Fazenda Vale do Rio Verde (MT) mostra viabilidade da agricultura regenerativa no agro

Práticas como rotação de culturas, plantio direto e manutenção da cobertura do solo, bastante consolidadas em parte do campo brasileiro, estão na base do conceito de agricultura regenerativa e ganham protagonismo no debate sobre sustentabilidade no agronegócio.

Nesse cenário, a Fazenda Vale do Rio Verde (MT), do grupo Bom Futuro Agrícola, avança na aplicação de boas práticas ao integrar o projeto-piloto de agricultura regenerativa da Mesa Redonda Global da Soja Responsável (RTRS), iniciativa que coloca o tema em foco e serve como um modelo prático e escalável para avançar na sustentabilidade no setor de soja.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional, uso intensivo de dados e adoção contínua de boas práticas agronômicas. Hoje, a propriedade produz soja, milho e algodão com produtividade alinhada ou acima da média regional, combinando desempenho econômico e foco na longevidade do solo.

Na prática, o diferencial está na capacidade de testar a agricultura regenerativa dentro de uma operação comercial, com metas claras de rentabilidade. “Estamos falando de uma fazenda produtiva, que valida práticas diretamente no campo, ajustando o que é necessário para garantir viabilidade técnica e econômica”, compartilha a gerente Ambiental da Bom Futuro Agrícola, Elaine Lourenço.

Segundo ela, a participação no piloto permite transformar conceitos em indicadores concretos. “Esse processo gera aprendizados sobre o que realmente funciona, em que ritmo as práticas podem ser implementadas e sob quais condições”, destaca.

Entre as estratégias adotadas estão a rotação estruturada de culturas, a manutenção da cobertura do solo, o uso mais eficiente de insumos e o monitoramento contínuo das condições físicas e biológicas do solo. O objetivo é reduzir riscos produtivos e aumentar a resiliência do sistema.

“O resultado é um solo mais equilibrado, maior estabilidade de produtividade e menor dependência de correções emergenciais, que elevam custos”, explica Elaine.

Padrão RTRS como ferramenta de gestão

Certificada RTRS desde 2021, a fazenda também utiliza o padrão como ferramenta de gestão. A certificação da produção de soja, de acordo com Elaine, tem papel estratégico ao organizar processos, ampliar a rastreabilidade e preparar a operação para mercados mais exigentes. “Mais do que um selo, a certificação RTRS estrutura a tomada de decisão, reduz riscos e fortalece a credibilidade da produção”, realça.

A Fazenda Vale do Rio Verde teve sua primeira certificação em 2022, quando o grupo da Louis Dreyfus Company – Bom Futuro Agrícola – iniciou o processo de certificação RTRS. A última auditoria recebida foi em 2025, abrangendo 15 propriedades dentro do grupo, com um total de mais de 612 mil toneladas de soja certificada em mais de 145 mil hectares. Desde a primeira certificação em 2022, o grupo já havia registrado mais de 58 mil toneladas de soja certificada em mais de 13 mil hectares.

Desde a adoção do padrão, a propriedade avançou na organização de dados, no monitoramento de indicadores e na qualificação das decisões agronômicas, tornando a operação mais previsível e robusta.

Do campo para o protocolo

A experiência da Fazenda Vale do Rio Verde, certificada dentro da cadeia da LDC, também tem influenciado diretamente a construção do protocolo de agricultura regenerativa da RTRS.

Um dos principais avanços do projeto-piloto foi a mudança de abordagem na avaliação das práticas. Em vez de focar apenas na adoção de novas técnicas, o modelo passou a considerar e valorizar ações já implementadas pelos produtores ao longo dos anos.

“A experiência da fazenda mostrou a importância de evidenciar práticas que já estão no campo, muitas vezes sem o devido reconhecimento, mas que representam avanços concretos em sustentabilidade”, reforça a gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, Ana Laura Andreani.

Segundo ela, dar visibilidade a essas iniciativas é fundamental para fortalecer a credibilidade do protocolo e ampliar a adesão no setor.

Na avaliação da consultora externa da RTRS, Helen Estima Lazzari, o envolvimento da fazenda também contribuiu para tornar os indicadores mais aderentes à realidade produtiva. “O projeto avançou na construção de métricas mais sensíveis à prática do campo, capazes de reconhecer tanto os primeiros passos quanto os avanços já consolidados”, explica.

Para ela, esse ajuste é decisivo para engajar produtores. “Ao reconhecer o que já foi feito, o protocolo reforça o protagonismo do produtor na transição para sistemas agrícolas mais regenerativos”, conclui.

Integrada ao grupo Bom Futuro desde 2008, a fazenda consolidou, ao longo dos anos, um modelo de gestão baseado em eficiência operacional (Foto: RTRS / Divulgação)

Sobre a RTRS

Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Redonda da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.

Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.

Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.

Fazenda Conectada Case IH apresenta safra recorde e redução de custo de mais de R$ 1 mi com 4G da TIM

A Fazenda Conectada Case IH apresenta novos resultados após o fechamento da safra 2024/25. Fruto da parceria da Case IH, marca da CNH, com a TIM, líder em cobertura no agronegócio, a fazenda real de mais de 3 mil hectares foi transformada em um laboratório de inovação e produtividade.

Com safra recorde, a produção total foi de 14.054 toneladas, com produtividade média de 75 sacas por hectare. Com isso, ela foi 19% mais produtiva do que a região em que está, 14% maior do que em relação ao estado de Mato Grosso, além de ser 27% mais produtiva do que a média brasileira durante o mesmo período, segundo dados da Conab.

“A Fazenda Conectada é um laboratório vivo de inovação e produtividade. Esse bom desempenho é resultado de um conjunto de fatores como boas práticas de manejo, tomada de decisão orientada pela gestão de dados, capacitação de pessoas e uso de tecnologias de ponta, que vão desde o preparo do solo até a colheita. Isso garantiu menor custo de produção e maior rendimento, fatores essenciais para o produtor rural que tem enfrentado um cenário desafiador nos últimos tempos”, comenta Leandro Conde, diretor de Marketing e Comunicação da Case IH para América Latina.

Além dos resultados agronômicos, o projeto evoluiu para um modelo com práticas de agricultura regenerativa, com integração de tecnologias que restauram o solo, reduzem emissões e aumentam a eficiência operacional.

Para essa última safra, a Fazenda Conectada Case IH recebeu novas tecnologias em todas as etapas do ciclo produtivo, como o XactPlanting, que fornece plantio inteligente com controle individualizado; FieldXplorer, que faz o mapeamento e monitoramento por imagem aérea; e o FarmXtend; estação meteorológica que fornece dados localizados em tempo real.

Para avaliar o impacto dessas novas tecnologias na redução das emissões de carbono, foi realizada uma comparação entre as safras 23/24 e 24/25. O estudo considerou as emissões de carbono associadas ao consumo de combustível e ao uso de agrodefensivos nos talhões mais produtivos onde as soluções foram aplicadas. O resultado foi uma redução de 23,6% de toneladas de CO2e por saca de soja.

Segundo Alexandre Dal Forno, diretor de IoT e 5G da TIM, o resultado reforça o papel estratégico da conectividade no ganho de eficiência e produtividade do campo. “O 4G habilita a transformação digital no agronegócio, permitindo a criação de um ecossistema que potencializa cada etapa do ciclo produtivo. Na Fazenda Conectada, conseguimos novamente demonstrar a importância da conectividade, que além de habilitar a telemetria das máquinas e o monitoramento em tempo real, garante a previsibilidade, sustentabilidade do negócio e eficiência operacional ao produtor. A conectividade não é custo, mas um investimento fundamental para a digitalização do agronegócio brasileiro”.

O estudo é conduzido pela Agricef em parceria com a Unicamp, e tem como foco avaliar os impactos da conectividade e da tecnologia na eficiência operacional, sustentabilidade e viabilidade econômica da produção agrícola.

Evolução do Projeto

Ano após ano, o projeto tem mostrado como a tecnologia e conectividade aplicadas com inteligência transformam a produtividade e a sustentabilidade no campo, além de potencializar a integração de pessoas e reduzir custos operacionais.

Ao comparar os dados da última safra com a de 22/23, já com conectividade, a Fazenda Conectada Case IH vem apresentando uma construção contínua de gestão integrada de dados com impacto direto na eficiência das operações e no rendimento.

A safra 24/25 produziu 1.138 toneladas a mais do que a safra 22/23 e foi 10% mais produtiva do que a de 22/23, tendo avançado de 68 sacas/ha para 75 sacas/ha.

Entre os ganhos em diferentes etapas do ciclo produtivo está o redimensionamento da frota, com redução de um trator e uma plantadeira entregando mais resultado e reduzindo custos com combustível e manutenção. Na colheita, houve o aumento de 25% na média de área colhida por dia, reduzindo em 8 dias a janela de colheita, importante considerando que o período está cada vez mais curto.

Foto: Divulgação / Case IH

Isso tudo garantiu uma economia de 32% no consumo de combustível graças ao acompanhamento em tempo real de toda a frota que, entre diversos benefícios, proporcionou redução do tempo de motor ocioso e melhor uso do maquinário.  

A gestão integrada também impactou positivamente nas despesas gerais. Houve redução de 7% no custo por hectare, uma economia total de mais de R$ 1 mi, em relação ao início do projeto, com impacto significativo em redução de insumos com uso de tecnologia e tomada de decisão baseada em dados gerados em tempo real.

“A safra 22/23 foi a primeira que apresentamos o impacto da conectividade no campo e esses novos dados de crescimento mostram a evolução na rotina da fazenda, principalmente no monitoramento diário de indicadores conectados à operação e na gestão de equipe, com capacitação e desenvolvimento de plano de carreira alinhado aos resultados”, explica Conde.

Sobre a Fazenda Conectada Case IH

Lançada em 2021, a Fazenda Conectada recebeu o projeto 4G TIM no Campo, que permitiu reunir todas as soluções avançadas da Case IH e transformar a fazenda em um verdadeiro laboratório de Agricultura Digital. O objetivo é demonstrar como a conectividade pode aumentar a produtividade no campo, mesmo em uma região que já apresenta alto rendimento safra após safra.

As duas antenas instaladas para o projeto facilitaram o dia a dia de mais de 25 mil habitantes de Água Boa, com sinal de internet para mais de 27 escolas e universidades, além de 10 hospitais e unidades de saúde que não possuíam acesso à rede 4G, mostrando que levar conectividade ao campo também promove benefícios para toda a sociedade do entorno.

Para os próximos ciclos, estão previstos a implantação de novas tecnologias, como o drones de aplicação, a tecnologia de pulverização seletiva SaveFarm, e outras soluções que reforçam o posicionamento da Case IH como líder em inovação no agronegócio.