Filha do Combú: chocolate produzido na floresta é exemplo de empreendedorismo sustentável

Reportagem Especial: Jayme Vasconcellos* e Joyce Pires**

Tudo começou com o açaí. Até 2006, Izete dos Santos Costa, a dona Nena, vendia frutos nativos nas feiras de Belém. Aos poucos, percebendo que podia ampliar sua linha de produtos, passou a fabricar chocolate artesanal na cozinha da própria casa, na ilha do Combu, no Pará.

Comprando o cacau de pequenos produtores locais, utilizava o liquidificador doméstico para moer as amêndoas. Com o aumento da demanda, sentiu que precisava ampliar o negócio.

Era 2015 quando o ex-professor universitário e administrador de empresas Mário de Carvalho entrou na história. Ele, que tinha experiência empresarial no ramo de embalagens (olha que feliz coincidência) foi procurado pela dona Nena para fornecer – adivinha só – embalagens para os chocolates dela.

Carvalho percebeu que poderia agregar valor ao chocolate da dona Nena, fornecendo uma verdadeira experiência de consumo para o cliente. “Vimos a possibilidade de usar a produção como gancho para um turismo sustentável capaz de mudar a vida do Combu”, diz ele.

Assim surgiu a Casa do Chocolate Filha do Combu. Com a formalização, veio o acesso ao crédito e a melhoria dos processos produtivos, com a implantação de uma pequena fábrica. A empresa ganhou uma identidade visual e ampliou o portfólio disponível (geleias e licores dividem espaço com o chocolate nas prateleiras da lojinha).

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Visita guiada

A 15 minutos de barco da capital paraense, a ilha do Combu é famosa pelos restaurantes de comida típica e pelos igarapés onde é possível tomar banho de rio. Aproveitando o fluxo de visitantes, a Filha do Combu passou a oferecer uma visita guiada pela propriedade. É possível conhecer o processo de colheita, secagem e processamento artesanal do cacau. Ao final, uma degustação de chocolate e a visita à loja, onde pode-se comprar produtos especiais com altíssimo teor de cacau (até 100%).

Em 2023, o local recebeu 30 mil turistas. Por mês, são produzidos quase 300 quilos de chocolate e a receita mensal com a venda dos produtos chega a 125 mil reais (aproximadamente 1,5 milhão de reais / ano).

“O empreendimento da dona Nena mostra que não é preciso vender o produto apenas em sua forma primária. Essa associação entre turismo e a produção rural é a chave para que a gente possa ter, aqui na Amazônia, o desenvolvimento de forma equilibrada. As pessoas querem autenticidade, querem conhecer a história por trás dos produtos. Sabendo quem fez, como fez, a tendência é que acabem pagando um pouco mais pelo”, afirma Carvalho.

Expansão dos negócios

Uma cafeteria já está funcionando no local. Além de bolos, quitutes da culinária paraense devem estar disponíveis em breve. Outro objetivo é aumentar a linha de chocolates da casa, mesclando ao produto outros frutos típicos da Amazônia. Também devem ser lançados chocolates ao leite e adoçados com stevia. Tudo para aumentar as vendas e o faturamento em 50% até o fim de 2025, quando Belém sediará a COP 30, a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Sumaúma

Recentemente os presidentes Lula e Macron, da França, visitaram o local. Fotos deles viralizaram e, agora, uma das paradas obrigatórias do passeio turístico é a enorme sumaúma que está no local há pelo menos 280 anos. A árvore tem quase 50 metros de altura e seu tronco tem mais de dois metros de diâmetro. Sua copa frondosa produz uma grande área sombreada, o que abranda o calor amazônico e permite o florescimento do cacau.

Números do cacau

Apesar de o cacau ser originário da região amazônica, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking da produção mundial, atrás da Costa do Marfim, de Gana, do Equador, de Camarões e da Nigéria1. Por aqui, são cerca de 600 mil hectares cultivados e 75 mil produtores, sendo 60% da agricultura familiar. Nossa produção média é de 220 mil toneladas de amêndoas/ano2, mas, segundo o IBGE, o país produziu 273 mil toneladas em 20223.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Os estados do Pará e da Bahia são os principais produtores da amêndoa de cacau do Brasil, responsáveis por, aproximadamente, 96% de tudo o que é produzido em território nacional. Uma pequena parcela ainda vem do Espírito Santo, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso, além de Roraima, Amapá, Ceará, Sergipe, Minas Gerais, São Paulo, estados cuja produção está em fase inicial, e Tocantins que apresenta uma recente expansão.

Em 2022, o Brasil exportou 36 mil toneladas de chocolate e 48 mil toneladas de derivados do cacau, gerando US$ 340 milhões de dólares4. A Argentina é o destino principal, seguida por Estados Unidos e Chile. Também nos destacamos no cenário mundial por reunir todos os elos da cadeia produtiva do cacau: produção, moagem e indústria chocolateira, além de sermos um dos maiores consumidores de chocolate do planeta: 3,6 kg/per capita em 2022 (na Estônia, primeira colocada nesse ranking, o consumo médio é de 8,5 kg/per capita)5.

*Jornalista, técnico em agronegócio e editor-chefe do Agricultura e Negócios.

**Jornalista e colaboradora do Agricultura e Negócios.

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1 e 2 Fonte: ICCO – Organização Internacional do Cacau (2020)

3 Fonte: IBGE (2022)

4 Fonte: Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC (Comexstat)

5 Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab)

Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo discute economia verde e inclusão socioeconômica

Justiça climática, economia verde e inclusão socioeconômica estiveram na pauta do Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo que aconteceu em Brasília nesta terça-feira (11/06). O evento reuniu microempreendedores, representantes do setor público e privado, além de especialistas da sociedade civil.

“Realizar esse encontro em Brasília, com reflexões de temas tão urgentes e essenciais com os nossos parceiros do Poder Público, e com a presença de empreendedores e representantes do setor privado e da sociedade civil, é muito importante para a Aliança Empreendedora, que trabalha para conectar esse ecossistema e incentivar a disseminação de informações para que as pessoas se sintam mais seguras para empreender. Sabemos que, em muitos casos, o empreendedorismo é uma das saídas para tirar as famílias da vulnerabilidade, e isso precisa ser visto e trabalhado de forma cuidadosa”, aponta Lina Useche, fundadora da Aliança Empreendedora, entidade organizadora do Fórum.

Um dos pontos de destaque foi uma mesa de debates sobre os impactos da crise climática nos pequenos negócios e as estratégias para promover a inclusão produtiva das comunidades vulneráveis. Especialistas discutiram ferramentas para impulsionar o desenvolvimento sustentável territorial conectado à economia verde, desde políticas públicas e instrumentos de planejamento até tecnologias inovadoras e modelos de negócios sustentáveis.

A economia circular, por exemplo, que adota um modelo de produção e consumo que minimiza o desperdício e maximiza a reutilização de materiais, foi defendida pelos participantes. O fortalecimento da agricultura familiar e a promoção de práticas agroecológicas que preservam o meio ambiente e garantem a segurança alimentar das comunidades locais também foram citadas como exemplos de modelos de negócios sustentáveis.  “O desenvolvimento sustentável é um processo contínuo que exige constante aprendizado, adaptação e inovação. A busca por soluções criativas e a colaboração entre diferentes setores da sociedade são essenciais para construir um futuro mais verde e próspero para todos”, afirma Jayme Vasconcellos, jornalista, editor-chefe do Agricultura e Negócios e participante do Fórum.

Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios

Como será o clima no Brasil em junho?

com informações do Instituto Nacional de Meteorologista e do Ministério da Agricultura e Pecuária

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o mês de junho indica chuvas acima da média na faixa norte da Região Norte, leste da Região Nordeste, além de áreas pontuais do Maranhão, Piauí e Ceará, associadas ao aquecimento do Atlântico Tropical. Já nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, bem como o sul da Região Norte, interior da Região Nordeste e oeste da Região Sul, são previstas chuvas próximas e abaixo da média climatológica. Ressalta-se que, nesta época do ano, há uma tendência de redução das chuvas na parte central do País.

Considerando o prognóstico climático do Inmet para junho de 2024 e seu possível impacto na safra de grãos 2023/24 para as diferentes regiões produtoras, tem-se que a previsão de chuvas acima da média na faixa norte e leste da Região Nordeste continuará beneficiando a semeadura e início do desenvolvimento do milho e feijão terceira safras.

Enquanto isso, em áreas do MATOPIBA (região que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a previsão é de chuvas abaixo da média, o que poderá reduzir os níveis de umidade no solo, principalmente em áreas dos estados do Piauí e Bahia, ocasionando restrição hídrica para o milho segunda safra. Da mesma forma, em áreas do sul das regiões Sudeste e Centro-Oeste, parte do Paraná e oeste dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde também são previstas chuvas abaixo da média, poderá haver redução dos níveis de umidade do solo.

Temperatura

Quanto às temperaturas, a previsão indica que deverão ser acima da média em todo o país, principalmente na porção central, devido à redução das chuvas, com possibilidade de ocorrerem alguns dias de excesso de calor em algumas áreas. Nas regiões Norte e Nordeste, as temperaturas podem ultrapassar 26ºC. Na Região Centro-Oeste e norte da Região Sudeste, as temperaturas devem variar entre 20ºC e 24ºC, enquanto a Região Sul, são previstos valores menores, inferiores a 20ºC.

Já em áreas de maior altitude da região sul e sudeste, são previstas temperaturas próximas ou inferiores a 14ºC. Não se descartam a ocorrência de geadas em algumas localidades, especialmente aquelas de maior altitude, devido à entrada de massas de ar frio que podem provocar declínio de temperatura, o que é muito comum nesta época do ano.

Pesquisa aponta que genética do capim faz diferença na vedação de pasto

Um estudo realizado na Universidade Federal do Tocantins (UFT), indicou vantagens da Brachiaria híbrida Mavuno em condição de diferimento e em solo arenoso na comparação com um capim convencional. Um dos achados da tese, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal Tropical da UFT, foi o baixo índice de tombamento e maior número de folhas vivas na comparação com o Marandu, variedade mais comum na pecuária brasileira.

“Como planejamos um período longo de diferimento, de 120 dias, imaginamos encontrar o pasto 100% seco. E, pelo contrário, encontramos mais folhas verdes na área do Mavuno e também uma maior relação folha/colmo do que no Marandu”, explica a autora da tese, a consultora Caryze Cristine Cardoso Sousa.

A pesquisa “Desempenho agronômico de pastos de Urochloa spp. sob distintas estratégias de manejo em solo de textura arenosa” teve como objetivo analisar como os capins tropicais respondem à diferentes intensidades de desfolhação (pastejo ou corte) e ao diferimento e sob baixo e alto suprimento de adubação com nitrogênio.

A tese, que rendeu o título de doutora para Sousa, estudou as características agronômicas do híbrido Mavuno em resposta à adubação nitrogenada e desfolhação; os efeitos que essas ações causam na planta e em seu sistema radicular e, por fim, compara Mavuno com o capim Marandu quando submetidos a 120 dias de diferimento (de março a junho nos anos de 2020 e 2021) sob doses de 50 e 150 quilos de nitrogênio por hectare.

Com relação ao comportamento do Mavuno à adubação, a pesquisa indicou sua responsividade mesmo em cenários distintos. “Se adubar ele responde bem e se for feito o manejo correto mesmo com menos investimento responde super bem também considerando aumento de massa acumulada”, resume a pesquisadora.

Diferimento

No que se refere à análise do pasto em diferimento, o estudo mostrou que a dose recomendada de nitrogênio é de 50 Kg/ha para ambas as espécies. O Mavuno, entretanto, apresentou índice mais baixo de tombamento e maior número de folhas vivas tanto nos perfilhos da base da planta quanto na parte superior, em comparação ao Marandu.

“A planta cresce em velocidade maior e acumula mais massa quando recebe nitrogênio. Mas o Mavuno manteve relação folha/colmo muito boa, o que para pasto diferido é excelente pois apesar de termos um capim seco o que se busca é ter folha. Já o tombamento seria ruim porque parte da forragem se perde por pisoteio, por exemplo”, explica a especialista.

“Como a própria pesquisa destaca, é uma característica genética do Mavuno ter um stay green maior. Seu sistema radicular robusto confere uma tolerância bem maior à seca e acelera o rebrote. O tombamento menor também é do próprio Mavuno, que produz colmos que aguentam com mais eficiência proporcionalmente à quantidade de folhas”, explica Edson Castro Junior, coordenador técnico da Wolf Sementes, empresa que desenvolveu o híbrido.

Castro Junior destaca que a tolerância de Mavuno ao estresse hídrico é especialmente relevante em solos de textura arenosa, como é o caso de Araguaína, no Tocantins, onde a pesquisa foi realizada. O especialista da Wolf reforça também a maior quantidade de folhas por perfilho. “Nas contagens o Marandu apresentou 2,4 folhas por perfilho em média enquanto Mavuno somou 2,8 folhas. É uma diferença estatística de 16% que colabora com o ganho nutricional”, completa Castro Junior.

Área com Mavuno, em época de seca, já em diferimento (Foto: Caryze Souza / Arquivo Pessoal)

Câmara aprova projeto que pune invasão de terra

com informações da Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou o texto-base do projeto que pune quem promover ou realizar ocupações de terras rurais e prédios públicos no Brasil. Foram 336 votos favoráveis e 120 contrários ao texto. Todos os partidos apoiaram a medida, exceto PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL e Rede.

Ao apresentar o projeto no ano passado, o deputado Marcos Pollon (PL-MS) justificou que ele era necessário. “O Brasil acompanhou aflito a uma onda de ações criminosas, estimulada pelo MST, conhecida como ‘Carnaval Vermelho’, que tinha por objetivo a ocupação ilegal de propriedades privadas. Ações terroristas se estenderam por diversos estados do Brasil”, disse o parlamentar.

Pelo texto, quem participar de ocupação ou invasão de propriedades rurais privadas, públicas ou de prédios públicos, fica proibido de ser beneficiário de reforma agrária, de receber qualquer benefício do governo federal, como o Bolsa Família ou participar do Minha Casa Minha Vida, de participar de concurso público, entre outras restrições.

Para a deputada federal Erika Kokay (PT/DF), o texto é inconstitucional por criminalizar a luta pela reforma agrária. “Ele tem um único objetivo: criminalizar os movimentos sociais. O maior movimento social da América Latina, o MST, eles querem criminalizar. E eu entendo por que eles têm raiva do MST: porque o MST trabalha com a democratização da terra, trabalha para fazer valer o fato de que a terra tem que ter uma responsabilidade social”, justificou.

Já o deputado Tadeu Veneri (PT-PR) questionou se o projeto iria punir grileiros de terra pública que são grandes fazendeiros. “Os grileiros que entraram e entram em reservas indígenas, os grileiros que, no Amazonas, no Pará, em Rondônia, em Roraima e no Paraná, tomaram terras do Estado e hoje se dizem fazendeiros também nós queremos saber se serão penalizados”, perguntou.

O relator da matéria foi o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), o deputado Pedro Lupion (PP/PR), que rebateu as críticas ao projeto. “[O projeto] é justamente para que a ordem seja mantida e que as leis sejam cumpridas. O que motiva invasões de propriedade neste País é a certeza da impunidade, é a certeza de que a legislação é falha, é a certeza de que nada vai acontecer”, disse.

MST

Procurado, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou que ainda irá se manifestar sobre o tema e justificou as ações de ocupação de terra citando o artigo 184 da Constituição Federal, que diz que “compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social”. Segundo o grupo, as ocupações tem como objetivo pressionar o Estado para que ele cumpra com a função social da terra e promova a reforma agrária.

Foto: Rodolfo Stuckert / CNJ

Aposentadoria rural: quem trabalha no campo tem regras próprias

O número de pessoas trabalhando no agronegócio brasileiro somou 28,34 milhões em 2023, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Trata-se de um recorde da série histórica, iniciada em 2012. A participação do setor no total de ocupações do Brasil no ano passado foi de 26,8%. A população ocupada no agronegócio cresceu 1,2% (ou aproximadamente 341 mil pessoas) de 2022 para 2023.

E quem trabalha no campo tem uma data de reconhecimento, 25 de maio é o Dia do Trabalhador Rural. E eles possuem regras específicas para quando vão se aposentar. Ao invés de precisar comprovar tempo de contribuição, o trabalhador precisa comprovar que estava se dedicando à atividade rural. O advogado previdenciarista, Jefferson Maleski, do escritório Celso Cândido de Souza (CCS) Advogados, explica que essa comprovação nem sempre é fácil.

“Nem todos guardam essas provas para poder comprovar o tempo de atividade rural. É preciso fazer uma busca ativa na documentação que a demonstre. Notas fiscais compradas no nome de algum dos membros da família, por exemplo, no nome do esposo podem servir para a esposa também, para os dois serem considerados rurais. Certidão de nascimento que conste a profissão dos pais como lavrador, fichas médicas, comprovantes de matrícula escolar dos filhos, qualquer documento que demonstre ou a profissão de lavrador ou então o endereço que eles moram na zona rural”.

O especialista destaca que os trabalhadores rurais podem ver a relação de documentos que servem como prova de aposentadoria na legislação que trata do tema. “É interessante mencionar que a própria lei já traz uma lista de exemplos de documentos para provar a atividade rural. Essa lista está no artigo 106 da Lei 8.213, de 1991. Inclusive, no último item da lista prevê que outros documentos podem servir de provas, como, por exemplo, fotografias da atividade rural. Alguém que tirou uma foto na plantação, no meio do gado, entre outros”.

Outras relações de trabalho no campo

Desde 1995, a Lei 9.063 incluiu o contrato de arrendamento, parceria, meação ou comodato rural como início de prova material da atividade rural. Nestes tipos de contrato, ao invés do trabalhador ter a carteira assinada, ele trabalha para o proprietário da terra e recebe, como contrapartida, uma parte da produção ou a permissão para morar e fazer produção de subsistência em parte da propriedade. Jefferson Maleski ressalta que é neste grupo onde encontra-se a maior dificuldade de comprovação da atividade e o motivo é a falta de documentação.

“Culturalmente e até pela distância da cidade, o trabalhador do campo acaba negligenciado detalhes que são importantes na hora da aposentadoria, como o reconhecimento de firma no contrato”, explica o advogado previdenciarista. Ele explica que os contratos de arrendamento ou de comodato, para valer como prova documental, precisam ter firma reconhecida da época que ele foi assinado e, geralmente, os trabalhadores rurais, quando fazem esse contrato só colocam a data normal e não vão reconhecer firma no cartório. “E isso acaba invalidando o contrato como uma prova daquela época que ele assinou. Para evitar fraudes esse documento passa a ser válido como prova se o reconhecimento de firma constar na mesma data do contrato”, alerta.

Foto: Freepik

Chuvas no RS: silos em alagamentos podem produzir gases inflamáveis

O alagamento de silos usados para armazenagem pode fazer com que os grãos dentro das unidades produzam gases inflamáveis, provocando explosões. O alerta foi feito pela Kepler Weber, empresa especializada em soluções de pós-colheita, e que tem fábrica em Panambi, no Rio Grande do Sul. 

Segundo a empresa, como o grão é um ser vivo, o contato com a água eleva a umidade e faz com que o produto, em decomposição, produza os gases.  “As unidades de armazenagem são compostas por estruturas metálicas e também por componentes elétricos, que podem produzir faíscas e ativar uma explosão”, afirma Marcelo Jungbeck, especialista em cálculo estrutural da companhia.

Além de explosões, os gases representam risco direto à saúde. “Estes gases podem não ter cheiro, em algumas situações, mas provocam desmaios quando inalados, com grande risco de acidente fatal, especialmente em ambientes confinados”, explica Klaus Schemmer, gerente comercial da Kepler Weber. 

Vistoria gratuita

O Rio Grande do Sul concentra a maior quantidade de unidades de armazenagem do Brasil. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são 4,8 mil armazéns. Ainda não há dados de quantas unidades foram afetadas, mas a situação de calamidade do Estado levou a Kepler Weber a oferecer, por 60 dias, um serviço gratuito de vistoria nos silos da marca. “É uma assistência que só podemos oferecer aos nossos clientes, porque depende do memorial de cálculo do projeto que apenas o fabricante tem”, explica Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, que destaca a importância de uma avaliação de engenheiro de todas as unidades afetadas pela água.

Outras recomendações

– Isole o local onde está instalada a unidade de armazenagem. O alagamento pode provocar aumento de volume dos grãos, pressionando a estrutura da unidade e podendo causar um colapso.

– Antes de qualquer intervenção na unidade, solicite a vistoria de um engenheiro responsável.

– Não remova chapas laterais do silo. Isso pode comprometer a estrutura da unidade e provocar um desabamento.

– A extração do grão deve ser feita pela parte superior do silo, sempre após análise de um especialista.

Foto: Reprodução / Revista Incêndio

AgroBrasília 2024: inovação e tecnologia para o cerrado brasileiro

Criada como um centro de difusão de conhecimentos a serem demonstrados aos seus cooperados, a AgroBrasília abriu as portas celebrando seus 15 anos de realização presencial, para mostrar o melhor da tecnologia agropecuária focada para esta região do cerrado brasileiro. Segundo o presidente da feira e da Coopa-DF, José Guilherme Brenner, a feira é um ambiente onde sempre há novidades apresentadas pelos participantes e é uma boa oportunidade de aprender técnicas para serem aplicadas nas propriedades rurais. Conforme ele, a expectativa é positiva. “Temos um número recorde em relação à edição passada, com 592 expositores, e esperamos um grande público. Para os negócios, temos uma expectativa de reproduzir pelo menos o valor em propostas de 2023, que foi de R$ 4,8 bilhões. Vamos disponibilizar alternativas de crédito para o produtor rural por meio das instituições financeiras presentes”, destacou o presidente.

Destaques

Uma novidade no evento é o Pavilhão de Inovação, um espaço dinâmico e imersivo de 400m² desenvolvido em parceria com a SoluBio e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF). Nele serão apresentadas inovações aplicáveis ao agronegócio, como soluções em agricultura de precisão, conectividade, sensoriamento, monitoramento inteligente, nanotecnologias, bioinsumos, biotecnologias e inteligências artificiais que estão revolucionando o setor. “Essa é a primeira vez do Pavilhão de Inovação e Tecnologia na AgroBrasília. Teremos 29 empresas, sendo 20 delas startups”, detalhou Rose Monnerat, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da SoluBio, co-gestora do Pavilhão.

“A área da Emater-DF dentro da feira tem quase 3 hectares que serão compostos por 8 circuitos tecnológicos onde vamos apresentar novidades e tecnologias que o pequeno produtor rural pode implementar em sua propriedade. Então será um grande dia de campo, com tecnologias sociais, irrigação automatizada no circuito de olericultura, além dos circuitos temáticos da fruticultura, floricultura, avicultura, aquicultura, bovinocultura e agroindústria, onde todos eles vão apresentar uma tecnologia destacada”, informou Cleison Duval, presidente da Emater-DF.

Outra novidade é o espaço desenvolvido pelo Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), referência na implementação e divulgação das práticas sustentáveis da agricultura e produção agroalimentar. “Aqui vamos mostrar ao produtor rural o que é o GAAS e em que estão baseadas as nossas práticas de forma detalhada. Vamos focar em qualidade do solo com o uso mínimo de insumos que são ofensivos à vida”, disse Eduardo Martins, presidente do GAAS.

Já a Embrapa terá uma programação repleta de “gramíneas, leguminosas forrageiras, mandioca de indústria, fruticultura, hortaliças, Integração Lavoura-Pecuária e Floresta (ILPF), novas variedades de milho, sorgo, feijão e até um pré-lançamento de girassol adaptado para a região do cerrado”, comentou Fábio Faleiro, chefe adjunto de transferência de tecnologia e pesquisador da Embrapa. A Agropecuária Hartos, por sua vez, pretende apresentar sua história, experiência e produtos ligados à genética de animais para bovinos, suínos, ovinos e equinos. Os visitantes terão a oportunidade de ver de perto produtos relacionados às raças Brangus (bovinos), Duroc, Large White e Landrace (suínos), Dorper e White Dorper (ovinos) e equinos das raças Crioulo e Quarto de Milha”, detalhou o sócio-diretor Alexandre Cenci.

Serviço: AgroBrasília 2024 – 15 anos

Data: 21 – 25/05

Horário: 8h30 – 18h

Local: Parque Tecnológico Ivaldo Cenci – AgroBrasília – BR 251 km 5 – PAD-DF

Foto: Trilux / Divulgação

Chuvas no RS: catástrofe é um evento climático extremo

com informações da Agência Brasil

Desde o final de abril, o Brasil assiste às imagens das águas que dominam cidades e levam vidas no Rio Grande do Sul. Expressões como catástrofe socioambiental, emergência climática, adaptabilidade e resiliência dominam os noticiários e passam a integrar o vocabulário de autoridades e da população brasileira, na busca por explicações e soluções aos eventos climáticos extremos.

Referência mundial para estudos ambientais e mudanças climáticas, o meteorologista brasileiro Carlos Nobre explica, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o que são os eventos climáticos extremos e porque a situação no Rio Grande do Sul foi classificada dessa forma.

Agência Brasil: O que é um evento climático extremo?

Carlos Nobre: É quando você tem um evento meteorológico que sempre aconteceu, por exemplo, chuvas mais intensas, prolongadas, de grandes volumes. Outro evento extremo pode ser uma seca muito intensa, pouquíssimas chuvas, seca longa, ou ondas de calor, com temperaturas passando muito da média. Isso sempre aconteceu na natureza, são fenômenos naturais. Agora esses fenômenos estão se tornando muito mais frequentes. O que acontecia uma vez a cada década, hoje ocorre a cada dois anos ou até a cada ano, e batendo recordes.

Então, além de se tornarem mais frequentes, são fenômenos mais intensos, como é o caso das chuvas no Rio Grande do Sul, que bateram todos os recordes. Nunca, mais de 60% do território gaúcho mostrou um volume de chuva maior que 800 milímetros. Os dados mostram que, em menos de 15 dias, choveu o mesmo que em cinco meses em todo o estado e a previsão é de uma nova frente fria chegando com mais chuvas. Não é o mesmo volume que vimos na semana passada, mas os níveis dos rios continuarão altos e a população das áreas baixas vão continuar enfrentando alagamentos.

Isso está acontecendo em todo o mundo. Então, não é algo raro que vai acontecer a cada cem anos, não é um fenômeno extremo raríssimo. As mudanças climáticas – devido ao aquecimento global causado por gases do efeito estufa que lançamos na atmosfera – são a razão para que eventos extremos estejam se tornando mais frequentes e batendo recordes.

Agência Brasil: O que mudou na relação do homem com o planeta que fez com que chegássemos a esse ponto?

Carlos Nobre: Foi exatamente o que chamamos de aquecimento global de origem humana. Quando olhamos a história de bilhões de anos do planeta Terra, já tivemos – mais de 200 milhões de anos atrás –, um evento de vulcões e terremotos que lançou tanto gás carbônico na atmosfera, que a temperatura ficou muito mais alta e foi uma das causas da extinção de muitas espécies.

Nós já tivemos isso como fenômeno natural, mas desta vez não é nada natural. Praticamente, quase 100% do aumento desses gases do efeito estufa – que impedem a terra de perder calor com mais rapidez e eficiência –, é resultado da queima de combustíveis fósseis – o petróleo, o carvão, o gás natural – e de emissões devido ao desmatamento, que responde por cerca de 12% das emissões; somado à agricultura, que chega a cerca de 25% das emissões. A produção industrial também emite.

Já aumentamos em 50% a concentração de gás carbônico – dióxido de carbono; aumentamos em quase 150 vezes a quantidade de metano, que é um gás muito poderoso para aquecer o planeta. E o planeta mais quente tem mais evaporação de água nos oceanos e você cria os eventos meteorológicos extremos, eventos oceânicos mais extremos, como os três El Niños mais fortes do registro histórico (1992/93, 2015/16 e 2023/24). Todos os oceanos estão mais quentes. Então, essa é a causa de estarmos quebrando esses recordes em todo o planeta e no Brasil também.

Agência Brasil: É possível reverter o aquecimento global?

Carlos Nobre: Reverter o aquecimento global se torna praticamente impossível, porque o próprio metano tem um tempo pequeno de residência na atmosfera, de 9 a 11 anos. Reduzir as emissões de metano seria muito importante, porque o metano é muito poderoso. O metano que tem na atmosfera responde por cerca de 0,5ºC do aquecimento. Então, é muito importante reduzir o metano, porque podemos fazer a temperatura não subir mais e talvez até reduzir, mas é um enorme desafio.

Uma grande parte da emissão de metano vem da agricultura e, principalmente, da pecuária. O boi tem a fermentação entérica, que é a fermentação da grama que ele come, que produz metano. Uma série de outras atividades também produz metano. Ele compõe grande parte do gás natural e na produção, muitas vezes, ele vaza para a atmosfera. Já o gás carbônico fica, em média, 150 anos na atmosfera. Cerca de 15% do gás carbônico que entra na atmosfera hoje vai continuar mil anos lá. E o óxido nitroso, que é outro gás superpoderoso do efeito estufa, também ficará mais de 250 anos. Tem tanto gás na atmosfera, que mesmo zerando as emissões, o aquecimento continua. Se tivermos pleno sucesso de zerar as emissões até 2050, as temperaturas poderão começar a equilibrar no próximo século, não neste.

Agência Brasil: E o que será necessário para as pessoas sobreviverem ao longo de todo esse tempo?

Carlos Nobre: Não há a menor dúvida de que esses eventos, que já estão acontecendo, não têm volta. As emissões continuam aumentando, e existe até grande probabilidade que o aumento da temperatura ultrapasse 2ºC e não fique em 1,5ºC. A busca por soluções de adaptação não é mais um plano futuro, é um plano passado, que já devia estar ocorrendo no mundo inteiro, com muito mais rapidez e eficiência. Não estamos vendo uma busca por adaptações para eventos que já estão acontecendo. O exemplo é esse, no Rio Grande do Sul. Os países desenvolvidos estão gastando mais recursos em adaptação, muito em infraestrutura, preparando os portos para o aumento do nível do mar, mas nem assim estão buscando o que é necessário.

Nos países em desenvolvimento não vemos quase nenhuma adaptação. A gente está vendo toda a infraestrutura do Rio Grande do Sul afetada, as pontes derrubadas pela enxurrada dos rios, as casas todas inundadas. No Brasil, temos pouquíssima adaptação. Vemos mais os eventos de chuva, mas também não estamos adaptados para os eventos de seca. Batemos recorde com secas mais fortes do Amazonas e do Cerrado, em 2023 e 2024. A agricultura brasileira não está adaptada para eventos extremos. Veja aí a perda de produção de arroz que o Rio Grande do Sul teve com a chuva, e as secas são o principal fator de perda de safra. Então, não tem desculpa, precisamos não só reduzir as emissões, mas acelerar muito a adaptação.

Agência Brasil: O que é necessário ser feito?

Carlos Nobre: Temos que tornar as populações muito mais resilientes. No caso do Brasil, o Cemaden [Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais] já vem fazendo estudos, e milhões de brasileiros não podem mais continuar morando em áreas de risco, na beira do rio, em encostas muito íngremes. E também precisamos aperfeiçoar muito os sistemas de alerta.

Com as previsões meteorológicas é possível anunciar um evento de extremo climático com dias de antecedência, como o Cemaden alertou o Rio Grande do Sul e a Defesa Civil. Mas nós precisamos fazer com que esses sistemas de alerta estejam em todos os lugares de risco. O Cemaden está concluindo um estudo que aponta mais de 1,9 mil municípios com áreas de risco de deslizamentos, inundações e enxurradas. São áreas onde devem ser instalados sistemas de sirenes como já temos na região serrana do Rio de Janeiro, por exemplo. Lá, a população já está mais capacitada, há locais para onde deve se deslocar, quando as sirenes tocam. Então, isso precisa ser feito em milhares de cidades brasileiras. Somos muito mal preparados para informar a população sobre eventos extremos.

No Brasil, quase duas mil cidades são avaliadas com riscos, então, a nossa classe política tem que fazer como têm feito nesses dias, quando o Congresso aprovou à jato a transferência de recursos para o Rio Grande do Sul. Os políticos estaduais têm que aprovar também à jato a criação de sistemas de alerta em quase dois mil municípios com enormes áreas de risco. Isso demanda centenas de bilhões de reais que precisam ser investidos para melhorar a ação da Defesa Civil e nós temos que fazer isso para ontem. Em médio prazo, uma década, buscar soluções para remover mais de 3 milhões de brasileiros que moram nessas áreas de altíssimo risco.

Produtores de café investem no preparo do solo para tirar proveito do bom cenário mundial para o produto

Com uma perspectiva de aumento de 5,5% na safra do café em 2024, com relação ao ano anterior, de acordo com a Central Nacional de Abastecimento – Conab, as informações sobre um cenário mundial atribulado não poderiam vir em melhor hora para o produtor brasileiro. O Brasil é atualmente o maior produtor da espécie arábica e o segundo produtor mundial da espécie robusta, ficando atrás apenas do Vietnã.

Com uma colheita menor do café no Vietnã e os conflitos no Mar Vermelho, que interferem no transporte marítimo, os compradores internacionais já estão recorrendo ao café nacional. Prova disso é que, pela primeira vez na história, o preço do café conilon do Espírito Santo superou a marca de R$ 1 mil a saca de 60 kg, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Cepea.

Para aproveitar o cenário e conseguir o aumento na produtividade, o produtor deve investir no uso de ferticorretivos, que atuam em duas vertentes: na correção do solo, com a neutralização do Alumínio (Al) e na nutrição, com Cálcio (Ca) e Magnésio (Mg) de pronta assimilação. O engenheiro agrônomo da Agrolitá, Maurício Casagrande explica que “o Mg combinado ao Nitrogênio (N) aumenta a produção de clorofila, garantindo que a folha fique verde por mais tempo e todos os nutrientes sejam distribuídos pela planta e, consequentemente, cheguem ao fruto”. 

Um dos produtores que está satisfeito diante do cenário mundial é Marcel Reis Naves, de Carmo da Cachoeira, no sul de Minas Gerais, animado com a boa colheita e os preços em disparada. Após constatar, em outubro do ano passado, que o solo apresentava deficiência nutricional, Marcel fez uso Naturalle, ferticorretivo da Agrolitá e conseguiu uma boa produção. “Quando a gente iniciou a análise do solo, o nível do Magnésio (Mg) estava em 3%, quando o normal é 13%. Ficamos muito preocupados, porque o Mg é o que faz rodar a produtividade. Fizemos a aplicação e apenas um mês depois, o solo já apresentava um nível de Mg satisfatório para garantir uma produção saudável”, explica Marcel.

Com o fim da colheita do café, que deve acontecer até meados de agosto, novamente será necessário fazer a correção e a nutrição do solo. Maurício Casagrande, da Agrolitá, explica que os ferticorretivos proporcionam o aumento da florada, melhora na coloração da folha e maturação uniforme dos grãos do café. “Os ferticorretivos apresentam uma vantagem extra, pois além da nutrição, também atuam como corretivo de solo, promovendo o equilíbrio do pH”. 

Sobre a Agrolitá: A Agrolitá é uma marca da Caltec, responsável pelo desenvolvimento e comercialização de uma a linha de fertilizantes [CR5] voltados ao hortifruti. Criada para atender ao setor de HF, um público exigente que precisa de resposta rápida em suas culturas, oferece produtos de fácil aplicação, alto escoamento e resultados imediatos. Com mais de 75 anos de história, a Caltec é líder no fornecimento de magnésio reativo para indústrias e agronegócios. Mais informações em http://agrolita.com.br/

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