Do conceito à colheita: como a inovação digital está democratizando a eficiência no campo

por Micael Duarte*

Por muito tempo, a expressão “agricultura de precisão” soou como algo restrito a grandes corporações agrícolas ou laboratórios de tecnologia. O imaginário comum remetia a mapas complexos e sensores inacessíveis. No entanto, o cenário atual revela uma realidade bem mais palpável: a tecnologia deixou de ser um artigo de luxo para se tornar o braço direito da rentabilidade, independentemente do tamanho da propriedade.

Abaixo, trago como essa transformação está acontecendo na prática.

  1. O fim do desperdício: decisões baseadas em dados

A verdadeira revolução não está apenas na máquina, mas na informação. Ferramentas como o GPS agrícola e a telemetria mudaram o jogo ao permitir que o produtor visualize a operação em tempo real.

  • Redução de sobreposição: evitar que uma área receba sementes ou defensivos duas vezes economiza insumos e preserva o solo.
  • Gestão de frota: saber exatamente as horas trabalhadas, o consumo de combustível e as falhas dos equipamentos permite um planejamento logístico muito mais assertivo.
  1. A máquina como fonte de inteligência

O maquinário moderno deixou de ser apenas uma ferramenta mecânica para se tornar uma central de dados. Hoje, sistemas de monitoramento remoto permitem que o gestor acompanhe o desempenho da frota sem precisar estar fisicamente no talhão.

Um exemplo claro dessa evolução é o Smart Assist Remote da YANMAR, que utiliza conectividade e GPS para oferecer visibilidade total sobre o funcionamento dos equipamentos. Além da eficiência operacional, essa tecnologia traz uma camada extra de segurança ao patrimônio, com alertas de localização e movimentação que protegem o investimento do produtor.

Smart Assist Remote da YANMAR utiliza conectividade e GPS para oferecer visibilidade total sobre o funcionamento dos equipamentos (Foto: Divulgação / YANMAR)
  1. Proteção ativa e longevidade do equipamento

Inovar também significa proteger o que já se tem. A integração de sistemas de proteção eletrônica, como o dispositivo Vigia (da Colven), demonstra como a tecnologia atua na prevenção. Ao monitorar pressão de óleo e temperatura, o sistema pode intervir antes que uma falha mecânica se torne um prejuízo. É a transição da manutenção corretiva para a gestão preventiva inteligente.

  1. A era da inovação acessível

O movimento mais importante da indústria atual é a democratização. Recursos de conectividade e telemetria, que antes eram exclusivos de máquinas gigantescas, agora estão presentes em equipamentos de menor porte.

Essa mudança de paradigma garante que o pequeno e o médio produtor também tenham acesso a ferramentas que otimizam a produção. Quando a tecnologia se torna acessível, o campo ganha em escala, sustentabilidade e, acima de tudo, em ganho real no bolso de quem produz.

*Engenheiro agrícola, especializado em análise de mercado, prospecção de novos clientes e suporte técnico-comercial, com foco em colheitadeiras. Atualmente é Analista de Inovação Sênior na YANMAR South America.

Uso de IA cresce 72% e amplia risco jurídico sobre dados e prompts

Com cerca de 72% das empresas já utilizando inteligência artificial em ao menos uma função de negócio, segundo levantamento global da McKinsey & Company, cresce no ambiente corporativo a preocupação com a ausência de regras claras sobre uso de prompts, titularidade de outputs e proteção de dados estratégicos. O tema ganhou relevância recente com o avanço do debate regulatório internacional, após o U.S. Copyright Office reforçar o entendimento de que conteúdos gerados por IA exigem contribuição humana identificável para proteção autoral, enquanto discussões no Parlamento Europeu indicam maior foco em transparência e responsabilização no uso da tecnologia. No Brasil, o Projeto de Lei 2338 de 2023 segue em tramitação e ainda não estabelece diretrizes consolidadas sobre o tema.

De acordo com Matheus Barcelos Martins, sócio do Barcelos Martins Advogados e especialista em Direito Empresarial com atuação em contratos, inovação, propriedade intelectual e tecnologia, “o debate sobre direito autoral de prompt é limitado diante da realidade das empresas. Na prática, quando esses comandos refletem estratégia, lógica operacional ou curadoria, eles se tornam ativos relevantes e devem ser tratados como segredo de negócio e objeto de proteção contratual”.

Além do cenário regulatório em evolução, entidades como a OWASP vêm alertando para riscos concretos associados ao uso corporativo de IA, incluindo exposição de informações confidenciais e vulnerabilidades como prompt injection, listada entre as principais ameaças no ranking Top 10 for Large Language Models da organização. A World Intellectual Property Organization também tem destacado os desafios relacionados à proteção de ativos intangíveis no contexto da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o aumento de disputas judiciais envolvendo empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e Midjourney reforça que o tema já impacta decisões econômicas, concorrenciais e contratuais em escala global.

Diante desse cenário, cresce a recomendação por adoção de políticas estruturadas de governança sobre o uso de inteligência artificial, incluindo mapeamento da criação e utilização de prompts, definição de diretrizes sobre confidencialidade e propriedade intelectual e revisão de contratos com fornecedores de tecnologia. Segundo Matheus Barcelos Martins, “empresas que não estabelecem regras claras sobre o uso de IA podem comprometer ativos estratégicos e assumir riscos jurídicos relevantes, especialmente em um contexto em que a regulação ainda está em consolidação e a responsabilização tende a se intensificar”.

Tecnoshow COMIGO 2026 começa valorizando a força do agronegócio goiano

Teve início a 23ª edição da Tecnoshow COMIGO, uma das principais feiras de tecnologia rural do Brasil e consolidada como vitrine estratégica para inovação, geração de negócios e difusão de conhecimento no agronegócio. O evento, que tem como tema central “O Agro Conecta”, segue até o dia 10 de abril, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde (GO), reunindo produtores rurais, pesquisadores, empresas e especialistas de diversas regiões do país.

Presente no primeiro dia do evento, durante coletiva de imprensa, o governador de Goiás, Daniel Vilela, reforçou o apoio à feira, que, segundo ele, enaltece a competência dos goianos e a força do agronegócio, principal referência econômica do estado e do país. “Faço questão de estar aqui hoje, no início da Tecnoshow, não só para prestigiar este grande evento, mas também os produtores e o sudoeste goiano, região de alta produtividade e qualificação profissional rural. Nossa presença reforça, como governo do estado, o reconhecimento e o prestígio a esse setor que alavanca a economia goiana e brasileira”, destacou.

Também presente na coletiva, o prefeito Wellington Carrijo enfatizou que a cidade está preparada para o fluxo de visitantes durante a feira: “Nosso comércio local espera um movimento semelhante ao do ano passado. Nossos hotéis estão com 100% de ocupação, impactando positivamente cidades vizinhas, como Jataí e Santa Helena, que também estão com a rede hoteleira aquecida. Sem dúvida, a Tecnoshow COMIGO é um orgulho para a nossa cidade e para todo o estado”.

O presidente do Conselho de Administração da COMIGO, Antonio Chavaglia, destacou o momento econômico desafiador do agronegócio e reforçou o papel da Tecnoshow na difusão de tecnologia para a agricultura e a pecuária, por meio da presença das empresas expositoras.

“Agradeço aos empresários que vieram prestigiar a feira, tanto os locais quanto os de outras regiões, além das instituições de pesquisa que estão aqui trazendo novas cultivares e lançamentos importantes para o setor. Esse movimento é fundamental para ajudar a reduzir a pressão sobre o agronegócio brasileiro. Vivemos um cenário delicado no país, com impactos que vão muito além do campo”, afirmou.

“Sabemos que o cenário mundial ainda traz muitas incertezas, com conflitos e impactos que afetam diretamente os custos dos insumos, do transporte e da produção. Por isso, é preciso cautela, planejamento e responsabilidade para atravessar este momento. Os altos custos do petróleo, dos insumos e do transporte tornam cada vez mais difícil garantir margem ao produtor, seja na agricultura ou na pecuária”, completou Chavaglia.

Ao final, ele também comentou a expectativa para a edição 2026: “Espero que este ano traga bons resultados para todos, permitindo que o produtor faça suas análises, avalie investimentos e encontre oportunidades”.

Após a coletiva, foram realizados a revista da guarda e o hasteamento das bandeiras no estande do Governo do Estado. Na ocasião, o governador, o prefeito de Rio Verde e o presidente do Conselho de Administração da COMIGO assinaram o termo que transfere a capital para o município até sexta-feira (10). Durante a Tecnoshow COMIGO, Rio Verde assume o posto de capital de Goiás.

Fotos: Divulgação

Pastagem plantada por mudas permite mais produtividade na criação de bovinos no semiárido brasileiro

O Ceará segue vencendo os desafios da agropecuária, que é um dos motores da economia da região. Em 2025, agropecuária cearense cresceu 5,30% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, superando o Produto Interno Bruto (PIB) que registrou crescimento de 2,25%, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A atividade tem potencial para crescer ainda mais, porém os produtores rurais da região enfrentam grandes desafios relacionados ao clima.  A seca prolongada no semiárido prejudica a produção de pastagem natural para alimentação dos bovinos em volume e qualidade necessária. Outros desafios são apontados por produtores locais como a falta de acesso à tecnologia e a práticas inovadoras e eficientes de manejo do gado, principalmente para as pequenas e médias propriedades. Nas grandes, em alguns casos, investir em irrigação e tecnologia torna o processo oneroso. A avaliação é do zootecnista, especialista em produção de ruminantes e pastagens e MBA em gestão de negócios pela FGV, Oswaldo Stival Neto. 

Segundo ele, pecuaristas têm buscado alternativas eficientes e com custo-benefício mais interessantes para estimular o aumento da produtividade e a sustentabilidade no pasto. Uma das inovações que tem ganhado espaço nas fazendas do estado é o plantio de mudas clonadas e melhoradas geneticamente do capim Tifton 85, que traz benefícios, mesmo se comparada à alimentação por meio de forragem conservada, a silagem, ou de feno, prática comum no Nordeste, no período de seca.

O zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens, Oswaldo Stival Neto, explica que essa espécie, que resulta do cruzamento de uma gramínea de clima subtropical a temperado dos EUA com uma de clima tropical da África, criada em 1992 nos Estados Unidos. Seu cultivo não se propagou no passado por ele ser um híbrido , ou seja , seu plantio não se dá via sementes , e o método que se propagou antigamente  por plantio de ramas não se tinha por muitas vezes sucesso na implantação , além da dificuldade de encontra um material com origem o que inibiu a adesão a ele por um tempo. Mas, a empresa Amazon mudas , tornou seu plantio possível através de mudas clonadas e plantio mecanizável por plantadeiras , diante de seus resultados, agropecuaristas têm cada vez mais experimentado a alternativa.

“O que os números nos mostram é que  o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, a metade do volume do Tifton 85, em relação ao que os produtores precisam servir de forragem, já vai suprir a demanda alimentar dos animais. Ou seja, no mesmo 1 hectare de área, o produtor consegue fornecer alimento para no mínimo o dobro de animais”, explica ele.  

Um exemplo é o da  fazenda  São José, localizada no município de Russa, no Ceará, onde os produtores implantaram a gramínea Tifton 85, que oferece ao gado cerca do dobro do valor nutritivo que o capim braquiária, que é mais comum nas fazendas brasileiras. Ela também produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens. 

Segundo Oswaldo Neto, com o uso do Tifton 85, é possível aumentar a produtividade na criação de gado em até 10 vezes mais do que a média nacional, saltando de uma média de uma para sete cabeças por hectares.  e ainda proteger o solo da erosão, contribuindo para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. 

A pastagem foi adotada na propriedade em uma forma inovadora, desenvolvida pela Amazon Mudas, que resolveu o gargalo do plantio, pois suas sementes não germinam. “Com a tecnologia que desenvolvemos, clonamos as mudas e fazemos seu melhoramento genético. Após isso, transferimos para o pasto com o plantio feito por máquinas plantadeiras, como no caso de mudas de tomate”, exemplifica Oswaldo Stival. 

Oswaldo ainda explica que este período em que o Ceará tem sua quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é muito importante para os pecuarista investirem na recuperação de suas pastagens, plantando gramíneas mais resistentes, que retém melhor a umidade e têm mais resistência em período de seca, como o Tifton 85, pois os benefícios serão sentidos durante todo o ano e ao longo do tempo. 

Pastagem da Fazenda São José, no Ceará, após o fim do processo de implantação do capim Tifton 85 (Fotos: Divulgação)

Pastagem mais resistente à seca

O zootecnista Oswaldo Stival Neto explica que o Tifton 85 apresenta mais resistência e robustez, mesmo na estiagem porque produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens.

“A partir do momento que ele não deixa o solo exposto, qualquer chuva que já venha a ter na área, vai fazer a retenção da umidade no solo e por não deixar o solo exposto ao sol, evita que aquela umidade se evapore”, explica.

De acordo com ele, mesmo com a oscilação das chuvas e o espaçamento maior entre uma e outra, além do sol muito quente, o Tifton 85 mantém a umidade do solo, suficiente para propiciar o crescimento da gramínea. Assim,  o volume de forragem costuma ser maior em relação às demais forrageiras, como a braquiária. 

E não somente isso, enfatiza Oswaldo Stival Neto. Se o plantio do Tifton 85 for feito no princípio das chuvas, aliado a uma adubação estratégica, a planta vai reter a umidade já buscando o nutriente fornecido pelo adubo, o que vai acelerar mais ainda o seu crescimento. “Assim já teremos já de início a planta produzindo muita massa  e também explorando um grande potencial da proteína bruta, oferecendo também mais qualidade  em valor nutricional. Desta forma, fornecemos condições para o animal ter um alto ganho de peso ou uma alta produção de leite”, detalha o especialista.

Inteligência Artificial: aliada estratégica para impulsionar e transformar negócios

por Leonardo Chucrute*

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma ferramenta indispensável em diversas áreas, especialmente no mundo dos negócios. Empreendedores que dominam o uso estratégico dessa tecnologia conseguem potencializar resultados, reduzir erros e tomar decisões com mais agilidade e segurança, fortalecendo a competitividade de suas empresas.

Um dos principais benefícios da IA é a economia de tempo. Ferramentas como assistentes virtuais são capazes de gerar relatórios, analisar o comportamento do consumidor e sugerir melhorias em poucos segundos. Isso permite que o empresário concentre seus esforços no que realmente importa: estratégia, inovação e crescimento do negócio.

A IA também se destaca como uma poderosa aliada no processo de aprendizado, ao possibilitar a personalização da formação e apoiar a tomada de decisões. É possível solicitar recomendações de cursos, vídeos, artigos e até mentorias específicas. Dessa forma, o empreendedor desenvolve competências práticas cada vez mais alinhadas aos seus objetivos, como gestão financeira, liderança e marketing digital.

Além disso, a inteligência artificial pode ser utilizada para testar ideias de negócio, aprimorar apresentações e apoiar o desenvolvimento de novos produtos. Criar prompts para simular o lançamento de um serviço ou validar um pitch torna-se um diferencial competitivo, especialmente em mercados altamente dinâmicos.

Outro uso relevante da IA está no treinamento de equipes. Existem aplicações capazes de simular atendimentos ao cliente, avaliar discursos e oferecer feedback sobre postura, clareza e comunicação. Treinar equipes com esse tipo de tecnologia pode elevar o padrão de excelência do negócio, gerar mais valor para a marca e contribuir para a fidelização de clientes.

É fundamental lembrar que a IA é uma aliada, e não uma substituta da experiência humana. Ela amplia a criatividade, a visão estratégica e a eficiência, mas não substitui competências como empatia, senso crítico e liderança. Integrar tecnologia e inteligência emocional é o que diferencia o empreendedor comum daquele que se destaca em um mercado cada vez mais competitivo.

Portanto, utilize a inteligência artificial como uma alavanca de crescimento, aprendizado e aprimoramento contínuo. Aprender, testar, adaptar e evoluir são atitudes essenciais. O futuro pertence a quem aprende com rapidez e se adapta com sabedoria, e a IA pode ser uma grande aliada nesse processo de expansão e transformação dos negócios.

*CEO do Zerohum, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.

Sistema de IA interpreta dados agrícolas e climáticos para apoiar decisões no campo

Uma plataforma de inteligência artificial que interpreta dados de campo em tempo real começou a ser testada no norte do Paraná, em um projeto piloto voltado à extensão rural. A ferramenta foi construída para organizar e cruzar informações agrícolas, como dados produtivos, climáticos e ambientais, e fornecer subsídios técnicos aos profissionais que atendem produtores rurais na região de Maringá e municípios vizinhos.

A solução foi apresentada por desenvolvedores da Bluelogic Sistemas e Consultoria, de Curitiba, em diálogo com órgãos estaduais responsáveis pela agricultura, e está em fase de implantação e validação. A proposta é centralizar dados dispersos e automatizar análises que hoje exigem tempo e trabalho manual, com a intenção de oferecer orientações técnicas com mais velocidade no campo.

“O sistema organiza e interpreta informações agrícolas e climáticas e sugere orientações técnicas que melhor se adaptam às condições de cada propriedade. A decisão final permanece com o extensionista”, disse Fernando Esmaniotto, CEO da Bluelogic. Ele destaca que a IA não substitui o técnico, mas fornece suporte de análise para decisões mais rápidas e consistentes.

O piloto foi desenhado a partir de uma iniciativa da própria Bluelogic, apresentada em uma Rodada de Oportunidades e Conexões promovida pelo InovaAgro, que facilitou a aproximação com a Secretaria da Agricultura do Paraná e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), responsáveis por conduzir a extensão rural no território.

Foto: Google DeepMind / Pexels.com

Representantes do setor de tecnologia veem no projeto um exemplo de como inovações digitais podem ser aplicadas diretamente em atividades rurais. A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Paraná (Assespro-PR) registrou apoio à iniciativa, com a expectativa de que ela ajude a integrar tecnologia e demandas do campo. 

“Conforme a empresa, a arquitetura da plataforma foi desenhada para permitir expansão geográfica e adaptações a outras áreas de gestão pública e setores produtivos, caso seja validada na etapa atual. Isso é fantástico e vai ao encontro do nosso propósito, que é o de aproximar negócios e soluções das reais necessidades da sociedade”, destaca o presidente da entidade, Adriano Krzyuy.

Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial: Lula defende governança global da IA

com informações da Agência Gov

Ao discursar em Nova Délhi, na Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da IA seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, afirmou Lula.

O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as pessoas.

Lula ainda alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, ressaltou.

Foto: Reprodução / Canal GOV / EBC

“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”, prosseguiu o presidente.

“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, frisou Lula.

O Agro Conecta: o agronegócio como elo entre campo, cidade e inovação

por Jayme Vasconcellos*

A atividade agropecuária brasileira passou, nas últimas décadas, por um processo contínuo de transformação estrutural. A incorporação de ciência, tecnologia e gestão profissional alterou profundamente a forma de produzir e de se relacionar com o mercado e com a sociedade. O campo deixou de ser um espaço isolado para se tornar parte ativa de uma rede que envolve centros de pesquisa, cooperativas, indústrias, serviços e consumidores urbanos.

Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a trajetória do agro brasileiro está diretamente associada à capacidade de integração entre ciência e produção. “A agropecuária nacional se desenvolveu com base em pesquisa aplicada e na proximidade com o produtor. A inovação no campo é resultado dessa interação permanente”, afirmou em apresentações institucionais da empresa.

Essa dinâmica se reflete no cotidiano das propriedades. Em Rio Verde (GO), o produtor rural José Antônio Ferreira, cooperado há mais de 20 anos, descreve uma rotina produtiva orientada por informação técnica. “Hoje, cada decisão passa por recomendação agronômica, dados de clima e histórico da área. A produção ficou mais técnica, e isso mudou a forma de trabalhar”, relata.

O exemplo ilustra um movimento mais amplo: o agronegócio como um ambiente de tomada de decisão baseada em conhecimento compartilhado.

Cooperativas como eixo de integração regional

Nesse processo, o cooperativismo desempenha um papel central. Cooperativas agroindustriais atuam como estruturas de conexão entre o produtor e os diferentes elos da cadeia produtiva, oferecendo acesso a assistência técnica, inovação, crédito, logística e mercado.

Para o diretor-executivo da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Alberto França, o modelo cooperativista é um dos fatores que explicam a capacidade de organização do agro brasileiro. “As cooperativas reduzem distâncias. Elas aproximam o produtor da tecnologia, da gestão e das exigências do mercado, ao mesmo tempo em que fortalecem o desenvolvimento regional”, afirmou em eventos do setor.

Essa atuação tem impactos diretos nas cidades. A presença de cooperativas impulsiona agroindústrias, serviços especializados, comércio e geração de empregos, criando uma relação de interdependência entre campo e meio urbano. O desenvolvimento regional passa a ser resultado de um sistema integrado, e não de ações isoladas.

Pesquisa aplicada como base da produtividade

A conexão entre pesquisa e prática é um dos pilares do desempenho agropecuário brasileiro. Instituições como a Embrapa e universidades públicas e privadas atuam na geração de conhecimento adaptado às condições tropicais, com resultados diretos sobre produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.

O pesquisador da Embrapa Evaristo de Miranda destaca que a ciência agropecuária brasileira se construiu a partir do território. “A pesquisa no Brasil sempre esteve ligada à realidade do produtor e às características ambientais do país. Esse diálogo é o que garante resultados consistentes”, afirmou em análises públicas sobre o setor.

A transferência de tecnologia ocorre por meio de assistência técnica, programas de capacitação e espaços de demonstração. Esses mecanismos permitem que a inovação seja testada, validada e incorporada gradualmente às rotinas produtivas, reduzindo riscos e ampliando ganhos de eficiência.

Tecnoshow COMIGO como espaço de articulação

Durante a Tecnoshow COMIGO, em Rio Verde, produtores circulam entre parcelas demonstrativas, estandes de empresas e áreas de apresentação técnica. Em um mesmo percurso, é possível observar resultados de pesquisa aplicada, discutir manejo com especialistas e avaliar soluções tecnológicas voltadas à realidade local. Esse ambiente resume a lógica do evento: encurtar a distância entre quem desenvolve conhecimento e quem toma decisões no campo.

Segundo Antônio Chavaglia, presidente do Conselho de Administração da COMIGO, a proposta do evento sempre foi criar um espaço de conexão. “A Tecnoshow foi pensada para aproximar o produtor da inovação e do conhecimento técnico, permitindo que ele veja, questione e avalie as tecnologias apresentadas”, afirmou em edições recentes.

Ao reunir diferentes elos da cadeia produtiva, a feira contribui para encurtar a distância entre quem desenvolve soluções e quem as aplica no campo, fortalecendo a integração entre pesquisa, mercado e produção.

Foto: Divulgação / COMIGO

Tecnologia e profissionalização do campo

A digitalização ampliou ainda mais essas conexões. Ferramentas de agricultura de precisão, sistemas de monitoramento e plataformas de gestão tornaram-se parte do cotidiano produtivo, aproximando o campo de padrões tecnológicos presentes em outros setores da economia.

Para Fernando Silva, gerente de inovação da Syngenta Brasil, a tecnologia tem papel estratégico na integração da cadeia. “Dados e conectividade permitem decisões mais eficientes e alinhadas às demandas de produtividade e sustentabilidade. Isso aproxima produtores, empresas e consumidores”, afirmou em debates institucionais.

Esse avanço tecnológico também impacta o perfil profissional do setor, atraindo mão de obra qualificada e reforçando a circulação de conhecimento entre áreas rurais e urbanas.

A engenheira agrônoma Mariana Lopes, formada em Goiânia e atuando na assistência técnica em propriedades do sudoeste goiano, descreve uma rotina que conecta o urbano ao rural. “A gente leva a pesquisa para o campo e traz o campo para a discussão técnica. O produtor participa das decisões e o conhecimento circula”, afirma. Para ela, o agro deixou de ser um espaço distante da cidade e passou a incorporar profissionais, métodos e tecnologias típicos de outros setores da economia.

Produção, consumo e responsabilidade

A relação entre produção e consumo tornou-se mais direta. A sociedade urbana passou a demandar informações sobre origem, qualidade e impacto ambiental dos alimentos, exigindo maior transparência da cadeia produtiva.

Para Christian Kapp, diretor de sustentabilidade da UPL Brasil, essa aproximação redefine o papel do produtor. “O diálogo com a sociedade é fundamental. Produzir bem inclui adotar práticas responsáveis e comunicar isso de forma clara”, afirmou em fóruns sobre sustentabilidade.

Programas de boas práticas agrícolas, rastreabilidade e gestão ambiental funcionam como instrumentos de conexão entre o campo e o consumidor, reforçando a confiança e a legitimidade do setor.

Desenvolvimento econômico e social

As conexões promovidas pelo agronegócio têm reflexos diretos no desenvolvimento regional. Cadeias agroindustriais estruturadas impulsionam economias locais, ampliam a arrecadação municipal e sustentam redes de serviços que vão da educação técnica à saúde. Ao integrar produção, processamento e comercialização, o setor contribui para a estabilidade econômica de regiões inteiras, especialmente em municípios onde o agro é a principal base produtiva.

Embora desafios persistam, o setor demonstra capacidade de adaptação e articulação. O agro brasileiro se organiza como um sistema que integra interesses econômicos, ambientais e sociais.

O agro como elo estruturante

“O Agro Conecta” não é apenas um conceito, mas a descrição de um sistema em operação. Um sistema que transforma conhecimento científico em prática produtiva, articula interesses econômicos e sociais e reduz distâncias históricas entre o campo e a cidade. Iniciativas como a Tecnoshow COMIGO, o fortalecimento do cooperativismo e a atuação integrada da pesquisa evidenciam essa capacidade de articulação.

Ao operar como elo entre pessoas, tecnologias e propósitos, o agronegócio brasileiro reafirma sua relevância para além dos números da produção. Ele se consolida como uma estrutura de conexão que sustenta oportunidades, promove desenvolvimento regional e responde, de forma concreta, às demandas de uma sociedade cada vez mais interdependente.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

Como pequenos investidores podem surfar o boom do agro brasileiro

O agronegócio brasileiro segue como o principal motor da economia e, ao mesmo tempo, abriu espaço para a entrada de investidores de menor porte. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em 2024, o PIB do setor alcançou R$ 2,72 trilhões, 23,2% da economia, e projeções para 2025 indicam avanço para cerca de R$ 3,8 trilhões. Esse dinamismo vem acompanhado da digitalização do campo e do amadurecimento do ecossistema de inovação, só em 2024, 39 operações de venture capital movimentaram cerca de R$ 1 bilhão no país.

Para o investidor pessoa física, isso significa acesso a oportunidades que vão além da compra de terra ou máquinas. Plataformas como a Arara Seed, empresa do Grupo BLB e primeira plataforma do país dedicada exclusivamente a agro, food e climate techs, conectam o varejo a projetos de tecnologia agrícola, crédito ao produtor, iniciativas de carbono e empresas de base científica antes restritas ao grande capital.

Entre os caminhos que têm ganhado tração está o equity crowdfunding, impulsionado pela regulamentação da CVM. O modelo permite aportes a partir de valores acessíveis em startups do agro, projetos de recuperação de pastagens degradadas e negócios de tecnologia no campo. “O investimento coletivo democratizou o acesso ao agro, porque aproxima o investidor comum de operações antes restritas a grandes grupos ou fundos profissionais”, afirma Henrique Galvani, CEO da Arara Seed.

Outro movimento relevante é o avanço dos ativos ligados ao crédito rural, ao imobiliário e à sustentabilidade, como títulos mobiliários voltados ao agronegócio, que passaram a ser estruturados de forma mais simples e distribuídos digitalmente. “A democratização do acesso ao mercado de capitais abriu um novo leque de oportunidades para produtores e investidores. Quando você investe no agro, financia produtividade e sustentabilidade ao mesmo tempo”, complementa Galvani.

Há ainda o caminho dos fundos especializados e das plataformas de investimento coletivo focadas em agro e agtechs, alternativa para quem busca diversificação, gestão profissional, diluição de risco e exposição a cadeias produtivas completas. Apesar das oportunidades, a recomendação é de cautela. “Investir no agro — especialmente em startups e ativos estruturados — exige atenção à qualidade dos gestores, às projeções financeiras, à governança e à liquidez das ofertas. A regulação da CVM trouxe mais transparência, mas o risco climático e operacional continua sendo um fator relevante”, alerta o CEO da Arara Seed.

Com o avanço tecnológico, a demanda crescente por alimentos, energia e soluções sustentáveis, o agronegócio se consolida como um movimento estrutural da economia brasileira. Para o investidor pessoa física, o momento é de aprendizado, estratégia e diversificação. “Plataformas especializadas, fundos temáticos e novos modelos de crédito tornaram essa porta de entrada mais acessível — e mais estratégica — do que nunca”, conclui Galvani.

Foto: Freepik

Especialistas listam as principais tendências de IA para 2026

Se os últimos anos foram marcados pelo deslumbramento com as capacidades generativas, o cenário para 2026 aponta para uma era de integração profunda. Segundo o Gartner, estima-se que mais de 80% das empresas utilizarão APIs ou modelos de IA generativa em seus ambientes de produção até o próximo ano, um salto gigantesco ante os 5% de 2023. Neste novo cenário, a tecnologia deixa de ser uma aposta para se tornar o sistema nervoso central das operações, impulsionando da hiperpersonalização à automação de decisões complexas.

No entanto, a onipresença da IA em 2026 impõe um paradoxo: quanto mais autônomos os sistemas se tornam, maior é o valor do discernimento humano. Não se trata mais apenas do que a IA pode fazer, mas de como a inteligência humana deve conduzi-la para gerar valor sustentável. O mercado passa a exigir não só eficiência técnica, mas respostas claras sobre ética, segurança e o papel das pessoas nesse novo ecossistema. Para desenhar esse panorama, convidamos especialistas para compartilhar as tendências que definirão o próximo ano.

Para Caroline Capitani, VP de estratégia e inovação da ilegra, 2026 marca a transição da Inteligência Artificial de assistentes de chat para uma era de ação autônoma. “O diferencial competitivo será dominar sistemas multi-agentes capazes não apenas de sugerir, mas de negociar e executar tarefas complexas de forma independente. Essa autonomia traz um novo imperativo estratégico: a confiança. A procedência digital deixa de ser apenas um recurso técnico e passa a ser um ativo central de marca. Vencerão as empresas que garantirem a integridade e a rastreabilidade de cada interação. Em um ecossistema de decisões automatizadas, a confiança não é mais um subproduto, mas o alicerce central da relação entre marcas e consumidores”, finaliza.

Já no setor de criação de conteúdo, Igor Coelho, CEO do Grupo Flow, projeta que o avanço da inteligência artificial não resultará em um abandono do que conhecemos, mas sim em uma “adaptação para o real”. Para ele, o mercado vive um ciclo de transformação onde a identidade humana não é substituída, mas sim ressignificada como o ativo central de confiança. “A característica mais valiosa para os criadores nos próximos anos será a autenticidade, impulsionada pelo grande volume de materiais sintéticos. Plataformas como o YouTube, por exemplo, já estabelecem regras criteriosas para restringir a monetização de conteúdos feitos por IA. Em 2026, o diferencial competitivo de um criador ou de uma marca será a profundidade da conexão humana que a IA, por definição, não consegue replicar”, comenta.

Na avaliação de René Abe, CEO da Tensec Brasil, em 2026, a inteligência artificial deixará de ser apenas protagonista tecnológica para se tornar um espelho corporativo. “Em meio à avalanche de ferramentas e promessas, muitas empresas se veem paralisadas pela abundância de escolhas. A vantagem competitiva não estará em adotar tudo, mas em decidir com clareza: definir um objetivo, escolher o que faz sentido e usar a IA como meio, não como fim. O algoritmo pode decidir, mas é a empresa que responde”, alerta.

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