Rally da Safra inicia etapa soja com cenário de estabilidade inédita e potencial de crescimento

A ausência de problemas extremos e a expansão moderada da área plantada colocam a safra de soja 25/26 em um patamar distinto das anteriores. As equipes do Rally da Safra, maior expedição técnica privada do país, iniciam suas atividades em campo diante de um cenário raro: uma safra que começa dentro da normalidade e com potencial de crescimento.

Nos anos anteriores, logo no início do Rally, os sinais de quebra eram evidentes: em 22/23, o Rio Grande do Sul apresentava forte comprometimento produtivo; em 23/24, o Mato Grosso já indicava perdas; e, em 24/25, novamente o Rio Grande do Sul enfrentava um início de ano muito seco e quente. Na safra 25/26, o panorama é outro. As lavouras sustentam, até o momento, potencial produtivo dentro da média dos últimos cinco anos, sem projeções de recordes, mas também sem alertas de perdas expressivas, configurando um cenário equilibrado.

A estimativa pré-Rally da Agroconsult, organizadora da expedição técnica, aponta para uma produção histórica de soja 25/26 de 182,2 milhões de toneladas, com crescimento de 5,9% em relação à safra anterior. A produtividade média brasileira é estimada em 62,3 sacas por hectare, contra 60,0 sacas na temporada passada.

Já a área plantada deve alcançar 48,8 milhões de hectares – incremento próximo de 1 milhão de hectares. Embora o ritmo de expansão seja menor que a média dos últimos dez anos — período em que o crescimento anual girou em torno de 1,7 milhão de hectares — a ampliação da área cultivada persiste mesmo em um ambiente econômico desafiador.

André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador geral do Rally da Safra, explica que esse movimento é impulsionado por diferentes fatores: investimentos de grupos agrícolas com visão de longo prazo; valorização da terra, especialmente em regiões de conversão de pastagens para agricultura; e a presença de produtores com maior solidez financeira, que aproveitam o momento para ampliar sua operação.

Alguns estados se destacam pela expansão. O Mato Grosso lidera o crescimento, com acréscimo de 277 mil hectares em relação à safra anterior. Goiás também avança, com quase 159 mil hectares adicionais, enquanto a região do MAPITO – Maranhão, Piauí e Tocantins – soma 108 mil hectares de incremento.

O único estado com redução de área é o Rio Grande do Sul (menos 42 mil hectares), onde parte das áreas que haviam migrado do milho verão para a soja na safra passada retornou ao milho nesta temporada. Além disso, o ambiente econômico e financeiro mais restritivo no estado limita novos investimentos, levando produtores a priorizar áreas mais produtivas e a deixar de lado regiões marginais, especialmente no sul gaúcho.

Além do crescimento de área na maior parte das regiões produtoras, Debastiani explica que, apesar das expectativas iniciais de que o ambiente econômico pressionaria também os investimentos no campo, o que se observa é diferente. “Os produtores têm mantido bons volumes de adubação, ainda que sem crescimento, e seguem investindo em tecnologia. Fora o Rio Grande do Sul, onde há redução no uso de tecnologia, os demais estados preservam um padrão sólido de investimento, com foco em altas produtividades. Esse conjunto forma o segundo fator positivo desta safra: além da expansão de área, há manutenção da tecnologia empregada, fundamental para sustentar o potencial produtivo”, ressalta.

Ritmo do plantio

O plantio apresentou início irregular nesta safra 25/26, lembrando o comportamento climático observado em 23/24 — ano marcado por forte instabilidade e uma das maiores quebras de produção já registradas no país. Em diversos estados, setembro e outubro foram meses de dificuldade para a regularização das chuvas. Em Goiás, por exemplo, o atraso foi histórico: o estado registrou o plantio mais tardio de sua série, com a normalização das chuvas somente no final de outubro. Situação semelhante ocorreu em Minas Gerais, no Maranhão, Piauí e em regiões do sudeste e leste do Mato Grosso, onde a chuva demorou mais a se estabelecer.

Esse cenário gerou inicialmente dúvidas sobre o potencial da safra. No entanto, a regularização climática em novembro permitiu que o plantio avançasse de forma consistente, reduzindo parte das preocupações.

Algumas regiões importantes se destacaram de forma positiva no plantio. O Oeste do Paraná registrou o plantio mais adiantado de sua história, enquanto o sul do Mato Grosso do Sul conseguiu iniciar cedo e em boas condições. No Mato Grosso, o cenário é misto: o médio-norte e o oeste do estado tiveram implantação dentro do calendário e com condições climáticas mais favoráveis, o que deve contribuir para que a segunda safra seja semeada dentro da janela de menor risco.

Clima e produtividades pré-Rally

Juntamente com as boas condições de plantio e baixos níveis de replantio, o clima entre novembro e dezembro ajudou a redefinir o cenário da safra 25/26. Após um início irregular, a melhora no regime de chuvas na virada do ano favoreceu a recuperação das lavouras em praticamente todas as regiões produtoras.

No Sul, a expectativa de um ciclo mais seco, em razão da influência do La Niña, não se confirmou. No Rio Grande do Sul, as chuvas de janeiro elevaram o potencial produtivo para 52 sacas por hectare, conforme a estimativa pré-Rally, acima da média dos últimos cinco anos, mas distante do recorde de 58 sacas em 20/21. No Paraná, as lavouras mantêm bom desenvolvimento, com colheita iniciada no oeste do estado e produtividade estimada em 65 sacas por hectare – próxima do resultado de 66 sacas obtido em 22/23.

No Centro-Oeste, o Mato Grosso deve alcançar produtividade de 65 sacas por hectare, segundo as estimativas pré-Rally (contra 66,5 sacas na safra passada), apesar do atraso inicial causado pela seca e dos primeiros sinais de atraso na colheita. No Mato Grosso do Sul, o ciclo avança com condições mais favoráveis que nas duas últimas safras, com estimativa de 61,5 sacas por hectare, mais de 10 sacas acima das duas últimas safras, embora abaixo de 22/23. Em Goiás, mesmo com plantio tardio, o potencial produtivo está em 66 sacas por hectare, duas sacas abaixo da safra 24/25.

No Nordeste, a Bahia combina expansão das áreas irrigadas com recuperação das lavouras de sequeiro após a retomada das chuvas, mantendo potencial de 66 sacas por hectare, dentro da média dos últimos cinco anos. Maranhão, Piauí e Tocantins enfrentaram atrasos e maior necessidade de replantio, mas a região deve alcançar média de 60 sacas por hectare, pouco abaixo da safra passada, mas ainda dentro da média histórica recente.

No Sudeste, São Paulo avançou rapidamente no plantio e projeta 62 sacas por hectare. Já Minas Gerais teve o plantio mais tardio dos últimos anos, o que pressiona o calendário do milho, mas mantém potencial de 66 sacas por hectare.

“As avaliações de campo são essenciais para aprofundar as análises, validar e ajustar os números. As previsões climáticas para os próximos 15 dias são favoráveis e não há um grande problema que preocupe os produtores. Caso essa condição permaneça em fevereiro e março devemos ter uma melhora significativa nos números de produtividade”, diz o coordenador do Rally.

100 mil quilômetros

As equipes técnicas do Rally irão percorrer mais de 100 mil km por 14 estados (MT, MS, GO, DF, MG, SP, PR, SC, RS, MA, PI, TO, BA e PA). As áreas visitadas respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho. Patrocinam a 23ª edição da expedição BASF, Credenz® e SoyTech® (marcas de sementes da BASF), xarvio® (plataforma digital oficial do Rally), OCP Brasil, Banco Santander, Agrivalle, John Deere, Mitsubishi e JDT Seguros.

Fotos: Eduardo Monteiro / Rally da Safra

Safra recorde nos EUA traz viés negativo aos preços do milho

O relatório de janeiro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa de produção de milho do país para 432,4 milhões de toneladas, ante 425,5 milhões no mês anterior, impulsionada por uma produtividade média recorde de 11,7 toneladas por hectare. De acordo com o Itaú BBA, o aumento da oferta amplia a pressão sobre os preços do milho no curto prazo.

“Os números de safra apresentados pelo USDA consolidaram um viés predominantemente baixista para o milho, com a confirmação de uma supersafra nos Estados Unidos e o forte aumento dos estoques, reforçando um cenário de pressão sobre os preços no curto prazo e ampliando a necessidade de produtores e agroindústrias ajustarem suas estratégias de proteção de margens”, afirma Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

O estoque final norte-americano avançou 9,8%, alcançando 56,6 milhões de toneladas, o terceiro maior volume da série histórica. As exportações foram mantidas em 81,3 milhões de toneladas. O aumento da produção nos Estados Unidos contribuiu para um maior equilíbrio no quadro global de oferta e demanda, elevando o estoque de passagem da safra 2025/26, ainda que em patamar inferior ao da temporada anterior.

No Brasil, o desenvolvimento da primeira safra manteve-se positivo com as chuvas registradas em dezembro. O retorno das precipitações favoreceu a recuperação de áreas em Minas Gerais. No Maranhão, Piauí, Bahia e Goiás, as lavouras apresentaram reação após o período de estresse hídrico. No Rio Grande do Sul, a colheita teve início com perspectivas favoráveis de produtividade.

Ainda assim, as chuvas de janeiro serão determinantes para a confirmação da produção esperada no país, uma vez que cerca de 50% das lavouras encontram-se em fase reprodutiva.

Para a segunda safra, o ritmo de comercialização de fertilizantes segue alinhado à média em Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul, indicando perspectiva favorável para o plantio nesses estados. Em Goiás, São Paulo e Minas Gerais, no entanto, a aquisição de insumos para a safra 2026 está atrasada, o que torna a decisão de plantio menos clara em função do atraso no cultivo da soja. As definições nessas regiões dependerão da janela de plantio e da evolução das condições climáticas nas próximas semanas.

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2025 foi marcado por safra de soja recorde no Brasil e peso das importações chinesas

O ano de 2025 foi marcado por preocupações climáticas na América do Sul, fator que influenciou os preços ao longo do período. A equipe de Inteligência de Mercado da StoneX apresenta um panorama dos fatos marcantes do mercado de soja em 2025 e as expectativas para 2026.

No Brasil, apesar de uma safra recorde nacional, o Rio Grande do Sul enfrentou perdas expressivas, limitando ainda mais a oferta da oleaginosa no ano passado. Por outro lado, a maioria dos estados brasileiros registrou produtividade favorável ou até mesmo recorde.

Na Argentina, questões climáticas também afetaram o potencial produtivo, mas o país conseguiu colher uma safra robusta, sem grandes ameaças à oferta. Globalmente, com a safra 24/25 consolidada, a produção superou o consumo, resultando em aumento dos estoques e limitando altas significativas nos preços.

A demanda global por soja segue em crescimento anual, porém de forma mais previsível. A produção acompanha esse avanço, e embora o clima possa trazer surpresas, os últimos anos não registraram quebras relevantes que restringissem o balanço do setor.

No cenário internacional, as tensões comerciais entre China e EUA foram destaque, culminando em acordos que restabeleceram o fluxo de exportações após taxações mútuas. A China concentrou suas compras na safra recorde brasileira de 24/25, importando mais de 85 milhões de toneladas. Com o acordo firmado em outubro de 2025, a previsão é de aquisição de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana até fevereiro de 2026 e de 25 milhões de toneladas anuais nos próximos três anos, volumes similares aos praticados antes do acirramento comercial.

Perspectivas para o setor em 2026

Para o ciclo 25/26, as projeções permanecem positivas, com o Brasil caminhando para um novo recorde de produção e a Argentina mantendo resultados favoráveis, mesmo com redução de área em relação ao ano anterior. Nos Estados Unidos, a soja perdeu espaço para o milho, com redução de 7% na área plantada, totalizando 32,86 milhões de hectares. Ainda assim, a produção estimada foi robusta, atingindo 116 milhões de toneladas, com produtividade média recorde de 3,56 toneladas por hectare.

O cenário mundial segue com produção acima do consumo, embora a diferença prevista para 2026 deva ser menor. Isso mantém os estoques elevados e limita a possibilidade de altas expressivas nos preços.

Apesar do potencial brasileiro para ampliar produção e exportações, o ritmo de crescimento das importações chinesas já não é tão acelerado quanto nos anos anteriores. Com margens mais apertadas na indústria suína chinesa e ritmo econômico menos intenso, pairam dúvidas sobre o apetite chinês por soja. A China segue como principal mercado, mas nenhum outro país desponta para ocupar seu papel de destaque observado até meados da década passada.

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BNDES disponibiliza mais R$ 15,3 bilhões para programas do Plano Safra 2025-26

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizou mais R$ 15,3 bilhões para operações de crédito rural no âmbito de programas do Plano Safra 2025-2026. Deste montante, R$ 10,4 bilhões serão destinados às linhas voltadas para agricultura empresarial e R$ 4,9 bilhões para agricultura familiar.

Com a medida, o total de recursos ainda disponível nos diferentes Programas Agropecuários do Governo Federal (PAGF) a serem repassados pela instituição é de R$ 20,1 bilhões, com prazo de utilização até junho de 2026.

Os recursos poderão ser utilizados por produtores rurais, cooperativas e agricultores familiares para custeio e investimento em diversas finalidades, incluindo ampliação da produção, aquisição de máquinas e equipamentos, armazenagem e inovação.

O BNDES é um dos principais apoiadores do setor agropecuário. No Plano Safra 2025-2026, o Banco já aprovou R$ 26,4 bilhões no âmbito dos PAGF e atendeu a solicitações de mais de 105 mil operações por meio de operações indiretas, realizadas pela rede de agentes financeiros credenciados.

Além dos PAGFs, o BNDES também oferece soluções próprias para garantir a oferta de crédito ao setor agropecuário durante todo o ano, como o BNDES Crédito Rural – na atual safra, o produto já soma R$ 4,4 bilhões em operações aprovadas.

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IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025

com informações da Agência Brasil

O Brasil deverá fechar 2025 com safra recorde de 346,1 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas. O resultado representa um aumento de 18,2% em relação a 2024 (292,7 milhões de toneladas). Os dados são da estimativa calculada em dezembro de 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A previsão é de que em 2026, a produção seja menor. Segundo estimativas do IBGE, a safra brasileira em 2026 deve somar 339,8 milhões de toneladas, declínio de 1,8% em relação a 2025 ou 6,3 milhões de toneladas. 

Para a safra 2026, o IBGE informou que está incluindo a canola e o gergelim, produtos que vêm ganhando importância na safra de cereais, leguminosas e oleaginosas nos últimos anos, muito embora ainda tenham seu cultivo limitado a poucas unidades da federação.

Recorde

Para 2025, o IBGE prevê recorde da série histórica. O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo que, somados, representaram 92,7% da estimativa da produção e respondem por 87,9% da área a ser colhida. 

Para a soja, a estimativa de produção foi de 166,1 milhões de toneladas, novo recorde da série histórica, que representa alta de 14,6% em relação a 2024. Para o milho, a estimativa também foi recorde,141,7 milhões de toneladas (crescimento de 23,6%). 

Outro recorde se refere à produção do algodão herbáceo em caroço, que chegou a 9,9 milhões de toneladas, um acréscimo de 11,4% em relação a 2024.

Já a produção do arroz em casca foi estimada em 12,7 milhões de toneladas (alta de 19,4%); a do trigo, em 7,8 milhões de toneladas (3,7% a mais que em 2024), e a do sorgo foi de 5,4 milhões de toneladas (35,5% a mais).

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Previsão para 2026

O prognóstico para 2026 divulgado nesta quinta foi o terceiro. Apesar de estimar uma produção em 2026 menor que em 2025, a previsão foi maior do que a do último prognóstico, divulgado em dezembro de 2024, pelo IBGE. Em relação ao segundo prognóstico, houve crescimento de 4,2 milhões de toneladas – alta de 1,2% na previsão para este ano.

De acordo com o IBGE, o declínio da produção de 2026 em relação à safra 2025 deve-se, principalmente, à menor estimativa para o milho (-6% ou -8,5 milhões de toneladas), para o sorgo (-13% ou -700,2 mil toneladas), para o arroz (-8% ou -1 milhão de toneladas), para o algodão herbáceo em caroço (-10,5% ou -632,7 mil toneladas) e para o trigo (-1,6% ou -128,4 mil toneladas).

Já para a soja, o IBGE estima um crescimento de 2,5% ou 4,2 milhões de toneladas. A produção do feijão também deve crescer 3,1% na primeira safra, chegando a 30,1 mil toneladas.

Bioinsumos e fertilizantes são alternativas viáveis para o déficit hídrico na safra de soja de 2026

Os bioinsumos são altamente eficazes contra déficit hídrico na soja, complementando fertilizantes com mecanismos biológicos que aumentam as raízes em 20-30% e regulam hormônios de estresse. Microrganismos como Azospirillum, Bacillus e micorrizas melhoram a absorção de água e nutrientes sob seca, recuperando 10-20% da produtividade perdida em florescimento 

Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a força da safra está diretamente ligada à qualidade dos insumos utilizados. “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura”, afirma o especialista.

Os fertilizantes foliares são uma das principais alternativas viáveis para a safra de soja 2026/27 no Brasil, especialmente sob chuvas irregulares no Centro-Oeste. A adoção já atinge 46,7% da área cultivada (soja 62% do total), com crescimento anual de 20%, comprovando eficácia prática em cenários climáticos adversos.

A previsão climática para 2026 no Rio Grande do Sul, por exemplo, indica um ano de transição: começa sob influência da La Niña, passa para neutralidade entre o fim do verão e o outono e pode evoluir para um episódio de El Niño entre o inverno e a primavera. Além disso, a meteorologista ressalta que fenômenos de curto prazo, menos previsíveis, podem ocorrer ao longo do ano e alterar temporariamente o padrão climático esperado, mesmo dentro desse cenário geral. 

Apesar de ser um momento em que há muita adversidade climática, este não é um fator que irá determinar tanto o desempenho da safra de soja para o ano de 2026, que deve ser recorde no Brasil, superando 2025/26 apesar de chuvas irregulares localizadas. A Abiove projeta 177,7 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 3,4%  (172,1 milhões de toneladas) em relação a  2025.

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Geraldo Alckmin fala sobre o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia

O vice-presidente Geraldo Alckmin disse que o acordo entre Mercosul e União Europeia deve ser assinado nos “próximos dias” e que o governo brasileiro espera que entre em vigência ainda no ano de 2026. O vice-presidente destacou que o acordo fortalece o multilateralismo, em detrimento do isolacionismo. Para valorizar o potencial do acordo, Alckmin enumerou que a União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do País e fica atrás apenas da China. Inclusive a corrente comercial (somando exportações e importações) no ano passado foi de US$ 100 bilhões. 

Um exemplo é que somente a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, o que representou um crescimento de 5,4% desse setor (para o mundo, essa elevação foi de 3,8%). 

“A União Europeia foi o primeiro ou o segundo destino da exportação de 22 estados brasileiros [no ano passado]”, afirmou o vice-presidente. Alckmin também observou que 30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para aquele continente, o que representa mais de 9 mil empresas brasileiras. “Essas empresas exportadoras empregam mais de três milhões de trabalhadores, disse ele.

Produção de soja recua 0,9% na safra 25/26, enquanto milho verão avança 1,9%

Em sua revisão mensal, a StoneX, empresa global de serviços financeiros, apresentou novos dados para a safra de soja 2025/26. Na atualização de dezembro, a consultoria ajustou para baixo a estimativa de produção nacional, agora projetada em 177,2 milhões de toneladas — ainda um recorde histórico, porém 0,9% inferior ao previsto no relatório anterior.

A redução resulta principalmente de um ajuste negativo na produtividade, apesar do leve aumento da área plantada. As irregularidades nas precipitações, especialmente em regiões de grande peso na produção brasileira, seguem impactando o potencial produtivo.

De acordo com a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi, os estados de Mato Grosso e Goiás apresentaram cortes na produtividade estimada. “No maior produtor do país, Mato Grosso, também houve um leve recuo na área plantada, devido a atrasos no plantio e à necessidade de replantio em algumas localidades”, explica.

Embora estados das regiões Norte e Nordeste tenham registrado expansão de área, esse avanço não foi suficiente para compensar as perdas previstas no Centro-Oeste, que permanece determinante para o desempenho nacional.

Ainda segundo a especialista, o clima continuará como peça-chave nas próximas atualizações. “A consolidação do potencial produtivo dependerá do comportamento das chuvas nos próximos meses. Uma regularização das precipitações será essencial para confirmar as expectativas da safra”, destaca Ana Luiza.

Produção de milho é elevada para 26,1 milhões de toneladas

Neste levantamento, a StoneX revisou sua projeção para o milho verão 2025/26 e elevou a estimativa de produção nacional para 26,1 milhões de toneladas, aumento de 1,9% em relação ao relatório de novembro.

O ajuste foi impulsionado pelo crescimento da área prevista em estados do Norte e Nordeste, onde o plantio da primeira safra costuma ocorrer mais tarde. “Na produtividade, o Rio Grande do Sul se destacou pelo bom desenvolvimento das lavouras até o momento — embora a consolidação desse cenário ainda dependa de chuvas ao longo de dezembro”, compartilha Ana.

Assim como observado na soja, o clima permanece determinante para a definição final da safra. Apesar de a primeira safra de milho ser menor que a segunda, sua importância para o abastecimento interno no primeiro semestre segue elevada, especialmente em anos de maior volatilidade climática.

Estimativa para a segunda safra de milho registra alta de 1,1%

Na revisão de dezembro, a estimativa para a segunda safra de milho caiu para 105,8 milhões de toneladas, queda de 1,1% em relação ao mês anterior. Persistem preocupações com os atrasos no ciclo da soja, que podem afetar o início do plantio do milho safrinha — etapa que apresenta menores riscos quando implantada mais cedo.

Considerando as três safras de milho, incluindo a terceira, prevista em 2,5 milhões de toneladas, a produção total do ciclo 2025/26 é estimada em 134,4 milhões de toneladas, volume 0,6% abaixo do divulgado em novembro.

“O comportamento climático seguirá central para a definição do potencial produtivo do milho nos próximos meses”, conclui Ana Luiza.

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Portos em 2026: tendências e impacto na movimentação de cargas

por Rafael Simon*

O setor portuário brasileiro deve continuar a expandir em 2026, com reflexos diretos sobre as operações de elevação, amarração e movimentação de cargas. O crescimento do volume operado nos portos tende a ampliar a demanda por equipamentos e estruturas capazes de suportar cargas mais pesadas, maiores ciclos de trabalho e exigências técnicas cada vez mais rígidas.

A perspectiva para o próximo ano se fundamenta nos resultados excepcionais que o setor apresenta ao longo de 2025. Entre janeiro e setembro, os portos nacionais movimentaram 1,04 bilhão de toneladas, um aumento de 3,25% em relação ao mesmo período de 2024. Apenas em setembro, foram 120,4 milhões de toneladas, recorde para o mês e 4,84% acima de setembro do ano passado, fechando o terceiro trimestre com 378,2 milhões de toneladas em uma alta de 6% na comparação com 2024.

Os dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) revelam ainda que todo este avanço foi puxado principalmente pelas cargas conteinerizadas, cujo fluxo cresceu 6,5% no trimestre, refletindo o aquecimento do comércio exterior. É interessante notar que este desempenho parece ir na contramão do fato que mais ocupou as manchetes relacionadas ao setor nos últimos meses: as tarifas impostas pelos EUA. O que acontece, porém, é que, após o tarifaço, as exportações brasileiras redirecionaram-se para outros mercados.

Em agosto, tivemos saltos de vendas para parceiros como Índia (+348%), México (+97%), Argentina (+50%) e China (+12%), enquanto o volume exportado para os EUA recuou 17%. Esses números ilustram a capacidade de adaptação do Brasil, diversificando destinos e aproveitando oportunidades globais mesmo diante de barreiras comerciais.

Os resultados positivos impactam também o segmento de amarração, elevação e movimentação de cargas. Uma área formada por profissionais e equipamentos essenciais para operacionalizar a atividade portuária, não só em termos de eficiência, mas também em aspectos de segurança, já que estamos falando de operações complexas e de elevado risco. Por isso, é importante estar atento ao desenvolvimento desse setor e às tendências para 2026.

Foto: Nehemias Gomez Fotografia / Pexels.com

Perspectivas de investimentos e inovação no horizonte

O crescimento recente no setor de portos lançou bases sólidas para novos projetos, e há uma convergência de esforços público-privados para modernizar e expandir a capacidade portuária do país.

Segundo o governo federal, o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) prevê, até 2026, mais de R$ 47 bilhões em investimentos no setor, sendo R$ 4,7 bilhões em recursos públicos e R$ 42,5 bilhões oriundos da iniciativa privada. É a primeira vez que o programa projeta investimento privado superior ao público, um sinal de que há apetite dos investidores em aproveitar as oportunidades de infraestrutura.

Um dos vetores mais importantes para o próximo ano é o programa de concessões e arrendamentos portuários. Desde o início deste ano, o MPor trabalha com uma das maiores carteiras de licitações da história e em 2026 estão previstos pelo menos mais 21 projetos, incluindo 17 novos arrendamentos de terminais em portos públicos e 4 concessões de canais de acesso. Isso totaliza, entre 2025 e 2026, mais de 40 leilões de ativos portuários, com expectativa de atrair cerca de R$ 20 bilhões em investimentos privados para ampliações e modernizações.

Entre os projetos de destaque no pipeline está o novo terminal de contêineres de Santos, o Tecon Santos 10, cujo edital está em preparação. Esse empreendimento, considerado um dos maiores da América Latina no segmento, é visto como essencial para atender à demanda futura de movimentação e armazenagem de contêineres no país.

Estima-se que o Tecon Santos 10 atraia R$ 5,6 bilhões em investimentos privados ao longo de 25 anos, elevando a capacidade anual do complexo santista de 6 milhões para 9 milhões de TEUs (contêineres de 20 pés, unidade padrão de capacidade portuária), gerando demanda por um grande volume de novos guindastes e equipamentos de movimentação de carga.

Iniciativas inovadoras também despontam, como a concessão do canal de acesso aquaviário dos portos do Paraná (Paranaguá e Antonina) à gestão privada em um modelo inédito que visa agilizar obras de dragagem e manutenção dos canais. No campo dos terminais de uso privado, há projetos de grande porte como o novo porto da mineradora Bamin em Ilhéus (BA), voltado à exportação de minério de ferro, que figura entre os maiores investimentos privados em andamento.

No campo tecnológico e operacional, 2026 deve aprofundar tendências de inovação que já despontam nos portos brasileiros. A necessidade de ganhar eficiência para lidar com volumes crescentes torna inevitável a adoção mais ampla de automação e digitalização nas atividades portuárias. Muitos terminais já investem em sistemas operacionais integrados, IoT e análise de dados para otimizar o fluxo de cargas.  

A partir de 2026, deve aumentar o uso de guindastes automatizados ou semiautônomos, sistemas de gate inteligentes, uso de inteligência artificial no controle de tráfego de contêineres e plataformas digitais de monitoramento em tempo real das operações.

Crescimento impulsiona demanda por equipamentos de elevação e movimentação

Para o segmento da amarração, elevação e movimentação de cargas, esse panorama traz grandes oportunidades de crescimento e inovação, ao mesmo tempo em que exige compromisso contínuo com a qualidade, segurança e eficiência. A infraestrutura portuária está sendo colocada à prova para atender volumes maiores, o que exige equipamentos robustos, confiáveis e eficientes de içamento, como guindastes de cais, pontes rolantes, transtêineres, empilhadeiras de grande porte, entre outros.  

Nesse cenário, cresce a necessidade de cabos de aço de alta resistência, cintas tubulares e sling, lingas de 4 pernas do tipo aprovado e cabos navais. Estes e outros dispositivos para movimentação, elevação e amarração de cargas são fundamentais para garantir a segurança e a produtividade. Empresas especializadas que atuam no fornecimento de soluções para elevação e movimentação de cargas devem ter um relacionamento estratégico com os operadores em terminais e disponibilizar produtos certificados aliados a suporte técnico de alta qualidade.

As demandas atuais e futuras seguem desafiadoras. E com navios maiores e cargas mais pesadas circulando, qualquer falha em um cabo, cinta ou dispositivo de içamento pode significar desde atrasos logísticos até riscos à integridade das pessoas e mercadorias. Investir em manutenção preventiva, inspeções frequentes e na capacitação de pessoal para manuseio correto desses equipamentos também deve ser uma prioridade para operadores portuários preocupados em acompanhar o ritmo de crescimento sem comprometer a segurança.

Mercado aquecido para equipamentos de movimentação

Do ponto de vista de mercado, vive-se um momento bastante aquecido para os fornecedores de equipamentos de movimentação portuária. Após anos de incertezas, uma série de medidas governamentais e setoriais tem destravado investimentos nesse segmento.

A prorrogação do regime tributário Reporto (incentivo fiscal para aquisição de equipamentos) até o final de 2028, por exemplo, deu segurança jurídica e estímulo para terminais tirarem projetos do papel. Segundo a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), diversos terminais anunciaram a aquisição de equipamentos graças à volta do Reporto, destravando investimentos na ampliação ou renovação de frota de guindastes e componentes de movimentação.

A entidade destaca que os projetos em andamento visam atender à demanda crescente, especialmente no segmento de contêineres. Entre os exemplos recentes estão as expansões de terminais em Santos (SP), que estão aumentando a capacidade e adquirindo novos portêineres, a ampliação da Portonave, em Navegantes (SC), com aquisição de gruas adicionais, e a retomada do terminal de Itajaí (SC) sob nova administração, que também envolve a compra de equipamentos modernos.

Diante desse cenário, 2026 tende a consolidar uma nova fase para os portos brasileiros, mais moderna, exigente e orientada à eficiência operacional. Para quem atua na cadeia de movimentação de cargas, o momento exige preparo técnico, capacidade de adaptação e atenção redobrada às tendências tecnológicas, regulatórias e logísticas que estão moldando o setor. Estar pronto para atender esse novo padrão de operação é não apenas uma vantagem competitiva, mas uma condição indispensável para seguir relevante em um mercado que avança em escala, complexidade e responsabilidade.

*diretor executivo da Acro Cabos de Aço.

Safra 2025/26: insumos estratégicos e decisões assertivas definirão a produtividade e a estabilidade do produtor rural

A safra 2025/26 já avança em ritmo acelerado pelo Brasil, e as primeiras decisões deste ciclo já estão sendo tomadas em meio a um ambiente marcado por incertezas climáticas, custos sensíveis e exigência crescente por insumos de maior eficiência agronômica.

Após duas temporadas consecutivas de forte instabilidade, a 25/26 se inicia com um padrão climático que exige atenção redobrada. A distribuição irregular das chuvas, as oscilações de temperatura e a alternância entre El Niño e La Niña ampliam a importância de manejar o arranque das culturas com precisão. Esses fatores tornam ainda mais valioso o uso de insumos eficientes e tecnologias que ajudam a garantir vigor inicial, uniformidade e estabilidade ao longo do ciclo.

A esse contexto climático se soma uma conjuntura econômica que reforça o protagonismo das decisões técnicas. A volatilidade internacional, as variações cambiais e os custos mais sensíveis colocam a escolha de fertilizantes, defensivos e bioinsumos no centro da estratégia do produtor. Cada decisão tomada agora influencia diretamente a construção de produtividade, o aproveitamento dos nutrientes e a saúde do solo — especialmente em um ciclo que tende a premiar quem atua com precisão e inteligência agronômica.

O agronegócio brasileiro deve encerrar 2025 com produção superior a 353 milhões de toneladas de grãos, mas a consolidação desse volume depende de eficiência dentro da porteira. Em um ambiente de margens mais estreitas e alta dependência da regularidade climática, a assertividade nas escolhas de insumos se torna determinante para o desempenho das lavouras.

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Para Douglas Vaz-Tostes, gerente técnico nacional da GIROAgro, a força da safra está diretamente ligada à qualidade dos insumos utilizados. “A escolha correta dos insumos, principalmente dos fertilizantes,  define a eficiência de todo o sistema produtivo. Quando o produtor investe em nutrientes adequados, na dose certa e no momento certo, ele reduz perdas, aumenta a rentabilidade e protege o potencial produtivo da cultura. Em um cenário de clima instável, acertar nessas decisões deixa de ser recomendação e passa a ser condição básica para o sucesso da safra”, afirma.

Nesse contexto, a fertilidade assume papel central. A qualidade da adubação no sulco, a seleção criteriosa das fontes e o uso de tecnologias que aumentam a disponibilidade e a eficiência dos nutrientes são fatores que moldam diretamente o desempenho ao longo do ciclo. A volatilidade dos preços globais de ureia, MAP e KCl reforça a importância de estratégias inteligentes, que incluem fertilizantes de maior eficiência, tecnologias de liberação controlada e combinações capazes de ampliar absorção e aproveitamento.

Outro protagonista da safra 25/26 é o avanço dos bioinsumos, que crescem mais de 20% ao ano e consolidam-se como ferramentas indispensáveis na estratégia moderna. Inoculantes, promotores de crescimento e soluções de proteção biológica se tornam essenciais para maximizar vigor inicial, aprofundar raízes e aumentar a resiliência frente ao estresse hídrico e à pressão de patógenos, pontos críticos em ciclos marcados por irregularidade climática.

O ambiente de mercado também exige atenção. A volatilidade internacional impacta diretamente soja e milho, demandando estratégias comerciais mais estruturadas, como hedge, contratos antecipados e organização logística desde a armazenagem até o transporte. Regiões com gargalos estruturais precisarão ajustar operações para evitar perdas e atrasos.

Apesar dos desafios, a safra 2025/26 apresenta oportunidades consistentes. A evolução das tecnologias de monitoramento, sensoriamento remoto, agricultura de precisão e ferramentas digitais permite decisões mais ágeis, precisas e rentáveis. A integração entre informação, tecnologia e insumos de alta performance potencializa a produtividade, reduz custos e fortalece a sustentabilidade do sistema de produção.

Douglas Vaz-Tostes reforça a capacidade de adaptação do agro brasileiro. “A agricultura nacional já provou que cresce mesmo em cenários adversos. Na safra 2025/26, o protagonismo do produtor dependerá da soma entre conhecimento técnico, escolhas estratégicas e eficiência no manejo. Quem age com precisão não apenas fortalece a safra atual, mas amplia seu potencial futuro em um setor que continua sendo o motor econômico do país”, finaliza.