Dia Mundial da Água: irrigação na produção de alimentos

Comemorado em 22 de março, o Dia Mundial da Água foi criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1993. Como forma de celebrar a data e aumentar a conscientização sobre seu uso consciente, a RENAI (Rede Nacional de Irrigantes) destaca a importância da gestão responsável da água e da produção de alimentos de forma sustentável.

A técnica de agricultura irrigada tem crescido de forma sólida no Brasil nos últimos anos. De acordo com o Atlas da Irrigação, a área irrigada no país chega atualmente a 8,2 milhões de hectares, apenas 3% da área produtiva ocupada pela agropecuária no Brasil. “É possível irrigar cerca de 55 milhões de hectares no Brasil, sendo esse o maior potencial de crescimento de área irrigada do mundo”, destaca Lineu Rodrigues, fundador e coordenador da RENAI.

Relatório da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), no entanto, indica que a irrigação no país pode crescer 45% até 2030. “É muito pouco, frente às necessidades. Temos o desafio de produzir alimentos de forma sustentável e em quantidade suficiente, em um mundo cada vez mais complexo, com uma população que em 2050 será em torno de 9,1 bilhões de pessoas”, ressalta o especialista.

Conforme estudo realizado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), uma em cada nove pessoas no mundo não tem comida suficiente para levar uma vida saudável e ativa. E, para atender a esta demanda mundial de alimentos em uma janela de tempo de menos de três décadas, há a necessidade de um aumento real na produção de alimentos de cerca de 70%.

“O Brasil é um dos poucos países capazes de elevar a sua produção agrícola sem comprometer o meio ambiente. Temos mais de 12% das reservas de água doce e algumas das maiores bacias hidrográficas do mundo”, reitera Rodrigues.

Segundo ele, o uso da água via irrigação para produção de alimentos ainda é discreto, uma vez que a quantidade utilizada para este fim representa menos de 0,6% do que existe nos rios brasileiros.

Entre os benefícios da agricultura irrigada, conforme especialistas, destaca-se, principalmente, o desenvolvimento social e econômico do país e a possibilidade de uma produtividade até três vezes maior do que em áreas de sequeiro – no caso da soja, esse número tende a ser ainda maior. Além disso, a prática reduz a possibilidade de impacto climático na produção; viabiliza diversidade nas culturas e uso do solo durante todo o ano; estimula a modernização no campo; contribui à geração de emprego e renda; e reduz a demanda por abertura de novas áreas de produção.

Para entender o sistema de agricultura irrigada, no entanto, é necessário compreender também o ciclo da água, ou o ciclo hidrológico, que nada mais é do que o caminho percorrido por ela na Terra e na atmosfera.

A água, no seu estado gasoso, proveniente da evaporação e da transpiração das plantas, sobe. Levada por correntes de ar, o vapor esfria e condensa. Neste momento, a água assume a forma líquida novamente, formando nuvens – conjuntos de partículas que, com o tempo, deixam as nuvens carregadas e, consequentemente, geram a chuva. Dessa forma, a água retorna ao ciclo, e seu movimento é recomeçado.

Terceiro setor

A escassez de água para o manejo do cultivo de alimentos tem feito os produtores rurais procurarem técnicas de agricultura irrigada que garantam um desenvolvimento sustentável e mitiguem os problemas de estiagem.

“Em períodos de abundância hídrica, o volume de água autorizado por outorga é represado para uso em momentos de baixos níveis. Dessa forma, aproveita-se o recurso da melhor forma possível na continuidade de produção de alimentos, como feijão, soja e milho”, explica Celso Lopes, presidente da Associação dos Produtores do Vale do Araguaia (APROVA).

Lopes destaca que a irrigação ainda abre oportunidade para geração de segurança alimentar, econômica e ambiental no Brasil. “Em algumas áreas do nosso país, torna-se totalmente impossível produzir sem irrigação devido aos longos períodos de seca, como observamos no semiárido brasileiro. Não é possível haver geração de emprego, desenvolvimento social e sustentável ou estabilidade na produção sem que haja uma estratégia sólida de irrigação do cultivo”, complementa.

Nos picos da seca, entre agosto e setembro, os equipamentos de irrigação, como, por exemplo, os pivôs centrais são usados pontualmente, ficando ligados com mais intensidade entre abril e junho, voltando à carga em outubro e deixados de lado, novamente, com as chuvas de verão.

“A conta é a seguinte: pegar o volume de água que o pivô utiliza diariamente e calcular isso sobre o período máximo que ele pode ficar sem captar água. Assim, você conseguirá dimensionar o volume útil de água necessário no reservatório. Além disso, a tecnologia de gerenciamento remota possibilita o monitoramento constante da irrigação, aumentando, assim, a produtividade e utilizando melhor os recursos naturais”, finaliza o presidente da APROVA.

Por meio da ONG Araguaia Sustentável e em parceria com a APROVA, a Mitre Agropecuária tem investido em ações à comunidade local, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico do país, biodiversidade, produção de alimentos e geração de emprego e renda na região do Vale do Araguaia.

Sobre a RENAI

A Rede Nacional de Irrigantes (RENAI) é uma entidade sem fins lucrativos composta por 13 Associações de Irrigantes, seis Polos de Irrigação e 12 dos principais nichos da agricultura que utilizam a irrigação. Lançada em dezembro de 2021, a Rede visa através do incentivo ao desenvolvimento sustentável da agricultura irrigada, contribuir para que a segurança alimentar e ambiental, a sustentabilidade do agronegócio e a redução da fome e da pobreza seja atingida no Brasil.

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