Ministra da Agricultura fala sobre estados livres de aftosa sem vacinação

com informações da Agência Brasil

Em entrevista  ao programa A Voz do Brasil, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Tereza Cristina falou sobre o reconhecimento de seis estados brasileiros como áreas livres de febre aftosa sem vacinação. “Isso significa qualificar melhor a carne brasileira, vender para países que pagam mais, pagam melhor. Recebem outros tipos de cortes mais nobres. E também significa o reconhecimento do status sanitário da nossa pecuária no Brasil”, disse a ministra. A certificação foi concedida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). 

De acordo com Teresa Cristina, os produtores terão acesso a mercados mais seletos como Japão, Canadá e Coreia do Sul, que compram apenas carnes com esse tipo de certificação. Junto com Santa Catarina, que já tinha esse reconhecimento, os sete estados livres de aftosa sem vacinação representam 40% do rebanho bovino brasileiro. Segundo Tereza Cristina, a meta é até 2026 ter o Brasil todo com esse status.

A ministra destacou que a adesão à campanha contra a febre aftosa – que está na primeira fase – sempre fica acima de 97% e é fundamental para os estados que desejam pleitear o reconhecimento como áreas livres de febre aftosa sem vacinação no futuro.

Sabemos de fato o que é biodiversidade?

por Reuber Brandão*

As palavras biodiversidade e diversidade estão na boca do povo. Somos frequentemente confrontados com o uso desses termos na mídia, na política, nas conversas coloquiais, mas poucos realmente buscam saber qual é, de fato, a sua definição. Infelizmente, a informação rasa predomina e parece haver uma crença coletiva de que o entendimento dos conceitos será absorvido pela simples repetição dos termos. E isso é perigoso, pois acaba provocando entendimentos enviesados que levam ao empobrecimento da percepção do mundo ao nosso redor.

Se não compreendermos a diversidade de forma precisa e abrangente, a definição de políticas públicas eficientes para a sua proteção fica prejudicada, penalizando toda a sociedade. Proponho uma aproximação ao tema com base na Teoria da Informação. Se utilizarmos os chamados índices de informação para a leitura de um texto, por exemplo, poderemos entender a riqueza das letras presentes (lógica de organização) e a abundância na qual aparecem (forma como se repetem ao longo do texto). Conteúdos escritos com poucas letras acabam não trazendo informação, assim como aqueles em que as letras se repetem em demasia também não. Esses dois parâmetros (riqueza e abundância), importantes elementos da Teoria da Informação, são a base dos índices de diversidade e podem ser aplicados em uma enormidade de campos de pesquisa, desde a Informática até a Ecologia.

Quando aplicamos os conceitos na Ecologia, usamos o termo riqueza para expressar quantas espécies nossa amostra possui, enquanto o termo abundância refere-se a quantos indivíduos representam cada uma dessas espécies. Desta forma, entendemos que diversidade é um índice matemático que expressa a relação entre o número de espécies e a abundância de indivíduos presentes em um ambiente.

Quando dizemos que um ecossistema possui muita diversidade, significa que contém muita informação biológica. Por isso, quando perdemos ecossistemas com alta diversidade, perdemos muita informação biológica. Empobrecemos a quantidade de informação que nosso planeta nos fornece, bem como todas as possibilidades trazidas pelo entendimento desse conhecimento sobre a definição de nossas estratégias diante da vida.

A informação biológica está organizada na natureza, compreendendo um arranjo complexo que envolve diferentes níveis e grandezas. Toda a expressão de vida no planeta contém essa complexidade de organização, seja ela a referência contida em uma pequena sequência de DNA e RNA até todo o conjunto dos componentes vivos de um ecossistema, que chamamos de biota. Desta forma, dizer que biodiversidade se refere a toda a vida da terra ou que é a variedade de formas de vida é extremamente simplório e, por que não, terrivelmente errôneo, pois não informa o pilar crítico do conceito que é a organização da manifestação da vida e os processos ecológicos relacionados.

Foto: Divulgação / Pixabay

Devemos considerar processos ecológicos essenciais para a geração e a manutenção da biodiversidade, como as interações ecológicas, a seleção natural e os ciclos biogeoquímicos, como parte da biodiversidade. O conceito precisa incorporar a importância hierárquica da organização da vida. Com isso, quem e quantos são esses componentes (composição), de que forma estão organizados (estrutura) e como interagem entre si e com o ambiente (função) são compreensões essenciais no entendimento do conceito de biodiversidade.

Essa visão mais ampla é fundamental, pois frequentemente os gestores públicos consideram apenas a composição da biodiversidade na elaboração de políticas públicas, deixando de lado a estrutura e a função na natureza. Sem observar a organização hierárquica da complexidade biológica em genes, espécies, populações, comunidades, ecossistemas e biomas, bem como dos processos e estruturas existentes, a compreensão da biodiversidade fica comprometida.

A mutação em um gene que expressa uma característica positivamente herdada irá interferir na seleção da espécie, que por sua vez irá influenciar na composição de outras espécies, levando a mudanças nos ecossistemas e assim por diante. Da mesma forma, mudanças nas paisagens, como a retirada de florestas, afetarão a diversidade de genes presentes nessa região.

Em todo o ciclo da vida há transferência de massa e energia entre os processos biológicos e isso faz com que a compreensão sobre a biodiversidade não seja estática, mas sim uma engrenagem em constante movimento. E é esse movimento que gera as propriedades emergentes dos ecossistemas, dentre os quais os serviços ecossistêmicos que possibilitam a nossa sobrevivência no planeta. Até mesmo a evolução é parte do funcionamento do maquinário da biodiversidade.

As diferenças na história evolutiva e na ecologia dos ecossistemas acabam gerando interessantes processos na estruturação da biodiversidade, que tem sido foco de diversos estudos sobre a forma como a vida se manifesta e atua no planeta. Desde sempre os seres humanos utilizam elementos da biodiversidade, influenciam e até atuam como força seletiva dessa estrutura. Entretanto, o aumento na escala de impacto da atuação humana apresenta novos desafios à natureza, bem como a necessidade de entender melhor a forma na qual a vida humana se inter relaciona com a vida não-humana.

Portanto, quando falamos em biodiversidade precisamos levar em conta o estudo das relações evolutivas entre grupos de organismos, a filogenética; o processo de descrição da diversidade dos seres vivos, a taxonomia; e a interação das espécies com o ambiente. Sem compreender essa engrenagem complexa continuaremos a ouvir o galo cantar, mas não saberemos onde.

*Membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor de Manejo de Fauna e de Áreas Silvestres na Universidade de Brasília.

Consumo mundial de café aumenta 1,9% e atinge volume de 167,58 milhões de sacas

O consumo mundial de café no ano-cafeeiro 2020-2021, deverá atingir o volume físico equivalente a 167,58 milhões de sacas de 60kg, o que representa um acréscimo de 1,9%, em comparação com o consumo registrado no ano-cafeeiro anterior, que foi de 164,43 milhões de sacas. Neste ano-cafeeiro em curso, a Europa será responsável 32,5% do consumo mundial de café, Ásia & Oceania 21,9%, América do Norte 18,9%, América do Sul 16,2%, África 7,3% e México & América Central 3,2%.

No ano-cafeeiro em curso 2020-2021, um ranking dos seis blocos econômicos, em termos de volume e respectivo crescimento percentual, em relação ao período anterior, demonstra a seguinte performance: a Europa, em primeiro lugar, com 54,25 milhões de sacas a serem consumidas, apresentará um crescimento de 1,8%; na segunda posição, vem a Ásia e Oceania, com 36,70 milhões de sacas (1,3% de crescimento); e, na sequência, destaca-se a América do Norte, com 31,77 milhões de sacas (3,7%). Em quarto colocado, figura a América do Sul, com 27,23 milhões de sacas (1,2%); em quinta posição, o continente Africano, com 12,27 milhões de sacas (2,1%); e, por fim, a região que contempla o México e a América Central, o consumo atingirá 5,36 milhões de sacas, o que representará aumento de 0,7%.

Os números e dados estatísticos, ora em análise, da performance do consumo da cafeicultura global, foram obtidos do Relatório sobre o mercado de Café – maio 2021, da Organização Internacional do Café – OIC, instituição representativa da cafeicultura mundial, da qual o Brasil é país-membro.

Curtas: agroenergia, recursos hídricos, fruticultura e ferrovias

Governo Federal faz repasse de R$ 31,6 milhões para obras do Cinturão das Águas do Ceará

O Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), liberou o repasse de R$ 31,6 milhões para a continuidade das obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC). Orçado em R$ 1,6 bilhão, o CAC já recebeu R$ 1,2 bilhão em recursos federais. Esse é o segundo desembolso feito pelo MDR neste ano para a continuidade das obras, que estão com 66,73% de conclusão – o repasse anterior foi de R$ 15 milhões.

Embrapa Agroenergia lança edital de inovação aberta em biocombustíveis e bioprodutos

A Embrapa Agroenergia lançou seu primeiro edital de inovação aberta em biocombustíveis e bioprodutos para a agroindústria, o InovaBio. Voltado para startups, agroindústrias e empresas empreendedoras, o edital tem como objetivo gerar ideias para projetos em parceria que deem origem a algum produto ou solução tecnológica  a ser entregue à sociedade.

Codevasf lança estrutura de apoio da Rota da Fruticultura da Ride/DF

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) lançou, em Brasília, a estrutura de apoio que vai coordenar, acompanhar e executar as ações da Rota da Fruticultura da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (Ride/DF), em articulação com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). O objetivo é elaborar estratégias para aumentar a produção e o fornecimento de frutas para mercados internos e externos, gerar emprego e renda na região, promover o intercâmbio de experiências e tecnologias, diversificar e implantar novas culturas e fomentar e motivar novos agricultores na produção de frutas no DF e Entorno.

Terminais integradores conectados à FCA têm aumento na carga movimentada

A VLI, controladora da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), informou que no ano de 2020, os terminais integradores conectados à FCA registraram um aumento de 6,3% no volume transportado em relação ao ano anterior. Entre janeiro e dezembro de 2020 foram movimentados nos terminais um total de 18,5 milhões de toneladas; ante 17,4 milhões em 2019. Ao todo, são seis os terminais integradores da VLI dispostos ao longo da malha ferroviária da FCA. São eles: Terminal de Araguari (MG), Terminal de Uberaba (MG), Terminal de Pirapora (MG), Terminal de Ouro Preto (MG), Terminal de Santa Luzia (MG) e Terminal de Guará (SP).

Foto: Gustavo de Andrade / Divulgação / VLI

Portal do Observatório da Agropecuária Brasileira reúne mais de 200 bases de dados do agro

com informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Um único local reúne dados de mais de 200 bases mapeadas acerca da safra agrícola, da previsão climática, do crédito rural, além de informações sobre o setor pesqueiro, e imagens georreferenciadas da área rural brasileira. É o portal do Observatório da Agropecuária Brasileira, disponibilizado ao público pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O objetivo do serviço é fortalecer e aprimorar a integração, a gestão, o acesso e o monitoramento dos dados e informações de interesse estratégico para o setor agropecuário e para o Brasil. O acesso ao sistema informatizado é aberto ao público, sendo algumas informações disponíveis de acordo com os perfis de acesso.

“Estamos entregando para a sociedade esse instrumento fantástico. Temos um marco de informações atualizadas, dados consistentes para a tomada de decisões. Isso vai fazer com que o Brasil consiga, neste momento difícil que vivemos hoje, mudar sua imagem. Não haverá mais desconhecimento em relação à agropecuária brasileira. Aqui está o que é preciso conhecer do Brasil. O setor merece esta plataforma”, anunciou a ministra Tereza Cristina, idealizadora do projeto do Observatório.

O secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Fernando Camargo, explica que o Observatório disponibiliza soluções inovadoras de tecnologia da informação e comunicação, de modo a subsidiar processos de tomada de decisão do Ministério e dos demais usuários do setor público, privado, terceiro setor e da sociedade.

Dados disponíveis

Os dados reunidos no Portal do Observatório estão disponíveis a partir de dois principais ambientes. Na “Plataforma Estatística”, encontram-se dados numéricos, tabulares e representações gráficas acerca dos diversos temas da agropecuária. Essa plataforma pode ser consultada utilizando filtros por período e estratificação em nível nacional, estadual e municipal, além de dados quantitativos e qualitativos.

O formato Geoespacial é dedicado à integração de dados e informações territoriais, que podem ser visualizados e construídos de acordo com a necessidade e interpretação dos usuários. A “Plataforma Geoespacial” está organizada por ambiente de visualização de camadas, relatórios quantitativos e painéis temáticos que detenham qualquer tipo de atributo e representação cartográfica dos dados.

Nos painéis temáticos, é possível consultar as áreas de agropecuária sustentável e meio ambiente; aquicultura e pesca; crédito rural; produtos agrícolas; Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc); e solos brasileiros.

Para a consulta de informações sobre o crédito rural público, o usuário encontra dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro, do Banco Central do Brasil. É possível selecionar a quantidade e valor dos contratos em quatro finalidades: custeio, investimento, comercialização e industrialização a partir de filtros que oferecem visualização por período, fonte de recurso, programa, subprograma, atividade, região do país, estado e município.

Informações sobre as principais culturas agrícolas (arroz, café, feijão, milho, soja e trigo) podem ser encontradas conforme cultivo, crédito, disponibilidades e mercado interno e externo no painel “Produtos Agrícolas”.

As bases de dados espaciais de solos, atualmente disponíveis no Brasil, podem ser vistas em escala 1:250.000, permitindo a visualização estatística do percentual de área ocupada no Brasil e em cada Unidade da Federação, conforme o Programa Nacional de Solos do Brasil (PronaSolos).

O painel temático do Zarc reúne informações consolidadas de todas as portarias do zoneamento para cada cultura, grupo, período do ano e tipo de solo. Também oferece ferramentas integradas com o intuito de promover maior usabilidade e intuitividade na interpretação da informação, centralizando a tábua de risco, a relação de cultivares e mapas de visualização dos dados por município, estado e região.

Uma biblioteca ainda reúne publicações dos diversos temas e setores como relatórios, informativos, revistas, planejamentos, boletins e cartilhas.

Até julho, outros temas estarão disponíveis: assistência técnica, assuntos fundiários, agricultura familiar, pecuária de corte e comércio exterior.

Tecnologia a favor do agro

A implantação do Observatório é considerada ferramenta de business intelligence (BI). Assim, permite a análise das bases de dados, bem como proporciona consolidar resultados imprescindíveis para tomada de decisão de produtores rurais, gestores públicos, empresários, e público em geral.

A partir do lançamento da ferramenta a expectativa é de que cerca de 1 milhão de consultas sejam realizadas no período de uma semana. A ferramenta suporta 500 acessos simultâneos a suas bases de dados.

As informações do Observatório são oriundas do Mapa e suas vinculadas como Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Ainda compõem o banco de dados registros do Banco Central do Brasil (Bacen), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Cafés do Brasil: exportações atingem 46 milhões de sacas em 12 meses

com informações da Embrapa Café

As exportações dos Cafés do Brasil em doze meses, especificamente no período acumulado de maio de 2020 a abril de 2021, atingiram um volume físico total equivalente a 45,88 milhões de sacas de 60kg, com preço médio unitário de US$ 125,76, e receita cambial de US$ 5,77 bilhões. Desse volume, 41,82 milhões de sacas foram de café verde, 4,03 milhões o equivalente a sacas de café solúvel e 25,09 mil de café torrado e moído.

Neste mesmo contexto da performance dessas exportações, apenas nos quatro primeiros meses do corrente ano, as vendas brasileiras de café aos importadores somaram 14,79 milhões de sacas de 60kg, das quais 13,53 milhões foram de café verde, 1,25 milhão de sacas de solúvel e, em complemento, 9,98 mil de torrado e moído. Além disso, o preço médio da saca exportada foi de US$ 131,78, o que gerou uma receita de US$ 1,94 bilhão.

Exclusivamente no mês de abril deste ano, foram exportadas 3,33 milhões de sacas de café de 60 kg, número que representou uma queda de 8,5% no volume exportado, caso esse desempenho seja comparado com o registrado no mesmo mês de 2020. Nesse caso específico, os cafés verdes representaram 3,03 milhões de sacas de 60kg, o solúvel 293,35 mil, o torrado e moído apenas 2,68 mil sacas, e a receita cambial foi de US$ 447,20 milhões.

Os números e dados estatísticos objeto desta análise do desempenho das exportações dos Cafés do Brasil foram extraídos do Relatório Mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil – Cecafé, o qual também está disponível no Observatório do Café, do Consórcio Pesquisa Café coordenado pela Embrapa Café.

Agropecuária brasileira é reconhecida por sustentabilidade na ONU

O sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e a agricultura movida a ciência para uma produção com baixa emissão de carbono já comprovaram seus resultados para a produção sustentável da agropecuária brasileira. O reconhecimento, agora, vem pela Convenção-Quadro das Nações Unidas em relatório publicado em abril no âmbito da reunião de Koronivia para a agricultura. O UNFCCC é o tratado internacional resultante da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.

No documento que faz referência ao Brasil, são citados o sistema integração lavoura pecuária floresta, como responsável por contribuir com a segurança alimentar e o desenvolvimento socioeconômico; a agricultura de precisão e a tecnologia baseada em ciência, que elevaram a produtividade e reduziram em 50% o preço dos alimentos, contribuindo com a segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável e a renda dos agricultores.

O Secretariado da UNFCCC destacou ainda que a produtividade brasileira aumentou 386% e a área agrícola apenas 83%, o que significa a preservação de 120 milhões de hectares de floresta. “A chave para isso foi o investimento do Brasil em políticas públicas relevantes e tecnologia de base científica”, diz o texto, ressaltando a promoção da agricultura, baseada na intensificação sustentável; a inovação tecnológica; a adaptação às mudanças climáticas; e a conservação dos recursos naturais. Ainda de acordo com o relatório, “o Brasil pretende continuar esses esforços e usar oportunidades de cooperação intercâmbio de conhecimento e apoio multilateral como estratégias-chave para alcançar o desenvolvimento sustentável e a segurança alimentar”.

O Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) é um grande expoente da adoção de tecnologias para a produção com o compromisso de redução de gases de efeito estufa. Executado de 2010 a 2020, o Plano ABC registrou resultados bem-sucedidos, tornando-se referência mundial de política pública para o setor. Para a próxima década, o ABC+ reestrutura os conceitos e estratégias, mantendo o compromisso com a sustentabilidade na produção de alimentos, fibras e energia, promovendo resiliência e aumentando a produtividade e renda dos sistemas agropecuários de produção, permitindo ainda redução de emissões de gases de efeito estufa.

ILPF

A Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é outro fator para a produção sustentável, na medida em que promove a recuperação de áreas de pastagens degradadas agregando, na mesma propriedade, diferentes sistemas produtivos, como os de grãos, fibras, carne, leite e agroenergia. Busca melhorar a fertilidade do solo com a aplicação de técnicas e sistemas de plantio adequados para a otimização e a intensificação de seu uso.

A integração também reduz o uso de agroquímicos, a abertura de novas áreas para fins agropecuários e o passivo ambiental. Possibilita, ao mesmo tempo, o aumento da biodiversidade e do controle dos processos erosivos com a manutenção da cobertura do solo.  Aliada a práticas conservacionistas, como o plantio direto, se constitui em uma alternativa econômica e sustentável para elevar a produtividade de áreas degradadas.

Dessa forma, permite a diversificação das atividades econômicas na propriedade e minimiza os riscos de frustração de renda por eventos climáticos ou por condições de mercado.

Articulação

O desenvolvimento da atividade agrícola brasileira, consolidada a partir de inovações tecnológicas e científicas se dá em articulação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que também comentou a citação do Brasil pela UNFCCC.

“Trata-se de uma citação importante para o Brasil, porque representa o reconhecimento do valor da pesquisa agropecuária em benefício do desenvolvimento nacional, que dá visibilidade à ciência agrícola brasileira como referência mundial”, diz o pesquisador da Embrapa Gustavo Mozzer, que integra a equipe do Núcleo de Políticas Globais (Polg), da Gerência de Relações Estratégicas Internacionais (Grei), da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (Sire), responsável pela coordenação do trabalho, com o apoio do Portfólio de Mudança do Clima.

Mozzer lembra que no ano passado foram encaminhadas duas importantes submissões ao processo de negociação na UNFCCC. Uma delas sobre temas relacionados à pecuária e aspectos socioeconômicos dos sistemas de produção agrícola e a segunda com foco no diálogo sobre terra e oceanos e do reforço de ações voltadas à mitigação e adaptação às mudanças do clima que ocorreu durante a COP virtual no final de 2020. “Além disso, no contexto da Conferência das Partes (COP) virtual, foi realizado um workshop, organizado no contexto das negociações relacionadas à agricultura (trabalho conjunto de Koronivia), com a participação da equipe brasileira na organização de uma apresentação oral registrada no resumo elaborado pelo secretariado”, explicou.

O Koronivia é uma instância importante nas negociações sobre agricultura, dentro da UNFCCC, que busca valorar a importância da agricultura e da segurança alimentar na agenda de mudanças climáticas.

Foto: Gabriel Resende / Embrapa

Prêmio iBest: site Agricultura e Negócios concorre em duas categorias

Com sua primeira edição em 1995, o prêmio iBest é considerado por especialistas como a premiação mais importante da internet do Brasil. Chamado até de “Oscar”, é uma das principais referências de qualidade dos empreendimentos ligados ao setor da internet e da tecnologia da informação no país.

Entre as categorias, destaque para Influenciador do Ano, Saúde, Esportes, Moda, Beleza, LGBTQIA+, Ações Sociais, Podcastas, Tecnologia e Investimentos.

Na edição deste ano, o site Agricultura e Negócios está concorrendo ao prêmio iBest 2021 em duas categorias: Notícias e Jornalismo e Economia e Negócios. Jayme Vasconcellos, editor de conteúdo do site, também está concorrendo na categoria Influenciador do Ano – DF.

E como a votação popular é fundamental para a premiação, a equipe de Agricultura e Negócios pede a sua participação. Basta clicar nos links acima, fazer um rápido cadastro, e votar nessas três categorias. É importante lembrar que é possível votar a cada 24 horas. Ou seja, se você gosta de nosso conteúdo, vote, vote novamente e continue votando!

SC: governo irá apoiar pescadores artesanais que tiveram perdas materiais em acidentes

Maior polo pesqueiro do Brasil, Santa Catarina terá linha de crédito especial de apoio aos pescadores artesanais que tiverem perdas de equipamentos e materiais devido a acidentes. O Governo do Estado oferecerá financiamentos sem juros e com subsídio para reforma ou aquisição de embarcações e equipamentos de pesca danificados.

A linha de crédito, que fará parte do Programa Investe Agro SC, foi uma demanda do setor pesqueiro por iniciativas específicas para recuperação de materiais danificados em acidentes.

As informações foram confirmadas pelo secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva, que falou sobre o projeto de apoio aos pescadores artesanais de Santa Catarina.

Governo lança plano de promoção da agricultura de baixo carbono

com informações da Agência Brasil

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou o Plano ABC+ 2020-2030. O plano traz as estratégias do governo para a promoção da agricultura de baixa emissão de carbono na próxima década. O objetivo, segundo o ministério, é avançar nas soluções sustentáveis para a produção no campo e a melhoria da renda do produtor rural, com foco no enfrentamento da agropecuária às mudanças do clima.

Entre os conceitos adotados no ABC+, está o da Abordagem Integrada da Paisagem (AIP), que prevê a gestão integrada da propriedade rural. A AIP estimula o uso eficiente de áreas com aptidão para produção agropecuária, e a regularização ambiental e preservação estabelecida pelo Código Florestal.

Nas áreas de uso agrícola, o ABC+ tem objetivo de promover a recuperação e conservação da qualidade do solo, da água e da biodiversidade, valorizando as especificidades locais e culturas regionais, expandindo o conjunto de iniciativas do Mapa para a promoção da produção agropecuária sustentável.

A segunda base conceitual consiste na combinação de ações de adaptação e mitigação para fortalecer a resiliência da produção e garantir a eficiência produtiva e a rentabilidade em áreas mais impactadas pela mudança do clima.

Para a ministra Tereza Cristina, o governo precisará levar os conceitos do plano aos pequenos produtores. “Temos o desafio de disseminar as práticas produtivas do ABC+ aos pequenos produtores rurais e agricultores familiares levando sustentabilidade aos quatro cantos do nosso Brasil”.

Segundo Tereza Cristina, alcançar as metas previstas vai trazer crescimento econômico ao setor. “Reiteramos a importância do ABC+ na promoção do crescimento econômico. Afinal, os produtores rurais aderem às práticas de baixa emissão de carbono porque elas trazem eficiência e renda conciliando conservação e produtividade”.

O plano ABC já existia na pasta e foi executado na última década. A ideia é renovar as metas para os próximos dez anos. “Na sua primeira década, o Plano ABC atingiu e superou praticamente todas as suas metas. O novo ABC+ promove abordagem integrada da paisagem como marco conceitual, estimulando a gestão integrada das propriedades rurais e uso eficiente dos recursos naturais”, afirmou Tereza Cristina.

Em julho, será realizada uma consulta pública, quando a sociedade civil poderá contribuir para as metas a serem atingidas pelo ABC+ até 2030.

Segundo o Mapa, as práticas agrícolas com baixa emissão de carbono passarão, em dez anos, a ser adotadas em 52 milhões de hectares no país. É um território corresponde a uma vez e meia o tamanho da Alemanha.