Regulamentação da CBS exige novos processos e redefine a gestão fiscal no agronegócio 

A regulamentação da Contribuição sobre Bens e Serviços por meio do Decreto nº 12.955/2026 marca a transição da reforma tributária do consumo para a prática das empresas. Ainda que a cobrança plena não tenha começado, o texto já redefine como operações serão tributadas, como os créditos serão gerados e, principalmente, como o dinheiro circula dentro das empresas. O efeito imediato recai sobre sistemas fiscais, contratos e fluxo de caixa. Embora a CBS ainda esteja em fase de implementação, a regulamentação já antecipa mudanças estruturais que exigem adaptação imediata das empresas.

Altair Heitor, contador, especialista em gestão tributário no agronegócio e CFO da consultoria Palin & Martins, afirma que a mudança vai além da substituição de tributos federais. “A CBS amplia a não cumulatividade, o que na teoria permite mais créditos. Mas, na prática, só consegue aproveitar quem tiver dados corretos e um processo bem estruturado. Quem não se preparar pode pagar mais imposto e ainda perder crédito”, diz.

Nova lógica tributária muda cálculo e exige revisão de contratos

O novo modelo parte de uma lógica diferente. A CBS incide sobre qualquer operação com cobrança, independentemente do formato jurídico, e considera praticamente todos os valores envolvidos na transação como base de cálculo. Isso obriga empresas a revisarem contratos, políticas comerciais e a forma como registram receitas e encargos.

Outro ponto central é a tributação no destino. Em vez de concentrar a apuração na origem da operação, o imposto passa a ser direcionado ao local do consumo. Na prática, isso altera a parametrização de sistemas, exige revisão cadastral e muda a forma de apuração por estabelecimento, especialmente em operações interestaduais e cadeias longas como as do agronegócio.

No campo, onde há grande volume de operações e diversidade de atividades, o impacto tende a ser mais intenso. Produtores e agroindústrias dependem diretamente do aproveitamento de créditos tributários para sustentar margens. Qualquer falha no registro pode travar esse crédito e comprometer o caixa.

Erros fiscais passam a ter impacto direto no caixa das empresas

Dados da Confederação Nacional dos Contadores mostram que mais de 70% das empresas já tiveram problemas com erros em documentos fiscais, como classificação incorreta ou ausência de informações obrigatórias, falhas que podem impedir a recuperação de tributos.

Na avaliação do especialista, esse tipo de erro ganha peso maior com a CBS porque o crédito passa a depender não apenas da existência da nota, mas da consistência entre operação, pagamento e apuração do imposto. “O aproveitamento do crédito passa a depender da consistência entre operação, documentação e pagamento. Se houver divergência entre o que foi faturado e o que foi pago, a empresa pode ficar sem acesso ao crédito. Isso afeta diretamente o capital de giro”, afirma.

A possibilidade de adoção do split payment reforça essa mudança. Em determinados modelos, o imposto pode ser recolhido antes da disponibilidade integral do recurso. Para as empresas, isso significa que parte do valor da venda não passa mais integralmente pelo caixa, o que altera a dinâmica financeira e exige integração entre áreas fiscal, financeira e tecnologia.

No agronegócio, onde vendas parceladas, operações com tradings e diferentes formas de pagamento são comuns, essa mudança exige atenção redobrada. “O produtor está acostumado a receber e depois organizar a parte tributária. Com o split payment, essa lógica muda. O imposto pode ser recolhido antes mesmo de o recurso estar disponível para a operação”, explica.

Agro enfrenta maior exposição a riscos e precisa antecipar ajustes

Além disso, o novo modelo exige controle rigoroso da qualidade das informações fiscais. Cadastro incorreto de clientes, erros de classificação de produtos ou inconsistências entre documentos podem impedir o reconhecimento de créditos ou atrasar ressarcimentos.

Foto: Wellington Cruz / Pexels.com

“Hoje, um erro pode gerar retrabalho. Com a CBS, pode significar perda financeira direta. Já vimos operações em que falhas simples travam valores relevantes. No agro, isso impacta a margem e limita a capacidade de reinvestimento”, diz.

O tema ganha ainda mais relevância diante do papel do crédito tributário no setor. Em cadeias longas, como grãos, proteína animal e insumos, o crédito funciona como mecanismo de equilíbrio financeiro. Sem ele, o custo efetivo da operação aumenta.

A regulamentação também traz novas regras para ressarcimento, com prazos definidos que podem variar conforme o nível de conformidade da empresa. Embora exista previsão de devolução mais rápida em alguns casos, o acesso a esse benefício depende de organização fiscal e consistência de dados.

Para Heitor o momento exige ação imediata. “Não dá para tratar a reforma como algo futuro. As empresas precisam revisar cadastros, testar sistemas, mapear operações e entender onde estão os riscos. Quem não fizer isso agora pode começar o novo modelo já perdendo dinheiro”, afirma.

Ele recomenda que produtores e empresas do agro iniciem uma revisão dos últimos anos fiscais, avaliem a qualidade das notas emitidas e integrem as áreas responsáveis por faturamento, pagamento e apuração tributária. “A CBS exige conexão entre todas as pontas da operação. Se cada área trabalhar isoladamente, o erro aparece no caixa”, conclui.

Sucesso solitário não se sustenta e líderes que dividem decisões fortalecem empresas

A concentração de decisões em uma única pessoa, modelo ainda comum em parte do empresariado brasileiro, tem se mostrado um dos principais limitadores de crescimento sustentável das empresas. Negócios que dependem exclusivamente do fundador tendem a enfrentar gargalos operacionais, perda de agilidade e maior exposição a erros estratégicos, especialmente à medida que crescem e aumentam sua complexidade.

Carla Martins, vice-presidente do SERAC, hub de soluções corporativas que atende mais de 10.000 clientes em todo o país, afirma que o avanço das empresas exige estruturas mais colaborativas e menos centralizadas . “Existe um mito de que o líder precisa dar conta de tudo sozinho. Na prática, isso gera sobrecarga e decisões menos consistentes”, diz. 

O tema ganha relevância diante do aumento da complexidade dos negócios. Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta que a necessidade de habilidades como pensamento analítico, colaboração e liderança tende a crescer de forma significativa até 2027, refletindo a demanda por decisões mais estruturadas e coletivas. 

Já análises da Harvard Business Review indicam que organizações com maior distribuição de liderança apresentam melhor capacidade de adaptação a mudanças e ambientes incertos.

A solidão da liderança se intensifica conforme o negócio cresce. “Quanto maior a empresa, maior o impacto das decisões. Quando o líder está sozinho, ele assume riscos maiores sem perceber”, afirma. Segundo a executiva, dividir decisões não enfraquece a autoridade, mas fortalece a consistência estratégica.

Além dos impactos operacionais, a centralização também afeta a sustentabilidade do negócio. “Quando tudo depende de uma única pessoa, a empresa se torna frágil. O crescimento fica limitado e a operação perde eficiência”, completa.

Para mudar esse cenário, a especialista destaca que é necessário estruturar a empresa para funcionar de forma menos dependente do fundador. Ela lista cinco estratégias para transformar liderança solitária em gestão estratégica e fortalecer as empresas:

Construir uma rede de apoio estratégico: A criação de conselhos consultivos, grupos de mentoria ou redes de empresários permite acesso a diferentes visões de mercado. Essa troca amplia a capacidade de análise e reduz decisões baseadas apenas na experiência individual. “Quando o empresário compartilha desafios com outras lideranças, ele enxerga caminhos que sozinho não veria”, afirma.

Delegar com método e responsabilidade: A descentralização exige clareza de papéis, metas e processos. Delegar de forma estruturada libera o líder para atuar em decisões estratégicas, enquanto a operação ganha agilidade. Sem método, a delegação tende a gerar ruído e retrabalho.

Estruturar governança e processos: Empresas com rotinas, indicadores e níveis de decisão bem definidos conseguem crescer com mais consistência. A governança reduz a dependência de uma única pessoa e aumenta a previsibilidade dos resultados. “Negócio saudável é aquele que funciona mesmo quando o líder não está presente”, diz.

Buscar mentoria e aconselhamento especializado: O apoio de consultores e mentores traz visão externa e repertório técnico. Esse suporte contribui para decisões mais embasadas e reduz erros estratégicos, especialmente em momentos de crescimento ou mudança.

Desenvolver uma cultura de troca interna: Ambientes que incentivam a participação das equipes tendem a gerar soluções mais completas e inovadoras. A escuta ativa fortalece o engajamento e transforma o conhecimento coletivo em vantagem competitiva.

A especialista destaca que a mudança começa pela mentalidade da liderança. “Não se trata de perder controle, mas de ampliar a capacidade de decisão. Liderar não é carregar tudo sozinho, é construir um sistema que funcione com inteligência”, afirma.

A adoção de uma gestão mais compartilhada impacta diretamente os resultados. Entre os principais ganhos estão maior qualidade nas decisões, redução de riscos, aumento da velocidade de resposta ao mercado e fortalecimento da cultura organizacional. Empresas com esse modelo também tendem a reter talentos com mais facilidade, ao criar ambientes mais participativos.

Por outro lado, a escolha de parceiros exige critérios claros. É fundamental avaliar experiência prática, histórico de resultados e alinhamento com os valores da empresa. “Buscar apoio sem critério pode gerar mais confusão do que solução. O empresário precisa saber quem está trazendo para perto do negócio”, alerta.

Outro ponto de atenção é evitar a descentralização apenas formal, quando tarefas são distribuídas, mas as decisões continuam concentradas. Esse modelo tende a comprometer a autonomia das equipes e não resolve o problema estrutural.

Para a executiva, o futuro da liderança está diretamente ligado à capacidade de construir redes e compartilhar decisões. “O sucesso solitário pode até acontecer no curto prazo, mas não se sustenta. Empresas fortes são construídas com apoio, troca e visão compartilhada”, conclui.

Foto: Vlada Karpovich / Pexels.com

Mato Grosso deve ampliar produção de etanol em 16% na safra 2026/27, aponta Bioind-MT

Mato Grosso deve consolidar sua posição entre os principais polos de biocombustíveis do país na safra 2026/27. Levantamento do Bioind-MT, com elaboração do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), projeta crescimento de 16,08% na produção total de etanol no estado, que deverá atingir 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.

“Nossa estimativa mostra que o avanço será sustentado principalmente pela expansão do etanol de milho, segmento no qual Mato Grosso já responde por 62% da produção nacional de etanol de cereais”, explica Silvio Rangel, presidente do Bioind-MT e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt). “Além de fortalecer a segurança energética e a economia do país, o setor se posiciona como estratégico para o futuro da descarbonização dos transportes, com potencial crescente no fornecimento de combustíveis renováveis para aviação e navegação marítima.” 

Antes da projeção para o próximo ciclo, o levantamento aponta que a safra 2025/26 já deverá encerrar com crescimento de 8,52% na produção estadual de etanol, alcançando 7,27 milhões de m³, enquanto a produção nacional deverá permanecer praticamente estável, com alta de 0,22%. O desempenho mantém Mato Grosso na segunda posição do ranking brasileiro de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo.  

Na safra atual, a produção de etanol de milho deverá atingir 6,18 milhões de m³, avanço de 9,89% em relação ao ciclo anterior. Já o etanol de cana-de-açúcar deve alcançar 1,09 milhão de m³, crescimento de 1,37%.

Para 2026/27, a expectativa é de aceleração ainda maior do segmento de milho. A produção deverá avançar 18,67%, chegando a 7,33 milhões de m³, enquanto o etanol de cana deverá crescer 1,42%, atingindo 1,11 milhão de m³.  

“O levantamento mostra que Mato Grosso segue ampliando sua relevância estratégica para a matriz energética brasileira. O crescimento do etanol de milho demonstra a capacidade de integração entre produção agrícola, indústria e geração de energia renovável”, afirma Rangel. 

O estudo também destaca a expansão da moagem de milho destinada à produção de etanol. Na safra 2025/26, o volume processado deverá atingir 13,81 milhões de toneladas, alta de 10,45%. Para 2026/27, a projeção é de crescimento de 18,52%, alcançando 16,36 milhões de toneladas, impulsionado pela entrada de duas novas plantas industriais no estado.  

Geração de Coprodutos 

Além da produção de combustível, a cadeia industrial do etanol de milho segue ampliando a geração de coprodutos. A produção de DDG (Grãos Secos de Destilaria) e DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis) deverá crescer 16,14% em 2026/27, chegando a 3,41 milhões de toneladas, enquanto o óleo de milho deverá avançar 12,9%, atingindo 338,9 mil toneladas.  

No segmento sucroenergético, a moagem de cana-de-açúcar deve permanecer estável no próximo ciclo, com previsão de 18,61 milhões de toneladas, alta de 0,39%. Já a produção de açúcar deverá registrar leve retração de 1,42%, para 579,7 mil toneladas.  

As projeções de longo prazo do levantamento indicam continuidade da expansão da indústria de biocombustíveis no estado. Segundo o Imea, Mato Grosso poderá produzir 15,02 milhões de m³ de etanol até 2033/34, mais que o dobro do volume estimado para a safra atual.  

“O setor de bioenergia em Mato Grosso vem ampliando sua participação não apenas na produção de combustíveis renováveis, mas também na geração de coprodutos para nutrição animal, óleo vegetal, bioenergia e créditos de descarbonização, consolidando uma cadeia industrial de grande relevância econômica para o estado”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do IMEA. 

O levantamento também destaca a contribuição ambiental do setor. Segundo o estudo, os Créditos de Descarbonização (CBIOs), já representaram mitigação equivalente a 189,64 milhões de toneladas de CO₂ desde o início do programa, sendo 40,06 milhões apenas em 2025. 

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.  

Somadas a produção de etanol e a geração de coprodutos, a cadeia de bioenergia em Mato Grosso amplia sua relevância econômica e social, com mais de 12 mil empregos diretos gerados e arrecadação superior a R$ 2,5 bilhões em ICMS para o estado.

Foto: Vadym Alyekseyenko / Pexels.com

A era do Retorno sobre Energia (ROE): por que a produtividade da IA exige uma nova gestão da energia humana

por Mário Soma*

A Inteligência Artificial (IA) entregou o que prometeu: uma escala de produtividade sem precedentes. No entanto, ao observar as discussões do SXSW deste ano, ficou claro que essa evolução trouxe um efeito colateral silencioso que as empresas não podem mais ignorar. 

A tecnologia elevou a capacidade operacional, mas expôs um custo invisível: o esgotamento da carga mental humana. Estamos vivendo o paradoxo da eficiência. De acordo com dados de mercado, o cenário é alarmante:

  • 68% dos profissionais admitem que não têm tempo para pensar estrategicamente, segundo relatório da Microsoft
  • 60% do esforço das equipes é drenado pela coordenação de tarefas, não pela execução, segundo relatório da Asana
  • O volume de decisões executivas explodiu, mas a nossa capacidade cognitiva para processá-las continua a mesma,  segundo relatório do Gartner

Na prática, as respostas estão mais rápidas, mas a profundidade está minguando. A produtividade cresce, mas a dependência da IA cria um ciclo de estímulos ininterruptos. 

É neste cenário de “infoxicação” que o Return on Energy (ROE) — ou Retorno sobre Energia — deixa de ser um conceito de bem-estar para se tornar uma prioridade estratégica de negócios.

O ROE não substitui o ROI; ele o protege

É fundamental entender que o ROE não invalida o tradicional Return on Investment (ROI). Na verdade, ele é o que garante a sustentabilidade do lucro a longo prazo. 

Se o ROI mede o quanto ganhamos financeiramente, o ROE mede o custo de atenção e o esforço cognitivo necessários para sustentar esses resultados. 

Sem um ROE equilibrado, o ROI de hoje se torna o burnout de amanhã.

A grande virada de chave do SXSW foi justamente o deslocamento do foco da tecnologia pura para o contexto humano e emocional. A IA agora “conversa”, “escuta” e “emula sentimentos”. Esse excesso de interfaces que exigem decisões contínuas gerou um desafio econômico real: o consumo desenfreado de energia cognitiva.

A gestão de atenção como ativo financeiro

Quando o desgaste mental atinge o limite, a qualidade das decisões despenca, o engajamento das equipes evapora e a experiência do cliente é comprometida. Problemas que antes eram vistos como “sociais” ou “de RH” foram definitivamente transpostos para o centro da estratégia financeira.

Para reverter esse quadro e gerar satisfação real, as empresas precisam migrar do excesso para a intencionalidade. Se o bombardeio de estímulos prejudica a conexão com a marca e a eficiência da operação, a “recuperação de energia” passa a ser o valor percebido mais escasso e desejado.

Foto: Daniil Komov / Pexels.com

O próximo passo: maturidade tecnológica

Já sabemos que a IA aumenta a produtividade. Agora, o desafio das lideranças é identificar o nível de maturidade necessário para gerir o impacto dessa tecnologia sobre as pessoas.

A gestão da energia cognitiva e a responsabilidade sobre como a tecnologia afeta a operação já são pautas obrigatórias entre os executivos C-Level. No mundo corporativo moderno, ignorar o ROE não é apenas uma falha de gestão de pessoas; é um risco financeiro e estratégico que pode custar a longevidade do negócio.

*CEO e Head B2B da Pólvora Comunicação.

A nova dependência das empresas brasileiras à conectividade crítica

por Heber Lopes*

A conectividade passou a ocupar um papel que, até pouco tempo, era reservado a sistemas internos. Hoje, em muitas empresas brasileiras, a disponibilidade de rede determina diretamente a capacidade de operar. Esse movimento se intensificou com a adoção de cloud, SaaS e aplicações em tempo real, que transferiram para fora do ambiente local processos que antes eram controlados internamente.

Os dados ajudam a dimensionar essa mudança. A pesquisa TIC Empresas realizada pelo Cetic em 2024 indica que 92% das organizações no Brasil já utilizam fibra óptica e que cresce o uso de aplicações digitais em processos centrais. O avanço da infraestrutura foi acompanhado por uma transformação mais profunda: a dependência operacional da conectividade. Ainda assim, a forma como essa infraestrutura é contratada e gerida continua, em muitos casos, baseada em critérios de custo e capacidade nominal.

Essa diferença entre dependência e gestão fica mais evidente em cenários de indisponibilidade. Quando a conectividade falha, o impacto não se limita ao acesso à internet. Sistemas deixam de autenticar, integrações são interrompidas e fluxos operacionais passam a depender de processos manuais ou simplesmente param. Em operações distribuídas, esse efeito se propaga rapidamente, afetando atendimento, vendas e logística de forma simultânea.

O impacto financeiro acompanha essa dinâmica. Levantamentos internacionais mostram que o custo médio de downtime pode ultrapassar US$ 300 mil por hora em empresas de médio e grande porte, com valores significativamente maiores em ambientes industriais, onde processos são contínuos e altamente integrados. Mesmo considerando diferenças entre setores, a indisponibilidade deixou de ser um problema técnico isolado e passou a representar risco direto para o negócio.

O papel da infraestrutura e da regulação

No Brasil, esse cenário é influenciado também por fatores estruturais. A Agência Nacional de Telecomunicações estabelece critérios objetivos para caracterizar interrupções de serviço, considerando eventos superiores a 10 minutos com impacto sobre usuários. A existência desse tipo de parâmetro reforça que indisponibilidade não é exceção, mas uma condição prevista e mensurável.

Há ainda fatores externos que ampliam a exposição. Dados da Conexis Brasil Digital mostram que mais de 5,4 milhões de metros de cabos foram roubados ou furtados em 2023, afetando milhões de usuários. Esse tipo de ocorrência evidencia um ponto recorrente em ambientes corporativos: a ausência de diversidade real de rotas.

A contratação de múltiplos links não garante resiliência quando a infraestrutura compartilhada permanece a mesma em parte do trajeto. Em situações desse tipo, a interrupção de um trecho físico pode comprometer simultaneamente todas as conexões disponíveis.

Eventos de maior escala reforçam essa leitura. Durante as enchentes no Sul em 2024, municípios tiveram a conectividade severamente afetada, exigindo medidas emergenciais para restabelecimento do serviço. Esse tipo de cenário expõe a dependência de infraestrutura física e a necessidade de planejamento para contingências que vão além de falhas pontuais.

Outro vetor relevante está na dependência de plataformas digitais. A interrupção global dos serviços da Meta em 2021 mostrou como falhas em infraestrutura de backbone podem afetar simultaneamente comunicação, autenticação e operação em escala global. No contexto brasileiro, onde aplicações de mensageria são frequentemente utilizadas como canal de vendas e atendimento, esse tipo de indisponibilidade tem efeito imediato.

Esses diferentes cenários apontam para um mesmo desafio: a conectividade passou a ser um componente estrutural da operação, mas ainda não é tratada dessa forma em muitas organizações.

Foto: Tara Winstead / Pexels.com

O desafio é crescer com resiliência

A resposta, no entanto, não está em simplesmente contratar mais banda. Está em construir arquitetura de conectividade. Isso significa links redundantes em caminhos físicos distintos, para que o rompimento de um cabo ou a falha de um provedor não paralise a operação. Significa adotar SD-WAN para orquestrar o tráfego entre múltiplos links e executar failover inteligente, uma tecnologia cujo mercado na América Latina, segundo a Meticulous Research, deve saltar de US$ 157 milhões em 2024 para US$ 2,77 bilhões até 2035.

Também significa implementar observabilidade de rede, que vai além do monitoramento reativo para identificar causas-raiz e antecipar falhas antes que afetem o negócio. E também demanda, em muitos casos, contar com gestão contínua por equipes especializadas, porque a complexidade de ambientes multicloud com múltiplos links e políticas de segurança convergentes ultrapassa a capacidade da maioria dos times internos.

Para operações distribuídas em áreas remotas, em segmentos tais como agronegócio, mineração, logística e energia, a conectividade satelital de baixa órbita adicionou uma camada de resiliência antes inexistente. O Brasil já soma mais de 1 milhão de clientes Starlink ativos, e operadoras como Algar Telecom e Arqia lançaram soluções corporativas voltadas a setores que operam fora dos grandes centros.

Um estudo realizado pela pela Oxford Economics em 2024 identificou que as empresas no topo em capacidade de recuperação – o que os pesquisadores chamaram de “líderes em resiliência”, se recuperam 28% mais rápido de incidentes do que as demais. A diferença não é de orçamento; é de abordagem. Essas empresas entenderam que conectividade é um ativo estratégico que precisa ser gerenciado, monitorado e protegido com o mesmo rigor aplicado à segurança cibernética ou à continuidade financeira.

Toda empresa que migrou para a nuvem, digitalizou processos e conectou operações em tempo real fez, quer tenha percebido ou não, uma aposta na disponibilidade da sua rede. A pergunta que a liderança executiva precisa se fazer hoje não é quanto custa melhorar a arquitetura de conectividade. É quanto custa continuar sem fazê-lo.

*Head de Produtos e Marketing na Faiston.

Negócios em zonas de conflito expõem o custo da instabilidade global

por Israel Sayão*

Empresas internacionais operam hoje em um ambiente mais instável e imprevisível. Conflitos armados e tensões políticas aumentam o risco e pressionam decisões estratégicas. O cenário global atual apresenta níveis mais altos de incerteza. Governos tomam decisões rápidas e mudam regras com pouca previsibilidade. Esse movimento afeta contratos, investimentos e operações em diferentes mercados.

O risco político ocupa posição central nas decisões corporativas. Mudanças de governo e instabilidade institucional comprometem acordos e reduzem a segurança jurídica. Empresas precisam considerar esse fator desde o início de qualquer operação.

As sanções econômicas impactam diretamente a atividade empresarial. Países e blocos impõem restrições que limitam comércio, acesso a insumos e circulação de capital. Essas medidas podem interromper operações de forma imediata.

A logística sofre efeitos diretos em zonas de conflito. Rotas comerciais deixam de ser seguras e elevam custos de transporte. Empresas enfrentam atrasos e precisam redesenhar cadeias de suprimento com rapidez.

As empresas priorizam a segurança das equipes em cenários de instabilidade. Organizações reduzem operações, retiram profissionais e suspendem atividades quando necessário. A proteção das pessoas orienta essas decisões.

O ambiente financeiro apresenta alta volatilidade. Moedas locais perdem valor em curtos períodos. Empresas adotam proteção cambial (estratégia para reduzir perdas com variação de moeda) para preservar resultados.

Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels.com

Os contratos passam por ajustes para lidar com riscos maiores. Empresas incluem cláusulas de força maior (situações fora do controle, como guerras) para reduzir impactos jurídicos. Essas cláusulas não evitam perdas, mas oferecem proteção.

As empresas adotam análise de cenário de forma contínua. Equipes monitoram decisões políticas e movimentos internacionais. Esse acompanhamento permite respostas mais rápidas e evita decisões tardias.

A entrada em novos mercados exige avaliação mais criteriosa. Empresas analisam a estabilidade institucional, que indica previsibilidade de regras e segurança jurídica. A ausência desse fator aumenta o risco da operação.

Os negócios em zonas de conflito exigem estratégia e preparo. Empresas que integram o risco à tomada de decisão conseguem manter operações. Empresas que ignoram o contexto ficam mais expostas a perdas difíceis de reverter.

*Especialista em negociações internacionais e estratégias de expansão de operações globais.

BNDES já aprovou R$ 160,8 bi para o agro desde 2023

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, desde janeiro de 2023, R$ 160,8 bilhões em crédito para o setor agropecuário nacional. O montante é 65,3% superior ao aprovado no período entre 2019 e 2022 (R$ 97,3 bilhões). Os recursos chegaram a 93% dos municípios brasileiros.

O volume inclui recursos aprovados nos Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF), no BNDES Crédito Rural, além de apoio para projetos de investimento, com aquisição de máquinas, equipamentos e serviços tecnológicos.

Do total aprovado, R$ 19 bilhões reforçaram a capacidade produtiva da agroindústria, como aumento da produção de biocombustíveis, da capacidade de armazenagem de produtos agrícolas e de recursos para centros de pesquisa e inovação no setor. Entre 2019 e 2022, as aprovações de crédito com essa finalidade somaram R$ 11,7 bilhões.

“O BNDES tem sido um dos principais parceiros do setor agropecuário brasileiro. Ampliamos o volume de recursos para esse setor em todas as áreas. Um dos destaques é a produção de biocombustíveis. Foram aprovados R$ 13,5 bilhões para 48 projetos de etanol, valor 217% superior ao que foi aprovado entre 2019 e 2022, que somou R$ 4,3 bilhões. Além disso, o Banco teve o maior orçamento já disponibilizado no Plano Safra 2025/2026, com R$ 70 bilhões”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Os números foram divulgados durante a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina e uma das maiores do mundo, que está acontecendo até o dia primeiro de maio, em Ribeirão Preto, no interior paulista, com patrocínio do BNDES.

“No setor tão importante para a economia brasileira como setor agropecuário, o BNDES faz presente apoiando especialmente o investimento. Então ano passado foram mais de R$ 50 bilhões investidos no setor, mais de 200 mil operações realizadas por meio de uma extensa rede de parceiros, instituições financeiras, que municípios do país”, explicou o superintendente da Área de Operações e Canais Digitais do Banco, Marcelo Porteiro.

Foto: Getty Images

Milho sobe em março com apoio do petróleo, mas perde força em abril

Os preços do milho avançaram em março no mercado internacional e doméstico, sustentados pela valorização do petróleo e por incertezas relacionadas ao cenário geopolítico e aos custos de produção. O movimento, no entanto, perdeu força no início de abril, diante da queda do petróleo e de fatores sazonais no Brasil.

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o cereal registrou alta média de 5,3% em março, para USD 4,53 por bushel. O suporte veio principalmente do petróleo mais elevado, que melhora as margens das usinas de etanol nos Estados Unidos e, consequentemente, aumenta a demanda pelo milho. Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio e os custos de insumos mantiveram o mercado atento aos riscos para a safra 2026/27.

Em abril, porém, o cenário externo mudou. A queda do petróleo, associada a sinais de alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã, reduziu o prêmio do milho via etanol e pressionou as cotações. Na média da primeira quinzena, os preços recuaram 0,5%, para USD 4,50 por bushel.

Foto: John Wu / Pexels.com

No Brasil, o milho também registrou alta em março, acompanhando o movimento externo e refletindo fatores internos. O atraso no plantio em algumas regiões da segunda safra, a oferta mais limitada por parte dos produtores — ainda focados na colheita da safra de verão — e as preocupações com o aumento dos custos logísticos, diante da alta do diesel e dos fretes, contribuíram para a valorização. Em Campinas, os preços subiram 4,4% no mês, para R$ 71 por saca.

No início de abril, no entanto, o mercado doméstico passou a ser pressionado. O avanço da colheita da primeira safra, a melhora das condições climáticas para a segunda safra e a valorização do real reduziram a paridade de exportação, enfraquecendo os negócios nos portos. Com compradores mais abastecidos e atuando de forma cautelosa, os preços em Campinas recuaram para abaixo de R$ 70 por saca na primeira quinzena do mês.

De acordo com o Itaú BBA, apesar da pressão recente, a segunda safra se desenvolve de forma positiva. As chuvas recentes aliviaram o estresse hídrico em regiões como o oeste do Paraná. Atualmente, a maior parte das lavouras está em fase vegetativa, enquanto cerca de um terço da área, concentrada em Mato Grosso, entrou em floração, etapa mais sensível à disponibilidade de água.

Fim da alíquota zero de PIS/Cofins encarece insumos e pressiona custo de produção no agro

A entrada em vigor da Lei Complementar  nº 224/2025, em 1º de abril de 2026, introduziu uma mudança relevante na estrutura de custos do agronegócio ao encerrar a alíquota zero de PIS e Cofins sobre insumos agrícolas. A medida, que integra um corte linear de 10% nos incentivos fiscais federais, reintroduz a cobrança dessas contribuições sobre produtos essenciais à produção, como fertilizantes e defensivos, com impacto direto sobre o custo das lavouras.

Essa reoneração atinge tributos que, até então, tinham incidência zerada sobre parte dos insumos do setor. O PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), cobrados sobre a receita das empresas, vinham sendo utilizados como instrumentos de desoneração no agronegócio. Com a mudança, esses produtos voltam a ser tributados, ainda que em patamar reduzido, cerca de 0,925% no regime não cumulativo.

Embora a alíquota seja inferior a 1%, o impacto tende a ser relevante devido ao peso dos insumos na composição dos custos agrícolas. Em culturas como soja e milho, insumos como fertilizantes e defensivos concentram parcela relevante do custo operacional, o que amplia o impacto de mudanças tributárias mesmo quando as alíquotas são reduzidas.

É nesse ponto que, segundo Gustavo Venâncio, advogado e sócio da Lastro Soluções Tributárias para o Agro, a mudança ganha dimensão prática. “O produtor nunca trabalhou com esse tributo. PIS e Cofins não faziam parte da rotina. A partir de agora, isso muda”, afirma. Para ele, o impacto não está apenas na alíquota, mas na base sobre a qual incide. “É praticamente 1%, mas sobre um insumo largamente utilizado. Isso gera um aumento de custo significativo”, diz.

O aumento ocorre em um momento de maior fragilidade financeira do setor. Após ciclos de preços mais elevados, produtores enfrentam compressão de margens, custos ainda pressionados e aumento do endividamento, o que reduz a capacidade de absorver novas despesas. Nesse contexto, a reintrodução da tributação tende a ter efeito direto sobre a rentabilidade e pode influenciar decisões de compra e negociação ao longo da safra.

Além do impacto econômico, a mudança traz desafios na aplicação prática da regra. Ainda não há clareza consolidada sobre como operacionalizar a cobrança, especialmente em relação aos códigos fiscais (CST) a serem utilizados na emissão de notas fiscais. A falta de padronização dificulta a orientação tanto para empresas fornecedoras quanto para produtores.

“Estamos prestes a ter a vigência da alteração e ainda não sabemos como orientar corretamente a emissão das notas fiscais. As coisas acabam acontecendo de forma atropelada”, afirma Venâncio.

Diante dessas incertezas operacionais, o mercado começou a reagir antes mesmo da entrada em vigor da medida. Empresas anteciparam entregas e incentivaram a retirada de insumos antes de abril como forma de evitar a incidência dos tributos. Com a nova regra já em vigor, o custo adicional passou a ser incorporado às negociações.

“O produtor vai pagar mais caro no adubo e no defensivo. Vai ter o destaque de cerca de 1% na nota, e isso se agrega ao preço”, explica o tributarista.

Esse movimento ocorre em paralelo a outro fator que amplia a incerteza: o caráter temporário da medida. “A cobrança vale até dezembro de 2026, antes da entrada em vigor das novas regras da reforma tributária sobre o consumo, previstas para 2027. O curto intervalo reduz a previsibilidade e exige do produtor adaptação em um ambiente de mudanças sucessivas”, acrescenta Viviane Morales, advogada, sócia proprietária e diretora Administrativa e Financeira da Lastro.

Diante desse cenário, a recomendação é de maior atenção às operações. A conferência das notas fiscais, a verificação das alíquotas aplicadas e o entendimento da composição dos preços passam a ser ainda mais relevantes na gestão da atividade.

Mais do que um ajuste pontual, o fim da alíquota zero de PIS/Cofins sinaliza uma mudança gradual na política de incentivos ao agronegócio. Ao reintroduzir a tributação sobre insumos estratégicos, a medida tende a repercutir ao longo de toda a cadeia produtiva e já começa a influenciar preços, negociações e decisões no campo em 2026.

Foto: Mateus André / Freepik

Integração internacional no agro abre novas fronteiras de negócios

A agricultura mundial tem sido profundamente moldada pela força produtiva de dois gigantes: os Estados Unidos e o Brasil. De um lado, o modelo norte-americano se destaca pela alta tecnologia, eficiência operacional e liderança global na produção de grãos. Do outro, o Brasil consolida-se como um verdadeiro celeiro do mundo na produção de alimentos, impulsionado por sua diversidade, crescente inovação no campo e capacidade de produzir até três safras por ano.

Embora concorram em diversas commodities, esses dois países compartilham desafios e oportunidades que vão além da disputa por mercado. A integração entre as culturas agrícolas americana e brasileira abre espaço para a troca de conhecimento, adoção de boas práticas e geração de valor especialmente para empresas e agroindústrias brasileiras que buscam ampliar sua competitividade em escala global.

De acordo com Márcio Barboza, técnico em agricultura, gerente de exportação e vendas internacionais e especialista em expansão de mercado, planejamento estratégico e liderança de equipes, essa integração é sempre importante. “Não importa se é no preparo de solo ou em qualquer outra atividade: para atuar nos Estados Unidos, é fundamental entender suas peculiaridades se integrar a cultura local”, diz.

Segundo ele, os Estados Unidos são formados por uma diversidade cultural significativa, o que também se reflete no ambiente de negócios. “Cada estado tem suas características próprias. Em algumas regiões, principalmente no Sul, as relações são mais reservadas no início, mas, à medida que a confiança é construída, a proximidade cresce de forma consistente”, explica o especialista.

Importância da pesquisa de mercado

Para empresas que desejam acessar o mercado norte-americano, a pesquisa de mercado é um passo essencial. Compreender as características regionais, os perfis produtivos e as demandas específicas podem reduzir significativamente as barreiras de entrada. “Conhecer bem o produto e avaliar se ele se encaixa no mercado almejado é fundamental”, explica Barboza.

Não é recomendável, segundo o consultor, tentar inserir soluções voltadas para soja ou milho em regiões onde essas culturas não são expressivas, como na Califórnia, por exemplo. Nessa região já há mais oportunidades para segmentos específicos. “Quem atua com soluções para fruticultura, amêndoas e cultivos similares, a região pode ser estratégica”, destaca.

Outra recomendação é utilizar informações disponíveis online para mapear o mercado antes de ir a campo. “É possível acessar sites de revendas americanas, conhecer seus estoques, entender o tipo de maquinário utilizado e a potência de tratores mais comum em cada área, isso faz toda a diferença na abordagem comercial e torna as visitas presenciais muito mais assertivas”, orienta o profissional.

Além disso, ter uma base ou parceiro local nos Estados Unidos é um diferencial competitivo importante. “Os americanos valorizam muito a garantia de reposição de peças e suporte. Ter estoque local ou uma estrutura de apoio pode facilitar muito a entrada no mercado”, acrescenta.

Desafios

Entre os principais desafios para as empresas brasileiras está a comunicação. Dominar o idioma inglês é essencial para estabelecer relações comerciais sólidas, afinal a fluência facilitará a abertura de portas e fortalece a confiança nas negociações.

Outro ponto importante a se atentar é sobre às exigências logísticas e regulatórias. A boa notícia é que nesse ponto já há empresas especializadas locais que oferecem suporte completo, desde o transporte até o desembaraço aduaneiro. “Grande parte da operação pode ser terceirizada, o que facilita o processo de internacionalização”, explica Barboza.

Melhores oportunidades

Segundo o gerente de exportação, o segmento de componentes para o mercado de reposição (aftermarket) representa uma porta de entrada estratégica para empresas brasileiras. “É um caminho mais acessível do que tentar ingressar diretamente com máquinas ou equipamentos completos”, avalia.

Em relação às regiões, os estados do Sul dos Estados Unidos, como: Geórgia, Alabama, Mississippi, Flórida, Carolinas, Oklahoma e Arkansas, tendem a oferecer maior abertura inicial para novos negócios. Os estados da costa Oeste e parte do Noroeste, como Idaho, Washington, Oregon e Califórnia, também demonstram boa receptividade. “Tive experiências positivas tanto com revendas vinculadas a grandes marcas quanto com independentes, que estão mais abertas a novas parcerias. Também destacaria o Texas como um mercado promissor”, relata Barboza.

Já o Corn Belt, principal região produtora de grãos do país, é preciso um pouco mais de atenção, pois apresenta maior grau de competitividade e barreiras de entrada mais elevadas. “É um mercado mais consolidado e disputado e continua sendo o ambiente mais desafiador e competitivo para quem deseja entrar no mercado americano. É uma região mais indicada para quem já está com a operação consolidada”, conclui o consultor.