Café do DF premiado na Itália teve produção iniciada ‘quase por acaso’

Premiado internacionalmente, Carlos Alberto Coutinho, 73 anos, produtor de café na região do Lago Oeste, em Brasília, tem oferecido um produto especial que vem chamando a atenção de distribuidores e também de apreciadores de café expresso gourmet. Paraibano de Patos, Coutinho começou a plantação de café após uma tentativa frustrada de criar gado de leite, da raça holandesa, que quase o levou à falência.

Ele conta que após vender o gado, em 2002, um de seus funcionários cogitou a possibilidade de ele passar a plantar café. Como não encontrava mudas em Brasília, falou sobre a dificuldade com um conhecido, que, para sua surpresa, enviou um caminhão de mudas para a propriedade dele. “Quando cheguei no fim de semana aqui na fazenda, vi aquele mundo de mudas. E foi assim que começou, porque eu tive que plantar”, conta. A expansão foi se dando gradualmente. Hoje, em uma área de 300 hectares, 60 hectares estão aproveitados com a plantação.

De acordo com dados do relatório mensal de junho de 2019 do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgados pela Embrapa, em 2018 o consumo  mundial de café foi de 164,64 milhões de sacas. As exportações de café do Brasil entre julho de 2018 e junho de 2019 foram recordes: 41,1 milhões de sacas, com faturamento de US$ 5,3 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões). O volume representa um aumento de 35% em relação ao período 2017-2018.

Qualidade que premia

Coutinho começou a plantar café há 16 anos, em 2003. De lá para cá, estudou, visitou propriedades, assistiu a diversos seminários voltados para área, foi a feiras especializadas, ouviu histórias, recebeu apoio da Embrapa desde o início da plantação e auxílio da Emater-DF em projetos há oito anos. Começou a fornecer café para Illy, empresa italiana de torrefação, em 2010. Em 2013 e 2014 foi vencedor do prêmio de melhor café do Centro-Oeste do Prêmio Regional Illy de Qualidade Sustentável do Café Expresso.

No último ano, em 2018, foi o primeiro produtor de café do Centro-Oeste a ser finalista no prêmio nacional da empresa italiana, no 28º Prêmio Ernesto Illy.”Não fazia parte dos meus planos e nem imaginava que nós tivéssemos esse potencial. No início, o plantio não tinha maiores intenções comerciais e nem eu desconfiava que nós estivéssemos em uma situação tão privilegiada”, conta Coutinho, orgulhoso ao lado da esposa, Laíse, 72 anos. Segundo o casal, a ideia inicial era apenas ter um cultivo como forma de terapia ocupacional.

A Illy selecionou 40 cafeicultores finalistas do 28º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso. Foram analisadas 1.174 amostras enviadas das principais regiões produtoras de café arábica de grãos da safra 2018/2019, o maior número de toda a história da premiação. Entre os três finalistas, dois produtores de Minas Gerais e um do Centro-Oeste foram os maiores vencedores do prêmio.

Pela primeira vez, um representante da região Centro-Oeste esteve entre os três primeiros lugares. Em outubro, Coutinho e os dois mineiros finalistas viajarão a Nova York para participar do 4º Prêmio Ernesto Illy Internacional. Na ocasião, será revelada a ordem de classificação entre eles (primeiro, segundo e terceiro colocados).

A premiação internacional reunirá 27 cafeicultores selecionados de nove países que fornecem grãos para a Illycaffè, celebrando os melhores cafés do mundo. Brasília estará representada por Coutinho. “Foi [devido a] um processo natural de aprimoramento que chegamos a essa situação e que eu espero que isso possa se irradiar pelo Distrito Federal, porque realmente, nós, aqui no DF,  temos um grande potencial para essa produção de cafés especiais”, ressalta Coutinho.

Comercialização

Hoje, a maior parte do café produzido na propriedade de Coutinho vai para a Itália e da Itália para o mundo, isso porque a Illy está presente em 140 países. “Eu vendo para a Illy porque eles me pagam um preço que compensa e fornecedor para Illy é uma coisa importante. Eu gosto muito do trabalho deles, da seriedade. É um sistema de trabalho que eu me identifico muito”, pondera.

No último ano, devido à boa safra de café, Coutinho acabou vendendo uma parte da sua produção para a multinacional Olam e para uma torrefadora de Formosa (GO). “Café não dá para segurar muito tempo porque ele vai perdendo a qualidade”, explica.

Produção

De acordo com o produtor, o café é uma planta perene de clima tropical, que se tiver calor e umidade flora o ano inteiro, o que acaba valorizando a região do DF para plantação. “Eles [consultores da Illy] dizem que o café daqui [do Brasil] tem um equilíbrio entre açúcar e acidez ideal”, conta Coutinho. A escolha do grão faz toda a diferença no aroma e sabor do café. Os grãos do expresso podem ser das espécies Arábica e Robusta.

Na propriedade, o plantio do café é feito de dezembro a fevereiro, que é o período de chuva. As sementes ou estacas para formação de mudas devem ser colhidas de plantas matrizes oriundas de cafezais produtivos. Nessa época, todos os anos, Coutinho faz novos plantios. A colheita, no cafezal já existente e com frutos, é entre os meses de maio e julho e deve ser iniciada quando a maior parte dos frutos estiverem maduros – em geral, quando se tem 70% na fase denominada de cereja (melhor momento de colheita).

“Aqui eu não consigo colher em 60 dias porque a máquina não dá conta, mas o ideal seria se eu conseguisse colher o café em 30 dias. Porque esse cereja, que é o café mais valioso, quando eu começo a colheita, tem 60% a 80% e chega no final com cerca de 30% por conta da demora.” O café verde causa prejuízo quanto ao tipo e qualidade da bebida e interfere no valor do produto.

Café goumert

Com o prêmio, várias pessoas passaram a procurar o café de Coutinho. No entanto, ele conta que não tem autorização para vender o produto torrado. De acordo com a legislação, como produtor rural, para vender café torrado e moído ele precisa ter uma empresa.

Para atender esse público, Laíse e os filhos estão cuidando de uma marca, a Café Minélis, que eles pretendem esteja sendo vendida, em breve aos estabelecimentos de café gourmet da cidade.

“Eu torro o café só para o meu consumo, mas as pessoas procuram. A ideia é fazer uma linha de cafés gourmet bons, em parceria com cafeterias da cidade. Meu filho mais velho começou a estudar torrefação e está em um processo de preparação dessa parte.”

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Foto: Divulgação / Emater – DF
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