A Polícia Federal (PF) deflagrou duas operações direcionadas ao combate de crimes ambientais e à preservação dos recursos naturais na Região Amazônica. As ofensivas — batizadas de Operação Aurum Tapajós e Operação Guardião Infiel — têm como foco estancar a exploração ilegal de ouro e o desmatamento clandestino de madeira nativa em territórios protegidos pela União.
As ações reforçam a intensificação da fiscalização contra atividades ilegais que impactam a biodiversidade, a regularidade fundiária e a reputação produtiva do setor agroflorestal brasileiro.
Garimpo clandestino afeta APA do Tapajós no Pará
Na Operação Aurum Tapajós, os agentes buscaram aprofundar as investigações sobre a extração irregular de ouro na Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, localizada no município de Novo Progresso, no sudoeste do Pará.
A ação cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, distribuídos entre os municípios de Belém e Santarém. A finalidade é recolher documentos, equipamentos eletrônicos e mídias digitais que ajudem a identificar os financiadores e responsáveis pela atividade ilegal.
A investigação teve início após fiscalizações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no âmbito da Operação Garimpo Zero. Na ocasião, os fiscais constataram a extração mineral sem licença ambiental em uma área de floresta nativa estimada em 40 hectares. Além do dano ambiental, a prática configura usurpação de bens e recursos minerais pertencentes à União.
Extração e venda ilegal de madeira em Rondônia e Goiás
Simultaneamente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Guardião Infiel, voltada ao combate ao desmatamento e à comercialização clandestina de madeira nativa retirada de território protegido.
A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Rondônia: seis mandados em aldeias situadas na Terra Indígena Igarapé-Lage, em Guajará-Mirim (RO), e um mandado no município de Goiânia (GO).
Segundo a PF, o esquema apura a retirada e comercialização ilegal de madeira de floresta nativa. Há indícios de que os próprios investigados que atuavam na região facilitavam a entrada de terceiros e a logística para a exploração clandestina dentro do território indígena.

Impactos para o setor agroflorestal e o mercado nacional
A repressão ao garimpo e ao desmatamento ilegal é peça-chave para garantir a integridade dos ecossistemas amazônicos e fortalecer o agronegócio sustentável no Brasil. Atividades clandestinas geram concorrência desleal com o setor florestal manejado e legalizado, além de trazer prejuízos à reputação internacional do país na pauta socioambiental.
A Polícia Federal e os órgãos de fiscalização seguem com a análise do material apreendido para delimitar a responsabilidade penal dos envolvidos e calcular a extensão total dos danos causados.