Empresas têm até dezembro para se adaptar a novas regras sobre benefícios fiscais

Entrou em vigor neste mês de setembro um novo modelo de acompanhamento dos incentivos e benefícios fiscais utilizados pelas empresas. As novas regras da Receita Federal ampliam o controle sobre o cumprimento dos requisitos exigidos para a manutenção desses benefícios e abrem, até o fim do ano, uma janela para revisão e regularização de eventuais inconsistências.

Durante o período de adaptação, que segue até dezembro de 2026, o acompanhamento tem caráter orientativo e eventuais irregularidades podem ser comunicadas às empresas para que sejam corrigidas antes do início dos procedimentos formais previstos para 2027.

A medida pode alcançar empresas de diferentes portes e segmentos que usufruem de incentivos, renúncias ou benefícios tributários federais. Para Nicholas Coppi, advogado da Coppi Advogados Associados e especialista em Direito Tributário, a principal recomendação é aproveitar esse intervalo para verificar se todos os requisitos vinculados aos benefícios utilizados continuam sendo cumpridos. “Para muitas empresas, o benefício fiscal já faz parte da rotina e acaba sendo tratado como uma condição consolidada. A nova sistemática reforça que não basta ter obtido o direito ao incentivo. É necessário continuar atendendo às condições exigidas para sua utilização”, afirma Coppi.

Entre os requisitos que podem ser objeto de acompanhamento estão a regularidade fiscal, a situação perante o FGTS e o Cadin, a regularidade cadastral no CNPJ e a adesão ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), além das condições específicas previstas na legislação de cada benefício.

Na avaliação do especialista, a mudança interessa especialmente às empresas que utilizam incentivos há mais tempo e que não mantêm uma rotina periódica de revisão das condições necessárias à sua manutenção. “É um bom momento para fazer uma checagem relativamente objetiva: quais benefícios a empresa utiliza, quais são os requisitos para cada um deles e se existe documentação atualizada que demonstre o cumprimento dessas condições. Dependendo do caso, uma pendência cadastral ou de regularidade pode gerar consequências relevantes”, explica.

A regulamentação também ampliou de 20 para 30 dias úteis o prazo para regularização após eventual intimação e prevê situações em que esse período poderá ser prorrogado quando a solução depender da atuação de outro órgão público.

O caráter orientativo previsto até 31 de dezembro é um dos pontos que tornam o momento particularmente relevante para as empresas. A partir de janeiro de 2027, passam a ser adotados os procedimentos formais estabelecidos pela nova sistemática. Para Coppi, a existência desse intervalo deve ser entendida como uma oportunidade para antecipar a revisão, e não como motivo para postergá-la. “Se existe uma janela em que a própria sistemática privilegia a orientação e a regularização, faz sentido utilizá-la preventivamente. A empresa pode revisar cadastros, certidões, habilitações e controles antes de eventualmente ser chamada a prestar esclarecimentos”, aponta o especialista.

O novo modelo também reforça uma tendência de maior utilização de informações eletrônicas e cruzamento de dados pela administração tributária. Nesse ambiente, empresas que se beneficiam de incentivos precisam incorporar a revisão dessas condições às práticas de governança fiscal. “Benefícios tributários podem representar valores importantes para o resultado de uma companhia. Por isso, o controle sobre os requisitos necessários para mantê-los precisa ter a mesma relevância. A recomendação é não esperar janeiro para descobrir se existe alguma pendência que poderia ter sido identificada antes”, diz o advogado.

Para as empresas, o caminho inicial passa por identificar os benefícios fiscais utilizados, levantar os requisitos vinculados a cada um, verificar a situação fiscal e cadastral e corrigir eventuais inconsistências ainda durante o período de adaptação. “Os próximos meses oferecem uma oportunidade de revisão. Mais do que uma nova obrigação, é um momento para a empresa verificar se aquilo que já utiliza está juridicamente e documentalmente bem sustentado”, conclui Coppi.

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Digitalização transforma a gestão das fazendas e amplia a rentabilidade do agronegócio brasileiro

A transformação digital tem ganhado espaço nas propriedades rurais brasileiras e redefinido a forma como os produtores planejam suas compras, acessam crédito e tomam decisões estratégicas para a safra. Mais do que simplificar processos, a tecnologia vem contribuindo diretamente para a eficiência operacional e para o aumento da rentabilidade no campo.

A evolução dos marketplaces agrícolas e dos ecossistemas digitais criou um novo cenário para os produtores rurais. Em um mercado altamente influenciado por fatores externos, como oscilações climáticas e preços internacionais das commodities, a gestão eficiente dos custos de produção tornou-se uma das principais ferramentas para preservar margens e garantir competitividade.

Nesse contexto, plataformas digitais especializadas permitem que agricultores comparem ofertas, condições comerciais, prazos de pagamento e fornecedores em um único ambiente, ampliando seu poder de negociação e proporcionando mais transparência ao processo de compra de insumos.

“A digitalização trouxe um novo patamar de autonomia para o produtor rural. Hoje ele tem acesso a informações que antes estavam dispersas, consegue comparar alternativas de forma rápida e tomar decisões mais embasadas. Isso fortalece sua capacidade de gestão e contribui diretamente para a rentabilidade da propriedade”, afirma Ivan Moreno, CEO da Orbia.

Os resultados desse movimento já podem ser observados na prática. Um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), apontou que propriedades que adotaram tecnologias digitais registraram aumento médio de 18,7% na produtividade, além de uma redução de 12,3% no consumo de insumos agrícolas, como fertilizantes e defensivos. O levantamento também revelou que fazendas com alto grau de digitalização apresentam rentabilidade 23% superior em comparação àquelas que ainda operam com modelos tradicionais de gestão.

Além da comparação de preços, a digitalização vem promovendo maior transparência em toda a cadeia de suprimentos. Com informações mais acessíveis e reputações de fornecedores visíveis, fatores como assistência técnica, logística e pós-venda passaram a ter peso cada vez maior na decisão de compra.

Outro avanço importante está na integração de soluções financeiras às plataformas digitais. A partir do histórico de transações e do comportamento de compra dos produtores, torna-se possível oferecer condições de crédito mais aderentes à realidade de cada operação, contribuindo para o planejamento financeiro da safra.

“O futuro do agro digital vai muito além da compra online de insumos. Estamos caminhando para ecossistemas integrados, nos quais produtores, distribuidores, cooperativas, indústrias e instituições financeiras atuam conectados. Essa integração gera mais eficiência para toda a cadeia e cria oportunidades para que o agricultor tenha acesso a soluções cada vez mais completas”, destaca Moreno.

Esse modelo já faz parte da realidade da Orbia, que nasceu como um programa de fidelidade e hoje reúne soluções completas para a cadeia agrícola. A plataforma conecta produtores, revendas, distribuidores, cooperativas e instituições financeiras em um ambiente digital onde é possível cotar, comprar e pagar por insumos, além de acessar benefícios, soluções financeiras e ferramentas de gestão.

À medida que a transformação digital avança, especialistas apontam que a tendência é de consolidação de ecossistemas cada vez mais robustos, capazes de integrar dados, serviços, crédito e inteligência de mercado. Para o produtor rural, isso representa mais previsibilidade, maior controle sobre os custos e melhores condições para enfrentar os desafios de um setor cada vez mais dinâmico e competitivo.

Foto: Magnific

Operações da Polícia Federal miram garimpo ilegal e desmatamento na Amazônia

A Polícia Federal (PF) deflagrou duas operações direcionadas ao combate de crimes ambientais e à preservação dos recursos naturais na Região Amazônica. As ofensivas — batizadas de Operação Aurum Tapajós e Operação Guardião Infiel — têm como foco estancar a exploração ilegal de ouro e o desmatamento clandestino de madeira nativa em territórios protegidos pela União.

As ações reforçam a intensificação da fiscalização contra atividades ilegais que impactam a biodiversidade, a regularidade fundiária e a reputação produtiva do setor agroflorestal brasileiro.

Garimpo clandestino afeta APA do Tapajós no Pará

Na Operação Aurum Tapajós, os agentes buscaram aprofundar as investigações sobre a extração irregular de ouro na Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, localizada no município de Novo Progresso, no sudoeste do Pará.

A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, distribuídos entre os municípios de Belém e Santarém. A finalidade é recolher documentos, equipamentos eletrônicos e mídias digitais que ajudem a identificar os financiadores e responsáveis pela atividade ilegal.

A investigação teve início após fiscalizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no âmbito da Operação Garimpo Zero. Na ocasião, os fiscais constataram a extração mineral sem licença ambiental em uma área de floresta nativa estimada em 40 hectares. Além do dano ambiental, a prática configura usurpação de bens e recursos minerais pertencentes à União.

Extração e venda ilegal de madeira em Rondônia e Goiás

Simultaneamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Guardião Infiel, voltada ao combate ao desmatamento e à comercialização clandestina de madeira nativa retirada de território protegido.

A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Rondônia: seis mandados em aldeias situadas na Terra Indígena Igarapé-Lage, em Guajará-Mirim (RO), e um mandado no município de Goiânia (GO).

Segundo a PF, o esquema apura a retirada e comercialização ilegal de madeira de floresta nativa. Há indícios de que os próprios investigados que atuavam na região facilitavam a entrada de terceiros e a logística para a exploração clandestina dentro do território indígena.

Foto: Pok Rie / Pexels.com

Impactos para o setor agroflorestal e o mercado nacional

A repressão ao garimpo e ao desmatamento ilegal é peça-chave para garantir a integridade dos ecossistemas amazônicos e fortalecer o agronegócio sustentável no Brasil. Atividades clandestinas geram concorrência desleal com o setor florestal manejado e legalizado, além de trazer prejuízos à reputação internacional do país na pauta socioambiental.

A Polícia Federal e os órgãos de fiscalização seguem com a análise do material apreendido para delimitar a responsabilidade penal dos envolvidos e calcular a extensão total dos danos causados.

Entre recorde de produção e atraso nas compras, produtor rural corre contra o tempo na safra 2026/27

O agronegócio brasileiro fecha a safra 2025/26 com números recordes, mas entra no planejamento do ciclo 2026/27 sob um cenário de custos mais voláteis, crédito delimitado, câmbio pressionado e exigências internacionais mais rígidas. Segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o país deve colher cerca de 360 milhões de toneladas de grãos na safra que se encerra, puxado por uma produção recorde de soja, próxima de 180 milhões de toneladas, e por uma safra de milho que soma 141,7 milhões de toneladas somadas as três safras. O café também caminha para um novo recorde em 2026/27, com estimativas de diferentes consultorias variando entre 66 milhões e mais de 75 milhões de sacas.

Apesar do otimismo com a produção, o custo dos insumos segue no centro das atenções. O mercado internacional de fertilizantes voltou a ficar tenso neste ano, pressionado pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio e por gargalos logísticos que encareceram fretes e o gás natural, matéria-prima essencial para os nitrogenados. Ainda que o Índice de Poder de Compra de Fertilizantes tenha recuado em junho, refletindo a queda nas commodities agrícolas e nos preços médios de insumos, o produtor segue mais cauteloso nas negociações para 2026/27. Dados do setor apontam que pouco mais da metade do volume de fertilizantes necessário para a próxima safra havia sido contratada até o momento, patamar abaixo do histórico para a época, o que acende o alerta para uma possível concentração de compras no gargalo logístico próximo ao plantio.

Segundo Marcos Dallagnese, diretor Comercial da Orbia, plataforma digital integrada do agronegócio, cada cultura vive um momento distinto de mercado, o que exige estratégias diferentes de compra e gestão de insumos ao longo da safra. “A soja segue em ritmo de recuperação de preços de olho na demanda e safra americana, mas isso também exige do produtor atenção redobrada ao câmbio e ao timing entre a venda do grão e a compra de insumos. Já o milho vive uma transformação estrutural, com a expansão acelerada das usinas de etanol ampliando a disputa pelo grão e tornando o planejamento logístico ainda mais estratégico. O café, por sua vez, segue em um bom momento de preços e volatilidade, mesmo diante da expectativa de safra recorde, o que exige acompanhamento constante do mercado por parte do produtor”, afirma.

De fato, o etanol de milho deve consumir cerca de 37,7 milhões de toneladas do cereal na safra 2026/27, avanço de 36% sobre o ciclo anterior, elevando a participação do biocombustível para cerca de 34% da demanda doméstica por milho, segundo levantamento do Itaú BBA. O movimento amplia a disputa pelo grão entre indústria de biocombustíveis, exportação e proteína animal, e tende a aumentar a sensibilidade dos preços domésticos em momentos de menor oferta.

Já no café, apesar da previsão de colheita recorde para 2026/27, o mercado físico segue pressionado: praças produtoras de Minas Gerais, como Guaxupé e Varginha, acumularam valorização importantes em julho, reflexo de estoques certificados apertados e do ritmo ainda lento de comercialização antecipada da nova safra, hoje bem abaixo da média histórica para a época.

Foto: Ebahir / Pexels.com

Ainda de acordo com Dallagnese, o produtor rural brasileiro vem adotando um perfil cada vez mais estratégico na tomada de decisão, deixando de comprar apenas com base em oportunidade pontual para analisar timing, condições comerciais, crédito e previsibilidade operacional. “Hoje, o produtor precisa olhar para a compra de insumos como parte da gestão financeira da propriedade. Não basta apenas garantir produto, é preciso buscar eficiência, previsibilidade com parceiros confiáveis e ferramentas que ajudem na tomada de decisão ao longo da safra”, explica.

Nesse movimento, as plataformas digitais vêm ganhando espaço dentro do agro brasileiro. A Orbia, que nasceu como um programa de fidelidade e hoje reúne soluções completas para a cadeia agrícola, conecta produtores rurais a uma ampla rede de revendas, distribuidores e cooperativas em todo o país, permitindo cotação, compra e pagamento online de insumos agrícolas.

“A digitalização trouxe mais agilidade e transparência para o mercado. Na Orbia, o produtor consegue comparar ofertas, acompanhar condições comerciais e acessar diferentes fornecedores em um só lugar, o que contribui diretamente para um planejamento mais eficiente das compras”, destaca Dallagnese.

Além das questões operacionais, o mercado agrícola também passa por uma transformação ligada às exigências globais de rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade regulatória. Um dos temas que mais deve pautar 2026 e 2027 é o Regulamento Europeu de Desmatamento (EUDR), que passa a valer de forma gradual a partir de dezembro de 2026 para grandes e médios produtores, e a partir de junho de 2027 para pequenos produtores. 

Entre as commodities mais expostas à nova regra está justamente o café, uma vez que mais da metade da safra brasileira segue para a União Europeia, mas a soja também figura entre os produtos citados como relevantes pela regulação, reforçando a necessidade de sistemas robustos de rastreabilidade e comprovação de origem ao longo de toda a cadeia produtiva.

“O agro brasileiro continua extremamente forte e competitivo, mas o cenário atual exige cada vez mais profissionalização. Quem conseguir unir planejamento, tecnologia e gestão, terá mais capacidade de enfrentar um ambiente de margens apertadas e maior pressão do mercado global”, finaliza Dallagnese.

Forrageiras: o investimento mais estratégico para a agricultura moderna

por Marcelo Ayres Carvalho*

A eficiência no uso da terra e o controle dos custos de produção são fatores essenciais para a gestão das propriedades rurais. Em um cenário de variações nos preços das commodities agrícolas, do custo dos insumos e das taxas de juros, a eficiência do sistema produtivo impacta diretamente a estabilidade financeira das atividades rurais. 

Neste contexto, as plantas forrageiras deixam de ser apenas um componente da pecuária para assumir um papel estratégico na agricultura moderna. Mais do que culturas de cobertura, elas contribuem para a saúde do solo, reduzem riscos de produção, aumentam a produtividade e fortalecem a rentabilidade das lavouras, especialmente em períodos de instabilidade econômica e climática.

O risco da safrinha e a armadilha do custo fixo

Historicamente, a “safrinha” de grãos (em geral, com milho ou sorgo) foi utilizada para diluir os custos fixos da propriedade. No entanto, em anos de crise financeira e instabilidade climática, essa estratégia pode se transformar em uma perigosa armadilha. Implantar uma segunda safra de grãos exige investimentos elevados em sementes, fertilizantes e defensivos. Quando o clima ou os preços forem desfavoráveis, a safrinha deixa de gerar receita e passa a representar um passivo financeiro.

A busca por eficiência operacional exige que o produtor repense o uso da terra. A exposição ao risco em janelas marginais de plantio tem levado à adoção de alternativas que demandam menor desembolso inicial e oferecem maior proteção ao sistema produtivo.

No entanto, a redução da dependência de safrinhas de alto risco não significa deixar a terra em pousio — o que seria um erro agronômico grave no Sistema Plantio Direto (SPD). A opção é a adoção de culturas que preparem o sistema para a safra principal com um custo significativamente menor.

As forrageiras como ferramentas estratégicas

O cultivo de espécies forrageiras, especialmente gramíneas e leguminosas tropicais, representa uma estratégia eficiente para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos. Ao contrário de uma cultura de grãos, a forrageira implantada após a safra de verão, atua como um “seguro biológico”. Ela não exige os mesmos investimentos em operações agrícolas, insumos e gestão, e entrega um retorno para o sistema que poucas tecnologias conseguem superar.

As forrageiras vão além da cobertura do solo. Seus sistemas radiculares promovem descompactação, infiltração de água, oxigenação do perfil, ciclagem de nutrientes, supressão de plantas invasoras, nematoides, pragas e doenças, além de favorecer o sequestro de carbono.

Em um cenário de crise, onde o produtor precisa extrair o máximo de cada quilo de fertilizante aplicado, ter um solo estruturado e saudável é fundamental para evitar perdas de produtividade e aumento de custos de produção.

Evidências técnicas e econômicas: o valor da saúde do solo

Estudos científicos demonstram que substituir a safrinha de grãos por forrageiras melhora o desempenho do sistema produtivo. Pesquisas têm demonstrado que a soja cultivada após o uso de forrageiras apresenta um incremento médio de 15% na produtividade, o que representa cerca de 515 quilos por hectare adicionais (ou mais de 8,5 sacas por hectare). O ganho está associado à melhora dos bioindicadores da saúde do solo, com aumento da atividade enzimática e da ciclagem de nutrientes.

Do ponto de vista financeiro, o retorno sobre o investimento (ROI) é bastante expressivo. Enquanto o custo de implantação de uma cobertura forrageira varia entre US$ 9 e US$ 30 por hectare em sementes, o retorno financeiro apenas em ganho de produtividade da soja subsequente é estimado em US$ 198 por hectare. 

Forrageiras, uma poupança para o solo e para o produtor 

Em tempos de insumos caros, as forrageiras funcionam como uma poupança de nutrientes. Cultivares de Brachiaria recuperam potássio e fósforo das camadas profundas do solo e os devolvem à superfície por meio da biomassa. Após a dessecação da forragem, esses nutrientes são liberados de forma gradual, reduzindo a dependência imediata de fertilizantes químicos de alta solubilidade e custo elevado.

Além disso, a palhada persistente sobre o solo reduz a temperatura superficial e mantém a umidade, mitigando os efeitos do estresse hídrico — um problema recorrente que tem dizimado margens de lucro em diversas regiões. 

O uso de leguminosas forrageiras contribui também para a melhoria dos atributos físicos e biológicos do solo, promovendo o aporte de nitrogênio no sistema pela fixação biológica. Estudos mostram que leguminosas forrageiras podem fixar entre 50 e mais de 250 quilos de nitrogênio por hectare ao ano. 

Elas podem ser utilizadas isoladamente ou em consórcio com gramíneas. As forrageiras também podem ser pastejadas, diversificando a renda. Estudos em fazendas mostram aumento de 18% na produtividade da soja em áreas pastejadas.

Essa estratégia amplia a competitividade do produtor brasileiro. A sustentabilidade aqui não é um conceito abstrato, mas uma ferramenta de resiliência econômica que permite produzir mais com menos interferência externa.

A maturidade do sistema de produção

O crescimento do mercado de sementes forrageiras mostra que investir na saúde do solo reduz riscos e aumenta a eficiência da safra principal. A adoção de sistemas integrados – a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) – ou o uso estratégico de forrageiras como plantas de cobertura para o sistema de plantio direto marca a maturidade do sistema de produção brasileiro. 

O produtor que compreende a forrageira como um investimento em infraestrutura biológica estará, ao final dessa crise, em uma posição de liderança, com custos de produção mais baixos, solos mais férteis e uma operação significativamente menos vulnerável às oscilações climáticas e do mercado de commodities e insumos.

*Pesquisador da Embrapa Cerrados.

Alta dos juros é apontada como principal fator para avanço de consórcios no agronegócio

O aumento do custo do crédito rural e a necessidade constante de investir em produtividade têm impulsionado o consórcio como uma das principais alternativas para pequenos e médios produtores rurais adquirirem tratores, colheitadeiras, implementos e outros equipamentos agrícolas. A avaliação é da Multimarcas Consórcios, que observa uma mudança no perfil do produtor, cada vez mais voltado ao planejamento financeiro e à busca por soluções que reduzam o impacto dos juros sobre os investimentos no campo.

A tendência é confirmada pelos números da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O segmento de máquinas agrícolas reúne atualmente 463,3 mil participantes ativos, crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior. Apenas entre janeiro e abril deste ano, foram disponibilizados R$ 4,36 bilhões em créditos, alta de 15% na comparação com o mesmo período de 2025, demonstrando que mais produtores estão utilizando o consórcio para renovar seus maquinários e ampliar a capacidade produtiva.

Segundo Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios, o cenário reforça uma mudança que já vinha sendo observada pela empresa desde o ano passado e que se intensificou diante das condições do mercado de crédito. “Os juros elevados fizeram com que muitos produtores reavaliassem a forma de investir. Hoje, o consórcio deixou de ser apenas uma alternativa e passou a fazer parte do planejamento financeiro de muitos pequenos e médios produtores. Eles conseguem programar a renovação da frota, preservar o capital de giro da propriedade e investir sem os custos do financiamento tradicional”, afirma.

Para Lamounier, o crescimento da modalidade está diretamente ligado ao papel estratégico que a mecanização exerce na competitividade do agronegócio. “O produtor precisa investir continuamente em tecnologia para aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais e ganhar eficiência. O consórcio permite que esse investimento aconteça de forma planejada, respeitando o fluxo de caixa da atividade rural e oferecendo mais previsibilidade para quem administra o negócio”, explica.

Os dados da ABAC também mostram que as máquinas agrícolas já representam 51% de todo o segmento de consórcios de veículos pesados, superando os caminhões. Outro indicador relevante é o perfil dos participantes: aproximadamente dois terços dos consorciados são pessoas físicas, público formado majoritariamente por pequenos e médios produtores rurais, o que evidencia a importância da modalidade para ampliar o acesso à mecanização no campo.

Embora o início de 2026 tenha registrado uma desaceleração na comercialização de novas cotas, reflexo da cautela do mercado diante do cenário econômico, a Multimarcas avalia que o aumento do volume de créditos disponibilizados demonstra a maturidade do setor e a consolidação do consórcio como uma ferramenta de investimento de longo prazo.

“O produtor rural está cada vez mais consciente de que planejamento também é um diferencial competitivo. Quem consegue organizar seus investimentos com antecedência reduz riscos, preserva recursos para a operação e mantém a propriedade preparada para crescer. O consórcio atende exatamente essa necessidade e, por isso, deve continuar ampliando sua participação no agronegócio brasileiro”, conclui Lamounier.

Guerra no Oriente Médio acelera migração para ativos estratégicos e países como o Brasil podem virar alvo de investimentos, dizem especialistas

A escalada das tensões no Oriente Médio não impacta apenas o preço do petróleo. Ela altera fluxos comerciais globais, aumenta a percepção de risco e passa a fazer parte das discussões estratégicas de conselhos de administração, fundos de investimento e mesas de negociação de fusões e aquisições.

Ainda assim, os dados mostram que a incerteza geopolítica não tem sido suficiente para paralisar o mercado. O capital continua circulando, mas de outra forma, segundo especialistas. Ainda mais seletiva, priorizando geografia, economia e setores considerados resilientes, além de ativos capazes de atravessar cenários de maior volatilidade. Prova disso é que, no primeiro trimestre de 2026, as operações globais de fusões e aquisições não apresentaram queda; pelo contrário: somaram US$ 861 bilhões, registrando o melhor início de ano para o mercado desde 2021.

“Em momentos de tensão geopolítica, o investidor deixa de perseguir apenas crescimento e passa a buscar proteção. Mas o movimento de alocação de capital continua. Contudo, ele se reorganiza, procura ativos ligados à segurança energética, produção de alimentos, infraestrutura e recursos naturais”, afirma Jefferson Nesello, sócio-fundador e diretor da Zaxo, boutique de M&A.

Segundo relatório da Aon, elaborado em parceria com a TTR Data e a Datasite, o Brasil registrou 256 operações de fusões e aquisições no primeiro trimestre de 2026, uma queda de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da redução no número de negócios, o valor agregado das transações saltou 114%, alcançando US$ 17,7 bilhões.

“O crescimento de 114% no valor das operações de M&A mostra que o capital continua disposto a investir, mas de forma mais concentrada e seletiva. O investidor global está buscando ativos resilientes, capazes de atravessar ciclos de turbulência”, diz o diretor da Zaxo.

E é justamente nesse cenário de reacomodação global do capital que o Brasil ganha relevância, cada vez mais como uma alternativa estratégica e não apenas como um mercado emergente. “Enquanto parte do mundo convive com conflitos armados, disputas comerciais e riscos crescentes de interrupção de cadeias produtivas, o país reúne atributos que se tornaram escassos: disponibilidade de recursos naturais, capacidade energética e estabilidade institucional relativa quando comparada a outras regiões”, afirma Nesello.

Na avaliação do executivo, a combinação desses fatores tende a fortalecer o papel do Brasil como destino de investimentos estratégicos. “Nesse contexto, setores ligados à energia, infraestrutura, agronegócio e recursos naturais passam a ocupar posição privilegiada nas decisões de alocação de capital”, destaca.

O setor de energia é um dos exemplos mais evidentes. Em meio às preocupações globais sobre o fornecimento de petróleo, empresas internacionais têm ampliado sua atenção ao Brasil. Em março de 2026, a Shell afirmou enxergar uma “enorme oportunidade” para investimentos no petróleo brasileiro justamente em razão da estabilidade do país em comparação a outras regiões produtoras. A companhia destacou que a produção nacional ganha importância à medida que compradores globais buscam reduzir sua dependência do Oriente Médio.

A relevância estratégica da América do Sul também aparece nos números. Em 2026, Brasil, Guiana e outros produtores da região ampliaram sua participação no abastecimento global em um momento de redução da oferta oriunda do Oriente Médio. A reorganização do mercado global de energia já produz reflexos concretos. Desde 2021, as exportações brasileiras de petróleo cresceram 71%, e o país embarcou mais de 361 milhões de barris apenas nos cinco primeiros meses de 2026. Em meio às restrições de oferta provocadas pela crise no Oriente Médio, Brasil e Guiana responderam por grande parte do aumento das exportações sul-americanas, transformando a região em uma das principais alternativas ao petróleo oriundo do Golfo Pérsico.

O executivo conclui: “A guerra no Oriente Médio está acelerando uma reorganização dos fluxos globais de capital. E o Brasil precisa aproveitar essa janela. O desafio agora é transformar essa vantagem potencial em atração efetiva de investimentos. Quem conseguir se posicionar melhor durante essa reconfiguração global tende a colher os resultados por muitos anos”.

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O fim da gourmetização? Brasileiros redescobrem o valor da comida simples e bem feita

Depois de anos em que ingredientes exóticos, apresentações elaboradas e conceitos sofisticados dominaram cardápios e redes sociais, um novo movimento começa a ganhar força no mercado de alimentação: a valorização da comida simples. Mais do que uma tendência passageira, a mudança reflete transformações no comportamento do consumidor, que tem buscado refeições capazes de unir sabor, qualidade e uma experiência mais genuína.

O fenômeno acompanha um cenário econômico que exige escolhas mais conscientes. Segundo dados da pesquisa Consumer Insights, da Kantar, os brasileiros estão cada vez mais atentos à relação entre custo e benefício nas decisões de consumo. No setor de alimentação, isso significa uma preferência crescente por opções que entreguem valor percebido, sem necessariamente estarem associadas à sofisticação ou ao status.

Na prática, o movimento não representa o abandono da qualidade, mas uma redefinição do que o consumidor considera importante. Em vez de priorizar apresentações complexas ou ingredientes difíceis de encontrar, cresce a valorização de receitas tradicionais, porções generosas, sabores familiares e experiências que despertam conforto emocional.

Para Gabriel Alberti, da Itália no Box, a mudança é resultado de um consumidor mais maduro e menos influenciado por modismos. “Durante muito tempo existiu uma valorização muito grande da experiência visual e da novidade. Hoje percebemos que as pessoas querem, acima de tudo, comer bem. O consumidor continua exigente, mas ele busca qualidade associada ao sabor, à fartura e à sensação de que fez uma boa escolha”, afirma.

O movimento também encontra respaldo em uma tendência global conhecida como comfort food, que ganhou ainda mais relevância nos últimos anos. Em momentos de incerteza econômica ou mudanças aceleradas na rotina, alimentos que remetem à memória afetiva costumam ganhar espaço nas preferências do público.

Massas, pratos compartilháveis, receitas tradicionais e preparações que remetem ao ambiente familiar voltam a ocupar posição de destaque em diferentes segmentos da gastronomia. Mais do que alimentar, a refeição passa a representar um momento de acolhimento e conexão.

Foto: Matheus Bertelli / Pexels.com

“Existe uma busca crescente por experiências mais verdadeiras. Não significa abrir mão da qualidade ou da criatividade, mas valorizar aquilo que realmente importa para quem está à mesa. Muitas vezes, um prato simples, bem executado e servido de forma generosa cria uma experiência muito mais marcante do que algo extremamente elaborado”, afirma Alberti.

A mudança de comportamento também influencia diretamente o setor de food service. Restaurantes, franquias e lanchonetes têm revisitado cardápios para equilibrar inovação e familiaridade, apostando em receitas que combinam conveniência, sabor e preço justo.

Segundo especialistas do mercado, a chamada “desgourmetização” não deve ser interpretada como uma rejeição à gastronomia de qualidade, mas como um ajuste natural às expectativas de um consumidor que passou a valorizar mais a experiência completa do que a exclusividade de um produto.

Nesse contexto, atributos como consistência, porções adequadas, ingredientes de qualidade e identidade culinária ganham relevância. O consumidor continua disposto a investir em alimentação, mas espera que a refeição entregue satisfação real, e não apenas uma experiência pensada para ser fotografada.

“O brasileiro tem uma relação muito afetiva com a comida. Quando ele escolhe uma refeição, está buscando prazer, conforto e momentos de convivência. O que estamos vendo é um retorno a essa essência. O sabor voltou a ocupar o centro da experiência gastronômica”, destaca Alberti.

Para o setor, a tendência sinaliza uma oportunidade de reconexão com aquilo que sempre esteve na base da boa gastronomia: ingredientes de qualidade, receitas bem executadas e a capacidade de criar experiências memoráveis sem excessos.

Em um mercado cada vez mais competitivo, a simplicidade pode estar se tornando o ingrediente mais valioso do cardápio. Afinal, para muitos consumidores, a melhor experiência continua sendo aquela que entrega exatamente o que promete: comida boa, farta e capaz de reunir pessoas em torno da mesa.

Seguradoras elevam a régua para o seguro de silos

Poeira em suspensão, acúmulo de resíduos, fontes de calor e medidas de prevenção passaram a ganhar atenção crescente das seguradoras na análise de risco de unidades armazenadoras. Mais do que avaliar a estrutura física dos silos, as seguradoras querem saber quais medidas estão sendo adotadas para reduzir a probabilidade de incêndios, explosões e outros sinistros. A mudança acompanha um cenário que preocupa o setor. Somente no primeiro semestre de 2026, quatro grandes incêndios foram registrados em unidades armazenadoras de grãos no Brasil, reforçando a necessidade de investimentos em prevenção e gestão de riscos. A sucessão desses episódios tem levado produtores, armazenadores e seguradoras a ampliar a atenção sobre práticas e soluções capazes de reduzir a exposição a acidentes.

Na avaliação de Fabio Tomain, proprietário da FTAGRO Gestão de Riscos 360, a análise das seguradoras evoluiu e hoje considera fatores que demonstram o nível de controle de riscos adotado pela empresa. “A seguradora busca entender não apenas a estrutura da unidade armazenadora, mas também quais medidas efetivas são adotadas para reduzir a possibilidade de sinistros. Quanto maior a capacidade de prevenção e gerenciamento dos riscos, melhor é a percepção sobre a operação durante a análise da apólice”, afirma. Segundo Tomain, a prevenção passou a ocupar um papel estratégico na gestão das unidades armazenadoras, principalmente diante da recorrência de incêndios registrados no país.

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Para Adriano Mallet, diretor da Agrocult Consultoria, distribuidora do Cycloar, a prevenção precisa fazer parte da rotina das unidades armazenadoras, e não apenas ser lembrada depois que um acidente acontece. “Grande parte dos fatores que favorecem incêndios e explosões pode ser reduzida com boas práticas e com o uso de tecnologias adequadas. Controlar a poeira em suspensão, melhorar a ventilação e reduzir condições que favoreçam focos de ignição significa aumentar a segurança da operação e proteger pessoas, patrimônio e os grãos armazenados”, destaca.

Entre os fatores que mais preocupam especialistas estão justamente a poeira em suspensão, o acúmulo de resíduos e a presença de fontes de calor em ambientes fechados, condições que podem favorecer incêndios e explosões quando não são controladas adequadamente. Um incêndio em uma unidade armazenadora pode comprometer estoques, interromper operações, provocar prejuízos elevados e afetar a continuidade das atividades. Nesse cenário, sistemas de exaustão como o Cycloar passam a ganhar relevância. Desenvolvido para promover a renovação contínua do ar no interior dos silos, o equipamento reduz a concentração de poeira em suspensão, melhora a ventilação e contribui para minimizar condições favoráveis à ocorrência de incêndios e explosões. Além de aumentar a segurança operacional, a adoção de tecnologias preventivas demonstra uma postura de gestão voltada ao controle de riscos, aspecto que tende a ser observado com atenção crescente pelas seguradoras durante os processos de emissão e renovação de apólices.

Encontro Empresarial Angola-Brasil consolida nova fronteira do agronegócio e investimentos privados

A busca por novos mercados globais, a expansão das exportações e a necessidade de diversificação geoeconômica ganharam um marco decisivo com a realização do Encontro Empresarial Angola-Brasil 2026. O fórum internacional, que reuniu lideranças corporativas, autoridades governamentais e investidores dos dois países, consolidou o setor produtivo e a cooperação agroindustrial como pilares centrais da integração econômica entre o Brasil e o continente africano.

Agro tropical e cooperação: a virada de chave dos investimentos

Angola vivencia um processo de aceleração na substituição de importações alimentares — mercado que consome cerca de US$ 3 bilhões anuais para suprir a demanda interna de alimentos. A resposta a esse desafio encontrou forte ressonância na expertise acumulada pelo Brasil ao longo de mais de cinco décadas de liderança em agricultura tropical, adaptando o know-how de manejo do Cerrado e do Matopiba às terras agricultáveis do país africano.

A realização do Encontro Empresarial foi o ápice de um ciclo de aproximação comercial. O movimento já vinha sendo impulsionado por missões governamentais e empresariais promovidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além da atuação do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), que organizou fóruns corporativos e comitivas com dezenas de empresários a Luanda para prospectar áreas e estreitar os laços entre o setor privado e o ecossistema de negócios angolano.

Durante o evento, autoridades locais reforçaram a oferta de centenas de milhares de hectares para projetos agrícolas integrados às comunidades, destacando que a infraestrutura e os mecanismos de financiamento mútuo estão postos para quem busca produzir, agregar valor e exportar a partir de Angola.

Foco de aportes: grãos, máquinas e proteína animal

Os desdobramentos e acordos firmados ao longo do encontro apontam para aportes estratégicos de capital privado brasileiro em três frentes prioritárias:

Grãos e Fibras: Produção em larga escala de soja, milho e algodão em províncias como Cuanza Norte, Uíge e Malanje, utilizando sistemas sustentáveis de rotação de cultura.

Proteína Animal: Projetos voltados à pecuária de corte, avicultura e suinocultura, fortalecendo a segurança alimentar e a implantação de unidades de processamento de carne.

Mecanização e Insumos: Aquisição e exportação de máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação, armazenagem e fertilizantes produzidos pela indústria brasileira.