Chuva do início do ano favorece lavoura de algodão

As chuvas entre janeiro e março favoreceram o cultivo do algodão sequeiro nas fazendas da BrasilAgro, na Bahia, em Mato Grosso e no Paraguai. A colheita das lavouras sem irrigação começa este mês com expectativa de cumprir o que foi estabelecido em orçamento pela companhia. “Diferentemente do ano passado, o algodão sequeiro vem muito bem, principalmente por causa do melhor regime de chuvas registrado entre janeiro e março, permitindo o melhor estabelecimento da lavoura”, explica Wender Vinhadelli, diretor de operações da BrasilAgro, que produz alimentos, fibras e bioenergia em seis Estados do Brasil, além de Paraguai e Bolívia.  

Pelas análises pluviométricas feitas pela empresa, janeiro registrou chuva ligeiramente superior à média histórica, tanto na Bahia (216mm) quanto no Vale do Araguaia, em Mato Grosso (314mm). Em fevereiro, os volumes registrados superaram o que era esperado para o mês, com 196mm na Bahia e 315mm em Mato Grosso. Já em março, a quantidade de chuva reduziu, mas, ainda assim, ficou perto da média histórica na Bahia, com 109mm, e ligeiramente abaixo em Mato Grosso, 210mm.  

No caso do Paraguai, mesmo com chuva abaixo da média, o volume registrado no primeiro trimestre também permitiu atingir bom desenvolvimento do algodão. “Os nossos cultivos, sejam de sequeiro ou irrigados, estão bem desenvolvidos e devem concluir a colheita até setembro dentro do que foi orçado pela companhia”, reforça.  

Pelas projeções da empresa, a área plantada de algodão neste ciclo produtivo será de 7.129 hectares, ante os 7.075 previstos no início da safra 2023/24. Segundo o volume projetado divulgado no último balanço ao mercado, serão 14.069 toneladas na primeira safra da cultura e mais 12.740 toneladas de segunda safra (safrinha). Em comparação com o ano passado, o crescimento da primeira safra está projetado em 2% sobre o volume estimado no início do ciclo produtivo (13.546 t) e a segunda safra deve se manter estável em comparação com o previsto (12.740 t).  

Manejo  

Além da chuva em volumes positivos no começo do ano, o manejo eficiente ajudou as lavouras de algodão a atingirem boa produtividade na Bahia. A BrasilAgro tem recorrido a biotecnologia para monitorar a presença do bicudo do algodoeiro, praga identificada nas lavouras do Estado.   

Com uso de feromônios, os besouros machos da espécie são atraídos para uma armadilha, que captura e mata a praga, permitindo contar quantos exemplares estavam ativos naquela região. “Este monitoramento prévio ajuda a determinar a quantidade necessária de aplicações de agroquímicos para conter o avanço da praga”, explica Vinhadelli. Nas lavouras de algodão, o uso de aeronaves e pulverizadores por terra ajuda na aplicação.

Algodão na Fazenda Chaparral, da BrasilAgro (Foto: Divulgação / BrasilAgro)

Sementes de milho mais tolerantes ao estresse hídrico trazem melhores resultados em condições de seca ou chuvas intensas

Há algum tempo, o mundo tem enfrentado uma incidência de fenômenos climáticos extremos. Nos últimos 30 anos, esses eventos mais que dobraram no Brasil, passando de 9.772 entre 1993 e 2002 para 30.602 entre 2013 e 2022. Os dados são de um estudo divulgado pela Federação de Entidades Empresariais do RS (Federasul), em parceria com a  Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O fenômeno que mais gerou perdas no campo foi a seca, que responde por 87% dos prejuízos nos últimos dez anos. Entre os setores, a agricultura foi a mais impactada, com 65% do total dos danos, de acordo com o Relatório da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) de 2023. Já neste ano, o País tem visto diversas ocorrências de alagamentos, enxurradas e inundações.

Pensando na segurança alimentar global, o milho é uma cultura essencial que, com as mudanças climáticas em curso e o aumento da frequência em várias regiões, fica com a produção ameaçada. Por isso, é crucial buscar soluções que permitam o cultivo eficiente da semente, mesmo em condições adversas.

A Morgan, marca da gigante de híbridos de milho e sorgo LongPing High-Tech, possui em seu portfólio, diferentes opções que foram desenvolvidas para enfrentar os desafios do estresse hídrico durante o cultivo das safras de verão e inverno. São sementes híbridas que se adaptam às diferentes condições de solo e clima. Com destaque para MG593, MG408, MG540 e MG607 Sul/Sudeste e Goiás, e MG540, MG447, MG597 e MG711 no Norte/Nordeste e Mato Grosso, além dos híbridos para fechamento já bem conhecidos MG652, 30A95 e 30A37.

“Foram anos de pesquisa e inovação em biotecnologia agrícola para trazer esses híbridos ao produtor rural. Acreditamos que trazer ao mercado sementes de milho mais tolerantes a estresses hídricos é uma ferramenta essencial para os agricultores enfrentarem os desafios impostos pelas mudanças climáticas e garantir a rentabilidade das suas lavouras”, afirma Ana Nascimento, gerente nacional de marketing da Morgan. 

A tolerância ao estresse hídrico permite que as plantas sobrevivam e se desenvolvam melhor em condições de escassez de água. Além disso, os híbridos são uma opção versátil para agricultores em várias regiões do Brasil, pois se adaptam também a diferentes tipos de solo. Juntamente com biotecnologias para controle de pragas, os produtos se tornam seguros e responsivos aos investimentos.

Foto: Divulgação / LongPing High-Tech

Governo Federal lança Plano Safra 24/25 com R$ 508,59 bilhões para agricultura

Para impulsionar o setor agropecuário brasileiro, o Governo Federal lançou o Plano Safra 2024/2025, no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), oferecendo linhas de crédito, incentivos e políticas agrícolas para médios e grandes produtores. Neste ano safra, são R$ 400,59 bilhões destinados para financiamentos, um aumento de 10% em relação à safra anterior. 

Os produtores rurais também podem contar com mais R$ 108 bilhões em recursos de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), para emissões de Cédulas do Produto Rural (CPR), que serão complementares aos incentivos do novo Plano Safra. No total, são R$ 508,59 bilhões para o desenvolvimento do agro nacional

Dos R$ 400,59 bilhões em crédito para a agricultura empresarial, R$ 293,29 bilhões (+8%) serão para custeio e comercialização e R$ 107,3 bilhões (+16,5%) para investimentos. 

Já em relação aos recursos por beneficiário, R$ 189,09 bilhões serão com taxas controladas, direcionados para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e demais produtores e cooperativas, e os outros R$ 211,5 bilhões destinados a taxas livres. 

As taxas de juros para custeio e comercialização são de 8% ao ano para os produtores enquadrados no Pronamp. Já para investimentos, as taxas de juros variam entre 7% ao ano e 12%, de acordo com cada programa. 

Agro responsável

O Plano Safra 2024/2025 continua incentivando o fortalecimento dos sistemas de produção ambientalmente sustentáveis. Para isso, serão premiados os produtores rurais que já estão com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado e, também, aqueles produtores rurais que adotam práticas agropecuárias consideradas mais sustentáveis. A redução na taxa de juros de custeio poderá ser de até 1,0 ponto percentual para os contemplados. 

RenovAgro

O Programa para Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro) incorpora os financiamentos de investimentos identificados com o objetivo de incentivo à Adaptação à Mudança do Clima e Baixa Emissão de Carbono na Agropecuária. Por meio dele, é possível financiar práticas sustentáveis como a recuperação de áreas e de pastagens degradadas, a implantação e a ampliação de sistemas de integração lavoura-pecuária-florestas, a adoção de práticas conservacionistas de uso e o manejo e proteção dos recursos naturais. 

Também podem ser financiadas a implantações de agricultura orgânica, recomposição de áreas de preservação permanente ou de reserva legal, a produção de bioinsumos e de biofertilizantes, sistemas para geração de energia renovável e outras práticas que envolvem produção sustentável e culminam em baixa emissão de gases causadores do efeito estufa. 

Uma novidade neste ano safra é que o RenovAgro Ambiental vai possibilitar financiamentos para realizar a adequada reparação ambiental em área embargadas, para que elas possam entrar na legalidade. 

Já o RenovAgro Dendê, que tem foco na implantação, melhoramento e manutenção de florestas de dendezeiro, passa a se denominar RenovAgro Palmáceas neste ano. Agora, inclui todas as espécies dessa família com enfoque na produção de energia. 

Programas 

Na linha de financiamento para investimentos, são 13 programas que proporcionam a inovação e a modernização das atividades produtivas, contribuindo para a continuidade dos ganhos de produtividade, competitividade, emprego e renda. Confira os programas no site do Ministério da Agricultura e Pecuária.

DATAGRO Grãos: comercialização da soja brasileira safra 2023/24 alcança 65,7% da produção estimada

Levantamento realizado pela DATAGRO Grãos mostra que, até o final de maio, a comercialização brasileira da safra 2023/24 de soja alcançou 65,7% da produção esperada, acima dos 58,6% observados em igual período do ano passado, mas ainda muito distante dos 87,5% do recorde da safra 2019/20 e dos 72,4% da média dos últimos cinco anos.

O avanço mensal foi de 13,7 pontos percentuais, superior aos 9,4 p.p. registrados no mês anterior, aos 7,0 p.p. de 2023 e aos 7,4 p.p. da média normal. “O ritmo melhor dos negócios confirmou nossa expectativa, pois a esperada valorização dos preços efetivamente aconteceu. Também por conta da necessidade de alavancagem de recursos para a compra de insumos da safra 2024/25”, comenta Flávio Roberto de França Junior, economista e líder de conteúdo da DATAGRO Grãos.

Considerando a atual estimativa de produção em 147,6 milhões de toneladas, os produtores brasileiros negociaram, até a data analisada, 97,0 mi de t de soja. Em igual período do ano passado, esse volume de produção negociado estava menor em termos relativos e absolutos, chegando a 94,2 mi de t.

Safra 2024/25

As negociações da safra 2024/25 também apresentaram melhor avanço no período analisado. O levantamento da DATAGRO Grãos aponta para 8,6% da expectativa de produção compromissada, salto mensal de 3,4 p.p., acima dos 2,9 p.p. em semelhante época do ano passado e dos 3,3 p.p. da média plurianual. No entanto, o fluxo está aquém dos 9,4% compromissados em 2023 e muito distante dos 33,1% do recorde da safra 2020/21, além de abaixo dos 17,2% da média plurianual. Conforme exercício inicial realizado pela consultoria – a intenção de plantio sai em julho –, a projeção para safra 2023/4 é de 160,5 mi de t, o que representaria um crescimento de 9% ante a temporada atual.

Milho

As negociações da safra 2023/24 do milho de verão no Centro-Sul do Brasil também andaram de forma mais acelerada em maio. O levantamento da DATAGRO Grãos aponta para 40,4% da expectativa de produção compromissada, salto mensal de 11,0 p.p., em linha com a média plurianual, acima dos 9,5 p.p. apontados no levantamento anterior e dos 9,3 p.p. em semelhante época do ano passado. Dessa forma, a comercialização se encontra aquém dos 49,2% compromissados em igual momento de 2023 e muito distante dos 63,0% da média normal. 

“Em números absolutos, temos vendas de 7,2 mi de t, de uma safra de 17,8 mi de t. Nessa mesma época de 2023 tínhamos vendas de 9,9 mi de t”, comenta França Junior. 

A comercialização da safra de inverno 2024 da região, estimada em 81,3 mi de t, chegou a 31,7%, contra 22,8% no levantamento anterior, 34,3% na mesma data do ano passado e média plurianual de 49,0%.

AviationXP Centro-Oeste: evento movimenta mercado da aviação

A quarta edição da Aviation XP Centro-Oeste está marcada para os dias 26 e 27 de junho de 2024, no Aeroporto Santa Genoveva (no antigo Terminal de Embarque), em Goiânia. O evento de negócios vai contar com a participação de diversas empresas do setor que estão presentes na região.  Uma delas é a TAM Aviação Executiva, que conta com um Centro de Serviços no Aeroporto Santa Genoveva, desde 2022.

“Para nós, participar da AviationXP no Centro-Oeste é estratégico. Reforça nossa presença na região, coloca nossa gama de serviços na vitrine e nos permite mostrar um pouco mais da capacidade e excelência que dispomos em nosso Centro de Serviços”, afirma Danielle Nunes, diretora de Marketing e  Customer Experience da TAM Aviação Executiva.

AviationXP Centro-Oeste

A AviationXP Centro-Oeste vai reunir um público qualificado do segmento, como fabricantes, proprietários e demais players do mercado, para tratar sobre os principais temas da aviação geral atualmente. Na edição de 2023, o Aviation XP Goiânia recebeu 3.660 visitantes e 14 modelos de aeronaves. Mais informações em: https://aviationxp.com.br/centro-oeste/

Congresso Aeromédico América Latina

No mesmo local e horário, também acontecerá o 4º Congresso Aeromédico América Latina (CONAER), que promove o encontro de profissionais da saúde, pilotos, empresas e organizações, com a parceria e apoio da Associação Brasileira de Operações Aeromédicas – ABOA. Sobre o CONAER: https://www.resgateaeromedico.com.br/congresso-aeromedico-2024/

Biocompetitividade é tema do Congresso Brasileiro do Agronegócio

O 23º Congresso Brasileiro do Agronegócio será promovido pela ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) e pela B3, a bolsa do Brasil, no dia 5 de agosto, em formato híbrido, e debaterá o tema central Biocompetitividade. O evento é considerado um dos mais importantes do setor no país, por reunir autoridades, especialistas e empresários para discutir as pautas mais urgentes e relevantes para o desenvolvimento sustentável do agro nacional, norteando tendências e caminhos que proporcionem mais competitividade, produtividade e rentabilidade em todos os elos da cadeia.

A programação do Congresso contará com dois painéis: Geopolítica e Sustentabilidade, e Clube Fragmentado: O Brasil será Associado?, e uma mesa redonda que abordará o tema Competitividade e Oportunidades, que receberão representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária e de importantes entidades setoriais, líderes de consultorias e empresas de inteligência e de análise de mercado, autoridades, produtores rurais e especialistas de instituições privadas brasileiras. A palestra inaugural que tratará de biocompetitividade será ministrada por Nelson Ferreira, Sócio-Sênior e Líder Global de Agricultura da Mckinsey & Company.

Em 2023, o Congresso Brasileiro do Agronegócio contou com mais de 840 pessoas de todo o país presencialmente e mais de 6,4 mil acessos à transmissão online do evento. O público participante foi composto por empresários, líderes setoriais, autoridades públicas ligadas aos governos federal, estadual e municipal, parlamentares, além de profissionais ligados ao agro.

Serviço: 23º Congresso Brasileiro do Agronegócio – Presencial e On-Line

Tema: Biocompetitividade

Data: 5 de agosto de 2024 | Horário: das 9h às às 18h

Local: Sheraton WTC São Paulo Hotel – Av. das Nações Unidas, 12559

Informações e inscrições: https://congressoabag.com.br/

El Niño e La Niña: a influência dos fenômenos climáticos na agropecuária

O El Niño é caracterizado pelo aumento da temperatura das águas na região equatorial do Oceano Pacífico, já o La Niña age gerando a diminuição dessa temperatura na mesma área. Esses dois fenômenos climáticos têm um impacto significativo nos padrões globais de temperatura e precipitação.

No Brasil, o El Niño costuma causar secas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o La Niña tende a trazer chuvas para essas áreas. No Sul do Brasil, o El Niño está associado a um aumento no volume de chuvas, enquanto o La Niña resulta em uma redução das precipitações.

Neste ano, o acontecimento do El Niño, somado a mudanças climáticas severas, gerou um aumento incomum do volume de chuvas na região sul do país, causando graves inundações que devastaram lavouras, comprometendo negócios e gerando incertezas para a agropecuária do Rio Grande do Sul. “Esses efeitos climáticos extraordinários estão mudando as diretrizes de controle do agro; uma coisa que no passado era esperada ou previsível, hoje, já não pode ser mais prevista ou entendida”, comenta Felipe Jordy, líder de inteligência e assessoria comercial da Biond Agro.

A chegada do La Niña no Brasil

Segundo dados do NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA), o La Niña pode se desenvolver entre junho-agosto, tendo 49% de chance de acontecer; ou julho-setembro, com uma probabilidade maior, 69% de chance. Entre setembro e outubro, início do plantio da safra verão, as chances já ultrapassam 80%. As projeções do órgão apontam – até o momento – para uma intensidade de fraca a moderada do fenômeno climático.

Numa análise extensa, desde a safra de 76/77, até a safra atual, 23/24, é possível identificar que o padrão El Niño e La Niña impactam diretamente na produtividade de soja do país, seja na média geral do país ou regional.

Em anos de La Niña, de intensidade fraca ou forte, o país tem uma vantagem produtiva em comparação aos anos anteriores, mesmo com possíveis penalidades ao Sul. “Dada a presença da La Niña, entidades e fontes do mercado já esperam uma melhor produtividade no Brasil, especialmente no Centro-Oeste, onde na safra 23/24 houve uma quebra superior a 16%, frustrando as expectativas iniciais que superaram os 160 milhões de toneladas de soja. Números acima das primeiras projeções para o ciclo atual já são esperados para a safra futura, a 24/25. Apesar das primeiras projeções, é importante citar que muitas coisas podem e devem acontecer, desde a definição do potencial produtivo nos EUA, que altera as cotações de Chicago e consequentemente a rentabilidade do produtor Brasileiro, até as definições de área e investimento no Brasil”, diz Jordy.

Como gerenciar o agro diante dos fenômenos climáticos?

O acompanhamento climático é fundamental para o setor agropecuário por diversas razões. Ele permite um planejamento agrícola mais eficiente, onde os agricultores podem tomar decisões informadas sobre o melhor momento para plantar, colher, aplicar fertilizantes e defensivos, otimizando o uso de recursos e maximizando a produtividade da fazenda.

Além disso, a previsão de eventos climáticos extremos, como secas, geadas, tempestades e enchentes, possibilita a adoção de medidas preventivas para proteger lavouras e rebanhos, reduzindo perdas significativas. Os dados climáticos também são essenciais para a gestão eficiente da água, ajustando a irrigação com base na previsão de chuvas e evitando tanto o desperdício de água quanto a escassez hídrica.

O conhecimento das condições climáticas esperadas também facilita a escolha de cultivares mais adequadas, melhorando a resistência das plantas e a produtividade. Do ponto de vista financeiro, entender as tendências climáticas ajuda os produtores a planejar, ajustar orçamentos, prever rendimentos e gerenciar riscos, o que é particularmente importante para obter financiamentos e seguros agrícolas.

“Nosso papel é gerenciar riscos, especialmente porque o clima pode afetar diretamente a oferta e a demanda, influenciando os preços no mercado. Acompanhamos atentamente as condições climáticas para que os produtores possam planejar suas ações, aproveitando as mudanças nos preços e ajustando suas estratégias de comercialização de maneira eficaz”, finaliza o especialista.

Foto: Anton Atanasov / Pexels.com

Governo anula leilão e cancela compra de arroz importado

com informações da Agência Brasil

O Governo Federal anulou o leilão realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no último dia 6 de junho e cancelou a compra das 263,3 mil toneladas de arroz que seriam importadas para o país. A informação é do presidente da Conab, Edegar Pretto, e dos ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira (11/06), no Palácio do Planalto.

Segundo Fávaro, a avaliação do governo é que, do conjunto das empresas vencedoras do leilão, uma maioria tem “fragilidades”, ou seja, “não tem capacidade financeira de operar um volume financeiro desse tamanho”. As mais de 260 mil toneladas de arroz arrematadas correspondem a 87% das 300 mil toneladas autorizadas pelo governo nesta primeira operação. No total, mais de R$ 7 bilhões foram liberados para a compra de até 1 milhão de toneladas.

“A gente tem que conhecer a capacidade [das empresas], é dinheiro público e que tem que ser tratado com a maior responsabilidade”, disse Fávaro, explicando que nenhum recurso chegou a ser transferido na operação.

As empresas participam do leilão representadas por corretoras em Bolsas de Mercadorias e Cereais e só são conhecidas após o certame. Um novo edital será publicado, com mudanças nos mecanismos de transparência e segurança jurídica, mas ainda não há data para o novo leilão.

Conflito

Também nesta terça-feira, o secretário de Política Agrícola do Mapa, Neri Geller, pediu demissão após suspeitas de conflito de interesse. Uma reportagem do site Estadão informa que o diretor de Abastecimento da Conab, Thiago dos Santos, responsável pelo leilão, é uma indicação direta do secretário. Além disso, a FOCO Corretora de Grãos, principal corretora do leilão, é do empresário Robson Almeida de França, que foi assessor parlamentar de Geller na Câmara e é sócio de Marcello Geller, filho do secretário, em outras empresas.

O ministro Fávaro confirmou que aceitou a demissão do secretário. “Ele [Geller] fez uma ponderação que, quando o filho dele estabeleceu a sociedade com esta corretora lá de Mato Grosso, ele não era a secretário de Política Agrícola, portanto, não tinha conflito ali. E que essa empresa não está operando, não participou do leilão, não fez nenhuma operação, isto é fato. Também não há nenhum fato que desabone e que gere qualquer tipo de suspeita, mas que, de fato, isso gerou um transtorno e, por isso, ele colocou hoje de manhã o cargo à disposição”, explicou Fávaro.

Filha do Combú: chocolate produzido na floresta é exemplo de empreendedorismo sustentável

Reportagem Especial: Jayme Vasconcellos* e Joyce Pires**

Tudo começou com o açaí. Até 2006, Izete dos Santos Costa, a dona Nena, vendia frutos nativos nas feiras de Belém. Aos poucos, percebendo que podia ampliar sua linha de produtos, passou a fabricar chocolate artesanal na cozinha da própria casa, na ilha do Combu, no Pará.

Comprando o cacau de pequenos produtores locais, utilizava o liquidificador doméstico para moer as amêndoas. Com o aumento da demanda, sentiu que precisava ampliar o negócio.

Era 2015 quando o ex-professor universitário e administrador de empresas Mário de Carvalho entrou na história. Ele, que tinha experiência empresarial no ramo de embalagens (olha que feliz coincidência) foi procurado pela dona Nena para fornecer – adivinha só – embalagens para os chocolates dela.

Carvalho percebeu que poderia agregar valor ao chocolate da dona Nena, fornecendo uma verdadeira experiência de consumo para o cliente. “Vimos a possibilidade de usar a produção como gancho para um turismo sustentável capaz de mudar a vida do Combu”, diz ele.

Assim surgiu a Casa do Chocolate Filha do Combu. Com a formalização, veio o acesso ao crédito e a melhoria dos processos produtivos, com a implantação de uma pequena fábrica. A empresa ganhou uma identidade visual e ampliou o portfólio disponível (geleias e licores dividem espaço com o chocolate nas prateleiras da lojinha).

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Visita guiada

A 15 minutos de barco da capital paraense, a ilha do Combu é famosa pelos restaurantes de comida típica e pelos igarapés onde é possível tomar banho de rio. Aproveitando o fluxo de visitantes, a Filha do Combu passou a oferecer uma visita guiada pela propriedade. É possível conhecer o processo de colheita, secagem e processamento artesanal do cacau. Ao final, uma degustação de chocolate e a visita à loja, onde pode-se comprar produtos especiais com altíssimo teor de cacau (até 100%).

Em 2023, o local recebeu 30 mil turistas. Por mês, são produzidos quase 300 quilos de chocolate e a receita mensal com a venda dos produtos chega a 125 mil reais (aproximadamente 1,5 milhão de reais / ano).

“O empreendimento da dona Nena mostra que não é preciso vender o produto apenas em sua forma primária. Essa associação entre turismo e a produção rural é a chave para que a gente possa ter, aqui na Amazônia, o desenvolvimento de forma equilibrada. As pessoas querem autenticidade, querem conhecer a história por trás dos produtos. Sabendo quem fez, como fez, a tendência é que acabem pagando um pouco mais pelo”, afirma Carvalho.

Expansão dos negócios

Uma cafeteria já está funcionando no local. Além de bolos, quitutes da culinária paraense devem estar disponíveis em breve. Outro objetivo é aumentar a linha de chocolates da casa, mesclando ao produto outros frutos típicos da Amazônia. Também devem ser lançados chocolates ao leite e adoçados com stevia. Tudo para aumentar as vendas e o faturamento em 50% até o fim de 2025, quando Belém sediará a COP 30, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Sumaúma

Recentemente os presidentes Lula e Macron, da França, visitaram o local. Fotos deles viralizaram e, agora, uma das paradas obrigatórias do passeio turístico é a enorme sumaúma que está no local há pelo menos 280 anos. A árvore tem quase 50 metros de altura e seu tronco tem mais de dois metros de diâmetro. Sua copa frondosa produz uma grande área sombreada, o que abranda o calor amazônico e permite o florescimento do cacau.

Números do cacau

Apesar de o cacau ser originário da região amazônica, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking da produção mundial, atrás da Costa do Marfim, de Gana, do Equador, de Camarões e da Nigéria1. Por aqui, são cerca de 600 mil hectares cultivados e 75 mil produtores, sendo 60% da agricultura familiar. Nossa produção média é de 220 mil toneladas de amêndoas/ano2, mas, segundo o IBGE, o país produziu 273 mil toneladas em 20223.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Os estados do Pará e da Bahia são os principais produtores da amêndoa de cacau do Brasil, responsáveis por, aproximadamente, 96% de tudo o que é produzido em território nacional. Uma pequena parcela ainda vem do Espírito Santo, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso, além de Roraima, Amapá, Ceará, Sergipe, Minas Gerais, São Paulo, estados cuja produção está em fase inicial, e Tocantins que apresenta uma recente expansão.

Em 2022, o Brasil exportou 36 mil toneladas de chocolate e 48 mil toneladas de derivados do cacau, gerando US$ 340 milhões de dólares4. A Argentina é o destino principal, seguida por Estados Unidos e Chile. Também nos destacamos no cenário mundial por reunir todos os elos da cadeia produtiva do cacau: produção, moagem e indústria chocolateira, além de sermos um dos maiores consumidores de chocolate do planeta: 3,6 kg/per capita em 2022 (na Estônia, primeira colocada nesse ranking, o consumo médio é de 8,5 kg/per capita)5.

*Jornalista, técnico em agronegócio e editor-chefe do Agricultura e Negócios.

**Jornalista e colaboradora do Agricultura e Negócios.

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1 e 2 Fonte: ICCO – Organização Internacional do Cacau (2020)

3 Fonte: IBGE (2022)

4 Fonte: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC (Comexstat)

5 Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab)

Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo discute economia verde e inclusão socioeconômica

Justiça climática, economia verde e inclusão socioeconômica estiveram na pauta do Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo que aconteceu em Brasília nesta terça-feira (11/06). O evento reuniu microempreendedores, representantes do setor público e privado, além de especialistas da sociedade civil.

“Realizar esse encontro em Brasília, com reflexões de temas tão urgentes e essenciais com os nossos parceiros do Poder Público, e com a presença de empreendedores e representantes do setor privado e da sociedade civil, é muito importante para a Aliança Empreendedora, que trabalha para conectar esse ecossistema e incentivar a disseminação de informações para que as pessoas se sintam mais seguras para empreender. Sabemos que, em muitos casos, o empreendedorismo é uma das saídas para tirar as famílias da vulnerabilidade, e isso precisa ser visto e trabalhado de forma cuidadosa”, aponta Lina Useche, fundadora da Aliança Empreendedora, entidade organizadora do Fórum.

Um dos pontos de destaque foi uma mesa de debates sobre os impactos da crise climática nos pequenos negócios e as estratégias para promover a inclusão produtiva das comunidades vulneráveis. Especialistas discutiram ferramentas para impulsionar o desenvolvimento sustentável territorial conectado à economia verde, desde políticas públicas e instrumentos de planejamento até tecnologias inovadoras e modelos de negócios sustentáveis.

A economia circular, por exemplo, que adota um modelo de produção e consumo que minimiza o desperdício e maximiza a reutilização de materiais, foi defendida pelos participantes. O fortalecimento da agricultura familiar e a promoção de práticas agroecológicas que preservam o meio ambiente e garantem a segurança alimentar das comunidades locais também foram citadas como exemplos de modelos de negócios sustentáveis.  “O desenvolvimento sustentável é um processo contínuo que exige constante aprendizado, adaptação e inovação. A busca por soluções criativas e a colaboração entre diferentes setores da sociedade são essenciais para construir um futuro mais verde e próspero para todos”, afirma Jayme Vasconcellos, jornalista, editor-chefe do Agricultura e Negócios e participante do Fórum.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios