Conflitos no Oriente Médio pressionam o agro

A intensificação do conflito entre os Estados Unidos, Irã e Israel já provoca ondas de choque nos mercados globais e impõe um novo patamar de risco para o agronegócio brasileiro. Petróleo em alta, moedas emergentes pressionadas, risco logístico no Estreito de Ormuz e possível impacto sobre fertilizantes e exportações de milho, colocam a safra 2026/27 sob um cenário de incerteza estratégica.

Do ponto de vista macroeconômico, os reflexos são imediatos. “Espera-se um cenário de volatilidade e incerteza sobre produtos produzidos ou relacionados à região. Já temos visto essas incertezas repercutirem sobre as bolsas globais, inclusive de commodities agrícolas, e sobre o mercado de câmbio”, afirma Enilson Nogueira, coordenador de Estudos Econômicos da Céleres Consultoria.

O primeiro impacto direto recai sobre o petróleo, que já registra alta na semana. O efeito secundário é a pressão sobre combustíveis e inflação global. “O reflexo mais provável seria sobre os preços do petróleo. Como consequência, temos aumento nos preços de combustíveis e pressão inflacionária. Para o produtor rural brasileiro, se esse efeito for repassado, podemos ter um custo maior de combustíveis para a safra 2026/27”, destaca Nogueira.

Embora o Irã não seja fornecedor relevante de diesel ao Brasil, países do Oriente Médio representam cerca de 10% do valor importado em 2025, um fator que amplia a sensibilidade do mercado. No câmbio, a reação já é visível: na última semana o Real operava próximo de R$ 5,10 e, com a escalada do conflito, depreciou para a faixa de R$ 5,30. “As incertezas globais têm desvalorizado moedas emergentes, inclusive o Real. Se mantido ou intensificado, esse movimento pode sustentar, no curto prazo, a formação de preços de grãos no Brasil, especialmente o milho”, acrescenta o economista.

Logística e fertilizantes no centro da tensão

O ponto mais sensível da crise está na logística internacional. O Estreito de Ormuz é rota vital para petróleo e insumos agrícolas, e qualquer entrave pode gerar um efeito dominó nos custos globais. Segundo Maria Luisa Franzotti, analista econômica e de geopolítica da Céleres, o impacto pode ser imediato e severo, especialmente no mercado de fertilizantes.

“O conflito terá um impacto imediato e severo no mercado de fertilizantes, com ênfase nos nitrogenados. O Irã responde por 10% das exportações globais de ureia, enquanto o Oriente Médio como um todo concentra 25% do fornecimento mundial”, explica a especialista.

No caso dos fosfatados, a dependência logística é igualmente crítica. “Grande parte da oferta vem da Arábia Saudita e países vizinhos, que dependem do Canal de Suez e do Estreito de Ormuz para escoamento. Uma interrupção cria gargalos que afetam a disponibilidade e custo final dos formulados”, cita Maria.

Para o Brasil, o impacto pode ser expressivo: em 2025, Irã e países do Oriente Médio concentraram cerca de 35% das importações brasileiras de ureia, 17% dos fosfatados e 10% do Cloreto de Potássio (KCl). Os reflexos devem aparecer nas negociações da safra 2026/27, tanto para soja quanto para milho segunda safra, pressionando margens em um momento de maior disciplina financeira no campo.

Milho na linha de frente

Se pelo lado dos custos o alerta já está aceso, pelo lado da demanda o sinal também é de atenção máxima. O Irã consolidou-se como um dos principais destinos do milho brasileiro nos últimos cinco anos, liderando as importações em três deles. Em 2025, o país importou mais de 9 milhões de toneladas do cereal brasileiro. “A incerteza sobre demanda e condições logísticas de comércio com o Irã deve impactar a formação de preços ainda em 2026. Uma eventual interrupção nos embarques pode gerar represamento da oferta interna, elevar estoques e pressionar negativamente as cotações domésticas, sobretudo do milho”, alerta Nogueira.

Além disso, a substituição dessa demanda não é simples. “Não vemos outro consumidor com o mesmo potencial de absorção no curto prazo. Se a exportação para o Irã for menor, é um fator de atenção relevante para toda a cadeia do milho”, reforça o coordenador da Céleres.

Os impactos indiretos também se estendem à proteína animal, já que o Oriente Médio representou 26% das exportações brasileiras de carne de frango e 6% da carne bovina. Uma desaceleração pode afetar a demanda por ração, retroalimentando a pressão sobre o milho. Ainda, açúcar, soja, farelo de soja e celulose também possuem exposição relevante ao bloco regional.

Um componente adicional de incerteza envolve possíveis restrições comerciais dos Estados Unidos a parceiros do Irã, uma hipótese já mencionada pelo presidente Donald Trump no início do ano. Caso se concretize, o cenário pode abrir um novo capítulo de tensão geopolítica envolvendo o Brasil, ampliando a instabilidade no comércio internacional.

Volatilidade estrutural no radar 

Para a Céleres, o conflito eleva o grau de imprevisibilidade em um momento crucial de planejamento da safra 2026/27. Petróleo, fertilizantes, câmbio, logística e demanda externa passam a operar sob um regime de maior risco geopolítico. O agro brasileiro, altamente integrado ao comércio global, entra em um período de vigilância redobrada, em que estratégia, hedge e gestão de risco serão tão determinantes quanto produtividade no campo.

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Recuperação judicial no agro virou sinal de alerta para toda a cadeia produtiva

por Leandro Viegas*

Nos últimos anos, é possível enxergar o avanço dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio como um termômetro claro de aperto de caixa. O setor sempre conviveu com risco, mas o cenário recente combinou custo financeiro elevado, margens mais apertadas, oscilação de preços e problemas climáticos em sequência. Quando isso acontece, quem está mais alavancado e, principalmente, sem gestão de custo bem-feita, sente primeiro.

Os números ajudam a mostrar esse movimento. No segundo trimestre de 2025, o agronegócio registrou 565 pedidos de recuperação judicial, alta de 31,7% sobre o mesmo período de 2024. Já no terceiro trimestre, o volume subiu para 628 pedidos, o maior da série desde 2021, segundo a Serasa Experian. O dado reforça o que podemos sentir na prática: não se trata de um problema isolado de um elo da cadeia, mas de uma pressão financeira espalhada entre produtores (PF e PJ) e empresas ligadas ao setor.

Esse cenário tem uma parte cíclica e outra estrutural. A primeira todo mundo conhece: safra, clima, preço e mercado. A estrutural é mais desafiadora, porque a cadeia ficou mais complexa e mais financeirizada. Hoje há mais operações a prazo, mais dependência de capital, mais barter e mais exposição ao risco de crédito. Quando uma empresa começa a falhar, o efeito dominó pode atingir revendas, distribuidores e, no fim, o produtor, que fica sem crédito, com entrega atrasada ou sem suporte técnico no meio da safra. É exatamente por isso que a recuperação judicial deixou de ser um tema “jurídico” e passou a ser tema de gestão e sobrevivência no campo.

Esse aperto também aparece no ambiente financeiro. O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano em janeiro de 2026, no maior patamar em quase 20 anos, o que encarece o crédito e aumenta a seletividade dos financiadores. Além disso, o Boletim de Crédito Rural do BC (março/2025) mostrou que, entre julho de 2024 e março de 2025, o crédito rural concedido somou R$ 278,1 bilhões, com queda de 16,9% em relação ao período anterior, enquanto o endividamento dos beneficiários chegou a R$ 752 bilhões.

Ao mesmo tempo, o quadro não é homogêneo, e isso é importante dizer. Dados mais recentes do Mapa, com base no Sicor/BC, mostram que no período de julho de 2025 a janeiro de 2026 o crédito rural empresarial contratado alcançou R$ 316,57 bilhões (alta de 6%), puxado pelas CPRs, mas com recuo de 20% no crédito para investimento e com o próprio governo reconhecendo um ambiente de cautela na oferta e demanda de crédito. Ou seja: há dinheiro circulando, mas com perfil mais conservador, mais concentrado e com mais exigência de segurança.

Outro ponto que reforça essa leitura é a inadimplência. A Serasa Experian apontou que 8,3% da população rural estava inadimplente no terceiro trimestre de 2025, com alta anual e sinais de desaceleração apenas na margem. E um dado que chama atenção: a inadimplência se concentrou principalmente em dívidas com instituições financeiras (7,3%), enquanto os débitos com credores do próprio agro ficaram em 0,3%. Isso mostra como a pressão de caixa e o custo do dinheiro pesam no sistema como um todo.

Reflexos práticos

No dia a dia da fazenda, esse cenário afeta o básico. O prazo encurta, o crédito trava, as condições mudam durante a safra e aumenta o risco de atraso de entrega. E o agro não espera. Por isso, insisto em alguns sinais práticos de alerta antes de fechar negócio: preço muito abaixo do mercado sem explicação, pressa excessiva para fechar, mudança constante de regra ou prazo, dificuldade para formalizar contrato ou garantia e histórico ruim de entrega e pós-venda. Em momentos de pressão, muita gente erra tentando resolver tudo só no preço, e esse é um dos erros mais caros no campo.

A recomendação é simples, mas exige disciplina. Primeiro: comprar por etapas e não concentrar tudo em um único fornecedor. Segundo: travar com antecedência o essencial da safra, especialmente semente e defensivos. Terceiro: manter sempre um plano B logístico e comercial. Se um parceiro falhar, você precisa saber de onde comprar e como reagir sem parar a operação. No agro, preço não é custo total, o barato que atrasa pode sair muito mais caro em produtividade perdida.

O produtor precisa tratar a gestão financeira como ferramenta de produção. Não dá para controlar clima e preço, mas dá para controlar custo por hectare, fluxo de caixa e timing de compra. Quem conhece seu ponto de equilíbrio decide melhor e evita contratos no escuro. E, do lado das empresas, a confiança se mantém com transparência e previsibilidade: melhor dizer a verdade cedo do que prometer e falhar. Contrato claro, condição formalizada, padrão definido, assistência prevista e pós-venda funcionando.

Resumindo, para tomadas de decisões mais seguras em 2026, é necessário fazer o básico muito bem feito. Caixa em primeiro lugar, custo por hectare na ponta do lápis, compras planejadas e diversificadas, contrato simples e por escrito. Além de um parceiro confiável no centro da estratégia. A melhor proteção no agro continua sendo antecipar o risco, e não reagir quando o problema já explodiu.

*Administrador, bacharel em Direito e CEO da Sell Agro.

Milho consorciado com capim pode gerar melhor retorno aos sistemas de produção

por Hemython Nascimento*

O cultivo de milho consorciado com capim é uma estratégia eficiente para otimizar o uso da área agrícola e gerar diversos ganhos aos sistemas de produção. Entre os principais benefícios dessa prática, destaca-se o importante trabalho realizado no solo pelo sistema radicular do capim, que pode dobrar o volume de raízes depositadas no perfil do solo.

Essas raízes contribuem para a descompactação e a melhoria da porosidade, aumentando a capacidade de infiltração e armazenamento de água. Além disso, favorecem a ciclagem de nutrientes, elevam o teor de matéria orgânica e ampliam o estoque de carbono do solo, aspectos fundamentais para a sustentabilidade produtiva.

Outra grande vantagem do consórcio entre milho e capim é a supressão de plantas daninhas. A presença da forrageira na área reduz a competição por água, luz e nutrientes com a cultura do milho, além de diminuir a necessidade e os custos com herbicidas. Após a colheita do cereal, o produtor ainda passa a contar com uma área de pastagem formada, que pode ser utilizada na alimentação do gado durante o período seco, garantindo uma “terceira safra” com a pecuária. Esse sistema também melhora o volume e a qualidade da palhada deixada para a safra seguinte.

Quais capins são mais indicados para o consórcio com o milho?

Entre as cultivares disponíveis no mercado, as mais indicadas e utilizadas em sistemas consorciados com o milho são a Brachiaria ruziziensis, a Brachiaria brizantha BRS Piatã e o Panicum maximum BRS Tamani. Cada material apresenta características específicas e diferentes aplicações.

Foto: Thiago Japyassu / Pexels.com

ruziziensis, por exemplo, destaca-se pelo baixo custo, rápido estabelecimento e facilidade de manejo. Já o capim Piatã apresenta maior produtividade, sistema radicular mais agressivo, melhor valor nutritivo e maior qualidade de palhada em comparação à ruziziensis. Além disso, possui um estabelecimento inicial um pouco mais lento, o que reduz a competição na fase inicial de desenvolvimento do milho.

O capim Tamani tem ganhado espaço nos sistemas consorciados, principalmente por suas características morfológicas. Trata-se de um Panicum de porte baixo, com pouco alongamento de colmo, o que mantém uma alta relação folha/colmo e gera menor competição com o milho. Além disso, apresenta alta produtividade, elevado teor de proteína e facilidade de manejo, proporcionando bom desempenho animal e palhada de excelente qualidade. Estudos recentes indicam o Tamani como um dos capins com maior compatibilidade para o consórcio com o milho, justamente por promover maior harmonia entre as culturas.

Cuidados necessários

Apesar dos benefícios, ainda existe um paradigma a ser quebrado em relação ao cultivo de milho consorciado com capins, especialmente no que diz respeito à competição entre as culturas. Muitos produtores temem perdas de produtividade. No entanto, para garantir que o milho mantenha níveis adequados de produção mesmo em consórcio, alguns aspectos são fundamentais, como a quantidade de sementes, o método de semeadura do capim e o uso de herbicidas para o chamado “travamento” da forrageira.

Resultados de pesquisas indicam que, quando o capim é semeado a lanço no momento do plantio do milho, o travamento da forrageira com produtos à base de mesotriona, quando o capim apresenta de 3 a 5 perfilhos, tem se mostrado eficiente para manter o equilíbrio do sistema, sem comprometer a produtividade de grãos.

Outra estratégia é a semeadura do capim em linha, nas entrelinhas do milho, quando o cereal estiver entre os estádios V3 e V5. Nesse caso, a competição é naturalmente menor e não há necessidade de realizar o travamento do capim com herbicidas.

*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.

Uso de canetas emagrecedoras nos EUA deve reduzir preços praticados pela indústria sucroalcooleira no Brasil

A indústria sucroalcooleira, que já enfrenta dificuldades financeiras por causa dos custos operacionais elevados e impactos climáticos severos, tem um novo desafio pela frente: adaptar sua produção agora que países importadores do açúcar brasileiro têm reduzido o consumo da commodity por causa de mudanças no comportamento do comprador final, o cliente do supermercado. O cenário foi desenhado depois que tradings de açúcar norte-americanas, como a Czarkow, reconheceram que as canetas emagrecedoras são consideradas responsáveis pela queda para menos da metade do preço dos contratos futuros de açúcar nos Estados Unidos, um dos principais compradores do Brasil.

A teoria é de que as injeções de GLP-1 como Mounjaro e Ozempic, originalmente desenvolvidas para controle da diabete tipo 2, mas também usadas para emagrecimento, têm levado a população estadunidense a comprar menos alimentos com açúcar originário da cana. A questão é tão relevante que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu a estimativa de consumo de açúcar no país em 2026 em 65% — 35 mil STRV (Short Tons, Raw Value – Toneladas Curtas, Valor Bruto), unidade de medida de peso usada pelo USDA, equivalente a 32 toneladas, conforme Relatório de Perspectivas de Oferta e Demanda do USDA de dezembro de 2025.

Etanol e mercado local

O Brasil é responsável por cerca de 23% da produção mundial da commodity, e tem nos Estados Unidos um dos principais compradores. No entanto, uma característica estratégica da indústria local poderá mitigar efeitos negativos para sucroalcoleiros: a flexibilidade das usinas de cana do país para virar a chave da produção de etanol para o açúcar. “Caso o mercado internacional se torne menos atrativo, as usinas brasileiras podem direcionar maior volume de cana para a produção de etanol, sobretudo quando as condições internas — como preço da gasolina, política de combustíveis e créditos de descarbonização — forem favoráveis”, explica Ieda Queiroz, advogada e coordenadora do setor de agronegócios do CSA Advogados.

Frederico Favacho, sócio de agronegócios do escritório Santos Neto Advogados, alerta que, ainda assim, os produtores podem encontrar dificuldades. “É certo que à medida que o preço do açúcar cair, as usinas vão usar suas estruturas para a produção do Etanol, e o aumento do volume vai derrubar o preço do combustível. Ainda assim esse cenário vai depender do preço praticado, que hoje está estável e bem competitivo”, diz o especialista.

Ieda Queiroz enxerga também consequências jurídicas. “Em contratos de fornecimento de longo prazo, exportação, hedge e financiamento atrelados a performance operacional, eventual volatilidade de preços pode gerar discussões sobre reequilíbrio econômico-financeiro, cláusulas de hardship (dispositivos contratuais que obrigam as partes a renegociar um contrato caso ocorram eventos extraordinários, imprevisíveis e externos que tornem a execução excessivamente onerosa para um dos lados), força maior ou revisão contratual por onerosidade excessiva, a depender da redação pactuada e da lei aplicável”, explica.

As negociações em curso também tendem a mudar, trazendo mais preocupação com mecanismos de proteção. “Cláusulas de ajuste de preço, earn-outs vinculados a indicadores de mercado (mecanismo em fusões e aquisições  no qual a parte do preço de compra é pago futuramente, condicionado ao desempenho), flexibilização de volumes mínimos e covenants financeiros (cláusulas contratuais em empréstimos ou debêntures que estabelecem regras, restrições e obrigações que a empresa devedora deve cumprir para proteger o credor) calibrados a cenários mais conservadores poderão ser incluídas nos contratos”, afirma a advogada. “Em outras palavras, além de um tema econômico, trata-se também de uma variável jurídica que deve ser incorporada à matriz de riscos contratuais do setor”, finaliza.

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IBGE: PIB da agropecuária cresce 11,7% em 2025

com informações da Agência Gov

O Produto Interno Bruto (PIB) do País encerrou 2025 com crescimento de 2,3%. Em valores correntes, o PIB de 2025 alcançou R$ 12,7 trilhões. As três atividades econômicas analisadas pelas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE cresceram: agropecuária (11,7%), serviços (1,8%) e indústria (1,4%). Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com um crescimento real de 1,9% frente a 2024. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, ressalta que “quatro atividades: agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços, contribuíram com 72% do total do volume do Valor Adicionado em 2025, atividades estas menos afetadas pela política monetária contracionista”.

O crescimento de 11,7% na agropecuária em 2025 decorreu, principalmente, de aumentos na produção e ganhos na produtividade de várias culturas, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram recordes em 2025. A pecuária também contribuiu positivamente.

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O destaque positivo da indústria foi a extração de petróleo e gás, concorrendo para que o valor adicionado das Indústrias Extrativas fechasse 2025 com alta de 8,6%. Outra contribuição positiva veio da construção, que variou 0,5% no ano. Por outro lado, a eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as indústrias de transformação (-0,2%) fecharam o ano com variações negativas.

Já o setor de serviços seguiu aquecido em 2025, com crescimento em todas as suas atividades: informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), transporte, armazenagem e correio (2,1%), outras atividades de serviços (2,0%), atividades imobiliárias (2,0%), comércio (1,1%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).

Histórico

Tanto o PIB corrente quanto o per capita estão no maior patamar já calculado pela série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Veja o comportamento da economia brasileira nos últimos cinco anos com crescimento:

  • 2021: 4,8%
  • 2022: 3%
  • 2023: 3,2%
  • 2024: 3,4%
  • 2025: 2,3%

Eventos climáticos extremos sob efeito do El Niño reposicionam o seguro no Brasil

A confirmação do retorno do fenômeno El Niño em 2026 acende um alerta para o aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos no Brasil. De acordo com análises meteorológicas divulgadas recentemente, o aquecimento anômalo das águas do Pacífico Equatorial pode começar a se consolidar já a partir do primeiro semestre, com potencial de intensificar chuvas irregulares, tempestades severas, ondas de calor e períodos de seca em diferentes regiões do país ao longo do ciclo.

O fenômeno, que historicamente altera padrões atmosféricos e influencia diretamente o regime de precipitação na América do Sul, tende a provocar impactos semelhantes aos registrados em ciclos anteriores marcados por extremos meteorológicos e prejuízos expressivos. A combinação entre maior variabilidade climática e alta exposição urbana amplia o risco de alagamentos, deslizamentos, danos estruturais e interrupções operacionais.

Para o setor de seguros, o cenário projeta uma mudança estrutural na percepção de risco. Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, afirma que o debate deixou de ser episódico. “Quando um fenômeno climático passa a ter recorrência e previsibilidade estatística, ele deixa de ser tratado como eventualidade. Isso exige planejamento financeiro estruturado, tanto por parte das famílias quanto das empresas”.

Segundo o executivo, o impacto econômico de eventos extremos costuma ultrapassar o dano físico imediato. “O prejuízo não está apenas na estrutura afetada. Está na paralisação da atividade, na perda de receita, na dificuldade de recomposição do fluxo de caixa. Em pequenos e médios negócios, alguns dias de interrupção podem comprometer a sustentabilidade da operação”.

A projeção de intensificação de eventos extremos ao longo de 2026 também reposiciona o seguro dentro da agenda de gestão de risco corporativo. A revisão periódica de coberturas, a adequação das apólices ao perfil regional de exposição e a análise técnica de vulnerabilidades passam a integrar o planejamento estratégico. “Seguro não deve ser contratado após o susto. Ele precisa fazer parte da arquitetura de proteção patrimonial antes da crise”, afirma Zanon.

Em um contexto de maior instabilidade climática, especialistas apontam que a discussão sobre adaptação e resiliência tende a ganhar centralidade na agenda econômica nacional. O retorno do El Niño reforça a percepção de que eventos extremos não são mais exceção estatística, mas componente recorrente do cenário de risco que impacta infraestrutura, cadeias produtivas e estabilidade financeira.

Foto: Adobe Stock

Área tratada por defensivos agrícolas deve encerrar ciclo 2025 com alta de 6,1%

Ao refletir a dinâmica observada ao longo do ano, o mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com expansão da área PAT. O indicador deve crescer 6,1% em relação ao mesmo período de 2024 e pode contabilizar 2,6 bilhões de hectares tratados, conforme a terceira projeção de dados de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg). 

A metodologia utilizada na pesquisa considera a Área Potencial Tratada ou Área Tratada por Produto (PAT), um indicador que leva em conta o número de aplicações e o número de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras, permitindo uma leitura mais precisa do cenário. 

Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas. Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos da safra 25/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, pois o plantio transcorreu dentro do período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado. A maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.

O volume total de defensivos aplicados deve fechar 2025 com uma alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento. 

No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser a soja (55%), seguida por milho (18%) e algodão (8%). Pastagem (5%), cana (4%), trigo (2%), feijão (2%), arroz (1%), hortifruti (1%), café (1%) e outras culturas (2%) completam o panorama. 

Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia lideram, concentrando 32% da área tratada no país. A região conhecida como BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%, seguida por São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%. As demais regiões somam os 2% restantes. 

O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.

Planejamento e estratégias nutricionais garantem rentabilidade com o descarte de fêmeas

A chegada do final da estação de monta traz ao pecuarista o momento de realizar o descarte de matrizes, baseado no diagnóstico de gestação para remover aquelas que não emprenharam ou falharam reprodutivamente, visando a otimização do rebanho e o alívio da pressão sobre as pastagens. Para que o processo seja realizado de modo a otimizar o retorno financeiro da propriedade e produtividade do gado, é essencial que haja um planejamento bem elaborado e estratégias nutricionais que priorizem a recuperação do escore corporal das fêmeas e a terminação rápida para o abate.

A taxa de renovação anual dos animais recomendada é de cerca de 20%, garantindo a entrada de exemplares mais jovens e produtivos. O planejamento do descarte começa com o diagnóstico de gestação no final da estação de monta, que identifica as fêmeas não prenhes. O produtor também deve manter registros detalhados e atualizados de cada matriz, incluindo datas de parto, peso do bezerro desmamado, histórico de doenças e tratamentos, para que possa tomar decisões embasadas e a identificar falhas repetidas.

“O descarte também precisa estar alinhado a um plano de reposição, assegurando que as novilhas de qualidade estejam prontas para entrar no rebanho e manter o número de animais produtivos estável”, observa o diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson.

Estratégias nutricionais

No caso das fêmeas que serão descartadas, elas podem ser direcionadas para um programa de terminação com suplementação para agregar valor à carcaça antes do abate, gerando renda para a propriedade. Para isso, o produtor deve adotar estratégias nutricionais que objetivam a recuperação do escore corporal e a terminação rápida para o abate, otimizando o retorno financeiro.

Para um abate rápido, por exemplo, em torno de 50-90 dias, a fazenda pode adotar dietas mais energéticas, como a inclusão de ração concentrada a 1% do peso vivo com os animais nas pastagens ou o confinamento, que irá proporcionar acabamento leve na carcaça.

Outra opção é o suplemento proteico energético em níveis de 0,3 a 0,5% do peso vivo, indicado para engorda em pastagens de boa qualidade, que permite uma terminação rápida, prática e de menor custo.

Fotos: Divulgação / Connan

A decisão sobre qual suplemento utilizar deve ser baseada na condição corporal atual do animal. O ideal é começar a estratégia nutricional logo após o diagnóstico de gestação negativo, para que as vacas atinjam um bom nível de peso e acabamento antes de períodos desafiadores como a seca.

O objetivo final desse manejo é garantir que a fêmea de descarte gere o máximo de renda possível através da venda da carne, com um custo-benefício favorável ao produtor. “Um programa de descarte bem elaborado pode aumentar significativamente a eficiência e a lucratividade da fazenda, sendo um bom aporte no fluxo de caixa e na produção geral do rebanho”, finaliza Marson.

Mercado global do cacau entra em 2026 em busca de equilíbrio após anos de forte volatilidade

Após um período marcado por alta volatilidade e sucessivos choques de oferta, o mercado global do cacau inicia 2026 ainda sob um ambiente de incertezas, embora em uma configuração distinta da observada nos últimos dois anos. Segundo Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a escalada abrupta dos preços no fim de 2025, quando os contratos futuros chegaram próximos de US$ 12,5 mil por tonelada em Nova Iorque, deu lugar a um movimento consistente de correção, levando as cotações à casa dos US$ 5 mil por tonelada. Mesmo assim, os preços permanecem historicamente elevados, sustentados por estoques globais ainda muito baixos e pela memória recente de duas safras frustradas no Oeste Africano.

Mais informações sobre tendências que podem impactar o mercado do cacau estão disponíveis no relatório “Perspectivas para Commodities 2026“, lançado pela StoneX, empresa global de serviços financeiros.

Na Costa do Marfim e em Gana, sinais iniciais da safra 2025/26 indicam melhora no ritmo de entregas de amêndoas, apoiada por condições climáticas mais favoráveis ao longo do fim de 2025. Esses fatores reduziram parte das preocupações de curto prazo no setor.

“Apesar disso, algumas vulnerabilidades persistem. A umidade do solo segue baixa em regiões-chave, e desafios fitossanitários mantêm vivo o risco de novas perdas produtivas à medida que o ciclo avança. A referência recente da safra 2024/25, que começou forte e desacelerou com intensidade, reforça o tom de cautela”, afirmou Bezzon.

Enquanto isso, produtores secundários ganham relevância no cenário internacional. O Equador se consolida como principal destaque, registrando exportações acima das médias históricas e avanços de produtividade relacionados a investimentos em manejo, conforme explica o analista de mercado.

“O crescimento equatoriano, acompanhado por movimentações mais discretas de Indonésia, Nigéria e Brasil, entretanto, não substitui o papel central do Oeste Africano, mas tende a reduzir a sensibilidade do mercado a choques localizados, sobretudo se a recuperação africana se mostrar apenas parcial ao longo de 2026”, destacou.

Foto: Valdenilson Santos Bautz Dembautz / Pexels.com

Mudanças na demanda

Do lado da demanda, o setor vive uma fase de ajuste estrutural. Bezzon explica que, após enfrentar custos extremos por dois anos, a indústria de chocolates e confeitaria reduziu tamanhos de produtos, reformulou receitas e testou substitutos parciais para a manteiga de cacau, cuja cotação nos Estados Unidos atingiu picos próximos de US$ 40 mil por tonelada. Essas estratégias, de acordo com o analista, resultaram em queda significativa no consumo de subprodutos e, consequentemente, na demanda por amêndoas, contribuindo para o recuo recente das cotações internacionais.

As divulgações trimestrais de moagem continuam sendo o termômetro mais observado pelos agentes do setor, embora a leitura dos dados exija prudência. “A retração observada em Europa e Ásia, e de forma mais moderada na América do Norte, reflete tanto compressão de margens quanto limitações na oferta de amêndoas de qualidade, um cenário que ainda dificulta separar efeitos cíclicos de mudanças estruturais de consumo”, disse.

Outra peça importante do panorama atual é a revisão recente da Organização Internacional do Cacau (ICCO). Após dois trimestres sem atualizações, a entidade reduziu suas projeções para 2024/25, reforçando a visão de que o mercado permanece estruturalmente apertado. “A StoneX, por sua vez, projeta para 2025/26 um superávit de 287 mil toneladas, resultado de uma demanda mais contida e da recuperação parcial dos principais produtores. Caso esse cenário se confirme, a relação estoque-consumo pode se aproximar dos padrões históricos ao longo de 2026” afirmou o analista.

Movimentações nos contratos

No campo financeiro, o comportamento dos contratos futuros também sinaliza uma mudança de fase. A forte backwardation que dominou boa parte de 2024 e 2025 deu lugar a uma curva mais achatada, indicando percepção de menor escassez imediata e de normalização gradual dos fundamentos até 2027.

De acordo com Bezzon, o aumento das posições vendidas por investidores especulativos mostra um sentimento de curto prazo mais baixista, embora abra espaço para episódios de volatilidade diante de eventuais surpresas de oferta ou demanda. Em paralelo, a inclusão do cacau no Bloomberg Commodity Index, em janeiro, tende a adicionar fluxo comprador e influenciar o desempenho dos preços nos próximos meses.

Sobre o relatório

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, lançou a 34ª edição do Relatório de Perspectivas para Commodities, que traz análises abrangentes sobre os mercados de grãos, energia, fertilizantes, soft commodities, metais e câmbio. Produzido pela equipe de Inteligência de Mercado, com apoio de especialistas internacionais, o documento projeta um final de 2025 e início de 2026 marcados por tensões comerciais, incertezas monetárias e fatores específicos que afetam cada segmento do setor.

O Relatório de Perspectivas para Commodities pode ser baixado de forma gratuita aqui.

O ano de 2026 não será para amadores

por Marcos Dallagnese*

O ano de 2026 amanhece sem promessas fáceis para o agro brasileiro. Não há brisa de complacência, há vento de cobrança. O setor entra grande, competitivo, decisivo para a economia, mas sob um teste mais refinado, produzir muito já não basta, é preciso produzir certo, vender melhor e provar origem. O clima continua mandando, a geopolítica segue interferindo e a regulação deixou de ser ameaça distante para virar regra concreta. Quem ainda opera no improviso vai sentir primeiro.

A fotografia da safra é exuberante. A Conab projeta algo em torno de 354,4 milhões de toneladas de grãos. A soja, velha âncora, deve romper a barreira dos 177 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como líder global. O milho segue firme, com expectativa de 138 milhões de toneladas. Mas aqui mora a armadilha, safra grande em ambiente de custo elevado, logística pressionada e demanda errática não é sinônimo de prosperidade, é sinônimo de margem estreita. Em 2026, errar o timing de venda ou negligenciar hedge não será azar, será falha de gestão.

O clima não concede indulgência. A saída gradual da La Niña não significa calmaria, significa transição e transições são traiçoeiras. Chuvas fora de hora, granizo, janelas curtas, extremos pontuais. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático deixa de ser recomendação técnica e passa a ser critério de sobrevivência, especialmente porque o crédito agora cobra isso como contrapartida.

O milho confirma a lógica. A safrinha continua sendo pilar e divide protagonismo com o etanol, que mexe na demanda e na previsibilidade. Custos pressionados por fertilizantes e fretes impõem uma verdade incômoda: não haverá espaço para decisões “no feeling”. O milho de 2026 será de planilha, não de esperança.

E é exatamente nesse ponto que o café escancara o novo agro brasileiro. O setor chega a 2026 depois de dois anos de choques climáticos, estoques globais apertados e preços elevados, mas engana-se quem confunde preço alto com tranquilidade. O “mercado está caro” porque está frágil. Qualquer geada, seca ou ruído logístico reverbera instantaneamente na ICE Futures. Produzir sem proteção comercial é especular contra o próprio caixa.

Foto: Melquizedeque Almeida / Pexels.com

Importante: 2026 marca o fim da tolerância com informalidade. A regulação europeia antidesmatamento não é detalhe, é filtro de mercado. Exportar não depende só de produzir, mas de provar origem. Rastreabilidade, georreferenciamento e conformidade deixaram de ser diferenciais e viraram requisitos básicos. Quem ainda não entendeu isso está discutindo o problema errado.

O crédito também mudou de natureza. Não é cheque em branco. Em 2026, vem condicionado à gestão de risco climático, sustentabilidade comprovada e planejamento estratégico. Pensar apenas na próxima safra é curto demais para um setor que vive de ciclos longos, volatilidade e pressão regulatória. Ignorar essas exigências não significa perder oportunidade, significa perder relevância.

E há um ruído extra no ar: por ser um ano eleitoral, a polarização política e as incertezas macroeconômicas podem gerar volatilidade adicional no mercado. Quem depende de crédito, câmbio e apetite de risco precisará de cenários alternativos, disciplina em caixa e atenção redobrada aos prazos.

O comércio global não é mais sedução, é seleção. A China ajusta compras, a Europa impõe acordos com regras estritas e o mercado passa a remunerar mais origem e constância do que simplesmente volume. O café que se venderá melhor não será o mais abundante, será o mais confiável. E esse raciocínio vale para todo o agro. A carne vive momento forte, mas enfrenta cotas e barreiras. A soja domina, mas sofre com bases voláteis. O milho se industrializa, mas encarece. O denominador comum é simples e desconfortável: o agro brasileiro não está sendo ameaçado, está sendo selecionado.

O ano de 2026 será potente para quem opera com método, proteção e visão estratégica. Mas será implacável com quem insiste em jogar o jogo antigo em um tabuleiro novo. O agro brasileiro entra grande em 2026. Permanecer grande, porém, exigirá algo mais raro do que escala: maturidade.

*Engenheiro Agrônomo, com MBA em Gestão Comercial. Tem experiência nos setores Químico e do Agronegócio, com uma trajetória em empresas de referência, como a Bayer Crop Science e a ALTA (América Latina Tecnologia Agrícola). É diretor Comercial da Orbia.