Agronegócio 2026: novas regras e desafios para os produtores rurais

O início de 2026 traz mudanças significativas para o agronegócio brasileiro. Novas regras tributárias, ambientais e de contratação estão em vigor, e os produtores rurais precisam estar preparados para evitar multas, perda de crédito e contratos anulados.

A partir de janeiro, a Receita Federal intensificará as autuações relacionadas ao Funrural, especialmente após decisões recentes que reforçaram o entendimento sobre obrigações retroativas. Isso significa que milhares de produtores rurais estão sob risco de autuações retroativas.

Além disso, as mudanças nas regras de contratos rurais de compra futura e arrendamento exigem revisão urgente para evitar cláusulas abusivas. A digitalização de processos, como CNDs e notas fiscais, também exige organização imediata para evitar bloqueios e atrasos.

A conformidade ambiental e fiscal é fundamental para acessar crédito rural. Quem não comprovar regularidade contábil pode ter o financiamento suspenso. É necessário que os produtores rurais busquem orientação especializada para se adaptar às novas regras e evitar problemas. O campo não tem mais espaço para improviso.

Segundo Adriano de Almeida, advogado tributarista e especialista em direito agrário, o início do ano deve ser marcado por um movimento de revisão urgente de contratos e obrigações fiscais. “Será um divisor de águas para quem ainda não adaptou a gestão financeira e documental da propriedade às novas exigências legais”, afirma o sócio do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados.

Foto: Matt Jerome Connor / Pexels.com

Chuvas trazem perspectiva de bom desempenho na recria do gado

A chegada da época das águas traz boas perspectivas na recria do gado, uma vez que o rebanho dispõe de uma maior disponibilidade e qualidade das pastagens para se alimentar, o que ajuda no ganho de peso. Ao mesmo tempo, é um período que traz desafios no manejo dos animais que, se não corrigidos, podem prejudicar sua saúde.

“As chuvas favorecem o crescimento e desenvolvimento das forragens, o que significa abundância de pasto com maior volume de massa verde para o gado”, explica o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson. “Além disso, em comparação à época das secas essas pastagens possuem maior teor de proteína e nutrientes que são essenciais para o desenvolvimento dos animais em fase de crescimento”, afirma.

Com o pasto de qualidade e em boa quantidade, o produtor tem a perspectiva de um alto potencial de ganho de peso e de expressar seu potencial genético. Marson fala que os animais de recria apresentam ganhos de peso diário significativos (podendo chegar a 700g a mais de 1kg/dia com suplementação adequada), com consequente redução do tempo até o abate ou da idade de entrada na reprodução.

“Com essas vantagens a propriedade consegue ter mais rentabilidade, uma vez que a produção de arrobas nessa época é mais econômica, pois se aproveita a base volumosa da pastagem, que tem custo de produção menor”, destaca.

Cuidados no manejo

As boas perspectivas da época, porém, podem ser prejudicadas por alguns fatores comuns ao período, como o aumento de doenças e parasitas. Isso ocorre porque a maior umidade e o calor produzem ambientes próprios para a proliferação de bactérias, parasitas e insetos (como carrapatos e moscas), que acarretam doenças como problemas de casco (pododermatite), mastite e verminoses.

Outro desafio do período é a formação de áreas enlameadas que causam desconforto aos animais, principalmente ao redor dos cochos de suplementação. “A diminuição de consumo também ocorre porque a chuva pode molhar o suplemento mineral nos cochos, comprometendo sua disponibilidade e palatabilidade. Para evitar esses problemas, o ideal é adotar cochos cobertos ou suplementos específicos para garantir o consumo adequado”, detalha Marson.

Foto: Divulgação / Connan

O zootecnista também lembra que o rebanho pode sofrer com diarreia ou problemas intestinais com a mudança repentina de uma dieta seca e fibrosa para uma pastagem tenra e rica, e orienta que o manejo de transição seja feito com ajustes na suplementação, para que o animal se adapte à nova alimentação.

Otimização do desempenho

O manejo proativo é fundamental para que o desempenho na recria durante as chuvas seja positivo. Uma medida que pode auxiliar nesse período é o manejo adequado da pastagem para garantir que os animais consumam forragem de boa qualidade e evitar o superpastejo e a formação excessiva de lama.

No caso da suplementação, ela deve ser feita de forma estratégica, com a escolha dos produtos dependendo dos objetivos de ganho de peso, para maximizar o aproveitamento do pasto e fornecer os nutrientes que a forragem, mesmo de boa qualidade, não supre totalmente.

Os animais também precisam ter à disposição áreas de descanso secas e de preferência sombreadas. Por fim, o produtor deve implementar na fazenda um protocolo sanitário eficaz, incluindo vacinação e controle rigoroso de parasitas internos e externos, além de atenção especial à higiene e prevenção de problemas de casco.

“Esse planejamento deve começar já na época das secas, para quando chegarem as águas tudo estar em andamento, sem necessidade de improvisações ou adaptações de última hora. Seguindo essas orientações, o desempenho na recria durante as chuvas tende a ser bastante positivo”, finaliza Marson.

CNA encerra ciclo do Projeto Campo Futuro debatendo custos e previsibilidade no agronegócio

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, destacou a importância do Projeto Campo Futuro na geração de inteligência e previsibilidade de custos para os produtores rurais. A declaração ocorreu na abertura do evento “Benchmark Agro – Custos Agropecuários 2025”, que marcou o encerramento do ciclo da iniciativa.

O evento reuniu especialistas e lideranças do setor para debater a competitividade, desafios estratégicos e tendências globais do agro, como a colheita de grãos, biocombustíveis e gestão de custos.

Em um balanço do Campo Futuro em 2025, João Martins informou que o projeto alcançou mais de 1.500 produtores, realizando 147 levantamentos de custos de produção em 134 municípios, abrangendo 40 atividades agropecuárias em 21 Estados. “Números que mostram nosso esforço para entender as realidades regionais e apontar caminhos para maior eficiência técnica e financeira”, afirmou.

Safra, custos e pecuária

Ao analisar o cenário produtivo, João Martins apresentou perspectivas mistas: enquanto a safra de grãos 2024/2025 registrou uma produtividade recorde de 350,2 milhões de toneladas, favorecida por melhores condições climáticas, as primeiras estimativas para a safra 2025/2026 sinalizam um cenário de alerta para a soja, com uma redução projetada de 15% na margem bruta, principalmente devido ao aumento no preço dos insumos e a projeções climáticas menos favoráveis.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Em contrapartida, o mercado pecuário apresenta um panorama mais positivo, onde o aumento no abate de fêmeas, associado à forte demanda aquecida, tem sido suficiente para sustentar os preços da arroba do boi gordo, favorecendo, assim, os resultados econômicos dessa atividade.

O presidente da CNA enfatizou que o Sistema CNA/Senar concentra seus esforços em levar conhecimento, capacitação e gestão ao produtor, visando transformar produtividade em rentabilidade. Segundo ele, a evolução contínua do Campo Futuro, com análises detalhadas de custos e perspectivas de mercado, é uma ferramenta estratégica para o planejamento. “No mundo dinâmico e competitivo do agronegócio, prever cenários e tendências é crucial para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade no longo prazo”, concluiu Martins, reafirmando o compromisso da CNA com um setor mais preparado, inovador e resiliente.

Planejamento nutricional de matrizes garante melhores resultados na estação de monta

A chegada da época das chuvas é o período em que os produtores se organizam para dar início a uma das fases mais importantes do calendário produtivo da fazenda, a estação reprodutiva. Apostar em um planejamento a longo prazo, focando no preparo nutricional das fêmeas na época correta, garante que elas cheguem a esse estágio com um bom Escore de Condição Corporal (ECC) que favoreça os índices reprodutivos.

“Estabelecer um período de monta na propriedade permite calendarizar os manejos e sincronizar a fase de maior requerimento nutricional das vacas, que é o período de lactação, com a época do ano de maior disponibilidade de forragens, ou seja, as chuvas. Dessa forma, as fêmeas entram na estação reprodutiva com boa condição corporal”, alerta o zootecnista e diretor técnico comercial da Connan, Bruno Marson.

Segundo o diretor, a taxa de fertilidade e a quantidade de gordura da vaca estão correlacionadas, por isso o planejamento nutricional deve envolver a alimentação adequada antes, durante e após a monta, com ajustes na dieta para atender as diferentes fases da fêmea.

Foto: Matthias Zomer / Pexels.com

“Para estarem aptas à reprodução, as novilhas devem atingir o peso ideal, entre 60% e 65% do peso adulto da raça. Já as fêmeas multíparas devem chegar na estação reprodutiva com escore corporal em torno de 3,5 na escala de 1 a 5. Com uma boa nutrição, é possível diminuir o intervalo entre partos e melhorar a produção de quilos de bezerros por vaca”, observa.

No período pré-monta, no caso das novilhas, é fundamental que atinjam o peso ideal e desenvolvimento adequado antes da primeira monta, para reduzirem a idade do primeiro parto e acelerarem o ganho genético. Já no caso das fêmeas adultas, a alimentação deve focar em manter ou ganhar peso, garantindo boa condição corporal para a estação de monta.

Durante a fase, a dieta precisa atender às necessidades nutricionais do animal, especialmente o período de lactação, que tem altos requerimentos. No pós-parto, a vaca precisa se recuperar e apresentar cio rapidamente. Por isso, a nutrição deve ser adequada para a recuperação do escore de condição corporal e o início de uma nova gestação.

Manejo de pastagens

O especialista comenta que os melhores resultados em termos de taxa de desmame e peso são obtidos quando os nascimentos ocorrem durante a estação seca. Assim, no início da estação chuvosa as pastagens se recuperam rapidamente, provendo alimento de boa qualidade em quantidade suficiente para que as fêmeas alcancem uma condição corporal que favoreça os índices reprodutivos. Com isso, a estação de monta poderá começar poucas semanas depois do início das chuvas.

“Com um bom planejamento, as fêmeas serão bem suplementadas nas águas, o nascimento dos bezerros ocorrerá na seca e elas estarão recuperadas na próxima estação chuvosa. Essa estratégia permite a boa recuperação do animal, sem impacto para a próxima estação de monta”, finaliza Marson.

Creep feeding acelera ganho de peso e melhora saúde dos bezerros até a desmama

Sistema reduz estresse e prepara os animais para as próximas fases da produção

Acelerar o ganho de peso e o desenvolvimento dos bezerros, resultando em animais mais pesados, uniformes e saudáveis no desmame é o objetivo do creep feeding, um sistema de alimentação estratégica que aumenta a produtividade e a eficiência da pecuária de corte. Voltado para bezerros em fase de aleitamento, ele otimiza a eficiência alimentar e prepara o sistema digestivo dos animais para as fases seguintes.

“O creep feeding é um método de suplementação alimentar que utiliza cochos privativos em um cercado projetado para permitir apenas a entrada dos bezerros, que recebem no local uma suplementação concentrada, enriquecida com minerais e proteína, garantindo que as matrizes lactantes não tenham acesso ao suplemento. Dessa forma, o animal recebe uma nutrição específica que potencializa seu crescimento, sem que haja a necessidade de separação da mãe”, explica o diretor técnico comercial da Connan, Bruno Marson.

A principal função do sistema é promover o aumento do peso à desmama, reduzindo assim o tempo de abate e otimizando os custos operacionais da fazenda. Além disso, o creep feeding também auxilia na transição para a suplementação alimentar no cocho, garantindo um manejo mais eficiente e produtivo.

De acordo com Marson, a prática é indicada para desmamar bezerros mais pesados, melhorando um índice fundamental para a fazenda de cria, que é a quantidade de quilos desmamados por vaca exposta na estação reprodutiva. O sistema também visa a recria e abate mais precoces ou a venda de exemplares de maior valor agregado.

“O creep feeding necessita de uma infraestrutura própria para ser aplicado com sucesso. O produtor deve estar atento, por exemplo, à localização do cocho, que deve ser instalado próximo ao cocho de suplemento das vacas, em um local de fácil acesso para os bezerros. Essa proximidade é importante porque estimula o bezerro a explorar o ambiente e descobrir o suplemento alimentar”, destaca.

O cercado destinado ao sistema deve ter uma cerca com altura de 90 a 1,10 centímetros, para impedir o acesso das vacas, e largura de passagem de 50 a 60 centímetros, para permitir a entrada dos bezerros. A distância entre o cocho e a cerca precisa ser de pelo menos 2 metros, garantindo a circulação dos animais.

O cocho deve ter uma estrutura coberta para proteger o suplemento contra chuvas e ventos, evitando desperdícios e assegurando que o suplemento permaneça atrativo para os animais. O espaço recomendado é de 1,5 metro quadrado por bezerro dentro do cercado. Para um lote de 20 bezerros, por exemplo, o cercado deve ter no mínimo 30 metros quadrados.

Benefícios

“Dentre as principais vantagens do creep feeding está o aumento do ganho de peso, uma vez que o animal recebe uma dieta rica em nutrientes que acelera seu crescimento e reduz o tempo de permanência dos bezerros na propriedade, elevando seu valor de venda no mercado”, pontua Marson.

Outro benefício é a redução do estresse e dos riscos de problemas de saúde no desmame, já que os bezerros ficam acostumados à suplementação desde cedo, tornando a transição do leite materno para a alimentação sólida mais suave. O sistema estimula o desenvolvimento do rúmen, transformando os bezerros em ruminantes de forma antecipada, otimizando sua capacidade digestiva e maximizando o aproveitamento dos nutrientes.

Foto: Divulgação / Connan

A Connan dispõe em seu portfólio de suplementos balanceados e específicos para o creep feeding, com fórmulas ricas em minerais e nutrientes essenciais para o crescimento saudável dos bezerros. Além disso, sua equipe de especialistas está preparada para avaliar as necessidades da propriedade, oferecer suporte técnico e criar um plano estratégico para maximizar a produtividade.

“Assim, com bezerros mais pesados e saudáveis, o produtor pode obter um retorno financeiro mais rápido, por meio da venda de mais quilos de bezerros e da redução nos custos de produção, aumentando a rentabilidade da propriedade”, finaliza Marson.