Agro: novos mercados e apoio estatal vão absorver “tarifaço”, afirma ministro

A expansão do agronegócio brasileiro, que alcançou a abertura de 437 novos mercados para 72 países desde 2023, e o Plano Brasil Soberano, que vai destinar um total de R$ 30 bilhões com várias medidas emergenciais para proteger exportadores, preservar empregos e estimular investimentos em setores estratégicos da economia, têm sido e continuarão sendo fundamentais para minimizar os impactos das tarifas de 50% para produtos brasileiros, impostas pelos Estados Unidos desde o início de agosto. Foi o que afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, durante o programa Bom Dia, Ministro desta quarta-feira (17/9) transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação.

Comércio exterior

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, divulgados no início deste mês, as exportações brasileiras atingiram um recorde histórico nos oito primeiros meses deste ano. No período de janeiro a agosto, o acumulado das vendas para o exterior chegou a US$ 227,6 bilhões.

Já as importações alcançaram US$ 184,8 bilhões, fazendo com que a corrente de comércio também batesse recorde do período, com 412,4 bilhões. Na comparação ao mesmo período de 2024, a soma das exportações brasileiras para o mundo cresceu 0,5%.

Outro destaque foi o aumento nas exportações do agronegócio brasileiro, que alcançaram US$ 14,29 bilhões em agosto de 2025, alta de 1,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. O resultado foi garantido pelo aumento de 5,1% no volume embarcado, que compensou a queda de 3,4% nos preços médios internacionais. Soja em grãos, carne bovina in natura e milho responderam pela maior parte do crescimento.

Além dos produtos tradicionais, outros itens alcançaram em agosto o melhor desempenho da série histórica, como sebo bovino, sementes de oleaginosas, feijões, rações animais e óleo de amendoim. No último dia 12 de setembro, o Governo do Brasil recebeu a autorização para exportar sebo bovino para Singapura, destinado ao uso industrial, inclusive para a produção de biocombustíveis.

“Não é só soja, milho, algodão e proteínas animais, carnes de frango, suínos e aves. Nós estamos vendendo gergelim, nós estamos vendendo sorgo, estamos vendendo frutas, manga, uva, limão, quer dizer, tudo que se produz no campo também tem direcionamento, não só para o mercado interno, mas também para exportação e a garantia alimentar e soberania de consumo de alimentos para o mundo todo”, afirmou o ministro.

Certificado digital de boas práticas

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) lançou o atestado digital VMG (Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos), ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais.

O propósito da ferramenta é verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais através das linhas de financiamentos, que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico. A iniciativa amplia a projeção do Brasil como referência internacional em governança, transparência e sustentabilidade na produção de alimentos.

“O Mapa tem atuado para melhorar fluxos, trazendo inovação que agiliza os processos e garante mais transparência na gestão pública agrícola. Isso reduz custos para os produtores e melhora a sua competitividade”, destacou Fávaro.

A medida, oficializada pela Instrução Normativa Conjunta SPA/SDI/SE Nº 01 de agosto de 2025, estabelece que produtores de grãos poderão se habilitar a acessar linhas de crédito oferecidas através das políticas agrícolas coordenadas pelo Mapa por meio do atestado digital emitido por empresas credenciadas.

O atestado é obtido através de validações digitais realizadas em poucos cliques, com uso de inteligência artificial, blockchain e tecnologias geoespaciais, permitindo maior agilidade e segurança no processo de concessão de créditos.

Creep feeding acelera ganho de peso e melhora saúde dos bezerros até a desmama

Sistema reduz estresse e prepara os animais para as próximas fases da produção

Acelerar o ganho de peso e o desenvolvimento dos bezerros, resultando em animais mais pesados, uniformes e saudáveis no desmame é o objetivo do creep feeding, um sistema de alimentação estratégica que aumenta a produtividade e a eficiência da pecuária de corte. Voltado para bezerros em fase de aleitamento, ele otimiza a eficiência alimentar e prepara o sistema digestivo dos animais para as fases seguintes.

“O creep feeding é um método de suplementação alimentar que utiliza cochos privativos em um cercado projetado para permitir apenas a entrada dos bezerros, que recebem no local uma suplementação concentrada, enriquecida com minerais e proteína, garantindo que as matrizes lactantes não tenham acesso ao suplemento. Dessa forma, o animal recebe uma nutrição específica que potencializa seu crescimento, sem que haja a necessidade de separação da mãe”, explica o diretor técnico comercial da Connan, Bruno Marson.

A principal função do sistema é promover o aumento do peso à desmama, reduzindo assim o tempo de abate e otimizando os custos operacionais da fazenda. Além disso, o creep feeding também auxilia na transição para a suplementação alimentar no cocho, garantindo um manejo mais eficiente e produtivo.

De acordo com Marson, a prática é indicada para desmamar bezerros mais pesados, melhorando um índice fundamental para a fazenda de cria, que é a quantidade de quilos desmamados por vaca exposta na estação reprodutiva. O sistema também visa a recria e abate mais precoces ou a venda de exemplares de maior valor agregado.

“O creep feeding necessita de uma infraestrutura própria para ser aplicado com sucesso. O produtor deve estar atento, por exemplo, à localização do cocho, que deve ser instalado próximo ao cocho de suplemento das vacas, em um local de fácil acesso para os bezerros. Essa proximidade é importante porque estimula o bezerro a explorar o ambiente e descobrir o suplemento alimentar”, destaca.

O cercado destinado ao sistema deve ter uma cerca com altura de 90 a 1,10 centímetros, para impedir o acesso das vacas, e largura de passagem de 50 a 60 centímetros, para permitir a entrada dos bezerros. A distância entre o cocho e a cerca precisa ser de pelo menos 2 metros, garantindo a circulação dos animais.

O cocho deve ter uma estrutura coberta para proteger o suplemento contra chuvas e ventos, evitando desperdícios e assegurando que o suplemento permaneça atrativo para os animais. O espaço recomendado é de 1,5 metro quadrado por bezerro dentro do cercado. Para um lote de 20 bezerros, por exemplo, o cercado deve ter no mínimo 30 metros quadrados.

Benefícios

“Dentre as principais vantagens do creep feeding está o aumento do ganho de peso, uma vez que o animal recebe uma dieta rica em nutrientes que acelera seu crescimento e reduz o tempo de permanência dos bezerros na propriedade, elevando seu valor de venda no mercado”, pontua Marson.

Outro benefício é a redução do estresse e dos riscos de problemas de saúde no desmame, já que os bezerros ficam acostumados à suplementação desde cedo, tornando a transição do leite materno para a alimentação sólida mais suave. O sistema estimula o desenvolvimento do rúmen, transformando os bezerros em ruminantes de forma antecipada, otimizando sua capacidade digestiva e maximizando o aproveitamento dos nutrientes.

Foto: Divulgação / Connan

A Connan dispõe em seu portfólio de suplementos balanceados e específicos para o creep feeding, com fórmulas ricas em minerais e nutrientes essenciais para o crescimento saudável dos bezerros. Além disso, sua equipe de especialistas está preparada para avaliar as necessidades da propriedade, oferecer suporte técnico e criar um plano estratégico para maximizar a produtividade.

“Assim, com bezerros mais pesados e saudáveis, o produtor pode obter um retorno financeiro mais rápido, por meio da venda de mais quilos de bezerros e da redução nos custos de produção, aumentando a rentabilidade da propriedade”, finaliza Marson.

Imposto Territorial Rural: prazo de declaração termina em 30 de Setembro

Advogado lista as diferenças na declaração em relação ao ano anterior e alerta que proprietários de imóveis rurais precisam ficar atentos às novas regras

O prazo para a entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural (ITR) de 2025 já começou e vai até 30 de setembro. Proprietários de imóveis rurais devem ficar atentos às mudanças na legislação em comparação ao ano passado, sob risco de multas e problemas com o fisco. Segundo dados do IBGE, o Brasil possui mais de 5,1 milhões de imóveis rurais, movimentando uma fatia expressiva da economia nacional, e a correta declaração do ITR é essencial para garantir segurança jurídica e fiscal.

Renato Vieira de Avila, advogado e especialista em direito tributário, explica que a declaração do ITR é obrigatória para todos os proprietários de imóveis rurais, sejam pessoas físicas ou jurídicas. “Em 2025, algumas alterações na legislação tornam o processo mais complexo para quem não estiver atualizado. Entre as mudanças, destaca-se a obrigatoriedade de georreferenciamento para propriedades com mais de 25 hectares, medida prevista na Lei nº 10.267/2001, que visa garantir precisão na identificação das propriedades e evitar conflitos fundiários”.

Além disso, Avila reforça que quem não cumprir o prazo até 30 de setembro pode enfrentar multas e impedimentos no registro do imóvel, o que torna essencial que os proprietários regularizem suas propriedades com antecedência. Outro ponto que mudou em relação ao ano passado é a atualização dos dados cadastrais exigidos pela Receita Federal. “Agora, a declaração deve incluir informações detalhadas sobre áreas produtivas, edificações e benfeitorias, além de dados sobre reservas legais e áreas de preservação permanente, reforçando a transparência e o controle sobre a propriedade rural”, destaca.

Os imóveis situados em fronteiras também exigem atenção especial. Avila informa que propriedades localizadas a até 150 km da fronteira precisam passar pelo processo de ratificação junto ao INCRA, comprovando que o imóvel possui autorização pública para compra e venda. “O prazo para regularização dessa documentação foi estendido até 2030, dando mais segurança jurídica aos proprietários”, reforça. 

Como evitar armadilhas fiscais até 30 de setembro? 

De acordo com levantamento da Receita Federal, em 2024 foram registradas mais de 4,8 milhões de declarações de ITR, com arrecadação aproximada de R$1,2 bilhão. Este ano, a expectativa é de aumento no número de declarações devido às novas exigências de georreferenciamento e atualização cadastral. “Um planejamento adequado e a conferência de todos os documentos antes da entrega da declaração são fundamentais para evitar problemas fiscais e garantir que a propriedade esteja regularizada”, reforça Vieira de Avila.

O ITR é um imposto que incide sobre a propriedade rural, calculado com base no valor da terra e nas características produtivas do imóvel. A correta declaração não apenas evita penalidades, como também é essencial para quem deseja vender ou regularizar imóveis rurais, especialmente em um mercado cada vez mais valorizado.

“É preciso ter em mente que o mercado de imóveis rurais no Brasil continua aquecido e as mudanças na legislação exigem atenção redobrada dos proprietários. Com o prazo da declaração se encerrando em 30 de setembro de 2025, regularizar e atualizar a documentação, incluindo o georreferenciamento, é imperativo para evitar problemas com o fisco e garantir segurança jurídica nas transações”, pontua.

Roça Sustentável aumenta a produtividade da agricultura familiar

Um conjunto de tecnologias modernas, que alia custos acessíveis e sustentabilidade, tem aumentado significativamente a produtividade de culturas agrícolas de importância alimentar – como mandioca, arroz, milho, feijão, entre outras – em propriedades familiares do Maranhão. Essa é a Roça Sustentável, um pacote de soluções referenciado no Sistema Bragantino da Embrapa, desenvolvido pela Embrapa Amazônia Oriental (AM) e adaptado pela Embrapa Maranhão (MA) para as condições do estado, que já resultou, por exemplo, em aumento de produtividade de 50% de arroz e milho, e em ganho temporal de sete meses para a colheita de mandioca.

A solução  tecnológica surgiu em um processo de inovação aberta, dentro das propriedades dos agricultores familiares, para equacionar problemas de baixas produtividades e ausência de condições de uso de tecnologias em lavouras da agricultura familiar em que os cultivos eram realizados  em área compartilhada, sem qualquer coerência técnica ou econômica.

Segundo o analista Carlos Santiago, responsável pela implementação da tecnologia em municípios maranhenses, sem o uso da Roça Sustentável, a produção média de mandioca no Maranhão é de 8 toneladas por hectare após 18 meses de cultivo. Com a tecnologia, em 11 meses de cultivo a produção atinge 30 toneladas por hectare. “Trata-se de um policultivo das culturas mais produzidas pelos agricultores familiares, seja para consumo familiar ou comercialização. A ênfase é nas variedades em uso na região e preferidas pelos agricultores. A iniciativa aumentou o leque de produtos do agricultor familiar com excelentes resultados de produtividade e qualidade dos produtos”, afirma o pesquisador.

Foto: Ruan Pororoca / Divulgação

A lógica do consórcio é diversificar a produção e otimizar a produtividade com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Para isso, os cultivos são dispostos em fileiras de forma a não haver competição por nutrientes, água, luz e espaço. Além do consórcio, o sistema preconiza a rotação de culturas com uso de “safrinha”, prática que intensifica o uso da terra e maximiza o aproveitamento do período chuvoso. O objetivo é que essas novas técnicas contribuam para modernizar sistemas de produção tradicionais, como o de “roça no toco” (no qual uma área de vegetação é derrubada, queimada e utilizada para plantio), sob bases sustentáveis, ou seja, sem necessidade de fogo e desmatamento.

Em termos ambientais, a reconfiguração da “roça no toco” evita a abertura de novas áreas e a prática de “derruba e queima” ao cultivar a terra e as lavouras de acordo com suas necessidades nutricionais e de prevenção de pragas e doenças. Além disso, ao incentivar o consórcio e a rotação de culturas, a tecnologia permite incrementos na ciclagem de nutrientes, manutenção da biodiversidade, conservação do solo, controle de ervas daninhas e manejo de pragas e doenças das culturas.

Adubação específica para cada cultura

A adubação equilibrada é também realizada no sistema para garantir o aporte dos nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas, à produtividade da lavoura e à conservação do solo. A diversificação de culturas melhora a utilização das terras. Cada cultura é especializada num tipo de nutriente e a rotação entre elas permite a exploração de camadas do solo por diferentes culturas. Por exemplo, o arroz é uma cultura que oferece bastante potássio ao solo. Do potássio aplicado nas plantações de arroz, a cultura absorve 20%. Os 80% restantes ficam na palhada após a colheita, disponíveis no solo. A mandioca é uma cultura que demanda potássio.  Ao plantar a mandioca na palhada do arroz, faz-se uma adubação natural de uma cultura pela outra.

Aplicativo facilita o acesso a informações sobre integração lavoura-pecuária-floresta

Está disponível para acesso gratuito nas plataformas Apple Store e Google Play o aplicativo móvel Responde ILPF, ferramenta desenvolvida para facilitar a consulta a informações técnicas sobre os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). O app apresenta uma interface intuitiva, na forma de perguntas e respostas, e fornece orientações que vão desde os fundamentos e benefícios dos sistemas integrados até instruções práticas para sua implementação no campo, incluindo também recomendações adaptadas a diferentes regiões e tipos de produção.

Oferecido pela Rede ILPF, o aplicativo utiliza como fonte de informações a publicação “Integração lavoura-pecuária-floresta: o produtor pergunta, a Embrapa responde”, da Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas, integrada à ferramenta por meio de uma API. “Com informações técnicas confiáveis e de fácil acesso, o app vem para auxiliar no planejamento e na gestão sustentável das propriedades agrícolas que já trabalham ou estão dando arranque à estratégia de ILPF. Também auxilia na capacitação de técnicos e produtores rurais, democratizando o conhecimento sobre sistemas integrados”, ressalta Francisco Matturro, presidente-executivo da Rede ILPF.

Foto: Gabriel Rezende Faria / Divulgação

A novidade é resultado do projeto “Plataforma Web ILPF digital: sistema de informação para o fomento de sistemas ILPF”, coordenado pela Embrapa Meio Ambiente em parceria com a Embrapa Agricultura Digital e apoio da Rede ILPF que visa ampliar o acesso qualificado ao conhecimento sobre essa estratégia de uso da terra, considerada essencial para a agricultura sustentável no Brasil. A iniciativa vem sendo estruturada por meio da Câmara Temática de Agricultura Digital, a qual tem induzido a transformação digital da Rede ILPF.

Para o pesquisador Ladislau Skorupa, da Embrapa Meio Ambiente, o aplicativo móvel representa uma alternativa prática para quem busca informações confiáveis. “Embora haja muitos materiais disponíveis sobre ILPF, o app concentra o que é mais relevante, com acesso direto e gratuito via celular”, afirma. O público-alvo inclui produtores rurais, consultores, técnicos, estudantes e empreendedores do setor agropecuário.

A iniciativa, segundo Francisco Matturro, aproxima a pesquisa do campo, fortalecendo a agricultura sustentável no Brasil. “Sua importância se destaca na disseminação de boas práticas, na democratização da inclusão digital, incentivando a adoção da ILPF como modelo de produção eficiente, ecologicamente equilibrado e que gera emprego e renda, e consequentemente desenvolvimento socioeconômico”, completa.

API Responde Agro

O funcionamento do aplicativo Responde ILPF está baseado numa tecnologia lançada pela Embrapa neste ano: a API Responde Agro. Glauber José Vaz, da Embrapa Agricultura Digital e responsável pela API, explica que ela permite o desenvolvimento de mecanismos de busca personalizados para o conteúdo da Coleção 500 Perguntas 500 Respostas, cujas obras são elaboradas a partir de questões formuladas por produtores e respondidas pelos pesquisadores.

A integração dessas informações com os sistemas web ou aplicativos acontece por meio de uma Interface de Programação de Aplicações, ou API, na sigla em inglês. A Plataforma Ater+ Digital é outro exemplo de ferramenta disponível ao público que também utiliza a API Responde Agro.

Desenvolvedores, empresas de tecnologia, startups, instituições públicas e privadas que queiram utilizar a ferramenta em suas próprias soluções digitais podem acessar a API Responde Agro por meio da Plataforma AgroAPI, que reúne também APIs com dados e modelos diversos gerados pela Embrapa de interesse do mercado de tecnologia voltado à agropecuária. Para saber mais, acesse www.embrapa.br/agroapi.

COP30: pesquisa aponta que determinação política é chave para conter desmatamento

Com metodologia de consultas múltiplas e pesquisa iterativa, foram entrevistados 36 pesquisadores e profissionais com experiência em conservação florestal no Brasil e na Indonésia. Os dois países foram escolhidos foram escolhidos porque reduziram as taxas de desmatamento em períodos recentes: Brasil em 84% entre 2004 e 2012 e Indonésia em 78% entre 2016 e 2021.

O estudo, que compara dois contextos distintos e identifica semelhanças, diferenças e combinações ideais de fatores de proteção florestal, mostra que vontade política, pressionada pela sociedade civil e por acordos internacionais, é o fator decisivo para proteger as florestas.

O levantamento buscou identificar toda a gama de fatores que mantêm as florestas em pé, a relativa importância de cada um e como eles mudaram ao longo do tempo. Nesse contexto, as comunidades tradicionais e indígenas foram reconhecidas como peças-chave na conservação, mas ainda carecendo de condições básicas de qualidade de vida.

Leia aqui a publicação na revista Conservation Letters.

Foto: Christopher Borges / Pexels.com

COP30

As constatações do estudo chegam às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, que será realizada em Belém (PA) em 2025. Os pesquisadores acreditam que esse trabalho serve como alerta para diplomatas, políticos e líderes globais.

Ele deixa a mensagem de que a conservação das florestas tropicais é possível, mas depende, fundamentalmente, de uma decisão política sustentada, que por sua vez é alimentada pela vigilância constante da sociedade e pela cooperação internacional.

Embrapa cultivars are resistant to the world’s most serious banana disease

Foto: Jonas Von Werne / Pexels.com

Research in Colombia confirmed BRS Princesa and BRS Platina’s resistance to Tropical Race 4 (TR4). The disease affects Asia, Africa, and Oceania; has already hit Colombia, Peru and Venezuela and threatens global food security.

The cultivars are fundamental for the protection of Brazilian banana production.

An international partnership with AgroSavia allowed field tests in contaminated areas in Colombia. Growers see the varieties as relief in light of the risk of billion-dollar losses.

Read the full article here.

Prefeitos do Agro: congresso fortalece gestão pública no campo

O agronegócio respondeu por 23,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no ano passado. Para fortalecer as políticas públicas voltadas ao setor, Sorriso, em Mato Grosso, recebe na próxima sexta-feira (12/09), o 1º Congresso Prefeitos do Agro. A iniciativa é fruto da parceria entre a Prefeitura de Sorriso e a DATAGRO, consultoria agrícola presente em mais de 50 países, responsável pelo conteúdo técnico e pela capacitação dos participantes.

O evento reunirá, além de lideranças municipais, ministros de Estado, secretários, parlamentares, dirigentes de entidades, empresários e especialistas para discutir estratégias que ampliem a competitividade e a sustentabilidade da produção agropecuária brasileira.  

O objetivo é fortalecer quatro pilares, que incluem capacitação, com disseminação de conhecimento, benchmarking e formação de redes colaborativas; conexão, promovendo a aproximação entre gestores públicos, setor produtivo e demais esferas governamentais; visibilidade, para destacar experiências municipais de impacto direto no campo; e protagonismo, consolidando o papel do prefeito como agente central no desenvolvimento rural. 

Segundo a organização, o congresso busca fortalecer a governança dos municípios e ampliar a qualificação técnica de gestores públicos diretamente ligados ao agronegócio. A iniciativa se insere em um formato considerado único no setor, combinando representatividade política, conteúdo técnico especializado e enfoque no território. O modelo pretende promover maior integração entre diferentes atores da cadeia produtiva, estimulando o alinhamento de agendas estratégicas para o desenvolvimento rural. 

Além dos painéis técnicos e das atividades de capacitação, a programação inclui um momento de relacionamento institucional entre os participantes, com a entrega de reconhecimentos a iniciativas municipais consideradas referência no segmento. O encontro pretende se tornar um ponto de convergência entre poder público, iniciativa privada e entidades representativas, criando oportunidades de cooperação e articulação em diferentes frentes do agronegócio brasileiro. 

A expectativa é que o congresso se consolide no calendário setorial, gerando desdobramentos em novas ações e parcerias voltadas à gestão pública municipal no agro.  

Serviço: 1º Congresso Prefeitos do Agro 
Data: 12/09/2025 | Local: Centro de Eventos Ari José Riedi – Sorriso – MT

Fraudes digitais já causam perdas bilionárias no Brasil e causam preocupação no meio rural

O avanço das fraudes digitais no Brasil tem gerado impactos expressivos na economia e trazido novos desafios tanto para consumidores quanto para empresas. De acordo com levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somente em 2024 os golpes virtuais provocaram perdas de R$ 71 bilhões no país. O estudo aponta ainda que 42% da população adulta já sofreu ou foi alvo de tentativa de fraude.

Outro dado preocupante vem do Instituto DataSenado: um em cada quatro brasileiros acima de 16 anos foi vítima de golpe digital nos últimos 12 meses, o que representa cerca de 24% da população. O problema é ainda mais sensível no meio rural, onde produtores enfrentam não apenas riscos climáticos e de mercado, mas também dificuldades de acesso à internet em alguns casos, confiança demasiada em contatos recebidos e mesmo o uso indevido de seus dados pessoais para abertura de dívidas ou movimentações fraudulentas. 

Para alertar sobre o tema e proteger os clientes de golpes digitais, a Plantae Agrocrédito, instituição financeira voltada exclusivamente ao setor, iniciou recentemente uma parceria com a plataforma Davi, especializada em segurança digital.

A iniciativa oferece aos clientes ferramentas de monitoramento apoiadas por inteligência artificial, como blindagem de CPF, emissão de alertas em caso de vazamento de dados e acompanhamento em tempo real de movimentações financeiras suspeitas. Segundo a empresa, os recursos funcionam de forma integrada, com relatórios, diagnósticos e monitoramento contínuo.

“Produzir e empreender no campo já envolve inúmeros desafios. Não podemos permitir que fraudes e golpes digitais se tornem mais um obstáculo para quem movimenta a economia e alimenta o país”, afirma Wolney Arruda, presidente da Plantae Agrocrédito.

Do outro lado da parceria, o Davi vem se consolidando como um dos principais ecossistemas de combate a fraudes no Brasil. A plataforma construiu a maior biblioteca nacional sobre o tema, com mais de 700 mil depoimentos de vítimas de golpes, organizados em 400 tipologias diferentes. Hoje, já são mais de dois milhões de CPFs monitorados e milhões de brasileiros protegidos ativamente contra crimes virtuais.

Especialistas apontam que a tendência é de crescimento nas tentativas de fraude, exigindo do setor privado soluções que combinem tecnologia, prevenção e educação digital. Casos como o da Plantae mostram como empresas podem se posicionar para reduzir vulnerabilidades e oferecer maior tranquilidade aos clientes em um ambiente de riscos crescentes.

Foto: Antoni Shkraba Studio / Pexels.com

Apesar de alta do PIB do agro, gargalos estruturais ameaçam competitividade

O PIB brasileiro avançou 0,4% no segundo trimestre de 2025 e somou R$3,2 trilhões, as informações foram divulgadas nesta terça-feira (02), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com leve queda de 0,1% entre abril e junho, a agropecuária acumula alta de 10,1% em 12 meses, sustentada pela safra histórica de soja e milho. O desempenho reforça a relevância do setor, que responde por cerca de um terço da economia nacional, mas nem tudo são rosas no setor, uma vez que são evidentes vulnerabilidades que comprometem a competitividade no médio e longo prazos.

Além do ambiente de crédito caro, agravado pela Selic no maior patamar desde 2006, o setor enfrenta uma maior aversão ao risco por parte dos agentes financiadores. Segundo a Serasa Experian, em 2024 os pedidos de recuperação judicial protocolados por produtores rurais pessoa física aumentaram 350%, impulsionados por juros altos, custos de produção e adversidades climáticas. Esta combinação de juros altos e deterioração da capacidade creditícia impactam brutalmente o acesso do produtor ao capital, e os reflexos já aparecem nas estatísticas e projeções.

Uma evidência é a maior cautela na expansão de área de grãos. De acordo com a Conab, a produção em 2024/25 deve alcançar 345,2 milhões de toneladas, mas em 2025/26 a expansão da soja tende a perder fôlego. Para Daniel Barbosa, CEO da Fex Agro, a desaceleração é reflexo direto da pressão financeira. Algo que pode inclusive ter um impacto nas indicações de preços das commodities, não apenas pelo aumento nos custos de produção, como também por conta de um melhor equilíbrio entre oferta e demanda globais. “Uma melhora nas indicações de preço seria um alento muito bem vindo ao produtor – mas ainda é cedo para conclusões definitivas, temos muitas incertezas, não apenas no cenário doméstico, mas também de ordem geopolítica global”, diz.

Além deste estrangulamento no crédito e custo financeiro, o Brasil enfrenta entraves estruturais. A falta de capacidade de armazenagem é um deles, além da ausência de estoques reguladores, que poderiam atuar como ferramenta de segurança alimentar e estabilização de preços. A precariedade da infraestrutura logística completa o quadro, reduzindo a eficiência e elevando os custos das cadeias produtivas. “A título de exemplo, hoje no centro-oeste temos um volume enorme de milho segunda safra sendo guardado a céu aberto, pois os armazéns estão lotados”, explica.

Para Barbosa, a falta de políticas consistentes para acompanhar o crescimento da produtividade aumenta a exposição do produtor. “O Brasil avançou muito em produtividade, mas não fez a lição de casa em armazenagem, escoamento e na definição de uma política de longo prazo para estoques reguladores. Em momentos de capital mais caro, quando todo investimento é naturalmente desestimulado, a ausência desse planejamento estrutural pesa ainda mais. (…) Precisamos ser menos reativos e mais proativos em nossas iniciativas”, avalia.

Na visão da Fex Agro, o debate precisa ir além das linhas tradicionais de crédito. “O caminho é avançar em instrumentos de financiamento mais adequados ao ciclo rural, mas também em políticas de infraestrutura e de estoques reguladores. Só assim será possível reduzir vulnerabilidades, assegurar margens sustentáveis e preservar a competitividade do agro brasileiro”, conclui Barbosa.