Crescimento do consórcio rural impulsiona compra de máquinas e expansão no agronegócio

O consórcio rural vem ganhando força como uma das principais alternativas de financiamento para produtores que desejam investir na modernização do campo sem recorrer ao crédito tradicional. A modalidade, que oferece menor custo e mais previsibilidade, tem atraído especialmente pequenos e médios agricultores interessados em ampliar a produção e renovar o maquinário.

Para Cléber Gomes, CEO e sócio fundador da Maestria, empresa especializada em consórcios e produtos financeiros, o avanço do consórcio rural reflete uma mudança no perfil do produtor e na forma de planejar os investimentos no agronegócio. “Essa alta se dá exatamente porque quem compra pelo banco, têm até 60 meses para pagar. No consórcio, o pagamento pode ser feito em até 180 meses, ou seja, 15 anos para pagar. É por isso que cada vez mais pessoas do campo têm buscado  essa modalidade, ainda mais em um momento em que o crédito está caro e difícil de obter”, explica o especialista.

De acordo com dados divulgados em novembro pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o consórcio de máquinas agrícolas passou a representar 51% do total de consorciados de veículos pesados, ultrapassando caminhões (41%) e outros equipamentos (8%). Entre os consorciados contemplados, 91,6% adquiriram máquinas novas, sendo os tratores os mais procurados. O estudo mostra ainda que 67% dos participantes são pessoas físicas e 45% têm mais de 45 anos, o que evidencia a adesão crescente de produtores já consolidados no setor.

O levantamento aponta que o consórcio rural tem atraído principalmente pessoas físicas (67%). Cerca de 90% dos consorciados ativos estão no campo, atuando em propriedades de diferentes portes e cultivando, sobretudo, soja, milho e arroz. Nos primeiros oito meses do ano, o Centro-Oeste concentrou o maior volume de cotas de máquinas agrícolas vendidas, seguido por Sudeste e Sul.

Foto: Frimufilms / Freepik

“Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás são as regiões com a maior aquisição de máquinas e procura por cotas no consórcio. O produtor rural está cada vez mais consciente da importância do planejamento financeiro e da gestão do fluxo de caixa. Essa modalidade permite que ele programe a compra de um trator, colheitadeira ou implemento sem precisar se endividar com juros altos, o que garante mais previsibilidade e segurança para o negócio”, afirma o CEO de Maestria.

Com o setor agrícola cada vez mais dependente de tecnologia e eficiência, o consórcio rural desponta como uma alternativa sólida para financiar o crescimento de forma planejada e sustentável, conectando o campo à inovação financeira. O executivo ressalta que o modelo se destaca também como ferramenta de gestão de patrimônio.

“Muitos produtores têm usado o consórcio como uma forma de poupança programada, que, além de proteger o capital, viabiliza a expansão da produção com custos menores. É uma estratégia inteligente de modernização e sustentabilidade financeira no agronegócio”, completa Gomes.

COP30: Pacote de Belém inclui 29 documentos aprovados na Cúpula do Clima

com informações da Agência Brasil

Depois de 13 dias de negociação, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) terminou, em Belém, com alguns avanços e discussões que prosseguirão pelos próximos meses. Foram aprovados 29 documentos, de forma unânime, pelos 195 países que participaram do encontro na capital paraense. Esse conjunto de textos ficou conhecido como Pacote de Belém, e está publicado no site da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, da sigla em inglês), âmbito sob o qual se realizam as edições da COP.

De acordo com a presidência brasileira da conferência, as 29 decisões incluem avanços em temas como transição justa, financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia. Entre as maiores conquistas da COP30, está o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Por outro lado, o Mapa do Caminho para afastamento da economia dependente de combustíveis fósseis, uma das prioridades do governo brasileiro, não entrou na lista de consensos.

Veja algumas decisões resultantes da COP30:

Fundo Florestas Tropicais para Sempre – O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, do inglês Tropical Forest Forever Facility) cria uma forma inédita de pagamento para que países mantenham as florestas tropicais em pé. Países que preservam as florestas tropicais serão recompensados financeiramente por meio de um fundo de investimento global. Ao menos 63 países já endossaram ideia. O fundo já mobilizou, segundo a presidência da COP30, US$ 6,7 bilhões.

O dinheiro não é uma doação. A proposta é que os investidores recuperem os recursos investidos, com remuneração compatível com as taxas médias de mercado, ao mesmo tempo em que contribuem para a preservação florestal e a redução de emissões de carbono. A ideia é que as florestas sejam vistas como fonte de desenvolvimento social e econômico.

Financiamento – Os países incluíram no Pacote de Belém o compromisso de triplicar o financiamento da adaptação às mudanças climáticas até 2035 e a ênfase na necessidade de os países desenvolvidos aumentarem o financiamento para nações em desenvolvimento. O documento Mutirão, classificado pela presidência brasileira da COP30 como um “método contínuo de mobilização que começa antes, atravessa e segue além da COP30”, cita a ampliação do financiamento para os países em desenvolvimento para ação climática, de todas as fontes públicas e privadas, para pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.

122 países com NDC – A COP termina com 122 países tendo apresentado Contribuições Nacionalmente Determinada, conhecidas nas discussões como NDC, sigla em inglês para Nationally Determined Contributions. NDC são as metas e os compromissos assumidos pelas partes para a redução de emissões de gases do efeito estufa. Os países devem apresentar a cada cinco anos uma nova versão de NDC, com as ambições atualizadas em relação ao Acordo Paris. O Acordo de Paris, lançado na COP21, em 2015, reúne ações globais em resposta à ameaça da mudança climática, como a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Meta Global de Adaptação – A COP30 recebeu 59 indicadores voluntários para monitorar o progresso sob a Meta Global de Adaptação. São indicadores que envolvem setores como água, alimentação, saúde, ecossistemas, infraestrutura e meios de subsistência. Todos integram questões transversais como finanças, tecnologia e capacitação.

Frustração

Um dos principais pontos de frustração de representantes da sociedade civil, já no rascunho divulgado nesta sexta-feira, foi a ausência do mapa do caminho para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, os principais responsáveis pelas emissões dos gases que causam o aquecimento global.

O governo brasileiro insistiu na aprovação de um texto que abordasse alguma proposta de cronograma de implementação dessa transição energética, o que acabou não se concretizando. “Não houve menção a combustíveis fósseis, e muito menos qualquer menção a mapa do caminho, conforme estava previsto e havia aparecido nos rascunhos de decisões anteriores. O processo foi estressante até aqui, mas gerou algumas reações políticas importantíssimas, como a adesão de mais de 80 países à proposta do mapa do caminho e gerou uma proposta da Colômbia de realizar COP paralela para discutir o fim do uso dos combustíveis fósseis”, disse Ciro Brito, analista de políticas climáticas do Instituto Socioambiental.

COP30: agenda proposta pelo agro brasileiro é legado, avalia ABAG

O agronegócio brasileiro teve uma participação intensa ao longo da COP 30, que terminou no último sábado (22/11), em Belém (PA). Na avaliação da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a agenda de ações propostas reiterou ao mundo como o Brasil tem investido para uma produção de alimentos, fibras e bioenergia cada vez mais sustentável e com baixa emissão de carbono, com o uso de ciência, tecnologia e inovação.

“A apresentação de cases, de pesquisas e da realidade no campo mostrou os motivos pelos quais a agricultura brasileira é sustentável e, ao mesmo tempo, possui índices elevados de produtividade, desmitificando conceitos frequentemente distorcidos sobre a atividade. Certamente, este é um dos legados desta Conferência”, afirmou Giuliano Alves, gerente de Sustentabilidade e Projetos da ABAG.   

A AgriZone, estrutura montada pela Embrapa, juntamente com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a parceria de entidades setoriais, teve um papel estratégico ao possibilitar que negociadores internacionais pudessem conhecer a importância da agricultura tropical na mitigação e adaptação das mudanças climáticas. “Esse trabalho fará a diferença nas próximas Conferências”, pondera Alves.

Green Zone na COP30 (Foto: Foto: Bruno Peres / Agência Brasil)

COP30: tecnologia ganha papel estratégico na luta global contra a crise climática

Venturus, centro de ciência e tecnologia brasileiro, participou do painel “Tecnologias Emergentes para o Clima” durante a COP30, em Belém. O debate reuniu especialistas de instituições internacionais como o Geneva Science and Diplomacy Anticipator, a Université de Sherbrooke e o Open Quantum Institute para discutir os impactos sociais, éticos e ambientais das novas fronteiras tecnológicas.

“Os países que possuem florestas tropicais estão apostando na sua proteção como forma de gerar benefícios. No entanto, é importante entender que quem realmente conseguirá viabilizar essa proteção são as nações com maior poder econômico. Isso mostra que preservar é uma responsabilidade global, que exige ação conjunta. A crise climática não é algo do futuro, ela já está acontecendo, e precisamos agir agora”, destacou Daniel Haro, Head de Tecnologias Emergentes no Venturus.

O painel abordou temas como o uso da inteligência artificial, da computação quântica e das biotecnologias no enfrentamento da crise climática, questionando como esses avanços podem ser aplicados de forma ética e equitativa. Para Haro, o desafio não está apenas em desenvolver tecnologias de ponta, mas em assegurar que elas contribuam de maneira concreta para a sustentabilidade. 

O representante do Venturus também ressaltou o papel do setor tecnológico como agente ativo na construção de soluções integradas. “A nossa ação vai além da preservação. Quando unimos agricultura, tecnologia, transporte, eficiência e políticas públicas mais sustentáveis, damos passos concretos em direção a uma solução real para a crise climática”, completou.

Exportações chinesas de MAP e DAP caem ao menor nível em anos e pressionam o mercado global

As exportações chinesas dos fertilizantes MAP (fosfato monoamônico) e DAP (fosfato diamônico) recuaram aos patamares mais baixos dos últimos anos, segundo a StoneX, empresa global de serviços financeiros. Entre janeiro e setembro de 2025, a China embarcou 3,7 milhões de toneladas desses fosfatados, volume 23% inferior ao registrado no mesmo período de 2024. A queda ocorre em um momento de maior rigor no controle das vendas externas pelo governo chinês, prática comum antes da alta temporada doméstica, mas que neste ciclo se mostra mais restritiva. 

Segundo o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, os dados confirmam que o país asiático está reduzindo de forma mais agressiva sua oferta ao exterior. “A China já costuma limitar exportações para proteger o abastecimento interno, mas em 2025 a intensidade das restrições supera a de anos anteriores, o que tem aumentado a preocupação dos compradores internacionais”, afirma. 

A relevância do país para o comércio global reforça o alerta. Estimativas indicam que, em 2024, cerca de 16% das exportações mundiais de MAP, fertilizante que também é amplamente utilizado no Brasil, tiveram origem chinesa. Ao lado de Marrocos, Rússia e Arábia Saudita, o país figura entre os principais fornecedores internacionais. A redução de sua participação cria tensões adicionais aos importadores, especialmente aos mais dependentes desses fluxos.

Impacto no Brasil 

No caso brasileiro, o impacto é indireto, já que apenas 4% do MAP importado pelo Brasil em 2024 teve origem da China, sendo a maior parte proveniente da Rússia, Arábia Saudita e do Marrocos. Ainda assim, quando a China restringe as vendas externas, a demanda global se redireciona para outros fornecedores, aumentando a disputa por cargas e elevando a competitividade entre mercados. 

“Quando os volumes chineses desaparecem do mercado, compradores de diferentes regiões passam a buscar os mesmos fornecedores. Essa mudança repentina pressiona preços e reduz a previsibilidade das negociações”, observa Pernías. 

O Brasil também atravessa um período de menor importação de MAP em 2025, reflexo dos preços elevados da matéria-prima e das relações de troca pouco favoráveis nos últimos meses. Nesse cenário, produtores brasileiros aumentaram as compras de SSP (superfosfato simples), fertilizante menos concentrado que, em vários momentos, ofereceu melhor relação de custo-benefício. 

Entre janeiro e setembro de 2025, a China embarcou 3,7 milhões de toneladas de fertilizantes MAP e DAP, volume 23% inferior ao registrado no mesmo período de 2024 (Foto: Pixabay / Pexels.com)

EUA reduzem tarifas para café, laranja, carne bovina e outros produtos

A Casa Branca emitiu um decreto do presidente Donald Trump para isentar determinados produtos agrícolas de tarifas recíprocas, que estão em vigor desde abril. De acordo com nota, entre os produtos que deixarão de estar sujeitos às tarifas recíprocas estão: café e chá; frutas tropicais e sucos de frutas; cacau e especiarias; bananas, laranjas e tomates; carne bovina; e fertilizantes adicionais (alguns fertilizantes nunca foram sujeitos às tarifas recíprocas).

Para os países latino-americanos, essa tarifa estava em 10%. No entanto, como a alíquota adicional de 40% aplicada em julho aos produtos brasileiros continua em vigor, tarifas sobre itens como café, carne bovina, frutas e castanhas caíram de 50% para 40%.

Alckmin: corte é positivo, mas distorções persistem

A decisão dos Estados Unidos de reduzir tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios é “positiva” e representa “um passo na direção correta”, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Ele, no entanto, destacou que a permanência da sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente ao Brasil, cria distorções e continua um obstáculo relevante para as exportações nacionais.

Entidades apontam que sobretaxa de 40% continua a ser entrave

Apesar de indicar a disposição para negociações por parte dos Estados Unidos, a retirada da tarifa de 10% para 238 produtos traz apenas pequeno alívio para a maioria dos setores. Segundo a maior parte das entidades dos setores afetados pelo tarifaço, o principal entrave permanece: a sobretaxa adicional de 40% imposta no fim de julho pelo governo Donald Trump.

A medida beneficia diretamente 80 itens que o Brasil vende aos Estados Unidos, mas a sobretaxa de 40% continua a afetar a maior parte dos produtos brasileiros. Na avaliação das entidades, o Brasil precisará intensificar o diálogo diplomático para buscar a eliminação completa das tarifas extras e restaurar condições de competitividade no mercado norte-americano.

Apenas quatro produtos passam a ter isenção completa de tarifas para os Estados Unidos: três tipos de suco de laranja e a castanha-do-pará. Os outros 76 continuam sujeitos à tarifa de 40%, entre os quais cafés não torrados, cortes de carne bovina, frutas e hortaliças.

Indústria

As entidades industriais brasileiras avaliaram a medida como um gesto positivo, mas insuficiente. Segundo análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os 80 itens beneficiados pela suspensão da tarifa de 10% representaram US$ 4,6 bilhões em exportações em 2024, cerca de 11% do total enviado pelo Brasil aos EUA. A CNI afirma que a manutenção da sobretaxa de 40% mantém o Brasil em desvantagem frente a concorrentes que não enfrentam as mesmas barreiras. A entidade reforça a urgência no avanço das negociações.

Carne

Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) teve a reação mais favorável, destacando o retorno de previsibilidade ao comércio bilateral. Em nota, a associação afirmou que a redução “reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países”. Segundo a entidade, a tarifação sobre carne bovina brasileira caiu de 76,4% para 66,4%, com a retirada da tarifa global de 10%. Antes do governo de Donald Trump, os Estados Unidos taxavam o produto em 26,4%.

Café

O setor cafeeiro mantém cautela e aguarda esclarecimentos sobre o alcance da redução. Em nota, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) considera necessária uma análise técnica adicional. Produtor de metade do café tipo arábicas do planeta, o Brasil fornece cerca de um terço dos grãos aos Estados Unidos. No caso brasileiro, a concorrência com outros grandes exportadores de café representa o principal obstáculo. A tarifa estadunidense para os grãos brasileiros caiu de 50% para 40%, mas as tarifas foram zeradas para o produto colombiano e praticamente zeradas para o café vietnamita.

Especial COP30 – Crédito de carbono no agro: oportunidades e desafios dos investimentos verdes em 2025

por Jayme Vasconcellos*

O alinhamento do agronegócio brasileiro com a pauta ESG não é mais uma opção, mas uma condição de mercado, e os investimentos verdes se tornaram o principal termômetro dessa transformação. No centro das discussões financeiras está o mercado de crédito de carbono, que em 2025 ganhou força com a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).

O crédito de carbono surge como o instrumento econômico mais tangível para monetizar a sustentabilidade. Práticas como o Plantio Direto, a conservação de Reservas Legais e o manejo regenerativo de pastagens se tornam elegíveis para gerar valor financeiro, proporcionando uma nova fonte de receita adicional para o produtor. “A regulamentação posiciona o Brasil como um mercado confiável, mas exige um esforço significativo das empresas para cumprir as normas”, alertou recentemente Jeronimo Roveda, diretor de Relações Internacionais da Carbonext.

A expectativa é que o financiamento verde — que inclui linhas do Plano Safra e fundos privados focados em impacto — continue crescendo, priorizando quem adota modelos sustentáveis. A realização da COP30 na Amazônia, um símbolo global, deve catalisar a atração de capital estrangeiro para projetos baseados em soluções naturais (Nature-based Solutions), reforçando o Brasil não apenas como um fornecedor de alimentos, mas como um agente de transformação ambiental e social.

Foto: Atlantic Ambience / Pexels.com

A necessidade de capital é imensa. Apenas para cumprir as metas de descarbonização do setor até 2050, estudos indicam que o custo pode chegar a US$ 170 bilhões, um valor que transcende a capacidade de investimento público. Isso solidifica a urgência em atrair o capital privado global e em desenvolver novos instrumentos financeiros, como os títulos verdes (Green Bonds) focados especificamente em projetos agropecuários de baixa emissão. O desafio é mitigar os riscos e garantir a governança necessária para que esses fluxos de capital sejam estáveis e previsíveis.

Outro ponto crucial é a correlação entre os investimentos e a rastreabilidade da cadeia produtiva. Com a entrada em vigor de legislações como o regulamento antidesmatamento da União Europeia, todo o investimento feito em terras brasileiras precisa estar atrelado à comprovação da origem e da conformidade socioambiental. Assim, o financiamento verde não é apenas sobre dinheiro, mas sobre o uso de tecnologia e blockchain para assegurar a transparência total do grão à mesa, consolidando a credibilidade do agro brasileiro nos mercados internacionais mais exigentes.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

Especial COP30 – Descarbonização: como o agro transforma emissões em oportunidades financeiras

por Jayme Vasconcellos*

A agenda climática global tem um custo, mas para o agronegócio brasileiro, ela representa, acima de tudo, uma nova fonte de valor. A necessidade de descarbonizar o campo está se convertendo em um motor de inovação e atração de investimentos verdes, redefinindo o conceito de sustentabilidade como um ativo econômico.

Um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) estimou que a adoção de práticas sustentáveis no agro – como biocombustíveis, bioinsumos, Plantio Direto e terminação intensiva de gado – pode adicionar até R$ 94,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até o final desta década. Essa projeção demonstra que a sustentabilidade é um vetor de crescimento, e não um obstáculo, transformando o risco climático em vantagem competitiva.

A chave está na valoração do esforço produtivo. Conforme mencionado por especialistas do setor, ao precificar oficialmente as emissões e reconhecer o sequestro de carbono no campo, o agronegócio passa a capturar valor financeiro por práticas já adotadas. O Plano Safra 2024/2025, ao destinar um volume robusto de recursos com incentivos à sustentabilidade, já sinaliza a prioridade do governo em financiar essa transição. A mensagem é de impacto duplo, como resume a fala de um executivo do setor: “É dinheiro no bolso do produtor, é um faturamento maior e mais arrecadação”.

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels.com

A concretização dessas oportunidades, no entanto, depende de um esforço conjunto para superar o gargalo do financiamento. Embora o Plano Safra seja essencial, especialistas apontam que ele só aporta cerca de 40% dos recursos anuais necessários para a ampla descarbonização da agropecuária. É fundamental, portanto, que o setor privado e o capital internacional preencham essa lacuna, aproveitando a segurança regulatória que está sendo estabelecida, especialmente com o avanço do mercado de carbono. A escala do agronegócio brasileiro exige que se crie um ambiente propício para que a infraestrutura financeira acompanhe o ritmo da inovação tecnológica no campo.

Além do financiamento, a questão da certificação e da rastreabilidade ganha peso. As novas regulamentações internacionais, como a legislação antidesmatamento da União Europeia, transformam a origem da produção em um diferencial de mercado. O produtor que conseguir provar a adoção de boas práticas, aliada ao desmatamento zero, terá acesso facilitado a mercados premium e a linhas de crédito verde com taxas mais atrativas. Assim, a agenda de descarbonização força o Brasil a elevar seus padrões de transparência e governança, garantindo o protagonismo global não apenas em volume, mas também em qualidade socioambiental.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

Cevada brasileira caminha para safra recorde impulsionada por manejo eficiente

A colheita da cevada brasileira já está em andamento e as projeções indicam mais uma safra histórica em 2025. As condições climáticas favoráveis, desenvolvimento genético e os avanços no manejo, especialmente no controle de plantas daninhas, e o fortalecimento das cooperativas consolidam o Paraná como o principal polo do cultivo. De acordo com estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), a produção deve atingir 423 mil toneladas, volume 43% superior às 296 mil toneladas colhidas em 2024, o que confirma a tendência de crescimento expressivo no Estado nos últimos anos. A área cultivada também aumentou 20%, alcançando 96,9 mil hectares, ante os 80,5 mil hectares registrados em 2024. Outro destaque é a produtividade medida de 4.600 kg por hectare, o que representa 35% da produção nacional de malte.

Na cevada destinada à maltagem, a qualidade do cereal é determinante para definir uma boa safra. O grão deve apresentar germinação acima de 92%, umidade máxima de 13%, teor proteico entre 9% e 12% e até 5% de grãos avariados.

Segundo o engenheiro agrônomo e gerente Comercial Distrital da IHARA, Alesandro Pagnoncelli, o avanço da cevada representa uma conquista para o agronegócio brasileiro. “A cultura é hoje uma alternativa rentável e estratégica para o produtor, especialmente em sistemas diversificados, com alto potencial de retorno e sustentabilidade agronômica”, explica Pagnoncelli.

Apesar desse otimismo, o setor ainda enfrenta desafios agronômicos. Um dos principais é o controle do azevém (Lolium multiflorum), planta daninha que afeta diretamente a produtividade e a qualidade dos grãos. “Estima-se que a perda de produtividade pode chegar a 14 kg para cada planta de azevém encontrada por metro quadrado. A preocupação aumenta pela dificuldade de controle e pelo potencial da planta em hospedar doenças. Quando não manejada adequadamente, pode comprometer culturas subsequentes e a qualidade do ciclo seguinte da cevada”, reforça o gerente Comercial Distrital da IHARA.

Estratégias devem ser adotadas para o próximo ciclo da cevada

Diante desse cenário e da crescente resistência às moléculas tradicionais, a IHARA conduziu, em parceria com a Cooperativa Agroindustrial Bom Jesus, um experimento de campo em Balsa Nova (PR) para avaliar diferentes estratégias de manejo, principalmente com herbicidas pré-emergentes. O estudo foi conduzido em lavouras infestadas por azevém, e os melhores resultados foram obtidos com YAMATO SC. Quando aplicado dois dias antes da semeadura, o produto apresentou a maior produtividade média de 133 sacas por hectare, 17 sacas a mais em comparação à área infestada, comprovando o impacto positivo do controle preventivo do azevém.

Testes realizados pela Fundação Agropecuária de Pesquisa Agrária (FAPA) também comprovaram a eficiência do YAMATO SC, que alcançou 100% de controle do azevém e apresentou baixo nível de fitotoxicidade, com aplicação um dia após a semeadura, superando os concorrentes.

Foto: IHARA / Divulgação

De acordo com o engenheiro agrônomo e administrador técnico de vendas da IHARA, Rodolfo Caetano Gomes, os resultados confirmam a importância de um manejo preventivo. “O uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato SC, é determinante para garantir o arranque da cultura no limpo. Esse início livre de matocompetição faz toda a diferença na formação do estande e no resultado final da lavoura”, afirma Gomes.

Inovação e manejo integrado elevam produtividade

Além do YAMATO SC, a IHARA também oferece soluções complementares que fortalecem o manejo integrado da cevada. O FUSÃO EC, fungicida preventivo de rápida absorção, oferece proteção eficiente contra manchas foliares e oídio, doenças que comprometem o vigor e a qualidade dos grãos.

“O uso combinado dessas tecnologias reduz o número de aplicações, amplia a eficiência do controle fitossanitário e gera ganhos diretos de produtividade e rentabilidade”, explica o engenheiro agrônomo João Marcos Fillwock, também administrador técnico de vendas da IHARA. Ele complementa ainda que a adoção de soluções modernas fortalece a cadeia da cevada cervejeira. “Essas tecnologias permitem que o produtor alcance patamares superiores de produtividade e qualidade, mantendo o agronegócio brasileiro competitivo frente aos desafios do campo”.

Melhoramento genético e o futuro da cultura

Os programas de melhoramento genético têm desempenhado papel essencial na expansão da cevada no Brasil. As novas cultivares vêm apresentando maior tolerância a doenças, além de melhor qualidade para malteação, favorecendo a expansão para novas regiões e o aumento da produtividade média nacional.

À medida que as cultivares nacionais evoluem, teremos uma cevada cada vez mais adaptada às condições brasileiras, com desempenho superior e menor dependência de importações. Para isso, é essencial também investir no tratamento de sementes, garantindo uma boa germinação e o desenvolvimento inicial da cultura. Nesse sentido, a IHARA oferece o Certeza N, produto com ação fungicida e nematicida que proporciona o controle simultâneo de doenças de solo, sementes e nematoides.

“Combinando pesquisa, manejo integrado e inovação tecnológica, a cevada se consolida como cultura estratégica para o agronegócio nacional, com alta qualidade, produtividade crescente e sustentabilidade”, destaca Pagnoncelli.

CNA encerra ciclo do Projeto Campo Futuro debatendo custos e previsibilidade no agronegócio

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, destacou a importância do Projeto Campo Futuro na geração de inteligência e previsibilidade de custos para os produtores rurais. A declaração ocorreu na abertura do evento “Benchmark Agro – Custos Agropecuários 2025”, que marcou o encerramento do ciclo da iniciativa.

O evento reuniu especialistas e lideranças do setor para debater a competitividade, desafios estratégicos e tendências globais do agro, como a colheita de grãos, biocombustíveis e gestão de custos.

Em um balanço do Campo Futuro em 2025, João Martins informou que o projeto alcançou mais de 1.500 produtores, realizando 147 levantamentos de custos de produção em 134 municípios, abrangendo 40 atividades agropecuárias em 21 Estados. “Números que mostram nosso esforço para entender as realidades regionais e apontar caminhos para maior eficiência técnica e financeira”, afirmou.

Safra, custos e pecuária

Ao analisar o cenário produtivo, João Martins apresentou perspectivas mistas: enquanto a safra de grãos 2024/2025 registrou uma produtividade recorde de 350,2 milhões de toneladas, favorecida por melhores condições climáticas, as primeiras estimativas para a safra 2025/2026 sinalizam um cenário de alerta para a soja, com uma redução projetada de 15% na margem bruta, principalmente devido ao aumento no preço dos insumos e a projeções climáticas menos favoráveis.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Em contrapartida, o mercado pecuário apresenta um panorama mais positivo, onde o aumento no abate de fêmeas, associado à forte demanda aquecida, tem sido suficiente para sustentar os preços da arroba do boi gordo, favorecendo, assim, os resultados econômicos dessa atividade.

O presidente da CNA enfatizou que o Sistema CNA/Senar concentra seus esforços em levar conhecimento, capacitação e gestão ao produtor, visando transformar produtividade em rentabilidade. Segundo ele, a evolução contínua do Campo Futuro, com análises detalhadas de custos e perspectivas de mercado, é uma ferramenta estratégica para o planejamento. “No mundo dinâmico e competitivo do agronegócio, prever cenários e tendências é crucial para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade no longo prazo”, concluiu Martins, reafirmando o compromisso da CNA com um setor mais preparado, inovador e resiliente.