IA: é preciso desmistificar para transformar 

por Tânia Alves*

A Inteligência Artificial ainda é cercada por muitas ideias equivocadas no mundo corporativo. Na maioria das vezes, ela é vista como algo quase “mágico”, que pensa sozinha ou que possui uma vontade própria para tomar decisões. No entanto, quando olhamos de perto, a realidade é bem mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais poderosa do que a ficção. 

Segundo estudo divulgado pela Newnew, 80% das empresas participantes utilizam algum tipo de aplicação da IA. Por sua vez, apesar da ampla presença da tecnologia, o nível de maturidade organizacional ainda é limitado, sendo que apenas 11% das lideranças avaliam que a implementação “deu certo”, enquanto a maior parte continua no nível intermediário. 

Antes de tudo, é fundamental desconstruir a ideia de que a IA pensa como um ser humano. Afinal, ela não tem consciência, não possui intenção e não “decide” no sentido humano da palavra. O que ela faz, na verdade, é algo mais objetivo: identificar padrões em grandes volumes de dados e usá-los para prever ou sugerir decisões futuras. Na prática, o processo é lógico. A tecnologia recebe os registros, sejam eles históricos ou em tempo real, aprende como essas informações se relacionam entre si e, com base nisso, aponta o que é mais provável de acontecer em um determinado cenário. 

Para ilustrar, podemos imaginar uma máquina que começa a apresentar pequenas variações antes de falhar completamente. Para um operador humano, essas mudanças podem ser imperceptíveis no início. Entretanto, a IA, ao analisar o histórico desses eventos e reconhecer o padrão que antecede uma quebra, consegue prever o problema muito antes de ele ocorrer. Isso não é intuição, é processamento de dados puro. 

No entanto, para que toda essa estrutura funcione bem, a IA depende de três elementos principais. O primeiro, e talvez o mais importante, são os dados. Sem eles, não existe inteligência, visto que são o combustível que alimenta todo o processo, venham eles de ERPs, CRMs ou de sensores espalhados por uma linha de produção. Contudo, aqui existe um ponto de atenção crucial: não se trata apenas de ter um volume gigantesco de informações, mas sobre ter dados bons. Até porque, se estiverem incompletos, desatualizados ou incorretos, a ferramenta também vai errar em suas previsões. 

O segundo pilar são os modelos, que nada mais são do que a “inteligência” por trás da tecnologia. Sem entrar em termos técnicos complexos, podemos pensar neles como formas de ensinar a máquina a reconhecer os padrões. Existem diversos tipos de modelos, mas todos compartilham o mesmo objetivo final: transformar dados brutos em previsões ou recomendações que façam sentido para o negócio. Por fim, o terceiro elemento é a capacidade de processamento, e é aqui que entram soluções essenciais como a computação em nuvem e equipamentos de alto desempenho, que permitem que a IA funcione tanto em grandes servidores quanto diretamente no chão de fábrica, onde a decisão precisa ser imediata. 

Compreender esses pilares ajuda a entender por que a IA deixou de ser uma tendência e se tornou um diferencial competitivo indispensável hoje. O motivo é simples: ela ajuda as empresas a tomarem decisões melhores e mais rápidas. Em um mercado onde a agilidade é tudo, antecipar problemas antes que eles aconteçam, automatizar análises que levariam dias para serem feitas manualmente e reduzir incertezas são vantagens que colocam qualquer operação em outro nível. O impacto é muito concreto e pode ser visto em diversas frentes. No setor industrial, o foco está em prever falhas e melhorar a qualidade dos produtos. No backoffice, a IA ajuda a identificar desvios e padrões em indicadores financeiros que poderiam passar despercebidos. No comercial, ela permite prever a demanda com uma precisão muito maior, evitando estoques parados ou falta de produtos. No fim das contas, empresas que usam a tecnologia bem aplicada erram menos e reagem mais rápido às mudanças. 

Apesar de todo esse potencial, é preciso entender que ela não resolve todos os problemas. Existem limitações claras que todo gestor deve conhecer. A primeira é a dependência absoluta de dados de qualidade. Além disso, falta ao recurso o que chamamos de contexto humano. Afinal, a IA não entende de cultura organizacional, não compreende estratégia de longo prazo e não possui sensibilidade emocional. Ela funciona melhor em cenários específicos e sua implementação exige investimento, especialmente na organização dos dados e na integração com os sistemas que a empresa já utiliza. 

Sendo assim, adotar a Inteligência Artificial não é apenas uma decisão técnica, mas uma decisão de responsabilidade. É fundamental manter a transparência, entendendo como a ferramenta chegou a uma conclusão, e garantir uma governança de dados que preze pela segurança. A supervisão humana deve ser constante, pois a decisão final continua sendo de quem entende do negócio e, neste caso, a tecnologia deve apoiar o julgamento humano, nunca o substituir completamente. 

Empresas que compreendem essa estrutura evitam investimentos sem retorno e focam em gerar valor real. A pergunta que as lideranças devem se fazer agora não é mais se devem usar a IA, mas onde aplicá-la com o objetivo correto e uma base sólida. No final, a tecnologia está apenas evidenciando uma separação clara: entre as empresas que evoluem e aquelas que, por medo ou falta de organização, acabam ficando para trás. 

*Gerente de Engajamento do Cliente (CEE) da Okser.

Startup nordestina usa inteligência artificial para proteger agricultura das emergências climáticas

Uma tecnologia de inteligência climática desenvolvida pela startup brasileira i4sea, já aplicada em operações portuárias no litoral, começa a ser levada pela empresa ao interior do país, para a agricultura. A solução, que capta informações de estações meteorológicas, radares e sensores em geral, transformando-as em dados hiperlocais (em raios de um quilômetro), oferece previsões do tempo mais específicas para o território monitorado e para intervalos cronológicos que vão de algumas horas a 15 dias próximos.

A tecnologia da i4sea é utilizada por operadores em portos brasileiros, como o de Santos (SP), maior da América Latina, e do Açu (RJ); ainda, do Porto de Roterdã (Holanda), o maior da Europa. Mineradoras, como a Vale, e empreendimentos de energia eólica offshore (no mar) também são usuárias da inteligência climática desenvolvida pela startup, fundada em 2015 em Salvador (BA), onde mantém sua sede.

Todas essas operações marítimas e de mineração, bem como as agrícolas, estão expostas às condições do tempo. Com a previsão mais específica e precisa proporcionada pela tecnologia da i4sea, os operadores conseguem planejar seu funcionamento, prevenindo-se de eventuais riscos meteorológicos e tomando decisões como suspender ou retomar as atividades na hora e na medida certas, conforme ressalta o cofundador e CEO da i4sea, Mateus Lima.

Para o agro, a solução tem impacto positivo ainda mais significativo. Ocorre que a atividade é uma das mais afetadas pelas emergências climáticas, como adverte a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo a Embrapa, apenas 5% das áreas agrícolas do Brasil dispõem de sistemas de irrigação – ou seja, os outros 95% delas são dependentes do regime de chuvas, cada vez mais instável e sujeito a eventos extremos.

“O setor agropecuário é diretamente influenciado por fatores climáticos como chuva, umidade do solo e do ar, ventos, temperatura e radiação solar. As mudanças climáticas têm provocado alterações na incidência e frequência de eventos extremos, como alagamentos, secas e geadas, bem como modificado o ciclo de pragas e doenças na lavoura, que impactam diretamente a produção”, assinala a instituição.

Foto: Adem Percem / Pexels.com

Por isso, além da inteligência climática hiperlocal, para o agro a startup entende a necessidade de fornecimento de dados e informações que tracem um cenário em médio e longo prazo. Afinal, explica o CEO da i4sea, diferentemente de operações em que as ações dizem respeito às condições de momento (paralisar ou retomar um embarque ou desembarque portuário, por exemplo), nas atividades agrícolas as decisões são mais estruturais – como a opção por uma ou outra cultura de plantio.

A i4sea é um dos empreendimentos que estão tornando o Nordeste do Brasil referência quando o assunto são polos de inovação. Segundo dados do Sebrae Startups Report, o Nordeste já concentra cerca de 25% das startups brasileiras; uma em cada quatro startups está em um dos estados nordestinos.

Investidora da i4sea, a casa de investimentos Lighthouse tem foco justamente no Nordeste do país. Especializada em Venture Capital, em menos de dez anos estruturou fundo de investimento direcionado à região, o qual soma R$ 100 milhões de capital autorizado. Para os sócios fundadores da Lighthouse, a casa de investimentos constatou na startup de inteligência climática potencial empresarial e de forte impacto socioambiental.

“Trata-se de uma solução que concilia conhecimento científico, das áreas de Oceanografia e Climatologia, com inovação tecnológica”, sublinha um dos sócios da Lighthouse, Gustavo Menezes. “Ela tem proporcionado a players dos principais portos do Brasil e do mundo realizarem suas operações, antecipando-se a eventos climáticos. Isso é segurança e eficiência operacional. Com ocorrências climáticas cada vez mais extremas, é uma solução indispensável”, afirma.

Pesquisadores combinam IoT e inteligência artificial para aprimorar a irrigação agrícola

Os Centros de Competência da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Future Grid e Center for Embedded Devices and Research in Digital Agriculture (Cedra) estão desenvolvendo uma solução inédita em hardware para o gerenciamento inteligente de energia elétrica em sistemas de irrigação com pivô central.

A tecnologia combina monitoramento em tempo real, inteligência artificial na borda (Edge IA), geração distribuída e armazenamento de energia em um único equipamento, capaz de reduzir custos operacionais e minimizar o consumo de água e de eletricidade no campo.

O projeto compõe a Rede Agrointeligente e se encontra em fase de pesquisa aplicada, visando resolver um dos gargalos da agricultura irrigada moderna: a alta demanda de energia elétrica aliada à sazonalidade hídrica e energética. “A previsão de conclusão dos trabalhos é 2027, com expectativa de que os resultados sejam transferidos tanto para o setor produtivo quanto para a formulação de políticas públicas. A expectativa é que, ao final do projeto, exista um modelo de hardware e software pronto para comercialização e replicável em diferentes culturas e regiões do país”, informa Luciano Carstens, gerente sênior do Future Grid.

O Future Grid é o Centro de Competência Embrapii para promoção de conhecimentos em Smart Grid e Eletromobilidade que conta com toda a expertise e infraestrutura do Lactec, um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil. O Cedra é um Centro de Competência em agronegócio digital, credenciado pela Embrapii e apoiado pelo Sistema Fiergs. 

Funcionamento

O hardware projetado pelo Future Grid, em parceria com o Cedra, contará com eletrônica embarcada para a aquisição de dados de sensores instalados no campo, processamento de algoritmos de gestão hídrica e energética e apoio à tomada de decisão em tempo real. A grande inovação está na integração: o sistema combina fontes renováveis (como energia solar fotovoltaica), sistemas de armazenamento (baterias, ou BESS) e controle inteligente da demanda.

O pesquisador do Lactec, Bruno Knevitz Hammerschmitt, explica que “na prática, a solução em desenvolvimento será capaz de caracterizar o perfil de consumo elétrico dos pivôs, cruzar informações com sensores de irrigação e realizar o agendamento do acionamento de motobombas nos momentos de real necessidade de irrigação e de menor custo de energia, ou de maior disponibilidade de geração local”, antecipa.

Entre os desafios técnicos apontados pelos Centros de Competência estão a medição confiável em tempo real com sensores em campo, a sazonalidade do uso da energia e da disponibilidade hídrica, a integração dos dados para decisão imediata, a escalabilidade da solução e o correto dimensionamento do sistema de geração distribuída (BESS e painéis solares), considerando os ciclos de irrigação da região-piloto.

Parceria 

No acordo, o Future Grid ficou responsável por projetar e validar o hardware com eletrônica embarcada para aquisição de dados, além de desenvolver os algoritmos de gestão e tomada de decisão. Entre outras contribuições, o Cedra compartilha a expertise em sistemas de irrigação, sensoriamento de campo e conhecimento em agricultura digital. 

Juntos, os Centros de Competência conduzirão o dimensionamento do sistema de energia com base nos ciclos reais de irrigação da área de testes. “Estamos criando uma ferramenta que não só proporcionará a gestão efetiva do consumo de energia elétrica e a redução de custos, mas também preservará um recurso cada vez mais escasso: a água. A inteligência embarcada decide quando, quanto e como irrigar, usando a melhor composição de energia disponível”, resume Bruno Knevitz Hammerschmitt.

Foto: Pareekshith Indeever / Pexels

A era do Retorno sobre Energia (ROE): por que a produtividade da IA exige uma nova gestão da energia humana

por Mário Soma*

A Inteligência Artificial (IA) entregou o que prometeu: uma escala de produtividade sem precedentes. No entanto, ao observar as discussões do SXSW deste ano, ficou claro que essa evolução trouxe um efeito colateral silencioso que as empresas não podem mais ignorar. 

A tecnologia elevou a capacidade operacional, mas expôs um custo invisível: o esgotamento da carga mental humana. Estamos vivendo o paradoxo da eficiência. De acordo com dados de mercado, o cenário é alarmante:

  • 68% dos profissionais admitem que não têm tempo para pensar estrategicamente, segundo relatório da Microsoft
  • 60% do esforço das equipes é drenado pela coordenação de tarefas, não pela execução, segundo relatório da Asana
  • O volume de decisões executivas explodiu, mas a nossa capacidade cognitiva para processá-las continua a mesma,  segundo relatório do Gartner

Na prática, as respostas estão mais rápidas, mas a profundidade está minguando. A produtividade cresce, mas a dependência da IA cria um ciclo de estímulos ininterruptos. 

É neste cenário de “infoxicação” que o Return on Energy (ROE) — ou Retorno sobre Energia — deixa de ser um conceito de bem-estar para se tornar uma prioridade estratégica de negócios.

O ROE não substitui o ROI; ele o protege

É fundamental entender que o ROE não invalida o tradicional Return on Investment (ROI). Na verdade, ele é o que garante a sustentabilidade do lucro a longo prazo. 

Se o ROI mede o quanto ganhamos financeiramente, o ROE mede o custo de atenção e o esforço cognitivo necessários para sustentar esses resultados. 

Sem um ROE equilibrado, o ROI de hoje se torna o burnout de amanhã.

A grande virada de chave do SXSW foi justamente o deslocamento do foco da tecnologia pura para o contexto humano e emocional. A IA agora “conversa”, “escuta” e “emula sentimentos”. Esse excesso de interfaces que exigem decisões contínuas gerou um desafio econômico real: o consumo desenfreado de energia cognitiva.

A gestão de atenção como ativo financeiro

Quando o desgaste mental atinge o limite, a qualidade das decisões despenca, o engajamento das equipes evapora e a experiência do cliente é comprometida. Problemas que antes eram vistos como “sociais” ou “de RH” foram definitivamente transpostos para o centro da estratégia financeira.

Para reverter esse quadro e gerar satisfação real, as empresas precisam migrar do excesso para a intencionalidade. Se o bombardeio de estímulos prejudica a conexão com a marca e a eficiência da operação, a “recuperação de energia” passa a ser o valor percebido mais escasso e desejado.

Foto: Daniil Komov / Pexels.com

O próximo passo: maturidade tecnológica

Já sabemos que a IA aumenta a produtividade. Agora, o desafio das lideranças é identificar o nível de maturidade necessário para gerir o impacto dessa tecnologia sobre as pessoas.

A gestão da energia cognitiva e a responsabilidade sobre como a tecnologia afeta a operação já são pautas obrigatórias entre os executivos C-Level. No mundo corporativo moderno, ignorar o ROE não é apenas uma falha de gestão de pessoas; é um risco financeiro e estratégico que pode custar a longevidade do negócio.

*CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação.

Uso de IA cresce 72% e amplia risco jurídico sobre dados e prompts

Com cerca de 72% das empresas já utilizando inteligência artificial em ao menos uma função de negócio, segundo levantamento global da McKinsey & Company, cresce no ambiente corporativo a preocupação com a ausência de regras claras sobre uso de prompts, titularidade de outputs e proteção de dados estratégicos. O tema ganhou relevância recente com o avanço do debate regulatório internacional, após o U.S. Copyright Office reforçar o entendimento de que conteúdos gerados por IA exigem contribuição humana identificável para proteção autoral, enquanto discussões no Parlamento Europeu indicam maior foco em transparência e responsabilização no uso da tecnologia. No Brasil, o Projeto de Lei 2338 de 2023 segue em tramitação e ainda não estabelece diretrizes consolidadas sobre o tema.

De acordo com Matheus Barcelos Martins, sócio do Barcelos Martins Advogados e especialista em Direito Empresarial com atuação em contratos, inovação, propriedade intelectual e tecnologia, “o debate sobre direito autoral de prompt é limitado diante da realidade das empresas. Na prática, quando esses comandos refletem estratégia, lógica operacional ou curadoria, eles se tornam ativos relevantes e devem ser tratados como segredo de negócio e objeto de proteção contratual”.

Além do cenário regulatório em evolução, entidades como a OWASP vêm alertando para riscos concretos associados ao uso corporativo de IA, incluindo exposição de informações confidenciais e vulnerabilidades como prompt injection, listada entre as principais ameaças no ranking Top 10 for Large Language Models da organização. A World Intellectual Property Organization também tem destacado os desafios relacionados à proteção de ativos intangíveis no contexto da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o aumento de disputas judiciais envolvendo empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e Midjourney reforça que o tema já impacta decisões econômicas, concorrenciais e contratuais em escala global.

Diante desse cenário, cresce a recomendação por adoção de políticas estruturadas de governança sobre o uso de inteligência artificial, incluindo mapeamento da criação e utilização de prompts, definição de diretrizes sobre confidencialidade e propriedade intelectual e revisão de contratos com fornecedores de tecnologia. Segundo Matheus Barcelos Martins, “empresas que não estabelecem regras claras sobre o uso de IA podem comprometer ativos estratégicos e assumir riscos jurídicos relevantes, especialmente em um contexto em que a regulação ainda está em consolidação e a responsabilização tende a se intensificar”.

Inteligência Artificial: aliada estratégica para impulsionar e transformar negócios

por Leonardo Chucrute*

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma ferramenta indispensável em diversas áreas, especialmente no mundo dos negócios. Empreendedores que dominam o uso estratégico dessa tecnologia conseguem potencializar resultados, reduzir erros e tomar decisões com mais agilidade e segurança, fortalecendo a competitividade de suas empresas.

Um dos principais benefícios da IA é a economia de tempo. Ferramentas como assistentes virtuais são capazes de gerar relatórios, analisar o comportamento do consumidor e sugerir melhorias em poucos segundos. Isso permite que o empresário concentre seus esforços no que realmente importa: estratégia, inovação e crescimento do negócio.

A IA também se destaca como uma poderosa aliada no processo de aprendizado, ao possibilitar a personalização da formação e apoiar a tomada de decisões. É possível solicitar recomendações de cursos, vídeos, artigos e até mentorias específicas. Dessa forma, o empreendedor desenvolve competências práticas cada vez mais alinhadas aos seus objetivos, como gestão financeira, liderança e marketing digital.

Além disso, a inteligência artificial pode ser utilizada para testar ideias de negócio, aprimorar apresentações e apoiar o desenvolvimento de novos produtos. Criar prompts para simular o lançamento de um serviço ou validar um pitch torna-se um diferencial competitivo, especialmente em mercados altamente dinâmicos.

Outro uso relevante da IA está no treinamento de equipes. Existem aplicações capazes de simular atendimentos ao cliente, avaliar discursos e oferecer feedback sobre postura, clareza e comunicação. Treinar equipes com esse tipo de tecnologia pode elevar o padrão de excelência do negócio, gerar mais valor para a marca e contribuir para a fidelização de clientes.

É fundamental lembrar que a IA é uma aliada, e não uma substituta da experiência humana. Ela amplia a criatividade, a visão estratégica e a eficiência, mas não substitui competências como empatia, senso crítico e liderança. Integrar tecnologia e inteligência emocional é o que diferencia o empreendedor comum daquele que se destaca em um mercado cada vez mais competitivo.

Portanto, utilize a inteligência artificial como uma alavanca de crescimento, aprendizado e aprimoramento contínuo. Aprender, testar, adaptar e evoluir são atitudes essenciais. O futuro pertence a quem aprende com rapidez e se adapta com sabedoria, e a IA pode ser uma grande aliada nesse processo de expansão e transformação dos negócios.

*CEO do Zerohum, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.

Sistema de IA interpreta dados agrícolas e climáticos para apoiar decisões no campo

Uma plataforma de inteligência artificial que interpreta dados de campo em tempo real começou a ser testada no norte do Paraná, em um projeto piloto voltado à extensão rural. A ferramenta foi construída para organizar e cruzar informações agrícolas, como dados produtivos, climáticos e ambientais, e fornecer subsídios técnicos aos profissionais que atendem produtores rurais na região de Maringá e municípios vizinhos.

A solução foi apresentada por desenvolvedores da Bluelogic Sistemas e Consultoria, de Curitiba, em diálogo com órgãos estaduais responsáveis pela agricultura, e está em fase de implantação e validação. A proposta é centralizar dados dispersos e automatizar análises que hoje exigem tempo e trabalho manual, com a intenção de oferecer orientações técnicas com mais velocidade no campo.

“O sistema organiza e interpreta informações agrícolas e climáticas e sugere orientações técnicas que melhor se adaptam às condições de cada propriedade. A decisão final permanece com o extensionista”, disse Fernando Esmaniotto, CEO da Bluelogic. Ele destaca que a IA não substitui o técnico, mas fornece suporte de análise para decisões mais rápidas e consistentes.

O piloto foi desenhado a partir de uma iniciativa da própria Bluelogic, apresentada em uma Rodada de Oportunidades e Conexões promovida pelo InovaAgro, que facilitou a aproximação com a Secretaria da Agricultura do Paraná e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), responsáveis por conduzir a extensão rural no território.

Foto: Google DeepMind / Pexels.com

Representantes do setor de tecnologia veem no projeto um exemplo de como inovações digitais podem ser aplicadas diretamente em atividades rurais. A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Paraná (Assespro-PR) registrou apoio à iniciativa, com a expectativa de que ela ajude a integrar tecnologia e demandas do campo. 

“Conforme a empresa, a arquitetura da plataforma foi desenhada para permitir expansão geográfica e adaptações a outras áreas de gestão pública e setores produtivos, caso seja validada na etapa atual. Isso é fantástico e vai ao encontro do nosso propósito, que é o de aproximar negócios e soluções das reais necessidades da sociedade”, destaca o presidente da entidade, Adriano Krzyuy.

Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial: Lula defende governança global da IA

com informações da Agência Gov

Ao discursar em Nova Délhi, na Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da IA seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, afirmou Lula.

O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as pessoas.

Lula ainda alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, ressaltou.

Foto: Reprodução / Canal GOV / EBC

“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”, prosseguiu o presidente.

“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, frisou Lula.

Especialistas listam as principais tendências de IA para 2026

Se os últimos anos foram marcados pelo deslumbramento com as capacidades generativas, o cenário para 2026 aponta para uma era de integração profunda. Segundo o Gartner, estima-se que mais de 80% das empresas utilizarão APIs ou modelos de IA generativa em seus ambientes de produção até o próximo ano, um salto gigantesco ante os 5% de 2023. Neste novo cenário, a tecnologia deixa de ser uma aposta para se tornar o sistema nervoso central das operações, impulsionando da hiperpersonalização à automação de decisões complexas.

No entanto, a onipresença da IA em 2026 impõe um paradoxo: quanto mais autônomos os sistemas se tornam, maior é o valor do discernimento humano. Não se trata mais apenas do que a IA pode fazer, mas de como a inteligência humana deve conduzi-la para gerar valor sustentável. O mercado passa a exigir não só eficiência técnica, mas respostas claras sobre ética, segurança e o papel das pessoas nesse novo ecossistema. Para desenhar esse panorama, convidamos especialistas para compartilhar as tendências que definirão o próximo ano.

Para Caroline Capitani, VP de estratégia e inovação da ilegra, 2026 marca a transição da Inteligência Artificial de assistentes de chat para uma era de ação autônoma. “O diferencial competitivo será dominar sistemas multi-agentes capazes não apenas de sugerir, mas de negociar e executar tarefas complexas de forma independente. Essa autonomia traz um novo imperativo estratégico: a confiança. A procedência digital deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a ser um ativo central de marca. Vencerão as empresas que garantirem a integridade e a rastreabilidade de cada interação. Em um ecossistema de decisões automatizadas, a confiança não é mais um subproduto, mas o alicerce central da relação entre marcas e consumidores”, finaliza.

Já no setor de criação de conteúdo, Igor Coelho, CEO do Grupo Flow, projeta que o avanço da inteligência artificial não resultará em um abandono do que conhecemos, mas sim em uma “adaptação para o real”. Para ele, o mercado vive um ciclo de transformação onde a identidade humana não é substituída, mas sim ressignificada como o ativo central de confiança. “A característica mais valiosa para os criadores nos próximos anos será a autenticidade, impulsionada pelo grande volume de materiais sintéticos. Plataformas como o YouTube, por exemplo, já estabelecem regras criteriosas para restringir a monetização de conteúdos feitos por IA. Em 2026, o diferencial competitivo de um criador ou de uma marca será a profundidade da conexão humana que a IA, por definição, não consegue replicar”, comenta.

Na avaliação de René Abe, CEO da Tensec Brasil, em 2026, a inteligência artificial deixará de ser apenas protagonista tecnológica para se tornar um espelho corporativo. “Em meio à avalanche de ferramentas e promessas, muitas empresas se veem paralisadas pela abundância de escolhas. A vantagem competitiva não estará em adotar tudo, mas em decidir com clareza: definir um objetivo, escolher o que faz sentido e usar a IA como meio, não como fim. O algoritmo pode decidir, mas é a empresa que responde”, alerta.

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G20: Lula defende governança soberana em minerais críticos e IA

O presidente Lula fez um alerta para a necessidade de se discutir a soberania dos países sobre o conhecimento e o valor agregado dos minerais críticos. Lula discursou durante a última sessão temática da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo, em Johanesburgo, na África do Sul.

Na pauta, os minerais críticos, a inteligência artificial e o trabalho decente. Temas que também estiveram presentes nas discussão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste final de semana, em Belém, no Pará. “A forma como nós integrarmos esses três vetores do desenvolvimento definirá não apenas o nosso presente, mas o futuro das próximas gerações”, afirmou o presidente.

Os minerais críticos são recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética, cuja oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Eles incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.

Para Lula, a transição energética oferece a oportunidades de ampliação das fronteiras tecnológicas e de ressignificar o papel da exploração dos recursos naturais. “Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica. O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse aos líderes.

Foto: Ricardo Stuckert / PR

“Falar sobre minerais críticos também é falar sobre soberania. A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população. Precisamos de investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que contribuam para fortalecer a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos”, afirmou.

IA e trabalho decente

No mesmo sentido, o presidente argumentou que a inteligência artificial (IA) representa uma “oportunidade única” para impulsionar o desenvolvimento das nações de forma equitativa. “[A IA] promove a inovação, aumenta a produtividade, estimula práticas sustentáveis e pode melhorar a vida das pessoas de maneira concreta. O grande desafio não é apenas dominar a ferramenta, mas trabalhar para que todos possam utilizá-la de forma segura, protegida e confiável”, disse.

“Quando poucos controlam os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital. É urgente que as maiores economias do mundo aprofundem o debate sobre a governança da IA e que as Nações Unidas sejam o centro dessa discussão”, acrescentou.

Discurso do presidente Lula durante a Cúpula de Líderes do G20, em Johanesburgo, na África do Sul (Imagens: Canal GOV / EBC)

Por fim, o presidente defendeu que o desenvolvimento tecnológico venha atrelado a oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador, na medida em que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à IA, sob risco de automação ou complementação tecnológica. “Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social”, disse. “Devemos criar pontes entre os setores tradicionais e emergentes. A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar os direitos humanos e trabalhistas”, afirmou aos líderes do G20.

com informações da Agência Brasil