Pastagem plantada por mudas permite mais produtividade na criação de bovinos no semiárido brasileiro

O Ceará segue vencendo os desafios da agropecuária, que é um dos motores da economia da região. Em 2025, agropecuária cearense cresceu 5,30% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, superando o Produto Interno Bruto (PIB) que registrou crescimento de 2,25%, conforme dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A atividade tem potencial para crescer ainda mais, porém os produtores rurais da região enfrentam grandes desafios relacionados ao clima.  A seca prolongada no semiárido prejudica a produção de pastagem natural para alimentação dos bovinos em volume e qualidade necessária. Outros desafios são apontados por produtores locais como a falta de acesso à tecnologia e a práticas inovadoras e eficientes de manejo do gado, principalmente para as pequenas e médias propriedades. Nas grandes, em alguns casos, investir em irrigação e tecnologia torna o processo oneroso. A avaliação é do zootecnista, especialista em produção de ruminantes e pastagens e MBA em gestão de negócios pela FGV, Oswaldo Stival Neto. 

Segundo ele, pecuaristas têm buscado alternativas eficientes e com custo-benefício mais interessantes para estimular o aumento da produtividade e a sustentabilidade no pasto. Uma das inovações que tem ganhado espaço nas fazendas do estado é o plantio de mudas clonadas e melhoradas geneticamente do capim Tifton 85, que traz benefícios, mesmo se comparada à alimentação por meio de forragem conservada, a silagem, ou de feno, prática comum no Nordeste, no período de seca.

O zootecnista especializado em produção de ruminantes e pastagens, Oswaldo Stival Neto, explica que essa espécie, que resulta do cruzamento de uma gramínea de clima subtropical a temperado dos EUA com uma de clima tropical da África, criada em 1992 nos Estados Unidos. Seu cultivo não se propagou no passado por ele ser um híbrido , ou seja , seu plantio não se dá via sementes , e o método que se propagou antigamente  por plantio de ramas não se tinha por muitas vezes sucesso na implantação , além da dificuldade de encontra um material com origem o que inibiu a adesão a ele por um tempo. Mas, a empresa Amazon mudas , tornou seu plantio possível através de mudas clonadas e plantio mecanizável por plantadeiras , diante de seus resultados, agropecuaristas têm cada vez mais experimentado a alternativa.

“O que os números nos mostram é que  o Tifton 85 tem mais que o dobro de proteína em relação às demais forrageiras tropicais. Sendo assim, a metade do volume do Tifton 85, em relação ao que os produtores precisam servir de forragem, já vai suprir a demanda alimentar dos animais. Ou seja, no mesmo 1 hectare de área, o produtor consegue fornecer alimento para no mínimo o dobro de animais”, explica ele.  

Um exemplo é o da  fazenda  São José, localizada no município de Russa, no Ceará, onde os produtores implantaram a gramínea Tifton 85, que oferece ao gado cerca do dobro do valor nutritivo que o capim braquiária, que é mais comum nas fazendas brasileiras. Ela também produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens. 

Segundo Oswaldo Neto, com o uso do Tifton 85, é possível aumentar a produtividade na criação de gado em até 10 vezes mais do que a média nacional, saltando de uma média de uma para sete cabeças por hectares.  e ainda proteger o solo da erosão, contribuindo para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. 

A pastagem foi adotada na propriedade em uma forma inovadora, desenvolvida pela Amazon Mudas, que resolveu o gargalo do plantio, pois suas sementes não germinam. “Com a tecnologia que desenvolvemos, clonamos as mudas e fazemos seu melhoramento genético. Após isso, transferimos para o pasto com o plantio feito por máquinas plantadeiras, como no caso de mudas de tomate”, exemplifica Oswaldo Stival. 

Oswaldo ainda explica que este período em que o Ceará tem sua quadra chuvosa, entre fevereiro e maio, é muito importante para os pecuarista investirem na recuperação de suas pastagens, plantando gramíneas mais resistentes, que retém melhor a umidade e têm mais resistência em período de seca, como o Tifton 85, pois os benefícios serão sentidos durante todo o ano e ao longo do tempo. 

Pastagem da Fazenda São José, no Ceará, após o fim do processo de implantação do capim Tifton 85 (Fotos: Divulgação)

Pastagem mais resistente à seca

O zootecnista Oswaldo Stival Neto explica que o Tifton 85 apresenta mais resistência e robustez, mesmo na estiagem porque produz maior quantidade de matéria seca (alimento) por hectare e mantém cobertura densa que protege o solo contra a erosão, diferente das touceiras de outras pastagens.

“A partir do momento que ele não deixa o solo exposto, qualquer chuva que já venha a ter na área, vai fazer a retenção da umidade no solo e por não deixar o solo exposto ao sol, evita que aquela umidade se evapore”, explica.

De acordo com ele, mesmo com a oscilação das chuvas e o espaçamento maior entre uma e outra, além do sol muito quente, o Tifton 85 mantém a umidade do solo, suficiente para propiciar o crescimento da gramínea. Assim,  o volume de forragem costuma ser maior em relação às demais forrageiras, como a braquiária. 

E não somente isso, enfatiza Oswaldo Stival Neto. Se o plantio do Tifton 85 for feito no princípio das chuvas, aliado a uma adubação estratégica, a planta vai reter a umidade já buscando o nutriente fornecido pelo adubo, o que vai acelerar mais ainda o seu crescimento. “Assim já teremos já de início a planta produzindo muita massa  e também explorando um grande potencial da proteína bruta, oferecendo também mais qualidade  em valor nutricional. Desta forma, fornecemos condições para o animal ter um alto ganho de peso ou uma alta produção de leite”, detalha o especialista.

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