Especial COP30 – Descarbonização: como o agro transforma emissões em oportunidades financeiras

por Jayme Vasconcellos*

A agenda climática global tem um custo, mas para o agronegócio brasileiro, ela representa, acima de tudo, uma nova fonte de valor. A necessidade de descarbonizar o campo está se convertendo em um motor de inovação e atração de investimentos verdes, redefinindo o conceito de sustentabilidade como um ativo econômico.

Um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV) estimou que a adoção de práticas sustentáveis no agro – como biocombustíveis, bioinsumos, Plantio Direto e terminação intensiva de gado – pode adicionar até R$ 94,8 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até o final desta década. Essa projeção demonstra que a sustentabilidade é um vetor de crescimento, e não um obstáculo, transformando o risco climático em vantagem competitiva.

A chave está na valoração do esforço produtivo. Conforme mencionado por especialistas do setor, ao precificar oficialmente as emissões e reconhecer o sequestro de carbono no campo, o agronegócio passa a capturar valor financeiro por práticas já adotadas. O Plano Safra 2024/2025, ao destinar um volume robusto de recursos com incentivos à sustentabilidade, já sinaliza a prioridade do governo em financiar essa transição. A mensagem é de impacto duplo, como resume a fala de um executivo do setor: “É dinheiro no bolso do produtor, é um faturamento maior e mais arrecadação”.

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels.com

A concretização dessas oportunidades, no entanto, depende de um esforço conjunto para superar o gargalo do financiamento. Embora o Plano Safra seja essencial, especialistas apontam que ele só aporta cerca de 40% dos recursos anuais necessários para a ampla descarbonização da agropecuária. É fundamental, portanto, que o setor privado e o capital internacional preencham essa lacuna, aproveitando a segurança regulatória que está sendo estabelecida, especialmente com o avanço do mercado de carbono. A escala do agronegócio brasileiro exige que se crie um ambiente propício para que a infraestrutura financeira acompanhe o ritmo da inovação tecnológica no campo.

Além do financiamento, a questão da certificação e da rastreabilidade ganha peso. As novas regulamentações internacionais, como a legislação antidesmatamento da União Europeia, transformam a origem da produção em um diferencial de mercado. O produtor que conseguir provar a adoção de boas práticas, aliada ao desmatamento zero, terá acesso facilitado a mercados premium e a linhas de crédito verde com taxas mais atrativas. Assim, a agenda de descarbonização força o Brasil a elevar seus padrões de transparência e governança, garantindo o protagonismo global não apenas em volume, mas também em qualidade socioambiental.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

“COP30 será a COP da verdade”, diz Lula na Cúpula do Clima

com informações da Agência Brasil

A Cúpula do Clima, em Belém, entra nesta sexta-feira (07/11) no seu segundo e último dia com a retomada dos discursos dos líderes e representantes dos países participantes da COP30 e sessões temáticas sobre transição energética, o Acordo de Paris, Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e o financiamento de ações para combater a crise climática.

Chefes de Estado, líderes de governos e representantes de alto nível de mais de 70 países estão em Belém para participar da Cúpula do Clima nos próximos dois dias. Considerando embaixadores e pessoal diplomático, a lista ultrapassa uma centena de governos estrangeiros representados na capital paraense.

A Cúpula do Clima antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada de 10 a 21 de novembro, também em Belém. O objetivo é atualizar e reforçar os compromissos multilaterais para lidar com a urgência da crise climática. Na prática, a Cúpula do Clima busca dar peso político às negociações que se seguirão pelas próximas duas semanas de COP30.

Abertura

Ontem (06/11), na abertura, o presidente Lula fez um chamado para que os países tomem ações concretas dos países para conter a elevação da temperatura global. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostra que está cada vez mais difícil alcançar a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C, exigindo medidas mais contundentes para reverter o cenário catastrófico.

“A COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência. É hora de encarar a realidade e decidir se teremos ou não a coragem e a determinação necessárias para transformá-la”, disse Lula durante a abertura da Cúpula do Clima.

Especial COP30 – Produzir sem desmatar: o modelo da agricultura tropical sustentável na Amazônia e Cerrado

por Jayme Vasconcellos*

A COP30 em Belém colocará o holofote do mundo sobre a Amazônia e o Cerrado, exigindo que o Brasil consolide o discurso de que é possível ser uma potência agrícola global sem expandir a fronteira agrícola. A chave para este desafio está na aplicação de tecnologia e ciência para aumentar a produtividade em áreas já consolidadas.

O Brasil é um exemplo de sucesso em agricultura tropical, um modelo que será levado à COP30 como uma “vitrine da agricultura sustentável e do combate à fome”. Os números comprovam a capacidade de preservação: cerca de 66% do território nacional é mantido com vegetação nativa, seja em áreas de conservação ou dentro das propriedades rurais, por meio das reservas legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Esse avanço em produtividade, que permite “produzir mais sem expandir a fronteira agrícola”, reduz a pressão sobre os biomas. A ciência, tecnologia e inovação, pilares defendidos pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para a COP30, são centrais. O país busca reforçar seu compromisso com a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e com a restauração de pastagens degradadas, mostrando ao mundo que a segurança alimentar e a proteção florestal caminham juntas.

Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

O desafio reside em disseminar e financiar essas tecnologias de baixa emissão. O Plano ABC+, por exemplo, que incentiva práticas como o tratamento de dejetos animais e o sistema de plantio direto, precisa de mecanismos de crédito simplificados para alcançar o pequeno e médio produtor. A inovação não pode ficar restrita às grandes fazendas; a inclusão produtiva é o componente social essencial para que a estratégia de desmatamento zero seja efetiva e justa. É necessário provar que a produção sustentável é financeiramente mais vantajosa do que a expansão predatória.

A realização da Conferência na Amazônia, portanto, serve como um poderoso lembrete de que o Brasil precisa ir além da narrativa e mostrar resultados. A agricultura tropical sustentável não é apenas uma política de governo, mas um projeto de Estado que, segundo autoridades, tem o potencial de “garantir a paz universal” ao resolver a equação de alimentar uma população crescente dentro dos limites do planeta. O foco agora é em como utilizar a pressão e o capital da COP30 para acelerar a restauração de áreas degradadas, transformando passivos ambientais em ativos produtivos.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

Especial COP30 – Agro brasileiro e a transição energética global: soluções de bioenergia na COP30

por Jayme Vasconcellos*

À medida que o mundo converge para a COP30, o Brasil se apresenta como um ator incontornável na descarbonização e segurança energética global. Longe de ser apenas um fornecedor de commodities, o agronegócio nacional emerge como líder em bioenergia e biocombustíveis, oferecendo soluções concretas para substituir fontes fósseis.

A experiência brasileira em biocombustíveis, especialmente a produção de etanol e biodiesel em larga escala, confere ao país uma autoridade única no debate. Conforme apontou Roberto Rodrigues, enviado especial da COP30 para a agricultura, em declaração recente, “o documento [do setor] mostra que a tecnologia e a ciência fizeram com que o Brasil desse um salto extraordinário de produção tropical sustentável. E entram todas as atividades produtivas, grãos, proteínas, a agroenergia também”.

O avanço gera impacto econômico real. Dados de mercado indicam que o RenovaBio, programa brasileiro de incentivo aos biocombustíveis, já estimulou bilhões em investimentos para expansão da capacidade produtiva. Esta bioenergia não apenas reduz a pegada de carbono do transporte, mas também oferece um modelo de integração entre produção de alimentos e energia limpa. O setor defende que o país precisa assumir a dianteira nas negociações climáticas, propondo padrões internacionais que valorizem a biorrevolução na agricultura.

Foto: Chokniti Khongchum / Pexels.com

O sucesso da agroenergia brasileira reside na sua eficiência de escala e no uso de matéria-prima renovável. O etanol de cana-de-açúcar, por exemplo, é reconhecido internacionalmente por ser um dos combustíveis líquidos de menor emissão. Esse protagonismo coloca o Brasil em uma posição singular para liderar a formação de uma “Aliança Global por um Sistema Agroalimentar Saudável e Sustentável“, proposta que deve ganhar tração durante a Conferência do Clima. Mostrar que a produção de alimentos e energia pode ser feita de forma limpa é a grande contribuição diplomática e técnica do agro na Amazônia.

Além disso, a diversificação da matriz de bioenergia, com o crescimento do biodiesel e do biogás a partir de resíduos, demonstra a robustez do setor em buscar soluções circulares. A pesquisa e inovação contínuas, coordenadas por entidades como a Embrapa e centros de excelência, garantem que a tecnologia desenvolvida no país possa ser replicada em outras nações tropicais. O Brasil, com seu amplo potencial de etanol e outras biomassas, está pronto para ser a principal vitrine dessa transição na conferência em Belém, solidificando sua imagem como um player global indispensável na luta contra o aquecimento global.

*Jornalista, radialista e técnico em Agronegócio. Especialista em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, é editor-chefe do Agricultura e Negócios e autor de livros sobre liderança e criatividade.

FIDC Agro: mais de R$ 1 trilhão para financiar produção

O crédito rural no Brasil ainda é marcado por fortes contrastes. De um lado, o Plano Safra 2025/2026 prevê um volume recorde de R$ 516,2 bilhões. De outro, apenas uma parcela desse montante está realmente disponível em condições vantajosas para o produtor. Menos de um quarto dos recursos, aproximadamente R$ 113,8 bilhões, conta com juros subsidiados. O restante segue regras de mercado, com burocracia e exigências que atrasam a liberação e muitas vezes não acompanham o ritmo da produção. Nesse contexto, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) avançam como alternativa mais ágil e alinhada às necessidades do campo, movimentando R$ 630 bilhões em maio e com previsão de superar R$ 1 trilhão até 2027.

Os FIDCs têm se destacado no agronegócio por oferecerem soluções rápidas e estruturadas para diferentes necessidades, como custeio da safra, capital de giro e investimentos. Diferentemente das linhas públicas, frequentemente limitadas ou demoradas, esses fundos funcionam com operações desenhadas caso a caso, utilizando instrumentos como a Cédula de Produto Rural e garantias reais, entre elas o penhor de safra e a alienação fiduciária de imóveis. Além disso, contam com suporte técnico especializado ao longo de todo o processo de concessão. “O produtor não pode mais depender de um crédito que chega atrasado ou em volume insuficiente. O melhor recurso é aquele que atende à necessidade do negócio no tempo certo”, afirma Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

A versatilidade dos fundos também os torna instrumentos eficazes para atender toda a cadeia do agronegócio. O mesmo fundo pode contemplar um pequeno produtor, um grupo agroindustrial e até fornecedores de insumos, conectando as pontas de forma estratégica. Essa abrangência permite, por exemplo, integrar produtores de cana e usinas consumidoras de biomassa em uma mesma estrutura de recebíveis, o que reduz significativamente o risco de inadimplência.

Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels.com

Para o investidor, essa composição representa uma carteira pulverizada, com exposição a múltiplas culturas, regiões e perfis de tomadores, além de proteção adicional por meio das cotas subordinadas e garantias reais. O avanço dos FIDCs no agro acompanha o movimento de profissionalização que o setor vem vivendo nos últimos anos. Com a transição geracional, muitos grupos familiares passaram a incorporar práticas de gestão mais estruturadas, buscar proteção patrimonial e avaliar com mais critério o custo de capital. O crédito deixou de ser apenas uma necessidade pontual e passou a ser encarado como um componente estratégico do negócio. “Hoje conseguimos oferecer crédito sob medida, com análise técnica feita em campo e liberação no momento certo da safra. Isso muda completamente a dinâmica de quem está na ponta, produzindo”, explica Assis.

Ao conectar o campo ao mercado de capitais, os FIDCs ajudam a romper a dependência histórica do crédito subsidiado e impulsionam a autonomia financeira do setor. Mais do que uma simples alternativa ao financiamento tradicional, esses fundos representam uma mudança de paradigma na forma como o agro acessa e administra recursos. Em vez de esperar por liberações estatais com prazos indefinidos, o produtor passa a operar com previsibilidade, estratégia e estrutura compatível com sua realidade produtiva.

Em um país onde o agronegócio responde por cerca de 25% do PIB e movimenta cadeias produtivas que vão do alimento à energia, destravar o acesso ao capital de forma inteligente é mais do que uma conveniência, é uma questão de competitividade nacional. Fora da Faria Lima, os FIDCs já são protagonistas de uma nova fronteira do financiamento rural, aproximando o investidor do campo e criando pontes sustentáveis entre crédito e produtividade.

Cevada brasileira caminha para safra recorde impulsionada por manejo eficiente

A colheita da cevada brasileira já está em andamento e as projeções indicam mais uma safra histórica em 2025. As condições climáticas favoráveis, desenvolvimento genético e os avanços no manejo, especialmente no controle de plantas daninhas, e o fortalecimento das cooperativas consolidam o Paraná como o principal polo do cultivo. De acordo com estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), a produção deve atingir 423 mil toneladas, volume 43% superior às 296 mil toneladas colhidas em 2024, o que confirma a tendência de crescimento expressivo no Estado nos últimos anos. A área cultivada também aumentou 20%, alcançando 96,9 mil hectares, ante os 80,5 mil hectares registrados em 2024. Outro destaque é a produtividade medida de 4.600 kg por hectare, o que representa 35% da produção nacional de malte.

Na cevada destinada à maltagem, a qualidade do cereal é determinante para definir uma boa safra. O grão deve apresentar germinação acima de 92%, umidade máxima de 13%, teor proteico entre 9% e 12% e até 5% de grãos avariados.

Segundo o engenheiro agrônomo e gerente Comercial Distrital da IHARA, Alesandro Pagnoncelli, o avanço da cevada representa uma conquista para o agronegócio brasileiro. “A cultura é hoje uma alternativa rentável e estratégica para o produtor, especialmente em sistemas diversificados, com alto potencial de retorno e sustentabilidade agronômica”, explica Pagnoncelli.

Apesar desse otimismo, o setor ainda enfrenta desafios agronômicos. Um dos principais é o controle do azevém (Lolium multiflorum), planta daninha que afeta diretamente a produtividade e a qualidade dos grãos. “Estima-se que a perda de produtividade pode chegar a 14 kg para cada planta de azevém encontrada por metro quadrado. A preocupação aumenta pela dificuldade de controle e pelo potencial da planta em hospedar doenças. Quando não manejada adequadamente, pode comprometer culturas subsequentes e a qualidade do ciclo seguinte da cevada”, reforça o gerente Comercial Distrital da IHARA.

Estratégias devem ser adotadas para o próximo ciclo da cevada

Diante desse cenário e da crescente resistência às moléculas tradicionais, a IHARA conduziu, em parceria com a Cooperativa Agroindustrial Bom Jesus, um experimento de campo em Balsa Nova (PR) para avaliar diferentes estratégias de manejo, principalmente com herbicidas pré-emergentes. O estudo foi conduzido em lavouras infestadas por azevém, e os melhores resultados foram obtidos com YAMATO SC. Quando aplicado dois dias antes da semeadura, o produto apresentou a maior produtividade média de 133 sacas por hectare, 17 sacas a mais em comparação à área infestada, comprovando o impacto positivo do controle preventivo do azevém.

Testes realizados pela Fundação Agropecuária de Pesquisa Agrária (FAPA) também comprovaram a eficiência do YAMATO SC, que alcançou 100% de controle do azevém e apresentou baixo nível de fitotoxicidade, com aplicação um dia após a semeadura, superando os concorrentes.

Foto: IHARA / Divulgação

De acordo com o engenheiro agrônomo e administrador técnico de vendas da IHARA, Rodolfo Caetano Gomes, os resultados confirmam a importância de um manejo preventivo. “O uso de herbicidas pré-emergentes, como o Yamato SC, é determinante para garantir o arranque da cultura no limpo. Esse início livre de matocompetição faz toda a diferença na formação do estande e no resultado final da lavoura”, afirma Gomes.

Inovação e manejo integrado elevam produtividade

Além do YAMATO SC, a IHARA também oferece soluções complementares que fortalecem o manejo integrado da cevada. O FUSÃO EC, fungicida preventivo de rápida absorção, oferece proteção eficiente contra manchas foliares e oídio, doenças que comprometem o vigor e a qualidade dos grãos.

“O uso combinado dessas tecnologias reduz o número de aplicações, amplia a eficiência do controle fitossanitário e gera ganhos diretos de produtividade e rentabilidade”, explica o engenheiro agrônomo João Marcos Fillwock, também administrador técnico de vendas da IHARA. Ele complementa ainda que a adoção de soluções modernas fortalece a cadeia da cevada cervejeira. “Essas tecnologias permitem que o produtor alcance patamares superiores de produtividade e qualidade, mantendo o agronegócio brasileiro competitivo frente aos desafios do campo”.

Melhoramento genético e o futuro da cultura

Os programas de melhoramento genético têm desempenhado papel essencial na expansão da cevada no Brasil. As novas cultivares vêm apresentando maior tolerância a doenças, além de melhor qualidade para malteação, favorecendo a expansão para novas regiões e o aumento da produtividade média nacional.

À medida que as cultivares nacionais evoluem, teremos uma cevada cada vez mais adaptada às condições brasileiras, com desempenho superior e menor dependência de importações. Para isso, é essencial também investir no tratamento de sementes, garantindo uma boa germinação e o desenvolvimento inicial da cultura. Nesse sentido, a IHARA oferece o Certeza N, produto com ação fungicida e nematicida que proporciona o controle simultâneo de doenças de solo, sementes e nematoides.

“Combinando pesquisa, manejo integrado e inovação tecnológica, a cevada se consolida como cultura estratégica para o agronegócio nacional, com alta qualidade, produtividade crescente e sustentabilidade”, destaca Pagnoncelli.

Finados mantém relevância no calendário do setor de flores e plantas ornamentais

Apesar da queda gradual no hábito de levar flores aos cemitérios, o Dia de Finados segue como uma data significativa para o mercado brasileiro de flores e plantas ornamentais. A tradição, hoje mais presente entre pessoas de idade mais avançada, ainda representa cerca de 3% do faturamento anual do setor e ocupa a 6ª posição em volume de produtos comercializados ao longo do ano. O Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura – prevê  um incremento de 7% nas vendas, em comparação  ao ano passado.

No Ceaflor, maior mercado atacadista do segmento no Brasil, produtores especializados em variedades típicas da data, como crisântemos, kalanchoes e kalandivas, se anteciparam com encomendas e já comercializaram grande parte da produção. A procura por outras flores envasadas também vem crescendo, ampliando o portfólio de produtos associados à data.

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Além das mudanças culturais, fatores como o clima extremo e a escassez de mão de obra no campo têm impactado diretamente a produção. Dirceu Hasimoto, da Mix Flores (Atibaia/SP), que atua no Ceaflor, reduziu em 20% sua produção de kalanchoes e kalandivas em relação a 2024. A decisão foi motivada pelo aumento dos custos e pela dificuldade de encontrar trabalhadores, embora toda a produção já esteja vendida. “O custo de produção subiu muito e não conseguimos repassar. Por isso, optamos por atender apenas clientes que garantiram a compra. Em Finados, vendemos cerca de cinco vezes mais do que em uma semana comum, mas não temos equipe suficiente para atender toda essa demanda”, explica Hasimoto.

Mesmo diante dos desafios, há quem aposte na expansão. O engenheiro agrônomo e produtor rural Caio Shiroto, da Flora Shiroto, aumentou em 20% a produção de crisântemos no pote 15 e da variedade Bola Belga. “Percebemos um aumento na demanda e decidimos investir. Como Finados cai em um domingo este ano, há mais chances de as pessoas irem aos cemitérios prestar homenagens”, comenta.

Caio destaca, no entanto, que produzir crisântemos para Finados exige atenção especial às variações climáticas. Mesmo com o plantio realizado na mesma época, algumas variedades florescem antes do previsto, enquanto outras atrasam. Para lidar com isso, ele tem investido em tecnologias que ajudam a mitigar os efeitos do clima.

Outro ponto crítico de se produzir para datas especiais, segundo o produtor, é a escassez de mão de obra e a necessidade de reservar áreas específicas para essa produção sazonal. “A falta de trabalhadores sobrecarrega as atividades semanais, e a estufa fica ociosa em parte do ano, o que eleva os custos. Hoje, o produtor precisa fazer contas e avaliar o que é mais viável para seu modelo de negócio”, conclui.

O presidente do Ceaflor, Antônio Carlos Rodrigues, reconhece o empenho dos produtores em se reinventar e abastecer o mercado com variedade e qualidade. “Além dos tradicionais crisântemos, outras flores envasadas passaram a integrar o portfólio da data, como antúrios e até algumas espécies de plantas verdes. Finados continua sendo uma data relevante para o setor e é trabalhada com dedicação por nossos produtores”, afirma.

Especialistas debatem custos de produção e competitividade de grãos no cenário global

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu o evento “Benchmark Agro – Custos Agropecuários 2025”, encerrando o Circuito de Resultados do Projeto Campo Futuro. O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir a competitividade e os desafios da próxima safra de soja e milho no Brasil, Argentina e Estados Unidos.

O painel “Conexão Global: Custos de Grãos e Competitividade no Mercado” apresentou um panorama detalhado de custos e produtividade.

Brasil: produtividade alta, margem em queda

Segundo o pesquisador Mauro Osaki (Cepea), a safra 2024/2025 de soja foi “espetacular” em produtividade, alcançando média de 61,7 sacas por hectare nas principais regiões monitoradas. No entanto, a margem bruta do grão recuou 63% em comparação com as últimas três safras, apesar de ter chegado a US$ 92 por tonelada. Osaki alertou para o Rio Grande do Sul, que enfrentou queda de produtividade e aumento do custo para US$ 127/t.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Para o milho de segunda safra, a produtividade ficou acima de 7 ton/ha em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, com um custo médio variando entre US$ 140 a 146 por tonelada.

Desafios na Argentina e EUA

Christian Bengtsson, da Bedrock Farmland Wealth, destacou que o agronegócio argentino enfrenta grandes desafios nos custos, principalmente devido às altas taxas de exportação: a soja paga 36% e o milho, 9,5%. Ele observou que, apesar disso, os produtores argentinos se mantêm em atividade graças a custos operacionais mais baixos, impulsionados pela fertilidade do solo e pela rotação de culturas, o que reduz a dependência de fertilizantes.

Nos Estados Unidos, Kelvin Leibold (Agribenchmark) focou nos custos de produção em Iowa. O pesquisador apontou que mais de 60% das terras são arrendadas, e os custos de insumos, especialmente sementes OGM, estão em ascensão. Leibold ressaltou a necessidade de inovar para superar o aumento constante nos custos dos insumos de soja, que afetam o preço final do produto no mercado.

CNA encerra ciclo do Projeto Campo Futuro debatendo custos e previsibilidade no agronegócio

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, destacou a importância do Projeto Campo Futuro na geração de inteligência e previsibilidade de custos para os produtores rurais. A declaração ocorreu na abertura do evento “Benchmark Agro – Custos Agropecuários 2025”, que marcou o encerramento do ciclo da iniciativa.

O evento reuniu especialistas e lideranças do setor para debater a competitividade, desafios estratégicos e tendências globais do agro, como a colheita de grãos, biocombustíveis e gestão de custos.

Em um balanço do Campo Futuro em 2025, João Martins informou que o projeto alcançou mais de 1.500 produtores, realizando 147 levantamentos de custos de produção em 134 municípios, abrangendo 40 atividades agropecuárias em 21 Estados. “Números que mostram nosso esforço para entender as realidades regionais e apontar caminhos para maior eficiência técnica e financeira”, afirmou.

Safra, custos e pecuária

Ao analisar o cenário produtivo, João Martins apresentou perspectivas mistas: enquanto a safra de grãos 2024/2025 registrou uma produtividade recorde de 350,2 milhões de toneladas, favorecida por melhores condições climáticas, as primeiras estimativas para a safra 2025/2026 sinalizam um cenário de alerta para a soja, com uma redução projetada de 15% na margem bruta, principalmente devido ao aumento no preço dos insumos e a projeções climáticas menos favoráveis.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Em contrapartida, o mercado pecuário apresenta um panorama mais positivo, onde o aumento no abate de fêmeas, associado à forte demanda aquecida, tem sido suficiente para sustentar os preços da arroba do boi gordo, favorecendo, assim, os resultados econômicos dessa atividade.

O presidente da CNA enfatizou que o Sistema CNA/Senar concentra seus esforços em levar conhecimento, capacitação e gestão ao produtor, visando transformar produtividade em rentabilidade. Segundo ele, a evolução contínua do Campo Futuro, com análises detalhadas de custos e perspectivas de mercado, é uma ferramenta estratégica para o planejamento. “No mundo dinâmico e competitivo do agronegócio, prever cenários e tendências é crucial para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade no longo prazo”, concluiu Martins, reafirmando o compromisso da CNA com um setor mais preparado, inovador e resiliente.

BNDES começa a receber pedidos de crédito de produtores rurais impactados por perdas de safra

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu o protocolo para receber os pedidos de crédito no âmbito do Programa BNDES para Liquidação de Dívidas Rurais. Com orçamento de R$ 12 bilhões do governo federal, o objetivo do programa é auxiliar a retomada da capacidade econômica e apoiar a recuperação dos produtores agropecuários que registraram perdas significativas de safra.

As operações poderão ser realizadas por meio da rede de instituições financeiras parceiras credenciadas ao BNDES. Com orçamento de R$ 12 bilhões, prazo de até 9 anos, incluindo até 1 ano de carência, o Programa tem como objetivo apoiar produtores rurais, associações, condomínios rurais e cooperativas agrícolas localizados em municípios que, entre 2020 e 2024, tiveram a declaração de estado de calamidade pública ou de situação de emergência reconhecidas pelo Governo Federal, em decorrência de eventos climáticos adversos. 

“O BNDES é o principal agente do Governo Federal para a execução de políticas públicas de crédito de longo prazo no país. Assim como ocorreu no Rio Grande do Sul, com empresas afetadas pelos extremos climáticos, o Banco oferece aos produtores rurais alívio econômico, para garantir a continuidade da atividade produtiva no campo, especialmente para agricultores familiares e médios produtores, que têm papel central na segurança alimentar e no desenvolvimento regional”, afirma Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo do Rio Doce.

Foto: Pixabay / Pexels.com

Serão elegíveis para a utilização do Programa operações de crédito rural de custeio e investimento e Cédulas de Produto Rural – CPRs contratadas até 30 de junho de 2024 por produtores rurais que tiveram perdas de mais de 30% em duas ou mais safras, no período de 2020 a 2025, e que estejam localizados em municípios que tenham registrado perdas de mais de 20% em duas de suas principais atividades agrícolas no mesmo período. 

Ao menos 40% dos recursos estão reservados para produtores beneficiários do Programa Nacional de Agricultura Familiar – Pronaf e do Programa Nacional de Apoio aos Médio Produtores – Pronamp, segmentos mais vulneráveis aos efeitos das perdas de safra.