A Polícia Federal (PF) deflagrou duas operações direcionadas ao combate de crimes ambientais e à preservação dos recursos naturais na Região Amazônica. As ofensivas — batizadas de Operação Aurum Tapajós e Operação Guardião Infiel — têm como foco estancar a exploração ilegal de ouro e o desmatamento clandestino de madeira nativa em territórios protegidos pela União.
As ações reforçam a intensificação da fiscalização contra atividades ilegais que impactam a biodiversidade, a regularidade fundiária e a reputação produtiva do setor agroflorestal brasileiro.
Garimpo clandestino afeta APA do Tapajós no Pará
Na Operação Aurum Tapajós, os agentes buscaram aprofundar as investigações sobre a extração irregular de ouro na Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, localizada no município de Novo Progresso, no sudoeste do Pará.
A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, distribuídos entre os municípios de Belém e Santarém. A finalidade é recolher documentos, equipamentos eletrônicos e mídias digitais que ajudem a identificar os financiadores e responsáveis pela atividade ilegal.
A investigação teve início após fiscalizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no âmbito da Operação Garimpo Zero. Na ocasião, os fiscais constataram a extração mineral sem licença ambiental em uma área de floresta nativa estimada em 40 hectares. Além do dano ambiental, a prática configura usurpação de bens e recursos minerais pertencentes à União.
Extração e venda ilegal de madeira em Rondônia e Goiás
Simultaneamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Guardião Infiel, voltada ao combate ao desmatamento e à comercialização clandestina de madeira nativa retirada de território protegido.
A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Rondônia: seis mandados em aldeias situadas na Terra Indígena Igarapé-Lage, em Guajará-Mirim (RO), e um mandado no município de Goiânia (GO).
Segundo a PF, o esquema apura a retirada e comercialização ilegal de madeira de floresta nativa. Há indícios de que os próprios investigados que atuavam na região facilitavam a entrada de terceiros e a logística para a exploração clandestina dentro do território indígena.
Impactos para o setor agroflorestal e o mercado nacional
A repressão ao garimpo e ao desmatamento ilegal é peça-chave para garantir a integridade dos ecossistemas amazônicos e fortalecer o agronegócio sustentável no Brasil. Atividades clandestinas geram concorrência desleal com o setor florestal manejado e legalizado, além de trazer prejuízos à reputação internacional do país na pauta socioambiental.
A Polícia Federal e os órgãos de fiscalização seguem com a análise do material apreendido para delimitar a responsabilidade penal dos envolvidos e calcular a extensão total dos danos causados.
O avanço do agronegócio brasileiro tem provocado transformações que vão além da produção agrícola. À medida que a sustentabilidade se consolida como um dos pilares do setor, cresce também a demanda por profissionais preparados para atuar em atividades ligadas à economia circular, logística reversa, gestão ambiental e inovação operacional. Esse movimento pode ser observado no Sistema Campo Limpo, programa brasileiro de logística reversa de embalagens vazias e sobras pós-consumo de defensivos agrícolas, que registrou crescimento de 11% no volume de embalagens vazias destinadas corretamente em 2025, alcançando quase 76 mil toneladas.
Para acompanhar esse avanço, o Sistema incorporou quatro novas centrais de recebimento, localizadas no Pará, Maranhão e Rondônia, além de nove novos postos de atendimento aos agricultores. A expansão da rede amplia a presença do programa em regiões de forte crescimento agrícola e aumenta a necessidade de profissionais qualificados para apoiar as operações, a logística e a gestão das unidades. Gerando empregos e movimentando a economia.
No inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), responsável por representar a indústria fabricante dentro do Sistema Campo Limpo, o quadro de colaboradores cresceu 9% em 2025, chegando a 524 funcionários distribuídos por todo o país. O aumento reflete a necessidade de fortalecer a estrutura operacional diante do avanço da agricultura e do crescimento contínuo da logística reversa.
“À medida que o Sistema Campo Limpo cresce, também aumenta a necessidade de profissionais preparados para atuar em uma operação cada vez mais complexa e tecnológica. Por isso, investimos continuamente em capacitação e desenvolvimento, criando condições para que nossas equipes inpEV ampliem suas competências e acompanhem a evolução da logística reversa no país”. comenta Silvana Carvalho, gerente de Recursos Humanos do inpEV.
“O crescimento da logística reversa acompanha a evolução do agronegócio brasileiro e exige profissionais cada vez mais preparados para operar um Sistema que combina eficiência, sustentabilidade e inovação. Por isso, investimos continuamente no desenvolvimento das nossas equipes e na ampliação da capacidade operacional em regiões estratégicas para o setor”, afirma Marcelo Okamura, diretor-presidente do inpEV.
Além de contratar, a estratégia do Instituto tem sido preparar os profissionais para os desafios de uma operação cada vez mais tecnológica. Em 2025, foram investidas mais de 41 mil horas em capacitação profissional, um aumento superior a 50% em relação ao ano anterior. Temas como liderança, inovação, gestão de projetos e melhoria contínua ganharam destaque nos programas de desenvolvimento. A média de treinamento chegou a 79,6 horas por colaborador, crescimento de quase 40% em relação a 2024.
Nesse contexto, uma das iniciativas mais relevantes foi a criação do Programa INOVE, que busca estimular o protagonismo dos colaboradores na construção de soluções para os desafios da operação. Desenvolvido com apoio do Senai, o programa envolveu mais de 100 profissionais em sua primeira campanha e resultou em 66 propostas de melhoria de processos, demonstrando como a inovação pode surgir diretamente das equipes que vivenciam a rotina das unidades.
“A gestão do Programa INOVE parte do princípio de que as melhores soluções também podem nascer dentro da própria operação. Nosso objetivo é criar um ambiente em que os colaboradores se sintam estimulados a compartilhar ideias, desenvolver propostas e participar ativamente da melhoria dos processos do Sistema Campo Limpo”, reitera Micheli Statuti, gerente de Processos Operacionais s do inpEV.
“A inovação não acontece apenas por meio de tecnologia e equipamentos. Ela também nasce das pessoas que vivenciam os desafios da operação diariamente. O Programa INOVE foi criado justamente para estimular esse protagonismo e transformar boas ideias em ganhos concretos para o Sistema Campo Limpo”, destaca Okamura.
Além dos impactos internos, a expansão da logística reversa também contribui para o desenvolvimento econômico das regiões onde o Sistema Campo Limpo está presente. As empresas parceiras responsáveis pela destinação final das embalagens vazias mantiveram mais de 2.100 empregos diretos em 2025, confirando o papel da cadeia da sustentabilidade como geradora de renda e oportunidades.
“Cada nova unidade representa mais capacidade para atender os agricultores, mas também significa oportunidades de trabalho, movimentação econômica e fortalecimento das comunidades onde estamos presentes. O crescimento do Sistema Campo Limpo gera impactos que vão além da agenda ambiental”, afirma o diretor-presidente do inpEV.
Com atuação em 25 estados e no Distrito Federal, o Sistema Campo Limpo é considerado uma referência mundial por sua infraestrutura e capacidade operacional para atender ao avanço da agricultura brasileira. Ao mesmo tempo, mantém seu compromisso com o desenvolvimento das pessoas, a inovação e a geração de valor para as comunidades onde está inserido, mostrando que sustentabilidade e crescimento caminham lado a lado.
Depois de 13 dias de negociação, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) terminou, em Belém, com alguns avanços e discussões que prosseguirão pelos próximos meses. Foram aprovados 29 documentos, de forma unânime, pelos 195 países que participaram do encontro na capital paraense. Esse conjunto de textos ficou conhecido como Pacote de Belém, e está publicado no site da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, da sigla em inglês), âmbito sob o qual se realizam as edições da COP.
De acordo com a presidência brasileira da conferência, as 29 decisões incluem avanços em temas como transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia. Entre as maiores conquistas da COP30, está o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Por outro lado, o Mapa do Caminho para afastamento da economia dependente de combustíveis fósseis, uma das prioridades do governo brasileiro, não entrou na lista de consensos.
Veja algumas decisões resultantes da COP30:
Fundo Florestas Tropicais para Sempre – O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, do inglês Tropical Forest Forever Facility) cria uma forma inédita de pagamento para que países mantenham as florestas tropicais em pé. Países que preservam as florestas tropicais serão recompensados financeiramente por meio de um fundo de investimento global. Ao menos 63 países já endossaram ideia.O fundo já mobilizou, segundo a presidência da COP30, US$ 6,7 bilhões.
O dinheiro não é uma doação. A proposta é que os investidores recuperem os recursos investidos, com remuneração compatível com as taxas médias de mercado, ao mesmo tempo em que contribuem para a preservação florestal e a redução de emissões de carbono. A ideia é que as florestas sejam vistas como fonte de desenvolvimento social e econômico.
Financiamento – Os países incluíram no Pacote de Belém o compromisso de triplicar o financiamento da adaptação às mudanças climáticas até 2035 e a ênfase na necessidade de os países desenvolvidos aumentarem o financiamento para nações em desenvolvimento. O documento Mutirão, classificado pela presidência brasileira da COP30 como um “método contínuo de mobilização que começa antes, atravessa e segue além da COP30”, cita a ampliação do financiamento para os países em desenvolvimento para ação climática, de todas as fontes públicas e privadas, para pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.
122 países com NDC – A COP termina com 122 países tendo apresentado Contribuições Nacionalmente Determinada, conhecidas nas discussões como NDC, sigla em inglês para Nationally Determined Contributions. NDC são as metas e os compromissos assumidos pelas partes para a redução de emissões de gases do efeito estufa. Os países devem apresentar a cada cinco anos uma nova versão de NDC, com as ambições atualizadas em relação ao Acordo Paris. O Acordo de Paris, lançado na COP21, em 2015, reúne ações globais em resposta à ameaça da mudança climática, como a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Meta Global de Adaptação – A COP30 recebeu 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação. São indicadores que envolvem setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência. Todos integram questões transversais como finanças, tecnologia e capacitação.
Frustração
Um dos principais pontos de frustração de representantes da sociedade civil, já no rascunho divulgado nesta sexta-feira, foi a ausência do mapa do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, os principais responsáveis pelas emissões dos gases que causam o aquecimento global.
O governo brasileiro insistiu na aprovação de um texto que abordasse alguma proposta de cronograma de implementação dessa transição energética, o que acabou não se concretizando. “Não houve menção a combustíveis fósseis, e muito menos qualquer menção a mapa do caminho, conforme estava previsto e havia aparecido nos rascunhos de decisões anteriores. O processo foi estressante até aqui, mas gerou algumas reações políticas importantíssimas, como a adesão de mais de 80 países à proposta do mapa do caminho e gerou uma proposta da Colômbia de realizar COP paralela para discutir o fim do uso dos combustíveis fósseis”, disse Ciro Brito, analista de políticas climáticas do Instituto Socioambiental.
O agronegócio brasileiro teve uma participação intensa ao longo da COP 30, que terminou no último sábado (22/11), em Belém (PA). Na avaliação da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a agenda de ações propostas reiterou ao mundo como o Brasil tem investido para uma produção de alimentos, fibras e bioenergia cada vez mais sustentável e com baixa emissão de carbono, com o uso de ciência, tecnologia e inovação.
“A apresentação de cases, de pesquisas e da realidade no campo mostrou os motivos pelos quais a agricultura brasileira é sustentável e, ao mesmo tempo, possui índices elevados de produtividade, desmitificando conceitos frequentemente distorcidos sobre a atividade. Certamente, este é um dos legados desta Conferência”, afirmou Giuliano Alves, gerente de Sustentabilidade e Projetos da ABAG.
A AgriZone, estrutura montada pela Embrapa, juntamente com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a parceria de entidades setoriais, teve um papel estratégico ao possibilitar que negociadores internacionais pudessem conhecer a importância da agricultura tropical na mitigação e adaptação das mudanças climáticas. “Esse trabalho fará a diferença nas próximas Conferências”, pondera Alves.
Green Zone na COP30 (Foto: Foto: Bruno Peres / Agência Brasil)
O Venturus, centro de ciência e tecnologia brasileiro, participou do painel “Tecnologias Emergentes para o Clima” durante a COP30, em Belém. O debate reuniu especialistas de instituições internacionais como o Geneva Science and Diplomacy Anticipator, a Université de Sherbrooke e o Open Quantum Institute para discutir os impactos sociais, éticos e ambientais das novas fronteiras tecnológicas.
“Os países que possuem florestas tropicais estão apostando na sua proteção como forma de gerar benefícios. No entanto, é importante entender que quem realmente conseguirá viabilizar essa proteção são as nações com maior poder econômico. Isso mostra que preservar é uma responsabilidade global, que exige ação conjunta. A crise climática não é algo do futuro, ela já está acontecendo, e precisamos agir agora”, destacou Daniel Haro, Head de Tecnologias Emergentes no Venturus.
O painel abordou temas como o uso da inteligência artificial, da computação quântica e das biotecnologias no enfrentamento da crise climática, questionando como esses avanços podem ser aplicados de forma ética e equitativa. Para Haro, o desafio não está apenas em desenvolver tecnologias de ponta, mas em assegurar que elas contribuam de maneira concreta para a sustentabilidade.
O representante do Venturus também ressaltou o papel do setor tecnológico como agente ativo na construção de soluções integradas. “A nossa ação vai além da preservação. Quando unimos agricultura, tecnologia, transporte, eficiência e políticas públicas mais sustentáveis, damos passos concretos em direção a uma solução real para a crise climática”, completou.
O presidente Lula defendeu nesta segunda-feira (10/11) que a governança global precisa contribuir a favor de uma transição justa para economias de baixo carbono que evite um colapso climático planetário. A declaração foi dada na abertura da 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), realizada em Belém. O evento prossegue até o próximo dia 21.
“Uma transição justa precisa contribuir para reduzir as assimetrias entre o Norte e o Sul Global, forjadas sobre séculos de emissões. A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela expõe e exacerba o que já é inaceitável. Ela aprofunda a lógica perversa que define quem é digno de viver e quem deve morrer. Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia. O desalento não pode extinguir as esperanças da juventude. Devemos a nossos filhos e netos a oportunidade de viver em uma Terra onde seja possível sonhar”, destacou o presidente.
Em seu discurso, o presidente citou o pensador indígena Davi Kopenawa para pedir clareza aos negociadores. “O xamã yanomami Davi Kopenawa diz que o pensamento na cidade é obscuro e esfumaçado, obstruído pelo ronco dos carros e pelo ruído das máquinas. Espero que a serenidade da floresta inspire em todos nós a clareza de pensamento necessária para ver o que precisa ser feito”.
Lula enfatizou que o aquecimento global pode empurrar milhões de pessoas para a fome e a pobreza, fazendo retroceder décadas de avanço, e lembrou do impacto desproporcional que mudança do clima causa sobre mulheres, afrodescendentes, migrantes e grupos vulneráveis, o que deve ser levado em conta nas políticas de adaptação. O presidente reafirmou o papel dos territórios indígenas e de comunidades tradicionais nos esforços de mitigação do aumento das temperaturas, pela preservação das florestas e, consequentemente, a regulação do carbono na atmosfera. “No Brasil, mais de 13% do território são áreas demarcadas para os povos indígenas. Talvez ainda seja pouco”.
Acelerar a ação climática
Lula pediu que os líderes acelerem as ações necessárias para conter o aumento da temperatura do planeta, voltou a defender um mapa do caminho para superar a dependência dos combustíveis fósseis – que causam 75% do aquecimento global -, e sugeriu a criação de um conselho mundial sobre o tema.
“Avançar requer uma governança global mais robusta, capaz de assegurar que palavras se traduzam em ações. A proposta de criação de um Conselho do Clima, vinculado à Assembleia Geral da ONU, é uma forma de dar a esse desafio a estatura política que ele merece”, pontuou.
Ao citar o chamado à ação por parte do Brasil na COP30, Lula destacou a necessidade de formulação e implementação de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) mais ambiciosas, garantia de financiamento, transferência de tecnologia e capacitação aos países em desenvolvimento, além de priorizar políticas de adaptação aos efeitos da mudança do clima.
“A mudança do clima já não é uma ameaça do futuro. É uma tragédia do presente. O furacão Melissa que fustigou o Caribe e o tornado que atingiu o estado do Paraná, no Sul do Brasil, deixaram vítimas fatais e um rastro de destruição. Das secas e incêndios na África e na Europa às enchentes na América do Sul e no Sudeste Asiático, o aumento da temperatura global espalha dor e sofrimento, especialmente entre as populações mais vulneráveis”, observou.
A Cúpula do Clima, em Belém, entra nesta sexta-feira (07/11) no seu segundo e último dia com a retomada dos discursos dos líderes e representantes dos países participantes da COP30 e sessões temáticas sobre transição energética, o Acordo de Paris, Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o financiamento de ações para combater a crise climática.
Chefes de Estado, líderes de governos e representantes de alto nível de mais de 70 países estão em Belém para participar da Cúpula do Clima nos próximos dois dias. Considerando embaixadores e pessoal diplomático, a lista ultrapassa uma centena de governos estrangeiros representados na capital paraense.
A Cúpula do Clima antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, também em Belém. O objetivo é atualizar e reforçar os compromissos multilaterais para lidar com a urgência da crise climática. Na prática, a Cúpula do Clima busca dar peso político às negociações que se seguirão pelas próximas duas semanas de COP30.
Abertura
Ontem (06/11), na abertura, o presidente Lula fez um chamado para que os países tomem ações concretas dos países para conter a elevação da temperatura global. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra que está cada vez mais difícil alcançar a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C, exigindo medidas mais contundentes para reverter o cenário catastrófico.
“A COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, disse Lula durante a abertura da Cúpula do Clima.
A maior trilha da América Latina, por dentro da Amazônia brasileira, será oficialmente lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, em novembro. Serão 460 km, atravessando quase todo norte do estado do Pará.
A estrutura da Trilha Amazônia Atlântica está na fase final. No trajeto, o visitante poderá conhecer o modo de vida das populações extrativistas, coletores de caranguejo, exploradores de babaçu, agricultores e pescadores.
O percurso entre a capital, Belém, e o município de Viseu, na divisa com o estado do Maranhão, está sendo equipado com mapas, sinalização e orientações, além do apoio dos moradores, prestadores de serviços e empreendedores locais capacitados.
A trilha cruzará sete unidades de conservação, entre reservas extrativistas marinhas, áreas de proteção ambiental, e um refúgio de vida silvestre, além de seis territórios quilombolas. E pelo aplicativo eTrilhas, os visitantes também podem entrar em contato direto com os prestadores de serviços nas proximidades.
De acordo com o diretor de Áreas Protegidas da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Pedro Cunha e Menezes, existem trilhas semelhantes no Peru, Equador e Colômbia, e recebem turistas interessados em trilhas pela Amazônia. Mas nenhuma tão grande como a nova estrutura da Trilha Amazônia Atlântica.
A expectativa do Ministério do Meio Ambiente é que, no primeiro ano de abertura da trilha, 10 mil pessoas percorram o trecho, a pé ou de bicicleta.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou o documento “Agropecuária Brasileira na COP30” com o posicionamento do setor para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que acontece, de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).
O documento reflete os anseios do setor agropecuário e foi discutido em uma série de encontros e reuniões dos integrantes da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA com produtores rurais, Federações estaduais, entidades do agro, pesquisadores, entre outros atores.
As propostas e as contribuições dos produtores rurais brasileiros vão servir como subsídio aos negociadores brasileiros, às autoridades envolvidas nas negociações, aos produtores rurais, além de embasar os debates durante a COP 30.
Reconhecimento
No documento, a CNA afirma que os produtores rurais brasileiros devem ser reconhecidos como agentes fundamentais no fornecimento e na implementação de soluções climáticas para o alcance das metas brasileiras e potencialmente para as metas globais; que as particularidades da agricultura tropical precisam ser levadas em consideração e que ganhem escala como solução imediata aos desafios do clima; e que os meios para implementar medidas de mitigação e adaptação sejam suficientes para exercer todo o potencial do setor.
A CNA também reforça o protagonismo do setor, além das soluções climáticas, na garantia da segurança alimentar e energética.
No posicionamento, a Confederação lista uma série de posições a serem adotadas nas negociações que evidenciam o papel da agricultura tropical frente aos desafios do clima e impulsionam a adoção de práticas sustentáveis no campo: financiamento acessível, aplicável e transversal aos instrumentos do acordo; inclusão da agricultura no centro das decisões; promoção da agropecuária dentro das metas globais; reconhecimento o setor em ações de adaptação e seguindo as realidades de cada país; atividade representativa em mitigação; mercado de carbono global integrado e alinhado com o setor e com o país e que sejam implementados através de uma transição. Alguns dos pontos do documento estão abaixo (de forma resumida):
Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios
Financiamento – O financiamento tem sido o principal gargalo para a implementação da ação climática em nível global. Em 2023, uma “Nova Meta Coletiva Quantificada de Financiamento Climático (NCQG)” foi estabelecida: US$ 300 bilhões por ano até 2035 com países desenvolvidos sendo os principais contribuintes; e US$ 1.3 trilhão anual até 2035 envolvendo todos os países e atores não governamentais. A CNA considera fundamental que o financiamento climático chegue diretamente aos produtores rurais, facilitando a implementação de tecnologias de baixo carbono e contribuindo para dar escala às ações de mitigação e adaptação. Nesse sentido, a CNA propõe a criação de mecanismos financeiros adequados, com condições diferenciadas de crédito, seguro climático e redução dos custos de endividamento.
Agricultura – Na COP há um grupo de negociação específico destinado à discussão sobre agricultura e segurança alimentar chamado de “Trabalho Conjunto de Sharm el Sheikh para Agricultura e Segurança Alimentar” (SSJWA, na sigla em inglês). O objetivo desse grupo é identificar de que forma as mudanças do clima afetam a agropecuária e a produção de alimentos e como o setor contribui para mitigação e adaptação, por exemplo. O SSJWA estabeleceu um portal online que funciona como uma vitrine de ações climáticas do setor e serve tanto como ferramenta de comparação entre países como também uma possibilidade para viabilizar o financiamento das ações. A CNA considera fundamental que os produtores rurais sejam colocados no centro das decisões sobre agricultura, tendo suas demandas atendidas em relação aos gargalos para aumento da ambição climáticas e sendo reconhecidos como agentes provedores de soluções ambientais ao alcance das metas de redução de emissão de gases de feito estufa. Além disso, deve-se estimular o uso do portal, permitindo que os custos para implementação dos projetos sejam reduzidos.
Legado da COP 30 na Amazônia – O último capítulo do documento da CNA trata do legado da COP 30 na Amazônia. Segundo a entidade, se por um lado o evento promete “colocar no centro das discussões globais a proteção aos recursos naturais, por outro deve também reconhecer o valor da presença humana na região. A Amazônia é a casa de 30 milhões de brasileiros, espalhados em mais de 750 municípios, que coexistem com a natureza”. E na região, mais de um milhão de produtores rurais sustentam a segurança alimentar da população local cultivando arroz, feijão, hortaliças, leite, frutas, mandioca, carne, café, ovos, entre outros. É necessário reconhecer, diz o documento, que agricultura e segurança alimentar são pilares inseparáveis da agenda climática — na Amazônia como em qualquer lugar do planeta. “A COP 30 deve ser muito mais do que um evento sobre a conservação da natureza, mas um teste decisivo para a agenda climática global e sua capacidade de reconhecer as necessidades e aspirações de desenvolvimento de quem vive na floresta”, diz o documento.
O posicionamento da CNA traz nove recomendações para a Amazônia:
1 – Reconhecer o direito à produção agropecuária sustentável na Amazônia como parte inseparável da agenda climática, combatendo a estigmatização dos agricultores locais
2 – Acelerar a regularização fundiária e ambiental como condição básica para promover a segurança jurídica, garantir acesso a crédito e estimular investimentos produtivos
3 – Reforçar a segurança alimentar regional, incentivando a produção local de alimentos
4 – Combater o desmatamento ilegal por meio de incentivos econômicos eficientes, garantindo a sustentabilidade produtiva da região
5 – Criar linhas de crédito rural e financiamento climático específicas para produtores amazônicos, com juros diferenciados e prazos adequados, apoiando sistemas integrados de produção, recuperação de pastagens e reflorestamento produtivo
6 – Transformar a bioeconomia alimentar em vetor de renda e inovação, baseada em ciência, tecnologia, domesticação e agregação de valor
7 – Afirmar a soberania nacional sobre o território e apoiar o combate à violência e ao crime organizado, reconhecendo que não há floresta protegida ou ação climática efetiva sem ordem e segurança no território
8 – Investir em integração logística e energia limpa na região, reduzindo custos de transporte, aumentando a conectividade e criando condições para atrair investimentos sustentáveis
9 – Valorizar a contribuição do agricultor amazônico na transição climática global, reconhecendo que produção de alimentos, conservação florestal e segurança alimentar devem caminhar de mãos dadas