A corrida por frete começou e embarcadores precisam se preparar

Com a chuva dando uma trégua em importantes regiões produtoras de grãos do País, os agricultores voltaram a atenção total para as lavouras para acelerarem a colheita da soja da atual temporada, a qual promete ser recorde. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos brasileira está estimada em 310,6 milhões de toneladas, um incremento de 38,2 mi/ton em relação à temporada anterior.

Com as colheitadeiras a todo vapor no campo (dia e noite), a demanda do transporte rodoviário também começa a aumentar e acende o sinal de alerta à classe produtora em relação aos custos. Portanto, aqueles que não tiverem planejamento pagarão mais caro para escoar a produção até os portos.

Baseado no índice goFlux de frete (IGFF), que traz o preço do deslocamento por tonelada por quilômetro (R$t/km), considerando para a base de cálculo as transações de fretes que ocorreram na plataforma da empresa, o avanço da colheita da soja em alguns municípios do estado de Mato Grosso, por exemplo, vem pressionando o preço. “Sobretudo na segunda quinzena de janeiro, o IGFF-MT considerando o transporte de soja e milho, fechou o primeiro mês do ano com a cotação de R$ 0,27 t/km, refletindo aumento de 2% nos preços do serviço, em comparação ao mês anterior. Quando comparado ao mesmo período do ano anterior, o índice registrou alta de 7,8%”, destacou Tiago Scatena, especialista de mercado da logtech goFlux.

Ainda segundo o profissional, em janeiro, o IGFF-SP, considerando as informações de frete de açúcar, fechou o R$ 0,57t/km, queda de 12% em relação a dezembro, redução motivada pela fraca demanda do produto em São Paulo no início do ano. Já em relação a janeiro de 2022 houve aumento de 25% no preço do frete de t/km.

Tecnologia analítica

A goFlux possui uma ferramenta chamada goFlux View que mostra uma visão analítica sobre fretes do passado e do presente, e disponibiliza uma funcionalidade de predição de fretes que colabora para o melhor planejamento da operação logística dos seus usuários. A plataforma utiliza big data e algoritmos preditivos para ajudar empresas a precificar fretes futuros.

Estas informações são fundamentais no que tange o transporte na mesorregião Norte mato-grossense, com destinos ao Sudoeste do Pará e principais portos de escoamento de grãos, como também São Luiz e Porto Franco no Maranhão. “Isso é algo muito relevante em setores com preços de fretes voláteis como o agronegócio, auxiliando principalmente o embarcador na definição do preço a ser contratado com base numa amostragem exponencial do mercado”, finaliza Scatena.

Sobre – Sediada em São Paulo, capital, a goFlux é uma startup que surgiu em 2018 fruto da expertise de fundadores experientes em logística que desenvolveram uma plataforma totalmente digital para cotação, negociação, contratação e gestão de fretes rodoviários. A solução vem revolucionando a forma de contratar fretes e impulsionando a competitividade no segmento de transportes, principalmente do agronegócio. Mais em goflux.com.br, view.goflux.com.br e naconta.goflux.com.br.

Período chuvoso é ideal para manutenção de pivôs centrais

Há um bom tempo a irrigação já se consolidou como uma das principais responsáveis pelas consecutivas quebras de recordes nas safras brasileiras. Para se ter uma ideia, mesmo ocupando apenas 7% da área agricultável do Brasil, a agricultura irrigada responde por cerca de 40% do valor gerado pela produção agrícola no País, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os modernos sistemas de irrigação possibilitam o cultivo em regiões com escassez mais acentuada de água, como o semiárido brasileiro, ou em locais com extensos períodos de estiagem, como a região central do Brasil.

A irrigação por pivô central é hoje a mais usada no Brasil, presente em mais de 55% das áreas de agricultura irrigada no país, conforme números da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Mas, para assegurar toda essa produtividade por muito mais tempo, é necessário saber quando fazer a manutenção desses equipamentos.

Segundo o gerente corporativo de montagem do Grupo Pivot, Júnior Moreira, o período chuvoso é o momento ideal para a revisão do sistema de pivô central, justamente para que no tempo de seca ele esteja pronto para funcionar e não comprometer o ritmo de produtividade. “Neste período de muita chuva é indicada a revisão do pivô, devido não ter necessidade de utilizá-lo. Revisamos agora para que, no tempo de seca, o equipamento esteja com maior disponibilidade”, explica.

Ainda sobre a manutenção dos sistemas de irrigação por pivô central, Júnior Moreira chama a atenção para os componentes elétricos e rastos do pivô. “Durante a época de chuva é preciso ficar atento à parte elétrica do equipamento, especialmente devido às descargas elétricas que são mais frequentes nesse período. Outra parte para a qual se deve ter atenção são os rastros feitos pelo pivô. É recomendável verificar se eles não estão deixando uma marca muito funda no solo, pois isso pode interferir no funcionamento da máquina”, orienta.

Aferição

O gerente corporativo da Pivot também ressalta a importância de aferir periodicamente o sistema de irrigação da máquina. “A uniformidade de distribuição de água é avaliada através das lâminas de irrigação, que servem para avaliar a qualidade de distribuição de água pelo sistema. O que pode variar de acordo com cada cultura. Por isso, é necessário fazer essa averiguação com antecedência’, informa.

Júnior explica que a uniformidade de distribuição de água é avaliada por meio de ensaios de campo chamados de ensaios de lâmina de irrigação ou “ensaios de canecas”. “A medição desses índices serve para avaliar a qualidade de distribuição de água pelo sistema, que quanto maior for a mesma, melhor será o desempenho da irrigação instalada”, esclarece.

Complementação hídrica

Apesar de serem mais exigidos nos períodos de seca, os pivôs centrais também ajudam durante a época de chuva, especialmente quando os índices pluviométricos ficam abaixo da expectativa ou para complementar as necessidades hídricas de alguns tipos de lavouras. “Como há lavouras que exigem alguns milímetros de água, independente de chover o suficiente ou não, o pivô central pode ser usado como complemento para não ter perdas de lavouras”, esclarece Júnior Moreira.

Segundo dados do Programa Nacional de Agricultura Irrigada (Irriga+Brasil) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), realizado em 2022, Goiás possui mais de 511 mil hectares de área irrigada, a quarta maior entre os estados. À frente dos goianos estão a Bahia, com 525 mil ha, Minas Gerais com 961 mil ha e Rio Grande do Sul com 1 milhão e 163 mil (ha).

Um milhão de mulheres no comando: dados comprovam força da presença feminina no agro brasileiro

O agronegócio brasileiro tem sido tradicionalmente liderado por homens, mas, nas últimas décadas, a representatividade feminina vem ganhando cada vez mais espaço no setor. De acordo com o estudo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em conjunto com a Embrapa e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente as mulheres administram mais de 30 milhões de hectares – equivalente a 8,4% das áreas rurais do país. Segundo levantamento do SEBRAE, são cerca de 1 milhão de representantes femininas comandando propriedades do agronegócio no Brasil.

Além de liderar propriedades, as mulheres têm ocupado posições de destaque em empresas, indústrias e cooperativas. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), elas representam cerca de 30% dos profissionais do setor.

Tamanho protagonismo se reflete, também, em eventos. Um dos mais expressivos é o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA), o maior evento da América Latina de mulheres do agro. Diante do sucesso da última edição em 2022, que bateu recorde de público com mais de 2,5 mil congressistas, nos dias 25 e 26 de outubro ocorre sua 8ª edição.

O estudo de perfil, realizado após o evento, mostrou que os três Estados com maior presença foram São Paulo, Mato Grosso e Paraná. Os setores de atuação mais presentes foram soja, carne, milho, leite, hortifruti, cana, café, algodão e arroz. Dentre os TOP 5 principais cargos estavam proprietárias, gerentes e diretoras.

Para a diretora executiva da ABAG e membro do conselho de conteúdo do 8º CNMA, Gislaine Balbinot, dentro dos centros urbanos “as mulheres têm atuado no agro de forma direta ou indireta, como gestoras, consultoras e diretoras. Já dentro da porteira, fazem a gestão das propriedades, lideram os negócios, além de muitas que se especializam e prestam serviços dentro das fazendas, como agrônomas, veterinárias, microbiologistas, entre outros. Então, temos as mulheres presentes em todas as cadeias produtivas do setor”.

Segundo o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), em 2020, cerca de 53% dos alunos que fizeram os cursos oferecidos pela instituição eram mulheres.

E por falar em conhecimento, elas também vêm se destacando em pesquisas e no meio acadêmico. A chefe geral de Meio Ambiente da Embrapa e membro do conselho de conteúdo do 8º CNMA, Ana Paula Packer, conta que “hoje, é muito perceptível o aumento da presença feminina em faculdades de agronomia e, consequentemente, a maior inserção nos diferentes ‘braços’ de pesquisas”, diz.

Mas, para que esse cenário continue crescendo, políticas públicas mais inclusivas e uma comunicação mais integrada também são importantes. “Essa inserção de liderança feminina em grandes empresas públicas, por exemplo, é um movimento recente. Eu sou a primeira mulher a ocupar meu atual cargo. Esses últimos 50 anos foram disruptivos de várias formas, então estamos favorecidas neste ponto de mostrarmos nosso potencial, nossas pesquisas, e colocar isso pra fora, comunicar nossos esforços, o que estamos fazendo”, explica.

O Brasil (muito bem) representado por elas

Para levar ao congresso a força feminina do agro nacional, as embaixadoras, nomeadas pelo segundo ano consecutivo, representarão as cinco regiões do País, trazendo a perspectiva de cada uma e compartilhando seus conhecimentos sobre o setor.

Edineia Becker, embaixadora representante da região Sul, explica que o CNMA cria conexões valiosas entre as participantes e as empresas, o que gera uma rede ainda mais unificada e sólida. “Independentemente do segmento em que trabalham, todas as mulheres devem sempre buscar novas conexões com outras mulheres, para expandir nosso protagonismo no agro”, diz.

Para Sônia Bonato, embaixadora representante do Centro-Oeste, o Congresso tem uma grande relevância para as produtoras rurais. “É o reflexo da nossa contribuição e o reconhecimento do nosso trabalho. Nós estamos presentes em toda a cadeia do setor, porque sabemos que alimentar pessoas é responsabilidade de manter vidas”, relata.

Já a representante da região Norte, Renata Salatini, compartilha que ser nomeada como embaixadora foi um misto de emoções e desafios. “É uma oportunidade excelente para alavancar o profissional de cada participante e permite que diversas regiões do Brasil se encontrem por meio de um networking incrível. Cada mulher retorna para sua realidade renovada e cheia de ideias para colocar em prática.”

“Acredito que uma mulher forte do agro faz progresso onde quer que esteja, pois esse setor que nos integra também alavanca todo o seu entorno, promovendo educação, desenvolvimento e gerando emprego, com equilíbrio social e ambiental”, compartilha Ani Sanders, embaixadora que representa o Nordeste.

“Trocamos o salto por uma botina, em busca do desenvolvimento de uma produção agropecuária sustentável, com segurança de rebanhos, e uma agricultura de precisão, aliada ao campo digital. Somos do agro e temos um mega orgulho disso”, ressalta Chris Morais, embaixadora representante do Sudeste.

E, em celebração ao Dia da Mulher, o CNMA inicia hoje as vendas do 1º lote de inscrições, com preço promocional. Participantes podem realizar a compra pelo site.

8º edição do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio

Local: Transamerica Expo Center (SP) – Av. Dr. Mário Vilas Boas Rodrigues, 387 – Santo Amaro, São Paulo

Data: 25 e 26 de outubro de 2023

Inscrições: mulheresdoagro.com.br/inscricoes-2023/

Projeto “Um propósito chamado Agro” será lançado na Semana da Mulher

Na semana em que se comemora o Dia da Mulher (8 de março), o agronegócio ganha um novo projeto: “Um propósito chamado agro“, encabeçado por Luciana Martins. Com cinco verticais – podcast, live, entrevistas, palestras e livro -, a iniciativa reunirá personalidades do agronegócio para entrevistas que, além de suas capacidades profissionais, compartilhem reflexões sobre qual o propósito de cada um dentro do agro.

Palestrante e especialista em cooperativismo, Luciana Martins é Diretora Executiva do Grupo Conecta, que realiza grandes eventos pelo país – como Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas e Top Farmers, e Diretora na Mprado Cooperativas, onde exerce a função de consultora a centenas de cooperativas do agronegócio. Com o novo projeto, ela dará voz a representantes de cooperativas, mulheres e jovens do agro em gravações especiais.

“Eu acredito que a agricultura como um todo é muito mais do que apenas preparação, manutenção e colheita. Nós fazemos a diferença, entregando mais que o básico, vencendo desafios, nos superando e valorizando as conexões que fazemos através do campo. E se nos preocuparmos não apenas em como trabalhamos, cultivamos e criamos, mas, principalmente com o propósito dessas ações?”, questiona Luciana.

No lançamento do novo projeto, Luciana Martins estará na Expodireto Cotrijal, que acontece de 6 a 10 de março em Não-me-toque/RS e ministrará palestras em cooperativas da região sul com o tema “Um propósito chamado agro”.

Todas as verticais do projeto irão virar um livro. “Esse projeto que sempre pulsou insistentemente como um desejo em meu coração, tem como principal objetivo incentivar agricultores e profissionais que levam alimento à mesa de milhões de famílias pelo mundo a despertarem o seu melhor construindo um legado, para que de semente em semente, possamos construir juntos uma floresta de propósitos”, completa a idealizadora.

Sobre Luciana Martins – Administradora de empresas, com mestrado em Gestão Empresarial e Financeira pela FGV, Luciana Martins é palestrante, Diretora Executiva do Grupo Conecta, empresa que realiza grandes eventos do agronegócio, e Diretora na MPrado Cooperativas, onde atua como conselheira e consultora em várias cooperativas agro do país. Possui bacharelado em Pedagogia, Gestão e Tecnologia e formação internacional em retórica pela Universidade de Harvard. Desde 2005, atua no agro na gestão estratégica de mais de 500 empresas e mais de 400 cooperativas espalhadas por todo país. Como palestrante, já ministrou mais de 1.500 palestras em eventos pelo Brasil em assuntos como gestão, planejamento, cooperativismo, gestão comercial, mulheres do agronegócio e propósitos.

Um ano de guerra: quais os impactos para a economia mundial?

No dia 24 de fevereiro de 2022, o mundo presenciou o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, classificada por alguns como o episódio de “maior insegurança na Europa desde a Guerra Fria”. As relações entre os países já estavam estremecidas desde a anexação da Crimeia ao território Russo, em 2014. Mas, além das consequências geopolíticas, as sequelas econômicas da guerra tomaram proporções mundiais.

Ambos os países possuem uma parcela significativa na exportação de commodities para Europa e o mundo. A Rússia é a principal responsável pela exportação e o segundo maior produtor de gás natural no mundo. Já a Ucrânia é responsável por 12% das exportações de trigo e por 15% das exportações de milho. Somando-se a Rússia, o país do leste europeu detém uma fatia significativa do comércio mundial de grãos: Trigo (30%), milho (17%), cevada (32%) e óleo, sementes e farelo de girassol (50%).

A Rússia, caracterizada como uma das maiores fornecedoras de commodities para a Europa, responsável por 40% da distribuição de gás natural na região, sofreu embargos econômicos severos por conta da invasão ao território ucraniano. No entanto, tendo o poderio de envio de suprimentos, conseguiu pressionar países europeus neutros, gerando uma explosão inflacionária na Europa Ocidental.

Para Luciano Feres, economista e CFO da Somus Capital, o mercado financeiro como um todo foi impactado: “Esse conflito traz escassez no mercado, seja por embargos ou por outros problemas. Com isso, observamos um aumento grande nos preços. Esse aumento acaba impactando a cadeia como um todo. As commodities são o primeiro produto na cadeia de produção e alimentação, consequentemente, o impacto acaba espalhando por quase todos os setores econômicos. O temor de uma briga nuclear também deixa o mercado muito estressado, resultando em investidores procurando ativos mais seguros e líquidos esperando pelo pior”, comenta.

Os primeiros impactos da guerra nos mercados financeiros

Os reflexos da guerra começaram a surtir efeito antes mesmo dos conflitos iniciarem. A tensão entre as nações existe desde 2014, quando a Rússia anexou o território da Criméia. Esses fatores políticos já davam sinais de um estresse financeiro e, com isso, investidores globais foram migrando ativos em busca de segurança e liquidez fora do eixo Rússia-Ucrânia.

“Muitos compradores de commodities, desde o início da guerra, começaram a realizar hedge ou procurar produtos fora desse nicho, inclusive pagando mais caro, nesse momento era o começo da inflação nos commodities no mundo”, afirma Feres.

A partir do cenário descrito, Europa ocidental e Rússia em crise, com alta na inflação e o consumo caindo, toda cadeia de produção, tendo a Europa como um grande consumidor, foi afetada. Ao mesmo tempo, a China voltou a abrir suas fronteiras para o comércio e a alta na inflação nos Estados Unidos indicou que existiam chances do mundo passar por uma recessão.

Quais foram os efeitos da guerra no Brasil?

“Analisando com um viés econômico, o Brasil se posicionou estrategicamente em sua declaração de neutralidade na guerra. Nosso país possui grande parte do PIB comprometido em commodities, tendo forte parceria com Rússia – importando diesel e minérios; e com a Ucrânia – importando fertilizantes e cereais. Com a posição neutra, o Brasil conseguiu manter as parcerias fundamentais”, diz o economista.

A economia brasileira também se beneficiou “ganhando espaço” em mercados internacionais, exportando commodities para países que utilizavam insumos russos e ucranianos, impossibilitados de negociar desde o início do conflito. Em paralelo, o problema de logística e inflação mundial nas commodities fizeram os valores dos produtos brasileiros registrarem alta de preços, gerando melhores resultados para as empresas e indústrias nacionais.

As “soluções” econômicas para o fim da guerra

Ambas as nações estão sofrendo as consequências do confronto. A Rússia está sob fortes sanções econômicas, sofre com uma falta de oferta de produtos em toda a sua cadeia e convive com uma inflação descontrolada, com sua moeda chegando a perder quase todo o valor. Já a Ucrânia tem, quase em totalidade, a guerra em seu território; cidades sem luz, sem gás e sem água; exércitos travando batalhas no meio de cidades fazem a economia praticamente parar em alguns pontos. O Banco Mundial estima que o país deva perder 35% da sua economia em 2022, sem contar o custo da reconstrução.

“O que podemos observar de interessante é a habilidade russa em conseguir se adaptar aos embargos impostos. A partir desse cenário, criar novas parcerias econômicas com China, Índia, e países do oriente médio seria uma saída estratégica para o país. A Ucrânia tem a esperança de reconquistar seus territórios com ajuda bélica de outros países, o que vem acontecendo lentamente, a produção de grãos e fertilizantes ainda consegue ser importante e oferece uma sobrevida ao país, mesmo que seja em um ritmo baixo”, finaliza Luciano.

Foto: Taisiya Vorontsova / TASS

Um ano de guerra na Ucrânia e suas consequências

por Igor Lucena*

Estamos completando esta semana um ano do início da guerra na Ucrânia e com ela presenciamos uma mudança fundamental nas relações internacionais, na economia global, e vimos como o mundo se organizou até então. Em 1989 o célebre e renomado escritor Francis Fukuyama publicava seu artigo “O Fim da História”, que marcava o fim da Guerra Fria e o início de uma dominância internacional das democracias liberais sob a liderança dos Estados Unidos como única superpotência.

Entretanto, infelizmente ele não poderia estar mais errado em suas premissas. Se por um lado vivíamos um momento de exacerbação das ideias das democracias liberais, por outro havia um ‘ovo de serpente’ formando-se com a ascensão da China, a tomada do poder na Rússia por Vladimir Putin e a expansão do poder financeiro das dinastias autoritárias no Oriente Médio.

O mundo hoje se dividiu entre democracias liberais e nações autoritárias, em que ambas utilizam o capitalismo para atingir seus objetivos geopolíticos, expandir sua influência e avançar sobre mercados consumidores e fontes de recursos naturais no planeta. Este é o mundo no qual vivemos hoje e que, há exatamente um ano, viu tal cenário ser confirmado ainda mais.

Há um ano as nações deixaram de colocar as relações comerciais e o desenvolvimento econômico como preocupação número 1. Após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, as nações passaram a colocar a segurança em primeiro lugar. A segurança territorial, a segurança cibernética, a segurança energética, a segurança financeira e principalmente a segurança sobre sua capacidade produtiva e seus fornecedores em um mundo globalizado passaram a ser afetadas por diversos fatores alheios ao seu próprio país.

O objetivo de Vladimir Putin de realizar um Blitzkrieg e tomar todo o território ucraniano em poucas semanas foi inicialmente uma derrota vergonhosa e mostrou que o exército russo não era tudo aquilo que o mundo imaginava. Cruzou-se a linha vermelha em que nações como a Estônia, a Moldávia, a Lituânia e a Polônia entenderam que uma derrota da Ucrânia seria o início de uma onda de invasões para outras nações vizinhas, como ocorreu, em 1939, com a Polônia.

Putin não imaginava que seu fracasso ao desejar tomar a Ucrânia geraria uma corrida armamentista tão intensa por parte de todos os países da OTAN, da União Europeia, e se estenderia até o Japão, Taiwan e Coreia do Sul. A possibilidade, até então remota, de uma guerra na Europa, acendeu a luz de alerta de todas as nações que tiveram no passado conflitos territoriais e que passaram a se sentir de alguma forma ameaçadas por nações que se mostram aliadas à Rússia. Essas nações não iriam esperar se tornarem a próxima Ucrânia no cenário internacional.

Ao mesmo tempo em que a ameaça de uso de armas atômicas tornou-se real em palavras vindas do Kremlin, nações como a Finlândia e a Suécia, que não tinham intensão alguma de se associarem à OTAN, por terem proximidade com a Rússia, se viram pressionadas por suas próprias populações a aderir à associação militar. Se a Rússia usou o pretexto da possível entrada da Ucrânia na OTAN para invadir seu território, teve como resposta nações com uma capacidade militar infinitamente superior entrando na OTAN e aumentando suas fronteiras com a aliança ocidental. Outro efeito negativo e inverso da sua própria guerra tornou-se evidente.

Se antes o presidente Donald Trump criticava os membros da OTAN para atingir a meta de 2% do PIB com gastos de defesa, hoje se espera que essa meta seja alcançada antes de 2030, e que ela possa até mesmo ser expandida. Esse conjunto de eventos demonstrou que a invasão da Ucrânia de fato nos colocou em uma nova Guerra Fria e que O “Fim da História de Fukuyama” não era tão final assim.

Os Europeus, bastante divididos a respeito de quais rumos deveriam tomar dentro do Conselho Europeu ou no Parlamento da União Europeia, nunca estiveram tão unidos em vista de seus objetivos. Entendiam e entendem conjuntamente a necessidade de superar sua dependência energética da Rússia, de congelar seus ativos e diminuir o poder dos seus oligarcas. Eles foram capazes de renovar a Aliança Atlântica com os americanos e os canadenses assombrados pelo ‘fantasma’ de uma expansão imperialista na Europa e entendem ainda que não há custo maior para as democracias liberais do que uma derrota da Ucrânia.

Neste contexto, o final de 2022 expandiu o poder militar dos ucranianos. Tanques alemães e americanos de última geração, drones, baterias antiaéreas, armas automáticas e uma incontável quantidade de munições chegam a Kiev todos os dias. As ações das empresas bélicas europeias já subiram mais de 100% no último ano, e as americanas subiram mais de 30% com pedidos semanais pelas nações aliadas. Nesta semana os ingleses convocaram seus aliados a enviar jatos e um avançado sistema militar aéreo para a Ucrânia, o que elevaria a capacidade de defesa na região.

Por outro lado, Putin já recebeu drones iranianos e espera contar com os chineses para receber mais armamentos, o que poderá ser um ponto de inflexão se a China de fato optar por enviar armas aos russos. Isso seria considerado pela comunidade internacional um avanço chinês dentro do conflito, expondo Pequim a incontáveis sanções internacionais. Nesta concepção, esse período de um ano de guerra revelou os verdadeiros interesses das nações enquanto o cenário internacional passa por um rigoroso teste de fogo.

Por um lado, nações desenvolvidas, aquelas consideradas democracias liberais, passam a unir-se em torno da defesa do liberalismo, das liberdades individuais, do sistema democrático e de um modelo de organização social que é o melhor que já existiu até os dias de hoje. Essas nações também já passaram por momentos de guerras terríveis ao longo da sua história e não querem que isso se repita. Nesse grupo temos todos os membros da OTAN, a União Europeia, a Coreia do Sul, o Japão, a Austrália, a Nova Zelândia e até mesmo a Suíça, que historicamente nunca toma lado em conflitos internacionais e passou a congelar ativos russos em seu país.

Do outro lado, nações que têm um baixo ou nenhum índice democrático, mas que utilizam o sistema capitalista liberal como meio econômico para expandir seus interesses autoritários, se mostram a favor da Rússia e concordam com os motivos de Putin para a invasão; são elas a Coreia do Norte, a China, a Venezuela, Cuba, o Irã e a Síria. Essas nações entendem que podem um dia estar na mesma situação e avançar sobre territórios em disputa ou em outros países, por isso visam também a seus próprios interesses.

Também existem as que estão neutras, que possuem interesses nos dois blocos, que condenam a invasão, mas não condenam a Rússia e não apoiaram o uso de sanções econômicas contra Moscou. Há neste bloco um interesse econômico que se choca com a defesa da liberdade e dos princípios basilares das democracias liberais e neles se incluem a Índia, a África do Sul, o Brasil e os Emirados Árabes Unidos, entre outros.

Observamos que é completamente racional essas nações não aderirem às sanções econômicas ocidentais, pois haveria choques econômicos em sua própria população que já sofre com elevada inflação e aumento das taxas de juros advindas da pandemia da Covid-19; ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, o impacto monetário seria enorme sem o poder de emitir dólar ou Euro. Isso posto, notório é que precisamos nos questionar até que ponto a omissão de condenar abertamente um ataque dessa magnitude não poderá relegar a essas nações um papel secundário após o fim deste conflito em uma nova configuração geopolítica mundial.

Na economia, tanto a pandemia quanto a guerra na Ucrânia geraram uma brutal desaceleração do processo de globalização, a necessidade de volta dos estoques de fornecedores e insumos. Estamos assistindo às empresas mudarem suas estratégias a nível global. Se antes o capitalismo tinha como base vender pelo maior preço com o menor custo possível, agora a necessidade é de que uma empresa possa continuar vendendo. Pior que produzir um bem por um preço mais alto é ver a fábrica parada por falta de insumos. Neste contexto, as empresas passaram a realocar suas cadeias de fornecedores, entender a necessidade de ter fornecedores mais confiáveis, com relacionamentos geopolíticos alinhados, que possam atender a regiões mais próximas dos seus mercados consumidores finais, e principalmente que dependam menos da China.

Políticas como a China+1 ou a Regional Value Chain passam a se tornar o centro do debate dos empresários. Para atender aos Estados Unidos, nações como o México e o Brasil passam a se tornar centros importantes dessa realocação mundial de fornecedores. Todavia, para isso precisamos criar condições de atrair novos fluxos de investimentos, principalmente com a reforma tributária, com acordos internacionais de comércio e com a consolidação da modernização do Estado. A guerra da Ucrânia mudou a geopolítica e a economia global de uma maneira tão radical que a última vez que isso ocorreu foi em 1945. Neste novo cenário internacional, o Brasil precisa entender que essa é uma oportunidade a qual ele não pode perder. Se por um lado tal mudança pode alavancar a participação do Brasil no comércio internacional e no cenário global, elevando a importância de suas empresas e ampliando as oportunidades de emprego em nosso país, por outro lado se perdermos este momento e o México e outras nações conseguirem aproveitar os frutos dessa mudança, estaremos em uma situação pior do que a que nos encontramos hoje.

Se perdermos esta oportunidade, talvez a próxima ocorra apenas no século XXII.

*Economista, empresário e doutor em Relações Internacionais na Universidade de Lisboa. Membro da Chatham House – The Royal Institute of International Affairs e da Associação Portuguesa de Ciência Política. Também é presidente do Conselho Regional de Economia da 8ª Região – Ceará (Corecon/CE).

Vendas de carne bovina à China são suspensas após caso de vaca louca

com informações da Agência Brasil*

As exportações de carne bovina à China estão suspensas por causa da confirmação de um caso de mal da vaca louca no Pará, conforme informado pelo Ministério da Agricultura. Em nota, a pasta explicou que a suspensão segue o protocolo sanitário entre os dois países e descartou a existência de risco para o consumidor.

“O diálogo com as autoridades está sendo intensificado para demonstrar todas as informações e o pronto restabelecimento do comércio da carne brasileira”, informou o ministério em nota oficial.

O ministério também forneceu mais detalhes sobre o caso. Segundo a pasta, a doença atingiu um animal macho de nove anos, idade considerada avançada para bovinos, numa pequena propriedade em Marabá (PA). O animal era criado em pasto, sem ração, e teve a carcaça incinerada na fazenda, que foi interditada pelo governo do Pará em caráter preventivo.

Segundo o Ministério da Agricultura, o caso foi comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). As amostras foram enviadas para o laboratório referência da instituição em Alberta, no Canadá. Após análise o laboratório poderá confirmar se o caso é atípico, ou seja, sem risco de transmissão para outros bovinos e para humanos.

“Todas as providências estão sendo adotadas imediatamente em cada etapa da investigação e o assunto está sendo tratado com total transparência para garantir aos consumidores brasileiros e mundiais a qualidade reconhecida da nossa carne”, ressaltou o ministro Carlos Fávaro, em nota.

Sem casos transmissíveis

Esta será a segunda vez em um ano e meio que o Brasil suspende a exportação de carne bovina à China. De setembro a dezembro de 2021, o país asiático, maior comprador de carne do Brasil, suspendeu as compras após dois casos atípicos, em Minas Gerais e em Mato Grosso.

Até hoje, o Brasil não registrou casos clássicos de vaca louca, provocados pela ingestão de carnes e pedaços de ossos contaminados. Causado por um príon, molécula de proteína sem código genético, o mal da vaca louca é uma doença degenerativa também chamada de encefalite espongiforme bovina. As proteínas modificadas consomem o cérebro do animal, tornando-o comparável a uma esponja.

Além de bois e vacas, a doença acomete búfalos, ovelhas e cabras. A ingestão de carne e de subprodutos dos animais contaminados com os príons provoca nos seres humanos a encefalopatia espongiforme transmissível. No fim dos anos 1990, houve um surto de casos de mal da vaca louca em humanos na Grã-Bretanha, que provocou a suspensão do consumo de carne bovina no país por vários meses. Na ocasião, a doença foi transmitida aos seres humanos por meio de bois alimentados com ração animal contaminada.

Foto: CNA / Wenderson Araújo / Trilux

Nota Oficial: ABAG repudia invasões de terras

A Associação Brasileira do Agronegócio – ABAG repudia todo e qualquer ato de invasão a propriedades, públicas ou privadas, destinadas à produção agroindustrial e clama para que o atual governo intervenha junto às lideranças dos movimentos insurgentes no sentido de apaziguar a vida no campo, para que a agricultura e a pecuária brasileiras continuem sendo a locomotiva da economia nacional, cuja contribuição se mantenha ou até supere os 25% de nosso PIB.   

Um país que está em ampla campanha na busca de investidores, nacionais e internacionais, para a garantia de seu desenvolvimento econômico-social, não pode mais conviver com invasões a propriedades rurais como novamente estamos assistindo nessas últimas semanas, por criar um clima de insegurança e desestímulo a quem planeja investir em um setor de grande importância para a economia nacional pela sua pujança e organização.

Essas ações de movimentos que, pensávamos, já estarem ultrapassados e excluídos do Brasil, que deseja se tornar moderno e inserido de forma cada vez mais eloquente no contexto econômico mundial, como se caracteriza nosso país, só trazem sérios prejuízos à imagem, dando mais incentivo aos concorrentes internacionais acelerarem a insidiosa campanha contra o agronegócio brasileiro.

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Nota Oficial: Aprosoja Brasil repudia invasões de terras em todo o país

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), entidade que congrega 100% da área plantada com soja em território nacional, vem a público repudiar as invasões de terras que ocorrem em todo o país.

Tais práticas, que já haviam sido praticamente reduzidas a zero nos últimos anos, acendem um sinal de alerta a todos os empreendedores rurais e às suas famílias que investem tempo e dinheiro na produção de alimentos a todos os brasileiros.

A Aprosoja Brasil se solidariza com os diretores da Aprosoja São Paulo, sobretudo com os produtores que tiveram suas propriedades invadidas neste final de semana na região oeste paulista.

Esse tipo de violência é um retrocesso e uma afronta ao Estado Democrático de Direito e ao Direito de Propriedade.

Por este motivo, a Aprosoja Brasil conclama as autoridades constituídas a combater este tipo de crime em todo o território nacional e a punir os responsáveis.

Aprosoja Brasil

3ª edição do Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio será em março

No dia 29 de março, acontecerá a 3ª edição do Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio (CBDA), que tratará de quatro temas fundamentais para sustentar a missão do setor de produzir alimentos nutritivos, fibras e energia com produtividade e sustentabilidade, a fim de contribuir para diminuir a insegurança alimentar e a crise energética no mundo. São eles: Mercado de Carbono – Regulamentação Setorial, Reforma Tributária e Regimes Fiscais Especiais, Investimento Estrangeiro e Direito de Propriedade – Proteções e Restrições e Bioeconomia e o Futuro das Cadeias Agroindustriais.

A proposta do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio – IBDA, organizador do evento, é oferecer um panorama mais amplo sobre esses assuntos, com reflexões e avaliações de renomados especialistas, que auxiliarão presidentes, diretores e gerentes de empresas do agronegócio em seu planejamento estratégico e tomada de decisões. Para gestores de escritórios de advocacia, será uma oportunidade de adquirir novos conhecimentos técnicos que agregarão valor em sua rotina diária. É esperada ainda a participação de autoridades, acadêmicos e pesquisadores.

Promovido, em formato híbrido  – presencialmente, em Brasília (DF), para convidados, e transmitido virtualmente, de forma gratuita, pelo site oficial, o CBDA, desde sua primeira edição, tem colocado em evidência as principais pautas que permeiam o direito e a economia dos sistemas industriais e os desafios jurídicos e regulatórios do setor, ampliando a visão sistêmica e multidisciplinar dos stakeholders.

Mais informações: https://congressodireitoagro.com.br/

Sobre o IBDA: O Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA) nasceu da vocação de estudar os Sistemas Agroindustriais e sua regulação sob o prisma de Direito & Economia. Traz um novo modelo de difusão do conhecimento, formando um observatório para a formulação de políticas públicas e melhor interpretação do conjunto de normas que regulam o setor. Mais informações: www.direitoagro.com

Serviço

III Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio

Data: 29 de março de 2023

Evento híbrido, com transmissão online pelo site oficial

Mais informações: https://congressodireitoagro.com.br/

Foto: Towfiqu Barbhuiya / Pexels.com