StoneX projeta superávit global de 10 milhões de sacas de café em 2026, mas alerta para volatilidade

A oferta global de café deve superar a demanda em 2026, com um superávit estimado em 10 milhões de sacas, segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros. A projeção aponta para uma produção de 182,5 milhões de sacas, frente a um consumo de 172,5 milhões, permitindo a recomposição dos estoques globais para patamares acima de 48 milhões de sacas, após quatro anos consecutivos de queda até 2024 e leve recuperação em 2025. 

Apesar do cenário mais confortável, o mercado ainda não deve se perceber plenamente abastecido. A recuperação ocorre a partir de uma base historicamente apertada e segue marcada por desequilíbrios regionais, além de incertezas relacionadas ao clima, tensões geopolíticas, políticas comerciais e à evolução de regulações como o EUDR (Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento), que exige rastreabilidade e comprovação de que produtos importados não estejam associados ao desmatamento. 

“O mercado entra em 2026 com uma perspectiva mais confortável do ponto de vista de oferta, mas ainda longe de um cenário de estabilidade. A recomposição dos estoques acontece de forma desigual porque o aumento de produção está concentrado em algumas origens, como o Brasil, enquanto regiões consumidoras relevantes ainda operam com níveis historicamente baixos”, afirma o especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Leonardo Rossetti. 

O crescimento da produção global, estimado em 9,6% na comparação anual – ante 166,5 milhões de sacas em 2025, com base em números revisados -, é puxado principalmente pelo Brasil. O país deve registrar safra recorde de 75,3 milhões de sacas em 2026/27, alta de 20,8% na comparação anual, impulsionada pela recuperação dos danos climáticos da temporada anterior e pelo avanço estrutural da produção, especialmente do café robusta.

Outras regiões também contribuem para o aumento da oferta, ainda que de forma heterogênea. Na Ásia, a produção do Vietnã deve crescer quase 10%, após recuperação de condições climáticas adversas. Na África, países como Uganda e Costa do Marfim devem elevar a produção do continente em 3,6% na comparação anual. 

Por outro lado, nem todas as origens acompanham esse ritmo. Na América Central, a produção deve recuar levemente, com queda inferior a 1% no total. Já a Colômbia deve produzir cerca de 12,6 milhões de sacas, abaixo das 13,5 milhões registradas no ciclo anterior, reforçando a heterogeneidade da oferta global. 

No campo dos estoques, a expectativa é de recuperação consistente. O volume global deve subir de cerca de 38 milhões para mais de 48 milhões de sacas em 2026. No Brasil, principal pilar desse movimento, os estoques podem crescer em aproximadamente 5 milhões de sacas na comparação anual. 

Ainda assim, a recomposição não ocorre de forma homogênea. Na Europa, tradicional amortecedor do mercado, os estoques voltaram a se aproximar do limite inferior da faixa histórica em 2025, após queda superior a 2 milhões de sacas entre 2024 e 2025, com recuperação gradual prevista para 2026. Nos Estados Unidos, os estoques de café verde recuaram de mais de 6 milhões de sacas em 2022 para menos de 1 milhão em 2025, com expectativa de leve recuperação neste ano. Já o Japão apresenta uma queda mais moderada, porém persistente ao longo dos últimos anos. 

“A recomposição dos estoques é um movimento relevante, mas acontece após uma sequência prolongada de quedas e com distribuição irregular entre regiões produtoras e consumidoras. Isso mantém o mercado sensível, já que nem todas as regiões conseguem recompor estoques no mesmo ritmo”, destaca Rossetti. 

Do lado da demanda, o consumo global de café, que recuou cerca de 2,5% em 2025, deve se recuperar em ritmo semelhante em 2026, com alta também estimada em 2,5%. O avanço é sustentado pela desaceleração da inflação e pela melhora gradual das condições econômicas, especialmente em mercados como Estados Unidos, Brasil e Japão. 

Ainda assim, os preços seguem elevados e continuam impactando o consumo. No Brasil, a inflação do café superou 80% em meados de 2025 e encerrou o ano ainda cerca de 35% acima do período anterior. Nos Estados Unidos, a inflação permaneceu acima de 30% ao longo de 2025, com sinais mais claros de alívio apenas no início de 2026. Já na zona do euro, os preços encerraram 2025 com alta em torno de 18%, mantendo trajetória de desaceleração.

Nesse contexto, 2026 deve se consolidar como um ano de transição para o mercado global de café, com melhora nos fundamentos, mas ainda sujeito a oscilações. 

“Embora o superávit reduza o risco de eventos extremos, o mercado segue vulnerável. Pequenos choques de oferta ou demanda ainda podem gerar impactos relevantes nos preços, o que exige acompanhamento constante dos fundamentos”, conclui Rossetti.

Foto: Mateo Arbelaez / Pexels.com

Safra de soja ganha 1,6 milhão de toneladas com encerramento de etapa do Rally da Safra

A Agroconsult elevou a estimativa da safra brasileira de soja para 184,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior e de 0,9% sobre a última revisão (03/março), após consolidar os dados finais da etapa soja do Rally da Safra. O novo número reflete ajustes tanto na produtividade quanto na área plantada, reforçando o cenário de mais uma grande safra no país.

A revisão ocorre após a conclusão dos dois principais levantamentos da consultoria — o de campo, realizado pelas equipes do Rally da Safra, e o de área plantada, com base em imagens de satélite da ferramenta Cropdata. Com aproximadamente 1.700 lavouras avaliadas em 14 estados e mais de 60 mil quilômetros percorridos desde janeiro, a Agroconsult revisou a produtividade nacional de 62,5 para 62,7 sacas por hectare.

Pelo lado da área, a leitura indica 49,1 milhões de hectares plantados com soja, um acréscimo de quase 300 mil hectares em relação à projeção inicial do Rally. Com isso, o ajuste total da safra 2025/26 em relação à estimativa anterior chega a 1,6 milhão de toneladas e, comparando com a temporada anterior, ultrapassa 11,5 milhões de toneladas: 30% desse crescimento ocorre em razão do aumento de área e 70% por ganhos de produtividade.

“Chegamos a um momento decisivo para a definição da safra de soja. É quando consolidamos os dados de campo coletados em todas as regiões do país, respeitando o calendário de colheita de cada área, e os integramos às informações de área plantada, obtidas com o suporte de tecnologias avançadas de processamento de imagens. Esse cruzamento de informações amplia de forma significativa a precisão das estimativas e reforça a confiabilidade dos números da produção nacional”, afirma André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra.

Entre os destaques positivos da safra estão Mato Grosso e Bahia. Com a colheita finalizada, Mato Grosso deve produzir 51,3 milhões de toneladas, mantendo a produtividade em 66 sacas por hectare – estável em relação ao relatório anterior e pouco acima da estimativa inicial do Rally (65 sacas).

“No início do Rally, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos. Ainda assim, os dados finais mostram que o estado sustentou uma produtividade elevada, apoiada pelo maior número de grãos por hectare e bom peso dos grãos”, explica Debastiani.

Na Bahia, com 61% da safra colhida, os dados de campo confirmam uma das maiores revisões positivas da temporada. A produtividade estimada, que era de 66 sacas por hectare em janeiro, subiu para 68 em fevereiro e agora é estimada em 70,3 sacas por hectare — a maior do país. A produção estadual deve alcançar 9,7 milhões de toneladas.

Já o Rio Grande do Sul é o destaque negativo. Com apenas 11% da área colhida – ritmo inferior à média das últimas cinco safras -, o estado sofreu com a estiagem ao longo do ciclo. A estimativa de produtividade em janeiro, que era de 52 sacas por hectare, caiu para 47 sacas em fevereiro e foi ajustada para 48,3 sacas na rodada final. “Apesar da melhora da percepção de potencial do estado, após rodarmos o estado no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas”, aponta Debastiani.

Entre os demais estados, houve algumas reduções de estimativas no terço final da colheita, em função de desafios climáticos pontuais. No Mato Grosso do Sul, o início da safra registrou implantação satisfatória, mas a irregularidade climática foi constante ao longo do desenvolvimento. A redução das chuvas e as altas temperaturas aceleraram a colheita, em meio à preocupação com a janela da segunda safra, e a produtividade foi revisada de 62,5 para 60 sacas por hectare.

Em Goiás, a safra se desenvolveu de forma satisfatória, mas a colheita trouxe peso de grãos e qualidade abaixo das expectativas. A produtividade foi reduzida de 67 para 66,2 sacas por hectares no estado.

No Paraná, a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas afetaram principalmente as últimas áreas semeadas, em fevereiro e março, reduzindo o peso de grãos. A estimativa saiu de 67 para 66,1 sacas por hectare.

Já outros estados apresentaram revisões positivas. Em Minas Gerais, a combinação de fatores como a semeadura que, apesar dos atrasos, ocorreu de forma segura, sem necessidade de replantios, aliada ao bom nível de investimento nas lavouras e aos volumes adequados de chuva ao longo do desenvolvimento da cultura, resultou em uma produtividade recorde no estado de 68 sacas por hectare.

No MAPITO-PA, Maranhão e Piauí apresentaram bom peso de grãos em praticamente todas as regiões, o que elevou a produtividade no Maranhão para 64,2 sacas, e no Piauí, agora com 65 sacas por hectare. Já no Tocantins e Pará, as médias devem se manter próximas a 60 sacas por hectare.

Foto: Eduardo Monteiro / Rally da Safra

Segunda safra de milho

Encerrada a etapa soja, o Rally volta agora seu foco para a segunda safra de milho, que se desenvolve sob maior nível de risco climático em alguns estados. Entre 10 de maio e 15 de junho, as equipes técnicas estarão em campo para avaliar lavouras nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. A área estimada pela Agroconsult é de 18,5 milhões de hectares, crescimento de 2,5 % em relação ao ciclo anterior.

A produtividade média é estimada ainda dentro da linha de tendência – em 103,1 sacas por hectare – com produção total de 114,5 milhões de toneladas, o que corresponderia a uma queda de 7,6% frente à safra passada.  

“O que vai definir o potencial produtivo é o comportamento do clima em abril. Apesar das chuvas de março e dos bons níveis de umidade no solo, os modelos climáticos divergem”, afirma Debastiani. “Enquanto o modelo europeu indica chuvas mais consistentes, o americano projeta volumes abaixo da média, o que mantém o nível de incerteza elevado”.

Segundo ele, lavouras de estados como Goiás dependem de chuvas em abril e na primeira quinzena de maio, enquanto, no Mato Grosso, a necessidade de precipitações se concentra ao longo de abril para garantir o desenvolvimento adequado das lavouras.

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Nova regra da NF-e pode travar venda de defensivos sem Receituário Agronômico

Empresas que comercializam defensivos agrícolas precisam se adaptar às novas exigências na emissão da nota fiscal eletrônica (NF-e). Desde 1º de março entrou em vigor a Norma Técnica 2024.003, que passou a exigir a inclusão de dados no registro digital da NF-e. 

Com a mudança, a nota fiscal eletrônica precisa trazer obrigatoriamente o número do Receituário Agronômico e do CPF do responsável técnico que prescreveu o produto. Essas informações passam a constar no XML da nota fiscal, arquivo digital que reúne todos os dados do documento e é transmitido aos sistemas da Secretaria da Fazenda (Sefaz) para validação. 

Caso esses dados não estejam preenchidos corretamente, a nota fiscal pode ser rejeitada no momento da transmissão, impedindo o faturamento da operação. 

De acordo com a engenheira agrônoma e consultora da Agrotis, Alice Leoni, a norma não cria uma obrigação para o setor, mas passa a reforçar digitalmente uma exigência que já existia na legislação federal de defensivos agrícolas. “A legislação já determina há muitos anos que o Receituário Agronômico deve ser emitido antes da nota fiscal. O que muda agora é que esse controle passa a ocorrer diretamente dentro do sistema de emissão da NF-e. Se a informação não estiver no XML da nota, o faturamento não é autorizado”, explica. 

A validação ocorre com base em regras associadas a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e ao Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) presentes na nota fiscal. O NCM é o código que classifica cada produto comercializado no país para fins fiscais, enquanto o CFOP identifica o tipo de operação registrada no documento, como venda, devolução ou transferência de mercadorias. Também são feitas validações por tipo de cliente ao qual é emitida a nota fiscal. 

Integração entre sistemas 

Com a nova exigência, empresas do setor também precisam promover adaptações tecnológicas em seus sistemas de gestão e faturamento para garantir que os dados do Receituário Agronômico e do CPF do responsável técnico estejam integrados ao processo de emissão da nota fiscal. 

Na prática, isso exige maior integração entre softwares agronômicos, que são responsáveis pela emissão da prescrição técnica, e os sistemas fiscais utilizados no faturamento das operações. “Quando os sistemas agronômicos e fiscais não estão conectados, aumentam os riscos de inconsistências na emissão da nota. A tendência é que as empresas avancem na digitalização desses processos para garantir que o Receituário Agronômico esteja corretamente vinculado ao faturamento”, afirma Leoni. 

Segundo a especialista, plataformas digitais, como a Plataforma Agrotis, voltadas à gestão agrícola, já permitem integrar essas informações, reduzindo erros operacionais e facilitando o cumprimento das exigências regulatórias. 

Além de diminuir retrabalho e riscos fiscais, a mudança também tende a fortalecer a rastreabilidade das operações envolvendo defensivos agrícolas. “A partir do momento em que a nota fiscal passa a estar vinculada ao Receituário Agronômico, cria-se um registro de que aquela venda ocorreu com base em uma prescrição técnica válida. Isso reforça o cumprimento da legislação e reduz erros operacionais”, conclui. 

Foto: Pixabay / Pexels.com

Clima instável, com chuvas irregulares e estiagem, é responsável por queda na projeção da safra

A projeção da safra brasileira de grãos para 2026 foi revisada para baixo, refletindo um cenário de maior pressão climática e fitossanitária ao longo do ciclo produtivo. Segundo estimativa do IBGE, a produção deve alcançar 344,1 milhões de toneladas, queda de 0,6% em relação ao recorde de 346,1 milhões registrado em 2025, mesmo com a expansão de 1,6% na área colhida, que chega a 82,9 milhões de hectares.

A revisão negativa é explicada principalmente pela redução na produtividade de culturas relevantes, impactadas por condições climáticas adversas e aumento da incidência de pragas. No Centro-Oeste, a irregularidade nas chuvas e na estiagem compromete o desenvolvimento das lavouras, especialmente de milho e arroz. A produção de milho deve somar 134,3 milhões de toneladas, queda de 5,3% frente ao ciclo anterior, enquanto o arroz registra recuo ainda mais acentuado, de 8,0%.

Em contrapartida, a soja segue como destaque positivo, com estimativa recorde de 173,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual. Ainda assim, o bom desempenho da oleaginosa não foi suficiente para compensar as perdas nas demais culturas.

Apesar das baixas, Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, enxerga força na safra e associa este crescimento à qualidade dos insumos utilizados. “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura. Em um cenário de clima instável, acertar nessas decisões deixa de ser recomendação e passa a ser condição básica para o sucesso da safra”, afirma.

A segunda safra de milho, conhecida como safrinha e responsável por cerca de 79% da produção nacional do cereal, concentra grande parte das preocupações. A produção está estimada em 105,4 milhões de toneladas, com retração de 9,1%, influenciada por atrasos no plantio após a colheita da soja e pelo aumento da pressão de pragas no início do ciclo.

Levantamentos recentes indicam que a colheita da safra de verão no Centro-Sul avança dentro da normalidade, atingindo 48,7% da área até meados de março, em linha com o mesmo período do ano passado. Apesar disso, o ritmo ainda é desigual entre as regiões, com estados do Sul mais avançados, enquanto áreas do Centro-Oeste apresentam início mais lento dos trabalhos.

No campo, o cenário é de maior complexidade. A pressão de pragas está mais regionalizada e intensa, com destaque para percevejos, corós, lesmas, roedores e a cigarrinha-do-milho. Esta última, inclusive, acumulou prejuízos bilionários nas últimas safras, reduzindo significativamente a produtividade média nacional.

A presença de palhada deixada pela soja, embora essencial para a conservação do solo, tem favorecido a proliferação de pragas, exigindo mudanças no manejo. A recomendação técnica é intensificar o monitoramento desde antes da semeadura e adotar estratégias mais rigorosas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), com inspeções frequentes e ações preventivas.

Na cultura da soja, o aumento da incidência de doenças como a ferrugem asiática também pressiona os custos de produção, podendo representar parcela significativa dos gastos da lavoura em cenários mais críticos. Isso reforça a necessidade de planejamento antecipado e uso de tecnologias com diferentes modos de ação.

Foto: Mirko Fabian / Pexels.com

Diante desse contexto, produtores devem redobrar a atenção ao manejo agronômico, adotando práticas que integrem monitoramento intensivo, controle biológico, rotação de defensivos e uso de variedades adaptadas às condições regionais. A combinação desses fatores será determinante para mitigar riscos e preservar o potencial produtivo da safra 2026.

Douglas Vaz-Tostes reforça a capacidade de adaptação do agro brasileiro. “A agricultura nacional já provou que cresce mesmo em cenários adversos. Na safra 2025/26, o protagonismo do produtor dependerá da soma entre conhecimento técnico, escolhas estratégicas e eficiência no manejo. Quem age com precisão não apenas fortalece a safra atual, mas amplia seu potencial futuro em um setor que continua sendo o motor econômico do país”, finaliza.

Oferta de algodão do Brasil sobe para 3,74 milhões de toneladas e sustenta projeção de exportações em 2026

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima a estimativa de oferta total de algodão do Brasil para 3,74 milhões de toneladas em 2026, após a conclusão do plantio nas principais regiões produtoras. O novo cenário está diretamente ligado com o bom desenvolvimento das lavouras na Bahia e reforça a perspectiva de exportações consistentes ao longo do ano, mesmo diante de um início mais moderado no mercado externo.

De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Raphael Bulascoschi, o foco agora está nas condições climáticas. “Com o plantio do algodão já finalizado, o mercado passa a acompanhar o clima nas principais regiões produtoras e, nesse ponto, temos visto sinais divergentes”, realça.

Na Bahia, onde as lavouras estão em estágio mais avançado, o clima tem favorecido o desenvolvimento da safra. “Um bom regime climático tem ajudado a safra a se desenvolver de forma excelente, com expectativa de que vejamos níveis produtivos próximos ao do ano passado. O clima obviamente precisará seguir benéfico para concretizar esses níveis de rendimento”, destaca Bulascoschi.

Já no Mato Grosso, apesar dos elevados níveis hídricos, o excesso localizado de chuvas tem contribuído para o surgimento de doenças fúngicas nos estágios iniciais em algumas áreas. Ainda assim, devido à precocidade do ciclo, não houve revisão nas estimativas de produtividade do estado até o momento.

No balanço de oferta e demanda, o Brasil iniciou 2026 com menor dinamismo nas exportações. Ainda assim, a expectativa é de embarques consistentes ao longo do ano, especialmente se for confirmado um cenário de recuo produtivo nos Estados Unidos. A StoneX também chama atenção para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Índia no mercado da pluma, movimento que pode ganhar relevância estratégica ao longo de 2026.

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Milho consorciado com capim pode gerar melhor retorno aos sistemas de produção

por Hemython Nascimento*

O cultivo de milho consorciado com capim é uma estratégia eficiente para otimizar o uso da área agrícola e gerar diversos ganhos aos sistemas de produção. Entre os principais benefícios dessa prática, destaca-se o importante trabalho realizado no solo pelo sistema radicular do capim, que pode dobrar o volume de raízes depositadas no perfil do solo.

Essas raízes contribuem para a descompactação e a melhoria da porosidade, aumentando a capacidade de infiltração e armazenamento de água. Além disso, favorecem a ciclagem de nutrientes, elevam o teor de matéria orgânica e ampliam o estoque de carbono do solo, aspectos fundamentais para a sustentabilidade produtiva.

Outra grande vantagem do consórcio entre milho e capim é a supressão de plantas daninhas. A presença da forrageira na área reduz a competição por água, luz e nutrientes com a cultura do milho, além de diminuir a necessidade e os custos com herbicidas. Após a colheita do cereal, o produtor ainda passa a contar com uma área de pastagem formada, que pode ser utilizada na alimentação do gado durante o período seco, garantindo uma “terceira safra” com a pecuária. Esse sistema também melhora o volume e a qualidade da palhada deixada para a safra seguinte.

Quais capins são mais indicados para o consórcio com o milho?

Entre as cultivares disponíveis no mercado, as mais indicadas e utilizadas em sistemas consorciados com o milho são a Brachiaria ruziziensis, a Brachiaria brizantha BRS Piatã e o Panicum maximum BRS Tamani. Cada material apresenta características específicas e diferentes aplicações.

Foto: Thiago Japyassu / Pexels.com

ruziziensis, por exemplo, destaca-se pelo baixo custo, rápido estabelecimento e facilidade de manejo. Já o capim Piatã apresenta maior produtividade, sistema radicular mais agressivo, melhor valor nutritivo e maior qualidade de palhada em comparação à ruziziensis. Além disso, possui um estabelecimento inicial um pouco mais lento, o que reduz a competição na fase inicial de desenvolvimento do milho.

O capim Tamani tem ganhado espaço nos sistemas consorciados, principalmente por suas características morfológicas. Trata-se de um Panicum de porte baixo, com pouco alongamento de colmo, o que mantém uma alta relação folha/colmo e gera menor competição com o milho. Além disso, apresenta alta produtividade, elevado teor de proteína e facilidade de manejo, proporcionando bom desempenho animal e palhada de excelente qualidade. Estudos recentes indicam o Tamani como um dos capins com maior compatibilidade para o consórcio com o milho, justamente por promover maior harmonia entre as culturas.

Cuidados necessários

Apesar dos benefícios, ainda existe um paradigma a ser quebrado em relação ao cultivo de milho consorciado com capins, especialmente no que diz respeito à competição entre as culturas. Muitos produtores temem perdas de produtividade. No entanto, para garantir que o milho mantenha níveis adequados de produção mesmo em consórcio, alguns aspectos são fundamentais, como a quantidade de sementes, o método de semeadura do capim e o uso de herbicidas para o chamado “travamento” da forrageira.

Resultados de pesquisas indicam que, quando o capim é semeado a lanço no momento do plantio do milho, o travamento da forrageira com produtos à base de mesotriona, quando o capim apresenta de 3 a 5 perfilhos, tem se mostrado eficiente para manter o equilíbrio do sistema, sem comprometer a produtividade de grãos.

Outra estratégia é a semeadura do capim em linha, nas entrelinhas do milho, quando o cereal estiver entre os estádios V3 e V5. Nesse caso, a competição é naturalmente menor e não há necessidade de realizar o travamento do capim com herbicidas.

*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.

Área tratada por defensivos agrícolas deve encerrar ciclo 2025 com alta de 6,1%

Ao refletir a dinâmica observada ao longo do ano, o mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com expansão da área PAT. O indicador deve crescer 6,1% em relação ao mesmo período de 2024 e pode contabilizar 2,6 bilhões de hectares tratados, conforme a terceira projeção de dados de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg). 

A metodologia utilizada na pesquisa considera a Área Potencial Tratada ou Área Tratada por Produto (PAT), um indicador que leva em conta o número de aplicações e o número de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras, permitindo uma leitura mais precisa do cenário. 

Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas. Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos da safra 25/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, pois o plantio transcorreu dentro do período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado. A maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.

O volume total de defensivos aplicados deve fechar 2025 com uma alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento. 

No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser a soja (55%), seguida por milho (18%) e algodão (8%). Pastagem (5%), cana (4%), trigo (2%), feijão (2%), arroz (1%), hortifruti (1%), café (1%) e outras culturas (2%) completam o panorama. 

Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia lideram, concentrando 32% da área tratada no país. A região conhecida como BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%, seguida por São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%. As demais regiões somam os 2% restantes. 

O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.

Sistema de IA interpreta dados agrícolas e climáticos para apoiar decisões no campo

Uma plataforma de inteligência artificial que interpreta dados de campo em tempo real começou a ser testada no norte do Paraná, em um projeto piloto voltado à extensão rural. A ferramenta foi construída para organizar e cruzar informações agrícolas, como dados produtivos, climáticos e ambientais, e fornecer subsídios técnicos aos profissionais que atendem produtores rurais na região de Maringá e municípios vizinhos.

A solução foi apresentada por desenvolvedores da Bluelogic Sistemas e Consultoria, de Curitiba, em diálogo com órgãos estaduais responsáveis pela agricultura, e está em fase de implantação e validação. A proposta é centralizar dados dispersos e automatizar análises que hoje exigem tempo e trabalho manual, com a intenção de oferecer orientações técnicas com mais velocidade no campo.

“O sistema organiza e interpreta informações agrícolas e climáticas e sugere orientações técnicas que melhor se adaptam às condições de cada propriedade. A decisão final permanece com o extensionista”, disse Fernando Esmaniotto, CEO da Bluelogic. Ele destaca que a IA não substitui o técnico, mas fornece suporte de análise para decisões mais rápidas e consistentes.

O piloto foi desenhado a partir de uma iniciativa da própria Bluelogic, apresentada em uma Rodada de Oportunidades e Conexões promovida pelo InovaAgro, que facilitou a aproximação com a Secretaria da Agricultura do Paraná e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), responsáveis por conduzir a extensão rural no território.

Foto: Google DeepMind / Pexels.com

Representantes do setor de tecnologia veem no projeto um exemplo de como inovações digitais podem ser aplicadas diretamente em atividades rurais. A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Paraná (Assespro-PR) registrou apoio à iniciativa, com a expectativa de que ela ajude a integrar tecnologia e demandas do campo. 

“Conforme a empresa, a arquitetura da plataforma foi desenhada para permitir expansão geográfica e adaptações a outras áreas de gestão pública e setores produtivos, caso seja validada na etapa atual. Isso é fantástico e vai ao encontro do nosso propósito, que é o de aproximar negócios e soluções das reais necessidades da sociedade”, destaca o presidente da entidade, Adriano Krzyuy.

Mercado global do cacau entra em 2026 em busca de equilíbrio após anos de forte volatilidade

Após um período marcado por alta volatilidade e sucessivos choques de oferta, o mercado global do cacau inicia 2026 ainda sob um ambiente de incertezas, embora em uma configuração distinta da observada nos últimos dois anos. Segundo Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a escalada abrupta dos preços no fim de 2025, quando os contratos futuros chegaram próximos de US$ 12,5 mil por tonelada em Nova Iorque, deu lugar a um movimento consistente de correção, levando as cotações à casa dos US$ 5 mil por tonelada. Mesmo assim, os preços permanecem historicamente elevados, sustentados por estoques globais ainda muito baixos e pela memória recente de duas safras frustradas no Oeste Africano.

Mais informações sobre tendências que podem impactar o mercado do cacau estão disponíveis no relatório “Perspectivas para Commodities 2026“, lançado pela StoneX, empresa global de serviços financeiros.

Na Costa do Marfim e em Gana, sinais iniciais da safra 2025/26 indicam melhora no ritmo de entregas de amêndoas, apoiada por condições climáticas mais favoráveis ao longo do fim de 2025. Esses fatores reduziram parte das preocupações de curto prazo no setor.

“Apesar disso, algumas vulnerabilidades persistem. A umidade do solo segue baixa em regiões-chave, e desafios fitossanitários mantêm vivo o risco de novas perdas produtivas à medida que o ciclo avança. A referência recente da safra 2024/25, que começou forte e desacelerou com intensidade, reforça o tom de cautela”, afirmou Bezzon.

Enquanto isso, produtores secundários ganham relevância no cenário internacional. O Equador se consolida como principal destaque, registrando exportações acima das médias históricas e avanços de produtividade relacionados a investimentos em manejo, conforme explica o analista de mercado.

“O crescimento equatoriano, acompanhado por movimentações mais discretas de Indonésia, Nigéria e Brasil, entretanto, não substitui o papel central do Oeste Africano, mas tende a reduzir a sensibilidade do mercado a choques localizados, sobretudo se a recuperação africana se mostrar apenas parcial ao longo de 2026”, destacou.

Foto: Valdenilson Santos Bautz Dembautz / Pexels.com

Mudanças na demanda

Do lado da demanda, o setor vive uma fase de ajuste estrutural. Bezzon explica que, após enfrentar custos extremos por dois anos, a indústria de chocolates e confeitaria reduziu tamanhos de produtos, reformulou receitas e testou substitutos parciais para a manteiga de cacau, cuja cotação nos Estados Unidos atingiu picos próximos de US$ 40 mil por tonelada. Essas estratégias, de acordo com o analista, resultaram em queda significativa no consumo de subprodutos e, consequentemente, na demanda por amêndoas, contribuindo para o recuo recente das cotações internacionais.

As divulgações trimestrais de moagem continuam sendo o termômetro mais observado pelos agentes do setor, embora a leitura dos dados exija prudência. “A retração observada em Europa e Ásia, e de forma mais moderada na América do Norte, reflete tanto compressão de margens quanto limitações na oferta de amêndoas de qualidade, um cenário que ainda dificulta separar efeitos cíclicos de mudanças estruturais de consumo”, disse.

Outra peça importante do panorama atual é a revisão recente da Organização Internacional do Cacau (ICCO). Após dois trimestres sem atualizações, a entidade reduziu suas projeções para 2024/25, reforçando a visão de que o mercado permanece estruturalmente apertado. “A StoneX, por sua vez, projeta para 2025/26 um superávit de 287 mil toneladas, resultado de uma demanda mais contida e da recuperação parcial dos principais produtores. Caso esse cenário se confirme, a relação estoque-consumo pode se aproximar dos padrões históricos ao longo de 2026” afirmou o analista.

Movimentações nos contratos

No campo financeiro, o comportamento dos contratos futuros também sinaliza uma mudança de fase. A forte backwardation que dominou boa parte de 2024 e 2025 deu lugar a uma curva mais achatada, indicando percepção de menor escassez imediata e de normalização gradual dos fundamentos até 2027.

De acordo com Bezzon, o aumento das posições vendidas por investidores especulativos mostra um sentimento de curto prazo mais baixista, embora abra espaço para episódios de volatilidade diante de eventuais surpresas de oferta ou demanda. Em paralelo, a inclusão do cacau no Bloomberg Commodity Index, em janeiro, tende a adicionar fluxo comprador e influenciar o desempenho dos preços nos próximos meses.

Sobre o relatório

A StoneX, empresa global de serviços financeiros, lançou a 34ª edição do Relatório de Perspectivas para Commodities, que traz análises abrangentes sobre os mercados de grãos, energia, fertilizantes, soft commodities, metais e câmbio. Produzido pela equipe de Inteligência de Mercado, com apoio de especialistas internacionais, o documento projeta um final de 2025 e início de 2026 marcados por tensões comerciais, incertezas monetárias e fatores específicos que afetam cada segmento do setor.

O Relatório de Perspectivas para Commodities pode ser baixado de forma gratuita aqui.

O ano de 2026 não será para amadores

por Marcos Dallagnese*

O ano de 2026 amanhece sem promessas fáceis para o agro brasileiro. Não há brisa de complacência, há vento de cobrança. O setor entra grande, competitivo, decisivo para a economia, mas sob um teste mais refinado, produzir muito já não basta, é preciso produzir certo, vender melhor e provar origem. O clima continua mandando, a geopolítica segue interferindo e a regulação deixou de ser ameaça distante para virar regra concreta. Quem ainda opera no improviso vai sentir primeiro.

A fotografia da safra é exuberante. A Conab projeta algo em torno de 354,4 milhões de toneladas de grãos. A soja, velha âncora, deve romper a barreira dos 177 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como líder global. O milho segue firme, com expectativa de 138 milhões de toneladas. Mas aqui mora a armadilha, safra grande em ambiente de custo elevado, logística pressionada e demanda errática não é sinônimo de prosperidade, é sinônimo de margem estreita. Em 2026, errar o timing de venda ou negligenciar hedge não será azar, será falha de gestão.

O clima não concede indulgência. A saída gradual da La Niña não significa calmaria, significa transição e transições são traiçoeiras. Chuvas fora de hora, granizo, janelas curtas, extremos pontuais. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático deixa de ser recomendação técnica e passa a ser critério de sobrevivência, especialmente porque o crédito agora cobra isso como contrapartida.

O milho confirma a lógica. A safrinha continua sendo pilar e divide protagonismo com o etanol, que mexe na demanda e na previsibilidade. Custos pressionados por fertilizantes e fretes impõem uma verdade incômoda: não haverá espaço para decisões “no feeling”. O milho de 2026 será de planilha, não de esperança.

E é exatamente nesse ponto que o café escancara o novo agro brasileiro. O setor chega a 2026 depois de dois anos de choques climáticos, estoques globais apertados e preços elevados, mas engana-se quem confunde preço alto com tranquilidade. O “mercado está caro” porque está frágil. Qualquer geada, seca ou ruído logístico reverbera instantaneamente na ICE Futures. Produzir sem proteção comercial é especular contra o próprio caixa.

Foto: Melquizedeque Almeida / Pexels.com

Importante: 2026 marca o fim da tolerância com informalidade. A regulação europeia antidesmatamento não é detalhe, é filtro de mercado. Exportar não depende só de produzir, mas de provar origem. Rastreabilidade, georreferenciamento e conformidade deixaram de ser diferenciais e viraram requisitos básicos. Quem ainda não entendeu isso está discutindo o problema errado.

O crédito também mudou de natureza. Não é cheque em branco. Em 2026, vem condicionado à gestão de risco climático, sustentabilidade comprovada e planejamento estratégico. Pensar apenas na próxima safra é curto demais para um setor que vive de ciclos longos, volatilidade e pressão regulatória. Ignorar essas exigências não significa perder oportunidade, significa perder relevância.

E há um ruído extra no ar: por ser um ano eleitoral, a polarização política e as incertezas macroeconômicas podem gerar volatilidade adicional no mercado. Quem depende de crédito, câmbio e apetite de risco precisará de cenários alternativos, disciplina em caixa e atenção redobrada aos prazos.

O comércio global não é mais sedução, é seleção. A China ajusta compras, a Europa impõe acordos com regras estritas e o mercado passa a remunerar mais origem e constância do que simplesmente volume. O café que se venderá melhor não será o mais abundante, será o mais confiável. E esse raciocínio vale para todo o agro. A carne vive momento forte, mas enfrenta cotas e barreiras. A soja domina, mas sofre com bases voláteis. O milho se industrializa, mas encarece. O denominador comum é simples e desconfortável: o agro brasileiro não está sendo ameaçado, está sendo selecionado.

O ano de 2026 será potente para quem opera com método, proteção e visão estratégica. Mas será implacável com quem insiste em jogar o jogo antigo em um tabuleiro novo. O agro brasileiro entra grande em 2026. Permanecer grande, porém, exigirá algo mais raro do que escala: maturidade.

*Engenheiro Agrônomo, com MBA em Gestão Comercial. Tem experiência nos setores Químico e do Agronegócio, com uma trajetória em empresas de referência, como a Bayer Crop Science e a ALTA (América Latina Tecnologia Agrícola). É diretor Comercial da Orbia.