El Niño requires different strategies for agriculture per region in Brazil

At Embrapa, teams across Brazil’s five regions outlined the risks associated with the 2026/2027 El Niño and developed recommendations to suit each climate and production scenario. The guidance includes the use of the Agricultural Climate Risk Zoning (Zarc), the choice of adapted cultivars, staggered planting, and water and soil management and conservation measures.

While farmers in the Brazilian South must prepare for heavy rains and excess water, in much of the Central-West, North, Northeast, and Southeast, the phenomenon is expected to pose the opposite challenge: water shortages, irregular rainfall, and high temperatures. The differences are not limited to regional boundaries: risks also vary depending on location, crop, production system, and agricultural cycle stage.

The contrasts are evident throughout the map. In the Central-West, the states Mato Grosso and Goiás are at the highest risk of drought, while the southern part of Mato Grosso do Sul is likely to receive more rain. In the Northeast, the concern is the reduced water supply; in the North, falling river levels could affect navigation, transportation, and water supply. The Southeast includes both drier and wetter areas even within the same state, while in the South, excessive rainfall increases the risk of waterlogging, erosion, and crop diseases.

The teamwork unfolded the 163 measures listed by the El Niño Working Group established by the Ministry of Agriculture and Livestock (Mapa) with the participation of approximately 50 professionals from Embrapa and experts from the National Institute of Meteorology (Inmet).

In addition to reducing the impacts of the 2026/2027 El Niño, some of the recommendations can be incorporated into farm planning to improve preparedness for other recurring weather events and conditions.

Foto: Kevin Yung / Pexels.com

R$ 6 bilhões: setor de crédito se prepara para proteger o caixa das agroindústrias

O El Niño pode levar um choque climático da lavoura ao caixa das agroindústrias na safra 2026/27. Dados de órgãos federais apontam que o fenômeno deve ganhar força ao longo do 2º semestre de 2026, justamente durante uma etapa decisiva para o plantio e o desenvolvimento das lavouras. O tamanho potencial do choque ajuda a dimensionar por que o risco deixa de ser apenas agrícola. Um episódio de intensidade muito forte pode reduzir em até 10% a produção brasileira de grãos. Considerando cerca de 320 milhões de toneladas de soja e milho estimadas para a safra 2025/26, o cenário equivaleria a 32 milhões de toneladas potencialmente afetadas. Trata-se de uma estimativa de risco, e não de uma previsão de perda efetiva. O problema é que o El Niño não atinge o campo da mesma maneira em todo o Brasil: historicamente, o fenômeno está associado à redução das chuvas em áreas do Norte e Nordeste e ao aumento das precipitações no Sul.

O primeiro impacto ocorre dentro da porteira, mas pode se espalhar pela cadeia agroindustrial. Menor produtividade, atraso de colheita ou problemas de qualidade alteram o volume e o momento em que a matéria-prima chega às empresas que dependem da safra para manter suas operações. No centro-norte do país, deficiência hídrica e temperaturas elevadas podem comprometer o desenvolvimento das culturas. No Sul, chuvas mais frequentes e volumosas elevam o risco de encharcamento do solo, doenças, dificuldades para entrada de máquinas e atrasos na colheita e no escoamento. Para as agroindústrias, esses efeitos podem se traduzir em necessidade de reorganizar compras, estoques, contratos e entregas, além de pressionar o capital de giro. “O choque começa na produção, mas não termina no campo. Se uma agroindústria recebe menos matéria-prima, recebe mais tarde ou precisa buscar produto em outra região, isso muda o fluxo financeiro da operação. O desafio é ter caixa para atravessar essa mudança sem comprometer fornecedores, estoque e compromissos já assumidos”, afirma Priscila de Freitas, diretora de crédito da Multiplike.

O risco climático encontra ainda uma cadeia que chega à safra pressionada financeiramente. O aumento do endividamento, das renegociações e das recuperações judiciais entre produtores tem levado instituições financeiras a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito. Esse ambiente pode ampliar os efeitos de uma eventual quebra de produção: menos grãos disponíveis ou atrasos na entrega alteram os fluxos de recebimento e pagamento ao longo da cadeia, enquanto empresas compradoras, armazenadoras, processadoras e distribuidoras precisam manter suas próprias obrigações mesmo diante de uma oferta mais irregular. O resultado é um descasamento potencial entre entrada de matéria-prima, geração de receita e necessidade de caixa.

É nesse ponto que o crédito estruturado ganha relevância. “Esperar o impacto aparecer no estoque ou no recebível para buscar capital reduz a margem de reação da empresa. Com um El Niño forte atravessando a formação da safra, a agroindústria precisa projetar não apenas quanto pretende comprar ou processar, mas o que acontece com seu caixa caso a matéria-prima chegue em menor volume, mais tarde ou a um custo diferente do esperado”, afirma Priscila. Nesse tipo de operação, a estrutura de garantias pode combinar imóveis, recebíveis, contratos de venda, estoques e outros ativos, reduzindo a concentração do risco em uma única fonte de pagamento. A Multiplike dispõe de R$ 6 bilhões para operações de crédito estruturado destinadas às agroindústrias em 2026. Em uma safra marcada pela possibilidade de choques climáticos distintos entre as regiões, a disponibilidade de capital passa a ser um dos instrumentos para administrar os efeitos financeiros que começam no campo e avançam sobre toda a cadeia.

Foto: Juan Moccagatta / Pexels.com

Plataforma brasileira de IA ajuda o agronegócio a reduzir perdas e enfrentar impactos do Super El Niño

O agronegócio brasileiro deve enfrentar nos próximos meses um dos ciclos climáticos mais desafiadores das últimas décadas. O Super El Niño, previsto para causar impactos no Brasil entre outubro e novembro, com secas prolongadas, ondas de calor e enchentes regionais, vai afetar lavouras, rebanhos, logística, armazenagem e operações industriais.

Em um cenário em que perdas pós-colheita por falhas de armazenagem e controle podem chegar a 30%, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e em que produtores que mantêm inventários estruturados conseguem reduzir entre 10% e 25% dos custos operacionais anuais, a solução para mitigar riscos está no uso da Inteligência Artificial (IA), como estratégia para manter a resiliência operacional do setor.

É o que defendem os engenheiros Pedro Sobreira, Anderson Santos e Marco Nippashi, executivos fundadores da Eco Inventory, primeira plataforma brasileira que usa IA para gestão de inventário de estoque, inventário de ativos e conciliação contábil. Para eles, que também são ex-executivos das Big Four — grupo formado por KPMG, Deloitte, Ernst & Young (EY) e PricewaterhouseCoopers (PwC) — fortalecer a gestão de ativos, estoques e infraestrutura em fazendas, cooperativas e agroindústrias diante de eventos climáticos extremos, respeitando características locais, é o que pode garantir a continuidade produtiva.

Estudos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do banco internacional Rabobank mostram que produtores com inventários confiáveis evitam compras emergenciais e reduzem desperdícios, enquanto dados da John Deere indicam que o controle de peças e ativos pode diminuir em 40% o tempo de máquinas paradas — um fator crítico quando o clima pressiona janelas de plantio e colheita.

Segundo análises de risco climático, eventos extremos aumentam a vulnerabilidade de máquinas, equipamentos, silos, armazéns, insumos e estoques estratégicos. A falta de visibilidade patrimonial e divergências entre o inventário físico e o contábil podem gerar perdas financeiras significativas, atrasos na produção e dificuldades na comprovação de danos para seguros e auditorias. Em um setor que pode perder até 20% ao ano por furtos, extravios e ativos não localizados, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a gestão patrimonial passa a ser determinante.

Foto: NOAA / Divulgação

“A empresa rural e a agroindústria precisam saber exatamente o que possuem, onde está cada ativo e qual é o nível real de estoque para reagir rapidamente a eventos climáticos extremos. O Super El Niño exige precisão, rastreabilidade e dados confiáveis”, afirma Pedro Sobreira, diretor técnico-operacional da Eco Inventory.

Criada por auditores com mais de 15 anos de experiência, a Eco Inventory nasceu para resolver problemas que o agronegócio enfrenta diariamente, como a falta de controle patrimonial, divergências de estoque, processos manuais e dificuldade de comprovação de perdas. “A resiliência climática começa com informação confiável. O agronegócio brasileiro é gigante, mas ainda sofre com falta de visibilidade patrimonial. A Eco Inventory ajuda o produtor a proteger seu patrimônio e manter a operação funcionando mesmo em cenários extremos”, afirma Sobreira.

Por meio de IA, com funcionamento online e offline, a plataforma acelera o levantamento de danos, a reorganização de ativos e a retomada das operações, reduzindo prejuízos e facilitando processos de indenização — etapa que pode ser agilizada em até 50% quando há documentação estruturada, segundo seguradoras do setor. “Com eventos climáticos afetando transporte e abastecimento, estoques de insumos, sementes, defensivos, fertilizantes e peças de reposição tornam-se críticos e mais caros. A Eco Inventory oferece inventário rápido, preciso e integrado ao Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP), garantindo decisões de compra mais seguras”, sinaliza o diretor.

Embrapa advises farmers on how to reduce the impacts of El Niño in southern Brazil

Given the 97% to 99% probability that the El Niño climate phenomenon will persist through early 2027, seven Embrapa units — Temperate Climate (RS), Forestry (PR), Southern Livestock (RS), Soybean (PR), Swine & Poultry (SC), Wheat (RS), and Grapes and Wine (RS) — have prepared a technical note with recommendations to reduce risks to crop and livestock in the Brazilian Southern Region. The material provides guidance to farmers on preventive measures to minimize losses caused by heavy rains, an increase in the incidence of crop diseases, and other impacts expected for different production systems.

This scenario is highlighted by the U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), which also estimates a 63% probability that the phenomenon will reach very strong intensity between November 2026 and January 2027. For the Southern region, the forecast calls for increased rainfall, more cloud cover, and above-average temperatures during the winter — conditions that could affect various agricultural systems.

The Embrapa research centers responsible for the technical note are part of the Collaborative Platform for Mitigating Adverse Climate Effects on Agriculture and Livestock in Southern Brazil. More than just warning of the risks, the document aims to provide technical information that will enable advance planning of field activities, thereby reducing losses and preventing alarmist interpretations of the effects of El Niño.

According to researcher Gilberto Cunha, an agrometeorologist at Embrapa Wheat, the knowledge gathered over the past few decades enables farmers, technicians, and institutions to take preventive action. The document emphasizes that the inherent uncertainty of weather phenomena should not be a reason for inaction, but rather a reason to strengthen risk management based on scientific evidence and constant monitoring. “Today we know much more about El Niño than we did in the 1980s. The challenge isn’t predicting the phenomenon, but turning that knowledge into decisions in the field”, he adds.

He also points out that the impacts of El Niño are not inevitable. “The knowledge we’ve gained from past events allows us to reduce risks and, in some cases, even take advantage of favorable environmental conditions for certain crops”, Cunha notes.

The strategy proposed by Embrapa combines prevention, mitigation, and risk transfer measures. In addition to good management practices, the technical note emphasizes the importance of agricultural insurance and of making decisions based on official weather forecasts.

Planning is the main tool

General recommendations include complying with the Agricultural Climate Risk Zoning (ZARC) regulations, monitoring forecasts issued by official agencies, carefully planning investments, and participating in rural insurance programs. At the same time, it provides specific guidelines for each production chain, recognizing that the impacts of El Niño vary depending on the characteristics of each crop.

The publication also recommends that farmers adjust their investments and yield expectations to the conditions expected during El Niño years, avoiding decisions based on scenarios of exceptional productivity and tailoring the use of inputs to the crops’ actual potential.

For winter grains, such as wheat, barley, and oats, the guidelines focus on disease prevention, fertilizer management, and harvest planning. As for soybeans, corn, and irrigated rice, the document introduces strategies to reduce losses caused by excessive rainfall, improve drainage in these areas, protect the soil from erosion, and step up phytosanitary monitoring.

In fruit growing, the guidelines cover crops such as grapevines, apple trees, peach trees, olive trees, and pecan trees, with measures focused on orchard drainage, plant health management, soil conservation, and agricultural operations planning. The technical note also devotes specific chapters to forestry, horticulture, pastures, and cover crops, reaffirming specific strategies to adapt to projected climate conditions.

According to researcher Alex Mayer from Embrapa Temperate Agriculture, fruit growing is among the agricultural activities most affected by the impacts associated with El Niño, especially due to excessive rainfall and extreme weather events. “Fruit production is very sensitive. In addition to soil flooding, which can compromise the root system and lead to plant death, losses can also result from strong winds, hail, and erosion, damaging orchards, farming structures, and productivity itself”, he explains.

In addition to technical recommendations for rural properties, the document proposes a broader approach to environmental planning, encouraging actions at the micro-watershed level, soil conservation, strengthening of natural infrastructure, and the adoption of more resilient production systems, such as Agroforestry Systems (AFSs) and Integrated Crop-Livestock-Forestry Systems (ICLFS).

Technology transfer and communication

Another key point in the technical note is the importance of technology transfer and communication with farmers. The Collaborative Platform provides for the ongoing training of technical assistance professionals and the production of easily accessible digital content, apps, and materials to broaden the dissemination of the recommendations.

According to José Reinaldo Moraes, a researcher at Embrapa Temperate Agriculture, “the important message is that, although El Niño requires attention, it is a predictable event and is not synonymous with guaranteed problems, but rather with a shift in risk patterns. Their impacts can be reduced through advance planning, the adoption of good agricultural practices, and access to reliable technical information. These measures are essential for increasing the resilience of production systems in the face of projected climate events”, he notes. 

Cunha states: “We can no longer passively accept the inability to deal with adverse impacts”. In the researcher’s opinion, the lessons learned from past climate events cannot be ignored. On the contrary, they should help us cope with adversity and remain alert and vigilant for any obstacles that may arise during the period of heightened El Niño activity.

Foto: Frederic Hancke / Pexels.com

Excesso de chuvas compromete o acúmulo de ATR e desafia a colheita da cana-de-açúcar

As condições climáticas têm imposto um novo desafio ao setor sucroenergético brasileiro. Em um período tradicionalmente marcado por temperaturas mais amenas e redução das chuvas, favoráveis ao acúmulo de sacarose na cana-de-açúcar, a safra 2026/27 vem sendo marcada por um volume de chuvas acima do esperado para a época e elevada umidade do solo. O cenário prolonga o crescimento vegetativo da cultura, retarda a maturação e limita o acúmulo de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), principal indicador da qualidade da matéria-prima destinada à produção de açúcar e etanol.

Segundo o engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA, Michel Tomazela, a instabilidade climática tornou a definição da janela ideal de colheita um dos principais desafios da safra. “Antes era mais fácil prever como a lavoura iria evoluir. Hoje, a cada previsão de chuva, aumento da umidade ou mudança nas condições do tempo, aumenta a incerteza sobre o comportamento da maturação. Quando essa previsibilidade diminui, cresce o risco de perder parte do potencial de ATR que a cana construiu ao longo da safra. Nesse cenário, identificar o momento que entrega mais valor para a operação é fundamental. Essa decisão deve considerar o comportamento da lavoura, as condições climáticas e uma estratégia de colheita bem planejada”, afirma.

Previsão climática mantém o setor em alerta e impacta diretamente a rentabilidade

As perspectivas para as próximas semanas indicam que o desafio deve continuar. De acordo com informações da Rural Clima, a segunda quinzena de julho marcou o retorno das chuvas em importantes regiões produtoras de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A tendência é que esse padrão também se estenda ao Centro-Oeste no início de agosto, sob influência do El Niño.

Embora a disponibilidade hídrica seja importante para o desenvolvimento da cultura, a manutenção da umidade durante um período em que normalmente predomina o clima seco retarda a concentração natural de açúcares e exige ainda mais atenção ao planejamento da colheita.

O excesso de umidade altera o comportamento fisiológico da planta. Em vez de concentrar seus recursos no acúmulo de sacarose nos colmos, a cana mantém o crescimento vegetativo, atrasando a maturação. “Como consequência, a concentração de açúcar diminui justamente no período em que o setor espera obter os maiores índices de ATR, impedindo que a cana atinja o ponto ideal de colheita no tempo esperado. Se a colheita for antecipada para atender ao cronograma industrial, a matéria-prima pode chegar à usina com menor teor de sacarose e menor potencial de ATR”, explica Tomazela.

Além dessa redução, o encharcamento do solo dificulta a oxigenação das raízes, favorece a ocorrência de doenças e compromete as operações no campo. Nessas condições, o tráfego de máquinas torna-se mais difícil, provocando atrasos na colheita, aumento dos custos operacionais e interferindo diretamente no planejamento das usinas.

Os impactos se estendem por toda a cadeia produtiva. Como o ATR determina a quantidade de açúcar recuperável por tonelada de cana, sua redução afeta diretamente a rentabilidade da operação, o rendimento industrial e a competitividade do setor.

“Produzir grande volume de cana já não é suficiente. O que determina o retorno econômico é a qualidade da matéria-prima. O ATR é o indicador que transforma produtividade em rentabilidade”, explica Tomazela.

Quando a concentração de sacarose é menor, a indústria precisa processar um volume maior de cana para produzir a mesma quantidade de açúcar ou etanol. Isso aumenta os custos industriais, reduz a eficiência operacional e pode comprometer os resultados econômicos tanto das usinas quanto dos produtores.

Manejo da maturação ganha importância diante da variabilidade climática

Diante desse cenário, cresce a importância de estratégias capazes de reduzir os efeitos da variabilidade climática sobre a maturação da cana e preservar o potencial de ATR.

No Centro-Sul, a maturação ocorre naturalmente entre o outono e o inverno, quando temperaturas mais amenas e menor disponibilidade hídrica favorecem o acúmulo de sacarose. Nesta safra, no entanto, as chuvas frequentes e a elevada umidade alteraram esse padrão, dificultando a evolução da maturação e, consequentemente, o acúmulo de ATR, tornando a definição da janela de colheita ainda mais complexa.

Para enfrentar esse desafio, o consultor da MS Fernandes Consultoria Agrícola, Michel da Silva Fernandes, destaca que o manejo da maturação deve fazer parte de uma estratégia integrada de produção, associada ao controle de plantas daninhas, pragas e doenças, ao manejo nutricional e à escolha adequada das variedades, com o objetivo de favorecer o acúmulo de sacarose e preservar o potencial de ATR.

Os maturadores podem ser utilizados em diferentes fases da safra. No início do ciclo, ajudam a reduzir o crescimento vegetativo. No meio da safra, favorecem a maturação em regiões com outono e inverno chuvosos. Já no final, contribuem para inibir a retomada do desenvolvimento da planta, preservando níveis elevados de sacarose por mais tempo e ampliando a flexibilidade para definir a melhor janela de colheita, mesmo em cenários de maior instabilidade climática.

Entre as tecnologias utilizadas nesse manejo está o maturador sistêmico RIPER, da IHARA, desenvolvido para auxiliar produtores e usinas no planejamento da maturação ao longo da safra. Utilizado no início, no meio ou no final do ciclo, o produto permite maior flexibilidade na definição da janela de colheita, possibilitando adequar a estratégia às condições climáticas e ao potencial de maturação dos canaviais.

Em condições favoráveis de manejo, o RIPER pode proporcionar incrementos de 4% a 8% no teor de ATR, elevando a produção de toneladas de açúcar por hectare (TAH) e a rentabilidade da operação.

Para Tomazela, em um cenário de maior variabilidade climática, preservar a qualidade da matéria-prima tornou-se tão importante quanto alcançar elevados índices de produtividade. “Hoje, o desafio não é apenas produzir mais cana, mas colher no momento certo. O planejamento da maturação, aliado ao uso estratégico de tecnologias, permite aproveitar melhor o potencial da lavoura, aumentar o rendimento industrial e reduzir os impactos provocados pelas oscilações do clima”, conclui.

Grupo Labhoro: mais do que área, próxima safra será definida pela tecnologia e qualidade das decisões

Com uma visão ampla, integrada e multidimensional dos mercados agrícolas globais, o Grupo Labhoro acompanha simultaneamente o desenvolvimento da safra do Hemisfério Norte e a construção da safra brasileira 2026/27. Mais do que observar acontecimentos isolados, a empresa integra informações sobre clima, oferta e demanda, geopolítica, logística, macroeconomia e fluxo financeiro para compreender como esses fatores moldam o ambiente que antecede a próxima safra sul-americana.

Nesse contexto, os levantamentos mais recentes do USDA indicam que 67% das lavouras de milho e 66% das lavouras de soja nos Estados Unidos encontram-se classificadas entre boas e excelentes, corroborando um cenário até então favorável para o potencial produtivo da safra norte-americana.

Paralelamente, há meses a equipe de Inteligência de Mercado da Labhoro acompanha indicadores como o U.S. Drought Monitor, mapas de anomalias de temperatura, precipitação e umidade do solo, alertando seus clientes para a possibilidade de temperaturas acima da média histórica, episódios de estresse térmico e restrição de chuvas em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos, da Europa e de partes do Canadá.

Embora estes indicadores de lavoura sustentem uma perspectiva favorável para a safra norte-americana, a evolução das áreas afetadas por temperaturas acima da média histórica e chuvas restritas já exige maior atenção dos participantes do mercado. E é exatamente isso que vem acontecendo: uma transição sendo construída através de especulações climáticas. 

Caso as condições climáticas persistam ou se intensifiquem nas próximas semanas, parte do potencial produtivo das lavouras é impactado, influenciando a percepção de risco dos agentes de mercado e ampliando a volatilidade das commodities agrícolas.

Para a Labhoro, esse acompanhamento vai muito além da safra norte-americana. O comportamento das lavouras nos Estados Unidos, aliado às condições produtivas observadas na Europa e em partes do Canadá, contribui para formar o ambiente de mercado que antecede a construção da próxima safra sul-americana. Muito antes do início do plantio, decisões relacionadas ao crédito, aquisição de insumos, formação do pacote tecnológico, comercialização, gestão de riscos e planejamento financeiro já vêm sendo tomadas pelas famílias produtoras e terão influência direta sobre o desempenho da próxima temporada.

Enquanto parte do mercado acompanha a evolução da área cultivada como principal indicador para estimar o potencial da safra brasileira de soja 2026/27, o Grupo Labhoro direciona sua atenção para uma variável que considera ainda mais determinante para o desempenho da próxima temporada: a intensidade tecnológica que sustentará essa área e a qualidade das decisões estratégicas tomadas ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na avaliação do grupo, a evolução da área plantada continuará sendo um importante indicador para a formação da oferta e, consequentemente, para a dinâmica de precificação das commodities agrícolas. Entretanto, analisar exclusivamente o crescimento ou não da área poderá levar o mercado a uma leitura incompleta do cenário que está sendo construído para a próxima safra.

Mais do que discutir sobre a área a ser cultivada, será necessário compreender como a gestão será conduzida. É justamente nesse ponto que a Labhoro identifica um dos principais desafios para a temporada 2026/27.

Área deverá continuar crescendo, mas em um novo ambiente econômico

Os levantamentos realizados pela mesa de inteligência do Grupo Labhoro nas principais regiões produtoras indicam que, neste momento, não há evidências de uma retração estrutural da área nacional destinada ao cultivo de soja.

A projeção preliminar da empresa aponta para uma área próxima de 49,1 milhões de hectares, sustentada principalmente pela continuidade da abertura de novas fronteiras agrícolas e pela incorporação gradual de novas áreas produtivas ao sistema agrícola brasileiro.

Ao mesmo tempo, a empresa observa um movimento consistente de readequação econômica dos contratos de arrendamento. Em diversas regiões do país, produtores vêm renegociando contratos firmados em um contexto econômico completamente diferente daquele vivido atualmente. Custos de produção mais elevados, mudanças na relação de troca, maior seletividade do crédito e margens significativamente mais estreitas fizeram com que muitos contratos deixassem de apresentar sustentabilidade econômica.

Em alguns casos ocorre a devolução de áreas e em outros se observa um processo intenso de renegociação dos valores de arrendamento, em uma tentativa de tornar a atividade economicamente viável.

Na avaliação da Labhoro, esse movimento representa muito mais uma adaptação à nova realidade econômica do agronegócio do que um processo consistente de redução da área cultivada no país.

Tecnologia aplicada deverá ser o principal diferencial da próxima safra

Na avaliação do Grupo Labhoro, a principal variável da safra 2026/27 não será apenas o tamanho da área cultivada, mas a intensidade tecnológica empregada ao longo de todo o ciclo produtivo.

Historicamente, o crescimento da produção brasileira esteve associado tanto à expansão territorial quanto à incorporação de tecnologias capazes de elevar a produtividade das lavouras. Entretanto, o atual ambiente econômico impõe uma nova realidade aos produtores. Margens mais apertadas, custos crescentes, juros altos, maior seletividade na concessão de crédito tornam as decisões sobre investimento cada vez mais criteriosas.

Nesse cenário, o desafio deixa de ser apenas produzir mais. Passa a ser produzir melhor, utilizando os recursos disponíveis de forma estratégica e economicamente eficiente.

Segundo a Labhoro, observa-se um movimento crescente de racionalização dos investimentos em diversas regiões produtoras. A preocupação não está apenas na quantidade de tecnologia utilizada, mas também na qualidade das decisões relacionadas ao pacote tecnológico que será adotado.

Em algumas propriedades, essa estratégia poderá resultar na redução da população de plantas, em ajustes na adubação, na postergação de investimentos, na escolha de materiais genéticos mais compatíveis com a realidade econômica de cada região ou mesmo em alterações no manejo fitossanitário. Em outras, produtores poderão optar por manter elevados níveis tecnológicos justamente para preservar o potencial produtivo e diluir custos fixos.

Essa heterogeneidade torna a leitura da próxima safra muito mais complexa do que simplesmente analisar o crescimento da área cultivada.

Para a Labhoro, dois produtores com a mesma área podem obter resultados completamente distintos em função das decisões tomadas antes e durante o desenvolvimento das lavouras.

É justamente essa diferença na intensidade tecnológica e na gestão da propriedade que deverá explicar boa parte da variabilidade de produtividade observada entre regiões e sistemas produtivos na safra 2026/27.

Crédito mais seletivo exige planejamento

Outro fator que merece atenção é o ambiente financeiro. Nos últimos anos, o produtor rural passou a conviver com uma realidade bastante diferente daquela observada durante o período de juros historicamente baixos. O aumento do custo do capital elevou significativamente o peso das despesas financeiras dentro do custo de produção, tornando o planejamento ainda mais relevante.

Além disso, observa-se um mercado de crédito mais seletivo. Instituições financeiras, tradings, cooperativas e fornecedores passaram a ampliar seus critérios de avaliação de risco, exigindo maior capacidade de gestão, planejamento financeiro e organização das informações por parte dos produtores.

Na avaliação da Labhoro, esse novo ambiente não deverá reduzir apenas o acesso aos recursos financeiros. Ele também tende a influenciar diretamente o nível tecnológico empregado nas lavouras, especialmente entre produtores com maior restrição de capital.

Ao mesmo tempo, produtores que conseguiram preservar liquidez, planejamento e capacidade de investimento poderão transformar esse cenário em vantagem competitiva, mantendo elevados níveis tecnológicos e capturando ganhos de produtividade em relação à média do mercado.

Mais uma vez, a diferença não estará necessariamente na área cultivada, mas na qualidade das decisões tomadas ao longo de todo o processo produtivo.

Gestão passa a ser tão importante quanto produzir

Na avaliação do Grupo Labhoro, a agricultura brasileira entra em uma nova fase. Se durante muitos anos o crescimento da produção esteve fortemente associado à expansão da área e ao avanço tecnológico praticamente uniforme, o cenário atual exige uma combinação muito mais sofisticada entre gestão financeira, inteligência de mercado, mitigação de riscos, planejamento comercial, eficiência operacional e tecnologia.

Nesse ambiente, produzir bem continuará sendo indispensável. Mas produzir com estratégia, disciplina financeira e capacidade de adaptação às mudanças de mercado poderá representar o verdadeiro diferencial competitivo da próxima safra.

É justamente essa combinação entre tecnologia, gestão e tomada de decisão que, na visão da Labhoro, deverá definir os resultados econômicos da safra brasileira 2026/27.

Entretanto, mesmo as melhores decisões de gestão precisam conviver com fatores que escapam ao controle do produtor. É nesse momento que o monitoramento contínuo do ambiente climático e geopolítico global ganha importância crescente na construção dos cenários de mercado.

Climatologia continua sendo uma das principais variáveis da próxima safra

Embora a construção da safra brasileira ainda esteja em sua fase inicial, o cenário climático permanece entre as principais variáveis monitoradas pela mesa de Inteligência de Mercado do Grupo Labhoro.

Esse acompanhamento não se restringe ao território brasileiro. A equipe monitora continuamente a evolução das condições climáticas no Hemisfério Norte, especialmente nos Estados Unidos, além de importantes regiões produtoras da Europa e de partes do Canadá, avaliando indicadores como o U.S. Drought Monitor, mapas de anomalias de temperatura, precipitação, umidade do solo e previsões climáticas de curto, médio e longo prazo.

Esse trabalho permitiu à Labhoro alertar seus clientes, ainda nos últimos meses, para a possibilidade de temperaturas acima da média histórica, restrição de chuvas e episódios de estresse térmico em importantes regiões produtoras do Hemisfério Norte, fatores que permanecem sendo acompanhados diariamente pela equipe.

Mais do que avaliar o impacto agronômico dessas condições, a empresa acompanha como esses eventos alteram a percepção de risco dos participantes do mercado, influenciando o comportamento dos fundos de investimento, das tradings, da indústria e dos agentes financeiros.

Na avaliação da Labhoro, compreender essa dinâmica é tão importante quanto acompanhar a evolução das lavouras.

El Niño no radar

Além das condições observadas no Hemisfério Norte, outro fator acompanhado permanentemente pela equipe de Inteligência de Mercado é a evolução dos fenômenos climáticos associados ao Oceano Pacífico.

Embora ainda exista elevado grau de incerteza sobre o comportamento climático durante o desenvolvimento da safra sul-americana, qualquer alteração no padrão oceânico-atmosférico poderá modificar significativamente o regime de chuvas, a distribuição das temperaturas e o potencial produtivo das principais regiões agrícolas brasileiras.

Para a Labhoro, mais importante do que antecipar um fenômeno climático é acompanhar continuamente sua evolução, atualizando cenários à medida que novas informações são incorporadas ao mercado.

Essa leitura dinâmica permite que produtores, cooperativas, tradings, agroindústrias e demais participantes da cadeia ajustem suas estratégias comerciais e de gestão de risco de forma mais eficiente.

Geopolítica continua influenciando o mercado das commodities

Outro componente que permanece no radar da Labhoro é o ambiente geopolítico internacional.

Nos últimos anos, conflitos armados, restrições logísticas, sanções econômicas, alterações em corredores marítimos e mudanças nas relações comerciais entre países demonstraram que o mercado agrícola responde cada vez mais rapidamente aos riscos globais.

Mais recentemente, a intensificação dos ataques na região de Odessa e do Mar Negro, os riscos envolvendo importantes corredores marítimos internacionais, incluindo o Estreito de Ormuz, além das preocupações climáticas observadas nos Estados Unidos, Europa e Canadá, reforçaram a percepção de risco dos agentes financeiros.

Em diversos momentos, esses fatores provocam movimentos relevantes nos mercados futuros antes mesmo que ocorram alterações concretas na oferta ou na demanda mundial.

Na avaliação da Labhoro, compreender esse ambiente tornou-se indispensável para qualquer estratégia de comercialização e gestão de risco.

Foto: Hugo Magalhães / Pexels.com

Mercado negocia expectativas, risco e percepção

Ao contrário da percepção de parte dos participantes, os preços das commodities agrícolas não refletem apenas a realidade presente das lavouras.

Os mercados negociam expectativas, cenários, probabilidades e principalmente percepção de risco. Por esse motivo, mudanças nas condições climáticas, tensões geopolíticas, alterações na política monetária, oscilações cambiais ou movimentos dos fundos de investimento frequentemente antecipam variações de preços muito antes que seus efeitos sejam observados na produção agrícola.

Segundo a Labhoro, interpretar corretamente esses sinais tornou-se uma das principais vantagens competitivas para empresas, cooperativas, distribuidores, agroindústrias e produtores rurais. É justamente essa integração entre fundamentos, climatologia, geopolítica, fluxo financeiro e inteligência de mercado que sustenta as análises desenvolvidas pela empresa.

Fator humano continua sendo decisivo

Mesmo diante do avanço tecnológico observado na agricultura brasileira, a próxima safra continuará sendo fortemente influenciada pelas decisões humanas.

A escolha do pacote tecnológico, o momento de comercialização, a contratação de operações de hedge, a gestão financeira, o planejamento tributário, o acesso ao crédito, a formação das equipes e a capacidade de adaptação às mudanças de mercado continuarão exercendo influência direta sobre os resultados econômicos da atividade.

Na visão da Labhoro, tecnologia produz eficiência. Gestão produz competitividade, mas são as decisões tomadas diariamente pelos produtores e gestores que transformam potencial produtivo em resultado econômico.

Todo esse conjunto de fatores reforça uma conclusão importante: estimar a próxima safra brasileira exige muito mais do que projetar área cultivada ou produtividade potencial.

É necessário compreender como clima, tecnologia, crédito, geopolítica, fluxo financeiro, comportamento dos agentes econômicos e qualidade da gestão interagem na formação do ambiente de mercado.

É justamente essa visão integrada que sustenta as projeções e análises desenvolvidas pelo Grupo Labhoro para a safra brasileira 2026/27.

Projeções preliminares indicam crescimento da produção, mas cenário permanece dinâmico

Com base nos levantamentos realizados até o momento, o Grupo Labhoro projeta que a safra brasileira de soja 2026/27 deverá registrar novo crescimento de produção, sustentado principalmente pela continuidade da expansão da área cultivada e pelo elevado potencial produtivo da agricultura brasileira.

Entretanto, a empresa ressalta que esta é uma projeção preliminar, construída a partir das informações atualmente disponíveis. Ao longo dos próximos meses, fatores como comportamento climático, intensidade tecnológica empregada nas lavouras, disponibilidade de crédito, dinâmica dos mercados internacionais, geopolítica, custos de produção e decisões de gestão poderão alterar o potencial produtivo inicialmente estimado.

Na avaliação da Labhoro, a próxima safra deverá ser acompanhada de forma ainda mais dinâmica do que em anos anteriores, exigindo atualização permanente dos cenários e rápida capacidade de adaptação por parte dos agentes da cadeia do agronegócio.

Mais do que buscar respostas definitivas neste momento, o mercado deverá acompanhar continuamente a evolução dos indicadores que efetivamente determinarão o comportamento da produção brasileira ao longo da temporada.

Visão da Labhoro

Para o Grupo Labhoro, a safra brasileira começa muito antes da entrada das máquinas no campo. Ela começa quando produtores, cooperativas, distribuidores, agroindústrias, tradings e instituições financeiras iniciam suas decisões de crédito, comercialização, aquisição de insumos, definição do pacote tecnológico, gestão financeira e mitigação de riscos.

Começa também na leitura dos sinais emitidos pelos mercados internacionais, pela climatologia, pela geopolítica, pela macroeconomia e pelo comportamento dos agentes financeiros.

Por isso, estimar uma safra exige muito mais do que projetar área plantada ou produtividade potencial. Exige compreender como todos esses fatores interagem entre si e influenciam o ambiente de decisão ao longo de todo o ciclo produtivo.

Na visão da Labhoro, a agricultura moderna deixou de ser definida apenas pelo que acontece dentro da porteira. Hoje, competitividade também depende da capacidade de interpretar informações, antecipar tendências, gerenciar riscos e transformar inteligência em estratégia.

É justamente essa abordagem que orienta o trabalho da empresa há mais de três décadas, acompanhando diariamente os mercados agrícolas nacionais e internacionais para apoiar decisões mais seguras, consistentes e sustentáveis em toda a cadeia do agronegócio.

Seguro contra catástrofes: especialista defende modelo com regras sólidas e riscos compartilhados

Os eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e intensos, têm ampliado os prejuízos econômicos e sociais em diversas regiões do país e colocado em evidência a necessidade de mecanismos capazes de garantir uma resposta financeira mais rápida e eficiente às vítimas. Nesse contexto, o governo federal e representantes do mercado segurador discutem a criação de um sistema nacional de proteção financeira contra catástrofes, inspirado em modelos internacionais que combinam a atuação do mercado de seguros, resseguros, Estado e instrumentos do mercado de capitais para reduzir a chamada “lacuna de proteção” existente no Brasil.

Para a advogada Simone Sampietri Creoruska, especialista em Seguros e Resseguros do escritório Barcellos Tucunduva, a proposta representa um avanço importante na forma como o país poderá enfrentar os impactos financeiros provocados por enchentes, deslizamentos, secas severas e outros desastres naturais. Segundo ela, atualmente grande parte dos prejuízos acaba sendo absorvida diretamente pelo Poder Público e pelas próprias vítimas, o que torna a recuperação mais lenta e onerosa.

Na avaliação da especialista, o sistema funcionaria como uma estrutura organizada de compartilhamento de riscos. As seguradoras assumiriam uma primeira camada das perdas por meio da oferta de produtos acessíveis e padronizados para pessoas físicas, empresas e entes públicos, enquanto as resseguradoras absorveriam parte significativa dos prejuízos de maior severidade, ampliando a capacidade do mercado sem comprometer sua solvência. “Esse compartilhamento é essencial porque eventos catastróficos provocam perdas extremamente elevadas e atingem milhares de pessoas simultaneamente, exigindo uma distribuição mais eficiente dos riscos”, explica.

Outro elemento considerado estratégico é a utilização de instrumentos do mercado de capitais para ampliar a capacidade de financiamento do sistema. A advogada destaca que, diante de prejuízos potencialmente bilionários, mecanismos como seguros paramétricos, Letras de Crédito do Seguro (LCS) e, futuramente, títulos vinculados a riscos de seguros, como os Insurance-Linked Securities (ILS) e os catastrophe bonds (cat bonds), podem complementar o resseguro tradicional ao atrair investidores para dividir parte dessa exposição financeira. Ela ressalta, contudo, que ainda não há definição sobre quais instrumentos efetivamente integrarão o modelo brasileiro, sendo necessária uma avaliação técnica conjunta entre governo e mercado.

Creoruska observa que o Brasil pode aproveitar experiências internacionais bem-sucedidas sem necessariamente reproduzi-las integralmente. Países como Espanha e França desenvolveram sistemas que combinam participação estatal e mercado segurador para cobrir riscos extraordinários, enquanto o Caribe utiliza seguros paramétricos para garantir liquidez imediata após grandes desastres. “O importante é construir um modelo compatível com a realidade brasileira, baseado em boa governança, previsibilidade de financiamento e adequada distribuição dos riscos entre todos os participantes”, afirma.

Apesar do potencial da iniciativa, Simone alerta que a implementação dependerá da superação de importantes desafios jurídicos e regulatórios. Entre eles estão a definição das fontes permanentes de financiamento, das responsabilidades de cada agente envolvido, dos riscos efetivamente cobertos, dos critérios de indenização e da estrutura de governança e fiscalização. Segundo ela, experiências brasileiras de grande alcance social demonstram que mecanismos dessa natureza exigem regras institucionais sólidas para garantir sustentabilidade financeira e segurança jurídica ao longo do tempo.

A advogada acrescenta que os contratos também precisarão estabelecer com precisão quais eventos estarão cobertos, quais serão os gatilhos para pagamento das indenizações, como ocorrerá a apuração das perdas e quem serão os beneficiários, reduzindo o risco de litígios futuros. Além disso, destaca que o fortalecimento da cultura do seguro será indispensável para o sucesso do modelo. “Se o seguro permanecer caro, complexo ou pouco difundido, continuará existindo uma grande lacuna de proteção. O sistema precisa estar associado à educação securitária, incentivos adequados e políticas públicas de prevenção, adaptação climática e gestão de riscos”, observa.

Para Simone, a criação de um sistema brasileiro de proteção financeira contra catástrofes representa uma evolução necessária diante da crescente exposição do país aos eventos climáticos extremos. Ela lembra que as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 evidenciaram essa vulnerabilidade: embora as perdas econômicas tenham sido estimadas em cerca de R$ 100 bilhões, apenas aproximadamente 6% desse valor estava coberto por seguros, fazendo com que a maior parte dos prejuízos recaísse diretamente sobre famílias, empresas e o Poder Público. “O grande desafio agora é transformar essa percepção de urgência em uma arquitetura institucional capaz de conciliar proteção social, segurança jurídica, sustentabilidade financeira e fortalecimento da resiliência do país diante das mudanças climáticas”, conclui.

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Startup nordestina usa inteligência artificial para proteger agricultura das emergências climáticas

Uma tecnologia de inteligência climática desenvolvida pela startup brasileira i4sea, já aplicada em operações portuárias no litoral, começa a ser levada pela empresa ao interior do país, para a agricultura. A solução, que capta informações de estações meteorológicas, radares e sensores em geral, transformando-as em dados hiperlocais (em raios de um quilômetro), oferece previsões do tempo mais específicas para o território monitorado e para intervalos cronológicos que vão de algumas horas a 15 dias próximos.

A tecnologia da i4sea é utilizada por operadores em portos brasileiros, como o de Santos (SP), maior da América Latina, e do Açu (RJ); ainda, do Porto de Roterdã (Holanda), o maior da Europa. Mineradoras, como a Vale, e empreendimentos de energia eólica offshore (no mar) também são usuárias da inteligência climática desenvolvida pela startup, fundada em 2015 em Salvador (BA), onde mantém sua sede.

Todas essas operações marítimas e de mineração, bem como as agrícolas, estão expostas às condições do tempo. Com a previsão mais específica e precisa proporcionada pela tecnologia da i4sea, os operadores conseguem planejar seu funcionamento, prevenindo-se de eventuais riscos meteorológicos e tomando decisões como suspender ou retomar as atividades na hora e na medida certas, conforme ressalta o cofundador e CEO da i4sea, Mateus Lima.

Para o agro, a solução tem impacto positivo ainda mais significativo. Ocorre que a atividade é uma das mais afetadas pelas emergências climáticas, como adverte a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo a Embrapa, apenas 5% das áreas agrícolas do Brasil dispõem de sistemas de irrigação – ou seja, os outros 95% delas são dependentes do regime de chuvas, cada vez mais instável e sujeito a eventos extremos.

“O setor agropecuário é diretamente influenciado por fatores climáticos como chuva, umidade do solo e do ar, ventos, temperatura e radiação solar. As mudanças climáticas têm provocado alterações na incidência e frequência de eventos extremos, como alagamentos, secas e geadas, bem como modificado o ciclo de pragas e doenças na lavoura, que impactam diretamente a produção”, assinala a instituição.

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Por isso, além da inteligência climática hiperlocal, para o agro a startup entende a necessidade de fornecimento de dados e informações que tracem um cenário em médio e longo prazo. Afinal, explica o CEO da i4sea, diferentemente de operações em que as ações dizem respeito às condições de momento (paralisar ou retomar um embarque ou desembarque portuário, por exemplo), nas atividades agrícolas as decisões são mais estruturais – como a opção por uma ou outra cultura de plantio.

A i4sea é um dos empreendimentos que estão tornando o Nordeste do Brasil referência quando o assunto são polos de inovação. Segundo dados do Sebrae Startups Report, o Nordeste já concentra cerca de 25% das startups brasileiras; uma em cada quatro startups está em um dos estados nordestinos.

Investidora da i4sea, a casa de investimentos Lighthouse tem foco justamente no Nordeste do país. Especializada em Venture Capital, em menos de dez anos estruturou fundo de investimento direcionado à região, o qual soma R$ 100 milhões de capital autorizado. Para os sócios fundadores da Lighthouse, a casa de investimentos constatou na startup de inteligência climática potencial empresarial e de forte impacto socioambiental.

“Trata-se de uma solução que concilia conhecimento científico, das áreas de Oceanografia e Climatologia, com inovação tecnológica”, sublinha um dos sócios da Lighthouse, Gustavo Menezes. “Ela tem proporcionado a players dos principais portos do Brasil e do mundo realizarem suas operações, antecipando-se a eventos climáticos. Isso é segurança e eficiência operacional. Com ocorrências climáticas cada vez mais extremas, é uma solução indispensável”, afirma.

Calor recorde aumenta pressiona o campo e acelera busca por eficiência no uso de insumos

O anúncio recente de que a Terra registrou níveis recordes de acúmulo de calor em 2025, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), acende um alerta que vai além dos debates ambientais e já impacta diretamente setores estratégicos da economia. Entre os mais sensíveis a essa mudança está o agronegócio, que começa a sentir de forma mais intensa os efeitos de um clima cada vez mais imprevisível.

Na prática, o aumento das temperaturas e a maior frequência de eventos extremos têm alterado o comportamento das lavouras, favorecendo a proliferação de pragas, o surgimento de novas doenças e o estresse hídrico das plantas. O resultado aparece na redução da produtividade, no aumento dos custos e na dificuldade de planejamento por parte dos produtores.

Esse cenário tem exigido uma mudança de mentalidade no campo. Mais do que intensificar o uso de insumos, o momento pede eficiência. A forma como os produtos são aplicados, absorvidos e aproveitados pelas plantas passa a ser um fator decisivo para garantir resultado em um ambiente cada vez mais adverso.

De acordo com especialistas do setor, o impacto do calor não se limita ao desenvolvimento das culturas, mas também interfere diretamente na performance das soluções utilizadas no manejo agrícola. “Quando falamos em aumento de temperatura, estamos falando também de maior volatilização, menor absorção e maior risco de perda de eficiência dos insumos. Em um cenário como esse, não basta aplicar, é preciso garantir que aquilo que foi aplicado realmente gere resultado”, Loremberg Moraes diretor da Hydroplan-EB, Há 26 anos no agronegócio brasileiro, a empresa combina inovação, sustentabilidade e tecnologia para impulsionar resultados no campo.

Diante dessa nova realidade, tecnologias voltadas para a melhoria da eficiência de aplicação têm ganhado espaço no campo. Soluções que potencializam a aderência, aumentam a absorção e reduzem perdas passam a desempenhar um papel estratégico, ajudando o produtor a extrair mais resultado com o mesmo investimento.

Além de contribuir para a produtividade, esse movimento também dialoga com uma demanda crescente por práticas mais sustentáveis. Reduzir desperdícios e otimizar recursos torna-se não apenas uma vantagem competitiva, mas uma necessidade diante das mudanças climáticas.

Com o avanço do aquecimento global e a tendência de maior instabilidade climática nos próximos anos, especialistas apontam que o agro deve continuar na linha de frente dos impactos e também das soluções. Mais do que nunca, produzir bem passa a depender de inteligência no manejo e eficiência em cada etapa do processo.

Clima instável, com chuvas irregulares e estiagem, é responsável por queda na projeção da safra

A projeção da safra brasileira de grãos para 2026 foi revisada para baixo, refletindo um cenário de maior pressão climática e fitossanitária ao longo do ciclo produtivo. Segundo estimativa do IBGE, a produção deve alcançar 344,1 milhões de toneladas, queda de 0,6% em relação ao recorde de 346,1 milhões registrado em 2025, mesmo com a expansão de 1,6% na área colhida, que chega a 82,9 milhões de hectares.

A revisão negativa é explicada principalmente pela redução na produtividade de culturas relevantes, impactadas por condições climáticas adversas e aumento da incidência de pragas. No Centro-Oeste, a irregularidade nas chuvas e na estiagem compromete o desenvolvimento das lavouras, especialmente de milho e arroz. A produção de milho deve somar 134,3 milhões de toneladas, queda de 5,3% frente ao ciclo anterior, enquanto o arroz registra recuo ainda mais acentuado, de 8,0%.

Em contrapartida, a soja segue como destaque positivo, com estimativa recorde de 173,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual. Ainda assim, o bom desempenho da oleaginosa não foi suficiente para compensar as perdas nas demais culturas.

Apesar das baixas, Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, enxerga força na safra e associa este crescimento à qualidade dos insumos utilizados. “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura. Em um cenário de clima instável, acertar nessas decisões deixa de ser recomendação e passa a ser condição básica para o sucesso da safra”, afirma.

A segunda safra de milho, conhecida como safrinha e responsável por cerca de 79% da produção nacional do cereal, concentra grande parte das preocupações. A produção está estimada em 105,4 milhões de toneladas, com retração de 9,1%, influenciada por atrasos no plantio após a colheita da soja e pelo aumento da pressão de pragas no início do ciclo.

Levantamentos recentes indicam que a colheita da safra de verão no Centro-Sul avança dentro da normalidade, atingindo 48,7% da área até meados de março, em linha com o mesmo período do ano passado. Apesar disso, o ritmo ainda é desigual entre as regiões, com estados do Sul mais avançados, enquanto áreas do Centro-Oeste apresentam início mais lento dos trabalhos.

No campo, o cenário é de maior complexidade. A pressão de pragas está mais regionalizada e intensa, com destaque para percevejos, corós, lesmas, roedores e a cigarrinha-do-milho. Esta última, inclusive, acumulou prejuízos bilionários nas últimas safras, reduzindo significativamente a produtividade média nacional.

A presença de palhada deixada pela soja, embora essencial para a conservação do solo, tem favorecido a proliferação de pragas, exigindo mudanças no manejo. A recomendação técnica é intensificar o monitoramento desde antes da semeadura e adotar estratégias mais rigorosas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), com inspeções frequentes e ações preventivas.

Na cultura da soja, o aumento da incidência de doenças como a ferrugem asiática também pressiona os custos de produção, podendo representar parcela significativa dos gastos da lavoura em cenários mais críticos. Isso reforça a necessidade de planejamento antecipado e uso de tecnologias com diferentes modos de ação.

Foto: Mirko Fabian / Pexels.com

Diante desse contexto, produtores devem redobrar a atenção ao manejo agronômico, adotando práticas que integrem monitoramento intensivo, controle biológico, rotação de defensivos e uso de variedades adaptadas às condições regionais. A combinação desses fatores será determinante para mitigar riscos e preservar o potencial produtivo da safra 2026.

Douglas Vaz-Tostes reforça a capacidade de adaptação do agro brasileiro. “A agricultura nacional já provou que cresce mesmo em cenários adversos. Na safra 2025/26, o protagonismo do produtor dependerá da soma entre conhecimento técnico, escolhas estratégicas e eficiência no manejo. Quem age com precisão não apenas fortalece a safra atual, mas amplia seu potencial futuro em um setor que continua sendo o motor econômico do país”, finaliza.