Uma ação conjunta envolvendo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Ministério de Minas e Energia, o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as secretarias estaduais de saúde e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) viabilizou a doação, por parte do setor sucroenergético, de álcool para a fabricação de gel e solução de álcool 70 para assepsia de estabelecimentos da rede pública de saúde.
A doação foi oficializada pelo presidente da Unica, Evandro Gussi, em reunião com a ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e com a secretária executiva do Ministério das Minas e Energia, Marisete Pereira. A ministra Tereza Cristina agradeceu a solidariedade do setor neste momento de elevado consumo do produto devido a pandemia de coronavírus. “São produtos altamente desinfetantes. Uma oferta para suprir as necessidades por que passa o setor de saúde no Brasil”.
“A gente sabe que a prevenção é a melhor arma contra o coronavirus e o álcool, tanto no formato gel quanto nesta fórmula de 75% é altamente desinfetante. Isso vai servir para a casa das pessoas, para a saúde pessoal delas, a assepsia pessoal delas e também hospitais, postos de saúde, locais que acabam tendo uma grande circulação de pessoas”, afirmou o presidente da Única.
A estratégia de contenção da pandemia do coronavírus, posta em prática em todo o mundo, com resultados muito positivos até agora, tem consistido em praticamente interromper os contatos sociais e paralisar todas as atividades sociais.
Governos e sociedades responsáveis têm adotado esse caminho, que o Brasil também deve seguir.
Essas restrições, no entanto, não podem ser absolutas. Hospitais, unidades sanitárias e todos os elos da cadeia de atendimento de saúde não podem deixar de funcionar plenamente, como é consenso de todos.
Na mesma categoria, devem ser incluídas as atividades de produção e comercialização de alimentos, cuja demanda não será reduzida pela crise. Do contrário, se faltarem alimentos ou se houver irregularidades no abastecimento, a saúde das pessoas será afetada e a própria harmonia social, que tanto precisamos nessa hora, será atingida.
Por essas razões, o Sistema CNA, em nome dos produtores rurais brasileiros, assegura à população que continuaremos produzindo normalmente.
Esperamos que o Governo assegure que a cadeia de abastecimento seja protegida e garantido o seu funcionamento, com regras adequadas e com o suporte econômico que for necessário. E que as autoridades estejam atentas para impedir qualquer tentativa de manipulação ou especulação por parte de maus brasileiros.
Brasília – 18/03/2020
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA
Qual foi a última informação ou recomendação que você ficou sabendo sobre o novo coronavírus (o Covid-19) – seja por alguém, texto, imagem, áudio ou vídeo? Tão veloz quanto a disseminação do próprio vírus ao redor do mundo está o compartilhamento de rumores e notícias sobre ele. No entanto, à medida que o medo e a insegurança também crescem, está cada vez mais difícil distinguir o que é verdade e o que é fake news sobre o coronavírus.
Conforme alerta a médica infectologista do Hospital Santa Rosa, Zamara Brandão, antes de avaliar se uma informação procede ou se trata de um mito, é importante não só manter a calma, mas entender o que é um coronavírus. “Eles são uma grande família de vírus encontrados em animais (como morcegos) e humanos. Sete desses vírus atravessam a barreira interespécie, infectando as pessoas, e podem causar doenças, cujas gravidades são variáveis”.
Zamara explica que o Covid-19 é uma nova cepa do coronavírus que não havia sido previamente identificada em seres humanos. “Ele faz parte de um grupo de doenças respiratórias que provocam sintomas semelhantes à gripe. A pessoa pode ter febre, tosse persistente, dor de garganta, espirrar, ficar com o nariz congestionado e apresentar diarreia. Algo semelhante ao H1N1. Seu diagnóstico é difícil e é feito por meio de exames laboratoriais”.
Em Cuiabá, o Hospital Santa Rosa aderiu à campanha de prevenção ao coronavírus. “A instituição conta com uma equipe capacitada para atender possíveis casos de coronavírus. Tanto que todo paciente que chegar com sintomas respiratórios deverá colocar uma máscara cirúrgica e se o mesmo esquecer, ela será oferecida. Inclusive, se você tiver uma viagem programada ao exterior – para um país com alta epidemiologia – e não puder adiar, leve uma máscara e tenha um álcool gel sempre por perto. Assim, você se protege e protege os outros passageiros”, pontua Zamara.
A médica infectologista responde abaixo algumas dúvidas que circulam na internet sobre o novo coronavírus. Confira:
Coronavírus se espalha no ar por longas distâncias?“A propagação ocorre por meio de gotículas respiratórias, mas já foi identificado na saliva, fezes, urina e sangue. E, quando se trata de gotículas respiratórias, por exemplo, ele não paira no ar. Atinge até um metro de distância. Por outro lado, o vírus pode contaminar superfícies. Então, tem que tomar cuidado quando for encostar em algo ou cumprimentar alguém para não tocar a mão em seguida nos olhos, nariz ou boca. Também vale evitar o compartilhamento de talheres e maquiagens”.
É preciso se preocupar com a importação de bens da China?“O Covid-19 tem uma estimativa de vida de aproximadamente nove dias em superfícies inanimadas e pode ser facilmente higienizado com álcool 70% ou hipoclorito de sódio. Logo, se comprar produtos na China, é pouco provável que o vírus sobreviva ao tempo de trajeto até chegar no Brasil. No mais, a prevenção está na esterilização do ambiente; na lavagem das mãos; no ato de cobrir a boca e o nariz com um lenço descartável quando for tossir ou espirrar ou usar o cotovelo; se estiver muito ruim, evitar sair de casa”.
Grávidas e crianças estão mais suscetíveis ao vírus?“Não são observados muito casos em crianças. Isso pode ser atribuído à imunidade delas que é diferente dos adultos. Quando infectadas, não apresentam sintomas exuberantes. Gestantes também não parecem ter uma facilidade maior de ter o vírus do que a população em geral. Aliás, o vírus não é transmitido ao bebê a partir do líquido amniótico e nem passa pelo leite materno. Apesar do Covid-19 apresentar alto nível de infectividade (fácil propagação de uma pessoa para outra), os casos que levam a uma maior gravidade não são tantos, se comparado com os de outros coronavírus que também provocam sintomas respiratórios – como o MERS e o SARS. Os quadros mais graves de Covid-19 estão aparecendo em pessoas mais velhas (acima de 60 anos) ou com algum tipo de comorbidade (como doenças cardiovasculares ou diabetes)”.
Chá de erva doce, água morna ou uísque combatem ou protegem as pessoas em relação ao coronavírus?“Erva doce não é componente do medicamento Tamiflu (retroviral usado para casos de gripe), como circulou na internet. E, portanto, não é eficiente no combate do coronavírus. Outra fake news diz respeito à tomar água morna de hora em hora, pois seria bom para levar o vírus que fica na boca para ser digerido no estômago. Infelizmente, isso não é verdade. A ingestão de uísque também não contribui. O melhor cuidado ainda é a prevenção”.
É certo que a pandemia do coronavírus trouxe ao mundo pânico talvez comparado aos efeitos de uma grande guerra.
É certo que a pandemia do coronavírus trouxe ao mundo pânico talvez comparado aos efeitos de uma grande guerra.
Ao mesmo tempo não se trata de uma crise do sistema capitalista, mas de uma crise exógena de saúde pública que afeta o sistema capitalista. Algo bem diferente da crise de 2008 iniciada no sistema de garantias de hipotecas norte-americano.
O absurdo crescimento chinês no PIB global, que de acordo com o Banco Mundial saltou de 5% em 1990 para mais de 20% em anos recentes, indicam a insustentável dependência econômica do globo em face da China.
Trata-se de uma dependência absurda que deve ser repensada imediatamente.
As grandes corporações mundiais não hesitaram em instalar unidades fabris na China e demais países periféricos em razão do baixo salário e da legislação trabalhista chinesa que impõe, por exemplo, férias anuais de apenas 5 dias por ano.
Em que pese a mesma legislação determinar jornada de 8 horas é comum que o trabalhador chinês realize jornadas de até 12 horas. Evidente, nessas condições, o capitalismo global não pensou duas vezes ao levar a linha de produção para a China a partir dos anos 90 do Século passado.
Parece claro o dumping praticado pela China nas últimas décadas que, em conjunto com o sistema global e políticas cambiais chinesas, desequilibrou toda a cadeia produtiva.
Enquanto os financistas de Nova Iorque vibravam com a valorização dos negócios, e o governo brasileiro na era Lula surfava na exportação de commodities, nossas indústrias baixavam as portas nos núcleos industriais nacionais.
Foi o golpe chinês que deu certo e proporcionou um crescimento espetacular às custas em grande parte dos empregos ocidentais.
Conforme indica reportagem do Financial Times, o salário médio na China em 2005 era de USD 1,2, saltando para USD 3,6 em 2016. Em termos comparativos o salário médio no Brasil, de acordo com o mesmo estudo, era de USD 2,7 em 2016.
Mas eis que surge o Covid-19, como já surgiu a gripe suína e tantas outras doenças importadas. E mais uma vez, nenhuma informação da China pode ser dada como totalmente confiável, e acompanhamos os números e consequência da doença, especialmente da Itália para uma melhor referência.
Acreditamos que algumas consequências são esperadas após o fim do surto. A quebra de muitas empresas ligadas ao transporte e turismo, eventos, dentre outras atividades. Também acreditamos em recrudescimento da xenofobia relacionada aos imigrantes e exacerbação do nacionalismo, uma vez que o perfil de vários presidentes ocidentais tem esse viés.
No decorrer dos próximos anos esperamos um novo balanceamento da linha de produção global para outros países. Desta forma, pulverização da logística produtiva e de distribuição é algo que deverá acontecer.
Porém, pela complexidade das ações, tudo isso será conduzido de forma paulatina no sentido de diminuir a dependência global exagerada do mercado chinês, e acreditamos que EUA, União Europeia e Grã-Bretanha tenham alinhamento neste tema.
Os países mais estáveis politicamente, que melhor organizarem seus custos internos com diminuição da burocracia exigida das empresas, e com melhor capacitação educacional da população serão muito beneficiados.
Conforme dados expostos, do ponto de vista do custo de trabalho, este já é menor no Brasil. E mais, a existência de flexibilidade de jornada de trabalho, conforme a autorização legislativa existente para implantação de banco de horas de trabalho, também facilitarão a migração de novos negócios para o país, se houver senso de oportunidade do governo federal. Os demais requisitos devem ser buscados rapidamente para aproveitar a oportunidade global.
Por fim, entendemos que se trata de uma nova era de oportunidades e a globalização terá novos parâmetros após o Covid-2019.
Em uma área de 600 metros quadrados, Cleiton Neves Elias, de 25 anos, começou a dar seus primeiros passos como empreendedor rural no Núcleo Rural Córrego do Atoleiro, em Planaltina. Após passar pelo curso de técnico em agroindústria no Instituto Federal de Brasília (IFB) e pelo programa Filhos deste Solo, da Emater-DF, o desejo de empreender dentro da área rural, ajudar sua mãe, Ivani Mariana Neves Elias, 53 anos, na propriedade dela e no futuro poder fazer essa sucessão, aumentou dentro do jovem do campo.
Morando na propriedade de sua mãe, que tem dois hectares, ele ocupa a parte do terreno cedida por ela, onde começou o cultivo de mudas orgânicas e insumos orgânicos. Inicialmente, está investindo em plantas nativas do cerrado, ornamentais, Pancs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) e insumos. Foi no programa Filhos deste Solo que ele diz ter ampliado os horizontes para o empreendedorismo e começado a controlar seus gastos.
“O curso me proporcionou ter total controle dos meus gastos, além de acesso a uma rede network que viabilizou visitarmos propriedades de sucesso, pegar informações importantes e divulgar um pouco do meu produto. Foi extremamente importante para mim”, conta.
O projeto, que teve andamento na atual gestão, está alinhado ao Plano Estratégico do Governo do Distrito Federal no âmbito do desenvolvimento econômico, com oportunidade de emprego e renda, além da melhoria no ambiente de negócio. A iniciativa também está contemplada no lado social, com objetivo de reduzir desigualdades por meio da geração de renda.
Entre suas cultivares, Cleiton possui plantas do cerrado e de outros ecossistemas, como o tamburil, barriguda, araçá, graviola, aroeira pimenteira, cacau, cereja gaúcha, pau-ferro, cajá, café vermelho, buriti, açaí, ingá, vinagreira e ipês branco, amarelo e rosa. “Ainda estou adaptando, organizando o viveiro, colocando os nomes científicos das ornamentais”, explicou Cleiton. As pancs fazem parte do cultivo de sua mãe, mas que estão recebendo grande parte da sua atenção, por serem nelas que dona Ivani investe com maior propriedade e espera ter retorno.
O curso presencial de empreendedorismo Filhos deste Solo formou dez turmas com alunos dos núcleos rurais da Taquara, Tabatinga, Pipiripau, PAD-DF, IFB de Planaltina, Brazlândia, Jardim II e Rio Preto, totalizando 207 jovens da área rural beneficiados. Para a presidente da Emater-DF, Denise Fonseca, o projeto engrandece o campo e visa mostrar as diversas possibilidades que os jovens podem encontrar na área rural.
“A ideia é fazer com que esses jovens não se frustrem saindo do campo para cidade, em busca de emprego. Além disso, mostrar que eles podem empreender e suceder seus pais no meio rural, garantindo emprego e renda no campo e ainda comida de qualidade na mesa das pessoas”, apontou Denise, que garante que um de seus objetivos à frente da Emater é fazer da área rural do Distrito Federal um dos melhores lugares para trabalhar e viver.
Realizações
“Com o curso de empreendedorismo da Emater, eu consegui entender de uma forma mais simples sobre todo o custo de produção, sobre como criar e alimentar o fluxo de caixa”, conta ele, que ressalta ter conquistado maior segurança e ido à luta. “Eu não tinha recurso financeiro, então eu mesmo fui andar no cerrado e fazer coletas de sementes, trouxe para casa e comecei a germina-las”, diz o jovem orgulhoso ao mostrar as mudas cultivadas.
O primeiro passo, logo após a busca por mudas, foi a criação de sua empresa com a abertura de um CNPJ. As próximas medidas serão a carteira de produtor rural e a buscar por um crédito rural para investir no seu projeto. O conhecimento da atividade, de acordo com ele, foi aprofundado no curso de técnico agropecuário do IFB. No entanto, desde criança já ouvia muitos ensinamentos práticos da mãe, que sempre gostou de plantar os próprios alimentos em processo orgânico, sem produtos químicos.
“Eu via muito a minha mãe fazendo as coisas e me ensinando. Mesmo sem estudo, ela sabe muito na prática. Desde criança fui ganhando forças e sendo incentivado por ela. Hoje o maior orgulho dela é ver eu fazendo as mesmas atividades e tendo me aprofundado no que ela me passou”, conta Cleiton, que pretende ajudar a mãe e ajudar a tomar conta dos negócios.
Segundo o jovem empreendedor, entre suas plantas, os abacaxis ornamentais que ele cultiva são os “queridinhos” do momento. “Eu vendo as mudas, mas como estou no início, eu também faço trocas”, disse. Casado com Denise Silva Rodrigues, de 24 anos, o jovem é pai de dois filhos, um de 3 anos e outro de 1 anos. Apesar das adversidades, como falta de transporte e muitas vezes não ter com quem deixar os filhos, ele e a esposa conseguiram se formar no IFB. A esposa é técnica em agroindústria e também fez o curso Filhos deste Solo.
Troca de mudas por insumos
Em um segundo momento, Cleiton planeja fazer um trabalho de educação ambiental, incentivando as pessoas a reciclar o lixo. A ideia é trocar uma muda de planta nativa por resíduos orgânicos como casca de ovo, borra de café e casca de banana. De acordo com ele, esse material vira insumo para suas plantas. “Com esses três já dá para fazer um excelente adubo”, acrescenta.
“Eu quero fazer um cartão fidelidade, com a troca de resíduos orgânicos por mudas de plantas ornamentais, nativas do cerrado ou Pancs. A pessoa vai juntar 1kg de algum dos três resíduos, trazer esse material separado. Cada quilo do resíduo, acompanhado de uma garrafa pet vazia, vai dá direito a uma muda”, conta.
Empreendedorismo rural
Foram 40 horas de curso, gratuito, em que eles puderam transformar suas ideias em planos de negócios. Participaram jovens entre 16 e 29 anos, ligado de alguma forma a uma propriedade rural (Proprietário, agricultor, filho de agricultor ou funcionário de empresa ou propriedade rural).
O programa de empreendedorismo rural Filhos deste Solo tem como objetivo apoiar a permanência dos jovens no campo, com condições dignas, por meio de incentivo na condução de negócios bem-sucedidos, dotando-os de competências e habilidades, com novas perspectivas culturais, sociais e empreendedoras dentro da própria comunidade.
O Valor da Produção Agropecuária (VBP) de 2020 é estimado em R$ 683,2 bilhões, montante 8,2% acima do registrado em 2019, com base nas projeções de fevereiro.
Para as lavouras, o valor estimado é de R$ 448,4 bilhões e, para a pecuária, R$ 234,8 bilhões. Em comparação ao do ano passado, o crescimento é de 8,9% e 8,2% respectivamente.
“A maior parte das lavouras analisadas apresenta crescimento do valor da produção. Entre estas, as de maior crescimento são a do amendoim (11,8%), cacau (6,6%), café (25,9%), da laranja (9,7%), da mandioca (7,8%), do milho (15,2%) e da soja (15,5%). Os resultados de milho e soja devem-se aos preços maiores neste ano, e também às safras mais elevadas. O café teve forte recuperação – a safra do arábica é 22,3% maior, e os preços são 10,4% superiores aos do ano passado”, diz a nota da Secretaria de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Já os produtos com previsão de redução do VBP são: banana, batata-inglesa, trigo, feijão, tomate e uva.
Na pecuária, carnes (bovina, suína e de frango) têm projeção de bons resultados este ano. O faturamento de ovos deve apresentar alta de 4,7 % em relação a 2019. A retração está prevista no setor de leite: 2,5%.
Por regiões, o Centro-Oeste lidera com projeção de 31,8% do VBP total. Em seguida, aparece o Sul (26,8%), Sudeste (25,2%), Nordeste (9,6%) e Norte (6,6%).
Agricultores familiares de 92 municípios receberão o benefício do Garantia-Safra, referente à safra 2018/2019, neste mês. A autorização do pagamento do benefício contemplará 76.635 unidades familiares, tendo em vista a comprovação de perda por seca nesses municípios.
A Portaria nº 9, que determina o pagamento, foi publicada pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Neste mês, receberão o pagamento agricultores de Alagoas, da Bahia, do Ceará, de Minas Gerais, da Paraíba, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e de Sergipe. O montante em recurso autorizado para esses agricultores de março até o mês de julho de 2020 chegará a R$ 65 milhões.
O Garantia-Safra tem como objetivo garantir a segurança alimentar de agricultores familiares sujeitos à perda de safra, por residirem em regiões sistematicamente com seca ou enchentes. Têm direito a receber o benefício os agricultores com renda mensal de até um salário mínimo e meio, quando tiverem perdas de produção em seus municípios igual ou superior a 50%. O Garantia-Safra prevê o repasse de R$ 850, divididos em cinco parcelas de R$ 170. O benefício Garantia-Safra é disponibilizado obedecendo o calendário de pagamento dos benefícios sociais.
Relação dos municípios que tiveram o benefício Garantia-Safra autorizado no mês de março/2020:
Alagoas: Batalha, Carneiros, Jacaré dos Homens, Major Isidoro, Olho d’Água do Casado, Olivença, Palestina e Pariconha.
Bahia: Caetanos, Jaguarari, Mansidão, Morro do Chapéu, Umburanas, Adustina, Antônio Cardoso, Antônio Gonçalves, Baixa Grande, Biritinga, Brejões, Cabaceiras do Paraguaçu, Caém, Caldeirão Grande, Candeal, Capela do Alto Alegre, Capim Grosso, Cipó, Coronel João Sá, Fátima, Feira de Santana, Filadélfia, Gavião, Glória, Governador Mangabeira, Heliópolis, Ichu, Ipirá, Itaquara, Itiúba, Jacobina, Jequié, Miguel Calmon, Milagres, Monte Santo, Nordestina, Nova Fátima, Nova Itarana, Nova Soure, Paulo Afonso, Pé de Serra, Pedro Alexandre, Pintadas, Piritiba, Ponto Novo, Queimadas, Quixabeira, Rafael Jambeiro, Retirolândia, Riachão do Jacuípe, Ribeira do Amparo, Santa Bárbara, Santo Estêvão, São Domingos, Saúde, Senhor do Bonfim, Serra Preta, Serrolândia, Tanquinho, Tucano, Ubaíra, Várzea da Roça e Várzea do Poço.
Ceará: Jucás e Icapuí.
Minas Gerais: Lagoa dos Patos, Olhos D’água e São João da Lagoa.
O programa Caminhos da Reportagem, que a TV Brasil exibe nesta quinta-feira (12/03), às 21h, revela como a agricultura urbana tem sido estratégica para garantir o acesso da população das grandes cidades a um alimento saudável e de qualidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), já existem cerca de 800 milhões de pessoas envolvidas com a atividade em todo o mundo.
Com mais da metade da população mundial vivendo hoje em cidades, o fornecimento de alimentos tornou-se um desafio para garantir um futuro sustentável. O ritmo acelerado de consumo aproxima perigosamente a sociedade dos limites planetários.
Nesse cenário, a agricultura urbana, desenvolvida no interior das cidades e em seu entorno, acontece bem próxima aos centros consumidores, o que reduz emissões de poluentes, gastos com transporte e desperdício. Além disso, a prática tem como um de seus desdobramentos mais importantes a possibilidade de geração de renda.
Em São Paulo, o programa mostra a ONG Cidades sem fome, que atua nas áreas mais vulneráveis da metrópole também com esse propósito. Segundo o presidente da instituição, Hans Dieter, as hortas comunitárias têm um tripé de objetivos: “Utilizar o espaço urbano que não está sendo usado para nenhum fim específico, transformá-lo em polo de produção de alimentos e gerar oportunidade de trabalho e renda para a população”.
A lógica é produzir “mais com menos”, explica o representante da FAO no Brasil, Gustavo Chianca: “Você utiliza recursos locais, pequenos espaços, usando menos água, menos espaço”. No Rio de Janeiro, a Fiocruz Mata Atlântica aplica o conceito em projetos como o Quintais Produtivos, na zona oeste da cidade. Moradores do bairro de Jacarepaguá foram incentivados a transformar o espaço livre de suas casas em pequenas hortas e hoje comercializam o excedente da produção.
Outra frente de ação da instituição é a educação ambiental. No Colégio Estadual Brigadeiro Schort, também no Rio, uma área usada para descarte de materiais ganhou nova vida com a plantação de espécies alimentícias. Desde então, ficou mais fácil ensinar aos alunos o valor da sustentabilidade.
A reportagem desta quinta apresenta também histórias de quem mudou o estilo de vida e de alimentação depois de começar a ter contato com a terra e a plantar o próprio alimento.
Sobre o programa
Produção jornalística semanal da TV Brasil, o Caminhos da Reportagem leva o telespectador para uma viagem pelo país e pelo mundo atrás de grandes histórias, com uma visão diferente, instigante e complexa de cada um dos assuntos escolhidos.
Temas atuais e polêmicos são tratados com profundidade e seriedade pela equipe da emissora pública. Premiado, o programa é reconhecido como uma das principais atrações jornalísticas do país.
No site da TV Brasil é possível ver as edições anteriores da produção jornalística. As reportagens também estão no aplicativo EBC Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site http://play.ebc.com.br.
Serviço:
Caminhos da Reportagem – quinta-feira, dia 12/03, às 21h, na TV Brasil
O Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço, também conhecido como ´apanhadores de flores sempre-vivas´, localizado em Minas Gerais, na porção meridional da Serra do Espinhaço, recebeu o reconhecimento internacional concedido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), denominado Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM). Este certificado visa reconhecer os patrimônios agrícolas desenvolvidos por povos e comunidades tradicionais em diversas partes do mundo. As comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas passam a ser o primeiro SIPAM no Brasil, o quarto da América Latina e o 59º patrimônio agrícola em todo o mundo.
“Estes sistemas de patrimônio agrícola são caracterizados pela combinação de quatro elementos: biodiversidade, ecossistemas resilientes, conhecimento tradicional e uma valiosa herança cultural, ou seja, uma identidade. Depois de ter conhecido o trabalho destas apanhadoras de flores sempre-vivas há um quinto elemento que incluo como muito importante: a dignidade das mulheres rurais”, destacou o Representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala.
O Sistema Agrícola da Serra do Espinhaço é praticado por seis comunidades, formadas por camponesas e quilombolas, localizadas nos municípios de Diamantina, Buenópolis e Presidente Kubitscheck. Estas famílias preservam há séculos naquela região a identidade cultural e prática sociocultural de manejo e coleta das flores sempre-vivas.
A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, destacou que essas comunidades tradicionais da Serra do Espinhaço são guardiãs da biodiversidade, uma vez que 80% das flores sempre vivas do país são colhidas na Serra. “Manter esta tradição é essencial.”
De geração em geração, estas comunidades, que são também agrícolas e pastoris, além de extrativistas, transmitem e preservam seus conhecimentos no manejo destas plantas, cumprindo um importante papel de guardiãs da natureza, ao mesmo tempo em que garantem a autonomia alimentar por meio da produção agrícola de alimentos e a criação de animais. É um conjunto de práticas de convivência harmônica com o ambiente mediante a preservação das tradições típicas da identidade cultural dessas comunidades.
As famílias produzem grande parte dos alimentos que consomem, o que lhes garante segurança alimentar e nutricional. Contudo, a comercialização das flores sempre-vivas é a principal fonte geradora de renda. As mulheres, que representam cerca de 60% das que exercem a atividade agrícola nestas comunidades, desempenham um papel chave no uso, conservação ou circulação de sementes, bem como na transmissão de conhecimentos e na manutenção da cultura alimentar.
A apanhadora de flores sempre-vivas, Maria de Fátima Alves, membro da comissão em defesa dos direitos das comunidades extrativistas, destacou a importância da preservação da tradição e do conhecimento gerado por estas comunidades que, hoje, ganham o reconhecimento da FAO. “Temos um papel fundamental na manutenção da vida quando conservamos centenas de espécies nativas e da biodiversidade. Temos muito orgulho de ser o primeiro SIPAM do Brasil e imensa felicidade em sermos os pioneiros neste processo. Esta conquista é de todos os povos tradicionais do Brasil”, disse Maria de Fátima.
Foto: Divulgação / Seapa / MG
As comunidades que tiveram seus sistemas agrícolas reconhecidos pela FAO – Lavras, Pé-de-Serra, Macacos e as Comunidades Quilombolas de Raiz, Mata dos Crioulos e Vargem do Inhaí – chegam a manejar cerca de 480 espécies de plantas já catalogadas, incluindo as alimentares e as medicinais, cujos conhecimentos e práticas únicas permitem a preservação dos recursos genéticos e melhoram a agrobiodiversidade.
Para Fernando Schwanke, Secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA): “Hoje, o Brasil entra para o grupo de países que contribuem para a preservação da agrobiodiversidade do planeta”, comemorou. Segundo o Secretário, existe mais de 40 sistemas tradicionais no país, que cuidam da agrobiodiversidade brasileira. “Uma agrobiodiversidade que se expressa em recursos genéticos, que permite o desenvolvimento de espécies resilientes e mais adaptadas aos biomas brasileiros e que são fundamentais para a segurança alimentar”.
No período de abril a outubro, as apanhadoras e suas famílias sobem a Serra para a coleta das principais flores sempre-vivas, permanecendo por lá durante semanas. A coleta também representa o momento de encontro entre as comunidades, promovendo a socialização.
“Que esse reconhecimento também sirva para dignificar o trabalho destas comunidades e melhorar as condições de vida destas famílias. Por isso, é preciso que continuem trabalhando para tornar esse modelo sustentável, ao longo do tempo, transmitido de geração em geração sua biodiversidade, cultura e identidade”, finalizou Zavala.
Comunidades guardiãs
Estas comunidades são guardiãs da biodiversidade, tanto de sementes agrícolas como de conhecimentos tradicionais associados às espécies silvestres, conhecidas como sempre-vivas. Além disso, cultivam outras plantas espontâneas importantes na dieta e na medicina tradicional quilombola. Os conhecimentos continuam sendo transmitidos entre gerações, as sementes são trocadas e o seu compartilhamento é conduzido pelas comunidades, contribuindo assim a conservação das sementes.
O manejo é baseado no conhecimento tradicional, estritamente relacionado aos ciclos naturais das espécies e à intensidade de coleta, a fim de garantir a renovação e manutenção de cada espécie.
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento em exercício do Governo de Minas Gerais, José Ricardo Ramos Roseno, destacou os esforços em prol das comunidades ligadas ao processo de colheita das sempre-vivas. “O Governo de Minas reafirma o seu compromisso com o Plano de Ação para a Conservação Dinâmica, com particular atenção para a demanda de regularização fundiária das comunidades tradicionais, que está a cargo da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, ressaltou.
O Plano de Ação consiste em uma série de ações estratégicas que demandam esforços governamentais, não governamentais e, também, de pesquisa e desenvolvimento, de forma sinérgica, para fortalecer organização social das comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas e garantir longevidade ao sistema, ou seja, de seu modo de vida tradicional.
SIPAM/GIAHS
Criado em 2002 pela FAO, o SIPAM (Globally Important Agricultural Heritage System – GIAHS, sigla em inglês) combina biodiversidade agrícola, ecossistemas resilientes e um patrimônio cultural valioso. São sistemas agrícolas ancestrais que constituem a base para inovações e tecnologias agrícolas contemporâneas e futuras. Sua diversidade cultural, ecológica e agrícola ainda é evidente em muitas partes do mundo, mantida como sistemas únicos de agricultura.
Na América Latina, além do Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço, integram este seleto grupo do SIPAM na região: o corredor Cuzco-Puno, no Peru; o arquipélago de Chiloé, no Chile; e o sistema de Chinampa, no México.
O Ministério da Agricultura, por meio da Secretaria de Agricultura Familiar e Cooperativismo, coordenou o encaminhamento do dossiê da candidatura e do Plano de Conservação Dinâmica do Sistema, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a FAO, para que o Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço concorresse ao título de Patrimônio Agrícola Mundial.
Para que o Sistema de Agricultura Tradicional da Serra do Espinhaço recebesse o reconhecimento, ainda em 2018, as comunidades se organizaram e, com o apoio da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (CODECEX), prepararam o dossiê de candidatura com o apoio de universidades parceiras. Além disso, elaboraram o Plano de Conservação Dinâmica do Sistema Agrícola, em parceria com importantes secretarias do Governo do Estado de Minas Gerais, além das prefeituras de Diamantina, Presidente Kubitschek e Buenópolis.
As exportações de óleo de soja, carne (bovina, suína e de frango), algodão e complexo sucroalcooleiro (açúcar e álcool) tiveram desempenho favorável na balança comercial do agronegócio, que contabilizou US$ 6,41 bilhões, em fevereiro.
A participação do agro no total das exportações brasileiras ficou em 39,2%, já que houve recuo de 6,3% nas vendas externas na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
As importações do setor totalizaram US$ 1,06 bilhão no mês e, como resultado, o saldo da balança comercial foi de US$ 5,35 bilhões, de acordo com a Balança Comercial do Agronegócio, elaborada pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Soja
As exportações de óleo de soja totalizaram US$ 62 milhões (+126,5%), com aumento no preço médio (33%) do produto e na quantidade comercializada, com 69 mil toneladas.
Carnes
A comercialização de carnes no mercado externo ficou em US$ 1,30 bilhão (+11,3%). Houve aumento de 7,5% no quantum comercializado, com 559 mil toneladas, e alta do preço médio dos produtos do setor à taxa de 3,5%. Segundo a SCRI, as exportações de carnes voltaram a atingir o patamar recorde de US$ 1,3 bilhão em exportações para os meses de fevereiro, verificado anteriormente somente em fevereiro de 2014. “O principal item negociado no mês foi a carne bovina, com US$ 564 milhões (+9%). No que se refere à quantidade, verificou-se retração de 5,7% em relação a fevereiro de 2019, com 131 mil toneladas negociadas, mas o preço médio de exportação subiu 15,6%”, diz o levantamento.
Segundo a SCRI, as exportações de carne de frango aparecem na segunda posição do setor, com vendas de US$ 548 milhões (+5,8%). As vendas de carne de frango in natura registraram recorde de quantidade para os meses de fevereiro, com 335 mil toneladas (+11,5%), representando US$ 525 milhões (+6,6%) e cotação média do produto no período de US$ 1.567 por tonelada (-4,3%).
As exportações de carne suína atingiram US$ 154 milhões (+55,4%), com incremento de 25,4% no quantum comercializado e de 23,9% na cotação média da mercadoria brasileira no período. As vendas da carne in natura, por sua vez, foram recordes para os meses de fevereiro em valor (US$ 143 milhões) e em quantidade (58 mil toneladas).
“As flutuações nos valores exportados de soja em grão e carnes permanecem influenciadas pela desarticulação da produção chinesa de carne suína, em virtude da peste suína africana (PSA), que afeta o rebanho de suínos do país desde 2018. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) estima que a produção chinesa de carne suína em 2020 deverá ser de 36 milhões de toneladas, volume 33,3% inferior ao produzido em 2018”, diz a nota da SCRI.
Complexo sucroalcooleiro
O complexo sucroalcooleiro atingiu US$ 484 milhões, alta de 19,9%. As vendas de açúcar foram as mais significativas dentro do setor, com US$ 389 milhões (+14,6%) e 1,31 milhão de toneladas negociadas (+12,4%). O álcool obteve US$ 94 milhões de receita de exportação (+47,1%), com incremento de 46,7% na quantidade comercializada (131 mil toneladas). O preço médio do produto permanece no patamar aproximado de US$ 716 por tonelada (-13,1%).
Algodão
Outro produto com destaque foi o algodão com desempenho positivo de 68,3% no mês estudado, somando US$ 268 milhões em exportações. As vendas envolveram 170 milhões de toneladas, com preço médio de US$ 1.578/tonelada, redução de 7,4% no valor em relação ao mesmo mês de 2019.
Principal destino em fevereiro
No mês de fevereiro, a Ásia ocupou a primeira posição das exportações do agronegócio brasileiro. Foram exportados US$ 3,10 bilhões, ou seja 3,3% inferiores ao mesmo mês em 2019.
A China se manteve entre os principais destinos, com US$ 1,95 bilhão. Esse montante representou queda de 8,6% ante fevereiro/2019 (-US$ 183,04 milhões), e queda da participação do país de 31,3% para 30,5%.