A virada de chave no campo: como a gestão programada de insumos protege a rentabilidade da lavoura

por Ivan Moreno*

Garantir margem de lucro no agronegócio exige olhar além do volume colhido por hectare. Em um mercado onde a cotação das commodities oscila pelas bolsas internacionais, do câmbio e das tensões geopolíticas, o produtor rural praticamente não interfere no preço final do seu produto. Diante dessa realidade, o controle rigoroso das despesas operacionais tornou-se o principal motor de sustentabilidade financeira dentro da porteira.

Sementes, fertilizantes, defensivos e combustível representam a fatia do orçamento sobre a qual o agricultor exerce poder direto de decisão. Com isso, determinar o instante exato da compra, o volume ideal e os termos de pagamento deixou de ser um ato meramente operacional para assumir papel decisivo no planejamento estratégico e na saúde do caixa da fazenda.

A previsibilidade de custos ganha força ao permitir o fracionamento das aquisições ao longo de todo o ano agrícola. Esse modelo mitiga a exposição aos picos de preços no mercado à vista e amplia a eficácia de mecanismos como as operações de barter e os contratos de entrega futura, alinhando as despesas à expectativa real de faturamento.

Nesse processo de tomada de decisão, o acervo de informações da própria propriedade funciona como um guia indispensável. O cruzamento de dados de safras anteriores, como produtividade por talhão, histórico de pragas e resposta das cultivares, auxilia no dimensionamento preciso das demandas de cada fase da lavoura, coibindo desperdícios com estoques parados ou compras feitas às pressas. Do mesmo modo, o raio-x financeiro dos ciclos passados revela parâmetros essenciais para avaliar se uma oferta comercial é realmente vantajosa para a saúde da operação.

Na contramão dessa eficiência, adiar a compra de insumos para a véspera do plantio sujeita o produtor a turbulências do mercado e a entraves logísticos. A pressa sufoca a capacidade de negociar valores, comparar fornecedores e organizar os recebimentos, estrangulando o fluxo de caixa. A alternativa inteligente é diluir as aquisições em janelas estratégicas ao longo do calendário, acompanhando o comportamento do mercado para fechar negócio no momento em que as condições atendam às metas da fazenda. A finalidade não é adivinhar o ponto mínimo da cotação, mas evitar flutuações bruscas e consolidar um custo médio equilibrado.

Foto: Mark Stebnicki / Pexels.com

O papel da tecnologia na transformação das compras agrícolas

A expansão dos ecossistemas e marketplaces digitais no campo acelerou essa transição na gestão de suprimentos. Ao integrar distribuidores e indústrias em um único ambiente, essas ferramentas trazem transparência às cotações e agilizam a verificação de prazos e estoques em tempo real.

O histórico registrado nessas plataformas permite antever necessidades e identificar padrões de consumo com base em inteligência de dados. Essa integração transforma a relação comercial com a cadeia produtiva: o modelo reativo de compras isoladas dá lugar a parcerias contínuas. Recursos como a entrega programada, por exemplo, viabilizam a fixação de preços atrativos com antecedência, sem exigir a recepção imediata ou o armazenamento antecipado dos insumos na fazenda.

Frente a um mercado repleto de incertezas externas, a previsibilidade na aquisição de insumos firma-se como um diferencial competitivo indispensável. Apostar em compras recorrentes e planejadas significa substituir a reatividade pela gestão de dados, usando a tecnologia para mitigar riscos, otimizar recursos e proteger a rentabilidade do negócio agrícola.

*CEO da Orbia, plataforma digital integrada do agronegócio.

Seguro rural: nova lei que regulamenta o direito do banco de receber a indenização do seguro antes do produtor completa um mês

Produtores que financiam a safra com empréstimo bancário atrelado a seguro agrícola passam a ter, a partir de agora, uma resposta clara em lei: quando o banco exige a cessão da apólice como garantia do crédito, é ele, não o produtor, quem recebe primeiro o dinheiro da indenização, se a lavoura se perder. Essa possibilidade, que a Lei nº 15.526/2026 agora formaliza, já era prática comum nas operações de custeio rural, segundo o advogado Maurício Gewehr, especialista em contratos e negociações complexas: o seguro pode quitar a dívida e não deixar recursos para recomeçar.

“A lei não obriga isso em todo seguro rural, ela permite, de forma expressa, que o banco exija essa prioridade como condição do crédito. Na prática, isso já acontecia nos empréstimos para custeio da safra, e agora está escrito na lei. O que o produtor precisa entender é que, quando essa cláusula existe no contrato, o dinheiro do seguro vai primeiro para pagar a dívida, e pode não sobrar o suficiente para começar a próxima safra”, explica Gewehr, mestre em Direito da Empresa e dos Negócios.

A nova lei também passou a exigir prazos da seguradora depois de uma perda: até 15 dias para decidir e pagar quando basta analisar os documentos enviados pelo produtor, e até 30 dias quando é preciso visitar a lavoura ou esperar o fim da colheita para calcular o prejuízo. Antes, não havia prazo definido em lei, e o pagamento podia se arrastar sem data certa.

Para Gewehr, a mudança reforça a necessidade de olhar financiamento e seguro como uma coisa só, não dois papéis separados. “Sabemos que, na prática, o contrato de financiamento já chega praticamente pronto, com pouco espaço para discutir cláusula por cláusula. Ainda assim, vale a pena perguntar e deixar por escrito se essa condição está no contrato, quem recebe o dinheiro do seguro primeiro, e o que acontece com o valor que sobrar, se sobrar. Essa resposta muda o planejamento de quem vai plantar de novo”, orienta o advogado.

Essa clareza também interessa a quem está do outro lado da mesa. Para fornecedores e instituições que financiam o agro, deixar essa condição explícita desde a assinatura evita discussão e desgaste caso a lavoura seja perdida, todas as partes já sabem, de antemão, como o dinheiro será dividido.

Projeto inédito analisa o tecido vegetal do cafezal e transforma dados da planta em decisões de manejo

A gestão da lavoura de café exige cada vez mais precisão na relação entre investimento, produtividade e rentabilidade. Em um cenário de custos elevados e maior influência das condições ambientais sobre as plantas, identificar os fatores que limitam o desempenho da cultura tornou-se parte fundamental da decisão sobre onde, quando e quanto investir.

Essa lógica está no centro do Projeto AAcRes (Análises de Acúmulo de Reserva), desenvolvido pela Agroallianz para apoiar decisões de manejo a partir da avaliação da atividade fisiológica das plantas. A metodologia combina análises laboratoriais e dados de campo para identificar limitações, direcionar estratégias e medir as respostas obtidas em diferentes condições ambientais.

De acordo com Renato Menezes, engenheiro agrônomo e gerente de marketing técnico da empresa, hoje, o produtor precisa fazer mais contas dentro da gestão da lavoura. “Não basta saber quanto custa uma determinada tecnologia, é preciso entender qual problema ela resolve, qual resposta pode proporcionar à planta e se essa resposta tem potencial para se transformar em produtividade e rentabilidade”, diz.

O AAcRes nasce justamente dessa necessidade de transformar o manejo em um processo de decisão baseado em dados. Inicialmente aplicado no cultivo de café e posteriormente também no citrus, o projeto utiliza análises laboratoriais de tecido vegetal para identificar a presença ou ausência de compostos relacionados ao funcionamento metabólico das plantas e à expressão do potencial produtivo. “As informações obtidas são relacionadas aos dados de campo para identificar pontos limitantes e direcionar estratégias”, relata Menezes.

Da análise fisiológica aos resultados no campo

Na prática, o acompanhamento permite observar não apenas quanto a lavoura produziu, mas também como os pés de café chegaram a esse resultado. Na Fazenda BellaMinas, em Guapé (MG), os dados coletados pelo projeto mostram essa relação entre produtividade, crescimento vegetativo e manutenção da área foliar. Na safra de 2026, as plantas submetidas ao manejo AAcRes alcançaram produtividade de 105,46 sacas por hectare (sc/ha), contra 83,82 sc/ha na testemunha. Ou seja, a diferença é de 21,64 sc/ha, com um incremento de 25,8%.  

Diego Santos, engenheiro agrônomo e gerente da fazenda, inspeciona lavoura de café (Foto: Divulgação)

A diferença também apareceu nos indicadores biométricos. Em maio de 2026, as plantas do projeto apresentavam média de 9,43 nós, enquanto a testemunha registrava 8,86 nós. No momento da colheita, o enfolhamento também foi maior no tratamento AAcRes, com 80,19% contra 72,59% na testemunha.

Segundo Diego Santos, engenheiro agrônomo e gerente da fazenda, os resultados mostram que o ganho de produtividade não ocorreu isoladamente. “Tivemos, ao mesmo tempo, maior produtividade, crescimento vegetativo e manutenção do enfolhamento. Isso indica uma planta com uma arquitetura mais equilibrada e uma estrutura que continua sendo construída para os ciclos seguintes”, explica.

A interpretação conjunta desses indicadores amplia a avaliação tradicional de produtividade. Para o projeto, características como número de nós, formação de ramos e retenção de folhas ajudam a compreender como a planta está respondendo às condições de cultivo e quais recursos estão sendo direcionados para a formação e manutenção da estrutura produtiva.

Conforme explica Santos, ao avaliar a arquitetura da planta, é preciso analisar a consequência do seu funcionamento fisiológico. “Uma planta que mantém folhas, produz novos nós e sustenta uma produtividade elevada demonstra que conseguiu preservar processos importantes mesmo diante das condições ambientais. É essa relação que nos permite falar em engenharia fisiológica”, diz.

Manejo diante das condições ambientais

Essa abordagem ganha relevância diante da crescente ocorrência de estresse hídrico e oxidativo e períodos de temperaturas elevadas nas lavouras. Mesmo com avanços em genética, nutrição e manejo fitossanitário, o ambiente continua sendo um dos principais fatores que interferem na capacidade produtiva do cafeeiro.

Para o especialista da Agroallianz, compreender essas limitações permite deslocar parte das decisões de um modelo predominantemente corretivo para uma estratégia que considere a preparação da planta para diferentes condições ambientais. “Não estamos falando simplesmente em colocar mais um produto no manejo. A questão é entender qual é o fator limitante naquele momento e qual ferramenta pode ajudar a manter o funcionamento. A partir daí, conseguimos medir a resposta e avaliar se aquele investimento realmente fez sentido dentro do sistema produtivo”, destaca Menezes.

No AAcRes, uma das estratégias avaliadas envolve o uso de osmorreguladores, com observação de respostas relacionadas à manutenção do estado hídrico, crescimento vegetativo e área foliar. A análise dos resultados em campo permite relacionar essas respostas ao desempenho e à capacidade da planta de atravessar períodos de maior pressão ambiental.

Para o cafeicultor, essa leitura também muda a forma de avaliar o custo das tecnologias. Em vez de considerar apenas o valor aplicado por hectare, a proposta é relacionar o investimento ao problema identificado, à resposta fisiológica observada e ao impacto sobre a produtividade e a estabilidade da lavoura.

Durante muito tempo, a decisão sobre uma tecnologia esteve associada ao custo por hectare, mas a Agroallianz trabalha uma linha diferente. “O caminho que estamos propondo é entender o que se pretende resolver, qual resposta se espera obter e como medir esse resultado. Dessa forma, o investimento passa a ser avaliado não apenas como custo, mas como parte da gestão do risco e do potencial produtivo”, conclui Menezes.

USDA surpreende mercado com oferta maior de milho nos EUA e derruba cotações em Chicago

O relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe números mais negativos do que o mercado esperava, principalmente para o milho. A revisão para cima da produção americana e o aumento dos estoques finais reforçaram a percepção de maior disponibilidade do cereal, provocando uma forte queda das cotações em Chicago. Para a soja, os ajustes foram menores, mas também apontaram para um balanço de oferta e demanda mais confortável.

“O milho foi a grande surpresa negativa deste relatório. O mercado esperava uma redução da produção americana, mas o USDA trouxe um aumento importante, acompanhado de estoques finais bem acima das expectativas. Isso muda a leitura que tínhamos em setembro, quando o balanço parecia mais apertado”, afirma Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro. 

Milho concentra as principais revisões

Nos Estados Unidos, a estimativa de produção de milho para a safra 2026/27 subiu de 401,3 milhões para 407,3 milhões de toneladas, alta de 1,5%. A revisão contrariou as expectativas do mercado, que projetava uma redução para aproximadamente 399,7 milhões de toneladas.

Mesmo com a produtividade estimada em 186 sacas por hectare, o aumento da produção ampliou a oferta disponível. Os estoques finais americanos avançaram 18% em relação ao relatório de setembro, superando as projeções do mercado, que estavam próximas de 43 milhões de toneladas. Os estoques iniciais também foram elevados, enquanto exportações e consumo receberam pequenos ajustes positivos, insuficientes para compensar o aumento da oferta.

No cenário mundial, os estoques finais de milho passaram de 272,1 milhões para 280,4 milhões de toneladas, alta de 3,1%. O número também ficou acima dos 273,8 milhões de toneladas esperados pelo mercado.

Para Yedda, a combinação de produção maior e estoques mais elevados reduz a sustentação que o mercado vinha encontrando nas cotações internacionais. “O balanço do milho ficou mais confortável do que se imaginava. Com uma oferta maior nos Estados Unidos e no mercado global, Chicago passa a depender de novos fatores de demanda ou de algum risco de produção para recuperar força”, avalia.

No Brasil, a estimativa de produção para a safra 2026/27 permaneceu em 139 milhões de toneladas, com exportações projetadas em 43 milhões. Para a safra 2025/26, porém, a previsão de embarques brasileiros foi reduzida de 40 milhões para 38 milhões de toneladas. Na Argentina, a produção estimada para o próximo ciclo seguiu em 55 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais tiveram aumento de quase 25%.

Foto: Mark Stebnicki / Pexels.com

Soja também tem oferta mais confortável

Na soja, o USDA promoveu ajustes mais limitados, mas que também apontam para uma condição menos apertada de oferta. A produção americana da safra 2026/27 foi elevada em 0,6%, para 124,2 milhões de toneladas, enquanto a estimativa de exportações subiu para 46,1 milhões de toneladas.

O avanço da demanda externa, entretanto, não foi suficiente para impedir o aumento dos estoques finais dos Estados Unidos, de 8,4 milhões para 8,6 milhões de toneladas. No balanço mundial, os estoques também cresceram e ficaram acima das expectativas do mercado, de 123,5 milhões de toneladas.

As estimativas para China, Brasil e Argentina tiveram poucas alterações relevantes. Com isso, o relatório não trouxe novos elementos de restrição da oferta que pudessem dar sustentação às cotações.

“Na soja, a leitura é de neutra a levemente negativa. As exportações americanas melhoraram, mas a produção e os estoques também aumentaram. O mercado agora deve acompanhar principalmente a retomada das compras chinesas depois do feriado e o ritmo da demanda nas próximas semanas”, diz Yedda.

Comercialização exige atenção do produtor

A reação do mercado reforça a necessidade de acompanhar as oportunidades de comercialização, especialmente no milho. Com o aumento dos estoques americanos e globais, as cotações internacionais passam a ter menos sustentação, a menos que surjam novos estímulos de demanda ou preocupações com a produção.

Para a soja, o comportamento das compras chinesas e a evolução da safra sul-americana estarão entre os fatores importantes para a formação dos preços. No Brasil, a dinâmica das exportações também merece atenção diante da perda de competitividade. 

“O produtor precisa observar as janelas de oportunidade e avaliar a comercialização de forma escalonada, principalmente no milho. Neste momento, depender apenas de uma recuperação de Chicago pode ser arriscado, porque o relatório trouxe uma sinalização mais negativa para os preços”, conclui a analista.

Produtividade no campo: produzir mais já não basta, é preciso produzir melhor

por Welinton Silva*

A possibilidade de uma maior pressão sobre o abastecimento global de alimentos a partir de 2027, segundo um relatório recente da JPMorgan, colocou novamente a segurança alimentar no centro das discussões do agronegócio. A análise, que ganhou repercussão após um alerta sobre a necessidade de ampliar estoques de alimentos, não representa uma certeza de crise, mas chama atenção para um conjunto de fatores que já desafia o produtor: custos elevados, volatilidade das commodities, restrições de crédito, disponibilidade de insumos, eventos climáticos extremos e dificuldades logísticas.

Nesse cenário, a produtividade passou a significar mais do que produzir um volume maior por hectare. O desafio é produzir mais e melhor, utilizando de forma eficiente os recursos disponíveis.

Durante muito tempo, o aumento da produção esteve associado principalmente à expansão da área cultivada. Hoje, essa equação é mais complexa. O produtor precisa buscar maior produtividade dentro da área que já possui, reduzindo perdas, controlando o custo por hectare e realizando cada operação no momento adequado.

Isso exige olhar para toda a cadeia produtiva. Do preparo do solo ao plantio, passando pelo manejo e pelas aplicações, até a colheita e o transporte, onde cada etapa interfere no resultado final. Quando uma operação é realizada fora da janela ideal, por exemplo, pode haver perda de potencial produtivo, além de retrabalho e aumento do consumo de combustível, mão de obra e outros recursos.

É justamente nesse contexto que a mecanização ganha importância. Mas mecanizar não significa simplesmente escolher uma máquina maior ou mais potente. Significa encontrar o equipamento adequado à realidade da propriedade, à cultura, ao relevo, às condições do solo e ao tempo disponível para realizar cada atividade.

Em culturas com janelas operacionais mais curtas, ter a máquina disponível no momento certo pode ser decisivo. Um equipamento com capacidade insuficiente pode provocar atrasos, enquanto uma máquina superdimensionada pode permanecer subutilizada e elevar o custo por hectare. O desafio está em encontrar o equilíbrio entre investimento, capacidade operacional e necessidade real.

A eficiência também precisa ser medida de forma mais ampla. O volume produzido por hectare continua sendo um indicador fundamental, mas, isoladamente, não mostra toda a realidade da operação. É preciso considerar quanto foi gasto para produzir, o consumo de combustível, o tempo necessário para cada atividade, os custos de manutenção e o período em que os equipamentos ficaram efetivamente disponíveis para o trabalho.

Essa visão se torna ainda mais relevante diante da possibilidade de restrições na oferta ou de aumento dos preços de insumos. Os últimos anos mostraram como conflitos geopolíticos e problemas logísticos em diferentes partes do mundo podem afetar cadeias essenciais à agricultura. Quando um recurso se torna mais caro ou mais difícil de obter, aproveitar melhor aquilo que está disponível passa a ser ainda mais importante.

O planejamento, portanto, assume um papel central. Monitorar as condições climáticas, programar a compra de insumos, realizar a manutenção preventiva das máquinas e antecipar as operações são medidas que ajudam o produtor a reduzir a exposição aos imprevistos. Em uma atividade tão dependente de janelas específicas, disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos também fazem parte da estratégia.

A mecanização ainda pode contribuir para enfrentar outro desafio estrutural do campo: a disponibilidade de mão de obra. Em diferentes culturas e regiões, determinadas atividades continuam dependendo de trabalho manual, enquanto outras podem ganhar eficiência com a mecanização adequada. O exemplo de países como o Japão mostra como a falta de mão de obra pode acelerar esse processo, mas o caminho brasileiro precisa considerar a diversidade das propriedades e das culturas existentes no país.

Por isso, ampliar o acesso à mecanização, especialmente entre pequenos e médios produtores, não significa apenas disponibilizar equipamentos maiores e mais potentes. É necessário desenvolver soluções compatíveis com diferentes escalas de produção e necessidades. A realidade de uma grande propriedade de grãos é diferente daquela encontrada em uma operação de fruticultura ou em uma pequena propriedade familiar.

Foto: Simon BB / Pexels.com

Para a indústria, essa realidade reforça a necessidade de uma mudança de perspectiva. Mais do que oferecer produtos, é preciso compreender os desafios enfrentados pelo produtor e desenvolver soluções que contribuam para a eficiência de toda a operação. Questões como disponibilidade de peças, assistência técnica, confiabilidade e adequação do equipamento também interferem diretamente na capacidade de cumprir as janelas de trabalho.

O Brasil tem condições de ampliar sua contribuição para a produção mundial de alimentos sem que o aumento da oferta dependa exclusivamente da expansão de áreas. Reduzir perdas, melhorar a eficiência das operações e aproveitar melhor os recursos das áreas já cultivadas são caminhos igualmente importantes.

Se o alerta para 2027 aponta para um cenário em que a oferta global de alimentos pode enfrentar novas pressões, a resposta do campo precisa ser construída desde agora. E ela passa por uma combinação de tecnologia, planejamento e eficiência.

No fim, produtividade não deve ser entendida apenas como quantidade produzida. É a capacidade de transformar terra, insumos, máquinas, mão de obra, tempo e capital em resultado. Produzir mais continua sendo fundamental, mas produzir com eficiência, previsibilidade e rentabilidade será cada vez mais determinante para a sustentabilidade da atividade agrícola.

*Coordenador Nacional Comercial da YANMAR South America. Bacharel em Administração e com MBA em Business/Commerce. Tem mais de 15 anos de experiência na área comercial do agronegócio.

Planejamento ajuda a reduzir falhas antes do plantio

O início de uma nova safra exige atenção antes mesmo de a semente chegar ao solo. O planejamento do tratamento de sementes e das operações de preparo da área pode influenciar a germinação, a emergência e o estabelecimento inicial da lavoura. Entre os principais pontos estão a escolha e a compatibilidade dos produtos, a sequência de aplicação, a qualidade da cobertura das sementes e as condições do solo.

Segundo o engenheiro agrônomo e diretor comercial da Sell Agro, Alexandre Gazoni, falhas nessa etapa podem comprometer o desempenho da semente logo no início do ciclo. “O planejamento antecipado do tratamento de sementes é importante porque pode ser decisivo na emergência da planta. Quando realizado de forma adequada, contribui para uma melhor resposta nessa fase. Por outro lado, erros no processo podem prejudicar a germinação”, afirma.

Um dos pontos de atenção está na combinação dos produtos utilizados. Misturas inadequadas podem provocar incompatibilidades e comprometer a eficiência do tratamento. “É preciso avaliar se os produtos são compatíveis quando utilizamos mais de um e também observar a sequência em que eles serão incorporados à semente. Uma combinação inadequada pode gerar conflitos entre produtos nutricionais e fungicidas, por exemplo, prejudicando a eficiência do tratamento até a germinação”, explica o engenheiro agrônomo.

Uniformidade da aplicação exige atenção

A qualidade da aplicação também interfere no resultado do tratamento. Existem diferentes equipamentos disponíveis para a operação, além de situações em que o procedimento é realizado manualmente. Independentemente do método, é necessário garantir que os produtos sejam distribuídos de maneira uniforme sobre as sementes. “Existem diferentes tipos de máquinas para fazer o tratamento e também há quem realize o processo manualmente. O ponto fundamental é o cuidado para conseguir uma boa cobertura. A semente precisa ficar adequadamente exposta aos produtos”, diz Gazoni.

Equipamentos inadequados, mal regulados ou operações conduzidas sem o cuidado necessário também podem provocar danos físicos às sementes. Segundo o especialista, essas lesões podem favorecer a entrada de patógenos e comprometer vigor, germinação e sanidade. “O principal risco é a danificação da semente. Quando ela sofre algum dano, pode ficar mais suscetível. Se o tratamento também não tiver uma boa cobertura, ela fica mais exposta ao ambiente, pode perder vigor e ter o índice de germinação comprometido. Dependendo do nível do dano, pode até não germinar”, alerta.

Diagnóstico do solo orienta decisões

O planejamento antes do plantio também envolve o diagnóstico da área. A análise das condições químicas, físicas e, quando necessário, biológicas do solo ajuda a identificar limitações e definir as intervenções necessárias para a implantação da cultura.

Informações como pH, necessidade de correção e disponibilidade de nutrientes orientam decisões relacionadas à adubação e às exigências da cultura. “A análise permite entender se o solo está preparado para receber aquela cultura, seja soja, arroz ou algodão. É possível avaliar o pH, a necessidade de calcário e também quanto de fertilizante será necessário para atender às exigências da planta e buscar um bom desempenho produtivo”, explica o diretor comercial da Sell Agro.

A análise de nematoides também pode contribuir para o planejamento. A identificação das espécies presentes na área auxilia na escolha de cultivares com características de resistência ou tolerância e na definição das estratégias de manejo. “Quando fazemos uma análise biológica para nematoides, conseguimos saber quais estão presentes na área e avaliar se a variedade escolhida possui resistência ou tolerância. São informações importantes para aumentar as condições de estabelecimento da planta e para que a lavoura seja economicamente viável”, acrescenta o especialista.

Cobertura do solo ajuda a preservar umidade

Outro cuidado antes do plantio é a manutenção da cobertura vegetal e da palhada. Além de contribuir para a adição de matéria orgânica, a proteção do solo auxilia na conservação da umidade e na redução de processos erosivos. “Precisamos ter um solo preparado quimicamente para disponibilizar os nutrientes necessários às plantas, mas também trabalhar com cobertura. A palhada é hoje uma ferramenta importante tanto para a preservação do solo quanto para a adição de matéria orgânica, além de ajudar a reduzir erosão e conservar umidade”, afirma o engenheiro agrônomo.

Informação também faz parte do planejamento

Além das ferramentas de diagnóstico e das tecnologias utilizadas nas operações, Gazoni destaca a importância do acompanhamento técnico e da troca de informações para a tomada de decisões. “O produtor tem à disposição profissionais que podem trazer uma visão diferente. Muitas vezes ele está diariamente dentro da fazenda observando aquela realidade, enquanto aqueles que acompanham outras regiões encontram situações semelhantes em diferentes locais. Ter parceiros para trocar informações e ajudar no planejamento é primordial”, afirma.

Para o engenheiro agrônomo, antecipar decisões e contar com informações técnicas permite identificar problemas antes do plantio e organizar as operações de acordo com as condições de cada área. O objetivo é reduzir falhas justamente em uma etapa que pode determinar o desenvolvimento da lavoura nas primeiras fases do ciclo.

Inadimplência no crédito rural bate recorde e acende alerta para financiamento da nova safra

O avanço da inadimplência no campo adiciona uma nova camada de pressão ao financiamento da safra 2026/27. Em agosto, o débito em aberto da carteira de crédito rural com recursos direcionados para pessoas físicas chegou a 9,69%, maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011.

O indicador considera o percentual da carteira com pelo menos uma parcela vencida há mais de 90 dias. Em julho deste ano, a taxa estava em 8,79%. Um ano antes, em agosto de 2025, era de 5,23%, o que representa uma alta de 4,46 pontos percentuais em 12 meses.

Outro levantamento ajuda a dimensionar a deterioração do crédito no campo. Estudo da Agroicone, elaborado com base em dados do Banco Central, mostra que o saldo das operações rurais com atraso superior a 90 dias passou de R$ 3,8 bilhões em julho de 2023 para R$ 38,4 bilhões em abril de 2026.

O cenário coincide com um começo de safra marcado por menor número de operações de crédito. Análise da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também baseada em informações do Banco Central, aponta que foram registrados 375,1 mil contratos de crédito rural em julho e agosto da safra 2026/27, ante 457,8 mil no mesmo período do ciclo anterior.

Para Romário Alves, CEO da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, o aumento da inadimplência exige atenção não apenas de quem já enfrenta dificuldades financeiras, mas também de produtores que precisarão captar recursos ao longo do novo ciclo.

“Quando a inadimplência cresce de maneira tão expressiva, todo o ambiente de crédito passa a exigir mais cautela. Isso não significa que o produtor que está adimplente deixará de conseguir financiamento, mas análise de risco, capacidade de pagamento, garantias e histórico financeiro ganham ainda mais peso. Por isso, deixar a busca pelo recurso para a última hora pode se tornar um problema”, explica Alves.

Crédito muda de perfil

Nos dois primeiros meses da safra 2026/27, produtores enquadrados no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais produtores contrataram R$ 65,7 bilhões em operações de crédito rural, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com base em dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor).

Um dos movimentos que chamam atenção está na composição desses recursos. As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 32,4 bilhões, o equivalente a 49,2% do total contratado no período. Já as operações convencionais de custeio somaram R$ 23 bilhões, ou 34,9%.

Segundo Alves, a mudança reforça a necessidade de o produtor conhecer diferentes possibilidades de financiamento e comparar as condições antes de contratar. “O crédito rural está se tornando cada vez menos uma decisão baseada apenas em encontrar uma linha disponível. O produtor precisa entender prazo, custo, garantias, fluxo de caixa e qual instrumento faz sentido para aquela atividade. Em um momento de maior pressão financeira no setor, uma contratação mal dimensionada hoje pode comprometer a capacidade de financiamento dos próximos ciclos”, afirma.

A renegociação também entra no radar. O aumento das dificuldades financeiras levou à criação e ampliação de mecanismos para composição de dívidas rurais em 2026. Em setembro, o Conselho Monetário Nacional autorizou novas condições para determinadas operações renegociadas, prorrogadas ou inadimplentes, ampliando as possibilidades de reorganização de passivos para produtores enquadrados nas regras.

Para o especialista, porém, renegociar compromissos anteriores e buscar recursos para uma nova safra são decisões que precisam ser analisadas conjuntamente. “Não adianta olhar apenas para a parcela que venceu. É preciso entender quanto da receita futura já está comprometida, qual será a necessidade de capital para produzir e em que momento haverá entrada de recursos. O produtor precisa enxergar a propriedade como uma empresa e projetar o fluxo financeiro antes de assumir uma nova obrigação”, acrescenta.

Com o Plano Safra 2026/27 prevendo R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, o desafio neste momento não está apenas no volume de recursos anunciado, mas nas condições em que produtores chegam ao mercado para acessá-los.

“Crédito continua existindo e é fundamental para o agro brasileiro. O que muda em um cenário como esse é a importância do planejamento. Quanto antes o produtor organizar seus números e entender sua capacidade de pagamento, maior será a possibilidade de buscar uma estrutura de crédito compatível com a realidade da propriedade”, conclui Alves.

Com safra recorde de café em 2026, produtores do Sul de Minas focam na implantação das novas lavouras

O Sul de Minas chega ao fim da safra de 2026 com números históricos e, ao mesmo tempo, já começa a olhar para as lavouras que produzirão nos próximos anos. O terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro, estima em 15,93 milhões de sacas a produção de café arábica no Sul e Centro-Oeste de Minas Gerais. No estado, o volume deve alcançar 34,96 milhões de sacas da espécie.

O resultado acompanha uma safra recorde no país. A produção brasileira de café está estimada em 67,6 milhões de sacas beneficiadas em 2026, avanço de 19,6% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica da Conab. A produtividade média nacional também cresceu 13,8%, passando de 30,4 para 34,6 sacas por hectare.

Em Minas Gerais, além da bienalidade positiva do arábica, a melhor distribuição das chuvas nos meses anteriores à floração e as condições climáticas favoráveis até março contribuíram para o desempenho das lavouras.

Enquanto a colheita consolida esses resultados, outra etapa ganha importância nas propriedades que estão implantando ou renovando áreas de café: a formação inicial do cafezal. Diferentemente das culturas anuais, decisões tomadas nessa fase acompanham o produtor por vários ciclos produtivos.

É nesse momento que fatores como preparo da área, condições do solo, desenvolvimento das raízes, pegamento e estabelecimento das mudas passam a ter impacto sobre a formação da lavoura.

Para Francisco de Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, olhar apenas para a produtividade da safra atual pode esconder uma decisão estratégica para o futuro da propriedade. “Quando falamos em café, estamos falando de uma cultura que permanecerá naquela área por muitos anos. Por isso, a implantação não pode ser tratada apenas como mais uma operação de campo. O desenvolvimento que conseguimos construir no início ajuda a determinar como aquela planta estará preparada para atravessar os próximos ciclos”, explica.

O desafio é proporcionar condições para que a muda recém-implantada consiga estabelecer rapidamente seu sistema radicular e aproveitar os recursos disponíveis no solo. Nessa fase, estresses hídricos, limitações nutricionais ou dificuldades no desenvolvimento inicial podem comprometer a uniformidade do cafezal.

Segundo Carvalho, uma lavoura visualmente formada nem sempre significa que todas as plantas começaram o ciclo nas mesmas condições. “A uniformidade é um ponto importante. Quando algumas plantas apresentam desenvolvimento mais lento logo no início, o produtor pode carregar essa diferença ao longo da formação da lavoura. O objetivo é criar condições para que as mudas tenham um estabelecimento equilibrado e desenvolvam raízes capazes de explorar melhor o solo”, afirma.

Entre as estratégias utilizadas nessa fase estão tecnologias voltadas ao desenvolvimento inicial das plantas. A Hydroplan-EB trabalha, por exemplo, com o HYB PLUS em programas de manejo para implantação do café, associado às demais práticas agronômicas adotadas em cada propriedade.

A recomendação, porém, deve considerar as características de cada área. Tipo de solo, disponibilidade de água, histórico da propriedade, variedade utilizada e condições climáticas interferem diretamente no estabelecimento do cafezal.

Para o especialista, o momento vivido pela cafeicultura mineira reforça justamente essa necessidade de planejamento. Se 2026 entra para a história pela dimensão da safra, parte da capacidade produtiva dos próximos anos começa a ser construída antes mesmo da primeira colheita das novas plantas.

“Uma safra recorde mostra o potencial que existe na cafeicultura brasileira, especialmente em Minas Gerais. Mas produtividade não começa quando o café está produzindo. Ela começa muito antes, na forma como essa lavoura é implantada e conduzida desde os primeiros estágios”, conclui Francisco.

Brasil avança na produção mundial de algodão com mais tecnologia no campo

O Brasil chega a um novo patamar na produção mundial de algodão. Terceiro maior produtor global, atrás apenas de China e Índia, o país deve encerrar a safra 2025/26 com produção recorde de 4,14 milhões de toneladas de pluma, segundo o 12º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em setembro de 2026. O avanço da cultura reforça também um movimento que ocorre dentro das lavouras: a incorporação crescente de tecnologia, biotecnologia e ferramentas de precisão aos processos produtivos.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) dimensionam a importância brasileira no cenário internacional. Na safra 2025/26, o Brasil responde por aproximadamente 15,4% da produção mundial, com 18,75 milhões de fardos de 480 libras, atrás da China, com 35,8 milhões, e da Índia, com 23,8 milhões.

“Quando um país alcança essa dimensão na produção agrícola, produtividade deixa de estar relacionada apenas à expansão de área. O desafio passa a ser produzir melhor, com mais informação, precisão e controle dos processos. É justamente nesse ponto que a biotecnologia ganha importância, porque permite transformar análises e dados biológicos em decisões mais assertivas para a produção”, afirma Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para biotecnologia e diagnóstico molecular.

O desempenho nacional reforça essa busca por eficiência. De acordo com a Conab, mesmo com redução de 3,2% na área cultivada na safra 2025/26, para cerca de 2,02 milhões de hectares, a produtividade das lavouras cresceu 4,9%, chegando ao recorde de 2.053 quilos de pluma por hectare. Com isso, a produção deve superar em 1,5% o resultado da temporada anterior.

Do campo ao laboratório

O protagonismo brasileiro no algodão também ocorre no mercado internacional. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o país exportou o volume recorde de 3,37 milhões de toneladas entre agosto de 2025 e julho de 2026, crescimento de 19% sobre o ano comercial anterior. As vendas externas movimentaram US$ 5,3 bilhões e consolidaram o Brasil como maior exportador mundial da fibra.

A produção em larga escala esta diretamente combinada com o melhoramento genético do algodão, que se tornou-se um dos principais pilares da competitividade brasileira no mercado global, em uma cultura que esta cada vez mais orientada por ganhos de produtividade, qualidade de fibra e sustentabilidade. Para apoiar esse avanço, tecnologias moleculares vêm ampliando a capacidade de pesquisadores e empresas na identificação de genes de interesse, no desenvolvimento de novas cultivares e na validação genética de materiais utilizados no campo.

“O algodão brasileiro mostra como o agronegócio nacional está se tornando cada vez mais intensivo em conhecimento. E soluções para automação laboratorial em extração e purificação de DNA e RNA e PCR em tempo real para análises de genotipagem permitem acelerar processos de seleção e caracterização genética, reduzindo o tempo necessário para a obtenção de variedades mais produtivas, resistentes a doenças e adaptadas às diferentes regiões produtoras. Além disso, essas ferramentas contribuem para assegurar a qualidade genética das sementes e a rastreabilidade dos materiais ao longo da cadeia produtiva do algodão”, diz Tatiani.

Liderança aumenta exigências

A relevância internacional do algodão brasileiro cria, ao mesmo tempo, oportunidades e novas exigências. Com o país ocupando posições de liderança na produção e nas exportações, aspectos como qualidade, eficiência, rastreabilidade e sustentabilidade ganham peso na competitividade da cadeia.

Nesse cenário, tecnologias de análise molecular e automação podem assumir papel cada vez maior, especialmente diante da necessidade de obter respostas rápidas e confiáveis, reduzir perdas, aprimorar o uso de insumos e ampliar o controle sobre processos produtivos. “À medida que o país amplia sua participação no mercado mundial, ciência e tecnologia passam a ocupar uma posição ainda mais relevante para sustentar os próximos ciclos de crescimento”, conclui a especialista da Loccus.

GAFFFF 2026 inicia agenda de debates sobre os rumos do agronegócio brasileiro

A força econômica do agronegócio brasileiro e seu protagonismo na produção mundial de alimentos e energia foram os principais temas abordados durante a cerimônia de abertura da terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizada em São Paulo. Com mais de 81 sessões de conteúdo distribuídas em seis palcos simultâneos, o evento da DATAGRO reúne autoridades e líderes em torno das perspectivas e desafios do setor, que movimenta cerca de R$ 3,2 trilhões por ano, representa aproximadamente 25% do PIB brasileiro e responde por quase metade das exportações do país.

Plinio Nastari, presidente da DATAGRO destacou a relevância da contribuição do GAFFFF para o desenvolvimento do agronegócio no país. “É uma oportunidade valiosa para disseminar conceitos fundamentais e debater como o setor agropecuário pode enfrentar os desafios do futuro”, afirmou.

Geraldo Melo Filho, secretário estadual de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, reforçou a importância da ciência e da tecnologia para que o setor alcançasse sua posição atual. “O Brasil que nós conhecemos nasce no agro. Mas nunca foi só terra. Seria impossível, sem pesquisa, sem tecnologia, sem conhecimento, termos chegado aonde chegamos”, destacou. “E, com o avanço de áreas como biocombustíveis, bioenergia e produção de proteínas, esse Brasil agro é quem vai garantir, nas próximas décadas, segurança alimentar e energética para o mundo”.

Foto: Divulgação – GAFFFF / DATAGRO

Alei Fernandes, prefeito de Sorriso (MT), lembrou que hoje a região é um dos motores do agro, registrando grande expansão nos últimos anos. “O setor realmente tem seu grau de importância na economia e vivemos um momento de muita expectativa e relevância ao mesmo tempo. É uma satisfação ver que nós, lá em Sorriso, nos transformamos no epicentro da produção agrícola do Mato Grosso e, talvez, do Brasil”, disse.

Já o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), que também é presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde da Câmara dos Deputados, abordou a coexistência estratégica entre produção e preservação ambiental. “O agro brasileiro escolheu o caminho da sustentabilidade. Também celebramos a sinergia entre a segurança alimentar, garantida pelo Brasil ao mundo, e a segurança energética, por meio de biocombustíveis como etanol, biodiesel, biogás e biometano, além do avanço no combustível sustentável de aviação. O agro busca respeito, segurança jurídica e valorização do trabalho. Agradeço ao DATAGRO por este encontro, que reafirma nosso compromisso em manter o protagonismo do agronegócio na economia nacional. Vida longa ao GAFFFF”, concluiu.