Com estratégia correta é possível maximizar o aproveitamento dos pastos na safrinha

por Hemython Luis Bandeira do Nascimento*

A área explorada com sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) vem crescendo ano após ano no Brasil e deve ganhar ainda mais destaque na safrinha de 2026. O movimento é impulsionado pelo cenário de alerta na agricultura, marcado pelo atraso na colheita da soja em algumas regiões, comprometendo a janela ideal de plantio do milho. Soma-se a isso a queda nos preços dos grãos, em contraste com o momento positivo da pecuária, sustentado pela valorização da arroba do boi gordo e do bezerro.

Nesse contexto, muitos produtores têm optado pelo plantio de milho ou sorgo consorciados com capim, ou até mesmo pelo cultivo exclusivo da forrageira após a soja, utilizando as áreas para o pastejo do gado durante a safrinha, no chamado “boi safrinha”. É consenso que a ILP proporciona melhorias importantes ao sistema de produção, seja pela formação de palhada deixada pela pastagem, que favorece o cultivo de grãos na safra seguinte, seja pela oportunidade de oferecer pasto de qualidade e em quantidade adequada aos animais durante o período seco.

No fim, o objetivo é sempre o mesmo: aumentar a produtividade e a rentabilidade, mantendo a sustentabilidade do sistema. No entanto, para explorar todo o potencial desse modelo produtivo, é fundamental atenção a alguns pontos técnicos, como o controle de plantas daninhas, o momento ideal de entrada e retirada dos animais da área, além da suplementação e do manejo do pasto.

Controle de invasoras

O capim implantado no sistema de integração também deve ser tratado como uma cultura agrícola e, assim como qualquer outra, precisa receber os devidos tratos culturais para expressar seu máximo potencial produtivo. Nesse sentido, é fundamental realizar o controle de plantas indesejadas, sejam invasoras ou plantas tigueras, ainda no início do desenvolvimento da forrageira. Isso evita a competição por luz, água e nutrientes, assegurando maior velocidade de crescimento e rápido estabelecimento da pastagem.

Quantos animais por hectare?

A taxa de lotação está diretamente ligada à capacidade de suporte da área. Por isso, é necessário equilibrar a quantidade de pasto disponível com o período de utilização, definindo corretamente o número de animais que será inserido na área.

Para maior precisão, o ideal é realizar, cerca de uma semana antes da entrada dos animais, uma amostragem da forragem nos piquetes ou talhões destinados ao pastejo na safrinha. Também é importante fazer coletas de massa de forragem para estimar a disponibilidade de pasto na área.

Com essas informações, somadas ao período de permanência dos animais e ao peso médio de cada lote, é possível determinar a capacidade de suporte da área (UA/ha) e definir quantos animais poderão ser manejados em cada talhão. Dessa forma, evita-se a falta de alimento ao longo da ocupação e garante-se, ao final do ciclo, um residual de palhada adequado para o plantio da soja na safra seguinte.

Momento ideal para iniciar o pastejo

O momento do primeiro pastejo é decisivo, pois influencia diretamente a estrutura e a qualidade do pasto e, consequentemente, a eficiência de utilização da forrageira pelos animais, podendo impactar na eficiência de dessecação e consequentemente na plantabilidade da lavoura na safra posterior.

Pastagens muito altas tendem a apresentar maior acúmulo de colmos e fibras, reduzindo sua qualidade nutricional. Além disso, podem comprometer o perfilhamento, o crescimento da planta e a qualidade da palhada que permanecerá no sistema para a cultura seguinte.

Foto: Divulgação SBS Green Seeds

Uma observação importante é que a Brachiaria ruziziensis, quando muito alta, tende a acamar no momento da entrada do gado, reduzindo a eficiência do pastejo, o desempenho e a produtividade animal. Para melhor aproveitamento dessa forrageira, o ideal é que os animais entrem na área quando o pasto atingir, no máximo, 50 cm de altura.

De forma geral, recomenda-se que o primeiro pastejo seja realizado quando o capim atingir a altura de manejo indicada para cada cultivar. Assim, a forrageira é aproveitada mais cedo, com maior proporção de folhas e ainda com boa disponibilidade de água no solo, favorecendo o perfilhamento, a emissão de novas folhas e o desenvolvimento radicular.

Compensa adubar os pastos de safrinha?

Na maioria dos casos, a resposta é não. Nesse modelo de produção, considera-se que o residual de nutrientes deixado pela lavoura seja suficiente para suprir a demanda inicial do capim. Além disso, o período mais adequado para a adubação em cobertura, normalmente após o primeiro pastejo, coincide com uma fase de menor volume de chuvas, elevando o risco de baixa eficiência no aproveitamento dos nutrientes disponibilizados pelo fertilizante.

Qual tipo de suplemento adequado para a fornecer aos animais mantidos nos pastos safrinha?

Vale lembrar ainda que, mesmo durante o período seco, o pasto proveniente da ILP permanece verde e com elevado valor nutritivo. Em outras palavras, o produtor passa a contar com uma “pastagem de águas” durante a seca, produtiva e vigorosa, o que exige que a suplementação animal esteja alinhada às características nutricionais dessa forrageira.

Por fim, é importante ressaltar que esses pastos não devem ser excessivamente pastejados. Após a retirada dos animais, deve permanecer um bom volume residual de massa vegetal para dessecação e formação de palhada para a cultura seguinte. O ideal é garantir entre três e cinco toneladas de matéria seca por hectare, assegurando boa cobertura do solo e maior supressão de plantas daninhas.

*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.

A digitalização financeira como alicerce estratégico para a safra 2026/27

por Ivan Moreno*

O horizonte para a safra 2026/27 no agronegócio brasileiro desenha-se sob uma métrica de complexidade sem precedentes. Se historicamente o produtor rural equilibrou-se entre as variáveis climáticas e as oscilações das commodities, o cenário atual impõe uma terceira camada de pressão: a reconfiguração do acesso ao capital. Com o crédito mais restrito e os custos de produção em patamares elevados, a gestão financeira transcendeu a mera rotina contábil para se consolidar como o verdadeiro diferencial competitivo entre a rentabilidade e a estagnação.

Observamos um momento de transição crítica na jornada de compra de insumos. A concentração da demanda por fertilizantes e defensivos para os próximos meses, somada às incertezas geopolíticas que afetam a oferta global, cria um ambiente de urgência que pode resultar em gargalos logísticos severos. Nesse contexto, a agilidade na tomada de decisão não é apenas desejável, mas vital. É onde as soluções de pagamento digital emergem como peças-chave, oferecendo não apenas conveniência, mas a liquidez necessária para que o produtor antecipe movimentos de mercado e garanta a viabilidade de sua operação antes que as janelas de oportunidade se fechem.

A democratização do crédito, impulsionada pela entrada de novos players como plataformas integradas e indústrias, transformou o ecossistema financeiro do campo. Hoje, o produtor tem em mãos a possibilidade de comparar condições e diversificar suas fontes de financiamento em tempo real. No entanto, o pleno aproveitamento desse novo mercado depende da construção de um histórico financeiro digital robusto. O compartilhamento de dados comportamentais e de pagamento permite que as instituições refinem a análise de risco, traduzindo confiança em taxas mais competitivas e limites de crédito expandidos nos momentos de maior necessidade.

Além da questão puramente financeira, a integração entre marketplaces e ferramentas de pagamento traz um ganho substancial em rastreabilidade e controle. Em um ciclo onde a margem de erro é mínima, a capacidade de monitorar o fluxo de caixa, o status das compras e a previsão de entregas em um único ambiente digital reduz as fricções operacionais. Essa visibilidade holística permite que a gestão da propriedade seja pautada em dados concretos, minimizando surpresas e permitindo ajustes de rota em tempo real frente à volatilidade dos preços de insumos.

Foto: Du039bVu039e Gu039bRCIu039b / Pexels.com

Talvez a evolução mais significativa resida na quebra da fragmentação das negociações. O modelo tradicional, em que cada categoria de insumo demandava um processo isolado de financiamento, cede espaço para operações financeiras unificadas. Por meio de ecossistemas digitais, o produtor consegue centralizar a aquisição de sementes, fertilizantes e defensivos de múltiplos fornecedores sob uma mesma estrutura de crédito. Essa consolidação não apenas simplifica a burocracia, mas aumenta o poder de barganha do agricultor, permitindo um planejamento financeiro mais coeso e de longo prazo.

Em última análise, a transformação digital do agronegócio brasileiro não se limita à biotecnologia ou ao maquinário de última geração; ela ocorre, fundamentalmente, na arquitetura das transações. Liquidez e previsibilidade tornaram-se ativos tão cruciais quanto a fertilidade do solo. Ao adotar soluções de pagamento digital e ferramentas de gestão integrada, o produtor rural não está apenas modernizando um processo, mas blindando seu negócio contra a incerteza e garantindo que sua operação esteja preparada para as exigências de um mercado global cada vez mais dinâmico e digital.

*Formado em Processamento de Dados pela Universidade Mackenzie, com MBA em Marketing pela ESPM e Alumini da Harvard Business School pelo AMP206. É CEO da Orbia e possui experiência no agronegócio e passagem por várias multinacionais do setor.

Uso de drone avança, redefine eficiência no campo, mas precisa de apoio estratégico de adjuvante

O uso de drones agrícolas no Brasil deixou de ser tendência para se consolidar como uma das principais transformações tecnológicas no campo. Com avanços contínuos em capacidade de carga, velocidade e sistemas de atomização, esses equipamentos já são realidade em diversas culturas e regiões, impulsionando ganhos operacionais e abrindo novas fronteiras para a agricultura de precisão.

Dados de mercado indicam que o segmento cresce a taxas anuais superiores a dois dígitos no país, acompanhando a digitalização do agro e a busca por soluções mais eficientes e sustentáveis. A adoção se expande tanto em grandes propriedades quanto em áreas menores, refletindo sua versatilidade. “O drone é uma tecnologia que chegou para ficar. Ele vem evoluindo constantemente e hoje já atende desde culturas anuais até sistemas perenes e silvopastoris, com aplicações cada vez mais assertivas”, afirma Alexandre Gazoni, engenheiro agrônomo, especialista em aplicações agrícolas e diretor comercial da Sell Agro.

Atualmente, culturas como soja, milho e algodão lideram o uso da tecnologia, mas o avanço já alcança também lavouras perenes, como café, oliveira e noz-pecã. O diferencial está, sobretudo, na capacidade de atuação em áreas de difícil acesso, como terrenos alagados, encostas e regiões onde máquinas enfrentam limitações operacionais. “Em uma área alagada, por exemplo, muitas vezes é preciso esperar o solo secar para entrar com máquinas. Nesse intervalo, a praga pode causar danos significativos. Com o drone, é possível agir rapidamente e evitar perdas”, destaca Gazoni.

Além da acessibilidade, a agilidade operacional é um dos principais ganhos. O uso de drones permite intervenções mais rápidas, especialmente em condições adversas, como após chuvas ou em terrenos irregulares. Esse fator impacta diretamente o rendimento das operações e a eficiência do controle fitossanitário.

Outro ponto relevante é a redução de perdas mecânicas. Na cultura da soja, por exemplo, a substituição de máquinas terrestres por drones e aeronaves elimina o amassamento de plantas, o que pode representar uma economia de até cinco sacas por hectare em determinadas fases da lavoura. “O drone permite preservar a lavoura em momentos críticos, como na dessecação, pois evitar o tráfego de máquinas nesse período pode fazer diferença direta no resultado produtivo”, explica o especialista.

Em cenários operacionais mais restritivos, como áreas próximas a comunidades, o VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) também se destaca. Diferentemente da aviação agrícola, que possui limitações legais de distância, o equipamento pode operar com maior proximidade, ampliando a cobertura e garantindo maior controle fitossanitário.

Adjuvantes como aliados

Nesse contexto, os adjuvantes assumem papel central para garantir a eficiência das aplicações. Esses insumos são responsáveis por preservar a integridade das gotas, reduzir perdas por evaporação e deriva, além de melhorar a absorção dos ativos pelas plantas. “O adjuvante é fundamental porque protege a gota e permite que o produto chegue com mais precisão ao alvo. Ele reduz perdas para a atmosfera e aumenta a eficiência das pulverizações”, afirma Gazoni.

Segundo o especialista, o uso correto desses produtos contribui diretamente para o desempenho agronômico, favorecendo maior cobertura foliar, melhor translocação dos ativos e menor risco de fitotoxicidade. Em condições climáticas desafiadoras, como altas temperaturas, seu papel se torna ainda mais estratégico. “O produto adequado ajuda a manter a gota viável por mais tempo, reduzindo evaporação e protegendo contra fatores como vento e radiação ultravioleta. Isso garante que uma maior concentração da calda atinja a planta”, complementa.

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios técnicos importantes. O principal deles é garantir que a eficiência das aplicações com drones se equipare às operações motorizadas tradicionais, que utilizam maiores volumes de calda. “O desafio é equilibrar a eficiência operacional do VANT com a qualidade técnica da aplicação. Isso passa, necessariamente, pela regulagem correta, escolha adequada de adjuvantes e manejo das condições climáticas”, ressalta Gazoni.

A democratização da tecnologia também chama atenção. Atualmente, há modelos de drones que atendem desde pequenos produtores até grandes operações agrícolas, ampliando o acesso e consolidando seu uso em diferentes perfis de propriedade.

Para não errar!

Entre os erros mais comuns, Gazoni aponta falhas na regulagem do tamanho de gotas, velocidade de operação e escolha inadequada de adjuvantes, fatores que podem comprometer significativamente o desempenho das pulverizações.

Olhando para o futuro, a expectativa é de expansão acelerada do uso de drones no campo, acompanhada por avanços em eficiência e novas soluções tecnológicas. A evolução deve estar diretamente ligada ao desenvolvimento de adjuvantes específicos para ultrabaixa vazão, proteção molecular e estabilização de misturas. “A tendência é trabalhar com volumes cada vez menores, mas com alta eficiência. Para isso, o uso do adjuvante correto será ainda mais estratégico. Já existem tecnologias sendo desenvolvidas com foco nesse cenário”, conclui o diretor da Sell Agro.

Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27, aponta Bioind-MT

Mato Grosso deve consolidar sua posição entre os principais polos de biocombustíveis do país na safra 2026/27. Levantamento do Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), projeta crescimento de 16,08% na produção total de etanol no estado, que deverá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.

“Nossa estimativa mostra que o avanço será sustentado principalmente pela expansão do etanol de milho, segmento no qual Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais”, explica Silvio Rangel, presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). “Além de fortalecer a segurança energética e a economia do país, o setor se posiciona como estratégico para o futuro da descarbonização dos transportes, com potencial crescente no fornecimento de combustíveis renováveis para aviação e navegação marítima.” 

Antes da projeção para o próximo ciclo, o levantamento aponta que a safra 2025/26 já deverá encerrar com crescimento de 8,52% na produção estadual de etanol, alcançando 7,27 milhões de m³, enquanto a produção nacional deverá permanecer praticamente estável, com alta de 0,22%. O desempenho mantém Mato Grosso na segunda posição do ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.  

Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de m³, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de m³, crescimento de 1,37%.

Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior do segmento de milho. A produção deverá avançar 18,67%, chegando a 7,33 milhões de m³, enquanto o etanol de cana deverá crescer 1,42%, atingindo 1,11 milhão de m³.  

“O levantamento mostra que Mato Grosso segue ampliando sua relevância estratégica para a matriz energética brasileira. O crescimento do etanol de milho demonstra a capacidade de integração entre produção agrícola, indústria e geração de energia renovável”, afirma Rangel. 

O estudo também destaca a expansão da moagem de milho destinada à produção de etanol. Na safra 2025/26, o volume processado deverá atingir 13,81 milhões de toneladas, alta de 10,45%. Para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, alcançando 16,36 milhões de toneladas, impulsionado pela entrada de duas novas plantas industriais no estado.  

Geração de Coprodutos 

Além da produção de combustível, a cadeia industrial do etanol de milho segue ampliando a geração de coprodutos. A produção de DDG (Grãos Secos de Destilaria) e DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) deverá crescer 16,14% em 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas, enquanto o óleo de milho deverá avançar 12,9%, atingindo 338,9 mil toneladas.  

No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deve permanecer estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%. Já a produção de açúcar deverá registrar leve retração de 1,42%, para 579,7 mil toneladas.  

As projeções de longo prazo do levantamento indicam continuidade da expansão da indústria de biocombustíveis no estado. Segundo o Imea, Mato Grosso poderá produzir 15,02 milhões de m³ de etanol até 2033/34, mais que o dobro do volume estimado para a safra atual.  

“O setor de bioenergia em Mato Grosso vem ampliando sua participação não apenas na produção de combustíveis renováveis, mas também na geração de coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização, consolidando uma cadeia industrial de grande relevância econômica para o estado”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do IMEA. 

O levantamento também destaca a contribuição ambiental do setor. Segundo o estudo, os Créditos de Descarbonização (CBIOs), já representaram mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂ desde o início do programa, sendo 40,06 milhões apenas em 2025. 

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.  

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.

Foto: Vadym Alyekseyenko / Pexels.com

Milho sobe em março com apoio do petróleo, mas perde força em abril

Os preços do milho avançaram em março no mercado internacional e doméstico, sustentados pela valorização do petróleo e por incertezas relacionadas ao cenário geopolítico e aos custos de produção. O movimento, no entanto, perdeu força no início de abril, diante da queda do petróleo e de fatores sazonais no Brasil.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o cereal registrou alta média de 5,3% em março, para USD 4,53 por bushel. O suporte veio principalmente do petróleo mais elevado, que melhora as margens das usinas de etanol nos Estados Unidos e, consequentemente, aumenta a demanda pelo milho. Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio e os custos de insumos mantiveram o mercado atento aos riscos para a safra 2026/27.

Em abril, porém, o cenário externo mudou. A queda do petróleo, associada a sinais de alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, reduziu o prêmio do milho via etanol e pressionou as cotações. Na média da primeira quinzena, os preços recuaram 0,5%, para USD 4,50 por bushel.

Foto: John Wu / Pexels.com

No Brasil, o milho também registrou alta em março, acompanhando o movimento externo e refletindo fatores internos. O atraso no plantio em algumas regiões da segunda safra, a oferta mais limitada por parte dos produtores — ainda focados na colheita da safra de verão — e as preocupações com o aumento dos custos logísticos, diante da alta do diesel e dos fretes, contribuíram para a valorização. Em Campinas, os preços subiram 4,4% no mês, para R$ 71 por saca.

No início de abril, no entanto, o mercado doméstico passou a ser pressionado. O avanço da colheita da primeira safra, a melhora das condições climáticas para a segunda safra e a valorização do real reduziram a paridade de exportação, enfraquecendo os negócios nos portos. Com compradores mais abastecidos e atuando de forma cautelosa, os preços em Campinas recuaram para abaixo de R$ 70 por saca na primeira quinzena do mês.

De acordo com o Itaú BBA, apesar da pressão recente, a segunda safra se desenvolve de forma positiva. As chuvas recentes aliviaram o estresse hídrico em regiões como o oeste do Paraná. Atualmente, a maior parte das lavouras está em fase vegetativa, enquanto cerca de um terço da área, concentrada em Mato Grosso, entrou em floração, etapa mais sensível à disponibilidade de água.

Integração internacional no agro abre novas fronteiras de negócios

A agricultura mundial tem sido profundamente moldada pela força produtiva de dois gigantes: os Estados Unidos e o Brasil. De um lado, o modelo norte-americano se destaca pela alta tecnologia, eficiência operacional e liderança global na produção de grãos. Do outro, o Brasil consolida-se como um verdadeiro celeiro do mundo na produção de alimentos, impulsionado por sua diversidade, crescente inovação no campo e capacidade de produzir até três safras por ano.

Embora concorram em diversas commodities, esses dois países compartilham desafios e oportunidades que vão além da disputa por mercado. A integração entre as culturas agrícolas americana e brasileira abre espaço para a troca de conhecimento, adoção de boas práticas e geração de valor especialmente para empresas e agroindústrias brasileiras que buscam ampliar sua competitividade em escala global.

De acordo com Márcio Barboza, técnico em agricultura, gerente de exportação e vendas internacionais e especialista em expansão de mercado, planejamento estratégico e liderança de equipes, essa integração é sempre importante. “Não importa se é no preparo de solo ou em qualquer outra atividade: para atuar nos Estados Unidos, é fundamental entender suas peculiaridades se integrar a cultura local”, diz.

Segundo ele, os Estados Unidos são formados por uma diversidade cultural significativa, o que também se reflete no ambiente de negócios. “Cada estado tem suas características próprias. Em algumas regiões, principalmente no Sul, as relações são mais reservadas no início, mas, à medida que a confiança é construída, a proximidade cresce de forma consistente”, explica o especialista.

Importância da pesquisa de mercado

Para empresas que desejam acessar o mercado norte-americano, a pesquisa de mercado é um passo essencial. Compreender as características regionais, os perfis produtivos e as demandas específicas podem reduzir significativamente as barreiras de entrada. “Conhecer bem o produto e avaliar se ele se encaixa no mercado almejado é fundamental”, explica Barboza.

Não é recomendável, segundo o consultor, tentar inserir soluções voltadas para soja ou milho em regiões onde essas culturas não são expressivas, como na Califórnia, por exemplo. Nessa região já há mais oportunidades para segmentos específicos. “Quem atua com soluções para fruticultura, amêndoas e cultivos similares, a região pode ser estratégica”, destaca.

Outra recomendação é utilizar informações disponíveis online para mapear o mercado antes de ir a campo. “É possível acessar sites de revendas americanas, conhecer seus estoques, entender o tipo de maquinário utilizado e a potência de tratores mais comum em cada área, isso faz toda a diferença na abordagem comercial e torna as visitas presenciais muito mais assertivas”, orienta o profissional.

Além disso, ter uma base ou parceiro local nos Estados Unidos é um diferencial competitivo importante. “Os americanos valorizam muito a garantia de reposição de peças e suporte. Ter estoque local ou uma estrutura de apoio pode facilitar muito a entrada no mercado”, acrescenta.

Desafios

Entre os principais desafios para as empresas brasileiras está a comunicação. Dominar o idioma inglês é essencial para estabelecer relações comerciais sólidas, afinal a fluência facilitará a abertura de portas e fortalece a confiança nas negociações.

Outro ponto importante a se atentar é sobre às exigências logísticas e regulatórias. A boa notícia é que nesse ponto já há empresas especializadas locais que oferecem suporte completo, desde o transporte até o desembaraço aduaneiro. “Grande parte da operação pode ser terceirizada, o que facilita o processo de internacionalização”, explica Barboza.

Melhores oportunidades

Segundo o gerente de exportação, o segmento de componentes para o mercado de reposição (aftermarket) representa uma porta de entrada estratégica para empresas brasileiras. “É um caminho mais acessível do que tentar ingressar diretamente com máquinas ou equipamentos completos”, avalia.

Em relação às regiões, os estados do Sul dos Estados Unidos, como: Geórgia, Alabama, Mississippi, Flórida, Carolinas, Oklahoma e Arkansas, tendem a oferecer maior abertura inicial para novos negócios. Os estados da costa Oeste e parte do Noroeste, como Idaho, Washington, Oregon e Califórnia, também demonstram boa receptividade. “Tive experiências positivas tanto com revendas vinculadas a grandes marcas quanto com independentes, que estão mais abertas a novas parcerias. Também destacaria o Texas como um mercado promissor”, relata Barboza.

Já o Corn Belt, principal região produtora de grãos do país, é preciso um pouco mais de atenção, pois apresenta maior grau de competitividade e barreiras de entrada mais elevadas. “É um mercado mais consolidado e disputado e continua sendo o ambiente mais desafiador e competitivo para quem deseja entrar no mercado americano. É uma região mais indicada para quem já está com a operação consolidada”, conclui o consultor.

Preparo do solo, fertilização eficiente e bioinsumos impulsionam produtividade na safra e safrinha do milho em 2026

No Dia do Milho, celebrado em 24 de abril, o setor agropecuário destaca a relevância de uma das culturas mais estratégicas da economia brasileira. Presente na alimentação humana e animal, na produção de etanol, na indústria e nas exportações, o milho chega à safra 2026 com foco crescente em eficiência produtiva, sustentabilidade e controle de custos.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil deverá colher cerca de 138,45 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, mantendo o país entre os maiores produtores mundiais do cereal. A segunda safra, conhecida como safrinha, segue como principal motor da produção nacional, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba.

Diante de margens mais apertadas e maior exigência do mercado, especialistas reforçam que o bom desempenho da cultura começa antes mesmo do plantio, com atenção especial ao preparo do solo.

Leonardo Sodré, CEO do grupo GIROAgro explica a importância da preparação do solo para a safra. “No que se refere a preparação do solo,  uma menor lixiviação reduz as perdas de nitrogênio, que é crítico para o milho. Já a tecnologia Stay Green mantém as folhas ativas por mais tempo, aumentando a fotossíntese.” Leonardo destaca que a linha Exclusive oferece aplicação antecipada via solo, com maior compatibilidade, que são ideais para uma janela de aplicação apertada na safrinha.

Entre as principais práticas recomendadas para a safra e safrinha estão a análise química e física do solo, correção da acidez com calcário, uso de gesso agrícola, manutenção de palhada e rotação de culturas.

Além de melhorar a estrutura do solo, essas medidas favorecem a retenção de água, aprofundamento radicular e maior aproveitamento dos nutrientes, fatores decisivos em anos de clima irregular.

Fertilização mais estratégica no campo e uso de bioinsumos 

Com oscilações recentes no mercado global de fertilizantes, produtores passaram a priorizar aplicações mais assertivas. Cresce o uso de adubação baseada em mapas de fertilidade, parcelamento do nitrogênio e fórmulas específicas por talhão.

A tendência mostra um campo mais técnico, em que a produtividade está ligada ao uso racional de insumos e não apenas ao aumento de volume aplicado.

Outra mudança importante na safra 2026 é o avanço dos bioinsumos no manejo do milho. Inoculantes, solubilizadores de fósforo, promotores de crescimento e biodefensivos têm ganhado espaço por aliar eficiência agronômica e sustentabilidade. Essas soluções contribuem para maior vigor inicial, melhor absorção de nutrientes, tolerância a estresses climáticos e redução parcial da dependência de produtos químicos convencionais.

Para Fellipe Parreira, responsável pelo  Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro “as adversidades climáticas que podem afetar a produção, destacam-se temperaturas extremas, excesso ou escassez de água no solo, alta salinidade e baixos valores de pH. Isso pode reduzir a atividade das bactérias simbióticas e comprometer a eficiência da fixação biológica do nitrogênio”, explica. O profissional complementa: “déficits de precipitação também podem interferir diretamente no processo de formação dos nódulos, prejudicando a produtividade da cultura. Desta forma, as condições climáticas desempenham um papel importante na variabilidade dos resultados observados em diferentes anos de cultivo”. 

Para pequenos e médios produtores, o custo-benefício e a possibilidade de integração com manejos tradicionais explicam o aumento da adoção. No campo, a safra 2026 revela um produtor cada vez mais atento à gestão. Compra antecipada de insumos, uso compartilhado de máquinas, apoio de cooperativas, aplicativos de monitoramento climático e busca por assistência técnica já fazem parte da rotina de propriedades de menor porte.

Na safrinha, o principal desafio continua sendo a janela de plantio após a soja, já que atrasos podem elevar riscos climáticos e impactar produtividade. Em 2026, o dia do milho evidencia uma nova realidade no campo: competitividade será cada vez mais resultado de solo bem manejado, nutrição eficiente e inovação sustentável.

CenpHub em Goiânia destaca o potencial do agronegócio para o mercado publicitário no Brasil

O agronegócio brasileiro impulsionou os dados do PIB do Brasil em 2025, ao fechar o ano com uma alta de 11,7% sobre o ano anterior (IBGE e CNA). Esse dado foi ainda mais expressivo em Goiás, em que o segmento cresceu 20,1% no PIB agropecuário do estado, de acordo com o Instituto Mauro Borges, do governo estadual. Essa pujança chama a atenção para a importância de se quebrar estereótipos na comunicação do setor, de acordo com uma das discussões promovidas pelo CenpHub Goiânia, o primeiro a ser realizado na capital do estado, com a presença de 150 participantes.

O painel “Agro em modo global: a potência brasileira que nasce no campo” discutiu como o segmento no Brasil conquistou alcance global impulsionado por inovação, tecnologia e escala. O debate integrou o evento promovido pelo Cenp (Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário), trazendo os principais temas da indústria da comunicação.

Moderada por Antônio Pereira, apresentador do programa Agro Negócio, exibido pela TV Serra Dourada em Goiás, a discussão específica sobre o agronegócio trouxe Daniela Noyori, diretora de operações e negócios do Estúdio Eixo, responsável por uma pesquisa que destacou a transformação sociodemográfica no campo. “A narrativa do atraso precisa ser quebrada. Hoje, a média de idade dos produtores é de 46 anos, há mulheres herdeiras em cadeiras de decisão e um avanço cultural muito pautado pela tecnologia”, afirmou. 

Estudo realizado pelo Eixo aponta que, mesmo com os fortes avanços tecnológicos, a linguagem no campo segue ancorada nos pilares fé, família, tradição e trabalho. A leitura foi confirmada na prática por Gabriele Triches, gerente de comunicação da Comigo, cooperativa de produtos agropecuários fundada há mais de 50 anos em Rio Verde. Ao planejar uma campanha de comemoração, a equipe constatou que, além de planejar e comprar insumos, a atitude central do produtor antes de plantar é rezar – um insight que deu origem à música “Safra de Fé“, com o cantor Sérgio Reis. “Nossa forma de comunicação com o cooperado e a esposa, o filho, o neto, é o que faz trazer as pessoas para dentro da cooperativa”, afirma Gabriele.

A compreensão das particularidades desse segmento é também fundamental para agências e veículos de mídia — para o agronegócio, a venda padronizada não funciona, como explica Welder Lara, CEO da Rowan Marketing. “A primeira coisa pra se comunicar no agro é conhecer o relógio da safra e como ele traz oportunidades para agências e veículos”. O executivo ressaltou ainda que o agro vende credibilidade, e não produto. Assim, quem integra essa comunidade prefere ver seus pares em campanhas de mídia. 

O CenpHub Goiânia abordou ainda temas como o consumo de mídia em um cenário altamente fragmentado, a necessidade de adaptação dos players e a sustentabilidade das relações comerciais. A relevância do mercado do Centro-Oeste esteve em evidência nos quatro painéis do evento. Em 2025, de acordo com o painel Cenp-Meios, o investimento publicitário na região foi de R$ 838 milhões. 

Patrocínio

O encontro contou com patrocínio master de Adobe, Globo e Kallas. O apoio estratégico foi formado por Fenapro, Sinapro.GO, CBN Goiânia e Grupo Jaime Câmara, além do apoio de mídia de Eletromidia, Exame, Saint Paul, Meio&Mensagem e Propmark.

Foto: Divulgação / Marketing / Cenp / @maquinadafoto

Milho sobe em março com apoio do petróleo, mas perde força em abril

Os preços do milho avançaram em março no mercado internacional e doméstico, sustentados pela valorização do petróleo e por incertezas relacionadas ao cenário geopolítico e aos custos de produção. O movimento, no entanto, perdeu força no início de abril, diante da queda do petróleo e de fatores sazonais no Brasil.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o cereal registrou alta média de 5,3% em março, para USD 4,53 por bushel. O suporte veio principalmente do petróleo mais elevado, que melhora as margens das usinas de etanol nos Estados Unidos e, consequentemente, aumenta a demanda pelo milho. Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio e os custos de insumos mantiveram o mercado atento aos riscos para a safra 2026/27.

Em abril, porém, o cenário externo mudou. A queda do petróleo, associada a sinais de alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, reduziu o prêmio do milho via etanol e pressionou as cotações. Na média da primeira quinzena, os preços recuaram 0,5%, para USD 4,50 por bushel.

No Brasil, o milho também registrou alta em março, acompanhando o movimento externo e refletindo fatores internos. O atraso no plantio em algumas regiões da segunda safra, a oferta mais limitada por parte dos produtores — ainda focados na colheita da safra de verão — e as preocupações com o aumento dos custos logísticos, diante da alta do diesel e dos fretes, contribuíram para a valorização. Em Campinas, os preços subiram 4,4% no mês, para R$ 71 por saca.

No início de abril, no entanto, o mercado doméstico passou a ser pressionado. O avanço da colheita da primeira safra, a melhora das condições climáticas para a segunda safra e a valorização do real reduziram a paridade de exportação, enfraquecendo os negócios nos portos. Com compradores mais abastecidos e atuando de forma cautelosa, os preços em Campinas recuaram para abaixo de R$ 70 por saca na primeira quinzena do mês.

De acordo com o Itaú BBA, apesar da pressão recente, a segunda safra se desenvolve de forma positiva. As chuvas recentes aliviaram o estresse hídrico em regiões como o oeste do Paraná. Atualmente, a maior parte das lavouras está em fase vegetativa, enquanto cerca de um terço da área, concentrada em Mato Grosso, entrou em floração, etapa mais sensível à disponibilidade de água.

Foto: Jahra Tasfia Reza / Pexels.com

Nova soja convencional combina produtividade e controle de plantas daninhas

Embrapa Soja (PR) e a Caramuru Alimentos lançaram, durante o TecnoShow Comigo, a cultivar de soja BRS 579, que alia alto potencial produtivo à alternativa para o manejo de plantas daninhas em sistemas convencionais de cultivo.

A nova variedade é indicada para produtores do centro-norte de Mato Grosso (região edafoclimática sojícola REC 402) que buscam cultivares de ciclo médio a tardio, o que corresponde aos grupos de maturação (GM) entre 7.0 e 9.0+. A cultivar pertence ao GM 7.9 e, portanto, tem “um ciclo condizente com o sistema de produção da região, podendo ser utilizado para escalonamento da colheita e para a semeadura no início da safra”, explica o pesquisador Roberto Zito, da Embrapa Soja.

A BRS 579 se destaca pela sanidade, com moderada tolerância ao nematoide de galha (Meloidogyne javanica) e resistência às raças 3 e 14 do nematoide de cisto da soja, importantes patógenos na região de cultivo.

Escudo genético

A BRS 579 possui também a tecnologia STS (Soja Tolerante às Sulfonilureias). As sulfoniluréias são um grupo químico de herbicidas inibidores da enzima ALS (acetolactato sintase). Herbicidas dessa categoria já são registrados e utilizados na soja com restrições, especialmente de dose, pois podem provocar fitotoxicidade para a cultura, o que não ocorre para as cultivares de soja STS, como a BRS 579.

O pesquisador Fernando Adegas, da Embrapa Soja, explica que a fitotoxicidade é um dano que um herbicida causa na soja. Pode ocorrer devido a diversos fatores, como erro de dosagem, condições climáticas adversas, estresse das plantas, entre outros. Entre os prejuízos possíveis, estão: amarelecimento, necrose, deformações e atraso no crescimento da planta

A tecnologia STS funciona como um “escudo genético”. Enquanto a soja pode sofrer severas perdas de produtividade ao entrar em contato com herbicidas do grupo das sulfoniluréias, as variedades STS possuem tolerância natural a essas moléculas. “Isso permite que o agricultor aplique o produto em pós-emergência (quando a soja já está crescida), eliminando as infestantes que competem por nutrientes e luz”, pontua Adegas.

“Com essa nova solução tecnológica, entregamos ao produtor não apenas uma semente, mas produtividade associada a uma ferramenta de manejo capaz de trazer mais tranquilidade e rentabilidade no final da safra”, complementa Zito.

Para os pesquisadores, o grande diferencial da soja STS é oferecer alternativa ao uso exclusivo do glifosato, principal herbicida utilizado nas cultivares transgênicas que estão no mercado. A tecnologia possibilita o controle eficaz de plantas de difícil manejo e resistentes a outros produtos no campo, mantendo o vigor e o crescimento inalterados enquanto garante alta produtividade.  “Essa nova cultivar pode ser integrada a diferentes sistemas de manejo, sendo uma ferramenta essencial para a rotação de princípios ativos, o que prolonga a vida útil das tecnologias disponíveis no mercado”, reforça Adegas.

Foto: Melquizedeque Almeida / Pexels.com