BNDES disponibiliza mais R$ 15,3 bilhões para programas do Plano Safra 2025-26

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou mais R$ 15,3 bilhões para operações de crédito rural no âmbito de programas do Plano Safra 2025-2026. Deste montante, R$ 10,4 bilhões serão destinados às linhas voltadas para agricultura empresarial e R$ 4,9 bilhões para agricultura familiar.

Com a medida, o total de recursos ainda disponível nos diferentes Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) a serem repassados pela instituição é de R$ 20,1 bilhões, com prazo de utilização até junho de 2026.

Os recursos poderão ser utilizados por produtores rurais, cooperativas e agricultores familiares para custeio e investimento em diversas finalidades, incluindo ampliação da produção, aquisição de máquinas e equipamentos, armazenagem e inovação.

O BNDES é um dos principais apoiadores do setor agropecuário. No Plano Safra 2025-2026, o Banco já aprovou R$ 26,4 bilhões no âmbito dos PAGF e atendeu a solicitações de mais de 105 mil operações por meio de operações indiretas, realizadas pela rede de agentes financeiros credenciados.

Além dos PAGFs, o BNDES também oferece soluções próprias para garantir a oferta de crédito ao setor agropecuário durante todo o ano, como o BNDES Crédito Rural – na atual safra, o produto já soma R$ 4,4 bilhões em operações aprovadas.

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IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025

com informações da Agência Brasil

O Brasil deverá fechar 2025 com safra recorde de 346,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O resultado representa um aumento de 18,2% em relação a 2024 (292,7 milhões de toneladas). Os dados são da estimativa calculada em dezembro de 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A previsão é de que em 2026, a produção seja menor. Segundo estimativas do IBGE, a safra brasileira em 2026 deve somar 339,8 milhões de toneladas, declínio de 1,8% em relação a 2025 ou 6,3 milhões de toneladas. 

Para a safra 2026, o IBGE informou que está incluindo a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando importância na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos anos, muito embora ainda tenham seu cultivo limitado a poucas unidades da federação.

Recorde

Para 2025, o IBGE prevê recorde da série histórica. O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo que, somados, representaram 92,7% da estimativa da produção e respondem por 87,9% da área a ser colhida. 

Para a soja, a estimativa de produção foi de 166,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica, que representa alta de 14,6% em relação a 2024. Para o milho, a estimativa também foi recorde,141,7 milhões de toneladas (crescimento de 23,6%). 

Outro recorde se refere à produção do algodão herbáceo em caroço, que chegou a 9,9 milhões de toneladas, um acréscimo de 11,4% em relação a 2024.

Já a produção do arroz em casca foi estimada em 12,7 milhões de toneladas (alta de 19,4%); a do trigo, em 7,8 milhões de toneladas (3,7% a mais que em 2024), e a do sorgo foi de 5,4 milhões de toneladas (35,5% a mais).

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Previsão para 2026

O prognóstico para 2026 divulgado nesta quinta foi o terceiro. Apesar de estimar uma produção em 2026 menor que em 2025, a previsão foi maior do que a do último prognóstico, divulgado em dezembro de 2024, pelo IBGE. Em relação ao segundo prognóstico, houve crescimento de 4,2 milhões de toneladas – alta de 1,2% na previsão para este ano.

De acordo com o IBGE, o declínio da produção de 2026 em relação à safra 2025 deve-se, principalmente, à menor estimativa para o milho (-6% ou -8,5 milhões de toneladas), para o sorgo (-13% ou -700,2 mil toneladas), para o arroz (-8% ou -1 milhão de toneladas), para o algodão herbáceo em caroço (-10,5% ou -632,7 mil toneladas) e para o trigo (-1,6% ou -128,4 mil toneladas).

Já para a soja, o IBGE estima um crescimento de 2,5% ou 4,2 milhões de toneladas. A produção do feijão também deve crescer 3,1% na primeira safra, chegando a 30,1 mil toneladas.

Bioinsumos e fertilizantes são alternativas viáveis para o déficit hídrico na safra de soja de 2026

Os bioinsumos são altamente eficazes contra déficit hídrico na soja, complementando fertilizantes com mecanismos biológicos que aumentam as raízes em 20-30% e regulam hormônios de estresse. Microrganismos como Azospirillum, Bacillus e micorrizas melhoram a absorção de água e nutrientes sob seca, recuperando 10-20% da produtividade perdida em florescimento 

Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a força da safra está diretamente ligada à qualidade dos insumos utilizados. “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura”, afirma o especialista.

Os fertilizantes foliares são uma das principais alternativas viáveis para a safra de soja 2026/27 no Brasil, especialmente sob chuvas irregulares no Centro-Oeste. A adoção já atinge 46,7% da área cultivada (soja 62% do total), com crescimento anual de 20%, comprovando eficácia prática em cenários climáticos adversos.

A previsão climática para 2026 no Rio Grande do Sul, por exemplo, indica um ano de transição: começa sob influência da La Niña, passa para neutralidade entre o fim do verão e o outono e pode evoluir para um episódio de El Niño entre o inverno e a primavera. Além disso, a meteorologista ressalta que fenômenos de curto prazo, menos previsíveis, podem ocorrer ao longo do ano e alterar temporariamente o padrão climático esperado, mesmo dentro desse cenário geral. 

Apesar de ser um momento em que há muita adversidade climática, este não é um fator que irá determinar tanto o desempenho da safra de soja para o ano de 2026, que deve ser recorde no Brasil, superando 2025/26 apesar de chuvas irregulares localizadas. A Abiove projeta 177,7 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 3,4%  (172,1 milhões de toneladas) em relação a  2025.

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Geraldo Alckmin fala sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia

O vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nos “próximos dias” e que o governo brasileiro espera que entre em vigência ainda no ano de 2026. O vice-presidente destacou que o acordo fortalece o multilateralismo, em detrimento do isolacionismo. Para valorizar o potencial do acordo, Alckmin enumerou que a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do País e fica atrás apenas da China. Inclusive a corrente comercial (somando exportações e importações) no ano passado foi de US$ 100 bilhões. 

Um exemplo é que somente a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, o que representou um crescimento de 5,4% desse setor (para o mundo, essa elevação foi de 3,8%). 

“A União Europeia foi o primeiro ou o segundo destino da exportação de 22 estados brasileiros [no ano passado]”, afirmou o vice-presidente. Alckmin também observou que 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para aquele continente, o que representa mais de 9 mil empresas brasileiras. “Essas empresas exportadoras empregam mais de três milhões de trabalhadores, disse ele.

Fazenda Conectada Case IH apresenta safra recorde e redução de custo de mais de R$ 1 mi com 4G da TIM

A Fazenda Conectada Case IH apresenta novos resultados após o fechamento da safra 2024/25. Fruto da parceria da Case IH, marca da CNH, com a TIM, líder em cobertura no agronegócio, a fazenda real de mais de 3 mil hectares foi transformada em um laboratório de inovação e produtividade.

Com safra recorde, a produção total foi de 14.054 toneladas, com produtividade média de 75 sacas por hectare. Com isso, ela foi 19% mais produtiva do que a região em que está, 14% maior do que em relação ao estado de Mato Grosso, além de ser 27% mais produtiva do que a média brasileira durante o mesmo período, segundo dados da Conab.

“A Fazenda Conectada é um laboratório vivo de inovação e produtividade. Esse bom desempenho é resultado de um conjunto de fatores como boas práticas de manejo, tomada de decisão orientada pela gestão de dados, capacitação de pessoas e uso de tecnologias de ponta, que vão desde o preparo do solo até a colheita. Isso garantiu menor custo de produção e maior rendimento, fatores essenciais para o produtor rural que tem enfrentado um cenário desafiador nos últimos tempos”, comenta Leandro Conde, diretor de Marketing e Comunicação da Case IH para América Latina.

Além dos resultados agronômicos, o projeto evoluiu para um modelo com práticas de agricultura regenerativa, com integração de tecnologias que restauram o solo, reduzem emissões e aumentam a eficiência operacional.

Para essa última safra, a Fazenda Conectada Case IH recebeu novas tecnologias em todas as etapas do ciclo produtivo, como o XactPlanting, que fornece plantio inteligente com controle individualizado; FieldXplorer, que faz o mapeamento e monitoramento por imagem aérea; e o FarmXtend; estação meteorológica que fornece dados localizados em tempo real.

Para avaliar o impacto dessas novas tecnologias na redução das emissões de carbono, foi realizada uma comparação entre as safras 23/24 e 24/25. O estudo considerou as emissões de carbono associadas ao consumo de combustível e ao uso de agrodefensivos nos talhões mais produtivos onde as soluções foram aplicadas. O resultado foi uma redução de 23,6% de toneladas de CO2e por saca de soja.

Segundo Alexandre Dal Forno, diretor de IoT e 5G da TIM, o resultado reforça o papel estratégico da conectividade no ganho de eficiência e produtividade do campo. “O 4G habilita a transformação digital no agronegócio, permitindo a criação de um ecossistema que potencializa cada etapa do ciclo produtivo. Na Fazenda Conectada, conseguimos novamente demonstrar a importância da conectividade, que além de habilitar a telemetria das máquinas e o monitoramento em tempo real, garante a previsibilidade, sustentabilidade do negócio e eficiência operacional ao produtor. A conectividade não é custo, mas um investimento fundamental para a digitalização do agronegócio brasileiro”.

O estudo é conduzido pela Agricef em parceria com a Unicamp, e tem como foco avaliar os impactos da conectividade e da tecnologia na eficiência operacional, sustentabilidade e viabilidade econômica da produção agrícola.

Evolução do Projeto

Ano após ano, o projeto tem mostrado como a tecnologia e conectividade aplicadas com inteligência transformam a produtividade e a sustentabilidade no campo, além de potencializar a integração de pessoas e reduzir custos operacionais.

Ao comparar os dados da última safra com a de 22/23, já com conectividade, a Fazenda Conectada Case IH vem apresentando uma construção contínua de gestão integrada de dados com impacto direto na eficiência das operações e no rendimento.

A safra 24/25 produziu 1.138 toneladas a mais do que a safra 22/23 e foi 10% mais produtiva do que a de 22/23, tendo avançado de 68 sacas/ha para 75 sacas/ha.

Entre os ganhos em diferentes etapas do ciclo produtivo está o redimensionamento da frota, com redução de um trator e uma plantadeira entregando mais resultado e reduzindo custos com combustível e manutenção. Na colheita, houve o aumento de 25% na média de área colhida por dia, reduzindo em 8 dias a janela de colheita, importante considerando que o período está cada vez mais curto.

Foto: Divulgação / Case IH

Isso tudo garantiu uma economia de 32% no consumo de combustível graças ao acompanhamento em tempo real de toda a frota que, entre diversos benefícios, proporcionou redução do tempo de motor ocioso e melhor uso do maquinário.  

A gestão integrada também impactou positivamente nas despesas gerais. Houve redução de 7% no custo por hectare, uma economia total de mais de R$ 1 mi, em relação ao início do projeto, com impacto significativo em redução de insumos com uso de tecnologia e tomada de decisão baseada em dados gerados em tempo real.

“A safra 22/23 foi a primeira que apresentamos o impacto da conectividade no campo e esses novos dados de crescimento mostram a evolução na rotina da fazenda, principalmente no monitoramento diário de indicadores conectados à operação e na gestão de equipe, com capacitação e desenvolvimento de plano de carreira alinhado aos resultados”, explica Conde.

Sobre a Fazenda Conectada Case IH

Lançada em 2021, a Fazenda Conectada recebeu o projeto 4G TIM no Campo, que permitiu reunir todas as soluções avançadas da Case IH e transformar a fazenda em um verdadeiro laboratório de Agricultura Digital. O objetivo é demonstrar como a conectividade pode aumentar a produtividade no campo, mesmo em uma região que já apresenta alto rendimento safra após safra.

As duas antenas instaladas para o projeto facilitaram o dia a dia de mais de 25 mil habitantes de Água Boa, com sinal de internet para mais de 27 escolas e universidades, além de 10 hospitais e unidades de saúde que não possuíam acesso à rede 4G, mostrando que levar conectividade ao campo também promove benefícios para toda a sociedade do entorno.

Para os próximos ciclos, estão previstos a implantação de novas tecnologias, como o drones de aplicação, a tecnologia de pulverização seletiva SaveFarm, e outras soluções que reforçam o posicionamento da Case IH como líder em inovação no agronegócio.

Estudo mostra como reduzir a pegada de carbono na produção de trigo

Um estudo realizado pela Embrapa revelou que o trigo produzido no Brasil tem uma pegada de carbono menor que a média mundial e indicou caminhos concretos para reduzir ainda mais as emissões de gases de efeito estufa. A análise, feita em lavouras e indústria moageira do Sudeste do Paraná, apontou que a adoção de práticas sustentáveis e tecnologias já disponíveis pode diminuir em até 38% o impacto ambiental da produção de trigo no País.

Publicada no periódico científico Journal of Cleaner Production, a pesquisa é a primeira na América do Sul a estimar a pegada de carbono do trigo desde o cultivo até a produção de farinha. Também foi o primeiro estudo do tipo nessa cultura em ambiente subtropical. O índice médio brasileiro ficou em 0,50 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) por quilo de trigo produzido — abaixo da média global, estimada em 0,59 kg.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores avaliaram 61 propriedades rurais na safra 2023/2024, além de acompanhar todo o processo industrial em uma moageira paranaense. O levantamento detalhou desde o uso de fertilizantes e defensivos agrícolas até o transporte dos grãos, secagem, moagem e transformação dos grãos em farinha.

Fertilizantes nitrogenados são principais emissores de CO2

A pesquisa apontou os fertilizantes como o principal fator de pegada de carbono na triticultura. O maior impacto está na emissão de óxido nitroso (N₂O) gerado durante a aplicação de ureia, fertilizante capaz de emitir 40% dos gases de efeito estufa envolvidos na produção de trigo. A ureia é o principal fertilizante utilizado no trigo devido ao menor custo por unidade de nutriente dentre os adubos nitrogenados disponíveis no mercado. Segundo a pesquisa, a substituição desse fertilizante pelo nitrato de amônio com calcário (CAN) pode reduzir a emissão de carbono em 4%, minimizando significativamente os impactos ambientais.

A acidificação do solo, uma das categorias com maior impacto ambiental, também pode ser mitigada pela substituição da ureia pelo CAN. “Quando a ureia não é totalmente absorvida pelas plantas ou é lixiviada como nitrato, ocorrem reações que liberam íons de hidrônio, aumentando a acidez do solo. Em contrapartida, fertilizantes à base de CAN ajudam a neutralizar esse efeito devido ao seu conteúdo de cálcio”, explica a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP) Marília Folegatti. Segundo ela, outras tecnologias também devem ser consideradas para reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos e minimizar impactos ambientais, como biofertilizantes, biopesticidas, fertilizantes de liberação lenta e nanofertilizantes. Ela lembra que a pesquisa avança na produção de ureia verde e nitrato de amônio a partir de fontes de energia renováveis.

Foto: Luiz Magnante

A pesquisadora da Embrapa Agroindústria Tropical (CE) Maria Cléa Brito de Figueiredo lembra que o uso de fertilizantes nitrogenados é também o maior emissor de gases de efeito estufa em outras culturas com pegada de carbono e hídrica analisadas pela Embrapa, como as fruteiras tropicais, em especial, manga, melão e coco verde. “Além disso, a produção de fertilizantes sintéticos gera metais pesados que contribuem para a contaminação do solo, podendo afetar a qualidade dos alimentos, a saúde humana e os ecossistemas”, alerta a cientista.

A pesquisa também aponta que a adoção de cultivares de trigo mais produtivas pode reduzir os impactos ambientais no campo, já que ação promove maior rendimento com menos recursos, como terra e água. O estudo ressalta ainda a importância de considerar outros fatores ambientais, como biodiversidade e saúde do solo. Futuros estudos que integrem esses aspectos poderão oferecer uma visão mais abrangente sobre a sustentabilidade da produção de trigo em regiões tropicais e subtropicais.

Venezuela exporta ureia ao Brasil, mas tem pouca relevância no mercado global

As recentes tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Venezuela reacenderam a atenção do mercado internacional para possíveis impactos sobre a cadeia global de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, informa a StoneX, empresa global de serviços financeiros. No entanto, a Venezuela tem participação limitada no comércio global de ureia, o que reduz o potencial de efeitos estruturais sobre preços e oferta mundial.

De acordo com o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, é comum que grandes produtores de petróleo também tenham relevância na produção de fertilizantes nitrogenados, já que o gás natural — insumo essencial para a fabricação de nitrogenados — está ligado à exploração do petróleo. “Rússia, Argélia, Irã e Catar são exemplos dessa correlação. No caso da Venezuela, apesar de ser uma grande produtora de petróleo, sua presença no mercado global de ureia é bastante modesta”, explica.

Em 2024, a Venezuela ocupou a 18ª posição entre os maiores exportadores globais de ureia, com pouco mais de 560 mil toneladas embarcadas, o equivalente a cerca de 1% das exportações mundiais. Para efeito de comparação, a Rússia respondeu por aproximadamente 18% do comércio global do produto no mesmo período.

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Fornecimento ao Brasil existe, mas não é determinante

Embora tenha baixa relevância global, a Venezuela aparece como fornecedora de ureia para o Brasil. Em 2024, cerca de 6% da ureia importada pelo país teve origem venezuelana. Entre janeiro e novembro de 2025, essa participação recuou levemente, ficando abaixo de 5%.

Os principais parceiros comerciais do Brasil nas importações de ureia em 2025 seguem sendo Nigéria (23%), Rússia (16%) e Catar (15%), o que reforça a diversificação das origens e reduz a dependência de um único fornecedor.

“Até o momento, não há indícios de impactos diretos sobre a capacidade produtiva ou exportadora de fertilizantes da Venezuela”, realça Pernías. “O que o mercado observa, por ora, são pressões pontuais nos custos logísticos, com relatos de fretes marítimos mais elevados em função do aumento das incertezas na região”, conclui.

Crise na Venezuela: impasse político pode encarecer diesel e fertilizantes no Brasil

A atual instabilidade política e social na Venezuela ultrapassa as questões diplomáticas e atinge um ponto sensível da economia global: o mercado de energia. Detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela ocupa uma posição estratégica que, em momentos de incerteza, gera ondas de volatilidade nos preços internacionais do barril tipo Brent. Para o agronegócio brasileiro, esse cenário não é apenas uma notícia de política externa, mas um fator determinante para o custo de produção da safra 2026. A interrupção ou o endurecimento de sanções contra o país vizinho pode restringir a oferta global, pressionando os preços dos combustíveis e, por consequência, inflacionando toda a cadeia produtiva de alimentos.

Segundo Francisco Monaldi, diretor do Programa de Energia da América Latina no Baker Institute e especialista no setor venezuelano, a produção do país depende criticamente de licenças de operação e estabilidade institucional. Ele alerta que, caso o cenário político leve a um novo isolamento econômico de Caracas por parte das potências ocidentais, o mercado verá uma redução na oferta projetada, o que tende a encarecer o petróleo em um momento de demanda global já bastante apertada. “Se o cenário político levar a um endurecimento das sanções americanas, teremos menos oferta global, o que pressiona os preços para cima em um momento de demanda já apertada”, afirma. Esse aumento atinge o Brasil de forma direta, uma vez que o diesel é o principal combustível utilizado no transporte de grãos e na operação de maquinários agrícolas, elevando o custo do frete e o preço final dos insumos que chegam às fazendas.

Além do impacto direto nos combustíveis, a crise venezuelana afeta indiretamente o mercado de fertilizantes, um dos pilares do agronegócio nacional. A produção de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, é altamente dependente do gás natural, cujos preços costumam acompanhar a tendência de alta do petróleo. Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), reforça que a geopolítica voltou a ser o principal motor de incerteza nos mercados de commodities. Com a energia mais cara, o custo de importação de fertilizantes para culturas como milho e soja sobe, reduzindo a margem de lucro do produtor e gerando uma pressão inflacionária que acaba sendo sentida pelo consumidor no supermercado.

A incerteza regional também provoca reflexos no mercado de câmbio. Momentos de tensão política na América Latina tendem a afastar investidores estrangeiros, o que frequentemente resulta na valorização do dólar frente ao real. Como boa parte dos defensivos agrícolas e sementes é precificada na moeda americana, o produtor brasileiro se vê diante de um duplo desafio: o encarecimento logístico e a alta dos insumos importados. Nesse contexto, a crise na Venezuela atua como um catalisador de riscos econômicos, exigindo que o agronegócio brasileiro adote estratégias de gestão cada vez mais rigorosas para mitigar a volatilidade externa e garantir a segurança alimentar e a rentabilidade do setor.

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O dilema da Petrobras: entre o mercado global e o custo interno

No cenário brasileiro, a grande questão é como a Petrobras reagirá a essa pressão externa. Mesmo com o fim da Política de Paridade Internacional (PPI) estrita, o preço do petróleo tipo Brent continua sendo um componente inevitável no cálculo dos custos da companhia. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), destaca que a Petrobras vive um equilíbrio delicado quando o cenário geopolítico se agrava. Segundo ele, embora a estatal busque amortecer a volatilidade internacional para evitar repasses imediatos ao consumidor, a realidade é que o Brasil ainda importa cerca de 20% a 25% do diesel que consome.

“Se o preço do barril dispara devido à crise na Venezuela ou no Oriente Médio, e a Petrobras segura os preços por muito tempo para evitar a inflação, cria-se uma defasagem perigosa que prejudica a capacidade de investimento da própria empresa e afasta os importadores privados, o que pode até gerar riscos de desabastecimento em períodos de safra”, explica Pires.

Dessa forma, o impacto para o produtor rural acaba sendo uma via de mão dupla. De um lado, há o risco de aumentos escalonados no preço do diesel na bomba; do outro, há a incerteza sobre a estabilidade da oferta, caso a janela de importação seja fechada por uma disparidade muito grande entre o preço interno e o praticado lá fora. Para o agronegócio, essa “conta” da Petrobras é o que define se o custo logístico da colheita será suportável ou se consumirá a rentabilidade do ano.

CNPJ passa a ser obrigatório para produtores rurais em todo Brasil em 2026

A partir de 2026, todos os produtores rurais do Brasil, pessoa física ou jurídica, passarão a ter CNPJ obrigatório para o exercício de suas atividades. A medida faz parte das mudanças previstas na Reforma Tributária e uniformiza uma exigência que, até então, era realidade principalmente em estados como São Paulo. A alteração vai além de uma formalidade cadastral e terá impactos diretos na emissão de notas fiscais e no enquadramento do produtor rural frente aos novos tributos, que entram em fase de testes em 2026 e passam a valer de forma definitiva a partir de 2027.

A advogada Viviane Morales, diretora administrativa da Lastro, explica que a obrigatoriedade do CNPJ para o produtor rural será nacional. “Quem ainda utilizava apenas o CPF precisará se adaptar, e essa adaptação deve ser feita com planejamento, porque o CNPJ será a base de toda a vida fiscal do produtor nos próximos anos”, alerta.

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Com a reforma tributária, o produtor rural continuará obrigado a emitir nota fiscal, mas passará por um período de transição em 2026, quando muitos ainda estarão emitindo documentos com CPF até a migração definitiva para o CNPJ. Sendo assim, a recomendação é antecipar esse movimento para evitar inconsistências cadastrais. Além disso, a Receita Federal adotará o chamado CNPJ alfanumérico, que combina letras e números. A mudança técnica será necessária diante do aumento expressivo no número de registros, especialmente entre produtores que nunca tiveram CNPJ. Para produtores rurais do estado de São Paulo, a exigência não é novidade. No entanto, aqueles que possuem propriedades em outros estados precisam redobrar a atenção, como explica o advogado Gustavo Venâncio, diretor comercial e de marketing da Lastro. “Produtores paulistas com fazendas fora do estado precisarão estruturar esses CNPJs como filiais, mantendo a mesma composição societária. Um erro nesse processo pode gerar problemas fiscais”, pontua o advogado.

Por isso, é fundamental que o produtor rural organize desde já sua documentação; avalie a estrutura correta do CNPJ, principalmente em casos de propriedades em mais de um estado; evite abrir cadastros sem orientação técnica e entenda como o novo CNPJ impactará sua tributação a partir de 2027. “O produtor rural precisa enxergar o CNPJ não como uma obrigação isolada, mas como uma peça-chave para sua segurança tributária nos próximos anos. Fazer isso da forma correta agora é o que vai garantir tranquilidade no futuro”, conclui Venâncio.

É fundamental ainda reforçar que o ano de 2026 será um período de teste da Reforma Tributária e, segundo Viviane Morales é importante que o produtor rural entenda que é também um ano decisivo para organização interna e adaptação às mudanças. “Quem entrar nesse processo sem planejamento corre o risco de enfrentar problemas fiscais no futuro. Informação e orientação especializada serão fundamentais”, reforça a especialista.

Agronegócio 2026: novas regras e desafios para os produtores rurais

O início de 2026 traz mudanças significativas para o agronegócio brasileiro. Novas regras tributárias, ambientais e de contratação estão em vigor, e os produtores rurais precisam estar preparados para evitar multas, perda de crédito e contratos anulados.

A partir de janeiro, a Receita Federal intensificará as autuações relacionadas ao Funrural, especialmente após decisões recentes que reforçaram o entendimento sobre obrigações retroativas. Isso significa que milhares de produtores rurais estão sob risco de autuações retroativas.

Além disso, as mudanças nas regras de contratos rurais de compra futura e arrendamento exigem revisão urgente para evitar cláusulas abusivas. A digitalização de processos, como CNDs e notas fiscais, também exige organização imediata para evitar bloqueios e atrasos.

A conformidade ambiental e fiscal é fundamental para acessar crédito rural. Quem não comprovar regularidade contábil pode ter o financiamento suspenso. É necessário que os produtores rurais busquem orientação especializada para se adaptar às novas regras e evitar problemas. O campo não tem mais espaço para improviso.

Segundo Adriano de Almeida, advogado tributarista e especialista em direito agrário, o início do ano deve ser marcado por um movimento de revisão urgente de contratos e obrigações fiscais. “Será um divisor de águas para quem ainda não adaptou a gestão financeira e documental da propriedade às novas exigências legais”, afirma o sócio do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados.

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