Conab estima safra de grãos em mais de 360 milhões de toneladas

A produção de grãos da safra 2025/26 está estimada em 360,1 milhões de toneladas, volume 2,2% superior ao registrado na temporada passada, o que representa um acréscimo de 7,8 milhões de toneladas de grãos a serem colhidos. O resultado reflete a maior área destinada para o cultivo de grãos no país, projetada em 83,5 milhões de hectares, enquanto a produtividade média nacional das lavouras deve se manter estável, prevista em 4.311 quilos por hectare. Os dados estão no 10º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A colheita das três safras de milho no atual ciclo está estimada em 141,7 milhões de toneladas, volume 0,4% superior ao ciclo passado. A primeira safra do cereal já está quase toda colhida, e a produção está estimada em 29,6 milhões de toneladas. Já na segunda safra do grão, a colheita atinge 38,9% da área destinada para cultura, índice inferior à média dos últimos 5 anos. Principal produtor do grão, Mato Grosso registrou condições climáticas favoráveis durante o ciclo, proporcionando um bom desenvolvimento da segunda safra de milho. Já em Goiás, Minas Gerais e Piauí os veranicos ocorridos em abril e maio influenciaram no desempenho da cultura. Neste cenário, a Conab espera que sejam colhidas 109,43 milhões de toneladas na segunda safra do cereal. Para a terceira safra, espera-se uma produção de 2,7 milhões de toneladas. No momento, as baixas precipitações que vêm ocorrendo, especialmente em Sergipe e Alagoas, trazem reflexos à evolução das lavouras.

O algodão tem produção prevista em 4,06 milhões de toneladas de pluma, com 8,1% da área já colhida, 78,4% em maturação e 13,5% em formação de maçãs. As boas condições climáticas favorecem o bom desenvolvimento das lavouras, refletindo em um ganho na produtividade de 2,8% em relação à safra 2024/25. Essa melhora no desempenho médio das lavouras compensou a diminuição em 3,2% na área plantada, que neste ciclo foi próximo a 2 milhões de hectares.

Com colheita finalizada, a soja alcança uma produção de 180,6 milhões de toneladas, avanço de 5,3% em relação à safra passada, resultado do aumento de 2,7% na área cultivada, aliado ao bom pacote tecnológico utilizado pelos produtores, e às condições climáticas favoráveis. O arroz também tem colheita encerrada e apresenta uma produção de 11,1 milhões de toneladas, 13,1% abaixo do volume produzido na safra passada, reflexo de uma menor área destinada ao produto. No caso do feijão, a produção total estimada é de 3 milhões de toneladas, 1,4% inferior ao ciclo anterior. Mesmo com a redução prevista para estes dois importantes produtos para o consumo dos brasileiros, o volume a ser colhido garante o abastecimento no mercado doméstico.

Já o trigo, produto de destaque entre as culturas de inverno, se encontra em fase final de plantio. A expectativa da Conab é de uma redução de 23,5% no volume a ser colhido, estimado em 6 milhões de toneladas. O resultado reflete tanto a menor área destinada ao cereal como a expectativa de uma menor produtividade média a ser registrada nas lavouras neste ciclo.

Mercado

Neste 10º levantamento, a Companhia ajustou as estimativas para o estoque de passagem de milho na safra 2025/26, uma vez que a produção total do cereal foi reajustada para 141,7 milhões de toneladas. Com isso, a nova expectativa é de um estoque próximo a 14,5 milhões de toneladas em 31 de janeiro de 2027. A atualização da safra de algodão também possibilitou ajustes na expectativa de exportação da fibra, podendo chegar a 3,38 milhões de toneladas, resultando em um estoque final de 2,67 milhões de toneladas.

No caso da soja, o estoque final foi ajustado para 8,8 milhões de toneladas, diante um aumento no processamento do grão e das exportações, estimadas em julho em 62,57 milhões de toneladas e 116,3 milhões de toneladas respectivamente.

Foto: Melquizedeque Almeida / Pexels.com

Planejamento da safra 2026/27 reforça importância da mecanização e do acesso ao crédito no campo

Com as atenções do setor voltadas para o planejamento da safra 2026/27, produtores rurais de todo o Brasil já começam a avaliar estratégias para aumentar a produtividade e a eficiência operacional das propriedades. Nesse contexto, a mecanização agrícola segue como um dos principais pilares para garantir competitividade, especialmente em um cenário marcado por custos elevados de produção, desafios climáticos e maior rigor na concessão de crédito.

A adoção de máquinas e equipamentos agrícolas tem transformado a realidade do campo, permitindo ganhos de produtividade, redução de desperdícios e maior previsibilidade das operações. O movimento é observado tanto em grandes propriedades quanto na agricultura familiar, que também vem ampliando gradualmente o acesso à mecanização, impulsionada por programas de financiamento específicos.

Segundo Welinton Silva, supervisor Comercial Agrícola da YANMAR South America, o planejamento antecipado dos investimentos tem se tornado cada vez mais importante para os produtores. “Estamos observando um agricultor mais cauteloso e estratégico. A mecanização permanece como um investimento estratégico para produtores que buscam eficiência, embora a decisão de compra esteja cada vez mais condicionada às condições de crédito e ao retorno econômico”, afirma.

A mecanização contribui diretamente para a otimização de etapas fundamentais da produção, como preparo do solo, plantio, pulverização e transporte. Além disso, a evolução tecnológica dos equipamentos tem levado ao mercado máquinas mais compactas, versáteis e adaptadas às necessidades de pequenos e médios produtores.

Outro diferencial está na incorporação de tecnologias digitais aos equipamentos. Cada vez mais modelos incorporam sistemas de monitoramento remoto que permitem acompanhar indicadores operacionais em tempo real, incluindo horas trabalhadas, desempenho das máquinas, localização dos equipamentos e diagnósticos preventivos de manutenção, contribuindo para uma gestão mais eficiente da propriedade.

“Hoje, a tecnologia embarcada permite que o produtor tenha mais controle sobre a operação e utilize dados para tomar decisões mais assertivas. Isso representa ganhos não apenas em produtividade, mas também em gestão e redução de custos”, destaca Silva.

Além dos avanços tecnológicos, o acesso ao crédito continua sendo um fator decisivo para impulsionar a renovação e ampliação das frotas agrícolas. Em um ambiente de juros ainda elevados e maior seletividade por parte das instituições financeiras, cresce a busca por modalidades que ofereçam maior previsibilidade ao produtor.

Entre as alternativas mais procuradas estão os financiamentos tradicionais, linhas subsidiadas e modalidades como o consórcio, que tem ganhado espaço por permitir o planejamento da aquisição de máquinas de forma estruturada e sem os impactos imediatos das taxas de juros sobre o investimento.

Programas governamentais como o Moderfrota também seguem desempenhando papel relevante para a modernização do parque de máquinas brasileiro, especialmente entre pequenos e médios produtores. Com a proximidade do anúncio do novo Plano Safra, o setor acompanha com expectativa as definições sobre recursos, taxas e condições que poderão estimular novos investimentos em tecnologia e mecanização.

“O acesso a linhas de crédito adequadas continua sendo fundamental para que o produtor consiga investir em modernização. Ferramentas como o Moderfrota, programas voltados ao PRONAF, financiamentos estruturados e consórcios contribuem para ampliar as possibilidades de investimento e tornar a mecanização mais acessível”, explica o executivo.

Para a YANMAR, o avanço da mecanização no Brasil continuará sendo impulsionado pela combinação entre tecnologia, capacitação e soluções financeiras que atendam às diferentes realidades do campo. A expectativa é que a safra 2026/27 seja marcada por um produtor cada vez mais conectado, focado em eficiência operacional e atento às oportunidades que possam gerar maior rentabilidade e sustentabilidade econômica para o negócio rural.

“Independentemente do tamanho da propriedade, a mecanização deixou de ser apenas uma opção para se tornar uma ferramenta estratégica de competitividade. O desafio agora é ampliar o acesso às tecnologias e criar condições para que mais produtores possam investir na modernização de suas operações”, conclui Silva.

Foto: Trator YANMAR Solis 26 com transmissão 9×9 / Divulgação YANMAR

BNDES disponibilizará R$ 72 bilhões ao setor agropecuário no Plano Safra 2026/2027

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai disponibilizar R$ 72 bilhões no Plano Safra 2026/2027, para financiar investimentos da agricultura brasileira, no período entre 16 de julho de 2026 e 30 de junho de 2027. No período anterior, o montante disponibilizado foi de R$ 70 bilhões.

Serão R$ 40,5 bilhões em recursos equalizáveis que poderão ser acessados por meio de Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF). Esses programas contam com prazos, taxas e orçamentos determinados.

Deste montante, serão R$ 21,5 bilhões para médios e grandes produtores da agricultura empresarial, com taxas de juros entre 8,0% e 12,5% ao ano; e R$ 18,9 bilhões para agricultura familiar, com juros entre 0,5% e 7,5% ao ano. Houve redução da taxa na maioria dos programas.

Para a agricultura empresarial, os recursos serão oferecidos por meio de nove programas, entre eles, Moderfrota, Pronamp, Renovagro, Inovagro, Proirriga, Prodecoop e PCA.

Já para a agricultura familiar, o BNDES opera com diferentes linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Neste Plano Safra, serão destinados R$ 18,9 bilhões para o Pronaf, valor 41% maior do que os R$ 13,4 bilhões no Plano Safra 2025/26. Para o Norte e Nordeste, serão destinados neste período R$ 646,9 milhões exclusivamente para os agricultores familiares dessas regiões.

BNDES Crédito Rural – O BNDES também oferece ao setor agropecuário linhas de crédito próprias, perenes e não equalizáveis junto ao Tesouro. O destaque é o BNDES Crédito Rural, que terá um orçamento de R$ 31,5 bilhões nos próximos 12 meses. Na safra anterior, o volume foi de R$ 30,3 bilhões.

O BNDES Crédito Rural é voltado a projetos de investimento, aquisição de máquinas, custeio, apoio a cooperativas e emissão de Cédulas de Produto Rural Financeira (CPR-F) ou Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) lastreados em direitos creditórios do agronegócio.

O apoio do BNDES no âmbito do Plano Safra ou por meio das linhas de financiamento próprias para o setor agropecuário ocorre de forma direta ou, principalmente, indireta. Na modalidade direta, os recursos são contratados com o próprio BNDES.

Já na modalidade indireta, a contratação e o repasse de recursos ocorrem por meio de uma das mais de 80 instituições financeiras parceiras credenciadas, que cobrem cerca de 93% do território nacional.

Foto: Evandro Rigon / Getty Images

Julgamento no STF pode redefinir tributação das cooperativas e trazer reflexos para o agronegócio

O julgamento do Tema 536 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) tem sido acompanhado de perto pelo setor cooperativista e pode gerar impactos relevantes para diferentes atividades econômicas, incluindo o agronegócio. Em discussão está a possibilidade de incidência de PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre receitas obtidas por cooperativas em operações realizadas com terceiros não associados.

Embora a controvérsia tenha surgido a partir de um caso envolvendo uma cooperativa médica, especialistas apontam que a decisão poderá estabelecer parâmetros para todo o sistema cooperativista, alcançando segmentos como transporte, assistência técnica, consultoria agronômica e outros serviços amplamente utilizados pelo setor agropecuário.

Segundo Gustavo Venâncio, sócio e diretor comercial e de marketing da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, o principal ponto da discussão está na definição dos limites da atuação das cooperativas e no conceito de ato cooperativo.

“O STF está debatendo até que ponto a cooperativa atua apenas como intermediadora entre seus cooperados e o mercado ou quando passa a desempenhar um papel mais ativo, agregando estrutura, gestão e valor às operações. Essa distinção pode ser determinante para definir a incidência ou não de tributos”, explica.

O tema ganha relevância porque o modelo cooperativista possui tratamento diferenciado na Constituição Federal e desempenha papel fundamental em cadeias produtivas estratégicas para a economia brasileira. No agronegócio, as cooperativas são responsáveis por conectar produtores a serviços técnicos, logísticos e comerciais, contribuindo para ganhos de escala e competitividade.

Para Gustavo, independentemente do resultado do julgamento, a discussão ultrapassa os efeitos imediatos sobre PIS, Cofins e CSLL. “Mais do que uma definição sobre os tributos atuais, esse julgamento pode servir como referência para futuras interpretações envolvendo a reforma tributária. A forma como o STF delimitar o ato cooperativo poderá influenciar debates sobre a incidência dos novos tributos que substituirão o sistema atual”, afirma.

A avaliação ocorre em um momento de transição do modelo tributário brasileiro, marcado pela implementação gradual das novas regras previstas na reforma tributária. Nesse contexto, a segurança jurídica das operações realizadas por cooperativas ganha ainda mais relevância para produtores rurais, cooperados e empresas que se relacionam com essas organizações.

“O cooperativismo tem participação significativa no agronegócio brasileiro. Por isso, qualquer entendimento que altere a forma de tributação dessas operações é acompanhado com atenção pelo setor, especialmente diante das mudanças que já estão previstas para os próximos anos”, conclui o especialista.

Embora ainda não haja definição definitiva por parte do STF, o julgamento é considerado um dos mais relevantes para o futuro da tributação das cooperativas no Brasil.

União entre cana e milho fortalece a competitividade dos biocombustíveis

O avanço do etanol de milho, aliado à solidez da produção a partir da cana-de-açúcar, é a chave para acelerar a expansão dos biocombustíveis e fortalecer a transição energética brasileira. Para o Bioind MT (Sindicato das indústrias de Bioenergia de Mato Grosso), as duas cadeias são complementares e precisam atuar de forma coordenada para ampliar a competitividade do setor e impulsionar novas rotas de descarbonização.

A avaliação foi apresentada por Wellington Andrade, diretor executivo da entidade, durante o 19º Congresso Nacional da Bioenergia, promovido pela UDOP, um dos principais encontros do setor sucroenergético do País. Em sua palestra, o executivo defendeu que o maior desafio do segmento não é a competição entre diferentes rotas produtivas, mas a necessidade de ampliar o espaço dos combustíveis renováveis diante da predominância dos combustíveis fósseis.

“O etanol de cana e o etanol de milho não concorrem entre si. Se o setor atuar unido, ampliará sua capacidade de influenciar a agenda energética brasileira e aumentar a participação dos biocombustíveis no mercado”, afirmou Wellington Andrade.

Para ele, o avanço da bioenergia depende de uma agenda institucional comum, capaz de beneficiar toda a cadeia produtiva. Entre as prioridades estão o fortalecimento do RenovaBio, a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina para até 35% (E35), a construção de um mercado de carbono robusto, a preservação do diferencial competitivo tributário dos biocombustíveis e investimentos em infraestrutura logística.

Foto: Divulgação / Bioind MT

Outro tema destacado foi o potencial de expansão internacional. Andrade ressaltou que o etanol brasileiro avança em novos mercados, como aviação e transporte marítimo. A Lei do Combustível do Futuro impulsiona o desenvolvimento do SAF (Combustível Sustentável de Aviação), enquanto testes da Maersk e a recente definição da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre a intensidade de carbono do etanol de milho reforçam a competitividade do produto brasileiro no cenário global.

Durante a apresentação, Andrade também destacou a evolução da produção de etanol em Mato Grosso, estado que se consolidou como principal polo nacional do etanol de milho. A projeção para a safra 2026/27 é de 8,44 bilhões de litros, resultado do crescimento consistente da produção ao longo da última década e dos investimentos realizados pelas usinas instaladas no estado.

Ao abordar as perspectivas para o setor, Andrade afirmou que o futuro da bioenergia passa pela consolidação das usinas como biorrefinarias, ampliando a produção para biometano, fertilizantes renováveis, bioquímicos, hidrogênio de baixo carbono, SAF e combustíveis sintéticos.

“O futuro da bioenergia vai muito além do etanol. O Brasil reúne condições únicas para liderar a transição energética, integrando diferentes rotas tecnológicas e convertendo as vantagens competitivas da cana e do milho em novas soluções de baixo carbono”, concluiu Wellington Andrade.

Plano Safra 26/27 destina R$ 525 bilhões para fortalecer a agricultura empresarial

O Governo Federal lançou o Plano Safra 2026/2027, com R$ 525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial. Com acréscimo de R$ 9 bilhões em relação à safra anterior, a iniciativa oferece linhas de crédito, incentivos e instrumentos de política agrícola voltados a médios e grandes produtores, com o objetivo de fortalecer a produção agropecuária brasileira.

Do total de recursos, R$ 384,9 bilhões serão destinados ao custeio e à comercialização, garantindo recursos para despesas essenciais da produção agropecuária, como a aquisição de insumos, a condução das lavouras, a manutenção dos rebanhos e a comercialização da produção. Outros R$ 140,2 bilhões serão direcionados aos investimentos, apoiando a modernização produtiva, a ampliação da capacidade de armazenagem, a irrigação, a inovação tecnológica, a renovação de máquinas e equipamentos e o aumento da eficiência nas propriedades rurais.

Com o slogan “Crédito que fortalece o campo. Campo que alimenta o mundo”, o Plano Safra 26/27 reafirma o papel do crédito rural como instrumento estratégico para ampliar a produção agropecuária, fortalecer a renda no campo, garantir o abastecimento e a segurança alimentar, impulsionar as exportações e elevar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Compromisso com o agro

Um dos principais avanços do Plano Safra 26/27 é a redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas da agricultura empresarial. A queda da taxa Selic abre uma importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva.

No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), voltado aos médios produtores rurais, o volume previsto alcança R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de juros de 9% ao ano, inferior à praticada no ciclo anterior. A redução dos juros fortalece um segmento essencial para a produção de alimentos, a geração de empregos e a dinamização das economias locais. Com crédito mais acessível, os produtores ganham melhores condições para custear a produção, ampliar investimentos e conduzir o ciclo produtivo com mais segurança.

Campo + Sustentável

Além da redução geral das taxas, o Plano Safra 26/27 reforça o incentivo à adoção de práticas produtivas sustentáveis e à regularização ambiental das propriedades rurais, reconhecendo produtores que adotam boas práticas agropecuárias, padrões de gestão e certificações reconhecidas. A redução poderá ser de até 1,0 ponto percentual na taxa de juros de custeio.

O desconto contempla até 0,5 ponto percentual para produtores com Cadastro Ambiental Rural (CAR) em situação regular e outro 0,5 ponto percentual para aqueles que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis. A medida fortalece a ideia de que produzir com responsabilidade e eficiência, também significa melhores condições de financiamento.

Agro resiliente

A gestão de riscos também é um dos pilares do Plano Safra 26/27. O programa reforça a importância do Proagro e do seguro rural como instrumentos de proteção da produção e de segurança para o sistema de crédito. Ao vincular a possibilidade de renegociação das operações de custeio agrícola à existência de cobertura por Proagro ou seguro rural, a política estimula a adoção de mecanismos de gestão de risco. A medida busca fortalecer a responsabilidade compartilhada entre produtores, instituições financeiras e o poder público, reduzindo a dependência de soluções emergenciais após a ocorrência de perda.

Modernização

O investimento segue como uma das prioridades desta edição, com recursos destinados à modernização da produção, à irrigação, à inovação, à renovação de máquinas e equipamentos, à recuperação de áreas produtivas e à sustentabilidade.

Nesse contexto, o programa reforça a modernização do InvestAgro, expandindo o apoio a sistemas de geração e distribuição de energia renovável, como energia solar, biomassa, energia eólica, cogeração e armazenamento de energia elétrica. As medidas contribuem para aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais, ampliar a segurança energética e fortalecer a resiliência da produção agropecuária.

A armazenagem também recebe atenção especial. O apoio à ampliação, modernização, reforma e construção de armazéns e câmaras frias contribui para reduzir perdas, aprimorar a logística e amplificar a capacidade de conservação e comercialização da produção. Com maior autonomia para armazenar e comercializar seus produtos, produtores, cooperativas e agroindústrias ganham melhores condições de gestão, agregação de valor e competitividade.

Crédito mais eficiente

O custeio permanece como um dos principais instrumentos do Plano Safra, garantindo os recursos necessários para a aquisição de insumos, a condução das lavouras, o manejo dos rebanhos e a comercialização da produção. Em um cenário de custos ainda elevados, a redução das taxas de juros contribui para melhorar as condições de financiamento, ampliar a capacidade de planejamento e dar maior previsibilidade ao produtor.

O Plano Safra 26/27 também fortalece a complementaridade entre diferentes fontes de recursos, combinando recursos controlados, equalizados, não equalizados e fontes de mercado. Essa estrutura amplia a capacidade de financiamento do setor, permite atender diferentes perfis de produtores e finalidades de crédito e contribui para aumentar a oferta de recursos à agropecuária brasileira.

Com mais crédito, juros menores, incentivo a boas práticas agropecuárias, fortalecimento da gestão de risco, modernização energética, apoio à armazenagem e foco na execução, o novo Plano Safra reafirma o compromisso com uma agricultura empresarial forte, moderna, sustentável e competitiva.

Com estratégia correta é possível maximizar o aproveitamento dos pastos na safrinha

por Hemython Luis Bandeira do Nascimento*

A área explorada com sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) vem crescendo ano após ano no Brasil e deve ganhar ainda mais destaque na safrinha de 2026. O movimento é impulsionado pelo cenário de alerta na agricultura, marcado pelo atraso na colheita da soja em algumas regiões, comprometendo a janela ideal de plantio do milho. Soma-se a isso a queda nos preços dos grãos, em contraste com o momento positivo da pecuária, sustentado pela valorização da arroba do boi gordo e do bezerro.

Nesse contexto, muitos produtores têm optado pelo plantio de milho ou sorgo consorciados com capim, ou até mesmo pelo cultivo exclusivo da forrageira após a soja, utilizando as áreas para o pastejo do gado durante a safrinha, no chamado “boi safrinha”. É consenso que a ILP proporciona melhorias importantes ao sistema de produção, seja pela formação de palhada deixada pela pastagem, que favorece o cultivo de grãos na safra seguinte, seja pela oportunidade de oferecer pasto de qualidade e em quantidade adequada aos animais durante o período seco.

No fim, o objetivo é sempre o mesmo: aumentar a produtividade e a rentabilidade, mantendo a sustentabilidade do sistema. No entanto, para explorar todo o potencial desse modelo produtivo, é fundamental atenção a alguns pontos técnicos, como o controle de plantas daninhas, o momento ideal de entrada e retirada dos animais da área, além da suplementação e do manejo do pasto.

Controle de invasoras

O capim implantado no sistema de integração também deve ser tratado como uma cultura agrícola e, assim como qualquer outra, precisa receber os devidos tratos culturais para expressar seu máximo potencial produtivo. Nesse sentido, é fundamental realizar o controle de plantas indesejadas, sejam invasoras ou plantas tigueras, ainda no início do desenvolvimento da forrageira. Isso evita a competição por luz, água e nutrientes, assegurando maior velocidade de crescimento e rápido estabelecimento da pastagem.

Quantos animais por hectare?

A taxa de lotação está diretamente ligada à capacidade de suporte da área. Por isso, é necessário equilibrar a quantidade de pasto disponível com o período de utilização, definindo corretamente o número de animais que será inserido na área.

Para maior precisão, o ideal é realizar, cerca de uma semana antes da entrada dos animais, uma amostragem da forragem nos piquetes ou talhões destinados ao pastejo na safrinha. Também é importante fazer coletas de massa de forragem para estimar a disponibilidade de pasto na área.

Com essas informações, somadas ao período de permanência dos animais e ao peso médio de cada lote, é possível determinar a capacidade de suporte da área (UA/ha) e definir quantos animais poderão ser manejados em cada talhão. Dessa forma, evita-se a falta de alimento ao longo da ocupação e garante-se, ao final do ciclo, um residual de palhada adequado para o plantio da soja na safra seguinte.

Momento ideal para iniciar o pastejo

O momento do primeiro pastejo é decisivo, pois influencia diretamente a estrutura e a qualidade do pasto e, consequentemente, a eficiência de utilização da forrageira pelos animais, podendo impactar na eficiência de dessecação e consequentemente na plantabilidade da lavoura na safra posterior.

Pastagens muito altas tendem a apresentar maior acúmulo de colmos e fibras, reduzindo sua qualidade nutricional. Além disso, podem comprometer o perfilhamento, o crescimento da planta e a qualidade da palhada que permanecerá no sistema para a cultura seguinte.

Foto: Divulgação SBS Green Seeds

Uma observação importante é que a Brachiaria ruziziensis, quando muito alta, tende a acamar no momento da entrada do gado, reduzindo a eficiência do pastejo, o desempenho e a produtividade animal. Para melhor aproveitamento dessa forrageira, o ideal é que os animais entrem na área quando o pasto atingir, no máximo, 50 cm de altura.

De forma geral, recomenda-se que o primeiro pastejo seja realizado quando o capim atingir a altura de manejo indicada para cada cultivar. Assim, a forrageira é aproveitada mais cedo, com maior proporção de folhas e ainda com boa disponibilidade de água no solo, favorecendo o perfilhamento, a emissão de novas folhas e o desenvolvimento radicular.

Compensa adubar os pastos de safrinha?

Na maioria dos casos, a resposta é não. Nesse modelo de produção, considera-se que o residual de nutrientes deixado pela lavoura seja suficiente para suprir a demanda inicial do capim. Além disso, o período mais adequado para a adubação em cobertura, normalmente após o primeiro pastejo, coincide com uma fase de menor volume de chuvas, elevando o risco de baixa eficiência no aproveitamento dos nutrientes disponibilizados pelo fertilizante.

Qual tipo de suplemento adequado para a fornecer aos animais mantidos nos pastos safrinha?

Vale lembrar ainda que, mesmo durante o período seco, o pasto proveniente da ILP permanece verde e com elevado valor nutritivo. Em outras palavras, o produtor passa a contar com uma “pastagem de águas” durante a seca, produtiva e vigorosa, o que exige que a suplementação animal esteja alinhada às características nutricionais dessa forrageira.

Por fim, é importante ressaltar que esses pastos não devem ser excessivamente pastejados. Após a retirada dos animais, deve permanecer um bom volume residual de massa vegetal para dessecação e formação de palhada para a cultura seguinte. O ideal é garantir entre três e cinco toneladas de matéria seca por hectare, assegurando boa cobertura do solo e maior supressão de plantas daninhas.

*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.

A digitalização financeira como alicerce estratégico para a safra 2026/27

por Ivan Moreno*

O horizonte para a safra 2026/27 no agronegócio brasileiro desenha-se sob uma métrica de complexidade sem precedentes. Se historicamente o produtor rural equilibrou-se entre as variáveis climáticas e as oscilações das commodities, o cenário atual impõe uma terceira camada de pressão: a reconfiguração do acesso ao capital. Com o crédito mais restrito e os custos de produção em patamares elevados, a gestão financeira transcendeu a mera rotina contábil para se consolidar como o verdadeiro diferencial competitivo entre a rentabilidade e a estagnação.

Observamos um momento de transição crítica na jornada de compra de insumos. A concentração da demanda por fertilizantes e defensivos para os próximos meses, somada às incertezas geopolíticas que afetam a oferta global, cria um ambiente de urgência que pode resultar em gargalos logísticos severos. Nesse contexto, a agilidade na tomada de decisão não é apenas desejável, mas vital. É onde as soluções de pagamento digital emergem como peças-chave, oferecendo não apenas conveniência, mas a liquidez necessária para que o produtor antecipe movimentos de mercado e garanta a viabilidade de sua operação antes que as janelas de oportunidade se fechem.

A democratização do crédito, impulsionada pela entrada de novos players como plataformas integradas e indústrias, transformou o ecossistema financeiro do campo. Hoje, o produtor tem em mãos a possibilidade de comparar condições e diversificar suas fontes de financiamento em tempo real. No entanto, o pleno aproveitamento desse novo mercado depende da construção de um histórico financeiro digital robusto. O compartilhamento de dados comportamentais e de pagamento permite que as instituições refinem a análise de risco, traduzindo confiança em taxas mais competitivas e limites de crédito expandidos nos momentos de maior necessidade.

Além da questão puramente financeira, a integração entre marketplaces e ferramentas de pagamento traz um ganho substancial em rastreabilidade e controle. Em um ciclo onde a margem de erro é mínima, a capacidade de monitorar o fluxo de caixa, o status das compras e a previsão de entregas em um único ambiente digital reduz as fricções operacionais. Essa visibilidade holística permite que a gestão da propriedade seja pautada em dados concretos, minimizando surpresas e permitindo ajustes de rota em tempo real frente à volatilidade dos preços de insumos.

Foto: Du039bVu039e Gu039bRCIu039b / Pexels.com

Talvez a evolução mais significativa resida na quebra da fragmentação das negociações. O modelo tradicional, em que cada categoria de insumo demandava um processo isolado de financiamento, cede espaço para operações financeiras unificadas. Por meio de ecossistemas digitais, o produtor consegue centralizar a aquisição de sementes, fertilizantes e defensivos de múltiplos fornecedores sob uma mesma estrutura de crédito. Essa consolidação não apenas simplifica a burocracia, mas aumenta o poder de barganha do agricultor, permitindo um planejamento financeiro mais coeso e de longo prazo.

Em última análise, a transformação digital do agronegócio brasileiro não se limita à biotecnologia ou ao maquinário de última geração; ela ocorre, fundamentalmente, na arquitetura das transações. Liquidez e previsibilidade tornaram-se ativos tão cruciais quanto a fertilidade do solo. Ao adotar soluções de pagamento digital e ferramentas de gestão integrada, o produtor rural não está apenas modernizando um processo, mas blindando seu negócio contra a incerteza e garantindo que sua operação esteja preparada para as exigências de um mercado global cada vez mais dinâmico e digital.

*Formado em Processamento de Dados pela Universidade Mackenzie, com MBA em Marketing pela ESPM e Alumini da Harvard Business School pelo AMP206. É CEO da Orbia e possui experiência no agronegócio e passagem por várias multinacionais do setor.

Uso de drone avança, redefine eficiência no campo, mas precisa de apoio estratégico de adjuvante

O uso de drones agrícolas no Brasil deixou de ser tendência para se consolidar como uma das principais transformações tecnológicas no campo. Com avanços contínuos em capacidade de carga, velocidade e sistemas de atomização, esses equipamentos já são realidade em diversas culturas e regiões, impulsionando ganhos operacionais e abrindo novas fronteiras para a agricultura de precisão.

Dados de mercado indicam que o segmento cresce a taxas anuais superiores a dois dígitos no país, acompanhando a digitalização do agro e a busca por soluções mais eficientes e sustentáveis. A adoção se expande tanto em grandes propriedades quanto em áreas menores, refletindo sua versatilidade. “O drone é uma tecnologia que chegou para ficar. Ele vem evoluindo constantemente e hoje já atende desde culturas anuais até sistemas perenes e silvopastoris, com aplicações cada vez mais assertivas”, afirma Alexandre Gazoni, engenheiro agrônomo, especialista em aplicações agrícolas e diretor comercial da Sell Agro.

Atualmente, culturas como soja, milho e algodão lideram o uso da tecnologia, mas o avanço já alcança também lavouras perenes, como café, oliveira e noz-pecã. O diferencial está, sobretudo, na capacidade de atuação em áreas de difícil acesso, como terrenos alagados, encostas e regiões onde máquinas enfrentam limitações operacionais. “Em uma área alagada, por exemplo, muitas vezes é preciso esperar o solo secar para entrar com máquinas. Nesse intervalo, a praga pode causar danos significativos. Com o drone, é possível agir rapidamente e evitar perdas”, destaca Gazoni.

Além da acessibilidade, a agilidade operacional é um dos principais ganhos. O uso de drones permite intervenções mais rápidas, especialmente em condições adversas, como após chuvas ou em terrenos irregulares. Esse fator impacta diretamente o rendimento das operações e a eficiência do controle fitossanitário.

Outro ponto relevante é a redução de perdas mecânicas. Na cultura da soja, por exemplo, a substituição de máquinas terrestres por drones e aeronaves elimina o amassamento de plantas, o que pode representar uma economia de até cinco sacas por hectare em determinadas fases da lavoura. “O drone permite preservar a lavoura em momentos críticos, como na dessecação, pois evitar o tráfego de máquinas nesse período pode fazer diferença direta no resultado produtivo”, explica o especialista.

Em cenários operacionais mais restritivos, como áreas próximas a comunidades, o VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado) também se destaca. Diferentemente da aviação agrícola, que possui limitações legais de distância, o equipamento pode operar com maior proximidade, ampliando a cobertura e garantindo maior controle fitossanitário.

Adjuvantes como aliados

Nesse contexto, os adjuvantes assumem papel central para garantir a eficiência das aplicações. Esses insumos são responsáveis por preservar a integridade das gotas, reduzir perdas por evaporação e deriva, além de melhorar a absorção dos ativos pelas plantas. “O adjuvante é fundamental porque protege a gota e permite que o produto chegue com mais precisão ao alvo. Ele reduz perdas para a atmosfera e aumenta a eficiência das pulverizações”, afirma Gazoni.

Segundo o especialista, o uso correto desses produtos contribui diretamente para o desempenho agronômico, favorecendo maior cobertura foliar, melhor translocação dos ativos e menor risco de fitotoxicidade. Em condições climáticas desafiadoras, como altas temperaturas, seu papel se torna ainda mais estratégico. “O produto adequado ajuda a manter a gota viável por mais tempo, reduzindo evaporação e protegendo contra fatores como vento e radiação ultravioleta. Isso garante que uma maior concentração da calda atinja a planta”, complementa.

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios técnicos importantes. O principal deles é garantir que a eficiência das aplicações com drones se equipare às operações motorizadas tradicionais, que utilizam maiores volumes de calda. “O desafio é equilibrar a eficiência operacional do VANT com a qualidade técnica da aplicação. Isso passa, necessariamente, pela regulagem correta, escolha adequada de adjuvantes e manejo das condições climáticas”, ressalta Gazoni.

A democratização da tecnologia também chama atenção. Atualmente, há modelos de drones que atendem desde pequenos produtores até grandes operações agrícolas, ampliando o acesso e consolidando seu uso em diferentes perfis de propriedade.

Para não errar!

Entre os erros mais comuns, Gazoni aponta falhas na regulagem do tamanho de gotas, velocidade de operação e escolha inadequada de adjuvantes, fatores que podem comprometer significativamente o desempenho das pulverizações.

Olhando para o futuro, a expectativa é de expansão acelerada do uso de drones no campo, acompanhada por avanços em eficiência e novas soluções tecnológicas. A evolução deve estar diretamente ligada ao desenvolvimento de adjuvantes específicos para ultrabaixa vazão, proteção molecular e estabilização de misturas. “A tendência é trabalhar com volumes cada vez menores, mas com alta eficiência. Para isso, o uso do adjuvante correto será ainda mais estratégico. Já existem tecnologias sendo desenvolvidas com foco nesse cenário”, conclui o diretor da Sell Agro.

Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27, aponta Bioind-MT

Mato Grosso deve consolidar sua posição entre os principais polos de biocombustíveis do país na safra 2026/27. Levantamento do Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), projeta crescimento de 16,08% na produção total de etanol no estado, que deverá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.

“Nossa estimativa mostra que o avanço será sustentado principalmente pela expansão do etanol de milho, segmento no qual Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais”, explica Silvio Rangel, presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). “Além de fortalecer a segurança energética e a economia do país, o setor se posiciona como estratégico para o futuro da descarbonização dos transportes, com potencial crescente no fornecimento de combustíveis renováveis para aviação e navegação marítima.” 

Antes da projeção para o próximo ciclo, o levantamento aponta que a safra 2025/26 já deverá encerrar com crescimento de 8,52% na produção estadual de etanol, alcançando 7,27 milhões de m³, enquanto a produção nacional deverá permanecer praticamente estável, com alta de 0,22%. O desempenho mantém Mato Grosso na segunda posição do ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.  

Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de m³, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de m³, crescimento de 1,37%.

Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior do segmento de milho. A produção deverá avançar 18,67%, chegando a 7,33 milhões de m³, enquanto o etanol de cana deverá crescer 1,42%, atingindo 1,11 milhão de m³.  

“O levantamento mostra que Mato Grosso segue ampliando sua relevância estratégica para a matriz energética brasileira. O crescimento do etanol de milho demonstra a capacidade de integração entre produção agrícola, indústria e geração de energia renovável”, afirma Rangel. 

O estudo também destaca a expansão da moagem de milho destinada à produção de etanol. Na safra 2025/26, o volume processado deverá atingir 13,81 milhões de toneladas, alta de 10,45%. Para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, alcançando 16,36 milhões de toneladas, impulsionado pela entrada de duas novas plantas industriais no estado.  

Geração de Coprodutos 

Além da produção de combustível, a cadeia industrial do etanol de milho segue ampliando a geração de coprodutos. A produção de DDG (Grãos Secos de Destilaria) e DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) deverá crescer 16,14% em 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas, enquanto o óleo de milho deverá avançar 12,9%, atingindo 338,9 mil toneladas.  

No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deve permanecer estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%. Já a produção de açúcar deverá registrar leve retração de 1,42%, para 579,7 mil toneladas.  

As projeções de longo prazo do levantamento indicam continuidade da expansão da indústria de biocombustíveis no estado. Segundo o Imea, Mato Grosso poderá produzir 15,02 milhões de m³ de etanol até 2033/34, mais que o dobro do volume estimado para a safra atual.  

“O setor de bioenergia em Mato Grosso vem ampliando sua participação não apenas na produção de combustíveis renováveis, mas também na geração de coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização, consolidando uma cadeia industrial de grande relevância econômica para o estado”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do IMEA. 

O levantamento também destaca a contribuição ambiental do setor. Segundo o estudo, os Créditos de Descarbonização (CBIOs), já representaram mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂ desde o início do programa, sendo 40,06 milhões apenas em 2025. 

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.  

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.

Foto: Vadym Alyekseyenko / Pexels.com