O conflito entre Israel e Hamas tem sido foco de atenção e preocupação nos últimos meses. Além das inúmeras perdas humanas, existem outras questões indiretas que são avaliadas, como os impactos logísticos, as relações comerciais do Brasil com Israel e os prejuízos ao setor agrícola.
De acordo com Rafaela Debiasi, especialista em investimentos para o segmento agro, o conflito gera impactos indiretos, mas preocupantes, para o Brasil, principalmente no setor do agronegócio. “Primeiramente, há a questão dos preços do petróleo, que normalmente são impactados em conflitos assim e afetam diretamente o custo de produção de fertilizantes, diesel e etanol, influenciando a produção agrícola e os preços dos grãos”, explica.
Segundo Debiasi, a oscilação dos preços do petróleo pode afetar a safra de milho e a competitividade do etanol. “O Brasil monitora de perto as relações comerciais e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, pois isso tem implicações significativas em seu agronegócio”, diz.
A especialista ressalta que o Brasil mantém fortes relações comerciais com Israel, exportando uma ampla variedade de produtos agrícolas, incluindo carnes, soja e cereais. “No entanto, também importamos fertilizantes, defensivos e sementes de Israel. A continuidade do conflito pode afetar essa dinâmica comercial e criar riscos logísticos para as exportações brasileiras, principalmente para países árabes, que são parceiros comerciais importantes”, avalia.
Neste cenário, ela enfatiza que é fundamental manter um olhar atento sobre as dinâmicas globais e as conexões entre o conflito internacional e o agronegócio brasileiro. “Os desafios e impactos estão interligados, e o setor agrícola busca se adaptar a essa nova realidade de incertezas”, diz.
A necessidade de acompanhar com atenção os desdobramentos da guerra entre Israel e Hamas também é ressaltada por Luciano Muñoz , professor de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB). Para o docente, a complexidade da situação, que envolve questões territoriais, religiosas e políticas, torna necessário o apoio internacional para assegurar uma saída negociada para o conflito. “A população civil está sofrendo em ambos os lados. […] O papel dos mediadores, como o Egito, a Turquia, a Jordânia e a Arábia Saudita, será fundamental na busca de uma solução pacífica”, aponta o pesquisador.
Soldados israelenses em patrulhamento na fronteira norte do país (Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios)
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou o relatório mensal de oferta e demanda com projeções referentes à safra de 23/24. A estimativa de produção global da soja ficou em 398 milhões de toneladas, redução de 0,38% comparado à última análise.
Para os Estados Unidos, a análise manteve os mesmos índices comparados ao último relatório, chegando a 112,39 milhões de toneladas. Os estoques finais ficaram em 6,68 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o USDA alterou quase todos os parâmetros da última análise. A produção da soja caiu para 161 milhões de toneladas, redução de 1,26%. As exportações foram para 99,5 milhões de toneladas, aumento de 2,05%. Os estoques finais reduziram para 37,6 milhões de toneladas, queda de 5,05% em relação ao mês anterior.
Para o milho, o USDA aumentou a estimativa global da safra 23/24 em 0,10%. A produção ficou em 1,2 bilhões de toneladas. Os estoques finais ficaram em 315.22 milhões de toneladas, acréscimo de 0,07% referente ao último relatório. Os Estados Unidos mantiveram os mesmos índices para a produção em 386,96 milhões de toneladas.
Para o Brasil, o departamento manteve as estimativas referentes à última análise, com a produção do milho em 129 milhões de toneladas na safra 23/24, com as exportações em 55 milhões.
O agronegócio brasileiro desempenha um papel importante no país. Segundo os pesquisadores do Cepea/CNA, o PIB do setor pode alcançar R$ 2,63 trilhões em 2023, projetando para 2024 um cenário de continuidade em sua expressiva contribuição econômica. Os setores agrícolas, agroindústrias, transporte, distribuição e venda de produtos, juntos, empregam quase 19 milhões de trabalhadores, representando mais de 19% da força de trabalho no Brasil.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) antecipa uma temporada promissora, com projeções indicando níveis recordes na produção de carnes e uma safra de grãos próxima à marca histórica alcançada recentemente. As estimativas para soja, milho, arroz, feijão e algodão apontam para um total de 319,5 milhões de toneladas, mantendo-se praticamente inalteradas em comparação ao ciclo anterior.
Destaca-se ainda a expectativa de uma nova colheita recorde de soja, impulsionada pela maior lucratividade do cultivo e condições climáticas favoráveis na região Sul. No setor de carnes, a projeção de 30,85 milhões de toneladas aponta para um aumento de 2,7% em relação a 2023, reforçando a posição de destaque do Brasil como exportador global.
No entanto, as mudanças vão além da produção. Para 2024, é evidente uma tendência de atualização por parte de pequenos e médios produtores, motivados pela necessidade de prosperar em um ambiente dinâmico. A eficiência operacional ganha destaque, com a adoção de ferramentas tecnológicas inovadoras, como irrigação inteligente, agricultura digital, precisão e drones.
Além disso, a busca pela sustentabilidade ganha um espaço significativo. A agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) se torna uma diretriz essencial, refletindo o compromisso do setor em reduzir impactos ambientais, garantir o bem-estar dos colaboradores e fortalecer a governança corporativa.
Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, destaca a relevância dessas iniciativas. “Diversas alternativas do plano colocam em destaque práticas mais sustentáveis, fomentando uma agricultura em sintonia com a preservação ambiental”, afirma Alves.
Essas mudanças não apenas impulsionam a eficiência e a responsabilidade ambiental, mas também buscam melhorar a imagem internacional do agronegócio brasileiro. Parceiros estratégicos, como China, Canadá e União Europeia, estão atentos a essas transformações, promovendo uma perspectiva positiva para as relações comerciais do Brasil no cenário global.
The agricultural sector in Israel has been severely affected by the departure of over 50,000 foreign workers who left their jobs due to the armed conflict. This exodus has left the agricultural sector in a precarious situation, jeopardizing food production.
To address this crisis, Pichi Dubiner, the National Director of Agricultural Workers at the Histadrut, has worked tirelessly in collaboration with the agricultural union. Their goal is to recruit volunteers to support Israel’s agricultural sector and ensure that food production is not compromised.
In a swift and effective effort, Pichi and the Histadrut mobilized over 1,000 people in less than a week, connecting them with volunteer opportunities that match their skills and availability. This immediate response reflects the community’s determination to protect one of the fundamental pillars of sustainability for the Israeli population during times of war: food security.
The support of the Pensioners Union has been essential in this initiative, as they have contributed to the recruitment of men and women of retirement age to work in fruit and vegetable packing centers. Their commitment serves as an example of how different generations of Israeli society come together in critical moments.
While the volunteer efforts to support Israel’s agricultural sector are commendable, it’s essential to acknowledge the significant risks that these volunteers face as they work in areas where there is no adequate shelter from constant missile launches.
Histadrut Jerusalem District
Pichi Dubiner has high expectations and believes that the Histadrut will mobilize over 15,000 volunteers in the near future, which will be crucial to ensure the sustainability of the agricultural sector amid the war. According to Dubiner, the response from the population has been exemplary, with people willing to offer their support even in the most unexpected moments. “During the war, they call us on Saturday mornings and Friday nights because they want to help. The people understand that in times of conflict, we must remain united and support national interests.”
The Histadrut is central to this operation due to its long history as the oldest and most practical social movement in Israel. Its experience and ability to coordinate support from various sectors of society, including businesses, government workers, and private collaborators, are crucial to the success of this initiative. The organization has become the point of contact for farmers needing labor during these challenging times.
The directive from our president, Arnon Bar-David, has always been constant collaboration with employers, says Pichi.
“While our primary focus is the well-being of employees, we recognize that working in cooperation with employers is essential to achieve benefits that impact the entire nation’s well-being.” – Pichi Dubiner
In this context, the Histadrut’s close relationship with the agricultural employers’ union, led by Dubi Amitai, plays a crucial role in achieving effective placements for volunteer mobilization. This collaboration demonstrates how, in times of crisis, the unions of employers and workers can work together towards a common goal: preserving food security and the well-being of Israeli society.
Diante do calor excessivo e das dúvidas e preocupações dos produtores rurais, o Sistema Faeg/Senar/Ifag realiza mais uma live mensal para trazer atualizações sobre o cenário climático. Acompanhe a conversa entre Alexandro Alves, coordenador técnico do IFAG, e André Amorim, gerente do Cimehgo.
Os silos e demais sistemas de armazenagem são ambientes onde é praticamente impossível eliminar totalmente os riscos de explosões e demais acidentes, pois as pequenas partículas de grãos suspensas no ar ocorrem constantemente. “Nas unidades armazenadoras temos pó em suspensão que são produzidos do contato dos grãos com os grãos e para acontecer uma explosão necessitamos de combustível (o pó), oxigênio e ponto de ignição, que sempre temos nas unidades”, afirma Adriano Mallet, diretor técnico da Agrocult.
Exatamente por isso, é imprescindível adotar uma série de medidas e cuidados para tornar os acidentes com silos e armazéns graneleiros os menores possíveis.
1. Uso de todos os EPIs durante o trabalho nestes ambientes, como capacete de segurança, botina, respirador, cinto de segurança e luvas de proteção, assim como placas de identificação dos pontos de riscos.
2. Uso de EPCs requisitados pela NR-6, como ventilador/insuflador de ar, rádio para comunicação e lanternas apropriadas.
3. Uso de plataformas para acessar pontos específicos dentro dos silos e armazéns graneleiros.
4. Adoção de aparelhos de medição de gases para análise dos espaços confinados. A partir de sensores é possível medir e indicar a concentração de gases nocivos existentes nos ambientes, alertando o trabalhador para riscos à saúde.
5. Adoção da ventilação natural, essencial para a remoção dos gases e pó, impedindo que a concentração destes se eleve e aumente o risco de explosão.
6. Adoção da ventilação artificial, representada pelo uso de um bom sistema de exaustão. Essa é a solução ideal para reduzir a poeira nas unidades armazenadoras.
7. Realização dos processos e limpeza e manutenção periódicas.
8. Treinamento constante, com a prática dos procedimentos recomendados pelos técnicos de segurança e exigido pela NR-33
Por fim, Mallet salienta que é extremamente importante que as unidades armazenadoras promovam a instalação de equipamentos para reduzir ao máximo os riscos. “Continuamente estamos recebendo notícias de sinistros em muitas unidades armazenadoras. Isso exige total atenção para com todas as medidas de segurança para trabalhar nestes ambientes”, finaliza.
A produção de alimentos que estão diariamente na mesa do consumidor, como frutas, verduras, vegetais e leite, não é tarefa fácil para o produtor rural. São culturas de curto período entre plantio e colheita e que dependem de inúmeros fatores para boas produções e melhores chances de rentabilidade na comercialização. Isso inclui a possibilidade de investimentos que potencializam o negócio, como pivôs de irrigação, máquinas agrícolas, entre outros equipamentos e infraestrutura.
Nem sempre, porém, o acesso a recursos financeiros é disponibilizado ou, quando é, exige burocracias que se tornam obstáculos. Principalmente aos pequenos e médios agricultores, que normalmente desenvolvem esses cultivos de ciclo mensal. Com a proposta de ampliar e dar agilidade aos investimentos, a fintech agrícola Agropermuta oferece o Fast Máquina, com crédito que varia de R$ 250 mil a R$ 500 mil, e um plano de pagamento de 36 parcelas fixas mensais.
Rui Almeida, diretor comercial da empresa, explica que o produto está disponível para as mais variadas culturas e é interessante para aqueles com renda mensal, já que seu plano de pagamento é também mensal. “Outro diferencial é que o agricultor não precisa dar como garantia a sua produção, mas sim o bem em si, além da rapidez em toda a operação, pois em média são cinco dias úteis entre envio da documentação e o desembolso”, detalha.
Com a solução, é possível, por exemplo, adquirir um trator agrícola médio, de 80 cavalos, que custa aproximadamente R$ 260 mil. Ou ainda um pequeno pivô de irrigação. No entanto, o executivo ressalta que se o investimento for maior que R$ 500 mil, ainda assim é viável contar com a alternativa. “O crédito também pode ser direcionado para a linha amarela, que contempla retroescavadeiras, mini pás carregadeiras e mini escavadeiras”, completa o diretor.
Valor disponível
Até o final de 2023, a Agropermuta disponibilizará, através do Fast Máquina, R$ 15 milhões. O desembolso poderá chegar a R$ 75 milhões até o final do segundo semestre de 2024, ou seja, mais 60 milhões para serem alocados e que contribuem com os negócios de revendedores de equipamentos agrícolas e agricultores.
“É um produto que não depende de verbas subsidiadas e atende todo tipo de cultura. Sabemos das limitações do crédito público via Plano Safra, que tem sido muito difícil o recurso chegar na ponta, então queremos impactar centenas de agricultores e pontos de vendas que poderão ter acesso a produtos de alto valor agregado, possibilitando aumento de produtividade e rentabilidade”, finaliza.
Sobre – A AgroPermuta é uma fintech agrícola fundada em 2020, em São Paulo/SP, que oferece soluções inovadoras de financiamento ao produtor rural de todo o Brasil como uma alternativa aos bancos. Formada por um time de profissionais experientes no mercado financeiro, a empresa disponibiliza um contrato de financiamento programado para a aquisição de um determinado bem, como: usina solar, sistemas de irrigação, sistemas de armazenagem, veículos, máquinas e implementos agrícolas.
Com uma proposta inovadora, trazendo “causos e cases”, será realizado no próximo dia 30 de outubro, no Terra Parque Eco Resort, em Pirapozinho, a cerca de 500 km da capital paulista, o 1º ENJA – Encontro Nacional de Jovens do Agro, que reunirá centenas de estudantes e profissionais do agro para debater ideias e tendências sobre os desafios enfrentados pelos jovens dentro e fora da porteira.
O evento é organizado pela J.A Marketing Digital – a agência raiz do agro, a primeira agência especializada no agenciamento de influenciadores agro do país, liderada pelos irmãos Saile Farias e Cesinha Farias, do perfil @jovensdoagro. Na programação, mesas redondas e debates propondo uma integração entre gerações, liderança, tendências e futuro.
“Estaremos com jovens do agro do país inteiro em um encontro que vai reunir gerações em painéis sobre o atual cenário do agronegócio abordando temas da atualidade, além de comunicação, marketing digital, sustentabilidade, pesquisa e muito mais”, afirma a engenheira agrônoma Saile Farias, idealizadora do evento e sócia fundadora da J.A Marketing Digital.
“Os jovens profissionais se cobram muito e, por diversas vezes, têm dúvidas sobre suas áreas de atuação e sobre as oportunidades que o agro oferece. Diante disso traremos um time com forte atuação no mercado, para compartilhar suas experiências”, completa o engenheiro agrônomo César Farias, também idealizador do evento e sócio fundador da JA Marketing Digital.
O tema Causos e Cases visa reunir, gerar networking, inspirar e fortalecer o movimento dos Jovens do Agro de dentro e de fora da porteira. Ao final, um sorteio com brindes especiais e um happy hour bem diferente: Arraiá dos Jovens do Agro, com boa música e comidas típicas, em comemoração aos oito anos da criação do perfil Jovens do Agro, que foi pioneiro no marketing de influência do setor.
O evento tem patrocínio prata da Corteva Biologicals, patrocínio bronze da Romancini Tronco e Balanças e apoio institucional da CNA e da ABCZ Jovem. Inscrições, mais informações e programação no site: https://www.even3.com.br/enja2023/
O período de plantio das nossas principais commodities agrícolas (soja, milho, café, algodão e cana) chega este ano acompanhado de um grande sinal de alerta: os impactos do El Niño, fenômeno climático que decorre do aquecimento das águas do Oceano Pacífico e tem duração média de 18 meses. Um recente relatório da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) aponta que os efeitos mais intensos dessa configuração climática, que ocorre a cada três anos, sejam sentidos mais intensamente entres os meses de dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, o que inclui ocorrências como: forte estiagem no Nordeste, afetando especialmente a produção de milho e soja na região do Matopiba (interior do MA, TO, PI e da BA); e chuvas mais frequentes e intensas no Centro-Sul, atingindo lavouras de soja, café, trigo e cana-de-açúcar.
De acordo com o engenheiro agrônomo e supervisor de agricultura irrigada do Grupo Pivot, Elvis Alves, embora não haja uma estimativa oficial sobre perdas para esta safra 2023/2024, ele reconhece que há sim sérios riscos de queda de produtividade em muitas lavouras, se a intensidade dos efeitos do El Niño se confirmar e se os produtores não tomarem medidas que minimizem os impactos. Segundo o especialista, no Sudeste e Centro-Oeste do país o fenômeno climático deverá ocasionar uma forte elevação da temperatura média destas duas regiões, seguido de uma forte escassez hídrica, o que costuma afetar especialmente a fase reprodutiva de muitas culturas, como o milho, a soja e outros. “Em alguns casos, pode acontecer a perda total de lotes. Isso ocorre principalmente quando temos os veranicos (em dezembro e janeiro), que acontecem nas fases de florescimento da planta, ou seja, a sua fase reprodutiva”, explica.
Mas mitigar os efeitos do El Niño e manter uma boa produtividade, mesmo com as adversidades climáticas que ele traz, é possível se o produtor tiver um bom planejamento desde antes mesmo do plantio até o pós-colheita, e contar com um eficiente sistema de irrigação. “Como no Sudeste e Centro-Oeste, o principal impacto desse fenômeno climático é a escassez hídrica, a irrigação, seja qual for o tipo de sistema, já é uma grande solução para o produtor enfrentar esse problema. Além disso, a partir do momento que a água passa a molhar as folhas na lavoura, cria-se um microclima que diminui a temperatura pontualmente, fazendo com que a planta consiga ter um melhor controle da abertura e fechamento dos estômatos, o que influencia diretamente na melhoria do processo de fotossíntese”, detalha o engenheiro agrônomo.
Elvis também explica que os maquinários existentes hoje no mercado, como plantadeiras, tratores e pulverizadores, muitos com alta tecnologia embarcada, também trazem ferramentas que otimizam custos operacionais, reduzindo significativamente o custo investido por hectare. “Há hoje máquinas que me permitem fazer aplicação de insumos a taxa variada, seja de fertilizantes ou de defensivos agrícolas, e com a ajuda de imagens aéreas, a aplicação desses produtos é feita de forma muito mais precisa onde está a praga na lavoura. Há também equipamentos que, com auxílio de plataformas digitais, fazem a leitura do solo mostrando as zonas de fertilizantes. Ou seja, eu consigo otimizar a utilização dos meus recursos aplicados e dos insumos usados para aumentar a produtividade e qualidade das culturas”, esclarece.
Performance do solo
Além das soluções tecnológicas em irrigação e maquinário agrícola, o engenheiro agrônomo destaca outras dicas importantes para esse período do plantio, que ocorre na região Centro-oeste e Sudeste, que podem otimizar a produtividade, mesmo com os efeitos do El Niño. “Uma sugestão que faço é a utilização de cultivares adaptadas à região e que tenham ciclo mais curto, antecipando ao máximo a colheita. Assim, o produtor consignará se prevenir mais lá na frente”, explica Elvis Alves.
O especialista também orienta sobre como melhorar o desempenho do solo. “É interessante que o produtor, ao invés de gradear suas áreas de cultivo, ele deixe aquela matéria orgânica presente na superfície do solo (em geral material vegetal seco de outras colheitas), fazendo com que a água das primeiras chuvas consiga manter umidade na superfície e assim diminuir a temperatura do solo também. A presença dessa matéria orgânica sob o solo também diminuirá a força com que a chuva vai carrear os nutrientes para baixo da superfície”, detalha o supervisor de irrigação localizada da Pivot.
Ainda sobre o aproveitamento dessa matéria orgânica sob o solo, Elvis chama a atenção para o manejo da propriedade no controle das queimadas. “É preciso estar atento a isso e desenvolver ações de prevenção. Às vezes a propriedade fica bem próxima a uma mata ou área que comumente acontecem queimadas, e por vezes uma faísca ou algum material inflamável é levado pelo vento e um incêndio atinge essa palhada. Isso deixará o solo totalmente exposto às enxurradas e sem a proteção contra as altas temperaturas e ao estresse hídrico”, orienta o engenheiro agrônomo da Pivot.
com informações da Assessoria de Comunicação da CNA
Especialistas do setor agropecuário e pesquisadores participaram do evento ‘Inteligência de Mercado e Competitividade do Agro’, promovido pelo Sistema CNA/Senar e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio do acordo “Juntos pelo Agro”.
O encontro, que reuniu na sede da CNA parlamentares, lideranças do setor produtivo, representantes do governo, especialistas e presidentes de Federações de Agricultura e Pecuária, contou com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (Sober).
Dividido em três painéis, o evento discutiu a competitividade do setor frente ao cenário mundial, a influência das tendências de consumo e da geopolítica na produção de alimentos e as inovações e gestão de dados que auxiliam nas tomadas de decisão.
No primeiro bloco, que teve a moderação do diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, o pesquisador do Cepea/Esalq, Mauro Osaki, apresentou dados comparativos entre a produção agrícola no Brasil, Estados Unidos, Argentina e Ucrânia. Osaki falou ainda de oportunidades e potencial do setor e mostrou como o custo de produção por tonelada de soja e milho é mais alto do que em outros países. “No Brasil, não temos subsídios do governo, precisamos investir em insumos para o solo, sofremos com variações climáticas e, ainda assim, somos competitivos no mercado global, graças à produtividade e sustentabilidade. Mas precisamos investir em melhorias do escoamento e no armazenamento”, disse Osaki.
O também pesquisador do Cepea/Esalq Thiago Bernardino abordou questões relacionadas à pecuária brasileira e afirmou que o investimento dos produtores em tecnologias traz competitividade “muito interessante” no mercado internacional. Thiago afirmou que o país possui muitas vantagens em termos de área e solo, mas precisa ser mais competitivo fora da porteira. “O Brasil tem que continuar produzindo, ganhando economia de escala. Precisamos estar preparados para as exigências do mercado externo”.
No painel seguinte, conduzido pela diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, o embaixador e ex-diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevedo, debateu as tendências de consumo e modelos de negócios dos principais parceiros comerciais do Brasil. Em sua fala, ele destacou a agenda ambiental e novas legislações sobre o tema, como a Lei Antidesmatamento da União Europeia. “A Europa é um dos players que mais tem falado sobre mudanças climáticas, o que impacta no equilíbrio da competitividade dos principais países fornecedores de alimentos”.
De acordo com Azevedo, a agenda ambiental não tem mais volta. “Cada um vai determinar as medidas que achar melhor para combater as mudanças climáticas, depois vamos todos sentar e organizar”. Segundo ele, “o Brasil não pode ficar de fora, tem que ficar antenado para estar em condições de opinar e minimizar os impactos ao produtor”.
A sócia líder de Mercados para o Agronegócio da KPMG Brasil, Giovana Araújo, falou sobre ESG e as exigências que geram custos e responsabilidades para o Brasil. Ela lembrou a importância do agro para a segurança alimentar global e mais recentemente para a segurança energética e socioambiental. “Temos o maior ativo agroambiental do mundo e maior participação em commodities globalizadas”.
Giovana falou, também, das megatendências setoriais e de temas como a natureza e o clima pautando negócios, mão de obra qualificada escassa, digitalização e nova governança na cadeia de valor. Ela ainda abordou a legislação da União Europeia. “Novas regulamentações aumentam a complexidade das cadeias globais de suprimento e envolvem questões de rastreabilidade granular, conformidade no nível de lote, avaliação de risco de dados, revisão anual de due diligence”.
Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios
A diretora executiva do Instituto CNA, Mônika Bergamaschi, foi a moderadora do terceiro painel. Nele, o estatístico do Escritório Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, Michael Rajhid, falou sobre as tecnologias para a geração de indicadores do agro e confiabilidade dos dados agrícolas, importantes para promover a sustentabilidade e a adaptação às alterações climáticas e redução da pobreza e desenvolvimento rural.
“Os dados agrícolas são cruciais para ajudar o governo a compreender como incentivar práticas de conservação, conceber programas de seguros agrícolas, identificar áreas que possam ser vulneráveis às alterações climáticas e aos desastres naturais. Em muitas famílias rurais, a agricultura é uma importante fonte de rendimento, e são necessários dados detalhados sobre pequenas explorações agrícolas para conceber projetos de geração de rendimento e aumentar a segurança alimentar”, disse Rajhid.
Já o diretor executivo do C4IR Brasil, Marcos Vinícius Souza, debateu a governança e monetização de dados e destacou o processo de rastreabilidade dentro das cadeias produtivas. “A rastreabilidade digital é definida pela coleta e consolidação de dados, seja por softwares, aplicativos, ou meios automatizados como sensores e RFIDs (identificação por radiofrequência)”.
Para Souza, a rastreabilidade traz maior confiabilidade e precisão dos dados, redução de erros e omissões no registro, mais agilidade na coleta, compartilhamento e análise dos dados e rastreamento de produtos em tempo real ao longo da cadeia. “Os produtores precisam saber para que serve a rastreabilidade e os benefícios que ela traz em termos de transparência e visibilidade, segurança alimentar e recall de alimentos”.