Crédito inovador garante à Coopcerrado exportações de baru para o Oriente Médio

Quando o ano de 2019 começou, os diretores da Coopcerrado (Cooperativa Mista de Agricultores Familiares, Extrativistas, Pescadores, Vazanteiros, Assentados e Guias Turísticos do Cerrado) estavam diante de um impasse para conseguir pagar os cooperados por suas entregas. Alguns contratempos financeiros haviam exaurido o caixa e tornado inviável o acesso à linhas de financiamento convencionais.

“Sem capital de giro, a cooperativa poderia receber apenas um quinto das 800 toneladas de frutos de baru previstas para a safra”, relembra Adalberto Gomes dos Santos, diretor executivo da Coopcerrado e agroextrativista em Lassance, no norte de Minas Gerais.

Nesse cenário, afirma, os agroextrativistas precisariam fazer dinheiro com outros produtos de escoamento “mais fácil” nos mercados locais.

Assegurar a entrega de toda a produção prevista era crucial para honrarem contratos com clientes nacionais e estrangeiros, como os países do Oriente Médio que passaram a importar itens da linha do baru, como castanha e farinha, naquele ano. E também remunerar produtores de uma nova linha de produtos, composta por ervas, temperos e pequi, parte de uma carteira de 211 itens comercializados pela cooperativa.

A resposta veio com a aproximação entre a Coopcerrado e a Conexsus em três oficinas da Jornada de Aceleração do Ciclo de Desenvolvimento de Negócios Comunitários Sustentáveis do Desafio Conexsus. “Comentamos nas oficinas sobre nossa dificuldade em obter capital de giro. Sem isso, não teríamos como estocar. O baru dá só uma vez por ano e nem todo ano dá igual”, assinala Santos.

Para superar o entrave de acesso ao crédito, o Fundo Socioambiental Conexsus disponibilizou para a cooperativa recursos reembolsáveis para capital de giro em duas operações.

O primeiro repasse, no valor de R$ 30 mil, aconteceu em junho de 2019 para o pagamento de produtores pela remessa de matéria-prima para a produção de temperos. A segunda operação, mais volumosa, consistindo em um aporte de R$ 300 mil, aconteceu em setembro e permitiu a aquisição da safra de baru, carro-chefe da Coopcerrado.

“O capital do Fundo foi fundamental para acessarmos os mercados este ano. Isso fez a diferença para os nossos negócios”, conta.

Com os aportes da Conexsus, não só a saúde financeira da associação se fortaleceu, como a relação de confiança entre a cooperativa e seus cooperados.

“Se você cumpre o compromisso financeiro, o cooperado acredita, confia, se envolve e se esforça para seguir as boas práticas do manejo sustentável”, destaca Alessandra Karla da Silva, gerente de Negócios Sustentáveis da Coopcerrado.

Complementando o crédito do Fundo Socioambiental Conexsus, a cooperativa obteve no último trimestre de 2019 mais R$ 200 mil de clientes como antecipação de compra.

Atuação em cinco estados

Fundada em 2002, a Coopcerrado está sediada em Goiânia, e atua em 131 municípios dos estados de Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso e Bahia, com 4.623 famílias cooperadas.

Com a marca Empório do Cerrado, vende mais de 211 itens da agricultura familiar, incluindo produção animal e vegetal e extrativismo, como castanha e farinha de baru, buriti, jatobá, pequi, pimenta de macaco, amburana, sucupira, chás e plantas para temperos.

Há também produtos destinados às indústrias de cosméticos e farmacêutica, a exemplo da favela, utilizada no tratamento de doenças circulatórias, como varizes e hemorroidas. Todos os produtos contam com a Certificação Participativa Orgânica do CEDAC.

Parte da Rede de Comercialização Solidária de Agricultores Familiares e Extrativistas do Cerrado, a cooperativa possui pontos de venda em 12 estados e no Distrito Federal, e conta em sua carteira de clientes com as cadeias de supermercados do Grupo Pão de Açúcar e Walmart, a Mãe Terra, empresa processadora de produtos orgânicos e naturais, e a Korin, rede varejista de produtos naturais.

Soluções financeiras inovadoras

A dificuldade de acesso a recursos financeiros é um entrave comum no mundo dos negócios comunitários sustentáveis. Para ajudar a superá-lo, a Conexsus conta com um fundo socioambiental para injetar recursos reembolsáveis em negócios comunitários, rurais e florestais, em três modalidades: crédito direto para custeio de safra, capital de giro e crédito de aval para cobrir parcial ou integralmente a garantia exigida por instituição financeira.

Composto por capital semente doado pela Good Energies Foundation e pelo Fundo Vale, o Fundo Socioambiental Conexus possui patrimônio de R$ 1,5 milhão, e foi reconhecido em março como instrumento financeiro inovador para acelerar negócios comunitários e florestais pelo Laboratório de Inovação Global para o Financiamento Climático (conhecido como Lab). Ele é hoje uma das duas iniciativas brasileiras selecionadas pelo Lab para receber orientações de especialistas em soluções financeiras inovadoras para negócios de baixo carbono.

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Foto: Matiz Caboclo / Divulgação

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