Aplicações de Inteligência Artificial movimentam mais de US$ 40 bilhões e devem atingir US$ 1.3 trilhões até 2032

A adoção de agentes virtuais criados a partir de Inteligência Artificial – como o ChatGPT, YouChat, Jasper, Gemini, etc – tem sido cada vez mais frequente em diversos setores visando otimização de tarefas e atualização dos processos. As aplicações não estão sendo benéficas somente para as indústrias, mas também para o mercado, que está aquecido com as movimentações que a IA tem gerado.

Segundo relatório da Bloomberg Intelligence, apenas entre 2023 e 2022, as aplicações de inteligência artificial voltadas para o usuário final movimentaram US$ 40 bilhões. A expectativa é que até 2032 a IA alcance US$ 1.3 trilhões com as movimentações de mercado. O estudo ainda aponta que a taxa de crescimento de IA na próxima década deve ser de 42% ao ano – quase dobrando seu alcance anualmente.

O impacto econômico positivo com o uso de IA é exemplificado na automação de tarefas, criação de novos modelos de negócios, redução de custos operacionais, melhoria na experiência do cliente e inovação na indústria. A tendência é que, aplicada no mercado de trabalho, a tecnologia movimente a economia.

“O mercado já entende a força que a tecnologia tem em movimentar a economia, gerar mais rentabilidade e auxiliar no dia a dia para que as demandas sejam entregues com cada vez mais rapidez e assertividade. A aplicação de agentes inteligentes no mercado de trabalho não é mais uma tendência, é uma necessidade e essa evolução não volta atrás”, aponta Thiago Oliveira, CEO e fundador da Monest, empresa de recuperação de ativos através da cobrança de débitos por uma agente virtual conectada por inteligência artificial.

A Monest opera aplicações de IA em um dos setores que a tecnologia tem se mostrado mais promissora – o setor de pagamentos e cobranças de débito, no qual é necessário um constante contato com o público. Os impulsos para crescimento do setor vêm principalmente da demanda por mais agilidade nos processos e assertividade nos resultados. Com as inserções de IA, a empresa apresenta pelo menos 30% de economia nas operações, além do aumento na qualidade de atendimento e padronização do relacionamento com os clientes, resultando em mais assertividade e resultados positivos.

A tendência é que em 2024 surjam outras áreas de aplicação de forma a ramificar o uso de IA, como: IA conversacional para atendimento ao cliente, proporcionando experiências mais gratificantes e eficazes, reduzindo o tempo de espera e resolvendo consultas de maneira precisa; deep learning, ou aprendizado aprofundado, uma técnica de IA que permite aos computadores aprenderem tarefas complexas sem programação explícita, apenas através de comparação de dados; aumento da cibersegurança, IA está emergindo como uma ferramenta crucial para combater ameaças cibernéticas; entre outras evoluções.

“Com certeza essa é uma tecnologia que vai auxiliar em todos os setores – pagamentos, medicina, comunicação, indústria… todos aqueles que entendem a eficácia de se ter um agente virtual como auxiliador do dia a dia a um clique, terão com certeza mais sucesso, e isso vale tanto para as empresas quanto para o consumidor final”, finaliza Oliveira.

DET: entenda o que muda para as empresas agora que a utilização do Domicílio Eletrônico Trabalhista passa a ser obrigatória

A partir de maio de 2024, a utilização do Domicílio Eletrônico Trabalhista (DET) se tornará obrigatória para as empresas. Empresas e entidades pertencentes aos grupos 1 (faturamento anual superior a R$ 78 milhões) e 2 (faturamento no ano de 2016, de até R$ 78 milhões, e que não sejam optantes do Simples Nacional) do e-Social estão obrigadas, desde de 1º de março de 2024, a aderir e utilizar o DET, como instrumento oficial de comunicação e de prestação de serviços digitais pela Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Para as empresas e entidades pertencentes aos grupos 3 (empregadores pessoa física, exceto doméstico; produtor rural pessoa física) e 4 (órgãos públicos e organizações públicas) do e-Social, bem como os empregadores domésticos, a utilização do DET passará a ser obrigatória a partir de 1º de maio de 2024.

Segundo João Guilherme Walski de Almeida, advogado do departamento trabalhista da Andersen Ballão Advocacia, o  DET é um sistema do Governo Federal criado para cientificar o empregador de quaisquer atos administrativos, procedimentos fiscais, intimações, notificações, decisões proferidas em processos administrativos; para receber do empregador a documentação eletrônica exigida no curso das ações de fiscalização trabalhistas; e para o empregador apresentar defesas e recursos no âmbito de processos administrativos do Ministério do Trabalho.

Esse sistema, de acordo com o advogado, pode trazer benefícios, mas es empresas devem permanecer atentas: “Para as empresas, o Domicílio Eletrônica Trabalhista facilitará o recebimento de comunicações e intimações do Ministério do Trabalho, bem como facilitará o envio da documentação eventualmente exigida pela Auditoria Fiscal do Trabalho. Para os empregados, o benefício está numa fiscalização mais rápida e eficaz por parte da Auditoria Fiscal do Trabalho, o que pode corrigir eventuais erros de natureza trabalhista do empregador, caso a empresa esteja em desacordo com a legislação. No entanto, é necessário que as empresas ajustem as suas rotinas, para verificar seu Domicílio Eletrônico Trabalhista, e atentar para a existência de novos procedimentos administrativas, intimações ou avisos do Ministério do Trabalho, ” afirma Walski

A orientação nesse momento é que as empresas se cadastrem no DET no prazo legal, que monitorem constantemente o sistema e que informem aos seus advogados quaisquer notificações e intimações recebidas.

Vale ressaltar que o DET não se confunde com o Domicílio Judicial Eletrônico (DJE), plataforma que promoverá, de forma eletrônica e unificada, as notificações, intimações e citações expedidas pelos tribunais brasileiros em processos judiciais, inclusive trabalhistas.

Conheça os dez principais produtos exportados pelo Brasil

O mercado brasileiro de exportação está em crescimento. De janeiro a dezembro de 2023, o país registrou um recorde de exportações no valor de US$ 339,7 bilhões, ou seja, um aumento de 1,7% em relação ao ano anterior.

De acordo com Helmuth Hofstatter, CEO e fundador da Logcomex, empresa que oferece tecnologia para o comércio exterior por meio de uma plataforma completa end-to-end, ajudando gestores a planejar, monitorar e automatizar o seu supply chain, o Brasil tem cerca de 28.500 empresas exportadoras. “Elas contribuem para o crescimento econômico ao gerar divisas estrangeiras e impulsionar a produção e o emprego local”, explica.

Confira os dez principais produtos exportados pelo Brasil:

1) Soja – Como o maior produtor mundial de soja, o país exporta para mercados como a China (destino de 73% das exportações) e a Argentina (com participação equivalente a 3,8%). Em 2023, entre janeiro e dezembro, foram exportados US$ 53,2 bilhões deste grão.

2) Óleos brutos de petróleo – Entre janeiro e dezembro de 2023, o insumo totalizou US$ 42,5 bilhões em vendas para o exterior. No mercado internacional o Brasil se destaca com o petróleo, representando 3% do mercado global.

3) Minério de ferro e seus concentrados – O produto tem grande importância para a economia brasileira, tendo sido exportados US$ 30,5 bilhões do insumo em 2023. Cerca de 57,9% das exportações são destinadas à China.

4) Açúcares e melaços – O açúcar é o principal produto exportado no setor sucroalcooleiro. São considerados como outros açúcares lactose, maltose, glicose e frutose. De janeiro a dezembro de 2023, o país exportou 27 milhões de toneladas destes açúcares.

5) Milho não moído, exceto milho doce – Foram US$ 13,6 bilhões exportados para destinos como China, Japão e Vietnã. Atualmente o Brasil é o 3º maior produtor da commodity.

6) Farelos de soja e outros alimentos para animais – A produção do insumo ocorre a partir da moagem de flocos de soja descascada e desengordurada. Até dezembro de 2023 haviam sido exportados aproximadamente US$12,2 bilhões desse produto.

7) Óleos combustíveis de petróleo – Totalizando US$ 11,3 bilhões em exportações, têm como destinos países como Singapura, Estados Unidos e Países Baixos.

8) Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada – O Brasil lidera como principal exportador de carne bovina no cenário mundial, tendo exportado 286,64 mil toneladas de carne in natura só no primeiro trimestre de 2023. A China segue como o principal destino das exportações, seguida pelo Chile e pelos Estados Unidos.

9) Carnes de aves – Até dezembro de 2023, as exportações de carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas haviam totalizado aproximadamente US$ 9 bilhões.

10) Demais produtos — indústria de transformação – Os produtos da indústria da transformação — produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço – acumulou o valor de de US$ 9 bilhões exportados, fazendo parte da lista dos principais produtos exportados pelo Brasil.

Como as tecnologias apresentadas na Campus Party podem ser utilizadas no agronegócio?

A Campus Party, um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo, é um palco para a apresentação de tecnologias disruptivas com potencial para transformar diversos setores, incluindo a agricultura e a pecuária. Abaixo, exploraremos como algumas das tecnologias presentes na Campus Party 2024 podem ser utilizadas para impulsionar esses setores:

1. Inteligência Artificial (IA):

Análise de imagens: A IA pode analisar imagens de plantações e animais para identificar problemas como doenças, pragas e deficiências nutricionais, permitindo ações corretivas precisas e oportunas.

Otimização da produção: A IA pode analisar dados de sensores, clima e solo para recomendar ações que otimizem o uso de recursos, como água e fertilizantes, e maximizem a produtividade.

Previsão de demanda: A IA pode analisar dados de mercado para prever a demanda por produtos agrícolas e pecuários, ajudando os produtores a planejar a produção e os preços de forma mais eficiente.

2. Internet das Coisas (IoT):

Monitoramento de animais: Sensores IoT podem monitorar a saúde, localização e comportamento dos animais em tempo real, permitindo a detecção precoce de problemas e a otimização da gestão do rebanho.

Automação de tarefas: A IoT pode automatizar tarefas repetitivas, como irrigação, alimentação e ordenha, liberando tempo para que os produtores se concentrem em atividades mais estratégicas.

Rastreabilidade de produtos: A IoT pode rastrear a origem e o histórico de produtos agrícolas e pecuários, garantindo a qualidade e segurança alimentar.

3. Blockchain:

Rastreabilidade de produtos: O blockchain pode garantir a rastreabilidade e autenticidade de produtos agrícolas e pecuários, combatendo a falsificação e o contrabando.

Pagamentos seguros: O blockchain pode ser utilizado para realizar pagamentos seguros e transparentes entre produtores, distribuidores e consumidores.

Gestão da cadeia de suprimentos: O blockchain pode ser usado para otimizar a gestão da cadeia de suprimentos, reduzindo custos e aumentando a eficiência.

4. Drones:

Monitoramento de plantações: Drones podem ser utilizados para monitorar a saúde das plantações, identificar problemas e realizar pulverizações precisas de defensivos agrícolas.

Mapeamento de áreas: Drones podem mapear áreas agrícolas com alta precisão, facilitando o planejamento da produção e a gestão da propriedade.

Semeadura e fertilização: Drones podem ser utilizados para realizar a semeadura e fertilização de áreas agrícolas de forma rápida e eficiente.

5. Robótica:

Colheita: Robôs podem ser utilizados para realizar a colheita de produtos agrícolas de forma automatizada, reduzindo custos e mão de obra.

Descarte de resíduos: Robôs podem ser utilizados para descartar resíduos agrícolas de forma eficiente e ambientalmente correta.

Ordenha: Robôs podem ser utilizados para realizar a ordenha de vacas de forma automatizada, aumentando a produtividade e a qualidade do leite.

6. Biotecnologia:

Desenvolvimento de novas variedades: A biotecnologia pode ser utilizada para desenvolver novas variedades de plantas e animais mais resistentes a doenças, pragas e condições climáticas adversas.

Produção de biocombustíveis: A biotecnologia pode ser utilizada para produzir biocombustíveis a partir de biomassa vegetal e animal, contribuindo para a sustentabilidade da produção.

Desenvolvimento de novos medicamentos: A biotecnologia pode ser utilizada para desenvolver novos medicamentos para tratar doenças animais e vegetais.

7. Realidade Virtual (VR) e Realidade Aumentada (AR):

Treinamento de profissionais: A VR e a AR podem ser utilizadas para treinar profissionais em técnicas agrícolas e pecuárias de forma segura e imersiva.

Visualização de dados: A VR e a AR podem ser utilizadas para visualizar dados de produção, como temperatura, umidade e pH do solo, de forma mais intuitiva e interativa.

Marketing e vendas: A VR e a AR podem ser utilizadas para promover produtos agrícolas e pecuários de forma inovadora e atraente.

8. Impressão 3D:

Produção de ferramentas e peças: A impressão 3D pode ser utilizada para produzir ferramentas e peças para uso em agricultura e pecuária, reduzindo custos e tempo de espera.

Prototipagem de produtos: A impressão 3D pode ser utilizada para prototipar novos produtos agrícolas e pecuários de forma rápida e barata.

Construção de estruturas: A impressão 3D pode ser utilizada para construir estruturas como casas de vegetação e bebedouros para animais.

Campus Party: A Campus Party é a maior experiência tecnológica em IoT (internet das coisas), blockchain, cultura maker, educação e empreendedorismo do planeta. O evento conta com campuseiros cadastrados em todo mundo, e já produziu edições em países como Espanha, Brasil, Holanda, México, Alemanha, Reino Unido, Canada, Argentina, Panamá, El Salvador, Costa Rica, Colômbia e Equador.

Campus Party Brasília: O maior festival mundial sobre tecnologia, disrupção, empreendedorismo e STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), a Campus Party, realiza a sua 6ª edição em Brasília. Ao longo dos cinco dias do evento, a expectativa é receber um público de mais de 100 mil visitantes, incluindo 10 mil campuseiros, que terão acesso a mais de 500 palestrantes e atividades ocorrendo 24 horas por dia.

Serviço: #CPBSB6 – Campus Party Brasília – 6ª edição

Arena: 27/03 – 31/03 | Open Campus: 28/03 – 31/03

Local: Arena BRB Mané Garrincha (Brasília – DF)

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Alta produção de carne exige que confinadores adotem estratégias eficazes de proteção para evitar prejuízos

Preços instáveis e altos custos de ração são uma combinação perfeita para sabotar quem está desprevenido. Esse cenário provocou  prejuízos para muitos confinamentos, especialmente aqueles que não protegem os preços. Agora, em 2024, estamos acompanhando um aumento na produção de carne no Brasil, o que teve impacto direto no setor de confinamento.

“A intensificação é conhecida como um ajuste rápido. Numa estratégia de comercialização não pode errar na venda. Tem muitos pecuaristas que amargam prejuízos grandes em função das oscilações de preço e custos com a ração. Por isso, trabalhar com ferramentas de confinamento hoje, sem ter uma estratégia de proteção, realmente é muito complicado”, avalia Alberto Pessina, CEO da Agromove.

Com o fim da estação das águas, que sofreu forte influência do El Niño, o pecuarista busca no pasto uma forma de segurar o rebanho para conseguir um melhor preço no frigorífico.  Algo que ainda está desafiando as contas do produtor. “Desde dezembro, a gente vem adotando estratégias de proteção para evitar perdas no primeiro giro. No segundo semestre do ano passado, sentimos os efeitos do ciclo pecuário com muita oferta de carne chegando ao mercado. Por isso, quem protegeu o mercado em dezembro conseguiu comercializar entre R$ 240@ e R$ 244@ em maio. Hoje, já caiu, a negociação está entre R$225@ e R$222@. Ou seja, são pelo menos R$ 20 da receita que estão indo embora simplesmente por não proteger esse mercado”, explica Pessina.

Ainda que o primeiro trimestre seja desafiador à alta oferta de gado, estudos mostram um segundo semestre com estabilidade e, possivelmente, aumento nos preços da carne. Mas para aproveitar essa melhora, o pecuarista precisa de profissionalismo e estratégias de gestão eficazes no confinamento, especialmente dado o contexto de preços voláteis e alta competição. 

“Acredito num primeiro semestre mais ofertado, algo até julho pelo menos. Então, começa a estabilizar a disponibilidade de gado pronto para abate, e certamente a demanda pode sustentar os preços. Além disso, a abertura de novos mercados e a habilitação histórica de plantas frigoríficas brasileiras que podem exportar ao mercado chinês, pode ajudar no escoamento da produção. Podemos pensar num preço acima de R$250@ para o final do ano. Por isso, os confinamentos precisam adotar uma abordagem proativa para garantir a sustentabilidade de seus negócios”, avalia o CEO da Agromove.

Foto: Grupo RVM

Dia Mundial da Agricultura: princípios e práticas da agricultura regenerativa

por Michel Esper*

Nesta quarta-feira, dia 20 de março, é comemorado o Dia Mundial da Agricultura. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), até 2050 será necessário um aumento de 60% na produção agrícola para suprir as necessidades das 10 bilhões de pessoas que deverão habitar o planeta. 

O Brasil, como um dos principais países produtores agrícolas do mundo, terá um papel fundamental no aumento dessa demanda, e alguns dos grandes desafios para alcançarmos esse aumento serão a pauta ambiental, a conciliação da sustentabilidade com a produção de alimentos e a garantia de alimentos de qualidade para os consumidores e bons negócios para os produtores. Neste sentindo, novas práticas vêm sendo desenvolvidas e aplicadas no campo. Uma delas é a agricultura regenerativa. 

Agricultura regenerativa é um termo que surgiu na década de 1980 que, com o avançar dos anos e com a pauta e causas das mudanças climáticas em evidência, passou a ser mais estudada e aplicada na atualidade.

A essência da agricultura regenerativa está em proteger a saúde do solo, garantindo a vida útil e a manutenção de todo o sistema de produção agrícola. A agricultura regenerativa tem sua base na agricultura orgânica, e erroneamente os dois termos são dados como equivalentes.

Enquanto a agricultura orgânica é estruturada na utilização de insumos orgânicos, podendo gastar muitos recursos naturais, energia e alta emissão de carbono na produção de alimentos, a agricultura regenerativa aprimora os princípios da agricultura orgânica e amplifica as práticas conservacionistas. Com isso, a agricultura regenerativa lança um olhar sistêmico sob a produção agrícola, priorizando as boas práticas que mantém a saúde do solo e a boa gestão de insumos, combatendo e mitigando a degradação do sistema e as mudanças climáticas, sendo capaz de produzir alimentos ao mesmo tempo que propicia condições sustentáveis.  

Foto: Syngenta / Divulgação

Algumas práticas regenerativas já são empregadas na agricultura moderna, entre elas:  rotação de culturas; adoção de plantas de cobertura; redução do tratamento mecânico do solo; integração Lavoura-Pecuária-Floresta; uso consciente de fertilizantes e defensivos; bem-estar animal; práticas justas de trabalho para os agricultores e compostagem. 

Como uma referência global na produção agrícola, o Brasil vem adotando diferentes práticas para estimular a agenda da agricultura regenerativa, dentre elas se evidenciam o lançamento do Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono) na década passada, a assinatura de acordos internacionais como o Acordo de Paris que visa o desenvolvimento sustentável e redução da emissão de gases do efeito estufa (GEEs), o manejo integrado de pragas (MIP), ampla difusão e prática do plantio direto, outorga de água para o uso justo e equilibrado do recurso e outros.

A agricultura regenerativa é um sistema inteligente e adaptável para diferentes realidades, restaurando o solo e mantendo sua fertilidade, mitigando as mudanças climáticas e a emissão dos GEEs, preservando a biodiversidade e garantindo a segurança alimentar e a sustentabilidade do sistema.  

*Gerente de Produtos Agronômicos na Cibra.

Tecnologia e inovação: conheça as tendências para o setor do agronegócio

Com o crescimento exponencial do agronegócio no Brasil e à medida que a demanda nacional e global por alimentos aumenta e as pressões ambientais se intensificam, as soluções tecnológicas estão se tornando essenciais para impulsionar a eficiência, sustentabilidade e produtividade no setor.

Segundo dados do Mapeamento Anual do Uso e Cobertura da Terra no Brasil (MapBiomas), no período de 1985 a 2022, a área dedicada à agropecuária no país experimentou um aumento de 50%, abrangendo 282,5 milhões de hectares. Essa área equivale aos estados do Pará e Amazonas juntos.

Em busca de se tornar o principal ecossistema de inteligência digital e inventários de emissões de carbono para a agricultura tropical, a Salva – empresa especializada em inteligência e análise de dados ambientais e climáticos, que busca viabilizar o acesso dos produtores rurais à sustentabilidade e à descarbonização – aplica metodologias científicas e tecnologia em programação para extrair inteligência de dados e métricas ambientais que ajudam a direcionar a estratégia ambiental das empresas, cooperativas, agroindústria e agricultores.

Para produtores rurais que queiram reduzir as emissões, a empresa mostra onde é possível descarbonizar, seja por talhão ou operação agrícola. Já para aqueles que removem carbono da atmosfera em seus ciclos produtivos, há a entrega de relatórios e números para que possam acessar linhas de crédito diferenciadas e tentar agregar valor na venda de seus produtos.

Abaixo, Mariana Caetano, CEO da climate tech, destaca 6 tendências tecnológicas que devem movimentar o setor agrícola neste ano, confira:

1 – Resultados mais rápidos, simples e diretos: tecnologias que deixem a operação mais eficiente como a telemetria e que façam as entregas das soluções de maneiras mais consolidadas e rápidas de serem interpretadas pelo produtor;

2 – Tecnologia na agricultura de baixo carbono: a tecnologia ajuda principalmente a entregar dados confiáveis em relação às práticas agrícolas adotadas, trazendo maior confiança à cadeia produtiva e aos consumidores de alimentos. O ganho de eficiência promovido pela telemetria, combustíveis renováveis e uso de insumos biológicos, também ajudam a reduzir emissões, assim como a incorporação de práticas de baixo carbono como a cobertura vegetal, sistemas de plantio direto e recuperação de nascentes e áreas de preservação permanente

3 – Aplicação da Inteligência Artificial: a IA deve melhorar as ferramentas por trazer como resultados, a combinação de inúmeras outras variáveis que os deixam mais assertivos;

4 – Agricultura de precisão: contribui para o uso mais eficiente de insumos e combustíveis, além da redução de perdas na produtividade graças a apontamentos mais ágeis e localizados de pragas e doenças;

5 – Inovações em agricultura regenerativa: a expansão do uso de insumos biológicos já têm ajudado e vai ajudar a ampliar as práticas regenerativas, a saúde do solo e o aumento da biodiversidade, o que ajuda muito a mitigar os efeitos das intempéries climáticas. A mecanização para a implantação em escala dos sistemas conservacionistas ainda é um desafio;

6 – Biotecnologia e genética: devem vir à tona, à medida que mais agricultores buscam novas fontes de insumos e variedades que sejam mais resilientes às altas temperaturas e estiagem.

Essas tendências refletem a constante evolução do setor agrícola em direção a práticas mais sustentáveis, tecnologicamente avançadas e resilientes.

Sobre a Salva: A Salva é uma startup que aplica inteligência de dados para entregar métricas científicas ambientais e de biodiversidade para capacitar empresas a investirem em planos de sustentabilidade mais eficazes e promover a transição para uma agricultura de baixo carbono, com o objetivo de trazer maior transparência para os processos sustentáveis das agroindústrias.

Como as mudanças climáticas afetam práticas agrícolas

As mudanças climáticas exercem um impacto significativo nas práticas agrícolas, desencadeando uma série de desafios para a produção de alimentos. O aumento da temperatura global altera os padrões climáticos, resultando em eventos extremos mais frequentes, como secas, inundações e tempestades. Essas condições climáticas adversas comprometem a estabilidade e previsibilidade necessárias para o cultivo de safras.

Ainda assim, quem trabalha com agricultura sabe que conviver com as intempéries faz parte do negócio. O problema é a frequência com que os eventos extremos têm acontecido. Mariana Caetano, CEO da Salva, empresa especializada em inteligência de dados ambientais e climáticos, ressalta que as mudanças climáticas estão levando os agricultores a adotar práticas agrícolas mais sustentáveis e resilientes. “Os produtores estão comprovando que práticas de agricultura de baixo carbono como, por exemplo, sistemas de plantio direto x plantio convencional, uso de cobertura vegetal x palhada e a incorporação de matéria orgânica nos solos podem atuar como atenuantes no caso de altas temperaturas”, afirma.

Um outro problema são as alterações nos padrões de precipitação de chuva. As mudanças climáticas exercem um impacto significativo na disponibilidade de recursos hídricos para a agricultura, representando uma ameaça crescente à segurança alimentar global. As chuvas irregulares e temperaturas altas acabam provocando mais perdas hídricas por evapotranspiração e o agricultor precisa proteger ou recuperar a vegetação de suas nascentes. “O manejo inteligente de recursos hídricos será cada vez mais relevante. É preciso verificar quais são os sistemas de irrigação mais eficientes para cada cultura. Afinal, ao alterar o ciclo das plantas com chuvas irregulares, novas pragas e doenças começam a afetar as lavouras, elevando a demanda por uso de defensivos agrícolas”, completa a executiva.

Em busca de mitigar os impactos causados pelas mudanças climáticas extremas, a tecnologia e a inteligência de dados desempenham um papel crucial na adaptação das práticas agrícolas ao aquecimento global, oferecendo aos agricultores ferramentas poderosas para enfrentar desafios crescentes. Caetano explica que o agronegócio gera uma infinidade de dados, porém, os mesmos precisam ser consolidados para que possam efetivamente virar uma ferramenta para a tomada de decisões.

“Ao usar bancos de dados históricos e extrapolar para as ocorrências e cenários de mudanças climáticas usando variáveis como bioma, microclima, altitude e perfis de solo analisados por inteligência artificial, é possível mitigar riscos avaliando genéticas mais apropriadas para cada região, cronograma de plantio e o uso de bioinsumos para equilibrar o ecossistema de produção”, finaliza.

Ao adotar essas soluções tecnológicas, os agricultores conseguem melhorar a resiliência de suas práticas agrícolas, maximizando a produção, minimizando os impactos ambientais e contribuindo para a sustentabilidade do setor diante das mudanças climáticas.

Sobre a Salva: Criada em novembro de 2022 no Rio de Janeiro, a Salva é uma startup que aplica inteligência de dados para entregar métricas científicas ambientais e de biodiversidade para capacitar empresas a investirem em planos de sustentabilidade mais eficazes e promover a transição para uma agricultura de baixo carbono, com o objetivo de trazer maior transparência para os processos sustentáveis das agroindústrias.

Foto: Quang Nguyen Vinh / Pexels.com

Insumos agrícolas e veterinários: associação do setor tem nova direção

A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) realizou a cerimônia de posse do novo Conselho Diretor para o biênio 2024/2025. O evento contou com a presença de deputados e senadores da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), marcando um novo momento da Andav como entidade membro no Instituto Pensar Agropecuária (IPA), responsável por levantar agendas de debates e questões relacionadas ao setor produtivo, ligado à FPA.

O Presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, deu as boas-vindas à Andav no dia-a-dia do IPA e da Frente Parlamentar Agropecuária. “Vocês podem ter em nós, 350 parlamentares que formam a FPA, confiança, tranquilidade e a certeza que dedicamos nossas vidas e nossos mandatos por defender os interesses do nosso setor”, afirmou, destacando, ainda, o cenário desafiador pelo qual passa o agronegócio brasileiro. “Nosso grande legado é fazer o Brasil real, do interior, circular mercadorias e dinheiro. Fazer com que o comércio seja pujante e que as coisas funcionem, e vocês, da distribuição, estão diretamente ligados a isso.”, finalizou. Também participaram da mesa solene o senador José da Cruz Marinho e os deputados federais Alceu Moreira e Sérgio Souza, além de outros parlamentares e lideranças do setor, que marcaram presença na cerimônia de posse reconhecendo a relevante atuação da Andav em prol do agronegócio.

Em 33 anos de história, a Andav sempre teve forte presença em Brasília defendendo pautas importantes ligadas à distribuição de insumos no país, mas esta foi a primeira cerimônia de posse do Conselho Diretor realizada na capital federal. Composto por 37 diretores voluntários, o Conselho da Andav representa as empresas associadas, que hoje estão presentes em mais de 900 municípios do Brasil através das cerca de 3.200 empresas.

O sócio fundador da Agro Hara, José Hara, foi eleito como o novo presidente do Conselho Diretor, trazendo consigo uma intensa trajetória ligada ao setor. Ele já ocupou posições dentro do Conselho da Andav em gestões anteriores e sucede, na presidência, Oswaldo Abud, que agora passa a integrar o Conselho Fiscal da associação. “É com imenso orgulho que compartilho que sou um distribuidor de insumos agropecuários. Desempenhamos um papel fundamental na cadeia produtiva, conectando os produtores rurais com o que há de melhor em produtos, serviços, tecnologia e inovação. Uma nova missão nos foi confiada e seremos, mais do que nunca, a força que une a distribuição”, afirmou Hara em seu pronunciamento.

Foto: Divulgação / Andav

À frente da Presidência Executiva da Andav , Paulo Tiburcio comemora os resultados alcançados pela entidade através da união de esforços entre a Equipe Executiva e o Conselho Diretor. Nos últimos anos, a entidade dobrou o número de empresas associadas e hoje éreferência mundial para as entidades de representação na distribuição de insumos agropecuários. A Distribuição de Insumos Agropecuários no Brasil é responsável por 48% de tudo o que chega às mãos do produtor rural, e as empresas associadas Andav registraram um faturamento de R$ 145,3 bilhões em 2022, segundo a 8ª Pesquisa Nacional Andav.

Em seu pronunciamento, Tiburcio deu um panorama sobre a relevância da Andav em defesa do setor e falou sobre o novo momento da entidade como associada ao IPA desde 1º de março deste ano e associada à Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) desde 2023, fortalecendo ainda mais a interlocução entre os elos da agropecuária brasileira. Destacou, ainda, uma novidade: o primeiro Fiagro da Andav. O Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais é um fundo de investimento que capta recursos de investidores para aplicar em ativos do agronegócio, e a Andav lançou a novidade em parceria com a Terramagna, plataforma de financiamento para o agro com ampla atuação na distribuição de insumos no Brasil.

Congresso Andav: de 6 a 8 de agosto de 2024, acontecerá no Transamérica Expo Center, em São Paulo, a 13ª edição do Congresso Andav, o maior evento mundial da distribuição de insumos agropecuários, que reúne, todos os anos, milhares de pessoas na área de exposição e na plenária, com palestras e painéis de suma importância para quem atua no setor. Mais informações já estão disponíveis no site www.eventosandav.com.br.

Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio: evento reunirá autoridades da jurisprudência, do agro e da economia

A solenidade de abertura do Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio, marcado para 19 de março de 2024, em São Paulo, terá a participação de autoridades da jurisprudência, do agronegócio e da economia. Estão confirmados: João Pedro Nascimento, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM); Guilherme Campos Jr., superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária no Estado de São Paulo; Guilherme Piai, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Neri Geller, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária; e Guilherme Mendes Resende, assessor especial da Presidência do Supremo Tribunal Federal.

Arnaldo Jardim, deputado federal, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária FPA e a senadora Tereza Cristina também estão confirmados para a cerimônia, que contará com as participações dos presidentes Silvia Massruhá (Embrapa), Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Associação Brasileira do Agronegócio – ABAG) e Sérgio Bortolozzo (Sociedade Rural Brasileira – SRB). A abertura da solenidade estará a cargo de Renato Buranello, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio – IBDA, organizador do Congresso.

Após a solenidade, o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, economista e sócio da Tendências Consultoria, ministrará a palestra inaugural “Limitações para o Crescimento do País”. Na sequência, os participantes acompanharão as discussões e avaliações trazidas pelos especialistas nas áreas do direito, do agro, de investimentos e economia para quatro temas fundamentais para a segurança jurídica, crescimento econômico e competitividade do setor: Agronegócio e Mercado de Capitais – A Regulamentação do FIAGRO Direito de Propriedade, Função Social e Contratos Agrários; Gestão de Risco, Crédito e Recuperação Judicial; e Transição Verde: Bioeconomia e Instrumentos Jurídicos.

O encerramento do Congresso Brasileiro do Direito do Agronegócio será com o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, professor emérito da FGV e membro do Conselho Curador do CBDA. Durante o evento, o advogado, professor e escritor Arnoldo Wald, sócio e fundador do Wald, Antunes, Vita e Blattner Advogados, receberá uma homenagem por sua contribuição ao estudo da teoria econômica aplicada aos fenômenos jurídicos.

As inscrições para participar do evento, com transmissão virtual gratuita, estão abertas no site oficial: https://congressodireitoagro.com.br/

Sobre o IBDA: O Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA) nasceu da vocação de estudar os Sistemas Agroindustriais e sua regulação sob o prisma de Direito & Economia. Traz um novo modelo de difusão do conhecimento, formando um observatório para a formulação de políticas públicas e melhor interpretação do conjunto de normas que regulam o setor. Mais informações: http://www.direitoagro.com

IV Congresso Brasileiro de Direito do Agronegócio

Data: 19 de março de 2024

Local: Riverview Tower São Paulo (com transmissão online)

Mais informações: https://congressodireitoagro.com.br/