BNDES amplia orçamento e setores beneficiados pelo Mais Inovação

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou o orçamento e os setores e itens financiáveis do BNDES Mais Inovação e aprovou condições mais favoráveis de financiamento. O protocolo para que o setor produtivo possa solicitar crédito nas novas regras – que valem para os financiamentos realizados por meio da rede de agentes financeiros credenciados – foi aberto esta semana. 

O orçamento do Mais Inovação para 2026 será de R$ 12 bilhões, um aumento de R$ 4,8 bilhões em relação ao destinado inicialmente em 2026. Deste total, no mínimo R$ 840 milhões deverão ser destinados às regiões Norte e Nordeste e R$ 1,1 bilhão para financiar máquinas industriais.

Foram incluídos no programa os empresários individuais e as pessoas físicas que exerçam atividade econômica nos setores agropecuário, de produção florestal, de pesca e aquícola, inclusive nos serviços diretamente a elas relacionados. Outra novidade foi a inclusão de bens de informática – são mais de 1.000 (mil) itens aptos a serem financiados.

“Ao elevarmos o orçamento e incluímos novos setores beneficiados, estamos respondendo aos desafios da nova economia e reafirmando que inovação não está reservada às grandes corporações. É o caminho para que o Brasil produza mais, exporte mais e gere empregos de maior qualidade”, afirmou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.

Em relação às condições de financiamento, houve redução da remuneração básica do BNDES para aquisição de máquinas e equipamentos, de 2,5% ao ano para 2% a.a.. Na linha máquinas industriais, houve unificação do spread do BNDES para 1,4% a.a. para todos os portes.

Também foram alteradas as faixas de enquadramento da Taxa Fixa Composta em TR (TFC), que passarão a ser definidas em função do porte do cliente final. As estimativas, com data-base em 12 de maio de 2026, eram de 5,75% a.a. para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e 6,88% a.a. para grandes empresas.

Entre 2023 e 2025, o BNDES já aprovou R$ 35,6 bilhões para inovação, volume que supera a soma do realizado nos onze anos anteriores (R$ 34,8 bilhões).

Foto: Getty Images

Uso de drone avança, redefine eficiência no campo, mas precisa de apoio estratégico de adjuvante

O uso de drones agrícolas no Brasil deixou de ser tendência para se consolidar como uma das principais transformações tecnológicas no campo. Com avanços contínuos em capacidade de carga, velocidade e sistemas de atomização, esses equipamentos já são realidade em diversas culturas e regiões, impulsionando ganhos operacionais e abrindo novas fronteiras para a agricultura de precisão.

Dados de mercado indicam que o segmento cresce a taxas anuais superiores a dois dígitos no país, acompanhando a digitalização do agro e a busca por soluções mais eficientes e sustentáveis. A adoção se expande tanto em grandes propriedades quanto em áreas menores, refletindo sua versatilidade. “O drone é uma tecnologia que chegou para ficar. Ele vem evoluindo constantemente e hoje já atende desde culturas anuais até sistemas perenes e silvopastoris, com aplicações cada vez mais assertivas”, afirma Alexandre Gazoni, engenheiro agrônomo, especialista em aplicações agrícolas e diretor comercial da Sell Agro.

Atualmente, culturas como soja, milho e algodão lideram o uso da tecnologia, mas o avanço já alcança também lavouras perenes, como café, oliveira e noz-pecã. O diferencial está, sobretudo, na capacidade de atuação em áreas de difícil acesso, como terrenos alagados, encostas e regiões onde máquinas enfrentam limitações operacionais. “Em uma área alagada, por exemplo, muitas vezes é preciso esperar o solo secar para entrar com máquinas. Nesse intervalo, a praga pode causar danos significativos. Com o drone, é possível agir rapidamente e evitar perdas”, destaca Gazoni.

Além da acessibilidade, a agilidade operacional é um dos principais ganhos. O uso de drones permite intervenções mais rápidas, especialmente em condições adversas, como após chuvas ou em terrenos irregulares. Esse fator impacta diretamente o rendimento das operações e a eficiência do controle fitossanitário.

Outro ponto relevante é a redução de perdas mecânicas. Na cultura da soja, por exemplo, a substituição de máquinas terrestres por drones e aeronaves elimina o amassamento de plantas, o que pode representar uma economia de até cinco sacas por hectare em determinadas fases da lavoura. “O drone permite preservar a lavoura em momentos críticos, como na dessecação, pois evitar o tráfego de máquinas nesse período pode fazer diferença direta no resultado produtivo”, explica o especialista.

Em cenários operacionais mais restritivos, como áreas próximas a comunidades, o VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) também se destaca. Diferentemente da aviação agrícola, que possui limitações legais de distância, o equipamento pode operar com maior proximidade, ampliando a cobertura e garantindo maior controle fitossanitário.

Adjuvantes como aliados

Nesse contexto, os adjuvantes assumem papel central para garantir a eficiência das aplicações. Esses insumos são responsáveis por preservar a integridade das gotas, reduzir perdas por evaporação e deriva, além de melhorar a absorção dos ativos pelas plantas. “O adjuvante é fundamental porque protege a gota e permite que o produto chegue com mais precisão ao alvo. Ele reduz perdas para a atmosfera e aumenta a eficiência das pulverizações”, afirma Gazoni.

Segundo o especialista, o uso correto desses produtos contribui diretamente para o desempenho agronômico, favorecendo maior cobertura foliar, melhor translocação dos ativos e menor risco de fitotoxicidade. Em condições climáticas desafiadoras, como altas temperaturas, seu papel se torna ainda mais estratégico. “O produto adequado ajuda a manter a gota viável por mais tempo, reduzindo evaporação e protegendo contra fatores como vento e radiação ultravioleta. Isso garante que uma maior concentração da calda atinja a planta”, complementa.

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios técnicos importantes. O principal deles é garantir que a eficiência das aplicações com drones se equipare às operações motorizadas tradicionais, que utilizam maiores volumes de calda. “O desafio é equilibrar a eficiência operacional do VANT com a qualidade técnica da aplicação. Isso passa, necessariamente, pela regulagem correta, escolha adequada de adjuvantes e manejo das condições climáticas”, ressalta Gazoni.

A democratização da tecnologia também chama atenção. Atualmente, há modelos de drones que atendem desde pequenos produtores até grandes operações agrícolas, ampliando o acesso e consolidando seu uso em diferentes perfis de propriedade.

Para não errar!

Entre os erros mais comuns, Gazoni aponta falhas na regulagem do tamanho de gotas, velocidade de operação e escolha inadequada de adjuvantes, fatores que podem comprometer significativamente o desempenho das pulverizações.

Olhando para o futuro, a expectativa é de expansão acelerada do uso de drones no campo, acompanhada por avanços em eficiência e novas soluções tecnológicas. A evolução deve estar diretamente ligada ao desenvolvimento de adjuvantes específicos para ultrabaixa vazão, proteção molecular e estabilização de misturas. “A tendência é trabalhar com volumes cada vez menores, mas com alta eficiência. Para isso, o uso do adjuvante correto será ainda mais estratégico. Já existem tecnologias sendo desenvolvidas com foco nesse cenário”, conclui o diretor da Sell Agro.

IA: é preciso desmistificar para transformar 

por Tânia Alves*

A Inteligência Artificial ainda é cercada por muitas ideias equivocadas no mundo corporativo. Na maioria das vezes, ela é vista como algo quase “mágico”, que pensa sozinha ou que possui uma vontade própria para tomar decisões. No entanto, quando olhamos de perto, a realidade é bem mais simples e, ao mesmo tempo, muito mais poderosa do que a ficção. 

Segundo estudo divulgado pela Newnew, 80% das empresas participantes utilizam algum tipo de aplicação da IA. Por sua vez, apesar da ampla presença da tecnologia, o nível de maturidade organizacional ainda é limitado, sendo que apenas 11% das lideranças avaliam que a implementação “deu certo”, enquanto a maior parte continua no nível intermediário. 

Antes de tudo, é fundamental desconstruir a ideia de que a IA pensa como um ser humano. Afinal, ela não tem consciência, não possui intenção e não “decide” no sentido humano da palavra. O que ela faz, na verdade, é algo mais objetivo: identificar padrões em grandes volumes de dados e usá-los para prever ou sugerir decisões futuras. Na prática, o processo é lógico. A tecnologia recebe os registros, sejam eles históricos ou em tempo real, aprende como essas informações se relacionam entre si e, com base nisso, aponta o que é mais provável de acontecer em um determinado cenário. 

Para ilustrar, podemos imaginar uma máquina que começa a apresentar pequenas variações antes de falhar completamente. Para um operador humano, essas mudanças podem ser imperceptíveis no início. Entretanto, a IA, ao analisar o histórico desses eventos e reconhecer o padrão que antecede uma quebra, consegue prever o problema muito antes de ele ocorrer. Isso não é intuição, é processamento de dados puro. 

No entanto, para que toda essa estrutura funcione bem, a IA depende de três elementos principais. O primeiro, e talvez o mais importante, são os dados. Sem eles, não existe inteligência, visto que são o combustível que alimenta todo o processo, venham eles de ERPs, CRMs ou de sensores espalhados por uma linha de produção. Contudo, aqui existe um ponto de atenção crucial: não se trata apenas de ter um volume gigantesco de informações, mas sobre ter dados bons. Até porque, se estiverem incompletos, desatualizados ou incorretos, a ferramenta também vai errar em suas previsões. 

O segundo pilar são os modelos, que nada mais são do que a “inteligência” por trás da tecnologia. Sem entrar em termos técnicos complexos, podemos pensar neles como formas de ensinar a máquina a reconhecer os padrões. Existem diversos tipos de modelos, mas todos compartilham o mesmo objetivo final: transformar dados brutos em previsões ou recomendações que façam sentido para o negócio. Por fim, o terceiro elemento é a capacidade de processamento, e é aqui que entram soluções essenciais como a computação em nuvem e equipamentos de alto desempenho, que permitem que a IA funcione tanto em grandes servidores quanto diretamente no chão de fábrica, onde a decisão precisa ser imediata. 

Compreender esses pilares ajuda a entender por que a IA deixou de ser uma tendência e se tornou um diferencial competitivo indispensável hoje. O motivo é simples: ela ajuda as empresas a tomarem decisões melhores e mais rápidas. Em um mercado onde a agilidade é tudo, antecipar problemas antes que eles aconteçam, automatizar análises que levariam dias para serem feitas manualmente e reduzir incertezas são vantagens que colocam qualquer operação em outro nível. O impacto é muito concreto e pode ser visto em diversas frentes. No setor industrial, o foco está em prever falhas e melhorar a qualidade dos produtos. No backoffice, a IA ajuda a identificar desvios e padrões em indicadores financeiros que poderiam passar despercebidos. No comercial, ela permite prever a demanda com uma precisão muito maior, evitando estoques parados ou falta de produtos. No fim das contas, empresas que usam a tecnologia bem aplicada erram menos e reagem mais rápido às mudanças. 

Apesar de todo esse potencial, é preciso entender que ela não resolve todos os problemas. Existem limitações claras que todo gestor deve conhecer. A primeira é a dependência absoluta de dados de qualidade. Além disso, falta ao recurso o que chamamos de contexto humano. Afinal, a IA não entende de cultura organizacional, não compreende estratégia de longo prazo e não possui sensibilidade emocional. Ela funciona melhor em cenários específicos e sua implementação exige investimento, especialmente na organização dos dados e na integração com os sistemas que a empresa já utiliza. 

Sendo assim, adotar a Inteligência Artificial não é apenas uma decisão técnica, mas uma decisão de responsabilidade. É fundamental manter a transparência, entendendo como a ferramenta chegou a uma conclusão, e garantir uma governança de dados que preze pela segurança. A supervisão humana deve ser constante, pois a decisão final continua sendo de quem entende do negócio e, neste caso, a tecnologia deve apoiar o julgamento humano, nunca o substituir completamente. 

Empresas que compreendem essa estrutura evitam investimentos sem retorno e focam em gerar valor real. A pergunta que as lideranças devem se fazer agora não é mais se devem usar a IA, mas onde aplicá-la com o objetivo correto e uma base sólida. No final, a tecnologia está apenas evidenciando uma separação clara: entre as empresas que evoluem e aquelas que, por medo ou falta de organização, acabam ficando para trás. 

*Gerente de Engajamento do Cliente (CEE) da Okser.

Mineração, energia e agronegócio aceleram demanda por comunicação via satélite em áreas críticas

A expansão de operações em regiões remotas, a digitalização da infraestrutura crítica e a necessidade crescente de monitoramento em tempo real vêm impulsionando a demanda por comunicação via satélite no país. Setores como mineração, energia e agronegócio, cada vez mais dependentes de conectividade para garantir segurança, eficiência e continuidade operacional, lideram esse movimento, ampliando o papel estratégico das redes satelitais no mundo todo.

Essa demanda ganha relevância no país diante de suas características territoriais e de seus desafios logísticos. Na mineração, operações instaladas em regiões remotas de estados como Pará e Minas Gerais dependem de comunicação contínua para monitoramento operacional, gestão de riscos e transmissão de dados de sensores em tempo real. Já no setor de energia, a expansão de parques solares e eólicos no Nordeste, além de linhas de transmissão em áreas isoladas, aumenta a necessidade de conectividade confiável para monitoramento remoto, automação e manutenção preventiva.

No agronegócio, a digitalização das operações no campo também acelera a adoção de tecnologias de conectividade crítica. Em regiões como Centro-Oeste e as novas fronteiras agrícolas do Norte do país, soluções via satélite vêm sendo utilizadas para apoiar aplicações de agricultura de precisão, rastreabilidade, monitoramento de ativos, gestão hídrica e integração de dispositivos IoT em fazendas localizadas longe dos grandes centros urbanos.

Segundo projeções internacionais do setor, o mercado global de comunicação via satélite deve manter crescimento consistente nos próximos anos, impulsionado principalmente pela expansão do IoT industrial, pela necessidade de redes mais resilientes e pelo avanço de arquiteturas híbridas que combinam múltiplas órbitas satelitais (LEO e GEO) com infraestrutura terrestre. Paralelamente, o avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem vem ampliando a capacidade de processamento, automação e análise de dados em operações remotas.

Além da expansão econômica, fatores climáticos e territoriais também ampliam a relevância da conectividade satelital no país. Eventos extremos, como enchentes, queimadas e interrupções de infraestrutura em regiões isoladas, reforçam a necessidade de sistemas capazes de assegurar continuidade operacional e comunicação em cenários críticos.

“Os próximos anos devem consolidar uma nova fase da conectividade satelital, cada vez mais integrada às operações de setores estratégicos da economia. Há um potencial muito relevante principalmente em mineração, energia e agricultura, segmentos que avançam rapidamente na digitalização e exigem comunicação confiável, inclusive em regiões remotas. Queremos fortalecer ainda mais nossa atuação nesses mercados, apoiando clientes com soluções resilientes, inteligentes e que garantem continuidade operacional”, afirma Flávio Franklin, diretor da Globalsat Group Brasil, empresa que desenvolve soluções voltadas à continuidade da comunicação em áreas sem cobertura terrestre ou sujeitas a falhas de infraestrutura, combinando redes satelitais e terrestres para garantir disponibilidade de dados em tempo real.

Foto: Divulgação Globalsat Group / Case BioEspeleo

Pesquisadores combinam IoT e inteligência artificial para aprimorar a irrigação agrícola

Os Centros de Competência da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Future Grid e Center for Embedded Devices and Research in Digital Agriculture (Cedra) estão desenvolvendo uma solução inédita em hardware para o gerenciamento inteligente de energia elétrica em sistemas de irrigação com pivô central.

A tecnologia combina monitoramento em tempo real, inteligência artificial na borda (Edge IA), geração distribuída e armazenamento de energia em um único equipamento, capaz de reduzir custos operacionais e minimizar o consumo de água e de eletricidade no campo.

O projeto compõe a Rede Agrointeligente e se encontra em fase de pesquisa aplicada, visando resolver um dos gargalos da agricultura irrigada moderna: a alta demanda de energia elétrica aliada à sazonalidade hídrica e energética. “A previsão de conclusão dos trabalhos é 2027, com expectativa de que os resultados sejam transferidos tanto para o setor produtivo quanto para a formulação de políticas públicas. A expectativa é que, ao final do projeto, exista um modelo de hardware e software pronto para comercialização e replicável em diferentes culturas e regiões do país”, informa Luciano Carstens, gerente sênior do Future Grid.

O Future Grid é o Centro de Competência Embrapii para promoção de conhecimentos em Smart Grid e Eletromobilidade que conta com toda a expertise e infraestrutura do Lactec, um dos maiores centros de pesquisa, tecnologia e inovação do Brasil. O Cedra é um Centro de Competência em agronegócio digital, credenciado pela Embrapii e apoiado pelo Sistema Fiergs. 

Funcionamento

O hardware projetado pelo Future Grid, em parceria com o Cedra, contará com eletrônica embarcada para a aquisição de dados de sensores instalados no campo, processamento de algoritmos de gestão hídrica e energética e apoio à tomada de decisão em tempo real. A grande inovação está na integração: o sistema combina fontes renováveis (como energia solar fotovoltaica), sistemas de armazenamento (baterias, ou BESS) e controle inteligente da demanda.

O pesquisador do Lactec, Bruno Knevitz Hammerschmitt, explica que “na prática, a solução em desenvolvimento será capaz de caracterizar o perfil de consumo elétrico dos pivôs, cruzar informações com sensores de irrigação e realizar o agendamento do acionamento de motobombas nos momentos de real necessidade de irrigação e de menor custo de energia, ou de maior disponibilidade de geração local”, antecipa.

Entre os desafios técnicos apontados pelos Centros de Competência estão a medição confiável em tempo real com sensores em campo, a sazonalidade do uso da energia e da disponibilidade hídrica, a integração dos dados para decisão imediata, a escalabilidade da solução e o correto dimensionamento do sistema de geração distribuída (BESS e painéis solares), considerando os ciclos de irrigação da região-piloto.

Parceria 

No acordo, o Future Grid ficou responsável por projetar e validar o hardware com eletrônica embarcada para aquisição de dados, além de desenvolver os algoritmos de gestão e tomada de decisão. Entre outras contribuições, o Cedra compartilha a expertise em sistemas de irrigação, sensoriamento de campo e conhecimento em agricultura digital. 

Juntos, os Centros de Competência conduzirão o dimensionamento do sistema de energia com base nos ciclos reais de irrigação da área de testes. “Estamos criando uma ferramenta que não só proporcionará a gestão efetiva do consumo de energia elétrica e a redução de custos, mas também preservará um recurso cada vez mais escasso: a água. A inteligência embarcada decide quando, quanto e como irrigar, usando a melhor composição de energia disponível”, resume Bruno Knevitz Hammerschmitt.

Foto: Pareekshith Indeever / Pexels

A era do Retorno sobre Energia (ROE): por que a produtividade da IA exige uma nova gestão da energia humana

por Mário Soma*

A Inteligência Artificial (IA) entregou o que prometeu: uma escala de produtividade sem precedentes. No entanto, ao observar as discussões do SXSW deste ano, ficou claro que essa evolução trouxe um efeito colateral silencioso que as empresas não podem mais ignorar. 

A tecnologia elevou a capacidade operacional, mas expôs um custo invisível: o esgotamento da carga mental humana. Estamos vivendo o paradoxo da eficiência. De acordo com dados de mercado, o cenário é alarmante:

  • 68% dos profissionais admitem que não têm tempo para pensar estrategicamente, segundo relatório da Microsoft
  • 60% do esforço das equipes é drenado pela coordenação de tarefas, não pela execução, segundo relatório da Asana
  • O volume de decisões executivas explodiu, mas a nossa capacidade cognitiva para processá-las continua a mesma,  segundo relatório do Gartner

Na prática, as respostas estão mais rápidas, mas a profundidade está minguando. A produtividade cresce, mas a dependência da IA cria um ciclo de estímulos ininterruptos. 

É neste cenário de “infoxicação” que o Return on Energy (ROE) — ou Retorno sobre Energia — deixa de ser um conceito de bem-estar para se tornar uma prioridade estratégica de negócios.

O ROE não substitui o ROI; ele o protege

É fundamental entender que o ROE não invalida o tradicional Return on Investment (ROI). Na verdade, ele é o que garante a sustentabilidade do lucro a longo prazo. 

Se o ROI mede o quanto ganhamos financeiramente, o ROE mede o custo de atenção e o esforço cognitivo necessários para sustentar esses resultados. 

Sem um ROE equilibrado, o ROI de hoje se torna o burnout de amanhã.

A grande virada de chave do SXSW foi justamente o deslocamento do foco da tecnologia pura para o contexto humano e emocional. A IA agora “conversa”, “escuta” e “emula sentimentos”. Esse excesso de interfaces que exigem decisões contínuas gerou um desafio econômico real: o consumo desenfreado de energia cognitiva.

A gestão de atenção como ativo financeiro

Quando o desgaste mental atinge o limite, a qualidade das decisões despenca, o engajamento das equipes evapora e a experiência do cliente é comprometida. Problemas que antes eram vistos como “sociais” ou “de RH” foram definitivamente transpostos para o centro da estratégia financeira.

Para reverter esse quadro e gerar satisfação real, as empresas precisam migrar do excesso para a intencionalidade. Se o bombardeio de estímulos prejudica a conexão com a marca e a eficiência da operação, a “recuperação de energia” passa a ser o valor percebido mais escasso e desejado.

Foto: Daniil Komov / Pexels.com

O próximo passo: maturidade tecnológica

Já sabemos que a IA aumenta a produtividade. Agora, o desafio das lideranças é identificar o nível de maturidade necessário para gerir o impacto dessa tecnologia sobre as pessoas.

A gestão da energia cognitiva e a responsabilidade sobre como a tecnologia afeta a operação já são pautas obrigatórias entre os executivos C-Level. No mundo corporativo moderno, ignorar o ROE não é apenas uma falha de gestão de pessoas; é um risco financeiro e estratégico que pode custar a longevidade do negócio.

*CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação.

Bioinsumos e fertilizantes especiais podem ser aliados estratégicos no manejo e reduzir a dependência de produtos importados

Diante de um cenário internacional de tensões, alternativas nacionais, como os bioinsumos e fertilizantes especiais, ganham mais importância nas práticas de manejo, num momento de crise com as importações de fertilizantes. São opções estratégicas, principalmente no período de preparo de solo, quando as escolhas nutricionais são decisivas para o desempenho das lavouras.

Nesse contexto, a pesquisa e inovação no setor agrícola, tem como foco contornar a demanda de fertilizantes advindas do mercado externo, contribuindo com novas tecnologias, que agregam resultados satisfatórios no campo. No caso dos macronutrientes essenciais — nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), já existem soluções biológicas e tecnologias nacionais capazes de contribuir para a eficiência do uso desses elementos. “É claro que o setor de insumos pode contribuir com essas soluções estendendo para o maior número de culturas possíveis, sabendo que hoje novas soluções ficam restritas a grandes culturas e grande maioria anuais”, observa Fabrício Silva, pesquisador do Campo Experimental da Satis.

No nitrogênio, por exemplo, insumos biológicos atuam na fixação do nutriente presente no ar, tornando-o disponível para as plantas e reduzindo a necessidade de adubação mineral. No fósforo, tecnologias que aumentam a disponibilidade do nutriente no solo podem melhorar o aproveitamento pelas culturas, enquanto, no potássio, soluções complementares ajudam na uniformidade e no desenvolvimento das plantas. “Pesquisas são essenciais para descobertas de novos microrganismos que serão capazes de exercer papel na redução do uso de fertilizantes, contribuindo para nutrição de plantas de maneira eficaz, reduzindo custos para os produtores rurais”, complementa.

Manejo integrado

A adoção dessas ferramentas além de impulsionar a cadeia nacional, deve ser vista como parte de um manejo integrado. Os bioinsumos e os fertilizantes especiais, cada vez mais, entram nessa equação como aliados estratégicos.  A Satis tem se dedicado constantemente a desenvolver alternativas para atender as demandas do produtor, combinando práticas para ganhar eficiência, reduzir custos e mitigar riscos externos.

O uso de extratos de algas e vegetais, microrganismos, aminoácidos entre outros, são ferramentas empregadas na agricultura como a nanotecnologia para reverter a dependência de insumos de solo. Nessa linha, a Satis oferece um portfólio de soluções biológicas e nutricionais. Para o fornecimento de nitrogênio (N), os produtos incluem inoculantes e biofertilizantes que atuam na fixação biológica do nutriente, além de fonte equilibrada para suplementação.

No manejo de fósforo (P), nutriente essencial para os ciclos energéticos das plantas, destacam-se soluções que combinam fósforo com bioativação por extrato de algas e outras para aumentar a disponibilidade do nutriente no solo. Já para potássio (K), importante para qualidade e desenvolvimento dos frutos, como alternativa a empresa disponibiliza produtos que favorecem a absorção eficiente e contribuem para uniformidade e maturação das lavouras.

Foto: World Sikh Organization of Canada / Pexels.com

Readequação

Em momentos de insumos caros, é natural “repensar o manejo” e adequar à realidade momentânea, mas sem descuidar da produtividade e do impacto que a readequação pode causar. “Esse é o momento que precisamos olhar com muita atenção para todas as ferramentas que temos a nossa disposição. Em momentos de menos ofertas de nutrientes para as plantas, tudo que eu conseguir disponibilizar, a planta tem que ser muito eficiente no processo de absorção e utilização”, afirma Alécio Radons, engenheiro agrônomo e representante técnico de vendas da Satis.  

Ele explica que o produtor precisa buscar alternativas que melhorem o enraizamento das plantas (aumenta a busca por água e nutrientes), ferramentas biológicas que auxiliam na fixação biológica de nitrogênio – como é o caso do bradyrhizobium japonicum e do azospirillum brasiliense – na cultura da soja, bem como o azospirillum  brsailiensee a methylobacterium symbioticum para melhorar a capacidade de fixação do nitrogênio atmosférico, principalmente em gramíneas.

Manejos nutricionais complementares via folha são alternativas que entregam resultados muito positivos quando posicionados corretamente. Esses manejos disponibilizam nutrientes em momentos específicos e de alta demanda pelas plantas, proporcionando melhorias nos processos metabólicos e melhorando a produtividade. “Mais do que nunca é preciso de conhecimento técnico para traçar uma rota alternativa aos percalços do mercado e assim conseguir alcançar boas produtividades”, conclui Radons.

A nova dependência das empresas brasileiras à conectividade crítica

por Heber Lopes*

A conectividade passou a ocupar um papel que, até pouco tempo, era reservado a sistemas internos. Hoje, em muitas empresas brasileiras, a disponibilidade de rede determina diretamente a capacidade de operar. Esse movimento se intensificou com a adoção de cloud, SaaS e aplicações em tempo real, que transferiram para fora do ambiente local processos que antes eram controlados internamente.

Os dados ajudam a dimensionar essa mudança. A pesquisa TIC Empresas realizada pelo Cetic em 2024 indica que 92% das organizações no Brasil já utilizam fibra óptica e que cresce o uso de aplicações digitais em processos centrais. O avanço da infraestrutura foi acompanhado por uma transformação mais profunda: a dependência operacional da conectividade. Ainda assim, a forma como essa infraestrutura é contratada e gerida continua, em muitos casos, baseada em critérios de custo e capacidade nominal.

Essa diferença entre dependência e gestão fica mais evidente em cenários de indisponibilidade. Quando a conectividade falha, o impacto não se limita ao acesso à internet. Sistemas deixam de autenticar, integrações são interrompidas e fluxos operacionais passam a depender de processos manuais ou simplesmente param. Em operações distribuídas, esse efeito se propaga rapidamente, afetando atendimento, vendas e logística de forma simultânea.

O impacto financeiro acompanha essa dinâmica. Levantamentos internacionais mostram que o custo médio de downtime pode ultrapassar US$ 300 mil por hora em empresas de médio e grande porte, com valores significativamente maiores em ambientes industriais, onde processos são contínuos e altamente integrados. Mesmo considerando diferenças entre setores, a indisponibilidade deixou de ser um problema técnico isolado e passou a representar risco direto para o negócio.

O papel da infraestrutura e da regulação

No Brasil, esse cenário é influenciado também por fatores estruturais. A Agência Nacional de Telecomunicações estabelece critérios objetivos para caracterizar interrupções de serviço, considerando eventos superiores a 10 minutos com impacto sobre usuários. A existência desse tipo de parâmetro reforça que indisponibilidade não é exceção, mas uma condição prevista e mensurável.

Há ainda fatores externos que ampliam a exposição. Dados da Conexis Brasil Digital mostram que mais de 5,4 milhões de metros de cabos foram roubados ou furtados em 2023, afetando milhões de usuários. Esse tipo de ocorrência evidencia um ponto recorrente em ambientes corporativos: a ausência de diversidade real de rotas.

A contratação de múltiplos links não garante resiliência quando a infraestrutura compartilhada permanece a mesma em parte do trajeto. Em situações desse tipo, a interrupção de um trecho físico pode comprometer simultaneamente todas as conexões disponíveis.

Eventos de maior escala reforçam essa leitura. Durante as enchentes no Sul em 2024, municípios tiveram a conectividade severamente afetada, exigindo medidas emergenciais para restabelecimento do serviço. Esse tipo de cenário expõe a dependência de infraestrutura física e a necessidade de planejamento para contingências que vão além de falhas pontuais.

Outro vetor relevante está na dependência de plataformas digitais. A interrupção global dos serviços da Meta em 2021 mostrou como falhas em infraestrutura de backbone podem afetar simultaneamente comunicação, autenticação e operação em escala global. No contexto brasileiro, onde aplicações de mensageria são frequentemente utilizadas como canal de vendas e atendimento, esse tipo de indisponibilidade tem efeito imediato.

Esses diferentes cenários apontam para um mesmo desafio: a conectividade passou a ser um componente estrutural da operação, mas ainda não é tratada dessa forma em muitas organizações.

Foto: Tara Winstead / Pexels.com

O desafio é crescer com resiliência

A resposta, no entanto, não está em simplesmente contratar mais banda. Está em construir arquitetura de conectividade. Isso significa links redundantes em caminhos físicos distintos, para que o rompimento de um cabo ou a falha de um provedor não paralise a operação. Significa adotar SD-WAN para orquestrar o tráfego entre múltiplos links e executar failover inteligente, uma tecnologia cujo mercado na América Latina, segundo a Meticulous Research, deve saltar de US$ 157 milhões em 2024 para US$ 2,77 bilhões até 2035.

Também significa implementar observabilidade de rede, que vai além do monitoramento reativo para identificar causas-raiz e antecipar falhas antes que afetem o negócio. E também demanda, em muitos casos, contar com gestão contínua por equipes especializadas, porque a complexidade de ambientes multicloud com múltiplos links e políticas de segurança convergentes ultrapassa a capacidade da maioria dos times internos.

Para operações distribuídas em áreas remotas, em segmentos tais como agronegócio, mineração, logística e energia, a conectividade satelital de baixa órbita adicionou uma camada de resiliência antes inexistente. O Brasil já soma mais de 1 milhão de clientes Starlink ativos, e operadoras como Algar Telecom e Arqia lançaram soluções corporativas voltadas a setores que operam fora dos grandes centros.

Um estudo realizado pela pela Oxford Economics em 2024 identificou que as empresas no topo em capacidade de recuperação – o que os pesquisadores chamaram de “líderes em resiliência”, se recuperam 28% mais rápido de incidentes do que as demais. A diferença não é de orçamento; é de abordagem. Essas empresas entenderam que conectividade é um ativo estratégico que precisa ser gerenciado, monitorado e protegido com o mesmo rigor aplicado à segurança cibernética ou à continuidade financeira.

Toda empresa que migrou para a nuvem, digitalizou processos e conectou operações em tempo real fez, quer tenha percebido ou não, uma aposta na disponibilidade da sua rede. A pergunta que a liderança executiva precisa se fazer hoje não é quanto custa melhorar a arquitetura de conectividade. É quanto custa continuar sem fazê-lo.

*Head de Produtos e Marketing na Faiston.

Do conceito à colheita: como a inovação digital está democratizando a eficiência no campo

por Micael Duarte*

Por muito tempo, a expressão “agricultura de precisão” soou como algo restrito a grandes corporações agrícolas ou laboratórios de tecnologia. O imaginário comum remetia a mapas complexos e sensores inacessíveis. No entanto, o cenário atual revela uma realidade bem mais palpável: a tecnologia deixou de ser um artigo de luxo para se tornar o braço direito da rentabilidade, independentemente do tamanho da propriedade.

Abaixo, trago como essa transformação está acontecendo na prática.

  1. O fim do desperdício: decisões baseadas em dados

A verdadeira revolução não está apenas na máquina, mas na informação. Ferramentas como o GPS agrícola e a telemetria mudaram o jogo ao permitir que o produtor visualize a operação em tempo real.

  • Redução de sobreposição: evitar que uma área receba sementes ou defensivos duas vezes economiza insumos e preserva o solo.
  • Gestão de frota: saber exatamente as horas trabalhadas, o consumo de combustível e as falhas dos equipamentos permite um planejamento logístico muito mais assertivo.
  1. A máquina como fonte de inteligência

O maquinário moderno deixou de ser apenas uma ferramenta mecânica para se tornar uma central de dados. Hoje, sistemas de monitoramento remoto permitem que o gestor acompanhe o desempenho da frota sem precisar estar fisicamente no talhão.

Um exemplo claro dessa evolução é o Smart Assist Remote da YANMAR, que utiliza conectividade e GPS para oferecer visibilidade total sobre o funcionamento dos equipamentos. Além da eficiência operacional, essa tecnologia traz uma camada extra de segurança ao patrimônio, com alertas de localização e movimentação que protegem o investimento do produtor.

Smart Assist Remote da YANMAR utiliza conectividade e GPS para oferecer visibilidade total sobre o funcionamento dos equipamentos (Foto: Divulgação / YANMAR)
  1. Proteção ativa e longevidade do equipamento

Inovar também significa proteger o que já se tem. A integração de sistemas de proteção eletrônica, como o dispositivo Vigia (da Colven), demonstra como a tecnologia atua na prevenção. Ao monitorar pressão de óleo e temperatura, o sistema pode intervir antes que uma falha mecânica se torne um prejuízo. É a transição da manutenção corretiva para a gestão preventiva inteligente.

  1. A era da inovação acessível

O movimento mais importante da indústria atual é a democratização. Recursos de conectividade e telemetria, que antes eram exclusivos de máquinas gigantescas, agora estão presentes em equipamentos de menor porte.

Essa mudança de paradigma garante que o pequeno e o médio produtor também tenham acesso a ferramentas que otimizam a produção. Quando a tecnologia se torna acessível, o campo ganha em escala, sustentabilidade e, acima de tudo, em ganho real no bolso de quem produz.

*Engenheiro agrícola, especializado em análise de mercado, prospecção de novos clientes e suporte técnico-comercial, com foco em colheitadeiras. Atualmente é Analista de Inovação Sênior na YANMAR South America.

Uso de IA cresce 72% e amplia risco jurídico sobre dados e prompts

Com cerca de 72% das empresas já utilizando inteligência artificial em ao menos uma função de negócio, segundo levantamento global da McKinsey & Company, cresce no ambiente corporativo a preocupação com a ausência de regras claras sobre uso de prompts, titularidade de outputs e proteção de dados estratégicos. O tema ganhou relevância recente com o avanço do debate regulatório internacional, após o U.S. Copyright Office reforçar o entendimento de que conteúdos gerados por IA exigem contribuição humana identificável para proteção autoral, enquanto discussões no Parlamento Europeu indicam maior foco em transparência e responsabilização no uso da tecnologia. No Brasil, o Projeto de Lei 2338 de 2023 segue em tramitação e ainda não estabelece diretrizes consolidadas sobre o tema.

De acordo com Matheus Barcelos Martins, sócio do Barcelos Martins Advogados e especialista em Direito Empresarial com atuação em contratos, inovação, propriedade intelectual e tecnologia, “o debate sobre direito autoral de prompt é limitado diante da realidade das empresas. Na prática, quando esses comandos refletem estratégia, lógica operacional ou curadoria, eles se tornam ativos relevantes e devem ser tratados como segredo de negócio e objeto de proteção contratual”.

Além do cenário regulatório em evolução, entidades como a OWASP vêm alertando para riscos concretos associados ao uso corporativo de IA, incluindo exposição de informações confidenciais e vulnerabilidades como prompt injection, listada entre as principais ameaças no ranking Top 10 for Large Language Models da organização. A World Intellectual Property Organization também tem destacado os desafios relacionados à proteção de ativos intangíveis no contexto da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o aumento de disputas judiciais envolvendo empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e Midjourney reforça que o tema já impacta decisões econômicas, concorrenciais e contratuais em escala global.

Diante desse cenário, cresce a recomendação por adoção de políticas estruturadas de governança sobre o uso de inteligência artificial, incluindo mapeamento da criação e utilização de prompts, definição de diretrizes sobre confidencialidade e propriedade intelectual e revisão de contratos com fornecedores de tecnologia. Segundo Matheus Barcelos Martins, “empresas que não estabelecem regras claras sobre o uso de IA podem comprometer ativos estratégicos e assumir riscos jurídicos relevantes, especialmente em um contexto em que a regulação ainda está em consolidação e a responsabilização tende a se intensificar”.