Plano Brasil Soberano: veja quais são as medidas para ajudar empresas afetadas pelo “tarifaço” dos EUA

com informações da Agência Brasil

O Governo Federal anunciou a medida provisória (MP) que reúne medidas de apoio às empresas, aos exportadores e trabalhadores afetados pelas sobretaxas impostas pelos Estados Unidos contra os produtos brasileiros. Chamada de Plano Brasil Soberano, a MP foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

De acordo com a Presidência da República, o plano tem três eixos:

  • fortalecimento do setor produtivo
  • proteção aos trabalhadores
  • diplomacia comercial e multilateralismo

Entre as principais medidas previstas estão linhas de crédito. Apenas do Fundo Garantidor de Exportações serão R$ 30 bilhões, conforme anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os recursos serão usados como funding para a concessão de crédito com taxas acessíveis e, também, para ampliar as linhas de financiamento às exportações.

A MP define quem terá prioridade para a obter os créditos. Empresas mais afetadas terão preferência, levando em conta a dependência do faturamento em relação às exportações para os EUA; tipo de produto; e o porte de empresa. No caso das pequenas e médias empresas, elas também poderão recorrer a fundos garantidores para acessar o crédito.

O governo ressalta que o acesso às linhas estará condicionado à manutenção dos empregos. Estão previstos, também, aportes de R$ 4,5 bilhões em fundos garantidores; e R$ 5 bilhões em crédito pelo novo Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Novo Reintegra).

CNI

Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, a crise gera oportunidades. “Toda crise gera desafios, e todo desafio gera oportunidades. E a gente tem de olhar esse desafio e essa oportunidade sob o prisma do copo meio-cheio. Esse é o nosso objetivo”, destacou Alban. “Para isso, a nossa CNI, o setor produtivo, as instituições do setor produtivo das indústrias, nós estamos aderindo a esse processo de defesa dos interesses da indústria, do comércio e da economia brasileira”, acrescentou.

Foto: Anamul Rezwan / Pexels.com

Irrigação pode aumentar a produtividade em 30% e oferecer mais sustentabilidade com o uso racional da água

Dados da Embrapa, de outubro de 2024, indicam que o Brasil aumentou a quantidade de áreas de lavoura irrigadas nos últimos anos. Enquanto em 2022, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apontou que havia 1,92 milhão de hectares irrigados por pivôs centrais, em 2024 esse número passou para 2,2 milhões de hectares, um aumento de 14,58%. Apesar disso, o Brasil possui apenas 2,6% do total de áreas irrigadas em relação ao percentual global.

Ao todo, considerando outros tipos de irrigações, como como o uso de gotejamento, inundação e aspersão convencional, o país chega a 9,2 milhões de hectares. A área é menor que as áreas irrigadas do Irã e Paquistão, três vezes menor que a dos Estados Unidos e oito vezes menor que as áreas irrigadas da China e Índia.

Por conta desses números, especialistas enxergam que há grande potencial para o avanço da irrigação. As mudanças climáticas se tornaram um fator importante para o desenvolvimento dessa atividade. “Produtores em muitos locais do país têm sofrido com a falta de regularidade e a má distribuição de chuvas, com longos períodos de estiagem, especialmente por conta das mudanças climáticas. Com isso, a irrigação se apresenta como uma oportunidade para evitar perdas de safra e até mesmo ampliar a produtividade”, destaca Juan Latorre, gerente comercial sul da Lindsay, líder mundial em tecnologia para irrigação no agronegócio.

Segundo ele, projetos de irrigação bem desenvolvidos podem aumentar a produtividade ultrapassando uma média de 30% e permitem que os produtores possam realizar até três safras ao ano. A irrigação é feita em especial para culturas de grãos, mas tem se expandido cada vez mais para outras culturas como as de cana, café, citrus e hortifrutis, entre outros.

“A irrigação não consegue mitigar todos os problemas climáticos, mas amplia a segurança e funciona como uma espécie de seguro para o produtor rural quando a chuva não vem. Os projetos de irrigação bem estruturados também ampliam a produtividade das terras, podendo chegar de duas a três safras na mesma área. Isso colabora para diminuir a abertura de novas áreas e para promover um melhor uso dos recursos hídricos”, afirma Priscila Sleutjes, engenheira agrônoma, produtora rural e diretora da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID).

A utilização dos chamados pivôs centrais se torna estratégica para que a irrigação se torne mais sustentável, já que muitos desses equipamentos possuem tecnologias especializadas para a utilização racional da água e para evitar o desperdício. A Lindsay lançou há alguns anos as tecnologias FieldNet e FieldNet Advisor, que oferecem todas as funcionalidades e informações em uma só plataforma. De forma remota, é possível ligar e desligar o sistema, controlar a quantidade de água para cada ângulo do pivô e criar planos ou automações para o funcionamento do equipamento. “Além disso, é possível integrar ao equipamento os dados da estação meteorológica e das sondas de umidade, que oferecem ainda mais informações relevantes para a irrigação. A junção das duas tecnologias proporciona orientação e informações completas para que o produtor tome as melhores decisões”, afirma Rodrigo Bernardi, especialista de tecnologia da Lindsay, que também reforça a importância da tecnologia para a sustentabilidade.

Foto: Divulgação / Lindsay

“Quando falamos de irrigação é preciso lembrar que é preciso sempre colocar a quantidade de água correta para a planta ter um bom desenvolvimento e atingir boas produtividades, já que tanto o momento quanto o excesso ou falta de água são prejudiciais para a lavoura. Com a automatização, o produtor tem as informações traduzidas para tomar as ações corretas e pode evitar falhas. Isso traz economia de água e de energia, tornando o cultivo mais sustentável e trazendo uma redução de custos para o produtor, já que ele pode produzir mais com menos recursos”, destaca o especialista.

Rodrigo cita que a água segue um ciclo, em que ela é utilizada na irrigação, passa pelo processo de evatotranspiração e volta para o lençol freático. “Apenas de 5 a 10% da água utilizada é absorvida pela planta. Entre 90 e 95% da água segue seu fluxo normal e volta para o sistema. Por isso esse controle dos recursos hídricos é tão importante”, frisa ele.

Os especialistas destacam que a venda de um projeto de irrigação funciona de maneira diferente a uma máquina ou implemento, uma vez que é preciso considerar diversos aspectos e é preciso customizar um projeto para cada cliente.

“Eles levam em consideração o tipo de cultura, topografia, solo, condições climáticas, disponibilidade de energia e outorgas para o uso de água, questões de infraestrutura, tempo de maturação do projeto, capital investido, acesso ao crédito, entre muitos outros fatores. Por isso, existe um trabalho de aproximação e de conscientização dos produtores sobre a importância desse investimento. Buscamos mostrar a eles que um bom projeto, com a ajuda de especialistas qualificados, pode trazer grandes benefícios para o produtor”, afirma Cristiano Trevizam, diretor comercial da Lindsay.

Segundo ele, os investimentos feitos em um projeto de irrigação podem ser recuperados, em média, em três anos. O executivo ainda explica que a utilização da irrigação ainda traz uma valorização ao próprio preço da terra para o produtor, sendo mais produtivo investir em irrigação do que comprar novas terras.

Cristiano ainda ressalta a importância para o desenvolvimento da economia local. “Com uma produção rural mais eficiente, a irrigação contribui para o desenvolvimento econômico e social de diversas regiões, gerando trabalho e renda para populações locais em áreas distantes dos grandes centros”, ressalta ele.

CBA 2025: COP30 pode abrir caminhos para o agro brasileiro

A importância dos investimentos para a competitividade do agro, a formação de parcerias estratégicas e a maior articulação institucional foram os temas centrais dos debatedores do painel “Alimentos, Energia e Inovação”, durante o 24º Congresso Brasileiro do Agronegócio, uma realização da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3 – a bolsa do Brasil, que aconteceu nesta segunda-feira (11/08), em São Paulo (SP).

De acordo com Marcio Santos, CEO da Bayer Brasil, o agro foi uma construção muito positiva, com investimentos contínuos em inovação, que permitiram, por exemplo, o país ter uma segunda safra produtiva e sustentável. “Se o cenário externo se resolvesse hoje, nós estaríamos preparados para atender o mercado global? Será que o construímos ao longo dessas décadas, ainda estamos mantendo? Essas perguntas são fundamentais porque temos que acreditar que podemos manter nossa trajetória de crescimento”, explicou.  

Para ele, a COP30 será uma oportunidade e um marco para reposicionar o país. “Esse evento pode abrir caminhos para dialogar com nossos e novos parceiros”, pontuou. Ele alertou para entraves internos à competitividade do Brasil: “Na minha opinião, falta ambiente institucional para sermos mais competitivos. Deixo aqui uma reflexão sobre o que já construímos nestes últimos 50 anos e como vamos pensar os próximos anos e esta trajetória do agro”.

Alfredo Miguel, diretor LATAM da John Deere, destacou o papel da diplomacia, que precisa estar presente sempre, mas focada na realidade e nos desafios para discutir as soluções. Por outro lado, o setor privado vai precisar se reorganizar em termos de custos, cadeia de fornecedores e exportação para se manter competitivo. “É importante que o governo tenha um plano de curto e médio prazo para seguirmos competitivos juntos. O agro precisa liderar o Brasil com ciência, tecnologia e inovação para continuarmos nessa crescente expansão do setor”, afirmou Miguel.

A diversificação é a base da resiliência, segundo Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS. “Reconhecemos que o ciclo das commodities existe, e que os problemas geopolíticos e econômicos vêm e vão. Manter-se diversificado usando a inovação é a saída para manter a empresa crescendo em momentos difíceis. Com base nesta estratégia conseguimos realocar investimentos”, explicou.

Tomazoni defendeu o papel de uma agência de comércio exterior (trade) como instrumento estratégico do país, que poderia ser a ponte para projetar o Brasil, não só o produto, mas o jeito e a forma de fazer e a tecnologia tropical de produção brasileira.

Durante o painel moderado pelo jornalista William Waack, Larissa Wachholz, Senior Fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), alertou para o desconforto crescente da China com a dependência de exportações do Brasil e dos EUA. Segundo ela, os chineses já estão em busca ativa de diversificação de fornecedores. Wachholz defendeu uma abordagem mais pragmática e aberta do Brasil nas parcerias internacionais, sem alinhamentos automáticos. “Precisamos pensar em nossas dependências como país — seja em fertilizantes ou outros insumos — e nos beneficiar da inovação e diversidade dos parceiros, sem privilegiar um ou outro. É preciso desenvolver novos mercados e não vender barato. Olhar para o mundo, entender suas necessidades e complementar um ao outro”, analisou.

Foto: Divulgação / CBA 2025

DATAGRO projeta nova alta na produção brasileira de soja e milho para a safra 2025/26

O primeiro levantamento DATAGRO Grãos de Intenção de Plantio para 2025/26 indica que o Brasil deverá ampliar pelo 19º ano consecutivo sua área de cultivo de soja. A área projetada é de 49,1 mi de ha a serem semeados, incremento de 2% sobre os 48,1 mi de ha de 2024/25. Considerando condições climáticas relativamente positivas, ainda que com alguma instabilidade localizada, e manutenção do nível tecnológico, a DATAGRO estima uma produtividade média nacional de 3.722 kg/ha. Caso confirmado, este rendimento superaria em 3% ao recorde de 3.614 kg do ciclo atual. Como resultado, temos potencial produtivo de 182,9 mi de t de soja, 5% a mais do que as 173,5 mi de t da safra deste ano.  

Apesar do aumento nos custos de produção e da expectativa de mercado ainda conservador para o próximo ano, a obtenção de renda fortemente positiva em 2025, o melhor sentimento para o clima, a consolidação do binômio soja na safra de verão x milho/algodão/trigo na safra de inverno deve prevalecer. Há expectativa de que a soja avance principalmente sobre áreas de pastagens degradadas.  

Milho

Para o milho, a estimativa inicial da DATAGRO aponta avanço nas áreas cultivadas tanto na safra de verão quanto na de inverno. O incentivo vem da elevação nos preços frente ao ano anterior, especialmente nos primeiros meses de 2025, a obtenção de renda dominantemente positiva, e forte incremento da demanda doméstica. 

A área da 1ª safra está projetada em 4,0 mi de ha, crescimento de 4% frente aos 3,8 mi de ha cultivados em 2024/25, sendo 2,6 mi de ha no Centro-Sul e 1,4 mi de ha no Norte/Nordeste. Projeta-se produtividade média de 6.855 kg/ha, 3% acima da exibida em 2024/25, 6.646kg/ha. Com isso, a produção tem potencial para alcançar 27,4 mi de t, 8% acima das 25,4 mi de t colhidas na safra deste ano. 

Já para o milho de inverno, responsável por mais de 80% da produção nacional, as projeções preliminares indicam também expansão de área. Estima-se que a segunda safra ocupe 18,6 mi de ha, 2% acima dos 18,2 mi de ha de 2024/25 e extensão recorde. Enquanto o avanço de área do Centro-Sul corresponde também a 2%, atingindo 15,4 mi de ha neste ciclo (ante 15 mi de ha em 2024/25), espera-se um crescimento inferior à 2% na zona de cultivo de milho no Norte/Nordeste, com 3,3 mi de ha a serem semeados (ante 2,2 mi de ha em 2024/25).  

Preliminarmente, projeta-se produtividade média de 6.096kg/ha para a safrinha, o que resulta em um potencial produtivo de 113,5 mi de t, 1% acima das 112,3 mi de t calculadas pela DATAGRO para a temporada atual. Assim, espera-se um volume de 140,9 mi de t para as duas lavouras, 2% superior ao volume de 2024/25, renovando o recorde histórico do cereal no país. 

Tarifaço americano reforça importância da gestão financeira no campo

O anúncio do tarifaço de até 50% sobre produtos brasileiros, feito pelos Estados Unidos nas últimas semanas, provocou reações imediatas em diversos setores do agronegócio. Embora o suco de laranja tenha ficado de fora da lista final, o sinal amarelo está aceso. A tensão comercial evidencia uma vulnerabilidade já conhecida: a dependência do Brasil de mercados externos e a oscilação nos acordos internacionais.

Além das possíveis barreiras tarifárias, os produtores rurais brasileiros ainda convivem com fatores como variação cambial, custos de insumos dolarizados, mudanças climáticas e pragas agrícolas. O cenário não é bom, quem não estiver preparado financeiramente pode ter dificuldades para atravessar o período.

Para Romário Alves, CEO da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, o momento é de reforçar a importância da inteligência financeira nas propriedades. “O produtor rural precisa entender que o mercado é cíclico e volátil. Situações como essas mostram que a margem de segurança financeira faz toda a diferença. Quem não tem controle do fluxo de caixa ou acesso a crédito bem estruturado fica mais exposto a qualquer mudança repentina no cenário global”, afirma.

Gestão estratégica como escudo

Segundo dados da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o Brasil pode perder cerca de US$ 5,8 bilhões em vendas para o país americano. Romário destaca que, mais do que acompanhar as notícias, os produtores devem buscar ferramentas que os ajudem a tomar decisões com base em dados e planejamento. “Hoje é possível simular safras, travar custos, antecipar riscos e organizar a parte financeira com a mesma seriedade com que se cuida da produção no campo. Esse é o caminho para proteger o negócio e aproveitar oportunidades mesmo em momentos de crise”, reforça o CEO da Sonhagro.

Com as cadeias produtivas cada vez mais globalizadas, a profissionalização da gestão rural deixou de ser tendência para se tornar necessidade. Em um ambiente onde decisões tomadas em Washington impactam lavouras brasileiras, estar preparado financeiramente não é mais uma vantagem é uma questão de sobrevivência.

Foto: Charles Ricardo / Pixabay

PIB do agronegócio pode crescer 9% em 2025

Apesar dos desafios do cenário externo e interno, o agro segue impulsionando o PIB brasileiro. O ano de 2026 será tumultuado e com eleições, mas o setor está na fase ganhadora, crescendo 9% em 2025 e devendo manter esse índice em 2026, contribuindo positivamente. As previsões para este ano elevam o PIB em 2,2%. Essa avaliação foi feita por Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, durante sua palestra no Congresso Andav 2025. O evento é uma realização da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

O ajuste fiscal é o ponto focal e deve acontecer em 2027, não porque o governo deseje, mas porque o cenário é complicado e, no entendimento do economista, isso é primordial para que o ciclo siga positivo.

Para Vale, os fatores geopolíticos externos têm papel importante nessas previsões, mas o Brasil tem ativos de interesse global, como petróleo, terras raras e alimentos, e um agro que responde por ¼ do PIB. Ele reconheceu ainda que a economia nacional segue com dificuldades, mesmo com reformas importantes tendo sido realizadas. “O presidente do Estados Unidos usa as tarifas porque é o que tem a mão sem precisar do congresso, mas não significa que funcione”, disse o economista, que fundamenta sua análise pelo fato de que a tarifa empobrece o país, que hoje tem sua economia centrada em serviços, e depende de importação em muitas áreas.

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels.com

Com o aumento dos preços devido às tarifas, o produto importado custa mais, a inflação aumenta no curto prazo e aumenta o risco de recessão. Desse modo, Vale ponderou que o pacote fiscal provocará aumento da dívida pública. “A alternativa,  que não se sabe se Trump acatará, é aumentar impostos, porque não têm onde cortar despesas”, acrescentou.

Para o Brasil, Vale recomendou a necessidade de acelerar acordos comerciais com países ricos. “O Brasil precisa se afastar do ‘choque Trump’, e os empresários têm de aproveitar a nossa dinâmica interna e buscar reduzir ainda mais o que exporta para os EUA. Nesse sentido, o agro se sai melhor do que a indústria, mas é preciso buscar novos mercados. Vamos sofrer no curto prazo, mas precisamos ter consciência de que o tumulto externo não nos pertence”, finalizou.

Serviço: Congresso Andav 2025

Data: até hoje (07 de agosto de 2025)

Horário de Exposição: 9h às 18 | Horário da Plenária: 10h às 16h

Local: Transamerica Expo Center (Av. Dr. Mário Villas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro – São Paulo)

Mais informações: https://eventosandav.com.br/

Existem caminhos jurídicos para amenizar o impacto das tarifas norte-americanas no agro brasileiro?

por Cybelle Guedes Campos e Odair de Moraes Junior*

A elevação de tarifas de 10% para 50% sobre uma série de produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano terá efeitos sentidos em diversos setores econômicos. No segmento agrícola, ela impacta diretamente cadeias produtivas como café, suco de laranja, carne bovina e frutas frescas, o que deve gerar consequências econômico-financeiras ao longo dos próximos meses.

Ainda que a medida tarifária não configure, por si só, um evento de força maior contratual, seus efeitos sobre a capacidade de geração de caixa das empresas já são perceptíveis. Segundo dados da SERASA, o número de pedidos de Recuperação Judicial no agronegócio é de cerca de 400 somente no primeiro trimestre de 2025, refletindo um aumento de 21,5% em relação ao último trimestre do ano anterior. A entrada em vigor do novo pacote tarifário tende a acentuar esse movimento, sobretudo entre produtores altamente dependentes do mercado externo.

Nesse contexto, a jurisprudência brasileira admite a ocorrência de eventos externos e imprevisíveis — como desdobramentos geopolíticos e alterações abruptas em políticas comerciais internacionais — como fatores relevantes na caracterização de crise econômico-financeira apta a justificar o ajuizamento de pedidos de Recuperação Judicial, desde que devidamente comprovada a perda de capacidade de adimplemento em decorrência de tais fatores, e não por má gestão.

Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels.com

O chamado “tarifaço” norte-americano configura uma situação típica de risco geoeconômico e deve ser analisado com cautela por empresas exportadoras, instituições financeiras e assessores jurídicos. A adoção de medidas extrajudiciais preventivas, como a renegociação com credores, a revisão de projeções de receita e a elaboração de planos de contingência, é recomendada como forma de mitigar os impactos antes que se materializem situações de insolvência.

A eventual inadimplência generalizada poderá ainda ensejar o acionamento de cláusulas de vencimento antecipado (“default”) em contratos de financiamento atrelados ao desempenho de exportações, o que exige atenção especial aos pactos financeiros em curso.

Mais do que reativa, a postura neste momento deve ser proativa. A preparação jurídica, financeira e estratégica para a reestruturação pode ser decisiva para garantir a continuidade das operações, a preservação da função social da empresa e a manutenção de empregos. Em tempos de volatilidade global, a Recuperação Judicial deve ser compreendida como um instrumento legítimo de reorganização empresarial e proteção da atividade econômica.

*Advogados e sócios do Moraes Junior Advogados.

EUA x Brasil: mesmo com isenções, aplicação da tarifa de 50% pode causar impacto bilionário ao comércio bilateral

A Ordem Executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevando o valor da tarifa de importação de produtos brasileiros para 50%, traz 694 exceções, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo seus motores, peças e componentes. Também ficaram de fora do tarifaço produtos como polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.

No entanto, café, frutas e carnes não estão entre as exceções aplicadas pelos Estados Unidos e serão taxados em 50%.

Segundo o documento, as taxas entram em vigor em sete dias, ou seja, dia 6 de agosto. Mercadorias que estão em trânsito para os Estados Unidos também ficarão de fora da taxação. A ordem justifica que os Estados Unidos consideram o Brasil uma ameaça “incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA”. A classificação é semelhante à adotada contra países considerados hostis à Washington, como Cuba, Venezuela e Irã.

Próximas medidas

No documento, Trump diz que a lista de exceções pode ser alterada caso o Brasil “tome medidas significativas para lidar com a emergência nacional e se alinhe suficientemente com os Estados Unidos em questões de segurança nacional, economia e política externa”.

O presidente americano também ameaça aumentar as alíquotas se o governo brasileiro tomar medidas de retaliação contra os Estados Unidos. “Por exemplo, se o governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas sobre as exportações dos Estados Unidos, aumentarei a alíquota ad valorem estabelecida nesta ordem em um montante correspondente”.

– Confira aqui a lista de produtos que não serão taxados

Amcham Brasil

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) calculou que a lista de exceções da tarifa de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos corresponde a 43,4% do total de US$ 42,3 bilhões comercializados entre os dois países. Com isso, cerca de US$ 18,4 bilhões em exportações brasileiras ficam de fora do tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

“Embora essas exceções atenuem parcialmente os efeitos da tarifa de 50% anunciada, a Amcham reforça que ainda há um impacto expressivo sobre setores estratégicos da economia brasileira. Produtos que ficaram de fora da lista continuam sujeitos ao aumento tarifário, o que compromete a competitividade de empresas brasileiras e, potencialmente, cadeias globais de valor”, destacou a entidade, em nota.

Entre os produtos fora do tarifaço que mais causam impacto em valor exportado estão combustíveis, abrangendo 76 produtos, com US$ 8,5 bilhões exportados no ano passado. Em seguida, aparecem aeronaves, abrangendo 22 produtos, que somaram mais de US$ 2 bilhões em vendas aos norte-americanos em 2024. Ferro e aço, com exportação de US$ 1,8 bilhão, e pastas de madeira (celulose), com US$ 1,7 bilhão, também são destaque na lista de exceções.

Foto: Zlau0165u00e1ky.cz / Pexels.com

ABIA

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (ABIA) considera que a lista de isenções da tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos é uma medida limitada, que poderá causar forte impacto nas exportações de produtos que desempenham papel vital na segurança alimentar e na estabilidade dos preços no próprio país importador. A imposição de altas tarifas a categorias-chave, como carnes, cafés e óleos vegetais, reflete uma assimetria que prejudica a previsibilidade do comércio bilateral e gera distorções nas cadeias de valor.

Fora da lista, o suco de laranja, com quase US$ 750 milhões exportados no primeiro semestre de 2025, foi – segundo a entidade – corretamente isento da tarifa adicional, reconhecendo a especialização brasileira e sua importância estratégica para os EUA. Por outro lado, o alto grau de dependência do mercado americano pelas carnes bovinas brasileiras, que ultrapassaram US$ 1 bilhão em exportações no mesmo período, não foi determinante para a isenção a essa categoria, o que poderá causar impactos profundos não apenas sobre os exportadores brasileiros, mas também sobre a competitividade e a estabilidade de preços no mercado norte-americano. A aplicação da tarifa de 50% aos alimentos industrializados que ficaram de fora da lista poderá representar um impacto potencial bilionário ao comércio bilateral. A título de exercício, com base nas exportações brasileiras aos EUA de US$ 2,83 bilhões no primeiro semestre de 2025, uma retração hipotética de 10% no volume de exportações do Brasil para os EUA resultaria em perdas de até US$ 570 milhões anuais em receitas externas. Como consequência, os postos de trabalho ao longo da cadeia produtiva também seriam impactados.

– com informações da Agência Brasil

Study reveals ways to boost livestock productivity without clearing new land

by Embrapa Digital Agriculture

To feed a growing global population without expanding into new areas of native vegetation, it is essential to improve the performance of established agricultural systems. In pasture-based livestock farming, a promising solution is to reduce yield gaps, which, according to specialists, is the difference between what a rural property produces currently and what it could produce under ideal conditions.

An international study involving Embrapa researchers that was recently published in the scientific journal Agricultural Systems analyzed the main tools to measure these gaps. It also proposed more precise ways to estimate the productive potential of livestock systems. The goal is to guide farmers, technicians, and public policy makers to invest more strategically, increasing efficiency and reducing environmental impacts.

Scientists warn that current models limit the precision of analyses because they often ignore variables like grazing strategies, pasture composition, and selective grazing by animals. Integrating these aspects, however, could contribute to more efficient resource use and sustainable production intensification, without expanding into new land.

Pastures comprise 70% of the world agricultural land

Covering about 70% of the world’s agricultural land, pastures are crucial for food security and provide vital ecosystem services. As global demand for meat and milk grows annually, the study reinforces the importance of improving existing production systems instead of converting new land for livestock farming.

To advance the sustainable intensification of pasture-based livestock farming, researchers suggest future investigations consider not only technical factors, but also socioeconomic and political contexts. This comprehensive approach can be supported by yield gap analysis, which will enable producers and policymakers to make more efficient and sustainable investments.

Framework

Various methods were discussed, including benchmarking, climate clustering, frontier analysis, and production system models. Each approach differs in its scale of analysis, data requirements, and specific applications. According to Patrícia Menezes Santos, a researcher at Embrapa Southeastern Livestock, some methodologies are suitable for larger scales, like global or national studies, while others apply more locally, such as for farms.

Furthermore, some methods consider socioeconomic factors, while others focus on biophysical aspects. “These tools identify the highest potential areas for increasing productivity,” Santos points out. “In other words, they highlight the most promising areas to strategically direct efforts and investments.”

The researcher emphasizes the importance of these methodologies to enable public managers to better direct their efforts, such as technical and infrastructure assistance. She believes that transformation does not depend solely on the producer; it requires a coordinated work to build a truly favorable environment.

Incentives in Brazil remain low

The study emphasizes benchmarking, a widely adopted method that involves comparing the performance of top-producing farms or regions with others. It is a simple method with commercial applicability; however, it does not account for inputs or economic variables.

The frontier analysis method, applicable across various production scales, examines technical and economic efficiency using statistical and econometric models.

Geraldo Martha, a researcher at Embrapa Digital Agriculture, notes that analyses from the Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) indicate that to truly understand the transformations occurring in the real world of Brazilian agriculture, particularly its livestock sector — which operates with low incentive levels — this perspective, bringing together biophysical and economic dimensions, is highly important.

According to Martha, this is because a farmer’s decisions involve opportunity costs and risks that are unique to each producer-property combination. This singularity arises because the quantity and quality of resources (land, labor, physical and human capital), inputs, and relative prices differ in each specific instance.

The climate clustering method prioritizes the technical potential for increasing productivity, focusing on factors like climate and type of production system, without considering management, nutrition, or grazing strategies. This method is suitable for broader-scale application and evaluates the adoption of successful management practices across regions with similar climates. Although it relies on large-scale databases, the method is flexible and can incorporate regional characteristics or other variables to provide insight into regions with high potential for production system intensification.

Production system models encompass two main approaches: those that consider pasture carrying capacity, analyzing primary pasture productivity and grazing efficiency, and models based on production ecology concepts, which account for the biophysical processes of animals and pastures over time.

Foto: Gisele Rosso

Pesquisa destaca o Plano de Marketing como pilar para o sucesso de pequenos negócios

Uma pesquisa científica acaba de lançar luz sobre um tema crucial para o desenvolvimento de micro e pequenos empreendedores (MPEs): a elaboração de um plano de marketing eficaz. O artigo, intitulado “Inovação e empreendedorismo: a importância do plano de marketing para micro e pequenos empreendedores“, explora como o planejamento estratégico de marketing pode ser um diferencial competitivo significativo para negócios de menor porte.

A publicação detalha os benefícios de um plano de marketing bem estruturado, desde a identificação clara do público-alvo e da concorrência até a definição de estratégias de comunicação e vendas mais assertivas. O estudo também aborda a importância de monitorar os resultados e adaptar o plano conforme as mudanças do mercado.

Um dos autores do artigo, o jornalista e especialista em comunicação e marketing, Jayme Vasconcellos, enfatiza a relevância da pesquisa para a realidade dos MPEs. “Muitos micro e pequenos empreendedores focam na operação do dia a dia e acabam negligenciando o planejamento de marketing. Nosso artigo busca mostrar que, mesmo com recursos limitados, um plano bem pensado pode abrir portas e gerar resultados significativos. Como costumo dizer, ‘quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve’, e no mundo dos negócios, essa falta de direção pode ser fatal”.

Plano de marketing

A importância do plano de marketing para MPEs é multifacetada. Ele auxilia na definição da proposta de valor única do negócio, na escolha dos canais de comunicação mais adequados para alcançar os clientes, na construção de um relacionamento duradouro com o público e, fundamentalmente, na otimização dos investimentos em marketing, evitando gastos desnecessários e direcionando recursos para ações que realmente trazem retorno.

Estudo ressalta a importância do plano de marketing para o crescimento e a sustentabilidade dos negócios (Foto: Gemini / IA)

Para a especialista em pequenas empresas, Ana Paula Ferreira, os achados do artigo são extremamente relevantes. “O plano de marketing não é um luxo para grandes corporações, mas sim uma ferramenta essencial para a sobrevivência e o crescimento dos pequenos negócios. Ele permite que o empreendedor entenda melhor o seu mercado, se posicione de forma competitiva e construa uma base de clientes fiel. Ignorar essa etapa é como navegar sem bússola.”

O estudo oferece insights valiosos, metodologias aplicadas e exemplos práticos de como micro e pequenos empreendedores podem se beneficiar da implementação de um plano de marketing estratégico.

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