A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima a estimativa de oferta total de algodão do Brasil para 3,74 milhões de toneladas em 2026, após a conclusão do plantio nas principais regiões produtoras. O novo cenário está diretamente ligado com o bom desenvolvimento das lavouras na Bahia e reforça a perspectiva de exportações consistentes ao longo do ano, mesmo diante de um início mais moderado no mercado externo.
De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Raphael Bulascoschi, o foco agora está nas condições climáticas. “Com o plantio do algodão já finalizado, o mercado passa a acompanhar o clima nas principais regiões produtoras e, nesse ponto, temos visto sinais divergentes”, realça.
Na Bahia, onde as lavouras estão em estágio mais avançado, o clima tem favorecido o desenvolvimento da safra. “Um bom regime climático tem ajudado a safra a se desenvolver de forma excelente, com expectativa de que vejamos níveis produtivos próximos ao do ano passado. O clima obviamente precisará seguir benéfico para concretizar esses níveis de rendimento”, destaca Bulascoschi.
Já no Mato Grosso, apesar dos elevados níveis hídricos, o excesso localizado de chuvas tem contribuído para o surgimento de doenças fúngicas nos estágios iniciais em algumas áreas. Ainda assim, devido à precocidade do ciclo, não houve revisão nas estimativas de produtividade do estado até o momento.
No balanço de oferta e demanda, o Brasil iniciou 2026 com menor dinamismo nas exportações. Ainda assim, a expectativa é de embarques consistentes ao longo do ano, especialmente se for confirmado um cenário de recuo produtivo nos Estados Unidos. A StoneX também chama atenção para o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Índia no mercado da pluma, movimento que pode ganhar relevância estratégica ao longo de 2026.
O cultivo de milho consorciado com capim é uma estratégia eficiente para otimizar o uso da área agrícola e gerar diversos ganhos aos sistemas de produção. Entre os principais benefícios dessa prática, destaca-se o importante trabalho realizado no solo pelo sistema radicular do capim, que pode dobrar o volume de raízes depositadas no perfil do solo.
Essas raízes contribuem para a descompactação e a melhoria da porosidade, aumentando a capacidade de infiltração e armazenamento de água. Além disso, favorecem a ciclagem de nutrientes, elevam o teor de matéria orgânica e ampliam o estoque de carbono do solo, aspectos fundamentais para a sustentabilidade produtiva.
Outra grande vantagem do consórcio entre milho e capim é a supressão de plantas daninhas. A presença da forrageira na área reduz a competição por água, luz e nutrientes com a cultura do milho, além de diminuir a necessidade e os custos com herbicidas. Após a colheita do cereal, o produtor ainda passa a contar com uma área de pastagem formada, que pode ser utilizada na alimentação do gado durante o período seco, garantindo uma “terceira safra” com a pecuária. Esse sistema também melhora o volume e a qualidade da palhada deixada para a safra seguinte.
Quais capins são mais indicados para o consórcio com o milho?
Entre as cultivares disponíveis no mercado, as mais indicadas e utilizadas em sistemas consorciados com o milho são a Brachiaria ruziziensis, a Brachiaria brizantha BRS Piatã e o Panicum maximum BRS Tamani. Cada material apresenta características específicas e diferentes aplicações.
A ruziziensis, por exemplo, destaca-se pelo baixo custo, rápido estabelecimento e facilidade de manejo. Já o capim Piatã apresenta maior produtividade, sistema radicular mais agressivo, melhor valor nutritivo e maior qualidade de palhada em comparação à ruziziensis. Além disso, possui um estabelecimento inicial um pouco mais lento, o que reduz a competição na fase inicial de desenvolvimento do milho.
O capim Tamani tem ganhado espaço nos sistemas consorciados, principalmente por suas características morfológicas. Trata-se de um Panicum de porte baixo, com pouco alongamento de colmo, o que mantém uma alta relação folha/colmo e gera menor competição com o milho. Além disso, apresenta alta produtividade, elevado teor de proteína e facilidade de manejo, proporcionando bom desempenho animal e palhada de excelente qualidade. Estudos recentes indicam o Tamani como um dos capins com maior compatibilidade para o consórcio com o milho, justamente por promover maior harmonia entre as culturas.
Cuidados necessários
Apesar dos benefícios, ainda existe um paradigma a ser quebrado em relação ao cultivo de milho consorciado com capins, especialmente no que diz respeito à competição entre as culturas. Muitos produtores temem perdas de produtividade. No entanto, para garantir que o milho mantenha níveis adequados de produção mesmo em consórcio, alguns aspectos são fundamentais, como a quantidade de sementes, o método de semeadura do capim e o uso de herbicidas para o chamado “travamento” da forrageira.
Resultados de pesquisas indicam que, quando o capim é semeado a lanço no momento do plantio do milho, o travamento da forrageira com produtos à base de mesotriona, quando o capim apresenta de 3 a 5 perfilhos, tem se mostrado eficiente para manter o equilíbrio do sistema, sem comprometer a produtividade de grãos.
Outra estratégia é a semeadura do capim em linha, nas entrelinhas do milho, quando o cereal estiver entre os estádios V3 e V5. Nesse caso, a competição é naturalmente menor e não há necessidade de realizar o travamento do capim com herbicidas.
*Engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.
Ao refletir a dinâmica observada ao longo do ano, o mercado de defensivos agrícolas no Brasil deve encerrar o ciclo de 2025 com expansão da área PAT. O indicador deve crescer 6,1% em relação ao mesmo período de 2024 e pode contabilizar 2,6 bilhões de hectares tratados, conforme a terceira projeção de dados de pesquisa realizada pela Kynetec Brasil, a pedido do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Vegetal (Sindiveg).
A metodologia utilizada na pesquisa considera a Área Potencial Tratada ou Área Tratada por Produto (PAT), um indicador que leva em conta o número de aplicações e o número de produtos utilizados no tanque. Dessa forma, além da área cultivada, ela reflete a intensidade de uso das tecnologias nas lavouras, permitindo uma leitura mais precisa do cenário.
Em 2025, o setor apresentou dinâmicas distintas entre os semestres. No primeiro, o desempenho foi impactado principalmente pela seca no Sul do país e pela retração de preços da safra anterior, fatores que afetaram o ritmo de aplicação de defensivos e o comportamento de algumas culturas. Já no segundo semestre, o cenário passou a incorporar sinais mais positivos, impulsionados pelo crescimento de área cultivada, com destaque para soja e milho, além do início dos efeitos da safra 25/26, que trouxeram mais dinamismo ao mercado, pois o plantio transcorreu dentro do período preferencial com andamento das aplicações iniciais também dentro do planejado. A maior pressão de pragas e doenças fúngicas, além do manejo de resistência de plantas daninhas, foram fatores-chave para os crescimentos apontados.
O volume total de defensivos aplicados deve fechar 2025 com uma alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, 45% correspondem a herbicidas, 23% a fungicidas, 23% a inseticidas, 1% a tratamentos de sementes e os 7% restantes a outros produtos, como adjuvantes e reguladores de crescimento.
No recorte por culturas, os principais destaques em relação à área tratada devem ser a soja (55%), seguida por milho (18%) e algodão (8%). Pastagem (5%), cana (4%), trigo (2%), feijão (2%), arroz (1%), hortifruti (1%), café (1%) e outras culturas (2%) completam o panorama.
Regionalmente, Mato Grosso e Rondônia lideram, concentrando 32% da área tratada no país. A região conhecida como BAMATOPIPA (Bahia, Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará) responde por 18%, seguida por São Paulo e Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul e Santa Catarina (11%), Paraná (9%), Goiás e Distrito Federal (8%), e Mato Grosso do Sul, também com 8%. As demais regiões somam os 2% restantes.
O fechamento oficial de 2025 ocorrerá em abril deste ano, com o encerramento na safra de soja.
Uma plataforma de inteligência artificial que interpreta dados de campo em tempo real começou a ser testada no norte do Paraná, em um projeto piloto voltado à extensão rural. A ferramenta foi construída para organizar e cruzar informações agrícolas, como dados produtivos, climáticos e ambientais, e fornecer subsídios técnicos aos profissionais que atendem produtores rurais na região de Maringá e municípios vizinhos.
A solução foi apresentada por desenvolvedores da Bluelogic Sistemas e Consultoria, de Curitiba, em diálogo com órgãos estaduais responsáveis pela agricultura, e está em fase de implantação e validação. A proposta é centralizar dados dispersos e automatizar análises que hoje exigem tempo e trabalho manual, com a intenção de oferecer orientações técnicas com mais velocidade no campo.
“O sistema organiza e interpreta informações agrícolas e climáticas e sugere orientações técnicas que melhor se adaptam às condições de cada propriedade. A decisão final permanece com o extensionista”, disse Fernando Esmaniotto, CEO da Bluelogic. Ele destaca que a IA não substitui o técnico, mas fornece suporte de análise para decisões mais rápidas e consistentes.
O piloto foi desenhado a partir de uma iniciativa da própria Bluelogic, apresentada em uma Rodada de Oportunidades e Conexões promovida pelo InovaAgro, que facilitou a aproximação com a Secretaria da Agricultura do Paraná e com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), responsáveis por conduzir a extensão rural no território.
Representantes do setor de tecnologia veem no projeto um exemplo de como inovações digitais podem ser aplicadas diretamente em atividades rurais. A Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação no Paraná (Assespro-PR) registrou apoio à iniciativa, com a expectativa de que ela ajude a integrar tecnologia e demandas do campo.
“Conforme a empresa, a arquitetura da plataforma foi desenhada para permitir expansão geográfica e adaptações a outras áreas de gestão pública e setores produtivos, caso seja validada na etapa atual. Isso é fantástico e vai ao encontro do nosso propósito, que é o de aproximar negócios e soluções das reais necessidades da sociedade”, destaca o presidente da entidade, Adriano Krzyuy.
Após um período marcado por alta volatilidade e sucessivos choques de oferta, o mercado global do cacau inicia 2026 ainda sob um ambiente de incertezas, embora em uma configuração distinta da observada nos últimos dois anos. Segundo Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a escalada abrupta dos preços no fim de 2025, quando os contratos futuros chegaram próximos de US$ 12,5 mil por tonelada em Nova Iorque, deu lugar a um movimento consistente de correção, levando as cotações à casa dos US$ 5 mil por tonelada. Mesmo assim, os preços permanecem historicamente elevados, sustentados por estoques globais ainda muito baixos e pela memória recente de duas safras frustradas no Oeste Africano.
Mais informações sobre tendências que podem impactar o mercado do cacau estão disponíveis no relatório “Perspectivas para Commodities 2026“, lançado pela StoneX, empresa global de serviços financeiros.
Na Costa do Marfim e em Gana, sinais iniciais da safra 2025/26 indicam melhora no ritmo de entregas de amêndoas, apoiada por condições climáticas mais favoráveis ao longo do fim de 2025. Esses fatores reduziram parte das preocupações de curto prazo no setor.
“Apesar disso, algumas vulnerabilidades persistem. A umidade do solo segue baixa em regiões-chave, e desafios fitossanitários mantêm vivo o risco de novas perdas produtivas à medida que o ciclo avança. A referência recente da safra 2024/25, que começou forte e desacelerou com intensidade, reforça o tom de cautela”, afirmou Bezzon.
Enquanto isso, produtores secundários ganham relevância no cenário internacional. O Equador se consolida como principal destaque, registrando exportações acima das médias históricas e avanços de produtividade relacionados a investimentos em manejo, conforme explica o analista de mercado.
“O crescimento equatoriano, acompanhado por movimentações mais discretas de Indonésia, Nigéria e Brasil, entretanto, não substitui o papel central do Oeste Africano, mas tende a reduzir a sensibilidade do mercado a choques localizados, sobretudo se a recuperação africana se mostrar apenas parcial ao longo de 2026”, destacou.
Do lado da demanda, o setor vive uma fase de ajuste estrutural. Bezzon explica que, após enfrentar custos extremos por dois anos, a indústria de chocolates e confeitaria reduziu tamanhos de produtos, reformulou receitas e testou substitutos parciais para a manteiga de cacau, cuja cotação nos Estados Unidos atingiu picos próximos de US$ 40 mil por tonelada. Essas estratégias, de acordo com o analista, resultaram em queda significativa no consumo de subprodutos e, consequentemente, na demanda por amêndoas, contribuindo para o recuo recente das cotações internacionais.
As divulgações trimestrais de moagem continuam sendo o termômetro mais observado pelos agentes do setor, embora a leitura dos dados exija prudência. “A retração observada em Europa e Ásia, e de forma mais moderada na América do Norte, reflete tanto compressão de margens quanto limitações na oferta de amêndoas de qualidade, um cenário que ainda dificulta separar efeitos cíclicos de mudanças estruturais de consumo”, disse.
Outra peça importante do panorama atual é a revisão recente da Organização Internacional do Cacau (ICCO). Após dois trimestres sem atualizações, a entidade reduziu suas projeções para 2024/25, reforçando a visão de que o mercado permanece estruturalmente apertado. “A StoneX, por sua vez, projeta para 2025/26 um superávit de 287 mil toneladas, resultado de uma demanda mais contida e da recuperação parcial dos principais produtores. Caso esse cenário se confirme, a relação estoque-consumo pode se aproximar dos padrões históricos ao longo de 2026” afirmou o analista.
Movimentações nos contratos
No campo financeiro, o comportamento dos contratos futuros também sinaliza uma mudança de fase. A forte backwardation que dominou boa parte de 2024 e 2025 deu lugar a uma curva mais achatada, indicando percepção de menor escassez imediata e de normalização gradual dos fundamentos até 2027.
De acordo com Bezzon, o aumento das posições vendidas por investidores especulativos mostra um sentimento de curto prazo mais baixista, embora abra espaço para episódios de volatilidade diante de eventuais surpresas de oferta ou demanda. Em paralelo, a inclusão do cacau no Bloomberg Commodity Index, em janeiro, tende a adicionar fluxo comprador e influenciar o desempenho dos preços nos próximos meses.
Sobre o relatório
A StoneX, empresa global de serviços financeiros, lançou a 34ª edição do Relatório de Perspectivas para Commodities, que traz análises abrangentes sobre os mercados de grãos, energia, fertilizantes, soft commodities, metais e câmbio. Produzido pela equipe de Inteligência de Mercado, com apoio de especialistas internacionais, o documento projeta um final de 2025 e início de 2026 marcados por tensões comerciais, incertezas monetárias e fatores específicos que afetam cada segmento do setor.
O Relatório de Perspectivas para Commodities pode ser baixado de forma gratuita aqui.
O ano de 2026 amanhece sem promessas fáceis para o agro brasileiro. Não há brisa de complacência, há vento de cobrança. O setor entra grande, competitivo, decisivo para a economia, mas sob um teste mais refinado, produzir muito já não basta, é preciso produzir certo, vender melhor e provar origem. O clima continua mandando, a geopolítica segue interferindo e a regulação deixou de ser ameaça distante para virar regra concreta. Quem ainda opera no improviso vai sentir primeiro.
A fotografia da safra é exuberante. A Conab projeta algo em torno de 354,4 milhões de toneladas de grãos. A soja, velha âncora, deve romper a barreira dos 177 milhões de toneladas, consolidando o Brasil como líder global. O milho segue firme, com expectativa de 138 milhões de toneladas. Mas aqui mora a armadilha, safra grande em ambiente de custo elevado, logística pressionada e demanda errática não é sinônimo de prosperidade, é sinônimo de margem estreita. Em 2026, errar o timing de venda ou negligenciar hedge não será azar, será falha de gestão.
O clima não concede indulgência. A saída gradual da La Niña não significa calmaria, significa transição e transições são traiçoeiras. Chuvas fora de hora, granizo, janelas curtas, extremos pontuais. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático deixa de ser recomendação técnica e passa a ser critério de sobrevivência, especialmente porque o crédito agora cobra isso como contrapartida.
O milho confirma a lógica. A safrinha continua sendo pilar e divide protagonismo com o etanol, que mexe na demanda e na previsibilidade. Custos pressionados por fertilizantes e fretes impõem uma verdade incômoda: não haverá espaço para decisões “no feeling”. O milho de 2026 será de planilha, não de esperança.
E é exatamente nesse ponto que o café escancara o novo agro brasileiro. O setor chega a 2026 depois de dois anos de choques climáticos, estoques globais apertados e preços elevados, mas engana-se quem confunde preço alto com tranquilidade. O “mercado está caro” porque está frágil. Qualquer geada, seca ou ruído logístico reverbera instantaneamente na ICE Futures. Produzir sem proteção comercial é especular contra o próprio caixa.
Importante: 2026 marca o fim da tolerância com informalidade. A regulação europeia antidesmatamento não é detalhe, é filtro de mercado. Exportar não depende só de produzir, mas de provar origem. Rastreabilidade, georreferenciamento e conformidade deixaram de ser diferenciais e viraram requisitos básicos. Quem ainda não entendeu isso está discutindo o problema errado.
O crédito também mudou de natureza. Não é cheque em branco. Em 2026, vem condicionado à gestão de risco climático, sustentabilidade comprovada e planejamento estratégico. Pensar apenas na próxima safra é curto demais para um setor que vive de ciclos longos, volatilidade e pressão regulatória. Ignorar essas exigências não significa perder oportunidade, significa perder relevância.
E há um ruído extra no ar: por ser um ano eleitoral, a polarização política e as incertezas macroeconômicas podem gerar volatilidade adicional no mercado. Quem depende de crédito, câmbio e apetite de risco precisará de cenários alternativos, disciplina em caixa e atenção redobrada aos prazos.
O comércio global não é mais sedução, é seleção. A China ajusta compras, a Europa impõe acordos com regras estritas e o mercado passa a remunerar mais origem e constância do que simplesmente volume. O café que se venderá melhor não será o mais abundante, será o mais confiável. E esse raciocínio vale para todo o agro. A carne vive momento forte, mas enfrenta cotas e barreiras. A soja domina, mas sofre com bases voláteis. O milho se industrializa, mas encarece. O denominador comum é simples e desconfortável: o agro brasileiro não está sendo ameaçado, está sendo selecionado.
O ano de 2026 será potente para quem opera com método, proteção e visão estratégica. Mas será implacável com quem insiste em jogar o jogo antigo em um tabuleiro novo. O agro brasileiro entra grande em 2026. Permanecer grande, porém, exigirá algo mais raro do que escala: maturidade.
*Engenheiro Agrônomo, com MBA em Gestão Comercial. Tem experiência nos setores Químico e do Agronegócio, com uma trajetória em empresas de referência, como a Bayer Crop Science e a ALTA (América Latina Tecnologia Agrícola). É diretor Comercial da Orbia.
A primeira estimativa para a safra 2026/27 de laranja nos Estados Unidos indica manutenção da produção em patamares historicamente baixos. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção norte-americana deve permanecer próxima às mínimas da série, com a safra na Flórida estimada em 12 milhões de caixas, queda de 1,6% em relação à safra anterior.
Do total previsto, cerca de 7,5 milhões de caixas correspondem à laranja Valência, principal variedade destinada à produção de suco no país. O número de árvores produtivas na Flórida recuou 18% na comparação anual, enquanto o aumento do número de frutos por árvore elevou a produtividade média.
No Brasil, a projeção do USDA para a safra 2026/27 aponta produção de 330 milhões de caixas, alta de 3,7% frente à estimativa para 2025/26, impulsionada por condições climáticas mais favoráveis esperadas para 2026. Com isso, a produção de suco de laranja deve alcançar 1,03 milhão de toneladas em FCOJ, crescimento de 1,9%.
No comércio internacional, a aprovação do acordo entre a União Europeia e o Mercosul tende a favorecer as exportações brasileiras de suco de laranja no longo prazo, segundo a CitrusBR. A entidade estima que, em cinco anos, o setor possa acumular uma economia tarifária de cerca de US$ 320 milhões, com a redução gradual das tarifas aplicadas ao produto.
Para o suco NFC, o impacto deve ser mais imediato, com previsão de eliminação das tarifas em até quatro anos. Já para o FCOJ, a redução tarifária deve ocorrer de forma gradual, em um período estimado entre cinco e dez anos.
A termometria de precisão deixou de ser uma promessa futura e passou a integrar, na prática, os sistemas modernos de armazenagem de grãos. Esse avanço está diretamente ligado à automação e ao uso de dados confiáveis para orientar decisões operacionais, especialmente no acionamento da aeração.
Nesse contexto, a estação meteorológica e o sensor plenum exercem papel central. Enquanto a estação fornece informações contínuas sobre o ambiente externo, o sensor plenum indica as condições reais do ar insuflado nos silos após o início da aeração. Essa combinação garante uma leitura precisa do cenário em que o grão está inserido.
Dados como temperatura e umidade do ar, volume e status de chuva, pressão atmosférica, vento e ponto de orvalho — obtidos pela estação meteorológica e associados a informações de previsão via satélite, disponíveis em tempo real no portal DEEPCE — criam a referência necessária para que o sistema interprete corretamente os dados e saiba quando iniciar ou interromper a aeração de forma adequada.
Essas informações são fundamentais para tornar as decisões automatizadas mais eficientes na armazenagem. “A precisão da termometria depende da qualidade do dado que serve de referência para o sistema operar”, explica Everton Rorato, diretor comercial da PCE Engenharia. “Quando o ambiente externo e a condição real do ar insuflado são bem monitorados, o sistema consegue decidir com mais segurança o melhor momento para ligar ou não a aeração”, diz ele.
Na prática, a integração entre dados externos e internos permite identificar as janelas mais adequadas do dia para a operação, normalmente associadas a períodos de menor temperatura e condições mais favoráveis do ar. O cruzamento dessas informações evita acionamentos desnecessários e melhora o desempenho do sistema de aeração.
A automação passa, então, a atuar de forma mais precisa: pode resfriar a massa de grãos, manter a temperatura estável ou realizar aeração localizada para combater focos de aquecimento. O resultado é maior controle térmico, preservação da qualidade do grão e redução de riscos durante o período de armazenagem.
Além dos ganhos técnicos, a termometria de precisão associada à estação meteorológica gera impactos diretos na operação. A menor necessidade de intervenção manual reduz custos com mão de obra dedicada exclusivamente ao monitoramento, enquanto o uso mais racional da aeração contribui para a redução do consumo de energia elétrica.
Ao tornar as medições mais confiáveis e as decisões mais assertivas, a termometria de precisão consolida-se como uma ferramenta essencial no pós-colheita moderno, alinhando eficiência operacional, qualidade do produto armazenado e competitividade para produtores e armazenadores.
A StoneX, empresa global de serviços financeiros, revisou para cima suas estimativas para a produção brasileira de grãos na safra 2025/26, com destaque para a soja, segundo relatório divulgado hoje. A produção de soja agora é estimada em 181,6 milhões de toneladas, um aumento de 4 milhões em relação à projeção anterior.
O crescimento da produção decorre de ajustes tanto na área cultivada, estimada em 48,7 milhões de hectares, quanto na produtividade média nacional, projetada em 3,73 toneladas por hectare.
“Com a colheita avançando, as perspectivas seguem bastante positivas, apesar de algumas áreas apresentarem maior variabilidade, em função das irregularidades climáticas ocorridas ao longo do ciclo”, realça a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi.
Para o milho primeira safra, a StoneX também realizou uma revisão positiva. A produção da safra 2025/26 pode alcançar 26,6 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 2,3% em relação ao último número e pouco mais de 1 milhão de toneladas acima do registrado no ciclo 2024/25.
Essa elevação foi motivada principalmente por revisões de produtividade, com ajustes positivos em estados do Nordeste, além do Paraná. No Sul do país, a expectativa é de um rendimento médio bastante elevado, podendo atingir 11,5 toneladas por hectare na safra paranaense. No caso do milho verão, os estados do Norte e Nordeste ainda apresentam um ciclo mais tardio, mantendo o clima no radar.
No caso do milho segunda safra, a revisão na produção no reporte de janeiro foi sutil, 0,5%, saindo de 105,8 milhões de toneladas estimadas em janeiro para 106,3 milhões de toneladas neste mês. Houve aumento de área no Tocantins e Pará, enquanto Maranhão e Piauí registraram redução, com produtores atentos ao período de plantio da segunda safra de milho.
No balanço de oferta e demanda, a StoneX manteve inalterada a estimativa de demanda de soja para o ciclo 2025/26. Ainda assim, com o avanço da colheita, as compras chinesas da oleaginosa brasileira devem ganhar cada vez mais relevância nos próximos meses.
“O maior importador mundial cumpriu os termos iniciais do acordo com os Estados Unidos, mesmo com a soja norte-americana menos competitiva. A expectativa é que a China volte seu foco para o Brasil a partir de agora”, explica Ana Luiza.
Com isso, o aumento da estimativa de produção de soja acabou se revertendo em estoques finais mais elevados, já que não houve alterações na demanda. Para o milho, também não houve ajustes nas variáveis de demanda da safra 2025/26, mas o aumento da produção estimada foi compensado pela queda dos estoques iniciais, reflexo da elevação das exportações no ciclo 2024/25.
“Com o ano-safra 2024/25 encerrado no final de janeiro, os embarques brasileiros de milho devem totalizar cerca de 42 milhões de toneladas”, conclui Ana Luiza.
O ano de 2025 foi determinante para o mercado mundial do milho, especialmente na América do Sul, onde Brasil e Argentina protagonizaram safras robustas, consolidando recordes de produção e ampliando a competitividade global do cereal.
A equipe de Inteligência de Mercado da StoneX analisou os fatos mais relevantes do ano e as projeções para o mercado do cereal em 2026. No Brasil, a produção alcançou a marca histórica de 139,4 milhões de toneladas em 2025, impulsionada por chuvas favoráveis no Centro-Oeste, enquanto a Argentina, apesar de uma leve retração na área plantada devido ao receio de pragas, também apresentou bons níveis de produtividade.
O cenário de abundância resultou em uma sobreoferta mundial, pressionando os preços internacionais. Entretanto, o consumo doméstico brasileiro seguiu em forte expansão, puxado principalmente pelo setor de etanol de milho, que registrou significativo aumento na capacidade instalada e ampliou sua presença para novas regiões, como Maranhão, Tocantins, Paraná e Piauí. Em 2025, o consumo nacional atingiu cerca de 91 milhões de toneladas, 6,5 milhões a mais que em 2024, com destaque para a utilização do cereal na alimentação animal e no crescente segmento de biocombustíveis.
Outro destaque do ano foi o avanço do DDG, coproduto da produção de etanol, cuja oferta crescente motivou esforços para abertura de novos mercados, incluindo a assinatura de acordo com a China para exportação, ainda sem embarques realizados. Paralelamente, o sorgo ganhou espaço como alternativa para a segunda safra, beneficiado pela abertura do mercado chinês e pela expansão das usinas de etanol, além de sua adaptabilidade a climas secos.
A expressiva produção brasileira impactou as exportações, que, apesar de terem crescido em relação a 2024, caíram 33% quando comparadas a 2023 devido ao fortalecimento do consumo interno e à valorização do basis, limitando a competitividade do Brasil no cenário internacional. Nos Estados Unidos, a área plantada de milho atingiu 40 milhões de hectares, resultando em uma safra de 432,3 milhões de toneladas, mesmo diante de desafios climáticos e fitossanitários. O país bateu recorde de exportações, beneficiado pelo dólar enfraquecido e pela demanda de parceiros como México, Vietnã e Espanha.
O setor norte-americano de etanol também manteve forte demanda pelo grão, embora restrições regulatórias tenham limitado maior crescimento. No campo sanitário, o fechamento da fronteira dos EUA para a importação de gado mexicano impactou as dinâmicas do mercado exportador de milho. Na China, o consumo cresceu em ritmo mais lento, com aumento da produção doméstica e queda nas importações. A União Europeia e a Ucrânia, após safras abaixo do esperado, buscam recuperação, enquanto as tensões geopolíticas na região do Mar Negro seguem como fator de risco.
Para 2026, as projeções indicam continuidade na expansão do consumo brasileiro, estimado em 97 milhões de toneladas, ao passo que a produção deve atingir 134,3 milhões de toneladas, abaixo do recorde do ano anterior. O setor de etanol de milho desponta como principal motor do crescimento doméstico, mas o equilíbrio entre oferta e demanda permanece no radar, podendo limitar excedentes exportáveis. Na Argentina, a expectativa é de recuperação da área plantada e do volume exportado, favorecida por reduções nas tarifas de exportação. Nos Estados Unidos, a leve redução prevista na área plantada deve manter os estoques confortáveis, restringindo movimentos de alta nos preços em Chicago.
No cenário global, a relação estoque/uso do milho deve ser a menor dos últimos anos, segundo o USDA, sinalizando um mercado mais ajustado. A esperada queda na produção dos principais players e o crescimento do consumo em países como Brasil, Índia e EUA podem contrabalançar parte da oferta, mas fatores como a sobreoferta de outros grãos, incertezas macroeconômicas e tensões políticas, especialmente entre Rússia e Ucrânia, aumentam a volatilidade.