As equipes vencedoras dos prêmios AgroInova, SaúdeInova e Gov.Inova foram premiadas durante o encerramento do Painel Telebrasil 2024. O prêmio é uma parceria da Telebrasil com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e a Confederação Nacional da Tecnologia da Informação e Comunicação.
A proposta é valorizar projetos de extensão ou pesquisa elaborados por professores e alunos da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que contribuam com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas em três áreas de atuação: agronegócio, saúde e gestão pública.
No AgroInova, o primeiro colocado foi o projeto LARAS, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Mato Grosso, que foi criado por alunos e utiliza inteligência artificial para melhorar a eficiência do planejamento de rotas de drones no combate às formigas cortadeiras. Eles também ganharam o prêmio destaque na votação entre os participantes do Painel Telebrasil.
O primeiro colocado no prêmio SaúdeInova foi o IOT Hospitalar. Nele, a equipe do Instituto Federal de Pernambuco propõe uma plataforma de monitoramento baseada em IoT e computação em nuvem para aprimorar segurança e bem-estar de ambientes hospitalares. Eles também venceram o prêmio destaque do SaúdeInova.
E no Gov.Inova o projeto que venceu a premiação foi o SIGESTur. O projeto do Instituto Federal de São Paulo é um sistema de gestão de destinos turísticos que pode ser aplicado por órgãos governamentais, prefeituras e governos estaduais. Na categoria Gov.Inova, o prêmio destaque, eleito pelo público do Painel, foi para o Microverdes: Riqueza Mineral. Desenvolvido no Instituto Federal de Santa Catarina, o projeto aborda técnicas laboratoriais que ajudam no planejamento de práticas agrícolas urbanas sustentáveis com o projeto de análise da composição mineral dos microverdes.
O evento Agroenergia: Transição Energética Sustentável – Edição Etanol, realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com o apoio do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas, reuniu especialistas para debater o potencial da agroenergia no país e a produção de etanol a partir de fontes consolidadas e emergentes.
Ao discursar na abertura, o vice-presidente da CNA, José Mário Schreiner, afirmou que o agro é o “grande ator e colaborador da transição energética no país”. “Somos protagonistas na temática, com uma significativa participação de mais de 49% de fontes renováveis de energia, como hidráulica, solar, eólica e biomassa. No entanto, é nosso desafio transformar essa matriz em um modelo ainda mais eficiente, capaz de atender às necessidades atuais e futuras”, afirmou.
Segundo Schreiner, o agro, que tradicionalmente é visto como a base da segurança alimentar mundial, se destaca também como uma peça-chave na construção de um cenário energético mais sustentável. “Através de pesquisa e desenvolvimento, estamos transformando nossos campos em verdadeiras usinas de energia, sem competir de maneira alguma com a oferta de alimentos”, disse o dirigente.
A palestra magna “Potencial da Agroenergia: Transformando a realidade energética do Brasil” foi feita pelo professor e pesquisador do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Luciano Rodrigues. Durante sua apresentação, Rodrigues mostrou um panorama da evolução da produção, oferta e diversificação das fontes de energias renováveis no Brasil. “A produção cresceu e temos agora um novo momento de expansão com a produção de etanol de milho, que inclusive está indo para áreas onde a cana-de-açúcar não tem aptidão. Isso faz com a gente diversifique a matéria-prima no campo”, explicou.
Segundo ele, essa diversificação tem trazido robustez para a oferta de combustíveis renováveis. “Isso vai fazer com que o diferencial de preço do etanol entre os estados seja única e exclusivamente pelo diferencial de custo e transporte”, destacou o especialista.
Cana e milho – O primeiro painel tratou dos avanços tecnológicos e as perspectivas para o futuro energético com foco no etanol de cana e milho. O debate reuniu o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Caio Carvalho; a gerente de Inteligência de Mercado da BP Bionergy, Luciana Torrezan; e o diretor de Sustentabilidade da Inpasa, Christopher Davies Junior.
Luciana apresentou a BP Bionergy, empresa que reúne 11 usinas em cinco estados brasileiros e falou sobre a produção de etanol tanto de cana-de-açúcar quanto de milho nos últimos dez anos. “Precisamos de um crescimento de produção de etanol total com mais eficiência e com maior sustentabilidade. Utilizamos a agricultura regenerativa e tecnologias no campo. Estamos substituindo os produtos químicos pelos biológicos e temos ganho de produtividade, redução de custos, mesmo com adversidades climáticas e longevidade do canavial. Além disso, temos o campo monitorado para prevenção de incêndios”.
Sobre a expansão do setor, o representante da Inpasa destacou o aumento da produção com base na produção de grãos de 2ª safra. “O Brasil tem um grande potencial de expansão de produção de grãos de segunda safra e também na utilização de pastagens degradadas. Temos o potencial de termos 155 milhões de toneladas adicionais, mais que o dobro do que temos hoje”, afirmou Davies Junior.
Já Caio Carvalho falou sobre os biocombustíveis do ponto de vista do produtor rural brasileiro. “O ritmo Brasil do agro é de um país protagonista e líder na bioeconomia. Os biocombustíveis fazem parte de uma pauta de convergência. O milho e a cana-de-açúcar são emblemáticos e têm um grande potencial”, disse.
Trigo, agave e sorgo – Já o segundo painel tratou das novas fronteiras e fontes emergentes de etanol e seus potenciais, como trigo, sorgo e agave. O diretor de Transição Energética da B&8, Camilo Adas, apresentou a empresa e explicou o projeto de transformar a matriz energética com a produção de etanol a partir de cereais como o trigo. Segundo ele, a ideia é fazer a coleta de matérias-primas localmente, com foco em práticas que minimizem a emissão de CO2.
O pesquisador e professor da Unicamp, Gonçalo Pereira, afirmou que, em um cenário global marcado por desafios climáticos e desigualdade, acontece uma verdadeira revolução no setor energético brasileiro com foco na utilização do agave. “A transformação da matriz energética é uma questão de urgência e oportunidade, principalmente para o sertão brasileiro”, disse. A proposta apresentada por Pereira gira em torno do potencial do agave, uma planta do semiárido com amplo potencial para a produção de biocombustíveis.
Já o presidente da cooperativa alagoana Pindorama, Klécios Santos, apresentou os dados do sorgo no Brasil e mostrou o trabalho de transição que está ocorrendo com a instalação de uma usina de etanol produzido a partir do sorgo. Ele destacou o grande potencial da região e disse que está ocorrendo um verdadeiro estímulo em todo o estado de Alagoas para o aumento da produção de sorgo. “Nos encaixamos no momento certo com a geração de energia renovável e fazer uma verdadeira transformação na região”, afirmou.
Evento na CNA debate potencial da agroenergia no país (Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios)
A vitória de Trump nas eleições americanas pode ter um impacto significativo no agronegócio brasileiro. Durante seu primeiro mandato, a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China beneficiou o Brasil, que aumentou suas exportações para os chineses, especialmente de soja. Com a guerra comercial entre os EUA e a China, o Brasil pode continuar a se beneficiar da demanda chinesa por produtos agrícolas.
Entre as principais áreas que podem ser impactadas com a vitória do republicano, podemos citar:
– Comércio internacional: a política comercial de Trump pode influenciar as exportações brasileiras para os EUA e outros países
– Preços globais: a política agrícola dos EUA pode afetar os preços globais de commodities agrícolas, como soja e milho
– Investimentos: a estabilidade política nos EUA pode atrair investimentos em agricultura no Brasil
Além disso, é importante notar que a política de Trump pode ser mais protecionista, o que pode afetar negativamente as exportações brasileiras para os EUA. No entanto, especialistas acreditam que o Brasil pode continuar a se beneficiar da demanda chinesa por produtos agrícolas.
Discurso da vitória
No discurso da vitória, Trump agradeceu a todo o público pelo apoio e pelos votos, e ressaltou que “esse foi o maior movimento político, nunca antes visto na história deste país”.
Trump prometeu, ainda, lutar por toda a América. “Para todos os cidadãos, lutarei por você, por sua família, com cada fibra do meu corpo, até que tenhamos a América que queremos, teremos a era de ouro dos EUA, que nos permitirá tornar a América grande novamente”, disse ele.
O resultado da eleição americana pode ter um impacto significativo na agricultura brasileira. Um dos principais fatores é o comércio internacional. O presidente dos Estados Unidos tem grande influência nas políticas comerciais, incluindo acordos e tarifas alfandegárias. Mudanças nessas políticas podem afetar as exportações brasileiras de produtos agrícolas, como soja e milho, para os EUA.
Além disso, a política agrícola norte-americana pode influenciar os preços globais de commodities agrícolas. Se o governo americano implementar políticas protecionistas, pode reduzir a demanda por produtos do Brasil, afetando a renda dos agricultores brasileiros.
Principais áreas de impacto:
– Comércio internacional: mudanças nas políticas comerciais dos EUA podem afetar as exportações brasileiras de produtos agrícolas
– Preços globais: políticas agrícolas dos EUA podem influenciar os preços globais de commodities agrícolas
– Investimentos: a estabilidade política nos EUA pode atrair investimentos no setor agrícola no Brasil
É importante notar que o impacto exato da eleição americana na agricultura brasileira dependerá das políticas específicas implementadas pelo novo governo. Portanto, é fundamental monitorar as decisões políticas nos Estados Unidos e suas implicações para o setor agrícola brasileiro.
O livro explora diversos conceitos da liderança, como a importância da comunicação eficaz, a capacidade de motivar equipes, a tomada de decisões assertivas e a inteligência emocional. “Em um cenário global marcado por mudanças dinâmicas, a liderança se torna cada vez mais essencial para alcançarmos resultados expressivos”, afirma Vasconcellos.
De acordo com Pedro Almeida, psicólogo organizacional e coach executivo, “a inteligência emocional é a base de uma liderança eficaz. Um líder precisa ser capaz de compreender as emoções próprias e dos outros, construir relacionamentos sólidos e criar um ambiente de trabalho positivo e colaborativo. A empatia e a autoconsciência são habilidades essenciais para qualquer líder”.
A publicação destaca, também, que a liderança não se limita ao ambiente corporativo, mas permeia todos os aspectos da vida, desde as relações pessoais até a esfera política. “Ser um líder eficaz não se resume a ocupar um cargo de autoridade. Envolve desenvolver habilidades essenciais, cultivar valores positivos e adotar comportamentos que inspirem confiança e admiração”, explica Vasconcellos.
Segundo a professora Ana Carolina Silva, especialista em comportamento organizacional, “a liderança do século XXI exige mais do que apenas conhecimento técnico. É preciso ser capaz de se adaptar rapidamente às mudanças, fomentar a inovação e inspirar as equipes a pensarem fora da caixa. A verdadeira liderança é sobre criar um futuro melhor, não apenas gerenciar o presente”.
O livro apresenta ainda uma reflexão sobre os desafios da liderança no século XXI, como a necessidade de se adaptar a um mundo cada vez mais digital e a importância da diversidade e da inclusão. “Líderes engajados em causas relevantes mobilizam comunidades, promovem o diálogo e defendem os direitos das minorias, contribuindo para a construção de uma sociedade mais coesa e equitativa”, ressalta o autor.
Para Maria Eduarda Santos, consultora em desenvolvimento organizacional e palestrante, “as pessoas não trabalham apenas por dinheiro, mas por um propósito maior. O papel do líder é conectar os colaboradores a um propósito que transcenda o individual, criando um sentido de pertencimento e engajamento. Quando as pessoas se sentem parte de algo maior, elas entregam resultados extraordinários”.
Onde encontrar o e-book: a publicação está disponível em formato digital. Clique aqui.
Sobre o autor: Jayme Vasconcellos é jornalista, radialista e fotógrafo. Com passagens pelo SBT, RecordTV e TV Justiça, atualmente trabalha na TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação. Ocupou os cargos de coordenador de produção, de reportagem e de edição, além da gerência da TV NBR/EBC e, entre 2019 e 2021, exerceu o cargo de ouvidor adjunto da empresa. É editor-chefe do site Agricultura e Negócios e CEO da Vasconcellos & Associados, empresa de marketing e comunicação. Também é técnico em agronegócio, professor de Inglês e instrutor de Atendimento Pré-Hospitalar.
Graduado em Comunicação Social e cursando atualmente uma pós-graduação em Liderança e Desenvolvimento de Equipes, tem no currículo especializações em Educação a Distância e em Artes Visuais, e um MBA em Comunicação e Marketing.
É integrante do Movimento Escoteiro desde 1996, tendo conquistado o título de “Escoteiro da Pátria”. Recebeu, ainda, a Medalha Exército Brasileiro, pela produção da série televisiva “Soldados de Caxias”, exibida em 2022 na TV Brasil.
Você já se perguntou como o Brasil pode superar desafios como a infraestrutura deficiente e desastres naturais, ao mesmo tempo em que promove um desenvolvimento econômico, social e ambiental equilibrado?
Uma pesquisa recente realizada pela Globo Rural, com 200 executivos entrevistados, mostrou que 41,5% apontaram a logística e a cadeia de distribuição como as principais preocupações da indústria de agronegócio. Esse dado revela a urgência de modernizar nossa infraestrutura e repensar nossos métodos para evitar grandes perdas de alimentos e melhorar a eficiência.
Segundo o relatório Índice de Desperdício de Alimentos 2024, da ONU, a cadeia de produção de alimentos mundial desperdiçou 1 bilhão de refeições por dia em 2022. No Brasil, a ineficiência dos transportes contribui significativamente para esse problema. Rodovias ruins, inexistência de ferrovias e portos congestionados dificultam o escoamento da produção agrícola e pecuária, resultando em desperdício e prejuízos.
Como podemos superar essas barreiras? A solução passa por investimentos maciços na modernização e expansão das redes de transporte existentes, com ênfase nos modais ferroviário e fluvial. Além disso, é fundamental aumentar a capacidade de armazenamento, especialmente para pequenos e médios agricultores. Sem manutenção adequada, muitas instalações enfrentam problemas como vazamentos e controle inadequado de temperatura, aumentando o desperdício.
A modernização das operações agrícolas é crucial. A adoção de tecnologias avançadas, como agricultura de precisão, uso de drones, inteligência artificial e sistemas de irrigação com eficiência energética de fontes limpas, pode aumentar a produtividade e reduzir o desperdício ao longo da cadeia produtiva. No entanto, isso não basta. Devemos também encontrar um equilíbrio entre os custos de produção e a lucratividade, adotando novas tecnologias e conhecimento técnico para aumentar a eficiência.
No aspecto social, o trabalho é mais de longo prazo. Além do fortalecimento das comunidades rurais, investimentos em educação e capacitação técnica, é necessário desenvolver linhas de crédito capazes de financiar máquinas, equipamentos e produção, que sejam capazes de gerir o ciclo inteiro. Isso garante a alocação do recurso no momento certo, protegendo tanto o pequeno produtor quanto o credor.
No campo ambiental, a adoção de práticas agrícolas sustentáveis é essencial. Essas práticas são vitais para o nosso futuro, e as soluções para alcançar a neutralidade de carbono são inúmeras. No entanto, para avançarmos de forma significativa, é crucial regularizar o mercado de crédito de carbono. A criação de um mercado regulado e auditado é fundamental para evitar fraudes, que infelizmente são comuns. Acredito que uma bolsa, como a de mercadorias e futuros, seja capaz de auditar e comercializar esses ativos com transparência, garantindo a integridade e eficácia do mercado de crédito de carbono.
Agora, gostaria de trazer um exemplo prático, que ilustra a importância de estarmos preparados para enfrentar desastres naturais e como isso se relaciona com o desenvolvimento sustentável. Recentemente, o estado do Rio Grande do Sul sofreu uma tragédia devastadora. Esse evento não apenas impactou milhares de vidas, mas também destacou a fragilidade de nossa infraestrutura e a necessidade de um plano de resposta rápida e coordenada.
Como podemos salvar vidas, reconstruir histórias e garantir a subsistência dos produtores locais em situações como essa? Investimentos em infraestrutura local de reconstrução, que priorizem as pessoas afetadas e garantam o escoamento eficiente da produção, são essenciais. Precisamos de uma abordagem que combine resiliência e sustentabilidade para que possamos enfrentar esses desafios de forma eficaz.
Por fim, é primordial unir esforços com governos e partes interessadas para financiar uma produção agrícola limpa e sustentável. Devemos trabalhar juntos para transformar o Brasil em um exemplo de desenvolvimento integrado, equilibrando as necessidades econômicas, sociais e ambientais, e garantindo um futuro próspero e resiliente para todos.
Sobre o Dia Mundial da Alimentação: Criado em 1981, em homenagem à fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Dia Mundial da Alimentação promove o debate sobre a segurança alimentar. A estimativa da ONU é que cerca de 780 milhões de pessoas passam fome em todo o mundo. Esse debate inclui a garantia de que todas as pessoas tenham acesso a alimentos nutritivos e de qualidade, em quantidades suficientes, abordando questões desnutrição e sistemas de produção alimentar mais resilientes, dado o cenário da mudança climática.
*CEO do Grupo Fictor, holding de participação e investimentos especializada na gestão de empresas no mercado de private equity e que atua nos setores de alimentos, serviços financeiros, desenvolvimento imobiliário e energia.
O cultivo do algodão é parte da identidade da América Latina. Indígenas do povo Pijao, na Colômbia, têm a fibra no DNA. A agricultora Elisa Pietro, por exemplo, conta que o algodão abre caminho para que mulheres consigam sustentar suas famílias. “A produção nos permite ter liderança e ganhar dinheiro”, ensina Elisa.
Em grandes cidades, colombianas que trabalham em confecções também colhem os frutos do cultivo. “Graças ao algodão, podemos levar nossos filhos e nossas famílias em frente”, diz a operária Zoraida Cárdenas.
O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, viajou das áreas desérticas ao litoral da Colômbia para mostrar como funciona o projeto que busca fortalecer a cadeia do produto na América Latina.
Projeto + Algodão
A terra natal da Zoraida e da Elisa é um dos principais pólos do programa que tenta fortalecer a cadeia produtiva na região. Liderado pelo Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Itamaraty, e em parceria com a Embrapa e a Empaer-PB, o “Projeto + Algodão” envolve sete países – Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Haiti, Paraguai e Peru – e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Conhecido como “ouro branco”, o algodão – cujo dia mundial é celebrado em 7 de outubro – gera renda e emprego principalmente nas pequenas propriedades. “A maioria das pessoas que fazem parte do projeto de cooperação são agricultores familiares”, afirma o diretor de Assistência Técnica da Empaer-PB (Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária), Jefferson Morais.
Por meio desse programa, populações vulneráveis recebem sementes e fios de graça, mulheres estão sendo preparadas para empreender e técnicas que respeitam o meio ambiente têm sido compartilhadas. Uma das dúvidas mais comuns é estimular o cultivo nos países vizinhos, em vez de aplicar todos os recursos em solo brasileiro.
“A extensão da produção para outros países, que têm outros climas e outras situações geográficas, pode, se nós enfrentarmos uma dificuldade, equilibrar o mercado brasileiro”, explica o embaixador do Brasil na Colômbia, Paulo Estivallet de Mesquita. O embaixador também se recorda que o Brasil “superou uma crise terrível nos anos 1980 e 1990 para se tornar o maior exportador mundial do produto”.
Ranking
O Brasil é o maior produtor de algodão sustentável e o terceiro maior produtor de algodão tradicional. Só China e Índia têm mais cultivo. Os dados são da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão e da Textile Exchange, uma organização internacional sem fins lucrativos que tem foco na sustentabilidade.
الشوكولاتة البرازيلية تجد سوقاً في الدول العربية. وزادت صادرات المنتج بنسبة 4.39% هذا العام، حيث سجل العراق، ثالث أكبر سوق في الجامعة العربية، زيادة في الطلب.
As exportações de chocolate brasileiro para a Liga Árabe avançaram 4,39% no acumulado de janeiro a agosto deste ano sobre o mesmo período do ano anterior, segundo informa a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.
As vendas do período subiram para US$ 16,06 milhões, mesmo com o recuo nos volumes embarcados de 4,54%, para 4,43 mil toneladas. O preço médio por tonelada também teve alta de 9,35%, negociado na média a US$ 3.623,84. O valor considera os dados de receita e volumes exportados para os 22 países da Liga Árabe.
A entidade destaca ainda que a demanda do Iraque, o terceiro maior comprador do chocolate brasileiro entre os 22 países da Liga Árabe, cresceu 101%, totalizando no período 395 toneladas, logo atrás dos Emirados Árabes Unidos, que adquiriram 475 toneladas, com recuo de 4,09%, e da Arábia Saudita, mercado que absorveu 2,36 mil toneladas de chocolate brasileiro, com pequena queda de 2,43% sobre o volume do período anterior.
“Importante destacar que 97% do que o Brasil exporta para a Liga Árabe são preparações de cacau recheadas, barras, tabletes e paus, que se caracterizam como produto de valor agregado. O chocolate brasileiro é destinado ao mercado interno e a processos de reexportação, principalmente a partir dos países do Golfo, que atuam como hub de revenda de todo tipo de mercadoria”, diz Marcus Vinicius, gerente de inteligência de mercado da Câmara Árabe.
Vinicius pontua que o fato de os países do golfo atuarem como hub de exportação pode ser uma vantagem importante para marcas que desejam se internacionalizar na região. O executivo também chama a atenção para o fato de o Brasil, apesar do recente avanço, ainda ocupar um espaço bastante modesto nos mercados árabes.
Foto: Jayme Vasconcellos / Agricultura e Negócios
No caso dos Emirados Árabes Unidos, por exemplo, país que adquiriu US$ 1,64 milhão em chocolate brasileiro no acumulado de janeiro a agosto, a nação do Golfo importa por ano cerca de US$ 460 milhões em chocolates, que vem, inclusive, de países sem tradição no cultivo da amêndoa, como Turquia, Holanda, Itália e Egito, principalmente.
O gerente de inteligência de mercado pontua ainda que os importadores árabes seguem atuando para conter a alta dos preços do cacau, mantendo as variações ao menos dos ‘contratos de porto’ na casa dos 10%, bem abaixo da variação internacional da commodity registrada ao longo do ano, entre 40 e 50%.
Desde janeiro, os futuros de cacau da bolsa CBOT, de Chicago, quase dobraram em valor, sendo cotados hoje acima dos US$ 7 mil a tonelada. Na bolsa de Londres, a valorização dos contratos no acumulado do ano chegou a bater 47%.
Esse aumento nos preços do chocolate decorre de perdas por pragas e problemas climáticos que afetaram até 20% das safras da Costa do Marfim e Gana, países que respondem por 56% da produção mundial da amêndoa.
A perspectiva das entidades do setor cacaueiro é que o mundo enfrente nos próximos anos um déficit na oferta de cacau, que pode, inclusive, demorar para ser regularizado.
Em meio aos desafios globais como as mudanças climáticas e a crescente demanda por recursos naturais, as florestas plantadas despontam como uma solução promissora e sustentável. Ao combinar desenvolvimento econômico e preservação ambiental, o setor demonstra potencial para moldar um futuro mais verde e próspero.
De acordo com a pesquisa Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2023, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a área de florestas plantadas no Brasil alcançou 9,7 milhões de hectares em 2023, o que representa alta de 2,5%, cerca de 238 mil hectares em comparação ao ano anterior. Do total produzido pela silvicultura, 7,6 milhões de hectares são de eucalipto, utilizado majoritariamente na indústria de papel e celulose.
E os números falam por si só. O setor florestal brasileiro gera milhões de empregos, contribui para as exportações e arrecada bilhões de reais em impostos. O Brasil é o maior exportador mundial de celulose. Em 2023, 19,1 milhões de toneladas foram exportadas e os principais destinos foram China, Estados Unidos, Países Baixos e Itália. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que a celulose ocupou o décimo lugar no ranking das exportações totais do Brasil no ano passado. “O agronegócio brasileiro gerou R$ 933 bilhões em exportações em 2023, e o setor de produtos florestais faturou R$ 80 bilhões”, revela Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas.
Destaques nacionais
Segundo o IBGE, Minas Gerais tem a maior área coberta com espécies florestais plantadas do país, com 2,1 milhões de hectares, um aumento de 1,7% em relação ao ano de 2022. Desse total, 97,4% é ocupado por eucalipto.
Já Mato Grosso do Sul aumentou sua área com silvicultura em 15,2%, ocupando a segunda colocação no ranking de maior área de florestas plantadas, com 1,4 milhão de hectares (98% sendo de plantio de eucalipto). E os quatro maiores municípios brasileiros em termos de área de florestas plantadas estão no estado:
1º Ribas do Rio Pardo: 420,5 hectares
2º Três Lagoas: 311,9 hectares
3º Água Clara: 163,1 hectares
4º Brasilândia: 150 mil hectares
“Esses municípios são os principais polos de produção de eucalipto no estado, atraindo investimentos nacionais e internacionais para a instalação de grandes indústrias de celulose e papel, como a Suzano, Eldorado Brasil, Bracell e Arauco”, destaca Jaime Verruck, secretário da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Completando o pódio dos estados, está São Paulo, que registrou 1,2 milhão de hectares, um crescimento de apenas 0,1%, o que ocasionou a perda da segunda posição para Mato Grosso do Sul.
Foto: Licia Rubinstein / Agência IBGE Notícias
Sustentabilidade e inovação
Um dos pilares do sucesso das florestas plantadas é o compromisso com a sustentabilidade. Por meio de práticas de manejo florestal responsáveis, as empresas do setor contribuem para a conservação da biodiversidade, a proteção dos recursos hídricos e a mitigação das mudanças climáticas. “Nossas florestas são verdadeiros sumidouros de carbono, ajudando a combater o aquecimento global”, afirma Zaid Ahmad Nasser, empresário do ramo florestal e ex-presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Floresta (APRE).
A inovação é outro ponto forte do setor. Através de pesquisas científicas e o desenvolvimento de novas tecnologias, as empresas florestais buscam otimizar a produção, reduzir os impactos ambientais e aumentar a eficiência. “A silvicultura de precisão, por exemplo, permite um manejo mais eficiente das florestas, maximizando a produtividade e minimizando os custos”, explica Oliveira.
Visão compartilhada pelo secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás. “Estamos investindo em práticas que promovem o equilíbrio entre a produção e a preservação, garantindo um futuro próspero para nossos agricultores e para o meio ambiente”, afirma Pedro Leonardo Rezende.
Impacto social e desenvolvimento regional
Além dos benefícios econômicos e ambientais, as florestas plantadas também geram um impacto social positivo. As comunidades locais são beneficiadas com a geração de empregos, a melhoria da infraestrutura e o desenvolvimento de atividades sociais. “As florestas plantadas contribuem para a fixação das pessoas no campo e para o desenvolvimento de regiões antes consideradas isoladas”, ressalta Nasser.
A qualificação da mão-de-obra é um dos desafios do governo de Mato Grosso do Sul, por exemplo. Atualmente, o setor florestal detém 15 mil empregos diretos e 12 mil indiretos na região. Para capacitar as equipes, o Sistema S tem trabalhado na oferta de cursos profissionalizantes. “Temos projetos gigantescos e vivemos uma escala de crescimento que depois acaba se estabilizando. Temos a segunda maior área do eucalipto do Brasil, e esse setor tem uma participação de 17,8 % no nosso PIB.”, conclui o secretário Verruck.
O futuro é verde
Em um mundo cada vez mais urbanizado e industrializado, as florestas plantadas representam uma alternativa promissora para um futuro mais sustentável. Ao combinar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e responsabilidade social, esse setor demonstra que é possível conciliar crescimento e bem-estar planetário.
*Jornalista, técnico em agronegócio e editor-chefe do Agricultura e Negócios.
Muito importante na produção agrícola, os defensivos exercem o papel de proteção das lavouras aos ataques de insetos, plantas daninhas e doenças que atingem o ciclo das culturas. Estes produtos podem ser classificados como sintéticos químicos (fungicidas, herbicidas, inseticidas, acaricidas, nematicidas e bactericidas), ou biológicos, que são desenvolvidos a partir de organismos ou substâncias naturais. Entretanto, mesmo com tantas opções de produtos no mercado, o suporte fitossanitário ainda é insuficiente para algumas culturas e isso gera muitas dúvidas a classe produtora.
De acordo com José Orlando Sartori, profissional que acumula 47 anos de experiência e atua como um consultor de assuntos regulatórios na multinacional Ascenza, esse tema gera dúvidas por duas razões básicas. A primeira delas é pela falta de produtos registrados, legalizados ou recomendados para controle de pragas, principalmente de pequenas culturas, como por exemplo cebolinha, salsinha, aveia, centeio, acerola e muitas outras. “Isso induz o agricultor a usar produtos aprovados para outro grupo de culturas para conseguir produzir. Quando a gente fala principalmente de hortaliças e frutas, é um universo, que tem muitas espécies e é praticamente impossível classificar todas”, destacou.
A segunda razão, de acordo com o especialista, é pelo uso inadequado dos produtos, ou seja, quando o agricultor não se atentar à dose máxima recomendada ou ao limite de aplicações. Outro agravante é não respeitar o intervalo de segurança, também conhecido por período de carência, que nada mais é do que o intervalo em dias entre a última aplicação até a colheita do produto.
Para que haja o registro um novo defensivo para uma cultura é necessário que a empresa fabricante comprove sua eficácia e apresente todos os estudos com limite máximo de resíduo. Conforme explica Manuela Dodo, gerente de assuntos regulatórios da companhia no Brasil, todo esse processo necessita de um investimento relativamente alto e também demanda tempo para os estudos. “Esses dois fatores são os principais nessa dificuldade de abranger uma bula de um produto para diferentes culturas”, acrescenta.
Para tentar resolver essa questão em 2010, o Governo Federal publicou uma resolução que estabelece procedimentos para as Culturas Com Suporte Sanitário Insuficiente (CSFI). A partir de então houve uma divisão em sete grupos. Os cultivos foram organizados em: frutíferas com casca comestível e casca não comestível, hortaliças folhosas e ervas aromáticas, raízes de tubérculos, leguminosas e oleaginosas e cereais.
Com base nestes sete grupos, houve uma subdivisão em 17 subgrupos e determinou-se a nomeação de uma cultura que representasse as outras nessas divisões. Desta forma, ficou definido para essas “representantes” que todos os estudos de resíduos e os laudos de eficácia feitos nela se aplicariam às demais de cada subgrupo.
Por exemplo, a alface é uma cultura representativa do subgrupo das hortaliças folhosas. Os estudos de resíduo realizados para ela suportam o registro também para acelga, agrião, rúcula, chicória e outras, pela similaridade, tanto de aplicação quanto de ciclo. “Desta forma o governo conseguiu resolver esse problema de culturas importantes, que pela questão do custo e por não terem áreas expressivas, ficavam em segundo plano”, disse o consultor.
De olho na bula
Para evitar o uso incorreto dos defensivos nas lavouras, o produtor deve seguir alguns pontos mais importantes. O primeiro passo é utilizar produtos autorizados pela Anvisa. Além disso, é fundamental seguir a indicação para cada cultura respeitando a dose recomendada, bem como o número máximo de aplicações e o intervalo de segurança.
Ao ignorar alguns desses parâmetros, a probabilidade de o plantio apresentar um resíduo acima do limite é grande e isso pode gerar sérias consequências. “Legalmente se isso ocorrer, essa cultura que apresenta resíduo acima do limite deveria ser destruída, pois não está apta à comercialização e consumo. Então, estaria trazendo um dano econômico enorme para o produtor e nem sempre ele tem consciência disso”, destacou Sartori.
Outro fator importante para seguir corretamente os protocolos de aplicação é a questão da rastreabilidade, algo que cada vez mais é exigido e valorizado pelo mercado. Por exemplo, hoje, muitas redes de supermercado exigem e exibem o QR Code nos alimentos. Por meio deles, conseguem fornecer aos clientes informações completas sobre a origem daquele determinado produto. “Tudo se movimenta em busca de segurança alimentar, que é o grande objetivo aqui, garantir que o produto final convencional seja entregue dentro dos níveis estabelecidos”, complementa a engenheira agrônoma e gerente de marketing da Ascenza, Patricia Cesarino.
Produção convencional x produção orgânica
O manejo orgânico é uma realidade e uma prática que tem conquistado um importante nicho de mercado. Contudo, com este modelo de produção que não utiliza defensivos químicos e é praticado em áreas menores, dificultando a produção em grande escala.
Por outro lado, o manejo convencional, que segue as boas práticas agrícolas respeitando o uso correto de aplicação defensivos, que utiliza produtos legalizados, consegue obter maior produtividade na agricultura de alta escala e consequentemente, gera maior oferta ao comércio. “Seguindo os níveis de segurança, respeitando o limite de resíduo estabelecido é possível sim ter um produto seguro para o consumidor consumir e em um preço mais acessível”, destaca Manuela.
Sabendo a diferença entre produção orgânica e convencional, é importante destacar que são atividades distintas que na prática uma não irá substituir a outra, afinal são modelos de produções diferentes. “Existe espaço para as duas práticas, elas podem e devem coexistir e isso é muito produtivo”, finaliza Patricia.