Café do DF premiado na Itália teve produção iniciada ‘quase por acaso’

Premiado internacionalmente, Carlos Alberto Coutinho, 73 anos, produtor de café na região do Lago Oeste, em Brasília, tem oferecido um produto especial que vem chamando a atenção de distribuidores e também de apreciadores de café expresso gourmet. Paraibano de Patos, Coutinho começou a plantação de café após uma tentativa frustrada de criar gado de leite, da raça holandesa, que quase o levou à falência.

Ele conta que após vender o gado, em 2002, um de seus funcionários cogitou a possibilidade de ele passar a plantar café. Como não encontrava mudas em Brasília, falou sobre a dificuldade com um conhecido, que, para sua surpresa, enviou um caminhão de mudas para a propriedade dele. “Quando cheguei no fim de semana aqui na fazenda, vi aquele mundo de mudas. E foi assim que começou, porque eu tive que plantar”, conta. A expansão foi se dando gradualmente. Hoje, em uma área de 300 hectares, 60 hectares estão aproveitados com a plantação.

De acordo com dados do relatório mensal de junho de 2019 do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgados pela Embrapa, em 2018 o consumo  mundial de café foi de 164,64 milhões de sacas. As exportações de café do Brasil entre julho de 2018 e junho de 2019 foram recordes: 41,1 milhões de sacas, com faturamento de US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões). O volume representa um aumento de 35% em relação ao período 2017-2018.

Qualidade que premia

Coutinho começou a plantar café há 16 anos, em 2003. De lá para cá, estudou, visitou propriedades, assistiu a diversos seminários voltados para área, foi a feiras especializadas, ouviu histórias, recebeu apoio da Embrapa desde o início da plantação e auxílio da Emater-DF em projetos há oito anos. Começou a fornecer café para Illy, empresa italiana de torrefação, em 2010. Em 2013 e 2014 foi vencedor do prêmio de melhor café do Centro-Oeste do Prêmio Regional Illy de Qualidade Sustentável do Café Expresso.

No último ano, em 2018, foi o primeiro produtor de café do Centro-Oeste a ser finalista no prêmio nacional da empresa italiana, no 28º Prêmio Ernesto Illy.”Não fazia parte dos meus planos e nem imaginava que nós tivéssemos esse potencial. No início, o plantio não tinha maiores intenções comerciais e nem eu desconfiava que nós estivéssemos em uma situação tão privilegiada”, conta Coutinho, orgulhoso ao lado da esposa, Laíse, 72 anos. Segundo o casal, a ideia inicial era apenas ter um cultivo como forma de terapia ocupacional.

A Illy selecionou 40 cafeicultores finalistas do 28º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso. Foram analisadas 1.174 amostras enviadas das principais regiões produtoras de café arábica de grãos da safra 2018/2019, o maior número de toda a história da premiação. Entre os três finalistas, dois produtores de Minas Gerais e um do Centro-Oeste foram os maiores vencedores do prêmio.

Pela primeira vez, um representante da região Centro-Oeste esteve entre os três primeiros lugares. Em outubro, Coutinho e os dois mineiros finalistas viajarão a Nova York para participar do 4º Prêmio Ernesto Illy Internacional. Na ocasião, será revelada a ordem de classificação entre eles (primeiro, segundo e terceiro colocados).

A premiação internacional reunirá 27 cafeicultores selecionados de nove países que fornecem grãos para a Illycaffè, celebrando os melhores cafés do mundo. Brasília estará representada por Coutinho. “Foi [devido a] um processo natural de aprimoramento que chegamos a essa situação e que eu espero que isso possa se irradiar pelo Distrito Federal, porque realmente, nós, aqui no DF,  temos um grande potencial para essa produção de cafés especiais”, ressalta Coutinho.

Comercialização

Hoje, a maior parte do café produzido na propriedade de Coutinho vai para a Itália e da Itália para o mundo, isso porque a Illy está presente em 140 países. “Eu vendo para a Illy porque eles me pagam um preço que compensa e fornecedor para Illy é uma coisa importante. Eu gosto muito do trabalho deles, da seriedade. É um sistema de trabalho que eu me identifico muito”, pondera.

No último ano, devido à boa safra de café, Coutinho acabou vendendo uma parte da sua produção para a multinacional Olam e para uma torrefadora de Formosa (GO). “Café não dá para segurar muito tempo porque ele vai perdendo a qualidade”, explica.

Produção

De acordo com o produtor, o café é uma planta perene de clima tropical, que se tiver calor e umidade flora o ano inteiro, o que acaba valorizando a região do DF para plantação. “Eles [consultores da Illy] dizem que o café daqui [do Brasil] tem um equilíbrio entre açúcar e acidez ideal”, conta Coutinho. A escolha do grão faz toda a diferença no aroma e sabor do café. Os grãos do expresso podem ser das espécies Arábica e Robusta.

Na propriedade, o plantio do café é feito de dezembro a fevereiro, que é o período de chuva. As sementes ou estacas para formação de mudas devem ser colhidas de plantas matrizes oriundas de cafezais produtivos. Nessa época, todos os anos, Coutinho faz novos plantios. A colheita, no cafezal já existente e com frutos, é entre os meses de maio e julho e deve ser iniciada quando a maior parte dos frutos estiverem maduros – em geral, quando se tem 70% na fase denominada de cereja (melhor momento de colheita).

“Aqui eu não consigo colher em 60 dias porque a máquina não dá conta, mas o ideal seria se eu conseguisse colher o café em 30 dias. Porque esse cereja, que é o café mais valioso, quando eu começo a colheita, tem 60% a 80% e chega no final com cerca de 30% por conta da demora.” O café verde causa prejuízo quanto ao tipo e qualidade da bebida e interfere no valor do produto.

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Com o prêmio, várias pessoas passaram a procurar o café de Coutinho. No entanto, ele conta que não tem autorização para vender o produto torrado. De acordo com a legislação, como produtor rural, para vender café torrado e moído ele precisa ter uma empresa.

Para atender esse público, Laíse e os filhos estão cuidando de uma marca, a Café Minélis, que eles pretendem esteja sendo vendida, em breve aos estabelecimentos de café gourmet da cidade.

“Eu torro o café só para o meu consumo, mas as pessoas procuram. A ideia é fazer uma linha de cafés gourmet bons, em parceria com cafeterias da cidade. Meu filho mais velho começou a estudar torrefação e está em um processo de preparação dessa parte.”

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Foto: Divulgação / Emater – DF

Selo Arte: regulamentação vai permitir a venda interestadual de alimentos artesanais

A Lei do Selo Arte, que permite a venda interestadual de produtos alimentícios artesanais, como queijos, mel e embutidos, foi regulamentada nesta quinta-feira (18/07). A certificação é um sonho antigo de produtores artesanais, que vão poder acessar mais mercados e aumentar sua renda. Após o presidente da República, Jair Bolsonaro, assinar o decreto, a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) comemorou e afirmou que “o produtor não vai mais ficar confinado à sua cidade, à sua comunidade. Acabou a clandestinidade. Ele vai poder andar pelo Brasil de cabeça erguida e ser conhecido. E teremos, como o Selo Arte, mais identidades geográficas e isso certamente será um incentivo para que surjam mais produtos genuínos de qualidade”.

A primeira etapa de aplicação do Selo Arte será para produtos lácteos, especialmente queijos. As próximas etapas vão abranger produtos cárneos (embutidos, linguiças, defumados), produtos de origem de pescados (defumados, linguiças) e produtos oriundos de abelhas (mel, própolis e cera).

Além do decreto que regulamenta a Lei do Selo Arte, assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, serão assinadas hoje pela ministra Teresa Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) a normativa do logotipo do Selo e duas instruções normativas que tratam da aplicabilidade do decreto. Uma delas traz o regulamento técnico de boas práticas para produtos artesanais lácteos e a outra diz respeito aos procedimentos para a certificação do Selo Arte. As instruções normativas devem ficar em consulta pública por 30 dias.

“Com essas mudanças legais, fica permitida, portanto, a comercialização interestadual de alimentos produzidos de forma artesanal. As mercadorias serão fiscalizadas pelos órgãos estaduais e deverão seguir as boas práticas agropecuárias e sanitárias”, explicou a Tereza Cristina.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, também exaltou a regulamentação do Selo Arte. “A partir do Selo Arte, o pequeno produtor artesanal vai poder levar seus produtos aos melhores mercados, e o limite dessa participação é onde ele for capaz de chegar com a qualidade do seu produto”, disse.

A Lei do Selo Arte (13.680/2018), publicada em junho do ano passado, modifica uma legislação de 1950, que trata da inspeção industrial e sanitária dos produtos de origem animal. Com a mudança, fica permitida a comercialização interestadual de produtos alimentícios produzidos de forma artesanal, com características e métodos tradicionais ou regionais próprios, empregadas boas práticas agropecuárias e de fabricação, desde que submetidos à fiscalização de órgãos de saúde pública dos estados e do Distrito Federal. A lei é de autoria do Deputado Federal Evair de Melo (PP-ES) e a elaboração do modelo do Selo contou com a parceria do Sebrae.

Atualmente, a comercialização de produtos artesanais é limitada ao município ou estado em que o alimento é feito e inspecionado. Com a regulamentação, os produtos poderão ser vendidos em diferentes estados, desde que tenham o Selo Arte. A mudança irá beneficiar milhares de produtores artesanais, garantindo acesso ao mercado formal e a agregação de valor dos produtos agropecuários.

A estimativa é que 170 mil produtores de queijos artesanais no Brasil sejam beneficiários diretos da regulamentação neste primeiro momento.

Para a ministra, este é um anseio de toda cadeia de produtos artesanais brasileiros. “É uma iniciativa muito esperada e que está sendo comemorada em todos os recantos desse país. Não só pelos produtores, mas pelos consumidores também, que passam a ter acesso facilitado a essas iguarias, com a segurança de que está comprando um produto de qualidade, fiscalizado pelos órgãos estaduais”, disse a ministra Tereza Cristina.

O secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, Fernando Camargo, destaca que o Selo Arte vai representar a emancipação do pequeno produtor e do produtor artesanal. “Com isso, agora ele terá todo o território nacional para poder vender o seu produto. E o consumidor terá uma ampla variedade de produtos para escolher a partir de agora, ou seja o produtor ganha e o consumidor ganha”, diz.

Consumidores

Com o Selo Arte, o consumidor terá a segurança de que a produção é artesanal, e respeita as características e métodos tradicionais. Os produtos serão fiscalizados pelos órgãos estaduais e deverão seguir as boas práticas agropecuárias e sanitárias.

O diretor do departamento de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas do Ministério da Agricultura, Orlando Melo de Castro, explica que o Selo Arte vai beneficiar os produtores, que terão acesso a mais mercados, e também os consumidores.

“Antes, não havia uma regulamentação que previa o comércio fora do estado. Tendo o selo arte, ele poderá comercializar em todo o território nacional. Isso é um ganho para o produtor e para o consumidor, que vai comprar um produto sabidamente fiscalizado, que tem controles na legislação, tanto na questão da produção do leite como no processo de fabricação. Isso é uma garantia e uma segurança para o consumidor, que vai encontrar esses produtos em diferentes praças do país”, diz Castro.

Ele lembra também que essa certificação já é uma prática comum em países na Europa, como Itália, França e Espanha, com alta valorização dos produtos. “O ganho é muito significativo para o produtor em termos de preço e também de legalização do seu produto no mercado. Passa a ser uma possibilidade para pequenas famílias de produtores terem alta renda oriundo da sua produção de leite, o que hoje é muito difícil”, explica.

O secretário-adjunto de Defesa Agropecuária, Fernando Mendes, também destaca que o Selo Arte abre novas oportunidades para os trabalhadores rurais e garante a qualidade dos produtos, que serão fiscalizados segundo as normas vigentes de vigilância.

“O Selo Arte representa enorme avanço ao permitir o acesso ao mercado de produtos alimentícios artesanais diferenciados e com atributos próprios de qualidade, gerando inúmeras oportunidades de emprego e renda no campo. Ao consumidor, o selo representa a segurança do produto, uma vez que atesta que o processo de fabricação foi submetido ao controle do serviço de inspeção oficial”, disse Mendes.

Características

Os produtos alimentícios identificados com o Selo Arte deverão ser feitos com matérias-primas de origem animal produzidas na propriedade ou com origem determinada e os procedimentos de fabricação devem ser predominantemente manuais. Além disso, deverão ser adotadas boas práticas de fabricação, para garantir a produção de alimento seguro ao consumidor, e boas práticas agropecuárias, contemplando sistemas de produção sustentáveis.

Por ser caracterizado pela fabricação individualizada e genuína, o produto artesanal poderá ter variabilidade sensorial entre os lotes. Na produção artesanal, a composição e o processamento seguem receitas e técnicas tradicionais de domínio dos manipuladores e o uso de ingredientes industrializados deve ser restrito ao mínimo indispensável por razão de segurança, não sendo permitida a adição de corantes e aromatizantes artificiais.

Além da comercialização interestadual de produtos, a regulamentação do Selo Arte vai diminuir a burocracia para o registro e comercialização de produtos artesanais e facilitar a identificação e o reconhecimento dos produtos através do selo.

Inspeção

O Ministério da Agricultura vai estabelecer os critérios para a comercialização interestadual desses produtos, garantindo o cumprimento das exigências sanitárias e dos requisitos de excelência de produção artesanal, que evidenciam o vínculo cultural e territorial.

Os estados e o Distrito Federal ficarão responsáveis pela concessão do Selo Arte e pela fiscalização desses produtos, cabendo ao Ministério da Agricultura coordenar a implementação da política e realizar a gestão do sistema de concessão e controle do Selo. Cada selo terá um número de rastreabilidade que permitirá ao consumidor identificar o nome do produtor, data e local de fabricação do produto.

“O Mapa vai orquestrar toda a engrenagem, realizando o fomento de boas práticas, incentivando a produção artesanal. Também vai aconselhar e dar capacitação por meio da Embrapa e de parceiros como o Sistema S e as escolas. O Mapa tem todo o interesse de favorecer a produção artesanal no Brasil”, diz Fernando Camargo.

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Com o Selo Arte, o consumidor terá a segurança de que a produção é artesanal e respeita as características e métodos tradicionais (Foto: Roça da Cidade / Divulgação)

ZMOT: como entender o consumidor 4.0?

por Marília Cardoso*

O cliente sempre tem razão? Você pode acreditar que sim ou até discordar dessa afirmação tão popular no mundo dos negócios. Mas, se tem uma coisa que hoje não há mais a menor dúvida, é a de que o cliente sempre tem voz.

Esteja ele certo ou não, a era digital potencializou a autonomia das pessoas e, atualmente, elas querem falar com as empresas de forma mais rápida e direta, usando as mídias sociais. E, raramente elas fazem isso para elogiar. Mais bem informados, consumidores de várias classes sociais estão mais exigentes e, pressionam as empresas para resolverem seus problemas de forma rápida – muitas vezes até esquecendo dos canais tradicionais, como é o caso do SAC – Sistema de Atendimento ao Consumidor.

Em outros casos, cansados de promessas não cumpridas e da má vontade das empresas, em especial no pós-venda, clientes vão a situações extremas. Nesse contexto, vemos consumidores excessivamente empoderados e empresas despreparadas. Mas, por que será que a relação entre empresas e consumidores mudou tanto?

Antigamente, o processo de compra se dava em três etapas. Primeiro, tínhamos um estímulo. Anúncios ou reportagens trazendo as novidades de uma empresa. Se tivéssemos interesse naquele produto ou serviço, o nosso próximo passo seria ir até o ponto de venda para conhecer melhor e tirar dúvidas sobre aquela oferta. Esse era chamado o primeiro momento da verdade. Era ali, no ponto de venda, que a empresa tinha a sua única chance de convencer o cliente, incentivando-o a comprar. Caso tivesse êxito, era chegado o segundo momento da verdade. A hora do cliente experimentar e validar se realmente a compra tinha compensado ou não.

Com o advento da internet, o Google realizou estudos e chegou à conclusão de que esse ciclo de compra mudou. O consumidor continua recebendo estímulos da mesma forma, pelos anúncios ou pelas reportagens. No entanto, antes de ir até o ponto venda obter mais informações com a própria empresa, ele vai para a internet e é lá que, na maioria das vezes, ele toma a decisão de comprar ou não. Segundo as pesquisas do Google, no caso de compra de carro, o consumidor só vai até à concessionária quando já está com 97% da compra decidida.

E, muitas vezes, quando chega lá, ele está até mais bem informado que o próprio vendedor. Isso porque ele entrou em fóruns de discussão e pesquisou exaustivamente sobre as impressões que os clientes que já compraram tiveram sobre aquele produto. Dessa forma, surge o que o Google batizou como ZMOT – Zero Moment of Truth, o momento zero da verdade.

Esse estudo realizado em 2012, com mais de 5 mil consumidores, revelou uma importante alteração na jornada de decisão de compra. Os pesquisadores do Google perceberam que o momento em que os consumidores estavam dentro da loja, diante do produto pela primeira vez, já não era mais o primeiro momento da verdade.

E o mais interessante é que, quando decidem comprar, seja pela internet ou em uma loja física, os consumidores passam para o segundo momento da verdade, o da experiência e, nesse momento, eles não mais se limitam a simplesmente dizer ao seus amigos e parentes se gostaram ou não daquela aquisição. Eles também vão colocar as suas impressões na internet, retroalimentando essa jornada de decisão de compra.

O ZMOT ocorre porque os consumidores querem informações vindas de fontes confiáveis antes de decidir o que comprar. Essas informações são opiniões de outras pessoas em sites especializados, discussões em fóruns, postagens em redes sociais, vídeos com avaliação do produto e tantos outros meios.

Ao chegar no momento de efetivar a compra, o consumidor já está com boa parte da decisão tomada. É durante o ZMOT que ele escolhe quais produtos entrarão na lista de compras, o local onde irá comprar e onde ele recomendará o produto depois da experiência.

Isso muda a lógica do marketing, onde o consumidor era passivo e apenas recebia as mensagens das marcas. O consumidor está cada vez mais ativo e vai atrás das informações que quer, nos canais em que confia. Com essa mudança, cabe às empresas tomarem atitudes para estarem presentes e dialogando com o consumidor durante esse momento zero da verdade. Com o empoderado consumidor 4.0, as empresas se adequam ou perdem o cliente para a concorrência.

*Jornalista, com pós-graduação em Comunicação Empresarial, MBA em Marketing e pós-MBA em inovação. É empreendedora, além de coach, facilitadora em processos de Design Thinking, consultora e professora de inovação. É fundadora da InformaMídia, agência de comunicação, e sócia-fundadora da PALAS, consultoria de inovação e gestão.

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Codevasf investe R$ 10 milhões no Maranhão

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) celebrou em julho convênios com nove prefeituras maranhenses para investimentos de aproximadamente R$ 8 milhões em pavimentação de ruas, recuperação de estradas vicinais e estruturação de atividades de pequenos produtores. A Companhia também investiu mais de R$ 2 milhões em equipamentos de apoio ao desenvolvimento da agricultura familiar no estado.

“Essas ações do governo federal, por intermédio da Codevasf, permitem o escoamento da produção do pequeno agricultor rural, além de melhorar a mobilidade nos municípios maranhenses, beneficiando centenas de famílias”, destaca o superintendente regional da Codevasf no Maranhão, Jones Braga.

Em São Bernardo, Buritirana, Loreto, Bom Lugar e Fortaleza dos Nogueiras serão aplicados quase R$ 5 milhões para obras de recuperação de estradas vicinais ou de pavimentação asfáltica na sede do município. Em Campestre e em Nina Rodrigues serão investidos cerca de R$ 1,4 milhão na pavimentação em bloquete. Já os municípios de Vitória do Mearim e de Formosa da Serra Negra receberão investimentos de aproximadamente R$ 1,4 milhão aplicados, respectivamente, na estruturação de uma praça do produtor e na construção de um mercado público municipal.

Os convênios foram assinados na sede da 8ª Superintendência Regional da Codevasf, em São Luís, com a presença dos prefeitos dos municípios de São Bernardo, Buritirana, Campestre, Nina Rodrigues, Loreto, Bom Lugar, Formosa da Serra Negra, Fortaleza dos Nogueiras e Vitória do Mearim.

Inclusão produtiva

Outro aporte de recursos realizado pela Codevasf no Maranhão foi no fornecimento de equipamentos a produtores rurais. Os investimentos somam mais de R$ 2 milhões de recursos do Orçamento Geral da União, destinados à Companhia por meio de emenda parlamentar.

Os equipamentos são destinados a ações de inclusão produtiva do governo federal, beneficiando famílias de 12 municípios do estado. A lista inclui caminhões basculantes, barracas de feira livre, kits de irrigação para 500 m² e para 1 hectare, caixas d’água, veículos utilitários e patrulhas agrícolas mecanizadas – compostas por trator, grade aradora e carreta com carroceria de madeira.

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Foto: Divulgação / Codevasf

Ação Rotas da Satis leva food truck para dentro de fazendas

Imagine um food truck percorrendo fazendas do país para promover momentos de descontração e relacionamento com produtores rurais. Pois esta é a proposta do Ação Rotas, organizada pela empresa mineira Satis especializada em soluções nutricionais para o campo. Inspirada nos tradicionais grupos de American Barbecue e na famosa Rota 66, a iniciativa terá o churrasco como atração principal para reforçar a proximidade da marca com seus consumidores finais. O roteiro da ação inicia esta semana no município de Jataí, em Goiás, e irá visitar ao todo nove propriedades em quatro estados diferentes.

No comando do Truck Churrasco da Satis estará Daniel Costa Almeida, especialista em cortes nobres, que acumula participações em diversos eventos e festivais no Brasil. Em cada etapa do roteiro, ele irá preparar diferentes tipos de carnes e acompanhamentos, dando dicas sobre as receitas servidas. Além do veículo caracterizado com as marcas da ação e da Satis, a estrutura itinerante contará com infraestrutura específica para melhor acomodar os participantes.

Os encontros contarão com a presença de representantes da empresa, que irão interagir de forma descontraída com os clientes e as equipes de suas fazendas. “A Ação Rotas foi pensada como algo especial, tanto para retribuir a parceria do produtor, quanto para gerar ainda mais engajamento com nossa marca. Diferentemente do dia a dia, em que tratamos basicamente das demandas do campo e conteúdos técnicos envolvendo o plantio, serão momentos para estreitar relacionamento com nosso cliente final. E nada melhor do que o churrasco, tão querido pelo brasileiro, para celebrar esta sinergia que nos faz crescer cada vez mais”, comenta Diretor Executivo da Satis, Endrigo Bezerra.

Cada encontro ocorrerá em uma fazenda parceira, onde o Truck Churrasco ficará instalado no período do almoço servindo os proprietários e suas equipes. Após passar pela Fazenda Bom Sucesso nesta quinta-feira (17/7), em Jataí/GO, o veículo percorrerá os municípios de Rio Verde/GO, Sapezal/MT, Sorriso/MT, Formosa do Rio Preto/BA, Unaí/MG, Cristalina/GO, Monte Carmelo/MG e Araxá/MG, onde fica instalada a sede da Satis. O circuito terá mais de 7 mil quilômetros e a última etapa está prevista para o dia 9 de agosto.

O Ação Rotas integra o projeto Produtor SatisFeito, que prevê uma série de inciativas executadas ao longo do ano. Este programa visa intensificar a presença da marca junto ao mercado e consumidor final, visando compreender melhor suas demandas e, assim, oferecer soluções sob medida que garantam melhores resultados no campo.

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Circuito percorrerá nove propriedades de quatro estados para estreitar o relacionamento com o consumidor (Foto: Divulgação / Moglia Comunicação)

Cinco problemas que impedem sua empresa de inovar

por Alexandre Pierro*

A maioria dos empresários já percebeu a necessidade da mudança de paradigma na lida com os novos modelos de negócios e as novas demandas de mercado. Porém, a maioria ainda está confusa sobre como fazer a inovação acontecer. É por isso que listei abaixo cinco problemas que impedem sua empresa de inovar. Resolvê-los está ao alcance de qualquer profissional.

Falsa ideia do que é inovar: muitas empresas acreditam que inovação é sinônimo de altos investimentos, de mudanças drásticas e que apenas conseguimos alcançar esse novo mindset com investimentos pesados em robôs e tecnologias de ponta. Isso é um grande erro, pois a inovação é uma mudança de paradigma de pensamento e não apenas a compra de novos e modernos equipamentos.

Não entender que o papel da tecnologia é secundário: Quando falamos de novos modelos de negócios, como UBER, iFood, AIRBNB, entre outros, o aplicativo (a parte tecnológica) serve apenas para fazer a interface com o cliente. A inovação é o formato exponencial do negócio e não a tecnologia por trás dele. Ou seja, a parte tecnológica importa, mas não é o principal.

“Eureka!” é um processo e não uma obra do acaso: Inovar é um processo contínuo. Não tem a ver com uma iluminação quase mística, ou uma genialidade ainda não descoberta. Tudo tem a ver com processos de estímulo à inovação dentro das organizações.

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Desperdício de boas ideias: A maior parte das boas ideias já está à sua disposição. Muitas delas estão com seus próprios colaboradores. Eles conhecem bem os processos da empresa, e gerenciar o que eles têm a oferecer é a chave para inovar. É preciso aproveitar esse conhecimento, não ignorá-lo. É tudo uma questão de uma boa gestão de pessoas e ideias. Felizmente, há ferramentas para isso.

Desprezar a diversidade: Muitas empresas são fechadas para o diferente. Uma empresa que não contrata um time de pessoas de diversas idades, orientações sexuais, etnias e locais, está perdendo o que todo um prisma diferente tem a oferecer. Empresas antiquadas, por exemplo, podem barrar mulheres em cargos de liderança, enquanto que startups podem barrar colaboradores com mais idade, por não se enquadrarem no padrão jovem. Só há o que lamentar, pois as perdas são imensas para a própria empresa.

O que a inovação tem de melhor é a troca, a capacidade de olhar antigos cenários com novos olhares. A mudança poderia ser antevista se as pessoas estivesse prestando atenção ao que está ao seu redor, e valorizando ideias, em vez de podar a criatividade que nasce nas pequenas coisas.

Sobre a PALAS

A PALAS é uma consultoria especializada em inovação e gestão. Entre os serviços estão treinamentos, consultorias e certificações ISO. Em um processo de co-criação, a empresa ajuda seus clientes a criarem o futuro. A inovação acontece como uma consequência da implementação de algumas das mais importantes metodologias de gestão. A PALAS é pioneira na implementação da ISO 56.002, que garante os processos de inovação nas empresas.

*Fundador da Palas, consultoria em gestão da qualidade e inovação. É engenheiro mecânico e físico nuclear, certificado na metodologia Six Sigma / Black Belt, especialista e auditor líder em sistemas de gestão de normas ISO.

 

 

Advocacia-Geral assegura pesca da tainha

A Advocacia-Geral da União (AGU) comprovou na Justiça a regularidade dos sistemas de controle da pesca da tainha e obteve a liberação da atividade para embarcações industriais.

A atuação ocorreu após a implantação do SisTainha, um sistema online que reúne dados sobre a pesca da espécie. Em conjunto com outros sistemas de monitoramento das embarcações por satélite, o SisTainha monitora a atividade dos pescadores para observar o cumprimento das cotas de captura previstas em normativo da Secretaria de Aquicultura e Pesca.

No entanto, o Ministério Público Federal questionou a eficácia do sistema em ação proposta contra a União e chegou a obter liminar que suspendeu totalmente a pesca até a comprovação da eficácia do SisTainha.

Por meio da Procuradoria Regional da União da 4ª Região, a AGU obteve a derrubada da liminar após demonstrar que o Ibama tem, por meio do sistema, acesso a todas as informações referentes às capturas efetuadas pelas embarcações.

A liberação da pesca industrial da tainha foi restrita às embarcações sem irregularidades e que não tenham interrompido sem justificativa os registros do Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS) na última safra.

No entanto, no início do mês, o MPF ainda acionou a Justiça alegando que o sistema teria permanecido fora do ar no período de 5 a 8 de julho e que portaria da Secretaria de Aquicultura e Pesca autorizou ainda mais embarcações a retomar a pesca da tainha.

Funcionamento regular

Mas os advogados da União que atuaram no caso juntaram aos autos telas e dados fornecidos pelo sistema demonstrando o funcionamento regular do SisTainha no período. A procuradoria também explicou que as embarcações que constam da Portaria SAP/MAPA nº 2.957/19 foram exatamente aquelas que já justificaram suas falhas, atendendo, assim, o determinado na decisão judicial.

A unidade da AGU ainda explicou que o Registro de Autorização de Embarcação Pesqueira – RAEP é emitido apenas quando o sinal do rastreador (PREPS) está ativo no sistema e que breves momentos de instabilidade, em razão de manutenção e ajustes do servidor da Marinha, não comprometem o controle e o respeito às cotas estabelecidas para 2019.

A desembargadora federal Vânia Hack de Almeida concordou com os argumentos da União e indeferiu o pedido do MPF, mantendo a possibilidade da pesca da tainha sob as condições já definidas.

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Foto: Salésio Crescêncio Vieira / Epagri

Rondonistas ensinam preparo de inseticidas naturais para substituição de agrotóxicos

A substituição do uso de agrotóxicos por inseticidas naturais foi tema da aula ministrada por Gustavo Donizete Figueiredo, 21 anos, e equipe de rondonistas, no munícipio de Acrelândia (AC), localizado a 110 quilômetros de Rio Branco.

A oficina “Inseticidas Naturais e Armadilhas” levou aos pequenos agricultores do município orientações de receitas de inseticidas e armadilhas caseiras para o combate de pragas no campo. A aula foi organizada por professores e alunos de agronomia de uma universidade Alfenas (MG).

Gustavo, estudante do 7º período de agronomia, explicou técnicas de adubação foliar, que consiste no uso de urina de vaca para proteger plantas de insetos. Ensinou o preparo de inseticidas feitos com calda de fumo ou com detergente e óleo de cozinha; de fungicidas à base de leite ou de bicabornato de sódio; e de armadilhas para mosca de frutas e broca do café.

Filho de produtor, Gustavo seguiu o caminho do pai e cultiva algumas plantações na roça. “O conhecimento prático, levo para faculdade, aplico na teoria e faço essa dinâmica”, comentou empolgado o estudante.

Quando criança, Gustavo sonhava ser veterinário, mas no período do ensino médio fez o curso técnico em agropecuária, fase em que surgiu o interesse pela agricultura. “Com 14 anos, iniciei o técnico em agropecuária e foi aí que me despertou a paixão pela agricultura”, disse.

O universitário, do pequeno município mineiro de Divisa Nova (MG), com cerca de 6 mil habitantes, deixou aos agricultores de Acrelândia um importante alerta em relação ao uso impróprio de agrotóxicos. “Hoje, temos muito problema de utilização indevida de agrotóxico nas propriedades daqui. Por isso, a ideia de aplicar os produtos naturais e afastar desse pessoal um pouco a prática dos agrotóxicos”, orientou.

Geraldo Rodrigues mora na zona rural de Acrelândia e trabalha com a agricultura desde os seis anos. Atento e participativo à palestra, o agricultor diz ter sido intoxicado após o uso de veneno na graviola. “Passei um produto agrotóxico na fruta. Quando comi, com meia hora meu estômago embrulhou”, disse.

O agricultor mostrou-se bastante agradecido pelos conhecimentos transmitidos pelos jovens universitários. “O que aprendi vai ajudar na nossa saúde”. Ainda sobre a palestra, Geraldo disse que vai repassar o conhecimento adquirido a outras pessoas da comunidade. “Isso aqui a gente aprende e repassa para os outros”, relatou.

Em relação ao uso de agrotóxicos nas lavouras, o estudante Gustavo explicou que o produto químico é mais direcionado à necessidade dos grandes produtores, e, geralmente, em pequenas propriedades, pode ser substituído por receitas caseiras. “Grandes produtores não têm como fazer sempre utilização de produtos naturais, mas é interessante que os pequenos produtores busquem conhecê-los”, afirmou.

Para quem usa agrotóxicos sem nenhuma orientação, o universitário deixou como principal orientação a necessidade do uso de vestimentas apropriadas para evitar qualquer tipo de contaminação. Aconselhou ainda a busca por orientação antes de manipular o produto.

“É importante ter o registro de quem está vendendo o produto para você, pegar orientação sobre dosagem, época e período para aplicação, roupa que deve está utilizando, armazenamento e descarte. Além disso, deve-se ter o costume de ler as bulas, explicou.

Com perfil simples, mas com visível domínio sobre o assunto, o universitário do sul de Minas relatou estar acostumado proferir palestras sobre o que aprende na faculdade aos moradores de sua cidade. “Faço muitos estágios na faculdade e integro uma associação de produtores de café e leite de minha comunidade. Sempre retransmito informações, como fazer uma análise de solo, coisas práticas de nossa área de agronomia”, esclareceu.

Mesmo com toda experiência em ministrar palestras, Gustavo diz que participar do Projeto Rondon está sendo uma experiência nova na sua vida. “É uma sensação tão boa você apresentar um conhecimento para aquela pessoa e ver a gratidão deles. É como chegarmos com informação e aquela pessoa fazer aquilo parecer um troféu”, finalizou.

Integram ainda o cronograma de oficinas para Acrelândia capacitações para professores, em metodologias, para agentes comunitários de saúde; oficinas de fossa séptica, irrigação, reaproveitamento de resíduos, horta comunitária, mídias sociais, comunicação com autoridades, biojoias, educação sexual, entre outras atividades.

A Operação Vale do Acre, do Projeto Rondon, teve início no dia 6 e segue até 20 de julho. As iniciativas da Operação Vale do Acre ação ocorrem em 12 municípios acreanos e contam com a participação de 250 estudantes e professores de 25 Instituições de Ensino Superior (IES) de todo o país.

Iniciativa coordenada pelo Ministério da Defesa, integram o Comitê de Orientação e Supervisão do Projeto Rondon os ministérios da Justiça e Segurança Pública, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, da Educação, da Cidadania, da Saúde, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Regional, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Secretaria de Governo da Presidência da República.

Histórico

O Projeto Rondon teve início em julho de 1967 com a Operação Piloto ou Operação Zero. À época, o projeto contou com a participação de 30 alunos e dois professores da Universidade do Estado da Guanabara, hoje Universidade do Estado do Rio de Janeiro, da Universidade Federal Fluminense e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A operação teve duração de 28 dias e foram desenvolvidas atividades de levantamento, pesquisa e assistência médica no Território Federal de Rondônia.

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Agricultores de Acrelândia (AC) aprendem receitas de inseticidas e armadilhas caseiras (Foto: Divulgação)

Documentos do cadastro rural já podem ser enviados digitalmente

O Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR) ganhou, neste mês de julho, uma nova funcionalidade que permite aos proprietários de imóveis rurais entregarem os documentos comprobatórios da Declaração para Cadastro de Imóvel Rural por meio da internet. Desenvolvido pelo Serpro para o Incra, o sistema, a partir de agora, torna mais prática, eficiente e segura a gestão desse processo.

As Declarações para Cadastro de Imóveis Rurais, emitidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), são prestadas mediante o preenchimento de formulários eletrônicos disponíveis na internet por meio do sistema. Após o envio da declaração, na maioria dos casos, é necessária a entrega de documentos para comprovação dos dados declarados, a fim de homologar o pedido de atualização cadastral. A lista de documentação é grande: vai desde documentos pessoais, comprovantes de residência, certidões, títulos, registros cartoriais, contratos de compra e venda das propriedades, até plantas dos imóveis.

Com a nova funcionalidade, a partir de agora, a documentação será recepcionada pela internet no próprio sistema nos formatos de arquivo PDF, PNG ou JPG. O procedimento de entrega, pelos Correios ou presencialmente em um posto de atendimento do Incra, será abolido a curto prazo. A previsão é que, já no início de 2020, o processo de recebimento da documentação seja realizado somente pelo sistema.

De acordo com a gerente do Departamento de Negócios do Serpro, Neurani Lima, o impacto dessa mudança é expressivo e envolve cerca de 2 milhões de detentores de imóveis rurais, além dos titulares temporários e respectivos cônjuges, num total de mais de 7 milhões de interessados. “Mais de 6 mil usuários do sistema, dentre servidores do Incra e as Unidades Municipais de Cadastramento (UMCs), também serão beneficiados. O Incra vem em um constante esforço para digitalizar os seus serviços e essa implantação agrega muito valor tanto para a gestão realizada pela autarquia, quanto no cumprimento da burocracia pelos proprietários rurais”, informa Neurani Lima.

Vantagens para cada um

As partes envolvidas têm muito o que comemorar. O proprietário rural, porque não terá mais a necessidade de se deslocar até uma Superintendência do Incra ou Unidade Municipal de Cadastramento (UMC), nem precisar enviar a documentação pelos Correios para obter o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR). O Incra, por sua vez, passará a fazer a gestão automatizada desse cadastro. “A implantação do upload de arquivos atende a nossa necessidade de disponibilizar soluções que deem mais celeridade aos fluxos dos processos”, destaca o coordenador-geral de Cadastro Rural do Incra, Paulo Aparecido Farinha. Paulo Farinha informa que a autarquia recebe, em média, 1,4 mil pedidos de atualização cadastral por dia. “Esse aprimoramento será capaz de promover, também, a melhoria processual, estabelecendo uma visão sistêmica e integrada dos serviços, dando mais agilidade e segurança ao processo jurídico do Incra, tendo em vista que os documentos ficarão armazenados no próprio sistema”, avalia o coordenador-geral.

CPF do imóvel rural

O Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) é uma espécie de CPF do imóvel rural. É expedido pelo Incra para comprovar a regularidade cadastral e contém informações sobre a área, o titular, a localização, a situação jurídica e a classificação fundiária do imóvel rural. Os dados são declaratórios e exclusivamente cadastrais, não legitimando direito de domínio ou posse.

O documento é indispensável para legalizar, em cartório, a transferência, o arrendamento, a hipoteca, o desmembramento, o remembramento e a partilha de qualquer imóvel rural. É essencial, também, para a concessão de crédito agrícola, sendo exigido por bancos e agentes financeiros. Desde 2017, a emissão é anual, podendo ser realizada pela internet ou em uma unidade de atendimento do Incra. O CCIR também pode ser emitido por celular ou tablet com o aplicativo SNCR Mobile, disponível para os sistemas Android e iOS.

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Mais de sete milhões de interessados são beneficiados com evolução de sistema desenvolvido pelo Serpro para o Incra (Foto: Divulgação)

Produtor de fumo investe no solo para aumentar produtividade

Diante das oscilações do mercado interno e externo, a busca por tecnologias que potencializem a produtividade no campo virou meta para o produtor rural, independente da cultura e da região que ele atue.

No interior do Paraná, sem poder aumentar a área plantada, produtores de soja e fumo estão investindo no solo para potencializar ainda mais os índices de produtividade e a rentabilidade. Foi o que fez o produtor Paulo Dalzoto, de Ivai, Sudeste do estado. Ele aplicou na lavoura de fumo 2 toneladas de Sulfacal em uma área de 4 alqueires, um fertilizante mineral granulado de alta performance que fornece para o solo macronutrientes como o cálcio e o enxofre de forma solúvel.

“Aplicamos 2 toneladas de Sulfacal a lanço, o que representou cerca de 200kg por hectares, e os resultados foram plantas mais vistosas e, principalmente, com mais peso, o que nos favorece na comercialização”, afirma Dalzoto.

A explicação para isso, segundo os agrônomos, está no próprio solo. O especialista em solo e nutrição de plantas e Diretor Técnico da SulGesso, Eduardo Silva e Silva, explica que para garantir a longevidade da cadeia produtiva da cultura do tabaco, a adubação não deve focar somente no nitrogênio e o potássio, macronutrientes significativamente demandados pela cultura, mas também no cálcio e no enxofre, solúveis e prontamente disponíveis a planta.

“Nos dias atuais, em função da falta de disponibilidade de novas áreas para expansão da produção, o uso de novas técnicas tornou possível a produção em solos de baixa fertilidade natural, ou mesmo em solos que foram manejados de forma inadequada no passado”, aponta.

Nesse sentido o sulfato de cálcio puro granulado, altamente concentrado e 18 vezes mais solúvel que o calcário, surge como uma tecnologia agronomicamente eficiente, economicamente viável, no manejo dos atributos químicos, físicos e até biológicos do solo e, inclusive, tem contribuído para aumentar a eficiência do aproveitamento da absorção dos adubos, proporcionando um novo patamar de alta produtividade sem comprometer a sustentabilidade.

Fumo absorve em média 135 kg/ha de cálcio e 24 kg/ha de enxofre

De acordo com o Manual Mundial de Uso de Fertilizantes, a cultura do fumo absorve em média 135 kg/ha de Cálcio e 24 kg/ha de Enxofre, cujas ações na planta se manifestam, na parte aérea, por uma folha mais resistente a estresses ambientais, já na parte subterrânea, observa-se uma planta mais enraizada, agindo na descompactação do solo e, todos esses efeitos positivos, resultam em uma planta que oferta folhas de melhor qualidade e bem classificadas, mesmo em cenários onde a classificação está mais rigorosa.

No entanto, o especialista faz um alerta ao produtor de fumo. “O nitrogênio e o enxofre são componentes estruturais essenciais para formação das proteínas. Portanto, níveis adequados de adubação nitrogenada, sob baixos teores de S no solo, podem levar ao acúmulo de formas não proteicas de N, resultando em ineficiente utilização dos fertilizantes nitrogenados e baixa qualidade das folhas”.

Diante disso, o Sulfacal é o único fertilizante mineral fornecedor de cálcio e enxofre puros, nos teores médios de 20% e 15%, respectivamente, o que assegura uma ótima absorção do nitrogênio. Além disso, o seu enxofre na forma de sulfato atua como uma espécie de repelente do cloro em solução, portanto, Sulfacal é altamente recomendado a culturas sensíveis ao cloro, como a do fumo.

Com relação as doses, Silva e Silva recomenda que o produtor sempre tenha em mãos uma análise química de solo recente e consulte o seu engenheiro agrônomo, no entanto, com base em acompanhamento a campo nota-se que doses de 300 kg/ha (Virgínia) e 500 kg/ha (Burley), têm proporcionado excelentes resultados a planta e ao bolso do produtor.

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Fertilizante mineral a base de cálcio e enxofre auxilia na reposição de macronutrientes que favorecem a qualidade e desenvolvimento da planta (Foto: Divulgação / SulGesso)