móveis e Eletrodomésticos: +1,3%

Supermercados, Alimentos, Bebidas e Fumo: +1,0%

Artigos Farmacêuticos: +0,6%

Em contrapartida, o setor de Livros, Jornais, Revistas e Papelaria amargou a maior queda mensal, despencando 6,7%, seguido por recuos em Combustíveis (-1,8%) e no setor de Tecidos, Vestuário e Calçados (-1,1%).

O cenário na comparação anual (Junho 2026 vs. Junho 2025)

Quando o retrovisor aponta para o mesmo mês do ano anterior, o cenário é de otimismo generalizado: todos os segmentos avaliados registraram expansão. O destaque ficou com o setor de Combustíveis e Lubrificantes (+7,6%) e o canal de Supermercados e Alimentos (+7,4%), seguidos de perto por Material de Construção (+6,8%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (+6,3%) e Móveis e Eletrodomésticos (+5,9%). Completando a lista, o setor de Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico subiu 5,1%, Artigos Farmacêuticos cresceram 3,2% e Tecidos, Vestuário e Calçados avançaram 2,6%.

Um dos dados mais robustos do levantamento indica que todas as 27 unidades da federação registraram crescimento nas vendas em junho na comparação anual. No entanto, a intensidade dessa retomada varia drasticamente conforme a região geográfica.

O desempenho regional destacou-se pela força das economias nortistas, que dominaram o topo do ranking de crescimento anual. Roraima figurou como o principal expoente do varejo no período, registrando uma expressiva alta de 13,2%, seguido de perto pelo Pará, que alcançou 10,3%. O vigor da região Norte manteve-se consistente com as marcas de Rondônia (10,0%) e Amapá (9,9%), enquanto Sergipe, representando o Nordeste, completou o grupo de maior ascensão com um avanço de 9,6% nas vendas. O crescimento na região Norte ainda foi reforçado pelos desempenhos do Acre (+8,4%) e do Amazonas (+7,2%).

Nos estados que concentram o maior PIB do país, os números mostraram solidez: Minas Gerais cresceu 6,4%, seguido por São Paulo (+5,4%), Rio de Janeiro (+4,8%) e Paraná (+4,3%).

Na ponta oposta, o menor ritmo de expansão foi registrado no Distrito Federal, que beirou a estabilidade com apenas 0,1% de alta. Piauí (+1,4%), Rio Grande do Sul (+2,3%) e Rio Grande do Norte (+3%) também caminharam abaixo da média nacional de crescimento.

De acordo com a análise do índice, esse mapeamento revela como as desigualdades estruturais brasileiras influenciam o consumo direto nas pontas. A velocidade com que cada unidade federativa retoma o ritmo de vendas permanece intimamente ligada a fatores locais, como as taxas de emprego locais, o acesso a linhas de financiamento regionais e a capacidade financeira das famílias em cada estado.

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Mercosul volta ao radar de empresas brasileiras e pode ampliar exportações de indústrias do interior

O Mercosul voltou a ganhar espaço nas estratégias de internacionalização de empresas brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que o bloco respondeu por cerca de 7% a 8% das exportações do país em 2025, com corrente de comércio superior a US$ 40 bilhões anuais. A retomada ocorre em meio à busca por diversificação de mercados diante de tensões geopolíticas e disputas comerciais globais.

Além da proximidade geográfica, o perfil da pauta exportadora ajuda a explicar o movimento. Diferentemente de mercados como China, que concentram compras em commodities, os países do Mercosul são importantes compradores de produtos industrializados brasileiros, como veículos, máquinas, equipamentos e bens de maior valor agregado.

Fábio Nascimento, contador e CEO do Grupo FN, afirma que o bloco regional costuma ser um primeiro passo natural para empresas que pretendem iniciar operações no comércio exterior. “O Mercosul reúne condições que facilitam a entrada de empresas brasileiras no comércio internacional. Há acordos tarifários, proximidade logística e uma demanda relevante por produtos industrializados”, afirma.

Entre os destinos regionais, a Argentina segue como um dos principais parceiros industriais do Brasil. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que mais de 85% das exportações brasileiras para o país são produtos manufaturados, incluindo automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos industriais. O fluxo comercial tem peso relevante para cadeias produtivas brasileiras ligadas à indústria automotiva, metalmecânica e de tecnologia.

Esse cenário também abre espaço para empresas localizadas fora dos grandes centros industriais. Regiões como o Vale do Paraíba, que reúne polos de manufatura avançada, tecnologia e indústria aeroespacial, têm potencial para ampliar presença no comércio regional. Empresas instaladas na região produzem componentes, equipamentos e soluções tecnológicas que podem encontrar demanda crescente em países vizinhos.

Segundo o especialista, muitas companhias de médio porte ainda não exploram o mercado regional por acreditarem que exportar exige uma estrutura complexa. “A internacionalização costuma ser vista como algo distante da realidade de empresas médias, mas o Mercosul pode ser um caminho mais acessível para iniciar esse processo”, aponta.

O avanço do comércio exterior também tem ampliado a presença de pequenas e médias empresas brasileiras nas exportações. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Ministério do Desenvolvimento mostra que mais de 40% das empresas exportadoras do país são pequenas ou médias, embora ainda representem uma parcela menor do valor total exportado.

Para o executivo, esse dado mostra que o comércio internacional deixou de ser exclusivo de grandes companhias. “Hoje existem programas de apoio, linhas de financiamento e estruturas de consultoria que ajudam pequenas e médias empresas a acessar mercados internacionais”, explica. 

Vantagens e alertas para empresas que pretendem exportar

A expansão para mercados regionais pode trazer ganhos relevantes para companhias brasileiras. Entre os benefícios estão a ampliação de mercado consumidor, diversificação de receitas e possibilidade de ganho de escala na produção.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a internacionalização exige atenção a fatores como variações cambiais, diferenças regulatórias e gestão de contratos internacionais. Avaliar capacidade produtiva, logística e estrutura financeira antes de assumir novos compromissos comerciais é considerado essencial.

Segundo o executivo, empresas que adotam uma estratégia gradual de internacionalização tendem a consolidar presença regional e ampliar competitividade. “Começar pelo Mercosul permite que a empresa aprenda a operar no comércio exterior, desenvolva processos internos e construa experiência para acessar mercados mais distantes no futuro”, conclui.

Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e reorganização das cadeias produtivas, a integração regional volta a ganhar importância estratégica. Para indústrias instaladas fora dos grandes centros econômicos, o fortalecimento do comércio dentro do Mercosul pode representar uma oportunidade concreta de ampliar exportações e reduzir a dependência de poucos mercados internacionais.

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Tensões no Mar Negro elevam incertezas para o mercado global de trigo

O aumento das tensões no Mar Negro trouxe novas incertezas para o mercado global de trigo, em um momento marcado por um balanço de oferta menos confortável entre os principais países exportadores. A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia voltou a colocar a logística de escoamento dos grãos da região no centro das preocupações, com impactos potenciais não apenas para o trigo, mas também para outros produtos agrícolas, como o milho.

De acordo com o Itaú BBA, a atenção do mercado se concentra especialmente no Mar de Azov, corredor estratégico para a exportação de trigo russo. A região possui papel fundamental no fluxo de embarques do país, e qualquer restrição à navegação, aumento dos custos de frete e seguro ou elevação da percepção de risco tende a ampliar a volatilidade das cotações internacionais.

O movimento ganhou relevância porque ocorre em um cenário de menor disponibilidade entre importantes exportadores. Nos Estados Unidos, a safra de trigo de inverno foi fortemente impactada pela seca registrada durante o ciclo produtivo. As projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam uma das menores colheitas desde 1970, estimada em cerca de 42 milhões de toneladas, uma redução significativa em relação à temporada anterior, com reflexos sobre os estoques finais. Apesar da melhora recente nas condições do trigo de primavera, essa recuperação não compensa integralmente as perdas observadas na produção de inverno.

Na União Europeia, o cenário também apresentou deterioração ao longo da temporada. Ondas de calor em importantes regiões produtoras reduziram o potencial das lavouras e levaram a revisões negativas para a safra. Países como França, Alemanha, Espanha e nações do Leste Europeu registraram perdas de produtividade, reduzindo a capacidade exportadora do bloco em relação às expectativas iniciais.

Outros fornecedores relevantes também enfrentam limitações. O Canadá apresenta redução de área plantada e expectativa de menor produção, enquanto a Argentina deve registrar retração em relação à temporada anterior. Dessa forma, embora os estoques globais ainda permaneçam elevados em termos absolutos, a disponibilidade efetiva de trigo entre os principais exportadores vem diminuindo gradualmente.

Nesse ambiente, a Rússia passou a ocupar uma posição ainda mais estratégica no abastecimento mundial. A expectativa segue sendo de uma safra robusta, favorecida pelas condições climáticas em importantes regiões produtoras. No entanto, o principal ponto de atenção do mercado deixou de ser a disponibilidade do cereal e passou a ser a capacidade logística de exportação. A dúvida central é se o país conseguirá escoar seus volumes de forma eficiente durante o período de maior concentração dos embarques, entre agosto e dezembro.

No Brasil, a nova safra de trigo avança para a reta final do plantio, com o mercado acompanhando de perto a evolução das condições climáticas e os impactos sobre produtividade e qualidade do cereal. O clima no Sul continuará sendo determinante para o desempenho das lavouras nos próximos meses, enquanto o cenário internacional seguirá influenciando as expectativas de preços e oportunidades de comercialização.

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Setor de produtos frescos acelera transformação no primeiro semestre

O primeiro semestre de 2026 consolidou uma mudança estratégica no setor brasileiro de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (FFLVO). Pressionado pela necessidade de resolver perdas operacionais, alcançar eficiência logística e responder às mudanças no comportamento do consumidor, o segmento acelerou investimentos em inteligência comercial, inovação e conveniência, posicionando os produtos frescos como uma das principais alavancas de rentabilidade do varejo alimentar.

Encontros promovidos pela International Fresh Produce Association (IFPA) e debates em fóruns do setor evidenciaram uma nova visão sobre frutas, flores, legumes e verduras dentro dos supermercados. A categoria deixou de ser tratada apenas como uma seção operacional e passou a ocupar espaço estratégico para fidelização, diferenciação e geração de margem.

“Estamos vivendo uma mudança importante no setor”, afirma Valeska Ciré, representante no Brasil da IFPA. “O FFLVO deixou de ser visto apenas como categoria de abastecimento e passou a ocupar espaço estratégico dentro do varejo alimentar. Hoje existe compreensão clara de que o setor é fundamental para suprir as mudanças de comportamento do consumidor e suas demandas, refletindo no potencial de resultado no ponto de venda”.

O setor vem abandonando decisões baseadas apenas em experiência ou intuição, adotando ferramentas capazes de reduzir perdas e melhorar margem operacional. Estudos apresentados em eventos de negócios da IFPA apontam que varejistas que utilizam modelos preditivos conseguem reduzir perdas em até 25% e rupturas em até 30%—um ganho competitivo significativo em segmento historicamente pressionado por margens reduzidas.

Saudabilidade e conveniência: novas oportunidades

Outro destaque do primeiro semestre foi o fortalecimento da demanda por alimentos frescos associados à saudabilidade e praticidade. Produtos como frutas cortadas, saladas prontas, vegetais higienizados e itens prontos para consumo ganharam espaço nas discussões comerciais, abrindo novas oportunidades de valor agregado para produtores, indústria e varejo. “O consumidor mudou muito rapidamente. Existe demanda crescente por praticidade, saudabilidade e conveniência. Isso cria espaço para produtos de maior valor agregado e exige que toda a cadeia repense logística, exposição, comunicação e desenvolvimento de novos formatos de consumo”, destaca Ciré.

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A migração de consumidores para alimentos frescos e mais saudáveis, impulsionada por novas tendências de bem-estar e saúde, amplifica essa oportunidade de mercado para toda a cadeia produtiva.

O semestre também foi marcado pela ampliação do debate sobre rastreabilidade, sustentabilidade e integração da cadeia produtiva. A abertura de novos mercados internacionais e avanço de acordos comerciais colocaram pressão adicional sobre padrões de qualidade, logística e conformidade socioambiental. Simultaneamente, o consumidor brasileiro passou a exigir maior transparência sobre origem, produção e impacto ambiental dos alimentos.

Nos principais fóruns do setor, como o Fórum IFPA–FFLVO para Supermercados realizado durante a APAS Show 2026, especialistas reforçaram que supermercados com maior participação de produtos frescos podem alcançar até 15% mais lucro. Essa rentabilidade depende de três fatores críticos: controle operacional rigoroso, redução efetiva de perdas e maior colaboração entre fornecedores e varejo.

“A cadeia começa a entender que colaboração será essencial para enfrentar os próximos desafios,” afirma Ciré. “O produtor busca eficiência, o varejo quer reduzir perdas e o consumidor exige qualidade e conveniência. Quando esses elos trabalham de forma integrada, surgem oportunidades concretas de inovação e crescimento”.

Desafios climáticos e perspectivas para o segundo semestre

Além das transformações de consumo, o setor acompanha com atenção os efeitos climáticos previstos para o segundo semestre. A expectativa de intensificação do El Niño pode impactar oferta, produtividade e preços em algumas regiões produtoras, aumentando a necessidade de planejamento resiliente e inteligência operacional.

O setor de Frutas, Flores, Legumes, Verduras e Ovos (FFLVO) deve atravessar os próximos seis meses em um ambiente de crescimento seletivo de demanda, porém com forte pressão sobre margens, maior volatilidade de preços e risco climático elevado. Em frutas, legumes e verduras, o consumo tende a permanecer sustentado por saudabilidade, mas o consumidor seguirá sensível a preço, promoções e substituições entre itens, em um contexto de inflação elevada, juros altos e renda seletiva.

Apesar dos desafios, o Brasil possui enorme potencial para crescimento tanto no mercado interno quanto internacional. O evento The Brazil Conference & Expo, da IFPA, previsto para agosto, promete consolidar as tendências observadas e gerar novas oportunidades comerciais. O desafio agora é transformar esse potencial em uma cadeia mais eficiente, conectada e preparada para responder rapidamente às mudanças de consumo e mercado.

Grupo Labhoro: mais do que área, próxima safra será definida pela tecnologia e qualidade das decisões

Com uma visão ampla, integrada e multidimensional dos mercados agrícolas globais, o Grupo Labhoro acompanha simultaneamente o desenvolvimento da safra do Hemisfério Norte e a construção da safra brasileira 2026/27. Mais do que observar acontecimentos isolados, a empresa integra informações sobre clima, oferta e demanda, geopolítica, logística, macroeconomia e fluxo financeiro para compreender como esses fatores moldam o ambiente que antecede a próxima safra sul-americana.

Nesse contexto, os levantamentos mais recentes do USDA indicam que 67% das lavouras de milho e 66% das lavouras de soja nos Estados Unidos encontram-se classificadas entre boas e excelentes, corroborando um cenário até então favorável para o potencial produtivo da safra norte-americana.

Paralelamente, há meses a equipe de Inteligência de Mercado da Labhoro acompanha indicadores como o U.S. Drought Monitor, mapas de anomalias de temperatura, precipitação e umidade do solo, alertando seus clientes para a possibilidade de temperaturas acima da média histórica, episódios de estresse térmico e restrição de chuvas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos, da Europa e de partes do Canadá.

Embora estes indicadores de lavoura sustentem uma perspectiva favorável para a safra norte-americana, a evolução das áreas afetadas por temperaturas acima da média histórica e chuvas restritas já exige maior atenção dos participantes do mercado. E é exatamente isso que vem acontecendo: uma transição sendo construída através de especulações climáticas. 

Caso as condições climáticas persistam ou se intensifiquem nas próximas semanas, parte do potencial produtivo das lavouras é impactado, influenciando a percepção de risco dos agentes de mercado e ampliando a volatilidade das commodities agrícolas.

Para a Labhoro, esse acompanhamento vai muito além da safra norte-americana. O comportamento das lavouras nos Estados Unidos, aliado às condições produtivas observadas na Europa e em partes do Canadá, contribui para formar o ambiente de mercado que antecede a construção da próxima safra sul-americana. Muito antes do início do plantio, decisões relacionadas ao crédito, aquisição de insumos, formação do pacote tecnológico, comercialização, gestão de riscos e planejamento financeiro já vêm sendo tomadas pelas famílias produtoras e terão influência direta sobre o desempenho da próxima temporada.

Enquanto parte do mercado acompanha a evolução da área cultivada como principal indicador para estimar o potencial da safra brasileira de soja 2026/27, o Grupo Labhoro direciona sua atenção para uma variável que considera ainda mais determinante para o desempenho da próxima temporada: a intensidade tecnológica que sustentará essa área e a qualidade das decisões estratégicas tomadas ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na avaliação do grupo, a evolução da área plantada continuará sendo um importante indicador para a formação da oferta e, consequentemente, para a dinâmica de precificação das commodities agrícolas. Entretanto, analisar exclusivamente o crescimento ou não da área poderá levar o mercado a uma leitura incompleta do cenário que está sendo construído para a próxima safra.

Mais do que discutir sobre a área a ser cultivada, será necessário compreender como a gestão será conduzida. É justamente nesse ponto que a Labhoro identifica um dos principais desafios para a temporada 2026/27.

Área deverá continuar crescendo, mas em um novo ambiente econômico

Os levantamentos realizados pela mesa de inteligência do Grupo Labhoro nas principais regiões produtoras indicam que, neste momento, não há evidências de uma retração estrutural da área nacional destinada ao cultivo de soja.

A projeção preliminar da empresa aponta para uma área próxima de 49,1 milhões de hectares, sustentada principalmente pela continuidade da abertura de novas fronteiras agrícolas e pela incorporação gradual de novas áreas produtivas ao sistema agrícola brasileiro.

Ao mesmo tempo, a empresa observa um movimento consistente de readequação econômica dos contratos de arrendamento. Em diversas regiões do país, produtores vêm renegociando contratos firmados em um contexto econômico completamente diferente daquele vivido atualmente. Custos de produção mais elevados, mudanças na relação de troca, maior seletividade do crédito e margens significativamente mais estreitas fizeram com que muitos contratos deixassem de apresentar sustentabilidade econômica.

Em alguns casos ocorre a devolução de áreas e em outros se observa um processo intenso de renegociação dos valores de arrendamento, em uma tentativa de tornar a atividade economicamente viável.

Na avaliação da Labhoro, esse movimento representa muito mais uma adaptação à nova realidade econômica do agronegócio do que um processo consistente de redução da área cultivada no país.

Tecnologia aplicada deverá ser o principal diferencial da próxima safra

Na avaliação do Grupo Labhoro, a principal variável da safra 2026/27 não será apenas o tamanho da área cultivada, mas a intensidade tecnológica empregada ao longo de todo o ciclo produtivo.

Historicamente, o crescimento da produção brasileira esteve associado tanto à expansão territorial quanto à incorporação de tecnologias capazes de elevar a produtividade das lavouras. Entretanto, o atual ambiente econômico impõe uma nova realidade aos produtores. Margens mais apertadas, custos crescentes, juros altos, maior seletividade na concessão de crédito tornam as decisões sobre investimento cada vez mais criteriosas.

Nesse cenário, o desafio deixa de ser apenas produzir mais. Passa a ser produzir melhor, utilizando os recursos disponíveis de forma estratégica e economicamente eficiente.

Segundo a Labhoro, observa-se um movimento crescente de racionalização dos investimentos em diversas regiões produtoras. A preocupação não está apenas na quantidade de tecnologia utilizada, mas também na qualidade das decisões relacionadas ao pacote tecnológico que será adotado.

Em algumas propriedades, essa estratégia poderá resultar na redução da população de plantas, em ajustes na adubação, na postergação de investimentos, na escolha de materiais genéticos mais compatíveis com a realidade econômica de cada região ou mesmo em alterações no manejo fitossanitário. Em outras, produtores poderão optar por manter elevados níveis tecnológicos justamente para preservar o potencial produtivo e diluir custos fixos.

Essa heterogeneidade torna a leitura da próxima safra muito mais complexa do que simplesmente analisar o crescimento da área cultivada.

Para a Labhoro, dois produtores com a mesma área podem obter resultados completamente distintos em função das decisões tomadas antes e durante o desenvolvimento das lavouras.

É justamente essa diferença na intensidade tecnológica e na gestão da propriedade que deverá explicar boa parte da variabilidade de produtividade observada entre regiões e sistemas produtivos na safra 2026/27.

Crédito mais seletivo exige planejamento

Outro fator que merece atenção é o ambiente financeiro. Nos últimos anos, o produtor rural passou a conviver com uma realidade bastante diferente daquela observada durante o período de juros historicamente baixos. O aumento do custo do capital elevou significativamente o peso das despesas financeiras dentro do custo de produção, tornando o planejamento ainda mais relevante.

Além disso, observa-se um mercado de crédito mais seletivo. Instituições financeiras, tradings, cooperativas e fornecedores passaram a ampliar seus critérios de avaliação de risco, exigindo maior capacidade de gestão, planejamento financeiro e organização das informações por parte dos produtores.

Na avaliação da Labhoro, esse novo ambiente não deverá reduzir apenas o acesso aos recursos financeiros. Ele também tende a influenciar diretamente o nível tecnológico empregado nas lavouras, especialmente entre produtores com maior restrição de capital.

Ao mesmo tempo, produtores que conseguiram preservar liquidez, planejamento e capacidade de investimento poderão transformar esse cenário em vantagem competitiva, mantendo elevados níveis tecnológicos e capturando ganhos de produtividade em relação à média do mercado.

Mais uma vez, a diferença não estará necessariamente na área cultivada, mas na qualidade das decisões tomadas ao longo de todo o processo produtivo.

Gestão passa a ser tão importante quanto produzir

Na avaliação do Grupo Labhoro, a agricultura brasileira entra em uma nova fase. Se durante muitos anos o crescimento da produção esteve fortemente associado à expansão da área e ao avanço tecnológico praticamente uniforme, o cenário atual exige uma combinação muito mais sofisticada entre gestão financeira, inteligência de mercado, mitigação de riscos, planejamento comercial, eficiência operacional e tecnologia.

Nesse ambiente, produzir bem continuará sendo indispensável. Mas produzir com estratégia, disciplina financeira e capacidade de adaptação às mudanças de mercado poderá representar o verdadeiro diferencial competitivo da próxima safra.

É justamente essa combinação entre tecnologia, gestão e tomada de decisão que, na visão da Labhoro, deverá definir os resultados econômicos da safra brasileira 2026/27.

Entretanto, mesmo as melhores decisões de gestão precisam conviver com fatores que escapam ao controle do produtor. É nesse momento que o monitoramento contínuo do ambiente climático e geopolítico global ganha importância crescente na construção dos cenários de mercado.

Climatologia continua sendo uma das principais variáveis da próxima safra

Embora a construção da safra brasileira ainda esteja em sua fase inicial, o cenário climático permanece entre as principais variáveis monitoradas pela mesa de Inteligência de Mercado do Grupo Labhoro.

Esse acompanhamento não se restringe ao território brasileiro. A equipe monitora continuamente a evolução das condições climáticas no Hemisfério Norte, especialmente nos Estados Unidos, além de importantes regiões produtoras da Europa e de partes do Canadá, avaliando indicadores como o U.S. Drought Monitor, mapas de anomalias de temperatura, precipitação, umidade do solo e previsões climáticas de curto, médio e longo prazo.

Esse trabalho permitiu à Labhoro alertar seus clientes, ainda nos últimos meses, para a possibilidade de temperaturas acima da média histórica, restrição de chuvas e episódios de estresse térmico em importantes regiões produtoras do Hemisfério Norte, fatores que permanecem sendo acompanhados diariamente pela equipe.

Mais do que avaliar o impacto agronômico dessas condições, a empresa acompanha como esses eventos alteram a percepção de risco dos participantes do mercado, influenciando o comportamento dos fundos de investimento, das tradings, da indústria e dos agentes financeiros.

Na avaliação da Labhoro, compreender essa dinâmica é tão importante quanto acompanhar a evolução das lavouras.

El Niño no radar

Além das condições observadas no Hemisfério Norte, outro fator acompanhado permanentemente pela equipe de Inteligência de Mercado é a evolução dos fenômenos climáticos associados ao Oceano Pacífico.

Embora ainda exista elevado grau de incerteza sobre o comportamento climático durante o desenvolvimento da safra sul-americana, qualquer alteração no padrão oceânico-atmosférico poderá modificar significativamente o regime de chuvas, a distribuição das temperaturas e o potencial produtivo das principais regiões agrícolas brasileiras.

Para a Labhoro, mais importante do que antecipar um fenômeno climático é acompanhar continuamente sua evolução, atualizando cenários à medida que novas informações são incorporadas ao mercado.

Essa leitura dinâmica permite que produtores, cooperativas, tradings, agroindústrias e demais participantes da cadeia ajustem suas estratégias comerciais e de gestão de risco de forma mais eficiente.

Geopolítica continua influenciando o mercado das commodities

Outro componente que permanece no radar da Labhoro é o ambiente geopolítico internacional.

Nos últimos anos, conflitos armados, restrições logísticas, sanções econômicas, alterações em corredores marítimos e mudanças nas relações comerciais entre países demonstraram que o mercado agrícola responde cada vez mais rapidamente aos riscos globais.

Mais recentemente, a intensificação dos ataques na região de Odessa e do Mar Negro, os riscos envolvendo importantes corredores marítimos internacionais, incluindo o Estreito de Ormuz, além das preocupações climáticas observadas nos Estados Unidos, Europa e Canadá, reforçaram a percepção de risco dos agentes financeiros.

Em diversos momentos, esses fatores provocam movimentos relevantes nos mercados futuros antes mesmo que ocorram alterações concretas na oferta ou na demanda mundial.

Na avaliação da Labhoro, compreender esse ambiente tornou-se indispensável para qualquer estratégia de comercialização e gestão de risco.

Foto: Hugo Magalhães / Pexels.com

Mercado negocia expectativas, risco e percepção

Ao contrário da percepção de parte dos participantes, os preços das commodities agrícolas não refletem apenas a realidade presente das lavouras.

Os mercados negociam expectativas, cenários, probabilidades e principalmente percepção de risco. Por esse motivo, mudanças nas condições climáticas, tensões geopolíticas, alterações na política monetária, oscilações cambiais ou movimentos dos fundos de investimento frequentemente antecipam variações de preços muito antes que seus efeitos sejam observados na produção agrícola.

Segundo a Labhoro, interpretar corretamente esses sinais tornou-se uma das principais vantagens competitivas para empresas, cooperativas, distribuidores, agroindústrias e produtores rurais. É justamente essa integração entre fundamentos, climatologia, geopolítica, fluxo financeiro e inteligência de mercado que sustenta as análises desenvolvidas pela empresa.

Fator humano continua sendo decisivo

Mesmo diante do avanço tecnológico observado na agricultura brasileira, a próxima safra continuará sendo fortemente influenciada pelas decisões humanas.

A escolha do pacote tecnológico, o momento de comercialização, a contratação de operações de hedge, a gestão financeira, o planejamento tributário, o acesso ao crédito, a formação das equipes e a capacidade de adaptação às mudanças de mercado continuarão exercendo influência direta sobre os resultados econômicos da atividade.

Na visão da Labhoro, tecnologia produz eficiência. Gestão produz competitividade, mas são as decisões tomadas diariamente pelos produtores e gestores que transformam potencial produtivo em resultado econômico.

Todo esse conjunto de fatores reforça uma conclusão importante: estimar a próxima safra brasileira exige muito mais do que projetar área cultivada ou produtividade potencial.

É necessário compreender como clima, tecnologia, crédito, geopolítica, fluxo financeiro, comportamento dos agentes econômicos e qualidade da gestão interagem na formação do ambiente de mercado.

É justamente essa visão integrada que sustenta as projeções e análises desenvolvidas pelo Grupo Labhoro para a safra brasileira 2026/27.

Projeções preliminares indicam crescimento da produção, mas cenário permanece dinâmico

Com base nos levantamentos realizados até o momento, o Grupo Labhoro projeta que a safra brasileira de soja 2026/27 deverá registrar novo crescimento de produção, sustentado principalmente pela continuidade da expansão da área cultivada e pelo elevado potencial produtivo da agricultura brasileira.

Entretanto, a empresa ressalta que esta é uma projeção preliminar, construída a partir das informações atualmente disponíveis. Ao longo dos próximos meses, fatores como comportamento climático, intensidade tecnológica empregada nas lavouras, disponibilidade de crédito, dinâmica dos mercados internacionais, geopolítica, custos de produção e decisões de gestão poderão alterar o potencial produtivo inicialmente estimado.

Na avaliação da Labhoro, a próxima safra deverá ser acompanhada de forma ainda mais dinâmica do que em anos anteriores, exigindo atualização permanente dos cenários e rápida capacidade de adaptação por parte dos agentes da cadeia do agronegócio.

Mais do que buscar respostas definitivas neste momento, o mercado deverá acompanhar continuamente a evolução dos indicadores que efetivamente determinarão o comportamento da produção brasileira ao longo da temporada.

Visão da Labhoro

Para o Grupo Labhoro, a safra brasileira começa muito antes da entrada das máquinas no campo. Ela começa quando produtores, cooperativas, distribuidores, agroindústrias, tradings e instituições financeiras iniciam suas decisões de crédito, comercialização, aquisição de insumos, definição do pacote tecnológico, gestão financeira e mitigação de riscos.

Começa também na leitura dos sinais emitidos pelos mercados internacionais, pela climatologia, pela geopolítica, pela macroeconomia e pelo comportamento dos agentes financeiros.

Por isso, estimar uma safra exige muito mais do que projetar área plantada ou produtividade potencial. Exige compreender como todos esses fatores interagem entre si e influenciam o ambiente de decisão ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na visão da Labhoro, a agricultura moderna deixou de ser definida apenas pelo que acontece dentro da porteira. Hoje, competitividade também depende da capacidade de interpretar informações, antecipar tendências, gerenciar riscos e transformar inteligência em estratégia.

É justamente essa abordagem que orienta o trabalho da empresa há mais de três décadas, acompanhando diariamente os mercados agrícolas nacionais e internacionais para apoiar decisões mais seguras, consistentes e sustentáveis em toda a cadeia do agronegócio.

Com mais de R$ 1 trilhão em ativos, cooperativas de crédito ganham espaço entre os brasileiros

As cooperativas de crédito alcançaram um novo patamar no sistema financeiro brasileiro. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, o segmento ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão em ativos em 2025, consolidando uma trajetória de crescimento que vem se fortalecendo nos últimos anos.

O setor é formado atualmente por 689 cooperativas singulares e tem ampliado sua presença em todas as regiões do país, atraindo um número cada vez maior de brasileiros em busca de alternativas aos bancos tradicionais.

O avanço reflete uma mudança gradual no comportamento dos consumidores e das empresas. Estruturadas sob um modelo em que os clientes também são associados, as cooperativas oferecem serviços como crédito, investimentos, seguros e meios de pagamento, muitas vezes com condições mais competitivas. A expansão também tem sido impulsionada pela forte presença dessas instituições em municípios menores e localidades com menor cobertura bancária.

Para Fabiano Jantalia, sócio-fundador do Jantalia Advogados e especialista em Direito Bancário, o crescimento do setor demonstra que o cooperativismo financeiro deixou de ocupar um nicho específico para assumir um papel relevante dentro da economia brasileira.

Foto: Diego Barros / Pexels.com

“Ultrapassar R$ 1 trilhão em ativos é um marco que evidencia a maturidade das cooperativas de crédito e a confiança que os brasileiros passaram a depositar nesse modelo. Hoje, elas participam de forma efetiva da oferta de crédito e da inclusão financeira em diversas regiões do país”, afirma.

Além do crescimento patrimonial, as cooperativas vêm ampliando sua importância para a concorrência no mercado financeiro. Na avaliação do especialista, a expansão do segmento contribui para diversificar a oferta de serviços e estimular condições mais favoráveis para consumidores e empresas.

“Quanto maior a participação de diferentes agentes financeiros no mercado, maior tende a ser a competitividade. As cooperativas exercem um papel importante ao oferecer alternativas de relacionamento e financiamento que dialogam com as necessidades locais de seus associados”, explica.

Avanços regulatórios

O fortalecimento do setor também tem sido acompanhado por avanços regulatórios e pelo aperfeiçoamento dos mecanismos de supervisão. Conforme Jantalia, esse cenário cria condições para que as cooperativas continuem crescendo de forma sustentável nos próximos anos.

“O desafio é preservar os princípios cooperativistas que diferenciam essas instituições, ao mesmo tempo em que elas ganham escala e relevância econômica. O crescimento observado hoje demonstra que o modelo tem espaço para continuar se expandindo no sistema financeiro brasileiro”, conclui.

EUA impõem nova tarifa de 12,5% a produtos brasileiros

com informações da Agência Brasil

Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida já entrou em vigor nesta sexta-feira (24/07).

A nova tarifa substitui a taxa global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e se soma à sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o último dia 22. Com isso, parte das exportações do Brasil para o mercado estadunidense poderá enfrentar tributação de até 37,5%.

A decisão foi tomada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Motivação

Segundo o governo estadunidense, o Brasil integra o grupo de 54 países que não proíbem nem fiscalizam de forma efetiva a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados internos. Na avaliação do USTR, essa falha cria uma vantagem competitiva indevida, ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos menores.

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a prática prejudica empresas e trabalhadores estadunidenses. “A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual”, destacou Greer em comunicado.

Produtos 

O relatório afirma que, entre 2021 e 2025, o Brasil importou produtos associados ao trabalho forçado em cinco segmentos:

  1. alumínio
  2. algodão
  3. eletrônicos
  4. baterias de lítio
  5. tabaco

Segundo o USTR, esses produtos poderiam entrar no mercado brasileiro com preços artificialmente reduzidos e, posteriormente, influenciar a competitividade das exportações nacionais.

O documento também menciona que, embora o Brasil participe de acordos internacionais de combate ao trabalho escravo e mantenha a chamada Lista Suja do Trabalho Escravo, o país não detém, na avaliação dos Estados Unidos, mecanismos considerados suficientes para impedir a importação desses bens.

Países

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul.

Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.

Tarifa 

A nova medida se soma à tarifa de 25% aplicada nesta semana sobre parte das exportações brasileiras, resultado de outra investigação conduzida pelo USTR.

Nesse processo, o governo estadunidense acusou o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas desleais, citando questões como acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção, desmatamento ilegal e políticas comerciais preferenciais.

Com a nova decisão, empresas brasileiras poderão enfrentar uma carga tarifária total de até 37,5% em parte das exportações destinadas aos Estados Unidos.

As novas tarifas anunciadas nesta quinta substituem a taxa global de 10% anunciada por Trump em fevereiro deste ano. Na ocasião, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as “tarifas recíprocas” impostas pelo presidente estadunidense no ano passado.

Reação brasileira

Em nota, o governo brasileiro criticou a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos e classificou a medida como “arbitrária” e “injustificada”. Segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o Brasil apresentou ao governo norte-americano informações sobre sua legislação e os mecanismos de fiscalização para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, além de destacar o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

O texto também informa que o governo pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade e levar o caso ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro já havia contestado as conclusões da investigação. Em manifestação anterior, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções seriam desproporcionais e defendeu que o país mantém legislação e acordos internacionais voltados ao combate ao trabalho forçado.

Segundo o chanceler, o Brasil dispõe de mecanismos de fiscalização e cooperação internacional para impedir a circulação de produtos produzidos em condições análogas à escravidão.

Enquanto avalia uma resposta diplomática, o governo mantém medidas de apoio às empresas exportadoras afetadas pelas tarifas americanas por meio do Plano Brasil Soberano, que prevê linhas de crédito e incentivo à abertura de novos mercados.

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