O presidente Lula discursou no evento que celebra os 80 anos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nesta segunda-feira (13/10), em Roma, sede da organização.
Lula voltou a insistir que a comunidade internacional precisa inverter as prioridades e investir no combate à fome, raiz e símbolo maior das desigualdades sociais.
De acordo com o presidente, 670 milhões de pessoas no planeta passam fome. Ele destacou, ainda, que é essencial um trabalho articulado de todos os países. “A palavra-chave é levar a humanidade a se indignar contra a fome. Num mundo que produz alimento suficiente, que não tem problema de produção, não tem explicação 670 milhões de pessoas ainda não terem o que comer”, disse o presidente.
Segundo Lula, outra chave para a questão é o financiamento adequado e consistente. “Sejamos claros: sem recursos financeiros não haverá transformação. Ano passado a ajuda oficial ao desenvolvimento registrou queda de 23% em relação aos níveis pré-pandêmicos. Essa retração atinge em cheio os países mais pobres e endividados, sobretudo na África, onde a insegurança alimentar cresceu de forma alarmante. Se não agirmos com urgência, em 2030 ainda teremos quase 9% da população mundial vivendo em situação de extrema pobreza”, alertou.
A chegada da época das chuvas é o período em que os produtores se organizam para dar início a uma das fases mais importantes do calendário produtivo da fazenda, a estação reprodutiva. Apostar em um planejamento a longo prazo, focando no preparo nutricional das fêmeas na época correta, garante que elas cheguem a esse estágio com um bom Escore de Condição Corporal (ECC) que favoreça os índices reprodutivos.
“Estabelecer um período de monta na propriedade permite calendarizar os manejos e sincronizar a fase de maior requerimento nutricional das vacas, que é o período de lactação, com a época do ano de maior disponibilidade de forragens, ou seja, as chuvas. Dessa forma, as fêmeas entram na estação reprodutiva com boa condição corporal”, alerta o zootecnista e diretor técnico comercial da Connan, Bruno Marson.
Segundo o diretor, a taxa de fertilidade e a quantidade de gordura da vaca estão correlacionadas, por isso o planejamento nutricional deve envolver a alimentação adequada antes, durante e após a monta, com ajustes na dieta para atender as diferentes fases da fêmea.
“Para estarem aptas à reprodução, as novilhas devem atingir o peso ideal, entre 60% e 65% do peso adulto da raça. Já as fêmeas multíparas devem chegar na estação reprodutiva com escore corporal em torno de 3,5 na escala de 1 a 5. Com uma boa nutrição, é possível diminuir o intervalo entre partos e melhorar a produção de quilos de bezerros por vaca”, observa.
No período pré-monta, no caso das novilhas, é fundamental que atinjam o peso ideal e desenvolvimento adequado antes da primeira monta, para reduzirem a idade do primeiro parto e acelerarem o ganho genético. Já no caso das fêmeas adultas, a alimentação deve focar em manter ou ganhar peso, garantindo boa condição corporal para a estação de monta.
Durante a fase, a dieta precisa atender às necessidades nutricionais do animal, especialmente o período de lactação, que tem altos requerimentos. No pós-parto, a vaca precisa se recuperar e apresentar cio rapidamente. Por isso, a nutrição deve ser adequada para a recuperação do escore de condição corporal e o início de uma nova gestação.
Manejo de pastagens
O especialista comenta que os melhores resultados em termos de taxa de desmame e peso são obtidos quando os nascimentos ocorrem durante a estação seca. Assim, no início da estação chuvosa as pastagens se recuperam rapidamente, provendo alimento de boa qualidade em quantidade suficiente para que as fêmeas alcancem uma condição corporal que favoreça os índices reprodutivos. Com isso, a estação de monta poderá começar poucas semanas depois do início das chuvas.
“Com um bom planejamento, as fêmeas serão bem suplementadas nas águas, o nascimento dos bezerros ocorrerá na seca e elas estarão recuperadas na próxima estação chuvosa. Essa estratégia permite a boa recuperação do animal, sem impacto para a próxima estação de monta”, finaliza Marson.
O debate sobre se a Inteligência Artificial (IA) irá apenas aumentar a produtividade ou, de fato, eliminar empregos não é mais uma questão teórica. A resposta, conforme as gigantes corporativas vêm demonstrando nas últimas semanas, está se tornando clara: a IA está reestruturando profundamente a força de trabalho e o ritmo dessa mudança é brutal.
Por muito tempo, a maioria dos CEOs hesitou em admitir publicamente que os investimentos em IA levariam a cortes de pessoal. Esse tom, porém, mudou radicalmente. As demissões anunciadas recentemente, muitas vezes sob a bandeira da “reestruturação”, revelam uma corrida implacável pela eficiência impulsionada pela automação inteligente.
Demissões e requalificação: o novo dilema corporativo
A consultoria global Accenture deu um dos sinais mais fortes dessa mudança ao desligar mais de 11.000 funcionários nos últimos três meses, parte de um programa massivo focado em incorporar a IA em sua estrutura. A mensagem é inconfundível: o futuro do funcionário depende diretamente de sua capacidade de se adaptar e utilizar a IA em suas funções. Quem não se requalifica, corre o risco de ter seu posto de trabalho absorvido pela máquina.
Outras empresas seguem o mesmo caminho. A Lufthansa já anunciou planos para cortar mais de 4.000 cargos nos próximos anos, reconhecendo que o aumento do investimento em IA torna certas funções obsoletas ou desnecessariamente duplicadas. Da mesma forma, a Salesforce cortou 4.000 membros de sua equipe de suporte ao cliente, enfatizando que sua própria solução de IA, a Agentforce, diminui a necessidade de intervenção humana em muitas tarefas.
O Diretor Financeiro (CFO) da gigante de software SAP não poupou avisos, descrevendo a transformação do mercado como “brutal”. A empresa está focada em automatizar milhares de tarefas de back office e, de forma crítica, está investindo para colocar mais de 30.000 engenheiros em ferramentas de codificação baseadas em IA. O objetivo claro é aumentar a produção e, acima de tudo, as margens de lucro.
No meio desse cenário de cortes, o Walmart, que é o maior empregador dos Estados Unidos, oferece um ponto de contraste mais otimista. A empresa reconhece que a IA irá transformar cada função em sua força de trabalho, mas se comprometeu a manter seu quadro de 2,1 milhões de funcionários estável nos próximos três anos. Seu foco será total na requalificação, uma estratégia de longo prazo que a empresa está desenvolvendo em parceria com a OpenAI.
O consenso é que a IA não é uma ferramenta passageira, mas o motor de uma reestruturação de mercado que já começou. O futuro do trabalho não está em ser contra a inteligência artificial, mas em aprender a trabalhar com ela.
A informação é um dos pilares das relações de consumo. O Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante que qualquer produto ou serviço oferecido no mercado deve trazer informações claras, precisas e de fácil compreensão.
De acordo com a advogada Lorrana Gomes, especialista em direito do consumidor, a base da defesa do consumidor é o conhecimento. “Sem informação clara, não há possibilidade de escolha consciente. É isso que protege o consumidor de práticas abusivas”, afirma.
Riscos da falta de informação
A ausência de dados adequados pode gerar sérios problemas, desde acidentes de consumo até endividamento. Por isso, a lei exige detalhes como composição do produto, prazos de validade, riscos e condições de uso. “É o mínimo necessário para que o consumidor saiba o que está adquirindo e quais são os impactos dessa decisão, a validade, o uso, os cuidados, etc., essas são bases”, explica a advogada.
Exemplos práticos
Um rótulo mal explicado em um alimento pode causar intoxicações. Uma cláusula escondida em contrato pode levar a prejuízos financeiros. Esses são pequenos exemplos dos efeitos negativos da falta de informação durante a venda de produtos ou serviços. “Por isso a informação é considerada um direito fundamental dentro do CDC, como um consumidor pode tomar uma boa decisão, pode cobrar algo se ele sequer sabe o que deve esperar daquele produto ou serviço? Ter informação é fundamental”, reforça a especialista.
Em uma medida que promete dar fôlego ao campo, o Governo Federal anunciou a liberação de R$ 12 bilhões em crédito para produtores rurais pequenos, médios e grandes, que tiveram suas lavouras prejudicadas por tragédias climáticas nos últimos anos. O programa deve alcançar cerca de 100 mil agricultores, incluindo 96% dos pequenos e médios produtores com dívidas em atraso ou renegociadas.
A iniciativa busca evitar o abandono do campo e garantir a continuidade da produção, especialmente em um contexto de mudanças climáticas cada vez mais frequentes e severas.
Como funciona a linha de crédito
O pacote prevê diferentes condições de acordo com o porte do produtor:
Agricultura familiar (Pronaf): até R$ 250 mil, com juros de 6% ao ano
Médios produtores (Pronamp): até R$ 1,5 milhão, com juros de até 8% ao ano
Demais produtores: até R$ 3 milhões, com juros de até 10% ao ano
Acima de R$ 3 milhões: condições definidas pelas instituições financeiras, considerando fluxo de caixa debilitado
Além disso, o crédito terá carência de um ano e prazo de pagamento de até oito anos, incluindo a possibilidade de quitar dívidas em atraso e Cédulas de Produto Rural (CPR) registradas até junho de 2024.
Impacto das tragédias climáticas
O programa vem em resposta a eventos extremos que abalaram o setor, como as enchentes no Rio Grande do Sul em maio de 2024, consideradas a maior catástrofe climática do estado, com perdas bilionárias na agricultura e pecuária. Para especialistas, essas medidas não são apenas emergenciais, mas estratégicas, garantindo que os produtores continuem investindo e produzindo mesmo diante de riscos crescentes.
Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, avalia a iniciativa como fundamental não só para dar fôlego imediato, mas também para reforçar a importância da proteção no campo. “O acesso ao crédito garante que o produtor mantenha sua atividade no campo, reorganize suas contas e preserve sua renda, mesmo em momentos de dificuldade. É uma forma de dar fôlego imediato e condições reais para que a produção continue ativa”, afirma.
O que representa para o setor
O pacote representa um alívio financeiro imediato, evita que produtores abandonem o campo e garante continuidade produtiva, mantendo empregos e segurança alimentar. Para o setor, é também uma oportunidade de modernização e planejamento estratégico, estimulando investimentos em tecnologias e práticas mais sustentáveis. “Quando o produtor tem acesso a crédito estruturado e condições reais de pagamento, ele planeja, investe e protege sua produção. Isso garante continuidade no campo e fortalece toda a cadeia do agronegócio”, conclui Gustavo Zanon.
Outubro de 2025 será um mês de fortes contrastes climáticos no Brasil, exigindo atenção redobrada dos produtores rurais. A previsão geral aponta para a predominância de temperaturas acima da média em grande parte do país, um cenário que se alia à chuva irregular, prometendo impactos distintos em cada região do agronegócio.
Na metade do país, o clima de transição se instala com cautela. As regiões Centro-Oeste e Norte — cruciais para a soja, o milho e as culturas permanentes — devem enfrentar volumes de chuva abaixo da média, o que pode intensificar o déficit hídrico em áreas do Mato Grosso, Pará e Tocantins. Essa escassez de água é uma ameaça direta às culturas permanentes como o cacau e o açaí, podendo reduzir a frutificação e comprometer a qualidade dos frutos. A irregularidade das precipitações também freia o avanço seguro do plantio da nova safra de grãos nas áreas de fronteira agrícola, demandando um manejo hídrico extremamente cuidadoso e, em muitos casos, o uso de irrigação para mitigar perdas.
Em contraponto, a Região Sudeste deve ser o ponto de maior alívio, com estimativas que indicam chuva acima da média em grande parte de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Essa condição é mais favorável para o retorno gradual das chuvas e para o desenvolvimento da safra de verão nessas áreas. No Nordeste, a previsão é de chuvas próximas da média, mas o calor persistente pode aumentar a taxa de evapotranspiração, exigindo atenção constante no manejo das lavouras de feijão e milho que estão em fase crucial de enchimento de grãos.
Apesar da previsão de tempo aberto na faixa central do país nos primeiros dez dias, que beneficia o controle da umidade na fase final da colheita de algodão e feijão, a perspectiva de um mês mais quente em quase todo o Brasil mantém o alerta ligado. Produtores devem se preparar para a variabilidade extrema, que é característica do período de transição entre as estações, ajustando o planejamento da semeadura e do uso da irrigação para navegar por esse cenário de clima incerto. O monitoramento constante das previsões meteorológicas torna-se, mais do que nunca, um fator crítico de sucesso para a safra brasileira.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou o documento “Agropecuária Brasileira na COP30” com o posicionamento do setor para a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que acontece, de 10 a 21 de novembro, em Belém (PA).
O documento reflete os anseios do setor agropecuário e foi discutido em uma série de encontros e reuniões dos integrantes da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA com produtores rurais, Federações estaduais, entidades do agro, pesquisadores, entre outros atores.
As propostas e as contribuições dos produtores rurais brasileiros vão servir como subsídio aos negociadores brasileiros, às autoridades envolvidas nas negociações, aos produtores rurais, além de embasar os debates durante a COP 30.
Reconhecimento
No documento, a CNA afirma que os produtores rurais brasileiros devem ser reconhecidos como agentes fundamentais no fornecimento e na implementação de soluções climáticas para o alcance das metas brasileiras e potencialmente para as metas globais; que as particularidades da agricultura tropical precisam ser levadas em consideração e que ganhem escala como solução imediata aos desafios do clima; e que os meios para implementar medidas de mitigação e adaptação sejam suficientes para exercer todo o potencial do setor.
A CNA também reforça o protagonismo do setor, além das soluções climáticas, na garantia da segurança alimentar e energética.
No posicionamento, a Confederação lista uma série de posições a serem adotadas nas negociações que evidenciam o papel da agricultura tropical frente aos desafios do clima e impulsionam a adoção de práticas sustentáveis no campo: financiamento acessível, aplicável e transversal aos instrumentos do acordo; inclusão da agricultura no centro das decisões; promoção da agropecuária dentro das metas globais; reconhecimento o setor em ações de adaptação e seguindo as realidades de cada país; atividade representativa em mitigação; mercado de carbono global integrado e alinhado com o setor e com o país e que sejam implementados através de uma transição. Alguns dos pontos do documento estão abaixo (de forma resumida):
Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios
Financiamento – O financiamento tem sido o principal gargalo para a implementação da ação climática em nível global. Em 2023, uma “Nova Meta Coletiva Quantificada de Financiamento Climático (NCQG)” foi estabelecida: US$ 300 bilhões por ano até 2035 com países desenvolvidos sendo os principais contribuintes; e US$ 1.3 trilhão anual até 2035 envolvendo todos os países e atores não governamentais. A CNA considera fundamental que o financiamento climático chegue diretamente aos produtores rurais, facilitando a implementação de tecnologias de baixo carbono e contribuindo para dar escala às ações de mitigação e adaptação. Nesse sentido, a CNA propõe a criação de mecanismos financeiros adequados, com condições diferenciadas de crédito, seguro climático e redução dos custos de endividamento.
Agricultura – Na COP há um grupo de negociação específico destinado à discussão sobre agricultura e segurança alimentar chamado de “Trabalho Conjunto de Sharm el Sheikh para Agricultura e Segurança Alimentar” (SSJWA, na sigla em inglês). O objetivo desse grupo é identificar de que forma as mudanças do clima afetam a agropecuária e a produção de alimentos e como o setor contribui para mitigação e adaptação, por exemplo. O SSJWA estabeleceu um portal online que funciona como uma vitrine de ações climáticas do setor e serve tanto como ferramenta de comparação entre países como também uma possibilidade para viabilizar o financiamento das ações. A CNA considera fundamental que os produtores rurais sejam colocados no centro das decisões sobre agricultura, tendo suas demandas atendidas em relação aos gargalos para aumento da ambição climáticas e sendo reconhecidos como agentes provedores de soluções ambientais ao alcance das metas de redução de emissão de gases de feito estufa. Além disso, deve-se estimular o uso do portal, permitindo que os custos para implementação dos projetos sejam reduzidos.
Legado da COP 30 na Amazônia – O último capítulo do documento da CNA trata do legado da COP 30 na Amazônia. Segundo a entidade, se por um lado o evento promete “colocar no centro das discussões globais a proteção aos recursos naturais, por outro deve também reconhecer o valor da presença humana na região. A Amazônia é a casa de 30 milhões de brasileiros, espalhados em mais de 750 municípios, que coexistem com a natureza”. E na região, mais de um milhão de produtores rurais sustentam a segurança alimentar da população local cultivando arroz, feijão, hortaliças, leite, frutas, mandioca, carne, café, ovos, entre outros. É necessário reconhecer, diz o documento, que agricultura e segurança alimentar são pilares inseparáveis da agenda climática — na Amazônia como em qualquer lugar do planeta. “A COP 30 deve ser muito mais do que um evento sobre a conservação da natureza, mas um teste decisivo para a agenda climática global e sua capacidade de reconhecer as necessidades e aspirações de desenvolvimento de quem vive na floresta”, diz o documento.
O posicionamento da CNA traz nove recomendações para a Amazônia:
1 – Reconhecer o direito à produção agropecuária sustentável na Amazônia como parte inseparável da agenda climática, combatendo a estigmatização dos agricultores locais
2 – Acelerar a regularização fundiária e ambiental como condição básica para promover a segurança jurídica, garantir acesso a crédito e estimular investimentos produtivos
3 – Reforçar a segurança alimentar regional, incentivando a produção local de alimentos
4 – Combater o desmatamento ilegal por meio de incentivos econômicos eficientes, garantindo a sustentabilidade produtiva da região
5 – Criar linhas de crédito rural e financiamento climático específicas para produtores amazônicos, com juros diferenciados e prazos adequados, apoiando sistemas integrados de produção, recuperação de pastagens e reflorestamento produtivo
6 – Transformar a bioeconomia alimentar em vetor de renda e inovação, baseada em ciência, tecnologia, domesticação e agregação de valor
7 – Afirmar a soberania nacional sobre o território e apoiar o combate à violência e ao crime organizado, reconhecendo que não há floresta protegida ou ação climática efetiva sem ordem e segurança no território
8 – Investir em integração logística e energia limpa na região, reduzindo custos de transporte, aumentando a conectividade e criando condições para atrair investimentos sustentáveis
9 – Valorizar a contribuição do agricultor amazônico na transição climática global, reconhecendo que produção de alimentos, conservação florestal e segurança alimentar devem caminhar de mãos dadas
Levantamento mais recente da DATAGRO Grãos indica que, apesar de desempenho inferior ao de 2024/25, a lucratividade bruta da soja brasileira em 2025/26 tende a permanecer majoritariamente positiva. O resultado reflete a combinação entre custos de produção, produtividade e receita esperada, que sustentam margens brutas relativamente favoráveis para os produtores.
Inicialmente, observa-se notável elevação dos custos – em especial no Mato Grosso, Paraná e Goiás – após dois anos consecutivos de retração. Além do aumento nos gastos com insumos (sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas), a variação cambial encareceu as compras externas, pressionando os resultados.
No campo da produtividade, as estimativas apontam para bons rendimentos, apoiados no uso regular de tecnologia e em condições climáticas relativamente estáveis, mesmo diante da possibilidade de um La Niña fraco. Destaca-se a recuperação da produtividade média no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, áreas duramente afetadas por escassez de chuvas em 2024/25. Nos demais estados, a expectativa é de ligeira queda, mas ainda em níveis superiores à média histórica – o que permite alguma diluição dos elevados custos por hectare.
Por fim, do lado da receita, a DATAGRO estima que os preços da oleaginosa permaneçam pressionados em 2025/26, em patamar inferior a este ano, limitando os resultados brutos dos produtores. O recuo reflete a perspectiva de safras cheias nos EUA e no Brasil, levando o mercado global a registrar seu quarto superávit consecutivo.
Consequentemente, projeta-se, ainda em caráter inicial, lucratividade bruta de 46% no oeste do Paraná (x 47% em 2024/25), 17% no sul do Mato Grosso (x 29% em 2024/25) e 25% no sudoeste de Goiás (x 46% em 2024/25). Recuperações são previstas no norte do Rio Grande do Sul (25% em 2025/26 x -7% em 2024/25) e no sul do Mato Grosso do Sul (21% em 2025/26 x 13% em 2024/25).
A programação de palestras da 24ª TranspoSul em seu primeiro dia, foi marcada por uma jornada intensa de reflexões e aprendizados. A Inteligência Artificial, pilar central da edição deste ano, esteve no centro das discussões. Aliada à inovação, liderança e ESG, a tecnologia mostrou como está moldando o futuro do transporte e da logística, conectando eficiência, competitividade e novos modelos de negócios. O público acompanhou lideranças políticas, especialistas em tecnologia, influenciadores digitais e executivos que trouxeram visões práticas e estratégicas para o futuro do transporte e da logística.
O prefeito de Bento Gonçalves, Diogo Segabinazzi Siqueira, destacou na 24ª TranspoSul o emprego como a verdadeira política de inclusão social, ressaltando experiências que unem setor produtivo, comunidade e políticas públicas. “Trouxemos para este encontro a experiência de Bento Gonçalves, onde implementamos iniciativas que reduzem a dependência de programas sociais ao inserir mais pessoas no mercado de trabalho. Esse movimento fortalece a economia local e comprova a capacidade da comunidade de agir de forma proativa”, disse o gestor.
A palestra reforçou a importância da geração de renda como motor de transformação social e inspiração para outros municípios gaúchos.
O economista e especialista em vendas complexas Alexandre Weimer destacou como a inteligência artificial pode transformar o transporte e impulsionar resultados no setor. Em sua palestra, ressaltou a necessidade de adaptação contínua e de abandonar crenças limitantes para que as empresas consigam crescer em meio às mudanças aceleradas. “Em toda revolução, o primeiro passo é abandonar as crenças limitantes. Em tempos de mudança, acreditar é essencial: mesmo que o risco exista, é melhor se reinventar do que quebrar sem tentar. A inteligência artificial muda as regras — quem não se adapta corre o risco de perder clientes para quem usa tecnologia de forma estratégica”, afirmou.
Influenciadores
O Painel de Influenciadores do evento mostrou como a comunicação digital vem transformando a imagem do transporte e aproximando o setor da sociedade. Os palestrantes destacaram a força das redes sociais para atrair talentos, inspirar mudanças e gerar engajamento. “Primeiro, cuide da sua saúde mental. É fundamental alcançar um nível de autoconhecimento em que nem elogios nem críticas abalem quem você realmente é, reconhecendo sua personalidade e entendendo plenamente quem você nasceu para ser”, afirmou Paulla Demeneghi.
O especialista em desenvolvimento humano e organizacional Daniel Keller destacou a importância de uma liderança capaz de equilibrar o presente das operações com a construção do futuro, e provocou reflexões sobre gestão de pessoas, inovação e estratégias de longo prazo no setor de transporte. “É preciso coragem para implementar mudanças, pensar no crescimento, diversificar e expandir. A ambidestria nos lembra que devemos cuidar da operação atual enquanto construímos a futura, que muitas vezes ainda nem existe”, ressaltou.
A apresentação reforçou a gestão estratégica como um dos pilares da feira, mostrando que investir em liderança e pessoas é essencial para garantir competitividade em um cenário de constantes transformações.
ESG
Lucilene Carvalho, gerente de Sustentabilidade/ESG da Iveco Group, falou sobre como a sustentabilidade deixou de ser apenas um conceito para se tornar eixo estratégico nos negócios do setor automotivo. Com experiência em inovação, economia circular e descarbonização, apresentou práticas que conectam ESG ao core business da companhia. “Hoje, falar sobre ESG é falar de inovação, resultado financeiro, sustentabilidade, colaboração, valor compartilhado e impacto positivo. No setor automotivo isso é ainda mais relevante, já que mais de 60% das cargas no Brasil dependem do transporte rodoviário”, reforçou.
Ao discursar na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as sanções tarifárias impostas pelos Estados Unidos afirmando que o mundo assiste ao aumento do autoritarismo. “O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. A autoridade desta organização [ONU] está em xeque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões a política do poder, atentados à soberania, sanções arbitrárias. E intervenções unilaterais estão se tornando regra”, afirmou.
Foto: TV Gov / EBC / Reprodução
Para Lula, existe “um evidente paralelo” entre a crise do multilateralismo e o enfraquecimento da democracia. “O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente a arbitrariedades. Quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas”.
“Em todo o mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência. Exaltam a ignorância. Atuam como milícias físicas e digitais e cerceiam a imprensa. Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia, reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais”, disse o presidente.