Inteligência artificial e tendências globais desafiam o futuro da comunicação no agronegócio brasileiro

Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela fragmentação da atenção, pelo crescimento da influência dos creators e por consumidores cada vez mais exigentes, acompanhar tendências já não é suficiente. O desafio das empresas está em interpretar esses movimentos e transformá-los em decisões capazes de gerar diferenciação, relevância e resultado.

Essa foi uma das principais discussões do Make Wave 2026, encontro promovido pela Make ID, em São Paulo (SP). O evento reuniu executivos de grandes empresas do agronegócio e de outros setores, além de profissionais de marketing, comunicação, inovação e imprensa especializada, para discutir como movimentos globais de comportamento, tecnologia e criatividade estão chegando à realidade dos negócios.

Com mais de três décadas de atuação e uma trajetória construída ao lado de algumas das principais marcas do agronegócio, a Make ID consolidou-se como uma das agências de referência em comunicação e estratégia para o setor no Brasil. Mais do que conhecer a dinâmica do agro, a agência acompanha suas transformações e conecta esse repertório a movimentos de comportamento, tecnologia, criatividade e negócios que estão redesenhando mercados no mundo.

A partir de uma curadoria construída pela Make ID ao longo de alguns dos principais fóruns de inovação e criatividade do mundo — entre eles SXSW Austin, SXSW London, Web Summit Rio e São Paulo Innovation Week (SPIW) —, o encontro trouxe para o contexto brasileiro discussões sobre inteligência artificial, comportamento, criatividade, estratégia, dados, performance, mídia, influência, confiança, creators e experiência do cliente.

Mais do que tendências isoladas, esses movimentos mostram uma transformação na maneira como empresas constroem marcas, se relacionam com seus públicos e tomam decisões de negócio.

Simone Rodrigues, CEO da Make ID, durante o Make Wave 2026 (Foto: Divulgação)

Para a CEO da Make ID, Simone Rodrigues, o diferencial das organizações estará cada vez mais na capacidade de interpretar essas mudanças e transformá-las em estratégia, combinando tecnologia, dados e, sobretudo, capital humano.

“Temos uma história profundamente conectada ao agronegócio e crescemos acompanhando a transformação desse mercado. Isso nos deu repertório e conhecimento para entender suas particularidades, mas também a responsabilidade de provocar novas discussões e trazer novas perspectivas para nossos clientes. Nosso papel hoje é conectar o agro ao que há de mais relevante em criatividade, tecnologia, comportamento e negócios no mundo e transformar essa leitura em estratégia e valor”, afirma Simone Rodrigues, CEO da Make ID.

Da tecnologia à aplicação nos negócios

Ao longo da programação, representantes de empresas como Bayer, Scania, John Deere, Mosaic, MSD Saúde Animal, Kyra Pesquisa e Trends on Influence discutiram como criatividade, tecnologia, dados e visão estratégica podem ampliar a diferenciação e a geração de valor dentro e fora do agronegócio.

Para o diretor de Inteligência de Mercado e Comunicação da Bayer, Celso Batistella, iniciativas como o Make Wave ajudam a aproximar o setor das discussões que estão acontecendo nos principais centros de inovação do mundo.

“A Make tem essa capacidade de provocar discussões relevantes e conectar clientes ao que está acontecendo de mais inovador no mundo. Poder acessar os principais debates do SXSW e trocar experiências com outras empresas ajuda a entender como usar tecnologia e inovação a favor dos negócios”, explica Batistella.

Na avaliação do executivo, a troca entre empresas e diferentes setores amplia a capacidade das organizações de interpretar mudanças e acelerar a adoção de soluções capazes de fortalecer sua competitividade.

Essa capacidade de selecionar o que realmente importa em meio ao grande volume de informações disponível também foi destacada pelo diretor de Marketing, Comunicação e Experiência do Cliente da Scania no Brasil, Márcio Furlan.

“Nem todo mundo consegue participar dos principais fóruns de inovação. O diferencial da Make é fazer essa curadoria, filtrar os temas mais relevantes e direcionar a discussão para aquilo que realmente faz sentido para as empresas. Isso provoca novas formas de pensar e leva insights que podem ser aplicados no dia a dia dos negócios”, afirma Furlan.

Estratégia e criatividade como ferramenta de negócio

Outro ponto presente nas discussões foi o papel da estratégia e da criatividade em um ambiente no qual tecnologias e ferramentas se tornam cada vez mais acessíveis. Nesse cenário, a diferenciação tende a depender menos do acesso à tecnologia em si e mais da capacidade humana de fazer perguntas, interpretar contextos e construir respostas relevantes.

Para o diretor de Estratégia da Make ID, José Francisco Barbosa, criar espaços de troca entre diferentes empresas e perspectivas também é uma maneira de ampliar esse repertório. “Reunimos grandes marcas, clientes e especialistas para oxigenar estratégias de marketing e comunicação e olhar para o futuro dos negócios. Mais do que discutir tendências, queremos ampliar perspectivas e estimular novas formas de pensar os desafios que já estão na mesa das empresas”, afirma.

Segundo o executivo, em um setor que passa por transformações cada vez mais rápidas, construir diferenciação exige criatividade, repertório e disposição para rever modelos tradicionais de relacionamento entre marcas, produtores e demais públicos da cadeia.

Ao conectar aprendizados dos principais fóruns globais às particularidades do agronegócio brasileiro, o Make Wave 2026 reforça uma discussão que tende a ganhar espaço nas agendas das empresas: tecnologia, dados e inteligência artificial continuarão ampliando as possibilidades dos negócios, mas a capacidade de interpretar esses recursos, conectá-los ao contexto e transformá-los em estratégia seguirá essencialmente humana.

Para a Make ID, é justamente nesse encontro entre inteligência, criatividade, tecnologia e capital humano que estão algumas das principais oportunidades para construir marcas mais relevantes e negócios mais competitivos.

CenpHub em Goiânia destaca o potencial do agronegócio para o mercado publicitário no Brasil

O agronegócio brasileiro impulsionou os dados do PIB do Brasil em 2025, ao fechar o ano com uma alta de 11,7% sobre o ano anterior (IBGE e CNA). Esse dado foi ainda mais expressivo em Goiás, em que o segmento cresceu 20,1% no PIB agropecuário do estado, de acordo com o Instituto Mauro Borges, do governo estadual. Essa pujança chama a atenção para a importância de se quebrar estereótipos na comunicação do setor, de acordo com uma das discussões promovidas pelo CenpHub Goiânia, o primeiro a ser realizado na capital do estado, com a presença de 150 participantes.

O painel “Agro em modo global: a potência brasileira que nasce no campo” discutiu como o segmento no Brasil conquistou alcance global impulsionado por inovação, tecnologia e escala. O debate integrou o evento promovido pelo Cenp (Fórum da Autorregulação do Mercado Publicitário), trazendo os principais temas da indústria da comunicação.

Moderada por Antônio Pereira, apresentador do programa Agro Negócio, exibido pela TV Serra Dourada em Goiás, a discussão específica sobre o agronegócio trouxe Daniela Noyori, diretora de operações e negócios do Estúdio Eixo, responsável por uma pesquisa que destacou a transformação sociodemográfica no campo. “A narrativa do atraso precisa ser quebrada. Hoje, a média de idade dos produtores é de 46 anos, há mulheres herdeiras em cadeiras de decisão e um avanço cultural muito pautado pela tecnologia”, afirmou. 

Estudo realizado pelo Eixo aponta que, mesmo com os fortes avanços tecnológicos, a linguagem no campo segue ancorada nos pilares fé, família, tradição e trabalho. A leitura foi confirmada na prática por Gabriele Triches, gerente de comunicação da Comigo, cooperativa de produtos agropecuários fundada há mais de 50 anos em Rio Verde. Ao planejar uma campanha de comemoração, a equipe constatou que, além de planejar e comprar insumos, a atitude central do produtor antes de plantar é rezar – um insight que deu origem à música “Safra de Fé“, com o cantor Sérgio Reis. “Nossa forma de comunicação com o cooperado e a esposa, o filho, o neto, é o que faz trazer as pessoas para dentro da cooperativa”, afirma Gabriele.

A compreensão das particularidades desse segmento é também fundamental para agências e veículos de mídia — para o agronegócio, a venda padronizada não funciona, como explica Welder Lara, CEO da Rowan Marketing. “A primeira coisa pra se comunicar no agro é conhecer o relógio da safra e como ele traz oportunidades para agências e veículos”. O executivo ressaltou ainda que o agro vende credibilidade, e não produto. Assim, quem integra essa comunidade prefere ver seus pares em campanhas de mídia. 

O CenpHub Goiânia abordou ainda temas como o consumo de mídia em um cenário altamente fragmentado, a necessidade de adaptação dos players e a sustentabilidade das relações comerciais. A relevância do mercado do Centro-Oeste esteve em evidência nos quatro painéis do evento. Em 2025, de acordo com o painel Cenp-Meios, o investimento publicitário na região foi de R$ 838 milhões. 

Patrocínio

O encontro contou com patrocínio master de Adobe, Globo e Kallas. O apoio estratégico foi formado por Fenapro, Sinapro.GO, CBN Goiânia e Grupo Jaime Câmara, além do apoio de mídia de Eletromidia, Exame, Saint Paul, Meio&Mensagem e Propmark.

Foto: Divulgação / Marketing / Cenp / @maquinadafoto