BNDES capta R$ 943,5 milhões com JBIC para financiar projetos verdes

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Japan Bank for International Cooperation (JBIC) contrataram financiamento no valor de até R$ 943,5 milhões (US$ 185 milhões) no âmbito da Linha GREEN para apoiar projetos ambientalmente sustentáveis no Brasil, incluindo biocombustíveis e transmissão de energia elétrica, que desempenham papéis chave na descarbonização e na efetiva integração das energias renováveis. O contrato é o sétimo a ser assinado no âmbito da Linha GREEN, retrato da cooperação de longa data entre as instituições.

A Linha GREEN (Global Action for Reconciling Economic Growth and Environmental Preservation) tem como objetivo apoiar projetos que favoreçam a preservação global do meio ambiente, promovendo a redução da emissão de gases do efeito estufa, a eficiência energética e o uso de energias renováveis.

Além da cooperação financeira, as instituições celebraram diversos Memorandos de Entendimento (MoU), com o objetivo de implementar atividades de cooperação financeira, visando o apoio a projetos de infraestrutura de interesse mútuo. O mais recente MoU vigente, assinado em 25 de março de 2025, objetiva apoiar projetos nos setores de recursos minerais e energéticos sustentáveis além de formas de colaboração para proteção ambiental e enfrentamento das mudanças climáticas. Durante a COP-30, em Belém, as duas instituições assinaram aditivo ao MoU original, que inseriu ao instrumento de cooperação a previsão da linha GREEN VII.

“Com a adição desta linha de crédito à extensa lista de operações financeiras realizadas entre BNDES e JBIC, damos mais um passo para o fortalecimento da parceria entre as instituições, no sentindo de apoiar projetos renováveis e sustentáveis e com o compromisso de avançar no desenvolvimento sustentável do Brasil. Desde a década de 60, foram assinados 19 contratos de empréstimo no valor de, aproximadamente, R$ 18 bilhões (US$ 3,4 bilhões)”, explicou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. 

“Em meio ao crescente cenário de incerteza global, a resiliência das economias, dos sistemas energéticos e das comunidades tornou-se cada vez mais importante e representa um interesse comum compartilhado entre o Japão e o Brasil. Nesse contexto, é com grande satisfação que anunciamos a assinatura da sétima operação (GREEN VII), na sequência da sexta operação (GREEN VI), concluída em março do ano passado. Esse marco constitui um forte símbolo da sólida parceria entre nossas duas instituições. O JBIC aspira contribuir para a criação de bens e serviços de maior valor — não apenas para a cooperação bilateral entre os dois países, mas também para a comunidade global — como parte de seus esforços para ajudar a enfrentar os desafios decorrentes das incertezas na geopolítica e na geoeconomia”, registrou o diretor executivo sênior – chefe global do Grupo de Finanças para Infraestrutura e Meio Ambiente do JBIC, Hiroki Sekine.

Foto: Votso Sothu / Pexels.com

Pastagem plantada por mudas permite mais produtividade na criação de bovinos no semiárido brasileiro

O Ceará segue vencendo os desafios da agropecuária, que é um dos motores da economia da região. Em 2025, agropecuária cearense cresceu 5,30% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, superando o Produto Interno Bruto (PIB) que registrou crescimento de 2,25%, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A atividade tem potencial para crescer ainda mais, porém os produtores rurais da região enfrentam grandes desafios relacionados ao clima.  A seca prolongada no semiárido prejudica a produção de pastagem natural para alimentação dos bovinos em volume e qualidade necessária. Outros desafios são apontados por produtores locais como a falta de acesso à tecnologia e a práticas inovadoras e eficientes de manejo do gado, principalmente para as pequenas e médias propriedades. Nas grandes, em alguns casos, investir em irrigação e tecnologia torna o processo oneroso. A avaliação é do zootecnista, especialista em produção de ruminantes e pastagens e MBA em gestão de negócios pela FGV, Oswaldo Stival Neto. 

Segundo ele, pecuaristas têm buscado alternativas eficientes e com custo-benefício mais interessantes para estimular o aumento da produtividade e a sustentabilidade no pasto. Uma das inovações que tem ganhado espaço nas fazendas do estado é o plantio de mudas clonadas e melhoradas geneticamente do capim Tifton 85, que traz benefícios, mesmo se comparada à alimentação por meio de forragem conservada, a silagem, ou de feno, prática comum no Nordeste, no período de seca.

O zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens, Oswaldo Stival Neto, explica que essa espécie, que resulta do cruzamento de uma gramínea de clima subtropical a temperado dos EUA com uma de clima tropical da África, criada em 1992 nos Estados Unidos. Seu cultivo não se propagou no passado por ele ser um híbrido , ou seja , seu plantio não se dá via sementes , e o método que se propagou antigamente  por plantio de ramas não se tinha por muitas vezes sucesso na implantação , além da dificuldade de encontra um material com origem o que inibiu a adesão a ele por um tempo. Mas, a empresa Amazon mudas , tornou seu plantio possível através de mudas clonadas e plantio mecanizável por plantadeiras , diante de seus resultados, agropecuaristas têm cada vez mais experimentado a alternativa.

“O que os números nos mostram é que  o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, a metade do volume do Tifton 85, em relação ao que os produtores precisam servir de forragem, já vai suprir a demanda alimentar dos animais. Ou seja, no mesmo 1 hectare de área, o produtor consegue fornecer alimento para no mínimo o dobro de animais”, explica ele.  

Um exemplo é o da  fazenda  São José, localizada no município de Russa, no Ceará, onde os produtores implantaram a gramínea Tifton 85, que oferece ao gado cerca do dobro do valor nutritivo que o capim braquiária, que é mais comum nas fazendas brasileiras. Ela também produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens. 

Segundo Oswaldo Neto, com o uso do Tifton 85, é possível aumentar a produtividade na criação de gado em até 10 vezes mais do que a média nacional, saltando de uma média de uma para sete cabeças por hectares.  e ainda proteger o solo da erosão, contribuindo para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. 

A pastagem foi adotada na propriedade em uma forma inovadora, desenvolvida pela Amazon Mudas, que resolveu o gargalo do plantio, pois suas sementes não germinam. “Com a tecnologia que desenvolvemos, clonamos as mudas e fazemos seu melhoramento genético. Após isso, transferimos para o pasto com o plantio feito por máquinas plantadeiras, como no caso de mudas de tomate”, exemplifica Oswaldo Stival. 

Oswaldo ainda explica que este período em que o Ceará tem sua quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é muito importante para os pecuarista investirem na recuperação de suas pastagens, plantando gramíneas mais resistentes, que retém melhor a umidade e têm mais resistência em período de seca, como o Tifton 85, pois os benefícios serão sentidos durante todo o ano e ao longo do tempo. 

Pastagem da Fazenda São José, no Ceará, após o fim do processo de implantação do capim Tifton 85 (Fotos: Divulgação)

Pastagem mais resistente à seca

O zootecnista Oswaldo Stival Neto explica que o Tifton 85 apresenta mais resistência e robustez, mesmo na estiagem porque produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens.

“A partir do momento que ele não deixa o solo exposto, qualquer chuva que já venha a ter na área, vai fazer a retenção da umidade no solo e por não deixar o solo exposto ao sol, evita que aquela umidade se evapore”, explica.

De acordo com ele, mesmo com a oscilação das chuvas e o espaçamento maior entre uma e outra, além do sol muito quente, o Tifton 85 mantém a umidade do solo, suficiente para propiciar o crescimento da gramínea. Assim,  o volume de forragem costuma ser maior em relação às demais forrageiras, como a braquiária. 

E não somente isso, enfatiza Oswaldo Stival Neto. Se o plantio do Tifton 85 for feito no princípio das chuvas, aliado a uma adubação estratégica, a planta vai reter a umidade já buscando o nutriente fornecido pelo adubo, o que vai acelerar mais ainda o seu crescimento. “Assim já teremos já de início a planta produzindo muita massa  e também explorando um grande potencial da proteína bruta, oferecendo também mais qualidade  em valor nutricional. Desta forma, fornecemos condições para o animal ter um alto ganho de peso ou uma alta produção de leite”, detalha o especialista.

Fazenda Vale do Rio Verde (MT) mostra viabilidade da agricultura regenerativa no agro

Práticas como rotação de culturas, plantio direto e manutenção da cobertura do solo, bastante consolidadas em parte do campo brasileiro, estão na base do conceito de agricultura regenerativa e ganham protagonismo no debate sobre sustentabilidade no agronegócio.

Nesse cenário, a Fazenda Vale do Rio Verde (MT), do grupo Bom Futuro Agrícola, avança na aplicação de boas práticas ao integrar o projeto-piloto de agricultura regenerativa da Mesa Redonda Global da Soja Responsável (RTRS), iniciativa que coloca o tema em foco e serve como um modelo prático e escalável para avançar na sustentabilidade no setor de soja.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional, uso intensivo de dados e adoção contínua de boas práticas agronômicas. Hoje, a propriedade produz soja, milho e algodão com produtividade alinhada ou acima da média regional, combinando desempenho econômico e foco na longevidade do solo.

Na prática, o diferencial está na capacidade de testar a agricultura regenerativa dentro de uma operação comercial, com metas claras de rentabilidade. “Estamos falando de uma fazenda produtiva, que valida práticas diretamente no campo, ajustando o que é necessário para garantir viabilidade técnica e econômica”, compartilha a gerente Ambiental da Bom Futuro Agrícola, Elaine Lourenço.

Segundo ela, a participação no piloto permite transformar conceitos em indicadores concretos. “Esse processo gera aprendizados sobre o que realmente funciona, em que ritmo as práticas podem ser implementadas e sob quais condições”, destaca.

Entre as estratégias adotadas estão a rotação estruturada de culturas, a manutenção da cobertura do solo, o uso mais eficiente de insumos e o monitoramento contínuo das condições físicas e biológicas do solo. O objetivo é reduzir riscos produtivos e aumentar a resiliência do sistema.

“O resultado é um solo mais equilibrado, maior estabilidade de produtividade e menor dependência de correções emergenciais, que elevam custos”, explica Elaine.

Padrão RTRS como ferramenta de gestão

Certificada RTRS desde 2021, a fazenda também utiliza o padrão como ferramenta de gestão. A certificação da produção de soja, de acordo com Elaine, tem papel estratégico ao organizar processos, ampliar a rastreabilidade e preparar a operação para mercados mais exigentes. “Mais do que um selo, a certificação RTRS estrutura a tomada de decisão, reduz riscos e fortalece a credibilidade da produção”, realça.

A Fazenda Vale do Rio Verde teve sua primeira certificação em 2022, quando o grupo da Louis Dreyfus Company – Bom Futuro Agrícola – iniciou o processo de certificação RTRS. A última auditoria recebida foi em 2025, abrangendo 15 propriedades dentro do grupo, com um total de mais de 612 mil toneladas de soja certificada em mais de 145 mil hectares. Desde a primeira certificação em 2022, o grupo já havia registrado mais de 58 mil toneladas de soja certificada em mais de 13 mil hectares.

Desde a adoção do padrão, a propriedade avançou na organização de dados, no monitoramento de indicadores e na qualificação das decisões agronômicas, tornando a operação mais previsível e robusta.

Do campo para o protocolo

A experiência da Fazenda Vale do Rio Verde, certificada dentro da cadeia da LDC, também tem influenciado diretamente a construção do protocolo de agricultura regenerativa da RTRS.

Um dos principais avanços do projeto-piloto foi a mudança de abordagem na avaliação das práticas. Em vez de focar apenas na adoção de novas técnicas, o modelo passou a considerar e valorizar ações já implementadas pelos produtores ao longo dos anos.

“A experiência da fazenda mostrou a importância de evidenciar práticas que já estão no campo, muitas vezes sem o devido reconhecimento, mas que representam avanços concretos em sustentabilidade”, reforça a gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, Ana Laura Andreani.

Segundo ela, dar visibilidade a essas iniciativas é fundamental para fortalecer a credibilidade do protocolo e ampliar a adesão no setor.

Na avaliação da consultora externa da RTRS, Helen Estima Lazzari, o envolvimento da fazenda também contribuiu para tornar os indicadores mais aderentes à realidade produtiva. “O projeto avançou na construção de métricas mais sensíveis à prática do campo, capazes de reconhecer tanto os primeiros passos quanto os avanços já consolidados”, explica.

Para ela, esse ajuste é decisivo para engajar produtores. “Ao reconhecer o que já foi feito, o protocolo reforça o protagonismo do produtor na transição para sistemas agrícolas mais regenerativos”, conclui.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional (Foto: RTRS / Divulgação)

Sobre a RTRS

Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.

Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.

Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.

Relatório final da 3ª Conferência de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário reúne propostas voltadas ao desenvolvimento rural no país

A 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3ª CNDRSS), que aconteceu na última semana em Brasília, reuniu delegados, movimentos sociais e milhares de participantes de todo o país. O documento final reuniu 75 propostas que vão orientar as políticas públicas do governo voltadas aos povos do campo, das águas e das florestas.

Entre os temas que compõem o caderno final de propostas estão a agroecologia, sucessão rural, sistemas alimentares, acesso à terra, valorização dos territórios quilombolas, fortalecimento da agricultura familiar e segurança alimentar. As etapas preparatórias mobilizaram mais de 40 mil participantes e resultaram em cerca de 1.000 propostas que orientaram os debates da etapa nacional.

A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, destacou os avanços coletivos alcançados para a agricultura familiar, reforma agrária e valorização das comunidades tradicionais. “Hoje é um dia de grandes conquistas, de celebrar tudo que a sociedade civil conquistou ao longo desses últimos três anos, um processo que foi árduo, um processo de reconstrução das políticas públicas para a agricultura familiar, as políticas para a reforma agrária, para o acesso à terra, para o acesso ao território, para a garantia da preservação dos nossos recursos naturais e a nossa biodiversidade, de valorização dos povos e comunidades tradicionais, de retomada de uma política de abastecimento alimentar e visando o fortalecimento do cooperativismo, do associativismo e o alcance da nossa soberania alimentar”, ressaltou Fernanda.

Na avaliação do vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf), Lidenilson Sousa da Silva, a aprovação das propostas na Conferência é apenas o começo para que todas as vozes ouvidas possam ser refletidas nas ações do governo. “Nós aprovamos essas 75 propostas, mas nos seus anexos estão todas as outras propostas construídas, e elas não foram descartadas, estão incorporadas no trabalho. É muito importante que nós tenhamos esse instrumento da construção das políticas públicas. Apontar esses horizontes num diálogo estreito e fino com as secretarias do MDA vai ser fundamental para a gente ter a efetivação dessa escuta”, afirmou.

Foto: Jayme Vasconcellos / JV Fotografia

Participação social e construção coletiva

Antes de chegar à etapa nacional, a conferência percorreu um longo caminho, com mais de 560 etapas preparatórias em todo o Brasil. Desse processo surgiram cerca de 1.000 propostas, sendo 300 reunidas no Caderno Nacional de Propostas. Ao todo, mil delegados foram eleitos, representando todas as regiões do país: Nordeste (352), Norte (208), Sudeste (184), Centro-Oeste (128) e Sul (128).

Pela primeira vez, a participação também aconteceu no ambiente digital, pela plataforma Brasil Participativo, que registrou 130 mil acessos, mais de 300 propostas cadastradas, 8 mil votos e a eleição de 20 delegados nacionais. Uma das propostas, elaborada pelo técnico em Agronegócio e editor-chefe do site Agricultura e Negócios, tratava da criação do Programa Nacional de Financiamento e Assistência Técnica para a Transição Agroecológica (PNFATA). “A agricultura familiar é a espinha dorsal da nossa segurança alimentar, e a transição agroecológica não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente. O PNFTA não teve votos suficientes para ser avaliado no plenário da Conferência Nacional, mas nossos esforços continuam para fortalecer o setor”, afirmou o jornalista e consultor especializado.

Resumo estratégico

O Agricultura e Negócios elaborou um Insight Report exclusivo, com um resumo estratégicos do que foi debatido na 3ª CNDRSS. Clique aqui e baixe, gratuitamente, o documento.

Três dias e um alerta silencioso: o que conecta agricultura, florestas e água — e por que isso deveria te preocupar agora

por Jayme Vasconcellos*

Entre 20 e 22 de março**, três datas globais se sucedem com uma lógica que vai além do simbolismo: agricultura, florestas e água. Não é apenas uma sequência no calendário, mas um encadeamento que reflete a interdependência entre produção de alimentos, equilíbrio ambiental e disponibilidade hídrica. Tratá-los de forma isolada compromete a compreensão do todo. Integrá-los é condição para qualquer estratégia que pretenda ser consistente.

A agricultura segue como um dos pilares da segurança alimentar e da estabilidade econômica. Segundo a FAO, a produção de alimentos precisará crescer significativamente nas próximas décadas para atender à demanda global. Mas a questão central deixou de ser apenas “produzir mais”. O ponto de inflexão está em produzir melhor, com menor variabilidade de resultado frente a um ambiente climático mais instável.

Nesse contexto, as florestas deixam de ser vistas apenas como reservas ambientais e passam a ser compreendidas como infraestrutura ecológica. Elas regulam o ciclo hidrológico, estabilizam o clima regional e influenciam diretamente a produtividade agrícola. O cientista climático Carlos Nobre tem sido enfático ao afirmar que a degradação da Amazônia compromete os chamados “rios voadores”, afetando regimes de chuva em áreas agrícolas estratégicas do Brasil. Não é uma externalidade distante. É impacto direto na previsibilidade da produção.

Foto: Jeffry Surianto / Pexels.com

A água, por sua vez, é o elemento que conecta tudo isso de maneira operacional. Sem disponibilidade hídrica estável, não há agricultura resiliente. Sem cobertura florestal adequada, não há regulação eficiente da água. A diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, destacou em relatórios recentes que a pressão sobre os recursos hídricos tende a aumentar não apenas pelo crescimento populacional, mas também por padrões ineficientes de uso e gestão.

O desafio, portanto, não é apenas técnico, mas sistêmico. A fragmentação entre políticas agrícolas, ambientais e hídricas gera inconsistência de decisão. Enquanto um setor busca maximizar produção no curto prazo, outro tenta mitigar danos no longo prazo. O resultado é um sistema que opera com ruído, aumentando risco e reduzindo previsibilidade.

Especialistas como Johannes Cullmann, ligado à World Meteorological Organization, defendem que a gestão da água precisa migrar de uma lógica reativa para uma abordagem preventiva e integrada. Isso implica monitoramento em tempo real, governança multinível e uso consistente de dados para tomada de decisão.

No campo prático, isso se traduz em algumas direções claras. Integração entre uso do solo e gestão hídrica. Adoção de práticas agrícolas regenerativas. Proteção e recuperação de áreas florestais estratégicas. E, sobretudo, construção de mecanismos de governança que reduzam a variabilidade do sistema como um todo.

Essas três datas, quando lidas em conjunto, funcionam menos como celebração e mais como alerta. A agricultura depende das florestas. As florestas sustentam a água. E a água determina, no limite, a viabilidade de tudo o que vem antes.

Ignorar essa interdependência não é apenas um erro ambiental. É um risco operacional.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

**20/03 – Dia Mundial da Agricultura | 21/03 – Dia Mundial das Florestas | 22/03 – Dia Mundial da Água

Área tratada por defensivos agrícolas deve encerrar ciclo 2025 com alta de 6,1%

Ao refletir a dinâmica observada ao longo do ano, o mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com expansão da área PAT. O indicador deve crescer 6,1% em relação ao mesmo período de 2024 e pode contabilizar 2,6 bilhões de hectares tratados, conforme a terceira projeção de dados de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg). 

A metodologia utilizada na pesquisa considera a Área Potencial Tratada ou Área Tratada por Produto (PAT), um indicador que leva em conta o número de aplicações e o número de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras, permitindo uma leitura mais precisa do cenário. 

Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas. Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos da safra 25/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, pois o plantio transcorreu dentro do período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado. A maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.

O volume total de defensivos aplicados deve fechar 2025 com uma alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento. 

No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser a soja (55%), seguida por milho (18%) e algodão (8%). Pastagem (5%), cana (4%), trigo (2%), feijão (2%), arroz (1%), hortifruti (1%), café (1%) e outras culturas (2%) completam o panorama. 

Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia lideram, concentrando 32% da área tratada no país. A região conhecida como BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%, seguida por São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%. As demais regiões somam os 2% restantes. 

O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.

Chamada de Clima do BNDES seleciona fundos que vão alavancar R$ 16,2 bi no mercado

com informações da Agência BNDES de Notícias

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a seleção de sete fundos de investimento no âmbito da Chamada Pública de Mitigação Climática, iniciativa voltada ao financiamento de projetos de transição ecológica, restauração ambiental e descarbonização da economia. Com aportes de até R$ 4,3 bilhões por meio da BNDESPAR, os fundos deverão mobilizar cerca de R$ 16,2 bilhões adicionais em recursos privados, ampliando significativamente o volume de investimentos direcionados à agenda climática no Brasil.

Lançada em setembro de 2025, a Chamada de Clima recebeu 45 propostas de gestores nacionais e internacionais. Ao final do processo, foram selecionados cinco fundos de equity e dois de crédito, organizados em duas verticais principais: Transformação Ecológica e Soluções Baseadas na Natureza.

Os fundos de equity selecionados na modalidade de Transformação Ecológica foram: Catalytic Transition Fund Brazil FIP Multiestratégia – com aporte de até R$ 1 bilhão do BNDES; EB Clima II – Transição Energética & Descarbonização IS FIP Multiestratégia – até R$ 500 milhões do Banco; e (iii) Generation Just Climate Brasil FIP – com até R$ 800 milhões em aporte.

Já os fundos de equity enquadrados na modalidade de Soluções Baseadas na Natureza selecionados foram: Patria Latam Reforest Fund I FIP Multiestratégia IS – com aporte de até R$ 500 milhões do Banco; e The Amazon Reforestation Fund II FIP Multiestratégia IS – Mombak – com até R$ 500 milhões. Por fim, os dois fundos de crédito selecionados se enquadraram na modalidade de Transformação Ecológica: Vinci Crédito Soluções Climáticas FIC FIM – com até R$ 500 milhões; e FIDC Clima Riza Farma – com até R$ 500 milhões.

Entre os destaques estão projetos voltados à restauração de mais de 90 mil hectares nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, além de iniciativas de descarbonização industrial, economia circular, biocombustíveis, hidrogênio verde e tecnologias para redução de emissões.

“O BNDES assume papel estratégico ao ancorar fundos voltados a áreas em que o capital privado ainda enfrenta barreiras, como reflorestamento, descarbonização de processos industriais e bioinsumos, mobilizando recursos e direcionando investimentos para projetos que aceleram a transição climática, prioridade do presidente Lula. A iniciativa amplia os investimentos no Brasil e contribui para o cumprimento das metas nacionais de redução de emissões”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Todos os recursos aportados deverão ser investidos exclusivamente em projetos e empresas no território nacional. Os fundos agora passam por etapa de diligência e definição final das condições de investimento antes da efetivação dos aportes.

A Chamada de Clima integra a estratégia do BNDES de apoiar a transição para uma economia de baixo carbono, fortalecendo a competitividade da indústria nacional, promovendo inovação verde e ampliando a capacidade do país de enfrentar os impactos das mudanças climáticas.

Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Modalidades

Os fundos de Transformação Ecológica têm foco em setores estratégicos como indústria de baixo carbono — incluindo aço e cimento verdes, minerais críticos, hidrogênio e biomassa —, além de resíduos e economia circular, sistemas alimentares sustentáveis, energia renovável, eletrificação, digitalização e armazenamento de energia.

Já os fundos de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) priorizam a recuperação de áreas degradadas por meio da restauração de florestas nativas no Arco da Restauração, na Amazônia, além dos biomas Cerrado e Mata Atlântica. Também incluem projetos de restauração produtiva com sistemas agroflorestais e silvicultura sustentável integrada à lavoura, pecuária e floresta, com meta de restaurar mais de 90 mil hectares.

O investimento na agenda climática acelera a transição para uma economia sustentável e neutra em carbono, impulsionando a transição energética, a indústria verde, a infraestrutura e o transporte de baixo carbono, além de fortalecer a agropecuária sustentável. Também amplia ações de conservação ambiental, restauração de biomas e desenvolvimento da bioeconomia da sociobiodiversidade, contribuindo para tornar atividades econômicas, infraestrutura e cidades mais resilientes às mudanças climáticas.

Dependência de fertilizantes expõe risco estratégico e acelera corrida por produção nacional

O Brasil figura entre os maiores consumidores de fertilizantes do mundo, mas essa posição estratégica vem acompanhada de uma fragilidade histórica que é a dependência externa. Atualmente, cerca de 85% do insumo utilizado no país é importado, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Essa vulnerabilidade ficou evidente após choques geopolíticos recentes, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, que provocaram alta nos preços e expuseram riscos à segurança alimentar.

“Embora as questões envolvendo a Venezuela não tragam grandes impactos ao setor, o ano é de cautela. Ampliar a produção interna para garantir competitividade e estabilidade é de suma importância, ainda mais diante do acordo Mercosul-União Europeia”, afirma o economista Adenauer Rockenmeyer, delegado do Corecon-SP.

Hoje, a maior parte dos fertilizantes que chegam ao Brasil vem de países como Rússia, Canadá, China e Marrocos. Essa concentração cria vulnerabilidades não apenas econômicas, mas também estratégicas. Para enfrentar esse cenário, o governo estabeleceu uma meta ambiciosa: reduzir a dependência para 70% até 2030, conforme previsto no Plano Nacional de Fertilizantes. Para isso, estão programados investimentos de R$ 16 bilhões em novas plantas industriais e tecnologias até 2028.

A adoção de soluções inovadoras é decisiva para mudar o jogo. Instrumentação analítica, automação e digitalização surgem como ferramentas estratégicas capazes de garantir qualidade e eficiência na produção nacional, permitir o uso de matérias-primas locais com processos otimizados e reduzir custos para competir com o mercado internacional.

De acordo com Rafael Soares, da Pensalab, a instrumentação analítica assegura a  confiabilidade do produto e a otimização do processo produtivo. “Com monitoramento da qualidade em tempo real, é possível controlar a composição dos fertilizantes, garantindo que atendam aos padrões de qualidade adequados e cumpram as exigências de sustentabilidade, de acordo com as normas do Ibama, Conama e Mapa, evitando perdas e assegurando padrões internacionais”, explica. Já a automação oferece ganhos de escala e economia ao reduzir desperdícios, diminuir o consumo de insumos, aumentar a produtividade e viabilizar plantas mais eficientes.

Outro ponto crucial é a inovação voltada para fertilizantes verdes, afirma Roberto Gonzalez, especialista em ESG. “Tecnologias sustentáveis não apenas atendem às exigências ambientais, mas também abrem portas para novos mercados, alinhando a produção à agenda ESG”, destaca. Por fim, a integração digital da cadeia de suprimentos completa essa transformação. Plataformas inteligentes permitem rastreabilidade e logística otimizada, reduzindo gargalos e fortalecendo a competitividade nacional.

O caminho para reduzir a dependência externa é complexo, mas viável, segundo os especialistas. Com investimentos robustos e tecnologia de ponta, o Brasil pode transformar vulnerabilidade em oportunidade, garantindo segurança alimentar e consolidando sua posição como potência agrícola global.

Foto: Maarten van den Heuvel / Pexels.com

Importações de fertilizantes batem recorde em 2025 com avanço de produtos de menor concentração

As importações brasileiras de fertilizantes (amônia, ureia, SAM, NAM, MAP, DAP, SSP, TSP, NP, enxofre e cloreto de potássio) atingiram um novo recorde em 2025, considerando os principais produtos adquiridos pelo país. De acordo com a StoneX, empresa global de serviços financeiros, foram importadas 44,96 milhões de toneladas, volume 2,9% superior ao registrado em 2024. O desempenho indica que, apesar de um cenário marcado por relações de troca pouco atrativas e preços persistentemente elevados, a demanda nacional se manteve resiliente.

Em um ano de margens apertadas no campo, os compradores brasileiros adotaram estratégias para reduzir os custos de produção. Uma delas foi a priorização de fertilizantes de menor concentração de nutrientes, como o sulfato de amônio (SAM) e o superfosfato simples (SSP), em detrimento de produtos mais concentrados, como a ureia e o fosfato monoamônico (MAP).

Os dados mostram que, em 2025, as importações de ureia recuaram 7% em relação ao ano anterior. Em sentido oposto, as aquisições de SAM cresceram quase 28%. No segmento de fosfatados, as compras de MAP caíram aproximadamente 25,7%, enquanto as importações de SSP e de NP, alternativas com menor teor de fosfato, avançaram 22% e 31,7%, respectivamente.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, a preferência por fertilizantes de menor concentração implica a necessidade de aplicação de maiores volumes no solo para garantir o suprimento adequado de nutrientes. “Ao optar por esses produtos, o agricultor precisa adquirir mais toneladas para atingir o mesmo nível de adubação, o que ajuda a explicar o aumento do volume total importado”, afirma.

Esse movimento ampliou a participação de SAM, SSP e NP no mercado brasileiro ao longo de 2025. A principal dúvida para 2026 é se esses produtos seguirão como prioridade nas decisões de compra dos importadores.

De acordo com Pernías, a escolha dos fertilizantes envolve uma combinação de fatores, como disponibilidade, preços, relações de troca e custo-benefício, sempre considerando a quantidade efetiva de nutrientes entregue por cada produto. “Não é possível afirmar se os fertilizantes de menor concentração manterão em 2026 a mesma representatividade observada em 2025. Contudo, com a proximidade do período de adubação nos Estados Unidos, rumores de suspensão de exportações chinesas, volatilidade nas negociações indianas e o risco constante de sanções comerciais, o comprador brasileiro tende a seguir atento às oportunidades, buscando reduzir custos e preservar a competitividade”, conclui.

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Rivulis inaugura a maior fábrica de gotejadores do mundo

A multinacional Rivulis, líder global em soluções avançadas de irrigação e clima, inaugurou no norte de Israel, na cidade de Tzipori, a maior e mais avançada fábrica do mundo dedicada à produção de gotejadores e aspersores, componentes essenciais dos sistemas de microirrigação. “Há mais de 80 anos, agricultores de todo o mundo confiam na empresa para obter soluções de irrigação eficazes e confiáveis que os ajudam a cultivar de forma responsável”, disse Eran Ossmy, presidente da companhia.

A nova unidade, com 7.000 metros quadrados, abriga mais de 150 linhas de produção e montagem automatizadas e representa um grande avanço na tecnologia de irrigação e na fabricação sustentável. A unidade integra sistemas avançados, incluindo tecnologias LSR de precisão, para oferecer qualidade excepcional, eficiência energética e resiliência operacional.

Em plena capacidade, produzirá milhões de gotejadores e aspersores por dia, exportados para mais de 120 países na América Latina, África, Europa, América do Norte, Ásia e Austrália. “Esta nova fábrica representa o próximo passo nesse legado, combinando precisão, inovação e sustentabilidade para tornar a microirrigação mais acessível e eficiente. A partir daqui, forneceremos soluções que ajudarão a alimentar um mundo em crescimento, de forma sustentável e responsável”, destaca o executivo.

Foco na agricultura sustentável

Ao expandir sua capacidade de produção, a Rivulis reforça seu compromisso com o avanço da segurança alimentar global e da agricultura sustentável em meio à crescente escassez de água. A nova unidade emprega mais de 200 pessoas das comunidades vizinhas, judaicas e árabes, servindo como um modelo de coexistência e propósito compartilhado.

Além disso, foi construída de acordo com os princípios da indústria verde e da eficiência energética, utilizando materiais reciclados, energia renovável e sistemas inteligentes para gestão de energia e produção. Ela está entre as primeiras instalações de irrigação do mundo a implementar práticas de manufatura circular, reutilizando matérias-primas, reduzindo emissões e buscando o desperdício industrial zero.

Foto: Zvika-Golan / Divulgação

Investimento estratégico

Apoiado pela Temasek, companhia global de investimento de Cingapura, principal acionista da Rivulis, este investimento reflete um compromisso de longo prazo com a expansão de tecnologias que ajudam agricultores em todo o mundo a cultivar mais alimentos de forma sustentável, protegendo o recurso mais vital do planeta: a água.

Com a unidade de Tzipori agora em operação, a empresa fortalece sua posição como um centro global de inovação em irrigação de precisão, capacitando agricultores em todos os lugares a cultivar mais com menos.