Bioinsumos e fertilizantes especiais podem ser aliados estratégicos no manejo e reduzir a dependência de produtos importados

Diante de um cenário internacional de tensões, alternativas nacionais, como os bioinsumos e fertilizantes especiais, ganham mais importância nas práticas de manejo, num momento de crise com as importações de fertilizantes. São opções estratégicas, principalmente no período de preparo de solo, quando as escolhas nutricionais são decisivas para o desempenho das lavouras.

Nesse contexto, a pesquisa e inovação no setor agrícola, tem como foco contornar a demanda de fertilizantes advindas do mercado externo, contribuindo com novas tecnologias, que agregam resultados satisfatórios no campo. No caso dos macronutrientes essenciais — nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), já existem soluções biológicas e tecnologias nacionais capazes de contribuir para a eficiência do uso desses elementos. “É claro que o setor de insumos pode contribuir com essas soluções estendendo para o maior número de culturas possíveis, sabendo que hoje novas soluções ficam restritas a grandes culturas e grande maioria anuais”, observa Fabrício Silva, pesquisador do Campo Experimental da Satis.

No nitrogênio, por exemplo, insumos biológicos atuam na fixação do nutriente presente no ar, tornando-o disponível para as plantas e reduzindo a necessidade de adubação mineral. No fósforo, tecnologias que aumentam a disponibilidade do nutriente no solo podem melhorar o aproveitamento pelas culturas, enquanto, no potássio, soluções complementares ajudam na uniformidade e no desenvolvimento das plantas. “Pesquisas são essenciais para descobertas de novos microrganismos que serão capazes de exercer papel na redução do uso de fertilizantes, contribuindo para nutrição de plantas de maneira eficaz, reduzindo custos para os produtores rurais”, complementa.

Manejo integrado

A adoção dessas ferramentas além de impulsionar a cadeia nacional, deve ser vista como parte de um manejo integrado. Os bioinsumos e os fertilizantes especiais, cada vez mais, entram nessa equação como aliados estratégicos.  A Satis tem se dedicado constantemente a desenvolver alternativas para atender as demandas do produtor, combinando práticas para ganhar eficiência, reduzir custos e mitigar riscos externos.

O uso de extratos de algas e vegetais, microrganismos, aminoácidos entre outros, são ferramentas empregadas na agricultura como a nanotecnologia para reverter a dependência de insumos de solo. Nessa linha, a Satis oferece um portfólio de soluções biológicas e nutricionais. Para o fornecimento de nitrogênio (N), os produtos incluem inoculantes e biofertilizantes que atuam na fixação biológica do nutriente, além de fonte equilibrada para suplementação.

No manejo de fósforo (P), nutriente essencial para os ciclos energéticos das plantas, destacam-se soluções que combinam fósforo com bioativação por extrato de algas e outras para aumentar a disponibilidade do nutriente no solo. Já para potássio (K), importante para qualidade e desenvolvimento dos frutos, como alternativa a empresa disponibiliza produtos que favorecem a absorção eficiente e contribuem para uniformidade e maturação das lavouras.

Foto: World Sikh Organization of Canada / Pexels.com

Readequação

Em momentos de insumos caros, é natural “repensar o manejo” e adequar à realidade momentânea, mas sem descuidar da produtividade e do impacto que a readequação pode causar. “Esse é o momento que precisamos olhar com muita atenção para todas as ferramentas que temos a nossa disposição. Em momentos de menos ofertas de nutrientes para as plantas, tudo que eu conseguir disponibilizar, a planta tem que ser muito eficiente no processo de absorção e utilização”, afirma Alécio Radons, engenheiro agrônomo e representante técnico de vendas da Satis.  

Ele explica que o produtor precisa buscar alternativas que melhorem o enraizamento das plantas (aumenta a busca por água e nutrientes), ferramentas biológicas que auxiliam na fixação biológica de nitrogênio – como é o caso do bradyrhizobium japonicum e do azospirillum brasiliense – na cultura da soja, bem como o azospirillum  brsailiensee a methylobacterium symbioticum para melhorar a capacidade de fixação do nitrogênio atmosférico, principalmente em gramíneas.

Manejos nutricionais complementares via folha são alternativas que entregam resultados muito positivos quando posicionados corretamente. Esses manejos disponibilizam nutrientes em momentos específicos e de alta demanda pelas plantas, proporcionando melhorias nos processos metabólicos e melhorando a produtividade. “Mais do que nunca é preciso de conhecimento técnico para traçar uma rota alternativa aos percalços do mercado e assim conseguir alcançar boas produtividades”, conclui Radons.

A nova dependência das empresas brasileiras à conectividade crítica

por Heber Lopes*

A conectividade passou a ocupar um papel que, até pouco tempo, era reservado a sistemas internos. Hoje, em muitas empresas brasileiras, a disponibilidade de rede determina diretamente a capacidade de operar. Esse movimento se intensificou com a adoção de cloud, SaaS e aplicações em tempo real, que transferiram para fora do ambiente local processos que antes eram controlados internamente.

Os dados ajudam a dimensionar essa mudança. A pesquisa TIC Empresas realizada pelo Cetic em 2024 indica que 92% das organizações no Brasil já utilizam fibra óptica e que cresce o uso de aplicações digitais em processos centrais. O avanço da infraestrutura foi acompanhado por uma transformação mais profunda: a dependência operacional da conectividade. Ainda assim, a forma como essa infraestrutura é contratada e gerida continua, em muitos casos, baseada em critérios de custo e capacidade nominal.

Essa diferença entre dependência e gestão fica mais evidente em cenários de indisponibilidade. Quando a conectividade falha, o impacto não se limita ao acesso à internet. Sistemas deixam de autenticar, integrações são interrompidas e fluxos operacionais passam a depender de processos manuais ou simplesmente param. Em operações distribuídas, esse efeito se propaga rapidamente, afetando atendimento, vendas e logística de forma simultânea.

O impacto financeiro acompanha essa dinâmica. Levantamentos internacionais mostram que o custo médio de downtime pode ultrapassar US$ 300 mil por hora em empresas de médio e grande porte, com valores significativamente maiores em ambientes industriais, onde processos são contínuos e altamente integrados. Mesmo considerando diferenças entre setores, a indisponibilidade deixou de ser um problema técnico isolado e passou a representar risco direto para o negócio.

O papel da infraestrutura e da regulação

No Brasil, esse cenário é influenciado também por fatores estruturais. A Agência Nacional de Telecomunicações estabelece critérios objetivos para caracterizar interrupções de serviço, considerando eventos superiores a 10 minutos com impacto sobre usuários. A existência desse tipo de parâmetro reforça que indisponibilidade não é exceção, mas uma condição prevista e mensurável.

Há ainda fatores externos que ampliam a exposição. Dados da Conexis Brasil Digital mostram que mais de 5,4 milhões de metros de cabos foram roubados ou furtados em 2023, afetando milhões de usuários. Esse tipo de ocorrência evidencia um ponto recorrente em ambientes corporativos: a ausência de diversidade real de rotas.

A contratação de múltiplos links não garante resiliência quando a infraestrutura compartilhada permanece a mesma em parte do trajeto. Em situações desse tipo, a interrupção de um trecho físico pode comprometer simultaneamente todas as conexões disponíveis.

Eventos de maior escala reforçam essa leitura. Durante as enchentes no Sul em 2024, municípios tiveram a conectividade severamente afetada, exigindo medidas emergenciais para restabelecimento do serviço. Esse tipo de cenário expõe a dependência de infraestrutura física e a necessidade de planejamento para contingências que vão além de falhas pontuais.

Outro vetor relevante está na dependência de plataformas digitais. A interrupção global dos serviços da Meta em 2021 mostrou como falhas em infraestrutura de backbone podem afetar simultaneamente comunicação, autenticação e operação em escala global. No contexto brasileiro, onde aplicações de mensageria são frequentemente utilizadas como canal de vendas e atendimento, esse tipo de indisponibilidade tem efeito imediato.

Esses diferentes cenários apontam para um mesmo desafio: a conectividade passou a ser um componente estrutural da operação, mas ainda não é tratada dessa forma em muitas organizações.

Foto: Tara Winstead / Pexels.com

O desafio é crescer com resiliência

A resposta, no entanto, não está em simplesmente contratar mais banda. Está em construir arquitetura de conectividade. Isso significa links redundantes em caminhos físicos distintos, para que o rompimento de um cabo ou a falha de um provedor não paralise a operação. Significa adotar SD-WAN para orquestrar o tráfego entre múltiplos links e executar failover inteligente, uma tecnologia cujo mercado na América Latina, segundo a Meticulous Research, deve saltar de US$ 157 milhões em 2024 para US$ 2,77 bilhões até 2035.

Também significa implementar observabilidade de rede, que vai além do monitoramento reativo para identificar causas-raiz e antecipar falhas antes que afetem o negócio. E também demanda, em muitos casos, contar com gestão contínua por equipes especializadas, porque a complexidade de ambientes multicloud com múltiplos links e políticas de segurança convergentes ultrapassa a capacidade da maioria dos times internos.

Para operações distribuídas em áreas remotas, em segmentos tais como agronegócio, mineração, logística e energia, a conectividade satelital de baixa órbita adicionou uma camada de resiliência antes inexistente. O Brasil já soma mais de 1 milhão de clientes Starlink ativos, e operadoras como Algar Telecom e Arqia lançaram soluções corporativas voltadas a setores que operam fora dos grandes centros.

Um estudo realizado pela pela Oxford Economics em 2024 identificou que as empresas no topo em capacidade de recuperação – o que os pesquisadores chamaram de “líderes em resiliência”, se recuperam 28% mais rápido de incidentes do que as demais. A diferença não é de orçamento; é de abordagem. Essas empresas entenderam que conectividade é um ativo estratégico que precisa ser gerenciado, monitorado e protegido com o mesmo rigor aplicado à segurança cibernética ou à continuidade financeira.

Toda empresa que migrou para a nuvem, digitalizou processos e conectou operações em tempo real fez, quer tenha percebido ou não, uma aposta na disponibilidade da sua rede. A pergunta que a liderança executiva precisa se fazer hoje não é quanto custa melhorar a arquitetura de conectividade. É quanto custa continuar sem fazê-lo.

*Head de Produtos e Marketing na Faiston.

Do conceito à colheita: como a inovação digital está democratizando a eficiência no campo

por Micael Duarte*

Por muito tempo, a expressão “agricultura de precisão” soou como algo restrito a grandes corporações agrícolas ou laboratórios de tecnologia. O imaginário comum remetia a mapas complexos e sensores inacessíveis. No entanto, o cenário atual revela uma realidade bem mais palpável: a tecnologia deixou de ser um artigo de luxo para se tornar o braço direito da rentabilidade, independentemente do tamanho da propriedade.

Abaixo, trago como essa transformação está acontecendo na prática.

  1. O fim do desperdício: decisões baseadas em dados

A verdadeira revolução não está apenas na máquina, mas na informação. Ferramentas como o GPS agrícola e a telemetria mudaram o jogo ao permitir que o produtor visualize a operação em tempo real.

  • Redução de sobreposição: evitar que uma área receba sementes ou defensivos duas vezes economiza insumos e preserva o solo.
  • Gestão de frota: saber exatamente as horas trabalhadas, o consumo de combustível e as falhas dos equipamentos permite um planejamento logístico muito mais assertivo.
  1. A máquina como fonte de inteligência

O maquinário moderno deixou de ser apenas uma ferramenta mecânica para se tornar uma central de dados. Hoje, sistemas de monitoramento remoto permitem que o gestor acompanhe o desempenho da frota sem precisar estar fisicamente no talhão.

Um exemplo claro dessa evolução é o Smart Assist Remote da YANMAR, que utiliza conectividade e GPS para oferecer visibilidade total sobre o funcionamento dos equipamentos. Além da eficiência operacional, essa tecnologia traz uma camada extra de segurança ao patrimônio, com alertas de localização e movimentação que protegem o investimento do produtor.

Smart Assist Remote da YANMAR utiliza conectividade e GPS para oferecer visibilidade total sobre o funcionamento dos equipamentos (Foto: Divulgação / YANMAR)
  1. Proteção ativa e longevidade do equipamento

Inovar também significa proteger o que já se tem. A integração de sistemas de proteção eletrônica, como o dispositivo Vigia (da Colven), demonstra como a tecnologia atua na prevenção. Ao monitorar pressão de óleo e temperatura, o sistema pode intervir antes que uma falha mecânica se torne um prejuízo. É a transição da manutenção corretiva para a gestão preventiva inteligente.

  1. A era da inovação acessível

O movimento mais importante da indústria atual é a democratização. Recursos de conectividade e telemetria, que antes eram exclusivos de máquinas gigantescas, agora estão presentes em equipamentos de menor porte.

Essa mudança de paradigma garante que o pequeno e o médio produtor também tenham acesso a ferramentas que otimizam a produção. Quando a tecnologia se torna acessível, o campo ganha em escala, sustentabilidade e, acima de tudo, em ganho real no bolso de quem produz.

*Engenheiro agrícola, especializado em análise de mercado, prospecção de novos clientes e suporte técnico-comercial, com foco em colheitadeiras. Atualmente é Analista de Inovação Sênior na YANMAR South America.

Uso de IA cresce 72% e amplia risco jurídico sobre dados e prompts

Com cerca de 72% das empresas já utilizando inteligência artificial em ao menos uma função de negócio, segundo levantamento global da McKinsey & Company, cresce no ambiente corporativo a preocupação com a ausência de regras claras sobre uso de prompts, titularidade de outputs e proteção de dados estratégicos. O tema ganhou relevância recente com o avanço do debate regulatório internacional, após o U.S. Copyright Office reforçar o entendimento de que conteúdos gerados por IA exigem contribuição humana identificável para proteção autoral, enquanto discussões no Parlamento Europeu indicam maior foco em transparência e responsabilização no uso da tecnologia. No Brasil, o Projeto de Lei 2338 de 2023 segue em tramitação e ainda não estabelece diretrizes consolidadas sobre o tema.

De acordo com Matheus Barcelos Martins, sócio do Barcelos Martins Advogados e especialista em Direito Empresarial com atuação em contratos, inovação, propriedade intelectual e tecnologia, “o debate sobre direito autoral de prompt é limitado diante da realidade das empresas. Na prática, quando esses comandos refletem estratégia, lógica operacional ou curadoria, eles se tornam ativos relevantes e devem ser tratados como segredo de negócio e objeto de proteção contratual”.

Além do cenário regulatório em evolução, entidades como a OWASP vêm alertando para riscos concretos associados ao uso corporativo de IA, incluindo exposição de informações confidenciais e vulnerabilidades como prompt injection, listada entre as principais ameaças no ranking Top 10 for Large Language Models da organização. A World Intellectual Property Organization também tem destacado os desafios relacionados à proteção de ativos intangíveis no contexto da inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o aumento de disputas judiciais envolvendo empresas como OpenAI, Anthropic, Meta e Midjourney reforça que o tema já impacta decisões econômicas, concorrenciais e contratuais em escala global.

Diante desse cenário, cresce a recomendação por adoção de políticas estruturadas de governança sobre o uso de inteligência artificial, incluindo mapeamento da criação e utilização de prompts, definição de diretrizes sobre confidencialidade e propriedade intelectual e revisão de contratos com fornecedores de tecnologia. Segundo Matheus Barcelos Martins, “empresas que não estabelecem regras claras sobre o uso de IA podem comprometer ativos estratégicos e assumir riscos jurídicos relevantes, especialmente em um contexto em que a regulação ainda está em consolidação e a responsabilização tende a se intensificar”.

Tecnoshow COMIGO 2026 começa valorizando a força do agronegócio goiano

Teve início a 23ª edição da Tecnoshow COMIGO, uma das principais feiras de tecnologia rural do Brasil e consolidada como vitrine estratégica para inovação, geração de negócios e difusão de conhecimento no agronegócio. O evento, que tem como tema central “O Agro Conecta”, segue até o dia 10 de abril, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), em Rio Verde (GO), reunindo produtores rurais, pesquisadores, empresas e especialistas de diversas regiões do país.

Presente no primeiro dia do evento, durante coletiva de imprensa, o governador de Goiás, Daniel Vilela, reforçou o apoio à feira, que, segundo ele, enaltece a competência dos goianos e a força do agronegócio, principal referência econômica do estado e do país. “Faço questão de estar aqui hoje, no início da Tecnoshow, não só para prestigiar este grande evento, mas também os produtores e o sudoeste goiano, região de alta produtividade e qualificação profissional rural. Nossa presença reforça, como governo do estado, o reconhecimento e o prestígio a esse setor que alavanca a economia goiana e brasileira”, destacou.

Também presente na coletiva, o prefeito Wellington Carrijo enfatizou que a cidade está preparada para o fluxo de visitantes durante a feira: “Nosso comércio local espera um movimento semelhante ao do ano passado. Nossos hotéis estão com 100% de ocupação, impactando positivamente cidades vizinhas, como Jataí e Santa Helena, que também estão com a rede hoteleira aquecida. Sem dúvida, a Tecnoshow COMIGO é um orgulho para a nossa cidade e para todo o estado”.

O presidente do Conselho de Administração da COMIGO, Antonio Chavaglia, destacou o momento econômico desafiador do agronegócio e reforçou o papel da Tecnoshow na difusão de tecnologia para a agricultura e a pecuária, por meio da presença das empresas expositoras.

“Agradeço aos empresários que vieram prestigiar a feira, tanto os locais quanto os de outras regiões, além das instituições de pesquisa que estão aqui trazendo novas cultivares e lançamentos importantes para o setor. Esse movimento é fundamental para ajudar a reduzir a pressão sobre o agronegócio brasileiro. Vivemos um cenário delicado no país, com impactos que vão muito além do campo”, afirmou.

“Sabemos que o cenário mundial ainda traz muitas incertezas, com conflitos e impactos que afetam diretamente os custos dos insumos, do transporte e da produção. Por isso, é preciso cautela, planejamento e responsabilidade para atravessar este momento. Os altos custos do petróleo, dos insumos e do transporte tornam cada vez mais difícil garantir margem ao produtor, seja na agricultura ou na pecuária”, completou Chavaglia.

Ao final, ele também comentou a expectativa para a edição 2026: “Espero que este ano traga bons resultados para todos, permitindo que o produtor faça suas análises, avalie investimentos e encontre oportunidades”.

Após a coletiva, foram realizados a revista da guarda e o hasteamento das bandeiras no estande do Governo do Estado. Na ocasião, o governador, o prefeito de Rio Verde e o presidente do Conselho de Administração da COMIGO assinaram o termo que transfere a capital para o município até sexta-feira (10). Durante a Tecnoshow COMIGO, Rio Verde assume o posto de capital de Goiás.

Fotos: Divulgação

Pastagem plantada por mudas permite mais produtividade na criação de bovinos no semiárido brasileiro

O Ceará segue vencendo os desafios da agropecuária, que é um dos motores da economia da região. Em 2025, agropecuária cearense cresceu 5,30% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, superando o Produto Interno Bruto (PIB) que registrou crescimento de 2,25%, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A atividade tem potencial para crescer ainda mais, porém os produtores rurais da região enfrentam grandes desafios relacionados ao clima.  A seca prolongada no semiárido prejudica a produção de pastagem natural para alimentação dos bovinos em volume e qualidade necessária. Outros desafios são apontados por produtores locais como a falta de acesso à tecnologia e a práticas inovadoras e eficientes de manejo do gado, principalmente para as pequenas e médias propriedades. Nas grandes, em alguns casos, investir em irrigação e tecnologia torna o processo oneroso. A avaliação é do zootecnista, especialista em produção de ruminantes e pastagens e MBA em gestão de negócios pela FGV, Oswaldo Stival Neto. 

Segundo ele, pecuaristas têm buscado alternativas eficientes e com custo-benefício mais interessantes para estimular o aumento da produtividade e a sustentabilidade no pasto. Uma das inovações que tem ganhado espaço nas fazendas do estado é o plantio de mudas clonadas e melhoradas geneticamente do capim Tifton 85, que traz benefícios, mesmo se comparada à alimentação por meio de forragem conservada, a silagem, ou de feno, prática comum no Nordeste, no período de seca.

O zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens, Oswaldo Stival Neto, explica que essa espécie, que resulta do cruzamento de uma gramínea de clima subtropical a temperado dos EUA com uma de clima tropical da África, criada em 1992 nos Estados Unidos. Seu cultivo não se propagou no passado por ele ser um híbrido , ou seja , seu plantio não se dá via sementes , e o método que se propagou antigamente  por plantio de ramas não se tinha por muitas vezes sucesso na implantação , além da dificuldade de encontra um material com origem o que inibiu a adesão a ele por um tempo. Mas, a empresa Amazon mudas , tornou seu plantio possível através de mudas clonadas e plantio mecanizável por plantadeiras , diante de seus resultados, agropecuaristas têm cada vez mais experimentado a alternativa.

“O que os números nos mostram é que  o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, a metade do volume do Tifton 85, em relação ao que os produtores precisam servir de forragem, já vai suprir a demanda alimentar dos animais. Ou seja, no mesmo 1 hectare de área, o produtor consegue fornecer alimento para no mínimo o dobro de animais”, explica ele.  

Um exemplo é o da  fazenda  São José, localizada no município de Russa, no Ceará, onde os produtores implantaram a gramínea Tifton 85, que oferece ao gado cerca do dobro do valor nutritivo que o capim braquiária, que é mais comum nas fazendas brasileiras. Ela também produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens. 

Segundo Oswaldo Neto, com o uso do Tifton 85, é possível aumentar a produtividade na criação de gado em até 10 vezes mais do que a média nacional, saltando de uma média de uma para sete cabeças por hectares.  e ainda proteger o solo da erosão, contribuindo para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. 

A pastagem foi adotada na propriedade em uma forma inovadora, desenvolvida pela Amazon Mudas, que resolveu o gargalo do plantio, pois suas sementes não germinam. “Com a tecnologia que desenvolvemos, clonamos as mudas e fazemos seu melhoramento genético. Após isso, transferimos para o pasto com o plantio feito por máquinas plantadeiras, como no caso de mudas de tomate”, exemplifica Oswaldo Stival. 

Oswaldo ainda explica que este período em que o Ceará tem sua quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é muito importante para os pecuarista investirem na recuperação de suas pastagens, plantando gramíneas mais resistentes, que retém melhor a umidade e têm mais resistência em período de seca, como o Tifton 85, pois os benefícios serão sentidos durante todo o ano e ao longo do tempo. 

Pastagem da Fazenda São José, no Ceará, após o fim do processo de implantação do capim Tifton 85 (Fotos: Divulgação)

Pastagem mais resistente à seca

O zootecnista Oswaldo Stival Neto explica que o Tifton 85 apresenta mais resistência e robustez, mesmo na estiagem porque produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens.

“A partir do momento que ele não deixa o solo exposto, qualquer chuva que já venha a ter na área, vai fazer a retenção da umidade no solo e por não deixar o solo exposto ao sol, evita que aquela umidade se evapore”, explica.

De acordo com ele, mesmo com a oscilação das chuvas e o espaçamento maior entre uma e outra, além do sol muito quente, o Tifton 85 mantém a umidade do solo, suficiente para propiciar o crescimento da gramínea. Assim,  o volume de forragem costuma ser maior em relação às demais forrageiras, como a braquiária. 

E não somente isso, enfatiza Oswaldo Stival Neto. Se o plantio do Tifton 85 for feito no princípio das chuvas, aliado a uma adubação estratégica, a planta vai reter a umidade já buscando o nutriente fornecido pelo adubo, o que vai acelerar mais ainda o seu crescimento. “Assim já teremos já de início a planta produzindo muita massa  e também explorando um grande potencial da proteína bruta, oferecendo também mais qualidade  em valor nutricional. Desta forma, fornecemos condições para o animal ter um alto ganho de peso ou uma alta produção de leite”, detalha o especialista.

Inteligência Artificial: aliada estratégica para impulsionar e transformar negócios

por Leonardo Chucrute*

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser apenas uma tendência para se consolidar como uma ferramenta indispensável em diversas áreas, especialmente no mundo dos negócios. Empreendedores que dominam o uso estratégico dessa tecnologia conseguem potencializar resultados, reduzir erros e tomar decisões com mais agilidade e segurança, fortalecendo a competitividade de suas empresas.

Um dos principais benefícios da IA é a economia de tempo. Ferramentas como assistentes virtuais são capazes de gerar relatórios, analisar o comportamento do consumidor e sugerir melhorias em poucos segundos. Isso permite que o empresário concentre seus esforços no que realmente importa: estratégia, inovação e crescimento do negócio.

A IA também se destaca como uma poderosa aliada no processo de aprendizado, ao possibilitar a personalização da formação e apoiar a tomada de decisões. É possível solicitar recomendações de cursos, vídeos, artigos e até mentorias específicas. Dessa forma, o empreendedor desenvolve competências práticas cada vez mais alinhadas aos seus objetivos, como gestão financeira, liderança e marketing digital.

Além disso, a inteligência artificial pode ser utilizada para testar ideias de negócio, aprimorar apresentações e apoiar o desenvolvimento de novos produtos. Criar prompts para simular o lançamento de um serviço ou validar um pitch torna-se um diferencial competitivo, especialmente em mercados altamente dinâmicos.

Outro uso relevante da IA está no treinamento de equipes. Existem aplicações capazes de simular atendimentos ao cliente, avaliar discursos e oferecer feedback sobre postura, clareza e comunicação. Treinar equipes com esse tipo de tecnologia pode elevar o padrão de excelência do negócio, gerar mais valor para a marca e contribuir para a fidelização de clientes.

É fundamental lembrar que a IA é uma aliada, e não uma substituta da experiência humana. Ela amplia a criatividade, a visão estratégica e a eficiência, mas não substitui competências como empatia, senso crítico e liderança. Integrar tecnologia e inteligência emocional é o que diferencia o empreendedor comum daquele que se destaca em um mercado cada vez mais competitivo.

Portanto, utilize a inteligência artificial como uma alavanca de crescimento, aprendizado e aprimoramento contínuo. Aprender, testar, adaptar e evoluir são atitudes essenciais. O futuro pertence a quem aprende com rapidez e se adapta com sabedoria, e a IA pode ser uma grande aliada nesse processo de expansão e transformação dos negócios.

*CEO do Zerohum, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.

Sistema de IA interpreta dados agrícolas e climáticos para apoiar decisões no campo

Uma plataforma de inteligência artificial que interpreta dados de campo em tempo real começou a ser testada no norte do Paraná, em um projeto piloto voltado à extensão rural. A ferramenta foi construída para organizar e cruzar informações agrícolas, como dados produtivos, climáticos e ambientais, e fornecer subsídios técnicos aos profissionais que atendem produtores rurais na região de Maringá e municípios vizinhos.

A solução foi apresentada por desenvolvedores da Bluelogic Sistemas e Consultoria, de Curitiba, em diálogo com órgãos estaduais responsáveis pela agricultura, e está em fase de implantação e validação. A proposta é centralizar dados dispersos e automatizar análises que hoje exigem tempo e trabalho manual, com a intenção de oferecer orientações técnicas com mais velocidade no campo.

“O sistema organiza e interpreta informações agrícolas e climáticas e sugere orientações técnicas que melhor se adaptam às condições de cada propriedade. A decisão final permanece com o extensionista”, disse Fernando Esmaniotto, CEO da Bluelogic. Ele destaca que a IA não substitui o técnico, mas fornece suporte de análise para decisões mais rápidas e consistentes.

O piloto foi desenhado a partir de uma iniciativa da própria Bluelogic, apresentada em uma Rodada de Oportunidades e Conexões promovida pelo InovaAgro, que facilitou a aproximação com a Secretaria da Agricultura do Paraná e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), responsáveis por conduzir a extensão rural no território.

Foto: Google DeepMind / Pexels.com

Representantes do setor de tecnologia veem no projeto um exemplo de como inovações digitais podem ser aplicadas diretamente em atividades rurais. A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Paraná (Assespro-PR) registrou apoio à iniciativa, com a expectativa de que ela ajude a integrar tecnologia e demandas do campo. 

“Conforme a empresa, a arquitetura da plataforma foi desenhada para permitir expansão geográfica e adaptações a outras áreas de gestão pública e setores produtivos, caso seja validada na etapa atual. Isso é fantástico e vai ao encontro do nosso propósito, que é o de aproximar negócios e soluções das reais necessidades da sociedade”, destaca o presidente da entidade, Adriano Krzyuy.

Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial: Lula defende governança global da IA

com informações da Agência Gov

Ao discursar em Nova Délhi, na Índia, na Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a governança da IA seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. Ele alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia poderá ampliar desigualdades históricas e fragilizar democracias.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, afirmou Lula.

O presidente lembrou que, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. Para Lula, é imperativo que as nações aprofundem as discussões sobre o tema, levando em conta sempre que este é um processo que precisa priorizar as pessoas.

Lula ainda alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando que seus efeitos têm enorme potencial de ameaçar as democracias e de contaminar processos eleitorais. “Toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas. Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, ressaltou.

Foto: Reprodução / Canal GOV / EBC

“A aviação, o uso do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial são exemplos desse fenômeno. Elas podem multiplicar o bem-estar coletivo ou lançar sombras sobre os destinos da humanidade. A Revolução Digital e a Inteligência Artificial elevam esse desafio a níveis sem precedentes”, prosseguiu o presidente.

“Elas impactam positivamente a produtividade industrial, os serviços públicos, a medicina, a segurança alimentar e energética e a forma como nos conectamos uns com os outros. Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, frisou Lula.

O Agro Conecta: o agronegócio como elo entre campo, cidade e inovação

por Jayme Vasconcellos*

A atividade agropecuária brasileira passou, nas últimas décadas, por um processo contínuo de transformação estrutural. A incorporação de ciência, tecnologia e gestão profissional alterou profundamente a forma de produzir e de se relacionar com o mercado e com a sociedade. O campo deixou de ser um espaço isolado para se tornar parte ativa de uma rede que envolve centros de pesquisa, cooperativas, indústrias, serviços e consumidores urbanos.

Segundo a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, a trajetória do agro brasileiro está diretamente associada à capacidade de integração entre ciência e produção. “A agropecuária nacional se desenvolveu com base em pesquisa aplicada e na proximidade com o produtor. A inovação no campo é resultado dessa interação permanente”, afirmou em apresentações institucionais da empresa.

Essa dinâmica se reflete no cotidiano das propriedades. Em Rio Verde (GO), o produtor rural José Antônio Ferreira, cooperado há mais de 20 anos, descreve uma rotina produtiva orientada por informação técnica. “Hoje, cada decisão passa por recomendação agronômica, dados de clima e histórico da área. A produção ficou mais técnica, e isso mudou a forma de trabalhar”, relata.

O exemplo ilustra um movimento mais amplo: o agronegócio como um ambiente de tomada de decisão baseada em conhecimento compartilhado.

Cooperativas como eixo de integração regional

Nesse processo, o cooperativismo desempenha um papel central. Cooperativas agroindustriais atuam como estruturas de conexão entre o produtor e os diferentes elos da cadeia produtiva, oferecendo acesso a assistência técnica, inovação, crédito, logística e mercado.

Para o diretor-executivo da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Alberto França, o modelo cooperativista é um dos fatores que explicam a capacidade de organização do agro brasileiro. “As cooperativas reduzem distâncias. Elas aproximam o produtor da tecnologia, da gestão e das exigências do mercado, ao mesmo tempo em que fortalecem o desenvolvimento regional”, afirmou em eventos do setor.

Essa atuação tem impactos diretos nas cidades. A presença de cooperativas impulsiona agroindústrias, serviços especializados, comércio e geração de empregos, criando uma relação de interdependência entre campo e meio urbano. O desenvolvimento regional passa a ser resultado de um sistema integrado, e não de ações isoladas.

Pesquisa aplicada como base da produtividade

A conexão entre pesquisa e prática é um dos pilares do desempenho agropecuário brasileiro. Instituições como a Embrapa e universidades públicas e privadas atuam na geração de conhecimento adaptado às condições tropicais, com resultados diretos sobre produtividade, sustentabilidade e segurança alimentar.

O pesquisador da Embrapa Evaristo de Miranda destaca que a ciência agropecuária brasileira se construiu a partir do território. “A pesquisa no Brasil sempre esteve ligada à realidade do produtor e às características ambientais do país. Esse diálogo é o que garante resultados consistentes”, afirmou em análises públicas sobre o setor.

A transferência de tecnologia ocorre por meio de assistência técnica, programas de capacitação e espaços de demonstração. Esses mecanismos permitem que a inovação seja testada, validada e incorporada gradualmente às rotinas produtivas, reduzindo riscos e ampliando ganhos de eficiência.

Tecnoshow COMIGO como espaço de articulação

Durante a Tecnoshow COMIGO, em Rio Verde, produtores circulam entre parcelas demonstrativas, estandes de empresas e áreas de apresentação técnica. Em um mesmo percurso, é possível observar resultados de pesquisa aplicada, discutir manejo com especialistas e avaliar soluções tecnológicas voltadas à realidade local. Esse ambiente resume a lógica do evento: encurtar a distância entre quem desenvolve conhecimento e quem toma decisões no campo.

Segundo Antônio Chavaglia, presidente do Conselho de Administração da COMIGO, a proposta do evento sempre foi criar um espaço de conexão. “A Tecnoshow foi pensada para aproximar o produtor da inovação e do conhecimento técnico, permitindo que ele veja, questione e avalie as tecnologias apresentadas”, afirmou em edições recentes.

Ao reunir diferentes elos da cadeia produtiva, a feira contribui para encurtar a distância entre quem desenvolve soluções e quem as aplica no campo, fortalecendo a integração entre pesquisa, mercado e produção.

Foto: Divulgação / COMIGO

Tecnologia e profissionalização do campo

A digitalização ampliou ainda mais essas conexões. Ferramentas de agricultura de precisão, sistemas de monitoramento e plataformas de gestão tornaram-se parte do cotidiano produtivo, aproximando o campo de padrões tecnológicos presentes em outros setores da economia.

Para Fernando Silva, gerente de inovação da Syngenta Brasil, a tecnologia tem papel estratégico na integração da cadeia. “Dados e conectividade permitem decisões mais eficientes e alinhadas às demandas de produtividade e sustentabilidade. Isso aproxima produtores, empresas e consumidores”, afirmou em debates institucionais.

Esse avanço tecnológico também impacta o perfil profissional do setor, atraindo mão de obra qualificada e reforçando a circulação de conhecimento entre áreas rurais e urbanas.

A engenheira agrônoma Mariana Lopes, formada em Goiânia e atuando na assistência técnica em propriedades do sudoeste goiano, descreve uma rotina que conecta o urbano ao rural. “A gente leva a pesquisa para o campo e traz o campo para a discussão técnica. O produtor participa das decisões e o conhecimento circula”, afirma. Para ela, o agro deixou de ser um espaço distante da cidade e passou a incorporar profissionais, métodos e tecnologias típicos de outros setores da economia.

Produção, consumo e responsabilidade

A relação entre produção e consumo tornou-se mais direta. A sociedade urbana passou a demandar informações sobre origem, qualidade e impacto ambiental dos alimentos, exigindo maior transparência da cadeia produtiva.

Para Christian Kapp, diretor de sustentabilidade da UPL Brasil, essa aproximação redefine o papel do produtor. “O diálogo com a sociedade é fundamental. Produzir bem inclui adotar práticas responsáveis e comunicar isso de forma clara”, afirmou em fóruns sobre sustentabilidade.

Programas de boas práticas agrícolas, rastreabilidade e gestão ambiental funcionam como instrumentos de conexão entre o campo e o consumidor, reforçando a confiança e a legitimidade do setor.

Desenvolvimento econômico e social

As conexões promovidas pelo agronegócio têm reflexos diretos no desenvolvimento regional. Cadeias agroindustriais estruturadas impulsionam economias locais, ampliam a arrecadação municipal e sustentam redes de serviços que vão da educação técnica à saúde. Ao integrar produção, processamento e comercialização, o setor contribui para a estabilidade econômica de regiões inteiras, especialmente em municípios onde o agro é a principal base produtiva.

Embora desafios persistam, o setor demonstra capacidade de adaptação e articulação. O agro brasileiro se organiza como um sistema que integra interesses econômicos, ambientais e sociais.

O agro como elo estruturante

“O Agro Conecta” não é apenas um conceito, mas a descrição de um sistema em operação. Um sistema que transforma conhecimento científico em prática produtiva, articula interesses econômicos e sociais e reduz distâncias históricas entre o campo e a cidade. Iniciativas como a Tecnoshow COMIGO, o fortalecimento do cooperativismo e a atuação integrada da pesquisa evidenciam essa capacidade de articulação.

Ao operar como elo entre pessoas, tecnologias e propósitos, o agronegócio brasileiro reafirma sua relevância para além dos números da produção. Ele se consolida como uma estrutura de conexão que sustenta oportunidades, promove desenvolvimento regional e responde, de forma concreta, às demandas de uma sociedade cada vez mais interdependente.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.