COP26 debate sustentabilidade na agropecuária, energia alternativa e rastreabilidade

Os painéis do Pavilhão Brasileiro na 26ª edição da Conferência das Partes (COP26) debateram temas sobre a agropecuária sustentável, como a sustentabilidade na pecuária e na agricultura, energia alternativa, efeito poupa-terra e rastreabilidade nas cadeias produtivas. A programação contou com apresentações híbridas, feitas a partir do estande de Glasgow (Escócia), sede da COP26, e do espaço montado em Brasília, com transmissão pelo canal do Ministério do Meio Ambiente no YouTube. Participaram dos debates representantes do Mapa, Embrapa, assistência técnica e das diversas cadeias produtivas do agronegócio.

Pecuária Sustentável: estudo mostra que pastagem sequestra carbono

No primeiro painel do dia, foram apresentados dados que mostram o investimento do pecuarista brasileiro na criação sustentável de animais. De acordo com o vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Muni Lourenço, os produtores rurais já contrataram mais de R$ 20 bilhões, desde 2013/2014, por meio do Programa ABC (que faz parte do Plano Safra), para investimento em práticas agrícolas de baixo carbono. “A cada R$ 1 colocado pelo Estado, o produtor investe R$ 7 na agricultura de baixo carbono”, destacou Lourenço.

A diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação, Mariane Crespolini, ressaltou que o “produtor precisa apenas dos incentivos corretos, como assistência técnica”. Prova disto, segundo a diretora, é que o Plano ABC alcançou a marca de implantação de técnicas de baixa emissão de carbono em 52 milhões de hectares em dez anos, sendo 27 milhões de recuperação de pastagens degradadas.

O professor e matemático da Universidade de Edimburgo, Rafael Silva, apresentou artigo que mostra que a demanda por carne bovina contribui para a menor emissão de gases de efeito estufa. De acordo com o pesquisador, se a demanda por carne bovina crescer 30% em 2030, as emissões de gases de efeito estufa devem ser 10% menores em razão do sequestro de carbono. Desta forma, com maior demanda, o produtor investe no pasto. Com mais pasto, cresce o sequestro de carbono, conforme Rafael Silva.

“As pastagens sequestram muito carbono estável, que fica embaixo do solo. A parte aérea [do carbono] é consumida pelos animais. A maioria dos estudos não consideram esse carbono [no solo] por dificuldade do cálculo matemático dos modelos. No Brasil, é importante por causa das pastagens. Em outros sistemas produtivos, baseados no confinamento, não têm esse benefício. (…) Se a demanda for mais baixa, vai ter menos animais, menos metano, no entanto, vai haver uma redução do estoque de carbono no solo. Se, ao contrário disso, temos uma demanda mais alta com controle eficiente do desmatamento, embora aumente as emissões de metano, haverá uma compensação pelo sequestro de carbono, porque a recuperação de pastagens aumenta significativamente as taxas de sequestro de carbono”, explicou. O artigo, em parceria com a Embrapa, foi publicado no jornal científico Nature Climate Change.

Agricultura Sustentável: 30% do algodão sustentável do mundo é brasileiro

O painel trouxe casos de sucesso de agricultura sustentável no Brasil. Um deles foi apresentado pelo consultor técnico da CNA e produtor rural, Ricardo Arioli. Em sua propriedade, Arioli adota práticas conservacionistas, como plantio direto, sistemas integrados e segunda safra. “A segunda safra protege as florestas. Acabamos de plantar soja em outubro. Em janeiro e fevereiro, vamos colher a soja e plantar o milho. Plantamos o milho junto com o capim. Em maio e junho, colhemos o milho. De julho a outubro, colocamos o pasto, que é o boi safrinha. Temos uma terceira safra de produção de carnes”, explica o produtor rural, acrescentando em Mato Grosso, estado onde produz soja, a produção da oleaginosa cresceu 213%, enquanto a área aumento 163% nos últimos anos.

Outro caso é na cadeia produtiva do algodão. Segundo o presidente da Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (AMPA), Paulo Sérgio Aguiar, apenas 23 países têm a Certificação BCI, que credencia a produção sustentável de algodão. O Brasil é uma das nações certificadas e responde por 30% da produção mundial de algodão sustentável. Aguiar diz que a conquista é resultado do compromisso dos produtores rurais brasileiros com a sustentabilidade. “É a consciência do produtor de trabalhar com a legislação trabalhista, com a legislação ambiental e olhando para a viabilidade econômica”.

Energias Alternativas: Brasil tem grande potencial para biogás

No painel, foi debatido o potencial do biogás como solução de descarbonização no Brasil. O biogás é o aproveitamento de dejetos da criação de animais ou outros substratos produzidos pela atividade rural e urbana para geração de energia, como elétrica e combustível. O país tem capacidade de alcançar uma produção de 120 milhões de metros cúbicos/dia de biogás a partir de resíduos, sendo 38,9 milhões de metros cúbicos/dia na cadeia de proteína animal e 18,2 milhões de metros cúbicos/dia no segmento agrícola.

De acordo com a Gerente Executiva da ABiogás, Tamar Roitman, o biometano (biocombustível gasoso obtido a partir do processamento do biogás), por exemplo, pode reduzir emissões de gases do efeito estufa em 300%. “Além de reduzir as emissões, ele captura o metano”.

O secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, Fernando Camargo, destacou que o Brasil tem uma vantagem em relação a outros países na produção de biogás. “Na Alemanha, é usado milho, uma matéria-prima dedicada, para produção de biogás. No Brasil, não precisamos, podemos fazer a partir dos resíduos”.

Efeito poupa-terra: maior produtividade com menos área

O painel debateu o efeito poupa-terra na agricultura brasileira, que possibilita maior produtividade com menos extensão de terra. O presidente da Embrapa, Celso Moretti, disse que o Brasil se tornou uma potência agroambiental porque investiu de forma consistente e intensa em pesquisa e tecnologia ao longo dos últimos 50 anos. “Isso possibilitou que, só na cadeia da soja, nós poupássemos uma área equivalente à superfície da Irlanda e da Itália. Se nós não tivéssemos utilizado o sistema de plantio direto, integração Lavoura-Pecuária e Floresta, fixação biológica de nitrogênio, tratamento de dejetos dentre outros, nós teríamos que usar o triplo da área que nós temos hoje”

O secretário-adjunto de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Mapa, Cleber Soares, lembrou que nesses 50 anos a área agricultável do Brasil cresceu em torno de 50% e, em termos de produtividade, houve um aumento de mais de 300%. “A agricultura brasileira é adaptativa, resiliente, sustentável e descarbonizante. Ao longo dos últimos 50 anos, o Brasil saiu de importador líquido de quase tudo que nós consumíamos para hoje sermos uma potência agrícola sustentável. E isso se deu em cima de muita ciência, muita tecnologia e com muita assistência técnica e extensão rural”.

Abordagem Integrada da Paisagem: eficiência produtiva com olhar para biomas

A coordenadora-geral de Mudanças Climáticas, Florestas Plantadas e Agropecuária Conservacionista do Mapa, Fabiana Villa Alves, destacou que a abordagem integrada da paisagem das áreas produtivas é o foco principal do ABC+, que tem como meta reduzir a emissão de carbono equivalente em 1,1 bilhão de toneladas no setor agropecuário até 2030.

A abordagem integrada consiste em olhar a propriedade não apenas como produtora de alimentos, mas levando em considerações toda a paisagem ao redor de forma sistêmica com o cumprimento ao Código Florestal; a saúde do solo; a conservação de água e de toda a biodiversidade. Assim, a abordagem integrada possibilita a valoração econômica dos serviços ambientais gerados pelos ecossistemas durante a produção agropecuária e também se presta ao equacionamento do entendimento do ambiente rural, especialmente em relação ao ordenamento do território.

A abordagem ocorre por meio do uso de técnicas agrícolas sustentáveis, como terminação intensiva e plantio direto, que permitem o uso adequado dos recursos naturais e o aumento da produção por hectare. “Quando intensificamos a produção por área, agrícola ou pecuária, estamos, na verdade, liberando outras áreas para serem reflorestadas, pois nós melhoramos a eficiência produtiva. Isso é o cerne da abordagem integrada da paisagem”, afirmou.

Já o diretor de Regularização Ambiental do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), João Adrien, ressaltou que o “conceito da paisagem integrada permite identificar as áreas com aptidão agrícola para que possam continuar exercendo as atividades e aquelas áreas com relevância ambiental, para que possam prestar os serviços ambientais na recuperação das áreas degradadas”.

Transparência e Conformidade nas Cadeias Produtivas

O painel abordou a questão da rastreabilidade nos setores do agronegócio. Um setor que tem investidos na rastreabilidade é a fruticultura, que deve alcançar a marca de US$ 1 bilhão de exportação de frutas este ano. “Podemos identificar hoje facilmente em uma caixa de uva quem embalou, quais os bioinsumos utilizados, de qual fazenda veio a fruta”, contou Guilherme Cruz de Souza Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

O monitoramento do processo produtivo está presente também nas concessões florestais. O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) dispõe do Sistema de Cadeia de Custódia (SCC), que controla e faz o rastreamento da produção da madeira. O SCC garante, por exemplo, que o comprador de madeira, em qualquer parte do mundo, tenha a possibilidade de rastrear todo o processo de manejo, extração e beneficiamento, acompanhando o caminho da madeira desde da floresta até o produto final.

“O sistema promove a condição do empresário, do público interessado, da sociedade brasileira e internacional de conferirem com assertividade e com total rigor a origem de cada peça de produtor madeireira tanto no pátio da empresa, na loja de móveis ou na nossa casa”.

O diretor comercial da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), João Gilberto Bento, disse que o setor já dispõe de uma plataforma estruturada de rastreabilidade. O passo agora é levar esse modelo para os criadores. “As indústrias exportadoras já criaram alguns modelos de exigência de informações dos fornecedores de animais. Essa rastreabilidade tem que chegar até a fazenda que produz o bezerro”.

Dados de rastreamento por satélite das embarcações de pesca brasileiras são compartilhados com Global Fishing Watch

Os dados de rastreamento por satélite das embarcações de pesca brasileiras estão disponíveis na plataforma da Organização Não Governamental americana Global Fishing Watch. Segundo a Secretaria de Aquicultura e Pesca (SAP) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o compartilhamento das informações demonstra o comprometimento brasileiro com a transparência de dados e a governança dos oceanos, além de promover a melhoria na gestão pesqueira, a sustentabilidade dos estoques pesqueiros e dirimir a pesca ilegal.

Atualmente, estão disponíveis os dados de 1,4 mil embarcações ativas no Programa de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS), operando em águas sob jurisdição brasileira, que compreende 7.367 quilômetros de zona costeira. “A parceria com a Global Fishing Watch é uma grande oportunidade para o setor pesqueiro brasileiro mostrar seu potencial para o mundo, assim como nossa intenção de promover a modernização da gestão das pescas na nossa Zona Econômica Exclusiva (ZEE), tomar decisões com base em evidências e alavancar a transparência”, destaca o Secretário de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior.

A diretora do Departamento de Registro, Monitoramento e Fomento da Aquicultura e Pesca, Natali Piccolo, diz que a abertura dos dados de monitoramento dos navios de pesca do país apoiará o avanço da ciência e da gestão da pesca no Brasil, fortalecerá o controle da pesca e promoverá a responsabilidade em toda a pesca industrial e comercial no Atlântico Sul.

 Apoio ao Brasil

O trabalho conjunto com a Global Fishing Watch ajuda o país a se alinhar com a tendência global de melhorar a gestão da pesca. Também fortalece seu sistema atual de monitoramento de embarcações e reforça a conformidade com os regulamentos em suas águas. A salvaguarda da sustentabilidade dos recursos marinhos é essencial para o Brasil, uma vez que aproximadamente 3,5 milhões de pessoas – metade delas mulheres – dependem direta e indiretamente da pesca e da aquicultura no país.

Com a plataforma Global Fishing Watch, será possível entender melhor o comportamento das embarcações da frota nacional e oferecer uma visão mais completa do que está acontecendo no mar. Como parte do compromisso de colaboração e apoio, será oferecido treinamento e capacitação a funcionários públicos que atuam no manejo pesqueiro. Este trabalho reforçará o monitoramento de embarcações como ferramenta prioritária de controle e fiscalização, além do desenvolvimento de análises e investigações.

Foto: Divulgação / TamoiosNews

Com alta de 37%, contratação de crédito rural chega a R$ 97,75 bilhões em três meses do Plano Safra

Nos três primeiros meses de operação do Plano Safra 2021/2022, os produtores rurais, cooperativas e agroindústria contrataram R$ 97,75 bilhões para financiar a atividade agropecuária, florestal, aquícola e pesqueira. O valor representou incremento de 37% em relação ao mesmo período do ano anterior, distribuídos em mais de 668 mil contratos (+3%).

Os números estão no balanço do crédito rural divulgado pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Os financiamentos em investimentos registraram o maior crescimento em relação ao mesmo período do plano anterior (59%), com R$ 29,49 bilhões e 329 mil contratos firmados. Com maior valor liberado, as operações de custeio alcançaram perto de R$ 52,69 bilhões e 333 mil contratos, incremento de 27% e 6%, respectivamente.

Nas outras finalidades, há procura por financiamentos de comercialização (+34% ou R$ 8,28 bilhões) e industrialização (+42% ou R$ 7,2 bilhões).

Regiões do país

De acordo com o estudo da SPA, os produtores rurais da Região Sul, historicamente, são os que mais contratam financiamentos. Até o momento, foram R$ 36,90 bilhões e mais de 277 mil contratos, o que representa, respectivamente, 38% e 42% do total nacional.

O balanço do crédito rural mostra a forte demanda por financiamentos rurais na Região Norte (aumento de 64% no valor e de 46% no número de contratos) e Nordeste, 34% no valor, embora a quantidade de contratos tenha sofrido redução de 5%.

Programas de investimento

Entre os programas de investimentos na atual safra, o Moderfrota alcançou a maior parcela dos recursos programados (66%), seguido do Procap-Agro (50%) e de outras linhas/programas (45%).

O diretor do Departamento de Crédito e Informação do Mapa, Wilson Vaz de Araújo, destaca que não há escassez de recursos de investimento na atual safra e o saldo disponível desses recursos, no conjunto das instituições financeiras, é de 60%.

Fontes de recursos

As fontes de recursos mais utilizadas pelas instituições financeiras na contratação do crédito aos produtores e às suas cooperativas de produção, entre julho a setembro, foram os Recursos Obrigatórios (R$ 28,63 bilhões, alta de 71%), a Poupança Rural Controlada (R$ 21,97 bilhões ou +5%) e a Poupança Rural Livre (R$ 17,91 bilhões ou +129%). Essas fontes somaram 69% de participação no valor dos financiamentos rurais.

A LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), com recursos não controlados, foi a única fonte que teve um decréscimo no valor (-46%) das liberações comparativamente à safra passada, o que representou R$ 4,03 bilhões.

Brasil é o maior exportador de comida halal no mundo

com informações da Agência Brasil

Halal (حلال) é uma palavra árabe que significa lícito, permitido. Mais do que isso, é um conceito que permeia a alimentação e o uso de produtos cosméticos e farmacêuticos por muçulmanos em todo o mundo. Pela sharia, o código de leis islâmico, os seguidores da fé de Maomé só podem consumir produtos que se encaixem nessa categoria porque seriam aqueles permitidos por Deus.

No judaísmo, há uma categoria semelhante: o kosher. Um exemplo é a proibição de consumo de carne de porco, de álcool etílico, sangue e animais de presas longas, considerados haram, ou seja, não permitidos. As carnes de boi, frango, caprinos e ovinos podem ser consumidas, desde que o abate seja feito de forma adequada, em um ritual halal.

A restrição é ligada não apenas a esses itens, mas a qualquer produto que contenha esses ingredientes em sua composição ou que tenha contato com eles. Um carimbo usado em uma carne, por exemplo, não pode ter glicerina de origem suína.

Como isso é levado muito a sério pelos muçulmanos, é preciso garantir que os produtos consumidos realmente tenham sido processados da forma correta. Por isso, as empresas interessadas em servir ao consumidor islâmico precisam ser certificadas.

“Hoje, 1,9 bilhão de consumidores no mundo são muçulmanos. E as estimativas para 2060 é que uma, em cada três pessoas, seja muçulmana. Então você tem um mercado gigantesco, um potencial enorme a ser explorado. Além disso, os consumidores muçulmanos são muito fiéis. Uma vez que eles identificam uma marca certificada, que traz um produto de qualidade, acabam se fidelizando àquela marca”, explica Elaine Franco de Carvalho, coordenadora de qualidade da Fambras Halal, uma das principais certificadoras halal do Brasil.

É um mercado concentrado não apenas no Oriente Médio e norte da África, mas também em países como o próprio Brasil. Na Indonésia, por exemplo, que tem grande população muçulmana e é o maior mercado consumidor de comida halal, a certificação é obrigatória para os exportadores. “Uma vez que a empresa estiver certificada, ela vai atender a alguns países que antes ela não atendia, por ter a certificação halal como requisito [para exportação] ou por ter a certificação halal com diferencial”, afirma Elaine.

Segundo dados do último Relatório Global do Estado da Economia Islâmica, antes da pandemia o Brasil era o maior exportador mundial de comida halal. Em 2019, o país exportou US$ 16,2 bilhões nesse tipo de produto, 12% a mais do que o segundo colocado, a Índia, que negociou US$ 4,4 bilhões.

Certificação

Segundo Elaine, o processo de certificação envolve inicialmente uma avaliação documental da empresa, na qual se verifica, por exemplo, os ingredientes e materiais usados na fabricação ou beneficiamento do produto e sua origem. “A gente precisa garantir que se aquela empresa usa uma queratina de origem animal, por exemplo, que ela tenha vindo de um animal abatido de acordo com o ritual islâmico”, conta.

A certificadora, então, envia um auditor com conhecimentos técnicos na área de atuação da empresa (que pode ser um veterinário, um engenheiro agrônomo entre outros) e autoridades religiosas para verificar se tudo é feito dentro dos preceitos do islamismo.

No caso do abate bovino, por exemplo, Elaine explica que é preciso que tudo seja feito de acordo com um ritual, que começa com a declamação das palavras Bismillah, Allahu Akbar (“em nome de Deus, Deus é o maior”) e termina com a drenagem do sangue do animal por três minutos.

A faca deve ser bem afiada para seccionar as principais artérias do pescoço em único corte e garantir a morte instantânea do animal. “É um requisito do abate halal que você minimize o sofrimento do animal”, diz Elaine.

O abate deve ser feito por um muçulmano, mas se não houver ninguém disponível, poderá ser executado por um judeu ou um cristão. Já o supervisor do abate precisa ser um seguidor do Islã.

Depois de aprovada, a empresa pode receber uma certificação para todos os lotes de seu produto, com validade de três anos, ou pode receber certificações por lotes. Cerca de 450 empresas brasileiras são certificadas apenas pela Fambras Halal.

Fábrica da empresa brasileira BRF em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Com produtos presentes no Oriente Médio desde a década de 1970, a indústria alimentícia brasileira BRF decidiu dar um passo adiante, em 2014, de olho no gigantesco mercado halal, ao instalar uma fábrica nos Emirados Árabes Unidos. Localizada na zona industrial de Abu Dhabi, capital do país, a planta processa principalmente produtos de frango e também hambúrguer bovino.

É a primeira indústria alimentícia brasileira a instalar uma fábrica no país e, se depender do governo dos Emirados Árabes, não será a última. Recentemente, a ministra de Mudanças Climáticas e Meio Ambiente da nação árabe, Mariam Almheiri, convidou empresas do Brasil a seguir o exemplo da BRF.

Segundo ela, seu país proporciona vantagens como a avançada infraestrutura de transportes e proximidade com o mercado consumidor árabe e asiático. Segundo o vice-presidente de Mercado Internacional da BRF, Patrício Rohner, o mercado halal (ou seja, produtos processados de acordo com as leis islâmicas) representa hoje 25% de todas as vendas da empresa e metade da comercialização no exterior.

Uma das marcas da BRF, a Sadia é uma das líderes em seu segmento nos Emirados Árabes. “Quando você vê um mercado como Kuwait, o Catar, os Emirados Árabes ou a Arábia Saudita, o reconhecimento da marca é maior do que no Brasil”, disse Rohner.

Produtos processados no Brasil

A decisão de montar uma fábrica nos Emirados Árabes, depois de anos exportando produtos processados no Brasil, surgiu ao perceber que os alimentos produzidos no país árabe poderiam estar mais próximos do paladar dos consumidores da região. “Para desenvolver produtos para o sabor local, não tem nada melhor do que estar próximo ao consumidor. Quando você tenta encontrar os ingredientes que as pessoas se acostumaram a comer ou aprenderam a comer desde pequenas, é muito difícil fazer isso de fora”, explicou Rohner.

Os animais são criados e abatidos no Brasil, onde recebem certificação halal. Só depois, a carne é exportada para os Emirados Árabes, onde é processada (por exemplo, transformada em nuggets, hambúrgueres ou tenderizada e empacotada). Segundo Rohner, financeiramente é mais viável criar os animais no Brasil, porque o país tem a estrutura para atender ao mercado nacional e ao internacional, além de abundância de grãos (para alimentação dos rebanhos) e de água.

Além da fábrica em Abu Dhabi, a BRF opera outras três unidades processadoras de alimentos no Oriente Médio, uma na Arábia Saudita e duas na Turquia.

Há outras empresas alimentícias que ainda não têm fábrica nos Emirados Árabes, mas que já marcam presença ali, como a JBS, concorrente da BRF, que mantém um escritório comercial no país, e a Tropicool Açaí, rede varejista que oferece produtos da fruta amazônica. Ela tem lojas em Dubai.

Monitoramento remoto do silo: tecnologia proporciona redução de custos e aumento da produtividade

com informações da Somos Assessoria

O Smartfeed traz informação do monitoramento do consumo e peso do silo 24 horas por dia, sete dias por semana. São dados precisos, na hora certa, uma solução fácil e inteligente. Todas as informações que o setor produtivo quer na palma da mão em tempo real. Uma tecnologia que pode ampliar os ganhos, por meio de monitoramento em tempo real e acessados de forma remota. Essa é a solução para monitorar o consumo e demanda de resultados imediatos.

O Smartfeed, desenvolvido e oferecido pela PecSmart, leva ao homem do campo o modelo de economia de tempo e redução dos custos com a alimentação.

De acordo com o engenheiro agrônomo e fundador da PecSmart, Diego Kurtz, o nível e o ritmo de consumo de ração são atualizados a cada hora em tempo real. São informações como: o consumo diário médio, consumos abaixo ou acima do esperado, alertas de pedidos, entre outros. “Nosso principal objetivo é tornar a produção mais inteligente a partir da gestão ágil da informação, obtida de forma automática, sem a necessidade de alimentar os sistemas ou planilhas com dados coletados manualmente,” ressalta Kurtz.

Os equipamentos são práticos para instalação e tem mais de 95% de precisão. Abrange principalmente a produção animal de aves, suínos e confinamento de bovinos. Em apenas duas horas de trabalho o sistema está funcionando e instalado, sem precisar parar a produção ou ter que fazer grandes mudanças. Com valores acessíveis, entre quatro ou cinco vezes menor do que as soluções convencionais de pesagem por balança ou célula de carga.

Sem esse método de monitoramento preciso, os resultados nem sempre são extraídos em sua melhor capacidade de ganho. A maior parte dos custos de produção de suínos e aves está associada à nutrição e sanidade, esse número chega a 80%. A suinocultura e avicultura vem passando por fortes pressões sobre os custos de produção e constantes reduções das margens de comercialização, prejudicando a continuidade das atividades nas propriedades que não conseguem intensificar e incrementar a produtividade. Os modelos atuais se baseiam no “retrovisor”, com a análise do desempenho após o abate dos lotes.

Hoje a maior parte do monitoramento sobre o consumo, ainda ocorre de forma perceptiva, quando o produtor sobe nos silos, ou por estimativas baseadas em séries históricas. Nesse caso, por meio de expedição da fábrica de rações. Os principais problemas do modelo atual estão associados à baixa precisão do que ocorre durante o alojamento, à necessidade de intensa mão de obra dentro da granja e ao lento timing e integração da informação para tomar decisões, reduzir custos, otimizar a logística e estabelecer modelos preditivos.

Com o Smartfeed é possível estratificar os dados para identificação do ritmo de consumo, conversão alimentar e resposta às distintas estratégias nutricionais e de manejo. Picos e eventuais anomalias, alertas de pedidos, estão disponíveis o tempo todo, sete dias da semana, não importa onde você esteja. Assim qualquer pequeno erro ou anomalia pode ser corrigido de forma imediata. Esses indicadores refletem na sustentabilidade financeira do negócio e da produção. O monitoramento do consumo auxilia na identificação do momento ideal de abate.

De acordo com o engenheiro agrônomo, o segredo para uma boa conversão alimentar está em fatores básicos de manejos dos animais como genética e ambiência, consumo, qualidade da água e da ração, controle sanitário e bem estar. “O consumo é o espelho da saúde da produção e com o monitoramento do silo é possível identificar e antecipar problemas e, agindo de forma correta, evitar as perdas que, via de regra, estão atreladas a um lote de baixo desempenho,” ressalta Diego Kurtz.

PecSmart

A empresa atua em pequenas, médias e grandes produções rurais e passeia nos mais diversos setores do agro. São inúmeras tecnologias oferecidas para o homem do campo e agroindústria que precisa ter resultados rápidos e tudo de forma automatizada, acompanhado e desenvolvido por quem entende do dia-a-dia da produção rural. Profissionais técnicos, engenheiros agrônomos e veterinários especializados em gestão da informação, tecnologia e sistemas de informação, sistemas produtivos e gestão de custos. Chega de perder tempo em alimentar os sistemas ou planilhas com dados coletados manualmente. Acesse o site pecsmart.com.br e saiba mais sobre as soluções que podem beneficiar a produção.

Foto: Divulgação

Ministério da Agricultura regulamenta o uso de drones em atividades agropecuárias

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou, no Diário Oficial da União, a Portaria nº 298 que estabelece regras para operação de aeronaves remotamente pilotadas (ARP), mais conhecidas como drones, destinadas à aplicação de agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes.

Com drones ocupando cada vez mais espaço na agricultura e na pecuária, a regulamentação visa simplificar os procedimentos e adequar as exigências legais as especificidades desta tecnologia, já que, em diversos aspectos, se diferencia das aeronaves tripuladas.

Além do registro no Mapa, que será feito de forma automatizada via Sipeagro, os operadores necessitarão possuir profissional qualificado com curso específico, designado como aplicador aeroagrícola remoto, e, em determinados casos, necessitarão também de responsável técnico, engenheiro agrônomo ou engenheiro florestal, para coordenar as atividades. Já com relação as aeronaves, estas deverão estar devidamente regularizadas junto a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

“Esperamos que a normativa traga a segurança jurídica necessária para os operadores, ao mesmo tempo que garanta a harmonização e a segurança das operações e uso responsável da tecnologia. A norma também servirá como um ‘norte’ para a coordenação e a fiscalização das atividades, tanto por parte do Mapa, como por parte dos órgãos estaduais, responsáveis pela fiscalização do uso de agrotóxicos”, destaca a chefe da Divisão de Aviação Agrícola, Uéllen Lisoski.

A segurança operacional deve envolver todo o processo de aplicação, desde o preparo da calda, o monitoramento das condições ambientais durante a aplicação e o registro e arquivamento dos dados de cada operação, de forma que possam ser auditados, sempre que necessário.

As regras visam a segurança da equipe de trabalho e de terceiros, e englobam ainda distâncias mínimas de zonas sensíveis, a serem respeitadas durante as aplicações, de modo a se evitar problemas ambientais e visando a saúde da população.

Foto: Mapa / Divulgação

Empresário do agro e família morrem em queda de avião

com informações do G1, do Antagonista e do Agrolink

Sete pessoas morreram após um avião cair em Piracicaba (SP) na manhã desta terça-feira (14/09). A aeronave, modelo King Air 360 prefixo PS-CSM, caiu em uma área de mata no bairro Santa Rosa e, com a explosão, um incêndio teve início no local. Segundo o Corpo de Bombeiros, as vítimas foram carbonizadas e morreram no local. Os sete corpos foram localizados, segundo a prefeitura.

O avião era de propriedade da CSM Agropecuária, empresa de Celso Silveira Mello Filho, irmão de Rubens Ometto. Segundo a empresa, também estavam no avião a esposa de Celso, Maria Luiza Meneghel, seus três filhos, Celso, Fernando e Camila, o piloto Celso Elias Carloni e o copiloto Giovani Gulo.

Celso Silveira Mello Filho era irmão de Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do Conselho de Administração da Raízen, uma das maiores empresas brasileiras com presença nos setores de produção de açúcar e etanol, distribuição de combustíveis e geração de energia. Em nota, a Raízen confirmou a morte do empresário e família. “Celso era acionista e irmão do presidente do Conselho de Administração da companhia, Rubens Ometto Silveira Mello”, diz o texto.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Entregues 96 quilômetros de corredor logístico para os setores de mineração e agropecuária de Goiás

com informações do Ministério da Infraestrutura

A rodovia BR-414, importante corredor logístico para os setores de mineração e agropecuária da região Norte de Goiás, passa a contar agora com 96 quilômetros de novas pistas, entre Niquelândia e Assunção de Goiás. Restaurado em somente cinco meses após investimento de R$ 44,8 milhões, o segmento foi entregue pelo Governo Federal.

As obras realizadas no trecho abrangem ainda a eliminação de pontos críticos da rodovia, com a adequação de travessias urbanas de Vila Taveira e de Quebra Linha, além da interseção com a rodovia estadual GO-564.

Para a restauração foram executados reparos superficiais e profundos, tanto na pista principal como nos acostamentos, com aplicação de revestimento, camada de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) e microrrevestimento asfáltico a frio. O segmento faz parte de um contrato de restauração e manutenção que contempla 237,9 quilômetros da BR-414.

Em 2020, o Governo Federal já havia realizado a adequação e restauração de 17 quilômetros entre as cidades de Cocalzinho de Goiás e de Corumbá de Goiás, inclusive com a implantação de 7,8 quilômetros de terceiras faixas adicionais nos dois sentidos da rodovia.

Foto: Vinícius Rosa / MInfra

Conab estima safra de grãos 2021/2022 em 289,6 milhões de toneladas

com informações da Agência Brasil

A produção da safra de grãos 2021/2022 do Brasil ficará em 289,6 milhões de toneladas. A expectativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) considera a projeção das safras de soja, arroz, milho, algodão e feijão, que correspondem a cerca de 94% do total e grãos do país.

De acordo com a Conab, na produção da safra há uma expectativa de leve aumento da safra de arroz, com recuperação dos estoques; recuperação forte da safra de algodão, com o incremento das exportações e manutenção da área plantada de feijão, mas com aumento de produtividade.

Segundo o diretor-presidente da Conab, Guilherme Ribeiro, os destaques devem ficar para o milho, cuja expectativa é de colheita de 116 milhões de toneladas, e a soja, com produção de 141,2 milhões de toneladas. “Temos a previsão de uma safra recorde estimada em 289,6 milhões de toneladas e rumo a 300 milhões, com um recorde na produção de milho e soja e o Brasil permanecendo o maior exportador de soja do mundo”, afirmou Ribeiro.

Segundo as projeções, as exportações de soja em 2020 devem ficar em 83,42 milhões de toneladas e no próximo ano devem chegar a 87,58 milhões de toneladas, com a área de cultivo da oleaginosa alcançando 39,91 milhões de hectares.

A Conab disse que a alta está sendo puxada principalmente pelo alta do dólar, que favorece as exportações, além do aumento na demanda da China, principal comprador do produto.

Em relação ao milho, a Conab disse que a produção apresentou um aumento de 33,8% na comparação anual. Os números indicam uma recuperação após o cultivo ter sofrido com a seca e a geada. Com isso, a safra de verão do cereal deve aumentar 9% ficando em 27,2 milhões de toneladas.

No caso do algodão (pluma), a expectativa é de alta de 15,8% na produção, com a safra 2021/2022 ficando em 2,71 milhões de toneladas. Os números indicam um aumento de 13,4% na área de cultivo, que deverá atingir 1,55 milhão de hectares.

Durante a apresentação, a Conab também atualizou os números da estimativa da safra de 2020/2021. Houve uma redução em relação ao que foi divulgado em julho, quando a estimativa foi de 260,7 milhões de toneladas. Com a revisão, a safra do período ficou em 253,9 milhões de toneladas. A explicação foi que a redução foi puxada por efeitos do clima sobre as lavouras.

O diretor-presidente da Conab ressaltou que o quadro é de recuperação, mas que ainda permanecem incertezas em razão da pandemia do novo coronavírus. “O quadro ainda é de relativa incerteza, diante da pandemia da covid-19, mesmo que tenhamos acompanhado sinais de melhora recentemente”, disse.

Exportação de frutas aumentou 25% em relação a parcial de 2020

com informações do Sistema Faeg/Ifag

De acordo com a Conab, o volume exportado de frutas pelo Brasil aumentou 24,78% em relação a parcial do ano até julho de 2020, o valor auferido também teve um aumento de 29,66%. Tendo a maçã, manga, melão, manga, limões e limas, banana e melancia, como principais frutas exportadas. Esse aumento na exportação foi devido a boa qualidade, câmbio favorável e os estrangeiros procurarem alimentos saudáveis. Isso vem na esteira da abertura de novos mercados externos agropecuários, consolidados por acordos bilaterais negociados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A quantidade de maçãs ofertada no CEASA em Goiânia subiu 45,67%. Em julho houve uma alta de preços em cinco entrepostos atacadistas e queda da oferta em diversos deles. Mesmo com chuvas escassas até setembro, na maioria das fazendas produtoras de maçã, o período de dormência das macieiras deverá ser satisfatório, por este motivo, esperasse que a próxima  safra seja de bons números.

Já no mercado das hortaliças, desde o início do ano a cenoura vem apresentando uma tendência declinante dos preços em relação ao final de 2020, porém em julho ocorreu uma reversão. No CEASA de Goiás o aumento foi de 53,43%. Com a safra de verão enfraquecendo e a de inverno entrando no mercado e sem conseguir sustentar a oferta do mercado, foi possível ocorrer essa reversão.

O preço do tomate registrou uma alta de 37,12% em julho devido à queda na oferta nos mercados atacadistas, da ordem de pouco mais de 8% em relação a junho do ano passado. A queda tem relação com alguns fatores como a maturação mais lenta e as perdas ocorridas por causa das geadas em diversas regiões produtoras.  A previsão é que ocorra o mesmo para agosto.