Fintech do agronegócio promove webinário gratuito

Buscando novas maneiras de impulsionar o agronegócio brasileiro, a WTK receberá, de forma online, dois especialistas do ramo para um evento inédito. O primeiro webinário promovido pelo banco digital acontece nesta quinta-feira (15/04), às 16h. Os convidados são o engenheiro agrônomo George Hiraiwa, e o economista Marcos Rambalducci, que abordarão a temática “Oportunidades para o agronegócio em meio à pandemia”.

George Hiraiwa é ex-secretário da Agricultura do Paraná e, atualmente, atua como diretor de inovação da Sociedade Rural do estado. O especialista em tecnologia do agronegócio, ainda, faz parte do Cocriagro, hub de inovação para o setor que é um projeto da Agrovalley.

Outro membro da Agrovalley, o economista Marcos Rambalducci, tem PhD na área. Atualmente, é professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Rambalducci é referência em projetos de expansão do setor agro.

A WTK Agro é o primeiro banco digital voltado exclusivamente ao agronegócio. A promoção do webinário faz parte do compromisso da fintech em promover o setor no Brasil por meio da tecnologia. Para se inscrever, gratuitamente, basta acessar webinar.wtkagro.com.br.

Brasil inicia 2021 com 2.352 aeronaves agrícolas

Crescimento da frota em 2020 foi de 3,16%, impulsionado principalmente pelo aumento das commodities no campo

A frota aeroagrícola brasileira entrou 2021 com 2.352 aeronaves, o que representa um crescimento de 3,16% no setor em 2020. O balanço foi divulgado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). O anúncio foi durante o Meeting com a Imprensa, e a apresentação ficou a cargo do diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, que falou também do comparativo e da presença no campo de aeronaves turboélices em relação aos aviões a motores convencionais (a pistão), além da fatia de mercado de cada modelo de aeronave. Ainda foi abordado o percentual de cada tipo de combustível – gasolina de aviação (avgas), querosene de aviação (qav) e etanol, entre outros dados.

O levantamento foi feito pelo ex-diretor do Sindag e consultor Eduardo Cordeiro de Araújo. Como em anos anteriores, Araújo se debruçou sobre os dados do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Segundo ele, as informações são um retrato do RAB em 31 de dezembro de 2020.

Freio previsto

O saldo positivo de 72 aeronaves agrícolas em 2020 confirmou o crescimento que o Sindag havia previsto em setembro do ano passado, em uma sondagem junto aos fornecedores de aeronaves agrícolas brasileiro e norte-americanos. “Erramos por apenas dois aviões em nossa projeção, mas acertamos ao dizer que o crescimento se manteria acima dos 3%, pelo terceiro ano consecutivo”, destaca o presidente da entidade, Thiago Magalhães Silva.

Apesar do percentual mais baixo em relação a 2019 (3,92%) e 2018 (3,74%), Magalhães lembra que a entidade previa esse freio, já que a alta e a instabilidade do dólar a partir de março do ano passado (pela crise do petróleo entre Rússia e Arábia Saudita) congelaram algumas compras previstas de aeronaves. “Com a pandemia, o dólar subiu e vieram as incertezas. Porém na sequência veio a alta das commodities e isso refletiu na retomada da compra de aeronaves.” Além do investimento em tecnologias, prevaleceu o protagonismo pilotos e profissionais que seguiram voando para fazer o campo dar conta da alta demanda de alimentos e insumos para produtos essenciais. “No início da crise sanitária a aviação agrícola foi considerada atividade essencial”, recorda Magalhães.

O presidente do Sindag lembra que 2021 também já começou com expectativa de retomada, a partir do anúncio, pela Embraer, da venda de 27 aeronaves só no primeiro bimestre – 8% a mais do que os 25 aviões vendidos pela empresa em todo 2020. Para Magalhães, essa tendência de crescimento para 2021 só não se confirma no caso de uma queda dos valores das commodities com o dólar ainda alto ou se houvesse quebra significativa de safras – por fatores climáticos, por exemplo.

Mas o dirigente faz uma ressalva sobre 2022: a questão tributária. “Tivemos em 12 março a prorrogação do Convênio ICMS-100 – pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), válido até 31 de dezembro. Se não houver renovação no ano que vem, a alíquota de ICMS para aeronaves importadas, por exemplo em São Paulo, subirá de 4% para 18%, o mesmo valendo para peças.” O que, lembra ele, atinge também aviões de fabricação nacional, “que têm em torno de 80% de componentes importados”.

Proporção entre empresas e operadores privados

Segundo o balanço de Eduardo Araújo, 2020 terminou com 1.459 aeronaves agrícolas pertencendo às 266 empresas que fazem o trato de lavouras para os produtores rurais – os chamados operadores de Serviço Aéreo Especializado (SAE). O número representa um incremento de 38 aparelhos durante o ano.  Ao mesmo tempo, 869 aeronaves estão com cerca de 650 operadores privados (categoria TPP, segundo a Anac), que são fazendeiros, cooperativas ou usinas que têm seus próprios aviões – crescimento de 34 aviões e helicópteros. Apesar de ter levantado os dados gerais sobre operadores SAE e TPP, Araújo ainda não esmiuçou sua divisão entre os Estados.

Os 24 aviões restantes na conta são de governos ou autarquias federais ou estaduais, além de protótipo e aeronaves de instrução. Por exemplo, aviões pertencentes a corpos de bombeiros (combate a incêndios), os usados pela Academia da Força Aérea e aparelhos das seis escolas de formação pilotos agrícolas do País.

Combustíveis e helicópteros

Sobre combustíveis utilizados pela aviação agrícola no Brasil, são 1.135 aviões e helicópteros movidos a gasolina de aviação (avgas), 744 aviões movidos a etanol e 473 aeronaves que utilizam querosene de aviação (qav). O que dá uma proporção de, respectivamente, 48,26%, 31,63% e 20,11% da frota.    

No caso da proporção entre aviões e helicópteros, a frota aeroagrícola do País entrou 2021 com 2.331 aeronaves de asas fixas contra 21 aparelhos de asas rotativas. Números que no início de 2020 eram, respectivamente, 2.264 e 16. O que indica que a volta dos helicópteros ao mercado, ocorrida em 2016 (depois de cerca de 40 anos ausentes), aos poucos vai se consolidando. Principalmente em áreas de terreno acidentado e com mais obstáculos ou sem pista de pouso a curta ou média distância, já que o equipamento pode pousar inclusive sobre o caminhão da equipe de apoio.

Mato Grosso segue liderando, com a frota gaúcha em segundo

Entre as unidades da Federação, a maior frota aeroagrícola continua sendo a do Mato Grosso, que recebeu mais 26 aeronaves em 2020, somando agora 550 aparelhos. O segundo lugar na lista segue sendo do Rio Grande do Sul, apesar do Estado ter diminuído em cinco aviões a sua força aérea sobre lavouras – passando agora a 421 aeronaves.

Em terceiro na lista, o Estado de São Paulo também mantém posição, mesmo com a diminuição de seis aeronaves no ano passado. Agora são 333 aviões e helicópteros em operação em terras paulistas, segundo os registros da Anac.

No geral, o relatório aponta 14 Estados com aumento de frota e seis que apresentaram alguma redução, além dos quatro que permaneceram estáveis. Conforme Eduardo Araújo, a lista da frota por Estado leva em conta o domicílio do operador (empresa ou produtor rural) que de fato opera a aeronave. E não o proprietário, que tanto pode ser o mesmo quanto, por exemplo, alguma pessoa física ou jurídica que arrenda o aparelho. O que também pode explicar parte da oscilação entre quem perdeu ou ganhou aeronaves na lista.

O consultor adverte ainda que, no caso dos helicópteros, o número pode ter alguma quebra. Isso pela dificuldade em se identificar nos registros da Anac os aparelhos de asas rotativas certificados como agrícolas.

TPP x SAE

Os dois Estados do topo do ranking apresentam também uma diferença curiosa, constatada em 2018, no último levantamento do ranking estadual de operadores. Enquanto o Mato Grosso concentrava o maior número de operadores TPP – na época com 233 privados contra 31 empresas aeroagrícolas, a frota gaúcha estava em sua maioria nas mãos de empresas – 72 operadores SAE contra 42 produtores que tinham seus próprios aviões. Ao que tudo indica, os mato-grossenses continuam o Estado com maior número de privados e o Rio Grande do Sul como o maior número de empresas.

É aí que as das entidades aeroagrícolas do País dividem seus públicos. O Sindag vem trabalhando em um processo de melhoria contínua focado em excelência na terceirização do trato de lavouras pelos produtores. Nesse caso, defendendo vantagens como a não imobilização do patrimônio na entressafra e redução de custos com pessoal, encargos, instalações, manutenção e outras despesas – para que o agricultor possa focar energia e recursos na lavoura em si, mercado e gestão.

Já o Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag) abrange os produtores que operam seus próprios aviões e o restante da cadeia aeroagrícola. Com foco em qualificar os profissionais e gestores da ferramenta nas propriedades. De comum entre as duas instituições, o esforço conjunto por boas práticas no campo, ferramentas para manter requisitos e documentações em dia e comunicação – tanto interna quanto para aproximar o setor da sociedade. Em última instância, eliminando mitos e promovendo a importância da ferramenta aérea. 

Cresce a fatia de turbos e Embraer reina com avião a biocombustível

O relatório da frota em 2020 também confirmou uma tendência de maior participação das aeronaves turboélices no mercado aeroagrícola brasileiro: de 3,39% em 2011, o percentual já chegava a 18,48% em 2019 e, no ano passado, fechou com 20,11%. Na prática, a fatia de turboélices cresceu 284,5% desde 2011, passando de 123 para 473 aeronaves atuando em lavouras. Paralelamente, a frota aeroagrícola geral cresceu 38,92% no período – de 1693 aeronaves em 2011 para as 2352 no fechamento de 2020.

Segundo Gabriel Colle, as aeronaves turboélices são maiores, mais potentes e de melhor rendimento, ideias para grandes áreas de lavouras. Nesse caso, todas importadas (especialmente dos Estados Unidos, maior fabricante do setor). Por outro lado, entre os 51 modelos de aeronaves que operam no Brasil, de 16 fabricantes, a maior fatia segue sendo da Embraer, com aviões de motor convencional (a pistão).

“A empresa brasileira conta com 1.308 aviões em operação, segundo os registros da Anac e domina 55,66% do mercado, segundo os números do final de 2020. Um pouco abaixo dos 56,32%, mas longe de significar perda de fôlego, tendo em vista a arrancada de vendas no primeiro trimestre deste ano”, observa o diretor-executivo do Sindag. Tudo graças ao modelo Ipanema que, apesar de cinquentão desde julho do no passado, mantém-se atualizado com o EMB-203. Trata-se da sétima geração do modelo, lançada em 2015 e a segunda em que os aviões já saem de fábrica movidos a etanol. A exemplo de seu antecessor, o EMB-202 A – lançado em 2004 e que foi o primeiro avião no mundo homologado de fábrica para uso do biocombustível.

Air Tractor

Ocupando o segundo lugar no ranking de fabricantes presentes na frota brasileira a norte-americana Air Tractor terminou 2020 com uma fatia de 19,22% do mercado aeroagrícola brasileiro. A empresa tem oito modelos operando no Brasil, de diversos tamanhos, potência e capacidades de carga que vão de 1,5 mil a mais de 3 mil litros no hopper (tanque onde fica a carga a ser aplicada na lavoura). O que, segundo o levantamento de Araújo, faz dela dona também de 89,33% do universo de aeronaves agrícolas turboélices no País.

Aliás, os 38 aviões agrícolas enviados ao Brasil em 2020 pela fábrica de Olney, no Texas, segundo seus representantes brasileiros, representam quase um terço das 123 aeronaves turboélices entregues pela Air Trator durante todo o ano. O total de entregas da Air Tractor consta no relatório divulgado no último mês de fevereiro pela Associação dos Fabricantes da Aviação Geral dos EUA (Gama, na sigla em inglês). Dado que demonstra outra realidade que se repete nos últimos anos: o Brasil é o maior mercado da empresa texana fora dos Estados Unidos.

A outra empresa norte-americana de aviões, a Thrush Aircraft, também comemora 2020 com grandes expectativas neste ano. Mas não revela quantos dos 20 aparelhos de sua produção mundial (também segundo a Gama) vieram para o Brasil. A Thrush está reiniciando sua trajetória e aos poucos vai recuperando o fôlego no mercado, com aeronaves turboélices. A empresa originada nos anos 60 e hoje situada em Albany, no Estado da Georgia, reinventou-se depois de passar por uma recuperação judicial em 2019 e voltou renovada ao mercado.  

Air Tractor e Ipanema (Foto: Castor Becker Jr.)

Há muita tecnologia no campo

por José Zeferino Pedrozo*

O sucesso no campo é orientado pela ciência. Os resultados obtidos em melhoria da sanidade e no aumento da produtividade, da produção e da qualidade nas áreas da agricultura, da pecuária, da piscicultura, da silvicultura e do extrativismo, entre outros, são integralmente devidos ao emprego de tecnologia.

A tecnologia empregada no campo vem de várias fontes, como as universidades e os centros de pesquisas públicos e privados. Empresas privadas de setores avançados – entre eles a avicultura, suinocultura e os cereais – têm investido em anos de pesquisas, o que permitiu oferecer produtos de vanguarda, invariavelmente à frente da Academia. As novas tecnologias permitem ao produtor um maior controle sobre a produção, otimização dos recursos da propriedade e aumento da lucratividade.

A revolução do conhecimento que a indústria e demais setores da economia absorveram também chegou ao campo para torná-lo mais eficiente. Será cada vez mais frequente, no futuro próximo, o uso da inteligência artificial, do big data (estuda como tratar, analisar e organizar informações), das impressões 3D, da internet das coisas (uso de sensores para colher dados), blockchain (permite rastrear o envio e recebimento de dados pela internet), automação parcial, identificação e controle por radiofrequência (RFID), realidade aumentada, visão computacional etc. É notório que o emprego articulado dessas tecnologias tem impacto transformador nas cadeias produtivas.  

A questão central que se apresenta é como viabilizar que o produtor, na condição de pequeno ou médio empresário rural, tenha acesso a todas essas tecnologias. As agroindústrias têm sido as parcerias mais tradicionais na transferência de tecnologias ao campo, pois são as maiores beneficiadas pelos seus resultados. Em decorrência das tecnologias surgem melhorias intrínsecas nas matérias-primas que recebem, de sua base produtiva no campo, para processamento industrial. Nesse caso, geralmente a base produtiva está organizada pelo sistema de integração – uma modalidade que está regulada em lei federal e é muito comum nas cadeias de aves, suínos, leite e fumo – e na qual as empresas suportam a maior parte do investimento.

Mas é preciso pensar em novas formas de financiamento e, ao mesmo tempo, ampliar os canais de transferência de conhecimento entre a universidade pública e o agronegócio.

A liderança que o Brasil conquistou na esfera planetária decorreu da associação entre recursos naturais (solo, água, clima) com vocação laboral (recursos humanos) e uso de tecnologia (a ciência aplicada ao desenvolvimento). O principal desses fatores, de forma cada vez mais acentuada, é e será a tecnologia.

Outro ponto essencial é qualificar o usuário final  – o produtor/empresário rural  – para o uso adequado das tecnologias disponíveis e acessíveis. Essa deve ser uma prioridade cogente dos formuladores de políticas para o agro. Nesse aspecto, o Sistema S tem sido pródigo na criação e oferta de produtos para formação, qualificação e requalificação profissional.

Há um outro nó górdio a desatar. Hodiernamente, quase todas as tecnologias estão ancoradas na internet. Da mesma forma, os programas educacionais/instrucionais dependem de plataformas disponibilizadas na rede mundial de computadores. Assim, fica patente que internet de boa qualidade é uma condição sine qua non para o desenvolvimento das regiões agrícolas, sem a qual não terá acesso ao conhecimento científico – seja na forma de tecnologia ou de cursos de capacitação.

*Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC).

Trator New Holland movido a metano chega ao mercado mundial em 2021

A New Holland Agriculture, marca da CNH Industrial, dá mais um passo importante para o avanço de sua agenda mundial como líder na busca por soluções em energia limpa. O trator T6 Methane Power, movido a gás metano, deve ser disponibilizado para o mercado em 2021. A primeira unidade do projeto foi apresentada na feira Agritechnica, na Alemanha, em 2019, como uma peça fundamental do conceito de “Fazenda Independente de Energia” da marca.

Os testes de campo estão nos estágios finais e, até a metade do ano, unidades de produção serão entregues a clientes selecionados na Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Bélgica, Holanda e Luxemburgo – os principais mercados para o T6 e nos quais a produção de biogás está avançada. Até o final do ano, o trator ficará disponível para os demais clientes europeus e de alguns outros mercados ao redor do mundo. Este desenvolvimento consolidará ainda mais a vantagem competitiva indiscutível da New Holland em soluções de combustíveis alternativos.

“Somos pioneiros em soluções sustentáveis e inovadoras há 14 anos. Desenvolvemos o modelo de ‘Fazenda Independente de Energia’, mostrando como um ciclo fechado entre a produção agrícola e a geração de energia pode tornar a agricultura neutra em CO2 ou até mesmo negativa em carbono – com benefícios significativos para os clientes. Neste ano, estamos dando mais um passo para transformar isso em realidade, uma vez que nosso trator movido a metano entrará na linha de produtos da New Holland”, afirma Carlo Lambro, presidente mundial da New Holland Agriculture.

Para o mercado sul-americano, a expectativa é de que o trator movido a metano esteja disponível para importação a partir de 2022, especialmente para os mercados do Brasil e Argentina. Por enquanto não há planos de fabricá-lo por aqui, apesar de o modelo estar sendo testado, com sucesso, há pelos menos dois anos na região.

Esse tipo de trator dá ao produtor rural a possibilidade de utilizar o biogás gerado dentro da propriedade (por meio de um biodigestor, por exemplo) para abastecer o equipamento, aproveitando o chamado ciclo virtuoso da fazenda, que se torna cada vez mais autossuficiente do ponto de vista energético e ambientalmente correta. E como um extra ainda tem a redução dos seus custos operacionais e tranquilidade no gerenciamento das suas atividades, pois se torna autossuficiente em produção e uso de combustível, ficando livre de todas as incertezas do mercado de combustíveis fósseis.

O trator utilizado em testes no Brasil, um T6.180, utiliza o metano gerado através da biomassa renovável produzida na usina de biogás disponível na fazenda. Ele possui todas as características de um trator comum e está equipado com um motor de seis cilindros produzido pela FPT Industrial, que gera uma potência máxima de 180 cv e torque de 750 Nm. O biometano é armazenado em tanques no trator.A autonomia é de pelo menos meio dia de trabalho durante a operação normal.

“A tecnologia de propulsão por biometano oferece inúmeras vantagens ambientais, incluindo a redução de até 80% das emissões em comparação com um motor diesel padrão. Ao usar o biometano, o impacto de carbono da máquina é virtualmente zero, e uma redução de custos entre 25% e 40% pode ser alcançada quando comparada com os combustíveis convencionais”, explica Nilson Righi, gerente de protifólio agrícola da CNH Industrial.

Estratégia de líder expande alcance com novas parcerias

A New Holland segue expandindo o seu alcance como líder em energia limpa através de parcerias, no sentido de explorar novas áreas de inovação. Uma delas é com a produtora italiana de vinhos Barolo Fontanafredda, em um projeto que opera vinhedos livres de carbono. A New Holland e a FPT Industrial estão testando nesses vinhedos um novo trator movido a biometano, derivado do modelo TK da New Holland. O trator testado nos vinhedos da Fontanafredda tem por objetivo realizar a primeira produção de vinho livre de CO2 – um passo importante para a descarbonização da cadeia vitivinícola.

Em outra parceria, a New Holland desenvolveu com a produtora italiana de implementos Nobili um conceito inovador para a eletrificação de implementos para vinhedos e pomares. Ele combina o trator New Holland T4.110V com um gerador externo e-Source em conformidade com as diretrizes de alta tensão AEF. Inédito no setor, o gerador acionado pela TDF do trator é a única fonte de energia que alimenta os novos e-Sprayer e e-Mulcher. Essa inovação revolucionária recebeu o Prêmio de Inovação Técnica 2020/21 da EIMA International.

No Brasil, além de trabalhar com motores FPT que priorizam o baixo consumo de combustível, entregando alto desempenho e alta autonomia, e com isso reduzindo as emissões de CO2 na atmosfera, toda a frota de tratores, colheitadeiras e pulverizadores da New Holland funciona tanto com diesel comum quanto com biodiesel, dando a possibilidade de o produtor rural utilizar um combustível menos poluente.

Sobre a New Holland Agriculture

A New Holland, pertencente à CNH Industrial, é uma marca próxima do cliente, que valoriza o agronegócio e possui soluções completas para todos os tipos de culturas agrícolas, seja qual for o segmento e o tamanho da operação. Os agricultores contam com uma oferta de produtos e serviços inovadores, como tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras, feno e forragem, além de equipamentos específicos para biomassa, silvicultura e agricultura de precisão, complementada por serviços financeiros feitos sob medida e planejados por especialistas. Com uma rede de distribuidores global altamente profissional e o compromisso com a excelência, a New Holland garante a melhor experiência para cada cliente. Para mais informações da New Holland visite http://www.newholland.com.

A New Holland Agriculture é uma marca da CNH Industrial N.V. (NYSE: CNHI /MI: CNHI) líder global no setor de bens de capital com experiência industrial comprovada, uma ampla gama de produtos e presença mundial. Mais informações sobre a CNH Industrial podem ser encontradas no site www.cnhindustrial.com.

Foto: Divulgação / New Holland Agriculture

Diretoria da Heineken se reúne com pecuaristas

com informações do Portal DBO e da Acrimat

A diretoria da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) recebeu a diretoria da Heineken Brasil para uma reunião virtual. Mauro Homem, diretor de Relações Corporativas e Marina Ferreira, diretora de Assuntos Governamentais e Institucionais, representaram a multinacional. O pedido partiu da cervejaria de origem holandesa, uma das maiores do mundo.

Em nota, a Acrimat disse que o encontro serviu para que a empresa prestasse esclarecimentos sobre a postagem em suas redes sociais, no dia 20/3, em apoio ao “Dia Mundial Sem Carne”, instituído pela ONG norte-americana Farm, em 1985, e que levou a uma onda de indignação por parte dos produtores. A Acrimat informa que a Heineken entrou em contato para dentre outras coisas pedir desculpas, além de afirmar que “farão o que for preciso para tentar mudar o cenário”.

Por conta da manifestação do setor pecuário e dos amantes da carne bovina, a cervejaria que mantinha uma faixa média de 200 a 300 comentários em seus posts no Instagram, viu esse número saltar para 28,4 mil interações – a maioria negativa. No Brasil, um dos principais mercados para a multinacional holandesa, a empresa tem em seu portfólio as marcas Heineken, Amstel, Baden Baden, Bavaria, Devassa, Eisenbahn, Glacia, Kaiser,Kirin Ichiban, No Grau, Schin, Sol e Xingu.

Em prol da carne bovina

O encontro com a Acrimat é primeira de uma série de ações que a Heineken deverá promover para tentar se retratar com os pecuaristas. Apesar de o post continuar na página da empresa, a aproximação é vista como positiva e pode trazer frutos ao setor, segundo o engenheiro agrônomo Celso Lacôrte, sócio fundador da Plano Consultoria Agropecuária.

“Temos que criar clima de paz e não de guerra, senão vamos sempre ser atacados. O ideal é mudar o jeito de nos comunicar e trazer quem está de fora para o nosso lado”, diz a pecuarista Érica Bannwart, presidente do Grupo Pecuária Brasil Rosa (GPB Rosa) e uma das herdeiras da fazenda do Engenho, no município paulista de Pirajuí.

Pecuária e cevada

Para o setor, mostrar a sustentabilidade da produção de carne seria um bom começo para reverter a imagem da Heineken no meio. Mesmo porque a pecuária é parceira para tornar a produção de cerveja também sustentável. O resíduo úmido de cervejaria, o chamado bagaço de cerveja, pode fazer parte da dieta bovina, enquanto para a empresa o subproduto representa uma grande dor de cabeça no processo de fabricação da bebida por falta de destinação.

O pecuarista Antonio Roberto Alves Corrêa, com fazenda em Buri (SP), presidente da Associação Brasileira do Santa Gertrudis, compra 15 toneladas diárias de bagaço, subproduto com cerca de 25% de PB (proteína bruta) na matéria seca. Corrêa tem um confinamento com capacidade estática de 2 mil bovinos e abate 6 mil, por ano. O bagaço da cervejaria entra na formulação da dieta. Além disso, a ração de outros 1.000 animais de recria também leva o bagaço.

Foto: Divulgação

BNDES cria nova estrutura para emissão de bônus verdes, sociais e sustentáveis, com o apoio do BID

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu mais um passo para o desenvolvimento do mercado de crédito sustentável e está lançando seu Sustainability Bond Framework (SBF). Esse documento facilita a emissão pelo Banco de títulos verdes, sociais e sustentáveis, no Brasil e no exterior. Com parecer favorável (Second Party Opinion – SPO) da Sustainalytics, empresa verificadora especializada em projetos sustentáveis, a estrutura reforça a importância atribuída ao tema Ambiental, Social e de Governança (ASG) pelo BNDES e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que participou do processo por meio de uma cooperação técnica.

A iniciativa amplia as possibilidades de captação previstas no Green Bond Framework lançado em 2017, que permitiu ao BNDES ser o primeiro banco brasileiro a realizar uma emissão deste tipo de título, no mercado de capitais internacional, e a primeira instituição financeira a emitir letras financeiras verdes em 2020, no mercado local. Após as emissões inovadoras do BNDES, outras entidades do mercado já começaram a emitir títulos similares.

O SBF foi desenvolvido a partir de uma cooperação técnica firmada com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O documento foi construído a partir de uma consultoria técnica prestada pela empresa especializada Sitawi, sob as melhores práticas de mercado.

Os recursos a serem captados em futuras operações com base no SBF serão utilizados para financiar e refinanciar projetos novos ou já existentes na carteira do BNDES. Os modelos de projetos elegíveis para a destinação dos recursos abrangem seis categorias verdes e três sociais.

Dentre as categorias verdes incluem-se: energia renovável; eficiência energética; gestão sustentável da água, água residual e saneamento; prevenção e controle de poluição; transporte limpo; e gestão ambientalmente sustentável de recursos naturais vivos e uso da terra. As categorias sociais incluem, por sua vez, saúde; educação; e apoio a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e microcrédito.

Serão priorizados os investimentos em saúde e educação em municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média nacional e, para MPMEs, além do critério do IDH, serão priorizadas empresas lideradas por mulheres ou minorias de gênero.

Sobre o BNDES – Fundado em 1952 e atualmente vinculado ao Ministério da Economia, o BNDES é o principal instrumento do Governo Federal para promover investimentos de longo prazo na economia brasileira. Suas ações têm foco no impacto socioambiental e econômico no Brasil. O Banco oferece condições especiais para micro, pequenas e médias empresas, além de linhas de investimentos sociais, direcionadas para educação e saúde, agricultura familiar, saneamento básico e transporte urbano. Em situações de crise, o Banco atua de forma anticíclica e auxilia na formulação das soluções para a retomada do crescimento da economia.

Sobre o BID – O Banco Interamericano de Desenvolvimento tem como missão melhorar vidas. Criado em 1959, o BID é uma das principais fontes de financiamento de longo prazo para o desenvolvimento econômico, social e institucional da América Latina e o Caribe. O BID também realiza projetos de pesquisas de vanguarda e oferece assessoria sobre políticas, assistência técnica e capacitação a clientes públicos e privados em toda a região.

Ministério da Economia eleva a R$ 89,4 bi previsão de superávit comercial este ano

com informações da Agência Brasil

A alta internacional das commodities (bens primários com cotação internacional) e a recuperação do consumo global levaram o governo a projetar um superávit recorde da balança comercial este ano. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, o país deverá encerrar o ano exportando US$ 89,4 bilhões a mais do que importará.

A projeção representa alta de 75% em relação ao superávit de US$ 50,9 bilhões registrado em 2020. Até hoje, o recorde anual na balança comercial foi registrado em 2017, quando o Brasil exportou US$ 66,99 bilhões a mais do que tinha comprado do exterior.

A cada três meses, a Secex atualiza as estimativas de saldo para a balança comercial. Em janeiro, o órgão previa que o indicador encerraria o ano com superávit de US$ 53 bilhões. Os números apresentados mostram crescimento tanto das exportações como das importações em relação à projeção anterior.

De acordo com as previsões da Secex, o país exportará US$ 266,6 bilhões em 2021 e importará US$ 177,2 bilhões. Nas estimativas apresentadas em janeiro, as exportações estavam em US$ 221,1 bilhões; e as importações, em US$ 168,1 bilhões. Na comparação com 2020, o crescimento das exportações saltou de 5,3% para 27%. A alta das importações passou de 5,6% para 20,4%.

Consumo

Segundo o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, dois motivos explicam a elevação da estimativa. O primeiro é a valorização das commodities no mercado internacional. De janeiro a março, os preços médios dos produtos agropecuários subiram 11,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A valorização dos minerais foi ainda maior: alta de 30% na mesma comparação.

A segunda razão para a equipe econômica revisar as projeções está relacionada ao aumento do consumo internacional, em um cenário de recuperação da pandemia da covid-19. De acordo com o secretário, vários países estão diminuindo o consumo de serviços, normalmente produzidos por economias avançadas, e aumentando as compras de bens físicos, o que favorece países emergentes como o Brasil.

“Novas informações, com base em relatórios internacionais, sugerem que este ano haverá aumento expressivo do comércio global. Em meio à pandemia, o consumo global tem se redirecionado de serviços para bens manufaturados e agrícolas”, explicou Ferraz.

Petróleo

Nos três primeiros meses do ano, o desempenho da balança comercial acumula superávit de US$ 1,648 bilhão, o menor saldo para o período desde 2015. Naquele ano, a balança tinha registrado déficit de US$ 5,577 bilhões nos três primeiros meses. O Ministério da Economia, no entanto, atribui o encolhimento do saldo comercial à importação de plataformas de petróleo ocorridas nos dois últimos meses, que distorceram o resultado.

Essas plataformas, que estavam registradas em nome de subsidiárias da Petrobras no exterior, tinham sido exportadas na década passada sem jamais terem saído do litoral brasileiro. Com o Repetro, o novo regime tributário para o setor de petróleo, e a nova política da estatal, essas plataformas têm o registro transferido para o Brasil, o que configura uma importação.

Segundo o Ministério da Economia, o saldo comercial melhorará significativamente nos próximos meses, com o início da safra de grãos no Brasil e a diminuição das importações de plataformas de petróleo. Apesar do otimismo da pasta, a previsão de superávit comercial está muito acima das estimativas do mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central, os analistas de mercado projetavam superávit comercial de US$ 55 bilhões para 2021 até o fim da semana passada.

Ipea projeta crescimento de 3% do PIB em 2021

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou que projeta crescimento de 3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) em 2021, com queda estimada de 0,5% no primeiro trimestre do ano, na comparação com ajuste sazonal.

“Além do impacto da pandemia e do endurecimento das medidas de isolamento social por parte de governos estaduais e municipais sobre o ritmo da economia, as previsões para 2021 também levam em conta as incertezas quanto à capacidade de se promover os ajustes nas contas públicas necessários para uma trajetória fiscal equilibrada”, disse o Ipea.

Segundo o estudo, outro fator de risco é a aceleração inflacionária, refletindo a alta nos preços administrados acima do esperado no início deste ano e a desvalorização cambial, com impactos principalmente nos preços dos alimentos e dos bens industriais.

A análise da conjuntura econômica brasileira também aponta que o segundo semestre do ano deve ser marcado pela retomada do crescimento do PIB e pelo aumento da confiança de consumidores e empresários a partir do avanço da cobertura vacinal contra a covid-19. “As hipóteses cruciais desse cenário são que as questões associadas à pandemia já estejam sob controle e que seja possível conter as atuais incertezas fiscais”, disse o instituto.

Para 2022, a projeção é de crescimento de 2,8% do PIB, em um cenário de manutenção da retomada da atividade econômica esperada para o segundo semestre deste ano. Embora o crescimento projetado para 2022 seja um pouco menor que o de 2021, o esforço de crescimento ao longo do ano que vem seria maior, pois a base de comparação – o PIB de 2021- é significativamente maior, segundo o Ipea.

O instituto espera que a atual trajetória de alta dos preços internacionais das commodities contribua positivamente para a retomada da economia brasileira, mas, ao mesmo tempo, essa alta pressiona a inflação. A estimativa do Ipea para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 é de 4,6% de variação. Para 2022, no contexto de uma política monetária mais apertada e sob a hipótese de que as atuais incertezas fiscais sejam controladas, o IPCA deve variar 3,4%.​

Dia Mundial da Água (22/03): Água na agricultura e produção de alimento

por Lineu N. Rodrigues*

No dia 22 de março, celebra-se o Dia Mundial da Água. É uma oportunidade para se discutir a importância desse recurso para a vida e para o desenvolvimento econômico e social. É fundamental que o tema seja analisado dentro das suas várias dimensões, sendo preponderante adotar estratégias de manejo que considerem os recursos hídricos de forma integrada, e que almejem uma alocação equitativa, considerando os usos múltiplos da água e a bacia hidrográfica como unidade de referência. Água é sinônimo de dialogar, de compartilhar e de integrar. Não é geradora de conflitos, mas sim de oportunidade para produzir e de criar desenvolvimento.

Nesse contexto, não teria como não aproveitar a oportunidade de trazer para a reflexão o tema água na agricultura e produção sustentável de alimento. Segurança alimentar e hídrica estão no centro das maiores preocupações da sociedade. A água é o principal fator de produção de alimentos. Como balancear produção de alimento e demanda hídrica em um mundo onde cerca de 820 milhões de pessoas não têm acesso à quantidade de alimento suficiente para manter níveis básicos de saúde e onde dois terços da população enfrentarão algum problema de falta de água é o grande desafio a ser enfrentado.

A relação água-alimento é complexa. Esses dois elementos estão intrinsecamente e fortemente interconectados. A complexidade inerente a essa interação é um dos motivos dos debates e disputas, muitas vezes desnecessárias, entre os setores usuários. Mantidas as condições atuais, o aumento na produção de alimentos demandará mais água e poderá aumentar ainda mais as disputas pelo uso da água, reduzindo a qualidade de vida da população. É nesse sentido que a ciência tem papel fundamental. As inovações modificam a situação atual, possibilitando produzir mais sem aumentar as demandas hídricas.

Atender as demandas atuais e futuras por alimento vai requerer um rápido aumento de produtividade, que precisa ser alcançado sem danos adicionais ao ambiente. Para que isso ocorra, é fundamental que os princípios de sustentabilidade sejam parte central das políticas agrícolas. As pessoas estão, em sociedade, cada dia mais conscientes sobre as questões ambientais e têm optado, de forma crescente, por alimentos produzidos nessas bases sustentáveis.

Nesse sentido, o objetivo de produzir mais alimentos deve ser visto dentro de uma abordagem mais ampla, considerando os aspectos de sustentabilidade ambiental, ou seja, buscando produzir mais alimentos com melhor qualidade e com menores danos aos recursos naturais. Para isso é necessário intensificar a agricultura de maneira sustentável e melhorar a eficiência dos sistemas agrícolas, tornando-os mais produtivos. Qualquer estratégia que vise intensificar a agricultura, reduzindo a variação na produção e aumentando a produtividade das culturas, deve necessariamente incluir a irrigação.

A irrigação é tecnologia essencial no xadrez da produção de alimentos. Atualmente, com a variabilidade climática cada vez mais acentuada, não se pode pensar no desenvolvimento de uma política de segurança alimentar e de segurança ambiental que não estabeleça políticas de longo prazo para o desenvolvimento da agricultura irrigada.

No mundo, a agricultura irrigada é responsável por cerca de 40% de toda a produção, viabilizando produzir fisicamente, em uma mesma área, até quatro vezes mais que a agricultura de sequeiro. A grande vantagem da agricultura irrigada, entretanto, está em trazer estabilidade para a produção, o que possibilita planejar estratégias de segurança alimentar e propor políticas públicas de médio e longo prazo.

O desenvolvimento de uma agricultura sustentável passa, necessariamente, pelo uso sustentável dos recursos hídricos, que por sua vez, depende de uma gestão que incorpore os usos múltiplos da água e considere os fundamentos e diretrizes da Política Nacional de Recursos Hídricos. Não se pode pensar em agricultura e desenvolvimento sustentável sem que haja um equilíbrio entre a oferta e a demanda de água. O Brasil é um país de dimensões continentais com grandes diferenças sociais, ambientais e econômicas, o que deixa a atividade de gestão muito mais complexa. Fazer a gestão de recursos hídricos de forma igualitária em todo o País pode levar a conflitos em bacias hidrográficas que já se encontram em estado crítico em termos de disponibilidade hídrica.

A água tem diversas formas e recebe diferentes nomes. A água na agricultura é sinônimo de produção de alimento e segurança alimentar. Aparentemente, a quantidade de água doce renovável anualmente no mundo é muito maior que a quantidade de água necessária para sustentar as demandas dos três usos consuntivos de água (abastecimento doméstico da população; produção industrial; e produção agrícola sob irrigação). Dentre esses usos, a agricultura irrigada é o único que faz uso tanto da água verde (água proveniente da chuva e armazenada no solo) quanto da água azul – água existente nos rios ou aquíferos. Em países tropicais como o Brasil, a água verde representa um componente significativo para a produção e estratégias devem ser desenvolvidas para maximizar o seu uso.

O crescimento das áreas irrigadas, entretanto, não pode mais ser fundamentado apenas no aumento do uso de recursos hídricos. O crescimento desejado e possível é cada vez mais dependente dos ganhos de eficiência nos sistemas já existentes. O desafio da agricultura irrigada é a promoção do irrigar com qualidade. Isso quer dizer que deve ser buscada continuamente uma elevada eficiência e produtividade de uso das águas. A agricultura irrigada deve ser capaz de utilizar os recursos de forma eficiente, com mínimas perdas e deterioração da qualidade da água. Neste cenário, a agricultura irrigada terá a grande oportunidade de contribuir para a segurança ambiental, hídrica e alimentar, podendo ainda contribuir para reduzir os impactos na produção advindos das mudanças climáticas, garantindo alimento em quantidade, qualidade e a custos acessíveis para as pessoas.

As retiradas de água dos mananciais, necessárias para garantir a prática da agricultura irrigada, devem estar previstas nos planejamentos estratégicos, especialmente em cronogramas existentes nos planos de recursos hídricos, conforme as condições climáticas, a vocação dos cultivos regionais, as potencialidades das áreas produtivas e os mercados consumidores e, posteriormente, consolidadas por meio da definição de planos de concessão de outorga de uso de água para irrigação, possibilitando que seja feita uma gestão compartilhada em cooperação e a prevenção com redução dos conflitos.

No olhar da gestão quanto à oferta, deve-se considerar as desigualdades hídricas regionais e ter um olhar diferenciado para as bacias hidrográficas críticas, onde a disponibilidade hídrica já está comprometida, assim como onde a ocorrência de conflitos pelo uso da água já é realidade. No olhar da gestão quanto à demanda, a irrigação precisa de uma gestão com olhar ampliado. O produtor precisa ter uma visão além de sua propriedade e de sua área de produção. É preciso ter sempre uma visão macro da bacia hidrográfica. A irrigação tem que ser feita considerando a bacia hidrográfica. O rio é, na verdade, reflexo daquilo que acontece na bacia como um todo. Ou seja, é preciso olhar a bacia de forma mais integrada, considerar estratégias de conservação de água e solo, que vão refletir diretamente na quantidade e na qualidade das águas.

O Brasil, com 12% da água doce superficial disponível no planeta e 28% da disponibilidade as Américas, é estratégico para suprir o aumento de cerca de 60% da demanda por alimentos, necessários para atender a uma população mundial que em 2050 será de aproximadamente 10 bilhões de habitantes. O sucesso dependerá da capacidade da sociedade em entender estrategicamente o nexo água-alimento. Para responder à pergunta sobre o quanto de água será necessário, é preciso saber antes o quanto de alimento se deseja produzir.

Segurança hídrica e alimentar devem fazer parte de qualquer política de estado que vise ao desenvolvimento e ao bem estar de sua população. Nesse contexto, é importante aprender com os erros do passado e planejar um futuro melhor, que consiste necessariamente em tratar a água como um bem estratégico para o País. Para isso, é preciso integrar a Política Nacional de Recursos Hídricos com as demais políticas públicas. É fundamental definir as prioridades de uso da água, levando-se em consideração as necessidades básicas do País e as especificidades de cada região.

Os avanços tecnológicos na agricultura irrigada vão muito além do desenvolvimento de novos equipamentos de irrigação. Os processos de tomada de decisão estão cada vez mais complexos, com necessidade de decisões mais rápidas, além de depender de análises de quantidade de dados cada vez maiores. Notam-se, nesse campo, avanços significativos relacionados às tecnologias da informação, da comunicação, de big-data e de modelos de inteligência computacional e simulação. As possibilidades tecnológicas são ilimitadas, sendo muito arriscado fazer qualquer previsão sobre o futuro.

Todo esse avanço, entretanto, não será suficiente para o desenvolvimento sustentável se, na gestão da água no meio agrícola, não forem observadas as especificidades da agricultura, que depende da chuva. É preciso criar mais valor e bem-estar com os recursos hídricos disponíveis. Isso não significa, é claro, incentivar a cultura do desperdício de água. Com uma gestão de recursos hídricos competente e aberta para incorporar os novos conceitos e tendências, é possível trazer segurança hídrica e atender a todos os usos e usuários sem comprometer a disponibilidade hídrica.

*Pesquisador da Embrapa Cerrados (DF).

Fundos Constitucionais movimentaram R$ 43,78 bilhões em 2020

Recursos foram voltados a empresas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Parte do montante foi destinado a pequenos empreendedores, por meio da linha emergencial contra os impactos da pandemia de covid-19

Mais de R$ 43,78 bilhões foram concedidos em financiamento a empreendedores do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste em 2020 por meio dos Fundos Constitucionais das três regiões (FNO, FNE e FCO). Os recursos são administrados pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e concedidos pelos bancos do Nordeste, da Amazônia e do Brasil.

“A orientação que temos do presidente Bolsonaro é de fazer esses repasses chegarem ao maior número de beneficiários e municípios nestas regiões que historicamente têm mais dificuldade. Dessa forma, a economia é menos impactada neste período de pandemia e, ao mesmo tempo, damos suporte às empresas para que os empregos sejam mantidos”, afirma o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

A região que movimentou mais recursos foi a Nordeste, com R$ 25,8 bilhões em contratações, seguida pelo Norte, com R$ 10,48 bilhões, e pelo Centro-Oeste, com R$ 7,5 bilhões em financiamentos. Desse total, R$ 3,52 bilhões foram destinados a pequenos empreendedores das três regiões, que puderam acessar os recursos por meio da linha emergencial contra os impactos da pandemia de covid-19.

Nordeste

De acordo com dados preliminares da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), dos R$ 25,8 bilhões utilizados em financiamentos na região, pouco mais de R$ 3 bilhões foram disponibilizados por meio da linha emergencial voltada a estabelecimentos afetados pela pandemia do coronavírus. Foram registradas mais de 156 mil operações nos 11 estados atendidos pelo órgão por meio dessa linha. No total, foram realizadas mais de 711 mil contratações em todas as linhas de financiamento disponíveis.

Do montante total, R$ 19,1 bilhões foram aplicados em iniciativas nos ramos de agronegócio, comércio e serviços, entre outros. Além disso, R$ 6,6 bilhões foram investidos no setor de infraestrutura, outros R$ 11,7 milhões para o Financiamento Estudantil (Fies) e R$ 113 milhões para empréstimos a pessoas físicas.

A Bahia registrou o maior volume de aplicação (R$ 4,19 bilhões), seguida por Ceará e Pernambuco, que contrataram, respectivamente, R$ 2,86 bilhões e R$ 2,68 bilhões. Os três estados foram responsáveis por 51,1% da movimentação. Maranhão (R$ 2,04 bilhões), Piauí (R$ 1,81 bilhão), Paraíba (R$ 1,21 bilhão), Minas Gerais (R$ 1,1 bilhão), Rio Grande do Norte (R$ 1 bilhão), Sergipe (R$ 942 milhões), Alagoas (R$861 milhões) e Espírito Santo (R$ 341 milhões) completam a lista.

O setor de comércio e serviços foi o que mais se destacou, contratando R$ 8,4 bilhões – 32,4% do total. Na sequência veio Infraestrutura, com R$ 6,6 bilhões (25,7%). Outros setores contemplados foram agrícola (R$ 3,4 bilhões), pecuária (R$ 4,3 bilhões), agroindústria (R$ 448,9 milhões), indústria (R$ 2,1 bilhões) e turismo (R$ 532,7 milhões).

As contratações foram realizadas por meio dos diversos programas do Fundo Constitucional, como FNE Rural, FNE Inovação e Pronaf. Desses R$ 25,8 bilhões, foram destinados R$ 14,8 bilhões para o Semiárido, região apontada como prioritárias pela Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR).

Norte atinge R$ 10,48 bilhões em contratações

O Fundo Constitucional do Norte (FNO) realizou R$ 10,48 bilhões em contratações (19.095 operações). Desse total, o agronegócio foi responsável por R$ 4,5 bilhões e o setor de infraestrutura, por R$ 3,5 bilhões. Os pequenos empreendedores tiveram acesso a cerca de R$ 1,3 bilhão – R$ 306,7 milhões por meio da linha emergencial contra a covid-19 (4 mil operações), R$ 430,3 milhões por meio da linha FNO MPEI, que inclui também os microempreendedores individuais, e outros R$ 512,6 milhões em diferentes linhas ofertadas pelo Banco da Amazônia.

A contratação de financiamentos no Pará foi a maior entre os estados do Norte (R$ 4,05 bilhões). Na sequência, vêm Tocantins, com R$ 2,21 bilhões; Rondônia, com R$ 1,63 bilhões; Amazonas, com R$ 1,47 bilhões; Acre, com R$ 287,9 milhões; Amapá, com R$ 72,3 milhões; e Roraima, com R$ 751,8 milhões.

Agronegócio se destaca na captação de financiamento no Centro-Oeste

Nos quatro estados do Centro-Oeste, o Fundo Constitucional da região, que também é administrado em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) financiou mais de R$ 7,5 bilhões em 20,5 mil operações. Desse total, o agronegócio foi responsável por R$ 5,3 bilhões – um crescimento de 12% comparado ao ano anterior. Já as áreas da indústria, infraestrutura, turismo, comércio e serviços foram responsáveis por R$ 2,28 bilhões em contratações.

A linha de desenvolvimento rural, que financia investimentos fixos, semifixos e custeio, foi a responsável pela maior parcela de crescimento das operações. Foram quase R$ 4,8 bilhões em mais de 9,2 mil concessões de crédito em 2020. Em Goiás, os produtores rurais tiveram R$ 1,54 bilhão financiado. O agronegócio no Distrito Federal (R$ 516,6 milhões em financiamentos), em Mato Grosso (R$ 1,88 bilhão) e em Mato Grosso do Sul (R$ 1,32 bilhão) também foram responsáveis pelo crescimento.

Já os pequenos empreendedores que utilizaram a linha emergencial contra o covid-19 movimentaram R$ 220 milhões em 2.913 operações de crédito.

Foto: New Holland Agriculture / Divulgação