GAFFFF 2026 reúne lideranças globais para debater segurança alimentar, sustentabilidade, logística e o futuro da transição energética

A terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF 2026), realizada pela DATAGRO no Nubank Parque, em São Paulo, dias 1º e 2 de outubro, reuniu autoridades, especialistas e lideranças mundiais do setor para debater temas como os rumos estratégicos do agronegócio, os gargalos de infraestrutura e a relevância do Brasil no abastecimento global de alimentos e na transição energética. O evento contou com 184 patrocinadores e 144 expositores, além de 328 palestrantes de 21 países, distribuídos em 87 painéis e 81h30 de palestras. O público veio de 21 países e todos os 26 estados brasileiros estiveram representados. 

Na cerimônia de abertura, Plínio Nastari, presidente da DATAGRO, destacou a importância de criar fóruns globais de debate para impulsionar o desenvolvimento do setor e enfrentar as transformações futuras “O avanço da agricultura brasileira é fruto histórico da união entre ciência, pesquisa e ecossistemas de colaboração”, afirmou. Nastari enfatizou ainda que a capacidade produtiva, sanitária e sustentável do país deve ser utilizada como instrumento de cooperação internacional para garantir a segurança alimentar e energética global.

A dimensão socioambiental e humana do setor foi o foco da keynote speaker Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Em sua participação, Robinson chamou a atenção para o fato de que grandes volumes de exportação nem sempre traduzem segurança alimentar interna, citando a vulnerabilidade de cadeias globais a choques climáticos. A líder internacional defendeu o engajamento das comunidades locais. “A resposta à crise do clima e da natureza passa pelo engajamento das comunidades locais”, disse, ressaltando a relevância de uma atuação cooperativa e complementar do Brasil com o resto do mundo.

Outro ponto alto da programação abordou a imagem e a percepção do agronegócio junto à sociedade, em apresentação de um estudo sobre a visão do consumidor urbano e dos próprios produtores. “O setor é muito mais moderno e tecnológico do que o imaginário popular supõe”, garantiu Luiz Felipe Nastari, diretor da DATAGRO.

Luiz Felipe destacou que o GAFFFF cumpre um papel fundamental ao aproximar o campo da população urbana, quebrando clichês e evidenciando a diversidade, a inovação e os investimentos do agro contemporâneo. 

A programação técnica do primeiro dia também lançou luz sobre as transformações no comércio global, dinâmicas geopolíticas e o acesso a novos mecanismos de crédito rural. 

As discussões do segundo dia aprofundaram os gargalos de infraestrutura e inovação no país. Especialistas alertaram que o custo do transporte de grãos no Brasil chega a ser até 48% superior ao dos Estados Unidos por conta da dependência do modal rodoviário, quadro agravado pela falta de capacidade de armazenagem nacional, que atende a apenas 62% da produção. 

Em painel sobre biotecnologia, representantes do Brasil, Argentina e Estados Unidos concordaram que a comunicação sobre novas tecnologias deve focar nos benefícios concretos entregues à sociedade. 

Já o debate sobre o Código Florestal ressaltou a regulação ambiental brasileira – que obriga a preservação de 33,2% do território em propriedades privadas -, defendendo a tradução da legislação para o mercado externo e a aplicação do princípio do “protetor-recebedor” para valorizar quem preserva a natureza. 

A transparência do setor também foi pauta da Rede Brasil de Jornalistas Agro (Agrojor), que posicionou a checagem rigorosa de dados como pilar para a reputação internacional. 

Em outro painel, Guilherme Benchimol, fundador e presidente do Conselho da XP Inc., e Plínio Nastari debateram cultura empresarial e liderança, enquanto os painéis sobre transição energética trataram do avanço dos biocombustíveis no Brasil, com R$ 289 bilhões em investimentos registrados e sua aplicação em novos mercados, como combustível sustentável de aviação (SAF), transporte marítimo e biometano. 

O segundo dia contou, ainda, com a Cavalgada do Bem, que reuniu cerca de 200 cavaleiros em um percurso do Parque da Água Branca até a entrada do Nubank Parque. 

Na parte de Cultura, o GAFFFF contou com shows de Edson & Hudson, Rio Negro & Solimões, Estela Blanco e Fiduma & Jeca. No primeiro dia, entre os shows, também aconteceu o Grand Rodeo PBR. No segundo dia, a programação incluiu um momento voltado para a Festa do Peão de Barretos. 

E o próximo Global Agribusiness Festival (GAFFFF), o maior festival de cultura Agro do mundo, já tem data para acontecer: dias 10 e 11 de junho de 2027, em São Paulo.  

Plinio Nastari, presidente da Datagro (Foto: Divulgação / GAFFFF)

Expansão da pecuária brasileira exige rastreabilidade no centro da agenda setorial

A pecuária brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 em um cenário de expansão, marcado pelo crescimento das exportações de carne bovina e pelo aumento no volume de animais abatidos. Ao mesmo tempo, os mercados ampliam as exigências relacionadas à origem, sanidade, conformidade socioambiental e, sobretudo, à capacidade de comprovar essas informações. Nesse contexto, avançar em mecanismos que assegurem a rastreabilidade dos animais e permitam construir evidências sobre sua trajetória passa a ser estratégico para a competitividade e a proteção de valor da cadeia produtiva.

Novas exigências internacionais reforçam esse movimento. A partir de setembro, entraram em aplicação requisitos europeus relacionados à comprovação do uso de antimicrobianos, enquanto, em dezembro, começa a valer a European Union Deforestation Regulation (EUDR), que estabelece requisitos de rastreabilidade e comprovação de origem para produtos associados ao desmatamento. Embora sejam agendas regulatórias distintas, ambas evidenciam uma tendência comum: os mercados não demandam apenas informações, mas a capacidade de demonstrar sua origem, consistência e conformidade.

“O contínuo desenvolvimento do setor amplia também a responsabilidade sobre a qualidade das informações que sustentam essa produção. A rastreabilidade deixa de ser apenas uma ferramenta de controle e passa a ser um ativo estratégico para a cadeia, porque permite gerar evidências, dar mais transparência aos processos, atender às novas demandas dos mercados e apoiar decisões mais qualificadas. Para que esse avanço seja consistente, precisamos construir sistemas integrados, acessíveis e que considerem a realidade dos produtores”, afirma a presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina.

Entre janeiro e junho, o Brasil exportou 1,705 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). A receita alcançou US$ 9,85 bilhões, crescimento de 36,2%. No mercado interno, o primeiro trimestre também registrou recorde no abate de bovinos para o período, com 10,29 milhões de animais sob inspeção sanitária, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Mais do que acompanhar o crescimento da atividade, a rastreabilidade passa a ser uma condição para que o setor consiga responder a um ambiente comercial cada vez mais orientado por informações verificáveis. A dificuldade de comprovar origem, trajetória e conformidade pode resultar em restrições de mercado, risco reputacional para a carne brasileira e perda de oportunidades de diferenciação e de valorização”, ressalta Ana, ao pontuar que, em um cenário de perda de mercados ou redução de valor, os impactos podem alcançar toda a cadeia e exercer pressão sobre os preços, inclusive sobre a arroba recebida pelo produtor que não atua diretamente no mercado externo.

No país, 2026 também representa uma etapa importante para a implementação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB). O cronograma estabelece, neste ano, a adequação dos sistemas estaduais e a integração das bases de dados, preparando o setor para o avanço gradual da identificação individual dos animais a partir de 2027 e para a obrigatoriedade antes da primeira movimentação, prevista para 2032.

Embora a identificação individual seja uma base fundamental para a rastreabilidade, sua efetividade dependerá da capacidade de conectar as informações geradas nos diferentes pontos da cadeia. Interoperabilidade entre sistemas, qualidade e padronização dos dados, integração das bases existentes e definição clara das responsabilidades são elementos necessários para transformar registros dispersos em informações confiáveis e, principalmente, em evidências que possam ser utilizadas pelos diferentes elos.

“Esse processo precisa ser conduzido de forma coordenada, evitando a criação de estruturas paralelas e pouco integradas. Não basta identificar o animal: é preciso garantir que as informações acompanhem sua trajetória, possam ser compartilhadas entre os sistemas e tenham qualidade suficiente para comprovar os atributos exigidos pelos mercados. A interoperabilidade entre sistemas, a qualidade dos dados e a definição clara das responsabilidades de cada elo são pontos fundamentais para que a identificação individual seja incorporada à rotina produtiva e gere valor para além do cumprimento das exigências regulatórias”, reforça a presidente.

Esse é um dos temas que vêm sendo acompanhados pela Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável por meio do GT de Rastreabilidade e de sua participação nas discussões relacionadas à implementação do PNIB. A entidade tem contribuído para o debate sobre a integração de bases, a interoperabilidade entre sistemas e a construção de soluções junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com o objetivo de apoiar uma implementação capaz de conectar informações ao longo da cadeia e gerar evidências confiáveis.

Outro aspecto considerado estratégico por ela é a inclusão dos produtores nesse processo. “A rastreabilidade pode contribuir para a regularização, a permanência na cadeia formal e o acesso a diferentes mercados, mas sua implementação precisa ser acompanhada de orientação, capacitação e condições para que os pecuaristas compreendam e percebam os benefícios associados à geração e ao compartilhamento de informações”, complementa.

Para o segundo semestre, a presidente reforça que o avanço da rastreabilidade deve ser compreendido não apenas como resposta a uma agenda regulatória, mas como parte de uma estratégia de competitividade e proteção de valor para a pecuária brasileira. “Juntos, é possível que ela seja mais conectada, transparente e preparada para responder às demandas de mercados cada vez mais orientados por informações confiáveis”, finaliza.

Foto: FreePik

Sobre a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável

A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável é uma associação multissetorial sem fins lucrativos que reúne representantes de toda a cadeia de valor da pecuária brasileira para promover práticas produtivas, socioambientais e econômicas responsáveis. Com 19 anos de atuação, a entidade articula debates, desenvolve iniciativas de melhoria contínua e incentiva a transparência no setor. Sua missão é fortalecer uma pecuária cada vez mais sustentável, inclusiva, eficiente e reconhecida globalmente.

GAFFFF 2026 inicia agenda de debates sobre os rumos do agronegócio brasileiro

A força econômica do agronegócio brasileiro e seu protagonismo na produção mundial de alimentos e energia foram os principais temas abordados durante a cerimônia de abertura da terceira edição do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizada em São Paulo. Com mais de 81 sessões de conteúdo distribuídas em seis palcos simultâneos, o evento da DATAGRO reúne autoridades e líderes em torno das perspectivas e desafios do setor, que movimenta cerca de R$ 3,2 trilhões por ano, representa aproximadamente 25% do PIB brasileiro e responde por quase metade das exportações do país.

Plinio Nastari, presidente da DATAGRO destacou a relevância da contribuição do GAFFFF para o desenvolvimento do agronegócio no país. “É uma oportunidade valiosa para disseminar conceitos fundamentais e debater como o setor agropecuário pode enfrentar os desafios do futuro”, afirmou.

Geraldo Melo Filho, secretário estadual de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, reforçou a importância da ciência e da tecnologia para que o setor alcançasse sua posição atual. “O Brasil que nós conhecemos nasce no agro. Mas nunca foi só terra. Seria impossível, sem pesquisa, sem tecnologia, sem conhecimento, termos chegado aonde chegamos”, destacou. “E, com o avanço de áreas como biocombustíveis, bioenergia e produção de proteínas, esse Brasil agro é quem vai garantir, nas próximas décadas, segurança alimentar e energética para o mundo”.

Foto: Divulgação – GAFFFF / DATAGRO

Alei Fernandes, prefeito de Sorriso (MT), lembrou que hoje a região é um dos motores do agro, registrando grande expansão nos últimos anos. “O setor realmente tem seu grau de importância na economia e vivemos um momento de muita expectativa e relevância ao mesmo tempo. É uma satisfação ver que nós, lá em Sorriso, nos transformamos no epicentro da produção agrícola do Mato Grosso e, talvez, do Brasil”, disse.

Já o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), que também é presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde da Câmara dos Deputados, abordou a coexistência estratégica entre produção e preservação ambiental. “O agro brasileiro escolheu o caminho da sustentabilidade. Também celebramos a sinergia entre a segurança alimentar, garantida pelo Brasil ao mundo, e a segurança energética, por meio de biocombustíveis como etanol, biodiesel, biogás e biometano, além do avanço no combustível sustentável de aviação. O agro busca respeito, segurança jurídica e valorização do trabalho. Agradeço ao DATAGRO por este encontro, que reafirma nosso compromisso em manter o protagonismo do agronegócio na economia nacional. Vida longa ao GAFFFF”, concluiu.

Operações da Polícia Federal miram garimpo ilegal e desmatamento na Amazônia

A Polícia Federal (PF) deflagrou duas operações direcionadas ao combate de crimes ambientais e à preservação dos recursos naturais na Região Amazônica. As ofensivas — batizadas de Operação Aurum Tapajós e Operação Guardião Infiel — têm como foco estancar a exploração ilegal de ouro e o desmatamento clandestino de madeira nativa em territórios protegidos pela União.

As ações reforçam a intensificação da fiscalização contra atividades ilegais que impactam a biodiversidade, a regularidade fundiária e a reputação produtiva do setor agroflorestal brasileiro.

Garimpo clandestino afeta APA do Tapajós no Pará

Na Operação Aurum Tapajós, os agentes buscaram aprofundar as investigações sobre a extração irregular de ouro na Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, localizada no município de Novo Progresso, no sudoeste do Pará.

A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, distribuídos entre os municípios de Belém e Santarém. A finalidade é recolher documentos, equipamentos eletrônicos e mídias digitais que ajudem a identificar os financiadores e responsáveis pela atividade ilegal.

A investigação teve início após fiscalizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no âmbito da Operação Garimpo Zero. Na ocasião, os fiscais constataram a extração mineral sem licença ambiental em uma área de floresta nativa estimada em 40 hectares. Além do dano ambiental, a prática configura usurpação de bens e recursos minerais pertencentes à União.

Extração e venda ilegal de madeira em Rondônia e Goiás

Simultaneamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Guardião Infiel, voltada ao combate ao desmatamento e à comercialização clandestina de madeira nativa retirada de território protegido.

A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Rondônia: seis mandados em aldeias situadas na Terra Indígena Igarapé-Lage, em Guajará-Mirim (RO), e um mandado no município de Goiânia (GO).

Segundo a PF, o esquema apura a retirada e comercialização ilegal de madeira de floresta nativa. Há indícios de que os próprios investigados que atuavam na região facilitavam a entrada de terceiros e a logística para a exploração clandestina dentro do território indígena.

Foto: Pok Rie / Pexels.com

Impactos para o setor agroflorestal e o mercado nacional

A repressão ao garimpo e ao desmatamento ilegal é peça-chave para garantir a integridade dos ecossistemas amazônicos e fortalecer o agronegócio sustentável no Brasil. Atividades clandestinas geram concorrência desleal com o setor florestal manejado e legalizado, além de trazer prejuízos à reputação internacional do país na pauta socioambiental.

A Polícia Federal e os órgãos de fiscalização seguem com a análise do material apreendido para delimitar a responsabilidade penal dos envolvidos e calcular a extensão total dos danos causados.

Expansão da logística reversa no agro amplia oportunidades profissionais

O avanço do agronegócio brasileiro tem provocado transformações que vão além da produção agrícola. À medida que a sustentabilidade se consolida como um dos pilares do setor, cresce também a demanda por profissionais preparados para atuar em atividades ligadas à economia circular, logística reversa, gestão ambiental e inovação operacional. Esse movimento pode ser observado no Sistema Campo Limpo, programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, que registrou crescimento de 11% no volume de embalagens vazias destinadas corretamente em 2025, alcançando quase 76 mil toneladas. 

Para acompanhar esse avanço, o Sistema incorporou quatro novas centrais de recebimento, localizadas no Pará, Maranhão e Rondônia, além de nove novos postos de atendimento aos agricultores. A expansão da rede amplia a presença do programa em regiões de forte crescimento agrícola e aumenta a necessidade de profissionais qualificados para apoiar as operações, a logística e a gestão das unidades. Gerando empregos e movimentando a economia. 

No inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), responsável por representar a indústria fabricante dentro do Sistema Campo Limpo, o quadro de colaboradores cresceu 9% em 2025, chegando a 524 funcionários distribuídos por todo o país. O aumento reflete a necessidade de fortalecer a estrutura operacional diante do avanço da agricultura e do crescimento contínuo da logística reversa. 

“À medida que o Sistema Campo Limpo cresce, também aumenta a necessidade de profissionais preparados para atuar em uma operação cada vez mais complexa e tecnológica. Por isso, investimos continuamente em capacitação e desenvolvimento, criando condições para que nossas equipes inpEV ampliem suas competências e acompanhem a evolução da logística reversa no país”. comenta Silvana Carvalho, gerente de Recursos Humanos do inpEV.  

“O crescimento da logística reversa acompanha a evolução do agronegócio brasileiro e exige profissionais cada vez mais preparados para operar um Sistema que combina eficiência, sustentabilidade e inovação. Por isso, investimos continuamente no desenvolvimento das nossas equipes e na ampliação da capacidade operacional em regiões estratégicas para o setor”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV. 

Além de contratar, a estratégia do Instituto tem sido preparar os profissionais para os desafios de uma operação cada vez mais tecnológica. Em 2025, foram investidas mais de 41 mil horas em capacitação profissional, um aumento superior a 50% em relação ao ano anterior. Temas como liderança, inovação, gestão de projetos e melhoria contínua ganharam destaque nos programas de desenvolvimento. A média de treinamento chegou a 79,6 horas por colaborador, crescimento de quase 40% em relação a 2024. 

Foto: Xavier Messina / Pexels.com

Nesse contexto, uma das iniciativas mais relevantes foi a criação do Programa INOVE, que busca estimular o protagonismo dos colaboradores na construção de soluções para os desafios da operação. Desenvolvido com apoio do Senai, o programa envolveu mais de 100 profissionais em sua primeira campanha e resultou em 66 propostas de melhoria de processos, demonstrando como a inovação pode surgir diretamente das equipes que vivenciam a rotina das unidades. 

“A gestão do Programa INOVE parte do princípio de que as melhores soluções também podem nascer dentro da própria operação. Nosso objetivo é criar um ambiente em que os colaboradores se sintam estimulados a compartilhar ideias, desenvolver propostas e participar ativamente da melhoria dos processos do Sistema Campo Limpo”, reitera Micheli Statuti, gerente de Processos Operacionais s do inpEV.  

“A inovação não acontece apenas por meio de tecnologia e equipamentos. Ela também nasce das pessoas que vivenciam os desafios da operação diariamente. O Programa INOVE foi criado justamente para estimular esse protagonismo e transformar boas ideias em ganhos concretos para o Sistema Campo Limpo”, destaca Okamura. 

Além dos impactos internos, a expansão da logística reversa também contribui para o desenvolvimento econômico das regiões onde o Sistema Campo Limpo está presente. As empresas parceiras responsáveis pela destinação final das embalagens vazias mantiveram mais de 2.100 empregos diretos em 2025, confirando o papel da cadeia da sustentabilidade como geradora de renda e oportunidades. 

“Cada nova unidade representa mais capacidade para atender os agricultores, mas também significa oportunidades de trabalho, movimentação econômica e fortalecimento das comunidades onde estamos presentes. O crescimento do Sistema Campo Limpo gera impactos que vão além da agenda ambiental”, afirma o diretor-presidente do inpEV. 

Com atuação em 25 estados e no Distrito Federal, o Sistema Campo Limpo é considerado uma referência mundial por sua infraestrutura e capacidade operacional para atender ao avanço da agricultura brasileira. Ao mesmo tempo, mantém seu compromisso com o desenvolvimento das pessoas, a inovação e a geração de valor para as comunidades onde está inserido, mostrando que sustentabilidade e crescimento caminham lado a lado.

Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27, aponta Bioind-MT

Mato Grosso deve consolidar sua posição entre os principais polos de biocombustíveis do país na safra 2026/27. Levantamento do Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), projeta crescimento de 16,08% na produção total de etanol no estado, que deverá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.

“Nossa estimativa mostra que o avanço será sustentado principalmente pela expansão do etanol de milho, segmento no qual Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais”, explica Silvio Rangel, presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). “Além de fortalecer a segurança energética e a economia do país, o setor se posiciona como estratégico para o futuro da descarbonização dos transportes, com potencial crescente no fornecimento de combustíveis renováveis para aviação e navegação marítima.” 

Antes da projeção para o próximo ciclo, o levantamento aponta que a safra 2025/26 já deverá encerrar com crescimento de 8,52% na produção estadual de etanol, alcançando 7,27 milhões de m³, enquanto a produção nacional deverá permanecer praticamente estável, com alta de 0,22%. O desempenho mantém Mato Grosso na segunda posição do ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.  

Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de m³, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de m³, crescimento de 1,37%.

Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior do segmento de milho. A produção deverá avançar 18,67%, chegando a 7,33 milhões de m³, enquanto o etanol de cana deverá crescer 1,42%, atingindo 1,11 milhão de m³.  

“O levantamento mostra que Mato Grosso segue ampliando sua relevância estratégica para a matriz energética brasileira. O crescimento do etanol de milho demonstra a capacidade de integração entre produção agrícola, indústria e geração de energia renovável”, afirma Rangel. 

O estudo também destaca a expansão da moagem de milho destinada à produção de etanol. Na safra 2025/26, o volume processado deverá atingir 13,81 milhões de toneladas, alta de 10,45%. Para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, alcançando 16,36 milhões de toneladas, impulsionado pela entrada de duas novas plantas industriais no estado.  

Geração de Coprodutos 

Além da produção de combustível, a cadeia industrial do etanol de milho segue ampliando a geração de coprodutos. A produção de DDG (Grãos Secos de Destilaria) e DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) deverá crescer 16,14% em 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas, enquanto o óleo de milho deverá avançar 12,9%, atingindo 338,9 mil toneladas.  

No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deve permanecer estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%. Já a produção de açúcar deverá registrar leve retração de 1,42%, para 579,7 mil toneladas.  

As projeções de longo prazo do levantamento indicam continuidade da expansão da indústria de biocombustíveis no estado. Segundo o Imea, Mato Grosso poderá produzir 15,02 milhões de m³ de etanol até 2033/34, mais que o dobro do volume estimado para a safra atual.  

“O setor de bioenergia em Mato Grosso vem ampliando sua participação não apenas na produção de combustíveis renováveis, mas também na geração de coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização, consolidando uma cadeia industrial de grande relevância econômica para o estado”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do IMEA. 

O levantamento também destaca a contribuição ambiental do setor. Segundo o estudo, os Créditos de Descarbonização (CBIOs), já representaram mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂ desde o início do programa, sendo 40,06 milhões apenas em 2025. 

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.  

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.

Foto: Vadym Alyekseyenko / Pexels.com

BNDES capta R$ 943,5 milhões com JBIC para financiar projetos verdes

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) contrataram financiamento no valor de até R$ 943,5 milhões (US$ 185 milhões) no âmbito da Linha GREEN para apoiar projetos ambientalmente sustentáveis no Brasil, incluindo biocombustíveis e transmissão de energia elétrica, que desempenham papéis chave na descarbonização e na efetiva integração das energias renováveis. O contrato é o sétimo a ser assinado no âmbito da Linha GREEN, retrato da cooperação de longa data entre as instituições.

A Linha GREEN (Global Action for Reconciling Economic Growth and Environmental Preservation) tem como objetivo apoiar projetos que favoreçam a preservação global do meio ambiente, promovendo a redução da emissão de gases do efeito estufa, a eficiência energética e o uso de energias renováveis.

Além da cooperação financeira, as instituições celebraram diversos Memorandos de Entendimento (MoU), com o objetivo de implementar atividades de cooperação financeira, visando o apoio a projetos de infraestrutura de interesse mútuo. O mais recente MoU vigente, assinado em 25 de março de 2025, objetiva apoiar projetos nos setores de recursos minerais e energéticos sustentáveis além de formas de colaboração para proteção ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas. Durante a COP-30, em Belém, as duas instituições assinaram aditivo ao MoU original, que inseriu ao instrumento de cooperação a previsão da linha GREEN VII.

“Com a adição desta linha de crédito à extensa lista de operações financeiras realizadas entre BNDES e JBIC, damos mais um passo para o fortalecimento da parceria entre as instituições, no sentindo de apoiar projetos renováveis e sustentáveis e com o compromisso de avançar no desenvolvimento sustentável do Brasil. Desde a década de 60, foram assinados 19 contratos de empréstimo no valor de, aproximadamente, R$ 18 bilhões (US$ 3,4 bilhões)”, explicou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. 

“Em meio ao crescente cenário de incerteza global, a resiliência das economias, dos sistemas energéticos e das comunidades tornou-se cada vez mais importante e representa um interesse comum compartilhado entre o Japão e o Brasil. Nesse contexto, é com grande satisfação que anunciamos a assinatura da sétima operação (GREEN VII), na sequência da sexta operação (GREEN VI), concluída em março do ano passado. Esse marco constitui um forte símbolo da sólida parceria entre nossas duas instituições. O JBIC aspira contribuir para a criação de bens e serviços de maior valor — não apenas para a cooperação bilateral entre os dois países, mas também para a comunidade global — como parte de seus esforços para ajudar a enfrentar os desafios decorrentes das incertezas na geopolítica e na geoeconomia”, registrou o diretor executivo sênior – chefe global do Grupo de Finanças para Infraestrutura e Meio Ambiente do JBIC, Hiroki Sekine.

Foto: Votso Sothu / Pexels.com

Pastagem plantada por mudas permite mais produtividade na criação de bovinos no semiárido brasileiro

O Ceará segue vencendo os desafios da agropecuária, que é um dos motores da economia da região. Em 2025, agropecuária cearense cresceu 5,30% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, superando o Produto Interno Bruto (PIB) que registrou crescimento de 2,25%, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A atividade tem potencial para crescer ainda mais, porém os produtores rurais da região enfrentam grandes desafios relacionados ao clima.  A seca prolongada no semiárido prejudica a produção de pastagem natural para alimentação dos bovinos em volume e qualidade necessária. Outros desafios são apontados por produtores locais como a falta de acesso à tecnologia e a práticas inovadoras e eficientes de manejo do gado, principalmente para as pequenas e médias propriedades. Nas grandes, em alguns casos, investir em irrigação e tecnologia torna o processo oneroso. A avaliação é do zootecnista, especialista em produção de ruminantes e pastagens e MBA em gestão de negócios pela FGV, Oswaldo Stival Neto. 

Segundo ele, pecuaristas têm buscado alternativas eficientes e com custo-benefício mais interessantes para estimular o aumento da produtividade e a sustentabilidade no pasto. Uma das inovações que tem ganhado espaço nas fazendas do estado é o plantio de mudas clonadas e melhoradas geneticamente do capim Tifton 85, que traz benefícios, mesmo se comparada à alimentação por meio de forragem conservada, a silagem, ou de feno, prática comum no Nordeste, no período de seca.

O zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens, Oswaldo Stival Neto, explica que essa espécie, que resulta do cruzamento de uma gramínea de clima subtropical a temperado dos EUA com uma de clima tropical da África, criada em 1992 nos Estados Unidos. Seu cultivo não se propagou no passado por ele ser um híbrido , ou seja , seu plantio não se dá via sementes , e o método que se propagou antigamente  por plantio de ramas não se tinha por muitas vezes sucesso na implantação , além da dificuldade de encontra um material com origem o que inibiu a adesão a ele por um tempo. Mas, a empresa Amazon mudas , tornou seu plantio possível através de mudas clonadas e plantio mecanizável por plantadeiras , diante de seus resultados, agropecuaristas têm cada vez mais experimentado a alternativa.

“O que os números nos mostram é que  o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, a metade do volume do Tifton 85, em relação ao que os produtores precisam servir de forragem, já vai suprir a demanda alimentar dos animais. Ou seja, no mesmo 1 hectare de área, o produtor consegue fornecer alimento para no mínimo o dobro de animais”, explica ele.  

Um exemplo é o da  fazenda  São José, localizada no município de Russa, no Ceará, onde os produtores implantaram a gramínea Tifton 85, que oferece ao gado cerca do dobro do valor nutritivo que o capim braquiária, que é mais comum nas fazendas brasileiras. Ela também produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens. 

Segundo Oswaldo Neto, com o uso do Tifton 85, é possível aumentar a produtividade na criação de gado em até 10 vezes mais do que a média nacional, saltando de uma média de uma para sete cabeças por hectares.  e ainda proteger o solo da erosão, contribuindo para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. 

A pastagem foi adotada na propriedade em uma forma inovadora, desenvolvida pela Amazon Mudas, que resolveu o gargalo do plantio, pois suas sementes não germinam. “Com a tecnologia que desenvolvemos, clonamos as mudas e fazemos seu melhoramento genético. Após isso, transferimos para o pasto com o plantio feito por máquinas plantadeiras, como no caso de mudas de tomate”, exemplifica Oswaldo Stival. 

Oswaldo ainda explica que este período em que o Ceará tem sua quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é muito importante para os pecuarista investirem na recuperação de suas pastagens, plantando gramíneas mais resistentes, que retém melhor a umidade e têm mais resistência em período de seca, como o Tifton 85, pois os benefícios serão sentidos durante todo o ano e ao longo do tempo. 

Pastagem da Fazenda São José, no Ceará, após o fim do processo de implantação do capim Tifton 85 (Fotos: Divulgação)

Pastagem mais resistente à seca

O zootecnista Oswaldo Stival Neto explica que o Tifton 85 apresenta mais resistência e robustez, mesmo na estiagem porque produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens.

“A partir do momento que ele não deixa o solo exposto, qualquer chuva que já venha a ter na área, vai fazer a retenção da umidade no solo e por não deixar o solo exposto ao sol, evita que aquela umidade se evapore”, explica.

De acordo com ele, mesmo com a oscilação das chuvas e o espaçamento maior entre uma e outra, além do sol muito quente, o Tifton 85 mantém a umidade do solo, suficiente para propiciar o crescimento da gramínea. Assim,  o volume de forragem costuma ser maior em relação às demais forrageiras, como a braquiária. 

E não somente isso, enfatiza Oswaldo Stival Neto. Se o plantio do Tifton 85 for feito no princípio das chuvas, aliado a uma adubação estratégica, a planta vai reter a umidade já buscando o nutriente fornecido pelo adubo, o que vai acelerar mais ainda o seu crescimento. “Assim já teremos já de início a planta produzindo muita massa  e também explorando um grande potencial da proteína bruta, oferecendo também mais qualidade  em valor nutricional. Desta forma, fornecemos condições para o animal ter um alto ganho de peso ou uma alta produção de leite”, detalha o especialista.

Fazenda Vale do Rio Verde (MT) mostra viabilidade da agricultura regenerativa no agro

Práticas como rotação de culturas, plantio direto e manutenção da cobertura do solo, bastante consolidadas em parte do campo brasileiro, estão na base do conceito de agricultura regenerativa e ganham protagonismo no debate sobre sustentabilidade no agronegócio.

Nesse cenário, a Fazenda Vale do Rio Verde (MT), do grupo Bom Futuro Agrícola, avança na aplicação de boas práticas ao integrar o projeto-piloto de agricultura regenerativa da Mesa Redonda Global da Soja Responsável (RTRS), iniciativa que coloca o tema em foco e serve como um modelo prático e escalável para avançar na sustentabilidade no setor de soja.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional, uso intensivo de dados e adoção contínua de boas práticas agronômicas. Hoje, a propriedade produz soja, milho e algodão com produtividade alinhada ou acima da média regional, combinando desempenho econômico e foco na longevidade do solo.

Na prática, o diferencial está na capacidade de testar a agricultura regenerativa dentro de uma operação comercial, com metas claras de rentabilidade. “Estamos falando de uma fazenda produtiva, que valida práticas diretamente no campo, ajustando o que é necessário para garantir viabilidade técnica e econômica”, compartilha a gerente Ambiental da Bom Futuro Agrícola, Elaine Lourenço.

Segundo ela, a participação no piloto permite transformar conceitos em indicadores concretos. “Esse processo gera aprendizados sobre o que realmente funciona, em que ritmo as práticas podem ser implementadas e sob quais condições”, destaca.

Entre as estratégias adotadas estão a rotação estruturada de culturas, a manutenção da cobertura do solo, o uso mais eficiente de insumos e o monitoramento contínuo das condições físicas e biológicas do solo. O objetivo é reduzir riscos produtivos e aumentar a resiliência do sistema.

“O resultado é um solo mais equilibrado, maior estabilidade de produtividade e menor dependência de correções emergenciais, que elevam custos”, explica Elaine.

Padrão RTRS como ferramenta de gestão

Certificada RTRS desde 2021, a fazenda também utiliza o padrão como ferramenta de gestão. A certificação da produção de soja, de acordo com Elaine, tem papel estratégico ao organizar processos, ampliar a rastreabilidade e preparar a operação para mercados mais exigentes. “Mais do que um selo, a certificação RTRS estrutura a tomada de decisão, reduz riscos e fortalece a credibilidade da produção”, realça.

A Fazenda Vale do Rio Verde teve sua primeira certificação em 2022, quando o grupo da Louis Dreyfus Company – Bom Futuro Agrícola – iniciou o processo de certificação RTRS. A última auditoria recebida foi em 2025, abrangendo 15 propriedades dentro do grupo, com um total de mais de 612 mil toneladas de soja certificada em mais de 145 mil hectares. Desde a primeira certificação em 2022, o grupo já havia registrado mais de 58 mil toneladas de soja certificada em mais de 13 mil hectares.

Desde a adoção do padrão, a propriedade avançou na organização de dados, no monitoramento de indicadores e na qualificação das decisões agronômicas, tornando a operação mais previsível e robusta.

Do campo para o protocolo

A experiência da Fazenda Vale do Rio Verde, certificada dentro da cadeia da LDC, também tem influenciado diretamente a construção do protocolo de agricultura regenerativa da RTRS.

Um dos principais avanços do projeto-piloto foi a mudança de abordagem na avaliação das práticas. Em vez de focar apenas na adoção de novas técnicas, o modelo passou a considerar e valorizar ações já implementadas pelos produtores ao longo dos anos.

“A experiência da fazenda mostrou a importância de evidenciar práticas que já estão no campo, muitas vezes sem o devido reconhecimento, mas que representam avanços concretos em sustentabilidade”, reforça a gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, Ana Laura Andreani.

Segundo ela, dar visibilidade a essas iniciativas é fundamental para fortalecer a credibilidade do protocolo e ampliar a adesão no setor.

Na avaliação da consultora externa da RTRS, Helen Estima Lazzari, o envolvimento da fazenda também contribuiu para tornar os indicadores mais aderentes à realidade produtiva. “O projeto avançou na construção de métricas mais sensíveis à prática do campo, capazes de reconhecer tanto os primeiros passos quanto os avanços já consolidados”, explica.

Para ela, esse ajuste é decisivo para engajar produtores. “Ao reconhecer o que já foi feito, o protocolo reforça o protagonismo do produtor na transição para sistemas agrícolas mais regenerativos”, conclui.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional (Foto: RTRS / Divulgação)

Sobre a RTRS

Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.

Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.

Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.

Relatório final da 3ª Conferência de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário reúne propostas voltadas ao desenvolvimento rural no país

A 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ª CNDRSS), que aconteceu na última semana em Brasília, reuniu delegados, movimentos sociais e milhares de participantes de todo o país. O documento final reuniu 75 propostas que vão orientar as políticas públicas do governo voltadas aos povos do campo, das águas e das florestas.

Entre os temas que compõem o caderno final de propostas estão a agroecologia, sucessão rural, sistemas alimentares, acesso à terra, valorização dos territórios quilombolas, fortalecimento da agricultura familiar e segurança alimentar. As etapas preparatórias mobilizaram mais de 40 mil participantes e resultaram em cerca de 1.000 propostas que orientaram os debates da etapa nacional.

A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, destacou os avanços coletivos alcançados para a agricultura familiar, reforma agrária e valorização das comunidades tradicionais. “Hoje é um dia de grandes conquistas, de celebrar tudo que a sociedade civil conquistou ao longo desses últimos três anos, um processo que foi árduo, um processo de reconstrução das políticas públicas para a agricultura familiar, as políticas para a reforma agrária, para o acesso à terra, para o acesso ao território, para a garantia da preservação dos nossos recursos naturais e a nossa biodiversidade, de valorização dos povos e comunidades tradicionais, de retomada de uma política de abastecimento alimentar e visando o fortalecimento do cooperativismo, do associativismo e o alcance da nossa soberania alimentar”, ressaltou Fernanda.

Na avaliação do vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), Lidenilson Sousa da Silva, a aprovação das propostas na Conferência é apenas o começo para que todas as vozes ouvidas possam ser refletidas nas ações do governo. “Nós aprovamos essas 75 propostas, mas nos seus anexos estão todas as outras propostas construídas, e elas não foram descartadas, estão incorporadas no trabalho. É muito importante que nós tenhamos esse instrumento da construção das políticas públicas. Apontar esses horizontes num diálogo estreito e fino com as secretarias do MDA vai ser fundamental para a gente ter a efetivação dessa escuta”, afirmou.

Foto: Jayme Vasconcellos / JV Fotografia

Participação social e construção coletiva

Antes de chegar à etapa nacional, a conferência percorreu um longo caminho, com mais de 560 etapas preparatórias em todo o Brasil. Desse processo surgiram cerca de 1.000 propostas, sendo 300 reunidas no Caderno Nacional de Propostas. Ao todo, mil delegados foram eleitos, representando todas as regiões do país: Nordeste (352), Norte (208), Sudeste (184), Centro-Oeste (128) e Sul (128).

Pela primeira vez, a participação também aconteceu no ambiente digital, pela plataforma Brasil Participativo, que registrou 130 mil acessos, mais de 300 propostas cadastradas, 8 mil votos e a eleição de 20 delegados nacionais. Uma das propostas, elaborada por Jayme Vasconcellos, técnico em Agronegócio e editor-chefe do site Agricultura e Negócios, tratava da criação do Programa Nacional de Financiamento e Assistência Técnica para a Transição Agroecológica (PNFATA). “A agricultura familiar é a espinha dorsal da nossa segurança alimentar, e a transição agroecológica não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente. O PNFTA não teve votos suficientes para ser avaliado no plenário da Conferência Nacional, mas nossos esforços continuam para fortalecer o setor”, afirmou o jornalista e consultor especializado.

Resumo estratégico

O Agricultura e Negócios elaborou um Insight Report exclusivo, com um resumo estratégicos do que foi debatido na 3ª CNDRSS. Clique aqui e baixe, gratuitamente, o documento.